domingo, 7 de fevereiro de 2016

PLANOS ELEVADOS - RECONHECIMENTO E VALIDAÇÃO - (MICHAEL)





ACERCA DOS PLANOS MAIS ELEVADOS



Pergunta: O Michael tem muito a dizer acerca do plano Astral, assim como dos níveis que compreende. A que é que se refere exactamente?



Parem de imaginar o plano Astral como situado “lá em cima.” Situa-se “cá em baixo.” Estendam a mão e toquem-no. O primeiro nível do plano astral é povoado por fragmentos vivos adeptos da viagem astral, assim como por aquelas almas que penetram esse nível acidentalmente, por meio de drogas. O segundo nível é habitado por aqueles que se encontram no estado de transição entre corpos. O terceiro nível atrai as Almas Antigas que procuram “queimar” carma final sem terem que renascer. Os corpos astrais intermédios constituem entidades parcialmente reunidas. Vós manifestastes uma entidade astral intermédia, antes.



Os três níveis mais elevados são progressivamente integrados: o acesso aos planos superiores é feito por esses níveis. Até mesmo altos adeptos alimentam fantasias com respeito aos planos mais elevados.



Pergunta: Serão essas formas astrais aquilo que é referido como fantasmas?



Não necessariamente. Um fantasma pode representar um veículo etérico. Se assim for, ele decompor-se-á tal como o corpo se decompõe. Então, ficareis sós de novo. Isso por vezes sucede quando morrem súbita ou violentamente. O veículo etérico constitui a aura mais íntima. Ele decompõe-se rapidamente, e não os pode prejudicar em absoluto. É como a aura destituída de cérebro. O corpo Astral parte de imediato, o veículo etérico não pode partir. Não possui poder por si só. Não passa de uma sombra e não possui qualquer energia intrínseca.



Pergunta: Poderá a matéria astral materializar-se?



Somente a entidade causal possui essa faculdade. Mais nenhuma outra entidade teria razão para tanto. Os animais assim criados, a partir da matéria Astral, serão tão reais quanto tudo o mais criado a partir da matéria Astral, mas proporcionam ao fragmento do corpo Causal um veículo adequado para tratar um conflito mantido em aberto. Notai que não referimos cármico. Mas essas são experiências de curta duração.



Pergunta: Quando é feita uma menção aos planos mais elevados, isso referirá o plano Astral?



Por planos elevados referimo-nos ao Causal e mais além. O corpo Causal acha-se no plano acima do Astral, e representa um passo acima, na evolução espiritual. O Céu é criado a partir dos materiais astrais para aqueles que estão a transitar entre diferentes corpos terrenos que necessitam experimentá-lo antes de poderem proceder a uma revisão. Alguns também precisam experimentar o inferno, mas também esses o criam a partir da matéria astral. É muito maleável, mas muitas vezes não é necessário. Pode adoptar toda a forma que queiram. É o material usado nos encantamentos demoníacos, mas pode provocar somente o tipo de malefício que lhe permitirem, na vossa mente. Houve muitos casos de fragmentos que ficaram literalmente aterrados de morte com produtos da sua mente, compostos de matéria astral.



Pergunta: os ciclos terão continuidade no plano Causal?



Essencialmente correcto. Existe desenvolvimento e evolução no plano causal, assim como existe no astral. Contudo, há uma diferença. Essa entidade percebe a si mesma ainda enquanto parte de si mesma, de modo que esta entidade não pode ser considerada tudo quanto existe. O corpo Causal superior não percebe, evidentemente, nem mesmo a mais diminuta separação, e é nisso que reside a diferença. Além do plano físico a evolução diz respeito à percepção do Tao.



Pergunta: (Acerca do dogma e dos rituais religiosos que alguns quiseram impor a estas comunicações)



Estas palavras nunca caem em orelhas moucas. Contudo, precisam estar preparados para uma manifesta rejeição soba forma verbal. Precisam aprender a não permitir que isso os atire para a berma do caminho. Estão vinculados e sofrerão agressões tanto da parte dos que intransigentemente rejeitam como daqueles que irresistivelmente aceitam. Vocês são incontestavelmente anormais, caso pretendam a verdade, e precisam habituar-se a isso. Se desejarem ser normais, estão a perseguir o caminho errado.



Pergunta: (Acerca da negatividade que por vezes tende a fechar-se ao extremo em torno dos médiuns)



Antes de mais, precisam acreditar que não há nada que possam fazer para evitar a reacção das pessoas e que tal reacção nada tem que ver com coisa alguma do vosso quadro de referências. A percepção que têm de uma dada situação e das ramificações que tende a formar, é algo com que somente eles podem lidar e nada há que possam fazer. Não oparem de o repetir a vós próprios sempre que isso surgir caso optem por o fazer. Lembrem-se que o mal por si só existe somente na mente daqueles que percebem o acto como tal. Se acontecer que seja uma alma jovem, o desejo que terão será o de tornarem esse mal num bem, e de corrigir o incorrigível, e não hesitarão em ceifar as vidas daqueles que se lhes interpuserem no caminho. Afinal, não serão uma representação do mal? As Almas Antigas geralmente percebem o mal em si próprias e procuram exorcizá-lo. As Almas Jovens geralmente percebem a diferença nas pessoas como o mal. A Alma Antiga habitualmente não percebe o mal como tal, mas percebe a causa e não procura erradicar o agente. Isso é o que é entendido vagamente por aceitação. Num nível mais acima, essa aceitação torna-se amor incondicional (agape).



A vossa negatividade pode dissolver-se assim que perceberem a futilidade que a caracteriza. As almas encantadas com o fascínio do plano físico, fazem coisas sem sentido, certamente, mas percebam o seguinte: a alma é eterna e tais actos são temporais.



Pergunta: (Acerca da futilidade de se entregar à leitura da filosofia)



 Os textos filosóficos nada mais são que outras almas a expor acerca da iluminação alcançada pela metade. A iluminação não é grave nem pesada. Conforme afirmamos antes, à medida que o crescimento progride, a alma busca a simplicidade. Esta será uma excelente maneira de discernir se uma peça particular de literatura lhes servirá de alguma coisa. Se não passar de um mero exercício de vocabulário e de retórica, então abandonem-no. Muito do material mundano procede de Almas Jovens. Sejam cautelosos quanto à selecção do vosso material de leitura.



Pergunta: Eu tenho uma pergunta sobre as religiões convencionais e a forma como influenciam as pessoas. Bem sei tratar-se de uma questão muito vaga, mas aqueles que se identificam com a religião de algum modo limitam a sua experiência e não parecem desenvolver-se muito, apesar de poderem ajudar os outros. Cristo não buscou os seus seguidores por entre os justos, mas por entre os iníquos.



Os seus seguidores só eram injustos aos olhos dos certos observadores. Os rituais procedentes das religiões representam um trabalho positivo, por produzirem elevação, que é a única via por que as almas na Fase da Infância alguma vez experimentam uma elevação - ou seja, de forma indirecta.



Pergunta: (Relativa ao significado das escrituras quando salientam que Cristo morreu pelos nossos pecados, que não parece fazer sentido para o indagador)



Também para nós não faz. No sentido literal, isso é insignificante. Ele não proferiu tal coisa. Isso foi perpetuado pelos zelotes.



Pergunta: Poderias expor acerca do sermão do monte? Eu não o compreendo, e toda a minha vida tenho indagado acerca disso.



Substitui o termo “bem-aventurado.” A ênfase aqui é colocada na simplicidade. Por “mansos” não nos referimos à covardia, mas antes à natureza íntima do propósito. O termo “pobres de espírito” refere-se àqueles que reconhecem em si a falta de orientação e a buscam. Essa passagem serve de advertência contra a complacência que preconiza a queda e a degradação da humanidade. O termo “bárbaros” pode ser usado simbolicamente como os existencialistas materialistas que negam outras dimensões para além do plano físico e que devotam as suas vidas à persecução da ilusão (maya). Esses são de facto infelizes por incorrerem em muito carma adverso. Precisam lembrar-se do auditório para quem o homem Jesus falou, e os escribas que redigiram a narrativa, antes de emitirem juízos acerca das palavras. Essa gente acreditava num Deus muito literal, muito pessoal, que monitorizava cada passo que dessem e que em grande parte era severo e reprovador.



O pensamento grego teve uma enorme influência no homem Jesus, em particular o de Epicuro, mas ter-lhe-ia sido impossível esposar as palavras desse filósofo pagão a partir dos pórticos do Templo. Depois, quando a Alma Infinita se manifestou, o Logos (Palavra) fez-se valer na linguagem da época, para ser traduzida por um punho de um cobrador de impostos (Mateus) e um médico grego centrado no emocional (Lucas). Epicuro teve a mais profunda das influências em toda filosofia da época, chegando a suplantar a do estoico Zenão. Esta filosofia foi elaborada por ordem dos Saduceus, que também apelavam à natureza sensível desse jovem. O pensamento epicurista padrão é aquilo por que todos nos esforçamos por realizar.



Pergunta: isso faz sentido, mas poderíamos aplicá-lo ao todo dos ensinamentos de Cristo? Qual terá sido a essência dos seus ensinamentos?



A verdade constitui o bem mais elevado, e o amor é a mais elevada das verdades. O “bem” constitui a sua própria recompensa, assim como a verdade. O amor do Logos, ou Agape, permeava o ser de Jesus, mesmo antes da sua manifestação, ele vivia para a Palavra. A busca da libertação tomou precedência sobre todas as coisas, por vezes para desespero dele. Antes da manifestação, ele era um fragmento centrado no emocional, apaixonado e sensual. Quando os outros rejeitaram as suas opiniões ele ficou atônito.



Pergunta: Por que razão terá Jesus julgado os Fariseus e dito que seriam lançados nas trevas?



Ele descrevia precisamente aquilo com que se deparariam no intervalo astral. Ele não os julgava. Ela sabia. Aí existe toda uma diferença. O julgamento implica uma alternativa. Mas não havia nenhuma. Quando um mestre fala, não há lugar a debates (no sentido da negação.)



Pergunta: Seria verdade que Cristo era capaz de expulsar os demónios?



Os demónios são produzidos pela mente enferma e não têm existência intrínseca. Eles podem ser expulsos apenas por alguém proficiente nisso. O exorcista precisa ser capaz de dar ao paciente um substituto visível; daí que precise ser capaz de produzir fenómenos psíquicos à vontade. Jesus era um mestre do oculto, e conseguia produzir os fenómenos necessários para levar o paciente a ver que o demónio o abandonava e que passava a ocupar um outro organismo qualquer. Mas claro que depois precisam tratar a propensão que tenha levado a alma a produzir o fenómeno – geralmente o masoquismo, numa expressão extrema.



Pergunta: Terá Ele realmente sido concebido sem sexo? Ele sempre foi contra o sexo, mesmo contra os pensamentos desse cariz.



Mas claro que não. Jesus não era contra o sexo, mas a favor da moderação, e a prostituição não é moderação, nem mesmo quando envolve a prostituição no templo.



Pergunta: Então, que foi que deu errado? O sexo faz parte da experiência e possivelmente uma das partes mais importantes, e talvez a tenha negligenciado. Talvez no tempo de Jesus eles não a negligenciassem tanto. Talvez, se Ele se encontrasse entre nós hoje dissesse às pessoas para fazerem mais. Talvez no seu tempo as pessoas pensassem demais no sexo e nós no nosso dificilmente cheguemos a pensar nele.



A resposta assenta na qualidade, e no que vocês pensam, não na frequência. No tempo de Jesus na terra a maioria das ideias estavam associadas a ritos de fertilidade e a superstição, e representavam vórtices de energia negativa.



Pergunta: Eu li muita coisa acerca da crucificação mas nunca fui capaz de perceber a razão por que tenha ocorrido.



Ele representava uma ameaça para Caifás, que enriquecia às custas dos fundos do templo, e como representava um peão adequado ao dispor na pessoa do governador da Judeia, que era um covarde e que já se encontrava em apuros com Tibério em relação a outras coisas. A Alma Infinita não se importa nada com o corpo físico e quando foi percebido como as cartas tinham sido baralhadas, foi visto como uma forma conveniente de rapidamente satisfazer a profecia.



Pergunta: E com respeito ao sudário de Turim, que alegadamente constituía a mortalha em que o Cristo crucificado foi envolto?



Embora possa chegar como uma grande surpresa a todos quantos se acham presentes, essa peça de tecido não constituiu embuste algum devoto nem de nenhum outro tipo mas representa exactamente aquilo que pretende ser, a mortalha do homem a quem chamam Jesus. O que aqui não é compreendido é que o corpo envolto nessa mortalha de linho não se encontrava morto quando foi colocado na tumba, pelo que transpirou e urinou e sangrou, deixando desse modo a marca que tão claramente foi revelada pelas técnicas de laser. Os sais corporais são muito persistentes, conforme aqueles que já tentaram remover o sangue e a urina de peças de vestuário bem sabem.



Nós dissemos-lhes antes que o homem a quem chamam Jesus não morreu na cruz mas mais tarde. O corpo foi retirado da cruz num estado de transe profundo causado por um choque físico maciço. Lembrem-se que havia ainda uma tarefa a realizar e que não podia ser completada caso tivessem permitido que o corpo morresse na cruz. Claro que a alma tinha abandonado o corpo algum tempo antes para a manifestação da Alma Infinita. Esta, é capaz de adoptar qualquer forma que queira, e nesse caso, esse foi o corpo escolhido.



Devemos recordar-lhes igualmente que a catalepsia, embora desconhecida à época, era muito difícil de diagnosticar. É igualmente importante lembrar que aqueles que tentaram enterrar o homem Jesus precisavam fazê-lo rapidamente. O próprio linho sobreviveu por tanto tempo por terem sido muitos os que cuidaram bem dele. Na maior parte do tempo foi conservado em contentores selados onde a extrema aridez ajudou a preservá-lo, assim como as impressões deixadas no linho.



Para quantos indagam com respeito à altura e ao tamanho, tratava-se de um homem robusto e saudável, e não propriamente de um asceta delgado. Durante grande parte dos seus anos de vida apreciou a vida dura, e embora praticasse algumas austeridades, estas não se fizeram marcar nem incluíram a abstenção de boa comida. Ele foi casado, e embora não tivesse tido qualquer descendência ao tempo da manifestação da Alma Infinita, ele teve seis filhos.



Achamos que seja o que for que um exame do Sudário revele, terá pouco efeito na atitude da maioria dos grupos religiosos, embora um pouco de controvérsia possa conduzir a uma reapreciação e a um desenvolvimento para quantos desejem explorar as possibilidades. Já lhes dissemos muitas vezes que não exigimos aceitação nem crença.



Pergunta: (Acerca da intenção por detrás da manifestação da Alma Infinita. Muita gente supostamente terá abandonado o trabalho para O seguir para depois levar vidas inúteis. As implicações não são de desistirmos dessas coisas a menos que nos encontremos no caminho em vez de desistirmos e nos sentarmos à espera do “Dia do Juízo Final.”



Isso foi propagado por um indivíduo chamado João que teve uma série de pesadelos. Não era agradável ver alguém que amam a morrer de uma forma particularmente horrível. Deu-se um terramoto e um eclipse parcial nesse dia – fenómenos completamente naturais, acreditem ou não. O que suscitou diversos maus sonhos num povo já susceptível e supersticioso.



Pergunta: Poderás dizer alguma coisa acerca do Mateus?



Ele era uma Alma Jovem relativamente perspicaz.



Pergunta: E acerca do Paulo? Onde se encontra Paulo agora?



O fragmento que foi Saul ainda não renasceu, mas nascerá em breve. Ele será uma Alma Antiga no quinto estágio desta vez e talvez dê ouvidos.



Pergunta: Ele caiu em contradição. A petição dele foi ridícula. Quando chegou a Roma dois anos e meio mais tarde ninguém sabia do que é que falava.



Ele cometeu muitos erros. É assim que aprendem.



Pergunta: Eu gostaria de obter mais informação acerca disso. Ando em busca de obter uma maneira prática de exercitar os ensinamentos de Cristo. Poderás indicar-me como fazê-lo?



Isso deveria ser evidente. Honestidade sem dolo; simplicidade sem pobreza da alma; amor sem expectativas materiais; esvaziamento de todas as considerações não essenciais na vida; os intermináveis ciclos de evolução com o plano físico como o mais cruel e o mais áspero. Essas são as coisas que são enfatizadas nos verdadeiros ensinamentos de Cristo.



Pergunta: E em relação à oração? Há montes de evidências de que opera e de que tem vindo a resultar há milhares de anos. Qual será a força que tem por detrás?



As orações, claro está, nada mais são que as petições da personalidade para que a essência venha em seu socorro. Algumas procedem do Centro Emocional, mas a oração organizada, tal como a difundida por Roma, é puramente intelectual, e bastante entediante, por sinal. A religião organizada constitui uma estrutura social e não tem lugar no esquema cósmico. Apenas a prática do caminho diversificado conduz a alma al fim da linha, no plano físico.



O ritual constitui um jogo aprazível que os fragmentos experimentam no plano físico e não vemos qualquer prejuízo enquanto tal. É um meio tão bom quanto outro qualquer de promover uma elevação colectiva, mas mais nada. Por favor, acreditem em nós quando lhes dizemos que não existe ninguém “Lá fora” quando finalmente abandonam este plano, que lhes pergunte se foram seguidores da doutrina Episcopal.



O essencial do Cristianismo teve as suas raízes claro está, numa manifestação da Alma Infinita, mas, à semelhança de muitas burocracias foi perpetuado por Jovens Sacerdotes no Modo da Paixão, no extremo do seu zelo, dispostos a lançar as próprias tendências no material. A Cristianismo de hoje apresente muito pouca semelhança com os ensinamentos do homem Jesus ou com o Logos proporcionado pela Alma Infinita. Precisam recordar que o Velho Rei que era o homem Jesus cedeu o seu corpo físico à Alma Infinita apenas durante os últimos trinta dias da sua existência. Antes disso, o ensinamento era de um ser transcendente e iluminado que era um Velho Rei do sétimo nível. Também gostaríamos de lhes recordar que muita da cronologia relativa aos eventos da vida desse homem se acha confusa, distorcida, e em alguns casos, completamente ficcional. Também sugeriríamos que tenham isso em mente sempre que fizerem um estudo dos seus ensinamentos. Para aqueles que optarem por ver a religião como uma adaptação dos ensinamentos e da filosofia à cultura, à muito mérito a ser "descoberto" e muito discernimento a obter.



O Judaísmo teve as suas raízes no aspecto prático e teve, conforme a história ensina, homens que deram saltos evolucionários antes dos seus vizinhos em termos de conhecimento, em particular da higiene, da nutrição, e da saúde mental. Originalmente foi um culto de médicos-curandeiros que perceberam que uma sociedade supersticiosa poderia ser forçada a mudar apenas pela introdução do "temor a Deus." Esse temor achava-se tão profundamente incutido que a população temia mesmo mencionar o nome desse Deus irado, associado à chuva e aos rios purificadores que assolavam os seus hábitos pessoais atrozes. Deu-se uma praga devastadora mesmo antes dos curandeiros iluminados surgirem, e o conselho com base no bom senso que deram foi aceite como uma revelação quando se tornou óbvio que tais ensinamentos salvavam vidas.



Pergunta: E acerca dos profetas? Como se enquadram eles?



Depende dos profetas a que te referes. Muitos eram críticos sociopolíticos que optaram pela estrutura do poder teocrático para propagarem as suas doutrinas. precisam perceber que muito do que lhes chegou a vós não é exacto, quer no registo das verdadeiras palavras do profeta ou mesmo na revelação daquilo a que esse profeta se referia.



Neemias, por exemplo, criticava certos sacerdotes hipócritas que usavam a sua posição para enriquecer e às suas famílias por intermédio da associação com a sede do governo, que também representava a estrutura religiosa mais significativa. Jeremias era um Jovem Sábio no Modo da Paixão e dotado do Objectivo da Rejeição e o Defeito da Teimosia, e que, quando tocava num assunto, aderia a ele com toda a força. Salomão era uma Velha Alma inteligente e reflectida que tinha o Objectivo do Crescimento, e que estava disposto a tomar mais sobre si próprio do que muitos antes teriam estado. Os Salmos, cuja proveniência veio de muitas fontes, constituíam principalmente canções populares destinadas a auxiliar as massas iletradas a compreender a natureza do ensinamento no templo. Tal como existia a tradição de entoar as palavras religiosas para as tornar especiais, também isso transitava à vida do dia-a-dia. Os Provérbios constituem simplesmente uma colecção de ditos remendados em secções.



Para apreciarem o completo alcance do pensamento nos ensinamentos Judaicos, diríamos ser necessário ler toda a literatura, incluindo os livros, as pregações, e os testamentos que habitualmente são excluídos dos textos, do mesmo modo que um Cristão deveria ler os Apócrifos, os Evangelhos, e as Epístolas geralmente apagadas da Bíblia. Diríamos que o estudo mais válido para o crescimento no ensinamento Judaico são os livros de Job e o Eclesiastes. Esses livros são os que se aproximam mais do verdadeiro ensino do que muitos dos outros. Gostaríamos de indicar que uns quantos dos profetas - Isaías, por exemplo - tinham certas capacidades psíquicas, e embora as previsões que tais homens fizeram tenham sido alteradas por conveniência da teocracia e ajustadas a eventos posteriores, ainda assim os dons desses indivíduos eram autênticos, e eles achavam-se mesmo no caminho.



Pergunta: Porque destacar esses dois?



Por cada um revelar algo da natureza da busca. O livro de Job constitui um caso de crescimento espiritual e da manifestação da essência por intermédio do estresse que resulta numa aceleração. O arrependimento no final não é válido. Não é Deus quem fala a Job a partir de um redemoinho, mas a sua essência, que se acha a par de tudo. O próprio reconhecimento que obteve de fazer parte de algo mais vasto constitui o reconhecimento que é feito, de uma ou outra forma,  por toda a Alma Antiga.



O Eclesiastes tem largamente que ver com o contraste entre fala personalidade e a essência, expressado em termos que podiam ser aceites por um povo rigidamente religioso. O Islão, claro está, tem as suas raízes na manifestação da Alma Transcendental que tem um propósito específico na efectuação de uma massiva convulsão social tal como a Alma Infinita efectua uma mudança espiritual. O homem Maomé definitivamente realizou muito no sentido do desenvolvimento de um código ético, um dos melhores desde o Código de Hamurabi. Devido à estrutura social, aquilo que constituía um código tornou-se num dogma religioso, coisa que jamais pretendeu ser. Se examinarem os ensinamentos do Corão a esta luz, verão que muito do que contém foi válido e meritório. A distorção dos ensinamentos destinados a acomodar as exigências religiosas da multidão não resultou tanto na má interpretação quanto no uso incorrecto do ensinamento.



Pergunta: Qual será o significado da peregrinação a Meca?



O de unicamente ser benéfico para a sociedade se os seus membros se juntarem em suficiente número para discutir o seu funcionamento de modo a que o progresso possa ser mantido. Recordamos-lhes que Maomé tinha ajuntamentos dessa natureza, embora na altura não se achassem muitos envolvidos.



Pergunta: Porque é a atitude Islâmica com relação à mulher tão repressiva?



A maioria dos movimentos religiosos promovidos pelas Almas Jovens são repressivos com respeito a alguém. Há muito que as mulheres constituem um alvo de tal repressão. As estruturas Islâmicas baseavam-se em códigos anteriores assim como a provisão que o Maomé tentou estabelecer para as viúvas de modo a que elas não fossem abandonadas à prostitui oume﷽﷽﷽﷽﷽bandonadas s nstabelecerum alvo de tal repressas Jovensa ser mantido. Recodamos-lhes que Mohamed fazia ajuntamentos deção nem à fome. infelizmente isso foi aproveitado como permissão para abusarem e para isolarem as mulheres por uma questão de conveniência masculina. Podem constatar a mesma evolução na Grécia antiga. Existiu igualmente uma preocupação com as famílias numerosas devido a uma assombrosa mortalidade infantil, ao tornarem as mulheres válidas apenas em função da capacidade que têm em dar à luz a mais machos, as sociedade em questão revela um terror pela intimidade que tem continuidade nos paradigmas "machistas" até aos dias de hoje.



A seita do Hinduísmo teve início por altura da manifestação da Alma Infinita através de Sri Krishna. É uma seita antiga que reteve muita da sua sabedoria original até à intrusão estrangeira, altura em que se tornou diluída e corrompida pela dúvida e pelo enfeite. Uma coisa que diremos em defesa do Hinduísmo é que retém o Logos em relação aos ciclos de vida da alma, conquanto possam apresentar-se distorcidos e ornados no presente. O sistema destrutivo e restritivo de castas teve o seu início na natureza das Funções da Essência, só que em vez de encorajarem a manifestação efectiva da essência, passaram a haver códigos arbitrários determinados por linhas de hereditariedade, que aprisionaram toda a sociedade numa estrutura rígida negativa. A maior distorção aqui assenta no equívoco de que as crianças possuem a mesma essência que os pais, o que obviamente constitui um absurdo. Observem os Traços Principais e verão que isso raramente constitui o caso. Isso representa uma distorção inventada em função da conveniência da ordem Brâmane para fortalecer o seu poder.



Dissemos-lhes antes que os animais possuem almas de colmeia e que os seres sencientes possuem almas fragmentadas dotadas da faculdade de evolução e de mudança. Se recordarem isso, entenderão.



Comentário: Isso pode não soar popular para muita gente.



Não estamos num torneio de popularidade.



Pergunta: E que dizer do imenso número de deuses e de deusas que têm existência na teologia Hindu?



Isso são personificações das forças naturais, em grande parte, embora algumas constituam expressões da essência e das Características Principais. É quase impossível identificar tal função agora, excepto a expressão das polaridades que se plasmaram em Shiva e Kali, embora mesmo nesses dois a natureza das Características Principais foi misturada com as forças naturais.



Comentário: Parece que o Michael aprecia o Hinduísmo.



Nós não apreciamos nem deixamos de apreciar. Somos incapazes de tais emoções. Estendemos o ensinamento. Vós podeis ou não dar ouvidos. Deixamos o juízo a vosso cargo.



Os começos do Taoismo ocorreram por altura da manifestação  da Alma infinita através de Lao Tzu, que podem levar na conta de um título em vez de um nome. O Taoismo na sua actual forma constitui o exemplo menos diluído da Palavra (Logos) existente. Devido à sua simplicidade, torna-se por vezes difícil de compreender, por a maioria dos estudantes preferirem a complexidade e as complicações a essa simplicidade.



Pergunta: porque será o Taoismo tão pouco diluído?



Primordialmente por ausência de uma intrusão estrangeira. Além disso, diríamos que, como  a maioria dos estudantes acham a simplicidade desconcertante, foi-lhe impressa muito pouca ornamentação. Precisam recordar que o Taoismo é em grande parte livre da personificação e por isso mesmo proporciona ao estudante uma percepção despojada da Palavra.



Pergunta: O Michael aconselharia o estudo do Tao Te Ching?



Decerto que constitui uma fonte digna.



Confúcio manifestou-se durante um período em que a mudança social se afigurava inevitável. Os escritos de Kung Fu-Tzu (Confúcio) contêm uma mensagem acertada que fala por meio da analogia e contém um conselho muito pratico dotado de uma natureza ética e social para os Intelectuais e Guerreiros, mas pouca validade para os demais. (Os sete Papéis ou funções da Essência são: Servidores, Sacerdotes, Sábios, Reis, Artesãos, Guerreiros e os Eruditos ou Intelectuais) Aquilo que resta do ensinamento nos dias de hoje é uma forma bastante diluída. Uma vez mais, torna-se conveniente para os poderes sociais tirar proveito da doutrina da responsabilidade para com os vossos antepassados avós como uma forma de deter poder sobre a descendência e de estabelecer uma estrutura social rígida. Claro está que o ensinamento de Confúcio na verdade não representa uma religião mas um código social de conduta e uma codificação de uma conduta "adequada" e "sábia."



Pergunta: E que dizer do I-Ching? Procede tanto to Taoismo quanto do Confucionismo.



Constitui um outro acessório, tal como as cartas do Tarot, a bola de cristal, ou, para o efeito, a prancheta do Ouija. É um método através do qual a vossa falsa personalidade é deixada de lado de modo a poder efectuar-se um diálogo interior com a essência. De facto constitui não um diálogo mas um monólogo. Nós não desdenhamos desses acessórios, embora desejemos apontar que muito do que tem lugar no I-Ching não é particularmente adequado à cultura ocidental do século vinte.



O Budismo teve início por altura da manifestação da Alma infinita por intermédio do Sidarta Gautama, e, junto com os ensinamentos de Lao Tzu , constitui a menos diluída e menos distorcida das abordagens à Palavra. Alguns dos monges Budistas são exactamente aquilo que dizem ser - por possuírem uma recordação clara de todas as suas vidas passadas, lhes reconhecerem todos os segmentos, admitirem os Acordos e associaçôes, e reconhecerem os seus companheiros de Essência. Outros professam esse conhecimento e não o têm. Não há jeito fácil de diferenciar uns dos outros excepto recordando que aqueles que são verdadeiramente iluminados raramente fazem propaganda do facto.



O Zoroastrismo teve a sua manifestação inicial na Alma Transcendental, só que o ensinamento perdeu-se na sua maior parte, podemos quase dizer, nas batalhas, por essa manifestação ter ocorrido numa nação agressiva e Guerreira e ter sido perpetuada por soldados. Com isso em mente, se lerem as primeiras narrativas poderão discernir uma semelhança entre as palavras de Zoroastro e as de Lao Tzu, Sidarta Gautama, e todos os outros cujas almas foram "deslocadas" pelas Almas Transcendental e Infinita.



Pergunta: Sabemos que o Michael não experimenta o tempo da mesma maneira que nós, mas metaforicamente, de que forma “passa o dia?”

Sim, é válido compreender que não experimentamos o tempo da maneira que vós experimentais, e que como não nos encontramos no plano físico, o conceito de “dia” soa ridículo. Contudo, à nossa maneira distribuímos o que percebemos como tempo por entre diversos aspectos da nossa evolução.. Nos termos do que haveriam de definir como nosso “dia”, despendemos um terço dele em unidade, caracterizada pela comparação todas as experiências prévias e as actuais indagações e estabelecemos uma avaliação perceptiva àqueles estudantes capazes de alcançar uma presença astral validada. A seguir devotamos uma parte do “tempo” aos nossos próprios estudos, cujo objectivo é o de facultar uma evolução rumo ao plano Akashico, tal como vocês progridem rumo ao astral. As percepções que temos da totalidade da experiência característica da alma é tal que percebemos todas as espécies dotadas de alma existentes no plano físico como potenciais me busca de conhecimento da própria evolução e de validação da sua própria passagem através das muitas vidas. Repartimos uma porção de “tempo” ao “retiro” a fim de integrarmos a nossa capacidade de ensinar com a percepção que temos da evolução, e onde a verdadeira intimidade e progresso tiverem ocorrido, percebemos as nossas próprias validações que nos fornecem acesso à percepção que temos do plano Akáshico e do plano Búdico, os quais são intrínsecos à nossa evolução e à evolução de todas as entidades reunidas, quer se trate de nós ou eventualmente de todos vós, percorrer essas percepções e validações até ao âmago do que chamariam de total intimidade, a qual constitui a natureza do plano Búdico – que constitui o último passo antes de entrarmos e retornarmos ao Tao, que representa a séde última do perfeito amor para vós ou para qualquer outra espécie dotada de alma nesta ou noutra galáxia definido pela natureza e pelos limites do plano físico.

Nos termos da validade da evolução, teríamos que dizer que nas áreas em que o reconhecimento da forma validada tiver sido alcançado, percebemos uma vasta gama de expressão para aqueles fragmentos dotados de alma neste plano físico, e que tenham percebido a eficácia da validação individual da experiência em relação a qualquer e a todos os fragmentos actualmente no plano físico – o que vale dizer, que todos os fragmentos são tão “reais” e tão importantes e tão “completos” quanto todos os outros fragmentos. Em relação e em sobreposição à evolução pessoal conforme experimentada no plano físico e à expressão individual de Traços da Personalidade Maduros e Velhos sobre o plano físico, digamos aqui que percebemos a convocação das Essências que desejam o crescimento não só no âmbito das disciplinas ligadas à validação do crescimento do plano físico como ao reconhecimento do crescimento no plano físico e de outros planos que revelam a todos quantos aqui estão presentes assim como a todos quantos busquem a experiência da validação da expansão da consciência e da revelação pessoal no plano físico. Precisaríamos dizer que aqueles fragmentos que validam as transições do ciclo da alma Madura, também validam as transições e manifestações da Alma Transcendental.

Aqueles fragmentos que validam as transições do ciclo da Alma Velha, também validam as transições e manifestações da Alma Infinita. As transições e as percepções podem proporcionar crescimento para todos os fragmentos no âmbito dos parâmetros do plano físico conforme actualmente é definido, e conduzem à evolução, quer do plano físico para o astral ou para o nível seguinte e ciclo do plano físico para as Almas Velhas. Aquelas almas Velhas aqui existentes não estão erradas ao avaliarem as percepções que têm da manifestação das “realidades” do plano astral no plano físico ao seu redor, por todas as almas Maduras e Velhas terem oportunidades de contactos astrais, caso optem por recorrer a eles.

Todos os planos da existência se acham interligados. Cada um dos níveis dos ciclos no plano físico se acham relacionados a ciclos experimentados nos planos mais elevados. À medida que as percepções e transições daqueles que se encontram encarnados no plano físico são validados, também a validação de um outro tipo se torna acessível a nós e a todos os fragmentos que evoluem rumo ao Tao.

Pergunta: Que tipo de actividade poderão as pessoas neste mundo empreender para evitar a guerra nuclear?

O contacto da essência, em primeiro lugar: precisaríamos dizer que qualquer verdadeira intimidade, não obstante o quão fugaz possa ser, tenderá a reduzir o desejo de fazer “oposição” ao “lodo radioactivo.” Contudo, há efectivamente quem que percebem a verdadeira intimidade como a derradeira invasão e cuja reacção pode ser extremada. O que não quer dizer que a intimidade não tenha qualquer utilidade ou que tudo não tenha “remédio.” O estabelecimento de uma atitude “carinhosa” e “positiva” para com todos os fragmentos independentemente do quão repugnantes possam ser é, de facto, em geral mais benéfico para quantos optem por isso do que é percebido como os grupos de acção política dotados do objectivo definido de deter o “fim do mundo.” Aquelas organizações de qualquer faixa que estejam baseadas no cenário do desastre estão por definição a actuar a partir dos polos negativos dos Traços da Personalidade, não obstante o quão “nobres” possam ser as intenções. Enquanto cada um de vós é livre para expressar as suas opiniões acerca disto ou sobre qualquer outra coisa da forma que queiram, a opção de apoiar a perspectiva negativa pode ter repercussões contrárias às vossas intenções.





RECONHECIMENTO E VALIDAÇÃO



Caso este ensinamento deva ter qualquer relevância directa na vidas dos fragmentos individuais, será por intermédio do reconhecimento e da validação que as lições serão percebidas. O reconhecimento, claro está, constitui a cristalização do discernimento intuitivo que traz a um foco agudo as várias impressões que fazem parte desse discernimento . Tal reconhecimento pode ser tão reduzido quanto uma fugaz ou efémera conscientização de que, por exemplo, o telhado da catedral de São Paulo em Londres costumava ser diferente. A validação sucede quando através da exploração - a simples pesquisa, neste caso -  que revela que a impressão ou reconhecimento era exacto. Nos termos do exemplo proposto, o telhado da catedral de São Paulo foi destruído no Grande Incêndio de Londres no ano de 1666 do tempo comum, e que foi reconstruído, juntamente com uma boa porção da cidade, nos anos que se seguiram. De uma tal experiência dessas seria razoável presumir que a última vida gasta nessa parte de Londres tenha terminado antes do Grande Incêndio.



De importância primária no reconhecimento está o verdadeiro percebimento em comparação com o que chamaríamos de esperança vã. A maioria dos fragmentos tende primeiro a cobrir o processo de reconhecimento e de validação num esplendor rosado e romântico que tem tanto de enganador quanto de fascinante, e usamos ambos os termos no sentido literal. Isso desacelera o verdadeiro reconhecimento e torna a validação num quase desapontamento, de início.



Alguns dos nossos estudantes descreveram o reconhecimento de uma sensação de "onde é que estávamos antes de sermos tão rudemente interrompidos?," uma sensação de já conhecerem o outro fragmento - o que, claro está, é válido até determinado ponto - e estão meramente a retomar em vez de iniciarem um relacionamento. Isso representa um Bom Trabalho e uma começo do progresso rumo à validação. Essa sensação de estrem com um velho amigo geralmente indica algum tipo de ligação, mesmo que não envolva mais do que uma atracção por um tipo corporal ou por Traços da Personalidade altamente compatíveis. Todos esses factores desempenham um papel na validação. Há outros fragmentos que utilizam o suposto reconhecimento a fim de bloquear a validação em vez de o fomentarem. Preferem permanecer no passado do que lidar com o presente, desse modo gastando tempo a tentar identificar o que tenha ocorrido antes em vez de lidarem com o que estiver a ocorrer no momento. Essa é uma cilada muito sedutora e, claro está, o trabalho subtil  dos Traços da Personalidade e do medo.



(NT: Os Traços da Personalidade são compostos dos seguintes componentes: Objectivo, Modo, Atitude, Centro e a Característica Principal.)



Tentador quanto possa ser, contudo tentar recordar quão grandioso o tempo que tenham tido antes, deixem que recomendemos que voltar a atenção para o tempo grandioso nesta vida é um Bom Trabalho e que a validação que resulta pode ser muito gratificante assim como útil na superação na presa que o Traço da Personalidade exerce sobre a personalidade. Recordamos-lhes que aquilo a que chamamos Bom Trabalho é algo que contribui para a conclusão da Tarefa de Vida.



Devido a que vós, enquanto fragmentos vos acheis encarnados em diferentes corpos, o processo de validação pode chegar a ser árduo. Pensamos que aqueles de vós que o tenham tentado estejam cientes de existirem muitas distorções que podem e que com efeito penetram as percepções. Por exemplo, um certo fragmento deste grupo teve ocasião de conhecer um colega num campo relacionado com o dele. Ele sentia-se um tanto familiarizado com o trabalho deste fragmento, e para se antecipar, muniu-se com os Traços da Personalidade e uma revisão básica do que esse fragmento tinha alcançado em anos recentes. O encontro correu bem e desenvolveu-se uma amizade um tanto inusitada. Por curiosidade, o fragmento do grupo deu prosseguimento à questão, em especial após ter tido um sonho em que viu o outro fragmento como um oficial Nazi que ferrava a própria língua. Dado que o fragmento não tinha sido Nazi na sua juventude, o nosso estudante presumiu que tinha tropeçado em algo do passado, e questionou-nos acerca do que deveria fazer de tal sonho, ou se deveria ignorá-lo. Como ela optou por fazer perguntas acerca do sonho, ficamos habilitados a indicar-lhe que ela tinha percebido o passado em termos daquilo que lhe era dado conhecer nesta vida.



A imagem do regime Nazi reflectia a noção e as experiências da vida passada em que este fragmento que é nosso estudante foi um oficial numa corte real altamente restritiva e limitativa, que era forte aliada dos elementos mais repressivos da Igreja e que como al reflectia as políticas rigorosas do clérigo. Tal reconhecimento foi expressado por imagens que eram compreensíveis e familiares, mas poderia ter sido pensado não ter qualquer influência directa na natureza da origem da amizade, caso o nosso estudante não tivesse decidido dar prosseguimento à questão e determinar se efectivamente tinha experimentado uma vida assim.



Após ter tido conhecimento de que esse homem tinha sido um censor oficial nessa vida anterior, a razão por que o viu a ferrar a própria língua tornou-se clara. O contacto passado foi-lhe validado e revelou-lhe muito acerca da natureza da amizade de que continuava a desfrutar com esse fragmento. Esse não é o único modo de perceber o passado, mas de longe um dos mais fáceis. Os sonhos dão acesso a muitas experiências e podem ser usados na compreensão de desenvolvimentos actuais assim com ressonâncias oriundas do passado



SONHOS



É claro que os sonhos são muitas vezes formulados por eventos e personagens simbólicos, mas se uma cuidadosa atenção for dispensada ao que é sonhado, então a diferenciação tornar-se-á possível, e daí, muito poderá ser cultivado e desenvolvido. Desviemo-nos a ponto de examinarmos os sonhos no geral. Os sonhos descrevem muitas ocorrências que têm lugar na sua maior parte durante o sono. O termo “sonho” é utilizado na descrição de muitos acontecimentos e experiências, mas nem todas elas constituem uma mesma coisa, independentemente da forma como são percebidos. Estamos cientes de que uma grande quantidade de almas antigas viajam pelo astral bastante enquanto “sonham” e aquilo que presumem ser a imagem de um amigo num sonho pode de facto ser a visita de um amigo via viagem astral e projecção astral.



Passemos a fornecer-lhes um exemplo da forma como tais sonhos funcionam. Um fragmento “sonha” com a visita a casa de um amigo que se situa a considerável distância. Ele percebe o amigo quer em repouso quer em actividade, e toma nota do cenário. Ao acordar, o fragmento pensa no amigo e talvez sinta falta dele. Isso poderá levá-lo a optar por contactá-lo. O fragmento poderia de seguida testar a percepção astral ao indagar sobre o local em que o amigo vive. Essa é uma das mais fáceis formas de validação que há, mas nem sempre socialmente aceite. O contacto astral não é considerado socialmente aceite para a maioria dos fragmentos existentes no plano físico, que preferem pensar em tais eventos como “sonhos.”



Há contactos astrais que se dão entre fragmentos existentes do plano físico que são compostos inteiramente no plano astral, e embora tenhamos tocado nisso antes, iremos examiná-lo de novo.



Dois fragmentos, neste caso, Companheiros de Tarefa (Um Companheiro de Tarefa é outra alma com quem se faz equipa no início de um Grande Ciclo. Trabalham em conjunto com esse companheiro de tarefa, apoiam-se mutuamente nas tarefas da vida, que são complementares. Às vezes, as pessoas têm mais do que um companheiro de tarefa) que realmente não chegaram a encontrar-se cara-a-cara nesta vida, mantiveram um contacto astral durante a maior parte das suas vidas. Cada um passou pelo tipo de sonhar que descrevemos antes – esse da repetição consistente de imagens. O fragmento neste grupo obtém a imagem de um homem que coloca os adereços de um palhaço diante de um espelho quebrado. O outro fragmento obtém a imagem de um pedreiro a trabalhar num muro de um grande edifício. Conforme será provavelmente evidente, esses dois são um Filósofo e um Artesão, e tiveram diversas associações no passado.



O padrão do contacto é sempre o mesmo – apenas os assuntos discutidos se alteram, e geralmente são importantes em relação à Tarefa de Vida. Essa é uma forma de reconhecer esse tipo de contacto contínuo astral: os padrões e as imagens não sofrem alteração, mas a informação trocada sim. Muitas vezes a configuração é bastante limitado, e as circunstâncias privadas. Frequentemente esses padrões são estabelecidos muito cedo na vida e têm continuidade ao longo dos anos. Caso um dos fragmentos morra, o contacto poderá prolongar-se a partir do plano astral sem sofrer interrupção significativa.



Será de interesse notar que aqueles que desenvolvem uma capacidade de contacto deste tipo geralmente chegam a “distinguir” as características um do outro com bastante clareza e não é invulgar os fragmentos, após prolongados períodos de contacto astral, reconhecerem-se por meio das feições faciais quando o contacto é estabelecido no plano físico.



Sonhos de vidas passadas não são invulgares, embora geralmente não sejam bem entendidos. Já descrevemos um sonho em que a recordação sofreu uma distorção, mas alturas há em que a lembrança é clara e isenta de “adaptações.” Tais sonhos são muitas vezes marcadamente desagradáveis por amiúde a recordação mais clara de uma vida ou de vidas passadas prende-se com a partida. Por exemplo, o fragmento que actualmente é Emily (nome fictício) teve durante vários anos um pesadelo recorrente de um incêndio em que ela vê fragmentos a correr dos edifícios com as vestes em chamas, cabelo chamuscado e queimaduras terríveis na pele. O vestuário que ela percebe é antigo, e os edifícios não são do seu conhecimento. No desejo que teve por compreender o que terá sucedido ela iniciou uma pesquisa baseada em várias fontes acerca dos vários incêndios que se tornaram famosos na história. Essa recordação foi de um incêndio que se deu na cidade de Roma, no que chamam de primeiro século, quando vários “blocos” de habitações de “baixa renda” arderam até às bases, matando muitos de quantos ficaram aprisionados nos níveis abaixo do nível da rua, e causaram graves dificuldades a muitos dos que vivam nessa parte da cidade, que não distava muito do armazém da cidade.



De passagem, esse não é o incêndio mais conhecido que acometeu Roma, aquele atribuído a Nero, que destruiu uma porção mais vasta da cidade; trata-se de um incêndio anterior, do tempo do reinado de Cláudio. Esse sonho permaneceu com o fragmento que é actualmente a Emily, e é geralmente recordado quando as circunstâncias a levam a sentir não confiar nos ambientes circunvizinhos.



Um outro fragmento do nosso pequeno grupo tem um sonho recorrente de um homem atarracado, envergando uma armadura Bizantina de pé junto à janela e um edifício luxuoso. É noite, e o homem lê um documento que emite ordens. Ao ser um oficial honesto e fiel, vê comprometido com a execução dessas ordens, mas tem consciência de que as ordens são “erradas” e que aquilo que lhe está a ser exigido constitui grave erro e um que o assombrará toda a sua vida. Coisa que de facto aconteceu. A carreira do oficial, até essa altura muito promissora, foi depois disso decepcionante e insatisfatória. O oficial morreu uma década depois durante o combate. Esta vida foi aquela em que a importante Monada de Alma Madura inerente a um serviço honrado para com um senhor corrupto foi alcançada, e até hoje, quando os princípios elevados deste estudante lhe bloqueiam a percepção e o avanço, o “sonho” recorda-lhe aquilo que já aprendeu e contribui para a lição da vida actual.



Sonhos deste tipo não se acham sujeitos à intromissão de imagens nem se alteram em detalhe nenhum. O fragmento discutido no exemplo anterior acha-se ciente dos mais pequenos detalhes do ambiente do rico alojamento do oficial até ao movimento das cortinas de linho fino nas janelas e do odor que se propagava da rua em baixo. Esse é o tipo de detalhes que marca os sonhos recordação que não mudam de um exemplo para o seguinte. Tais sonhos sempre possuem um elevado nível de detalhes desses, assim como uma noção real do corpo ocupado durante essa vida. Por exemplo, se o corpo ocupado for coxo, o fragmento, num sonho de recordação, terá noção desse defeito como se fosse seu, e a “realidade” desse corpo, dessa vida, as Características Principais achar-se-ão bem presentes.



Sonhos que envolvam vectores convergentes são menos específicos mas habitualmente trazem à memória amigos do passado por configurações actuais, como preparativo para um contacto efectivo. Quando isso ocorre, não é incomum ocorrer uma “conversa” que recorde ao fragmento do iminente encontro e da natureza de tais vectores. Tais sonhos são habitualmente ignorados ou indeferidos por terem tão pouco que possa ser identificado pelas condições do “mundo real.”



Isto não quer dizer que os sonhos sempre revelem obrigatoriamente tal informação conforme indicamos. Muitos sonhos constituem as imagens da mente e falam uma linguagem curiosa e simbólica do tumulto que é experimentado por todos quantos se vêem sob os extortores de maya e que se vêem presos nos apuros desconcertantes da vida no plano físico. Não encorajaríamos ninguém a descartar as interpretações mais tradicionais dos ensinamentos psicológicos e místicos, mas enquanto essas disciplinas estejam a ser recordadas, os trabalhos do passado e da Essência não sejam esquecidos “por entre a confusão.” Se desejarem utilizar os vossos sonhos no desenvolvimento das vossas percepções, isso poderá ser feito com perseverança e prática e é a isso que chamamos sonhos formados. Muitos de vós fazem sonhos formados actualmente sem terem consciência do que esteja a ser realizado.



Tracemos algumas recomendações destinadas a orientar quantos de vós optem por explorar as vossas vidas dessa forma: Um sonho moldado não é eficaz em casos de sonhos de memória, em especial quando a recordação é traumática. É um tanto menos eficiente mas igualmente válida nos sonhos de detecção de vectores em que um maior sentido de percepção pode resultar do sonho moldado. Há diversas maneiras de formarem um sonho e iremos explicar-lhas. Primeiro, o sonho dirá respeito com a mudança de impressão de um evento traumático de uma vida passada, embora também funcione igualmente bem com os sonhos simbólicos. O que é necessário é identificar o que efectivamente tenha ocorrido o suficiente para apreciarem a influência que produz na vida actual. Com isso queremos dizer que, se um fragmento tiver tido um sonho perturbador que se repita acerca de algum “acontecimento terrível num lace de escadas” é de uso obter uma impressão o mais clara possível da localização dessas escadas, do porquê do fragmento aí se encontrar assim como do que tenha ocorrido. Então, tendo estabelecido tanto quanto possível e validado por si próprio por intermédio de um mestre ou da meditação, que o acontecimento esteja relacionado, o sonhos deve ser deliberadamente repetido, por vezes mais do que uma vez, com a deliberada decisão de alterar aquilo que sucede.



Presumindo que o sonho seja do lado negro, o fragmento precisa primeiro identificar a escada – por exemplo, uma escada numa taverna na Polónia grosso modo há duzentos anos, ou os degraus de uma escadaria numa pirâmide Maia, ou ainda os estreitos degraus de uma cidade Inca. Como o primeiro exemplo se aplica a um do nosso grupo, iremos focar-nos nele. O fragmento por essa altura era um servente na taverna e surpreendeu ladrões no processo de roubarem um dos convidados. Num esforço por deter os ladrões e alertar as pessoas na taverna, o servente foi descoberto pelos ladrões que o esfaquearam e atiraram o seu corpo escada abaixo.



Tendo percebido isso com clareza, o fragmento poderá então optar por aceitar a validade, mas agora regressa à taverna no sonho e desce a escada sem qualquer prejuízo. Conforme indicamos, isso ocasionalmente deverá ser repetido várias vezes a fim de afastar o fragmento do trauma e consagrar os acontecimentos dessa vida como eventos que de facto não dizem respeito a esta vida. Após repetidos regressos à taverna, o fragmento perceberá que a vida passada, conquanto válida, não tem lugar nesta vida. Uma tal diferenciação constitui um Bom Trabalho e faz muito para promover o crescimento do fragmento que tenta o sonho moldado.



Esse tipo de sonho moldado envolve um tipo de concentração que não é facilmente sustentado enquanto dorme, e muitas vezes envolve uma boa “prática” antes de finalmente apreender a técnica sem dificuldade. Não envolve “falhanço” algum, por a disciplina ser exigente, e as expectativas poderem e muitas vezes interferirem. O que se pretende com isso é a capacidade de abrir mão do passado, não modificá-lo, mas permitir que a compreensão dele ter terminado chegue a fruir. A ocasião em que os sonhos formados tendem a revelar-se mais difíceis de sustentar é durante o pico da idade, ou seja, quando o fragmento tiver alcançado a idade em que um trauma mais significativo tenha vitimado o fragmento numa vida passada em que seja significativo para a presente. O período que circunda um pico da idade – geralmente composto por um ano em qualquer das direcções - tende a sobrecarregar o processo do sonhar formado e a produzir uma percepção mais aguçada do trauma, em vez de uma diminuição.



O segundo modo de sonhar formado diz respeito com a detecção de vectores e o seu reconhecimento daqueles com que o indivíduo se acha em vectores. Isso não é tão facilmente conseguido porque, claro está, se acha ainda altamente sujeito a mudanças assentes na escolha e tais escolhas podem alterar os vectores mesmo instantes antes do contacto efectivo. Mesmo assim, esbocemos o mais eficaz tipo de sonho moldado no caso dos vectores. Com esta advertência: os vectores não são o produto de uma esperança vã do pensamento positivo nem do pavor – os vectores são um produto da escolha. Aqueles que tiverem o devaneio vago ou persistente ou fantasia de conhecer uma pessoa de notoriedade por causa da fama dessa pessoa, ou o desejo de um enorme reconhecimento ou concretização se amontoe na pessoa, em si ou nos outros, tal como esposos ou filhos, em quase todos os casos não são detecção de vectores. A formação do sonho não ganhará nada do fragmento que se achar presa da fantasia nem da criação de roteiros.



O sonhar formado será útil àqueles que se situem efectivamente nos vectores. Por isso não dizemos que o sonhar formado não deva ser tentado, mas prevenimo-los que se optarem por o fazer nessas circunstâncias, que exerçam um certo senso na sua aplicação. Quando moldam uma detecção de vector no sonhar, geralmente não é possível preverem a conclusão efectiva dos vectores, mas é possível visar aqueles com quem se encontrem em vectores. Eis um exemplo: Tu pressentiste que tinhas lugar em vectores com outros dois fragmentos, e tiveste uma impressão indefinida de que esses dois não se conhecem mutuamente. No sonho, não são verdadeiramente reconhecidas.



Primeiro moldem o sonho tentando ver os outros fragmentos ou fragmento. Isso nem sempre é possível, e ocasionalmente aquilo que é visto é a face que terão conhecido nos fragmentos da última vez que se encontraram no plano físico. Alguns dos nossos estudantes descreveram que a sensação de tais percepções como, “Eu não te reconheci nesse corpo.” É provável que um dos fragmentos seja mais facilmente “visto” do que o outro mas não é erróneo dirigirem-se a esse fragmento primeiro. Isso é feito no sonho pelo simples expediente de se encaminharem para o fragmento mais “visto” e se lhe apresentarem. Daí poderá resultar uma conversa, e é possível que saibam para onde pensa dirigir-se o fragmento, ou aquilo que planeia fazer. Nem sempre é possível ou particularmente aconselhável forçar mais especificidades quanto ao cruzamento iminente do vector por a exigência de demasiada informação poder limitar as percepções quanto à altura ou local em que o encontro real possa ter lugar.



Poderão determinar que esse fragmento venha a estar num evento desportivo particular a que possam planear comparecer. Mas a “partida ser adiada por causa da chuva” ou compram o lugar num lado oposto do estádio àquele em que o fragmento se senta. Sentam-se tão desapontados que decidem ficar por casa ou deixar de comparecer numa reunião das vizinhanças, e por conseguinte não estão no sítio para que os vectores se cruzem. Quando procurarem aprender acerca da convergência de vectores, torna-se útil conhecer a área geral em que seja provável que o encontro geográfico ocorra, e geralmente torna-se útil determinar em que contexto o encontro ocorrerá, mas sugeriríamos de novo que evitassem uma investigação demasiado rigorosa que os possa impedir de estabelecer – e ao outro fragmento, para o efeito – a ligação no plano físico.



Geralmente, aliás, torna-se mais fácil abordar o fragmento que venha a facilitar o encontro do que o fragmento com quem o encontro se ache planeado. Não seria válido presumir o fragmento com quem falam em primeiro lugar seja necessariamente o fragmento crucial no vector em que estejam interessados. Isso não difere do costume social do anfitrião apresentar os convidados.



Aqui cabe uma palavra acerca da programação. A programação constitui uma insuficiência comum dos fragmentos no plano físico, e uma das mais persistentes e insidiosas. Empregamos o termo “falhanço” de forma conveniente, dado que em geral essa é uma linguagem demasiado forte e judiciosa para os nossos propósitos, mas como a programação quase sempre torna o verdadeiro contacto impossível e reforça os Traços Principais ao mesmo tempo, não é termo demasiado forte para o efeito. Programação é o que queremos dizer quando um fragmento, ao antecipar um evento ou contacto, trata, mentalmente e com meticulosidade de detalhe, da forma como esse encontro deva processar-se. O fragmento concebe um diálogo para todas as partes implicadas, determina o que deve ter lugar, onde, como, assim como o resultado que venha a ter, e prepara-se para lidar com o evento precisamente desse modo. Então surge a ocasião, e para horror do fragmento que tenha programado, mais ninguém parece ter noção da sua deixa, ou da forma como a cena deve decorrer. O fragmento autor da programação fica confuso, irritado e assustado e recusa-se dar continuidade à interacção, por a programação ter tornado o improviso amplamente impossível, e o fragmento da programação fica “na corda bamba.” A possibilidade de reconhecimento e de validação perdeu-se e o Traço Principal sofreu uma maior retenção na personalidade através do reforço do medo subjacente.



Alguns fragmentos empregam uma variante disso, que não é tão negativa que, na antecipação do que poderá ser uma ocasião difícil, resolva com antecedência tudo quanto possa possivelmente ocorrer, todas as perguntas que possam ser colocadas, todas as situações que se possam apresentar, e decida quanto à forma de lidar com elas. Isso, conquanto devamos de novo emitir um alerta acerca de um contacto limitativo, constitui evidentemente um entrave menor do que a programação, e para muitos fragmentos, concede uma noção de capacidade de lidar com a dificuldade ou com as situações embaraçosas. Apenas sugeriremos que se o fragmento optar por se satisfazer nesse tipo de “jogo de guerra,” que o fragmento deliberadamente se esforce por engendrar os cenários antecipados de forma tão ampla e variada quanto possível, e com tantas variações quantas possa pôr-se a imaginar. Enquanto um cenário não for preferido a outro, será provável que o exercício não bloqueie demasiadas percepções.



A programação e os sonhos formados podem ter um aspecto recíproco infeliz que torne o rompimento do padrão mais difícil mesmo do que seria apenas no caso do sonho moldado ou da programação sozinhos. O sonhar formado caso seja utilizado correctamente, permite que o fragmento se prepare para certas mudanças e contactos. Se for usado para tornar as percepções mais limitadas, então derrotará o seu propósito. Um exemplo óbvio é o de alguém que sinta estar em vectores com outro, comece a estabelecer um contacto onírico astral com esse outro fragmento, e depois decida que venha a ser um grandioso romance e de imediato impregne todo o vector de um brilho rosado e a insistência de que existe uma atracção com base no tipo corporal. Quando o fragmento acaba por ser uma criança de dez anos que se ache em Acordo com este fragmento no sentido de obter instrução, poderão surgir problemas, e não é invulgar que o fragmento portador dos sonhos rosados abdique do Acordo por não ter satisfeito as expectativas infundadas, programadas.



Deixem que sugiramos que se um sonhar formado for feito com respeito à vectorização, o contacto real físico seja deixado para quando ocorrer no plano físico. Um dos nossos estudantes avançados utiliza sonhos de detecção de vectores muito bem, ao forçar o contacto durante o sonho sem o definir, aplicando de seguida à mesma acção ao outro fragmento no final de cada sonho moldado. Quando o contacto realmente ocorre no plano físico, este fragmento repete o acto, que de facto constitui uma espécie de onda amigável, uma onda que geralmente não é incomum ou “insociável” ou que seja considerada inadequada na maioria dos encontros, assim ajudando a auxiliar o encontro sem o tornar exagerado de forma que o outro fragmento rejeite todo o contacto. Este estudante tem-se dado muito bem com esta técnica, mas impressiona-nos que não constitua uma maneira adequada o uso desse tipo de sonho moldado.



Ao terceiro tipo de sonho moldado precisaríamos chamar colaborativo, um que geralmente é baseado num Acordo anterior que por uma razão qualquer não possa ser realizado directamente no plano físico. Esses ocorrem mais entre Almas Antigas e em circunstâncias especiais, como quando uma experiência passada é mobilizada na vida presente com o reconhecimento de ser passada. Em circunstâncias desse tipo, a ilusão da realidade no sonho é realmente muito forte.



Tal com um dos dois médiuns representados nesta redação pela figura de “Leslie Adams,” experimentou, os sonhos desse tipo têm uma grande influência na consciência de vigília e muito contribuem para reconciliar o fragmento com as situações difíceis que operem actualmente na vida. Este fragmento teve um Acordo com outro Fragmento da sua própria entidade – talvez devêssemos mencionar nesta conjuntura que um dos médiuns nessa identidade combinada é masculino, e o outro feminino – que teve alguma influência na vida anterior à última. O Acordo secundário com base no auxílio foi abdicado e o Acordo primário, juntamente com os fragmentos com quem o Acordo foi estabelecido, ficaram incompletos nessa vida pela morte do outro fragmento. Nesta vida, algum do sentido de perda manteve-se, conforme tinha permanecido na vida passada imediata, e foi apropriado para o trabalho em mãos para o fragmento que é actualmente “Leslie Adams,” para transcender os problemas dessa vida e dar continuidade à tarefa em mãos, razão porque esse fragmento tem o Objectivo do Crescimento nesta vida.



Dado que a geografia e as limitações monetárias tornaram o contacto directo difícil para esses dois fragmentos, e o fragmento com quem a Leslie Adams desejava contactar está ciente de que esta vida actual provavelmente não venha a ser tão longa, um sonho moldado foi acordado no contacto astral, e foi cumprido com uma boa memória de ambas as partes. Nessas circunstâncias a “Leslie” encontra o outro fragmento na rua da cidade em que então residia e em que a sua vida conjunta prévia fora vivida. O outro fragmento conduziu o fragmento que é actualmente “Leslie” num passeio pela cidade, acabando no lugar em que o fragmento que é actualmente “Leslie” tenha sido morto na vida anterior à última. O propósito dessa visita reconhecidamente desagradável para o fragmento que é agora “Leslie” foi o de fazer valer a passagem do tempo. Desta vez, o outro fragmento acompanhou-a pelos locais onde o término dessa vida tinha acontecido, com a constante advertência de que desta vez o fragmento que é agora “Leslie” não ficaria só. As ruas e outros locais foram percorridos, tudo sem incidentes, restringindo o tráfego moderno. O fragmento que é agora “Leslie” viu-se capaz de reconhecer e de validar o facto das experiências dessa vida passada não mais serem válidas nesta vida aquela em que se tinha tornado não era aquela que era. O fragmento que tomou parte com ela foi capaz de descarregar grande parte do Acordo por meio deste método bastante pouco ortodoxo e o fragmento que é actualmente “Leslie” foi capaz de fazer valer essas lições. Ao acordar, o fragmento que é actualmente a “Leslie” foi capaz de recordar a maior parte do sonho com nitidez de detalhes, e teve o bom senso de contactar um jornalista amigo para descobrir como tinha estado o tempo na cidade com que sonhara nos últimos três dias. Aquilo que conseguiu apurar foi que aquilo que tinha percebido era consistente com o que tinha visto. De especial interesse foi a informação de um engarrafamento de tráfego pior do que o habitual no local que ela tinha observado durante esse sonho moldado



Conforme já observamos, sonhos desse tipo são comparativamente raros e geralmente operam nos casos de Almas Antigas. Algumas das Almas Maduras passam por experiências semelhantes, mas mais frequentemente com o propósito de identificarem um fragmento do passado em vez de colocarem o passado para trás das costas. Se examinarem a natureza da Alma Madura, perceberão que esse é o caso o mais das vezes.



O sonhar constitui um grande instrumento para aqueles que se interessem por aumentar a autoconsciência, independentemente do Ciclo ou Nível em que vivam nesta altura, e para aqueles que optam por o fazer, sugeríamos que manter um registo dos sonhos constitui uma excelente maneira de darem início às percepções e validações que poderão ser alcançadas. Ao acordarem, é mais eficiente registar logo qualquer das impressões tão completamente quanto possível. Isso presta-se a vários propósitos. Estabelece o hábito da recordação. Torna possível uma menor possibilidade de interpretação antes de o registarem. E também capacita o fragmento a atender a isso antes das tarefas do dia se intrometerem na “consciência.”



Torna-se de facto possível aprender a diferença entre sonhos de contacto astral, sonhos de formação, sonhos de conteúdo simbólico, sonhos de lembranças, tanto desta vida como de outras, e sonhos de mensagens. Estes são o que a maioria daqueles que estuda a arte da psiquiatria entende quando embarca na compreensão dos sonhos, por serem as maneiras por que a personalidade envia percepções ao estado desperto. A maioria dessas percepções tem que ver com os equívocos e os mal-entendidos oriundos do passado, tanto do passado imediato como de vidas passadas, e presta-se a levar a personalidade a consciencializar-se de que tais sonhos possuem muito significado e validade quanto os sonhos de conteúdo mais arcano. Claro que, a maior parte do reconhecimento e da validação ocorre directamente no Plano Físico e de um modo frente-a-frente.



Aqueles que tiverem experimentado um tal reconhecimento terão noção de que os encontros nem sempre serão agradáveis, nem tão pouco resultam inevitavelmente numa rápida amizade ou num contacto duradouro. Renúncia ou rejeição de contacto não é invulgar, e gostaríamos de lhes salientar a todos que quando tais eventos se dão, não é um Bom Trabalho presumir que a completa validação constitua facto consumado. O reconhecimento não vem antes da validação, mas essa validação faz parte do processo de viver as ramificações do contacto e da percepção da função que esse contacto tem nesta vida, e tenha tido noutras. Claro está que o maior uso que tais contactos têm é na vida actual, e só por essa razão, recordar-lhes-íamos que a vida actual é a vida que possui a máxima importância para a Essência em qualquer altura. Permitam que apresentemos a sugestão de um exercício para aqueles que suspeitem terem encontrado alguém com quem tenham tido associações passadas.



Primeiro, não é imprudente interrogar-se, de facto, se esse fragmento lhes lembra alguém – os vossos avós, o vosso professor do primeiro ano, o vosso vizinho do primeiro andar, o garoto mais antipático do quinto ano, o primo do vosso melhor amigo do Ohio, a estrela de cinema por quem têm uma queda, o líder dos escuteiros, a chefe que claque mais gira, o carteiro, a secretária mais velha do escritório, a vossa pediatra – e identificai esse fragmento, se tal for o caso. Essa identificação também faz parte do reconhecimento e da validação, e constitui um Bom Trabalho. Se isso não mexer com nenhuma recordação desta vida, então considerai o passado. Ter noção do que não representa um contacto é tão válido quanto reconhecer o que é.



Em que contexto verão essa pessoa, caso seja muito diferente do que seja o contacto actual? Por exemplo, se o fragmento actualmente for bibliotecário, mas, inexplicavelmente lhes fizer lembrar navios à vela? Isso poderá ser uma indicação de associação passada. Neste caso, um sonho moldado do passado que lhes permite explorar o que tenha ocorrido e a influência que tenha tido no presente que não seja inadequada, apesar de tal sonho moldado não ser possível, a meditação poderá fazer muito para trazer tal validação à mente consciente. O que poderá ser diferente será discernir de que forma o vosso ser anterior terá interagido com o ser anterior desse fragmento. Lembrámos-lhes uma vez mais que a personalidade não prossegue de vida em vida, e que aqui lo que no presente poderão achar amistoso e fascinante, vós no passado podereis achar angustiante e hostil – e vice-versa, claro está – e que as percepções fazem parte do reconhecimento.



Apresentemos um exemplo. Um amigo de um dos estudantes neste pequeno grupo teve ocasião de conhecer um fragmento que suscitou muitas reacções inesperadas no amigo, que, em desespero, conversou sobre isso com o fragmento que é actualmente Brad, que por sua vez nos interrogou em nome do outro. O amigo nesta vida é um professor dotado de uma disposição activa e curiosa. O fragmento que ele conheceu era um guia, contractado no verão para ajudar numa “escavação” de ossos de animais extintos. O professor, que geralmente gosta dos guias, achou este fragmento perturbador, embora sem qualquer razão “sensata.” Ele começou a ter sonhos de circunstâncias opressivas e a ficar furioso com o suserano que lhe tinha exigido tal trabalho. Sentiu-se hostil e rebelde, duas emoções que geralmente não tinham lugar nesta sua vida, e ressentiu-se da presença deste fragmento. Também teve consciência de que as peças de vestuário que ele vestia e que eram usadas por aqueles que o rodeavam, eram peças de vestuário de dois ou três séculos anteriores e de que não apresentava nenhum sinal de quaisquer conveniências modernas. O transporte era feito a cavalo e bois e mulas, a comida de que dispunham era carne salgada e queijo, e a cerveja que bebiam era mais forte do que aquela com que o professor estava familiarizado.



Após o seu retorno da “escavação” ele admitiu ao fragmento que é actualmente o Brad que tinha tido uma experiência peculiar, e como estava ciente de que o fragmento que é agora o Brad “estava por dentro do oculto,” confidenciou-lhe os detalhes. O que tinha ocorrido, evidentemente, foi uma recordação de uma vida passada, quando o fragmento que é actualmente um professor vivia no que é actualmente conhecido por Alemanha durante aquilo a que chamam Guerra dos Trinta Anos. Esse fragmento foi obrigado a construir fortificações sob o comando de um líder dos mercenários que tinham sido contratados pelo senhor dos domínios regionais. O fragmento que é actualmente o guia foi o líder dos mercenários e foi um chefe severo. O fragmento que é agora o professor tinha sido um tintureiro nessa vida, e a missão de criar muros e fortificações, independentemente da causa que estivesse por trás disso, levou-o a perder o negócio, os rendimentos, e provocou muito ressentimento, uma vez que as crenças religiosas dele não eram compatíveis com as crenças religiosas predominantes dessa pequena cidadela. O tintureiro foi morto quando um dos penedos colocados na fortificação caiu e lhe quebrou o quadril e partiu três costelas.



Seria de surpreender que algum reconhecimento não desagradável nem aflitivo para o professor tivesse tido lugar, em especial desde que ele não “acredita” especificamente na reencarnação e nas vidas passadas. A informação só foi buscada quando todas as vias “ sensatas da investigação não renderam nada além de frustração.



Evidentemente, nem todos os sonhos têm influência nas suas vidas passadas. De facto, a maioria não tem. Mas aqueles que se destacam pela sua consistência, pela sua mundanidade, normalidade, e coerência. A maioria dos sonhos centram-se na “descompressão” dos acontecimentos diários, e apresentam toda a ordem de imagens destinadas a acomodar o processo de descompressão. Quanto mais estressante for a vida diária, mais “necessários” serão os sonhos, não só como um meio de libertação do estresse habitual, mas como um meio de atribuição de definição a todos os factores subsidiários que contribuem para o estresse. Tais sonhos acham-se pejados de símbolos – muitos dos quais são incompreensíveis no estado de vigília -- assim como estão repletos de “acontecimentos” surrealistas que se destinam a levar o fragmento a enfrentar a causa do estresse. Mas desejamos recordar-lhes que nem todo o estresse é negativo. A quebra de ocorrências positivas significativas produz tanto estresse quanto a maioria das negativas. Até mesmo os pesadelos, que geralmente comportam um componente dos Traços Principais, servem para libertar estresse ao fornecerem ao fragmento uma fonte “conhecida” de aflição a ser empregue como um “respiradouro” para medos agravados. A única excepção a isso será um sonho de uma vida passada que seja não só articulado, mas igualmente horrendo.



Não é invulgar os fragmentos resistirem ao reconhecimento, ou, uma vez feito, que o neguem. O reconhecimento constitui uma coisa aterradora, e muitos fragmentos não têm qualquer conceito sobre como lidar com ele quando ele ocorre e por isso preferem não fazer nada ou ignorá-lo. Não há nada de “errado” nisso. Enfatizemo-lo uma vez mais. Negar ou resistir ao reconhecimento não é “incorrecto.” Contudo, acrescentaríamos que geralmente envolve o caso do medo a levar a melhor sobre o amor, assim como o bloqueio de insights, intuições. Seja como for, todas as reacções ou ausência de reacção constituem escolhas, e a escolha, mais as ramificações da escolha, conforme já dissemos muitas vezes, representa o propósito da vida inculcada pela alma no plano físico.



Oas reconhecimentos são mais facilmente sustentados quando as recordações são agradáveis, o contacto actual envolve um estresse mínimo e os fragmentos são capazes de ser postos cara-a-cara na maior parte do tempo. O reconhecimento pela remoção da distância ou dos limites emocionais é possível, só que menos completo e mais difícil de validar. O que não quer dizer que o reconhecimento não possa ser conseguido por uma troca de cartas ou por uma série de telefonemas, mas é provável que não seja tão validado quanto o contacto visual. Conforme muitos de vós sabeis, a evasão ao contacto visual geralmente constitui indicador de uma recusa de contacto por outras vias. Muitas Almas Amadurecidas acham o contacto visual difícil quando subjaz pouca compreensão ou confiança. Outros acham-se inclinados a supor que um contacto visual prolongado represente um convite ou uma invasão.



Com respeito a um reconhecimento e a uma validação com um fragmento com quem tenham queimado carma, teríamos que dizer que tal reconhecimento e validação constituem algo que é muito “útil,” por permitir igualmente um reconhecimento e validação em relação ao cumnprimento do laço cármico. Quando esse contacto ocorre, dá-se geralmente uma sensação de “alívio” da parte de um ou de ambos os fragmentos, e ocasionalmente, uma sensação de realização também. Ao reconhecerem e validarem que o carma ficou “de facto” para trás, os fragmentos envolvidos podem produzir um vínculo “duradouro” que pode resultar gratificante para os fragmentos envolvidos.



Por esta ser uma nação tipo Alma Jovem e ter lugar num mundo do mesmo tipo (Alma Jovem) a resistência quanto à validação do contacto é muito forte. Isso não indica que o contacto não seja possível, apenas a existência de maiores pressões sociais a superar do que se fosse o caso de um mundo em fase avançada do tipo Alma Antiga. Em tais situações ou locais, o contacto visual ou o seu equivalente são não só socialmente correctos como a coisa “natural” a fazer. Em mundos em que predominem Almas Infantis é comum imperar muitas restrições sociais contra o contacto de qualquer tipo, nem é invulgar que esses mundos tenham complexos códigos de conduta e de cortesia que mantenha toda a gente a uma distância “razoável.”



Não queremos com isto dizer que aqueles que se sintam confortáveis com um maior contacto sejam necessariamente almas mais velhas, mas para indicar que num ambiente social em que uma conduta apropriada exija um determinado comportamento, aqueles que não se comportarem desse modo poor uma questão de inclinação geral é provável que reflictam os padrões familiares recompensados pelas suas instituições educacionais. Para pegarmos num óbvios mas digno exemplo, uma Alma Madura proveniente de uma família Italiana que tenha sido educada numa daquelas Faculdades do grupo da “Liga Ivy” provavelmente exibirá alguns padrões inusuais de comportamento que diferirão em determinado grau daqueles que os rodeiam em qualquer ambiente especial. Muitas dessas influências distorcem a Essência e dos Factores da Energia (outros aspectos da energia), em particular caso o fragmento se ache inclinado a assumir a coloração do seu ambiente – através de coisas como o modo a Paixão (que se inscreve como um dos Modos) ou do Objectivo da Aceitação ou da Submissão.



Aquilo que temos vindo a descrever em parte é, evidentemente, aquilo a que chamamos de falsa personalidade – a pessoa que foram ensinadas a ser em vez do que a Essência tenha escolhido ser através dessas expressões ou Factores da Energia. Com tanto entrave ao reconhecimento e à validação, não se torna invulgar que o fragmento evite tais intuições ao longo da vida, ou que os adie até uma altura posterior à Quarta Mónada Interna, quando os Factores da Energia enfrentarem a falsa personalidade. A Quarta Mónada Interna reconhece o Ícone Familiar – ou seja a pessoa que o fragmento foi criada para ser – exactamente como tal, uma imagem sagrada, e uma imagem que pode não se enquadrar por forma significativa nenhuma com a vida que os Factores da Energia suportam.



Indicamos muito disto a fim de demonstrarmos que muito do que é percebido pode ser enganador, e que reforça a resistência ao reconhecimento e à validação. Com estas observações não temos o propósito de os desencorajar mas apontar unicamente onde dificuldades podem surgir e interferir com o que é buscado. O reconhecimento constitui um bom avanço, uma afirmação dos polos positivos dos Factores da Energia e por meio dele muita percepção de desenvolvimento é possível. Claro que o crescimento ocorrerá em qualquer dos casos, mas com o reconhecimento e a validação o desenvolvimento tende a ser mais célere e menos aterrador.



Permitam que também salientemos que nem todos quantos conhecem nem aqueles a quem reajam devam necessariamente ser alguém do passado. Há muitas razões para uma reacção dessas, e permanecer em demasia em tais aspectos de um possível relacionamento consiste numa excelente forma de impedir o relacionamento de se desenvolver, e enquanto se acham em meio à busca do reconhecimento e da validação, por intermédio de uma preocupação com isso, uma perda da oportunidade de a experimentarem.



Conquanto o reconhecimento e a validação em geral ocorram entre os fragmentos individuais, há outras formas de as alcançarem, tal como o intercâmbio que já citamos, do exemplo do telhado da catedral de São Paulo em londres. Houve fragmentos que tiveram lições passadas mobilizadas por meio da visita a locais conhecidos no passado. Conforme já salientamos, muitas vezes essa não é uma experiência agradável, mas é uma experiência válida. Em certas ocasiões, essa experiência é bastante agradável. Só para terem uma noção do caso, propomos um exemplo de cada um desses tipos de reconhecimento.



Primeiro, uma recordação desagradável: Um Artesão Amadurecido que teve algumas relações com este pequeno grupo viajava pela Europa pela primeira vez na sua vida quando visitou a cidade de Veneza. Ao ser um artista do mesmo modo que é um Artesão, (NT: Um dos grupos em que a alma se inscreve, que nesta tipologia perfazem um total de sete) ele passou a maior parte do seu tempo a fazer esboços, fascinado pelos edifícios e pela água. Encontrava-se a fazer esboços no seu segundo dia nessa mesma cidade quando sentiu um frémito inconfundível de perigo extremo e teve que resistir ao estímulo de fugir. Também teve impressão de conhecer aquilo que se encontrava atrás de si, embora não tivesse explorado essa parte da cidade e confiasse nos mapas para encontrar o caminho. Ele pressentiu que esse medo não era do estilo habitual, e decidiu desenhar o que pensava se encontrava atrás de si. Ao completar o esboço, voltou-se a fim de o comparar com o edifício e descobriu que, aparte de um terceiro andar de uma época obviamente mais recente que o resto do edifício, ele tinha efectivamente desenhado a frente do edifício correctamente.

Presumindo que esse tenha sido um receio do passado, após o seu regresso, ele consultou o fragmento que é actualmente a Camille em busca de uma leitura privada relativa à experiência. Tratou-se, evidentemente, de um reconhecimento do passado, cujo medo foi despoletado ao ver o local onde tinha sido esfaqueado até à morte grosso modo há quatrocentos anos.



Para continuar com um exemplo mais agradável: Um Sacerdote Amadurecido que também esteve ocasionalmente envolvido com o nosso pequeno grupo, teve oportunidade de visitar a República Popular da China e de viajar extensivamente enquanto lá esteve. Ao viajar pela zona do centro-sul da China ela e a comitiva com quem viajava visitaram um templo. Esse Sacerdote Amadurecido, que sempre tivera um amor pela arte chinesa, pediu permissão para visitar o templo. Depois de uma certa organização foi-lhe concedida permissão. E embora levasse um guia com ela, em breve estava a narrar factos ao guia relativos ao templo, e descrevia o solo conforme tinha sido seis séculos antes, e a fazer observações quanto às alterações que tinham sido feitas desde então. Salientou os pedestais que tinham sido deixados na parte velha dos jardins e descreveu as estátuas que tinham existido ali, e debateu as devoções feitas pelos monges. O guia ficou impressionado com os conhecimentos e presumiu que ela fosse uma professora dotada de extensos conhecimentos académicos relativos ao assunto. As estátuas, que se encontravam num mau estado grave, foram mantidas numa universidade não muito afastada, e quando essa universidade foi visitada, o Sacerdote Amadurecido expressou desânimo por ver o estado de ruína em que as estátuas se encontravam, e voltou a descrever como tinham estado no jardim do templo. Por esta altura, o guia tinha feito um certo número de perguntas e ficou a saber que a velha senhora não era professora de história oriental nem de arte, e que, ao descender de uma experiência Francesa e Escocesa, dificilmente se poderia esperar que tivesse conhecimento dos arranjos de estatuária dos jardins dos templos Chineses.



Claro está que esse Sacerdote Amadurecido recordara uma vida em que ela, então ele, serviu nesse templo. Foi uma vida branda e contemplativa repleta de proveito e de crescimento, e a visita que fez de novo ao templo exerceu uma influência calma e ditosa nela. Quando esse tipo de reconhecimento pelo processo de pesquisa e do estudo ocorre pode conseguir-se uma validação. Por exemplo, o Sacerdote Amadurecido que veio até nós em busca de validação também podia ter ido a uma biblioteca e lido acerca da vida nos templos e mosteiros da China. Isso ter-lhe-ia revelado que aquilo que lhe tinha sido descrito estava de facto correcto. Também teria sido possível consultar aqueles que eram peritos genuínos no campo para descobrir coisas como estatuária de jardim. Também teria sido possível examinar os registos desse tempo para ficar a conhecer a forma como a vida era vivida, e que lugar o templo teria ocupado na vida da sociedade. Nós encorajamos todos os fragmentos a ampliar a informação que lhes dispensamos com uma pesquisa mais “padronizada,” mais criteriosa, de modo que o espectro da validação possa ser mais abrangente e a sua validação tornada mais compreensiva, caso optem por tal coisa.



Há quem suponha que as recordações de vidas passadas não sejam isso, mas lembranças “subconscientes” ed material já do conhecimento. Conquanto não discordemos necessariamente disso em termos de rejeição, por haver alturas em que tais factores desempenham um papel, isso não considera coisas tipo o estudante de Memphis, no Tennessee, que conhecia o procedimento de denúncia de uma pessoa suspeita à Inquisição em Espanha. Não existiam livros que esse sério estudante Metodista pudesse ter lido que o descrevessem, e decerto que ninguém na sua família nem ao seu redor teria conhecimento disso. Não era coisa que fosse debatida na escola. Não se falava nisso no rádio nos jornais nem na televisão. Claro que esse fragmento tinha sido certa vez estado familiarizado com a Inquisição e tinha auferido muito carma nessa vida. Por ele ter um Acordo com o fragmento com quem ele tinha um laço proveniente dessa vida a “queimar,” o reconhecimento apresentava-se “muito mais à tona” do que noutras circunstâncias. Contudo, não descartamos a possibilidade da obtenção da informação sem consciência disso como factor em casos como este. Há muitas formas por que os fragmentos obtêm conhecimento que nem sempre se inscrevem na forma de educação padrão.



Decerto que o cepticismo constitui atitude bastante saudável quando tais alegações são proferidas, e um controlo exaustivo das várias influências constitui precaução sensata e aconselhável, mas se outras investigações não conduzirem a lado nenhum, então não será irracional nem despropositado supor que a influência de vidas pretéritas esteja a ser exercida na vida presente. Cremos que a regra conhecida como “Navalha de Occam” (Que enuncia o seguinte: "Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor”) represente uma orientação sensata a seguir nesses casos.



Aqueles de vós que se sintam ansiosos por explorar o passado têm muito que aprender. Temos muita vez advertido os nossos alunos do facto de existirem vidas que não lhes trarão satisfação nem alegria. Muito do que tenha sido feito terá resultado do medo, e coo tal reflecte uma atitude que pode causar angústia na vida actual. Mais uma vez, isto não é referido para o desencorajar nem incentivar, mas para lhes lembrar que é provável que existam eventos e ocorrências que não tenham um carácter jubiloso. Também é provável que algumas sejam alegres, mas para aqueles que estejam a contar com uma satisfação irrestrita, será bastante certo que aquilo com que venham a deparar-se seja decepcionante. Teríamos que dizer que muitas das perguntas que nos são colocadas a nós e a outros mestres como nós no plano intermédio causal, têm que ver mais com vidas passadas tumultuosas do que com vidas equilibradas e agradáveis. Não quer isso dizer que todas as vidas recordadas tenham sido desagradáveis mas que as lembranças de trauma tenham sido mais facilmente tocadas do que as caracterizadas por uma fruição. Isso, uma vez mais, reflecte a tendência para acharem que o sofrimento e a dor sejam mais “reais” do que a alegria. Conforme o padrão é aprendido nesta vida, também foi aprendido em vidas passadas, muitas vezes em condições muito mais árduas do que as da presente vida.



A maior parte do pensamento ocidental pressupõe uma alegria que seja aceitável somente quando enquadrada em expressões bastante limitadas e aprovadas, tais como exercícios religiosos e prazer diante da presença da descendência. A alegria que não seja “santificada” é suspeita. Quando o passado é recordado, ele é frequentemente altamente tingido por uma premissa dessas.



Outras culturas há, aquelas de algumas das ilhas do Pacífico, as de certos povos da África, que permitem que alegria seja alcançável e louvável mais prontamente do que a maioria. Conquanto não tenhamos qualquer intenção de alterar comportamentos – isso fica ao vosso critério e depende unicamente do vosso livre-arbítrio – desejamos recordar-lhes que outras percepções e comportamentos serão possíveis e que o passado se acha apto a reflectir mais isso do que o que valorizarão por esta altura. Há um choque, não contrário ao choque cultural, que pode ter lugar nessas recordações e distorcer aquilo que é percebido.



Lembramo-nos de um fragmento que tinha experimentado um reconhecimento bastante forte enquanto visitava os terrenos de um castelo famoso Europeu. Sendo uma mulher apropriada oriunda de uma família austera, e casou com um homem igualmente austero, este fragmento encontrava-se mais angustiado com a consciência de que, enquanto cortesã no castelo ela defecasse com regularidade por trás das cortinas – conforme fazia a maioria das cortesãs durante esse período – do que com a consciência de que, enquanto essa cortesã ela tinha sovado um servo até à morte com um bastão.



Ocasionalmente o reconhecimento e a validação ocorrem a posteriori, mas não em exclusivo, em conexão com Acordos. Um fragmento que “nunca” faz uma certa coisa fá-la-á com bastante naturalidade e depois interrogar-se-á mais tarde porquê. Por exemplo, um professor que “nunca” dá aulas concordará em adoptar um estudante privado por um período de tempo limitado, e dará as aulas com facilidade. Quando a tarefa estiver completada, o professor interroga-se do porquê de ter rompido com a regra que tinha definido. A resposta, claro está, está em que o estudante tivesse um Acordo com o professor, e que o período de instrução tinha satisfeito os termos desse Acordo.



Pode dar-se uma reacção similar quando abdicam de um Acordo, por o fragmento poder estar incomodado por, com regra ou sem regra, talvez “devesse” ter feito uma coisa específica por um fragmento específico. Raramente haverá uma sensação mais forte que essa caso o Acordo seja de menor importância, mas por “menor” não queremos dizer insignificante, mas indefinido, e consequentemente possa ser completado por múltiplas formas. Quando o Acordo é significativo, será um que contenha um certo grau de especificidade, e a reacção será proporcional ao Acordo.



O desejo de reconhecer e de validar é percebido pela Essência, claro está, e aqueles munidos de um acesso aos polos positivos dos Traços da Personalidade (que se sobrepõem à essência) se acham mais aptos a responder à atracção. A Essência não compele a personalidade e não existe “erro” caso não haja uma resposta, não existe “erro” caso não se proceda a um reconhecimento nem a uma validação. Tal como não há “erro” no facto de se ler a Ilíada numa tradução ou não a ler em absoluto. Para dar continuidade à analogia, a vida não é necessariamente melhor ou pior por lerem a Ilíada, quer no Grego arcaico quer numa tradução qualquer, mas há uma dimensão adicional que pode resultar da adição do conto à vida do fragmento. O mesmo é válido quanto ao reconhecimento e à validação – pode resultar numa dimensão adicional à vida quando é conseguida, caso o fragmento opte por permitir que a dimensão funcione.


Reconhecimento e validação podem ser usados no reforço das percepções de qualquer vida, e em muitos casos isso torna possível ao Fragmento decidir activamente perseguir os planos definidos no começo da vida. Certamente o processo de reconhecimento e de validação podem contribuir para a auto-percepção assim como para um acesso positivo aos Traços Principais. Caso o Fragmento opte por o fazer, muita percepção da tapeçaria se tornará, pois, possível e os aspectos das escolhas poderão ser mais claramente compreendidos, tanto à luz da vida actual que está a ser conduzida como em termos das vidas que tenham decorrido antes.

Para aqueles que se encontram activos naquilo que vocês no Plano Físico chamam de artes, o reconhecimento e a validação pode suceder por intermédio da prática da arte muito embora o artista possa não ter consciência desse reconhecimento e validação no resto da sua vida. Isso em parte conta pela dicotomia percebida entre a qualidade da arte de um artista e a qualidade da vida conduzida pelo artista. Um exemplo extremo mas óbvio é o do Artesão no Ciclo intermédio que viveu como Van Gogh Esse Fragmento despendeu essa vida num tormento emocional e intelectual enquanto produzia quadros de enorme e incontestável qualidade. As percepções foram mobilizadas no trabalho, mas foram bloqueadas na vida.

A maioria dos Fragmentos depende de “clarões” de insight, os quais nós não denegrimos, por ser frequentemente o único modo em que é permitido que o reconhecimento funcione para um Fragmento. Há a tendência para crer que o insight não possa ser captado para além desse clarão momentâneo, em resultado do que muitos Fragmentos optam por não tentar angariar mais do discernimento intuitivo do pouco que é vislumbrado nesse clarão. Caso isso seja tudo quanto o Fragmento deseje fazer, não existirá, claro está, “culpa” alguma em tal escolha. Devesse o Fragmento preferir aprender com os clarões, e nós sugeriríamos que mantivessem uma agenda com as impressões, datadas, e uma verificação com comentários a acompanhar poderá representar um método metódico para tal estudo. A vantagem da anotação das impressões está no facto de ajudar a mente a focar-se naquilo que o clarão realmente transmite assim como levar a aplicar a consciência de que os clarões são “reais.” Por exemplo, um Fragmento que tenha tido um clarão ceda na manhã de Sábado de que o seu velho colega de faculdade necessita ser animado, pode anotar isso na agenda dos clarões, e marcar a hora e a data. Caso o Fragmento decidisse perseguir a questão, talvez pudesse ou telefonar ao velho amigo ou estabelecer contacto por via directa ou indirecta. Em resultado, o Fragmento poderá ficar a saber que, por altura em que teve o clarão, o velho colega de faculdade tinha sido notificado quanto à grave doença de um dos pais. No devido tempo, caso o Fragmento deva continuar tal exercício, seja qual for a capacidade que possua poderá ser aprimorada de modo que alguma compreensão quanto à natureza e ao âmbito do clarão possa ser estabelecida quando o clarão estiver a suceder ao invés de o determinar em retrospecto. Temos consciência de muitos Fragmentos que são particularmente adeptos de clarões de percebimento que tendem a atribuir-lhes a mais extrema das interpretações, o que frequentemente resulta do Defeito de Carácter combinado com um fraquinho pelo drama.

Há reconhecimentos que não são feitos com base na resposta da Essência nem dos Traços da Personalidade, mas com base nas percepções de mamíferos que sois. O crescimento de pelos no pescoço, embora possa suceder em conjugação com o reconhecimento da Essência representa igualmente um reconhecimento de mamífero, tal como o rosnar baixo de um cão representa uma resposta de mamífero para o que possa representar uma ameaça. Também salientaríamos que um dos poucos medidores fiáveis do prazer é o ronronar de um gato. Para a maioria dos Fragmentos, a resposta de mamífero é mais provável ser um rosnar do que um ronronar ao se defrontar com o reconhecimento e a sua validação. Evidentemente que, dado que vocês são mamíferos assim como dotados de alma, muitas das vossas respostas procedem de impulsos “mamíferos.” A dicotomia entre Essência e a espécie é uma das lições principais da vida no Plano Físico. Precisaríamos dizer que reconhecer e validar a “verdade” de ambos independentemente da aparente contradição que possam apresentar, constitui a tarefa Cíclica da Velha Alma, que representa a razão o Ciclo tem que ver com o ser.

Será útil recordar que, quer o reconhecimento seja ou não partilhado por outro Fragmento, ainda será válido. Poderão reconhecer, porventura, um membro da vossa Cadência, e validar esse vínculo estreito enquanto o Fragmento opta por bloquear o reconhecimento ou rejeitar o contacto. Isso não invalida por forma nenhuma o contacto O reconhecimento não é “repudiado” por um Fragmento validar o reconhecimento e o outro não. A validação representa uma questão de percepção individual. Claro que, se o reconhecimento for mútuo e partilhado a um maior ou menor grau, então o contacto da Essência é provável que seja alcançável, o que, evidentemente, representa um bom trabalho. Contudo, devemos enfatizar de novo que as vossas experiências são válidas enquanto vossas, e que isso em si mesmo representa um reconhecimento merecedor de reconhecimento digno na vossa vida.

Quando o reconhecimento tiver sido feito, o reconhecimento não pode ser rescindido. Pode ser distorcido ou negado ou ignorado, mas não poderá ser cancelado. A maior parte dos reconhecimentos são “banais” no impacto que exercem, mesmo quando o que é reconhecido é o Companheiro de Tarefa ou a Essência Gémea. Caso a emoção inspirada seja concupiscente ou melosa, então o mais provável que a atracção baseada no tipo corporal ou mesmo o culto do herói estejam a funcionar, não o reconhecimento.

Certos estudantes descreveram o reconhecimento como algo que “subitamente se torna claro”: campainhas, luzes suaves, e fogos-de-artifício é mais provável que indiquem um fascínio de um tipo ou de outro do que um reconhecimento válido. A maior parte dos reconhecimentos, quando não se acham ligados ao carma são, por falta de uma palavra melhor, cordiais. Os Fragmentos no Plano Físico tendem a ser muito mais intolerantes do que aqueles que não se acham actualmente encarnados, e essa intolerância deve frequentemente estender-se a eles próprios assim como a outros. Quando abdicam do reconhecimento, não é invulgar um ou ambos os Fragmentos tornar-se altamente críticos do outro. Isso representa o trabalho do medo e uma das muitas maneiras por que os polos negativos dos Traços da Personalidade são colocados em jogo. Caso isso ocorra, então as lições do reconhecimento terão muita dificuldade em serem exercidas na vida actual e são postas de lado até à incarnação seguinte. A maior parte dos Fragmentos reage a um reconhecimento rejeitado como se “uma bofetada na cara,” o que teremos que recordar a todos quantos se acham aqui presentes, contribui somente para o papel de maya. Caso seja possível a uma Fragmento não rejeitar o reconhecimento, então poderá resultar muito crescimento assim como uma oportunidade de validação numa data posterior na vida.

Temos consciência de muitos Fragmentos que anseiam por reconhecimento quase com tanta veemência quanto aquela com que negam a sua possibilidade. Tal ambivalência não é notável nem inesperada, mas é triste ver tanta energia posta a uso do impasse interior. Isto não quer dizer que tal impasse seja inútil, por existirem igualmente lições a ser colhidas através dele, assim com toda e qualquer outra experiência neste e em outras vidas. Repitamos que não há nada que seja desperdiçado. Independentemente do quão frustrante ou medonho, nada é desperdiçado. O ponto crucial do reconhecimento e da validação, claro está, assenta no reconhecimento e validação de vós próprios. Aqueles Fragmentos que verdadeiramente conhecem e aceitam os seus Traços da Personalidade, que se reconhecem e se validam pelas escolhas que empreendem na vida, com muito mais probabilidade serão capazes de reconhecer e de validar os outros nas suas vidas. Sem esse reconhecimento e validação inicial, o resto acha-se apto a ser, quando muito, “instável.”
Aqueles Fragmentos que anseiam por ser Velhos e “exaltados” e que se acham conscientes a muitos níveis de que este não é o caso acharão difícil perceber o resto da vida com algum grau de exactidão. Conquanto os Traços da Personalidade constituam muito uma Verdade Pessoal, serão porventura a mais importante das Verdades Pessoais, e aqueles que não conseguem entender isso, acharão quase impossível proceder a qualquer contacto com validade. Não pretendemos desencorajar nenhum de vós, mas proporcionar-lhe percepção quanto à razão por que os reconhecimentos geralmente são difíceis de completar. Transmitimos-lhes isto de modo a serem capazes de perceber a “recompensa” pelo vosso próprio reconhecimento e validação pessoal.

Quando falamos de amor incondicional enquanto objectivo da Essência, incluímos o amor por si mesmo nesse amor incondicional. Decerto não temos a intenção de adiantar o egoísmo nem a vaidade, mas em vez disso, a consciência de que o Fragmento individual faz efectivamente parte do todo maior, e que o amor oferecido ao todo maior deve necessariamente incluir amor por si mesmo se o amor pelo todo maior é para ser válido. Isso não quer dizer que insinuemos uma aprovação total e inquestionável de si próprio, por isso se basear nas expectativas, conforme toda a aprovação se baseia. A aprovação constitui a recompensa proporcionada aos Fragmentos o que é esperado deles. Somos levados a pensar que o amor estendido ao próprio e ao todo mais vasto constitui a integridade fundamental no sentido mais literal, e que a sua realização mostrará o caminho para todos os polos positivos dos Traços da Personalidade, de que a Essência tem acesso à personalidade.

Reconhecimento e validação percebem a porta aberta e depois passa por ela para a experiência. Há muito Bom Trabalho nisso. De facto, uma boa porção do Bom Trabalho brota e faz parte do processo do reconhecimento e da validação.



Tradução: Amadeu António

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