domingo, 10 de abril de 2016

A ARTE DO ESCUTAR


Boa noite. Estou encantado por estar na vossa presença para uma vez mais procedermos a um estudo. Esta noite pediram que debatessemos a "Arte de Escutar," que consiste numa verdadeira arte, por ser algo que se aprende, que se permite que flua. A maior parte das pessoas sabe aquilo que quer ouvir, mas não sabe o que é que precisa ouvir, nem tão pouco sabe o que se recusa ouvir.

Vocês têm muitos cursos subordinados ao pensamento positivo, às associações e interacções positivas; toda a gente tem um extremo cuidado com respeito a orientar o próprio processo do pensar no sentido da positividade. Aí surge alguém lhes telefona e lhes diz uma coisa qualquer e sentem-se de imediato magoados por terem dado ouvidos à vossa própria negatividade e nunca terem ouvido o que realmente era dito. Isso sucede a cada passo. O primeiro dos sentidos que receberam foi o da audição, e esse mesmo sentido é o último a abandoná-los, o último dos vossos sentidos a deixá-los por altura da vossa transição. Portanto, é uma parte vital do vosso ser.

Quantos de vós terão passado por uma perda momentâneaou, ou inaptidão em que tenham deixado de ouvir? O mundo todo terá sofrido uma mudança, não é mesmo? As pessoas acham que ver seja muito importante, mas nunca chegam a perceber o quão importante seja ouvir. Coloquem por um instante os dedos a tapar os ouvidos. Sem batota! Selem-nos mesmo enquanto continuo a falar, e espero que venham a ser capazes de me responder quanto ao que tiver dito quando terminar. Portanto, vão ter que testar isso e saber exactamente o que estou a dizer.

Muito bem, destapem os ouvidos - que foi que eu estive a dizer? (Um estudante responde de forma acertada) Fizeste batota. (Riso) O objectivo aqui está em que momentâneamente tenham interrompido o fluxo normal da comunicação. O que não quer dizer que, se isso tivesse continuado por dez minutos, não tivessem ficado bastante inquietos. Por instantes sabem o que se passa e têm noção da existência de uma corrente em curso, etc. Têm consciência de se tratar de um teste de um tipo qualquer, ou uma explicação de um tipo qualquer. Mas caso tivéssemos continuado a experiência, tivesse eu continuado a falar-lhes e não conseguissem ouvir, teriam começado a ficar irrequietos. Eventualmente estariam certos de eu estar a falar de vós, porque, conforme a natureza humana é, e personalizar, dizer: "Sei que se os olhos da pessoa se cruzarem com os meus ela estará a falar de mim." Porque será que quando alguém se lhes apresenta por detrás sem que ouçam a pessoa, ficam tão alarmados? Devido a que por um instante tenham estado fora de contacto com uma parte vital da comunicação em vós.

A vossa audição é afectada pelas noções preconcebidas que alimentam. Se lhes disser que vamos ter uma celebração, e que têm uma que está para vir em breve, chamada "Dia de Acção de Graças," e se lhes disser que vamos dar um jantar em celebração desse aniversário, que é que pensam? (No peru.) Muito bem, na ave tradicional e em fixações desse género. Suponhamos que a refeição que faço nesse dia não passe de uma sanduiche de atum? Portanto, não ouviram o suficiente mas a ideia preconcebida preenchem-lhes logo os espaços em vazio, mas isso não o torna verdade.

Alguém lhes diz que vão a uma parte qualquer juntos e depois não aparecem. A ideia preconcebida de que venha a estar presente a determinada hora para irem a uma parte qualquer juntos intromete-se até mesmo no caminho da vossa compaixão. Por a primeira coisa que sucede ser a raiva, a frustração, o aborrecimento. "Como se terá atrevido a deixar de aparecer?!" Mais tarde poderão dar a volta e pensar: "Deus, espero que na da lhe tenha sucedido." Ainda não estão cientes de notícia alguma de forma que a idea preconcebida de certo e de errado, a ideia preconcebida do que alguém lhes esteja a fazer, intromete-se no vosso caminho. Quando por fim a pessoa lá lhes telefona a dizer o que tenha sucedido, mesmo que se encontrem aliviados por se encontrar bem, a coisa começa toda de novo. A frustração, a raiva, o aborrecimento, etc. Aquilo de que têm consciência a seguir é de estarem bruscamente a dizer: "Ah, não faz mal." Mas, que será que a outra pessoa ouve com isso? Raiva, frustração, etc.

A maior parte das pessoas ouve, mas não escuta, tal como muita gente olha mas não vê. Assim, esta noite, vamos aprender um pouco acerca do escutar de uma forma aberta, do escutar e de ouvir o que está a ser dito.

Quero que fechem os olhos por um instante e simplesmente escutem o que eu estou a dizer. Esta noite irão sofrer uma expansão na capacidade que têm de escutar. Vão engrenar uma velocidade que lhes permitirá que escutem de uma forma mais clara e lhes permita fazê-lo com base numa relação com três níveis do vosso ser. A alguns de vós isso irá permitir escutar mesmo para lá desses três níveis. O que de mais importante o escutar apresenta consta de se desviarem do caminho, e de dispor-se a escutar o que estiver a ser dito como se não tivesse qualquer relação convosco. Agora abram os olhos. Que foi que disse?

(Respostas múltiplas, seguidas de riso)

Se bem se recordarem, desde o berço que a única pessoa por que se têm verdadeiramente esforçado por conhecer são vocês. Perceberão que têm despendido imenso tempo e a devotá-lo a vós. Talvez de uma forma legítima, mas ainda envolve uma concentração em vós. Quando escutam mais alguém, dá-se uma sensação de invasão do vosso espaço. Vós enquanto entidades, ao longo dos anos criastes um espaço que lhes pertence. Quando alguém mais lhes pede para escutar, é exactamente a mesma coisa que falarem para vós enquanto se aproximam progressivamente até vocês sentirem vontade de recuar. Por o escutar implicar que devam abrir-se e tornar-se vulneráveis para o que estiver a ser dito.

Que sucederá se sentirem culpa com relação a alguma coisa, e o que estiver a ser dito sugerir uma relação com o objecto que move a sensação de culpa que sentem? Que reacção irão ter? "Está a meter-se comigo; alguém está a falar de mim." Se lhes disser que noventa por cento das pessoas que seguem vias espirituais o experimentam mas não o chegam a viver, que é que sentem com respeito a isso? Quem o aceitará de forma implícita e quem o deixará de fazer? É a forma como se sentem com respeito à posição que ocupam que os leva a projectar, e quando ouvem uma afirmação dessas, dizem: "É sobre mim." Na realidade é mais setenta e cinco por cento e não noventa. Contudo, a questão assenta no facto de que até mesmo essa afirmação não representa uma crítica, mas uma constatação. Só poderá tornar-se numa crítica se a aceitarem como tal, pela forma como a ouvirem e pela forma como a tomarem ao pé da letra e a tornarem vossa. Assim, é muitíssimo importante que se disponham a dizer: "Deixa-me ouvir o que está a ser dito," sem estabelecer qualquer nexo de relação convosco.

Quantos de vocês não sentirão como que um sentimento de vingança com relação a uma coisa qualquer? Dou graças a Deus por aqueles que são sinceros! (Riso, em face de alguns dedos que são erguidos no ar) Gostariam de falar sobre isso a alguém e de lhes pedir para escutar? Não lhes estou a pedir para revelar nada, meus amigos, mas entendem que é o que sentem no vosso íntimo quando a sugestão de que aquilo que estão a sentir, deva ser escutar a sugestão alguém? Surge um mecanismo de defesa. Sucede aquela ocorrência maravilhosa em que todas as venezianas se fecham num estrondo, e as pessoas podem falar e falar e falar, que vocês dizem: “Pois, pois...” e não escutam coisa alguma. Entretanto captam muita coisa para terem uma vaga ideia do que tiver sido dito, mas nesse interim terão andado por outra parte qualquer. Portanto, a arte de escutar envolve a defensiva de ambos os lados.

Aqueles que querem que vocês os ouçam, acham que aquilo que tenham a dizer seja a única coisa importante a ser dita nesse instante da vossa vida. Para eles será vital. É muito importante; assim, "Porque não deverão falar convosco, e como se atreverão a ter alguma outra coisa na ideia?" É sempre assim. A associação do que está a ser dito com aquilo que sentem com respeito a isso. É por isso que aquele que verdadeiramente escuta não dá conselhos. Ele escuta simplesmente e deixa que a outra pessoa diga aquilo que precisar ser dito. Quando isso estiver tudo feito, digam: “Que é que queres fazer com respeito a isso?” Não ficam lá sentados a dizer: “Eu tive essa experiência certa vez. Eles foram terríveis comigo e o mesmo te irá acontecer, e tu…” Certo? Porque por essa altura ambos estarão num farrapo, por a pessoa que lhes estiver a contar a história ter avivado toda a energia da experiência de volta, a fim de se aliviar. Um velho "cavalo morto" foi arrastado para ser espancado de novo, mas vós já vos tereis sentido absolutamente ameaçados por essa experiência e já só terão vontade de fugir. É estranho o que fazem uns aos outros.

Queria que entendessem uma coisa: O escutar tem fases, e uma delas passa por uma respiração profunda. Se inspirarem profundamente e expulsarem a energia contida, estarão a expulsar as ansiedades que sentem. Libertam isso de modo a não darem azo à associação. Sorriam. Torna-se muito difícil sentir-se irritados quando tentam fazer isso com a face. Quando se encontram no processo de sorrir, a vossa energia altera-se. Tomam menos a defensiva. Assim, seja quando for que o telefonema venha e vocês disserem: “Ah, não…” inspirem fundo e sorriam.

Por vezes uma pessoa telefona, e vocês estão certos de envolver uma coisa preconcebida e então a pessoa profere três palavras e a coisa toma toda uma feição diferente, e ficam capazes de escutar tudo quanto a pessoa tenha a dizer. Mas a primeira coisa assenta no que referi há pouco. Quantos de vocês aqui trabalham no aconselhamento de algum tipo? Quantas vezes terão ouvido a mesma história milhares de vezes? (Riso)

O que acontece literalmente, é que nesse instante possuem uma ideia preconcebida, mas estão preparados para escutar a "gravação" de novo. Quando de súbito se dá uma mudança, isso representa um choque de verdade. "Por fim dá-se um avanço." Lembrem-se de que as pessoas que repetem incessantemente uma mesma coisa encontram-se bloqueadas num determinado ponto; e até que descubram um modo de sairem desse lugar, a história irá ser repetida à mesma. Assim, escutam de forma a não terem que carregar a carga toda sozinhos, e assim poderão dar uma sugestão - e poderão não dar - mas a parte que para vós terá valor será o facto de se terem permitido escutar, e de terem tentado ouvir de verdade. Vocês conhecem-se a vós próprios, os que trabalham na área do aconselhamento, as palavras que são referidas encobrem o que realmente está a ser dito.

Quantas vezes não terão ouvido dizer que os filhos estejam a deixar alguém perto da loucura? Não é bem o que se pretende dizer quando se profere uma coisa dessas. O que referem é que estão preocupados com a estrutura financeira que têm, sentem preocupação relativamente à ameaça que sofrem no trabalho, estão preocupados com o carro que não trabalha. Preocupam-se com um milhão de coisas, mas exactamente nesse instante, os catraios estão a fazer barulho, de modo que a coisa toda é depositada nos catraios. Isso deve-se ao facto de nesse instante estarem a dar ouvidos aos catraios, de forma que associam a necessidade que têm com o que estão a ouvir no momento. A projecção é dirigida às crianças.

Vou pedir-lhes para fazerem uma coisa comigo esta noite. A primeira coisa que lhes vou pedir para fazer é interrogar-se quanto ao que é que não querem ouvir.

Estudante: Notícias de falecimento.

Estudante: Más notícias relativas a falecimentos.

Não creio que alguém realmente queira ouvir isso, quer? Ainda assim... mas claro que tenho uma perspectiva diferente acerca disso, por a morte fazer parte da vida. Nós chamamos a isso renascimento, e não morte. A questão está em que, sim, não temos vontade de ouvir falar nisso, mas dêem um passo atrás além disso e interroguem-se da razão de ser, por haver mais que uma razão. Quando ouvem falar num falecimento numa fase da vossa vida, isso representa uma coisa triste; quando o ouvem mencionado numa outra fase da vossa vida, representa coisa triste mas talvez envolva muita responsabilidade a acompanhá-la. Mas lá chegará altura em que ouvirão falar de morte e isso recorda-lhes a própria vulnerabilidade, devido ao tempo e à situação em que se encontram.

Se eu disser a alguém: "Tu vais morrer aos sessenta," e essa pessoa estiver na casa dos vinte, isso irá soar: "Ó!" Mas ao atingirem os trinta, quarenta e cinquenta, isso já assume um quadro completamente diferente. Agora já se encontram mais vulneráveis relativamente a isso; mais próximo. Assim, voltem atrás e digam: "Aparte do sentido de perda, porque se considerará a morte como coisa tão má?" Há muito quem ore pela morte. Há muita gente que se encontra numa tal agonia e sofrimento que ela já se afeiçoa mais como coisa bem-vida. Assim, notícias de falecimentos em muitos casos podem representar causa de júbilo, pelo alívio que envolve e uma benção para alguém a quem queiram bem. Mas, uma vez mais, tem que ver com a personalização que fazem da coisa. "Isso apresenta uma associação comigo e envolver a minha dor, a ameaça que eu sinto, por algum dia vir a suceder comigo."

Assim uma vez mais, quando ouvem falar nisso, têm que ver a que nível lhe estarão a dar atenção, por o nivel em que o ouvem o tornar numa coisa física ou espiritual. O choque inicial é sempre físico. Que é que é comummente dito quando ouvem falar nisso? "Ai meu Deus!" Nunca o dizem noutra altura, mas nessa altura di-lo-ão. Aí dá-se a precipitação da personalização: "O meu amigo, o meu marido, a minha esposa," e aí a coisa está personalizada. Então terão que conduzir a coisa um passo à frente e dizer: "Terá sido o melhor para ele?" Conseguirão desapegar-se o suficiente para dizer: "Se estiver em paz e não mais estiver a sofrer, melhor terá sido?" Então poderão dar uma nova olhada por já não se apresentar tão devastador.


Estudante: Não me agrada ser criticado.

Ora aí está, a crítica. Essa é uma boa. Porquê?

Estudante: Por me levar a começar de imediato a captar coisas dessas e por começar a encontrar razões.

Muito bem. Ninguém aprecia realmente que lhe dirija algo que considere uma crítica. Mesmo que seja contra alguém que lhes seja querido, mas primordialmente em relação a vós próprios, por a primeira acção da personalização indicar: "Sou eu, e sofro quando sou criticada." Se o conduzirem a um outro nível, aí precisarão interrogar-se se será verdade. "Se for verdade, quererei preservá-la?" Por constituir um direito de nascença, "Ou quererei alterá-la?" Mas mantêm a abertura para com o escutar.

Além disso entendam o seguinte: Para a pessoa para quem a limpeza constitui a coisa mais importante no mundo, uma meia no chão pode representar uma tragédia e apelar a uma enorme crítica. Para a pessoa que goste de saltar por cima das meias espalhadas pelo chão, não entenderá porque deva ser coisa digna de tanta crítica. E neste momento estou a constatar que estás a personalizar essa coisa. Entendes? (Riso)

A questão está em que a crítica constitui a projecção da opinião, da compreensão e do entendimento (percepção) de quem critica. O que precisa suceder é escutar a crítica e depois decidir o que queiram fazer a respeito, e deixar que decidam o que querem fazer com respeito a isso. Mas se o escutarem apenas com a ideia de ter a raquete à mão para lhes ripostarem de imediato: "Com que então deixei a meia pelo chão! Mas tu deixaste a pasta dos dentes destapada. E ainda estou lembrada do que fizeste há catorze anos atrás, meu..." Retiram os "cavalos mortos" todos do armário para lhes bater uma vez mais... E estou mesmo a ver isso a suceder aqui, certo? "Apanhaste-me exactamente aí," estão a entender? O que têm que recordar é que, o que fazem da afirmação confere-lhes o poder que exerce sobre vós. Se encararem a afirmação como algo que mereça uma nova inspecção e um cuidado ou um trato desses, e que o agente crítico poderá também precisar dar uma outra inspecção, aí não se tornará na fonte de dor. Recordem que lhe atribuem o grau de poder que passa a exercer sobre a vossa vida.

Ninguém gosta de ser criticado. Não há ninguém em todo o mundo que diga a verdade, que goste de ser criticado. Mas eu quero-lhes dizer uma coisa, meus amigos, embora reconheça que o terão ouvido tanta vez que por ora deverão sentir-se enjoados. O único factor absoluto que existe no mundo, de momento, é a mudança. De modo que irão que ver as vossas prioridades mudar; vão ter que ter que deixar que toda a vossa vida se altere. Não poderão dizer que tenha sido assim desde que eram criança, e que venha a ser assim até que morram. Talvez possa ser na vossa mente, mas não no resto do mundo. Se adoptarem essa postura rígida, irão sentir constante atrito e frustração. Se se permitirem ver que neste momento do tempo, o cavalo e a carruagem poderão não ser convenientes mas o carro é. Talvez no futuro o cavalo e a charrete venham a surgir de novo, mas neste momento o cavalo e a charrete não levam a melhor sobre o carro. Esta poderá ser uma declaração chistosa, mas a questão está em que precisam dispor-se a ver que por vezes precisam permitir que algo se altere na vossa vida.

Estudante: Se sentirmos desconforto em face da crítica e acharmos que essa crítica seja acertada, então dispomos da alternativa do livre-arbítrio para o mudar; porém, se nos assentar na perfeição, então quem quer que proceda à crítica não mais...

Excelente afirmação! Por aí residir aquilo que precisam perceber. Quando optam por interagir com outra pessoa, há dois ambientes a considerar, e não mais um só. O que não quer dizer que desistam dos vossos sistemas de valores, ou que abram mão dos aspectos da vossa vida que prezam, nem nada do género, mas reconhecem que tenha que existir uma terceira via que seja aceitável para ambos. Meias sujas pelo chão, passado algum tempo, torna-se numa situação abjecta, e se não leva mais que um segundo a apanhar e deixar alguém por quem se interessam menos estressado, poderá significar um acto festivo apanhar essa meia.

Estudante: Queria tratar de uma forma de crítica diferente, contrária à crítica do marido ou da esposa que criticam algo que os deixa aborrecidos.

Pois. É por isso que dispõem da escolha decorrente do livre-arbítrio para dizer: "Não, para mim é acertado viver numa tenda. Para mim é acertado,” desde que não prejudique ninguém. Esse é o único critério - não prejuducar mais ninguém. Aí poderão dizer: "Analisei a questão, e tenho que decidir que é acertado para mim."

Estudante: Por outras palavras, temos que pôr a emoção de parte e analisar a questão mentalmente.

É. Precisam olhar os factos e não a emoção. Toda a gente comete coisas na vida que nem sequer têm vontade de fazer mais, devido à emoção associada a isso. Muitos continuarão a fazer coisas por os seus pais as terem feito, ou devido a que alguém a quem tenham querido bem tenha dito que era bom. Passado algum tempo deixam de gostar disso, e continuam a fazê-lo por uma questão de memória emocional.

Estudante: É muito duro, em particular caso a emoção esteja associada ao medo. Se algo nos acontecer num determinado lugar, não gostaremos de lá voltar ainda que seja ridículo não o fazer.

O medo constitui uma daquelas coisas mais negativas do vosso universo, razão porque precisam desligar-se emocionalmente e olhar o facto. Se uma coisa suceder a determinada altura da vossa vida e tiver sido uma coisa assustadora, irão carregar a associação desse medo convosco. Muita gente teme a doença, por os pais terem padecido dela, ou os avós, esse tipo de coisa. O "instrumento" esteve recentemente a olhar o passado e disse que, se fora o caso, não iria sobrar muito dela, devido a que por entre avós e pais, quase tudo quanto poderia dar para o torto estaria a ser considerado, e disse que se viesse a herdar de todos eles, bem que poderia tornar-se invisível, pelo que não fazia intenção de herdar de ninguém. O objectivo está em que não podem deixar que uma circunstância no tempo lhes tome conta da vida. Se só lhes restasse um dia de vida no mundo, deveriam torná-lo no dia mais festivo, no mais alegre, no mais satisfatório, no mais progressivo que pudessem.

Todos os receios sempre vêm ao de cima; todas as alegrias sempre vêm ao de cima. Elas fazem-nos chorar, ou deixam-nos irritados, ou levam-nos a reagir com uma emoção qualquer do momento. Mas têm que dizer: "Espera lá, isso foi então, mas isto é agora. Porque sentirei receio disso agora?" Uma vez mais, desligam-se o suficiente para chegarem realmente a ver o que estão a fazer a vós próprios.

Estudante: Por vezes as pessoas no que comunicam empregam palavras que encobrem o que realmente se passa e o que realmente sentem. Como haveremos de escutar o que, além dos factos, além das palavras, está a deixar de ser dito?

Certas pessoas utiizam as palavras a fim de camuflar o que sucede intimamente, de modo que, como haverão de escutar o que está realmente a ser dito? Escutam pelo tom da voz. Quero que, por um momento, pensem em vós – mas nada disto irá permanecer convosco, não passa de uma experiência - Quero que pensem que estão muito cansados, e a seguir quero que suspirem: "Ai, Deus meu, sinto-me infeliz. Estou tão cansada. Aaaaah." E agora quero que pensem no seguinte: Foi-lhes dito que ganharam a loteria. (Riso) "Caramba! Olhem a mudança que a energia sofreu. As palavras influenciam a energia. É por isso que lhes digo, quando atenderem aquele telefone, respirem fundo. Expurguem-se de todas as palavras que tenham associadas a esse momento. À medida que os abandonar, conseguirão escutar com uma maior clareza.

Estudante: Qual será a melhor forma de lidar com alguém que esteja sempre a criticar-nos, mesmo após termos deixado claro que não gostamos disso?

Antes de mais, precisam perguntar a essa pessoa se aquilo por que os estiverem a criticar será uma coisa específica que realmente necessite de correcção. Precisarão esclarecer isso em primeiro lugar; se estarão a fazer alguma coisa fora do sítio que seja suposto não fazerem, ou algo do género. Esse tipo de crítica, conseguirão mudar alterando a maneira como se sentem com respeito ao que esteja a ser dito. Quando uma pessoa critica por sistema, geralmente critica as coisas que sente pertencer-lhes. Uma pessoa que cronicamente crítica é alguém que trás os próprios receios que sente à superfície e os projecta no outro. O que literalmente vocês dizem não é: "Não me agrada," mas: "Lamento que te sintas desse modo com repseito a ti próprio.” (Riso) “Na verdade lamento. Lamento muito a forma como te sentes com respeito a ti própria," e a seguir evitam-na. (Riso) Não, não o fazem coisa nenhuma. O choque que isso provoca dar-lhes-á imenso tempo. (A rir) Claro que te estou a provocar, Philip.


A maioria das pessoas não entende que, quando uma pessoa se sente insegura ou mal com respeito a si próprio, procurará projectar isso em mais alguém. Irá projectar até que a pessoa acate o peso do seu medo, e geralmente encontrará alguém que se preste a tanto, por então encontrar plena satisfação resultante da exteriorização da sua infelicidade e e partilha do medo. Por isso, prestem atenção à crítica com uma mente aberta em primeiro lugar e então se ela se enquadrar na categoria do excesso, da ninharia, então digam apenas que lamentam que se sinta desse modo com respeito a si mesma, e continuem a partir daí.

Há diversos níveis de vibração no domínio do escutar que lhes permite ouvir com mais clareza. Há um som, que é o simples ahhhh - Ahhhhhhhhhhh. Façam isso. Ahhhhhhhhhhh. Agora coloquem os dedos muito ao de leve por detrás do pavilhão do ouvido, e façam-no de novo. Ahhhhhhhhhh. Sentiram? Agora quero que os coloquem à frente do ouvido, muito suavemente, e que o façam outra vez. Ahhhhhhhhhhh. Que foi que sentiram da segunda vez que não tenham seentido da primeira?

Estudante: Mais na cabeça.

Estudante: Senti mais tipo um tremor aqui.

Estudante: Uma ressonãncia.

Uma ressonãncia? É isso exactamente o que provoca. Aqui (…) estão a ouvir o sopro de entrada desse som. Muito embora o estejam a projectar, lhe sintam o movimento; mas aqui estão a trazer de volta esse movimento a vós. É por isso que é como se esteja a sair desta maneira e esteja a pressionar através de vós e limpa tudo quanto tenham dentro. Na frente do ouvido. Ajuda-os a expandir essa energia em vós e abre isso em vós. Sempre que uma pessoa vá cantar, entoa as escalas e tudo o mais, mas aquilo que faz é criar uma ressonância dessa mesma maneira para limparem o lixo, de modo a poderem seguir em frente e usar a sua voz de uma forma mais clara, mas os ouvidos também.

O que o vosso corpo tem de estranho é que existam áreas no vosso corpo que não parecem estar no sítio devido mas que afectam diferentes coisas. Coloquem o vosso dedo aqui (…) e pressionem por um instante e sentirão todo o sistema estomacal a abrir-se. Empurrem para cima e para baixo a meio do queixo e ele fica apurado. A questão está em que estejam a remover a escória da energia de modo a preparar-se para escutar.

Quero que digam três palavras a vós próprios. Quero que digam: “Este foi um dia perfeito,” e quero que coloquem os dedos aqui (…) e quero que escutem o que dizem, na vossa cabeça. “Este foi um dia perfeito.” Que tal soou? (Bem) Agora quero que coloquem os dedos aqui (…) e digam: “Hoje foi uma porcaria!” Sentiram a diferença? A ressonância apresenta uma diferença. Aquilo que dizem repercute de forma diferente no ouvido e permite-lhes que ouçam de forma diferente. Assim que disserem, “Hoje foi uma porcaria!” isso será tudo quanto esperam ouvir da parte de alguém; mas assim que disserem: “É um dia perfeito,” irão esperar coisas perfeitas.

Estudante: Gostaria de saber como nos havemos de proteger das constantes sugestões negativas que captamos da televisão e de toda a parte em que constantemente nos é dito que as coisas vão correr mal, que irão dar-se surtos de doenças, que os frangos têm salmonelas, para não comermos frango. Todas as coisas insignificantes são engrandecidas e isso causa-me um problema, por basicamente ser negativa no pensar, e gastar a minha vida a debater-me com isso sem que consiga muita coisa.

Porque não dizes a ti própria que és uma pensadora negativa feliz? (Riso) Isso tira toda a pressão à coisa. “Sou uma pensadora negativa feliz.” Bom, a palavra “feliz” irá diluir o pensamento negativo infeliz, por se dar uma mudança na energia. Com respeito às mensagens da vossa televisão, etc., é uma tristeza que a televisão não faça uso de factores positivos e emita as boas novas, por também existirem boas novas. Contudo, precisam treinar-se para ouvir sem escutar nesses exemplos. Dizem: “Estou a ouvir factos que estão a ser dissseminados, mas não os personalizarei nem os tornarei meus. Dessa forma, se alguém disser: “A casa está a pegar fogo, abandonem-na,” gozarão de senso comum suficiente para a abandonarem; não a abandonraão devido ao síndroma do medo, abandonam-na pelo facto da casa estar a arder. Tratem as notícias como informação com respeito à qual cabe a vós decidir, e não a tratem como um absoluto. Se lhes disserem que a casa está a arder em algum lugar, a presunção que fazem é que venha a arder por completo. Mas pode não arder. Assim, precisam dizer que essa seja a informação do momento, e precisam dispor-se a escutá-la, a dar-lhe atenção, sem a personalizarem, sem a tornar parte de vós.

Estou certo de que, tal como no vosso mundo tudo na verdade é empregado para fazer notícia, pelo mundo em geral, não haverá nada no vosso mundo que possam comer que não seja susceptível de provocar cancro; não há nada no mundo que possam comer que não provoque alergias. Eles conseguiram convencê-los a todos! Eles pegam naqueles pequenos ratos e alimentam-nos à base de múltiplas coisas que matariam qualquer um. E conseguem mais num simples teste do que vocês obteriam numa vida inteira, e depois vêm dizer: “Isto provoca aquilo.” É claro que provoca, por estar a ser usado de forma desequilibrada, sem polaridade. Se aceitarem isso como vosso, irão carregar medo em vós constantemente. Não há nada em vós que não consigam mudar alterando a vossa ressonãncia, alterando os padrões do vosso pensar e mudando-lhes a vida, concedendo-lhes vida.

~~~~~~~~~~~~

Quero conduzi-los por alguns sons para abrirem os canais auditivos e as propriedades mentais do escutar. Vocês ouvem com a mente, e é por isso que ficam em apuros, por a mente carregar ideias preconcebidas, de modo que no exercício da clarificação, ou da limpeza dos bloqueios mentais dentro de vós, há um som tipo suspiro, que é o simples “Aaah”. Tentem-no. Soa aterrador, mas façam-no. “Aaah.” “Aaah.” “Aaah.” Escutem o que se passa aqui em cima na cabeça.

O que se terá passado com cada um desses sons é que vocês pressionaram a energia cada vez para mais alto até se dissipar através da coroa. Isso assemelha-se bastante ao som que o animal faz ao arquejar por altura do parto, por estar a pressionar a energia. O que vocês fazem é permitir-se fazer esses gemidos, esses suspiros, até pressionarem a energia para cima através da área da cabeça. Bom, por um instante escutem na cabeça. Sentem a diferença na energia aí situada? Escutem aí. “Aah.” Quero que digam “Aah” (num suspiro) e que a sintam aí em cima (…) 


Sempre que quiserem fazer-se ouvir, baixem o volume da voz, a frequência do volume. É por essa razão que a pessoa se irrita e começa a discutir e a delirar sem parar, e que todos batem com as portas de uma forma estrondosa. Ninguém escuta. Mas só quando o temperamento racional começa a regressar e o volume é baixado que realmente escutarão mais. Conseguirão realmente ver a clareza que terão conseguido ao fazerem o exercício do “Aaah,” seguido do (num sussurro) “Uha,” e escutá-lo. Ouvi-lo-ão na vossa cabeça, isso rodeá-los-á nela, e apresentar-se-á maravilhoso. Esse é o aspecto mental da remoção disso do caminho. Agora; aquilo que vão fazer a seguir é livrar-se da prisão emocional. Vão pressionar as emoções para fora do caminho, e o modo por que o conseguem é através do som “Ummmm.”

Que imagens lhes acorrem à mente quando fazem um som desses? Barry? (A de baleias) Bom, elas falam. Mas parece-se um pouco mais (Julian faz um som agudo característico da baleia.) Anda mais ou menos pelo meio, mas na água propagam-se bem. Assim, o significado desse “Ummmmmmm,” é “Eu sinto amor por mim.” Ponham os braços ao vosso redor e digam: “Ummmmmm.” “Sinto amor por mim.” Como poderão sentir-se perturbados emocionalmente quando sentem amor por vocês? (Riso)

Acreditem em mim quando lhes disser que precisam sentir amor por vós todos os dias. Assim esse som “Ummmmmmm,” constitui a têmpera emocional, o deixar a flutuar, o abandono. Aquilo que vamos agora fazer é dar a volta e passar a trabalhar com a pessoa que está por trás de vós, pelo que irão ter que se deparar com alguns estranhos – por isso envolver toda a ideia. Se alguém for “estranho ao ninho,”, encontrem outro estranho ao ninho e juntem-se.

Todos têm um par? Haverá alguém que não tenha? Aqui está alguém sem par. Quererás trabalhar juntamente com aquela senhora aqui? Muito bem. Vá lá e sente-se naquele pequeno banco, ou seja o que for que esteja ali.

A primeira coisa que vão fazer, e quero que vejam por um instante como eu faço, vão dobrar as mãos e olhar uns para os outros nos olhos, e vão entoar o som “Mmmmmmm.” (Riso geral) Vamos lá… Agora parecem-se com baleias.
Agora que quebraram o gelo, quero que peguem nas mãos uns dos outros, e quero que ouçam aquilo que digo, e ao olharem uns para os outros, imaginem que aquilo que estou a dizer lhes é dirigido pela outra pessoa. Vocês estão de mãos dadas, pelo que não poderão ficar violentos.

“Estou a ligar-te para te dizer que ouvi o que disseste de mim, e quero que saibas…” E aí a coisa detém-se.
Quero que me digam o que sentiram quando proferi a primeira declaração.

Estudante: Inquieto.

Estudante: A declaração inicial soou-me a um ataque. Tipo Uh-oh. Um pouco como uma agressão.

Mais alguém se terá sentido atacado pela primeira declaração? Qual foi a primeira declaração? (Os estudantes repetem-na) Muito bem, realmente escutaram-na. (Riso) Vêem o que sucede quando deixam os pensamentos íntimos… Quantos de vocês terão pensado: “Ai Deus meu, que foi que eu disse?” “Eu sei que tinha a minha boca a mexer-se, mas que foi que disse, onde, e dirigido a quem?” Porque de imediato, suscitou a percepção de que talvez estivesses a falar de alguém. Também me suscitou a percepção de “Uh-oh,”Agora é que vai ser bonito!” E em relação à declaração que deixei pela metade?

Estudantes: A tua voz estava a mudar. A primeira declaração soou a um ataque; a outra deixou-nos livres para nos sentirmos bem.

Muito bem. A razão disso deve-se a que as palavras comportem uma vibração própria e adicionam o tom da vossa voz a essa vibração. Sim, por eu ter estado a dizer (numa voz firme) “Eu ouvi mesmo o que disseste a meu respeito,” mas depois quando recuei dessa declaração, o poder dessas palavras desvaneceu-se, e as novas palavras adoptaram algo diferente.

Agora quero que façam mais u exercício. Quero que olhem uns para os outros, olhos ons olhos, e quero que repitam: “Ummmmmmmm. Ummmmmmmm.” Vocês limparam mesmo a lousa do exercício anterior, por terem sido capazes de rir juntos. E quem ri junto torna-se num bando. (No quê?) Num bando de gansos, animais daqueles de pescoço comprido e gracioso.

Muito bem. Desta vez quero que digam uns aos outros… Vou jogar uma palavra e a seguir quero que digam à pessoa defronte de vós a palavra que ela lhes suscitou. Vamos fazê-lo em dois passos. O primeiro é: “Raiva.” Vou jogar uma outra palavra e depois quero que vocês dêem em simultâneo uma palavra à outra pessoa: “Aniversário,” “hospital,” “dedo grande do pé.”

Isto poderá parecer uma tolice enquanto o estiverem a fazer, mas pelo que estou a ouvir, alguns procedem a associações com relação à palavra, e outros acrescentam-lhe, enquanto outros ainda ouvem a palavra e altercam-na com uma palavra contrária. Por outras palavras, Se eu disser “hospital,” porque não poderão dizer “cura”? ´Por ser a ideia preconcebida com que estão a escutar, estão a entender? Por poder ser “cura,” “visita,” “melhorar.” Mas aquilo que estava a tentar mostrar-lhes com este exercício é como a ideia preconcebida que têm de, digamos, “hospital,” ou “aniversário,” surge logo. Com a palavra “aniversário” não tiveram problemas. Toda a gente tem algo a dizer, e toda a gente tem um sorriso a apresentar, por a ideia preconcebida e aniversário ser “Feliz aniversário,” ou uma prenda, ou uma festa, ou apenas sinal de crescimento, seja o que for, e isso significa melhoria.

Assim, não permitam que as ideias preconcebidas se intrometam no vosso caminho ao escutarem as palavras.


Bom, o que eu gostaria que fizessem é que trabalhassem com o parceiro com quem estejam, e queria que lhe contassem algo que sintam que ele pudesse fazer para melhorar. (Riso) Ora bem; lembrem-se disto, só lhe vão dizer algo que pensem que seja vantajoso para o seu próprio aperfeiçoamento. Depois também ele irá ter a sua vez, pelo que ninguém irá ficar de fora. Assim, aguardem um momento e digam: "Isto é algo que creio te ajudaria a melhorar." (Enorme alvoroço, seguido de riso)

Para que ninguém se sinta magoado, vou pedir-lhes para inverterem os papéis, para que agora o outro lhes diga o que pensa. Aqueles de vós que não o tiverem feito, façam-no agora. Ninguém escapa, todos apanham com o castigo.

Bom, ainda estão a falar uns com os outros. Muito bem, agora gostaria que apurassem, antes de mais, como se terão sentido em face da sugestão que fiz de que seria isso que iria suceder? Que terá sucedido convosco quando eu disse que a outra pessoa iria dizer-lhes alguma coisa que os beneficiaria?

Estudante: Sinto-me bastante perfeito, Julian, evidentemente. (Riso)

Estupendo!

Estudante: Coloquei de imediato uma armadura ao redor.

Envergaste de imediato a armadura. Mais alguém?

Estudante: Pensei de imediato, que responsabilidade! Mas depois pensei em algo que não envolvesse responsabilidade, mas que precisasse de aperfeiçoamento, como uma atitude no trabalho...

Estudante: Pensei, quanta ajuda.

Mas, estão a ver como, mesmo antes de abandonarem o papel, já surgiram reacções? Ora bem, quando lhes disseram, o que lhes tenham dito, pela outra pessoa, como é que se sentiram?

Estudante: Bem.

Óptimo. Quantos de vós se terão sentido atacados? (Aparentemente nenhum) (Riso) Quantos de vós terão sentido, assim que lhes disseram, começaram de imediato a pensar a respeito do que podiam dizer acerca do outro? "Não ficas sem o troco," não é? Muito bem. Também quero que saibam uma coisa. Quando fizerem um exercício como este, não é diferente de alguém vir ao vosso encontro e dizer; "Essa cor não te fica bem, sabes?" E vocês dizem: "Eu gosto." (Riso) A questão está em que toda a gente é vulnerável numa situação que envolva a atenção, e toda a gente é agressiva. A questão contém sempre duas faces. Quantos de vós se terão sentido atacados pelo pânico diante da ideia de dizerem a alguém algo que precisassem de ouvir para melhorar? Tu sentiste-o? Porque pensas que sim?

Estudante: Bom, penso que provavelmente tenha que ver com o termo "responsabilidade." Há diversas coisas que lhe podia dizer, sabes, mas acabamos de nos conhecer, e isso soa meio engraçado.

E com respeito a ti, Joy, porque pensas que terás sentido isso?

Estudante: Por eu não ter querido ofender ninguém, creio.

Porque presumes que isso represente uma ofensa?

Estudante: Bom, por eu ter tido... bom, deixa que... não quero pensar nisso porque, se pensar nisso... creio que tenha sentido que precisasse fazê-lo para ter cuidado com o que dizia...

A razão por que estou a colocar esta questão é por ser uma questão muito, muito importante. É uma ideia preconcebida, e as ideias preconcebidas são: "Não quero magoar ninguém. Não quero fazer coisa nenhuma..." mas também há a ideia: "Porque assim poderão fazer-me o mesmo." Há todo um círculo que se acha em marcha com isso, abaixo da superfície. Por isso, não se preocupem quando todas essas coisas estejam a decorrer, por se tratar apenas de um exercício e todos vocês saberem que estão a fazer isso para ajudar a ultrapassar alguma coisa e não porque estejam a tentar a meter-se uns com os outros.

Estudante: Como poderemos julgar alguém quando não conhecemos a pessoa ou temos vontade de dizer alguma coisa de mal dela?

Eu quero perguntar uma coisa. Tu empregaste o termo "julgar." Sugerir alguma coisa a alguém que a possa melhorar a tornar-se melhor do que é, não é julgar. Melhor do que o que é aos olhos de quem? Eu estou a fazer uso deste exercício a fim de fazer com que todo um conjunto de coisas venha ao de cima. Fazer uma sugestão a alguém não significa necessariamente proceder a uma crítica, a menos que ela personalize e faça dela isso mesmo.

Qual foi a sugestão que te deram?

Estudante: A mim? Cortar a barba. (Riso)

Já o sabia. Eu podia ter previsto essa. Porquê? Vocês não gostam de barbas, não é? (Riso)

Estudante: Encobre o rosto. Eu gostava de ver a pessoa. Gostava de ser capaz de a encarar nos olhos e de lhe ver a face toda.

É onde se deve procurar ver a pessoa, nos olhos. Pode trazer um saco enfiado na cabeça, mas se puderem ver-lhe os olhos, verão a pessoa.

Estudante: É por isso que não gosto de usar óculos escuros. Alguns jovens disfarçam-se por completo. Primeiro empunham aquelas barbas e depois ainda usam óculos escuros.

E assim não os conseguem ver de todo.

Estudante: Não se consegue ver em absoluto.

Bem visto! O que quero dizer é que isso não representa preconceito com relação às barbas, mas o sentimento de realmente não conseguir ver a pessoa que usa a barba. Mas eu soube de imediato que era isso que ia ser dito.

Estudante: Na verdade, eu queria dizer que a tua pergunta... não pergunta... o teu exercício que ... não sei em que termos o deva colocar... é um pouco ofensivo por significar de antemão que a outra pessoa tenha algo de errado.

Apenas se ela o personalizar.

Estudante: Talvez ela se veja como perfeita. Caso contrário...

Esta senhora que sim, e nós adoramos isso. Entendem? O que aqui estou a tentar fazer com que vejam que, quando escutam, personalizam, e fazem com que os receios que têm com respeito a vós próprios venham ao de cima. Se me disserem que eu tenho quatro cabeças e um rabo, e que aos vossos olhos eu tenha esse aspecto, isso fará com que passe a ter mais cabeças? Entendem? O objectivo está em que, o que fazem com aquilo que escutam define o programa para o passo seguinte. É o que este pequeno exercício, por mais tolo que pareça de início, começa a revelar a reacção que adoptam, o medo que sentem. Alguns têm tudo aprontado, dizem que sabem o que a outra pessoa lhes vai dizer, por já terem tudo posto em termos lógicos, de modo que não precisam ralar-se. Dizem: "Ele vai-me dizer isto, e isto e aquilo." E assim, quando lhes dizem algo de inesperado, caramba! É um choque!

Na realidade, meus amigos, vocês são todos filhos divinos de Deus, dotados de direitos divinos próprios, e são todos perfeitos aos Seus olhos, e deviam ser perfeitos aos vossos. Lembrem-se de que é através do intercâmbio e da sugestão que trazemos mais de nós próprios ao exterior mais de nós próprios. Trazemos os nossos aspectos negativos para fora para os examinarmos, para decidirmos com respeito a eles, e para os abandonarmos ou preservarmos, segundo o nosso livre-arbítrio. Também nos auxilia a ver os potenciais existentes que desconhecíamos. Por exemplo, se ela disser ao Philip que quer que ele corte a barba, mas por querer ser capaz de lhe ver o rosto, que cumprimento isso representará, ser visto por alguém - ser visto de verdade. Mas se estiveres à espera de um ataque, quando isso é proferido, opa! "O melhor é que vá já logo na navalha." O objectivo está em escutarem as palavras, mas sem as personalizarem, até que decidam o que querem fazer. É o que vem antes que os mete em sarilhos mais do que o que vem a seguir.
(continua)

Tradução: Amadeu António 

Sem comentários:

Enviar um comentário