quarta-feira, 16 de março de 2016

VOZES II



(NT: Hui-hai, 720-814,  foi um mestre Chan que entrou para o mosteiro existente na sua vila em catraio. Mais tarde ele viajou para o mosteiro de Ma Tsu, um discípulo do Sexto Patriarca Hui-Neng, onde alcançou a iluminação. Hu-Hai surge na actualidade ao estar a ser canalizado por Paul McGlone)


Hai: Alguns de vocês têm vivido neste local chamado Canadá por muitos anos. Vocês gostam deste local magnífico? Óptimo, ficamos encantados por o saber. Ele (Davia) diz que não é tão bom quanto a selva, mas seja como for, é encantador. Têm alguma coisa que gostariam de me perguntar?


Pergunta: Como te chamas?


Hai: Chamo-me Hai. Não se pronuncia da mesma maneira que se pronunciava da última vez que estive no vosso plano mas por ora serve. Pronuncia-se “Ei.” Eu vivi no vosso plano terreno há muitas centenas de anos atrás, cerca de 800 anos. Vivi na China na minha última encarnação, num mosteiro Budista no Sul da China.


Um membro do grupo perguntou se a mãe, que se encontra no mundo do espírito, a está a ajudar a conduzir a vida dela actualmente. Hai respondeu:


Hai: A tua mãe está contigo. Nós desejamos-lhe paz, mas ela está contigo, está contente por te voltar a ver e ajuda-te na tua vida.


Vocês devem saber, meus amigos, que todos os vossos entes queridos se encontram sempre convosco. Sabemos que é difícil para vós por se encontrarem separados deles pela dimensão, pelo véu. Mas ainda assim precisam saber que eles sempre se encontram convosco, que a ligação com eles não se quebra. Só precisam pensar neles com amor, com afecto, que eles chegam-se a vós. É como os vossos telemóveis. Pois bem, vocês possuem telemóveis que ligam para os vossos entes queridos na terra do espírito. Não carecem de número, por tudo quanto precisarem é aproximar-se deles com amor e afecto que eles atendem o vosso chamado. Poderão não ter consciência deles a toda a hora, mas eu asseguro-lhes que eles lhes atendem o chamado, por estarem convosco. É por isso que precisam contemplá-los com amor e afecto, meus amigos.


Sabemos que por vezes ficam taciturnos, tristes com a partida, mas pedimos-lhes que procurem não ficar desanimados por causa disso, que tentem não sentir-se espiritualmente em baixo por causa disso. Pedimos-lhes que se aproximem deles com amor e afecto por ser isso que desejam ouvir da vossa parte. E quando se aproximarem deles com amor e candura de afecto melhor serão capazes de comunicar convosco. Por favor, meus amigos, façam isso, não com pesar nem com tristeza ou falta de esperança, mas com uma enorme esperança, um grande amor e afecto.

A tua mãe está contigo, minha amiga.


Uma outra pessoa quis saber como poderia ajudar a mãe a aceitar a morte, à medida que se aproximava dela. Hai respondeu:


Hai: Se procurares permanecer calma isso ajudá-la-á, por a serenidade que sentires a contagiar. Se conseguires abordar isso com serenidade, tranquilidade, isso ajudá-la-á, minha amiga, a abordá-la igualmente com uma enorme serenidade. Enfrentar a morte que se aproxima não é fácil, bem o sabemos, mas quando isso sucede, poderão descobrir que começa a ter lugar uma enorme paz, por de certo modo as suas almas começarem a permanecer em dois mundos, ao terem um pé neste, e outro pé no outro mundo. E à medida que se chegam a um término, outros espíritos provenientes do nosso plano tentam acercar-se delas a fim de as ajudar; Juntam-se ao seu redor. Alguns desses espíritos poderão ser espíritos que tenham conhecido, de amigos ou parentes que tenham partido antes, mas há outros espíritos e guias que vêem até eles nessas horas, à medida que a sua morte, ou passagem, se aproxima. Outros espíritos ou guias chegam-se a eles a fim de os ajudar. Por isso, precisas saber que haverá muito apoio ao redor da tua mãe à medida que o tempo se aproximar. Serás capaz de falar com ela sobre esa coisa chamada morte?


Pergunta: Sou.


Hai: Será ela capaz de aceitar o que tu disseres?


Pergunta: Não.


Hai: Nisso reside a dificuldade, nisso reside a dificuldade. Em que crê ela com respeito a essa coisa chamada morte?


Q: Creio que ache que devia viver até aos cento e oito conforme a senhora da porta do lado.


Hai: Está uma vida melhor para chegar, minha amiga. Caso ela não o encare assim tornar-se-á mais difícil, caso não seja receptiva às tuas ideias nem às tuas palavras de conforto, mas uma vida melhor virá. Ela tem toda a eternidade para resplandecer e para se desenvolver conforme o desejar. Ela tem um tempo soalheiro pela frente.


Pergunta: Eu creio num Espírito Universal que conhece tudo quanto alguma vez tenha sucedido, que sabe de tudo quanto se esteja a passar neste momento e tudo quanto venha a acontecer. Que opinião terás com respeito a isso?


Hai: Nós também falamos dessa Mente Una, sim podemos referi-lo, eu amigo, a Mente Una. Cremos que a Mente Una seja responsável por tudo quanto vêem pelos quatro cantos do vosso mundo, nas quatro direcções do universo. Essa Mente Una tem existido por toda a eternidade, mesmo desde o próprio sem-começo do tempo e que durará até ao mais longo alcance do sem-fim do tempo. Constitui as fundações de que todos nós vimos, de que todos procedemos. É na verdade a nossa essência, o nosso próprio ser. Por isso, não nos encontramos separados dessa Mente Una, dessa Consciência Una; todos fazemos parte dela. É por essa razão que todos somos verdadeiramente irmãos e irmãs nessa Mente Una, por partilharmos da Sua natureza; partilhamos da Sua própria essência. 

Assemelhámo-nos a ondas no oceano imenso. Vocês conhecem o oceano imenso, não? Quando olham para o grandioso oceano infinito, notam as cristas das ondas, não? Nós assemelhámo-nos a essas cristas das ondas; contudo, as ondas não se acham separados do oceano imenso. Não será assim? Nós assemelhámo-nos igualmente às ondas imensas do oceano. Somos ondas formadas na Consciência Una, na Mente Una. É a nossa essência, o nosso ser.


Por conseguinte, teríamos que te responder à pergunta, meu amigo, dizendo-te que há um conhecimento nessa Consciência, nessa Mente. Na verdade, na da é perdido no passado distante. Tudo é e neste exacto momento se encontram as sementes de todo o tempo futuro. Existe uma unidade entre o passado e o futuro, e ainda assim o futuro ainda precisa desdobrar-se, precisa expressar-se e manifesta a Mente Una. Mas aquilo que te diríamos com respeito ao futuro é que não se encontra lavrado na pedra. Por vocês modelarem o futuro; poderão manifestar o futuro por meio das vossas próprias escolhas e decisões, por meio do vosso livre-arbítrio, a vossa liberdade de opção. Vocês moldam o futuro. Em muitos aspectos vocês são os agentes da Mente Una. Vocês tornam manifesto o que virá num tempo futuro. Isto responder-te-á à pergunta, meu amigo?


Pergunta: Responde, obrigado.


Uma outra pessoa comentou:


Pergunta: Creio existir uma presença de ferro e que essa presença habita em toda a vida. Que terás a dizer com respeito a isso?


Hai: Essa Presença de que falamos, sim, acha-se em toda a vida. É a própria essência em toda a vida. E num nível fundamental tu e aquele que se senta ao teu lado não são dois, não-dois. E isso em muitos aspectos constitui a verdade mais fundamental; não-dois. Estás a entender? O que quer que te dês ao cuidado de observar no vosso mundo imenso, tudo quanto poderás dizer é: “não-dois.” Porque se eu afirmar que tudo é Um só, isso edificará imagens e conjurará conceitos nas vossas mentes, mas se disser “não-dois,” isso expressará a Unidade, a Harmonia, e a vossa mente não saberá para onde se voltar com isso, não é mesmo? Mas representa uma expressão mais fundamental da Unidade que circunscreve todas as coisas referi-lo como “Não-Dois.”


Por na verdade todas as religiões serem provisórias, meu amigo, experimentais, prestam-se a um propósito, mas não pertencem à Essência, não fazem parte da Essência vital, da Realidade vital, da Verdade. Apenas manifestam essa Verdade até um certo grau, por todas as vossas religiões do mundo, e nisso incluo a própria religião que abracei, o Budismo, sim, também a incluo. Mas todas as religiões lidam com conceitos, não será, dogmas, e doutrinas e códigos morais, e todas essas coisas estão todas muito bem até certo ponto, mas em última análise não podem expressar a Realidade Una, O Não-Dois. Razão porque achamos que isso seja uma lástima, achamos inquietante que as religiões do vosso mundo façam guerra umas às outras, discutam e criem atrito umas com as outras quando tudo o que estão a fazer é a lutar com base na heresia. Estão a acompanhar o que estou a dizer, meus amigos? Não o afirmo com o intuito de diminuir nem de rebaixar qualquer religião. Importa que me assegure de que o entendem. Por todas as religiões merecerem ser respeitadas, mas eu refiro isso unicamente por causa do que afirmei anteriormente, que não meio algum por que qualquer um de vós poderá expressar a Verdade e Realidade fundamental por palavras vossas, por conceitos vossos, por meio das vossas doutrinas, dos vossos dogmas. Consequentemente, na minha análise definitiva, todas essas palavras e conceitos e dogmas constituem uma heresia. Conseguirão entender o que estou a dizer-lhes, meus amigos? Por isso, aqueles que combatem por causa delas combatem com base em diferentes tons da heresia. Isso não será uma tristeza? Quando deviam perceber fundamentalmente que são um com os seus irmãos, na Unidade da Mente, na Unidade da Consciência, no Mar da Consciência.


É como se cortassem os próprios braços fora, ou as pernas, da forma com lutam com o irmão e irmã, sem perceber que estão a lutar contra eles próprios, estão a desperdiçar a própria vida. Não será isso uma grande caricatura, uma enorme tristeza? Deixa-nos atormentados, meus amigos. Precisam saber que não estamos todos neste plano a entoar cânticos, nem a tocar harpas nem a desfrutar de uma enorme tranquilidade o tempo todo. Perturbamo-nos com o que sucede no vosso plano, por causa da maldade que vemos e por causa do sofrimento de que temos consciência. Por isso, o vosso sofrimento causa-nos perturbação, preocupa-nos e leva-nos a fazer o que pudermos para ajudar. Ma isto é tudo quanto podemos fazer, tudo quanto podemos fazer é ajudar, por a revolução, a transformação precisar vir de dentro de toda a alma. Não será assim? Ninguém os poderá salvar, ninguém os poderá transformar excepto vós próprios. Há muito quem possa ajudar, muitos que são capazes de dar apoio e auxílio, mas vós próprios precisais gerar a revolução em vós próprios, e transmutar-vos no vosso mais elevado potencial.


E nós encontramo-nos todos juntos na estrada, todos na escalada ascendente do monte, alguns de quantos terão viajado um pouco mais longe no caminho do monte e conseguem ver um pouco além no horizonte; mas isso é tudo. Porque todos vós havereis de vos encontrar no caminho do monte onde me encontro agora e alguns de vós poderão ainda subir um pouco acima.

Pergunta: Quando procedemos à nossa transição para o plano do espírito teremos escolha quanto ao que fizermos enquanto almas?

Hai: Têm. Vocês dispõem de montes de escolhas, Laurel. Vocês dispõem de montes de escolhas, meu amigo. (Riso) Precisas ter o cuidado quanto a expressar demasiado interesse por uma ocupação no mundo do Espírito, por haver aqui alguém (Davia) que constitui um agente activo nesse processo de descobrir um emprego para dar às pessoas no plano espiritual, quando abandonam o plano terreno. Precisam precaver-se contra a evidência de demasiado interesse por ele ter muitas ocupações e lugares vazios nos cadernos dele. (Riso)

Pergunta: Poderão almas novas chegar a existir em qualquer altura?

Hai: Sim, mas precisamos ter cuidado aqui, meu amigo, porque se enveredarmos demais por essa via podemos cair na cilada dos vossos conceitos de novo. Contudo, vou tentar explicar, embora seja difícil explicá-lo por palavras vossas. Conhecem o ferreiro, não? O ferreiro trabalha o ferro, não é, e quando bate o metal com o seu martelo, esse acto liberta centelhas, não é mesmo? Nós assemelhámo-nos a centelhas libertadas à medida que a Mente Una trabalha com o martelo; assemelhámo-nos a centelhas que fazem parte do metal, e ainda assim não conhecemos a proveniência dessas centelhas, mas elas manifestam-se. Assim acontece connosco. Também nos encontramos na Mente Una desde o sem-começo dos tempos, no entanto quando somos levados a manifestar-nos, isso assemelha-se às centelhas que saem a voar do trabalho do ferreiro, manifestamo-nos como centelhas. Algumas dessas centelhas poderão ter deflagrado, chagado a existir há imenso tempo; outras poderão ser recentes, no entanto todas procederão do sem-começo dos tempos, da Mente Una; elas manifestam a Mente Una; não passam da Mente Una, e cumprem com o propósito da Mente Una.

Pergunta: Poderás falar da “transcarnação?” Por exemplo, poderá uma alma regressar aqui como um animal?

Hai: Não sei se entendo bem o que queres dizer com “transcarnação.” Mas isso é raro, isso é raro. A evolução é feita para a frente, constitui crescimento, desenvolvimento. É raro uma alma voltar soba a forma animal embora possa acontecer. Mas o processo normal é o de as almas evoluírem, crescerem, desenvolverem-se, e uma alma animal poderá crescer e desenvolver-se uma forma humana, só que é raro que isso se torne num processo retrógrado, o espírito humano entrar na forma animal. Mas devem sentir carinho pelos vossos irmãos e irmãs animais, por elas também serem a Mente Una, o Ser Único. A sua consciência não se assemelha à vossa, mas eles são espíritos afins, e existe fundamentalmente uma Unidade entre todos nós.

Seguiu-se uma pergunta pessoal sobre as sensações físicas decorrentes do contacto com o espírito. Hai perguntou se a pessoa estaria ciente das energias do espírito e a seguir replicou:

Hai: Por vezes quando trabalham com eles (guias) pela primeira vez, têm consciência da energia, e essa energia mistura-se com a vossa própria energia, só que se gera uma incompatibilidade ou uma necessidade dessas energias encontrarem uma forma efectiva de se misturar. Enquanto esse processo decorre, poderão ter sensações de náusea ou de mau-humor. Isso não deverá durar muito. Não é intencional, entendes? Não é desejo nosso que passem pela experiência disso.

Pergunta: Será alguma coisa que tenha que ver com a minha vibração?

Hai: Não deves assumir demasiada responsabilidade por isso porque vós aproximais-vos de nós e nós aproximamo-nos de vós; é um esforço mútuo, uma aproximação mútua. E nós precisamos adaptar as nossas energias do mesmo modo que vós precisais adaptar as vossas. E é nesse processo de adaptação que poderá levar algum tempo a que as coisas funcionem de um modo eficaz e suave. Quando pela primeira vez trabalhamos com o Paul (o médium) o corpo dele estremecia à primeira tentativa de combinarmos as energias, mas depois passaram a combinar com facilidade e suavidade; sem mais estremecimentos. Isso, creio bem, assemelha-se a algo do que experimentas, não?

Pergunta: É.

Hai: E assim, isso passa. Mas se sentires dificuldade com isso, devias pedir aos teus amigos espirituais para se afastarem por um tempo para te permitir espaço. Por precisarem saber, meus amigos, que vocês são os soberanos do vosso próprio corpo e alma. Vocês são soberanos e mais ninguém. Não devem permitir que mais ninguém lhes tire essa soberania. Precisam seguir isto; isto é muito importante. Vocês estão a cargo, vocês têm pleno direito, possuem o direito à autodeterminação. Isso para nós é sacrossanto. (Sorrisos) Temos que obedecer às vossas ordens.

Se quiserem gozar de boas coisas na vida e quiserem seguir a luz e o amor, qual será a melhor forma de alcançarem aquilo que querem da vossa vida? Seguirão o coração, ou farão montes de orações, etc? Achamos que a maioria de vós sabe no seu coração o desejo que tem, o propósito que tem. Muita gente pergunta-me: “Que propósito de vida terei, Hai?” Mas nós argumentamos que vocês sabem no íntimo das vossas almas o propósito de vida que têm. Poderão nem sempre ser capazes de o expressar por palavras ou encontrar as palavras adequadas em vós para o expressarem, mas achamos que a maioria se veja atraída para o seu propósito de vida. Sentem uma intuição, um ímpeto, uma exortação para o realizarem.

Por isso dizemos-te, meu amigo, para teres calma e para te compores na jornada que encetas por esta vida, neste breve jornada que desfrutas neste país encantador a que chamam de Canada. Incitamos-te a serenares e a acalmares-te; essa é a melhor maneira de ser. As pessoas preocupam-se demais, apegam-se demais às coisas que sentem dever ter que ser, às coisas que desejam. Estes são tempos difíceis para viverem todos, por termos noção em especial dos jovens que assistem à vossa TV e a todas essas coisas que têm e se deixam intoxicar com as coisas de que necessitam. (Riso) Não concordam? Não precisam de metade disso, precisam? Mas creem precisar e as suas mentes agitam-se e eles inquietam-se, por “precisarem” dessas coisas, não? Bem sei que esse não é o vosso caso, mas eu refiro-ma à era em que vivem, que é difícil por gerar em vós, especialmente nos vossos jovens, a necessidade de ter essas coisas sem as quais sentirão que as suas vidas estejam incompletas. Pedimos-lhes para tentarem ajudar esses jovens a crescer por meios espirituais, para assumirem uma postura mais firme e mais segura na vida.


Porque não será, meus amigos, que se estivermos seguros no nosso mundo interior, na nossa alma interior, então seremos inabaláveis, fortes, conseguiremos suportar, conseguiremos concluir o que precisamos empreender neste plano terreno. Mas se nos tornarmos dependentes de coisas externas, enfraquecemo-nos, incomodámo-nos inutilmente. Por isso, meu amigo, para o teu caso particular, dir-te-ia justamente para permaneceres calmo e sereno, para observares, e se desejares orientação descobrirás que essa orientação virá. Mas achamos que se conseguires manter um coração calmo e sereno descobrirás que receberás a tua orientação interior pela qual te orientarás de forma infalível pela jornada da tua vida, e através dos percursos que precisares percorrer para atingires uma vida plena.

Pergunta: Quando uma alma reencarna haverá mais algum sítio na Terra específico onde tenha que ir?

Hai: Isso, meu amigo, pode variar. Eu poderei surpreendê-los a todos, mas diria que há certas almas que não passam mais do que um momento fugaz no nosso plano do espírito, por se acharem tão atraídos pelo plano terreno, que saboreiam os seus apetites e a familiaridade que sentem a ponto de em breve se encontrarem de novo aqui. A maioria das pessoas dizem querer passar algum tempo no domínio do espírito; (Sorrisos) Acham que seja um melhor negócio, não é? Bom, precisam ajuizar isso por vós próprios, mas é agradável a vida que levamos nos mundos do Espírito, que são muitos. Assim, para responder à tua pergunta, meu amigo, há certas almas que dão por si de volta ao plano físico mais rapidamente do que outras. Há outras que parecem despender eternidades nos domínios do Espírito antes de reincarnarem de novo no vosso mundo. Mas quando chegam a essa altura, dispõem de escolha; são aconselhados, e têm guias que conversam com eles. Podem regressar a um sítio particular, num período particular, numa família e numa cultura particulares. Assim, em muitos casos há escolha. Podem escolher a experiência de vida que pensem necessitar para crescerem e se desenvolverem, para que os seus espíritos evoluam mais.

Pergunta: Que terás a dizer-nos acerca do aquecimento global?

Hai: Dir-lhes-íamos que deviam ver a vossa boa Terra em que vivem como igualmente pertencente à Mente Una, à Consciência Una, ao Ser Único. Deviam vê-la como se fosse um irmão, uma irmã com um ser próprio, dotada da sua própria consciência. Consequentemente, deviam fazer ao vosso irmão e irmã conforme ela devia fazer-lhes a vós. Isto é pura franqueza, sim, mas transmite-lhes, creio bem, o que deverão todos fazer. Por isso, devem tentar viver as vossas vidas, viver com as vossas invenções, a vossa tecnologia, de forma a realçarem o planeta e não a adulterá-lo para as futuras gerações. No entanto não desejamos que regressem às vossas cavernas. (Sorrisos) Isso não é solução. Forma colocados sobre este planeta para administrar esta planeta, para crescerem com ele, para crescerem por meio das experiências que têm nele, pelo que a vossa tecnologia é parte inevitável do vosso crescimento. Mas devem tentar usar a vossa tecnologia com sensatez. Há maneiras e maneiras de fazer uso da tecnologia. Não será assim? Há maneiras que não prejudicam o planeta e maneiras que prejudicam. Por isso, precisam procurar encontrar maneiras de fazerem evoluir a vossa tecnologia por formas que não prejudiquem o vosso planeta mas o preservem para as gerações futuras que vierem depois de vós.

Lembrem-se da última questão que o meu bom amigo colocou acerca do renascimento. Se não olharem pelo vosso planeta voltarão aqui, (sorrisos) para desfrutar os frusto mais tarde.


Hai começou a falar sobre a vida que levou na China como monge Budista cerca de 800 dC.

Pergunta: Foi uma vida muito difícil?

Hai: Foi. Foi uma vida destituída das vossas modernas conveniências. Tínhamos comida mas não em demasia. Passávamos dias inteiros nos campos a cuidar das culturas. Passávamos muito tempo em meditação. Era uma vida de uma enorme disciplina, uma enorme disciplina. E é disso que vocês precisam meus amigos. Perguntaram antes acerca de maneiras de desenvolver a mediunidade. A coisa mais importante é a disciplina, a perseverança, a paciência, o treino regular; isso é o mais importante.
Mas, ao contrário, as pessoas no vosso tempo ocupam-se com coisas ao seu redor. Vós no vosso tempo sofreis muitas distracções que torna difícil desenvolver a mediunidade. Por isso, se desejarem desenvolver a mediunidade precisarão adoptar esse elemento do treino disciplinado. Então descobrirão, meus amigos, que a desenvolverão de verdade, por ser como lhes foi dito, se achar em certo grau latente em todos vós. Por isso, tido quanto precisam fazer é seguir o fio até à meada. Mas isso não é fácil.

Pergunta: Trabalharás com mais alguém, para além do Paul?

Hai: Não. Isto já representa um trabalho suficientemente árduo, diz ele (referindo-se ao Davia). Porque buscar mais trabalho?

Pergunta: Quando foi que começaste a trabalhar com o Paul?

Hai: Começamos a trabalhar com ele há sete ou oito anos. Mas eu conhecia-o de épocas anteriores. Ele foi monge no meu mosteiro há muito tempo atrás. Por isso tínhamos o que poderão chamar de ligação já estabelecida; um fio que nos une, que facilitou a possibilidade de trabalharmos juntos.

Pergunta: Isso será válido para os médiuns que possuem guias com quem têm uma ligação anterior?

Hai: Não, nem sempre. É geralmente o caso, mas não sempre. Por isso, trata-se de uma questão individual. Por vezes os guias trabalham com um médium com quem não tenham tido qualquer ligação anterior. Mas outras vezes é como neste caso, em que temos uma afinidade com ele.

Pergunta: Posso fazer uma pergunta acerca de vidas passadas?

Hai: Sim. Podes perguntar.(Riso).

Pergunta: Gostaria de saber de alguma vida passada que me esteja a influenciar hoje.

Após ter respondido à pergunta do inquiridor, Hai prosseguiu:

Hai: Todos nós, meus amigos, vivemos muitas encarnações neste plano terreno. Vivemos em muitos países; fomos cidadãos de diferentes países. Mas toda essa riqueza de experiência é boa para nós, por nos ajudar a desenvolver-nos por vias diferentes. Em razão disso sentem atracção por determinadas condições em cada encarnação para equilibrarem, para os ajudar a desenvolverem de certos modos na vossa presente encarnação.

Alguém colocou uma pergunta acerca do contínuo crescimento da Sociedade Metafísica.

Hai: À medida que crescem, atrairão mais gente. Precisam incluir essa gente meu amigo. Esses grupos que vocês formam no plano terreno são difíceis, não? Têm muita gente por quem sentirão afinidade, muita gente dotada de um coração amoroso. Mas têm muita gente em diferentes estágios do desenvolvimento. E falo do desenvolvimento não somente de coisa tais como a mediunidade, mas do desenvolvimento da expressão da capacidade que as pessoas têm de amar e de sentir compaixão. Contudo, também esses deverão incluir, meu amigo. Por deverem pensar, uma vez mais, nas vidas passadas que tiveram. Por nas vidas passadas que tiveram vocês também poderão ter sido limitados na vossa capacidade de amar e de demonstrar compaixão. Por isso, há quem se veja limitado na capacidade de amar e de mostrar compaixão, e vocês precisam sentir compaixão, tolerância e paciência adicional. Porque se desejarem que a vossa organização cresça, precisarão abranger.
Temos um espírito que falou através daquela que se chamava Honoria. Ela falou da “Abrangência.” Frequentemente falamos acerca da Mente Una, da Quididade que abrange tudo. Ela falou da Abrangência, que tudo abrange. Assim, meus amigos, exortá-los-íamos a abraçar todas as coisas e nessa Abrangência, independentemente das suas fraquezas ou o estado de desenvolvimento em que se encontrem. Devem encontrar maneira de acomodar tudo; para que a vossa organização possa crescer e florescer e fortalecer-se.


Pergunta: Eu assistia a um programa intitulado “O Segredo.” Estava ligado ao poder dos nossos pensamentos e a crença de que possuímos tudo em nós para fazer por que as coisas sucedam. Passei por tempos bem traumáticos ultimamente e tenho vindo a indagar se continuar a acreditar e a acreditar num bom resultado, ele venha a concretizar-se?

Hai: Deves manter a positividade. É importante que sejas positivo independentemente do mais. Davia contou uma história há algum tempo de um amigo dele, de quando vivia no plano terreno. Ambos tomaram percursos separados; um partir pelo vale por onde o sol nunca brilhava devido à densidade da vegetação, percurso esse que o conduziu para a escuridão perto de um pântano que fedia, em virtude da estagnação das águas aí existentes. Aí sentiu-se sem vida nesse local e andou o dia inteiro por aí a vaguear.

Quando deu o seu passeio por terminado regressou e encontrou Davia de novo na estrada mais acima, e perguntou-lhe: “Como foi o dia que passaste, Davia? Que tipo de excursão fizeste?” E Davia respondeu que tinha andando pelos cumes elevados das montanhas, à luz doce do sol e por entre a claridade do azul do céu e que andara a cantar para as águias, que pairavam nas alturas. Para onde quer que se voltasse, podia ver florestas verdes, flores magníficas e o ar fresco doce a soprar ao seu redor.

O amigo disse-lhe: “Davia, passei um dia terrível. Fui até ao vale profundo lá em baixo, e fui até um charco de águas estagnadas que fediam tanta que chegavam a ser insuportáveis, Davia. Senti opressão na alma, e que a vida me era esmagada.” Davia respondeu-lhe: “Meu amigo, não percorras mais esse percurso descendente até ao vale e da próxima vez acompanha-me até às alturas das montanhas.”
Compreendes o sentido da história do Davia?

Pergunta: Compreendo.

Hai: Mantém os pensamentos positivos, meu amigo e serás recompensado. Preserva a fé e a esperança que tens, meu amigo, e serás recompensado. A própria intenção e pensamentos positivos que trouxeres à tua vida conduzir-te-á na direcção que buscas; o que tu precisas.

Pergunta: Poderei colocar uma pergunta sobre a reincarnação? As escolhas que fizemos antes de reincarnar; de que modo procedemos a essas escolhas antes de encarnarmos?

Hai: Alguns não procedem a escolha nenhuma, minha amiga. Mas tu sim. Alguns de vós sentem-se de tal modo atraídos pelo plano terreno que buscam um novo corpo tão logo abandonam o anterior. Por vezes o intervalo patente entre uma encarnação e outro é diminuto. Alguns passam algum “tempo” no plano espiritual antes de reincarnarem. E quando digo “algum tempo” estou a referir-me a muitas centenas de anos do vosso tempo. Outros regressam logo numa ou em quatro vintenas de anos.

Não existe lei nenhuma, nem regra gravada na pedra, quanto a isso. Cada coisa se adequa às necessidades da pessoa. Mas na maior parte das vezes aqueles que voltam a reincarnar aconselham-se junto dos guias espirituais, e reflectem no que necessitarão da encarnação seguinte. Mas vocês têm um ditado no vosso tempo, acerca dos “melhores planos,” não? Nós alterá-lo-íamos para “as melhores intenções.” Porque aquilo que é destinado ou desejado nem sempre acontece, porque quando se encontram aqui, o jogo pode afeiçoar-se diferente daquele que tinham imaginado no lado espiritual. Mas isso não tem importância. Faz tudo parte do desenvolvimento, é tudo parte da evolução, do que aparece. Por isso, no longo esquema das coisas não tem importância.

Pergunta: Será que escolhemos os pais por quem vimos ao mundo?

Hai: O mais das vezes escolhem. Por vezes, todavia, é mais importante a escolha das situações, tanto quanto a escolha dos pais. Por a situação propiciar as experiências e a experiências darem lugar às oportunidades de aprendizagem. É por isso que nos encontramos aqui no plano terreno; pelas oportunidades de aprendizagem, para ver de que modo lhes respondemos; se crescemos com elas ou não. Mas achámo-nos todos no caminho ascendente rumo à montanha; todos trilhamos o caminho. Estamos todos a crescer.

Ele (Davia) diz-me: “É tempo de partir.” Preciso obedecer às ordens dele, de modo que o “Velho Hai” vai partir. Foi bom conversar convosco, meus amigos, meus encantadores amigos. Talvez voltemos a conversar um dia destes. Adeus, meus amigos.

A VERDADE UNA 
Hai: A água encerra muito simbolismo. É clara. Clara como a pureza da alma. É suave. Suave como a compaixão. É forte. Forte como um temporal. É plácida, a menos que seja despertada por meio dos elementos. Por outras palavras, reflecte a totalidade da vida. Mas também reflecte o profundo sentido da vida. Simboliza a Mente Una, a essência que se acha em todos nós, por detrás de todos nós, que nos sustenta a todos. Somos como gotas de água no seu imenso oceano. No entanto, as gotas ainda se acham presentes no oceano, e não desaparecem. Não se perdem. Por isso, não imaginemos que a Mente Una se assemellhe a uma grande fornalha que tudo consome. A Mente Una é todo o amor, toda a compaixão, todo o alcançar, a globalidade, todo o coração. Existimos nesse coração, nele temos o nosso ser. Não podemos desaparecer. Somos eternos. Possuímos uma identidade eterna na Mente Una. Somos feitos da sua natureza. Reflectimos a sua glória, o seu amor, a sua compaixão, a sua criatividade. Assim, a água encerra um imenso simbolismo e pode ser usada em diferentes níveis, tanto ao nível da vida de todos os dias como ao nível da mais profunda realidade.

Pergunta: Qual será o propósito final existente para além da vibração mais elevada?

Hai: A União com a Essência. União com o Todo, o Espírito Universal, a Mente Universal. Mas vocês não se dissolvem nessa Mente. Conforme disse antes, envolve apenas um reconhecimento mais forte, uma maior harmonia de propósito, de amor, de mente e de coração. Quando emprego termos como “Domínio mais elevado ou mais baixo,” em muitos casos esses termos não são de muita utilidade por em essência vocês se encontrarem tão próximo da Mente Eterna agora quanto alguma vez virão a encontrar. Isso poderá soar a paradoxo, mas encerra a verdade. O que lhes falta agora é percepção da proximidade. À medida que progredimos a consciência da proximidade e identidade e da harmonia que temos com a Mente Una, aumenta. Tornámo-nos mais sensíveis a Isso, para com a nossa Natureza Essencial. Esse é o propósito da nossa jornada na Terra e nos domínios do espírito. Voltar a identificar-nos com o Coração Uno, a Mente Una; redescobrir-nos.

Pergunta: Quão exacto será o Jesus Bíblico?

Hai: Seria melhor que se concentrassem na mensagem de Jesus do que lerem demasiado com relação aos aspectos da sua vida física. Jesus foi um grande mestre, um dos muitos que vieram à Terra a fim de transmitirem a doutrina da Grande Verdade. Os mestres vêm e utilizam a forma de religião em que nascem, só que a Verdade é maior do que qualquer religião. Conforme eu referi antes, nenhuma religião tem qualquer ascendente ou é senhora da Verdade. A verdade molda a religião em maior ou menor escala, e na medida em que essas religiões forem fiéis à Verdade, passarão a refleti-la de uma forma exacta ou não, mas o que importa é que existe Uma Verdade, Uma Realidade por detrás de todas as religiões. É um grande infortúnio que algumas religiões, ou a forma como tenham sido usadas procurem reivindicar soberania em relação à Verdade.
A Verdade está primeiro. A Realidade Una vem primeiro. E a realidade una é que torna todas essas religiões possíveis.

Pergunta: Farias o favor de explicar a dualidade?

Hai: A dualidade constitui uma noção: A dualidade não existe de forma fundamental na Natureza Essencial das coisas. Existe o Coração Uno mas obviamente, não devem imaginar que envolva um coração concreto, mas figurativo, entendem? Mas existe um Coração Uno, uma Mente Una. Chamem-lhe aquilo que quiserem. Uma Essência que penetra todos os universos, toda a existência, os domínios materiais e os domínios espirituais. Não há nada que não se ache impregnado por essa Mente Una, por este Coração Uno. Ela sustenta tudo e constitui a fundação de tudo. Sem ela nada teria existência.
Ela inunda tudo. A dualidade faz-se necessária ao género de vida em que vocês habitam, mas não passa de uma conveniência por a um nível mais profundo não ter existência mas tão só a Mente, a Essência Una, o Ser Único. É profundo, bem o sei, e impossível de captar com a vossa mente, com o vosso intelecto, por esse intelecto pela sua própria natureza ser dualista por natureza, e tende a encarar as coisas em termos disto ou daquilo. Podem tentar formar um nexo e compreender o conceito da Mente Una, por acção do intelecto, mas ainda assim esforçar-se-ão à toa. Poderão abordá-la com a vossa mente e procurar capturá-la com a mente, mas a Mente Una precisa ser experimentada directamente para a poderem compreender, para se harmonizarem com ela, para chegarem a saber que já nascemos com Ela.

Pergunta: Seremos influenciados por Ela?

Hai:
Falas da dualidade uma vez mais. Conforme digo, não existe dualidade. Pensarão que ser influenciados pela Mente Una os leve a conceber a Mente Una por um lado e vós pelo outro. Mas não funciona dessa maneira porque na essência mais profunda de vós se encontra a Mente Una. Mas vocês só poderão acercar-se dela voltando-se “para dentro.” Olhar para o interior e voltar a vossa visão em torno de vós. Se voltarem a olhar em vós próprios descobrirão a Mente Una. Mas assim que A tiverem descoberto, nada terá mudado. 



RELIGIÃO

Hai: A verdade é profunda, de uma profundidade sem medida, insondável. As nossas mentes nunca poderão verdadeiramente abrangê-la ou compreendê-la. Por as nossas mentes serem criadas para os nossos propósitos. Elas são feitas para dividir as coisas, para nomear as coisas, para ver diferenças e isso é especialmente verdade com respeito às vossas mentes enquanto se encontram no plano físico. Mas a realidade é uma de totalidade, de unidade, de harmonia, e é pela suspensão do pensamento, conquanto breve, que conseguimos alcançar a apreciação dessa Realidade. É uma Realidade que transcende todas as verdades. Transcende todas as religiões por ser a Realidade. É a Realidade que constitui a Verdade que não pode ser questionada, que não pode ser contrariada. É como colocar o pé na água gelada. O vosso corpo conhece a realidade disso, por estar para além da questão. Mas este é um pobre paralelo o que traçamos. Por o vosso corpo sentir o frio da água devido à sua própria natureza. Por serem dotados de sangue quente e o que sentem representar o contraste da água fria.

Assim, o paralelo que tracei é pobre devido a isso. Mas entenderam o que eu queria dizer. A experiência da Realidade Una não pode ser questionada por se tratar de uma experiência concreta. É uma realidade concreta. As religiões não passam de meros devaneios, em comparação. Mas não afirmo isto com a intenção de denegrir as religiões. Mas é uma questão de profundidade. Um dos problemas de tentar transmitir a realidade por palavras. As religiões tentam retractar esta Realidade, e em diversos graus são bem-sucedidas. Mas o que empregam são palavras e as palavras são limitadas, as palavras são restritas. Elas concorrem para o contrário. Servem de rótulos para coisas. Mas não concorrem para a experiência real enquanto tal. Não pode tomar o lugar da verdadeira experiência. Vocês falam do sol e assim o sol torna-se numa palavra e numa palavra útil quanto a isso, por os habilitar a falar do sol. Mas não pode consagrar a experiência do sol, pode? Apenas representa o sol. E este é o problema que temos com a Verdade, a Realidade. Essa realidade é a nossa Essência. E na essência é a razão por que evidenciamos compaixão uns pelos outros. Partilhamos um Coração comum, uma Mente comum. Não faz sentido tratarmo-nos mutuamente de forma injusta, tramarmo-nos sem compaixão. É como se nos atacássemos a nós próprios. Precisamos reconhecer o nosso Coração comum, a nossa Harmonia comum.

Se em vez disso houver desarmonia será uma infelicidade, mas tal perturbação não reflecte a Realidade. É ao invés as pessoas a perturbar a água, a turvá-la, e a deixarem de ver a clareza cristalina da sua Essência, da sua Essência comum, que partilham uns com os outros.
Num certo número de ocasiões outros espíritos surgiram a fim de partilhar as suas experiências alcançadas através de vidas passadas, a fim de contribuírem com uma outra perspectiva para o assunto. Um dos mais pungentes desses foi uma visita de um espírito que declarou ter sido um líder Azteca numa vida anterior.

Pergunta: Terás tido alguma altura em que tenhas feito oferendas ao vosso Espírito?

Aztec: Oferendas ao Grande Espírito. Sim, oferendas em festivais ao Grande Espírito. Mas isso é uma tristeza, por termos confundido a natureza do Grande Espírito. Acreditávamos que o Grande Espírito necessitava do nosso sangue para viver, para ser apaziguado. Não compreendíamos que o Grande Espírito estava em todos nós. O Grande Espírito ama cada um. Mas as nossas mentes distorciam o sentido da vida, do Grande Espírito, da eternidade. A mente humana é perigosa, muito perigosa, por pegar em toda a sorte de coisas e as distorcer e torna-as numa realidade à sua própria imagem, como se fossem uma realidade. Isso constitui um perigo terrível, um desastre terrível. Vocês tiveram isso aqui recentemente. A mente humana pega numa ideia e dá-lhe voltas de uma forma febril, como se fosse um edifício de concreto, uma realidade inquestionável. E depois age. Vocês precisam situar as pessoas no centro do valor, no centro da existência. Todas as coisas devem proceder daí. O valor de cada pessoa individual. O carinho por cada pessoa individual. Tudo o mais deve ser edificado nisso e em coisa nenhuma mais. Nem religião, nem princípios nem nada. Somente este amor por cada pessoa individual. Até mesmo princípios altamente sonantes se extraviam, dão errado. Precisam ser testados e questionados de encontro ao amor. Apoiarão, manifestarão amor por cada pessoa individual?

Pergunta: A tua civilização durou muito tempo?

Aztec: Durou, até os Espanhóis surgirem. Eles vieram pelo nosso ouro e pela nossa terra. Mas também eles carregavam ideias erradas, distorcidas, perniciosas. E vieram com mais ideias erradas, distorcidas e desastrosas. A “realidade” deles era tão má quando a nossa “realidade”! Todos no mesmo atoleiro! 

Pergunta: Tentaram mudar o vosso povo para a religião deles?

Aztec: Tentaram e foram bem-sucedidos. Mas mais distorção! Toda a religião atirado ao atoleiro! Voltem-se para o vosso irmão, para a vossa irmã com olhos de carinho e tudo será cumprido. Nada mais será necessário! Tudo será cumprido! E continuem com esse amor. Simplicidade, amor simples é o que faz falta. Uma via directa. As vossas religiões representam uma miríade de vias todas a alongar-se em diferentes direcções e a explorar sabem lá bem o quê. Uma via directa de amor é tudo quanto é necessário. É tudo quanto existe!

VIDA APÓS A MORTE E O MUNDO ESPIRITUAL
Hai e os demais espíritos forneceram-nos muitas perspectivas acerca da vida após a morte, o além, e acerca do mundo do espírito, através dos comunicados que fizeram. Muitas vezes tentam transmitir-nos a beleza do mundo do espírito, não só a beleza que caracteriza as cercanias como também a beleza da comunicação espiritual e dos relacionamentos, pelo menos da parte do mundo espiritual em que se encontram. De facto, deveria ser assinalado que é mais preciso falar de mundos espirituais, terras ou reinos, já que há mais do que um. O mundo espiritual que Hai e os outros espíritos nos descreveram na maioria das vezes é o mundo para onde deve ir a maioria das pessoas após a sua vida terrena. Contudo, muitas vezes referem-se às outras regiões e reinos que existem e por vezes fizeram descrições das diferenças. Hai e alguns dos outros espíritos evoluídos que nos visitaram, indicaram que são capazes de viajar por alguns desses reinos. De momento iremos restringir o nosso propósito ao reino que a maioria das pessoas experimentará por altura da transição da sua existência terrestre.

Hai: Desejamos transmitir-lhes a beleza da terra do espírito. Trata-se de uma beleza que excede a vossa compreensão. Prevalece a harmonia por entre todas as pessoas. O ar exala harmonia. Existe uma paz que vos é desconhecida na terra, a menos que de uma forma fugaz. Aí, a paz é mais profunda e contínua e não é perturbada nem distorcida pelas condições que aqui têm. Por conseguinte, é um local assombroso de paz e de beleza, e é a nossa herança, a herança de toda a gente. Precisam saber que desejamos que se sintam confortáveis com a mensagem que lhes transmitimos. Desejamos que tenham confiança naquilo que procuramos descrever-lhes, o que procuramos comunicar-lhes. Por deverem ter esperança em relação ao futuro. Devem saber que esse é o vosso futuro, o que procuramos transmitir-lhes, que tentamos descrever por palavras pouco adequadas ao propósito.
Pergunta: Quando, no mundo do espírito, tocamos na mão ou no corpo, ele parecer-nos-á o mesmo que tínhamos quando nos encontrávamos na Terra?

Hai: Sente-se a substância, sente-se a substância. Talvez não exactamente na mesma, mas sente-se a substância. É-se mais sensível para com as energias que irradia dos corpos espirituais das pessoas e do nosso entorno, do ambiente que nos rodeia. Por todos irradiarem energia, amor, harmonia. Por isso, é-se mais sensível às energias que compõem o mundo. As fronteiras entre nós não parecem tão sólidas ou tão definidas quanto lhes parecem a vós. Isso aplica-se aos nossos corpos, mas aplica-se igualmente às outras coisas que nos rodeiam. Não vemos contornos rígidos nos corpos que nos rodeiam. Todos temos noção da harmonia subjacente, da essência fundamental por detrás de todas as coisas, dentro de todas as coisas e através de todas as coisas. Mas temos consciência do nosso ser. Temos o nosso próprio ser, e temos consciência de ter uma forma. Ele tem uma forma. Mas é mais subtil do que o vosso corpo, também. Podemos unir-nos mais aos outros. De facto muitas vezes unimo-nos uns aos outros. Por mais perto que cheguemos no corpo físico não conseguimos tocar-nos uns aos outros tão fundo, ou com a mesma sensibilidade, com que podemos fazê-lo no mundo do espírito. 

O vosso Paul passou pela experiência de parte disso, com a Isleen (um outro membro do grupo espiritual) no início, e mais tarde comigo. Nós no mundo do espírito podemos tocar as almas uns dos outros, o coração uns dos outros, e isso é uma coisa magnífica. Por instantes podemos ficar unidos entre nós. Conseguimos sentir os corações e mentes uns dos outros numa estreiteza de laço que é difícil de compreender enquanto nos encontrarmos num corpo físico. Mas constitui uma das alegrias que virão a experimentar quando retornarem ao espírito. É uma coisa belíssima, esse toque, essa união uns com os outros. É sensação maravilhosa. Uma proximidade a que aspiram enquanto se encontram na Terra, e que em certa medida poderão experimentar, porém, não na medida, ou raramente, com que o podem experimentar no espírito. Entendes?

Pergunta: Entendo; bom, na medida em que o consigo entender.

Hai: É como se a tua mente e a mente do Paul fossem duas tigelas de líquido e por uma forma qualquer tivessem maneira de ambos esses líquidos se tocarem e de estabelecerem contacto. Nesse instante seria muito difícil dizer onde começa uma mente e termina a outra. Dar-se-ia uma intimidade, uma abertura, por um breve instante, talvez, mas unidade, até que os líquidos voltassem à sua tigela separada uma vez mais. Mas no mundo do espírito não existe a sensação de separação. Porque mesmo quando estamos juntos por vezes temos a sensação da separação, por os vossos pensamentos serem os vossos pensamentos e não terem noção dos pensamentos do outro. Não têm noção do toque psicológico, se quisermos. E isso é restringido pelas limitações, pelas restrições do mundo físico, de modo que apenas um tanto se torna possível. Mas no espírito essas limitações desaparecem e torna-se possível detectar, tocar a um nível mais profundo.

Pergunta: Será possível pensarmos que estejamos a ingerir alimentos caso o desejemos, em determinadas porções do mundo espiritual, talvez nos estágios iniciais da passagem?

Hai: Isso é possível. No mundo do espírito existem muitos reinos, muitos locais, alguns dos quais reflectem a Terra. E, em certa medida, por vezes tornam-se necessários, para ajudar as pessoas a ajustar-se. Por o retorno ao mundo do espírito constituir um ajustamento massivo e por vezes as pessoas carecem de condições ou de circunstâncias que se assemelhem ao mundo físico que as ajude no seu caminho, a progredir para planos mais elevados.

Pergunta: Existirá um sol no mundo do espírito?

Hai: Não existe sol algum enquanto tal, mas a luz é brilhante, contudo delicada, conforme eu disse antes, uma luz suave e delicada que ilumina todos mas que não é tão severa quanto a luz do vosso sol por vezes. A luz é brilhante e ilumina tudo, mas sem ferir os olhos.

Pergunta: Alguma vez chegam a ter períodos de escuridão?

Hai: Não, não temos escuridão assim. Podem ficar cerrados no vosso quarto, caso o desejem. (Referência à quebra de energia que se verificara na sala, na altura) Mas não é preciso.
A seguir Hai fez referência a um pequeno jardim que ele tem.

Pergunta: Isso soa esplêndido. Aposto que o teu jardim é melhor que os nossos.

Hai: Ah, bom, gozamos dessa vantagem. Não há estações. As flores não murcham.

Pergunta: Nesse caso podemos ter Narcisos o ano todo?

Hai: Podíamos sim, caso o desejássemos.

Pergunta: Contudo, eu pensava que pare do prazer que os nossos jardins nos dão reside em saber que não temos muito tempo para desfrutar das flores antes que a estação termine. Se pudéssemos ter aquilo que queremos o tempo todo!

Hai: Parte do vosso “prazer” assenta na espera por que a dor passe e na antecipação da dor que venha a suceder. (Riso)

Pergunta: Suponho que tens mesmo razão.

Hai: Vocês habituam-se às novas circunstâncias, aqui. Não deixam que a beleza passe despercebida. A beleza constitui uma beleza viva que não deixam que passe despercebida. Têm esse problema não só com as plantas mas com as pessoas igualmente, por poderem ver a flor da pessoa com quem vivem todos os dias e todas as noites, todas as semanas do ano. Habituam-se a ela e ficam embotados com a beleza dela, com a sua beleza espiritual. O vosso relacionamento não tem Inverno, Primavera nem Verão no sentido de existir uma lacuna de modo que podem sentir-se saciados, demasiado acostumados um ao outro e deixam de ver a sua beleza, o frescor da sua beleza. E assim, embora as estações os ajudem a contar com as plantas e as flores, ficam com o problema de não deixarem as pessoas passar despercebidas, o que representa um caso muito mais significativo, não?

 Pergunta: Mas por que é que não as deixamos passar despercebidas no mundo espiritual e deixamos aqui?

Hai: Só o fazem por não terem olhos para ver. Precisam ter olhos para ver. Porque aqueles que têm olhos para ver não presumem em relação aos outros. E assim é nas terras do espírito.
Um dos visitantes presentes referiu-se a um espírito que tinha surgido uma ocasião anterior, e que tinha descrito as cidades do mundo espiritual como “Hubub”.

Hai: Exactamente. Ele transmitiu uma impressão relativa a uma comunidade, mas sem a aspereza da cidade. Sem a aspereza dos edifícios da cidade. Mas uma comunidade ainda assim. Uma comunidade em que existe uma harmonia entre os edifícios, as pessoas e as plantas, o campo. Sim, onde é impossível dizer: “Isto é uma cidade, isto é o campo, estes são os edifícios, estas são as pessoas.” Há harmonia, união, uma harmonia.

Pergunta: Serão os edifícios tão altos como os arranha-céus?

Hai: Há alguns que são altos, grandiosos, que evocam uma enorme emoção com a sua majestade. Mas há muitos edifícios que estão mais de acordo com a paisagem e consequentemente os edifícios majestosos, os edifícios elevados são mais raros, ou uma minoria. Os outros edifícios são mais comuns, o que leva a que se misturem mais com a paisagem.

Pergunta: Tu visitas o hubub Hai?

Hai: Sim, nós visitamos o hubub. Ah, pois, ah pois. É agradável visitar o hubub de vez em quando, não é, tal como vocês vão até às vossas cidades grandes de visita. É bom ir de visita. Agrada-nos o termo “hubub”. Passaremos a usá-lo e vamos contar aos nossos amigos que vamos ao “hubub”. (Riso)

A ARQUITECTURA NA TERRA DO ESPÍRITO

Nós gravamos todas as nossas sessões, mas de vez em quando a tecnologia deixa-nos ficar mal. Certa noite fomos particularmente infelizes que isso tivesse sucedido por termos tido a visita de um espírito que tinha sido arquitecto que nos forneceu uma narrativa detalhada da arquitectura que é levada a cabo na terra no espírito e do processo da criação de edifícios. Conversei sobre isso com uns amigos por eles terem expressado um certo interesse e disse que procuraria resumir algo do que o arquitecto contara.

Ele declarou que a maioria das pessoas habita em residências modestas, mas algumas podem habitar estruturas mais vastas quando isso servir um propósito. Ele explicou que na sua qualidade de arquitecto também dirigia uma escola de arquitectos e por isso tinha uma casa ampla por ser necessária enquanto sítio de reuniões e de trabalho desse grupo.

Lá prosseguiu falando sobre muitas coisas, mas foi o processo da criação dos edifícios que consigo recordar com maior nitidez. Explicou que, dependendo da complexidade da estrutura pretendida, poderá ser necessário que um certo número de arquitectos trabalhe em conjunto. Ele descreveu um processo por meio do qual o grupo de arquitectos trabalharia junto a fim de criar um modelo em três dimensões que quando estivesse finalizado seria projectado por meio do pensamento no tamanho real no local escolhido. Uma vez satisfeitos co os pormenores, o grupo “invocava” uma energia superior que ajustaria a estrutura e lhe daria permanência.

Isso não passa de um pequeno exemplo do que o arquitecto nos contou, mas esperamos que lhes transmita um certo aroma daquilo que nos narrou. Se ele nos visitar de novo iremos pedir-lhe que repita parte da sua comunicação anterior e vo-la transmitiremos.
(continua)

Canalisado por Paul McGlone
Tradução: Amadeu António




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