sexta-feira, 24 de abril de 2015

PREPARAÇÃO PARA A AUTOCONFIANÇA







Boa noite. Estou encantado por me encontrar na vossa presença uma vez mais, pois que como sempre, ao fazê-lo vocês crescem. Esta noite vamos considerar a autoconfiança e a preparação para ela, a título de começo de uma nova série, por assim dizer, que está relacionada com a Nova Era, com as energias da Nova Era e as novas funções que preencherão nesse tempo, por precisar explicar-lhes que não se encontram na mesma situação em que se encontravam antes; não se encontram na mesma energia, e devido à escalada que essas energias sofreram, todas as energias, todos os processos inerentes ao Eu se encontram igualmente em alteração.



No começo disso, por ter início por uma primeira vez, e este ano é o ano mais activo dessa energia, é o ano em que é mais fortemente pela primeira vez. Deve reconhecer-se que no início poderá resultar caos antes que se gere paz. Muitos de vocês têm vindo a experimentar períodos do que pensam ser desorientação, períodos do que pensam ser desencadeamento de energias que se podem precipitar na fúria, que se podem precipitar no perdão, que se podem precipitar numa mudança de ideias como se nada se encontrasse estável. E é verdade, por a vibração diferir de tal modo.



Neste período de tempo, o próprio tempo terá intensificado a sua vibração, e muito embora disponham do mesmo número de dias e de horas, etc.,  ele vibra agora numa frequência mais elevada, pelo que estão a experimentar um diferente conceito desse tempo. O tempo está a esvair-se-vos, por assim dizer, e de súbito, quando pensariam ser ainda terça-feira, já se encontram no final de semana. mas isso é uma coisa natural e normal para o tipo de energias que imperam no universo exactamente neste momento, embora não seja divertido. mas para aqueles que estão habituados a passar por uma maior vibração de ligação, pode parecer bastante surpreendente, e pode resultar uma sensação de falta de segurança, uma sensação de ausência de fundações, ou uma sensação de tudo quanto tiverem conhecido ou não como que a esvair-se, e como se não tivesse ancorado na vossa experiência, e sintam receio de o perder. Deixem que lhes garanta que não vão perdê-lo.



Mas isso está a resultar na compreensão de que como se encontram a funcionar no âmbito de uma nova vibração, são capazes de o alterar, e chegar a uma maior percepção daquele que são, da razão para existirem, e da capacidade que têm de confiar em vocês mesmos. A dificuldade no homem é a de que neste mundo existam participações duais; existe a participação que lhes diz respeito a vós e ao crescimento da vossa alma, e a participação que diz respeito à interacção que têm com os demais, e o seu crescimento da alma, que com o tempo se reflecte no vosso, de modo que resulta uma constante (...) "Devo fazê-lo à minha maneira, ou à maneira deles?" "Onde é que a aplicação da coisa acertada termina e tem início ou fim o egoísmo?" "Onde saberei poder traçar a linha de demarcação?"



Examinemos as qualidades que os assistem no desenvolvimento de uma noção de autoconfiança. É importante perceber por têm andado, analisar onde se encontram, e questionar onde querem dirigir-se.



A pessoa em que se tornaram, até esta altura na vida, desenvolveu-se ao longo dos anos. Vocês foram formados e moldados pelo vosso próprio potencial interior ao interagirem com as situações, com as pessoas, com os locais. Nos anos iniciais da vida foram enormemente influenciados pelos outros. Os vossos pais começaram essa formação ao guiá-los através desses anos iniciais. Mais tarde, a escola e os amigos acrescentaram ao processo. Tudo isso é percebido e usado por vós através da vossa própria interpretação e compreensão. A forma como reagem também edifica aquele em que se tornam.



A evolução significa movimento. Para evoluírem precisam dispor-se a mudar e a alterar o passado em vós. Curvar-se quer dizer edificar. A rigidez pode trancá-los a um ponto no tempo através da ideia, da atitude, ou da recusa de permitir a mudança. À medida que edificam rumo à autoconfiança, examinarão o eu em que se tornaram ao longo dos anos. Questionar-se-ão e poderão sentir uma certa timidez em relação a algumas das respostas que obtiverem. Poderão não gostar de todas as respostas, mas confiem nelas. Elas ajudá-los-ão a encontrar o verdadeiro eu.



A interacção com os demais constitui uma oportunidade de crescimento. Todos vós estão em busca do crescimento por intermédio do equilíbrio, de modo que aprendem por meio das experiências dos outros. A interacção poderá, por vezes, não ser agradável,, mas mesmo o conflito - se o permitirem - poderá ajudá-los a ter uma perspectiva de vocês próprios e a aprender com os demais.



Vocês foram educados na aceitação da humildade; foram educados na crença de que dar seja mais abençoado do que receber. Onde se estabelecerá a linha que nos separa da partilha da alegria do dar a alguém? Aquele que jamais permite que o ajudem terá afastado o regozijo da dádiva, terá afastado a capacidade de partilha dessa pessoa. E assim, por vezes poderão ser aquele que precisa de apoio e noutras alturas aquele que se encontra em situação de dar auxílio, mas isso não significa que devam tornar-se na trela que se usa a toda a hora ou que não sejam o agressor que constantemente dirige.



E nós buscamos a polaridade, o equilíbrio entre ambas essas posições. Assim, nesta noite e nas subsequentes, vamos tratar do preparo para a autoconfiança, do preparo para a consciência de que podem depender de vós próprios e ainda assim poder depender de outros. Não precisam abandonar todo o auxílio externo, mas precisam saber que são autossuficientes, para serem capazes de a usar adequadamente. Se forem tão independentes que encarem a assistência como uma fraqueza, poderão recear parecer menos ou recear partilhar.



Consideremos o termo "Eu." Se disserem "eu," (No original: "Me," "I," "Self,") estarão na verdade a referir três aspectos de vós - mente, corpo e alma. Poderão preparar-se mentalmente para a vida e não estar preparados na alma nem no corpo. Por outras palavras, poderão tomar um rumo unilateral na consideração que fizerem de vocês próprios e esquecer o resto de vós. Daí que precisem instaurar equilíbrio nessas outras vossas partes. Saibam com certeza que para além da seriedade de si mesmo, precisam igualmente conhecer o vosso lado do humor. Precisam saber que o pensamento constitui o projector, mas que para completar o ciclo, precisam deixar que isso se consolide no corpo e se consolide na alma, precisam deixar que isso faça parte da acção física e da compreensão espiritual.



Precisam ir além dos pensamentos adornados. Alguma vez se terão detido e pensado com os vossos botões: "Eu sei que consigo. Consigo escrever um livro melhor do que esse em qualquer altura - posso pintar um quadro melhor do que esse em qualquer altura. Eu consigo-o," e, perfeitamente convencidos mentalmente de que o consigam, deixar a ideia de lado? Deve ser mais fácil, não será? Mas se realmente o aceitassem, estariam dispostos a dar um passo no sentido de o implementarem - por uma forma qualquer. Não têm necessariamente que pintar o mesmo tipo de quadro, nem escrever o mesmo tipo de livro, mas podiam colocar a ideia na escrita, e as cores e formas numa tentativa qualquer criativa. Aí teriam aprendido a lição da verdadeira compreensão da coisa em particular. Então saberiam verdadeiramente que o conseguiam fazer.



Devem ter lido montes de livros acerca da cozedura do pão, e dispor de um monte de receitas; mas até que batam a massa e cozam um pão, jamais conhecerão a alegria do bater e do amassar, do deixar sair as frustrações, nem do delicioso cheiro que exala quando está no forno. Não o terão experimentado de corpo e alma até que tomem a iniciativa da acção. A primeira situação por que começam a aprender a confiar conhecer-se é a do completar uma determinada coisa. Se lerem este material, sugiro que sigam pequenas ideias em preparação para uma posterior conclusão relativamente a ideias mais amplas.



Aquele que defende ser capaz de escrever o melhor livro, até que se esforce para o colocar no papel, não sabe nem valoriza o autor de nenhuma publicação. Ao adoptarem isso e entenderem o que escrever significa terão estendido a dádiva da valorização ao autor e a vós próprios. Não importa se é um pintor, um cabeleireiro ou um canalizador. Isso derruba barreiras de impedimento da comunicação e da falta de compreensão das razões dos outros. Confere-lhes compreensão quanto à perícia, potencial, ou beleza que elas têm.



A afirmação fortuita, "Eu consigo," precisa ser levada mais além. Assim, peço-lhes que peguem em qualquer ideia que tenham de natureza espontânea e a agarrem, a sustentem, e examinem e de seguida a levem a uma conclusão.

Isso representa uma verdadeira compreensão de vós próprios por meio do que um outro faça. Através do desempenho de outra pessoa, podem chegar a compreender a capacidade de realizar algo por vós próprios.



Se tentarem alguma coisa e o acharem mais difícil do que pensavam, têm uma outra decisão a tomar. Despejá-lo-ão no próximo caixote de lixo por que passarem, ou permitir-se-ão obter algum novo conhecimento relativo a isso? Irão junto do escritor e pedir-lhe-ão que lhes fale sobre o que escreve, e de seguida enxaguam o que lhes disser? Porque a maior parte das pessoas pedem por um auxílio que não querem de verdade, e preferem ouvir que não precisam. O que é maravilhosamente engraçado, e bastante normal. Mas a questão está no seguinte: Se realmente estiverem tratando de se conhecer, irão entender que haverá determinadas coisas que não farão tão bem quanto os outros.



Pensem no quão entediante a vida seria se não tivessem nenhum intercâmbio por qualquer via que fosse por toda a gente conseguir tudo sozinha. Aprendam com a experiência de descoberta que não precisam saber tudo, nem precisam fazer tudo. Há quem ensine, e há quem preste atenção, mas o professor será inútil se não tiver quem lhe dê atenção. O artista não terá qualquer satisfação se não houver quem aprecie os seus quadros. Nem o autor, se não tiver quem leia as suas obras. Há o dar e o receber. Mas precisa ser com a compreensão de que não serão inferiores se não conseguirem fazer algo tão bem quanto pensavam poder. Mas isso nunca chegarão a saber se não o tentarem, não será? Nisso reside a experiência da autorrealização.



No âmbito da vibração da energia agora em vigor vosso mundo, novas coisas experimentais, por vezes temporâneas e por vezes duradouras, ocorrerão. Novas necessidades para um novo acondicionamento. Novas exigências para a compreensão da cor, da incorporação da cor, uma nova compreensão do porquê de certas coisas sucederem e outras não. E assim, quando obtêm uma ideia espontânea, não receiem exprimi-la, não tenham receio de a concretizarem, não a fechem no armário coo se fosse estúpida e como se, como nunca fez falta, porque precisariam dela agora.



Assim, trata-se de um tempo de espontaneidade dentro de vós, tempo de libertarem essas coisas insignificantes que os deixam surpreendidos assim como a toda a gente. Se permitirem que isso ocorra chegarão a perceber ainda uma outra coisa acerca de vós próprios. Porque se as centelhas do pensamento criativo forem ignoradas, jamais chegará a poder ser conduzido à concretização.



A acção e o pensamento espontâneo têm pendor criativo, e quando permitem que ocorra alguma coisa de espontâneo, terão libertado a força criativa dentro de vós. Houve uma altura no vosso mundo em que as flores viviam todas no solo. Agora possuem vasos ao dependuro de várias formas e cores, de acordo com a expressão espontânea do oleiro; e por sua vez, a exigência espontânea de uma pessoa denota determinado vaso e leva-o para casa, criando todo um acondicionamento de energia com o que costumava existir unicamente no solo.



Toda a vez em que uma coisa nova e inovadora é levada à concretização, isso está a responder à energia do período de tempo em que está a ser experimentado. Olhem as formas e os contornos que as coisas assumem no vosso mundo de hoje. Elas não são arredondadas nem quadradas nem triangulares mas possuem liberdade de forma e têm múltiplos lados; é tudo uma nova expressão de velhas energias. Tudo quanto existe precisa alcançar uma nova expressão na Nova Era de modo que venham a ser os portadores espontâneos de novos conceitos. A tarefa que lhes cabe será a de deixarem que isso ecluda. Sempre que têm uma ideia que pareça muito engraçada a toda a gente, não receiem dar-lhe seguimento. Terão conseguido duas coisas. Terão dado a alguém a oportunidade de dar uma boa gargalhada e também ter-lhe-ão dado seguimento, e assim, aquele que ri por último ri melhor. (Riso)



Assim, é sempre necessário que a autoconfiança que sentem os leve a reconhecer que podem confiar na espontaneidade pessoal. Os impulsos súbitos procedem de bem fundo dentro de vós, e não são coisa que tenha sido plantada em vós a partir do exterior. A autoconfiança assume múltiplas áreas, e circunscreve a confiança interior e a confiança externa.



Quantos dos aqui presentes alguma vez terá pregado um prego? Esta é muito fácil, não? Têm os dedos demasiado curtos, não é? (Riso) Isso é uma coisa que, independentemente de se tratar do homem ou da mulher ou da idade que tenham, é de algum modo bastante comum, entendem? Se não forem construtores, ocasionalmente quererão pendurar alguma coisa. Altura houve em que tinham que pendurar num prego singelo, mas agora possuem todo o tipo de coisas pegajosas para pendurar coisas. Mas, se não tiverem experimentado pregar um prego – e eu sugeria que o experimentassem, entendem - quantos de vocês já terão lavado uma janela? (Riso) Se não o tiverem feito, sugiro que lavem uma janela, por ser espantoso o que veem o outro lado ao fazê-lo; (riso) não só o que veem no exterior, mas a percepção de ter sido a energia dedicada á tarefa que terá procedido à transformação. Produzem clareza com um acto físico e desse modo criam um novo conceito.



Mas vou-lhes dizer o seguinte: Se algum de vocês tiver alguma coisa que tiver guardado longe da vista por muito tempo, pensem nisso; aí peguem nessa coisa e deem-lhe uma olhada; vão ficar espantados com o conceito errado que faziam do aspecto que tinha, por ser mais pequeno ou maior do que pensavam, por ter uma tonalidade de cor ligeiramente diferente da que pensavam, porque ao se desvincularem de uma coisa, começam a afastar-se da percepção que tinham dela e alcançam uma atitude conceitual acerca dela, de modo que pensam saber o que seja. Alguma vez terão notado que se tentarem regressar a um local da vossa infância ele não parecerá tão amplo quanto terão pensado que seria? Por serem maiores do que eram na altura, mas o conceito que disso faziam é retirado da compreensão que formaram nessa altura. Mas quando a ele retornam numa outra altura, já é diferente, e poderão encontrar um uso completamente diferente para ele, entendem? Algo em que não terão pensado utilizar esse sítio, antes.



Ora bem, se tiverem muitas coisas armazenadas, sugeria que as voltassem a pegar nelas e as olhassem, e descobrirão que algumas terão deixado de ter qualquer relação convosco, mas que nesta altura poderão estar relacionadas com mais alguém. Assim, podem libertar certas coisas e reter outras. E que é que estarão a fazer? Estão a edificar uma independência das coisas materiais. Isso não quer dizer que a coisa material não seja boa, nem que não lhes tenha servido um propósito qualquer, ou que outras coisas materiais não possam servir-lhes no futuro. Mas consta da compreensão de que o único absoluto constitui a mudança, e de que vocês estão em mudança e de que as vossas necessidades estão em mudança, de que a vibração em que vivem está a mudar, de modo que isso deixou de comportar a vibração que lhes é necessária por esta altura.



Existe em todo o ser humano uma área chamado sentimento. Se gostarem desta mulher, terão todos os desenhos que ele ou ela terão desenhado desde que foram capazes de pegar num pincel. Ainda assim, todas essas experiências se acham alojadas na mente e no coração, de forma que não precisam assumir uma forma material. Podem ser libertadas. Qualquer experiência que tenham tido, em relação às quais sintam proximidade, vive convosco e em vós, e não precisa assumir contornos materiais. Assim, há determinadas coisa que podem libertar e ainda assim reter o regozijo que lhes transmitiu; já outras coisas precisarão preservar, por ainda não estarem bem preparados para ver uma separação delas. E não faz mal nenhum.



Não abordem a autoconfiança como uma escavadeira, mas como uma forma de compreensão. Não devem atirar com tudo fora até que entendam que não mais precisam das coisas. Ou mais tarde virão a achar que ainda precisavam delas. Assim, precisam abrir mão delas com plena noção de não precisarem mais delas, por ser então que estão preparados para as abandonar.



Há alturas em que devem aceitar ideais e ideias e alturas em que não devem; é o mesmo que descartar todos os apegos e sentimentos, porque os retêm no coração e na mente, mas não precisam carregá-los fisicamente. Quando aceitam uma ideia nova, o primeiro lugar em que a aceitam é na mente, mas depois precisam estar certos de se sentirem confortáveis e se ela condiz com o vosso ser – se poderão viver com ela.



Tenho presenciado constantemente no vosso mundo grupos de pessoas a dirigir-se para a consecução de alguma coisa, e passam por uma vitrina de uma loja e exclamam: “Olha como é bonito. Olha para a magnífico prussiano,” ou outra coisa qualquer e todos exclamam que é maravilhosa e toda a gente a compra. E levam-na para casa, e descobrem que de entre sete pessoas, seis a detestam; apanhados num movimento e num momento de alegria conjunta esqueceram-se de permanecer realisticamente autoconfiantes na decisão que tinham quanto à cor.



Dizer que não gostam de determinada cor não significa que o gosto da outra pessoa não seja apurado nem adequado, nem quer dizer que estejam a rebaixá-la. Não precisam alinhar pela concordância colectiva. Mas o Homem deixa-se apanhar nessa cilada a toda a hora. E depois fica preso com esse prussiano ou seja o que for. Ou talvez se não for uma cor suave seja um laranja ou vermelho ou verde, não é?



Vocês vibram de acordo com cores diferentes, em diferentes alturas do dia, e em diferentes períodos da vossa vida. Quantos de vós terão descoberto no ano passado diferentes combinações de cores por entre o vosso guarda-roupa? E não se apercebem disso, por não assentar num acto deliberado. Não vão comprar uma determinada coisa por pensarem que fosse a altura de o usar, mas por elas virem a vocês à medida que a vossa vibração a apreende, entra em relação e aceita outras coisas e se vai tornando cada vez mais numa parte viva de vós.

Agora, está a vibrar e vocês estão a vibrar e o mundo está a vibrar, e começam a tornar-se numa vibração colectiva dessa mesma cor.



Se não se sentirem confortáveis nesta sala, então haverá alguma coisa a vibrar que não estará em perfeita sincronia com a vossa vibração, ou que pelo menos não se aproxima da vossa vibração para os levar a sentir-se por completo bem em relação a isso. E a razão é que devem procurar descobrir o que em vocês não se sente confortável. O que é que no vosso íntimo não se acha confortável, porque aí descobrirão as expectativas que terão acerca desta sala, mental ou emocionalmente, que sentem não estarem a ser lá muito satisfeitas. E se puderem aceitar o facto disso poder ser o caso, neste momento, talvez daqui a três horas ou três dias venha a ser, e serão capazes de relaxar e de perceber que não é errado estar fora de sincronia com todo um grupo. É perfeitamente aceitável não se sentir confortável.



Aquilo que precisam recordar é que são indivíduos únicos, e que precisam permitir que a individualidade se ache presente, por não estarem aqui para serem como os carneiros, nem para concordarem com toda a gente quer por pensamento quer pelas emoções ou ideias; estão aqui a fim de interagirem com toda a gente. A unidade que sentem é o espaço em que é criado em que permitem que a vossa singular individualidade seja una. Mas ainda irão sair daqui com ideias próprias, com uma compreensão do que terão pensado e do que lhes terá sido dado a pensar, embora ainda pensem com base na vossa singularidade de indivíduos. Não vão sair a pensar que se todos pensam de determinada maneira vocês também devam pensar. Não é disso que se trata. O que importa é que a vossa singularidade os permita uma abertura para com novos conceitos que por sua vez se mentalizam, assumem, e internalizam, e aceitam ou rejeitam e colocam em marcha na vossa própria vida a fim de concretizarem a sua materialização.



A autossuficiência significa confiança, mas em quem confiarão? Em vós próprios. Diria que quele em quem confiam menos seja em que altura for é em vocês próprios. As opiniões das outras pessoas ajudam-nos a tomar decisões, mas a concretização de qualquer acto na vossa vida deve basear-se na capacidade que tiverem de confiar em vocês. E se confiarem em vocês próprios irão pegar na internalização dessa coisa e agir com base nela e materializá-la na vossa vida, mas não irão perder os outros. Se conhecerem alguém que seja seguro de si e que pareça sentir-se extremamente bem na sua pele e pareça ter uma orientação definida na vida, sentirão tendência para uma de duas direcções: para se sentirem muito confiantes com ela por se sentir tão segura, ou para fugirem o mais rápido que puderem da beira dela, por os levar a sentir-se inseguros de si mesmos. Mas a verdade concernente à questão reside no facto disso constituir a interpretação que fazem dela.



Devem perceber que tudo quanto ela é se podem tornar, se optarem por o traduzir para a vossa singularidade. Se toda a gente pintasse um mesmo quadro, o resultado seria bastante embotado. Mas alguns são oleiros e outros são pintores e outros escritores, enquanto outros ainda são cozinheiros, outros costuram maravilhosamente, ao passo que outros fazem crochet. Há um milhão de outros caminhos que acompanham o empreendimento criativo, mas todos constam da singularidade do indivíduo traduzindo a mesma energia criativa.



E assim, quando cruzam com alguém que se sinta seguro de si mesmo, aceitem que tenha chegado a esse ponto por terem trabalhado a si mesmos; mas não precisam ver isso como uma ameaça, nem tampouco como objectivo a alcançar, mas como alguém que tenha chegado a isso. Não sejam fantoches nem imitadores, mas os indivíduos únicos que buscam o seu potencial e desenvolvam-no.



Para serem autoconfianças nas coisas significativas precisam ser autoconfiantes nas menos expressivas. Se não conseguirem sentir-se bem com relação a vós próprios nas pequenas coisas, não irão ser capazes de suportar as coisas maiores. De modo que começam por fazer bem as coisas normais do quotidiano. Se tiverem um lar, mantenham um lar que seja cálido e aberto, pelo melhor que forem capazes. Um lar que seja arrumado. Arrumado não quer dizer esfregar as paredes todos os dias, mas apanhar as migalhas do chão da cozinha. Não poderão culpar um lar de não ser um lar se não o tratarem como deve ser. Este é um exemplo comum do quotidiano, não uma coisa que penseis constituir uma expressão espiritual, mas é, por o vosso lar constituir uma expressão de vós e do modo como se sentem em relação à vossa habitação e a vós próprios. Tal como o vosso corpo constitui a morada que o vosso espirito e alma habitam. Assim, devem apurar se cuidam do vosso ser físico. Por precisarem entender que tudo está relacionado convosco.



Não importa se o vosso lar é apenas a parte de trás de um carro, um quarto só, uma enorme habitação, ou uma casa móvel; não tem importância. O que tem importância é que consiste num reflexo da forma como se sentem em relação a vós próprios. Arranhem tempo para colocar uma simples flor num copo, se preciso for, a fim de trazerem alegria e beleza ao vosso pequeno lugar. Arranjem tempo para lavar as janelas para a luz do sol poder entrar. Essas são coisas que os deixam autoconfiantes a um nível bastante físico, mundano, mas representa um começo da autoconfiança que se poderá espalhar a outras áreas.



Confiem em vocês próprios o suficiente para dizerem “não”. Confiem em vocês o suficiente para dizerem que não querem fazer “aquilo” por quererem fazer “isto”. Só possuem uma energia na vida, e se a despenderem toda num só sentido, não irão dispor de energia suficiente para despender numa outra. Mas podemos voltar de novo à dádiva; se toda a vossa energia for depositada na dádiva, estarão a negar o dom da dádiva a mais alguém. Precisam aceitar alguma vez, mas aceitar não significa tirar a alguém conforme costumam dizer no vosso mundo, mas permitir que outra pessoa se sinta segura e autoconfiante e beneficente ou mãos largas. Já viram uma criança trazer uma erva daninha com caule e raiz e tudo como uma dádiva e disseram, “Não deixes essa porcaria no chão,” em vez de expressarem apreço pela sua beleza e a colocarem num copo à beira da janela? O dom da dádiva, na idade da razão, quando se sabe que não se deve trazer raízes junto, na idade em que talvez não se tenha força para a partir pelo caule, mas arte amorosa da dádiva acha-se presente, e a recepção deve ser tão graciosa quanto a dádiva.



A maioria das pessoas sente-se vergonhada se alguém lhe der alguma coisa; quantos de vós terão sido objecto de cumprimentos, e se terá sentido quase envergonhado, em consequência disso? (Riso) o objecto é o seguinte: quando estendem um cumprimento estão a dar expressão a uma dádiva, e uma pessoa poderá simplesmente dizer, “Obrigado, é muito agradável.” Mas não precisam sentir vergonha por terem feito uma coisa qualquer bem. Isso faz tudo parte da confiança que têm em vós próprios. A capacidade que têm de dizer: "Eu estou bem, tu estás bem." Que se sentem bem na pele da pessoa que são, e que algures no mundo alguém irá apreciar aquele ou aquela que são. Mas não enquanto andarem em busca do archote! Somente quando se dispõe a interagir e a receber no tom adequado.



Ora bem, se os pequenos actos materiais os expressam, também os pequenos actos mentais lhes servem de expressão. Se todos quantos se encontram nesta sala formasse uma ideia acerca da pessoa que se senta junto de si, de acordo com o pensamento a pessoa poderia começara sentir que precisava mudar de lugar, ou ter que se mover mais para junto de vós. É um acto mental que os reflecte. Quantas vezes terão ido a qualquer parte e se terão sentido rejeitados mesmo antes de lá entrarem? Ninguém os acolhe nem mostra um sorriso. Aceitam o que procede de um acto mental dos demais como vosso, mas porquê? Porque presumirão que devam ser indesejáveis? Talvez por acharem não ser dignos de ser bem-vindos. Talvez sintam ter algo de errado.



O homem é um ser curioso, e é detentor de uma curiosidade natural que lhe é própria, curiosidade pela exploração de novas coisas, no sentido de ver coisas novas, de realizar coisas novas, de modo que quando se desloca a um novo local, a expectativa que tem é a de não ser um membro estabelecido do lugar, mas a curiosidade natural que têm devia permitir que nele entrassem com conhecimento de serem aceites, no tom que acham adequado e lhes é devido. Se não se comportarem como uma buldózer, ninguém irá temê-los. Dar um tempo para que os outros os entendam e para se compreenderem a vocês próprios constitui uma parte essencial da confiança que devem ter em vós. Porque se acreditarem em vós próprios não terão necessidade de que ninguém diga de imediato que são estupendos; mas quererão que saibam que são, pelo que agirão em conformidade, e aí eles terão consciência disso.



Já será altura de proceder a um intervalo? Faltam dois minutos, tudo bem, ainda tenho tempo de formular outro raciocínio.



Ter autoconfiança não significa depender por completo das opiniões ou emoções dos outros, para que os torne um ser digno. o que não quer dizer que não acolham o auxílio alheio, nem que outra pessoa não possa partilhar uma opinião convosco, ou que não possam pedir uma opinião alheia numa tomada de decisão. Mas precisam entender que, se a opinião que apresentarem não corresponder à que tenham, não têm que presumir de imediato que estejam errados, nem têm que se sentir de imediato magoados. Saber que, se pedirem a opinião de alguém a irão obter, constitui uma forma de compreensão importante na área da autoconfiança. Se não acreditarem que a vão conseguir, estarão verdadeiramente a enganar-se. Afinal de contas deixam uma oportunidade em aberto para que alguém evite algo que tenha querido evitar durante imenso tempo. E desse modo começarão a confiar em vós próprios; preparam a habitação em que se encontram e o vestuário que usam, preparam as atitudes da vida ao vosso redor enquanto expressões do que sentem relativamente a vós próprios.



Se se tornarem por completo conscientes e começarem a observar as pessoas e a forma como caminham, como manuseiam a cabeça, as cores que envergam, geralmente apurarão o estado em que se encontram. Uma espinha perfeitamente erecta inclina, e o mesmo acontece à cabeça. E a tendência para não se importarem com o que usam, ou para se descuidarem quanto ao arranjo que fazem torna-se uma expressão da atitude interior. E assim, começam a perceber, sem que realmente tenham consciência, quando as pessoas se encontram em "baixo". Evitam o contacto directo, e não os olham directamente nos olhos, mas claro que isso são coisas que os levam a precisar de tomar folgo, e eu já vou permitir que tomem um folgo já que é altura de fazermos um intervalo, após o qual iremos detalhar mais a fundo algumas das coisas que poderão fazer, e começar a fazê-las...



Compreendem que o que até agora foi dito foi que a vossa autoconfiança assenta no vosso ser físico, mental e espiritual, e que nunca poderá assentar num só. Bem que poderão dizer que confiam no Deus em vós e que deixam tudo o mais acontecer. Poderão confiar no Deus em vós e Ele poderá dar-lhes um empurrão e um incentivo e a intuição, mas se não se erguerem e começarem a dar os passos concretos no sentido de levar a que isso aconteça, não poderá. Por vocês constituírem a Sua manifestação neste mundo, de modo que são vocês quem coloca a coisa em movimento neste mundo. Ele poderá mostrar-lhes como, mas vocês precisam vivenciá-lo. É isso que importa que compreendam.



Para que toda a vez que tenham a sensação de incerteza ou de insegurança, torna-se importante que se tranquilizem e escutem, a fim de obterem essa orientação, essa influência interior, que lhes dê a oportunidade da singularidade que possuem lhes falar. E quando isso sucede, precisam passar a assumir a acção necessária. Nesta frequência de energia, as pessoas cada vez mais andam à roda, desorientadas, mas ao andarem a rodar em círculos, nada chegam a criar para além de um enorme zero. Precisam permitir que a energia se focalize numa direcção qualquer e seja usada.



O que muita vez sucede é que, quando estão a edificar-se no âmbito da autoconfiança, precisam antes de mais romper com a dependência externa. Por vezes precisam retirar-se para dentro de si mesmos, para poderem obter uma perspectiva quanto à situação para que querem dirigir-se. Por vezes, quando carregam fúria ou falta de aceitação quanto a uma ocorrência qualquer, terão a tendência para deliberadamente fazer qualquer coisa de destrutivo para vocês próprios. O que efectivamente estão a fazer é depositar a dependência e a confiança em algo que não passa de uma desculpa para a vossa própria infelicidade. Algumas pessoas voltar-se-ão para o álcool, outras para as drogas, e outras ainda para outras formas de degradação, quando o que estão realmente a fazer é tentar não aceitar-se ou uma fraqueza, um ponto fraco, em si mesmas. Tentam fazer desse ponto fraco um ponto forte, e quando fazem isso fogem de si mesmas. As birras, os acessos de raiva, constituem uma evasiva; a autocomiseração, a pena de si mesmo, constitui uma outra evasiva.



Quantos de vós não terão já dito: "Tu não me deixas ser aquele que eu quero ser"? "Eles," sabem, aquele maravilhoso grupo chamada "eles"? (Riso) "Eles não me permitem que o faça, eles são a causa disto e não eu." Depois, há um outro grupo maravilhoso chamado "Toda a gente," "Toda a gente o faz, certo? Toda a gente diz isso." Se tivessem que o afirmar pessoalmente não conseguiriam. Mas o objecto consiste no facto de propositadamente colocarem aquilo com que estão enraivecidos fora de vós próprios. Quando não querem ser responsáveis, assumem uma rota que os conduz à irresponsabilidade. Se não estiverem dispostos a dar uma oportunidade a vós próprios darão oportunidade a tudo quanto mexe. Se não estiverem dispostos a aceitar uma vulnerabilidade em vós próprios, acatarão uma rota que os levará a tornar-se vulneráveis aos outros. Desse modo, precisam dizer: "Aquilo em que estou a tentar depositar a confiança constitui o próprio medo da confiança, que carrego dentro de mim." E precisam começar a desbravar até encontrarem o nervo, até descobrirem a situação que leva a que isso suceda em vós.



No vosso mundo, em especial naquilo que chamam de televisão, há uma anuência constante; é suposto anuírem: "Tanto quanto me é dado entender tudo quanto que fazem é causa justa." (Riso) Toda a gente persegue toda a gente como uma causa justa. Mas não seguem aquilo que ouvem. "Bom, parece-me a mim que deva existir uma outra forma para que isso aconteça. Tem que haver!" Isto representa uma expressão externa de um grandioso passo de afastamento da aceitação do que os outros consideram ser a realidade do amor.



Já notaram como todos fogem à lei? O que realmente dizem é: "Não o quero fazer ao vosso modo, pelo que descobrirei uma outra maneira de o fazer; o que me irá tornar diferente." Tudo bem, desde que essa diferença não resulte em morticínio, entendem?



Portanto, a vossa própria sociedade expressa ira, afastamento da disciplina que criou e impôs enquanto cultura, cria heróis de fantasia, tudo quanto tem lugar fora de vós próprios. O homem mais rápido surge e remove o "bonzinho," salvando-o. O super-herói coloca uma capa e salva toda a gente. Mas onde pára isso que dizem: "Confia em ti próprio?" Mas por causa do homem cada vez menos optar por se voltar para dentro, e esperar que tudo lhe chegue do exterior, passou a pegou nestas coisas e começou a aceitá-las como uma realidade. Ao passo que na verdade precisa ter início dentro. Por conseguinte, se forem tornar-se num super-herói, que seja um minúsculo mas interior invisível, antes de mais; depois tornar-se-ão num super-herói para muitos, externamente.



Importa que reconheçam que só é preciso que plantem a semente uma única vez. Um novo começo procede de uma única semente. Assim, uma só superação, uma só enfrentamento disso que terão recusado enfrentar antes, ou optado por não superar antes, coloca a coisa em marcha. A seguir, tudo quanto precisam fazer é nutri-lo. Por isso, quando voltam as costas a alguma coisa por uma só vez, começam a descobrir que podem encontrar o sucesso, em vez do fracasso. Se puderem fazer por tomar a outra via, ainda que por uma só vez, toda a vez que tentarem de novo lembrar-se-ão do sucesso da última vez, focam-se no que isso tem de positivo e isso conduzi-los-á adiante, para uma direcção mais positiva. E isso é óptimo.



Além disso, tenham igualmente em mente que muita vez sentirão vontade de mudar e de confiar em vós próprios, mas então o ego intromete-se de tal modo no vosso caminho que infelizmente acaba por se tornar numa gratificação para o ego pelo que mais ninguém se mete da forma como se desenrola. Por isso, ao se moverem no domínio do "eu" precisam lembrar-se que toda a gente também possui um "eu". O mais das vezes em que adoptam uma via de distracção de um tipo qualquer que os afasta de vós próprios, estão a exigir que alguém lhes diga para parar. Estão interiormente a exigir que alguém se torne numa dependência vossa e lhes diga para não fazerem o que estão a fazer.



Existe uma boa porção de herói e de aventureiro em toda a gente. Já terão notado o receio presunçoso que têm de se ter atravessado no caminho da lei para o conseguirem? (Riso) É bastante mundano mas é verdade. "Ah ah! Consegui superar as probabilidades." Se examinarem essas pequenas expressões por que traduzem essas coisas de ordem íntima, começarão cada vez mais a compreender que dão expressão a necessidades e desejos por formas muito estranhas. Já ouviram alguém dizer: "Estou de férias, pelo que não preciso ter que fazer isto ou aquilo"? O que quer dizer que aquilo que dizer ter que fazer desde logo precisa sofrer uma mudança no íntimo da pessoa, para chegarem a ter uma óptima sensação com respeito a si mesmo, e ser capaz de se afastar do que habitualmente faz como uma rotina e passar a fazer outra coisa qualquer. Isso ajudá-la-á a manter a base de confiança em si mesma, contrariamente à dependência relativa ao que tenha sentido ser algo que precisava fazer, entendem? Afinal precisam erguer-se da cama, e precisam comer e ir para o trabalho - mas de férias não precisam ir. Podem optar por ir, mas não têm de ir.



É frequente no vosso mundo nota-se a tendência para se ressentirem de imediato tudo quanto tenha uma noção de dever associada. Mesmo que seja por opção própria! As pessoas mal podem deixar de ansiar por comprar uma casa, e depois falam de deveres que estão associados a isso, como o empréstimo, pagar a renda ou seja o que for. Isso faz tudo parte do "pacote" que assumem! Só que passam a encarar isso como um factor que os tenta separar da coisa que terão originalmente querido. Por isso, precisam interrogar-se do quão estarão dispostos a dar em prole daquilo que obtêm. Precisam entender que faz tudo parte da confiança que tenham em vós próprios. Em que é que confiam, quando compram a casa?



É quase como dizer: "Agrada-me o aspecto externo e quero todas as janelas que puder, mas não gosto de as lavar.” E talvez precisem considerar isso. Porque se confiarem em vocês próprios quando tiverem essa casa, irão precisar ter confiança em vocês toda a vez que se virem confrontados, conforme dizem no vosso mundo; vão precisar confiar em vocês sempre que tiverem que decidir alguma coisa de significativo na vossa vida. Porque, independentemente da quantidade de opiniões que os outros deem, no final são vocês quem precisa tomar a decisão.


Assim, um dos primeiros passos na direcção da autoconfiança consta do reconhecimento de que a responsabilidade pelo retorno lhes cabe a vós. Poderão fazer birra, e provavelmente não voltarão a ser convidados, mas poderão ter o prazer de um momento desses. Mas se não olharem para além do momento e virem o que estão a edificar com base na vossa própria autoconfiança, poderão verificar que ficam com menos do que no início.



Toda a vez que tomem uma decisão com relação a vós próprios, precisam ter em mente que confiam em vós quanto ao retorno da coisa; não haverá outra coisa. Mais ninguém virá tomar isso a seu cargo. Mas quando tomam essas decisões e se sentem preparados para assumir essa responsabilidade e depositar confiança em vós, precisam igualmente compreender que não importa o que mais alguém pense que devam ou não ter. Será vosso e terá que ver convosco.



Por um instante gostaria de lhes perguntar se terão alguma questão relativa àquilo de que temos estado a falar até agora. Depois iremos fazer algo mais.



Pergunta: Mencionaste há uns instantes (…) e dizias que precisamos ser capazes de receber algo, para podermos receber alguma coisa…



Julian: Exactamente.



Pergunta: …mas quando dou por mim a dar ou a receber da parte de alguém, sinto uma enorme dificuldade em aderir a isso, em receber e na verdade em fazer algo de bom com a minha (…) ao encararem a amabilidade como debilidade em troca e passar a depender de alguém em vez de confiar em mim próprio. Como é que chegamos a descobrir isso…



Julian: Muito bem. Antes de mais, consideremos o termo “dar.” Qualquer coisa que seja dada com a expectativa de retorno não representa uma dádiva. Por conseguinte, todo aquele que dá, antecipando com isso uma obtenção, não terá verdadeiramente dado. Não obstante, se eu te der alguma coisa então poderei mais tarde jogar-te isso por me teres ficado em dívida comigo.



Deixem-me terminar este ciclo e logo voltaremos ao resto das perguntas. Assim, quando pensam em termos de dádiva, deve ser uma dádiva do coração, por quererem dar. Agora, muita vez a dádiva tem lugar com base na necessidade de ser valorizado: “Eu sou uma pessoa generosa, de modo que vou dar mais e mais até que a pessoa me veja como um bom rapaz.” Mas é aí que começa a ficar fora de controlo, quando responde a essa outra necessidade – à necessidade de ser aceite. Mas quando dão de forma espontânea, como uma dádiva do coração, então tudo bem, entendem?


E quando recebem, devem receber com uma espontaneidade do coração. Não olham a dádiva que lhes estendem e dizem: “Espera lá. Não. A que é que isto me obriga? Deixa cá ver o que isto tem por trás…” Há alturas em que a dádiva é feita com segundas intenções, e alturas em que não é, mas vocês aceitam-na, e com essa aceitação revelam o grau do que é esperado pela pessoa que dá. Revelam a alegria de terem sido objecto da ideia, mas não presumem de forma automática que agora se devam apressar a dar de volta, para manter a coisa, conforme muitas vezes as pessoas fazem.



Dar em superabundância pode representar um sinal definido de necessidade de reconhecimento e de ser objecto de consideração. Porque na realidade, se eu olhar para vós e me importar convosco, eu estarei dando. O vosso mundo passou a dar uma enorme importância ao acto de dar, vocês celebram tudo e mais alguma coisa por meio da dádiva. E está muito bem, apesar de também poder tornar-se um acto comercial. Por conseguinte, a dádiva que dão por buscarem a alegria de dar, constitui a dádiva que comporta a maior riqueza, entendem?



Mais alguma pergunta? Só pergunto para que tenham mais, não quero que…



Pergunta: Julian, eu entendo o que estás a dizer, mas… eu tenho um apartamento… o meu apartamento é um lugar de (…) tenho amigos que passam por lá (…) mas sinto-me muito mal por precisar ter um lugar onde ficar (…)



Julian: Tudo bem. Antes de mais, lembras-te de eu ter dito anteriormente que precisam aprender quando dizer não? Tens que ter noção de que há um limite de tempo para um acto espontâneo ser espontâneo e quando não é. Assim, quando fazes uma proposta tu dizes: “És bem-vindo para ficar uma semana?” Tem noção do limite que deves impor, ou não faças proposta nenhuma. Diz que os ajudas sem problemas, ficando atento a algo que veja por aí. Muitas vezes as pessoas tornam suas as necessidades dos outros com base num sentido de obrigação, o que depois lhes escapa ao controlo. Por isso uma proposta espontânea tem um  tempo em que deixa de ser espontânea. Não que isso seja grave, porque muitas vezes essa pessoa poderá ter que sentir a pressão que a faça buscar. Já alguma vez terás notado que se tiverem que ir a qualquer parte se preparam para lá chegar (a tempo)? Porque, caso não tenham que o fazer não o fazem? Ou então têm algum compromisso em que tenham (que entregar alguma coisa) dentro do prazo e têm que trabalhar vinte e quatro horas por dia mas conseguem acabá-lo? E caso disponham de todo o tempo do mundo, poderão levar uma eternidade a acabá-lo? Por isso, às vezes, dizer não, constitui uma dádiva. A dádiva que permitirá ao semelhante tornar-se autoconfiante.



Precisam ter cuidado para que no apoio que dão não se tornem numa moleta, em vez de uma ajuda.



Pergunta: Eu identifico-me com a firmação que fizeste antes, relativamente a sermos nós próprios e de encontrarmos alguém que aceite isso. Só que a condição que impuseste para tal foi a de a de não o fazermos com base na busca da tocha. Eu já dei por mim com essa tocha por algum tempo e aprendi que esse não é a coisa acertada a fazer, de modo que tento entregar isto a Deus e sinto-me preso. Contudo, a pergunta que faria, embora pudesse chegar ao extremo na entrega que fizesse disso a Deus – talvez esta não seja a melhor oportunidade para tocar nisso, nesta fase da série – mas a pergunta específica que tenho a fazer é que se desistir da tocha que empunho irei dar por mim nas trevas e assim, como é que isso será que isso (…)?



Julian: Se largares a tua tocha… ora bem, estamos a falar… quando me refiro à busca com a tocha quero dizer que buscam em todas as coisas e talvez mesmo em alguns lugares errados. * Por outras palavras, procuram com tanta força que não são capazes de passar sem o ver. Quando permitem que a luz interior seja o vosso guia deixam de precisar da tocha. Com a aceitação da luz interior vós estarão sempre iluminados e conhecerão o caminho a trilhar. Serão então conduzidos ao certo e perfeito em vez de terem que bater a cada porta a perguntar se essa será a situação em que devam estar. Uma representa uma busca agressiva; a outra constitui a aceitação da existência da busca, só que está a trabalhar no seu devido tempo. A luz interior jamais os deixa ficar mal.


* NT: Maneira que Julian usou para se referir à procura com o fito de encontrar qualquer coisa, que geralmente não se encontra pela procura.



O que sucede… lembra-te de que eu afirmei que o “eu” pode tornar-se tão dominante que se escapa ao vosso controlo, e isso sucede muita vez com todo o género humano. Para não se perderem na confusão, tornam o “eu” tão importante que tropeçam nele. Precisam dizer: “Eu sou único, maravilhoso, adorável, simpática e encontrarei a minha satisfação. E aceitarei a orientação interior que me vier, seja por que modo for necessário.” Isso ajudá-los-á, porque ao terem autoconfiança estarão a confiar em vós. Por isso, não precisam dessa luz, mas desta.



Pergunta: Obrigado.



Julian: Sim.



Pergunta: Nós vivemos num mundo repleto de gente, milhões de pessoas. Todos temos os nossos pontos fracos e pontos fortes. Agora, esta luta e trabalho e a busca da autoconfiança, como havemos de reconciliar isso com a presença no mundo juntamente com os outros em que por vezes podemos encontrar-nos dependentes deles? Especialmente se buscamos orientação ou a opinião na pessoa de quem queremos depender ou estamos a depender ou por quem estamos apaixonados? De que forma conciliamos…?



Julian: Muito bem. Antes de mais, qualquer relacionamento amoroso só poderá ser tão resistente quanto a singularidade dos indivíduos que envolve. Depende da capacidade que tenham de partilharem da qualidade única que tenham mas manter-se distintos. Uma relação amorosa não pode constituir uma forma de domínio, nem de posse, nem uma prisão mas apenas uma partilha, partilha daquilo que puderem com base na qualidade única que os distingue, enquanto deixam um espaço para permanecerem únicos. Não se trata de engolir em seco.



Por conseguinte, a dependência do semelhante só pode representar uma dependência no grau dessa partilha, e não da expectativa que tenham com relação à pessoa se ajustar às decisões que tomam e aos actos que cometem no mundo. Entendes o que quero dizer quanto ao exemplo do relacionamento chegado? Quanto mais se entenderem a si mesmos, menos medo terão de interagir com os outros com medo de se fazerem engolir. Por outras palavras, podem ter discordâncias com os outros e podem compreender que isso não os diminui no valor intrínseco que têm. Podem apresentar uma diferença de opinião, interesses diferentes que isso não lhes retira o valor que têm. Apenas quando o “eu” se intromete no caminho, e vocês começam a exigir que o companheiro se renda, que ele se intromete no vosso caminho.

Portanto, se virem toda a acção que tenham no mundo, toda a interacção com os demais, como um acto de dar e de receber na confluência da singularidade que os caracteriza, acharão isso fácil. Por outras palavras, não projectem expectativas nos outros que eles não possam satisfazer. Nem se permitam aceitar expectativas com relação a vós que não possam satisfazer. Quando interagem no mundo dos negócios, vocês interagem a muitos níveis. Em primeiro lugar, se tiverem uma especialização no campo que abrange, e isso for o emprego que tiverem, digamos, terão aceite esse emprego e o rendimento financeiro que lhes traga, certo? Pela capacidade que demonstram é-lhes atribuída uma retribuição,  o que traduz o acordo. O que automaticamente os coloca sob a confluência da estrutura legal dessa empresa. Isso faz parte da aceitação. Por isso, vocês interagem com os demais nesse círculo de energia. Têm a obrigação de cumprir com aquilo em função do que tiverem sido contratados. Se os outros não cumprirem com as deles, isso é problema deles. Por isso, precisam ver que a todos os níveis, a única troca a que poderão verdadeiramente proceder é daquilo que tiverem, a aquilo com que tiverem concordado, numa dada situação.

Vocês interagem com o homem do mercado, com o motorista do ônibus, interagem no tráfego, mas aquilo sobre que actuam é o que a vossa singularidade expressar.

Pergunta: Vamos ficar pela interacção com uma pessoa amada.

Julian: Muito bem. Na interacção com uma pessoa amada, devem partilhar a singularidade que os caracteriza e devem permitir que esse amado partilhe da singularidade que a caracterize. Mas não têm o direito de lhe tirar a condição que a torna única. Por isso precisam ter uma compreensão da ideia ou conceito que tenham da dependência de uma outra pessoa. E da ideia que ela própria tiver, entendem? Se a ideia que vocês tiverem da dependência dela se basear no “Faz como eu digo. Faz o que eu quero,” isso não será permissão para partilha de uma condição singular, mas ego.

No vosso mundo, sabem, constantemente ouço dizer: “Se me amasses farias...” Mas isso é um beco sem saída - caso alguma vez eu tenha visto algum. (Riso) Por outras palavras, precisam conhecer as necessidades que têm, mas também têm que ter conhecimento do que precisam dar. E precisam decidir entre vós de entre essas orientações as que forem aceitáveis. Quando isso for implementado não resultará problema. Mas também lhes direi o seguinte: Assim que o despojar da singularidade da outra pessoa for permitido, o relacionamento terá terminado, por a beleza que os tiver atraído pera ela desde logo, não mais estará presente. Por ser a diferença, o espaço (condição) da originalidade do ser que constitui a beleza. Por isso, se o dominar chegar a varrer e a deglutir essa singularidade, a pessoa deixará de continuar aí, e isso transformar-se-á numa questão de atrito.

Pergunta: Acho que, conquanto tenha conseguido um progresso formidável na questão da autoconfiança ainda acho que exista um polo por que a criança dentro de nós ainda sente querer que cuidem dela. Claro que não sou o único com esse problema. Só que preciso adoptar esta postura e expor-me e dizer que é aquilo com que me debato. Só queria saber se poderias associar à questão que está a ser abordada.

Julian: Nesse caso só estão a poupar-se aos ciclos da agressão. Dissemos que ninguém se torna verdadeiramente num adulto até que atinja os vinte e oito anos, quando têm a primeira ideia: “Que será que estou a fazer da minha vida?” E dissemos que nunca chegam verdadeiramente a cortar o cordão umbilical antes do trigésimo quinto ano, quando verdadeiramente se permitem afastar. É um fenómeno natural. Jamais deixem de ser como as crianças. Mas não sejam infantis! As qualidades de criança estão em perceber as maravilhas do mundo; deviam haver um pouco da criança em toda a gente. Porque se a criança tiver sido completamente aniquilada em vós, a vida tornar-se-á muito maçante.

Mas, tal como dependeram a certa idade, de modo bastante distinto de outra, permitiam-se aceitar no vosso íntimo que esta é uma era nova de confiança, e que a confiança será numa maneira diferente. A criança que esperava tudo da parte dos pais, ou dos amigos, atinge uma altura em que se torna selectiva; mas se começarem a tornar-se mais selectivos, começarão a ver que aquilo que esperam vem a ser bastante diferente. Quando isso ocorre, muita vez têm a tendência de se apegarem a isso, e têm lugar as obrigações. Por outras palavras: “Não sou mais uma criança e é suposto que inverta o processo e tome conta deles.” “Agora sou independente e não preciso de telefonar para casa todas as semanas,” mas depois ficam a ruminar no facto de não terem telefonado. Entendem? Começa a acumular-se um pequeno sentimento de obrigação, por passarem para toda uma percepção de vós próprios como uma pessoa íntegra, completa, em que os outros possam confiar. Mas então gradualmente conduzem isso igualmente a um equilíbrio.

Pergunta: O problema é que a transição é tão cansativa física e emocionalmente, e eu fico de tal modo exausto.

Julian: Claro. Mas entende o seguinte. O que sucede numa altura dessas é que tentas colocar demasiada energia e depois a lambes. Sê criança, por um instante. Podes achar que esta seja uma resposta estranha. Mas a questão está em que depositas tanta energia na tentativa de derrotar isso, ou de o erradicar do teu ser, e talvez a altura para que tudo isso se esvaia ainda não tenha ocorrido. Talvez a necessidade de ser necessário seja suficientemente forte numa outra área, como a de que ainda devas ser necessário. Assim, quando (...) exausto pela tentativa, detém-te! Volta a tua energia para outra direcção e esquece-o por um tempo. Sê a criança durante um tempo, se quiseres. Depois volta a observar o que tenha surgido disso. É a coisa mais natural do mundo o ser humano querer tudo. “Eu quero ser grande e crescido e independente, mas faz-me o favor de me atar o cordão do sapato.” (Riso)

É muito natural. É o conflito que se passa no íntimo. Mas já terão notado como no extremos oposto do pau os próprios velhos muitas vezes querem ser tratados como crianças? Nunca chega a abandoná-los de verdade, a necessidade de saber que podem ir estender a mão e que se encontra lá alguém do outro lado. Por isso, não é nada coisa temível, conforme vocês por vezes lhe chamam no vosso mundo. É uma coisa natural que ocorre. Não fujas disso, mas também não lhe dediques toda a tua energia. Por vezes podem trabalhar tão duro para corrigir alguma coisa que ficam exaustos que não chegam a conseguir corrigi-lo. Só criam mais um problema, entendem?

Por isso, tudo quanto precisas é dizer: “Muito bem, vou-lhe dedicar o que puder, mas agora vou voltar-me para dentro e aguardar pela orientação aí. E então, acontece. Então acontece – sempre. Por isso, voltando-se para dentro e não tentando em demasia sobre o exterior, vocês deixam que aconteça. Inspira fundo e desfruta de seres uma criança durante um dia. Por a criança nada ter de errado. O que sucede é que no vosso mudo em diferentes alturas vocês têm uma outra compreensão da criança. Para alguns a criança representa uma alegria, entendem? Já para outros é um pesadelo. Por isso precisam ter noção de que até mesmo a criança adorável tem diversos níveis e combinações e apreciação ou falta de apreciação na vida. Mas para simplesmente de gastar a tua energia tão arduamente num só ponto. Não te desgastes com isso, ou não disporás de energia para fazer qualquer outra coisa em qualquer outro lugar.

Pergunta: Não será esse o caso da raiva que nos impede de confiarmos em nós e de sermos capazes de nos relacionarmos com os outros no mundo. A raiva interna, a raiva que por vezes nem sequer conseguimos identificar de onde vem...?

Julian: Uma raiva profundamente enraizada, como a amargura ou a mordacidade, só pode atingir a pessoa que se sinta enraivecida. Mais ninguém se preocupa nem um pouco, entendes? Por isso, o que precisas fazer é questionar-te do quanto te respeitas a ti própria. Uma raiva profundamente enraizada basear-se-á no ego e não no aspecto da alma. Mas se te respeitares e amares o suficiente irás escavar até que encontrá-la. Mas geralmente o primeiro lugar onde expressam a raiva que sentem nada tem que ver com o alvo da raiva que sentem.

Tu não estás inscrita na outra aula sobre os ciclos da agressão? Sugeria que obtivesses uma cassete sobre isso e a escutasses. Eles poderão dizer-te onde consegui-la. Por te ajudar a compreender com respeito ao autoconhecimento, de precisares conduzir isso de volta aos ciclos de sete anos por que passam, para veres onde a mágoa terá tido início. Esses ciclos da agressão são as alturas em que começam a suprimir, estás a entender? E quando dizem: “Eu exijo ser visto como um indivíduo.” E com isso poderás chagar a perceber que algures por entre um desses ciclos alguma coisa tenha ocorrido, algo que não tenhas conseguido esquecer. Leva isso de volta até esse tempo e abençoa-o, ama-o e esquece-o.

Pergunta: Disseste anteriormente que onde os artistas não mostrarem desempenho não haverá audiência, o que certamente é verdade. Eu tenho um amigo que é dramaturgo e pintor, e ambos passamos por experiências muito frustrantes para conseguir uma mostra de trabalhos e de actuação, etc. Mas parece-me a mim que o grande problema disso não seja o de que os artistas não sejam autoconfiantes, mas que seja antes a obtenção do contacto adequado, conhecer as pessoas certas, e de ter dinheiro suficiente para motivar a autoestima. Ou terá isso que ver, ao invés, com algum sentimento negativo que o artista tenha?

Julian: Não. Se algum artista pensar que é o maior não se dará ao trabalho de tentar. Entendes? Mas também reconhecem que num mundo multifacetado, há apreciações multifacetadas. Por isso, que a uma pessoa constitui enorme atractivo a outra não. Por haver um campo – e muitos trabalham no campo das artes – há necessidade de exposição e isso representa uma luta. Mas a luta faz parte do desempenho, faz parte do reconhecimento da alma. E se tu acreditares nisso e acreditardes em ti próprio, não pararás. Estás a entender?

Pergunta. Então, se estivermos a tentar obter reconhecimento enquanto artista, fama, isso não deverá ser necessariamente egocentrismo.

Julian: Não, é a realização que é necessária e que buscas. E assim, conduzes a realização aos estágios por que tiver que passar. E o reconhecimento é um deles. Mas compreende que se uma pessoa apreciar os teus quadros, estás a obter reconhecimento.

Pergunta: Mas uma pessoa poderá comprar um quadro… (Riso)

Julian: Aquilo de que estás aqui em busca é do reconhecimento que te faculte a possibilidade de te financiar a vida naquilo que gostas de fazer e por que trabalhas, é claro. Mas o que eu estou a dizer é que nada se firma por si só sem o apreço da parte de outros. Por outras palavras, precisas saber, pela questão da tua própria realização pessoal, que mais alguém vê isso como tu vês. Mas mesmo que não o veja, ao menos que colhe uma impressão disso.

Um artista que obtenha uma crítica no mundo, obtém justamente tanto reconhecimento quanto outro que seja adorado, estás a entender? Assim, aquilo que há que lembrar é que mesmo na crítica há reconhecimento. Na criação de um padrão de ideias há reconhecimento.

Da próxima vez vamos tratar de alguns exercícios acerca da realização e autoconfiança. Entretanto, serão suficientemente bons para fazer uma pequena coisa que não fizeram antes? Só para saber que conseguem? E farão o favor de olhar para vós próprios pela manhã ao espelho e dizer: “Tu és o meu melhor amigo, e nós vamos passar um dia perfeito.” E com isso permitir-se dar início ao vosso dia.
Por agora é tempo de libertar o instrumento, (médium) ou ela vai direitinho por aí abaixo. (Riso)

Em nome do Pai e dos Filhos e do Espírito que os torna UM, dirijo-lhes a minha bênção.   

 COMPREENSÃO DA AUTOCONFIANÇA (2ª PARTE)



Na semana passada falamos de diversas coisas. Antes de mais, para que todos compreendam, que a única confiança de que verdadeiramente poderão depender, seja em que altura for, é da autoconfiança, e a capacidade dessa autoconfiança procede do Eu divino em vós. Por conseguinte, n’Ele, em vós, existe segurança, certeza, rumo e tudo o mais que for preciso.



Na semana passada falamos dos diversos por que buscam a autoconfiança, segundo a percepção que temos, e onde por vezes devia ser reconhecido que é necessária. Constitui uma impressão generalizada a que o mundo tem de que o trabalho colectivo seja o mais bem-sucedido, e isso é verdade, desde que o esforço colectivo represente uma coletânea de trabalhos já evidenciados. Isto soa um tanto rebuscado, mas o que estamos a querer dizer é que as pessoas que têm autoconfiança e são seguras de si mesmas, são mais capazes de interagir, de integrar e de empreender um esforço colectivo mais realista e bem-sucedido. De modo que, quer o trabalho que empreendem na sociedade seja singular ou colectivo, conhecer-se e conhecer o que os compõe, saber do que terão que depender constitui a coisa mais importante.



Esta noite vamos abordar várias áreas no sentido de derrubar alguns bloqueios que se interpõem no caminho da autoconfiança. Vamos começar por derrubar a compreensão que têm dos pontos fracos e dos pontos fortes que têm, e vamos ajudá-los a enfrentar situações vagos e sombrios que temem no vosso íntimo. O que lhes vou pedir a todos, antes de mais, é que percebam que o termo “aceitação” é muito importante no trato da autoconfiança, e tal termo refere a aceitação das capacidades que têm e a falta de competências também. Não soará isso um tanto estranho já que falamos de um pensar positivo, em que lhes é dito que poderão conseguir tudo quanto quiserem, e depois apelarmos-lhes à falta de competências!?



Tem imperado no vosso mundo a tendência para se afastarem de vós próprios e para imitarem os êxitos dos outros. Se perguntarem a alguém por que quererá obter êxito, ela responderá que é por querer ser como fulano ou sicrano. Por querer ter um carro como fulano ou beltrano, por querer vestir-se como A ou B, e por aí fora; já se terão deparado um milhão de vezes com pessoas que imitam outros como uma modalidade de sucesso em vez de se entronizarem no próprio potencial e no próprio êxito. E a primeira coisa que precisam fazer é reconhecer no vosso íntimo quando isso sucede.



O termo sucesso para alguns evoca coisas materiais mérito e coisas emocionais e espirituais como a segurança de um amado, a segurança de um rendimento, a segurança de um local para habitar e de alimento para comer, etc. Tudo isso faz parte do padrão de segurança, mas nem toda a gente necessita da mesma coisa. Nem toda a gente precisa do mesmo tipo de coisas para sentir segurança. Muitas vezes, nos ensinamentos de natureza espiritual é passada a impressão de que as coisas materiais podem ser bastante destrutivas, e podem caso se apossem de vós em vez de vocês se apossarem delas. Mas em grande parte, precisam reconhecer que terão um tempo em que as coisas serão importantes para vós e um tempo em que não serão.



Toda a gente passa por fases de necessidade de uma segurança externa e de precisarem menos desse tipo de segurança, à medida que se movem ao longo da vida. O que não quer dizer que não mais tarde não possam decidir voltar a precisar de coisas. Mas é a forma como precisam delas, que determinará o quão autoconfiantes serão. O perfeito exemplo disso. Numa outra classe pedimos-lhes para fazerem determinadas coisas a fim de romperem com velhos moldes e padrões, e uma delas era para pegarem numa peça velha de vestuário e para a vestirem, uma peça de vestuário de que não gostem. Porque com o uso dela chegam à percepção de que as roupas não são vocês mas que vocês são as roupas. Por outras palavras, podem utilizá-las e ser tão bem sucedidos como quando não as usam.



Isso deita por terra a crença de que uma determinada coisa não seja o que tem realidade para vós… mas a frase não me está a sair bem, permitam que volte a reformular a coisa; isso constitui uma quebra relativamente à aceitação de que qualquer coisa externa possa compor aquilo que são. Toda a gente possui coisas com que se sente confortável, e menos confortáveis, etc. Toda a gente tem a sua peça de vestuário afortunada, por assim dizer, por ter passado por algo de afortunado com ela, e sentir que algo de bom possa voltar a suceder. Mas aquilo que precisam saber é que vocês são a peça de vestuário da sorte, e que vocês são a vestimenta do incómodo, que vocês são quem decide se “vai ou racha,” se é um êxito ou um fracasso, pela forma como se sentem relativamente a vocês próprios no íntimo. E vocês também fazem isso de outros modos na vossa vida.



Percebem que no lado oposto disso há um respeito por vós que diz: “Tu aceitarás e serás o melhor que puderes, interna e externamente do mesmo modo.” Há a percepção de que, tudo quanto fazem na vida, que permitem que os governe externamente, ou que assumem como a aceitação de si mesmos, quando não constitui a vossa verdadeira realidade, representa, pois, um factor negativo na vida. E assim decidem o tempo todo o que é a vossa realidade. Se toda a gente se elevar acima de determinada coisa, quantas vezes terão as pessoas entrado em frenesi com isso quando precisam compreendê-lo, gostar ou cuidar disso, por lhe terem chamado o “último grito”?



As pessoas adoram a si mesmas de uma forma ridícula por causa desse “último grito,” quer pareça assentar-lhes bem ou não; usam a cor da moda quer se torne verdade ou não, o carro do ano, seja lá o que isso for, há sempre algo que tenha sido induzido nas suas vidas pela via comercial. E a menos que compreendam verdadeiramente o valor que têm, darão por si a sucumbir à crença de que tenha qualquer realidade. O que não quer dizer que não devam pensar que seja adequado para vós ou desejá-lo, caso se sintam confortáveis com isso. Quando lhes incutimos a noção de que não devem aceitar as coisas externas enquanto realidade, não quer dizer que quando conhecem a vossa realidade não as possam ter. Existe toda uma diferença notória, entendem? E uma passa pelo facto delas tomarem posse de vós, entendem?



Há sempre, no indivíduo, a tendência de compensar em tudo em que o indivíduo se sinta carente. E há duas maneiras de compensar. Uma passa pela aceitação da existência de uma carência, e pela decisão de quererão satisfazê-la ou não; e vocês sabem o quão decisivo decidir satisfazê-la ou não. A outra maneira passa por se tornarem de uma forma agressiva no contrário. As pessoas no vosso mundo usam rótulos. Espera-se que todo o indivíduo que seja alto ou grande seja extremamente áspero. E esperam que todo o indivíduo afável e de constituição franzina não o seja. Quão ridículo! Quão completamente ridículo! As pessoas de cabelo russo são mais divertidas? (Riso) Parece haver muitas morenas felizes, no vosso mundo. Mas isso são coisas que as pessoas começam a aceitar, não como incidentes na sua vida, mas enquanto factos, entendem? Começam a aceitá-los e a vivê-los.



Muitas vezes uma pessoa baixa pode tornar-se bastante agressiva, enquanto outra alta começa a fazer assim (…) não é? E a caminhar assim (…) pois “Deus que me livre que alguém me veja como uma pessoa alta.” Mas se aceitar que o seja, e que a beleza disso esteja no facto de o ser, não irá sentir-se em desvantagem por causa dessas chamadas “falsas imagens.”



Gostava que pensassem por um instante no que consideram ou receiam intimamente como uma obstrução. No que percebam intimamente que seja um prejuízo para vós, na vossa vida. Pensem unicamente nisso por um instante. Se forem sortudos irão precisar pensar para valer, o que equivale a dizer que isso não se encontra aí à superfície. Toda a gente possui algo que de uma forma qualquer os leva a sentir que os bloqueia na vida. Alguns têm isso mesmo à mão de colher, e enfrentam-no todos os dias, enquanto outros precisam forçar caminho até dentro por apenas se esgueirar e os deixar abalados. Mas a realidade está em que, uma vez que saibam da sua existência, precisarão interrogar-se quanto à sua proveniência. De onde é que vêm?


Descubram a sua origem, pensem nisso por um instante. Têm medo de passar por baixo de uma escada? Ou se virem um gato preto, de onde vem isso? Esses são incidentes bastante superficiais, ou aquilo a que chamam de superstições, mas constituem bloqueios em todos quantos o temem. Agora interroguem-se acerca de uma outra coisa: “Que fiz eu para superar isto? Que terei feito para o difundir ou para lhe retirar o poder? Será que o quero? Porque isso soa estranho. Será que o quero fazer? Ou será que ter esse bloqueio, esse receio me fornece uma via de escape ao se tornar algo que acalento na minha vida em vez de me sentir sujeito?” Será uma coisa que lhes permita dizer: “Tudo bem, sei que não consigo fazer isso porque não…” Interroguem-se: “Que foi que eu fiz para alterar isso?”



Ora bem; a primeira coisa que eu quero que percebam é que olhar para isso, decidi-lo não tem que ser depressivo mas destina-se a representar uma compreensão e uma aceitação. Assim, se padecerem de algo que sintam constituir um bloqueio não o vejam como se os tornasse inferiores, não o encarem como deprimente, mas como parte da vossa realidade que são perfeitamente capazes de controlar. Por meio da sua compreensão destituem-lhe o poder de que goza e ver-se-ão então capazes de o alterar e mudar.



Toda a gente estabelece certos critérios que sentem ter consciência do que seja suposto serem. Vocês sabem, têm no vosso mundo aquilo a que chamam de shows televisivos em que as pessoas da audiência participam, e quando lhes perguntam a profissão, elas respondem: “Sou uma simples dona de casa!” Sempre ouvirão alguém dizer: “Sou uma simples dona de casa.” Isso já denuncia o que sentem relativamente a serem donas de casa. Mas a questão está em que isso são terminologias que utilizam com frequência no vosso mundo e que começam a tornar-se factos aceites. Não existe nada no vosso mundo que façam, que não possa certo e perfeito para vós, caso se disponham a aceitar o volume certo da responsabilidade por isso e esperem afastar o volume apropriado de responsabilidade disso. Por outras palavras, saber quando traçar a linha, ter consciência de quando tiver ultrapassado a capacidade que têm, do momento. Dizer: “Nem toda a gente é pintor, nem autor, e nem toda a gente é bilingue.” Podia estar horas a enumerar aquilo em que nem toda a gente é boa. Mas para tudo aquilo em que não é boa, algumas pessoas são.



E assim, pela consciência da qualidade de felicidade que têm, fazem uso do potencial que lhes traga essa felicidade, e permitem que outros utilizem o seu potencial que lhes traga felicidade. Não podem ser tudo; não estão destinados a ser tudo. Estão destinados a conhecer-se e a permitir-se desabrochar e florescer pelo melhor do potencial que tenham. Mas reconhecem que isso não signifique que tenham que fazer tudo ou conhecer todas as coisas.



Alguma vez terão ido a uma reunião ou a um grupo de pessoas em que toda a gente tenha participado no mesmo show ou representação na noite anterior excepto vocês, e em que todos estejam a falar disso? Como é que se sentem?



Comentário: Abandonados.



Julian: Sentem-se postos à margem. Que mais?



Comentário: Com ciúmes.



Comentário: Estúpidos.



Julian: Agradecido. Era disso que estava em busca. (Riso) Há a tendência no vosso mundo para ver uma não participação num momento como algo que se assemelha a uma sensação em vós. Mas não é. Não há nada que diga que não vejam esse mesmo espectáculo numa outra altura. Assim como poderão descobrir que a representação desse espectáculo em particular resultaria altamente entediante para vós. Há quem aprecie museus e há quem os deteste, por não estarem em sintonia com a sua vibração particular, e isso nada tem de errado. E não há razão para sentir culpa se alguém disser que os museus são formidáveis.



Assim, precisam observar-se, e quando sentirem a insegurança a vir ao de cima, indaguem justamente aí da razão porquê. Interroguem-se justamente aí quanto a estas questões. “Se for realmente verdade que me sinto inseguro nesta posição e não me satisfazer até que me sinta seguro, então que estarei eu a fazer quanto à sua alteração?” Por não o poderem ter das duas formas. Mas depois precisarão interrogar-se: “Quererei fazê-lo? E se não o quiser alterar deverá querer dizer que não faça mal ser como sou?” E a seguir, pelo amor de Deus, desfrutem de vocês próprios da forma como são e não vejam que seja suposto representar a vedeta em toda a parte em que se encontrem.



Toda a gente possui um grau variado de educação, um grau diversificado de viagem e um grau diversificado de muitas outras coisas. Mas com a partilha dessa proficiência, toda a gente sai enriquecida. Assim, na próxima que alguém lhes disser: “Eu acabei de chegar de…” seja de onde for, digam-lhe: “Olha, é formidável, conta-me lá. Nunca lá estive.” Mas pelo amor de Deus, não ponham a cabeça debaixo da asa e não se sintam inferiores por nunca terem lá ido.


Portanto, olharam todos para dentro de vós e enfrentaram algo em vós que sentem representar um bloqueio, e se não sentissem isso, quão admirável seria. Mas não creiam que seja menos admirável que o tenham, por que se o tiverem e chegarem a aceitar que sentem um obstáculo terão dado o primeiro passo no rompimento dele, por não poderem pôr termo a coisa alguma cuja existência não admitam.



Quantos de vós terão sentido que o bloqueio se situasse no relacionamento? Quantos de vós terão sentido que o bloqueio estivesse na área dos negócios ou dos lucros financeiros? Quantos de vós terão sentido que tenha tido que ver com uma doença corporal? Muito bem. E quantos de vós terão sentido que se prendesse com o desenvolvimento espiritual? Podem ter bloqueios em qualquer área.



Pergunta: (Inaudível)



Julian: Eu não estava a perguntar quais eram as ideias; eu vejo o rumo que elas tomam. Sim, tudo consta de desenvolvimento espiritual, mas aquilo que quero deixar claro é que alguns sentem que tenha uma associação com uma área específica da vossa vida. Mas aquilo que lhes vou pedir que façam agora, é que aqueles de vós que tenham sentido que se prenda com uma emoção ou com a interacção com as pessoas, queria que se agrupassem a um lado da sala. E queria que o resto de vós que estejam a enfrentar áreas de finanças se juntem, e queria que aqueles que o experimentam em áreas da interacção com as pessoas etc., de acordo com a área em que acham enquadrar-se, queria que o grupo de reunisse. Por isso, vamos fazer proceder a uma mistura agora. Caso se enquadrem em dois, coloquem-se num que nós situá-los-emos no outro, está bem? Se acharem enquadrar-se em todos, irão estar mais ocupados. (Riso)

Muito bem, vamos lá ver, quantos acham que se enquadrem em áreas financeiras? Está bem, é um grupo relativamente pequeno; e se viessem todos para este lado? Podem trazer as cadeiras para aqui, e aqueles de vós que se prendem com a interacção com as pessoas – quantos são? Que venham para aqui para o outro lado, está bem? Quais eram as outras categorias?



Comentário de grupo: Doença e espiritualidade.



Julian: Muito bem, doença, quem quer que receie que se relacione com a doença, junte-se numa outra pequena secção. Juntem-se todos em grupo só por um instante. Agrupem-se lá. Os do grupo da doença, reúnam-se lá, está bem? Que outras áreas poderíamos incluir?



Comentário de grupo: A da espiritualidade.



Julian: Desenvolvimento espiritual... os do grupo da autoestima, reúnam-se a este canto. E com o medo, alguém se identifica com o medo, quer específico ou outro? Mais alguns?

O que vão fazer é mudar de posição e sentar-se juntos, mudar os assentos em forma de um pequeno círculo em cada um dos vossos grupos. A seguir vamos dizer-lhes o que deverão fazer. O resto de vós pode juntar-se a um dos outros agrupamentos, caso não consigam decidir-se quanto ao que sintam. Só por uma questão de prazer. Toda a gente deve integrar-se num grupo qualquer, mesmo que não consigam determinar exactamente aquilo com que queiram trabalhar, prestem atenção no grupo, seja ele qual for. Formem pequenos aglomerados, mas deixem um espaço para mim.



Ora bem; vou dar-lhes três perguntas para refletirem, e a seguir vou querer que pensem nelas em silêncio no grupo e a seguir partilhá-las no grupo. Mas vão partilhá-las num grupo de cada vez comigo, para que não falem todos ao mesmo tempo e ninguém consiga ouvir nada. Se o fizerem por mim ficar-lhes-ei muito agradecido.



A primeira pergunta que irão colocar a si próprios é “Porque estarei situado neste grupo? Que fará uma alma tão boa como eu num lugar destes?” (Riso) Vão interrogar-se quanto à razão porque se encontrem neste grupo. Vão interrogar-se: “Quanto influenciará isto a minha vida?” “Quanto estará isto a influenciar-me a vida?” Pensem nisso; por outras palavras, será algo em que pensem de vez em quando? Será algo que esteja presente de forma subjacente o tempo todo? “Por que razão me encontrarei neste grupo? Com que frequência me afectará isto? Em que medida pensarei poder alterar isso?” Por outras palavras, até onde estarei disposto para alterar isso?



Ora bem, esta pode parecer uma pergunta estranha, mas quando a apresentam a vós próprios em silêncio irão descobrir várias reacções, uma das quais poderá ser: “Vamos lá sair deste grupo, por realmente não querer ir muito longe nele.” A outra poderá ser: “Bom, eu quero seguir até ao fim mas este bloqueio mas tenho tantos bloqueios.” Não faz mal, por isso ser normal, e por isso começar a revelar-lhes um padrão. Assim, dediquem apenas uns instantes no vosso grupo, e lembraem.se de que são todos amigos, estão todos juntos. Não precisam ter medo, pois ninguém lhes irá fazer frente, por assim dizer.



Agora tenho mais uma pergunta que quero que coloquem. “Se esta é a sensação que tenho, ou o meu ponto fraco, ou receio ou bloqueio, que ponto forte terei?” Portanto, primeiro irão investigar a razão por que se encontram no grupo, com que frequência os afectará e quanto estarão dispostos alterar a situação, e se esse for o vosso bloqueio, que será que lhes abrirá as portas, qual será a posição mais vantajosa para vós? Pensem rapidamente porque não os vou fazer demorar muito aí.



Foram capazes de identificar as perguntas à medida que as colocavam? Alguém quererá partilhar?



Comentário: Eu quero.



Julian: Tu queres? Óptimo!



Comentário: Quanto à pergunta acerca da razão para me encontrar neste grupo… (Inaudível Em relação à segunda pergunta, em que medida estarei disposta a… (Inaudível)



Julian: Muito bem. E este grupo pertence a que categoria?



Comentário: Bloqueios ligados à área das finanças.



Julian: O comité financeiro. (Riso) Bom, vou colocar-lhes uma série de perguntas. Alguém estará disposto a partilhar os sentimentos relativos a isto?



Comentário: (Inaudível)



Julian: Que te impeça de obteres um suprimento financeiro?



Comentário: (Inaudível)



Julian: Muito bem, a segurança que gostarias de obter disso?

Muito bem, que reacção terás sentido em face das perguntas?



Comentário: (...) não o entendi por completo; não estou muito certa do que seja. Mas quase consigo sentir um alívio quando fecho os meus olhos e me desloco para um sítio sossegado longe daqui, e sinto que gosto das pessoas e que gosto de estar com as pessoas, e que gostaria de (...)

Julian: Muito bem. Bom, quero fazer diversas perguntas. Alguém quererá partilhar o sentimento particular que tenha?

Pergunta: Eu tenho um problema particular. Como poderemos sentir-nos felizes e lidar com o crescimento espiritual num ambiente de negócios?

Julian: Certo. Como desenvolver-se espiritualmente num ambiente bastante comercial e competitivo. Obrigado. Mais alguém?

Pergunta: (Inaudível)

Julian: Muito bem. Que é que o teu vizinho faz?

Pergunta: (Inaudível)

Julian: Lembra-te do seguinte: Existe, na vida um tempo para todas as coisas. E com frequência algo é mantido em suspenso até ao devido tempo, o que nada tem que ver com a quantidade ou a qualidade. Por outro lado, há o lado muito comercial que diz: Será o valor atribuído compatível com o preço pedido, entendes? Todo o tipo de coisa dessa natureza. Não estou a dizer que as tuas não o sejam. Estou a dizer que existe uma noção bastante lógica do mercado do dinheiro que se acha lento e uma muito forte influência dessa natureza, da natureza do medo, contra as vendas, etc. Mas o que aqui está a suceder é que cada palavra que proferiste prova que tenhas aceite a derrota, por não ter sucedido quando querias que sucedesse. Estás a dizer que nunca acontece; toda a gente o consegue...

Pergunta: (...) eu quero, eu sou obcecada e só sarar...

Julian: Bom, deixa que te pergunte uma coisa. Mostras-te amigável para com as pessoas? Sorris muito? Já saraste, minha amiga! Não penses na cura enquanto uma coisa específica somente. Ninguém pode sarar de uma situação específica que não esteja a vivenciar o princípio da cura a toda a hora. Quando és generosa ou afável com alguém, quando fazes alguma coisa que não tens vontade de fazer mas que sabes que irá ajudar alguém, estás a sarar. Assim, precisas aceitar essa cura em ti própria antes de poderes atrair uma cura de uma natureza mais ampla. Entendes? Por outras palavras, não podes, por um lado dizer que isto seja o que queres fazer sem reconheceres a sua qualidade em ti própria, em tudo quantos fazes. Estás a ver como os bloqueios começam a ser erguidos?

Sucede a mesma coisa quando alguém tem por objectivo um enorme ganho financeiro. Precisa ver, aceitar e reconhecer os pequenos ganhos financeiros como uma parte viva da sua vida, antes de poder atrair um ganho financeiro mais vasto. Quando aceitar o pequeno ganho financeiro também estará a acatar as responsabilidades que o acompanham, entendes? Por não existirem “meias medidas,” embora já se devam sentir todos um tanto entediados comigo a esta altura, por já o ter repetido inúmeras vezes nas aulas. Portanto, não deves edificar mais nenhuma barreira por algo não estar a suceder do modo que tiveres projectado que devia suceder. Precisas aceitar que esteja a suceder por outras formas na tua vida, e que existe riqueza nos amigos que tens, que existe cura nos actos que praticas com os teus amigos, etc. Era isso que eu queria dizer com o ver o bem em vós, e aceitar que isso também é importante.

Nessa aceitação da corrente da vida enquanto parte do objectivo, o objectivo chega no devido tempo da sua frequência. Assim, tu esperas, mas esperas com conhecimento total de estares a sarar. E curas a tua situação de bloqueio, com a aceitação que desenvolves. Lembra-te que cada pensamento que tens e cada palavra que proferes é registada na tua realidade e no teu subconsciente. E são esses sentimentos que serão libertados para o corpo através da pituitária, a partir desse subconsciente. Por isso, tem cuidado com o que aí programas. Agradeço a partilha.

Estás a entender? Portanto, reconhece, à medida que avanças, que a participação diária que tens em qualquer coisa, se proceder do coração e do verdadeiro desejo que tens – não do desejo de competição, nem do desejo do: “Eu vou-lhes mostrar,” porque assim que tentares obter um ganho ou um êxito para provares um aspecto qualquer a mais alguém, não o estarás a fazer a partir de ti própria mas sim pelas razões erradas, e invariavelmente não encontrarás felicidade. Tu precisas saber que te pertence por o quereres, mas precisa querê-lo por te pertencer e não por quereres provar alguma coisa a alguém ou mostrar ou por quereres ficar quites com alguém. Aí, e somente aí, poderá ser teu.

Nos campos de competição do mundo existe aquilo que chamam de competição dos negócios. Não precisa ser trazido à tua vida a ponto de toda a tua vida se tornar competitiva. Pode ser manipulado a partir da interacção no campo competitivo, mas uma vez mais, com base no sentir do teu coração e do teu espírito. Não há sítio que lhes proporcione maior oportunidade de provarem a espiritualidade que tenham do que o mundo dos negócios, por ser um mundo de atrito. Mas quando observam o atrito, e conseguem dizer: “Eu posso ser eu próprio, e não procurarei tornar a minha vida do ponto de vista de ficar quites, do ponto de vista de: “Se alguém goza disso eu também tenho que gozar,” mas com base no percebimento de que conseguem interagir num campo ocupado e ainda assim preservar a vossa maneira de ser.


Chave nisso é uma meditação diária. Também saber que podem ir àquilo que chamam de banheiro, e passar dois minutos em silêncio – o que lhes poderá trazer de volta o equilíbrio quando o atrito se fizer presente. Agora, quando aceitam o que é chamado salário, também estão a arcar com a responsabilidade do trabalho, pelo que precisarão fazer pelo trabalho aquilo que o trabalho exigir.

(continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu António
Copyright © 2003 Saul Srour
Authors: Rev. June K. Burke and the Seraph Julian