sábado, 12 de março de 2016

UM NOVO JESUS




A REDESCOBERTA DOS SEUS ENSINAMENOS MAIS PROFUNDOS POR MEIO DA INVESTIGAÇÃO INTUITIVA

A vida e os feitos do homem Jesus desencadearam a imensa religião Cristã quase dois milênios atrás, mas os seus mais sublimes e profundos ensinamentos foram quer negligenciados ou fortemente reformulados pelas necessidades práticas da Igreja Cristã primitiva. Este velho envoltório religioso, que sobreviveu até hoje, não mais satisfaz a actual onda dos Cristãos praticantes e dos outros buscadores que andam em busca de por respostas claras para todas as questões espirituais prementes:

Qual é o propósito da minha vida e de toda a vida? De onde vim? O que irá acontecer-me depois que eu morrer? Quem sou eu? Por que há tanta injustiça e sofrimento no mundo, e por que não faz "Deus" alguma coisa em relação a isso? E assim por diante. Apenas uma pequeno número dos místicos cristãos, santos e profetas desde os dias de Jesus terão encontrado respostas satisfatórias para essas perguntas através da sua devoção individuais
e esforços intuitivos.

É já tempo agora de lançar esses ensinamentos originais de Jesus a partir do seu envoltório
doutrinário, lendário e religioso. Este livro tenta identificá-los, libertá-los das garras de tradição e atualizá-los para atender às necessidades espirituais dos requerentes contemporâneos. Utiliza, para o efeito, o método poderoso e comprovado da investigação intuitiva. Esta abordagem é distinta de meios racionais para a obtenção de conhecimentos, por serem fundamentalmente pouco plausíveis a uma tarefa como esta. Utilizamos em vez disso as habilidades de um especialista intuitivo, K. Ryerson, cujo registro para a obtenção de informação completamente nova ou informação perdida e de vários tipos, tem sido verdadeiramente notável. Muitas das suas contribuições passadas foram validados cientificamente.

Nesta primeira tentativa de aplicar o método de investigação intuitiva à vida e aos ensinamentos de Jesus encontrarão respostas perspicazes para as principais questões, incluindo a revelação das várias lacunas e a solução de distorções e contradições presentes nos Evangelhos do Novo Testamento e escritos Cristãos afins. Também propõe respostas às questões fundamentais colocadas acima e mostra como aplicar essas respostas para melhorar a vossa vida pessoal com uma nova compreensão enriquecida, e uma espiritualidade fresca e genuína. O livro termina com uma reformulação moderna da filosofia espiritual que Jesus propôs aos seus apóstolos e a gerações posteriores -- e a vocês.


INTERLÚDIO

Vamos começar este inquérito intuitivo, colocando a Ryerson/John uma questão fundamental acerca das implicações de longo alcance que esta nova história de Jesus possa ter para a ampla classe dos cristãos do mundo, incluindo os que não se encontrem propensos a ler
este livro.

WHK : (Centenas de milhões de pessoas neste planeta sentem-se inclinadas a apoiar-se
na lenda de Jesus para obtenção de sustento espiritual. Ao apresentar esta história mais profunda de Jesus e do Cristo, como devemos prestar o devido respeito àqueles que se dedicam fortemente à lenda cristã, embora seja ambígua, confusa, historicamente incorreta e muitas vezes enganosa?)

Ryerson/John : Há muito a debater acerca da dinâmica da lenda, mesmo nos dois mil anos de história. Não é tanto uma fragmentação da lenda que se tem dado mas uma diversificação dos componentes de lenda. Lembra-te, a lenda sempre contém um elemento de verdade e baseia-se em factos. Procurar, pois, revitalizar a visão que oferece, para que possam
reinventar e/ou redescobrir os elementos da lenda que os sirva mais. Considera não abordá-la como uma desconstrução do que foi apresentado, mas como uma revitalização das diversas partes do corpo de Cristo – designadamente, a própria linguagem da chamada lenda…

Assim, a evocação consta do seguinte: reunir todas as recordações, todos os diversos elementos da chamado lenda, e incutir-lhes um novo alento e uma nova vitalidade; para reunirem toda a partes do corpo, o todo, de modo que essas pessoas possam sentir-se mais uma vez movidas pelo espírito e revitalizadas por ele. Por ser parte integrante, não só dos seus caracteres, mas das suas almas. Por outras palavras, não é necessário nem desejável destruir ou mesmo diminuir a lenda cristã, tal como existe, mas apenas ampliá-la, unificá-la e revitalizá-la. Esta será a postura que assumiremos nos capítulos que se seguem.

O registo escrito

Por o material de fonte histórica sobre Jesus ser tão incompleto, tendencioso  e distorcido como uma biografia, conforme anteriormente explicado em pormenor, não pode ser invocado em termos de exatidão histórica, fiabilidade ou veracidade. Comecemos a nossa investigação perguntando resumidamente com respeito a alguns dos registos históricos sobre Jesus para ver o que poderá ser colhido de novo sobre eles.

Registos escrito e oral

Tanto quanto se pode apurar Jesus jamais preparou qualquer autobiografia ou outros escritos. Ele pode nem mesmo ter sabido ler.*

Pergunta: Será verdade que Jesus nunca escreveu nada pelo próprio punho?

John: Jesus era letrado. Ele muitas vezes trocou correspondência.
Sobreviveram cartas que ele dirigiu ao chamado rei de Edessa, de modo que trocava correspondência. †

* É defendido que os judeus aprendiam a ler e a escrever na sinagoga local, mas o ponto de vista dos estudiosos é que a percentagem dos judeus galileus alfabetizados não tenha ultrapassado os 5%. Não há declaração clara alguma de que Jesus tenha sido letrado, embora pareça provável que tenha sido, com base numa série de declarações circunstanciais dos Evangelhos; por exemplo, o acto de escrever na areia diante da mulher apanhada em adultério.

A história cristã dá-nos conta de que o rei Abgar V de Edessa, na Índia, terá escrito a Jesus, implorando pela sua ajuda na área da cura, e que Jesus terá respondido com uma carta, oferecendo-se para enviar um discípulo, após sua morte. Mesmo que seja verdade isso não prova que Jesus tenha redigido, ele próprio, a carta, obviamente. Também é mencionado um retrato de Jesus. Textos supostamente escritos por Jesus sobreviveram, mas os estudiosos consideram-nos espúrios.

Pergunta: Por que não terá ele preparado registos escritos do que fez e ensinou?

Jesus, à semelhança de muitos essénios, conhecia os ensinamentos da Torá, onde praticamente cada palavra está baseada no Pentateuco, ou no Tetragrammaton.
Poderá ser reconhecido que o Mishná,* as chamadas tradições orais originais, representavam ainda um diálogo aberto e conhecido entre os judeus e os hebreus e mesmo no seio dos essénios.† Embora alfabetizados, em particular desde os dias de Abraão, e originários das cidades das planícies e do Egito, eles tinham uma língua escrita. As qualidades sagradas da língua hebraica emergiram de modo a conservar os mistérios da Torá.

Conhecendo-os de cor, ou de memória, e diante da existência de um denominador comum, Jesus percebeu a repercussão que a transmissão da palavra poderia ter. Ele sabia que eventualmente acabaria por surgir quem procurasse conservar as palavras, já que esta era a natural propensão da palavra redigida.

Os essénios eram autores de muitos pergaminhos mas consideravam o trabalho directamente procedente do coração uma forma superior de ensino, na tradição oral. Assim, conquanto Jesus não proibisse a redação dos evangelhos, deixou instruções que diziam: "Eis que nesses dias não ponderarão no que haverão de dizer, por ser “Eu” quem falará por vós." 39 ‡

* O Mishna é a coleção inicial da tradição e da lei judaica, a base do Talmud, originalmente oral, como salientado anteriormente. É considerado como a mais significativa recolha da tradição judaica destinada à interpretação da Tora… O Pentateuco compreende os cinco livros da Tora Hebraica, que são essencialmente os mesmos cinco livros iniciais do Antigo Testamento cristão… O Tetragrammaton é uma designação de quatro letras, geralmente redigida sob a forma de YHWH, e destina-se a representar o nome impronunciável de Deus.

† Os essénios eram uma seita judaica ascética e messiânica, complementar aos fariseus
e saduceus. Floresceu no Oriente Médio, pelo menos na Palestina e Egipto, desde o segundo século aC até ao primeiro século dC. Alguns essénios viviam em comunidades religiosas, uma das quais é agora conhecida como tendo existido em Qumran, no Mar Morto, perto do local onde os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos.
‡ As fontes intuitivas e evangélicas necessitam, evidentemente, de uma validação pessoal por parte dos seus leitores. Tampouco devem ser tomadas como intrinsecamente correctas ou dotadas de autoridade sobre as demais.
(NT: O Tetragrammaton, que poderá ser interpretado grosso modo como o Poder das Quatro Palavras, é um tratado esotérico assente numa complexa combinação de letras do alfabeto hebraico, grego e latino, associada aos símbolos esotéricos do pentagrama, do zodíaco, de algarismos e de formas geométricas, dotada de significado muito complexo, por depender da interpretação de cada símbolo independentemente)
Muitos, entre o povo judeu, assim como muitos por entre as tradições orais, possuíam recordações mnemónicas altamente qualificadas. Por exemplo, se quisessem medir as ondas cerebrais alfa e beta entre aqueles das tradições orais em vez dos das tradições escritas, iriam descobrir que os centros mnemónicos da arquitetura do cérebro eram altamente estimulados - por outras palavras, uma memória superior.

Jesus, ao aderir à tradição oral, sabia que isso iria forçar os indivíduos que queriam conhecê-lo a vir à sua presença. Era seu desejo que as pessoas fossem conduzidas ao companheirismo, criando assim uma afinidade de espíritos por intermédio da experiência direta mútua, em vez de por meio da palavra escrita, que tem tendência para compartimentar e isolar a sociedade e para criar formas administrativas, em vez da verdadeira condição de família.

(NT: A mnemónica constitui um conjunto de técnicas auxiliares à memorização, assente em suportes como esquemas, símbolos, gráficos, palavras ou frases relacionadas com um determinado assunto)

Pergunta: Existirão mais registos escritos dos apóstolos do que aqueles que temos disponíveis hoje?

Correcto. Existem vários Evangelhos que são considerados apócrifos, mas que com efeito são autênticos.

O Evangelho de Marcos

Ao avançarmos desde o Evangelho de Marcos, o mais antigo, até ao de João, mais recente, a sequência revela uma progressão do biográfico para o devoto, do objetivo para o subjetivo e do secular para o doutrinário na persuasão que exerce. O Evangelho de João discorda tanto dos três Evangelhos sinópticos que ambos não podem estar certos.

O Evangelho de Marcos, o mais curto (16 capítulos somente) e o mais substancialmente biográfico dos quatro, realça os actos de Jesus acima dos ensinamentos e apresenta um Jesus mais humano que divino. À semelhança dos outros três, a sua autoria é objecto de dúvida: quem é esse Marcos? As autoridades da Igreja atribuem-no ao evangelista Marcos dos últimos anos, embora isso provavelmente tenha sido feito para lhe dar crédito, atribuindo-o a um sócio de Jesus.

Pergunta: Terá o autor do Evangelho de Marcos na verdade sido um rapaz que andava ao redor de Jesus durante o seu ministério, como alguns afirmam?

Correcto. Ele era um discípulo jovem, um moço. O canal que fala [John] foi considerado o mais jovem dos discípulos – contudo, por uma diferença de poucos anos.

Pergunta: Será esse Marcos o mesmo que o João Marcos mencionado no livro de Actos, um companheiro de Paulo e de Barnabé?

Isso estaria correto.

Pergunta: Os últimos dez versos no final do Evangelho de Marcos parecem ser bastante
diferente do resto. Será que Marcos realmente os escreveu ou foram inseridos por interposta pessoa?

Com respeito a algumas mudanças verificadas nos Evangelhos, lembra-te de que algumas coisas foram escritas a partir de uma perspectiva histórica e outras em estados de êxtase.

O Evangelho de Tomé

O Evangelho apócrifo de Tomé, parte da coleção de documentos de Nag Hammadi mencionada anteriormente, alega ter surgido das instruções privadas de Jesus dadas a Dídimo Judas Tomé (não ao apóstolo Judas mas talvez ao apóstolo Tomé, um irmão gêmeo, que também pode ser o autor de outro apócrifo, o “Evangelho de Tomé.” † Esse Evangelho não contém nenhuma narrativa, assim como os quatro Evangelhos principais, e não faz qualquer menção a Cristo, Senhor, ao pecado, à Segunda Vinda ou à ressurreição. Consiste apenas em 114 provérbios atribuídos a Jesus, alguns dos quais surgem em duplicado nos quatro Evangelhos principais. Muitos destes ditos parecem altamente simbólicos e revelam-se difíceis de conciliar com qualquer outros dos Evangelhos ou com a doutrina e as crenças cristãs primitivas.

São eles o Evangelho da Infância, de Tomé, o Livro de Tomé o Candidato e os Actos de
Tomé [ECW].

Pergunta: O Evangelho de Tomé, uma coleção de provérbios atribuídos a Jesus, parece terrivelmente ambíguo e até contraditório em relação a outros ensinamentos de Jesus.
Quão preciso e importante será esse Evangelho, e como haveremos de interpretar isso?

As parábolas de Jesus e ditos presentes no livro de Tomé foram consideradas tão poderosas que foram isoladas do contexto dos ensinamentos. Essa foi muitas vezes a forma como o homem Jesus falou quando se dirigia aos discípulos em particular. *
Às vezes era por esses tipos de ensinamentos que os discípulos ansiava. Eles eram comparáveis ​​aos ko-an do Zen. †

Quando o homem Sócrates desejava causar grande perplexidade ele costumava apresentar uma resposta a um indivíduo sem que ele tivesse formulado qualquer pergunta, o que causava um enorme espanto; por outras palavras, carecia de contexto. Quando queria esclarecer um indivíduo fazia-lhe uma pergunta e orientava-o através da pergunta, até que atingisse a sua clareza natural, ou sabedoria superior.

Pergunta: Por exemplo, Tomé cita Jesus como autor do dito: "Toda mulher que se fizer homem entrará no reino dos céus. "Que “diabo” terá ele querido dizer com isso?

Essa expressão fala do chamado reino do céu. Jesus sabia que as pessoas viam o reino de vários modos, razão pela qual os Evangelhos traçam várias descrições daquilo a que tal reino se assemelha. É um reconhecimento das várias fases de crescimento psíquico da alma e do Indivíduo.

* Não nos devemos surpreender por alguns dos ensinamentos de Jesus não terem sido destinados a audiências de massas, mas apenas àqueles adequadamente preparados, incluindo alguns de seus apóstolos. É citado como tendo-o afirmado ele próprio. [Mat 13:13, Marcos 4: 11-12,

33-34, Lucas 08:10. Em tempos passados, havia um constante comércio de segredos,
especialmente na Palestina de Jesus. Tais práticas parecem antidemocráticas nos nossos dias e na nossa era, por tendermos a acreditar que virtualmente toda a informação deva ser livre e estar disponível, em bibliotecas e na Internet, mas esse não foi de todo o caso até recentemente.

† Um ko-an é uma questão do ensinamento zen, cuja resposta tende a ser
inacessível à compreensão racional, forçando assim o aluno a confiar nas suas capacidades intuitivas.

No contexto da alma humana, segundo a psicologia contemporânea, por exemplo, sabe-se agora que ela [a psique ou alma] contém ambos os sexos masculino e feminino, tanto ao nível fisiológico como ao nível psicológico.* O conceito de reino constitui um termo arcaico que significa "ordem de coisas, que o "compara à chamada criação, referindo a ordem natural ou o estado das coisas como similar ao Éden; a habilidade de ver o divino em todas as coisas. Pode-se ver nisso as linhas ley da terra que ligam todos os seres vivos.† Outros podiam ver os anjos a ir e a voltar. E essas experiências ainda seriam caracterizadas por diferentes níveis. Mas aqui representou uma verdadeira chave. Também reza no Evangelho de Tomé o seguinte: "Aqueles que fazem dos dois um só não perecem, ou não morrerão, mas terão vida eterna." O que isso refere é simples: constitui a unificação do masculino e do feminino no próprio - ou seja, a união da alma - entre o que é considerado tanto racional quanto não-racional, o analítico e até mesmo o intuitivo, que nas filosofias orientais é referido como o Yin e o Yang, e neste caso, o macho e a fêmea inerentes à pessoa. No Tantra Yoga‡ é referido como a unificação dos chakras da base e dos chakras superiores.§ Essa união, por sua vez, abre o chamado Kundalini,* que os deixa abertos a uma ordem superior de estados psíquicos e que lhes permite, em seguida, entrar no reino, ou ordem natural ou espiritual das coisas.

* John aparentemente refere-se à identificação dos arquétipos de animus e anima que têm lugar na psique humana, e que brotam de uma descoberta geralmente creditada ao psicólogo Carl Jung.

† As linhas Ley são alinhamentos geográficos lineares de alguns edifícios antigos, monumentos e megálitos. A sua origem e significado são desconhecidos e amplamente contestados. Não é difícil encontrar linhas que passam através de três ou mais conjuntos aleatórios de pontos.

Tantra é uma tradição esotérica vagamente definida, um acúmulo de ideias místicas e de práticas que são comuns no Extremo Oriente, especialmente no Tibete, e que reivindicam
a capacidade de trazer o poder cósmico do universo à vida física de um indivíduo, incluindo o corpo físico. São empregadas várias práticas de yoga, uma das quais desvia a energia sexual para essa abertura espiritual, e este é o aspecto pelo qual o Tantra é mais conhecido no Ocidente... Yoga é uma antiga escola de filosofia hindu que propõe um caminho e um meio para a perfeição espiritual. Os seus vários ramos incluem os "quatro iogas" - os caminhos de ação, devoção, conhecimento e karma - juntamente com as posturas corporais físicas de hatha yoga, e agora a forma mais familiar de ioga no Mundo ocidental.

§ De acordo com a filosofia oriental, os chakras são sete focos de energia sutil existentes no corpo humano que se encontram localizados ao longo da medula espinal e que se crê representarem os pontos onde as forças espirituais são traduzidas numa forma material que o corpo pode utilizar. Alguns intérpretes modernos associam-nos às sete glândulas endócrinas. Ver uma discussão mais aprofundada em capítulo posterior.

Pergunta: Nesse caso, seria igualmente correcto dizer que alguém que seja do sexo masculino e se "torne mulher," nesse sentido se encontre no reino de céu?

Correcto. Por outras palavras, se um indivíduo tiver uma concepção de si somente nos termos da identidade sexual que adopta, ainda não terá entrado no Reino. Porquanto estará a agir fora do âmbito da natureza da alma por meio da unilateralidade de sexo. Quando ele percebe que é tanto masculino quanto feminino, penetra uma profunda compreensão da natureza da alma, o que não acontece meramente com respeito à identidade material.




* Kundalini é um termo iogue que se refere a uma energia poderosa, encerrada na base do
coluna vertebral, que pode ser libertada sob certos estados de consciência incomuns e elevados. Em seguida, ela eleva-se pelo corpo ao longo da linha dos chakras. Isto é
simbolizado na tradição hindu como uma serpente desenrolando-se para cima. Desconhecido e muitas vezes mal interpretado no Ocidente, o despertar da Kundalini é geralmente espontâneo e constitui experiência pessoal profunda e, muitas vezes, transformadora. Certas práticas sustentadas pelo ioga são tidas na conta de capazes de despertar a kundalini, com a advertência de que nunca devem ser forçadas, mas permitir que desperte por si só.

Pergunta: Então, o que terá essa passagem do Evangelho de Tomé a oferecer-nos hoje?

Se ele for encarado como um livro de Ko-ans, conforme no mistério da Livro das Revelações, pode ser dito que representa o seguinte: Um, que realmente abrange muitos dos ensinamentos místicos que Jesus tinha transmitido de forma particular aos discípulos ao lhes dar conta dos mistérios do reino, os mistérios do céu por que muitos deles ansiavam. Porquanto lembra-te, Jesus conduziu-os através do caminho de uma forma suave.

Quando ele recebeu a sua própria iluminação no batismo ministrado por João Baptista e quando, ao ser pela primeira vez abordado, conforme foi, lhe foi pedido que fizesse milagres ou desse um sinal, ele disse: "Primeiro vem conhecer-me a minha própria casa. Toma uma refeição comigo e conhece em primeiro lugar a minha humanidade." Então ele gentilmente encorajou esses indivíduos a crescer na medida em que a sua própria fé, ou crença, pudesse sustentá-los.

Isto constitui [indica?], pois, que muitos dos ensinamentos de Jesus eram muito poderosos. Representavam poesia destinada a unificar a mente, o corpo e o espírito. Desejava a iluminação deles, mas também poupá-los quanto às consequências, de modo que a iluminação não os conduzisse para muito longe do mundo, para poderem permanecer no mundo, mas sem lhe pertencerem. De facto, Jesus precisava que os seus apóstolos espalhassem os seus ensinamentos depois de sua morte, e não que se tornassem místicos ou reclusos.

O Evangelho Q

O Evangelho Q nunca foi encontrado, nem existem quaisquer referências históricas à sua descoberta. Consequentemente existe actualmente uma controvérsia sobre se tal documento alguma vez terá existido.

Pergunta: Será que realmente existe algum original do Evangelho Q?

O Evangelho Q existe, e o canal que te fala foi guardião dos quatro conjuntos de manuscritos que representavam Q. Uma fonte desse Q foi o Evangelho de Tomé - os ensinamentos, os provérbios de Jesus, mas nota que contêm pouca narrativa histórica - o fluxo e a continuidade da vida do Homem Jesus.

Cada Evangelho foi conhecido por uma qualidade particular. Alguns listam os eventos da vida de Jesus, outros listam os milagres de Jesus, outros listam os provérbios de Jesus, e outros ainda enfatizam a qualidade geral da vida de Jesus. Isso ficou a dever-se ao facto de que, para proteger a verdade e para validar o testemunho, havia quatro fontes a usar, de modo que se uma se perdesse, as outras pudessem ser recuperadas.

Estas quatro fontes de Q ainda se encontram em existência na Ilha de Patmos, em pergaminhos ainda por documentar, no mosteiro que os preserva nesse local.* Há também fontes de Q que estão ainda por ser descobertas [identificadas?] em meio à chamada biblioteca do Mar Morto, por os essénios terem começado [mais tarde] a anotar a vida de Jesus.† Eles valorizavam muito esses livros sagrados. Eles ainda existem e continuam à espera de ser descobertos.
Jesus [também] tinha registos mantidos por aqueles que conviviam com ele diariamente, tal como o canal que te fala. Caso contrário, eles seriam [transmitidos] pela via tradicional oral.

* Patmos é uma ilha grega não muito longe da costa da Turquia. Ela é citada no livro da Bíblia do Apocalipse [Rev. 1: 9] por seu autor "João", que diz que redigiu esse livro lá. A sua elaboração é tida na conta de ter tido origem numa caverna num dos lados da montanha da ilha, acyualmente um local reverenciado pela UNESCO. A ilha contém vários mosteiros dedicados a São João, o maior dos quais contém uma grande biblioteca.

† A maioria dos documentos essénios são anteriores à vida de Jesus, mas alguns foram escritos após a sua morte.

Pergunta: Esses registos que se encontram em Patmos deverão ser encontrados no porão do principal mosteiro que lá existe, no mosteiro de São João, ou em que outro local?

Existem várias cópias do mesmo. Alguns acham-se encerrados entre os pergaminhos e foram arquivados erroneamente; eles não são procurados, por serem considerados meras cópias dos outros Evangelhos.

O documento original na verdade acha-se protegido na caverna que foi considerada um abrigo. Foi colocado em jarros, não muito diferentes dos de Qumran. Talvez o chamado radar de penetração no solo pudesse revelar várias cavidades existentes no interior dessa estrutura. A caverna é historicamente considerado o local da Revelação.

NASCIMENTO E INFÂNCIA DE JESUS

De acordo com os Evangelhos o nascimento de Jesus foi anunciado com antecedência a sua mãe Maria através de um anjo, e a concepção ocorreu por meio da acção do Espírito Santo. Alega-se que o nascimento terá ocorrido num estábulo em Belém, que terá contado com a participação de pastores e de três "sábios" provenientes do Oriente, que terão sido atraídos lá por uma estrela especial e alguma ajuda de última hora da parte do Rei Herodes. Após o nascimento de Jesus a família partiu por alguns anos para uma residência no Egipto para escapar às inclinações assassinas de Herodes.

Em face disso, há pouca evidência de apoio que nos faça crer na história do Evangelho acerca da concepção e do nascimento de Jesus. Muitos estudiosos rejeitam-na por completo como uma criação da Igreja primitiva, montada a partir das chamada profecias do Antigo Testamento e das tradições do Oriente Médio com respeito ao nascimento de toda pessoa santa - tudo quanto terá sido adaptado ao caso de Jesus para elevar a posição que assumiu como ídolo chave da Igreja. Por outro lado, a história pode ser em grande parte verdadeira apesar da ausência de bons dados históricos. A evidência é de fato escassa, mas carência de evidências não significa que a história seja falsa, evidentemente.

Se a história do nascimento dos Evangelhos for na sua maior parte válida, então as principais questões sobre os primeiros e escassos anos centram-se em torno da forma como terá sido concebido, sobre a forma como os sábios terão sido guiados por estrelas para o seu nascimento e como ele e seus pais terão vivido no Egito (se é que eles foram lá de todo - por Lucas narrar que regressaram de imediato a Nazaré). Há também a questão secundária do que se entende pelas alegadas e aparentemente conflituosas genealogias de Jesus em Mateus e Lucas, e pela sua "pertença à Casa de Davi".

Com estas quatro questões damos início ao exame da vida de Jesus.

Concepção

A primeira questão é se Jesus terá sido concebido normalmente por intermédio de um homem, presumivelmente José, ou de forma "imaculada" pelo Espírito Santo ou por outros meios incomuns.* O debate vem tendo lugar há séculos. Há argumentos persuasivos mas pouco convincentes de ambos os lados, mas sem resolução. A ciência atual não encontra precedente ou base credível para uma concepção espontânea, mas isso por si só não a descarta uma vez que o conhecimento científico é ainda incompleto nessa área.

* O termo técnico para esse processo designa-se por partenogênese. Ver a nota abaixo sobre hermafroditas.

O problema acha-se igualmente enredado na presumível divindade de Jesus. Isto é, se ele fosse divino desde o início, então, poder-se-ia dizer que quase qualquer coisa poderia ter acontecido, incluindo uma concepção imaculada. Assim como, se ele tivesse sido concebido por alguma forma tão especial, então ele certamente teria que ser divino. Estranha lógica!
Jesus nunca é citado como referindo-se à sua própria concepção ou nascimento, e os próprios relatos do Evangelho não são nem detalhados nem factualmente convencedores com relação ao assunto. Na verdade, toda a história é fortemente suspeita de manipulação por parte da Igreja primitiva. A concepção pode ter sido normal e os Evangelhos estarem simplesmente errados.

Também podemos brigar com a expressão usada. A profecia de Isaías e a declaração de Lucas referem-se apenas a uma rapariga solteira (donzela) que concebeu, não necessariamente a uma virgem, embora na sociedade judaica daqueles dias as duas coisas significassem praticamente o mesmo.

Da mesma forma, a suposta visita (dos Evangelhos) que o anjo Gabriel fez a Maria poderia ser interpretada como significando apenas uma bênção especial, não necessariamente uma concepção em pleno desenvolvimento.

Talvez isso realmente não importe. No entanto, as diferentes versões têm implicações diferentes quanto à forma como se preenche a infância desconhecida de Jesus e algumas das porções posteriores da sua vida. Terá ele crescido no anseio de um verdadeira pai? Será que a comunidade conservadora de Nazaré o considerou um bastardo e à sua mãe uma adúltera? (Bastardos e mulheres adúlteras eram párias sociais naquela época.) Será que o status do nascimento de Jesus terá afectado a consideração do casamento? Como terá Maria encarado a sua própria concepção?


Pergunta: Em que sentido, se algum, foi Jesus realmente concebido de forma imaculada?

Achamos que Jesus nasceu tanto de uma mulher jovem como de uma virgem. Estes factos por si só terão cumprido as profecias assim como a dinâmica das escrituras [Antigo Testamento], apesar dele ter sido concebido por um homem e uma mulher. A mãe de Jesus nasceu sob o signo de Virgem, assim, ela era realmente Virgem, ou uma virgem. Tal foi o caso histórico. O signo de Virgem era historicamente conhecido naqueles dias. Em verdade, a palavra original dizia que deveria surgir uma criança nascida de uma jovem mulher, e que seu nome seria Emanuel, que significava "Abençoado por Deus."* Assim, não encontramos aí qualquer controvérsia com relação ao contexto do que tem sido referido como o suposto nascimento virgem. Mas podemos tentar resolver o mistério ainda mais.

Com efeito, sabe-se que existe o fenómeno do chamado hermafroditismo, um ser que comporta tanto o sexo masculino quanto o feminino, que é actualmente do conhecimento da ciência, não como um caso estéril, mas dotado da faculdade de conceber por si só. Além disso, os vossos próprios cientistas têm avançado com o conceito de clonagem, em que é necessário haver apenas um dos pais essenciais. Mesmo para [além] da clonagem eles agora sabem que a estrutura da célula tem a capacidade de proceder a uma mudança do sexo, mesmo entre as formas de vida mais elevadas dos mamíferos.†

O conceito de nascimento virgem, ou da concepção imaculada costumava ser tal [que], chegava a ser desafiado como cientificamente mórbido. Talvez agora, por muitas vezes ser referido como um mistério pelas chamados fontes espirituais, a ciência deva proceder a uma reavaliação do que adianta e dizer que a maculada concepção ocorreu.

Os efeitos fisiológicos expressados no corpo físico estão apenas a começar a ser delineados pela ciência contemporânea. No entanto, há evidência de fisiologia esotérica nas mais recentes descobertas da ciência.

* ....ou "Deus connosco".

† Um hermafrodita é um organismo que possui ambos os órgãos sexuais masculinos e femininos, embora o termo também seja usado para designar a reprodução unissexual. Ela ocorre em muitas plantas e invertebrados e em alguns peixes, por vezes através de autofecundação. Alguns animais bissexuais podem especificar-se como macho ou fêmea muito rapidamente, caso surja necessidade disso.

É conhecido, mas é incomum entre os animais de maior porte e os seres humanos... Os transsexuais são indivíduos que se sentem compelidos a mudar o seu sexo biológico, o que representa uma mudança física exequível nos últimos anos por meio de injeções hormonais e/ou de cirurgia. Muitas vezes isso conduz a sérios problemas psicológicos (que podem ter existido antes da conversão, é claro). De forma pouco surpreendente, a modificação do sexo envolve muitos aspectos controversos.

Por exemplo, quando estimulam os pontos meridianos geram as correntes das chamadas endorfinas,*  portanto, a capacidade de manipular a fisiologia no sentido de uma concepção pelo próprio.

É melhor conceber isso como uma concepção divina, porque, quando a energia kundalini se abre a um estado mais elevado na anatomia feminina, gera-se uma capacidade para a concepção que poderia ser monitorizada [percebida?] por meio do fenômeno conhecido por clonagem.

Os essénios, ao nível de alguns dos cientistas Pitagóricos e dos mistérios que reflectiam o avanço que os cientistas alquímicos do Egito possuíam, certamente tinham a capacidade de banhos rituais, da oração e da meditação. Assim, a concepção autoinduzida ou espontânea era concebível no potencial da fisiologia humana ou da anatomia humana extraordinária.
Assim, o canal que te fala apoia o conceito do nascimento divino.

Pergunta: Mencionaste quatro possibilidades para o chamado nascimento virginal, ou
Concepção Imaculada. Qual destes realmente se operou no caso da Maria?

Essas [quatro possibilidades] constituem potenciais metafóricos para o nascimento virginal. Quanto ao que terá ocorrido, pode ser chamado de concepção energética - por outras palavras, quando alguém se torna literalmente masculino ou feminino como um objetivo específico. Ele [Jesus] foi concebido de uma forma mais de acordo com a sua condição de identidade mais semelhante à hermafrodita, ou àquilo a que a ciência agora se refere como clonagem.‡  Tudo quanto pode vir a suceder da parte da alma, e pode ser considerado uma forma de engenharia psíquica, por meio do recurso às forças psicocinéticas. Há uma certa cota parte disso em

*De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, os meridianos constituem uma rede de canais que se estende por todo o corpo humano como um sistema de comunicação sensível, semelhante à rede neural, mas ao mesmo tempo distinta. Um estímulo adequado dos meridianos através da acupunctura é conhecida como um alívio para a dor. Alguns praticantes da saúde ocidental postulam que tal estímulo liberta na corrente sanguínea certas endorfinas - hormonas idênticas à morfina - que podem induzir o prazer ou sedar contra a dor.

‡ O Evangelho apócrifo de Tiago também afirma que Maria foi concebida por forma imaculada.

certos indivíduos contemporâneos, como Olga Worrall * e outros, cuja capacidade de usar a energia de cura para manipular a estrutura celular foi objecto de medição. Com efeito, a alma consegue o mesmo.  Mas há também a capacidade que uma outra alma poder criar o veículo ou o acesso ao mundo, por meio do livre arbítrio e da permissão, a ponto de a concepção se dar dentro do chamado ventre virgem, como no caso do indivíduo que foi Maria.†

Assim, João diz-nos que a história de imaculada concepção de Jesus não deve surpreender-nos, por ser consistente com possibilidades científicas conhecidas hoje e ser, consequentemente, credível. Poderia até ter sido induzida por um terceiro agente.

Os Magos e a sua estrela

Foi dito que o nascimento de Jesus teve a assistência de homens sábios ou magos, guiados por uma estrela ou "pelas estrelas. "O breve relato que Mateus faz diz o seguinte: "A estrela, que tinham visto no oriente, seguia adiante deles, até se deterem onde o menino se encontrava." Embora essa afirmação possa não ser literal e astronomicamente correta (por as estrelas não se moverem, embora os planetas se movam lentamente), ela parece referir um pouco uma previsão astrológica que poderia ter trazido os magos de tão longe quanto a Palestina, onde os Evangelhos dizem que Herodes lhes forneceu as direcções locais para Belém.

Houve de facto uma conjunção significativa e incomum dos planetas Júpiter, Saturno e Marte cerca de 7 aC, quando se acredita (com base em dados históricos) que Jesus tenha nascido. Seria isso o que estaria a guiá-los? Durante milhares de anos, e por várias culturas em todo o mundo, a astrologia tem sido praticada como um sistema de pensamento com base nos planetas destinado à cartografia do caráter humano e à profecia. Ainda hoje os astrólogos não estão de acordo se a informação que fornecem é representada pela localização física dos corpos celestes no momento do nascimento de alguém, conforme exibido no mapa de nascimento (ou por outro evento), ou se ela brota da percepção intuitiva do astrólogo, activada através do estudo do simbolismo dos planetas e dos seus movimentos. Talvez seja um pouco de cada. Naturalmente tanto a superstição como a fraude abundam num campo tão vago, mas isso não significa que seja um completo disparate.

* Olga e Ambrose Worrall foram famosos curandeiros americanos do século XX.
† Esta última afirmação sugere que Jesus pode ter ajudado sua própria concepção a partir  de um estado não-físico.

O que sabemos hoje é que muitos astrólogos qualificados forneceram informações pessoais altamente detalhadas e precisas aos seus clientes, bem além do que um psicólogo seria capaz de discernir, e fizeram algumas previsões fenomenais de eventos naturais muito além do que poderia ser razoavelmente esperado. Eles dizem que se baseiam apenas no mapa do nascimento do cliente - o qual ocasionalmente tem errado bastante! Afigura-se-nos que um não reconhecido processo intuitivo esteja em funcionamento. Ao mesmo tempo dezenas de estudos estatísticos cuidadosamente realizados não conseguiram encontrar qualquer correlação clara entre as posições planetárias e as características da personalidade humana.*  O mistério da astrologia persiste.

Portanto, há a questão séria de se saber se os cenários do nascimento retractados por Mateus e por Lucas alguma vez terão tido lugar de em absoluto. Constituem histórias deliciosas que ainda hoje apelam ao Natal e a tudo isso, mas que representam uma boa repetição de velhas lendas do médio oriente e expectativas hebraicas para serem muito credíveis como um evento original. Marcos e João nem sequer mencionam o nascimento de Jesus. Vários intuitivos dos tempos modernos, incluindo Edgar Cayce o "profeta adormecido," apoiam a história do nascimento dos Evangelhos. O que terá o João a dizer?

Pergunta: Quanto ao nascimento de Jesus, lemos na encantadora história de Lucas [na verdade é de Mateus†] acerca de uma estrela que aparece no céu que guiou os sábios do oriente. O que ela significará realmente? Estariam eles a seguir as estrelas
à medida que viajavam, ou terá sido simplesmente uma metáfora para uma previsão astrológica intuitiva feita por esses homens sábios?

Não, foi uma conjunção de planetas passível de ser rastreada.

* Na verdade, existe uma exceção notável. O trabalho de Michel Gauquelin demonstrou definitivamente que os empreendedores profissionais (campeões de desportos, actores, generais, etc.) são mais propensos a ter certos planetas (Vênus, Marte, Júpiter) perto do horizonte ou do meio do céu na hora de seu nascimento. Essa conclusão é baseada em dezenas de milhares de nascimentos que ele acumulou e analisou. A maioria do seu trabalho sobreviveu a testes rigorosos tanto de apoiantes como de céticos. Gauquelin publicou sete livros com base na sua justificativa, métodos e resultados, e 23 meticulosamente volumes documentais de dados de nascimento [Gauquelin 1991].

† Este é um erro meu; esse evento astronômico é relatado em Mateus, não Lucas.

Pergunta: Então, eles estavam a seguir a conjunção dos planetas ou estavam a seguir uma previsão intuitiva?

Ambos. Os essénios eram mestres na astrologia. Por exemplo, o Manuscrito do Templo* fala sobre os doze portões do novo templo. Isto refere os chamados doze pontos de karma fundamentais para a astrologia. Os sábios do Oriente foram magos, astrólogos, e sabiam como calcular uma influência planetária. Vocês chamam a isso astrocartografia. Existem maneiras de calcular onde essa estrela, ou melhor, essa conjunção de planetas os levaria.

Pergunta: Poder-se-á então dizer que essa elaboração representava uma previsão intuitiva ?

Sim, por ter um propósito. Na própria experiência que empreendes de visão remota, por exemplo, apenas com base em coordenadas numéricas, ela permite um ponto específico para a visualização dos objetos contidos [situados] num local. Na astrologia, e devido à natureza previsível das transições dos planetas nas suas órbitas naturais, isso proporciona a capacidade intuitiva, ou melhor, a capacidade psíquica, de ver [no] tempo e no espaço bem como em locais específicos os eventos antes que sucedam. Assim, também a profecia.

A Infância de Jesus no Egito

O Evangelho de Lucas relata que Maria, José e Jesus retornaram a Nazaré imediatamente após o nascimento e a purificação do Templo. Em contraste, Mateus descreve a fuga para o Egito, mas é vago com relação ao tempo de partida e não diz nada sobre o que aconteceu depois de eles chegarem lá.

Pergunta: Os pais de Jesus, aparentemente fugiram para o Egito após o seu nascimento em Belém. Quanto tempo durou o período de espera antes de partirem para o Egito?

Eles partiram para o Egito imediatamente por causa da matança dos inocentes. Eles permaneceram no Egito por um período de cerca de quatro a seis anos, esperando a morte de Herodes. Isso teve que ver com o que é conhecido historicamente sobre a passagem de Herodes, *

O Rolo do Templo é um dos Pergaminhos do Mar Morto. [Vermes 1987, p. 190ff.] *

desde o momento da formação [conjuntura] das estrelas, do surgimento de Jesus e da aproximação da Era de Aquário.

A infância e os anos de formação de Jesus foram passados no Egito, em particular, na comunidade do Cairo e na comunidade de Nag Hammadan, onde havia comunidades de judeus Helénicos e essénios.† Nesses sete anos ele passou por vários níveis de iniciação que eram exclusivos dos Essénios do Egito, que mais tarde se tornaram nos chamados gnósticos de Nag Hammadan.‡

No Egito, [existem] lugares onde a sagrada família se refugiou, nos limites da cidade agora conhecida como Cairo, e [também] numa antiga sinagoga associada a um lugar criado por Moisés. Nessa sinagoga uma das mais antigas cópias de escritos foi encontrada e ainda se encontra preservada. É conhecida como um antigo local sagrado que remonta ao tempo anterior a Jesus, a aos dias de Moisés. Há aí uma caverna em que a sagrada família viveu e em que foi submetida a iniciação. Acredita-se que seja o sítio onde Moisés morou na chamada terra de Goshen - por outras palavras, na boca do delta [Egípcio]. Jesus e a sagrada família também passaram um tempo no local agora conhecido como Nag Hammadan, famosa pela sua biblioteca gnóstica. Jesus estudou lá. Mesmo na sua idade adulta antes do seu ministério, ele dispensou revelações que eventualmente se tornaram nso fundamentos das influências gnósticas e egípcias.

(Esta última observação aparentemente se refere à volta de Jesus para esse sítio num período tardio da sua vida.)

Após a morte de Herodes, a família pode regressar à sua terra natal e começar a sua instrução na sua Nazaré nativa. Assim, com a idade de sete, a saída do Egito.

* Está bem estabelecido que Herodes morreu em 4 bC.
† Consultar a secção sobre os Essénios no Capítulo 5.
‡ Ver as notas de rodapé no Capítulo 1 sobre Nag Hammadi e os gnósticos.

Pergunta: O Evangelho de Aquário 59 inclui vários capítulos que descrevem o
formação porque Maria e Elizabete alegadamente passaram enquanto Jesus era um bebê
no Egito. Dás alguma validade e esse relato?

Achamos que tenha valor. Se examinarem o comportamento das escolas ritual do Egito, há muito enterradas nas areias e certamente não [acessíveis], há certos detalhes que revelam o que apenas agora está a emergir sobre a prática dos mistérios do Egito. Elas revelam um notável paralelo com os mistérios descritos neste trabalho inspirado, o Evangelho de Aquário.

Antepassados

A tradição judaica atribui uma ênfase especial ao seu Messias esperado, proveniente da "Casa de Davide." 60 Jesus certamente não era o Messias que os judeus, viram, por ele ter cumprido a expectativa generalizada de alguém que iria expulsar os suseranos romanos, estabelecer um reino judeu na terra e exibir as características de liderança habituais de um rei. Ainda assim, ficamos com a questão de quantas dessas qualidades de Messias atribuídas por Deus, tenham nalgum sentido sido herdadas em vez de desenvolvidas naturalmente ou em vez de terem sido divinamente impostas. Será que essas qualidades pertenceram a Jesus pelo seu nascimento, ou viriam a evoluir durante o seu crescimento por meio de uma especial vida devota comprometida com a vida humana? Vamos lidar primeiro com a questão genealógica.

Pergunta: Os Evangelhos dizem que Jesus pertencia à casa de Davide. Se assim for, como é que haveremos de compreender as genealogias traçadas por Mateus e Lucas? 61

Eles disseram que ele procederia da Casa de Davide. No tradição hebraica, a linhagem era transmitida através do sexo feminino, de modo que as linhagens da Casa de David [aplicava-se a] Maria.* No entanto, os irmãos de Jesus, assim como o seu meio-irmão Tiago, também pertenciam à Casa de Davide. Esses profetas eram considerados candidatos equiparados a tornar-se governantes da [terra.] pelos actos de profecia que evidenciaram, embora não tivessem sido ungidos unção como um rei administrativo.

* Mateus e Lucas fornecem diferentes genealogias, uma para Joseph e outra para Maria, o que propicia a possibilidade de que a mãe de Jesus, Maria, também pertencesse à Casa de Davide.

As famílias muitas vezes traçavam linhagens para aferir talentos naturais e habilidades transmitidas ​​aos descendentes. A importância das linhagens de José estava em que Tiago e até mesmo Madalena pertenciam à linhagem da Casa de Davide. Quando um dos irmãos de Jesus, pelo lado de José, casou, esse foi o curso natural que teve a sobrevivência da Casa de Davide. * Maria [também] deu à luz por meio do relacionamento que teve com José.

Pergunta: De uma perspectiva moderna torna-se difícil respeitar o conceito de herança - acreditar que a herança genética de Jesus tenha sido um tão significativa factor para o tipo excepcional de pessoa em que ele se tornou. Não será assim?

Sabe-se que determinadas características podem ser transmitidas até mesmo através de métodos simples de chamada reprodução. Por exemplo, existem certas características físicas desejáveis ​​que a humanidade associa à beleza, e elas são transmitidas ​​sob certas formas de linhagem doméstica. Mesmo certos animais foram desenvolvidos para temperamentos da personalidade. Portanto, poder-se-á dizer que determinados temperamentos da consciência podiam ser transmitidos por meio de linhagens. Essas linhagens, o que realmente influencia os genes, é a energia, a concentração, a meditação ou a linhagem meditativa, a linhagem contemplativa.

Em última análise, o temperamento ainda [reside] ao nível da energia da alma. Uma pessoa pode ser dotada de uma linhagem particular por a energia ainda poder repercutir nos genes. Se eles também recebem herdarem factores de outro parente, então diminuirão ou atrasarão o desenvolvimento desses dons particulares que ainda residem na genealogia.†

* John explica (no capítulo 9) que um dos irmãos de Jesus eventualmente se casou com Maria Madalena e que eles se mudaram para a França e deram continuidade à linhagem sanguínea.
† John pode estar aqui a aludir a explicações que ele deu em outros discursos para o efeito
de que, os genes de um indivíduo não são inerentemente fixos, mas que podem mudar no decurso da sua vida, dependendo da forma como essa vida for vivida. Esta ideia contradiz a tradicional a teoria da genética, que já é sabido que se acha incompleta e que está a ser desafiada nos dias de hoje. [Murakami 2006, 2006a] John também explica que uma essência, ou alma, ao encarnar "escolhe" o seu padrão genético preferido antes do nascimento a fim de ajustar a suas necessidades especiais ao crescimento na vida por vir.

Lembra-te que é dito: "O pecado é passado até à sétima geração. " 62 Pode-se igualmente dizer que as bênçãos sejam passadas até à sétima geração. Talvez por isso as crianças nascidas em determinadas condições na sétima geração são consideráveis profetas. Isso pode realmente ser cumulativo. Mas é o que a pessoa faz com as dádivas que, se vai tornar na própria contribuição final que delega à humanidade.

Pergunta: Para esclarecer, estás a dizer que algumas dessas qualidades subtis de consciência que distinguem uma alma evoluída, como Jesus, a partir de alguém não tão evoluído, sejam, na verdade, transmitidas geneticamente?

Por forma cumulativa. Por exemplo, se uma pessoa tiver trabalhado é dito que Deus abençoará as gerações futuras. Jesus falou disso quando disse: "Eis que o reino das coisas" (ou ordem das coisas) "Não é diferente de um campo." O campo pode ser herdado e uma geração anterior pode ter armazenado um tesouro nele, mas, se vós não trabalharem o campo, não irão não só dispor de um património natural, como vocês também não irão descobrir o tesouro que lhes será aditado pelas gerações anteriores. 63

O que ele referiu é que constitui uma expectativa razoável que, se vocês puserem em prática um grau de saúde, através da ioga, da meditação, da oração, da acupuntura ou de sistemas de energia, então a vitalidade será restaurada. De facto, pode dar-se uma remoção da idade de um metabolismo, dentro de um quadro de resultados fisiologicamente mensuráveis. Quanto mais não será, pois, quando os chakras* se abrem, e, em seguida, as chamadas energias sefiráticas† -- que são os outros centros psíquicos do corpo -- e a kundalini‡ se abrem. É somente natural, pois, que isto possa influenciar a substância genética do indivíduo, e que algo da sua herança possa ser passado adiante.
Foi quando ele falou do campo e de uma dádiva ou tesouro que se encontrava nesse campo. Mas se a geração seguinte não exercerem essas propriedades conscientes, elas irão voltar atrás e não ser transmitidas.

* Ver mais debates sobre os chakras no Capítulo 13.
† Ver o debate no Capítulo 13 sobre a sefirote, os dez atributos de Deus conforme visto na Árvore da Vida, e parte da mística Cabala judaica.
‡ Ver o debate da kundalini no Capítulo 3 e posteriores.

CAPÍTULO 5
Família e Infância

Os Evangelhos não fornecem nenhuma informação em absoluto acerca da vida de Jesus durante a sua juventude e anos de formação até cerca dos trinta anos de idade, com exceção de uma breve visita a Jerusalém com a sua família aos doze anos. É tradicionalmente presumido que ele tenha crescido em Nazaré com a sua família. O Evangelho de Marcos diz (apenas uma vez, e vagamente) que ele foi aprendiz de carpinteiro com o seu pai. 64 Contudo, torna-se difícil acreditar, que ele tenha adquirido as suas excepcionais qualidades de cura, habilidades psíquicas e sabedoria espiritual com a sua família, vizinhos e na loja de carpinteiro.

Há também a questão do quão normal, ele seria na sua infância e no início da idade adulta. Nesta matéria os Evangelhos também permanecem silenciosos.* A tradição cristã presume que ele tenha sido uma criança perfeita e que não podia errar, consistente com a posição tradicional que assume como um aspecto, ou Filho, de Deus. Mais uma vez, tal presunção não tem qualquer base textual e é em todo o caso duvidosa. Não temos qualquer boa razão para acreditar que ele tenha sido diferente de um menino judeu normal.
Antes de aprofundarmos esse período da vida de Jesus, porém, vamos nos familiarizar melhor com a comunidade em que ele cresceu e com os seus pais.

* O Evangelho da Infância de Tomás, apócrifo, descreve vários milagres realizados por Jesus
em criança, como animar objetos de argila e reviver um companheiro morto, ambos
mencionados no Capítulo 5. O Evangelho da Infância de Tiago descreve a concepção e
o nascimento de Maria pela sua mãe Ana, que também afirma ter envolvido uma ocorrência imaculada.

Os Essénios

A seita judaica separatista e redentora chamada Essénios prosperou no Oriente Médio, mesmo antes do tempo de Jesus. Os Essénios são mencionados mais tarde, por Plínio, Filo de Alexandria e Josefo, 65 todos historiadores do primeiro século, que afirmaram que orçavam pela "casa dos milhares" por toda a Judeia e tiveram a sua principal comunidade mesmo no interior do banco ocidental do Mar Morto, perto da aldeia de Quaram. Eles emergiram recentemente de perto da obscuridade com a descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto em cavernas nas proximidades. 66

Os essénios eram estéticos e rigorosos nas suas práticas, abstendo-se do sacrifício, do dinheiro, do comércio e dos escravos. Eles interpretavam as escritura de uma forma única e dedicaram-se à disciplina, à pureza, à filantropia e à não-violência. Como os outros judeus que estavam aguardando um Messias, eles dedicaram-se de todo o coração à preparação do seu advento.

Eles não são mencionados nos Evangelhos em absoluto, e a relação que tiveram com Jesus mantiveram-se historicamente obscuros, mesmo após a descoberta dos Manuscritos. Antes da descoberta dos Manuscritos o intuitivo chamado Edgar Cayce citou os Essénios como desempenhando um papel importante na educação de Jesus. 67 Os Gnósticos do primeiro e segundo século misturam alguns dos princípios dos essénios e dos ensinamentos de Jesus nas suas próprias doutrinas. 68

Pergunta: Qual o papel que os essénios desempenharam na vida de Jesus?

Jesus, José e Maria eram essénios, e, na verdade, Jesus foi criado nos seus primeiros treinos foram tidos com os Essénios, um facto que pode ser encontrado na antiga sinagoga de Carmelo.* Por isso achamos que ele tenha estado intimamente ligado aos Essénios, e que chegou mesmo a ser dito que ele pertencera ao seu caminho. Ele viveu com os Essénios por um tempo e praticou as suas extraordinárias práticas estéticas.

Os Essénios puseram completamente de lado todas as indulgências, não ao contrário de Sidarta [o Buda], que conhecia tanto reis quanto a prática da estética e tentou desenvolver um Caminho do Meio. A relação de Jesus com os Essénios foi semelhante à medida que se foi tornando no Messias. Ele conhecia as práticas estéticas deles para alcançar o conhecimento dos estados angélicos, [que] não eram contrários às práticas de Enon [?]. Mas essas práticas constituíam uma intenção de trazer elegância e requinte para poderem tornar-se universais e chegar mesmo aos Gentios, ou, como os considerava na altura, os Gentios justos [com] quem ele viveu e habitou entre e que muitos dos
Essénios nunca chegaram a conhecer.

* "De acordo com Epifânio [Panarion], e Josefo [A Guerra Judaica], o Monte Carmelo tinha sido o reduto dos Essénios provenientes de... Nazaré. "

Jesus falou continuamente com os pobres; Com efeito, o Essénios eram conhecidos quase como sinônimo do apelido de "pobres". É por isso que ele diria: "Bem-aventurado são os pobres de espírito," pois na verdade, eventualmente herdarão o reino de Deus.  Ele disse isso por ter uma grande confiança nos Essénios. Ele tinha esperança que, quando chegasse a diáspora, a ruptura ou a dispersão da cultura judaica pelas nações, que [os Essénios] poderiam tornar-se divinos no seu devido tempo por meio das grandiosas revelações que ele havia operado. Porque, com a volta de cada era, [tal como] yocês têm sobre vós a assim chamada Era de Aquário, têm consciência de que há uma grande esperança para a transformação da totalidade da sociedade. [Ele tinha] uma grande esperança em que os Essénios pudessem ser esse veículo.

Se estudarem as sagradas escrituras dos Essénios [verão que] eles não só estudavam a Torá, mas estudavam outros livros atribuídos a Moisés. Estudem as antigas cifras (códigos secretos) [textos] dos Manuscritos do Mar Morto que verão aí você contínuas referências aos Essénios, [que] percebiam ser Filhos de Deus.

Eventualmente, eles tornaram-se mais em conservadores do conhecimento. Muitas das raízes dos grandes mestres da Cabala* e místicos do judaísmo poderiam conduzir de volta aos Essénios. Mesmo entre as pessoas judias que eram perdoados pelo Estado Romano e foram autorizados a permanecer e a residir na sua terra histórica [depois da diáspora], muitos deles eram Essénios.

Este esforço particular encontra, pois, uma réplica histórica [validação] no local de Qumran. Portanto, se estudarem os [escritos] da autoria de um Essénios encontrarão diversos manuais; Em particular, os assim chamados Manuais de Disciplina e outros, sobre a maneira pela qual o Essénio era ensinado desde o nascimento de forma a discernir a natureza dos anjos, ensinado desde o nascimento de discernir os nomes de Deus, ensinado a partir do berço a discernir o fenómeno que vós conheceis como a Cabala contemporânea. *

* A Cabala é um sistema místico hebraico secreto e filosófico, um "caminho para o
conhecimento ", que se acredita ter sido transmitido de Moisés e incorporado na doutrina Hassídica no século 18. Secretamente guardado durante a maior parte da sua história, descreve os dez Sefirote, ou atributos de Deus, cuja inter-relações são representadas na árvore de Vida . O principal conjunto de comentários sobre a Cabala é o Zoar . Ver um debate mais aprofundado no capítulo 13.

Pergunta: Ser um Essénio equivaleria a ser um membro de uma igreja? Envolveria ritual e preparo?

Para ser um essénio, de forma mais precisa equivalia a situar-se entre um comunidade. Os próprios essénios, embora disciplinados nas suas práticas ascetas, não esperavam que todos as praticassem. Qualquer estranho poderia visitar e solicitar aprendizagem, e, eventualmente, obter graduação no círculo interno.

Além disso, sabe-se que os essénios mantinham muitos calendários astrológicos. Por exemplo, muitas vezes organizavam casamentos cerimoniais entre pessoas de acordo com a astrologia, o que era exclusivo em relação ao calendário hebraico, mas que tinha paralelos no que ficou conhecido como astrologia Grega. † Não precisam ir mais longe do que o chamado templo de Dendera, no Egito para verem calendários semelhantes que o próprio Jesus, o homem que se tornou o Messias, tinha buscado. ‡

Verificaram-se rituais de reanimação e de ressurreição muitas vezes praticados entre os essénios. É por isso que eles muitas vezes atingiriam a longevidade, como Moisés, alguns até os 120 anos, por vezes ainda mais. Isso não deveria representar uma maravilha, por alguns de vossos indivíduos mais de mais longa duração, que vocês atribuem ao fenómeno da genética, mesmo nos dias de hoje viver bem para além de um século. Os essénios realizavam essas coisas conscientemente e - o que é referido um pouco de bom humor - a maioria destes casais até ao presente vivem longos períodos sem praticarem o acto sexual entre si, apesar de lhes ser permitido pelo casamento.

* Para uma descrição mais completa da Cabala consulte o capítulo 13.
† Veja os comentários e nota de rodapé acerca da astrologia no Capítulo 4.
‡ Dendera é uma cidade antiga na margem do Nilo, no Egito, e o local de um dos
os maiores e mais bem preservados templos em todo o Egito. Partes dela datam de 2500 aC.
Certa vez incluiu um zodíaco famoso, agora no Museu do Louvre, Paris.


Maria, a Mãe de Jesus

Maria foi canonizada, adorada, tornada ícone e por outro lado honrada no cristianismo embora saibamos muito pouco sobre ela historicamente. O filho que ela concebeu e criou era realmente excepcional, mas que nos dirá isso sobre ela? Fora a lenda cristã sobre ela ficamos a saber quase nada.

Podemos razoavelmente supor que Maria seria uma boa mãe, dado o seu especial chamado, e que sofreu tanto quanto pelo menos todas as mães que têm filhos excepcionais num ambiente amplamente não civilizado - especialmente quando os seus filhos são mais tarde mortos. Por um lado, ela pode ter sido tão inconsciente daquilo com que estava a lidar no caso daquele filho invulgar que ela terá ficado repetidamente surpreendida, chocada e frustrada. Por outro lado, talvez ela soubesse o tempo todo o destino do filho que ela havia dado à luz, e esperasse plenamente as consequências incomuns que se seguiram.

Pergunta: As histórias que li sobre Maria diferem muito no quanto ela terá entendido sobre a missão de Jesus e a maneira como ele estava a desempenhá-la, incluindo a sua morte... Poderás esclarecer-nos sobre isso, John?

Aqui deparámo-nos com um verdadeiro mistério. Até o próprio Jesus se sentia por vezes confuso quanto aos seus ministérios. Lembra-te de que Maria se encontrava entre muitas outras jovens mulheres essénias que tinham sido agraciadas com um nascimento abençoado. A mãe de João Batista também recebeu visitas semelhantes. Assim, enquanto uma entre muitas, tal nascimento, tais expectativas elevadas entre os essénios, eram consideradas uma certa norma. Por os Essénios se considerarem como os escolhidos entre os escolhidos, e ainda assim o seu número não se encontrava em falta.

A milagroso, a energia, a kundalini, * era conhecida e um princípio bem estabelecido entre os essénios. Isso deve ser tomado no contexto de crescimento e da evolução. Também deve
ser entendido que eles estavam inteirados da natureza perigosa da jornada política, bem como a jornada espiritual. Assim, a sua mãe, Maria cresceu como ele, ao longo de diversos estados psíquicos. Eles são melhor descritos como períodos de normalidade...
Para colocar isso de uma forma um tanto divertida, e talvez até num contexto mais adequado, que mãe não acredita que seu filho seja sempre o mais especial, e às vezes os dote demais, e [noutras] vezes duvida disso quando eles exibem comportamento infantil?

A ancoragem da alma nos assuntos quotidianos era por vezes considerado uma realização psíquica mais significativa do que a realização de milagres. Por isso, foi em momentos desses, em estados de graça desses, em atividades familiares e celebrações de todos os dias.

Às vezes, quando os estados energéticos, os estados divinos ou os estados kundalini, quase parecem explodir nessas cenas, dava o aspecto de que de algum modo a natureza do crescimento, ou da jornada, podia ter sido esquecida ou posto de lado.

Pergunta: Por exemplo, quando Jesus deixou a oficina de carpinteiro, visitou João e
foi baptizado, terá isso sido um grande choque para Maria, ou ela terá esperado
isso?

Tais batismos eram comuns. A ideia, no entanto, de ter a kundalini desperta e o Ruach ha-Qadesh † em visita - nota a resposta imediatamente de Jesus. Depois de
ter passado por experiências anteriores com essas forças destrutivas, e as exageradas expectativas num ambiente político altamente carregado, Jesus imediatamente integrou tal episódio, trazendo [as pessoas] de visita à sua família e restaurando o equilíbrio na ordem das coisas. A partir da experiência anterior que Maria teve com episódios surpreendentes como esse ser exclusivo, ela apreciou a estratégia dele de levar seus convidados para casa, onde ela os entreteria e se reconheceu o que ele estava a fazer.

* Consulte a descrição da kundalini na nota de rodapé no início do Capítulo 3.
† Ruach ha-Qadesh é um termo hebraico que se refere ao espírito ou alma no homem. No Cristianismo é geralmente referido tanto ao nível do coração, sede do amor ou do Espírito Santo. O último parece ser o sentido em que João faz uso do termo.

Pergunta: E a morte de Jesus, Maria esperaria que isso acontecesse?

Quando se deu a morte na cruz, todos eles tiveram um choque de sensibilidade [à semelhança de] qualquer mortal.

O que os deixou a tofos surpreendidos foi a capacidade da ressurreição, por eles estarem a começar a se interrogar quais eram os limites deste ser extraordinário.
Gerou-se uma grande confusão quanto ao que constituía a ressurreição. Muitas escrituras falavam sobre o Messias que seria erguido pelos anjos, o que de facto ocorreu. Mas
lembra-te, isso foram testes, ou actos de fé.

Uma nota final sobre Maria. Lembra-te que o homem Jesus disse, sobre a cruz a este canal que te fala [João de Zebedeu] "Eis, mãe, o teu filho. Eis filho, a tua mãe ".  
Por outras palavras, Jesus, mesmo neste momento de teste da sua fé, desejava a continuidade da vida de sua mãe, transferindo, assim, a carga que ela representava para o canal que te fala. Mesmo naquele instante ele queria ter certeza de que a necessidade humana seria satisfeita, pela ordem natural. Pois ele sabia que mesmo com a ressurreição, ele deveria acabar por passar deste reino, de modo que, o Grande Consolador [Espírito Santo], a natureza mais universal da humanidade, [pudesse sobrevir]. Eles não deviam concentrar-se nele como um ser divino e uma fonte exclusiva do milagroso. Até mesmo ele sabia que a sua mãe não iria ter o conforto imediato do seu filho vivo.

José

José também recebe pouca atenção nos Evangelhos. Ele é quase ninguém, pois sabemos ainda menos sobre ele do que de Maria. Não nos é dito nada sobre as dificuldades que teve por ter uma esposa tão jovem, criar um filho excepcional do destino e sobre viver entre os vizinhos provinciais que podem tê-lo encarado como um corno. Nós gostamos de acreditar que ele tenha sido um bom marido e pai, mas nem sequer sabemos disso. A Igreja Cristã santificou José e criou uma lenda viva e uma arte ao redor dele, mas estes adornos também não têm qualquer base na realidade histórica registada.

Pergunta: Quem foi José, e que parte desempenhou no nascimento de Jesus?

José foi o pai adotivo. Ele era um homem extremamente invulgar para o seu tempo por ter uma esposa tão jovem. Maria estava com dezasseis anos, a idade considerada idade do consentimento para casar. José, um homem de trinta anos, era considerado um homem mais velho nesses dias. Quando ele descobriu que ela concebera achou, porventura, que ela tivesse conhecido outro homem. Mas, como ela jurou tal não ser o caso, e ele acreditar profundamente nos potenciais de tais questões do foro do divino, ele não a apartou. Ele tornou-se no pai adoptivo e um pai muito terreno na criação da criança e do homem Jesus.

Maria e José viveram juntos como marido e mulher. Ela permaneceu virgem. O que não significa que ela não tenha concebido e amado como homem e mulher, e não tenha dado à luz filhos. Isso significava que, tendo escolhido Joseph como seu amante, eles se tornaram uma só carne. Isto é o que se entende pela palavra virgem: aquela que escolhe o seu próprio amante. Isso era altamente invulgar entre as mulheres daqueles dias, por a maioria dos casamentos serem arranjados. Mesmo assim, o conceito de ela ser virgem não significa que ela não tenha dado à luz os irmãos e irmãs históricos de Jesus. Isso aprofundou a sua humanidade, por ela, ter passado a viver plenamente a vida de esposa, mãe e amante, uma vida que preenche e traz graça à vida adulta, e daí, a Jesus.

Quando José eventualmente passou por causas naturais, durante o tempo de vida do homem Jesus, Jesus chorou-o como se ele fosse o seu próprio pai, o pai de sua carne, embora Ele tenha sido concebido pelo Espírito.

Pergunta: Foi José casado antes de seu casamento com Maria?

Na verdade, ele tinha sido casado antes. Como muitos, particularmente por entre os essénios, ele tinha sido prometido e tinha perdido a sua primeira esposa.

Pergunta: Será que ele teve filhos dessa união anterior?

Exacto. Achamos que eles tenham sido altamente activos nos assuntos da família. Alguns deles ajudaram [Jesus] como irmãos mais velhos e ajudaram-no a desenvolver a sua identidade. Eles residiam em Qumran e em Nazaré. Alguns viviam em Jerusalém, alguns em Nag Hammadan no Egipto.

Lembra-te, isso foi quando foram realizados empreendimentos pelas famílias. Vários membros seriam proficientes em vários competências. Enquanto carpinteiro, por exemplo, não era invulgar que o José tivesse conhecimentos de muitas outras substâncias, o que possibilitou aos membros da família várias competências, não só em carpintaria, mas em relações comerciais com: óleos, madeiras e outros empreendimentos. José não era só carpinteiro. Ele era um artesão dotado de capacidade e visão para projetar obras de arte de grande complexidade. Estuda os artefactos das famílias desse tempo, as complexas talhas de madeira e os seus símbolos. Isso te daria uma ideia mais verdadeira ou mais clara das competências que o homem Joseph tinha nesses dias.

Pergunta: Quando foi que, na vida de Jesus, José morreu?

José viveu nos primeiros dias do ministério, tendo perecido antes da crucificação. Quando Jesus falou ao discípulo dizendo: "Filho, eis aí tua mãe", e ele falou a Maria, sua Mãe, isso foi sinal de que José tinha passado.
Foi nos serviços rituais funerários de seu pai que Jesus incrementou a ambição que tinha de curar a morte, ao cumprir o luto pela perda de seu pai adoptivo.

Primeira Infância de Jesus

Pergunta: Em consequência do nascimento virgem, Jesus foi tecnicamente um bastardo e presume-se que Maria fosse uma adúltera. Como José e Maria - e já agora Jesus - lidaram com esse estigma e o preconceito que tenha existido contra eles da parte dos seus vizinhos de Nazaré?

Em primeiro lugar, deves compreender que aqueles que tinham uma associação íntima com aquele segmento da sociedade com que eles viajavam, e toda de Nazaré, pertenciam à ordem dos essénios. * Assemelha-se muito às regiões que vocês têm no vosso próprio país, em que se viajarem de norte para sul ou de leste para oeste, se deparam com preconceitos regionais que uma pessoa de uma cultura diferente sofrerá da parte dos seus vizinhos, por causa das suas crenças. Por elas poderem ser diferentes das dos vossos vizinhos.
Alguns espalhavam-se por toda a Judeia. Existiam várias Seitas judaicas. †

Os essénios eram considerados Mestres nas leis místicas. Na verdade, José e Maria, como foi revelado através outros profetas e através da validação histórica, foram membros da comunidade dos Essénios. Portanto, Maria era encarada na comunidade dos essénios como uma profetisa, como alguém que procurava empenhar-se em se tornar um veículo para a
Cristo. Além disso, pela própria exposição à mitologia Grega e Egípcia, por exemplo, [esse] não seria considerado um fenômeno além da sua capacidade, se fosse a vontade de Deus nascer assim, mesmo entre os Judeus Helenistas.
Na dinâmica histórica do período, José e a companhia de Maria, os vizinhos, teriam sido Essénios ou inspirados pelos Essénios, e os Judeus Helenistas ou aqueles que eram comparados aos judeus, porque viverem como Judeus - [até mesmo] os gentios que estudaram com os Essénios.

* Josefo alegou que um reduto dos Essénios de Nazaré se situava no Monte Carmelo, não muito longe de casa de Jesus, e algumas das histórias apócrifas de Jesus dizem que ele estudou lá.
† Os registos históricos mostram que a região da Galileia, onde Nazaré se acha localizada era muito diferente da Judeia no sul: mais agrícola, possuía uma população menos instruída, uma maior presença Grega, menos sujeita à influência do sacerdócio e relativamente livre
das observâncias estritas da lei Judaica tradicional. Os Galileus eram considerados
provincianos e retrógrados pelos seus homólogos da Judeia.

Isso deu origem a uma ampla infraestrutura social, o que promovia um companheirismo justo [para] abrigar o casal das críticas mais duras que poderiam ter sido levadas em conta pela Torá. Assim, Maria e José viveram sob a proteção dos Essénios.

Pergunta: Isso é evidente, mas certamente havia quem em Nazaré não fizesse parte da comunidade dos Essénios e não tivesse grande respeito por ela. Não será assim? Como se terão eles sentido em relação a tudo isso?

Estuda o Evangelho da infância. Muitos dos indivíduos - alguns, pelo menos - respeitavam Jesus como um profeta por ele ser capaz de realizar actos proféticos, até mesmo na infância. Não é que o casal, ao fugir para o Egito, tenha necessariamente feito pronunciamentos constantes sobre a natureza do nascimento. Tinham [estado ausentes] durante os primeiros anos, quando fugiram para o Egito. A natureza do nascimento era desconhecido, exceto da parte daqueles que eram essénios.

Portanto, eles foram aceitos como casal um tanto invulgar, José sendo tendo tido um casamento anterior, filhos e uma idade mais avançada do que Maria. Tudo isto era tudo menos invulgar, pois muitas vezes um homem tomava a mulher de seu irmão, caso esse o irmão tivesse morrido. Dadas as concepções dos rituais da união e as convenções familiares, os conceitos não eram completamente desconhecido. Na infraestrutura da sociedade eles poderiam de facto constituir uma família, e até mesmo uma família honrada.
Mas depois, as sinagogas, conforme a lei era praticada naqueles dias, e as comunidades que se baseavam no Torá [eram muito diferentes].

Pergunta: Então, enquanto José e Maria viveram em Nazaré, mantiveram a imaculada concepção em segredo relativamente à população em geral. Será isso verdade?

Não tanto em segredo, mas mais como um mistério. Muitas famílias, por exemplo, falariam sobre a visita de um anjo antes do nascimento de uma criança. Cada pessoa tinha um anjo da guarda, e eles falavam desse anjo antes do nascimento. Assim acreditavam os Essénios. Isso não seria tão incomum assim. Eles apenas contiveram-se quanto ao anúncio de que Maria se encontrava grávida, e às circunstâncias.

Pondera na tua própria sociedade. Quantas vezes terão muitas pessoas conhecimento das circunstâncias reais de um nascimento? Muitas vezes, não se fala do nascimento. Podem fazer rituais, baptizados e outras diligências, mas as circunstâncias reais do nascimento, e a
privacidade dos fenômenos de concepção, não são questionados posteriormente.

Jesus em Jerusalém

Os Evangelhos dizem que Jesus visitou o Templo de Jerusalém com sua família aos doze anos. A arte Cristã mostra-o a dar palestras aos sacerdotes do Templo de um elevado pedestal. É mais fácil acreditar que ele estava apenas fazendo perguntas a alguns dos membros menores, que se rebaixavam a ponto de falarem com um campónio da Galileia, de doze anos. A verdade não andará aí pelo meio?

Mesmo conforme é dito nas Escrituras, ele estava... a debater [com] os vários membros do Templo, mostrando que ele tinha crescido em sabedoria. Ele também estava lá para aprender através do processo do debate, sob a forma de perguntas.

Assim, o Jesus que vocês conhecem que é conservado tanto na chamada lenda - eu chamaria isso de autobiográfico - por ele ter ido lá para aprender, e para ser revigorado, para ser inspirado.

Os mais velhos, é claro, eram conhecedores da transmigração das almas e de muitas das suas vidas passadas, mas ficaram maravilhados com as coisas que Jesus conhecia. Ele soube essas coisas nos primeiros instantes de maior lucidez, quase desde a infância.

Pergunta: Lemos que Jesus também se separou dos seus pais nessa ida ao templo.  

Quando Jesus causou preocupação a ambos os pais, conforme eles articularam, ele virou-se para eles e disse: "Onde mais vocês me encontrarão a expressar-me senão na casa de meu pai?" Dizia-o com tanta diversão de sua parte por causa da questão da agitação, quanto as crianças, que muitas vezes se deliciam com a sua capacidade de atormentar, beliscar, ou de "tirarem partido" dessas questões. Então, esses elementos da infância, conforme são conhecidos nos dias da inocência, não são apenas uma noção romântica, por na verdade serem uma noção natural e perceptível.

Foi Jesus uma criança "normal"?

Pergunta: Ao contrário de muitos Cristãos, prefiro supor que Jesus não fosse humanamente perfeito na sua infância e durante os primeiros anos, quando ele estava a aprender a tornar-se um ser humano adulto, mas foi realmente muito normal. Não seria ele um menino que cometia erros, fazia partidas, dizia pequenas mentiras e se apaixonava pelas raparigas?

Tal foi, de facto, o caso. Os chamados Evangelhos da Infância retratam exatamente tal carácter. O jovem Jesus realizava as actividades normais de uma criança e no entanto tinha capacidades reforçadas, habilidades extraordinárias. Por outras palavras, ele era dotado em estados de energia. Ele [muitas vezes] causava consternação entre os observadores, não muito diferente de qualquer criança particularmente dotada ou dotada de diversos poderes intelectuais ou físicos.

Às vezes, por exemplo, ele causava receio entre os seus companheiros por ter a capacidade para controlar a queda das energias. Um criança, por exemplo, certa vez magoou-o e fez troça dele. Enquanto criança não totalmente adestrada na disciplina da idade adulta emergente, ele feriu o garoto de morte. Mas então, ao sentir remorso, ressuscitou-o de novo. Tal, na verdade, era a natureza da infância dele [enquanto] detinha as faculdades do Divino.

Por exemplo, Jesus costumava deliciar os outros em sua capacidade de fazer figuras de barro simples e, em seguida, não muito diferentemente dos processos mentais da chamada psicocinética, produzia leve formas de animação para os divertir. Assim como a capacidade que tinha de produzir cura nos companheiros. Lembra-te que outras Essénias tinham faculdades similares, não ao ponto que Jesus possuía, mas também elas experimentavam os esses chamados poderes e faculdades, por vezes, para em função do discernimento [preocupação?] ou agitação dos adultos.  

Não é diferente da tentação por que as crianças passam, por exemplo, de azedar o leite do qual estejam a fazer pão a fim de ver a expressão que provocam nos rostos dos adultos ou das crianças que o consomem. Brincadeiras como essas são normais em qualquer infância, e a de Jesus não apresentava qualquer diferença.

Pergunta: Mesmo em adulto, ele deve ter dito algo de que se tenha arrependido de vez em quando, contado piadas de carácter duvidoso ​​e cometido juízos de valor. Quão normal terá sido o Jesus adulto?

Tomemos por exemplo a história de Jesus e da mulher Gentia, onde ele afirma que ficou maravilhado com a capacidade de aprendizagem que ela demonstrou. Foi aí que ele disse: "Não está certo tirar o pão dos filhos para dar aos cães."  Este terá sido um momento que singularmente chamaste de "arrependimento"; por outras palavras, um embaraço por ele [ainda] não saber que a sua missão divina se estendida a todos os povos.

Além disso, quando uma mulher foi trazida a ele e disse supostamente apanhada em flagrante delito de adultério, ele começou a revelar alguns dos segredos mais íntimos dos acusadores, para seu desconforto, e para deleite daqueles que os rodeavam que conheciam os comportamentos desses acusadores.  
Por exemplo, nos seus ensinamentos, ele muitas vezes usava tanto o humor, conforme se reflete até mesmo nos Evangelhos conhecidos, como o riso na partilha do vinho e das refeições, Além disso, o facto de ele ensinar nos jardins mostra que ele participava em certos
prazeres dos aromas desses jardins. O fato de ele manter a companhia de mulheres significa que ele apreciou a beleza das mulheres. * Todas essas coisas são naturais à humanidade, natural à juventude, ao seu desenvolvimento na idade adulta e na sua humanidade. Isso eram tudo natural nele. O mais extraordinário foi a capacidade que tinha de amar aqueles que os rodeavam.

* Em relação à experiência de Jesus com as mulheres jovens consultar igualmente o Capítulo 9.


(continua)
W. H. Kautz em cooperação com K. Ryerson

Tradução: Amadeu António

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