quarta-feira, 20 de abril de 2016

ABUNDÂNCIA E A DESTREZA QUE ENVOLVE


Vamos iniciar um debate acerca da abundância, um debate que inicia hoje com o que chamamos de nova abundância, mais especificamente, como criar a abundância que desejam. Muito específica e detalhadamente como podem criar um novo nível, e de facto um novo tipo de abundância. Vamos trabalhar convosco no sentido de desenvolverem uma destreza particular, a que chamamos de destreza de conseguir tudo.

No passado mais recente deu-se uma abundância de workshops subordinados à abundância. (Riso) Por um período pareceu que toda a gente lhes ensinava tudo quanto alguma vez terão querido saber acerca da abundância. E num passado ainda mais recente, aqueles workshops predominantes entraram num acentuado declínio, e por uma diversidade de razões, porque tais workshops entraram em declínio. Antes de mais, sugerimos que o número que atingiram acabou por não ser mais do que rápidos esquemas de enriquecer. Não os ensinavam com respeito à abundância, mas estabeleciam basicamente a premissa de lhes vender o seu produto porventura para criar a abundância dos seus promotores, mas que pouco tinha que ver com a vossa abundância. Em segundo lugar sugerimos que um certo número de workshops bastante legítimo que se terá baseado na ideia de gerarem abundância com bastante fervor, terá estado carregado ou mesmo assente em técnicas que simplesmente não funcionaram. Por conseguinte, embora tenham estado imbuídos de boas intenções e fossem dignos, sugerimos que os resultados tenham sido bastante pobres e que por isso as pessoas terão deixado de se envolver.

Além disso, o que aqui sucede em termos do desenvolvimento das energias da abundância é que, à medida que as pessoas se envolviam nessas actividades, a própria palavra tornou-se algo numa palavra contaminada na vossa linguagem metafísica e tornou-se num quase embaraço de facto, falar em ir a um workshop desses. Tornaram-se mais propensos s guardar segredo e a usar óculos de sol num tipo qualquer de disfarce e a sair às escondidas por irem a um workshop subordinado ao tema da abundância. Não gostariam que os vossos amigos espirituais e metafísicos tivessem conhecimento por serem tão crassos, tão triviais, tão decadentes de facto, ao se envolverem com coisas tão mundanas quanto a abundância, não? Consequentemente, essa linguagem tornou-se algo não muito válido, não muito aceite, no vosso mundo.

Além disso, também sugerimos que com os anos oitenta surgiu todo um novo interesse na metafísica, todo um tópico novo e excitante – o pessimismo da desgraça, pelo que se tornou muito mais excitante as pessoas falar de coisas triviais nas festas do que da velha abundância de que falamos há tanto tempo, etc. Esse novo tópico é muito mais excitante, não? Não conseguem fazer nada com respeito a ele, é claro, o que o torna muito mais divertido. E se falavam disso, era: “Oh não será terrível, não será desastroso, imagina o que não irá suceder; ouvi dizer que se deu uma tempestade aqui e que não choveu durante quarenta dias ali… Imagina isso suceder de repente…” Poder falar sobre esse tipo de coisas sem qualquer nível de responsabilidade torna-as mais divertidas do que lidar com a abundância e a responsabilidade e as questões ligadas à criação e à não criação e a coisas desse tipo. Podiam ter que fazer algo com respeito a isso, o que tornaria tudo enfadonho. Assim, qualquer outra coisa entra muito mais em voga.

E assim, em particular no sentido em que nem sequer consideravam a possibilidade de vir a existir um futuro, porquê darem-se ao trabalho de se importarem com a abundância? Para quê importar-se em falar de tais coisas e aprender tais técnicas de criar riqueza sob qualquer forma que desejem, se não vão cá estar para desfrutar dela de qualquer modo?! Assim, sugerimos que o pessimismo levou a melhor sobre a abundância, mas que será porventura tempo de começarmos a falar da abundância uma vez mais, porque, conforme já dissemos há muito tempo atrás, o problema não é que não venham a ter um futuro – o problema está em que irão ter um futuro, e vocês vão ser responsabilizados por ele. (Riso)

Por estas razões em particular, por causa da qualidade dos esquemas de enriquecimento rápido, por causa das técnicas ineficazes e da falta de popularidade a também por causa do incremento da popularidade que o pessimismo teve, a abundância caiu no favor, claramente. É tempo de examinarmos a abundância, mas é tempo, contudo, de a examinarmos não da forma que a têm olhado, por ser tempo de a olharmos de uma forma nova. Até mesmo essas velhas formas de olhar a abundância foram em parte responsáveis pela falta de interesse, pela falta de envolvimento, parcialmente responsáveis pelo voltar costas a esta questão crucial da abundância.

A forma como a abundância geralmente é ensinada num workshop, com toda a fanfarra e os extras envolvidos, basicamente assenta na combinação que lhes é apresentada de modificação comportamental e de abordagens à vida, abordagens à realidade como as de B.F. Skinner combinadas com uma aspersão de uns quantos termos metafísicos, um tanto espirituais, adicionando-lhe como uma boa medida uma certa quantidade de técnicas para criar riqueza, para ficarem ricos. Para alguns funcionou, mas para muitos mais não resultou. Mas então algo sucedeu; com essa popularidade de workshops relativos à abundância, fosse por que nome fosse que fossem anunciados, vieram o que chamamos de “adeptos das maiorias,” (que fazem como todo mundo) que quiseram vender essa popularidade e assim conseguir fazer um dinheirinho rápido. Não se interessavam em ensinar-lhes alguma coisa acerca da abundância – estavam unicamente interessados em criar a própria abundância, falando-lhes acerca dela. E assim, o que sucedeu durante um certo período de tempo foi o que terá começado porventura de uma forma justificável, mas não eficaz.

Técnicas e abordagens tornaram-se diluídas, e os workshops sobre a abundância tornaram-se muito pouca modificação comportamental, um monte de jargão metafísico e técnicas tão bizarras que muitos foram à falência ou quase se arruinaram ao tentarem enriquecer. Do mesmo modo, por causa desse fenómeno da decepção, as pessoas – vocês – voltaram as vossas costas a esta questão, assim como aos workshops intitulados “Abundância.” Muitos, do mesmo modo, contraíram um verdadeiro conflito entre o espiritual e o material; esse será porventura um dos problemas que terão razão de ser, nestes tempos da razão – o conflito existente entre os dois. Mas vocês vêm, muitos de vocês tiveram a vossa primeira introdução à espiritualidade através das vossas religiões do passado, das vossas religiões da infância – do oriente ou do ocidente, não importa – em que na verdade lhes foi incutido que a relação existente entre o espiritual e o material seria, senão antiética, pelo menos seria uma relação muito trêmula - quando muito, em resultado do que deviam simplesmente deixar isso de lado. Foram-lhes contadas histórias de gente rica e de buracos de agulhas e camelos e coisas desse gabarito (riso) que o mais das vezes não faz sentido para vós, de modo que fazem o que lhes mandaram, deixam isso de lado.

Com o incremento que o movimento do potencial humano sofreu a ideia da abundância uma vez mais á superfície mas ainda um tanto como uma atitude “Esquece lá isso,” ou “Deixa que seja.” E aqueles que eram capazes de fazer dinheiro fizeram, e aqueles que não conseguiram ou não eram capazes, não fizeram. E deixaram isso bem de lado, de facto, e afastaram-se da questão, por ser demasiado controversa, demasiado difícil, demais com que trabalhar. Mas o que também sucedeu, foi o que chamamos do facto da vossa metafísica ter crescido.

Em 1979 demos uma palestra intitulada “Consciência da Califórnia” em que falamos da abertura dos oitenta e dos noventa e do que iriam descobrir. E por entre muitas outras coias que sugerimos por essa altura dissemos que a certa altura no vosso mundo, conseguiam resolver bem todos os problemas por vós próprios, e que tinham uns quantos problemas e um conhecimento limitado, e que dispunham de umas quantas vias de abordagens para que qualquer pessoa conseguisse resolver bem os próprios problemas de uma forma linear se dispusesse de tempo para se arrastar passo a passo, até que eventualmente tudo se resolvesse. E num certo sentido ocorreria uma entropia positiva em que tudo se resolveria bem pelo melhor. Mas o que também sugerimos por essa altura foi que estão a avançar para um tempo em que não será possível, por comportar demasiados problemas, que estão agora a crescer e a surgir, uma só pessoa ter todas as soluções para esses problemas.

Em segundo lugar, há simplesmente muito a conhecer. A explosão que a informação, a educação e o conhecimento sofreram só nos últimos vinte anos da vossa vida, expos tanto conhecimento que tornou virtualmente impossível qualquer pessoa sozinha aprender tudo conforme costumava ser capaz. Se soubessem ler e escrever e aritmética podiam sair-se muito bem; agora, precisam saber tanto mais que se torna impossível qualquer um de vós chegar a saber tudo, como poderiam há cem ou há cento e cinquenta anos.

Também sugerimos que os problemas se terão tornado particularmente complexos e que as soluções não se tornam evidentes. Não é somente uma ou duas expressões lineares, mas ao invés, conforme sugerimos então, precisam resolver problemas de uma forma exponencial. Não buscar apenas a abordagem linear do movimento lógico de passagem de um passo para outro, mas procurarem áreas completamente novas de solução, buscarem vias completamente novas e áreas em que descubram resolução. Que não bastava que trabalhassem individualmente mas que se juntassem numa sinergia em que o todo do corpo do conhecimento é maior do que a soma da combinação das partes. E que de facto devem não só buscar o mesmo tipo de solução, mas por toda uma nova solução. Muitos tomaram-nos a sério, na altura, e começaram a trabalhar, não só para limparem o pavimento, mas o sentido de criarem novos patamares; não só no sentido de corrigirem o conjunto da realidade a que pertencem, mas de criarem novos conjuntos de realidade. Já outros, quanto a esse particular, deixaram isso pelo caminho.

Pois bem, o vosso mundo demonstrou aquilo que sugerimos, por os problemas se terem tornado mais difíceis; os problemas tornaram-se mais complicados; já não há respostas simples por cada solução parecer produzir três ou quatro problemas adicionais. O que é que fazem com o lixo? Colocam-no no bidão do lixo, evidentemente. Mas que é que fazem quando o recolhem? Trituram-no ou amassam-no, não é? Recolhem-no naqueles camiões grandes que o compactam. (Riso) Ah-ah! Mas para onde segue depois disso? Aí é que está o problema. Enterram-no? Têm falta de cobertura. Colocam-no em barcaças e despejam-no no oceano, não? Que é que fazem com o lixo? Um problema tão simples há poucos anos atrás, e que agora cria dificuldades ao nível da alta tecnologia por todo o vosso mundo. E que é que fazem com os desperdícios nucleares? Colocam-nos em barricas de lata, não é? Precisam de barris de petróleo, passíveis de se enferrujarem, mas colocam os detritos nucleares dentro deles e põem-nos longe da ideia e longe da vista com pouco ou nenhum rigor, não é? Pois não devem fazer isso. Mas talvez os coloquem no oceano, por ser o local ideal, não? Um adorável barril de petróleo que fica a enferrujar na água salgada e afundam-nos onde não os vejam e tudo ficará bem, não? Pois que é que fazem com ele agora? Desenterram-nos e deixam-nos ali ficar e cobrem-nos; que é que fazem? Os problemas atingiram uma tal grandeza que muitos não são capazes de encontrar soluções, razão porque não deverá haver qualquer solução. O mundo vai acabar.

Mas o que nós sugerimos é que o que aqui está a suceder é que a vossa consciência superior, e a consciência daquilo que é o vosso crescimento, estão a forçá-los, estão a espremê-los e a afunilá-los numa posição em que irão ter que aceitar o facto de que os problemas precisam de outros tipos de soluções, outros tipos de respostas – não as respostas que sempre prevaleceram, mas respostas exponenciais em que vocês venham a ser responsabilizados pela criação de todo um conjunto novo de realidade; em que a solução para o problema não esteja em fazer alguma coisa com ele, mas esteja em recriá-lo, reinventá-lo, criar novos pavimentos, novos conjuntos, novos mundos em que viver.

A vossa metafísica cresceu; isso assusta muita gente, mas a vossa metafísica sofreu um crescimento. E como se assustam em termos dos problemas serem agora enormes, têm que aplicar a metafísica a questões reais e não só a parques de estacionamento e a luzes verdes. (Riso) Muitos de vocês desistiram de criar a sua realidade. “Ena, esta matéria é real! Quando era só juntar-se em meditação e ouvir boa musica e tocar os tambores e incenso, era uma coisa, agora usar esta matéria em coisas reais, isso já é outra coisa. Não estou certo de me querer ver envolvido nisso. Eu crio a minha realidade enquanto for divertido e gozar de imenso tempo e for tipo canção de embalar, mas não quando o que está em jogo é a morte e a vida, porque esse tipo de coisas, não…!”

E não só alguns de vós desistem de buscar a abundância, mas desistem de criar a sua própria realidade, dizendo: “Oooh! Esta coisa torna-se assustadora,” quando se chega a falar de a pôr em prática, fora da sala de aulas ou fora do pequeno grupo ou do ajuntamento em que sempre sou melhor que os amigos, que se sentam a sentir tão espirituais. Por causa disso, de forma semelhante, a abundância perdeu favor; essas coisas estavam a ficar demasiado reais, a vossa metafísica cresceu. Mas depois os conceitos do “fim do mundo,” etc, que se tornaram tão excitantes, mas que do mesmo modo os deixaram numa posição que os levaram a dizer “Esqueçamos isso, coloquemos isso de lado. Não pensemos em coisas tais como a abundância.” Diversas razões, mas ignoram a controvérsia da abundância criam problemas bem reais, na medida em que o vosso crescimento está em causa. Antes de mais, cortam ou abandonam uma porção significativa do que compreende a vossa vida que conhece uma abundância de abundância. Vocês encontram-se aqui neste mundo físico para aprenderem a criar, para demonstrar que podem pegar nas vossas decisões e escolhas e que podem motivá-las com as vossas ideias e sentimentos e manifestar as vossas atitudes e as vossas crenças. Estão aqui para mostrar a vós próprios isso. Mas quando ignoram a abundância, quando lhe viram as costas, ignoram e abandonam uma porção significativa daquilo que estão neste plano físico para conseguir. E acabam, em vez disso, com uma vida repleta de luta, dificuldade, comprometimento, com uma realidade que pouco tem de sucesso e menos ainda de felicidade.

Quando abandonam a abundância, quando lhe voltam as costas por ser demasiado controversa ou difícil ou por ter muitas questões com que lidar, estão a negar os vossos objectivos principais, ou propósitos ou a missão porque aqui se encontram. Muitos de vós perguntam, quando falamos convosco por uma primeira vez: “Que focos terei; que terei aqui vindo fazer? Estarei a fazer o que aqui vim fazer?” E nós sugerimos inúmeras vezes em workshops, que se encontram aqui para aprender a divertir-se. E encontram-se aqui para criar conscientemente sucesso. Agora, quando ignoram a abundância ou decidem que seja demasiado controversa e lhe voltam as costas, dizendo: “Não sei o que engloba de qualquer modo, e há tanto problema com que lidar e nem estou certo de criar a minha própria realidade tal como ela se me afigura,” estão a negar a diversão, e mais, como haverão de considerar seguir em frente e criar conscientemente sucesso sem considerar a abundância? Instalam um conflito, e vocês perdem. Um conflito – e vocês perdem!

E depois o que é que sucede? Quando ignoram e voltam as costas a toda esta questão, acabam a amontoar tudo, desde dinheiro, à riqueza e ao sucesso, à felicidade, ao riso, à alegria, amontoam tudo sob um título vago, nebuloso e desagradável chamado “materialismo” e descartam tudo. A abundância tem que ver com o dinheiro, é verdade, mas também tem que ver com muito, muito mais. A abundância tem que ver co a criação consciente do vosso sucesso, é verdade; tem que ver com a criação e a expansão do cubo do sucesso, em constante expansão, é verdade, mas tem que ver com tanto mais. E conforme agora na vossa realidade se encontram a ir além das limitações psicológicas humanistas e a ir além das limitações daquilo que é o movimento do potencial humano, rumo ao ilimitado da vossa própria espiritualidade, rumo ao ilimitado da vossa nova espiritualidade, é uma vez mais tempo de olhar para a liberdade e a riqueza e o sucesso e a abundância que lhe são inerentes. É tempo de voltarem atrás para essas questões e de se abrirem uma vez mais à consideração, e não só à consideração mas para aprenderem, e não só isso como efectivamente criar abundância. Isso é parte do vosso destino. Isso é parte do que estão a qui para fazer, por vocês aqui se encontrarem para determinarem o futuro, o futuro, o quadro negro em branco do futuro, em que vocês decidem o que colocar nele, em que vocês decidem o que vai comportar.

Os místicos e os profetas do passado disseram-lhes com o que contar até esta altura, e depois deixaram de lhes revelar, deixando-o propositadamente em branco com consciência que era um espaço reservado à vossa criação, que viria a haver uma nova realidade e uma nova espiritualidade e que viria a haver uma nova era de compreensão e de descoberta, que vós seríeis responsáveis não só pelo viver como pela criação do futuro. Esse é o vosso desafio, esse é o vosso ônus; o destino que escolheram, ao terem optado por nascer nesta altura de modo a estarem vivos à medida que estes anos oitenta atingem o fim e os noventa têm início, e o próximo século se põe em curso. Vocês disseram: “Eu quero participar. Eu quero fazer parte do que esse futuro reservar. Eu quero fazer parte da decisão do que venha a ser, quero fazer parte da criação dele.” E agora que aqui se encontram no limiar dizem: “Já não sei mais.” (Riso) “Poderei realmente fazer isso? Não fará mesmo mal? Terei permissão? Como o hei de fazer?” É isso que estão aqui para aprender, entendem?

A abundância tem que ver com o dinheiro, tem que ver com o sucesso, tem que ver com o que querem e tem que ver com tanta coisa mais; tem que ver com toda a vossa parte da espiritualidade e dos relacionamentos, com Deus, a Deusa e o Todo. Não é assunto desagradável nem sujo que deva ser rotulado como “materialismo” com os seus olhares por cima do nariz e arrogância que escorre de vós. É parte importante daquele que são, parte importante do que estão a fazer com a vossa vida. E por conseguinte, quando alguém lhes diz: “Ah, estás a tratar da abundância, digam: “Sim, e tu também devias, em vez de te desculpares!”
“Ah, bom, peço desculpa…” (Riso)

Assim, hoje vamos lidar com a abundância. Este não vai ser mais um daqueles workshops de como ficar ricos. Aqueles de vós que tiverem vindo com um propósito desses irão ficar desiludidos, por não ser tudo quanto o dia de hoje vai englobar. Mas além disso sugerimos que o dia de hoje não tem que ver com o rebaixar daqueles de vós que querem ser ricos, daqueles de vós que queiram criar riqueza ou riqueza como parte da vossa abundância. Não iremos julgá-los nem rebaixá-los nem dizer que “são tão materialistas!” Caso seja isso que a vossa abundância merece, então que tenham isso como parte da vossa abundância.
E assim, para iniciarmos de uma forma mais clara, precisamos examinar o que é a abundância, tanto pelos velhos padrões com pelos novos. Pelos velhos padrões a abundância pode ser muito simplesmente definida, mas como obviamente terão demonstrado nos vossos mundos, é mais difícil fazer do que dizer. A abundância costumava ser simplesmente definida como a criação de riqueza mais a sua pompa. 

Abundância, riqueza, por qualquer definição que seja, abundância de energia, abundância de actividade. Abundância, a riqueza mais os seus adornos, seja o que for que isso englobe. Envolve esforço, isso está fora de questão; envolve esforço e dificuldade e tenacidade, por com efeito a abundância ser encarada como uma recompensa por boas e árduas obras. Se alguma coisa for digna de ter, se algo for digno de lutarem por ela, conforme já terão ouvido, então valerão um bom esforço. A avó dizia isso, não? Ou o avô, ou alguém mais que se tenha esforçado e brigado por algo.

A velha abundância também envolvia a atenção tenaz pela técnica, uma atenção tenaz pela técnica, por a abundância ser vista como uma vitória, como uma batalha que vocês vencem, e “Para os vencedores vão os despojos,” não é? Por isso, precisam aplicar a técnica de uma forma tenaz a cada instante. E os “despojos” neste caso vão para aqueles que trabalham de forma mais árdua, ou de forma mais esperta. Vocês conhecem o jargão e as linhas; memorizaram-nas e referiram-nas dez mil vezes, muitos de vós. Atenção tenaz pelo detalhe e pela técnica. Essa é a velha abundância: Esforçar-se, brigar, trabalhar no duro, ser esperto, prestar atenção, ser detalhado, ser diligente, ser persistentes até que eventualmente sejam recompensados, eventualmente criarem abundância, eventualmente terem mais dinheiro do que toda a gente, sejam quais forem as promessas da velha abundância.

O que sugerimos é que essa abundância nada tem de errado; nada tem de errado querer riqueza, nem os adornos da riqueza. Certamente que neste campo da metafísica há muito quem discorde disso, e diga que é terrível, que uma pessoa espiritual deva afastar isso e que não deva querer isso, e que se gozarem de abundância deviam desculpar-se; e que se não tiverem abundância deviam regozijar-se. O que nós sugerimos, todavia, é que aqueles que proferem tais argumentos fervorosos muitas vezes acham-se presos na ética Judeo-Cristã da infância, e simplesmente aplicam essa velha ética a um novo mundo e a uma nova realidade, a uma nova espiritualidade e chamam-lhe Nova Era. Uma pessoa que tão veementemente afirma que a abundância, a riqueza, o sucesso, sejam errados e que não se deveriam envolver com elas, por nada terem que ver com a espiritualidade, estão ao invés a expor uma de sete coisas acerca delas próprias:

Antes de mais, poderão muito bem estar a expor o facto da sua nova espiritualidade ser simplesmente a velha espiritualidade em vestes de adultos, estejam a usar o chapéu da mãe, estejam a usar demasiado make-up e a agir com os crescidos. Conforme dissemos ocasionalmente é como a velha espiritualidade. Um cristianismo fundamentalista travesti não representa aquilo que a nova espiritualidade engloba. Empregar nomes novos em velhos conceitos; pegar nas ideias e nas atitudes velhas e renomeá-las não tem que ver com a nova espiritualidade. E aqueles que são tão ardentes na assistência que dão que a materialidade e a espiritualidade nada têm que ver uma com a outra, estão simplesmente a expor essa faceta do seu ser.
Ou então, ter-lhes-ão mostrado que terão confundido a política da metafísica e o pensamento oriental e ocidental com a filosofia da metafísica e da nova espiritualidade. A política da metafísica diz, mais particularmente no pensamento oriental, que quando lideram dez milhões de pessoas em fome, não lhes devem falar de abundância, porque elas sairão em debandada. Quando se encontram numa condição como na velha tradição ocidental em trajes de robe adornados de ouro e de joias, e anéis que custam mais do que o que vinte ou trinta pessoas da congregação produzem numa vida inteira, não lhes falem em criar a sua abundância. Em vez disso, quer no pensamento oriental ou ocidental, quando lidarem com massas de pobres, falam-lhes da virtude da sua pobreza – da espiritualidade da sua pobreza. Falem com elas acerca do quão felizes virão a ser e do quão rápido irão para o céu – por serem pobres, por não terem nada. Falam-lhes em como todos aqueles que têm tudo, não o conseguirão, não o atingirão, não evoluirão espiritualmente; de como precisam aprender a abrir mão dessas coisas, e de como virão a ser afortunados por se encontrarem no vosso lugar – completamente próximos de Deus espiritualmente.

Sempre nos surpreende, em particular na tradição ocidental, em que a hipocrisia por vezes é mais evidente, sempre nos surpreende que todos esses bons fundamentalistas falem de desistir e de não possuir e do quão terrível é possui toda essa riqueza, e de como os ricos estão mais distanciados e de como eles estão mais próximo a Deus por não terem nada. No entanto no mesmo fôlego falam do céu como pavimentado com ruas de ouro e rubis e diamantes e esmeraldas e abundam de uma riqueza que está para além da imaginação; eles não dizem que estejam em melhor situação, dizem que alcançarão tudo isso mais tarde. (Riso) Sentem o mesmo apego a essas riquezas que dizem (…) só que a alcançarão somente quando Deus lhas der, em vez de a criarem por si mesmos. E aqueles do mundo místico e do mundo metafísico e do mundo espiritual que alegam ter uma certa experiência quanto ao que seja a nova era, quando confundem a política da metafísica no leste e no oeste. Com a filosofia da metafísica saem com esta ideia: “Era assim que os antigos falavam disso, pelo que deverá ser assim.” Sem perceberem que os antigos também tinham interesses políticos, para além dos filosóficos. E se confundirem ambos, poderão sair confundidos em vós próprios.

Em terceiro lugar, o que poderá ser exibido mas a determinação dura de que a materialidade e a espiritualidade de algum modo sejam más e erradas, que simplesmente representa a raiva que a pessoa sente quanto à inabilidade de criar a própria abundância que critica.


E em quarto lugar, o que está a ser demonstrado com tais argumentos fervorosos, é um formidável apego ao dinheiro e uma formidável crítica que estão a fazer. Essa gente, que é tão crítica, também deverá dizer que não deveriam ter alimento suficiente para pôr na mesa? Também deverá dizer que não deverão ter saúde suficiente? Também dirá que deveriam ter escassez de oxigénio? Certamente que não. Deveriam eles igualmente dizer que deveriam ter escassez de felicidade, que não deviam amar sequer? Certamente que não. Deverão na verdade é insistir em que tenham abundância de comida e abundância de oxigénio e abundância de amor. Então que haverá de tão errado em relação ao dinheiro? “Aaah! É errado, não é?” Mas vibração é vibração! O oxigénio representa uma vibração, a comida é outra, o dinheiro e o amor e a saúde são outras. Porque discriminar essa vibração como má, errada, não espiritual e dizer que todas as demais sejam aceites? Aquilo que demonstram é a crítica que fazem. o que demonstram é o próprio preconceito e a limitação de que padecem. Porque o dinheiro não passa de uma vibração, que não é melhor nem pior que qualquer outra. E aquilo que o dinheiro lhes cria não passa de uma vibração, é uma ilusão, ambas são uma ilusão. As ilusões não são boas nem más, mas aquilo que fazem com essas ilusões é que importa. 

A nova abundância é não só algo prazenteiro de alcançar, mas enquanto ser espiritual responsável é mais do que válido, e essencial que a alcancem e criem e estabeleçam. A nova abundância. Que coisa será? Em muitos aspectos a nova abundância é similar á velha por conter uma prosperidade semelhante, e a criação, em particular a criação consciente dessa prosperidade e dos seus adornos. Mas é mais do que isso; por ser a criação dessa prosperidade não só na área financeira como em toda a área da vida. Criar uma prosperidade no vosso mundo físico; riqueza material e riqueza de bem-estar físico. Uma riqueza de saúde, que é parte dessa nova abundância. Também representa a criação de uma fartura na vossa mente, uma fartura de ideias, uma abundância de pensamento, da capacidade de pensar e de estender esse pensar a novas e diferentes raciocínios; Uma abundância de capacidade de se estenderem além das limitações das vossas possibilidades e das vossas probabilidades, de se alongarem ainda mais pelo pensamento e pela capacidade que têm de pensar - uma tal abundância faz parte desta nova abundância; a fartura da vossa emoção - ser capaz de sentir em plenitude tudo quanto sentem, a plenitude do vosso amor, a plenitude da vossa alegria, e, caso a sintam, a vossa raiva, e, caso ainda se agarrem a ela, à vossa mágoa, mas sentir a plenitude, a abundância, a maturação, a riqueza, a maturidade da vossa emoção. E sentir e estender tais sentimentos para além da limitação, além dos limites do que seja provável e possível na vossa realidade de modo a continuarem a estender as vossas emoções e o vosso pensar e a vossa espiritualidade, de forma que as relações que tenham com Deus, a Deusa, o Todo sejam fartas e amadurecidas e capazes de irromper adiante, nessa espécie de sensação em cornucópia de ser abundante.



A nova abundância tem que ver com riqueza, sim, com a posse dessa riqueza em todos os aspectos da vossa vida, não só na vossa vida física como também na vossa vida espiritual e de sentirem cada aspecto com essa fartura mais os seus adornos. A nova abundância não tem que ver com ganhar a vida - tem que ver com o construir uma vida; não tem que ver com a faculdade de verem que as vossas técnicas funcionem parte do tempo e a obtenção de algumas das coisas que querem. Tem que ver com as vossas técnicas funcionarem o tempo todo e obterem tudo quanto querem - não só aquilo que querem mas também aquilo por que pedem. Já dissemos muitas vezes que o poder que têm no plano causal é tão profundo que vocês sempre obtêm aquilo que querem, mas não necessariamente aquilo que pedem. É a grande bravata, por ao dizerem, sob o efeito do vinho ou da determinação: "Eu quero isto..." se não o criarem no plano causal, não o terão querido - apenas terão dito que o queriam.

A ideia da abundância prende-se com a criação de uma vida e de uma realidade em que em que obtêm aquilo que pedem, assim como aquilo que querem, o tempo todo. Tem que ver com a metafísica e não somente um passatempo, mas a vossa vida; com a vossa espiritualidade e não só algo que fazem num Domingo ocasional, mas uma vida que vivem. Tem que ver com a obtenção de tudo, o tempo todo - com afecto, com luminosidade, com riso e com à vontade. Representa uma perícia, não é algo que só alguns possuem, não é um talento, nem um produto da vossa energia criativa, não faz parte do vosso objectivo separado ou independente de mais alguém. É uma perícia.

Vocês agora têm os vossos empregos, não? Muitos de vós vão para o trabalho. Quando se iniciaram no vosso trabalho parecia difícil. E alguém novo vem a quem é dito para observarem aquilo que fazem, e poderá ficar surpreendido com a complexidade de todas as coisas que fazem. "Ah, é fácil!" Quando o aprendem! Quando começaram a desempenhar o vosso trabalho tiveram que fazer isto e mais aquilo, e tiveram procedimentos a seguir e não fizeram simplesmente as coisas mas tiveram que as fazer de determinado modo; tiveram que aprender tudo isso, não foi? Aprenderam-no passo a passo, pouco a pouco, à medida que iam avançando. E passado um tempo foi-se tornando fácil e foi começando a fazer sentido, passado um tempo conseguiam fazê-lo de forma automática. Agora, quando alguém vem e diz: "Deus do céu, olha como o teu trabalho é difícil; como é que te lembras dessas coisas todas?"

"Oh, não sei, simplesmente faz-se, não é?"

A abundância constitui uma perícia; inicialmente poderá parecer difícil, todos aqueles passos, e todas aquelas coisas difíceis de lidar, mas assim que começarem a fazê-lo, assim que começarem a aprendê-lo, assim que clarearem e avançarem e começarem a produzir, então torna-se como a dactilografia. Já viram alguém escrever à máquina com rapidez... "Como diabo conseguirá isso?" Através da prática. Não foi difícil.

"Juro pela minha vida que não consigo descobrir como diabo terá conseguido tal coisa."

Através da prática. A certa altura terá sido tão lento quanto vós, e não sabia onde se encontravam as letras tão pouco. Precisou aprender, e tão logo o aprendeu passou a perceber onde se situava o S em comparação com o D e onde estava o E em comparação com o W e todas essas posições, e muito em breve isso torna-se muito automático que nem chegam a pensar, fazem-no simplesmente com rapidez, etc. Prática, nada mais; nenhum mistério, nenhum talento especial, nem é coisa que seja do foro da criatividade, dactilografar. É uma perícia que desenvolvem, assim como a abundância, que não é mais difícil que aprender a dactilografar, mais difícil que qualquer outra rotina – qualquer outra rotina – que empreguem.

Quando estavam com dez ou treze anos e viam as pessoas a conduzir e a meter mudanças e a ligar o rádio enquanto olhavam pelo espelho, tudo ao mesmo tempo... “Caramba!”

“Vamos lá ver, quando se entra coloca-se a chave na ignição. Agora verifica-se pelos espelhos retrovisores... mas primeiro fizeram uma verificação ao redor do carro e vira os pneus, a ver se estavam em condições, e agora que entraram verificam que tudo esteja em ordem e colocam o cinto e depois verificam o espelho retrovisor e ajustam-no, e depois introduzem a chave na ignição e colocam os pés onde os devem colocar e depois olham, e a seguir ligam a ignição e assim que arrancar, ficam sentados um instante ou isso e depois metem uma velocidade, e agora que é que fazes?”

“Ah, carrego num botão e saio disparado, etc...” (Riso)

“Não foi preciso sair andar por aí fora, foi? Não foi preciso ajustar os espelhos no exterior nem o assento, a ver se estaria no lugar apropriado. Simplesmente fizeste-o não foi? Por já o saberes.”

Não é coisa que faça parte do vosso destino, trata-se de uma operação mundana, que com verdadeira prática poderão aprender. E com a abundância é a mesma coisa. Mistificámo-lo, mas é verdade, é uma perícia que podem desenvolver, caso se deem ao trabalho de dar os primeiros passos, que poderão ser um verdadeiro incómodo, até que se habituem a eles. Mas então toda a gente e qualquer um poderá usá-la. Qualquer um poderá conduzir, dactilografar e gozar de abundância, mais a fartura e os adornos e a riqueza e plenitude da vossa vida. Só que há alguns passos a dar. Assim, pois, comecemos.

Como haverão de criar a perícia de conseguir tudo?

O primeiro passo passa por soltar o realismo. Abrem mão do realismo inerente à vossa vida. Falamos a breves trechos nisso no mês passado, entendem? Que alguns de vós terão descoberto que a vossa metafísica funciona nesta ou naquela ou numa outra área qualquer da vossa vida. Mas geralmente para alguns de vós há uma área que representa um bicho-papão, não? Alguma em que, independentemente da técnica utilizem, não obstante o quanto programem, não obstante o que fizerem, simplesmente não funciona. Pois bem, o que sugerimos é que essa seja a área em que fingem que este mundo seja real. Alguns fazem isso com respeito ao relacionamento, não é? Podem programar empregos e criar dinheiro e todo o tipo de oportunidades, e criar situações em que o tráfego se afasta do vosso caminho como se estivessem a partir o Mar Vermelho, grande parte do tempo. Podem conseguir todas essas coisas espantosas. Mas quando toca às relações, aí alto lá - nada funciona! Por verem que as relações são reais! (Riso)

Os empregos, são uma ilusão; o dinheiro, outra ilusão; o tráfego, outra ainda. Tudo não passa de um sonho – excepto os relacionamentos. Esses são uma coisa real. E por se apegarem a isso como real, não permitem que a vossa metafísica opere, por que se a vossa metafísica funcionasse, não seria real. Podem fechar os olhos e visualizar e criar um relacionamento, mas não é o procedimento correcto. Precisa ser concreto. “A pessoa precisa existir e ter um passado e ter um futuro e precisa ser real e separada de mim, que não exerço qualquer controlo tem possuo qualquer capacidade nem energia nem capacidade criativa para fazer o que quer que seja com respeito a isso.

Já outros dirão: “Relacionamentos? Isso é óptimo! Isso pode representar uma ilusão, mas já o dinheiro... não é?” O dinheiro é algo que possui realismo. Isso é real para valer, e significa algo importante. Não pode representar ilusão nenhuma; não posso fechar os olhos e empregar uma técnica qualquer e abrir a mão e fazer saltar o dinheiro, por isso não estar certo. Por o dinheiro ser uma coisa “real.”
Outros experimentam-no num sentido mais amplo ainda. Os problemas são reais. Os êxitos, ah bom, são uma ilusão. Não duram. Se alguma coisa estupenda sucede:

“Não irá durar, estás a entender? Terá desaparecido pela manha; quando acordar lá pela fria luz do amanhecer e tudo terá voltado ao normal.”

Mas nunca chegam a considerar isso como um problema, consideram? Quando alguma coisa dá de verdade para o torto, não dizem: “Ah, isso desaparecerá! Não se preocupem com isso. Amanhã já cá não estará. Acordarei pela fria luz do amanhecer e terá desaparecido.”

Ah-ah! Os problemas existem para sempre, não é? Eles nunca lhes escapam pelos dedos, nem se afastam quando se esquecem deles. Os êxitos, isso é de lhes escorregar pelos dedos como ninguém, como água. Já alegrias e felicidade não se podem agarrar a elas, porque assim que pensarem noutra coisa qualquer, ter-se-ão sumido. Nunca um problema.

Isso deve-se a que em relação aos problemas os simulem como reais, e os vossos êxitos, como uma ilusão. Mas se permitirem que os vossos problemas constituam outro tanto de ilusão, dirão: “Bom, poderá ser um problema hoje mas bem que poderá ter desaparecido amanhã. Desvio os olhos para o outro lado e provavelmente desaparecerá; um, dois, três, quatro, cinco... pois é, desapareceu.” (Riso) “Impossível,” dizem vocês! “Isso poderá acontecer com o êxito mas não com o fracasso.”

Acabaram de ser despedidos:

“Ah não, não fui despedido. Não acredito. Isso não pode ter sucedido. Simplesmente não é possível. Não, isso simplesmente não pode ser verdade.”

Tens razão, não era.

Ah, tinhas razão, isso nunca aconteceu.

“Fui mas é promovido. Eu nem posso acreditar. Não é verdade; não me poderia ter acontecido a mim.”

É verdade, não aconteceu. (Riso)

A situação em acreditaste fez sentido para ti; a outra não.

“Ah, não, não, não.”

Foste despedido, foste despedido!” Isso é real.

Se receberem um aumento ou uma promoção: “Espero que dure, espero que seja real, a sério que espero. É demasiado bom para ser verdade. Nada é alguma vez ruim demais, para ser irreal.”

Aí está! (Riso)

Por se agarrarem ao realismo. O primeiro passo na criação desta nova abundância, sem esforço, sem contenda, sem a tenaz atenção pela técnica, consta de soltar o realismo. Descubram em que área da vossa vida se estão a agarrar a isso, em que área da vossa vida estão a fingir que seja tudo o que estão a fazer, fazem de conta que seja real. E soltem-no. Esqueçam esse realismo.

Têm duas situações à vossa disposição; têm a situação em que a metafísica constitui um passatempo, um brinquedo, em que a metafísica é aquilo com que trabalham nas noites de Domingos no vosso pequeno círculo. A metafísica é quando se reúnem e entoam o “Ooommm,” e todo esse tipo de coisas, e tornam-se enérgicos e brincam com os cristais até se enjoarem. (Riso) Quando recorrem ao médico. “Toda essa coisa da cura foi espectacular, mas agora passa-se algo de errado comigo. (Riso) Enquanto me sentia saudável, adorava energizar-me, e adorava fazer essa polaridade, certamente. Shiatsu e Rolfing e vários tipos de coisas. O meu Reiky, etc. Mas agora estou pelos cabelos, está bem?" (Riso) "Vamos mas é parar com esta coisa e falar com alguém que saiba aquilo que diz." (Riso) "Cristais, ora, cristais... deixa-me mas é pô-los de lado e deixa-me mas é recorrer cá a uns antibióticos." (Riso) Este negócio da metafísica é o maior enquanto a vida correr, mas assim que deixar de funcionar, bom abandonam-no e voltam-se para a coisa real que conheciam em catraios, não é?

O que quererá dizer que a metafísica não passa do vosso passatempo, uma ocupação que praticam a esmo, não por que sejam diletantes, ah não, são sérios - são sérios, só que até certo ponto; até que passe a ter importância, até que marque a diferença.

Não estamos a sugerir que não consultem o médico. O que estamos a sugerir é que vão ao médico mas que também empreguem as vossas técnicas que o levem ou a elevem a sentir como se fosse um génio. (Riso) "Não sei por que esta droga não tenha funcionado antes mas decerto que funciona consigo." (Riso) "Você representa a minha primeira recuperação total; isto é um espanto!" (Riso) Deixe que ele assuma o crédito enquanto praticam a vossa metafísica em conjugação com a vossa realidade; não estamos a sugerir o oposto, mas reparem naquela parte de vós que a trata como um passatempo:

"Hei-de envolver-me com a metafísica enquanto a minha vida funcionar, enquanto tudo estiver bem, enquanto nada surgir de errado, as assim que algo de errado acontecer, lá se vai a minha metafísica e eu regresso à minha infância, regresso à criança dentro de mim com todas aquelas dúvidas e todos aqueles temores e todas aquelas crendices que certa vez terão estado presentes e de que dizia ter-me livrado. Mas não estás a compreender - agora é a sério."

Nós compreendemos que agora é a sério; está tudo a ficar mesmo sério - só que não real! Só que não real...
Uma outra situação, em que a metafísica não constitui passatempo nenhum, mas é a vossa vida, em que a vossa espiritualidade tem uma prevalência de vinte e quatro horas por dia e em que a máxima prioridade assenta no amor que tenham em relação a Deus, à Deusa, ao Todo. E é aí, não preciso avivar a ideia disso pela audição da gravação, não preciso que os meus amigos mo recordem da existência de Deus, da Deusa, do Todo. "Ah, pois é, posso pedir auxílio." A hipótese em que faz tanto parte de vós que se torna automático, Mas vocês podem posicionar-se em qualquer dessas situações, e toda a gente se posiciona na primeira. Mas a forma de alcançarem a segunda, o preço da admissão, passa por terem que deixar o realismo à porta. Precisam deixar as vossas armas à porta, certo?

Aquelas partes da vossa realidade física a que chamam de real, dessas precisam desistir do realismo que denotem. Precisam deixar o realismo à porta. Ora bem, os antigos místicos tinham conhecimento disso, mas não sabiam como expressá-lo; não sabiam como comunicar-lhes isso, de modo que o que diziam é que precisavam abrir mão das posses que tinham na vossa vida, pelo que para eles, a forma de eixarem o realismo á porta consistia em deixarem as coisas todas à porta e desistir da vossa família e do vosso lar, das vossas posses, etc., e doá-las todas à caridade ou seja o que for, e chegar a ficar "nus," chegar a ficar despojados de tudo. Era a única forma que conheciam para demonstrarem que abriam mão do realismo.

Conforme dissemos antes, Há duzentos, trezentos quatrocentos anos atrás vocês não possuíam a capacidade mental que possuem agora; não conseguiam imaginar conforme conseguem actualmente. Quando dissemos para imaginarem uma queda de água, pudemos pronunciar as palavras e três quartos de vós ter-se-ão imaginado debaixo dela e escutar o ruído e sentir a pulverização e ter noção do musgo por entre as rochas e a humidade e o borbulhar da água por debaixo, e conseguiam ouvir o vento por entre as árvores e ver o céu azul - tudo à simples menção da queda de água.

Falem-lhes no oceano e conseguirão escutar o rebombar das ondas, poderão sentir o sal, e o sol na brisa; conseguirão sentir a areia e os pés a entorpecer e sentir que enfiam os dedos dos pés na humidade da areia - tudo à simples menção do oceano. mas há quinhentos ou seiscentos anos atrás não conseguiam isso, entendem? Se lhes dissessem isso há quinhentos ou seiscentos anos atrás para imaginarem um oceano, diriam. "Uh?" O mestre precisaria dizer: "Está bem, vem, lá daí comigo. Vamos percorrer o caminho até Santa Mónica, e uma vez lá, olha o oceano! Entendeste?"

"Uh-uh!"
"Agora imagina lá um monte."
"Uh?"
"Muito bem, cá vamos nós na direcção contrária e quatro, cinco horas depois, eis o monte."
"Entendido."

Por não terem a capacidade de imaginação que agora têm; o vosso cérebro não era assim tão sofisticado por essa altura. Assim, nesse sentido, quando lhes dizemos para desistirem do vosso realismo, agora possuem uma forma mais sofisticada de conseguir isso do que há mil anos atrás, em que a única maneira por que o teriam conseguido imaginar teria sido pela desistência literal das posses, em demonstração da desistência desse realismo. Outros subsequentemente tiram partido disso e dizem: "Desistam das vossas posses e dêem-mas a mim, para que isso os ajude no crescimento. Passem-me a vossa herança. Dêem-me o carro, a casa e todas essas coisas que isso será em vosso proveito. Eu sou suficientemente bem dotado para lidar com isso!" (Riso) mas também vocês o são. Abrir mão do realismo não significa desfazerem-se das posses. Significa descartar o realismo que atribuem a essas posses.

Quando se dispuserem a abrir mão do realismo e a chegar realmente a compreender que não passa de uma ilusão - um sonho - então conseguirão pisar esse mundo...

Se conseguirem abrir mão desse realismo e intuir que se trata tudo verdadeiramente de uma ilusão, esse será o primeiro passo na criação de tudo, do "ter tudo," dessa nova abundância. Abandonar esse realismo. Como é que hão-de conseguir tal coisa?

Antes de mais, reconhecendo o realismo que criam, os bicho-papão, as áreas das vacas sagradas da vossa vida que fingem ser reais? Para alguns, conforme dizemos, será a saúde; para outros será o dinheiro; para outros serão as relações, para outros ainda será o emprego, as pessoas, uma infinidade de coisas. Tudo será uma ilusão, excepto os outros, que são reais. Ou esta pessoa particular, que colocam sobre um pedestal - essa será real! Onde situarão o vosso realismo? Contem a vós próprios a verdade. A seguir digam a vós próprios porque fingem que seja real; porque é que pretendem resistir, por que será que querem persistir numa mentira, pelo que essa ilusão de algum modo seja diferente de qualquer outra, por essa ilusão ser real. Por que quererão dizer isso a vós próprios, por que quererão resistir-lhe, por que é que não o abandonam? Eu sei que não conseguem contar a verdade a vós próprios por causa do afago do ego que obtêm disso, por causa da arrogância que consigo obter, por causa da presunção que envolve essa questão particular, "Porque, quando conseguir essa coisa que é real, isso fazer de mim alguma coisa." Assim o diz o vosso ego. Então, conseguirão abrir mão disso. Então conseguirão abrir mão ao perceberem que isso não é real. Não é mais real que tudo quanto constitui uma ilusão - é uma ilusão.

O segundo passo na criação da abundância também é um passo de desprendimento; de facto os primeiros três são passos de desprendimento. O segundo, passa pela libertação da consciência da limitação que têm. Libertação da consciência de limitação que têm, a que há uns anos atrás costumavam chamar escassez. Mas o termo foi tão usado e foi tão devastado, foi tão distorcido que agora se encontra em pedaços. Já não apresenta substância nem significado. "Sofrem de escassez." foi frase que já ouviram tanto que agora até sentem vontade de vomitar. O que sugerimos é que isso constitui um aspecto do que estamos a falar. Estamos a falar de toda uma panóplia de consciência de limitação. É como se estivessem atrás de um nevoeiro e pensassem que seja normal. É como se padecessem de miopia, e pensassem que é a forma como toda a gente é. Uma consciência de limitação. E se estiverem numa névoa dessas, não se permitirão criar a abundância - não é que não a possam ter, não constitui um julgamento - mas não se autorizarão a ter uma energia dessas.

A consciência da limitação; se andarem sob esse guarda-chuva, se estiverem num nevoeiro desses, seja qual for o quadro ou a imagem, a analogia ou combinação delas que queiram criar, não se autorizarão a criar esta nova abundância; quando muito, permitir-se-ão a abundância da luta, a abundância da dureza e a abundância da tenaz atenção pelo detalhe, em vez da suave e fácil abundância que poderão pisar, com graça e com dignidade e um certo aprumo, serenidade. Se levarem uma existência com base na consciência da limitação, estarão a limitar-se. Mas como haverão de o saber, não é? Há certas formas por que isso se fará notar; poderão saber exactamente neste instante se estarão ou não em tal neblina; se andam por aí num nevoeiro ou não. Há certas qualidades, certas características que o demonstram, a primeira das quais é:
Aqueles que vivem numa esfera de acção limitada dessas, numa névoa, numa nuvem dessas, não têm desejos, não alimentam expectativas e não possuem imaginação. Agora, se olharem para vós próprios verão que alguns de vós se encontram numa situação dessas e que sabem disso. Que é que desejas?
"Não sei. Não desejo nada. Tenho tudo quanto quero."

"Não tens, não senhor. Não tens nada."


O estímulo final da metafísica não está em deixá-los num estado de entorpecimento. A finalidade do vosso crescimento não reside no entorpecimento. Utilizam o vosso desejo e a vossa expectativa e imaginação; essas são as ferramentas com que cinzelam e esculpem e criam, a partir das matérias-primas.

(continua)
Transcrição e tradução: Amadeu António

Sem comentários:

Enviar um comentário