terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

AGRUPAMENTOS PSÍQUICOS DA CONSCIÊNCIA



A TIPOLOGIA DE sET



SESSÃO 732

Boa noite. Bom; Eu falei sobre as contrapartes na aula do Ruburt. Assim que tentaram entender o conceito, os estudantes ficaram muito sérios.

Alguns queriam que eu identificasse as contrapartes deles. Um estudante (Fred), empreiteiro, falou pouco. Mas contrariamente a isso, na semana passada ele deixou a própria imaginação criativa perambular por onde quisesse, enquanto mantinha aquela ideia na mente. Ele brincou com o conceito. De certo modo as experiências dele assemelharam-se às de uma criança - abertas, curiosas, cheias de entusiasmo. Em resultado do que descobriu algumas das suas contrapartes.

Porém, a maioria das pessoas é tão séria que suspeita da própria criatividade que tem. Acha que os resultados sejam irreais ou que não tenham validade no mundo físico. Contudo, existe uma grande correlação entre o que vocês pensam acerca da criatividade, os estados alterados de consciência, e o desenvolvimento “espiritual”.

Quando criam um poema, uma canção ou uma pintura vocês encontram-se num estado de graça, de prazer, de liberdade. Tencionam fazer algo de diferente, produzir uma versão nova da realidade. Criam por amor, por consideração à experiência. Numa altura ou outra, toda a gente passa por esse tipo de experiência, as crianças com uma maior frequência. Elas compõem canções, músicas e pinturas nas suas cabeças, e frequentemente alteram o foco da sua consciência. Não param para indagar se a brincadeira é ou não real ou apropriada. Fisicamente, as brincadeiras desenvolvem o mecanismo do corpo infantil e também confere elasticidade à enorme capacidade das suas mentes.


Quando pensam: “A vida é séria,” e decidem abandonar as coisas infantis, então frequentemente perdem a vossa própria criatividade de vista e tornam-se tão sérios que não conseguem brincar, nem sequer mentalmente. O desenvolvimento espiritual torna-se numa meta que precisa ser atingida. A meta deve ser alcançada por meio de um trabalho árduo, mas enquanto acreditarem nisso, não entendem que coisa seja o espírito.

Estou constantemente a retroceder às analogias naturais - mas as plantas não se preocupam em desenvolver o potencial que têm. Não são belas por acreditarem que seja responsabilidade delas agradar-lhes. Elas são belas por se amarem a si mesmas e à beleza. Quando vocês são tão sérios assim, quase sempre distorcem a natureza do vosso próprio espírito no que concerne à compreensão que têm dele. Não conseguem baixar as defesas o bastante para o descobrirem. Vocês continuam à procura de novas regras ou de regulamentos, ou de métodos de disciplina.

Vocês continuam à procura de um novo “mestre ascendido”, ou guru, que os mantenha na linha e que lhes aponte O CAMINHO.

À sua própria maneira, as crianças acham-se bastante cientes dos seus congéneres, e de outras porções das suas realidades individuais. Eles relacionam-se com as suas congéneres em sonhos e às vezes vêm-nas como companheiros “invisíveis”. Vocês sonham frequentemente com as vossas contrapartes, mas você preocupam-se tanto por manter o que chamam de racionalidade de adulto que ignoram tais comunicações.

As pessoas têm escrito a perguntar acerca das almas gêmeas. Em certos círculos isso representa o último grito da moda. A ideia é uma ideia antiga, que se baseia na realidade das congéneres, e que propõe uma outra versão da teoria. Mas, uma vez mais, a questão é tratada com uma seriedade quase afectada. Muitos dos que usam o termo, fazem-no para esconder em lugar de libertar as próprias capacidades jubilosas. Eles despendem um tempo à procura da sua alma gêmea - mas a busca envolve-os numa peregrinação por um tipo impossível de comunicação com o outro, onde todas a divisão se perde, que resulta numa procura conjunta da cementação de uma unidade, enquanto sufocam toda noção de brincadeira ou de criatividade. Vocês não constituem uma parte, ou metade, de uma outra alma, que esteja à procura do vosso parceiro através dos anais do tempo, um ser inacabado até que sejam completados pela vossa alma gémea.



Quando alimentam uma intenção exacerbada por manter a vossa realidade, perdem-na, por negarem a criatividade em que assenta. Não estou a negar a importância da verdadeira razão, nem tão pouco estou a dizer que ignorem o intelecto. Mas frequentemente ignoram a graça, a jocosidade que o intelecto possui, e forçam-no a tornar-se algo menos do que seja.

Muitos de vós têm devaneios em que actualmente se vêm como as vossas congéneres (contrárias muita vez), e porções das suas vidas por vezes vêm ao vosso encontro enquanto prosseguem com as vossas ocupações.



Contudo, prestam-lhe pouca atenção. pensam que isso não passe da vossa "imaginação," mas a realidade do desconhecido acha-se viva na vossa própria psique. Surgem insinuações dela por toda a vossa experiência. Não poderiam permanecer vivos, nos vossos termos, se não começassem por se imaginar conforme são. De facto a participação, o gozo, consiste num dos métodos mais práticos de sobrevivência, tanto ao nível individual quanto ao nível da espécie. No seu âmbito repousam os segredos da criatividade, e nos segredos da criatividade residem os segredos do ser.



A vida que consideram real representa um estreito estrato até mesmo em relação à vossa experiência física. Refiro-me aqui a outras realidades que poderiam contribuir para essa dimensão. A participação, a graça, condu-los a um repouso necessário dos conceitos distorcidos relativos à individualidade, e muitas das mais primorosas invenções do mundo alcançaram a fruição quando o inventor não se concentrava no trabalho, mas satisfazia passatempos ou à diversão.



Tu encontras-te envolvido com algumas das tuas congéneres, de uma forma mais ou menos directa, enquanto outras habitam diferentes países, e se encontram também um tanto separadas em termos de diferença de idade ou cultura - qualidades com que acharias difícil relacionar-te. Intuitivamente sabes de que congéneres se trate na tua experiência diária. O que não quer dizer que caso tomasses consciência de tais afiliações achasses que tinhas a responsabilidade de formar um tipo de cultura de homólogos, ou que tentasses influenciar a vida das pessoas fazendo-lhes lembrar do relacionamento que têm. Cada um de vós é um indivíduo. Alguns daqueles por quem nutrem uma maior antipatia podem ter uma correspondência convosco numa posição congénere. Cada um de vós poderá explorar diferentes aspectos do mesmo desafio global.



Não existe nada de esotérico em relação às famílias. Elas representam o tipo de relacionamento que tomam como certo. O mesmo se aplica às partes congéneres, à excepção de não se acharem normalmente habituados com o termo ou o conceito. Contudo, certos membros de uma família muitas vezes desempenham papéis particulares, em prole da família como um todo. Um poderá ser o arrivista; outro o perfeito empreendedor. Os psicólogos agora tentam muitas vezes lidar com a família como um todo, ao permitirem que os diferentes membros vejam como poderão estar a exagerar certas tendências ás custas de outras.



O pretensioso, por exemplo, pode exibir todos os aspectos ousados inibidos por outros membros da família. Por intermédio dessa pessoa os outros poderão indirectamente partilhar do entusiasmo ou da expectativa daquelas experiências que de outra forma são travadas. Por outro lado, o empreendedor pode ocultar por completo impulsos que tais, enquanto expressa os desejos de "excelência" e de disciplina de outros membros da família. Bom, o mesmo se poderá aplicar às partes congéneres, e aqueles que tenham cabimento na vossa experiência poderão mostrar-lhes, de uma forma exagerada, habilidades pessoais em que não tenham optado por se concentrar. Poderão, pois, aprender muito com as vossas partes congéneres, e elas convosco. Aquelas partes congéneres que encontram trabalharão, divertir-se-ão, e serão mais ou menos no âmbito da vossa cultura. O que não quer dizer que vocês constituam pedaços de uma totalidade hipotética qualquer.



Finjam que a psique constitua uma planta que expedem sementes em muitas direcções, cada uma das quais se desenvolve numa nova planta em condições diversificadas. crescer até à maturidade da planta, essas sementes expedem mais variações. Uma mão cheia de sementes de uma árvore qualquer pode cair no mesmo quintal.  Já outros poderão ser arrastadas ao longo de milhas antes de aterrarem.

Vocês normalmente vivem com a vossa família física, embora isso nem sempre se aplique; às vezes os vossos antepassados provêm de diversos países, de modo que há uma linhagem física que compreendem. Há muitas vezes regressos ao lar em que os parentes distantes voltam aos seus domicílios.
Agora, psiquicamente, o mesmo se aplica em termos das partes congéneres. Se pertencerem a grupos particulares, frequentemente as vossas partes congéneres mais próximas também se encontrarão presentes. A propósito, do ponto de vista delas vocês representarão uma parte congénere. Muitos grupos políticos, civis, educacionais ou religiosos são compostos de partes correspondentes dessas.

(“E as famílias tradicionais?” Perguntei eu ao Seth. Pensei que muitos leitores poderiam fazer esta mesma pergunta")

Já lá vamos chegar. Não mencionei isso propositadamente.

Estas congéneres formam as famílias psíquicas.  Num outro nível constituem representações da família. Antes de mais, tais grupos embutidas de um propósito - político, civil, religioso, sexual ou outros. Certos membros do grupo expressam as tendências reprimidas de outros. Contudo, cada um é suportado por um senso comum de pertença, de forma que o grupo às vezes parece possuir uma identidade própria global onde cada sócio representa uma parte. Qualquer leitor poderá facilmente constatar isso se examinar os grupos a que pertence.

Agora; para o referir em termos físicos, existem raças. Também existem congéneres mentais da raça - que são as famílias da consciência, por assim dizer - todas relacionadas, porém todas caracterizadas por diferentes características e especialidades generalizadas.

A maioria das pessoas que vem assistir às aulas de Ruburt são Sumari, por exemplo. Existem outras oito famílias mentais dessas - ao todo totalizam nove. Alguns dos estudantes de Ruburt são congéneres uns dos outros. Muitas pessoas que vêm aqui o fazem como os membros de uma família física regressam ao lar para uma reunião.

Estou usando este grupo das aulas de Ruburt como um exemplo, mas o mesmo se aplica, novamente, a qualquer grupo.

...

Os Sumari são naturalmente divertidos - inventores e relativamente desimpedidos. Contudo, são impacientes. Encontram-nos nas artes e nas ciências menos convencionais. A realidade desconhecida. Vocês possuem afiliações. Que coisa serão? Esboçarei as espécies psíquicas interiores, e deixo ao vosso critério descobrir a qual pertencem.



Bom, utilizo este grupo das aulas da Jane como um exemplo, mas o mesmo se aplica, uma vez mais, a qualquer grupo.

Os Sumari são impetuosos, e em certos termos são contra autoridade, cheios de energia. Normalmente são individualistas, e são contra sistemas de todo o tipo. Porém, não nascem “reformadores.” Não insistem em que todos acreditem nas suas ideias, mas são teimosos em insistir no direito de acreditar nas suas próprias ideias e evitarão toda coerção.



Todo grupo revelará o mesmo tipo de inter-relacionamento. Poderão constatá-lo por si mesmos. Existe uma grande diversidade na família de consciência chamada Sumari, assim como em qualquer raça física, mas existe também uma enorme variedade nas outras famílias psíquicas.

Contudo, vocês optam por nascer numa família física particular, com os vossos irmãos e irmãs, ou como filhos únicos. Assim, falando em termos gerais – as vossas congéneres nascem na mesma família psíquica dos vossos contemporâneos.



As famílias de consciência são 9:



- Gramada

- Sumafi

- Tumold

- Vold

- Milumet

- Zuli

- Borledim, a mais próxima à Sumari

- Ilda

- Sumari


Estas categorias não vêm em primeiro lugar. A vossa individualidade vem primeiro. Vocês possuem certas características próprias, o que os coloca numa certa posição. Como não são uma pedra nem um mineral mas pessoas, também a vossa individualidade os situa numa família ou espécie de consciência particular, o que representa o vosso ponto de vista global da realidade.

Vocês gostam de ser iniciadores, seguidores ou educadores. Vocês gostam de criar inovações em velhos sistemas, assim como gostam de criar novos. Vocês gostam de lidar principalmente com a cura, ou com a informação, ou com dados de informação. Vocês gostam de lidar com a vista, com os sons, com os sonhos, ou com a tradução de dados internos para o material psíquico de trabalho da vossa sociedade. Assim, vocês escolhem um propósito, da mesma maneira que escolhem de antemão a vossa família física.



SESSÃO 733



Quando se encontram num aeroplano e olham para baixo sobre o vosso planeta percebem as cadeias de montanhas e os vales, os rios, os planaltos, as cidades e as aldeias e em certa medida percebem que o mundo possua conteúdos materiais existentes a determinada altura não obstante variarem nas características que apresentam. Nesses termos, o mundo é composto dos seus ingredientes materiais. Contudo, tal “pacote” constitui a única parte do quadro que percebem.



Psiquicamente, o vosso mundo é formado pelos conteúdos da sua consciência. Vocês possuem mapas de continentes e de oceanos, e em toda a visão cada porção compõe como que uma peça do quebra-cabeças, tudo encaixado na perfeição e a fluir suavemente para a estrutura natural do mundo. Assim, a qualquer momento existe uma consciência do mundo, um puzzle perfeito de consciência no qual cada identidade, não obstante pequena ou grande, tem a sua parte.

Há terramotos que entram em erupção fisicamente, e são feitos traçados deles. Mas existem igualmente terramotos interiores no âmbito da consciência a partir dos quais os terramotos materiais emergem – tempestades da mente ou do ser, erupções em que um segmento da consciência do mundo ao ser reprimido numa área, explode numa outra. Se conseguissem percorrer a órbita do planeta num tipo de nave diferente, conseguiriam perceber os conteúdos psíquicos do mundo, ver a consciência do mundo com um brilho muito mais fulgurante do que o de qualquer cidade iluminada. Poderiam localizar o ponto de intensa actividade, perceber o surgimento de novos mitos assim como a morte de velhos, conforme certamente serão capazes de perceber um declive montanhoso ou um maremoto.



As porções materiais da Terra acham-se todas relacionadas. Assim também a consciência forma as suas próprias espécies de estruturas internas a partir das quais, uma vez mais, as materiais emergem. Vós sois, com efeito, congéneres, uns dos outros. Contudo, tal como a forma material é caracterizada por uma variedade na forma, também as congéneres seguem uma liberdade interior ainda mais expansiva que encontra uma diversidade ainda mais vasta de características.



Conforme certamente sugeri, o corpo constitui um mecanismo miraculoso, e vocês mal captaram a mais simples das suas estruturas. Vocês não compreendem as propriedades da alma ou do corpo no entanto o corpo foi-lhes dado de modo a poderem aprender com ele. As propriedades da terra destinam-se a conduzi-los à natureza da alma. Vocês criam a realidade material, contudo, sem que saibam como o fazem, de forma que a assombrosa estrutura da própria terra se destine a levá-los a questionar a vossa própria fonte. A natureza conforme a compreendem, destina-se a servir de vosso mestre e não vocês mestres dela.



O criador não é senhor das suas criações; é simplesmente o seu criador, e ele cria devido ao facto de não tentar controlá-la. Quando vocês procuram controlar o poder ou as pessoas sempre acabam por copiar. Em certa medida o mundo copia-se a ele próprio, pelo facto de existirem padrões. Só que tais padrões são constantemente alterados numa ou noutra medida, de modo que nenhum objecto chega a representar uma cópia de nenhum outro - embora possa parecer que seja o mesmo.



Nos vossos termos, o mundo é intensamente diferente de um momento para o seguinte, com cada diminuta porção da consciência a eleger a sua realidade a partir de um vasto campo de infinitas probabilidades. Tornam-se possíveis imensos cálculos que vão muito além das vossas decisões conscientes, conforme as encaram, e somente por causa da liberdade indescritível que reside em mundos diminutos dentro do vosso crânio – padrões de inter-relacionamento, congéneres tão engenhosamente tecidos que torna cada um único, despreocupado, e envolto numa aventura de uma infinita cooperação tão potente que os átomos permanecem em determinadas formas, e as mesmas estrelas brilham no céu.



O familiar e o estranho acham-se intimamente ligados na mais óbvia, simples das vossas afirmações. Vocês acham-se rodeados de milagres. Então, por que razão tanta vez o mundo lhes parece tão severo e cruel? Por que razão por vezes os vossos companheiros vos parecem monstros insensíveis, Frankensteins não de corpo mas mentais, espiritualmente imbecis, ignorante em relação a toda a herança associada ao amor ou à verdade, assim com à graciosa condição das bestas? Por que razão parecerá a tantos de vós que a raça, a espécie, se ache condenada? Por que razão alguns de vocês sentem, nos vossos momentos de sossego, que tal sentença seja justa?



Vocês compõem a vossa própria realidade.



Geralmente, a maior parte de vós vive no vosso próprio mundo, juntamente com outros do vosso género. Aqueles de vós que não acreditam na guerra não a experimentaram. Ela pode tê-los rodeado, mas vocês não a experimentaram. Aqueles de vós que não acreditam na ganância, na cobiça, não padeceram das suas “consequências.” Se ainda lhe percebem a existência, será devido ao facto de ainda fazer parte da vossa realidade. Se sinceramente não forem gananciosos, mas ainda assim perceberem a ganância, então talvez estejam a servir de exemplo a outros – mas vocês moldam a vossa própria realidade.



Existem mais mundos do que supõem, e na vossa própria experiência privada cada um de vós contribui para o mundo que conhecem. Vocês e as vossas congéneres formam-no em conjunto. Só o vosso corpo físico acha-se equipado para perceber muito mais do que presentemente lhe permitem que conheça. Fisicamente vocês faze parte de cada pessoa existente sobre a Terra e estão ligados a cada folha e a cada rã. Vocês escolhem a cidade ou país em que vivem. Ninguém os força a permanecer aí a menos que busquem uma desculpa por ficar. Assim também elegem o vosso território psíquico. Podem deslocar-se de um território psíquico para outro tal como conseguem viajar para outras partes do mundo material. Alguns dos maiores viajantes jamais chegam a abandonar o país em que nasceram.



Miguel Ângelo percorreu os séculos à procura de visões e de ideias tal como outros podem comprar postais, ao viajarem de um país para uma terra estrangeira. O seu génio mostra-lhes aquilo que são, e no entanto não passa de uma insinuação do potencial de que a vossa espécie se acha dotada. À luz de tais ideais, certamente que vocês parecem carentes – contudo a vossa realidade é uma em que as maiores liberdades foram permitidas. Isso quer dizer que concederam a vocês próprios um amplo espectro de modo que todas as probabilidades pudessem ser exploradas e nenhuma viável fosse deixada de lado.



Esta espécie não concedeu a si própria quaisquer tabus “predeterminados.” As infinitas gamas possíveis às capacidades humanas seriam exploradas – e aqueles que escolheram essa via disseram: “Estamos confiantes em que a nossa criatividade encontrará o próprio caminho, mas se ocorrerem pesadelos despertaremos com eles. Chegaremos mesmo a aprender com eles. Atrever-nos-emos a colocar de lado as dimensões do ser naqueles domínios em que somente os deuses tiverem entrado antes – e por meio da nossa absoluta vulnerabilidade para com a experiência, descobriremos a divindade que confere à nossa humanidade o seu sentido. Através da compaixão que aprendemos, seremos capazes de entender os erros divinos que nos concederam o dom do nascimento. Almas e moléculas todas a aprender, cada uma das quais formam realidades, todas fazem parte da divindade em que cada congénere tem uma parte a representar.”



De certo modo habito um domínio que é mais directo que o vosso. Isso compõe uma imagem. Eu permito a mim próprio um maior reconhecimento do meu ser. Falo com a sabedoria, por exemplo, que as vossas células haveriam de proferir caso dispusessem da faculdade da fala. Acho-me mais ciente da minha realidade do que vocês da vossa, mas os termos do ser prevalecem os mesmos em todo o lugar e época. Eles produzem uma compreensão mais vasta de cada ser, por si só. O Ruburt passa actualmente pela experiência daquilo a que chama de enorme qualidade, uma expansão física e psíquica da consciência em que o velho mundo habitual parece pequeno – contudo, duplamente precioso. Assim também é o que parece à minha consciência.



As guerras mesquinhas, mesmo aquelas ainda por travar, não passam de lembranças difusas, certa vez vitais mas perdidas quais pesadelos em despertares mais grandiosos. Assim, mesmo neste instante o Ruburt sente vagamente uma recordação nostalgia por vidas que vieram e que se foram, tal como poderão sentir pelos sonhos afeiçoados escassamente recordados. Elas representam uma presença única para além da descrição, vivas em cada consciência, e mais importantes do que reconhecem. Não existem verdadeiras regras a seguir que os conduza a um confronto desses com o presente instante da realidade – somente uma confiança na natureza do vosso ser. Essa confiança situa-se dentro de vós quer o reconheçam ou não, por lhes conceder a vossa presente experiência; não importa o quão a vossa mente questione, ela passeia-se em segurança pela grandiosa criatividade da alma.



A alma cria constantemente o corpo, e todo o indivíduo existente à face da terra a qualquer momento deposita a sua confiança nessa realidade. Essa sensação de certeza é a mesma que a que toda a planta conhece. Toda a ideia, intuição criativa, ou sonho, passeia-se pela mesma certeza da confiança.



SESSÃO 734

Existe uma ligação entre as partes congéneres e as famílias de consciência.

Assim como os vossos irmãos ou irmãs poderiam pertencer à mesma família física, geralmente vocês e as vossas partes congéneres fazem parte do mesmo grupo psíquico de consciência. Porém, lembrem-se que esses grupos psíquicos são como formações naturais para onde a consciência parece fluir. Os vossos próprios interesses, desejos, e habilidades não são predeterminados pela sua filiação que têm numa determinada família psíquica.



Por exemplo, tu não és um brincalhão criativo por seres Sumari. Em vez disso, tomas parte do grupo Sumari porque seres um brincalhão criativo. (NT: O que creio que o Seth pretende dizer com isto é que o Rob alinhava por essa família, o contrário de lhe pertencer. O alinhamento tende a enfatizar traços dessa família, ao contrário da família a que se pertence naturalmente) Os grupos de consciência, pois, não devem ser comparados com, digamos, as casas astrológicas.

Para fazer dos Sumari um exemplo, alguém poderá ser excessivamente decidido, ponderado, ou simplesmente sisudo e não tenha aprendido a usar a sua criatividade com gentileza, ou com alegria. Contudo, esse uso festivo da capacidade fará parte do seu desígnio. Em determinados períodos da história, para o referir nos vossos termos, famílias distintas poderão predominar.

Porém, os grupos psíquicos sobrepõem-se aos físicos e aos de cariz nacional. Os Sumari, por exemplo, são extremamente independentes, e por via de regra não serão encontrados nascidos em países regidos por ditaduras. Quando se apresentam, o seu trabalho pode desencadear uma centelha que provoque mudanças, mas raramente aderem à ação política. A criatividade dos Sumari revela-se demasiado ameaçada para tal sociedade.

Porém, os Sumari são práticos por contribuírem para a realidade física com visões criativas, e tentarem viver as suas vidas de acordo com elas. Eles são os iniciadores, porém pouco esforço evidenciam para tentar preservar as organizações, mesmo aquelas que sintam ser razoavelmente benéficas. Eles não violam as leis por desígnio nem intenção. Não são reformistas no sentido estrito sentido da palavra, contudo o seu trabalho divertido acaba frequentemente por reformar uma sociedade ou cultura. São voltados para a arte, mas no seu sentido mais amplo, e tentam fazer da vida uma “arte” de viver, por exemplo. Eles fizeram parte da maioria das civilizações, embora tenham sido os que menos terão aparecido na Idade Média (476 D.C. até 1450 D.C.). Frequentemente alcançam o pleno vigor antes que enormes mudanças sociais se dêem. Outros poderiam, por exemplo, criar estruturas sociais com o seu trabalho, mas os Sumari, conquanto satisfeitos, normalmente não serão capazes de ter qualquer sensação intuitiva de pertencer a qualquer grupo estruturado.

Todavia, não existe nenhuma correspondência entre as famílias de consciência e as características corporais. Muitos Sumari escolhem nascer na Primavera, mas nem todos os nascidos na Primavera são Sumari, nem em geral regra alguma se aplica. Também possuem uma afinidade por certas raças, mas uma vez mais, nenhuma regra se aplica a isso. Muitos dos Irlandeses, Judeus, Espanhóis, e um número menor de Franceses, por exemplo, são Sumari – embora surjam por todas as raças.

Em geral, a América não tem sido uma nação Sumari, nem os países da Escandinávia ou a Inglaterra. Falando em termos psíquicos, frequentemente eles organizam existências em que constituam uma minoria - numa democracia, digamos, de forma a poderem entregar-se à sua arte no âmbito de uma situação política razoavelmente estável. Não se interessam por governo, porém, até certo ponto dependem dele. Acham-se habilitados a ter auto-confiança numa estrutura dessas. As suas capacidades artísticas reconhecidas poderão predominar ou revelar-se razoavelmente mínimas.

O Sumari constitui um estado de espírito, uma tendência. Eles não são lutadores, e geralmente não defendem o derrube violento de governo ou das tradições. Acreditam na criatividade da mudança que ocorra naturalmente. Não obstante, frequentemente fazem parte dos movimentos culturais clandestinas (underground) simplesmente por raramente serem conformistas. Um Sumari sentir-se-á muito incómodo enquanto membro de uma aventura amplamente comercial, principalmente se o trabalho envolver uma rotina habitual ou enfadonha. Não se sentem contentes em linhas de montagem. Gostam de experimentar os detalhes - ou de os usar para fins criativos, razão porque frequentemente mudam de profissão.

Se começarem a examinar a vossa natureza, e a sentir intuitivamente que são Sumari, então deveriam procurar uma posição onde possam usar a vossa capacidade inventiva. Por exemplo, os Sumari gostam de matemática teórica, mas são péssimos contabilistas. Nas artes, Picasso foi um Sumari. Muitos artistas e animadores são Sumari. Raramente os verão na política e geralmente não são historiadores. Há uns quantos em cargos de religiões organizadas. Devido aos sentimentos que têm de auto- confiança, poderão encontrá-los como fazendeiros num trabalho intuitivo com a terra. Também se por igual entre os sexos. Na vossa sociedade, contudo, ultimamente as qualidades do Sumari nos homens têm sido, até determinado ponto desaprovadas.



SESSÃO 735

As características dos Sumari não existem isoladamente, evidentemente. De uma forma ou de outra naturalmente cada família de consciência carrega em si as características inerentes a todas as outras, em razão do que existe uma enorme diversidade.

Contudo, as capacidades dos Sumari são altamente criativas. Em larga medida, eles foram inibidos pela vossa sociedade. Menciono-os acerca disso, para que cada indivíduo possa habilitar-se a reconhecer em si mesmo o próprio grau de Sumari que tenha. Os elementos criativos e jubilosos da personalidade poderão, pois, ser libertados. Estas qualidades são particularmente importantes por contribuírem, temperarem, ou aumentarem as características primárias das outras famílias de consciência.

Se vocês forem “reformistas”, um “reformista por natureza,” então as características dos Sumari que sejam trazidas à superfície, poderão ajudá-los a temperar a sua seriedade com a brincadeira e o humor, e a ajudá-los com efeito a atingir com uma maior facilidade as reformas que pretendam fazer do que em caso contrário. Todas as personalidades carregam traços de outras características além daquelas da família da consciência a qual pertencem. Os aspectos criativos dos Sumari podem ser particularmente úteis se esses aspectos forem reforçados em qualquer personalidade, simplesmente por a sua natureza inventiva iluminar todos os elementos da experiência.



A psique conforme a conhecem, pois, é formada por uma mistura de famílias da consciência dessas. Nenhuma é superior às outras. São simplesmente diferentes e representam diversas formas de encarar o aspecto material da vida. Precisaríamos de um livro para podermos explicar as dimensões que a psique tem em relação às diferentes famílias da consciência. Neste manuscrito pretendo unicamente que o leitor tome consciência da existência desses “estirpes” de natureza psíquica. Estou atento ao facto de fazer uso de muitos termos, e de poder tornar-se difícil compreender as diferenças existentes entre identidades prováveis e identidades reencarnatórias, partes congéneres e famílias da consciência. Por vezes parecerá apresentar contradições. Poderão interrogar-se quanto ao posicionamento que tenham em tal quadro numeroso de “variações” psíquicas.



Uma maçã poderá ser vermelha, arredondada, pesar muito, ser boa para comer, caber numa cesta, mas ser natural numa árvore. Pode ser azeda ou doce. Poderão encontrar uma no chão, ou sobre uma mesa, ou numa torta. Nenhuma dessas coisas representará uma contradição com respeito à natureza da maçã. Vocês não se interrogam: “Como poderá uma maçã apresentar cor e ser redonda ao mesmo tempo?” Podem olhar uma maçã e segurá-la nas mãos, de modo que a forma que tem não contradirá a cor. Percebem que uma maçã pode ser vermelha ou verde ou ambas as cores. Se eu disser: “As maçãs assentam na perfeição sobre uma mesa,” teriam que concordar que por vezes esse é o caso. Se eu disser: “As maçãs rolam pelo gramado inclinado,” também teriam que concordar. Se dissesse: “As maçãs caem do espaço,” mais uma vez seriam forçados a dar-me razão. Tornar-se-lhes-ia evidente que nenhuma dessas afirmações contradiria as outras, por em diferentes circunstâncias as maçãs se comportarem de modo diferente. Todavia, até agora ainda não têm a vossa consciência na vossa mão. Quando falo, pois, do comportamento da vossa psique, poderão querer saber: “Como poderá a minha psique existir em mais do que um tempo a um só tempo?” Ela é tão capaz disso quanto as maçãs podem ser vistas sobre uma mesa ou no chão ou numa árvore.


As dimensões interiores da consciência não podem ser tão facilmente descritas, contudo. Se perguntarem: “Como poderei ter identidades reencarnatórias e prováveis ao mesmo tempo?”, estarão a propor uma questão comparável às que mencionei anteriormente, “Como poderá uma maçã ser redonda e apresentar cor ao mesmo tempo?”

Na noite passada esteve aqui um jovem. Ele possui um grande domínio do violão. À medida que tocava, tornou-se óbvio que uma composição qualquer “brotava” da primeira nota, e que se encontrava latente nela. Um número infinito de composições “alternativas” achava-se igualmente latente nessa mesma nota, todavia, mas não foram tocadas ontem à noite. Elas eram tão legítimas quanto as composições que foram tocadas. Na realidade eram uma parte inaudível de cada melodia tocada, e aquelas variações que passaram despercebidas acrescentaram uma estrutura silenciosa e um ritmo à música tocada que foi actualizada. 




Dando seguimento a esta analogia, da mesma maneira, cada psique contém em si notas infinitas, e cada nota é capaz das suas próprias variações criativas infinitas. Vocês seguem uma melodia de vós próprios, e por uma razão qualquer parecerão pensar que a verdadeira orquestra inteira de vós próprios os tenha abafado.

Quando falo em termos de partes congéneres, de identidades reencarnatórias ou de identidades prováveis, estou a dizer que na verdadeira sinfonia do vosso ser vocês são violinos, oboés, os pratos, a harpa - por outras palavras, vocês são um instrumento vivo através do qual tocam a si mesmos. Não são um instrumento a ser tocado. Vocês são o compositor e a sinfonia. Vocês tocam baladas, peças clássicas, líricas e óperas. Uma performance criativa não contradiz as outras.

Voltando ao comentário que fizemos acerca das composições alternadas, vocês podem em qualquer altura trazer à vossa composição de vida elementos oriundos de “alternados.” Certas pessoas estruturam as suas vidas ao redor dos filhos, outros em torno de uma carreira, ou do prazer, ou mesmo da dor. Uma vez mais, isso são simples propósitos que elegem, que passam a dirigir-lhes a experiência. Podem acrescentar outros propósitos enquanto ainda retêm a vossa própria identidade – enriquecendo-a, na verdade.

Por vezes agem como se uma capacidade contradissesse outra, e pensam: “Não poderei ser uma boa mãe ou pai nem um companheiro sexual para o meu parceiro ao mesmo tempo.” Para quantos pensem desse modo, isso parece implicar em definitivo uma contradição. Uma mulher poderá sentir que as qualidades de uma mãe quase se situam em oposição àquelas da exuberância de uma companheira de sexo. Um homem pode imaginar que a paternidade signifique prover com um excelente lar e uma renda. Pode pensar que a “agressividade,” a competição, e o distanciamento emocional fossem exigidas para desempenhar esse papel. Essas qualidades seriam consideradas como opostas às qualidades do amor, da compreensão, e do apoio emocional “requeridas” a um marido. Claro que na verdade nenhuma dessas contradições se aplica. Do mesmo modo, contudo, muitas vezes parecem sentir que a vossa identidade dependa de um papel altamente específico, até que outras qualidades bastante vossas pareçam ameaçadoras. Elas quase parecem ser alheias.

Até certo ponto sentes da mesma maneira quando te defrontas com o conceito de identidades prováveis, ou de partes congéneres. É como se dispusesses de um banco ilimitado de possibilidades e de características a aproveitar, e no entanto tivesses medo de o fazer – com receio que qualquer adição te tornasse menos em vez de mais. Se tudo isso prosseguir ao nível pessoal, à medida que escolheres uma melodia e a chamares de ti próprio, então talvez possas começar a ver os aspectos criativos de massa em termos de civilização que parecem erguer-se e tombar.

E assim voltas-te para trás através do passado histórico. Todas as partes congéneres enquanto contemporâneas formam, em conjunto, uma composição musical naquilo que pensas como presente; e assim que essa melodia multidimensional, e uma vez essa melodia multidimensional seja tocada, então o seu passado propaga-se por detrás, por assim dizer, e o seu futuro canta com “antecedência.” Mas a melodia tem vindo a ser criado desde o começo e do seu fim em simultâneo. Neste caso, contudo, é como se cada tonalidade possuísse consciência própria e liberdade para alterar a sua porção da melodia. No entanto tudo se encontra na mesma composição global, no “tempo,” de modo que o próprio tempo serve de escala em que a peça musical é redigida – escolhido como propósito e de enquadramento organizacional.

Agora, na música, as pausas são tão importantes quanto os sons. De facto prestam-se a realçar os sons, a enquadrá-los. Os sons são significativos por causa da colocação que têm nas pausas ou nos silêncios. Assim, as porções da psique que reconhecem como vós próprios são significativas e íntimas e reais, devido às pausas interiores ou silêncios que não são actualizados, mas constituem uma parte do vosso ser maior. Agora imaginem uma composição em que as pausas e os silêncios que não escutam sejam soados – e em que as notas que escutam representem em vez disso a estrutura interior que não é escutada.


Nas últimas frases há uma “definição” intuitiva de identidades prováveis e reencarnatórias, e de partes congéneres, em relação ao Eu que conhecem. No teu caso, contudo, podes alterar o teu próprio ritmo, acrescentar variações, ou começar mesmo uma nova composição por completo se o quiseres. Ora bem, muita gente já fez isso em termos bem simples, mundanos ao decidirem subitamente usar as capacidades que tinham ignorado anteriormente. Um homem de letras, por exemplo, aos quarenta subitamente recorda o amor que sentia pela carpintaria, lê um manual Faça Você Mesmo, e dá início ao próprio estabelecimento de reparações. Após ter desdenhado de tais actividades anos a fio como inferiores, de repente descobre uma relação íntima com a terra e os seus bens, e essa apreciação vem beneficiar as letras que antes poderão ter sido tão áridas quanto cinzas.

Nesse caso, existiria numa outra realidade um carpinteiro ou um equivalente que teria um amor latente por letras, que não expressaria – e aí esse indivíduo começaria a desenvolvê-lo; a ler livros sobre como escrever, porventura, e começaria a adoptar um passatempo que lhe permitisse expressar por palavras o amor que sentia pela terra e pelos seus bens. A criatividade da psique significa que nenhum mundo isolado alguma vez o poderia conter. Por isso ela cria as dimensões em que tenha as suas experiências. Cada porção, seja o nome que tiver, contém em si os potenciais latentes do todo. Se a realidade do desconhecido existir, dever-se-á ao facto de tocarem uma melodia repetidas vezes e assim se identificam, enquanto fecham, pelo menos conscientemente, todas as outras possíveis variações que poderiam acrescentar a essa música.

Existem muitos tipos de música, poderia eu dizer: “A música é triunfante,” ou “A música é trágica.” Entenderão que não me estou a contradizer. Não diriam, ou (de forma bem humorada) pelo menos esperaria que não dissessem: “Por que escreveria alguém uma composição como a Pathetique de Tchaikovsky?” “Por que escolheria um compositor um humor tão sombrio?” A própria música teria o seu alcance e poder, e seria de facto bela para além de todos os conceitos de bem e mal.

De algum modo, até mesmo uma composição trágica de mérito, transcende a própria tragédia. O compositor achava-se exultante em meio às profundas emoções da tragédia, ou mesmo de derrota. Em tais casos a tragédia em si mesma é eleita como um enquadramento emocional que a psique desempenha. Essa estrutura não é imposta à psique, mas eleita justamente com precisão devido às próprias características que possui - mesmo aquelas de desalento, porventura.

Ao levar essas qualidades ao máximo, num enquadramento desses, a psique sonda o ardor da vitalidade e do ser conforme experimentado a partir desse ponto de vista específico, pelo que o desalento pode revelar-se muito mais cheio de vida do que uma alegria superficial insondada e mal experimentada. Do mesmo modo, certos indivíduos podem escolher e efectivamente escolhem experiências de vida que envolvam grandes tragédias. Contudo, tais vidas trágicas são usadas como um ponto de convergência que, por intermédio da comparação, realmente confere à experiência a grandiosa vitalidade e impetuosidade do ser.

Isso não significa que uma vida trágica seja mais importância que uma feliz. Apenas significa que cada indivíduo se acha envolvido numa arte de viver. Existem diferentes temas, instrumentos, melodias diferentes - mas a existência, como uma arte grandiosa, não pode ver-se confinada em simples definições.

Visto do exterior, poderia parecer que um jovem morra, por exemplo, por de uma ou de outra forma se achar insatisfeito com a própria vida. Certamente é habitualmente tido como certo que os suicidas sintam medo da vida. Contudo, os suicidas e os candidatos a suicidas habitualmente têm uma tal concupiscência, um desejo literal pela vida que constantemente a colocam em perigo, de modo que podem experimentar aquilo que seja de uma forma intensificada. O mesmo sucede àqueles que dão seguimento a profissões perigosas. Está na moda supor que tais pessoas tenham desejo de morrer. Em vez disso, muitos deles possuem um desejo de vida intensificado, por assim dizer. Decerto parecerá destrutivo aos olhos dos demais. Para eles, todavia, a excitação adicional vale bem o risco. De facto tal risco confere-lhes uma versão intensificada da vida.

Esse não é, obviamente, o caso de todos os suicidas, ou potenciais suicidas, nem de todos quantos correm riscos. Mas esses elementos acham-se presentes. Uma pessoa que faleça aos 17 poderá ter experimentado dimensões muito mais vastas do viver, nos vossos termos, do que alguém que viva até aos 82. Tal gente não se acha tão inconsciente de tais escolhas quanto possa parecer.

Isto não quer dizer que não possam alterar a vossa experiência em qualquer altura. Vê o exemplo hipotético de uma jovem chamada Mary que é parcial relativamente ao tipo de experiências mencionadas. Temperamentalmente, ela busca situações de crise, e poderá dar início a tentativas de suicídio. Por outro lado poderá não entreter ideias dessas, mas ser assassinada aos 17.

Certamente que não estamos a fazer a apologia do assassino – mas nenhum homicida mata alguém que não abrigue uma vontade de morrer, tão pouco. Ele selecciona, ou ela selecciona, vítimas intuitivamente do mesmo modo que a vítima procura o homicida. Por outro lado, a experiência da Mary na vida poderá levá-la a mudar de ideias, por assim dizer, de modo a que aos 17 ela se deparar com uma doença grave em vez disso, de que se recupere vitoriosamente. Assim como poderá escapar por um triz à possibilidade de ser assassinada quando a bala proveniente da arma do assassino atinja a pessoa ao lado dela.

De forma inversa e num nível completamente diferente, ela poderá não passar por tal experiência mas tornar-se escritora de mistérios de assassinatos, ou uma enfermeira num bloco de cirurgia. As variantes pessoais que podem desempenhar são infinitas Não podem conscientemente a alterar o âmbito da vossa vida, contudo, a menos que percebam antes de mais que a moldam. A melodia pertence-lhes. Não é inevitável, nem tão pouco é a única melodia que podem tocar.

Em certa medida podem actualizar porções da vossa própria realidade desconhecida, e conduzi-las à área experimentada da vossa vida. Existe uma óbvia relação entre uma nota e outra numa composição musical. Agora, em termos das famílias físicas, e em termos mais amplos de nações, existe uma relação entre as realidades, que mudam constantemente, tal como as notas o fazem. Em certa medida, a vossa realidade é captada pelos vossos contemporâneos. Eles aceitam-na ou não de acordo com o tema ou propósito particular das suas vidas.

Nesses termos, não constituem parte de nenhuma realidade que não lhes pertença. Se a partilham com outros, será porque outros se acham interessados nas variantes do mesmo tema. Isso tem aplicação em termos de objectivos de vida “numa qualquer altura.” Por exemplo, em determinados termos, encontram-se a braços com o desafio de como usar da melhor maneira os recursos do mundo. Certas nações produzirão em excesso; outras, de menos. Parecerá que se apresentam contradições. Algumas pessoas parecerão alimentadas em demasia enquanto outras passam fome; algumas saciadas quanto a conveniências materiais enquanto outras as ignoram relativamente. Isso constitui variações de um mesmo tema, entendem? Em termos globais, contemporâneos estão a trabalhar num mesmo grupo de desafios, embora quer um excesso de oferta ou uma maior carência possam revelar-se num sítio qualquer em particular. Contudo, talvez os desafios não pudessem ser claramente delineados sem essa extravagância de grau.

Enquanto contemporâneas, as partes congéneres escolhem um tempo particular. Só o formato do tempo já serve para tornar certos propósitos claros, o que nos vossos termos não poderia ser conseguido num outro contexto. Aquilo que no vosso presente aprendem acerca da indústria – “progresso” – e a partilha equitativa dos produtos da terra, poderia somente ser aprendido num contexto em que o industrialismo fosse experimentado como indo longe demais, em que a tecnologia fosse vista e conhecida como um perigo crescente.

Em termos que eu admito serem difíceis demais para serem descritos, as soluções criativas alterarão o curso da história no passado, de modo a que as variações sejam tomadas, e a tecnologia não progrida da mesma forma que o fez na vossa experiência. Já afirmei antes que pessoalmente vocês podem alterar o vosso passado a partir do presente. O mesmo se aplica às civilizações.

Geralmente, os Sumari têm a capacidade de influenciar emocionalmente os outros e de sentir empatia. Até certo ponto, este sentimento pela humanidade serve frequentemente de ímpeto para um trabalho criativo. Muitos deles têm igualmente uma sensação mística de união com a natureza. Ao mesmo tempo podem ser relativamente isolados, e preferir trabalhar na solidão.

Vários tipos de características aparentemente contraditórias podem surgir. Um Sumari pode ter muitas relações pessoais profundamente compensadoras. Outros poderiam achar que os amigos sejam apenas uma distração. Um Sumari poderia gostar de representar perante uma plateia, enquanto outro poderia nem sequer alimentar tal ideia. Considerando que cada pessoa é única, as várias características Sumari parecerão completamente distintas. Alguns vivem em cidades, e desfrutam da proximidade emocional de outros, e contentam-se com alguns vasos de plantas como lembrete da beleza da natureza. Outro poderia ter uma fazenda. Na maioria dos casos, porém, a inclinação da consciência será primordialmente criativa.  

Uma vez mais, não vou, entrar em detalhes sobre as outras famílias, mas vou referi-las por breves trechos por as contrapartes geralmente pertencerem à mesma família.

A primeira família que eu mencionei (Gramada), por exemplo, é especialista em organização. Às vezes, os seus membros aparecem imediatamente após uma mudança revolucionária social. Contudo, as suas tendências organizativas são expressadas em qualquer área da vida. Eles encontram-se, por exemplo, por trás das escolas de arte, embora eles próprios possam não ser artistas. Eles podem montar faculdades, independentemente de serem ou não intelectuais.

Os fundadores de gigantescos negócios frequentemente pertencem a esta família, assim como alguns políticos e estadistas. Eles são activos, vitais, e criativamente agressivos. Eles sabem congregar as ideias das outras pessoas, e frequentemente conseguem unir escolas de pensamento em conflito numa estrutura mais ou menos unificada. São, frequentemente os fundadores de sistemas sociais. Na maioria dos casos, por exemplo, os vossos hospitais, escolas, religiões, enquanto organizações, são iniciadas e frequentemente mantidas por este grupo. 

 

Essa gente (os Gramada) possui uma excelente capacidade em reunir certos conceitos que caso contrário poderiam ficar pelo caminho. Eles são organizadores de energia, direcionados para as estruturas sociais eficazes. Eles normalmente estabelecem governos, escolas, e fraternidades relativamente razoáveis e estáveis, embora não dêem início às ideias que estejam por base dessas estruturas.

O próximo grupo (Sumafi) lida principalmente com o ensino. Uma vez mais, a relação com os outros é boa, no geral. Eles podem ser talentosos em qualquer campo, mas o interesse primário será passar o seu conhecimento ou o de outros. Normalmente são tradicionalistas embora possam ser brilhantes. De certo modo estão igualmente relacionados com os que mencionamos antes (Gramada), e os Sumari, porque se posicionarem entre o sistema organizado e o artista criativo. Eles transmitem “originalidade” sem a alterarem, por meio das estruturas sociais.

Eu digo que eles (os Sumafi) não alteram a originalidade. É claro que qualquer interpretação de um acontecimento o altera, mas geralmente eles incutem as disciplinas sem alterar o conteúdo de uma forma criativa. Como historiadores, por exemplo, eles passam as datas das batalhas, e essas datas são consideradas quase como factos imaculados, de forma que, geralmente no contexto do seu treino, não vêm motivo para questionar tais informações.

Na Idade Media eles copiavam fielmente os manuscritos. Eles são de certo modo guardiães. Uma vez mais, existem infinitas variações. Muitos professores de arte e de música pertencem a essa categoria em que as artes são ensinadas com um enorme amor, uma grande ênfase na técnica – em que o artista que é frequentemente um Sumari (embora nem sempre, por vários motivos) pode depositar nela a sua criatividade.  

A família seguinte (Tumold), na ordem apresentada, é dedicada primordialmente à cura. Isto não significa que essa gente não possa ser criativa, organizadores, ou professores, mas a inclinação primária das suas consciências será dirigida para a cura. Poderiam encontrá-los como médicos e enfermeiras, embora normalmente não como administradores de hospital. Porém, eles podem ser psíquicos, assistentes sociais, psicólogos, artistas, ou estar nas religiões. Podem trabalhar em lojas de floricultura ou em linhas de montagem, mas nesse caso terão a cura por desígnio ou temperamento.

Mencionei várias profissões ou ocupações para traçar exemplos claros, mas um garagista pode pertencer a este grupo (Tumold), assim como a qualquer outro. Nesse caso o garagista teria um efeito terapêutico sobre os clientes, e arranjaria mais do que carros.

Os curadores também poderiam aparecer como políticos, e curar psiquicamente as feridas da nação. Um artista de qualquer tipo cujo trabalho se destine primordialmente a ajudar, também pertence a essa categoria. Você encontrará muitos chefes de estado, e - particularmente no passado - alguns membros de famílias reais que também pertencem a este grupo.


Os do grupo seguinte (Vold) são principalmente reformadores. Eles possuem capacidades precognitivas excelentes, o que evidentemente revela que, pelo menos inconscientemente, entendem o movimento das probabilidades. São capazes de trabalhar em qualquer campo. É como se eles percebessem o movimento futuro ou a direção de uma ideia, de um conceito, ou de uma estrutura. Então, aplicam toda a sua mente no sentido de trazer essa probabilidade para a realidade física.

Em termos convencionais eles poderão aparecer como grandes activistas e revolucionários, ou sonhadores impraticáveis. Eles são possuídos por uma ideia de mudança e de alteração, e sentir-se-ão, pelo menos, impulsionados ou compelidos a fazer dessa ideia uma realidade. Por regra, executam um serviço muito criativo, por as organizações sociais e políticas poderem frequentemente estagnar e deixarem de servir aos propósitos das amplas massas de indivíduos envolvidas. Membros desta família (Vold) também podem dar início a revoluções religiosas. Por regra, porém, eles têm um propósito em mente: mudar a situação vigente em qualquer área que seja de interesse primário.

Já fica mais fácil ver como os propósitos destas várias famílias podem se misturar e complementar umas às outras, e causar conflito também. Apesar de tudo, em conjunto, eles operam quase como sistemas criativos de verificação e de equilíbrio.

A família seguinte (Milumet) é composta de místicos. Quase toda a sua energia é dirigida para dentro, sem se importarem se a experiência interna é traduzida ou não em termos habituais. Por exemplo, essa gente pode ser completamente desconhecida, e normalmente são, porquanto por via de regra eles não se importam nem um pouco em explicar as suas atividades interiores para os outros – nem, para o efeito, a eles próprios. Eles são verdadeiros inocentes, e espirituais. Eles podem ser subdesenvolvidos intelectualmente, segundo os padrões reconhecidos, mas isso simplesmente deve-se a que eles não dirijam o seu intelecto para um propósito físico.

Aqueles que pertencem a esta família (Milumet) não assumirão qualquer posição de autoridade, no geral, por eles não se concentrarem por muito tempo numa informação física específica. Porém, no vosso país eles podem ser encontrados onde menos esperariam encontrá-los: em linhas de montagem que requerem a simples acção repetitiva - mas em fábricas que não requerem rapidez. Normalmente escolhem países menos industrializados, com um ritmo de vida mais lento. Possuem maneirismo simples, directos, infantis, e podem parecer estúpidos. Não se aborrecem com as convenções.

Curiosamente, porém, podem dar excelentes pais, particularmente em sociedades menos complicadas do que a vossa. Nos vossos termos eles são primitivos onde quer que apareçam. Contudo acham-se profundamente envolvidos com a natureza, e psiquicamente acham-se numa mais elevada sintonia com ela do que a maioria das outras pessoas. As suas experiências pessoais são frequentemente de um tipo mais arrojado, e a esse nível eles ajudam a nutrir a psique da humanidade.

O grupo seguinte (Zuli) acha-se principalmente envolvido com o desempenho da actividade corporal. Esses são os atletas. Em qualquer campo, eles devotam-se ao aperfeiçoamento das capacidades corporais que em outros normalmente permanecem latentes.

Até certo ponto eles servem de modelos físicos. A vitalidade da criatura é demonstrada através da beleza, da velocidade, da elegância, e do desempenho do próprio corpo. Até certo ponto essa gente é perfeccionista, e nas suas actividades sempre surgem exemplos de uma “super” realização, como se fisicamente as espécies tentassem ir além de si mesmas. Os membros desta família na verdade servem para apontar a capacidade não realizada da carne - como por exemplo, os grandes artistas Sumari podem deixar entender pistas acerca das capacidades artísticas inatas mas não utilizadas, da espécie como um todo. Os membros deste grupo lidam, pois, com o desempenho. Eles são executores físicos. Também são amantes da beleza expressada através do corpo físico.

Os membros desta família (Zuli) podem frequentemente servir como modelos para o artista ou o escritor, mas em geral transmitem a sua energia através das “artes” físicas e do desempenho. Nos vossos termos, e historicamente, apareceram geralmente surgem no começo das civilizações onde a manipulação física corporal directa sobre o ambiente era de suma importância. Assim, pois, as reações físicas normais eram simplesmente mais rápidas do que são agora; até o normal relaxamento corporal era mais profundo e completo.

A família seguinte (Borledim) lida principalmente com a paternidade e a maternidade. Esses são “os pais da terra” naturais. Quer dizer, eles possuem a capacidade de produzir crianças que de um certo ponto de vista possuem certas características excelentes. Crianças com mentes brilhantes, corpos saudáveis, e emoções claras e fortes.

Enquanto muita gente trabalha em áreas específicas, e desenvolve o intelecto, por exemplo, ou as emoções ou o corpo, estes pais e a sua prole produzem uma descendência onde um óptimo equilíbrio é mantido. Nenhum aspecto de mente ou do corpo é desenvolvido às custas de outro.

As personalidades possuem uma resistência aguda de corpo e mente, e servem como uma forte provisão para a Terra. Preciso não será dizer que os membros desta família frequentemente se casam com membros de outras famílias. Claro que a mesma coisa acontece aqui, e quando isso ocorre uma nova estabilidade é inserida pelos actos dessa família particular como uma fonte de suprimento, promovendo força física e mental. Falando em termos físicos, essa gente frequentemente tem muitos filhos, e normalmente a descendência se desenvolve bem em qualquer área escolhida da vida. Falando em termos biológicos, eles possuem certas qualidades que anulam os códigos “negativos” nos genes. Normalmente são pessoas muito saudáveis, e o casamento dentro deste grupo pode automaticamente pôr cobro às chamadas das fraquezas herdadas de várias gerações.

Essa gente (Borledim) acredita na bondade natural do sexo, do corpo, e da unidade da família – seja como for que esses atributos sejam entendidos na sociedade física à qual pertencam. Por regra, possuem uma espontaneidade encantadora, e todas as suas habilidades criativas estão direcionadas para o seu grupo familiar e para a procriação. Contudo, não são pais rígidos, nem seguem cegamente as convenções, mas pessoas que encaram a vida familiar como uma arte criativa viva, e os filhos como obras-primas em carne e osso. Longe de devorarem a sua descendência com um excesso de cuidado ou superproteção, eles alegremente enviam os seus filhos pelo mundo, cientes de que, nos seus termos, as obras-primas têm que se completar, e de já terem ajudado com a pintura de fundo.

[A Borledim] constitui o estoque que até agora sempre tem procurado que a vossa espécie tenha continuidade, não obstante as catástrofes onde seus membros dão continuidade à espécie apesar de catástrofes, e acham-se mais ou menos distribuídos por igual pelo planeta e por todas as nações. Eles são muito como os Sumari. Têm o mesmo amor pelas artes, as mesmas atitudes gerais. Normalmente buscam situações políticas razoavelmente estáveis para criar os filhos, como os Sumari fazem para produzirão a sua arte. Contudo, eles exigem uma certa liberdade para os filhos, mas conquanto não sejam activistas políticos, como os Sumari, as suas ideias frequentemente alcançam a proeminência antes de grandes mudanças sociais, e ajudam a iniciá-las. A grande diferença é que os Sumari lidam primordialmente com a criatividade e as artes, subordinando frequentemente a vida familiar, ao passo que os Bordelim pensam na descendência em termos de arte viva; tudo é subordinado a esse “ideal.”

Os Sumari frequentemente fornecem uma herança cultural, espiritual, ou artística para a espécie. A família (Bordelim) provê um estoque terreno familiar equilibrado - uma herança formada por indivíduos. Essa gente é amável, bem-humorada, brincalhona, cheias de uma compaixão viva, mas demasiado sagazes para o tipo de compaixão “perversa” que gera pontos fracos nos outros.

Um artista espera que o seu quadro seja bom – ou, se me for permitida a graça, pelo menos deveria. Essa gente espera que os seus filhos sejam harmoniosos, saudáveis, que tenham uma espiritualidade aguçada, e assim são. Encontrarão membros da família Bordelim em quase todas as ocupações, mas a preocupação principal estará na unidade familiar física.

Estes pais não se sacrificam por causa dos seus filhos; eles entendem demasiado bem o fardo que é colocado sobre tal descendência. Ao invés, os pais retêm com clareza o seu sentido de identidade e características individuais, e servem como exemplo claro de adultos amáveis e independentes para os filhos.

A família seguinte (Ilda) é composta pelos “cambistas”. Eles lidam primordialmente com o grande jogo de troca e intercâmbio de ideias, produtos, conceitos sociais e políticos. Eles são os viajantes, que carregam consigo as ideias de um país para outro, misturando culturas, religiões, atitudes, e estruturas políticas. Eles são exploradores, mercadores, soldados, missionários, marinheiros. São muitas vezes membros de cruzadas.

Ao longo dos tempos eles serviram como disseminadores de ideias, e assimiladores. Eles (os Ilda) surgiram por toda a parte. Falando em termos históricos, eles foram os piratas e escravos também. Acham-se frequentemente primordialmente envolvidos em mudanças sociais. No vosso tempo eles podem ser diplomatas, conforme também o foram no passado. As suas características normalmente são de aventureiros. Raramente vivem num único lugar por muito tempo, embora possam se a sua ocupação for negociar produtos de outra terra. Individualmente, eles poderão parecer altamente diversificados por natureza, uns dos outros, mas por regra não os encontrarão numa universidade como professores. Contudo poderão encontrá-los como arqueólogos no campo. Um bom número de vendedores pertence a essa categoria (Ilda). Nos vossos termos, eles podem ser cosmopolitas, e frequentemente ricos, de forma a possibilitar viagens frequentes.

Por outro lado, contudo, em certas estruturas, um humilde comerciante num país pequeno que viaja pelas províncias das proximidades pode igualmente pertencer a esta família. Trata-se de um grupo de gente viva, faladora, imaginativa, e normalmente agradável. Interessam-se pelo exterior das coisas, pelos costumes sociais, pelo mercado, pelas religiões populares actuais ou pelas ideias políticas. Eles semearam essas ideias de um lugar para outro. Eles são os portadores de sementes, tanto no sentido figurativo quanto literal.

Eles podem ser “vigaristas,” e vender produtos dotados de supostos efeitos milagrosos, cegar a população local com os ares citadinos. Contudo, mesmo assim eles carregarão a aura de outras ideias, inserindo frequentemente em áreas fechadas alguns conceitos com que outros já se encontram familiarizados. Os membros dessa família de consciência frequentemente fornecem novas opções. Eles podem ser cientistas, ou o tipo convencional estrito de missionários em terras estrangeiras. No vosso tempo actual, às vezes eles são Indianos, Africanos, ou Árabes, e viajar para as vossas civilizações. Eles contribuem para o enorme fluxo das comunicações. Eles podem ser mais emocionais que intelectuais, conforme vocês entendem os termos, mas são inquietos, e geralmente encontram-se em movimento. Também podem ser actores.

No passado alguns (llda) foram grandes cortesãos, e embora não pudessem viajar fisicamente, elas situavam-se no coração da comunicação - quer dizer, tinham parte na vida da corte, ou estavam envolvidas com diplomatas que viajavam.

Muitos dos cortesãos que governaram os salões da Europa pertenceram à categoria (Ilda). As Cruzadas envolveram um grande movimento desta família, em que o câmbio e o comércio, e a permuta de ideias políticas eram mais importantes que o aspecto religioso. Alguns membros desta família serviram como iniciadores de novas ordens na Igreja (Católica) no passado - os Jesuítas mundanos, por exemplo, e alguns dos papas mais sofisticados, que tinham um “bom olho” para o comércio e a riqueza. Essa gente pode ser apreciadora de artes plásticas, mas normalmente pelo valor comercial que envolve.
Bom, podem encontrá-los frequentemente nos departamentos do governo, nas áreas que envolvem viagens, assim como nas finanças. Frequentemente adoram a intriga. Apesar de tudo, eles misturam costumes.

(continua)
Tradução: Amadeu António

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