sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

UM SETH FUTURO


A ORIGEM DAS SESSÕES


Jane:


(Numa certa noite de Abril de 1968, encontrávamo-nos preparados para a nossa sessão habitual de terça-feira à noite, inconscientes de qualquer novidade que estivesse para suceder. Eu sentei-me na minha cadeira de balanço e o Rob sentou-se no sofá como de costume, a tomar notas. As pupilas dos meus olhos encontravam-se bastante abertas, enegrecidas, e o Seth parecia observar o Rob atentamente. O Seth começou a sessão 406 dando ao Rob indicações quanto à direcção que o material iria seguir nos anos seguintes:)


“Temos vindo a traçar-vos um esboço que está escassamente completo… Mas pretendemos tratar da natureza da realidade, conforme ela se apresenta no vosso sistema de camuflagem assim como noutros, e estudar as características generalizadas que lhe dizem respeito, independentemente de toda materialização.


“Parte deste material responderá automaticamente a muitas questões por que se têm interessado – problemas com que os vossos cientistas têm vindo a lidar. Discutiremos a inter-relação que existe por entre todos os sistemas da realidade, inclusive determinados pontos de contacto que os incluem a todos. Tais pontos podem ser matematicamente dedutíveis e virão, em algum futuro vosso, a servir de pontos de contacto, tirando lugar à viagem espacial em certos casos.


“Se mantiverem estes canais abertos e livres obterão material tão menos distorcido quanto possível. O alcance que o Ruburt estabelece é excelente e a região da realidade em que tenho a minha existência acha-se muito além do alcance a que as pessoas no sistema físico geralmente têm acesso... Precisam velar por que o Ruburt não tinja as suas experiências com leitura de material distorcido. Este tipo de material tem os seus objectivos e faz algo de bom, ao explicar a realidade em termos que as pessoas consigam entender, por os acessórios e as fantasias serem habituais. Só que aqui não há necessidade disso…”


(E prosseguiu dizendo para eu, Jane, me manter afastada de livros que lidem exclusivamente com os assuntos da religião convencional, que interpretam a realidade nesses termos limitados. A esta altura o Rob tomou consciência de uma energia nova e muito singular na voz do Seth, à medida que os modos se tornavam mais vigorosos. O Seth disse:)


“De futuro farei um esforço por lhes transmitir alguma experiência directa de conceitos. Experiências que acompanham, e de perto, as expressões vocalizadas dos conceitos envolvidos. Elas facultar-lhes-ão pequenos vislumbres da infeliz mas necessária perda de sentido que tem lugar quando todo conceito precisa ser comunicado em termos físicos. Esse será um tipo diferente de aprendizagem em profundidade, um desenvolvimento único e original que será tão destituído quanto possível de símbolos e estereótipos que em geral se sobrepõem quase automaticamente em tais experiências.


“Eu sou o Seth que digo ser, mas sou igualmente algo mais. A personalidade do Seth que faz parte de mim é a porção que consegue comunicar convosco com maior clareza. A porção do Seth que me pertence tem-se achado intimamente ligada a ambos, assim como eu, com respeito a isso. Isso é o que mais se aproxima da definição de energia da essência da personalidade de que, evidentemente, todas as personalidades brotam.


“Existe um canto peculiar na personalidade do Ruburt que também deflecte na tua, que lhe faculta um acesso bastante claro a canais de informação difíceis de alcançar a partir do vosso sistema… Há também um acesso a energia muito além daquilo que geralmente é experimentado O Ruburt pressentiu isso no passado, mas receou abrir esses canais até se sentir adequadamente preparado.

“Existe o que quase poderia ser comparado a uma deformação psicológica e psíquica nas dimensões, em que esse canto da personalidade do Ruburt representa o vértice, ou apogeu, em que a comunicação e o contacto podem ocorrer.”


(A seguir, para surpresa do Rob, o Seth disse-lhe para terminar a sessão, para o que devia usar do procedimento transmitido recentemente para pôr termo ao transe em que me encontrava. Depois, acrescentou:)


“Esta noite vocês foram um tanto além da personalidade por que geralmente me torno conhecido. Mesmo que eu continue a falar, termina o transe.”


(O Rob chamou-me diversas vezes, sem obter resposta. Então, tocou-me no ombro e eu dei um salto violento, o que me interrompeu o estado de transe. Eu não sabia o que estava a suceder, mas a poderosa energia continuou a fluir por mim. Se me levantasse, acho que sairia a voar pelas paredes, tão impelida que me sentia por essa força. Tinha uma sensação indescritível de volume na minha cabeça, sensação que não era nova, mas tentar contê-la era outra questão. Sacudi a cabeça. “Caramba, se alguma vez tive dúvidas… seja o que for que se esteja a passar, não procede de mim, não procede da minha personalidade.” Mais tarde anotei:


“…Uma energia espantosa pareceu correr por mim, com uma certeza definida – graças a Deus – de que vem além de mim e que é automaticamente traduzida por palavras, da minha parte. Sinto que este é um desenvolvimento tão significativo quanto – quase – as sessões originais do Seth. A noção de contacto esteve inegavelmente presente. A sensação que tive foi a de efectivamente estar em contacto com alguma realidade muito abrangente.”


(Na quarta-feira pela noite sentia-me um tanto hesitante à medida que a hora da sessão se aproximava. Instantaneamente o Rob percebeu que esta não ia ser uma sessão “normal.” Por um lado, a voz soava diferente, assemelhava-se muito mais à minha voz; no entanto não era minha. Os tons profundos do Seth, os gestos e as maneiras características de usar as palavras – tudo isso se achava ausente. A voz era mais macia do que o costume, e o Rob precisava ouvir com atenção para captar as palavras todas)


“O desenvolvimento verificado na última sessão achava-se latente na nossa primeira, mas representava um desenvolvimento que poderia ou não ter ocorrido. Caso não tivesse ocorrido, então muitos desenvolvimentos (paralelos) importantes teriam sido bloqueados. Os pontos em que a voz do Seth se apresentava mais elevada e potente – esses pontos muitas vezes representavam aberturas por intermédio das quais o desenvolvimento poderia ocorrer. Contudo, e por diversas razões, tal método não foi usado. A energia teria sido desviada da voz em que já se tinha acumulado, entendes?”

(A voz tornou-se mais leve e quase cadenciada.)


“As leis do universo interior não são leis que constem de nenhum livro, mas uma tentativa de explicar por palavras a natureza da realidade interna. Preciso desembaraçar-me de conceitos, deslindá-los para poder explicá-los, e muito se perde necessariamente durante o processo. Pretendo implementar esse material sempre que possível ao ajudá-los a ambos a tingirem a experiência subjectiva que preencha as palavras, o que variará de acordo com as condições, mas que se torna muito mais possível agora, após o último desenvolvimento.


“A personalidade do Seth tem representado um intermediário legítimo… Ele é aquilo que eu sou, não obstante, eu sou mais do que aquilo que ele é. Contudo, ele é independente e continua a desenvolver-se conforme eu o faço. Ambos temos a nossa existência no Presente Espacial. Ele conseguirá apresentar, todavia, algum do material com mais clareza do que eu.”


(A esta altura, o Rob olhou de uma forma abrupta. Se não era o Seth quem falava, então quem era?)

“Conquanto eu seja a fonte do material, na última sessão o Seth conforme o imaginam, representou por vezes um parceiro silencioso e auxiliou o Ruburt a proceder às traduções adequadas, enquanto se afastava de um modo pessoal. Em sessões iniciais o Seth interpretou material da minha parte, de forma que o Ruburt o pudesse receber. O Seth, conforme o conhecem, sempre será um elemento nestas sessões. Ele é o elo de ligação entre nós e tem sido a parte de mim que lhes tenho remetido. Ele participa de boa vontade…”


(Logo após a ligação ter sido retomada, comecei a sentir aquela energia espantosa de novo à medida que a nova voz se pronunciava.)


“Tu sempre estiveste em contacto comigo, mas só conseguias “ver” uma porção de mim. Fica certa de que todos os nomes são arbitrários e de que nós os usamos por mera conveniência. Basicamente, o nome do Seth ou o meu não têm importância. A individualidade é importante e tem continuidade por modos de que nem sequer suspeitam. Da forma mais importante, e na única básica, eu sou o Seth ao dispensar certas características que me pertencem, que eu usei para os contactos. A personalidade do Seth, uma vez mais é legítima e independente, e constitui uma parte da minha identidade. O Seth está a aprender tal como eu.


“Podiam, a título de analogia, chamar-me simplesmente um Seth futuro, o Seth num estágio de desenvolvimento mais elevado. Contudo, não devem assumir literalmente, uma vez que ambos somos independentes e existimos em simultâneo.


“Há razões para que estas ligações particulares tenham sido estabelecidas. Há eventos que são meus e que serviram como pontos de viragem no desenvolvimento das nossas diversas personalidades. De um modo algo estranho, aquilo que eu sou agora acha-se ligado àquilo que vocês são. Há pontos de contacto que nada têm que ver com o tempo, conforme o conhecem, e que são significativos para todas as personalidades; origem de novas energias que são por vezes conduzidas à existência devido às fortes capacidades psíquicas latentes nos seres individuais.


“Nesses pontos, conglomerados de novas unidades de identidade eclodem, e a sua origem cintila, conforme foi deixado entender na última frase. De seguida dispersam-se e seguem os seus caminhos, mas a sua origem mútua e o vigor desse nascimento inicial psíquico subsiste.

(A esta altura tive a percepção interior da imagem como que do nascimento de estrelas – uma tentativa, creio bem, por tornar a informação reconhecível em termos visuais.)


“Essas personalidades podem desenvolver-se de formas completamente diferentes e em várias dimensões, mas entre elas existe uma atracção por simpatia. Há um ponto de contacto em que o conhecimento pode ser comunicado a partir dessas diversas dimensões, só que por múltiplas razões para vo-las descrever aqui agora, o Ruburt acha-se nas coordenadas adequadas para que tal comunicação ocorra.


“Conquanto esta comunicação tenha lugar no tempo, é no entanto responsável em outras dimensões pelo que chamam de futuros desenvolvimentos nas nossas personalidades que podereis, a seu tempo, contactar. Eu olho para trás, para vós, como aquels Eus de que brotei, contudo sou mais do que a soma do que vierem a ser quando tiverem terminado nas dimensões e tempos que eu conheci.


“Por eu ter brotado completamente à parte de vós, e poder ser estranho, nos vossos termos. O facto de me conseguirem contactar constitui um desenvolvimento notável. Contudo, não tivessem sido capazes de o fazer, eu não seria aquilo que sou.”

(A esta altura a voz soava muito distante, elevada e clara, ao contrário da voz do Seth, o que ainda deixava o Rob surpreendido e confuso.)

“Contudo, sou mais do que esta porção de mim que contactais, por ser apenas uma porção de mim que experimentou essa realidade. É altamente importante, pois, que este material não sofra distorção, por a maior parte das comunicações ter lugar a níveis muito mais distantes (que este) – tão intimamente em contacto com o vosso próprio sistema que até mesmo a informação menos distorcida se acha altamente deformada, por os próprios comunicantes não perceberem que criam as suas realidades que depois passam a descrever.

“Eu dei o meu melhor para vos garantir uma compreensão como base para futuras sessões. O Seth conforme o conheceram também virá a ser o Seth conforme o conhecem, porquanto, quer fale ou deixe de o fazer como eu próprio, através dele, ele ainda representa o intermediário e o elo de ligação entre nós. Mais, ele deverá surgir conforme o conheceram. Há obrigatoriamente elementos emocionais que são característica única dele. A estrutura da minha personalidade é de longe diferente – muito gratificante para mim, mas estranha para vós...

“Não quero que sintam que lhes tenham tirado um amigo. Mas eu também sou um amigo. Em muitos aspectos sou o mesmo amigo. Outras porções de mim acham-se interessadas por outros locais, por eu ter noção da própria existência que tenho em outras dimensões e as acompanhar e dirigir os muitas identidades que possuo.”

(Quando a sessão terminou sentei-me a conversar com o Rob e disse: “É uma loucura. Quando temos uma sessão habitual com o Seth, sinto mais ou menos o Seth assumir o controlo, embora o termo em si não me agrade. Com esta personalidade, contudo, pareço ir para outra parte qualquer, fora de mim própria, ao deixar o meu corpo vazio. Não sei como chego lá, seja onde for, nem como regresso.”
(O Rob acenou com a cabeça e ambos sentimo-nos, por um lado, quase tristes. Creio que receamos que as nossas sessões tenham terminado, e que as novas fossem ocupar o seu espaço. “Além disso, que iremos chamar a esta nova personalidade?” Tínhamos noção de que basicamente era sem sentido, mas sentimos que precisávamos de um nome, um rótulo. Mas de que modo seria essa personalidade diferentes da do Seth? Que poderia ela fazer que o Seth não pudesse? Algumas dessas perguntas foram respondidas na sessão 419.

“Nós somos o Seth e sempre falamos somos conhecidos como Seth. A entidade teve os seus começos antes do aparecimento do tempo. Foi instrumental, com muitas outras entidades, na formação inicial da energia na forma física. Não nos encontramos sós nesse empreendimento, pois ao longo dos vossos séculos, outras entidades como nós também apareceram e comunicaram.

“A nossa entidade é composta por inúmeros seres dotados de identidade própria, muitas das quais trabalharam em prole disso. As suas mensagens serão basicamente sempre as mesmas, embora o tempo e as circunstâncias dessas comunicações possam diferir e ser tingidos em conformidade. Não precisais preocupar-vos. Vocês têm a vossa própria situação e condições a tratar. Nós ensinamos o Homem a falar antes que a língua conhecesse as sílabas. Nós adoptamos quaisquer caraterísticas de personalidade que parecerem pertinentes, por dispormos de um banco completo de identidades interiores, todas quantas são Seth. Procuramos traduzir realidades em termos que consigam entender; mudamos face e forma, mas somos sempre únicos. Muitos de nós não nasceram na carne - conforme eu não nasci. De certo modo semeámo-nos por universos sem fim. Todavia, outras porções da personalidade surgiram na carne, enquanto outras porções ainda de nós sempre nascerão na carne, por aquilo que uma porção de nós conhece, as outras porções o perceberem, até certo ponto.

“O Seth conforme o conhecem não reencarnará de novo, mas outras porções da mesma entidade nascerão na carne, por termos parte em todos os mundos e todas as realidades. Encontramo-nos por entre as mais antigas entidades, segundo os termos que empregam. De certo modo semeamo-nos por universos sem fim. Em termos físicos haveriam de me ver como mais pequeno do que uma noz de castanha, por a minha energia se achar altamente concentrada. Ela tem existência numa massa intensificada enredada e entrelaçada com aspectos do momento, tal como uma célula infinita que existe contudo em inúmeras dimensões ao mesmo tempo e a estender-se por interligações até mesmo da minha própria realidade através de outras na vossa sala. No entanto, numa massa tão reduzida essas intensidades contêm recordações e experiências electromagneticamente enroscadas umas nas outras, por meio das quais posso viajar, assim como posso viajar através de outros identidades que conheci e que representam porções da minha identidade – e mesmo como vós, tão grandes e volumosos no tamanho que apresentam – são ainda uma porção dessas lembranças que têm existência na minha identidade, e ainda assim magnificamente não determinadas. Por não existirem como personalidades acabadas ou completas na minha memória mas crescerem na memória que tenho.

“Vocês cresceram através das minhas memórias como as árvores crescem ao longo do espaço, e a minha memória mudar conforme vós mudais. As minhas recordações incluem as vossas entidades prováveis, e todas essas coordenadas existem em simultâneo num “lugar” que não ocupa espaço. A minha realidade inclui isso tudo, no entanto essa realidade do que sou altera-se constantemente à medida que as coordenadas satisfizerem os seus valores. Eu falo-vos por intermédio de inúmeros prismas, prismas esses que representam coordenadas que variam mesmo a medida que falo.

“Eu disse-lhes que a personalidade do Ruburt funciona como uma torção provocada nas dimensões. Em determinadas coordenadas existem determinados pontos particulares que servem de acesso e determinadas coordenadas fundem aí os canais da informação que se acham abertos. A própria personalidade constitui uma fonte de energia. Ora bem, isto é de alta importância; a personalidade opera e sempre tem operado desse modo. Por si só é como um postigo ou uma área transparente por meio da qual outras áreas poderão ser vislumbradas e através da qual informação proveniente de outras dimensões pode fluir. Em geral, a personalidade é formada por componentes que existem em muitas realidades e constitui um vértice. Uma janela não consegue ver através de si própria, mas vós podeis ver através de uma abertura. Assim, os resultados desta personalidade podem ser vistos. A personalidade é igualmente transparente para com a vossa natureza, e ao aprender a usar essas habilidades que lhe são naturais ela consegue facilmente fundir a consciência com os fenómenos naturais. Com respeito a isso, a personalidade do Ruburt é transparente.

“Bom, a forte estrutura do ego foi adoptada como um guarda necessário e protector para manter as habilidades em observação até que a presente personalidade aprenda a desenvolver as suas capacidades a um nível cabal. Por a energia existente por detrás da personalidade poder varrer a temporária (...) psicológica sem que um suficiente preparo tenha sido realizado. Por isso, não censurem o ego.

“A estrutura da personalidade do ego tinha que ser forte, por a totalidade da personalidade em muitos aspectos consistir numa personalidade transparente por intermédio da qual podemos falar e por meio da qual outras realidades podem ser vistas. Em muitos aspectos básicos esta afirmação é feita no sentido literal e não simbólico. Em si mesma, a personalidade é formada por componentes que existem em muitas realidades e constitui um ápice. Sem que o perceba, a personalidade opera como um transmissor, ao emitir mensagens para outras porções da realidade. As capacidades precisam ser usadas, os impulsos criativos usados em pleno em todas as áreas – psíquica, espiritual, na área mais terrena da escrita e da pintura, por essa energia assolar a personalidade e não poder ser represada. 

Material Seth - Capítulo 17


"Também iremos desenvolver o conceito de Deus, em termos à minha escolha, as gestalts de consciência piramidal de que lhes falei no passado. Isso será fornecido junto e como parte das características básicas da realidade, divorciadas da materialização da camuflagem. Em termos mais amplos, o termo "realidade" bem como as características que lhes darei como atributos dela serão vistas como parte integrante de uma consciência psíquica unificada de que todas as outras consciências emergem. Essas consciências emergentes formam novos aspectos do momento, criam constantemente novas experiências de realização de valor, para que a realidade geral seja criada do mesmo modo que cria. Numa escala limitada, muito limitada, este processo é insinuado no material que tem que ver com os aspectos do momento, a acção e a personalidade."

Sessão 406


Robert Butts:

(Quando a Jane começou a falar às 9:11, usou a mesma voz em tom elevado e um tanto distante, exactamente de antes, aquela que pertence ao que designamos de uma forma um tanto imprecisa de Entidade do Seth. Uma voz muito clara, sem muito volume, que faz muitas pausas, muitas delas curtas. Uma das suas muitas singularidades é a de terminar uma frase num tom animado, em vez de a voz descer no tom final habitual. Tal efeito por vezes ainda me ilude por eu acreditar que a frase tivesse terminado quando na realidade a Jane só tinha feito uma pausa breve a meio da frase. Sem qualquer saudação, e com os olhos frequentemente abertos:)

"Nós dissemos-lhes que a informação é destituída e sentido, a menos que seja interpretada de forma a poderem entendê-la. Em termos mais amplos, o conhecimento não pode ser simplesmente cedido; precisa ser experimentado. Embora não me achem tão pessoalmente caloroso quanto o Seth com quem se acham familiarizados (a olhar-me fixamente) eu sou uma personalidade. Esta informação não lhes chega do nada. O conhecimento não tem existência nesses termos."

(Este material relativo à personalidade seguiu-se à conversa que tivemos antes da sessão.)

"Sem o tipo de conhecimento direccionado que estão a receber, terão o que parecerá ser inspiração, um negócio de acertar ou errar, que como regra é altamente distorcido. No caso das nossas sessões, habitualmente acostumaram-se a manipular determinadas coordenadas, manipulação essa que aumenta constantemente a capacidade que têm de receber informação da nossa parte e de alcançarem resultados consistentes. As coordenadas afectam o sistema físico, ou nenhuma comunicação do género seria possível. Far-se-á necessária uma personalidade ou a informação parecerá altamente caótica e ficarão sem saber como decifrá-la, mesmo que fossem capazes de a receber. Isso é muito importante.

"Nós dispensamos-lhes não só informação e auxílio na sua interpretação, como também lhe acrescentamos a nossa própria experiência, junto com ela. O vosso Seth haveria de dizer que nós a deciframos em vosso benefício e que depois a servimos de uma forma asseada numa bandeja."

(A Jane sorriu com os olhos amiúde abertos, enquanto dispensava esta informação. A voz também se mostrava um tanto mais enfática e veloz; talvez esta passagem revele o aspecto mais individualista desta personalidade, até à data.)

"A informação indecifrada, uma vez mais, mostrar-se-ia sem sentido, ou mesmo indigna de confiança. A experiência inicial do Ruburt representou um encontro desses. Foi unicamente pela capacidade dele que foi capaz de traduzir a informação para si próprio, até certo ponto."

(Referindo-se nesta passagem à tentativa que a Jane fez por escrever o livro "Universo Físico Enquanto Construção de Ideias", por que se bateu durante semanas antes das sessões terem tido início.)
"O Seth passou-lhe a informação num sonho. Ele tinha receio do Seth, mas não da informação. Bom, uma alteração das coordenadas envolve uma deslocação efectiva do foco interno e de uma extensão dos sentidos interiores. Um a das razões das mudanças verificadas nas sessões, é a de conceder ao Ruburt uma experiência nessa linha. por um lado, ele vê-se forçado a ir mais longe na realidade interna, por eu não me chegar a vós de imediato enquanto Seth, conforme têm ideia que ele o faça. E como não me apresento aqui de tal forma imediata, então o Ruburt precisa ir mais longe. O Seth encontra-se já entre nós, para a auxiliar no processo.

"Bom, na vossa última sessão foi dada ao Ruburt uma experiência primária. Questionastes como seria uma personalidade que jamais se tivesse formado na matéria física, e eu ajudei-o em termos subjectivos a atingir uma percepção dessa condição. Ele penetraria muito longe nesse conceito, mas conseguiu ir por entre as existências físicas conforme as conhece, e disse aos estudantes que sentia como se estivesse entre dois mundos - coisa que esteve. A resposta, nesse caso, não era dada por palavras, e de início não percebeu que a experiência por que passara representava tanto uma resposta quanto (que) ele podia receber."

(É verdade. A percepção disso chegou-lhe na noite passada ao descrever o sucedido aos alunos das aulas de percepção extra sensorial. Isso representava uma novidade para mim também, por ela não me ter dito nada acerca do sucedido. Disse que entre acontecimentos desses se tornava surpreendentemente mais fácil esquecê-los. Muitas vezes, uma pergunta ou uma afirmação da minha parte recordava-lhe que tinha algo a contar-me, por exemplo...)

"Certas questões poderão, por vezes, ser respondidas, sem que seja por palavras, embora ele seja capaz de interpretar as respostas. Essa foi unicamente a primeira tentativa que fizemos. A sensação de tensa neutralidade que o Ruburt agora sente antes das sessões é simplesmente causada pela estranheza resultante da alteração das coordenadas relativamente àquelas a que tem estado habituado.
...

"As minhas próprias características são diferentes, contudo, tornar-se-vos-ão evidente com o tempo. O contacto acha-se somente nos seus estágios iniciais e a abordagem ainda não é suficientemente robusta para chegar a ter peso, segundos os termos que empregam. (A sorrir) Vocês dispõem de uma sinal fraco, muito embora seja melhor do que aquele que receberam no passado. As explorações que fazem estão a levá-los simplesmente mais longe mas há manipulações a fazer antes que o vosso sinal se fortaleça na medida do que pode. Tivestes sinais indicadores da sua força potencial na sessão em que o Ruburt sentiu fortemente a energia. (Sessão 406)


"O vosso próprio mundo, a partir da minha própria perspectiva não tem existência da maneira que estou certo fazer sentido para vós. (A sorrir, de olhos abertos) Fazer previsões de curto-prazo tornar-se-ia dificílimo para mim, uma vez que não consigo decompor o tempo a esse ponto, conforme o imaginam. Percebo, em vez disso, de relance,  segmentos inteiros aparentemente do campo do vosso tempo. O vosso Seth conforme o vêem, percebe o vosso próprio sistema de uma forma mais clara. Do meu ponto de vista não percebo o vosso universo físico conforme vocês. Percebo os vossos valores psíquicos e as intensidades emocionais, e compreendo que percebem apenas pequenos segmentos delas. Ao decomporem o presente espacial em momentos, que então passam a experimentar, também decompõem a identidade psíquica, as gestalts, em pequenas estruturas do ser.


“Assim como decompõem a hora em tantos segundos, também decompõem identidade em diversas estruturas do ser, sem perceberem os pontos de união inatos. Não estou a dizer-lhes que a individualidade não exista, ou que seja uma ilusão, e que como tal eu não a perceba. O que lhes estou a dizer é que vocês não percebem a vossa própria individualidade como uma identidade num todo. Para mim isso seria altamente desfavorável, e do meu ponto de vista vós encontrais-vos muito mais sós do que eu. Do meu ponto de vista torna-se difícil compreender a intensa preocupação que sentem por um sistema que represente uma porção tão reduzida de toda a vossa experiência.


“Consigo perceber muitos outros sistemas similares ao vosso mas não consigo penetrá-los facilmente por forma nenhuma familiar, a fim de experimentar a camuflagem conforme vós o fazeis. Todavia, nem sempre tenho consciência daqueles que vocês sentem ser. O Seth disse-me que num futuro qualquer, nos vossos termos, ele me ajudaria, com respeito a isso, a chegar perto de dar uma espreitadela. Se isso ocorrer, o provável é que venham a saber disso., por tal se evidenciar, embora eu não surja numa forma material. Eu procuro instruí-los, pelas razões apresentadas antes, e essa instrução também me beneficia.”



(O material que se segue a um curto intervalo reflecte assuntos que discutimos durante o intervalo. Uma vez mais a Jane retomou na voz nova.)


“Eu falo da minha posição natural. Posso alterar o meu ponto de vista, em cujo caso o vosso sistema se tornará muito mais claro para mim. Eu posso, claro está, alterar coordenadas e experimentar os conceitos directamente, mas o vosso sistema não é um que eu tenha explorado com alguma atenção real. A esta altura o Ruburt acha-se intrigado com a extensão que os seus sentidos interiores alcançam Ele encontra-se na realidade a cruzar vários sistemas, mas não tem qualquer liberdade para os explorar horizontalmente. Isto é suficiente para a sessão desta noite. Agora podem convocar o Seth se o preferirem.


(“Eu não sei o que o Ruburt quererá fazer.”)


“Então vou deixar que ele decida.”


(A Jane sentou-se em silêncio por um instante, e logo abriu os olhos.)


(“Boa noite.)


(A Jane disse que não sabia como chegar ao Seth “a partir daquela vertente,” referindo-se ao estado de transe, embora o tenha feito antes. Ela respondeu que ia fazer um intervalo e que o alcançaria da circunstância do estado em que se encontrava. A Jane comentou que quando fala pela entidade do Seth, tem a sensação de se estar a esvaziar em qualquer parte, e que quando o Seth fala por ela, a “enche.” Mas que no primeiro caso ela não tem noção do lugar para onde vai.


(De seguida o Seth falou, o que me deixou um tanto surpreendido, por pensar que a sessão tivesse terminado. O Seth era vigoroso e tinha vitalidade e mostrava-se imediato.)


(“De que modo irás ajudar a outra personalidade a experimentar a realidade física?” Perguntei-lhe.)


“Vou pegá-la pela mão e guiá-la até aqui, para o pôr em termos figurados, claro está. Eu disse-lhe que seria bom estender-se nesta direcção, mas ele tem toda a razão. Se ele o fizer, tu saberás.”


(“Disseste ele?”)


“Eu tenho que empregar o termo por vós, e “si-mesmo” não faria sentido.”


(Também tive vontade de perguntar ao Seth como haveríamos de dar pela presença da sua entidade, mas não interrompi, por o Seth parecer ter querido prosseguir.)


“Entende, uma vez mais, que tais divisões são arbitrárias. Nós fazemos parte – somos porções independentes – da mesma personalidade, ele e eu. Se não tiveres mais perguntas vou deixá-los na tranquilidade do vosso lar. Sempre que quiseres que eu anime as vossas sessões, contudo, fá-lo-ei. Mas certamente que me encontrarei por aqui frequentes vezes, nas nossas sessões habituais.


Sessão 411




Seth:


“Ora bem, há também mais alguém, senão na nossa sessão, então envolto nela, esta noite, de modo que somos dois quem os contacta. Pensariam que um de nós fosse suficiente…


(Isto constituiu uma surpresa, e levei algum tempo a perceber que o Seth se referia à sua personalidade mais ampla, à sua entidade, conforme lhe chamamos, que tem ocasionalmente falado através da Jane com uma voz muito diferente.


(Dei por mim mesmo a pensar como seria possível que a Jane falasse pelo Seth enquanto ao mesmo tempo tinha consciência da entidade do Seth. Não estou certo de ser a mesma situação que a do passado, em que a Jane tanto falou pelo Seth como pela sua entidade na mesma sessão.)


“Uma nota respeitante aos vossos astronautas e à sua última excursão; novos desenvolvimentos que envolvem a ionosfera foram feitos durante essa viagem, que para os vossos cientistas constituem desagradáveis experiências, uma vez que já não se ajustam às teorias anteriores.


(De novo, uma surpresa, uma vez que não tínhamos pensado em pedir ao Seth qualquer informação relativa aos astronautas quanto à reentrada que farão amanhã de manhã. Trata-se da Apollo 7, a nossa primeira nave tripulada por três homens que se encontrou em órbita durante 11 dias – um voo bem-sucedido. Não tínhamos qualquer conhecimento de qualquer experiência que a tripulação possa ter conduzido que envolvesse a ionosfera ou qualquer outro experimento, na verdade.)


“Inicialmente será pensado que tenha sido cometido um erro da parte de um dos tripulantes da nave, que tenha operado certos controlos, só que uma informação proveniente de outros controlos provarão que não foi cometido erro nenhum. Parecerá insignificante, uma questão de apenas alguns graus nas medições, porém, altamente significativo.”


(A esta altura, o John Bradley disse: “Eu espero que ele consiga.)


“Contanto que não tente orbitar a Terra A actividade dos íons, apenas ligeiramente contrária ao esperado, deixará ainda assim claro que os cientistas não tinham previsto actividade. As suas previsões basearam-se em hipóteses não verificadas por não ser possível verificá-las em condições efectivas até este voo. Para os cientistas isto parecerá querer dizer que a ionosfera seja menos estável do que supunham. O erro foi deles, no passado. O voo apontará simplesmente a correcção mas significará que eles se sentirão menos seguros com relação à aterragem na lua. 


(NT: Que com efeito, não foi sequer tentada, embora a tenham simulado num embuste cinematográfico, relacionado com o voo da Apollo 11, por os cientistas não terem conseguido sequer dar garantias de sucesso prévias quanto a uma retirada bem-sucedida dos astronautas do solo lunar)
 

“Nos seus termos parecerá que a actividade molecular seja menos previsível do que imaginavam. Os Russos já tinham descoberto isso. Bom, a irritabilidade da tripulação (Shirra, Eisele e Cunningham) não se deveu, conforme o Ruburt suspeitou, ao relativo e também simbólico isolamento, embora tenha tido alguma influência. Deve-se, em vez disso, à extensão de tempo passado em órbita relativa e às variações electromagnéticas que a esse nível afectam o cérebro, e em certa medida a actividade motora. O relatório dos membros da tripulação também apontará alguma disfunção da actividade motora – uma reacção errática em vez de regular. Uma certa dificuldade no movimento dos dedos, que será relatada confidencialmente. O percebimento disso esteve por detrás da irritabilidade expressada contra novos testes, por os homens funcionarem bem nos testes para que tinham sido preparados e exercitados.”


(O transe da Jane tinha sido excelente, mas ele abandonou-o facilmente antes que eu lhe dirigisse a palavra. Agora, ela dava-nos conta de uma outra personalidade que se encontrava por perto, e de sentir um ligeiro efeito pirâmide. Ela sussurrou: “O outro acha-se por perto.” Durante o intervalo, depois do Seth ter acabado de falar, ela começou a ter a sensação de pirâmide. Passamos a explicar ao John algo acerca da outra personalidade, uma vez que ele desconhecia tudo quanto a ela.

(Eu achei que a outra personalidade, que ainda não tem nome, falaria após o intervalo. Após a conversa que tivemos, a Jane sentou-se erecta na cadeira de balanço, de olhos fechados, cabeça inclinada para trás, em silêncio e com os lábios a mover-se sem emitirem qualquer som, como se estivesse a experimentar, a tentar uma abordagem justa de modo a que a outra personalidade pudesse ter acesso por ela.


(Por fim, lá começou. Conforme esperado, a voz fez-se anunciar alto e em bom-tom e com clareza, aparentemente distante e assexuada; bastante afastada de qualquer iminência emotiva. Os olhos da Jane permaneceram cerrados. Em comparação, o ritmo mostrava-se bastante acelerado. Como era habitual, esta nova voz terminava as frases com um acento de animação inesperado, de modo que muitas vezes uma frase era terminada e outra tinha início enquanto eu redigia sem a pontuação adequada, para depois voltar atrás e acrescentá-la devidamente.)


“Vós assemelhais-vos a crianças com um jogo, nos vossos termos, e pensais que esse jogo seja jogado por todos. A vida física não é regra. A identidade e a consciência existiram muito antes da vossa Terra ter sido formada. Vocês vêem corpos físicos e supõem que toda a personalidade deva surgir em termos físicos. Nenhum de vós é material; aquilo que é duradouro não é material. A esse respeito, pelo menos, vocês não diferem de mim. A consciência é a força que se encontra por detrás da matéria, e ela forma muitas outras realidades para além da física. Apenas por o vosso ponto de vista ser presentemente tão limitado é que vos parece que a realidade material seja regra e o modo e o propósito da existência. A fonte e o poder da vossa presente consciência não é nem nunca foi material, e onde me encontro muitos nem sequer têm consciência de que tal sistema físico exista. Vós escolhestes a vossa própria ilusão, de modo que precisam aceitá-la, e da perspectiva que têm precisam entender as que existem para além dela. Existem muitas ilusões, mas essas ilusões também são reais, uma vez que são criadas e têm existência. A vossa não é uma que tenha simplesmente seguido, e um dos objectivos da minha aparição nestas sessões é a de familiarizar aquele a quem chamamos Ruburt com a viagem interior, por ele precisar abandonar o sistema conforme o conhecem, e ao fazê-lo estabelecer hábitos e caminhos que poderão ser usados em sua vantagem.


“Contudo, a situação não é muito estável, a esta altura. Aqueles que se encontram onde eu me encontro, não se familiarizaram directamente com o vosso sistema. Nós não fizemos parte dele, embora alguns de nós tenhamos observado os seus desenvolvimentos e interagido com ele por outras formas. Cuidamos dele em paralelo, com a nossa energia. Outros, como vós, introduziram vários conceitos nele, e envolveram-se de uma forma mais directa. Nós existíamos muito antes do vosso começo, em termos físicos…


(A voz da Jane sumiu-se. Pensei que isso pudesse representar uma interrupção típica sem aviso prévio da parte da nova personalidade. Também me achava preparado para interromper caso pensasse que a Jane precisasse sair do transe e sentisse alguma dificuldade. O John e eu aguardamos. Passaram-se dois minutos. A jane sentou-se com a cabeça inclinada para trás, de olhos cerrados e a cabeça a acenar um pouco, um efeito geralmente notado desde o último intervalo. Por fim tossiu, e eu comecei a falar com ela. Aí surgiu o Seth de novo, em voz alta de clara; a brusquidão deixou-me espantado.)


“Agora que o irmão mais velho teve a sua oportunidade, vou trazer-vos a nossa Ruburt de volta e deixar que façam um intervalo. Dentro de pouco tempo estará aqui.”


(A Jane disse que com a nova personalidade não estava ainda muito certa de como sair do transe. Neste caso ela ficou a aguardar apenas, após o que pressentiu o Seth, caloroso e emotivo num movimento de auxílio. Ela disse que certos ruídos a perturbavam enquanto falava em nome da outra personalidade e que, se ela a tocasse sem se encontrar preparada, sentiria co se tivesse caído pelo espaço a gritar, etc.


(A jane pressentiu que essa outra personalidade regressaria nessa noite e disse que pretendia aguardar e deixar que se desenvolvesse até formar um género de chaminé ou corredor aberto de modo a conseguir elevar-se por ele acima e estabelecer contacto. Caso contrário, precisaria esforçar-se por abrir caminho para o estabelecer. Ela realmente não tem ideia quanto ao modo como estabelece o contacto nem como o cronometra – contudo a pirâmide ajuda nisso.



(A esta altura a Jane sentiu de novo o efeito pirâmide e sentou-se recostada na cadeira de baloiço, de olhos fechados, e começou a acenar com a cabeça e a mover os lábios em silêncio, após o que retomou com um ritmo acelerado e em alta voz, etc.)


“Vocês têm estado de tal modo imersos na realidade física, através da reencarnação, que até os vossos sonhos os envolvem com objectos, e mesmo nos vossos sonhos dificilmente escapam às unidades físicas que construíram. Torna-se-vos difícil perceber qualquer conhecimento ou realidade a menos que seja interpretada em termos físicos, ainda que tal interpretação distorça altamente a própria informação. Quando se permitem ter liberdade no estado de sonho, quando se permitem uma experiência directa da vossa realidade, quando não o recordam. Nos sonhos continuais a criar pseudo objectos; até mesmo nas viagens que fazem por experiências noutros campos da realidade, vocês continuam a insistir na parafernália da objectividade até ela os aprisionar, e não conseguem ver além dela.



“As porções íntimas da vossa identidade e realidade não vos são conhecidas, por as não conseguirem objectivar, pelo que as não percebem. Assim, muita da vossa energia é usada em tais produções que não conseguem permitir-se perceber nenhuma realidade senão a vossa própria. Como crianças a brincar com blocos, o vosso foco de atenção situa-se nos blocos físicos. Outras formas e contornos que podiam perceber, deixam de perceber; mesmo ao lhes explicar outras realidades preciso recorrer às palavras, formas e contornos, ou não entenderiam o que quero dizer.


“Vós recebestes as vossas matemáticas de nós; um vestígio de matemáticas, por aqui uma vez mais terem insistido em debruar realidades, ao aplicarem elementos mais vastos aos vossos blocos. As ideias que fazem do progresso acumulam blocos maiores, como crianças sentadas no chão. Contudo, nenhum de vós pensaria em pôr de lado os vossos blocos de construção em fúria, ou em dizer-lhes para porem de lado os vossos brinquedos de criança, embora um dia o venham a fazer. Posteriormente, na vossa vez, olharão para o sistema físico como gigantes a perscrutar por pequenas aberturas os outros que então ocuparem a vossa posição actual, e sorrirão, mas não quererão ficar nem arrastar-se por entre os pequenos recintos, nem tão pouco temos nós tal intenção.


“Nós protegemos por todas as formas tais sistemas. Não precisamos ter consciência deles. O nosso conhecimento básico e ancestral e energia automaticamente se estende a sustentar todos os sistemas em crescimento.”


(Aproximadamente às 10:35 A Jane subitamente pôs-se em altos brados e começou a abanar a cabeça violentamente de um lado para o outro, enquanto permanecia sentada na cadeira. Os movimentos eram de tal modo violentos que receei que ela tombasse da cadeira. O John levantou-se de um salto para a segurar do lado direito. Um copo de cerveja estatelou-se em pleno chão. Um segundo mais tarde encontrava-se à sua esquerda, depois de ter contornado a mesinha do café para me chegar a ela.)


(Os olhos da Jane tinham permanecido cerrados e assim continuavam. Estranhamente os óculos ainda se encontravam no rosto, por não os ter deixado cair durante os violentos safanões que sofreu. Agora tinha sossegado, mas levamos alguns instantes, o John e eu, a persuadi-la a abandonar o transe. Preciso não será dizer que o final e a reacção foram do mais incrível que tínhamos visto. Quando os movimentos começaram eu chamei por ela em altos brados mas não consegui fazer-me ouvir.)


(Quando por fim se sentiu capaz de falar, a Jane disse que tinha experimentado um conceito a fim de acompanhar as palavras da personalidade; já o tinha feito antes ao falar pela entidade do Seth (Seth Dois) e já nos tinha sido dito antes que essa era uma das razões ou propósitos para ela falar por essa nova personalidade. “Mas esta foi uma demonstração acidentada,” disse ela, “e não foi lá grande coisa.”)


(“Não tinha a certeza,” disse a Jane, “é extremamente difícil de traduzir por palavras,” mas enquanto pronunciava as deixas adequadas, ela sentiu que era um gigante, e que olhava para o John e para mim na sala, embora permanecesse de olhos cerrados. De seguida experimentou uma formidável sensação de crescimento e sentiu os órgãos dela a aumentar de volume, juntamente com o John e comigo na sala. Tudo mantinha o seu tamanho relativo mas ela sentia uma enorme sensação de aumento, “como se cada um de nós tivéssemos crescido até atingirmos a estatura de elefantes,” disse ela.)


(“Não estou certa dele ter partido ou não,” disse, “mas subitamente era eu própria e tudo se achava em curso. Foi fantástico; vi-me completamente imersa naquilo… não o consigo descrever. Estava de tal modo ciente de tudo quanto se encontrava na sala, mas tive sempre os olhos cerrados. Não foi lá muito boa, esta experiência.”)


(Eu tive esperança que isso significasse o término da sessão, mas passado um bocado tornou-se evidente que a Jane tinha vontade de prosseguir, ou pelo menos mostrava-se disposta, a despeito da experiência perturbadora. Eu tentei demovê-la mas ela manteve os olhos cerrados, e por fim decidiu continuar.

(“Estou no encalço do outro,” disse ela, “e acabei de passar pelo Seth que gracejou comigo alguma coisa relativa a um encontro massivo.” Por que é que não desistes? perguntei-lhe. “Não sei como fazê-lo.”)


(Às 10:55 a Jane retomou já no habitual tom de voz elevado e distante, muito formal e de olhos cerrados.)


Os blocos da realidade física parecem-vos muito reais quando permanecem na sua perspectiva. A vossa Ruburt experimentou uma transmigração de sistemas. Não era para ser desagradável, mas a interpretação dada foi da autoria dela. Primeiro viu-se envolvida numa aventura microscópica. A consciência não ocupa espaço – precisam entender isso. A seguir penetrou no vosso sistema de blocos materiais e em comparação esse sistema pareceu-lhe enorme e monstruoso.



Quando estabelecemos contacto a personalidade e a consciência dela fazem uma viagem de um modo concentrado, qual partícula de poeira no espaço – nos vossos termos – enquanto a consciência se reduz à sua essência, e com base nessa experiência deixamos que se enquadre de volta no sistema físico. Os blocos de crianças, em comparação, tornaram-se então massivos. Tratou-se de uma experiência de conceitos, e por isso, um avanço da vossa parte. (A sorrir)


(Às 11:02 a Jane fez uma pausa e eu falei-lhe de novo, ao que ela me respondeu num sussurro: “Tira-me daqui para fora.” Toquei-lhe no ombro e chamei-a pelo nome umas quantas vezes, conforme o Seth certa vez me tinha instruído que fizesse, e ela saiu do transe com relativa facilidade. Ela disse que tinha uma mão cheia de conceitos para nos revelar mas que por ora não pretendia experimentá-los, pelo que chamou por mim. Desde a última pausa que eu vinha ininterruptamente a dirigir-lhe a palavra, para lhe proporcionar alguma coisa a que se agarrar. Ela disse que não sabia como ou o que me costumava dizer, mas que tinha ideia de ser alguma coisa. A certa altura ia gritar “esquece isso” à voz, mas não se sentiu com voz para tanto. Ela descreveu algumas experiências subjectivas que pensara que a personalidade a iria levar a experimentar. Uma sensação de espaço exíguo que se aproximava, a contrária sensação de gigante, etc. Eu disse-lhe que ela precisava anotar toda aquela informação, ao que ela respondeu que as ideias se extinguiam rapidamente; as sensações vinham despidas de descrição, coisa a que não se achava acostumada. Ela pensa que entra em pânico e que isso põe termo à voz. O efeito de pirâmide estava a diminuir às 11:15)


Sessão 443



“Além dessa identidade existe uma outra, e ainda uma outra, da qual estou inteiramente ciente, e essa identidade é capaz de ver através da realidade física. Para essa identidade realidade física não passa de um sopro de fumaça – e essa identidade não carece das características que são do vosso conhecimento e que acham tão enternecedoras. No entanto não é distinto de emoções mas uma identidade que condensou as emoções, e não permanece distanciada.”


(Durante este monólogo, a voz do Seth trovejou alto e bom som, mas quando terminou, a Jane saiu abruptamente do transe. Contudo, em vez de pegar nos óculos como habitual, permaneceu na cadeira, a abrir e a fechar os olhos: “Estou a sentir o efeito pirâmide,” disse lentamente, ao traçar a forma triangular com as mãos por sobre a cabeça. “Sinto como se essa sensação de pirâmide descesse sobre a minha cabeça e como se estivesse a ser sugada por ela – quer dizer, bem sei que não passa de uma imagem, mas…”)

(As palavras sumiram-se-lhe; os olhos fecharam-se, as mãos relaxadas nos braços da cadeira. De facto parecia que todo o corpo de Jane tinha atingido o ponto-morto, como se não tivesse qualquer personalidade. Nós observamos desorientados. Que diabo seria aquilo? A Jane respirou fundo algumas vezes, com inalações e exalações prolongadas, e lambia os lábios repetidas vezes, para de seguida começar a falar – numa voz ténue, num tom forte e completamente inanimado que não parecia humano, como a voz da matemática, caso a matemática tivesse voz. O Brad precisou virar o microfone para cima para poder captar as palavras num tom forte e monótono de lamuria que saiam pelos lábios da JaneJ


“E essa identidade diz-lhes que existe uma realidade para além da realidade humana, para além das características humanas que conhecem… e que nessa realidade até mesmo sou um anão e que existe um conhecimento que jamais chegará a ser verbalizado,” disse a voz.


“E existe uma experiência que jamais poderá ser traduzida em termos humanos. Embora esse tipo de existência lhes possa parecer frio, constitui uma existência clara e cristalina – em que tempo nenhum é necessário, nos vossos termos, para experimentarem – em que o eu interno condensa todo o conhecimento humano que foi recebido por vós através das vossas várias existências e reencarnações, foi codificado e existe de forma indelével.”


 “Saibam que dentro do vosso físico os átomos têm noção de que a origem de toda a consciência ainda canta, e que todas as características humanas por que chegam a conhecer-se ainda existem no olho da consciência da totalidade, jamais reduzida mas sempre presente.”


“Assim, eu sou o Seth que se acha para além do Seth que conhecem. E em mim o conhecimento e a vitalidade desse Seth ainda entoam. Nos vossos termos eu sou um futuro Seth. Porém, esses termos para mim não fazem qualquer sentido, por ele ser o que eu fui, nos vossos termos.”


“Nós formamos a realidade que conhecem. Nós dirigimo-nos a vós desde os começos do vosso tempo. Inspiramos e auxiliamos aqueles dos vossos profetas que buscaram por nós. Queremos que percebam que existe consciência para além da forma, que existe consciência dotada de vontade e vitalidade que lhes chega de além daqueles sítios que até mesmo o vosso Seth conhece. Queremos que entendam que embora nos seja difícil comunicar, nós falamos à vossa raça antes de a vossa raça aprender a dominar a fala. Transmitimos-lhes imagens mentais com base nas quais aprenderam a moldar o mundo que conhecem.”


“Nós transmitimos-lhes o padrão através do qual os vossos seres físicos são formados. Transmitimos-lhes os padrões a partir dos quais formais a realidade de todas as coisas materiais que conhecem. A mais diminuta célula do vosso cérebro foi conseguida a partir dos padrões de consciência que lhes transmitimos. Transmitimos-lhes o padrão sobre o qual formaram todo o vosso universo físico… assim como a compreensão existente em cada célula, o conhecimento que a célula possui, o desejo que tem de organização foi-lhes transmitido por nós. Toda a ideia de interligações foi iniciada por nós. Nós ensinámos-lhes a formar a realidade que conhecem.”


(A voz deteve-se. A Jane permaneceu sentada por vários minutos, apenas os olhos se moviam para trás e para a frente, por debaixo das pálpebras cerradas. Por fim, Sally Benson estendeu-se e tocou-lhe o braço. “Jane?” chamou ela. “Jane, Jane, estás aí?”)


(“Sim, estou aqui,” respondeu aquela, com os olhos ainda fechados. Pelo menos abriu os olhos, sentou-se erecta e colocou os óculos. “Whoosh!” disse ela. “Ainda sinto aquele efeito de pirâmide. Creio que tenha sido o Seth Dois, não?”)


(Numa outra aula desse Outono, o Seth tinha falado acerca da reencarnação quando começou de novo a falar comentando como as características porque o conhecíamos constituíam apenas uma fracção da sua realidade, que usa muitas vezes como instrumento de ensino:)


“Eu apareço-lhes em termos familiares de modo a poderem ter uma noção dos laços que existem entre nós, que com efeito têm existência…”


“Assim, quando me dirijo a vós, faço-o muitas vezes por simpatia e compaixão, por saberem tão pouco e terem tanto a percorrer – contudo percorrem um caminho que eu já percorri, de modo que a certa medida consigo penetrar na vossa existência e entender a realidade conforme ela lhes surge…”


(Desta vez, ciente de certos palpites que as palavras do Seth deixaram antever e de uma sensação de aceleração no discurso, suspeitamos do que estaria a suceder. E as palavras do Seth começaram a sumir-se e a Jane deslizou para esse estranho transe do Seth Dois deixando o corpo completamente imóvel, excepto os lábios – num contraste directo com a natureza energética do Seth.)


“Deixem que as características humanas por que me conhecem se desvaneçam na própria perspectiva,” começou por dizer a voz ténue e monótona. “O Seth conforme o conhecem, situa-se no meu passado, numa realidade que dificilmente relembro. Ele constitui uma porção da minha realidade e como tal ele continua a existir. Agora; ele tem existência na sua própria realidade, contudo, para mim isso é passado.”


“Eu sou não só aquilo que ele um dia se tornará, nos vossos termos, como sou muito mais. E em mim o vosso Seth, conquanto permaneça uma identidade em desenvolvimento por conta própria, na minha memória representa uma recordação distante. Nós enviámo-lo a vós, segundo os vossos termos, em algum passado indescritivelmente distante. Ele penetrou no vosso universo numa realidade que acho difícil de recordar. Ele transmitiu orientação ao vosso género durante eternidades do vosso tempo…”

“Eu não compreendo suficientemente a experiência em que presentemente se acham envolvidos, nos vossos termos,” prosseguiu a voz, e pela sua expressão tornou-se evidente que os sentidos, conforme os conhecemos, se achavam fora da alçada da experiência desse ser.”


“Nós encontramo-nos envolvidos na formação de criações, realidades, consciências – mundos que se situam para além da vossa compreensão, nos quais o Seth conforme o conhecem é uma sombra na percepção que tenho. Contudo, ele faz parte daquilo que eu fui. Parece existir uma diminuta conexão entre ele e o Ruburt que conhecem…”


“Nós formamos as realidades, nós damos à luz universos inteiros; mas em vós acha-se agora, posso-lhes dizer, o sopro da criatividade, a fonte de Tudo-Quanto-Existe, de que vocês fazem parte.”

(A Jane deteve-se. Suavemente abriu os olhos e o Seth habitual falou: “Bom,” disse em tom de gracejo, “regressamos para trazer o nosso bom amigo (referindo-se à Jane) que se acha perdido pela terra do nunca. Só um instante…”)


(Eventualmente a Jane regressou por entre aquela danada de coisa em pirâmide, conforme lhe chamou, e pediu um intervalo mas quase de imediato a voz do Seth Dois regressou:)


“Não imaginem que não somos indivíduos, ou por que pareçamos alheios não conheçamos o júbilo ou a criatividade. O nosso júbilo formou universos… Possuímos a energia que lhes concede a vossa luz do sol… Cada um de vocês existe no meu momento presente embora não reconheçam os seres que são. Auxiliarão a criar essas realidades de que falo…


(A Rachel, numa aula em que debatemos o Seth Dois disse não gostar daquela pessoa, e que queria o velho Seth de volta; que falar com aquela coisa era como falar com uma máquina – à excepção realmente não conseguirmos falar com ela.)

“Ele não é tão cintilante quanto eu – mas lá tem as suas razões!” respondeu o Seth, ao tomar parte na conversa.

“Bom, não obstante as observações bem-humoradas que faço acerca da personalidade a que chamam Seth Dois, deixem que lhes diga uma coisa: Não conseguem traduzir as dimensões da sua personalidade. Aquilo que ele é não pode ser traduzido nos vossos termos. As suas ideias não podem ser traduzidas nesses termos, por não lhes poderem chamar legitimamente ideias da forma que estão acostumados a pensar. Para ele uma ideia constitui uma experiência criativa. Aquilo que pensa existe de imediato.”

“A energia dele situa-se para além do meu conhecimento – e a sua criatividade também. Não me vou alongar na descrição daquilo que ele é – nós temos os nossos próprios caminhos a seguir. No entanto, achamo-nos ligados. Parte da minha energia também tem procedência dele, entendem? Bom, acontece que gosto mais dos meus mundos, caso contrário não regressaria tanta vez. Eu sempre lidei com a emoção, só que ele lida com aquelas realidades que tornam a emoção possível…”

(Muito embora o Seth nos dissesse muitas vezes ao longo dos anos que não se dirigia a nós em termos simbólicos – ou que os símbolos que empregava se achavam prenhes de um significado bastante pessoal e literal – não apreendemos a maior parte do significado dessas aulas, deixando mais ou menos a cargo da Jane e do Rob um exame do que sucedia abaixo da sua superfície. Sei que houve alturas em que a compreensão os terá deixado frustrados, e em que a Jane considerou pôr termo às aulas de uma vez por todas; por um lado, conquanto essas proezas da personalidade emanassem da própria psique dela, na maior parte das manifestações ela nem sequer se achava “ali,” por assim dizer. Contudo, nós encontrávamo-nos todos presentes desde logo por pelo menos suspeitarmos ser criaturas muito mais dimensionais do que tínhamos sido levados a crer no passado. Assim, gostava de saber como poderemos ter perdido as implicações inerentes à personalidade do Seth Dois. Na altura, acho que o teremos visto como uma coisa impessoal esquisita, uma extensão do Seth cujas palavras soavam a uma certa retórica misteriosa destinada a demonstrar outra das faculdades multifacetadas da Jane. Hoje, conforme o Seth habitual, acredito que as palavras dessa personalidade combinavam um desígnio literal e simbólico de tal modo que as nossas considerações unilaterais dos eventos habituais simplesmente nos confundem.)

(Em Janeiro de 70, o Seth habitual pregou-nos uma longa dissertação acerca das “regras,” conforme colocou a questão: “Vós criais o vosso universo – vós criais com base no sistema que conheceis, o mundo que conheceis. As regras são que dentro de vós há conhecimento, e que precisam buscar dentro – e não fora – para o encontrarem. As regras são que este universo é criado pelas ideias que têm existência em cada uma das vossas mentes… sem excepções.

(À medida que o Seth terminava essa garantia de que nós no universo físico “não nos encontramos abandonados nem sozinhos,” a Jane fez uma pausa em pleno transe, sossegou o Seth com uma exuberância de gestos, e começou a falar na voz forte e distinta do Seth Dois:)

“Vós não compreendeis as estruturas da personalidade multidimensional,” disse. “O que não quer dizer que não existam. É verdade que a vossa realidade não pode ser traduzida nos vossos termos emocionais. As emoções, conforme as conhecem, não passam da representação de lampejos diminutos da nossa realidade. Sempre velamos. Nós somos os vigilantes e os protectores - e vós nunca estivestes sós. Nós tratamos de vós com o zelo com que os jardineiros cuidam das suas adoradas plantas. Preocupamo-nos com o vosso desenvolvimento e sustento.”

“Existem desenvolvimentos nas vossas próprias identidades de que não vos achais presentemente cientes… mas estão de facto a aprender a tornar-se criadores, e nos vossos termos, já são criadores. Através do produto das vossas criações aprenderão a ver-se a si mesmos e a conhecer aquilo que são. E através do espelho da realidade física percebem vocês materializados os eus internos. Por meio das vossas criações chegareis a perceber as capacidades que têm, assim com as responsabilidades, tal como nós.”

(A Jane falava agora pelo velho Seth habitual:)

“Vós encontrais-vos, espero bem, em meio a um jardim da consciência,” disse ele, “e do mesmo modo que uma flor desabrocha, também vocês são levados a desabrochar. Não conseguem perceber o jardim, embora se encontrem nele, mas há emanações que permanecem invisíveis para vós. Mas se fosse a vocês dar-me-ia por muito feliz, por haver alguém por perto que mantenha a ordem e os olhos postos nas coisas e que cuide do vosso suprimento espiritual quando tiverem esquecido que coisa seja o espírito.”

(Em Junho de 71 o Seth voltou a sugerir que fechássemos os olhos e que tentássemos seguir imaginariamente a sua voz:)

“No estado Alfa Um estão acostumados a um curto passo adjacente além do que chamam de vossa consciência,” disse ele durante o longo solilóquio tranquilizador. “Agora, quero que dêem um passo além desse estado e quero que percebam que de facto são altamente perspicazes e que ao vosso redor e em todas as direcções ao vosso redor se encontram no modo de as bloquear, mas por ora estão a aprender a aceitá-las; estão a aprender a abrir portas que tinham sido fechadas…”

“Além dessa porta acham-se realidades que sempre conheceram e gente de quem sempre foram conhecidos. Quero que abram somente os olhos internos e vejam os seus rostos. Abram o núcleo interno e escutem as suas vozes. Quero que perambulem livremente e com alegria por essas outras realidades adentro, realidades essas que existem agora tão seguramente quanto esta sala existe… e assim, um a um, os sentidos interiores poderão começar a operar de modo que o que vêem se possa tornar claro e o que ouvem possa ser vocalizado, claro e vigoroso…”

“Quero que percebam que estão a obter vislumbres de uma realidade que tem existência agora, nos vossos termos; que existiu no passado e que nos vossos termos virá a existir no futuro…”

(Durante aquele exercício muitos de nós experimentaram imagens mentais vívidas… Membros da aula descreveram aquilo que tinham visto; vários tinham encontrado cenas tão vívidas e tão completamente reais quanto eu. Foi excitante e intrigante.)

“Ainda não terminei a aula,” disse o Seth, ao tomar parte no debate que entretanto se tinha iniciado. “Vamos penetrar num nível mais emocional. Não os deixarei esquecer isso mas por hoje o experimento não terminou… Quero conceder-lhes um breve instante em que de certo modo sintam as vastas distâncias em que a vossa própria realidade tem o seu significado, assim como as outras dimensões da existência em que vocês também têm a vossa cota parte.” 

(A Jane sentou-se na cadeira, e depois de uma espera prolongada de pelo menos cinco minutos, começou a falar pelo Seth Dois, enquanto o seu corpo afrouxava de novo.)

“Certas traduções estão a ser efectuadas em vosso benefício, de modo que estas comunicações possam fazer sentido,” disse o Seth Dois. “Nós ajudámo-los a manter as vossas vidas tal como vocês ajudam a manter existências de que não têm qualquer conhecimento. Nós observámo-los tal como vocês observam outros, contudo, tão vasta é a distância, nos vossos termos, que a comunicação se faz difícil.”

“Nós observamos com formas humanas. Vocês percebem-nos assim de forma distorcida. Nos vossos termos, as formas que adoptamos seriam geométricas. Não entendemos muito claramente a natureza da realidade que estão a criar, muito embora as sementes lhes tenham sido fornecidas por nós…”

Testemunho de Susan Watkins

“Bom; A alma conhece a si mesma, e não se deixa confundir por termos nem definições. Ao expor-lhes a natureza de minha própria realidade, espero ensinar-lhes acerca da natureza da vossa. Vocês não estão limitados a qualquer categoria ou recanto da existência. A vossa realidade não pode ser medida, assim como a minha. Ao escrever este livro espero ilustrar a função da consciência e da personalidade, e ampliando os vossos conceitos. 

“Bom: eu comecei por lhes dizer que estava a ditar este material através dos auspícios de uma mulher de quem eu gostava muito. Quero dizer-lhes agora que isso envolve outras realidades. Os próximos parágrafos serão escritos por uma outra personalidade, que se encontra mais ou menos na mesma posição que eu, com respeito à mulher através de quem falo neste momento. (Pausa)

 Nós somos as vozes que falam sem um idioma próprio. Somos as fontes da energia da qual vocês procedem. Somos os criadores, mas também fomos criados. Nós semeamos o vosso universo, tal como vocês semeiam outras realidades. Não existimos nos vossos termos históricos, nem conhecemos a existência física. O nosso júbilo criou a exaltação de onde vem o vosso mundo. A nossa existência é tal que a comunicação convosco precisa ser feita por intermédio de outros. Símbolos verbais não têm significado para nós. A nossa experiência não é passível de ser traduzida. Esperamos que a nossa intenção o seja. No escopo infinito da consciência, tudo é possível. Existe significado em todo o pensamento. Percebemos os vossos pensamentos como luzes. Eles formam padrões. (Cada sílaba era pronunciada cuidadosa e separadamente.) Por causa das dificuldades de comunicação, é-nos praticamente impossível explicar-lhes a nossa realidade. Saibam apenas que nós existimos. 

Enviamos-lhes imensurável vitalidade e apoiamos todas as estruturas de consciência com que se acham familiarizados. Vocês nunca estão sozinhos. (Pausa) Sempre lhes enviamos emissários que entendem as vossas necessidades. Embora não nos conheçam, nós estimamo-los. Seth é um ponto de referência meu - nosso. Ele é uma porção antiga de nós. (Pausa) Encontramo-nos separados, mas unidos. (Pausa prolongada) O espírito sempre forma a carne. 

(Este foi o final da sessão. Como sempre, quando Seth Dois fala, o fim não é anunciado e chega sem a saudação calorosa e emocional que em geral envolve o Seth, a Jane e eu. (A Jane sentia olhos pesados. Por alguns minutos, sentiu dificuldade em mantê-los abertos. Ela não tinha mudado de posição durante a transmissão, e tinha experimentado os mesmos efeitos de cone. Eu precisei pedir que uma ou duas palavras fossem repetidas quando o barulho dos carros interferiu.) 

Sessão 589

 “Bom: Continuemos. Há tipos de consciência que não podem ser decifrados em termos físicos. A “personalidade” que deu origem aos parágrafos que vocês acabam de ler, é um desses casos. Conforme existiu, existe entre essa personalidade e eu o mesmo tipo de ligação que existe entre Ruburt e eu. Porém, nos vossos termos, o Seth Dois está muito mais afastado da minha realidade do que eu da do Ruburt. Vocês podem imaginar Seth Dois como uma porção futura de mim, se preferirem, contudo, há muito isso envolve muito mais. Eu sou eu mesmo, para empregar aqui termos simples numa tentativa de tornar mais claras estas ideias. Em estado de transe, o Ruburt pode contatar-me. Em estados de alguma forma semelhantes a um transe, eu posso contatar o Seth Dois. Nós estamos ligados de modos muito difíceis de explicar, unidos em teias de consciência. A minha realidade inclui, pois, não apenas identidades reencarnatórias, mas também outras gestalts de seres que não possuem, necessariamente, quaisquer ligações físicas. 

“O mesmo se aplica a cada leitor deste livro. A alma acha-se, pois, aberta. Ela não constitui qualquer sistema espiritual ou psíquico fechado. Eu tentei demonstrar-lhes que a alma não é uma coisa separada, e que não se encontra à parte de vós. Ela não se mais separada de vocês do que Deus. Não há necessidade de criar um deus à parte, que tenha existência fora do vosso universo e esteja separado dele, como não há necessidade de pensar em uma alma como uma entidade distante. Deus, ou Tudo Quanto Existe, é uma parte íntima de vós. A energia “d’Ele” forma a vossa identidade e a vossa alma, e da mesma forma faz parte de vocês.
 
“As minhas próprias personalidades reencarnatórias, eus prováveis, e até o Seth Dois, existem dentro de mim neste momento, tal como eu existo dentro deles. Nos vossos termos, o Seth Dois é mais avançado. Nos vossos termos ele é mais estranho, uma vez que não consegue relacionar-se com a vossa existência física tão bem quanto eu, por causa dos antecedentes que tenha nela. Ainda assim, a minha experiência enriquece o Seth Dois, e suas experiências me enriquecem na proporção em que eu sou capaz de percebê-las e traduz-las para o meu próprio uso. Da mesma forma, a personalidade do Ruburt é expandida por meio da experiência, assim como o melhor dos professores aprende com cada uma das dimensões de actividade. Em termos mais amplos, a minha alma inclui as minhas personalidades reencarnatórias, o Seth Dois e os eus prováveis. Por falar nisso, acho-me tão consciente dos meus eus prováveis, quanto das minhas reencarnações. 

“O vosso conceito de alma é simplesmente muito limitado. Não me refiro realmente em termos de almas agrupadas, embora esta interpretação também possa ser feita. Cada “parte” da alma contém o todo – um conceito que, estou certo, irá surpreendê-los. Quando se tornarem mais perceptivos quanto à vossa própria realidade subjectiva, irão familiarizar-se com porções maiores da vossa própria alma.
“Quando pensam na alma como um sistema fechado, percebem-na como tal, fechando-se para com o conhecimento da vossa criatividade e das vossas características mais significativas. O Seth Dois representa aquilo em que de certa forma me tornarei, para o referir nos vossos termos; contudo, quando eu me tornar no que ele é, ele já será algo diferente. Nos mesmos termos, somente agora o Ruburt consegue tornar-se no que eu sou, mas então eu serei algo muito diferente. 

“Cada um de vocês está envolvido no mesmo tipo de relacionamentos, achem-se ou não cientes deles. Embora lhes pareça que as reencarnações envolvam eventos passados e futuros, elas representam existências paralelas ou adjacentes à vossa própria vida e consciência actuais. Falando em termos relativo, outros aspectos da vossa identidade superior existem perto e ao redor delas.  

(A Jane estava a falar intensamente pelo Seth, os olhos abertos e muito escuros. Ela fez uma série de gestos circulares no ar)  

“As respostas à natureza da realidade, o conhecimento infinito de Tudo Quanto Existe que todos vós buscais, encontra-se dentro da vossa presente experiência. Elas não serão encontradas fora de vós, mas se se dirigirem para dentro de vocês mesmos, através de vocês e através do mundo que conhecem. Espera um instante. (Pausa de um minuto, de olhos cerrados) Certa vez eu fui uma mãe de doze filhos. Ignorante em termos de educação, longe de ser bonita, especialmente nos anos mais avançados, com um gênio difícil e uma voz rouca. Isso foi em Jerusalém, no século sexto. As crianças tinham muitos pais e eu fazia o melhor que podia para sustentá-las. O meu nome era Marshaba. 

“Morávamos onde podíamos, acocorados nas soleiras das portas e, por fim todos a esmolar. Contudo, naquela existência, a vida física apresentava contraste, uma agudeza maior do que jamais conhecera. Uma crosta de pão parecia-me muito mais deliciosa do que qualquer pedaço de bolo com cobertura, como jamais me parecera em vidas anteriores. Quando os meus filhos riam, eu ficava extasiada de alegria, e apesar da nossa pobreza, cada manhã o facto de não termos morrido durante o sono, ou não havermos sucumbido à fome era uma surpresa triunfante. Escolhi aquela vida deliberadamente, assim como cada um de vocês escolheu a vossa, e fiz isso por as minhas vidas prévias me terem deixado demasiadamente entediado. Eu tivera demasiado conforto e já não me focava com clareza nas delícias e experiências físicas verdadeiramente espectaculares que a Terra pode proporcionar. 

“Embora eu gritasse com os meus filhos e às vezes berrasse furiosa contra os elementos, fui atingida pela magnificência da vida, e aprendi mais sobre a verdadeira espiritualidade do que o fizera como monge. Isto não significa que a pobreza leve à verdade, ou que o sofrimento seja bom para a alma. Muitos que enfrentaram as mesmas condições comigo, pouco aprenderam. Significa que cada um de vocês escolheu as suas condições de vida por pelos seus próprios motivos, sabendo de antemão quais eram as vossas fraquezas e os vossos pontos fortes. (Pausa) Na gestalt de minha personalidade, quando nos vossos termos vivi vidas posteriores mais ricas, aquela mulher tornou a viver em mim – do mesmo modo que, por exemplo, a criança se acha viva no adulto - cheia de gratidão ao comparar circunstâncias posteriores com existências anteriores. 

“Ela me instigou a usar melhor as minhas vantagens. Também convosco, as vossas várias reencarnações em grande parte ocorrem simultaneamente. Tornando a usar a analogia da vida adulta, é como se a criança dentro de vocês fizesse parte da vossa memória e experiência, contudo, de uma outra forma, como se os tivesse deixado, ou separado de vós, como se vocês fossem apenas um adulto com quem a criança se tenha “sintonizado.” Assim, as pessoas que eu fui seguiram o seu próprio caminho e, contudo, fazem parte de mim, e eu delas. 

“Eu estou vivo na memória do Seth Dois, como um eu do qual ele brotou. Entretanto, o eu que eu sou agora não é o eu do qual ele brotou. Somente as vossas ideias rígidas do tempo e da consciência fazem com que estas afirmações pareçam estranhas, porquanto repito que num contexto mais amplo, eu consigo lembrar-me do Seth Dois. Todas essas ligações, se acham pois, abertas. Cada evento psicológico afecta todos os demais. Podem fazer um intervalo. (Para mim, mais alto:) Se não entenderem claramente alguma coisa, avisa – porque se não o entenderem, o leitor também não o entenderá. (“Está bem.” A Jane não tinha imagens da mulher a que o Seth se estava a referir)

“Todas as existências e toda a consciência se acham interligadas. Somente quando vocês pensam na alma como algo diferente, separado e, portanto, fechado, são levados a considerar um deus que exista em separado – uma personalidade que pareça ser distinta da criação. Tudo Quanto Existe é uma parte da criação, mas é mais do que a criação. Existem gestalts piramidais de seres impossíveis de descrever, cuja percepção inclui conhecimento e experiência do que lhes pareceria um vasto número de outras realidades. Nos termos do que estou a referir em vosso benefício, o vosso presente pode, por exemplo, incluir a vida e a morte do vosso planeta num momento do “tempo” deles. A existência do Seth Dois encontra-se na orla externa de uma galáxia de uma consciência desse tipo.

(Pausa) Quando o Seth Dois fala, o Ruburt inicialmente percebe o seguinte: a consciência dele esforça-se para subir e por seguir um caminho interior psíquico, um funil carregado de energia, até que, simplesmente, não consegue avançar mais. Parece-lhe então que a sua consciência saia do corpo por meio de uma pirâmide invisível, cujo topo aberto se estende até longe, no espaço.  

“A esta altura ele parece estabelecer contacto com símbolos impessoais cuja mensagem às vezes é traduzida automaticamente por palavras. Na verdade, este ponto representa uma urdidura nas dimensões, um lugar entre sistemas que tem muito mais a ver com a energia e a realidade psicológica do que com espaço, porquanto o espaço não tem significado. Em tais ocasiões eu estou quase sempre presente como tradutor. O conhecimento que tenho de ambas as realidades é necessário para a comunicação. (Pausa prolongada) O Seth Dois acha-se familiarizado com um conjunto de símbolos e de significados completamente diferentes, de modo que, neste caso, duas traduções estão a ser fornecidas – uma por mim e outra pelo Ruburt. Espero que alguns conceitos sejam transmitidos desta forma, pois não poderiam ser transmitidos de outra. Essas fusões de realidade e experiência, essas mensagens de um sistema para outro, ocorrem continuamente por várias formas, surgindo no vosso mundo com uma ou outra vestimenta – como inspirações de variados tipos. Por outras palavras, vocês estão a ser ajudados. 

“Entretanto, vocês também estão a usar as capacidades que têm, porquanto as vossas próprias características determinam, em grande medida, a quantidade de ajuda que recebem. O simbolismo evidente ao Ruburt, quando o Seth Dois fala, funciona bem, mas para fora  também quer dizer para dentro, e assim, a consciência viaja tanto para dentro quanto parece ao Ruburt que viaje para fora. Esses contactos e esse conhecimento estão à disposição de todas as pessoas. Tudo Quanto Existe fala a todas as Suas partes, não através de sons, trombetas e fanfarras a partir do exterior, mas comunica as Suas mensagens através do material vivo da alma existente em cada consciência...

Sessão 589 Seth Speaks

Tradução: Amadeu António

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