sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

AS BASES DA RELAÇÃO

Boa noite. Estou muito encantado por estar na vossa presença. Esta noite você pediram que explorássemos a via dos relacionamentos e o que eles significam, aquilo que são, e como se evita os bloqueios nos relacionamentos que muito frequentemente se desenvolvem no indivíduo.

Uma das primeiras coisas que eu gostaria de lhes perguntar é: O que é um relacionamento? O que é? Ninguém sabe? Que coisa é?

Comunicação. Tudo bem, o que mais? Associação. Partilha. Se eu lhes falar numa relação, qual é a primeira imagem que isso suscita em vós? Alguém com quem falar.

Estamos a ter um relacionamento neste momento. Neste instante estamos a estabelecer um certo relacionamento. Estamos a aprender algo sobre o outro, estamos a aprender algo sobre a forma como pensamos, estamos a aprender a compartilhar experiências e energias, e isso é um relacionamento. Todas as relações são baseadas em certos ingredientes, e um bom relacionamento interage a todos os níveis do ser. Portanto, para eu ter um relacionamento bem-sucedido convosco, devo respeitá-los, pois o respeito é a própria essência que permite que uma relação exista. Ao respeitá-los, a vossa individualidade, a vossa singularidade, eu aceito-os, e com essa aceitação, eu permito que o relacionamento se forme. Portanto, de mim vocês não terão nada além de respeito, nada além de aceitação, que diz que podemos formar no âmbito dessa energia do relacionamento. O que essa relação vai fazer por vós é baseada em como vocês sentem essa situação e se sentam uns com os outros.

Uma relação é baseada em mente, corpo e espírito; e a emoção, é claro, faz parte disso. Mas uma relação que seja puramente física, destituída de qualquer participação mental ou de partilha espiritual, de qualquer sentimento, não pode sobreviver, pois ela irá sobreviver apenas enquanto existir a química corporal. E na medida em que a química corporal de toda a gente se acha em constante mutação, e na medida em que o único factor absoluto no vosso universo é a mudança, então vocês precisam respeitar a ideia de que não vão ser ser a mesma pessoa num relacionamento desde o seu início até ao seu termo, que se lhes vão apresentar diferenças nessa relação.

Quando se espera que um relacionamento seja o mesmo desde o seu início até ao fim, ele é imediatamente submetido à tensão, pois, se vocês são indivíduo que se acham em crescimento, seres únicos e maravilhosos, não podem continuar na mesma. E se vocês pudessem, todos vocês ainda andariam a correr em fraldas. Você tem que permitir o crescimento. Então, quando você se reúnem, há uma certa quantidade de medo, há uma certa quantidade de desconfiança, por não saberem o quão vulneráveis venham a optar por ser. Quão longe em vocês irão permitir que alguém entre e quão longe se irão permitir entrar nessa pessoa.

É tudo baseado em uma única experiência, é tudo baseado em um interesse único, ou envolverá mais? Os dias bons e os dias ruins serão igualmente respeitados? Porque, se tiverem um relacionamento genuíno, não esperem lá que não venham a ter o que pensam ser dias ruins. Irão ter dias em que não são a mesma pessoa, e irão ter dias em que não terão a certeza se quererão esse relacionamento. E eu não me importo se é um relacionamento entre um homem e uma mulher, um relacionamento com o vosso chefe, um relacionamento com um amigo, há dias em que as energias não estão em sincronia. Isso não significa que o relacionamento tenha ido “por água abaixo,” mas significa que se o respeito se achar presente, se a aceitação da pessoa como um indivíduo único, e a aceitação de si mesmo como um indivíduo único, vocês não irão ter medo de dizer: "Hoje não foi um dia de sonhos, mas isso não muda o que existe."

Quando se fala de uma relação de amor, precisam reconhecer que o amor é o anel da unidade que repousa sob a diversidade da personalidade. E que nessa unidade suportam as idiossincrasias do personalidade e do ego. E assim, se o amor estiver presente, o amor não é um sistema de troca. O amor não é uma lista de controlo que diga que se tu fizeres isto, eu faço aquilo. O amor não é uma lista de controlo que diga: "Eu vou esperar para ver o quanto me é dado antes de eu dar de boa vontade ". É uma partilha. Ter um bom relacionamento é conhecer a si mesmo, porquanto conhecendo-se a vós próprios, sentir-se bem com relação a vós próprios, bem o suficiente para partilharem de vós, sem receio que alguém os devore e os faça desaparecer. O amor não é dominação, não é uma moléstia, é uma partilha, e vocês só podem partilhar aquilo que são. Assim, o primeiro passo para um bom relacionamento é saber quem você é, o que você é, e até onde querem ir com ele.

Um relacionamento não pode basear-se em valores externos. Ele tem que se basear em valores internos. Não importa se se trata de um trabalho, um amante, um cônjuge. O vosso sistema de valores deve vir de dentro de vós, e a compatibilidade dos sistemas de valor deve ser reconhecida a partir de dentro de vós. Nenhuma pessoa poderá torná-los íntegros, e se acham que possa, você estão enganados. Somente vocês podem tornar-se íntegros. Por isso, se acharem que toda a vossa vida dependa de ter uma pessoa - um homem, uma mulher, qualquer coisa que seja - vocês estão enganados. O vosso sucesso e o vosso valor baseia-se em vós. Se vocês reconhecerem a beleza em vós mesmos, e que você são um indivíduo único, e que a vossa beleza é a realidade de vós próprios, e a partilha dessa realidade é facilmente conseguida quando a aceitam como uma realidade.

A maioria das pessoas faz de conta. Tentam ser o que alguém pensa que eles devam ser.
Tentam ser o que a sociedade ou a cultura diz que seja correto. Tentam a viver por um outro padrão que pode não coincidir com os seus próprios, mas, a menos que se voltem para dentro, para o interior de si mesmos, para o padrão interno, elas nunca serão capazes de compartilhar verdadeiramente a si próprias.

A relação baseia-se no carinho, e até mesmo num negócio, tem que ser carinho com relação ao negócio. Se vocês tiverem um emprego, e a única coisa que pensarem sobre ele for o “Quão pouco conseguirei fazer pelo tanto que eu possa obter,” vocês estarão a criar uma péssima relação com esse trabalho, e esse trabalho nunca virá a dar-lhes satisfação. Tentem agradecer o trabalho pelo que quer que seja que ele lhes dê, tentem criar amizade por ele durante um tempo, tentem ver uma alegria e uma dádiva nele, e você irão descobrir que o ambiente no trabalho começará a mudar, e irão descobrir se não se sentirão muito mais vivos e muito mais satisfeitos com ele.

Em situações de trabalho, muitas vezes, na vossa cultura e sociedade, a processo de progresso tem um certo padrão. Esse determinado padrão de progresso nem sempre concorre para o bem-estar do indivíduo. Alguém pode ser um excelente trabalhador numa determinada área, mas por o padrão de progresso dizer que agora devam ir para a gerência, ou para alguma outra área, podem chegar ser péssimos gerentes. Em vez disso, devia haver reconhecimento pelo valor do trabalho feito e deixar que a promoção viesse disso. Deixem que o prestígio se traduza pelo facto de fazerem o que fazem bem, tão bem quanto o fazem. Se isso for padrão mais saudável num negócio, não será também um padrão que seja mais saudável no relacionamento? Por que não deixar que o indivíduo seja aquilo que ele faz bem, no relacionamento?

O vosso mundo tem um monte de coisas que estão a sofrer uma reviravolta actualmente. Muitos homens têm preferido tornar-se muito mais domésticos, e muitas mulheres estão a sair para exterior e a agarrar-se ao mundo dos negócios. Vocês sabem por quê? Deve-se à neutralização dos sexo, mas não entrem em pânico, por isso não lhes retirar a masculinidade nem a feminilidade, mas retira-lhes o receio que o homem tem de ser gentil e o medo que a mulher tem de ser forte. Retira-lhes o estereótipo que diz: "Eu tenho que desempenhar de determinada maneira. Eu preciso ser uma boa cozinheira. "Talvez não gostem de cozinhar; talvez ele o faça, e que é que haverá de errado com isso? Isto significa voltar a essas listas de controlo de que falamos anteriormente.

Relacionar-se, estar juntos, é formar um padrão de aceitação com base no que vocês têm, não em determinados critérios estabelecidos por alguém que não tenha qualquer ideia dos ingredientes que o vosso relacionamento contenha. Assim, uma relação tem de se mover além da cerca branca e dos dois carros e dos dois cães, um gato, três peixes dourados ou assim. Precisam ter um relacionamento baseado no que têm, na realidade disso. E sempre que houver um problema no relacionamento, vocês precisam descascar a emoção e considerar os factos, por ser com os factos de qualquer situação que você pode fazê-la andar e nada mais. Não importa se estão a lidar com o orçamento, as personalidades, o que quer que seja. Precisam olhar para o que se ache presente e lidar com o que contiver. Ele não pode ir a parte nenhuma até que saibam e vejam o que comporta. E assim, precisam permitir que o crescimento ocorra pela aceitação, pela aceitação de que vocês podem não saber tudo, e talvez ele/a não saiba tudo, mas entre vocês, vocês poderão conhecer tudo. Isso pode fazer uma diferença significativa.

Num relacionamento, você tem que estar disposto a vê-lo como uma coisa viva, uma coisa que respire, não como algo que tenha sido conseguido hoje, como comprar um naco de pão no supermercado que podem esquecer por agora o terem na vossa prateleira. É algo que exercitam o tempo todo. Mas o único lugar que vocês podem mudar um relacionamento é em si mesmos, por não poderem tornar ninguém na imagem moldada que querem, a menos que esse alguém também o queira.

Há alguma pergunta? Por favor, façam perguntas, se tiverem, por ser com isso que isto tem que ver. Sim, a água? Sim, vou “molhá-la.”

Pergunta: Pensando no casamento tradicional, em que se faz a promessa de amar alguém. Poder-se-á realmente prometer amar? Isso será ridículo ou será verdade?

A promessa de amar vem da profundidade do sentimento do momento, e essa promessa de amar irá deparar-se diferente com aspectos diferentes dessa promessa à medida que avançarem. Muitas cerimônias de hoje não prometem nada; eles simplesmente aceitam o que se lhes apresente. Eles oferecem-se para proteger e orientar e ajudar, mas não fazem quaisquer declarações precipitadas, por assim dizer.

Vocês precisam entender que em qualquer momento, as promessas que fazem, as ações que você tomam, são baseados no nível de consciência e no nível emocional do momento e dessa altura. E àquele que ama, soa muito lógico prometer amor eterno, e quem poderá afirmar que não possa acontecer? O receio de que a promessa possa não ser real já diz que não é.

Vocês estão a sair de uma Era de Peixes, em que a estrutura e a forma ditavam que o casamento era para sempre. Ditava que eram treinados para uma carreira e ficavam nela até morrer. Vocês encontram-se agora na Era de Aquário, do espírito e da corrente, baseada no círculo, e existe um fluxo constante, uma coisa sem fim, e assim neste período de tempo vocês podem dar por vós a experimentar diversas carreiras, antes que a vossa vida termine. E assim, vocês têm que fluir. E eu acho que seja melhor molhá-la. Está bem?

Assim, no caso dessa afirmação eu diria para investigarem a razão por que a promessa é da máxima importância. Alguma outra pergunta?

Pergunta: É intimidante. Num relacionamento em que estejamos a trabalhar, enquanto estamos a trabalhar e percebemos que algumas coisas funcionam muito bem e outras não, qual será o sentimento básico que deve prevalecer? Será a sensação de que funciona, de que seja bom, ou haverá sempre a sensação de que...

Se estiver a funcionar para ambos, é óptimo.

Pergunta: E se funcionar e não funcionar?

Bom, precisas indagar da razão da mudança.

Pergunta: Eu queria dizer, ao mesmo tempo.

Nesse caso não entendo muito bem o que estás a querer dizer.

Pergunta: E se muitas coisas no relacionamento resultarem e muitas outras coisas não?

Isso é muito normal.

Pergunta: Então, minha pergunta é, qual será a sensação que, enquanto seres humanos dotados destas emoções que prevalecem, será de que algo não está tão bem ou de que basicamente esteja bem?

Não é de que algo não esteja certo, mas que o entendimento das necessidades um do outro ainda não são totalmente compreendidas em determinadas áreas, e da aceitação dessas necessidades.

Nos relacionamentos que estabelecem no vosso mundo, uma das maiores ciladas reside no facto de todos pensarem que, por estarem apaixonados, o outro conheça as vossas necessidades. "Se ele me ama, precisa saber." Não é assim. “O amor é cego,” já não terão ouvido isso? A questão está em que em qualquer relacionamento, vocês precisam deixar declarar, tornar conhecidas as vossas necessidades. Vocês devem dizer: “Eu preciso ser tocada, ou “não gosto de ser tocada,” ou “eu preciso de espaço, preciso de espaço para respirar.” Deixa que te diga uma coisa, não há relação no vosso universo que não precise de margem de manobra. E assim, em todos os relacionamentos tem de haver um espaço em que possam distanciar-se da relação. Vocês podem estar exactamente no mesmo compartimento, mas não se sentirem obrigados a conversar, nem obrigados a participar, mas permitir o espaço de que precisam para ser vocês mesmos. E isso por forma nenhuma significa falta de amor ou que estejam a arruinar a relação. Implica deixar o relacionamento respirar. Porque vocês entendem, se a relação se torna tão saturante que comece a sufocar, será como estar numa uma sala com muito perfume. Depois de um tempo vocês não conseguem mais respirar, e mesmo que apreciem do perfume, ele torna-se muito pesado.

E assim, muitas vezes, quando algo não está funcionando, é porque nesse momento o espaço se faz necessário, mas sem que ninguém o tenha declarado. Todos têm medo de declarar essa necessidade, mas todo mundo quer que alguém tenha conhecimento dela. Mas o que sucede é que se vocês não o declararem, o ressentimento decorrente do facto de não ser reconhecido surge, seguido de raiva, e isso acumula-se até criar algo que não tem qualquer relação com a questão original em absoluto. Assim, e desde logo, a questão assenta no facto de tornarem as vossas necessidades conhecidas.

Mas muitas vezes são coisas pequenas que levam as pessoas a disparatar numa relação, sabem? Pode ser um hábito, pode ser o caso de algum deixar a pasta de dentes destapada. Já vi isso suceder muito, no vosso mundo. É o tipo de coisa em que um casamento chega ao acabar sobre afim por causa da tampa da pasta dos dentes. A tampa da pasta dos dentes não é a causa que realmente os deixa irritados, mas a coisa a que recorrem, para deitarem para fora tudo quanto tinham reprimido dentro, quando finalmente encontram uma razão. Quando se sentem descontentes com uma situação qualquer, vocês devem interrogar-se do porquê disso e devem perguntar qual a razão para vós próprios sentirem esse descontentamento, e examinar a atitude que estejam a empregar nessa situação; não quem lhes terá feito o quê, mas como vocês estão a lidar com isso. Estarão vocês a encarar os fatos e a lidar com eles?

Qualquer relacionamento terá alturas em que não parecerá eufórico, mas todos esperam isso. Isso não quer dizer que não seja bom, significa somente que o sistema ainda não foi trabalhado. Nenhuma relação pode basear-se na acção de tomar para si. Um relacionamento não pode basear-se apenas no facto de alguém satisfazer somente as próprias necessidades. Não pode ser. Tem que haver uma partilha. Quando ouvem alguém puxando da lista de controlo de tudo que alguém fez ou deixou de fazer por eles, vocês podem se desconfiar do facto dessa pessoa não ser uma pessoa que partilhe nesse relacionamento, e que esteja apenas a procurar ver essas lacunas satisfeitas. Não importa como funcione. Pode ser uma relação baseada no que vocês chamam de estrutura monetária, “este é um bom partido, por implicar um bom rendimento.” Não conseguem suportá-lo, mas ele apresenta um bom rendimento. Como pode algo assim funcionar?            

Mente, corpo e espírito! O espírito engloba a emoção; abrange a alma; isto proporciona-lhes a oportunidade de conhecer a outra pessoa na mais pura das suas condições, que que vai além da personalidade e do ego e que tem lugar na realidade. E assim, vocês têm que ser capazes de comunicar mentalmente; precisam ser capazes de comunicar fisicamente; e precisam ser capazes de comunicar no espírito. Isso é tudo quanto é essencial. Vocês são uma tríade e é a todos os níveis que se permitem viver.

Pergunta: Existirá alguma semelhança ou relação entre os relacionamentos que podemos ter hoje e que possamos ter tido em vidas passadas?

Ah, absolutamente!

Pergunta: Especialmente relacionamentos íntimos?

Sim. Nos relacionamentos humanos, há várias coisas que representam equívocos no vosso mundo e outras coisas que são muito reais. Os equívocos são que se vocês tiverem conhecido alguém numa outra vida, tenham que estar loucamente apaixonados por eles nesta vida. Nós já fomos casamos antes de modo que tem que ser assim. Não é assim! Vocês podem voltar para ter um relacionamento completamente diferente nesta vida. Mas o que vocês irão descobrir é que certas energias de outras vidas se pronunciarão, certos hábitos, certas coisas que os levarão a explodir, por assim dizer. Por exemplo, se já tiverem tido uma boa experiência muito boa num relacionamento e for altura de segar o feno, vocês poderão cheirar o feno recém cortado em outra vida e sentir toda uma sensação de amor a brotar em vós. Podem encontrar-se completamente sozinhos, e de repente a necessidade de amor far-se-á presente. É a memória emocional e não as condições necessárias que é conduzida adiante.

Muitas vezes as pessoas optam por voltar a juntar-se, e ficam juntas por uma forma qualquer, por vezes da mesma maneira e outras vezes não, mas as influências dessa vida afetam em definitivo a forma como vocês tratam as coisas. Elas trazem-lhes tendências. A forma como tratam delas nesta vida depende da energia e da atitude que vocês tiverem em relação a essas tendências nesta vida.  

Além disso, é preciso reconhecer que em uma determinada vida, os vossos relacionamentos
são edificados uns sobre os outros. Você avançam a partir da relação que tiveram com o vosso casamento em casa, o casamento dos pais. Você observam-no e formam conceitos a partir dele, ou do que gostariam que fosse ou do que não gostariam que fosse. A determinada idade vocês passam para um outro relacionamento e ele tanto poderá ser bom como ruim. Mas se examinarem cuidadosamente, porque se vocês levarem os conceitos que tiverem colhido do primeiro relação para o relacionamento seguinte, vocês poderão estar a julgá-lo antes mesmo de chegarem a juntar-se. Por outras palavras, se alguém vosso conhecido se atrasa de uma forma crónica num relacionamento e vocês se encontram noutro e eles se atrasam cinco minutos "Ah-ah! Eu já sabia. Tu és tal e qual ele!" (ou como ela). A tendência para arrastar esse padrão far-se-á presente.

E qualquer pessoa que tenha terminado um relacionamento, quer seja por causa de um caso de amor, um casamento, seja o que for, se tiverem terminado um relacionamento, vocês precisam permitir-se um tempo para se conhecerem a si próprios, por não serem mais a mesma pessoa por causa da própria experiência dessa relação. Aí irão enfrentar as vossas necessidades; vão entender quem vocês são, o que partilham ou deixam de partilhar; e de seguida, avançam com um novo ser para essa nova relação.

Deve ser entendido que as pessoas muitas vezes se libertam, se superam umas às outras em termos de crescimento, por mudarem. Vocês não são a mesma pessoa, e como vocês mudam, como você crescer, muitas vezes os vossos caminhos começam a seguir direções opostas. Segundo tenho observado no vosso mundo, muitas são as pessoas que se casam por todas as razões erradas. 26:36

E aí o casamento não funciona, e eles acabam com o casamento. E o próximo funciona, por representar o que eles deveriam esperar desde logo, mas eles estavam numa correria. Porquê? Porque todos os seus amigos se estavam a casar, e Deus nos livre que eles ficassem sós. Entendem?

A química corporal faz com que vocês entrem em apuros, por não conseguirem esperar para ver se conseguem estabelecer um diálogo com essa pessoa. Vocês não sabem se realmente podem estabelecer uma conversa com a pessoa ou não, mas a química do corpo impõe-se-vos. Olhem para além da química corporal. Certifiquem-se da existência de mais alguma coisa. Aí terão alguma coisa que dure. Porque se ele se basear apenas na química do corpo, só pode durar enquanto a química do corpo permanecer.  

Alguns das relações amorosas mais fortes do mundo são construídas a partir de amizades. Por quê? Porque na amizade as idiossincrasias das personalidades são desenvolvidas e o amor é livre para florescer. Já terão notado como duas pessoas podem ter a melhor amizade e de repente descobrirem que estão apaixonadas e ficarem assustadas? Então, em vez de se elevarem e de serem felizes, elas começam a andar às voltas e a analisar bem a situação de modo a terem a certeza de não constituir uma enorme cilada. Por quê? Por causa da vulnerabilidade. A relação de amizade constitui um intercâmbio em que não se sentem tão confinados ao passo que uma relação que vocês chamam de amor, diz: "Agora acho-me vulnerável; posso sair ferido. Já não me sinto tanto no controlo." No momento em que tiverem intimidade, uma troca sexual, então vocês estarão realmente vulneráveis, porque o que foi que fizeram? Você entregaram-se. Não importa se vocês são machos ou fêmeas. Não faz qualquer diferença. Você deram de si mesmos. Agora já se torna assustador. Agora preocupam-se com o que sucederá a seguir, quadro esse que começa a pressionar. Assim, uma relação realmente precisa de algum tempo para determinarem onde realmente se encaminha a para que chegue a ser uma relação que possa traduzir-se por uma experiência alegre e confortável. É muito importante que vocês entendam.

Alguma pergunta? Todo mundo tem relacionamentos maravilhosos. Isso é
maravilhoso.

Pergunta: Julian, quando temos vidas passadas e concordamos em vir para o presente em conjunto para resolver problemas passados e um dos indivíduos não consegue esquecer o que quer que esse problema tenha representado nessa outra vida, o que é que nos leva a ter ideia do que seja que vamos resolver quando voltamos?

Bom. Deixa que explique o seguinte. Vocês podem determinar resolver algo em conjunto com alguém e ambos dizerem que isso seja uma ideia maravilhosa - quando se encontram no meu mundo. Quando entram no vosso mundo, você encontram-se sob a "jurisdição" do livre-arbítrio, em que a mente consciente tem permissão para tomar decisões. Também começam a desenvolver o aspecto da personalidade do ego, o que, por sua vez, incentiva as decisões. Você não ficam sem conhecimento do que vieram realizar, mas precisam voltar-se para dentro, para o descobrir. Ele acha-se na mente supra consciente - na vossa alma. Quando tirarem tempo para ficar em silêncio, irão descobri-lo. Fiquem em silêncio e escutem, e saibam que Eu Sou Deus.

Ficar a sós consigo mesmos e ouvir a vossa voz no vosso interior. Porque vocês nunca são deixados no mundo sem meio de descobrirem o vosso destino de novo. O uso que venham a dar a esse destino será determinado pelo vosso livre arbítrio. Com muita frequência uma pessoa decide tratar dele e a outra não. Não podem voltar ao (anterior) sistema da culpabilização. Vocês não podem dizer, "Ah-ah! Eu estou a tratar dele e tu não." Porque aí vocês estarão a julgar e isso pertence à lei. Isso não lhes pertence. O direito divino de discernimento que possuem diz que não está a funcionar. "Eu tentei, consequentemente, eu estou livre do carma," mas isso é tudo. A lei vai cuidar da sentença. A Lei da Causa e Efeito acha-se constantemente em movimento e não pode ser interrompida.

Assim, sim, vocês vão descobrir as respostas caso se voltem para dentro. Quantos de vós já não terão experimentado conhecer alguém e sentir-se atraídos para ele e durante o processo, o alarme começar a disparar na vossa cabeça, a dizer, "Não, não, não, não, não." E vocês dizem "Sim, sim, sim, sim." Porque nesse momento isso representa aquilo que querem, mas se vocês realmente derem ouvidos, vocês vão recuar e prestar a atenção ao facto disso pode apresentar algumas desvantagens. E essas armadilhas tanto podem vir de vós como da parte deles. Isso é o que é importante.

Pergunta: Que tipo de avisos ou de sinais devemos buscar quando conhecemos alguém de que gostamos ou algo assim, que indique que essa pessoa possa ter lugar no nosso destino ou não? Quero dizer, podemos simplesmente resmungar por estarmos tão
consumidos com o que estamos a fazer que não percebemos se essa pessoa
poderá ser a tal, ou se será uma pessoa especial.

Essa é uma excelente pergunta. De que forma irão saber se essa poderá ser a tal, para que não a ignorem na confusão? Antes de mais, se vocês forem uma pessoa cálida e aberta, vocês não vêm toda a gente como "o ou a tal." Vocês não tentam fazer de toda a gente uma pessoa dessas, mas dão às pessoas com quem se cruzam uma oportunidade para se abrirem para convosco e vocês para com eles. Isso conduz a uma coisa muito importante com respeito aos relacionamentos. Por só perceberem a natureza dos relacionamentos na forma direta que têm com o modo como o encaram. Vocês só vêm a ideia que fazem de um relacionamento. Se a vossa ideia de si mesmos e dos relacionamentos não for boa, vão começar a assumir que todo o relacionamento não corresponde à ideia que tenham dele. Estão a acompanhar o que estou dizer?

Assim, é muito importante que a pessoa esteja disposta a aceitar o facto de que possam ter um bom relacionamento, e que quando esse direito se apresentar, ele venha a basear-se em mais que um nível. Terão um sentimento de amizade, de carinho, de interesse. Sabem, se conhecerem alguém e eles não estiverem nem um pouco interessados ​​naquilo em que vocês estiverem interessados, têm que se interrogar: "Estarei eu interessado no que eles estão interessados?" Por envolver uma questão de partilha. Vocês podem interessar-se tanto pelos interesses deles como eles interessar-se pelos vossos interesses.
 

A questão está em que se uma pessoa não estiver interessada em estar convosco por mais nenhuma outra razão do que estar convosco, então não existirá qualquer profundidade. Se só estiverem interessados em vós sexualmente, o sexo não é amor. O sexo é uma expressão
do amor, mas há muitas outras expressões. Quando vocês conhecem alguém, devem pensar neles como um amigo potencial. E em caso de amizade, deixem que o relacionamento cresça até acharem que se sentem à vontade um com o outro e aceitar um ao outro. A partir daí, começarão a ter sentimentos mais profundos e saberão.

Há alguns que se conhecem e que instantaneamente sabem “É este (ou esta),” por serem almas que se têm buscado mutuamente. Muito embora todos pensem que tenham isso em si, nem todos têm. Quando duas almas se procuram isso torna-se uma situação especial. Quando isso sucede, não resta a menor dúvida no mundo, seja a que nível for, e os problemas que existam poderão sempre ser resolvidos por o nível da alma se achar presente, o nível da mente acha-se presente assim com o nível corporal. Assim, poderão conhecer alguém e sentir-se atraídos por ele, e é espantoso. Assim, sejam amigos. Descubram mais com respeito a esse indivíduo, para poderem saber se poderão gozar de uma partilha.

O que sucede na maioria dos casos é que as pessoas se desligam. Partem com a atitude de desconfiança na amizade, e esperam que o outro diga olá. Voltem-se para quem estiverem ao vosso lado neste momento e digam olá. (Riso) Não foi difícil, foi? Contudo, se algum de vós entrasse neste compartimento e não conhecesse ninguém, muito poucos seriam os que avançariam e diriam “Olá, chamo-me assim ou assado.” Por isso, precisam permitir-se abrir-se à conversa. Apresentar um cumprimento não significa nada de prematuro.

Pergunta: Anteriormente disseste que o amor representa uma partilha, que só podemos partilhar aquilo que somos e conhecer aquilo que conhecemos. A pergunta que queria fazer é a seguinte: Como haverá alguém de saber o que realmente é?

Sabem o que é que impede as pessoas de saberem o que sejam, de saberem quem são?
O receio que alguém lhes tire alguma coisa, o receio de olharem para si, receio que alguém as condene. Por aquilo que estão a fazer é a julgar-se a elas próprias, recear-se, mas projectam isso no exterior, nos outros. Conhecer-se é dizer: “Isto sou eu. Uma parte de mim é estupenda, enquanto outra parte não o é. Se usar do desejo alterarei essas porções que não o são, caso isso me possa trazer uma maior felicidade, etc.” Entendes? Mas carregar um receio constante de que alguém lhes possa tirar algo deixa-os numa situação de temor em que se vêm tentados a erguer muros em vezes de lançar pontes.

Para se conhecerem, deixem que os muros venham abaixo. Terá importância que todos gostem de vós? O mundo irá acabar? É impossível que toda a gente goste de vós. Impossível. Por algumas energias atraírem enquanto outras repelem, não porque não sejam boa gente, mas por ser assim. Vocês encaram os factos e dizem. “Se um décimo de uma centena de pessoas gostar de mim, isso será formidável, e deixar-me-á perfeitamente satisfeita.” E isso é importante.

Pergunta: Como haverá uma pessoa de saber se não… pelo facto de não gostar de uma pessoa, haverá alguma coisa a colher dessa aversão em particular?

Em qualquer pessoa por quem sintam aversão, haverá algo a aprender. Não quer dizer que seja alguma coisa de cármica; não quer dizer que esteja alguma coisa de peso a cozinhar, mas quer dizer que precisam saber como lidas com as tuas energias em relação a isso. Quando não gostas de alguém, isso representa um reflexo de ti. Há uma parte de ti que se acha presa naquilo por que sentes aversão na pessoa, e precisas examinar isso para te assegurares de que não estejas, num nível qualquer, a igualar, a rivalizar com aquilo de que não gostas. Precisas acautelar-te para não te tornares no juiz, por a lei constituir o juiz. Tens que dizer, “Pelo direito divino que tenho ao discernimento, prefiro não me relacionar intimamente com esta pessoa. Prefiro não a ter na minha vida, isso não é bom. Mas sentirei amor pelo Deus nele e não andarei por aí a condená-la, mas afastar-me-ei com consciência de não fazer mal que me afaste.” Isso é que é importante, ter noção de que não faz mal.

Pergunta: Eu tinha uma pequena pergunta, tipo, fora de propósito, por assim dizer, mas esta manhã… tenho tentado dar mais atenção ao meu guia espiritual do que antes, e esta manhã recebi uma mensagem, não estou certa que tenha sido uma verdadeira mensagem ou se terá sido algo que tenha surgido na minha mente.

Qual foi a mensagem?

Pergunta: Disse-me que desejavas falar comigo esta noite, ou que me querias aqui esta noite, que desejavas falar comigo esta noite.

Nesse caso, é evidente que há algo aqui a escutares, não será? Óptimo. Fico satisfeito por saber que deste atenção.

A Maioria das pessoas trata as relações tipo: “Se não tenho um relacionamento sou um fracasso.” Sabiam que no caso de certos relacionamentos ficam melhor servidos se não tiverem um relacionamento desses? Por isso, não receiem quando um relacionamento parecer terminar.

Pergunta: Se um relacionamento estiver bem, e prosseguir por anos a fio… Eu ouvi que disseste algo sobre um dos companheiros superar o outro em maturidade, coisa que pode suceder, evidentemente, mas caso ainda sintam alguma coisa pelo outro, embora por vezes o sentimento mudar por completo. Assemelha-se à redescoberta de algo por a pessoa não ser o que pensávamos.

Precisas entender o seguinte: Quando conheces alguém, que o percebas conscientemente ou não, está a projectar uma imagem na pessoa. Estás a projectar algo que queres que a pessoa seja. Muito cedo no relacionamento, ainda poderás convencer-te de que é assim. Mas mais tarde voltas a examinar a questão e dizes: “Ele deixou-me ficar mal. Não é aquilo que eu vi nele.” Mas foi a imagem que tinhas que te deixou ficar mal. E ambas as partes fazem isso. A razão para que uma relação possa dispor de tempo para amadurecer destina-se a que possam descobrir se estão a lidar com imagens ou se estão a lidar com realidades. Além disso, compreende que, num relacionamento as pessoas precisam ter consciência de que todo o mundo muda e de que o padrão de crescimento ao longo do percurso não tem que ser desastroso, e que pode tornar-se um padrão de crescimento que tanto pode ser para no sentido da aproximação como no sentido do distanciamento. Quanto mais as pessoas tiverem noção daquilo que querem quando entram numa relação, mais forte será esse relacionamento, desde que um não queira ir para um lado e o outro para o outro, por que isso pode causar um problema. (Riso) Se globalmente houver um desejo mútuo para fazer com que resulte…

Por vezes as pessoas procuram fazer com que resulte abordando a relação deste modo: “Que é que estás a deixar de fazer e que é que estás a fazer de errado? Muda tu que a relação resultará.” Mas aí também a poderão abordar do seguinte modo:” Porque não nos estamos a aproximar? Que será que em nós ambos merece uma melhor observação?” A semântica desempenha muita coisa nos relacionamentos. Uma palavra pode significar uma certa coisa para uma pessoa e querer dizer outra completamente díspar à outra. É por isso que lhes perguntava em que é que consiste um relacionamento. Para um uma certa palavra pode envolver um profundo compromisso, uma coisa profunda e duradoura, e para outro pode significar uma coisa ocasional. Por isso, será melhor que se certifiquem de estar a usar as mesmas palavras e no exacto mesmo contexto. Isso é importante, entendes, para terem a certeza de que o que dizem, o que estão a sentir, esteja a ser compreendido do mesmo modo que o estão a dizer ou sentir. E a única forma por que irão descobrir isso é expressando-o.

E sabes que mais, ao observar pelo vosso mundo tenho ficado admirado ao ver como as pessoas passam vidas inteiras a desejar tanto uma certa coisa de uma relação e são tão teimosas a ponto de nunca o expressarem. E não me refiro necessariamente a objectos materiais. Pode ser flores, ou porventura tomar o pequeno almoço na cama. Sabes Deus o significado que isso tenha, mas é algo que intimamente associam ao amor. “O amor é isso, e eu esperei a minha vida toda por que este tolo mo fizesse, e ele (ou ela) não mo fez.” Bom, é evidente que não, por nunca lho terem dado a conhecer. Poderão terminar com quarenta e duas garrafas de vinho por terem… como é que se diz? “Bebido?” ou “bêbado? “Bêbado é quando bebem demais. (Riso geral)

Por vezes esqueço as palavras, no vosso mundo. Beber um pouco de vinho por vezes, para comemorar, supondo-se que isso seja o que sucede quando celebram algo, enquanto pelo resto da vida bebem esse vinho de que realmente não gostam, a menos que digam, “Podemos tomar limonada?” Precisam dar isso a conhecer. Precisam deitá-lo para fora. Por que, se não o fizerem… E precisam dar a conhecer não só as necessidades e desejos que tenham, mas precisam dar a conhecer as coisas que não correspondem às vossas necessidades ou desejos. “Não preciso mesmo passar pelo que esteja a decorrer.” Entendem?

O outro aspecto é o seguinte. Que sucede quando um aprecia ballet e o outro gosta de bowling? Bom, tanto podem instalar a vossa guerra e as vossas fortificações nisso e passar a vida a negar a possibilidade de qualquer deles apreciar o que aprecia, como estabelecer um compromisso. Talvez vão ao bowling num mês e ao ballet no mês seguinte. Ou talvez digam apenas, “Olha, vai e diverte-te com os amigos naquilo que aprecias, que eu vou divertir-me com as minhas amigas,” e não encarem isso como falta de amor, ou uma deserção. Talvez isso represente o espaço que é necessário para saberem que ainda existem enquanto ser, e que não se perderam na confusão. Porque muito frequentemente é isso que acontece. Começam a sentir-se numa relação como se se tivessem perdido na confusão.

Já assisti, no vosso mundo, vezes sem conta ao facto de as pessoas se juntarem, casarem, ter filhos, e aí toda a sua vida passar a centrar-se nos filhos. Quando os filhos crescem e saem de casa, eles olham um para o outro e dizem, “Quem és tu?,” por terem perdido o contacto um com o outro e não saberem nem sequer quem são. São dois estranhos.

Um relacionamento no sentido familiar tem que dispor de tempo por igual tanto para os pais como para os filhos. Os pais precisam gozar de tempo para eles na união dos dois assim como para a unidade familiar, situação que mantém os componentes dessa família fortes. Muitos gostam de se tornar mártires dos filhos. “Matei-me a trabalhar para ti.” Não. Fizeram-no por pensarem que isso faria de vós boa gente. Não se iludam. Vocês fazem coisas na vida por as verem na relação que tenham convosco e com a vossa imagem. O que não quer dizer que não amem os vossos filhos, mas não atribuam tudo a eles. Afinal de contas, vocês deram-nos à luz. Convidaram-nos para este mundo.

O que lhes estou a dizer é que existe uma relação entre pai e filho, e se cada um respeitar o espaço do outro, isso representará uma amizade. A maior honra que um pai pode receber é não ser, eventualmente, considerado como um pai mas como um amigo. Quando se tornam amigos dos vossos filhos deixam de usar a lista de controlo; e assim precisam deixar que se tornem pessoas e libertá-los do gancho. Mas vocês também precisam permitir-se tornar-se pessoas. Não podem incorrer no esquecimento. Já se terão visto em certas alturas? Tornam-se motoristas de táxi. Deviam receber todos medalhas e um taxímetro, (riso) por passarem a vida inteira a transportar para toda a parte para conseguirem algo. Vocês fazem-no por gostarem de o fazer. Não é por que não o queiram fazer, mas aí eventualmente dão por vocês a comentar; “Sinto-me irritado com os meus filhos, estou irritado comigo próprio, estou zangado com a minha mulher.” Porquê? Por estarem desgastados.

Utilizam uma palavra maravilhosa no vosso mundo que se chama “não.” Dizer não em qualquer relação  na devida altura pode ser causa de muita paz. “Não, não me convém conduzir até tal parte neste momento. Não, não aprecio esse tipo de livro.” Isso fará de vós menos dignos de amor? Se o amor se basear em dizer sempre que sim, então não se trata de amor, desde logo. Não perderão bênção nenhuma. Porque se existir amor, existirá respeito pela singularidade do indivíduo nessa condição de amor.

Se sentirem que o outro esteja a criar desrespeito e falta de respeito por vós no relacionamento, o primeiro local em que devem descobrir o que esteja errado é em vós. Porque razão não se sentem respeitados? Por isso ter lugar em vós. Se não se sentirem respeitados é porque não se respeitam a si próprios ou por sentirem não ser dignos de respeito. Mas também podem interpretar o respeito como concordância convosco a toda a hora. “Se me respeitas, nunca terás uma opinião diferente.” Quão entediante! Precisam compreender que um relacionamento constitui uma partilha e que uma partilha representa uma troca a todos os níveis.

A fraternidade não pode ser criada com base na actitude servil. Não pode ser edificada na aceitação dos valores dos outros, mas pode sê-lo com base na percepção de que os valores dos outros podem misturar-se com os vossos e tornar-se criativamente progressivos. Não precisam ser desfavoráveis. Podem fazer concessões um ao outro sem que seja em menosprezo de coisa nenhuma da relação.

Pergunta: Afirmaste que enquanto pais, convidamos os nossos filhos a juntar-se-nos neste mundo. Será que os nossos filhos nos escolhem como pais?

Sim, por vezes fazem-no.

Pergunta: Ou será tudo acidental, caso se aplique o termo?

Não, não é acidental.

Pergunta:  Também pensava que não.

Em muitos agregados familiares, pais e filhos procedem ao acordo em conjunto. Agora, no vosso mundo vocês dizem: “Porque diabo haveria eu de eleger estes pais?” Ou: “Porque razão haveria eu de escolher estes filhos?” É a personalidade que estão a considerar. Lembrem-se de que as decisões que tomaram antes de virem ao mundo se baseiam na alma. Baseiam-se naquilo que precisam aprender, e naquilo com que precisam crescer, de modo que a maior fonte de antagonismo na vossa vida por vezes pode ser o vosso maior instrutor.

Pergunta:  E é.

E é, estás a ver? Então dêem graças a Deus por tão bons instrutores. Mais alguém tem perguntas?

Pergunta: Peço desculpa se isto parecer ingénuo, mas terás consciência da existência de relacionamentos noutros mundos ou noutras dimensões?

Ah, mas claro que sim.

Pergunta: E os problemas inerentes a esses relacionamentos serão semelhantes àqueles porque aqui passamos?

Os relacionamentos noutras unidades do universo prendem-se com o desenvolvimento consciente e físico que existir lá. A essência física obedece à necessidade dessa atmosfera, etc, mas os relacionamentos sempre se prendem com a partilha independentemente do local onde se dêem. Tenho observado o que chamam de pequenos pássaros, sabem, os pombos, e os pequenos rituais que executam, o aconchego que desempenham. Não são muito diferentes das pessoas. Quem pretende atrair alguém não procede a uma dança ritual? E não gera um pouco de aconchego? Isso faz igualmente parte de Deus. Sempre há uma partilha. Há sempre um anúncio, “Estou preparado, preciso de ti.” Há sempre a aceitação de que algo é sentido, e sempre impera o toque. Vocês aqui usam um slogan de telefone: “Aproximar-se e tocar alguém,” não? É o máximo que já ouvi em todo o vosso mundo, por transmitir: “Eu quero ter uma relação contigo, a qualquer nível.” É uma sensibilização. É uma partilha de energia que cresce a ponto de se transformar em mais. E não importa em que mundo seja, independentemente de que universo se trate, independentemente da forma ou feitio, passa por esses rituais.

Pergunta:  Nesses caso, estarás a dizer que haja amor em todos os planos.

O amor é. O amor é a energia em que são gerados, para que são gerados, com que são gerados, para que são gerados. É a energia mais potente do universo, e que pode superar todas as coisas. A energia que tem existência e que permeia todas as coisas.

Pergunta: Porque será tão difícil descobrir, sentir e centrarmo-nos numa relação com Deus? Será por não termos uma relação connosco próprios?

Bom, isso deve-se ao facto de se julgarem a vocês próprios. Isso tem imperado na vossa Era de Peixes, da estrutura e da forma, de uma forte prática dogmática, regulamentos, regras, esse tipo de coisa. Chegou a suceder que o espírito de Deus se encontrava sobre o homem, de modo que ele chegou a pensar n’Ele como uma coisa separada. Ele era o patriarca no céu e existia por aí, algures, munido de um grande chicote, e estava constantemente a julgar. O medo era usado como um instrumento. Na Era de Aquário, o espírito de Deus emana de dentro do homem. Ele finalmente perceberá que é uma parte viva desse Deus, e que entrando em sintonia com essa condição, isso emanará dele e criará uma atmosfera desse amor ao seu redor, a qual só poderá gerar fraternidade. Assim, o homem precisa aceitar que Deus habita dentro dele, e que independentemente do que faça, Deus o ama. Não importa a que chamem de Deus. Podem chamar-lhe Consciência Universal, podem chamar-lhe Força Criativa, podem chamar-lhe Buda, qualquer coisa que queiram. Ele é a essência do Amor no universo, e habita dentro de vós. Nenhum de vós será capaz de amar a menos que saiba que é amado, e esse ponto em vós existe para lhes dizer que são amados.

Pergunta: Eu tive um animal de estimação muito querido que me morreu, e gostava de saber se na relação que temos com os animais de estimação eles representam um espelho de nós, conforme nas relações humanas os outros representam um reflexo de nós.

É claro que são. Eles acham-se por toda a parte no meu mundo. O meu mundo assemelha-se muito ao vosso. Talvez um pouco mais puro, mas caso contrário… (Riso) Mas não temos carros nem coisas dessa natureza.

Pergunta: Ola Julian, o meu nome é Michael. Poderias dizer-me alguma coisa acerca das almas gémeas ou falar um pouco acerca disso, do reconhecimento de alguém que tenhamos conhecido numa outra vida e do porquê… Eu tenho percorrido a nação, o mundo todo, e estou a viver aqui em Nova Iorque, e por que é que não conheci ou identifiquei, ou acho que não identifiquei nenhuma alma gémea em nenhuma nação estrangeira, e porque haverão tantas aqui em Nova Iorque? Além disso, esta é uma pergunta em duas partes, por que é que em termos astrológicos… Não, eu sou Sagitário; será que me daria bem com alguém de Gémeos?

Antes de mais, enquanto Sagitário, um dos lemas desse signo é “Não me cerques. Eu quero tudo, mas não demasiado apertado.” Não tem nada de mal nisso, mas recordas que tinha dito a este grupo para não contarem com ninguém exterior a vós para os completar até que se completem a vocês mesmos? Até que se amem a vocês próprios? Mas tu ainda estás em busca de um amor externo que te complete, quando já te achas completo, e tudo quanto precisas fazer é partilhar desse amor.

Agora; num sistema astrológico determinadas coisas são mais compatíveis com outras. Por exemplo, se forem do elemento fogo, conforme tu és, então os signos do elemento ar bafejam-vos, levam-vos a ter um maior fulgor, a crescer mais, dão-lhes mais energia. Os símbolos da água poderão apagá-los. Na vossa energia sentir-se-ão esvaziados; não o vosso ser vital, mas precisam ter muito cuidado com isso, por essa ser a essência global desse elemento. Podes ser Sagitário e ter praticamente tudo o resto na água, de modo que as energias do elemento água serão compatíveis contigo. Por isso, precisas ter muito cuidado para não aceitares ou rejeitares alguém unicamente com base no signo astrológico até que conheças o mapa e constates as compatibilidades. Porque assim chegarás ao âmago da questão. Nas próximas semanas vamos fazer um workshop que trata da astrologia universal que envolve o sistema que existe por base da astrologia.

Lembra-te de que se andares em busca de alguém, não procures torná-lo “no ou na tal.” Procura apreciar do que partilhas e deixa que o que tiver que crescer desse relacionamento, cresça. Lembra-te que precisam assentar em mais do que mera química corporal. Precisam ter algo em comum, mental e espiritualmente, para que formem um relacionamento completo. E quanto à busca… O Sagitário aprecia viajar. Adoram partir em viagem. Estão em relação com o lema “Quanto maior a distância, quanto maior o espaço, melhor.” Isso faz parte da sua natureza inata.

Pergunta: A minha pergunta fundamenta-se no facto de ter andado pelo mundo todo, e em saber porquê ter encontrado almas gémeas, do sexo masculino e feminino, não necessariamente amantes nem numa relação propriamente, apenas uma sensação tipo, se nesta vida e em vidas passadas tiver conhecido gente, porque não vi isso nos estrangeiros que conheci enquanto viajava? Porque só os identifiquei aqui em Nova Iorque?

Lembra-te, primeiro, precisas entender alguma coisa acerca da natureza da besta, do ego, que assenta no facto de não ser fácil aceitar algo de que não estejam certos. Embora viajes e conheças pessoas, ainda tens um muro entre vós, até que satisfaçam os teus critérios. Quando estão a jogar em casa, deixam que esse muro venha abaixo, e abres-te mais e tornas-te mais receptivo.

Além disso, quando uma alma gémea surge na vida, o provável é que ainda suceda no teu próprio terreno, por envolver um trabalho contigo e que virá a ter uma maior proximidade contigo. É alguém que te irá ajudar por uma forma qualquer. Aprecia-as onde quer que as encontres, sem que importe onde seja.

Pergunta: Por vezes, quando conhecemos alguém por quem nutrimos um forte sentimento, positivo ou negativo, há a tendência para acharmos que tenhamos tido alguma coisa no passado com a pessoa. Não será possível que se trate de uma entidade completamente nova?

Ah sim. É possível rejeitar por completo alguém sem que tenham qualquer vínculo com origem numa outra vida, com base apenas na energia da vossa química corporal. As energias assemelham-se a magnetos, algumas atraem, outras repelem.

Pergunta: Que sucede em qualquer relação em que um dos parceiros é mais dado, ou mais receptivo ou amável que o outro?

Pois bem, se um for mais dado, aceitar mais, ou for mais amável que o outro, preciso perguntar porquê. Se estiver a tentar subornar com isso com tal dádiva, amor e aceitação, não estará a dar nem a amar nem a aceitar coisa nenhuma mas a representar um papel. Está a tornar-se num mártir do futuro. Alguns dão por gostarem de dar e se sentirem completamente confortáveis por dar sem esperarem nada em troca. Quem quer que dê com uma intenção por detrás não está a dar nada. Está a antecipar, o que representa uma grande diferença. Esse é um daqueles casos em que dizem: “Eu fiz-te isto, de modo que é suposto fazeres-mo a mim. Eu sou mais dada e amável…” Isso é julgar. O que no entanto sucede é que precisam interrogar-se do que pensam que seja amabilidade e dádiva.

Creio que mencionamos em aulas anteriores, sabem, que precisam conhecer o código do indivíduo. Sempre emprego a expressão de que alguns trazem flores e outros mudam o óleo do motor ao carro, como uma expressão de carinho, mas ambos são actos de amor. Por vezes precisam ter noção ou que lhes esteja a ser dito que são amados, mas talvez não da forma que pretendem. Aí precisam dizer: “Espera lá, eu gosto que me mudes o óleo do carro, mas quero uma margarida.” É um daqueles casos em que uma pessoa procura obter uma resposta da parte de alguém dando, dando, dando, e depois começa a sentir-se zangada por estar constantemente a dar e todo o relacionamento começa a sofrer alterações. É melhor dizerem, “Se realmente não sinto vontade de o fazer, então não o vou fazer,” por ser desonesto fazê-lo com uma atitude de mártir. A dádiva genuína assenta na alegria do acto, sem segundas intenções a dizer: “Daqui a três semanas vou puxar este cordel e consigo o que quero.” Sempre haverá quem esteja mais inclinado a perceber as necessidades dos outros e a dar, que outros. Alguns são cegos para com as necessidades dos outros, não porque não dessem de bom grado, mas por não verem. É aí que entra o factor da comunicação. A comunicação constitui uma absoluta necessidade numa relação. Quando a comunicação esmorece, o relacionamento esmorece. Precisam ser capazes de comunicar.

Vamos atender a esta senhora aqui, em primeiro lugar, está bem?

Pergunta: Duas coisas. A primeira – tu mencionaste a honestidade. Qual será a essência da honestidade? Que coisa será realmente a honestidade?

Muito bem. A honestidade, sabem, pode ser considerada dizer às pessoas exactamente o que pensam delas, o que pode ser bastante cruel. Honestidade é ter consciência do que estão realmente a depositar na relação e aquilo que realmente esperam dela, e não representação. Alguma vez observaram aqueles que se tornaram os maiores esquiadores no mundo por causa da pessoa por quem se acham apaixonados no momento adorarem esquiar, mas se a próxima a aparecer for uma chefe de cozinha, eles tornam-se nos maiores cozinheiros do mundo? Quando terminarem vão ser os maiores em tudo, mas continuarão sem saber o que são, até que descubram aquilo que querem fazer. Entendes? Portanto, a honestidade resume-se a serem honestos com respeito àquilo que esperam do relacionamento e honestos quanto ao que depositam nele.

Pergunta: Quanto daquele e do que somos corresponderá àquilo de que gostamos ou deixamos de gostar? Será uma grande parte, ou será que não…?

Os vossos gostos e aversões orientam-se pela personalidade. Alguns desenvolvem amor por determinada coisa de que gostam muito, e já outras coisas não lhes dizem nada, mas isso representa a fachada da pessoa, por assim dizer. A realidade da pessoa vai mais fundo que o mero gosto e aversão.

Pergunta: A energia da alma não poderá ter gosto ou aversão por alguma coisa? O amor pela música, digamos…

A alma jamais repelirá quem quer que seja, mas deixá-los-á saber se alguém não será adequado ao vosso convívio.
Agora temos que nos voltar para este cavalheiro de quem tão rudemente nos afastamos.

Pergunta: Oh, não, não. Eu tenho duas perguntas. Em primeiro lugar, algo sucede comigo agora que estou a envelhecer e a sentir uma menor atracção sexual – não menor mas de uma forma diferente. Está a definir-se mais em três dimensões, se é que entendes o que quero dizer. Eu não quereria ter uma relação sexual com ninguém a menos que conseguisse conversar com a pessoa. De facto, no meu mundo, eu sou homossexual, e o meu mundo baseia-se principalmente no aspecto físico, até ficarmos mais velhos, o que leva um pouco mais de tempo. Agora estou a aproximar-me desse tempo e estou a conhecer gente, e à medida que vou conhecendo tenho uma sensação no chakra do coração muito mais do que teria quando era mais novo. Quando conheço alguém, quererá isso dizer que esta energia que acontece aqui também esteja a ser sentida pela outra pessoa, muito embora ela não…?

Isso é quando conheces o amor em ti, e a capacidade de amar, e é o movimento do ar. É toque. É a capacidade de tomares a iniciativa e de tocares o outro através do amor.

Pergunta: Então, sabes ao que me estou a referir…

Sim. Responde no chakra do coração.

Pergunta: Deveria agir com base nisso?

Tu actuas ao chegares a conhecer a pessoa. O que não quer dizer que a amarras e a levas para casa. Não, isso é o teu sinal, o sinal que indica que se trata de alguém com quem te podes relacionar, e então poderás prosseguir a partir daí.

Pergunta: Óptimo. A parte dois é igualmente... tenho um amigo, um relacionamento com base na amizade. Esse amigo é mais novo que eu e eu consigo ver partes de mim de quando era mais novo, e os erros de cometi e vejo que ele comete os mesmos erros, e sei que ele vai passar pelos mesmos erros. Será correcto da minha parte interferir e ajudá-lo ou deverei simplesmente deixar que seja ele?

Essa é a imagem paternalista, certo? A questão assenta no seguinte: não podes viver a vida de outra pessoa por ela. Podes dar uma sugestão com base na tua própria experiência, mas ele precisa definir a decisão dele e precisa passar pelo que tiver que passar devido ao que essa decisão envolver, por toda a decisão acarretar uma responsabilidade e uma acção que a acompanha, assim como uma reacção. Assim, podes informá-lo com base em ti, mas com a percepção de que ele ainda precisará tomar as próprias decisões.

Agora; para seres útil e dizeres: "Olha, eu passei por isso e acabei mal," ou assim, tudo bem, mas depois não esperes que ele acolha necessariamente o teu aconselhamento e depois "não fiques atordoado," conforme vocês dizem no vosso mundo, quando ele não o fizer. Por outras palavras, podes aconselhar, podes ajudar, podes orientar, mas não podes viver a vida da outra pessoa. (Obrigado) Não tens de quê.

Pergunta: Será possível passar uma vida inteira sem encontrar uma alma gémea?

Evidentemente.

Pergunta:  É?

Claro que sim. As almas gémeas não são a um centavo a dúzia, por assim dizer. Percebe uma coisa. Cada um neste compartimento constitui uma alma gémea. Cada uma delas é uma alma gémea em relação a ti e tu em relação a eles. As almas reúnem-se na unidade de Deus, e encontram-se nesse nível para auxiliar. Não há ninguém neste compartimento que prejudicasse quem quer que fosse ao nível da alma. Não há pessoa alguma em parte alguma, que se ache ao nível da alma, que prejudique outra. Quando uma pessoa vive com base na personalidade e no ego, muitas vezes torna-se destrutiva; mas quando vive com base na alma, afasta-se da destruição. Portanto, sim, é possível...

Sabes, gostaria de te dizer que as almas gémeas são sobrestimadas. As pessoas ficam à espera que essa pessoa surja e lhes torne a vida íntegra, num todo. Já estão a depositar tanta expectativa na pessoa que quando descobrem que é o canalizador... Estás a entender? Aí isso dói. É suposto ser o cavaleiro numa armadura brilhante, ou a donzela maravilhosa com cabelo comprido, entendes, e assim... Aquilo que tens que perceber é que o único que o virá a conseguir por ti és tu, mas que todos se acham aqui como irmãos uns dos outros ao nível da alma. E importa muito saber isso.

Pergunta: O que queria dizer era uma alma gémea ao nível do socorro, ou da assistência para fazer o que seja suposto fazermos nesta vida.

Uma alma gémea não significa necessariamente um relacionamento macho/fêmea nem um relacionamento amoroso. Pode ser o vosso patrão, pode ser qualquer um. Está aí a fim de ajudar no que quer que a sua essência tenha vindo fazer.

Pergunta: Mas é possível atravessar a vida sem jamais nos depararmos com uma alma gémea?

Exactamente.  Sim, Cynthia?

Pergunta: Se realmente quisermos ou precisarmos de alguma coisa, e a outra pessoa, caso estejamos num relacionamento, por exemplo, um relacionamento com um homem ou com uma mulher, se ela não conseguir proporcionar isso, qual será a reacção mais salutar? Por outras palavras, voltamo-nos para nós mesmos e vemos se conseguimos prover isso para nós próprios ou o quê, caso isso se revele persistente?

É de acordo com o nível de que estás a falar. Se estiveres a falar de algum compromisso pessoal no relacionamento, alguma coisa sensual, um acto ou participação, se estás a falar de um tapete para o chão, seja o que for, então voltas-te para ti e interrogas-te se isso se terá tornado numa questão que tenha adquirido demasiado poder. Estarás a atribuir demasiado poder à falta dessa coisa e insuficiente à presença de outras oito coisas? Entendes aquilo que estou a dizer? O poder concentra-se onde depositares a ideia, o pensar, sabes, e se tiveres o poder depositado somente no que estiver em falta, estarás a dar-lhe demasiada energia. interroga-te da razão para precisares disso de forma tão desesperada. O que não quer dizer que ainda não possas precisar disso, mas aí terás que dar a conhecer à pessoa que precisas disso.

Pergunta: E se ela ainda não puder ou não o fizer?

Nesse caso, uma vez mais, dizes: "Vou dizer que o que tenho é suficiente e esquecer o assunto, ou vou armar uma arenga em torno da questão pelo resto da vida?"

Pergunta:  Duas escolhas. (Riso)

Porque, entende, o único sítio em que o podes mudar é em ti, na comunicação disso que possas fazer, na reacção que tenhas à resposta. É o único sítio em que o poderás alterar - em ti.

Pergunta: Que poderemos fazer para atrairmos uma alma gémea para a nossa vida num relacionamento amoroso, ou que poderemos fazer para melhorar o relacionamento mais do que esteja?

Melhorar um relacionamento passa pela disposição para partilhar. Lembras-te de termos falado anteriormente sobre o receio? Precisas dispor-te a aceitar que mereças ser amado, assim como precisas dispor-te a aceitar que podes amar e conhecer um amor. Não ter tanto medo nem tanta certeza de que não venhas a consegui-lo.

Quando alguém me diz que ninguém o ama, sabes, a primeira pergunta que tenho que fazer é se são dignos de ser amados. Quem conseguirá amar alguém que não seja digno de ser amado? E se não forem, porque razão será? Que tereis feito a vós próprios? Por terem nascido dignos de amor, e agora simplesmente deixam que isso cresça, deixam que se estenda até à superfície.

Não i por aí a dizer: "Eu quero atraís uma alma gémea." Repitam: "Eu quero um relacionamento adequado e perfeito na minha vida," que o conseguireis.

Pergunta:  Devo repeti-lo?

Sim. “Eu quero uma relação boa e adequada e neste instante está a vir ao meu encontro.” 

Pergunta: Também afirmaste que nós tendemos a deixar para trás uns aos outros, em termos de crescimento, e que pode acontecer que as necessidades que tenham reunido as duas pessoas na relação sejam satisfeitas com o tempo e novas necessidades se desenvolvam. (Absolutamente) E pode não acontecer que os companheiros em questão consigam satisfazer essas novas necessidades em todos os casos. (É verdade) E as necessidades podem de facto ser legítimas, de modo que me parece que nesse caso pudesse ser apropriado, embora concorde em absoluto contigo quanto a que, qualquer que seja a resolução que se encontre, em última análise a encontraremos em nós, mas em parte essa resolução poderá ser que tal parceria deixe de ser a perfeita e adequada para mim.

Sim, é isso mesmo. Mas isso representa uma decisão livre baseada na decisão que precisa ser estabelecida dentro, primeiro.

Pergunta: Mas pode não ser mesmo uma questão de arengar com respeito à necessidade ou de dizer que preciso contentar-me com o que arranjei. Caso se trate de um desejo legítimo que seja uma consequência da maturidade, então será apropriado ir em frente com essa necessidade.

Absolutamente. Quando refiro que venhas a criar arenga é pelo resto da tua vida, quero dizer, vais deixar-te ficar nessa condição.

Pergunta: Certo, só queria esclarecer isso. Obrigado.

Sim. Eu devia ter esclarecido isso um pouco mais. Porque se forem ficar sentados e… Precisam tomar uma decisão e depois agir com base nessa decisão. E quando tomam uma decisão, precisam seguir as energias inerentes a essa decisão. Não podem estar sempre a olhar para trás e a dizer: “Talvez eu devesse ter feito o contrário. Talvez devesse ter feito o contrário.” Isso é um desperdício de energia. A decisão está feita, e a energia diz respeito à decisão que tiver sido tomada. É com isso que lidam, é isso que seguem, e o que lhes trará a alegria. E por vezes deixam ficar o outro para trás em termos de maturidade sem carregarem qualquer animosidade. Atingem simplesmente um estado em que terão mudado tanto que deixam de ser os mesmos que eram e tornam-se bons amigos e amigas, mas pretendem mesmo é encontrar algo mais.

E por essa altura muitos terão optado por se separar e partem como bons amigos e seguem alegremente o seu caminho e tudo fica bem. O que é importante é que, assim que a decisão é tomada, todo o propósito e energia sejam encaminhados para essa decisão, para a nova vida, por ser aí que pertence. Não interpretem isto como esquecer que a outra pessoa exista nem nada desse tipo. Não, ainda sentem amizade por a pessoa, mas não estão sempre a dizer: “Talvez devesse ter feito o contrário, talvez devesse ter feito o contrário.” Mas se fosse suposto ter que ficar nessa condição não teriam tomado tal decisão.

Pergunta: Quando nos encontramos numa situação, após termos tomado a decisão, e emergimos no sentido dessa decisão mas percebemos encontrar-nos numa transição e nos vemos rodeados pela energia da transição, qual será a atitude salutar a ter nessa situação?

Muito bem. Na situação entre a decisão e o seu culminar é de tomar uma atitude salutar e progressiva rumo a vós próprios, por se estarem a preparar para aquilo que é certo e adequado a vós e por estarem no caminho de deixar que isso ocorra.

Mas sabem, se preferirem usar a afirmação, “Que o que é certo e adequado para mim ocorra,” isso ocorrerá. Poderão não o reconhecer por poderem ter depositado o vosso coração nalguma outra coisa, mas se tentarem prestar atenção ao que surgir, descobrirão que é certo e adequado.

Pergunta: Bom, se estivermos a avançar rumo a uma situação dessas mas descobrirmos formas-pensamento de um tempo anterior agarradas a nós, de dever… não necessariamente de dever, mas uma recordação, ou mesmo um olhar para trás.

Vocês vão ter recordações. Em primeiro lugar, entende o seguinte, nenhum relacionamento em que se tenham encontrado será completamente impróprio, ou não teriam passado por ele, desde logo. Haverá algo que tenham colhido dele, algum crescimento, alguma compreensão que tenham colhido ao longo do caminho, de modo que não podem negar que tenha ocorrido. Porque caso contrário, o que estarão a dizer é que não tenham existido por X meses, ou algo assim. Colocam-no numa nova perspectiva. Enquadram-no na percepção de que tenha representado algo que os tenha ensinado, com que terão aprendido e partilhado, e dão graças por isso, abençoam-no, e aí a nova perspectiva que engloba representa uma recordação, algo para que olham de volta e algo que tenha ocorrido na vossa vida, mas não mais fazem disso um propósito, por o propósito se voltar para a nova decisão.

Pergunta: Terás alguma sugestão prática a fazer quanto ao caso de (membros de) duas novas famílias se juntarem na formação de um novo relacionamento de caracter familiar?

Sim, há sugestões práticas a dar. Contai com o caos. (Riso) Em primeiro lugar, se as duas famílias constituem grupos de indivíduos e nesses grupos de indivíduos tiver ocorrido trocas de energia etc., então todos esses dois fardos entram na participação, vão dar-se ajustamentos, vão ter a sensação de estarem sem energia. Por vezes irão sentir que um não estará a receber suficiente atenção, ou que o outro está a receber mais atenção, ou assim. Mas se a base for: “Olha, encontramo-nos nisto juntos, em prole do benefício comum.” Se gozarem de um concílio aberto periódico onde seja permitido dizer o que sentem de modo a não acumularem energias dentro de vós e não as expressem, mas em que permitam que permaneça dentro de vós próprios em vez de as expressarem. Num grupo misto dessa natureza reservem sempre um tempo para darem atenção uns aos outros individualmente. Pode ser tão simples quanto voltar-se para um e dizer: “Estou satisfeito por te ter na minha vida.”

Periodicamente peçam-lhes para os ajudarem a tomar uma decisão de modo a saberem que são um participante válido na unidade familiar. O maior erro que possivelmente poderá ser cometido é tentar comprar a harmonia com mimos e atender a cada capricho, por isso formar falsos valores. Em vez disso, digam, “Azar! Este mês não pode ser. As alternativas são estas, qual preferes?” Acima de tudo, porém, não personalizem tudo, porque com a frustração, irão ser deitadas coisas pela boca fora que não têm intenção de deitar, que não passam de mágoas do momento a falar. Quando isso suceder, digam tão só: “Falaremos acerca disso mais tarde,” e dêem-lhes um abraço.

Agora dizem-me que está na hora. Por esta noite vou libertar o instrumento. Na próxima Terça-feira continuaremos com o tema dos relacionamentos, e vamos aprofundar todos os aspectos do relacionamento. Se tiverem perguntas a fazer, sintam-se livres para as trazer e então discuti-las-emos.

E agora, por esta noite… há uma cadeira aqui, sim. Por vezes conto poder sentá-la e não há nenhuma.

Em nome do Pai, e dos Filhos, e do Espírito que faz deles Um, estendo-lhes a minha bênção e agradeço-lhes o relacionamento desta noite. Boa noite.

Importa reconhecer que no nosso contínuo estudo dos relacionamentos, precisamos reconhecer que um relacionamento possui muitas facetas e que um relacionamento possui muitos nomes, mas sempre envolve um intercâmbio de energia entre duas ou mais pessoas, a menos que seja com a natureza, porque então poderá envolver um intercâmbio com qualquer coisa. Esta noite, a maioria de vós teve uma relação com o elemento da água do universo; espero que não tenham dado muita importância, por ser essêncial ao vosso mundo.

Na semana passada começamos a trabalhar nos relacionamentos, quanto àquilo que envolvem, a maneira como têm que funcionar para serem bem-sucedidos, etc., e esta noite vamos prosseguir com isso.

É importante reconhecer e ter em mente que, para que uma relação seja duradoura, precisa funcionar em mais do que um nível. Não pode basear-se somente na química do corpo, mas tem que funcionar com base na mente e no espírito. Precisa haver mais do que um nível de partilha. Quando um relacionamento qualquer se dirige apenas para um nível, com o tempo torna-se desequilibrado. Por conseguinte, se tiverem um relacionamento numa situação de emprego, poderão sentir-se confortáveis num trabalho, mas eventualmente sentir uma situação de desconforto por a mente não ser suficientemente estimulada. Torna-se numa rotina, e aí buscam um novo estímulo.

Infelizmente o homem tem a tendência para pensar que a busca por um novo estímulo não seja suficiente. Ele acha que precisa ter uma razão lógica para poder proceder a uma busca, de modo que imediatamente busca todos os pontos negativos no trabalho que certa vez tenha desfrutado. Mas se procurarem um verão que encontram, evidentemente. Assim, ele começa a gerar atritos com os companheiros de trabalho, com o patrão, etc., por querer tornar a situação numa situação mísera para ter uma razão lógica para o abandonar. Mas na realidade, se o seu padrão de crescimento estiver em causa, ele já disporá de pleno direito para sair. Assim, sujeita-se ele próprio e aos outros a uma enorem quantidade de apuros para tornar a situação suficientemente infeliz para sentir legitimidade para sair.

No relacionamento entre pais e filhos acontece exactamente a mesma coisa. Em vez de aceitarem que à medida que os filhos crescem haja uma maior necessidade de independência, um maior desejo de ficarem a sós, os filhos acham que não seja correcto dizer que sintam necessidade de ficarem a sós, e começam a instigar todos os aspectos negativos do lar que indique que precisam sair de casa, e que não suportam nem mais um bocado. Assim, todos fazem o mesmo.

Tentam manifestar uma razão ógica para aquilo que pretendem num relacionamento. Numa relação entre um homem e uma mulher, muito frequentemente fazem a mesma coisa. Em vez de reconhecerem plenamente que quando um relacionamento acusa sinais de problemas, deve ter uma razão para esses problemas que possa ser examinada e compreendida. Não tem que acontecer que uma razão lógica ao nível do negativismo seja descoberta para justificar a forma como se sentem com o relacionamento.

O único absoluto que existe no mundo é a mudança. Por conseguinte, não vão manter-se na mesma durante todo o período que durar essa relação, e irão ter que reconhecer que em certas alturas não irão nem sequer gostar particularmente um do outro. Só Deus sabe como é nessas alturas. Talvez seja o lado da cama de que se levantam. É aquele que utilizam o tempo todo. Alegam que ficar no lado contrário da cama deixa toda a gente intratável, não é? Talvez seja, mas a questão está em que há alturas em que as energias não se misturam facilmente, e há outras em que se misturam com toda a facilidade. Assim, um dia de discórdia ou um dia de inquietação não significa o fim do mundo, mas antes uma interacção bastante normal entre diferentes energias.

Vocês constituem uma energia única, e são-no por direito próprio e possuem o direito à vossa própria realização. E assim, infelizmente, nos relacionamentos, independentemente do tipo que sejam, há a tendência de procurarem ver se estarão a ser satisfeitos. “Que será que me reserva?” e não tanto o que estejam a fazer em prole de mais alguém. Ora bem, devido a que sejam indivíduos únicos dotados de direitos divinos próprios, precisam prestar atenção à vossa própria satisfação, mas também precisam ter certeza de que esse desejo não tenha entrado em desequilíbrio a ponto de se tornar na única coisa que busquem.

E que coisa será a satisfação? Se eu lhes dissesse “Vocês podem sentir-se satisfeitos hoje,” que será que diriam? Que acham disso? Que será a satisfação?

Estudante: A luz nesse dia.

A luz nesse dia. Muito bem. E quem terá mais a acrescentar? Mais alguém? Estão todos acanhados. Desculpa? Desejo. Muitas vezes é. A satisfação muda com a mudança que sofrem. Uma criança satisfaz-se com um brinquedo. Já um adulto pode não se sentir satisfeito, ou o brinquedo assumir uma face diferente. Entendem? As crianças brincam com bonecas e os adultos já querem bonecas mais crescidas, (riso) mas num certo sentido ainda são brinquedos. São coisas que os deixam alegres. A única diferença, espera-se, é que o adulto veja que há uma responsabilidade que acompanha isso, de forma um pouco mais clara do que a criança.

Agora, se a satisfação muda de dia para dia, parecerá que a questão seja vaga que nunca cheguem a saber que se sentem satisfeitos, mas se tiverem uma sensação de relização num dia, se tiverem uma sensação de contentamento e de paz, terão um dia de satisfação. Muita gente pensa que a satisfação seja algo que lhes permita sentir aquilo a que chamam de “posto sobre si”, mas a realização procede do interior e tem que ver com a forma como interagem, com a forma como usam a vossa energia, a forma como provam a vós próprios – e a mais ninguém – a capacidade que têm de alcançar.

Ninguém deveria tentar atingir algo a fim de provar o quer que seja a ninguém. Deviam tentar alcançar a fim de aceitarem o potencial que têm e a alegria de o utilizarem. Percebem? Assim, precisam dizer a vós próprios, “Que terei feito de produtivo hoje que me transmita uma sensação de satisfação e assim obterão muitas respostas para a questão. Alguns poderão dizer que tenha suportado um grupo de gente mais do que a maioria possivelmente suportaria. Pois bem, isso em essência cosntitui uma conquista. “Consegui controlar o meu tenperamento quando não sentia vontade de o fazer.” “Eu vi o nascer do sol.” Uma acção progressiva em vós não significa necessariamente uma enorme conquista, mas a sensação de terem usado o potencial e a capacidade que têm por uma forma qualquer nesse momento, e isso é o que tem muita importância para vós.

Agora, aquilo que também precisam entender é que, quando interagem com outra pessoa, frequentemente encenam e a encenação muitas vezes é no sentido de quererem ser como essa pessoa, por nesse momento essa pessoa lhes parecer atraente. Assim, o que sucede é que começam a tornar-se noutra pessoa, e se um relacionamento estiver a ser formado com base em serem outra pessoa que não vós, eventualmente irão descobrir que não estavam numa relação em absoluto porque, quando por fim conseguirem dar a volta e voltar àquilo que são, eventualmente acabarão por compreender que não terão tido absolutamente relação alguma com essa pessoa. Entendem o que estou a dizer? E todos vós o fazeis, sabem?

Tendência, em especial num novo relacionamento, para a dramatização a fim de obterem desse relacionamento a satisfação que sentem que deva transmitir-lhes. Algures ao longo do percurso, precisarão ser honestos um com o outro, por um relacionamento precisar basear-se na honestidade e no respeito. Algures ao longo do percurso terão que dizer, “Detesto arte pré-Columbiana,” ou “Realmente não gosto de correr.” Em algum lugar ao longo do percurso terão que ser vocês próprios.

Depois vem a grande interrogação: Que será o si mesmo? Quem são vocês? É a coisa que muitos de vós precisarão descobrir antes de mais, porque, desde que são crianças, foram programados a partir do exterior por influências externas, e muitas vezes, aceitam-nas como uma realidade vossa, e então um belo dia descobrem que isso não são vocês de todo.

O perfeito exemplo disso está nos múltiplos exemplos que o homem emprega para os feriados, etc. Que Deus os livre de não terem peru no Dia de Acção de Graças. Entendem? O mundo acabaria caso não tivessem? Isso fará com que o Dia de Acção de Graças seja menos um dia para dar graças? Talvez tenham mais tempo para dar graças. Entendem? Talvez tivessem menos sensação de satisfação para além da medida, no final. Mas a questão que estou a salientar é que vocês com frequência atravessam a vida sem nunca reconhecerem que existe um parte de vós que vocês não conhecem. Frequentemente, surge alguém e carrega nesse vosso botão, e de súbito passa a existir um outro ingrediante em vós.

Têm uma nova sensação, uma nova compreensão, uma nova sensação de glória e aí sabem que vai ser um relacionamento, por isso lhes ter dito, “Olha para a outra parte de ti que não percebeste, trata de a conhecer e de a aceitar.” E isso pode querer dizer que possam ser vós próprios e que não precisem representar. Pode dizer-lhes, “Gosto destas coisas e não gosto daquelas, mas isso não faz de mim mais nem menos.” Entendem? Assim, aquilo sobre que precisam interrogar-se numa relação é: “Que tipo de pressão estarei a criar em alguém para satisfazer uma necessidade minha que legitimamente devo satisfazer por conta própria? Onde, ao longo do percurso deverei deter-me e dizer que mais ninguém para além de mim o consiga fazer? Somente eu poderei satisfazer essa condição.” À medida que isso ocorrer, começarão a ser honestos convosco próprios e a criar relações duradouras. Todos os jogos terminam e a realidade passa a existir. Isso não quer dizer que não procurem agradar um ao outro ou ser agradáveis um para o ooutro ou assim, mas quer dizer que também sejam capazes de ser vós próprios. Também são capazes de dizer: “Certos dias não me apetece fazer nada, e noutros apetece-me estar activa.” Estão a ver?

Caso o relacionamento seja real, haverá um encorajamento do potencial do outro em vez de competirem com o potencial dele. Haverá o percebimento e a admissão de que alguém possa ter um emprego e talvez mesmo ganhar mais do que vós, e ainda assim isso valer como uma coisa boa na vida. Pode representar o reconhecimento de que poderão sentir-se tão orgulhosos com a satisfação do outro quanto conseguirão sentir-se em relação à vossa.

As variadas áreas de uma relação criam uma coisa bastante complexa. O sexo representa uma parte significativa de uma relação. É a parte do relacionamento que provavelmente representa o primeiro aspecto perceptível da relação, o desejo de estar com essa pessoa, a reacção resultante da química corporal. Entendem? Mas passado um tempo, precisará haver mais do que isso. Também precisarão ser capazes de conversar um com o outro, por mais tarde ou mais cedo virem a precisar disso. Ei afirmo reiterada e repetidamente que o sexo não é amor. O sexo constitui uma expressão do amor. Há muitas mais expressões, mas se só estiverem a usar uma estarão a enganar-se, e a enganar o vosso companheiro. As outras maneiras de mostrar bem querer, partilha, precisam igualmente estar presentes.

Quando há problemas num relacionamento, há a tendência de registar de imediato na vossa mente os aspectos negativos do outro, e de andar por aí à espera e a ver se o vosso companheiro ou companheira comete um erro de modo a poderem saltar de imediato sobre ele ou ela e dizer: “Ah-ah! Fizeste-o de novo, vês?” Se despenderem a mesma soma de tempo a contar os aspectos positivos da pessoa, em breve descobrirão que os aspectos negativos não eram tão prementes. Assim, há alturas em que precisam recuar com relação às emoções.

Na semana passada falamos da lata de sardinhas, não? (Riso) Eu tenho a analogia mais horrivelmente perfeita. Conhecem as pequenas latas de sardinhas que, quando colocam a chave para rodar o tampo, aí estão as malditas mesmo a olhar para vós com aqueles olhos, não é? Não o podem negar. Assim, da próxima vez em que se encontrarem numa situação de enorme emoção, imaginem essa lata de sardinhas e imaginem a “tampa” como representado a vossa emoção, e coloquem o vosso poder, a vossa chave nessa tampa e revertam as vossas emoções e o que ficar a olhar para vós serão os factos da situação. Por os factos constituirem as únicas coisas com que podem trabalhar, e os factos não fazem diferença quanto ao que seja certo ou errado, justo ou injusto, quer o queiram quer não, quer gostem disso ou não, os factos da situação estão à vista, e são a única coisa com que podem trabalhar. Assim, em vez de ficarem totalmente envoltos nas emoções, enrolem a vossa “tampa” e encarem esses factos que os encaram nos olhos. Não irão esquecer as sardinhas, estou certo disso, por ser uma analogia horrível.

Pergunta: Gostaria de começar com o relacionamento que temos com Jesus, e a seguir deixar que se estenda ao que tiver que estender esta noite. Mas... nem sequer sei como formular a pergunta. Que representará Jesus para nós nesta dimensão; será nosso mestre, ou um deus, ou...?

Jesus foi um Mestre que veio à Terra a fim de ensinar o amor. Ele chamou-se Jesus Cristo, Jesus o Portador da Luz.

Pergunta: Mas nós ainda conseguiremos entrar em contacto com o nosso mestre e Portador da Luz?

Claro. Deus existe, vós existir e Sois Um, e tudo quanto emana dele se acha em vós. Portanto, podem estar em contacto com tudo neste universo, inclusive o vosso mestre. E eu refiro “vosso mestre” por ele poder não ser mestre de mais ninguém, para vós.

Pergunta: Como haveremos de saber quando abrir mão de um relacionamento?

Quando o relacionamento se tiver tornado penoso e tiverem examinado de uma maneira honesta a participação que têm nele e percebido o que os factos – não aquilo que querem ou deixam de querer, nem o que seja justo ou injusto – mas o que os factos dizem. Nenhum relacionamento está destinado a permanecer em estado de união quando a única coisa que gera é sofrimento um ao outro, por tudo quanto estão a fazer é destruir a vossa individualidade única e a do outro também, e aquilo que precisam ter em mente é que o ego se intromete no caminho. O ego prefere sofrer a admitir um término. Por isso, uma vez mais, precisam dispor-se a dar um passo atrás da parte emocional e a encarar os factos.

Há algo que precisam entender num relacionamento. Existe um ingrediente mágico, que é aquilo que tenha permitiso que cada um de vós apertasse os calos do outro, por assim dizer. Quando se acha ao dispor de ambas as partes, o relacionamento corre às mil maravilhas. Se não existir de uma das partes, não conseguireis fazer com que se ache presente. Não conseguem fazer com que esteja presente quando não está. Por estarem constantemente a mudar e a crescer e em movimento na vossa própria progressão pela vida, duas pessoas que se juntem no meio de um turbilhão de euforia do momento, poderão, por diversas razões, descobrir mais tarde que a magia tenha abandonado uma delas. O outro sentirá mais a dor, por ainda estar a tentar soprar as brasas, mas a uma certa altura precisará reconhecer que a brasa não irá arder mais e precisará dispor-se a esquecer.

O relacionamento que é abandonado de modo harmonioso jamais cria carma. O relacionamento que é abandonado com ódio e vingança gera um padrão cármico para o indivíduo que odeia e é vingativo. Assim, há alturas em que precisarão perceber que não será possível navegar no presente se ainda estiverem ancorados no passado. Precisam levantar âncora e permitir-se navegar de novo.

E vou-lhes dizer mais. Não há isso de só existir uma pessoa no mundo para alguém. O vosso mundo constitui um intercâmbio de energias, e existe muitíssima gente no mundo que lhes pode trazer felicidade e muita gente a quem podem trazer felicidade, mas aquilo com que precisam ter muito cuidado é que não se afeiçoem tanto à infelicidade que andem sempre a dar uma desculpa por terem perdido alguém. “Jamais virá a existir outra pessoa na minha vida.” Quando fazem isso, aquilo que realmente estão a fazer é a usar essa pessoa como uma evasiva, por não quererem passar por aquilo que têm que passar para terem outra relação - que é enfrentar-se a si mesmos.Isso é algo que ninguém quer enfrentar. Notem como são capazes de dizer a toda a gente o que fazer, mas quando toca a vós, já isso envolve toda uma outra história, e o caso está em serem pessoas muito agradáveis, a quem será muito agradável conhecer, e não deveriam ter receio de se encararem com frontalidade. A expressão que uso é: “Voltem-se e enfrentem o tigre, e caso o tigre sejam vocês, encarem isso igualmente. Não há relacionamento – bom, mau ou indiferente – que tenham na vossa vida que não lhes ensine alguma coisa, e que não permita que cresçam. E com esse crescimento, serão capazes de olhar para trás, e quer tenha sido bom ou não, mesmo que tenha envolvido coisas que tenham sido boas e más, ainda lhes mostrarão alguma coisa.

Pergunta: Quando falas de olhar para os factos, quando examinamos o nosso grupo de factos e o nosso companheiro examina, quer a “lata de sardinhas” ou o seu próprio conjunto de factos, e não vê aquilo que nós vemos por constatar um conjunto de factos diferente, como é que...?

Esses factos precisam ser dispostos na mesa lado a lado. Esvazia a tua “lata.” A isso chama-se comunicação. (Riso) Ela diz: “As minhas sardinhas e as tuas vão ter que olhar umas para as outras.” Entendes? Porque se não o fizerem ficarão com uma visão afunilada; terão as palas nos olhos por não verem o que o outro vê, e ele não verem o que vocês vêem. Portanto, precisarão literalmente tirá-los dos olhos para que ambos consigam ver, e a seguir vão ter que determinar se conseguem ver a mesma coisa e onde é que não conseguem, estão a entender, por eu ter dito que - creio que já estarão saturados de o ouvir - um relacionamento não constitui nunca domínio nem parasitismo, mas é uma partilha. Constitui dois indivíduos únicos em partilha. Não pode ser outra coisa. Entendes? E assim, precisam entender que no vosso mundo a semântica pode significar duas coisas distintas para pessoas diferentes, e que aquilo que estejam a dizer e aquilo que o outro esteja a dizer pode muito bem ser a mesma coisa por palavras diferentes, ou pode ser a mesma coisa mas ouvirem coisas completamente diferentes.

Alguma vez se terão voltado para trás e examinado as palavras ao longo dos anos? Para a forma como o significado de uma palavra muda? Em especial no que chamam de “gíria.” Vocês dizem que algo seja “fixe” e que uma outra coisa seja “uma brasa.” Em diferentes alturas significam coisas diferentes, entendem? Se uma pessoa sentir um desejo particular por vós, se a necessidade que tiver de vós for premente, interpretará o que vocês disserem da forma que querem ouvi-lo para conseguirem da vossa parte a resposta para a sua necessidade. Assim, precisam dispor essas “sardinhas”  e conversar com respeito a elas, porque se não o fizerem, irão acabar por ouvir coisas diferentes e nunca irão chegar a um acordo. Mas quando o percebimento de que a centelha não se encontra presente, de que a magia não se acha presente, a maior coisa que podem fazer é abençoar-se mutuamente, desejar bem um ao outro, e seguir o vosso caminho em separado como amigos, porque caso contrário, eventualmente desgastar-se-ão até à ponta dos cabelos e odiar-se-ão. O ressentimento!

Vocês sabem, eu ouço as pessoas dizer: “O amor que sinto é forte o suficiente por ambos.” Não funciona desse modo por eventualmente enquanto seres humanos que são, deverem ter uma necessidade; deverão precisar de alguma coisa de volta. Deverá haver alguma forma por que se sintam amados. E caso não sintam, irão começar a ressentir-se e irão começar a sentir-se furiosos. Estás a ver? Vocês usam uma expressão no vosso mundo que diz para “Não baterem num cavalo morto.” Por ele não vir a levantar-se e a correr. Tão pouco uma relação morta irá erguer-se e correr em frente.

Uma das coisas que é muito difícil as pessoas entenderem é que na era de Peixes da estrutura e da forma baseada no quadrado, na angulosidade, das regras rígidas e dos regulamentos, casavam-se e tinham uma carreira para toda a vida, tudo. Nesta era do espírito e da corrente, baseada no círculo, há um enorme movimento, movimento esse que por vezes os leva a sentir de modo diferente com relação aos relacionamentos, mas o vosso ensinamento e compreensão é que seja para sempre. Toda a gente quer amar para todo o sempre, e não é que não devessem querer isso; isso é maravilhoso. Muita gente procura ter uma relação que dure para sempre antes de estarem preparados, e depois o que sucede é que não dura. E depois ficam a desconfiar de todos os relacionamentos. Vão dizer: “Este irá provocar-me isso de novo?” Mas o que realmente terá acontecido é que não terão tido os ingredientes no primeiro relacionamento que fosse adequados a vós. Alguma vez terão olhado de novo para alguém por quem tivessem estado loucamente apaixonados aos dezoito anos? Olham de novo e dizem: “Devo ter sido maluca.” E esse alguém deve ter olhado para trás e pensado: “Eu devpo ter estado maluco.” (Riso) No entanto não há nada de errado com nenhum de vós. Trata-se de um momento diferente no tempo.

Um relacionamento que permita o crescimento dos indivíduos em si será um relacionamento para sempre. A Nova Era não significa que os relacionamentos que seja suposto durarem para sempre não devam acontecer, mas que reconheçam o crescimento e o movimento que sofrem nesse relacionamento. Não esperaram que venha a ser conforme era quando inicialmente se juntaram. Deus os livre de passar a vida toda da forma que costumavam passar quando inicialmente se juntaram. Olhariam para trás e sentir-se-iam completamente estagnados.

Além disso um relacionamento significa crescimento. Está destinado a alterar o aspecto e a ficar cada vez melhor com cada mudança que enfrentem. Está destinado a ser uma coisa que tenha que ver com o dar, o partilhar e a flexibilidade. Quando alguém não conseguir ver através dos olhos de mais alguém mas só dos seus, estará a bloquear o relacionamento e ele não poderá tornar-se nada de duradouro, por precisar haver uma partilha. Não pode ser uma coisa de uma via única, por assim dizer. Perguntas. Quero responder às perguntas que tiverem por achar que sejam importantes.

Pergunta: Como haveremos de saber quando estamos preparados para um relacionamento?

A maioria acha-se pronta para ter um relacionamento quando sentirem em si a necessidade de ter mais alguém com quem partilhar, quando experimentar sozinho não mais é suficiente, quando querem ser capazes de conversar com mais alguém, de partilhar, e gostariam de ser capazes de chegar a casa e dizer: “Tive um pneu furado,” e alguém lhes pergunta se estão bem. Entendem? Por outras palavras, é o desejo de não estar em posição de harmonia unicamente convosco próprios, mas de a partilhar com outros. Mas, uma vez mais, saberão quando estarão preparados para um relacionamento por se depararem convosco próprios a convidar alguém no vosso íntimo. Procurarão o ingrediente mágico.

Uma das coisas mais tristes no vosso mundo é que as pessoas formem uma ideia fixa do que um relacionamento perfeito deva ser. Têm a ideia de que uma relação deva ter determinada forma ou feitio, e Deus os livre de se depararem com alguém que não se enquadre nas medidas que deva ter, e não seja perfeito em todos os ingredientes que sempre tenham desejado, que nem mesmo olá dirão.

Aquilo que precisam recordar é que, se pedirem um relacionamento perfeito e certo, e a seguir se mantiverem em contacto com o que vier ao vosso encontro, sem esperarem nada disso que não a partilha da amizade, verão que a amizade crescerá para outra coisa mais, e não excluirão da vossa vida alguém que seja a pessoa certa para vós.

Pergunta: Quando dois conjugues num casamento percebem, mais cedo ou mais tarde, que o relacionamento não mais se acha presente a todos os níveis e que não haja esperança de isso mudar, deverão permanecer juntos até que a morte os separe, ou…?

Isso é opção que depende do livre arbítrio. Mas aquilo de que precisam interrogar-se e… Há muitas razões para as pessoas permanecerem juntas, mesmo quando sabem não existir nada. Alguns conseguem dizer de uma forma bem-sucedida: “Não existe nada aqui a que chame de mágico, mas estamos acostumados um ao outro e conseguimos coexistir sem animosidade. Caso exista animosidade, só se estarão a destruir, e a frase que é empregue no vosso mundo: “Ficamos juntos por causa das crianças,” dá-me estremecimentos, entendem, por a criança ter total consciência das energias da ira existente no lar, e uma ira inexplicada no lar para uma criança leva-a a presumir que ela seja responsável por ela, por essa ser a única forma por que entende as coisas, e isso torna-se muito difícil para elas. O que não quer dizer que seja suposto chamarem a criança aparte e lhe descrevam todos os horrores do vosso companheiro, mas devem dizer que por vezes os adultos desenvolvem uma maior maturidade que os companheiros e descobrem incompatibilidades entre si, e que isso nada tem que ver com o amor que sentem por ela.” E por amor de Deus, não peçam às crianças para tomar partido, porque isso é a pior coisa que poderão fazer a uma criança.

Mas precisa ser uma escolha que brote do livre-arbítrio, por Deus lhes ter concedido livre-arbítrio e Ele não irá rescindir dele. Deverá ser de acordo com o que irão fazer um ao outro durante esse período. Se envolver personalização e destruição até ao fim, não será relacionamento nenhum. Melhor será que saiam fora, entendes?

Pergunta: Se estivermos num relacionamento com base no conhecimento com alguém a quem amemos, mas de quem não gostemos em particular, e com quem estejamos sempre juntos, como haveremos de lidar com as emoções que resultem dele?

Precisarão interrogar-se quanto àquilo de que não gostem, e porquê, por que razão será isso tão importante, de modo a compreendê-lo. Depois precisam ver se será possível alterar isso por uma forma qualquer como uma partilha.

Agora; não existe literalmente relacionamento em todo o mundo em que ao longo do percurso não venham a gostar um do outro por um tempo, só pelo facto de serem seres humanos, mas o amor é suficientemente forte para o manter… A percepção de que existe mais do que a infelicidade do presente, por assim dizer, ou ira, ou sensação de fracasso. Mas uma vez mais, só as duas pessoas que o compõem poderão determinar se conseguem alterar a situação de modo a torná-la agradável, ou não.

Uma coisa que precisam admitir é que existe uma diferença entre gostar, pelo divino direito ao discernimento, e o preconceito. É uma cosia completamente diferente. Se não gostarem - e eu não o quero personalizar, mas tão só referi-lo em termos gerais – se o facto de não gostarem se prender com a noção que tenham do que toda a gente deveria fazer, quer seja adequado a elas ou não, isso será julgar. Se for caso de não gostarem devido a que por qualquer coisa seja destrutivo para vós, ou não lhes seja adequado, não por uma questão de ego mas do nível da alma que tenham atingido, isso será discernimento, e será diferente. Assim, ao longo do percurso precisarão interrogar-se continuamente se estarão a atribuir demasiado poder à coisa, ou se será algo de destrutivo para vós que não devam ter. Conquanto não se baseie no julgamento do outro, por isso não representar direito divino nenhum. Esse é o direito da lei universal. Mais alguma pergunta?

Pergunta: A que é que chamas de mágico?

Mágico? É quando existe o sentimento entre as duas pessoas que as leve a animar-se uma à outra, que as leve a ver a outra como uma pessoa bela, independentemente de poderem ser a pessoa mais rústica do mundo, mas é bela. É aquela coisa que diz que conseguem conquistar o mundo. “Eu sei que consegues.” É quando na verdade algures no fundo de vós um é o cavaleiro na armadura brilhante e o outro é a bela de longos cabelos numa torre. Mas é algo que ocorre dentro de vós. É (o superar da) dicotomia entre essas duas energias que sucede, e não sucede unicamente ao nível sexual, mas vai mais fundo que isso. Há um carinho que se estende além da química corporal. É por isso que é mágico, por não envolver unicamente a química do corpo. Empregamos o termo “mágico,” por ser o que supostamente deva fazer com que qualquer coisa aconteça. Mas na realidade é o que transparece entre duas pessoas.

Quando isso se acha presente, a pessoa sempre alcançará mais, e terá um maior cuidado consigo. Será mais feliz na vida, e é provável que venha a tentar fazer mais da sua vida do que tenha feito antes, por alguém acreditar nela. Configura toda uma coisa no íntimo que diz: “Agora consigo fazer qualquer coisa, por ser mágico.” É uma coisa muito bela de contemplar. E isso existe no vosso mundo, existe mesmo.

Pergunta: Sempre aprendemos mais através dos relacionamentos do que por nós próprios? (Desculpa?) Sempre aprenderemos mais com as relações do que sozinhos?

A interacção no mundo sempre constitui um padrão de crescimento. Se aprenderem sozinhos, ainda estarão a interagir. Não podem passar a vida sem se relacionarem; não precisa ser um relacionamento pessoal ou individual; irão ter um relacionamento com o condutor de táxi, assim como irão ter um relacionamento com este grupo esta noite, independentemente do que vierem a ter na vida por relacionamento, por a interacção da energia e o intercâmbio de energia constituir um factor de crescimento. Quer optem por fazer disso uma coisa permanente com a pessoa é opção que tem cabimento unicamente no vosso livre-arbítrio.

Ainda dispomos de dois minutos até ao intervalo, pelo que ainda há tempo para mais uma pergunta. (Pausa) Que maravilha, não? Toda a gente sabe tudo acerca das relações.

Pergunta: Eu li na coluna de uma revista de etiqueta em que uma certa mulher é interrogada… E a pergunta era a seguinte: Há um casal que quer fazer amizade connosco, mas nõa não queremos ser amigos deles, e eles insistem em convidar-nos e nós não os queremos ofender; que é que devemos fazer, deveremos simplesmente dizer-lhes ou deveremos…? E a resposta que surgiu na coluna da revista foi para recusarem de uma forma educada que eventualmente eles entenderiam o recado. E eu gostava de saber se isso será a coisa correcta a fazer, ou se seria melhor ser honesto de uma forma discreta. Que é que tu sugeres?

As pessoas sentem um enorme orgulho em serem honestas por encararem a honestidade como um machado que corta a cabeça das pessoas, mas sentem-se perfeitamente bem com isso por serem honestas. Não. Mas a honestidade também pode ser delicada. E sabem que se disserem… Eventualmente poderão ter que lhe dizer: “Realmente não gosto de ir a festas desse género,” ou assim, mas tentem primeiro fazer com que saibam de uma forma gentil que não estão disponíveis. Isso é amabilidade, e não desonestidade. Há alturas em que uma pessoa vê alguém como uma desvantagem para elas e a outra pessoa não vê. Mas jamais deixem que a honestidade represente o direito que tenham de ferir alguém. Isso não é honestidade, mas crueldade. Honestidade é ser capaz de dizer sem malícia qualquer coisa que precise ser dita, e dizê-la sem sentido nenhum de ego.

Já é tempo de irmos… Muito bem. Vamos tirar uns instantes para fazermos um intervalo de modo a poderem ficar esticar as pernas e inspirar oxigénio, e voltamos dentro de uns dez minutos. Por isso, façam o que tiverem que fazer, que voltamos dentro de dez minutos.

Uma das áreas do relacionamento que é muito importante compreender é o relacionamento com os catraios, por eles serem muitíssimo importantes para o vosso universo e para o vosso mundo. Há muitas formas de relacionamento com as crianças, e não só a relação entre pais e filhos. Há a relação professor e estudante; aqueles que trabalham com a criança fora de casa, assim como os que trabalham com ela dentro de casa.

E é muito importante que a criança aprenda a respeitar-se e a tomar decisões, por isso ser uma coisa que irá ter que fazer pelo resto da vida. E uma das melhores maneiras para que uma criança desenvolva respeito num relacionamento é ouvi-la. A maior parte dos pais no mundo não ouvem aos filhos. A criança fala mas a mente deles paira por dez lugares diferentes. É importante que a quantidade de tempo despendido com uma criança seja aquilo que chamam de “tempo de qualidade,” tempo em que realmente escutem o que a criança diz. Coloquem-se ao nível dela por alguns minutos e escutem-na. Não falem para ela, mas com ela ao próprio nível dela. Se fizerem isso, desenvolverão na criança e em vós uma amizade e um respeito que permanecerá convosco muito depois da criança se tornar num adulto - e isso é muito importante.

No vosso mundo, e devido a que ele se tenha tornado tão activo, é de prever que uma grande parte do treino da criança suceda fora de casa, mas há certas qualidades de natureza moral, qualidades de amor, e qualidades de partilha que podem somente ser desenvolvidas em casa. Não podem ser desenvolvidas em mais lugar nenhum. O respeito pelo seu corpo tem que ser desenvolvido em casa. A análise clínica nas aulas é uma coisa; a compreensão de que o seu corpo é algo muito especial é outra. E elas precisam aprender esse respeito por toda a sua mente, corpo e espírito. Então, o lar do futuro virá, de facto, a retomar muito do que tem vindo a ser actualmente colocado fora de casa, por precisar ser um local de estímulo que não seja externo mas interno. E isso pode somente suceder quando se acham em estreito contacto com os vossos filhos.

Não podem deixar que a criança não tome uma decisão. Não podem deixar que a criança cresça convosco a dizer-lhe o que deve fazer a cada instante da sua vida e a pensar que seja uma criança maravilhosa por nunca ter dito não, e depois, numa certa idade empurrá-la para o mundo e dizer para agora serem adultos. Se nunca tiver tido qualquer treino em maturidade, como irá ser um adulto? Mas o maior treino que têm é observar os pais Mas esse é forte. Como poderá uma criança inverter a coisa e contarmos que seja cortês se os pais não a tratam assim, ou a si próprios com cortesia? Assim, o modelo de desempenho de papéis para os pais e a atmosfera estimulante que o agregado familiar propicia constitui o ingrediente mais importante que podem transmitir aos vossos filhos para que seja capaz de sobreviver no mundo.

Mas, independentemente do quão amável esse lar seja, não contem que a criança não venha a querer abandoná-lo. Isso é normal. Os pássaros empurram as crias para fora do ninho assim que aprendem a voar. Têm a ideia acertada. Os pais tentam agarrar os filhos, e a razão por que fazem isso deve-se a que muitas vezes tenham começado a viver por intermédio dos filhos. Não entendem os filhos como indivíduos, como entidades distintas, mas como uma extensão deles próprios. E com frequência depositam tanto tempo e energia nos filhos que se esquecem de que são gente - o pai e a mãe.

E tal como eu disse anteriormente, muita vez os filhos crescem e os pais olham um para o outro e interrogam-se acerca de quem são, por não terem comunicado por tantos anos. Assim, deixem que os vossos filhos saibam e entendam que os pais são indivíduos maravilhosos e únicos que os amam, mas que também possuem o direito às mesmas coisas que a criança tem, e se as crianças têm tempo para brincar com os colegas, então a mãe e o pai também devem ter tempo para passar com os amigos. Ensinem-lhes a respeitar as necessidades de cada um, que dessa maneira a criança crescerá a respeitar - assim como os pais. Os pais passam por muito crescimento com os filhos. Mas nunca deixem que isso os impeça de dispor de tempo para os ouvir.

A arte de escutar é uma coisa bastante especial, e um dia destes haveremos de fazer algo com respeito a isso. Bom, desejarão fazer perguntas pelo caminho, por termos outras coisas a abordar.

Pergunta:Por outras palavras, tratamos basicamente a criança com um adulto?

Sim. Tratam a criança como um adulto em termos de respeito e de honestidade. Não as tratam como adultos ao esperarem que compreendam o que quer que vocês compreenderem no âmbito do vosso padrão de crescimento, mas permitem que ela o entenda pelo padrão em que seja capaz de o entender. Por a um nível qualquer ela conseguir atingir o que quer que vocês alcancem, mas é a abertura, a honestidade e o respeito que tem tanta importância.

Pergunta: Em que idade, se alguma vez, começarão as crianças a perceber os próprios pais enquanto pessoas que são e nem sempre no papel de pais?

Sabem qual é um dos maiores choques que existe no mundo? É as crianças descobrirem que os pais são gente, e que eles dançam, e caminham, e falam, e se zangam, e choram, e sentem medo. Geralmente isso sucede algures lá pelo ciclo de sete anos que vai dos sete aos catorze, e provavelmente por volta dos nove.

Pergunta: Eu conheço um casal que está na casa dos vinte que ainda não o descobriu. (Riso)

Eu dava a sugestão de que pintassem um letreiro e que lhos mostrassem. Lembra-te de uma coisa. Muitas vezes, o pai não percebe que se deixou escorregar para o papel de mártir. Divide-se entre o papel de donatário, sempre presente, nunca ausente, após o que passado um tempo isso se torna num voo do ego. “Sou a mãe que está sempre presente, quer queira estar ou não...” Entendem? Mas a criança, algures ao longo do caminho diz: “Isto é formidável; vamos manter esta coisa por um bom período de tempo.” (Riso)

Portanto, não é que um pai alguma vez abra mão do filho ou que alguma vez diga que não queira ajudar o filho ou estar presente, mas algures ao longo do caminho precisam conhecer a palavra “não.” Todas as crianças precisam aprender a palavra “não,” assim como todos os pais. Muitos pais pensam que se disserem “não,” não serão bons pais. Mas esse não é o caso de todo. Lembrem-se de que o ciclo de sete anos dos vinte e um não dista assim tanto dos catorze, e ninguém se torna adulto até que atinja os vinte e oito. Podem fazer por que pareça, podem representar o papel, mas nunca chega a encaixar até ao vigésimo oitavo ano, de modo que terão alguma coisa a esperar pela frente. Mais alguma pergunta?

Pergunta: Porquê o vigésimo oitavo ano? Estará isso ligado ao retorno de Saturno?

Não. Bom, claro que o retorno de Saturno se dá por volta de todos os ciclos de vinte e oito anos e meio. Mas o vigésimo oitavo é o ciclo. O primeiro ciclo mantém um firme: “não.” O segundo diz: “Vou-me separar fisicamente de ti.” O adolescente de catorze anos afasta-se e diz: “Dá-me espaço.” O de vinte e um separa-se mentalmente: “Não mo digas, eu sei.” Assim, vocês vêem, envolve uma afirmação individual, uma separação física, uma separação mental, e a seguir um desejo de orientação proveniente dessas separações, daí o ciclo dos vinte e oito anos, por essas coisas ocorrerem quando a alma exige ser vista enquanto indivíduo, de modo que o ciclo de vinte e oito anos se enquadra na separação, e vocês ficam realmente sozinhos. Ninguém chega a cortar o cordão umbilical emocional até aos trinta e cinco, e se vocês olharem para vós, alguns ainda nem lá chegaram, mas se olharem para trás, aqueles de vós que tiverem passado esse ponto, perceberão que terão atravessado prementes questões do âmbito das liberdades emocionais que terão chegado por volta dos trinta e cinco.

Pergunta: A minha filha não se encontra bem, e eu tendo a preocupar-me excessivamente e a importuná-la também, o que provoca um rompimento entre nós. Poderás comentar isso?

Muito bem. A primeira coisa que precisas reconhecer é que se te preocupas, estarás somente a atiçar toda a negatividade da doença de que padece. Em vez de te preocupares, deposita a tua energia na aceitação da mudança da saúde física dela. Aceita a saúde, em vez de te preocupares com a doença. Mas mesmo que ela tenha que passar por isso, seja por que razão for, ainda seria mais fácil e melhor por teres posto energia positiva onde existia uma fraqueza. Assim, literalmente, toda a vez que te deres por ti a preocupar-te, vê-a rodeada de luz e vê-a íntegra e feliz, porque se duvidares, começarás a sufocá-la e aí isso levá-la-á a revoltar-se.

Até mesmo a criança que se encontra doente tem direito à dignidade de uma personalidade individual e a um ser individual. Por isso, precisas permitir-te simplesmente alterar o padrão a toda a hora. Lembra-te de que os pensamentos são coisas. Eles possuem poder, de modo que, se pensamentos colectivos de medo e de preocupação a acometerem, isso representará coisas negativas a assoberbá-la. Assim, sentas-te e dizes-lhe: “Vamos tentar descobrir qualquer será o meio-termo que me leve a não sentir muito temor por ti, e que te leve a não te sentir demasiado dominada por mim.” Trata disso como um plano, quase como se estivesses a planear algo maravilhoso - coisa em que virá a tornar-se, entendes?

Entende o seguinte: Não há dor maior do que a dor que um pai ou mãe sente pelo sofrimento do filho ou filha ao vê-los sofrer. E não importa que tipo de sofrimento envolva. Contudo, eles nem sempre sabem como lidar com ela. Por vezes exageram, e noutras alturas ficam de tal modo assustados que se voltam na direcção oposta e ignoram isso por completo, tipo: “Se fizeres por crer que isso não exista, isso desaparecerá.” Mas outras vezes aceitam o facto de isso ser como é. “Destapam” a lata de sardinhas, e lá estão esses pequenos factos, “É assim que as coisas são.” Portanto, como haverão de lidar com isso da forma que isso é? Fazendo-o pelo melhor que puder ser?” Se estiveres a dar o teu melhor em relação a isso em qualquer altura, irás fazê-lo bem.

Além disso, lembra-te de que uma criança portadora de uma desvantagem, necessita que lhe encorajem todo o potencial e capacidade, e não que lhe realcem a desvantagem. Se a criança não conseguir fazer determinada coisa de uma maneira, mostrem-lhe outra maneira, de modo que essa criança consiga fazer sempre mais por si mesma, porque, quanto mais ela conseguir fazer por ela própria, melhor indivíduo se tornará, e mais compreenderá que não é algo posto à parte, mas alguém que padece simplesmente de uma desvantagem, e uma desvantagem não significa o fim do mundo. Porque demasiado… No desejo de ajudar por vezes dão demasiada ajuda, e a criança nunca chega a compreender todas as outras partes belas e maravilhosas que possui, que são tão encantadoras de ver.

Pergunta: Como poderemos ter a certeza de que quando abrirmos a tampa e olharmos para os factos, de que não racionalizaremos, e poderemos diferenciar entre os factos da situação e a verdade da situação?

Os factos são uma verdade. Os factos são uma forma manifesta da verdade de uma dada situação. Por outras palavras, se tiverem quatro fatias de pão, isso será quantas fatias de pão terão. É um facto e uma verdade, e a única coisa que poderão fazer é descobrir como ir e encontrar mais pão ou como fazer um menu com as quatro fatias de pão. Entendes?

Pergunta: Também pode ser pão em quantidade ilimitada, tal como Jesus no…

Isso é filosofia. Sim, pode haver pão em quantidade ilimitada, mas o facto é que não dispõem dele exactamente aí nem nesse momento, e aí terão que dizer que o facto é que necessitam de mais pão, como é que o irão encontrar, e dar passos criativos no sentido disso. Podíamos aqui afirmar que tudo seja ilimitado. Já sabemos disso. Tudo quanto tenha existido, exista ou sempre venha a existir, mas quando tocam nisso, tocam-lhe em qualquer ponto do tempo em que se situem, o que não elimina o facto de existirem outras alturas na vossa vida em que venha a parecer que o suprimento ilimitado disso não se ache presente, pelo que irão ter que lidar com os factos decorrentes dessas quatro fatias de pão. Sabem que existem montes de pão por aí, mas nesse exacto momento, só dispõem de quatro fatias.

Agora precisam determinar com encontrar mais. É aí que param com a filosofia e se cingem aos factos do momento em que se encontram. Podem fazer crer, fantasiar, filosofar, podem fazer o que quiserem, mas a uma dada altura, há certos factos que se prendem com a situação. Nesse momento isso é tudo a que se podem cingir. Aquilo a que o momento seguinte os conduzir, a partir da compreensão deles… Poderão dizer que têm somente quatro fatias de pão, de modo que nem sequer venham a ter pão, assim como poderão dizer: “Vou ter que me meter à chuva e arranjar outra carcaça.” Mas o facto das quatro fatias constituem a única maneira por que essas decisões chegam a ser produzidas. Entendes? Assim, olha sempre para o que se te apresentar.

Agora, Quando começam a racionalizar, então chegam à razão para ter somente quatro fatias de pão, e começam a apresentar desculpas para só terem quatro. Por outras palavras, começam a fazer por que o facto de só disporem de quatro fatias tenha alguma razão para ser quatro fatias de pão. Elas têm razão, vocês comeram o resto, estás a ver? Ou os ratos, ou alguém mais. (Riso)

Pergunta: Não creio que esteja a entender a questão. Creio que talvez te estejas a tornar confuso. Há factos que são difíceis de perceber. Uma criança não é quatro fatias de pão, nem tão pouco um adulto. (Certo) Por vezes os factos são mais difíceis de perceber que isso. Se fosse tão fácil quanto quatro fatias de pão, ninguém sentiria qualquer problema. Creio que aquilo a que ela estava a querer referir-se, e não creio que tenhas a bordado bem a questão, era a verdade, e a seguir a parte metafísica dela, uma verdade objectiva ao contrário daquilo que vemos na realidade, ou o que acreditamos ver, o que nem sempre se acha presente.

Lembra-te que eu referi que há alturas em que que parecerá. Usamos a analogia das quatro fatias de pão como uma coisa articulada. Se te parecer demasiado articulada, tudo bem, vamos usar outra. Vamos ver uma situação… Que situação quererás que empregue?

Pergunta: Bom, a situação é a das pessoas. Só estou a dizer que não podes comparar as pessoas a quatro fatias de pão.

Muito bem. Usemos o seguinte. Usemos uma situação de um relacionamento em que haja um problema. Precisam analisar os factos do que esteja a causar a brecha ou o dilema. No mundo das aparências dar-se-á a racionalização quanto ao que esteja a causar isso. Quando vão além disso, começam a perceber que existam coisas no interior que estejam a causar isso, o que poderá constituir uma cegueira para com as necessidades ou o factor de mais alguém. Lembras-te de termos falado de terem que conversar acerca dos diferentes pontos de vista e coisas do género. Aquilo que te estou a dizer é que existem factos metafísicos, e os factos metafísicos podem alterar qualquer facto, mas o problema na maioria dos relacionamentos é que nunca chegam tão longe. Deixam-se aprisionar pelo aspecto da personalidade do ego inerente ao que sucede nas relações. E aqui estamos a falar sobre como resolver essas relações. Entendo a tua questão com toda a clareza o que estás a dizer, mas o que tens que ver aqui é que este é o mundo das aparências, pelo que há certos grupos de coisas que parecem estar a acontecer.

Além do mundo das aparências, há o factor da realidade, mas esse factor tem sempre lugar dentro, que é onde precisas dirigir-te para ver a contribuição que a situação está a receber. Concordo contigo com respeito ao facto da analogia das quatro fatias de pão ser uma coisa muito simplista no que diz respeito às pessoas e ao relacionamento, e agradeço-te por teres levantado a questão. Mas a questão aqui reside no facto de precisares ir além do mundo das aparências, por as aparências lidarem com o ego e a personalidade. Quando vais além disso, lidas com a realidade. Estás a enfrentar as questões em ti próprio. Enfrentas a forma como as abordas, como esperas ou antecipas que o outro venha a abordá-las. Esses chegam a ser os factos da situação. Então eles poderão ser trabalhados a partir de dentro e alterados. Sabemos que o aspecto metafísico pode mudar, mas precisam realmente acreditar nisso, e precisam trabalhar isso de verdade. Não podem simplesmente fantasiar.

Pergunta: Creio que talvez o tenha formulado um pouco erradamente. Se quisermos voltar a usar o exemplo do pão de novo… O que parecerá ser quatro fatias de pão, pode ter mais duas por baixo. A verdade objectiva é que realmente existem seis fatias de pão e nós só vemos quatro, como haveremos de passar esse nível, e creio que seria mais…

Aquilo com que podemos lidar unicamente em qualquer altura é aquilo que obviamente existir em primeiro lugar. Essa é a única coisa com que podemos lidar. A partir daí passamos para outro nível, e isso, então, começa a afastar a ilusão do primeiro nível. Mas quando nos cingimos ao viver actual, precisa ser tomada uma acção por vós para o transferirem, para o transmutarem de um nível para o outro. É quando precisas decidir o que fazer acerca da situação tal como se apresenta. Mais alguma pergunta?

Pergunta: Dizes que devíamos olhar os factos de uma situação, mas muitas vezes os factos de uma situação não são tangíveis como o pão. São coisas mais emocionais que ocorrem com alguém, e algumas pessoas não são capazes ou não estão dispostas ou não conseguem expressar aquilo que sentem, porque por vezes elas nem sequer sabem o que sentem. Além disso, aquilo que sentem muda diariamente, de modo que por vezes temos um caso - o que creio ser verdade em relação a muitos relacionamentos – em que nos interrogamos se isso melhorará, ou se deveremos abandoná-lo, ou se deveremos dar uma outra oportunidade à pessoa, e creio que isso é um problema e tanto. Creio que seja por isso que muitos casamentos que não envolvem um grande relacionamento, subsistem, porque…

É claro. Precisas lembrar-te de que em qualquer coisa do que estejamos a abordar, o grau de envolvimento e o grau de honestidade envolvidos, ou de boa vontade no envolvimento de alguém que nisso participe irá ter que ver alguma coisa com isso, mas quando observam a coisa ao nível desse mundo das aparências, precisarão ter uma salvaguarda emocional. Precisarão ver o quanto disso se orienta em função do ego, e depois o que estará por detrás disso. Muita gente não está na disposição de procurar um recurso e preferirá em vez disso passar por uma má situação do que recuar e enfrentar o próprio sentimento interior ou realidade respeitante a isso, e é disso que estamos a falar, da disposição para ir além do mundo das aparências. E irão encontrar pessoas que nunca o irão fazer. E irão encontrar quem o faça bem.

Pergunta: Não é tanto uma questão de olhar para o que está fisicamente diante de nós ou para a nossa realidade interior, mas de tentar ver qual seja a realidade interior da pessoa com que estamos a lidar, e isso é algo que é muito difícil de ver.

Não, porque o único sítio em que poderão mudar qualquer coisa é em vós. Quando mudam alguma coisa em vós, alteram a atmosfera que os circunda a que a pessoa reage, e aí ela começa a ter uma reacção de volta diferente, ou a causa da acção e da reacção. De modo que precisam lidar com isso. Precisam dispor-se a tentar voltar-se para vós e a ver o que ocorre aí.

Pergunta: Estou a pensar na relação que tem lugar agora em tantos grupos que se acham envolvidos em actividades tipo nova era, de que saímos com uma certa premissa de valores, mas o que sucede é que na realidade há um contracto silencioso com muita gente que tenta atingir as próprias necessidades nesse dado grupo. Isso causou uma enorme quantidade de dificuldade e eu estava interessada em descobrir como começar a lidar com isso.

Muito bem. Uma das coisas que dissemos foi que em qualquer situação de grupo, três coisas acontecem. Em primeiro lugar, qual será o objectivo do grupo? Precisam saber para que se dirige o grupo, para onde se encaminha, qual será o objectiva que tem, e por que quer alcançar isso. Em segundo lugar, precisam saber qual será o crescimento individual que atingirão no seio desse grupo, assim como qual será o crescimento que o grupo objectiva. Por um grupo ser mais do que uma colecção de pessoas que se reúne para responder às próprias necessidades que tem. O próprio grupo irá assumir um padrão de crescimento, e essas coisas precisam ser compreendidas num grupo. Por que estarão nele, porque quererão avançar nesse grupo. Além disso, ao entrarem para o grupo, estarão nele puramente pelo crescimento pessoal, ou estarão em busca de uma desculpa social?

Existem todas essas partes distintas de vós próprios que necessitam de um factor de atendimento num grupo, e vocês têm que contornar para averiguarem aquilo que esperam. Toda a gente projecta nos outros imagens, e depois acha que elas os deixa ficar mal quando não correspondem a essas imagens; quando na realidade, a única coisa que a pessoa faz é ser ela própria. Por isso, precisam entrar num grupo com conhecimento do que requerem dele e do que esperam dele. Precisam indagar acerca daquilo para que o grupo serve, e depois precisam manter o vosso próprio espaço assim como o espaço colectivo à medida que avançam. Por vezes suplantam o crescimento do grupo, e ele deixa de lhes dar o que procuram. O grupo em si mesmo cresce numa direcção enquanto vocês descobrem que o vosso interesse se desenvolve noutra. Há quem prefira uma abordagem mental; há quem prefira um debate, outros preferem uma meditação.

Há várias formas de abordagem dos padrões de crescimento, mas vocês precisam saber o que se lhes adequa a vós. E não há nada de errado em mudar de grupo, passar para a actividade de outro grupo, caso esse grupo deixe de corresponder ao padrão de crescimento que almejam. Mas também é importante para as pessoas numa situação de grupo, ter noção do objectivo do grupo, dispor-se a avançar com o objectivo do grupo. Por outras palavras, se souberem que um determinado grupo se reúne para estudar determinado material e vocês entram nele e dizem não gostar do material. Bom, vocês sabiam disso no início, mas é adequado que deixem de participar nele, mas isso não se deverá a que tenham feito alguma coisa.

Eu estou a tentar mostrar que as várias actitudes e coisas que sucedem num grupo que compõem a dicotomia. Toda a gente tem responsabilidades duplas para com o próprio crescimento que almeja individualmente e para com o desenvolvimento do grupo, de modo que dispõem da oportunidade de crescer não só no vosso espaço interior como no espaço da interacção. E descobrirão que a maioria dos grupos que constituem um verdadeiro movimento de grupo, deixam espaço para que o indivíduo possa crescer assim como a colectividade.

Pergunta: Eu estou a ter problemas com a relação que tenho com a civilização ocidental. Não faz qualquer sentido para mim enquanto estilo de vida, e dou por mim a ansiar por um estilo mais simples ou mais… os caminhos que tivemos (no passado) e que experimentamos. Mas ainda assim, por outro lado, questiono se isso não existirá aqui com um propósito. Por outras palavras, se isso estará no caminho da evolução. Haverá alguma razão para lidarmos com isso, ou terei o direito divino de discernimento para dizer que opto por outro modo de vida, caso seja possível.

Tu possuis o direito divino do discernimento para escolheres qualquer modo de vida que queiras conquanto aceites tudo quanto envolve. Não há quem afirme que devas ter um estilo de vida específico. Todo o grupo, todas as nações, todo o caminho existe por uma razão, por a multiplicidade de energias existentes no mundo necessitarem de múltiplas abordagens.

Pergunta: O inconveniente de outras civilizações que defendem valores que consigo apreciar e por que quero reger-me está em também apresentarem uma simplicidade que me fazem sentir de uma forma que… É quase a cura desta que se torna importante. Não sei ao certo.       Estou sempre a andar para a frente e para trás. Entendes a minha pergunta? É como se soubesse que tenha experimentado isso antes, e não esteja certa de que isto não seja onde a evolução para mim e para todos nós resida - por nos encontrarmos aqui.   
   
Uma das coisas que tornam isso difícil por esta altura é que os muros estejam a ruir, e o Oriente esteja a vir ao encontro do Ocidente, de modo que tu sentes estar a viver em duas condições, por uma boa parte dos teus anos, até agora, terem sido passados com ensinamentos ocidentais e filosofias ocidentais. A recordação de filosofias orientais etc., do passado acciona a busca que empreendes no sentido de encontrares um interesse de novo e o caminho natural, estás a entender? Mas isso nada tem de mal.

Pergunta: …a parte natural, não a oriental, a parte natural que é a parte por que eu em particular anseio. Por exemplo, o estilo de vida dos Índios Americanos, digamos, antes de 1700.

Nada pode voltar conforme tenha sido. Só pode ser trazido no seu momento no tempo, agora. Mas não há uma única coisa da essência dessa vida que não possa ser vivida actualmente. O que não quer dizer que devas usar penas no cabelo, ou cavalgar um pónei pintado, mas significa que o caminho que aprecias pode ser experimentado e expressado neste momento do tempo, devido a que na espiral seja suposto ser expressada neste seu novo ponto do tempo. Não devem andar para trás. Só podem carregar a essência em frente. Não podem levar o mesmo estilo de vida de novo, por se situarem num novo ponto do tempo, mas carregam a essência dele para esse novo ponto no tempo.

Pergunta: Analisemo-lo de um ponto de vista mundano… Existem impostos, carros, poluição, uma data de coisas… Não que seja negativo, mas estou somente a enumerar as coisas com que precisamos lidar se estivermos por alguma forma associados a esta sociedade. Assim, se as nossas energias estiverem envolvidas, então como haveremos de…?

O estilo de vida natural Americano era interno. Mas só pelo facto de existirem carros não quer dizer que não possam seguir o caminho interno, nem quer dizer que não possam ir para outra área quando podem. Mas a paz reside no interior. Não depositem o vosso sistema de valores fora de vós, mas dentro de vós. Assim, conseguirão viver em dois espaços, um da crença interior e o outro da condição exterior.

Essa vida não tinha nada que ver com tendas nem póneis nem esse tipo de coisa. Tinha que ver com a condição interior que era criada, que os levava… ou melhor que carregam convosco para onde quer que vão, por poderem levar isso convosco para todo o lado.

Pergunta. A única coisa que não entendi com respeito a isso é que se os meus interesses estão envolvidos com esta sociedade, então aquilo que quero dessa vida, que é não me preocupar com essas coisas, não sei exactamente… Quero dizer, talvez o venha a experimentar…

Se viveres isso de verdade, interessar-te-ás por todas as coisas. Interessar-te-ás por tudo quanto existe, e preocupar-te-ás com toda a natureza.

Pergunta: …do ponto de vista cósmico?

A questão está em que o Índio se preocupava com o universo, e quando o universo sofre mudanças, todos vós se passam a preocupar com todo esse universo. Não quer dizer que se vejam presos nele ao ponto da destruição, mas que esse facto é parte do universo, que esse é um dos factos. E muitos dariam graças aos céus por causa dele. Por isso, entrem nessa condição que lhes diz, “Isto é tudo o universo,” e trata disso

Pergunta: Eu poderia usar a pergunta da Cynthia como ponto de partida. Eu estou de novo a criar uma relação com a cidade de Nova Iorque, eque cidade será essa? Qual será a essência desse lugar, por a energia ser mesmo… Parece-me tão estranho neste momento. Haverá alguma coisa que Nova Iorque tenha a dar que ainda não tenha percebido?

Claro que tem alguma coisa a dar. Todas as regiões do vosso país, o mundo, o universo, apresenta um padrão de energia e tem algo a dar, e ao buscarem na vida, dão por vós em determinadas áreas pelo que essa área tenha a proporcionar-lhes no vosso crescimento nesse momento. Fugir da vida jamais constitui padrão de crescimento algum. A paz interior e o silêncio para a compreensão e fazer face à vida, sim. Por isso, sim, tem muito a oferecer.

Pergunta: Eu sinto, e provavelmente desde que fui catraia senti uma sensação de reconhecimento e de afinidade estreita por tudo quanto li acerca das culturas Druidas antigas e descubro que isso combina de uma maneira suave e fácil num certo ajuste com a experiência que tenho da cultura dos Índios Americanos. E ambas essas sensações internas, o sentido interno do reconhecimento e o sentido de identificação de tudo quanto existe, cada porção de quanto possui a sua própria claridade e consistência própria e sincronia, tudo integrado de uma forma belíssima, parece-me fluir com uma facilidade crescente para estes novos tempos. Essa é a minha experiência. Descubro que a noção que tenho da unidade da cultura Druida e da afinidade que sinto, se quisermos, por tudo quanto exista, com todos os aspectos das manifestações da natureza - seja humana ou animal ou vegetal ou mineral - é consistente desde o tempo da cultura Druida e passando pela cultura Índia até à época actual, e que essa consistência de algum modo neutraliza o caos do tempo e do lugar inerente ao aqui e agora.

Conforme dissemos anteriormente, tudo quanto tenha existido, exista ou venha a existir, existe. Em diferentes épocas do processo evolutivo surge num novo padrão de crescimento na dicotomia da época. Por isso o fio condutor de todos os ensinamentos possui o mesmo cerne. O homem embeleza-o ao longo do caminho, altera-o, muda-o de forma a enquadrá-lo no momento, por assim dizer, mas o fio básico acha-se presente, da mesma forma que em toda a filosofia ou ensino, e isso é o que é sentido quando uma nova era chega a eclodir, a reunião desses fios condutores para a expressão no novo quadro no tempo. Assim, muita gente sente afinidade por qualquer coisa que já tenha experimentado e está preparada para o trazer ao novo quadro no tempo por intermédio das energias transformacionais.

Pergunta: Contudo, creio que esteja a dizer estas coisas como que em resposta às duas últimas perguntas, do facto de não achar este período estranho, por aquilo que é familiar ainda aqui se encontrar… Eu cresci no oeste, num ambiente rural e vim para Nova Iorque quando era uma jovem adulta, e realmente vivi aqui metade da minha vida, e adoro a cidade Sempre a adorei, mas não encontro mais diferença entre o campo e a cidade, por estar talvez a carregar o meu espaço comigo em ambos os ambientes. Creio que é o que estava a tentar dizer.

Tu trazes o espaço contigo, e consequentemente, o teu espaço pode duncionar independentemente de onde te encontrares, e é a ssim que funciona. Quero dizer, podes trazer o teu espaço contigo a partir da condição em que te encontrares, e por vezes o teu espaço muda à medida que te desenvolves e à medida que te tornas mais e mais consciente de onde te encontras, mas existe um fio e ele acha-se constantemente presente.

Pergunta: Eis aqui uma pergunta, mas que tem que ver com a outra pergunta que a Cynthia colocou, ou estava a colocar. Muito embora os tempos tenham mudado, há diversos aspectos da existência humana que não devem mudar para que os seres humanos sejam felizes. Por outras palavras, não devíamos nunca estar tão distanciados da Terra quanto estamos actualmente, conforme os Índios não estavam. Penso que isso pode... Qual era a tua pergunta Cynthia? Por outras palavras, estaremos nós... haverá alguma razão para nos sentirmos infelizes por termos enveredado por caminhos... muito embora se trate de uma novo tempo, nunca deveríamos estar. Jamais deveríamos ingerir determiadas comidas, ou...

Há aquelas energias que funcionam com uma maior clareza e de uma forma mais afortunada num local natural, num local mais do tipo rural, mas tudo bem. Podem eleger essa alternativa, podem enveredar por isso. Aquilo que há a lembrar é que vocês possuem o poder em vós para ser felizes em qualquer lugar. Possuem o poder de carregar essa paz interior convosco quando vierem, por ser aquilo que precisam compreender e tratar, e a mesma coisa ocorre nos relacionamentos, por trazerem a vossa paz convosco para eles e partilharem o vosso espaço. O que procede, da partilha, vai criar uma terceira energia, que é a energia em que passam a trabalhar. À medida que essa energia muda, à medida que crescem e se desenvolvem, muitas coisas sucedem com isso, mas o único espaço que poderão trazer é o vosso. está bem? Obrigado. Mais alguém?

Nestes instantes finais quero somente dizer que é importante reconhecer, que em qualquer nível que seja dos relacionamentos, isso tem início em vós. A maioria dos relacionamenrtos que falham são os que fracassam devido à insegurança ou à falta de crença que o próprio indivíduosente. Buscam uma realização completamente fora dele próprio, e isso não pode ocorrer. A realização está na partilha, não no domínio, na actitude de tirar partido. E um relacionamento com o universo da vossa natureza, uma vez mais,  tem que assentar na partilha e não na atitude de tirar partido. No vosso  mundo actualmente, muita gente regressou ao que chama de velhos caminhos, e muita gente nos dias que correm está a queimar lenha de novo, mas quantos deles plantaram uma árvore? A menos que essa partilha esteja presente, isso irá acabar no domínio, ou no tirar partido, e quando acabarem irão sentir de novo um vazio, pelo que precisa existir a disponibilidade tanto para serem o doador como o receptor numa situação de partilha.

No que concerne aos relacinamentos, e podíamos literalmente prosseguir sem parar, a coisa mais importante, talvez consigam descobrir as vossas próprias respostas ao longo do caminho, o que é o que é suposto fazerem.

Mas creio que já é tempo. Muito bem, então por esta noite vou libertar o instrumento. Agradeço o facto de me terem permitido partilhar.

Em nome do Pai, e dos Filhos, e do Espírito que os torna Um, estendo-lhes a minha benção e desejo-lhes uma boa noite.

Tradução: Amadeu António
Autoria de June Burke e o Serafim Julian
Direitos de Autor de: Soul Sraur


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