quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

SETH - AULA DE PES - 20 Maio de 1969 Terça-feira



(Esta noite tivemos o reverendo John Cross e a esposa, Mabel, como convidados. A Jane introduziu o Jack como um baterista de rock e foi avançado que a sua presença seria a razão para o sossego verificado na aula)

"E eu a pensar que estavam a comportar-se tão bem por me encontrar presente. Preciso aprender a ser reverendo baterista para manter o ritmo convosco.

Bom, dou-vos as boas-vindas. Eles esta noite não estão no seu melhor por tu seres um pastor e isso os levar a sentir-se intimidados. Mas a mim parece-me um óptimo cavalheiro; não precisam sentir-se intimidados.

Aqui a nossa Senhora de Florença (Florence McIntyre) está cheia de perguntas que devia expressar-te. Na verdade, tais perguntas tropeçam quais penedos pesados, mas ainda assim, não as colocaste. Ele é alguém excelente que pode responder-te por ter respostas para elas.

Bom, já nos desviamos um pouco. A nossa Senhora de Florença fez algum progresso desde a última vez que conversamos, por me ter, por fim, levado a sério. Eu esperava mais de ti - mas tu irás surpreender-te a ti própria. Dirijo-me aqui ao jovem mercador de Veneza (Daniel McIntyre).

O nosso outro amigo (Brad) anda às voltas com as muletas - ao atirá-las um pouco para o ar - e ao praticar dois passos sem elas. Mas nós precisamos de mais do que isso. Vocês têm o primeiro livro do material e eu digo-lhes que contém uma informação prática; podem submetê-la a uso. Sinto-me lisonjeado por pegarem nela vez por outra e lhe darem uma vista de olhos. Podiam tê-la impresso a ouro ou encapada a couro e conservá-la como uma lembrança, mas ser-lhes-ia de pouca valia, a menos que a usassem.

Precisam tomar mais consciência do vosso eu interno - por ele não ser assim tão horrível. Tu ainda receias, tal como a nossa Senhora de Florença, encontrar a porta de um porão - uma porta de um porão para a tua mente - para o teu eu interno, e receias que se existirem alguns anjos, os demónios os devorem antes de os chegares a ver.

Em vez disso digo-te, conforme te disse antes, que és maior que aquilo que conheces, e cabe a ti encontrar a tua própria realidade. Eu não ta posso dar; posso-te apontar a direcção - mas a experiência é pessoal e subjectiva. A jornada é uma jornada que precisas empreender e percorrer sozinho, por eu não a poder fazer por ti. Eu tenho as minhas próprias jornadas a fazer... e aqui nos desviamos.

Quaisquer problemas que tenhas, eu já os tive - por isso olha para mim e sabe o quão indestrutível és! Digo-te aqui - em benefícios dos nossos convidados - que a morte não é sóbria nem é morte. Vós simplesmente dais um passo de gigante em frente. Mas conforme os meus amigos estão cientes, eu vou dizer-te que a vitalidade ressoa, e ressoa neste âmbito assim como no vosso - e que é alegre e que não conhece sobriedade alguma, porque, como sabem, é coisa despreocupada.

A consciência entregue a si mesma é como Abril entregue a si próprio. Depende de vós projectar desastres sobre o mês de Abril - sempre que um desastre ocorra. Mas sois vós quem projecta desastres na consciência quando tais desastres ocorrem.

Eu uso o corpo do Ruburt (Jane) com permissão da parte dele, por ele ser meu amigo. Vós usais os vossos próprios corpos - por serem os veículos que usam. Conforme o Ruburt haveria de dizer, eles representam os fatos espaciais que envergam para habitarem esta vossa terra. Eles não são vós - vós usai-los - e usem-nos com alegria e com prazer e bem, mas não se identifiquem com eles, por eles não serem vocês.

Eu já usei e descartei mais corpos do que desejaria poder contar, e caso tivesse realmente morrido ainda que com um só desses corpos, não estaria agora aqui a falar-lhes, nem vocês estariam aqui sentados a meu lado. Porque vós também já falastes por diversos dialetos.

Mas uma vez mais, vir aqui uma vez por semana poderá ajudar-te a encontrar-te - poderá apontar-te a direcção correcta - mas só te encontrarás quando viajares para dentro. Mas por "jornada interior" não me refiro a excursão apologética nenhuma, rápida e apressada, pelas memórias da infância. Não me refiro a tentativa nenhuma por descobrires a que se devem as fobias que tens em relação a aranhas nem por que tens furúnculos nos braços. Refiro-me a uma viagem mais extensa. Mas todos vós sabeis aquilo a que me refiro.

Abre as comportas da tua consciência enquanto dormes! Tu sabes ser mais do que aquilo que dizes ser enquanto "eu consciente," mas deverias sabê-lo por meio da experiência! Abre as barreiras das tua vida diária - sai fora do eu que conheces -  e resolverás as tuas dificuldades! Resolvê-las-ás e terás consciência de as ter resolvido. Terás consciência de que a capacidade se acha em ti e de a teres usado - e aí poderás atingir-me com as tuas muletas, que eu rir-me-ei!

Vou deixar que voltem ao vosso convívio social.

(Intervalo)

Podem fazer-me as perguntas que quiserem, embora não garanta que as responda a todas. Mas algumas haverão de ser respondidas.

(Jack Cross:) "Quando abandonamos o corpo físico, para onde vamos?"

Vocês vão para onde quiserem. Ora bem; quando a vossa mente consciente, normal, do estado de vigília, é aquietada, conforme no vosso estado de sono, vós viajais por outras dimensões. Já estais a experimentar essas outras dimensões, já estais a preparar o vosso próprio caminho. E quando morrem percorrem esse caminho que tiverem preparado. Há diversos períodos de treino que variam consoante a pessoa. Mas precisam compreender a natureza da realidade antes de conseguirem manipular na perfeição nela, e com inteligência. Neste ambiente e na realidade física encontram-se a aprender - é suposto estarem a aprender - que os vossos pensamentos contêm realidade, e que criam a realidade que conhecem.
Quando abandonam esta dimensão, aí concentram-se no conhecimento que tiverem obtido. Se ainda não perceberem que criam a vossa realidade conhecida, então voltam de novo e aprendem a manipular, e uma e outra vez os resultados da vossa própria realidade interna serão objectivados conforme vocês se deparam com eles.

Vocês ensinam a vós próprios até a terem aprendido. E quando a tiverem aprendido, então terão começado a instruir-se quanto à maneira de lidar com a consciência que é igual e inteligivelmente vossa. Então, poderão formar imagens em benefícios de outros e conduzi-los e guiá-los. E depois podereis prosseguir e alargar o âmbito da compreensão e da consciência que têm - e ao fazerem isso assumem ma percepção mais consciente da vossa própria responsabilidade. E a responsabilidade que lhes cabe não é difícil de entender.

(Jack Cross:) "Que é que determina o período de tempo entre as encarnações?"

Vocês. Se estiverem demasiado cansados, então repousam. Se forem sensatos, esperam um tempo para digerir o conhecimento que alcançaram e planear a próxima vida como um escritor planeia o próximo livro, entendem? Se mantiverem demasiados laços com esta realidade e forem demasiado impacientes ou não tiverem  aprendido o suficiente, aí poderão regressar demasiado rápido.

Mas depende sempre do indivíduo, por não existir predestinação. Tampouco existe quem vos diga o que fazer. As respostas encontram-se dentro de vós, conforme agora mesmo se encontram

(Jack Cross:) "Como descobriremos essas respostas por nós próprios?"

Há muitas maneiras - mas somente uma é real. E essa maneira é dando início à jornada, conforme o Ruburt te disse, pela natureza da vossa própria consciência, por as respostas se acharem dentro de vós e não fora, e ninguém lhas poder revelar. Bom, de certo modo cada indivíduo descobrirá a própria resposta - ainda assim todas as respostas tornam-se numa só. Precisam tentar esquecer durante um período de tempo, a cada dia, o eu em que pensam, comas suas pretensões de adulto, a arrogância de adulto, e recordar a espontaneidade da criança. Precisam pensar na liberdade que a flor possui. parecer-lhes-á que a flor não se consiga mover, e que por isso não possua liberdade. Contudo, digo-lhes que precisam pensar na liberdade da flor.

Precisam dissociar-se da pessoa que conhecem. Fechem os olhos e imaginem qualquer coisa de agradável à vossa escolha. Não importa o que seja. A seguir, imaginem que saem de vós da maneira que preferirem. A seguir, imaginem que ao vosso redor existe outra dimensão e que só precisam  dar um passo de cada vez - e que descobrem as vossas respostas. Só precisam começar. Há uma aventura e ela tem lugar dentro de vós. Existem respostas, mas elas têm lugar dentro de vós e vocês podem encontrá-las. Bom, terás mais alguma pergunta?

(Jack Cross:) "Como desenvolveremos o poder da cura espiritual?"

Vós já possuís o poder da cura espiritual; só querem saber com usá-lo. Bom, vocês usam-no quer saibam disso quer não. Quando nutrem ideias de paz e de vitalidade e quando desejam boa-sorte a uma pessoa, aí estarão a ajudá-la a curar-se.

Agora; para poderes dirigir esse poder de forma consciente precisas, uma vez mais, habituares-te à sensação da tua própria experiência subjectiva - de modo que és capaz de ver subjectivamente quando essa energia é derramada através do teu ser e para o exterior. Poderás usar a tua imaginação e imaginas porventura que usas uma flecha que pretendes dirigir para um local específico. Mas com prática, há todo um conhecimento subjectivo que passas a reconhecer e a compreender. Mas usais a capacidade quer o percebais quer não. Tu és um curador, quer o percebas quer não.

Ora bem; eu tenho uma pergunta a fazer. Torna-se-me mais difícil eu fazer perguntas do que responder-lhes, mas a pergunta que quero fazer é a seguinte - mas não precisas respondê-la agora. Não precisas respondê-la em nenhuma altura, pelo menos a mim. É uma pergunta destinada a ti próprio.
Não serias mais livre para prosseguir o teu trabalho fora do âmbito em que te vês actualmente envolvido?

(Jack Cross:) "Referes-te à igreja?"

Refiro, sim. Não à igreja mas a todas as igrejas. As ideias que tens não pularão as cercas e os campos? E já não te sentirás embaraçado no ambiente em que passaste tanto tempo? E não estarás agora - ainda que de forma relutante - a dar pequenos passos quando poderias estar a dar passos de gigante? Não precisas responder.

(Jack Cross:) "Sim. Eu vou responder a isso. Sim, é verdade."

As respostas às perguntas que me dirigiste virão de dentro - elas virão de uma maneira fácil se fores capaz de te libertar. Por teres edificado barreiras sem que o soubesses, onde barreiras não existiam. Agoira vou deixar que regresse ao vosso agradável convívio.

(Jack Cross:) "Foi muito aprazível."

Eu gostei.

(Jack Cross:) "Também eu, obrigado."

Bom, meus queridos amigos, todos vós permaneceis na mesma dimensão ilimitada - simplesmente ainda não abristes os olhos para ver. Pensais ser cegos e assim não conseguis ver. O universo que eu habito é o universo que todos vós habitais. Alguns de vós gozam de uma melhor visão que outros mas essa visão não é física.

(Dirigindo-se ao Rev. Cross:) Bom, tu saíste-te muito bem com teorias, mas agora digo-te para as esqueceres. Esquece o eu que sustenta as teorias - e começa a experimentar. Para o efeito, segue as direcções que tracei, mas habitua-te a olhar para a manhã, a tarde e a noite - e a perceber que há em todo o ambiente mais do que em cada pequeno aposento que percebes.

Percebe que há personalidades que não percebes em termos físicos, mas que apesar disso se acham presentes. Olha positivamente para elas. Percebe que há vozes que não consegues escutar com os ouvidos físicos, e escuta-as interiormente.

Bom, eu fui, em muitos dos meus passados, um cavalheiro intelectual assim como uma mulher frívola, contudo, dir-te-ei que, enquanto mulher frívola que adorava jogar à bola à luz do entardecer e que não tinha tarefas a fazer mas uma aparente vida idílica e uma personalidade aparentemente bastante inútil - não me achava sobrecarregada com o intelecto - contudo nessa vida particular aprendi mais acerca da natureza da espontaneidade e da alegria do que em muitas existências ponderadamente intelectuais que tive.

O truque passa por não tentar demasiado, perceber que as respostas estão ao dispor, que existem, e que as podes descobrir. Tudo quanto é necessário é dado à flor. E tudo quanto quiseres ser-te-á dado, mas precisas querer o que queres com suficiente desespero, ou de todo o coração. Uma curiosidade intelectual proporcionar-te-á algumas respostas, mas não te dará as respostas mais profundas. Precisas dispor-te; dispor-te bastante. precisas sentir-te não só disposto como ansioso a viajar por dimensões com que não estás familiarizado numa base egocêntrica.

mas nessa realidade não entras com adulto dotado de ideias pré-concebidas, mas entras maravilhado e sem ideias pré-concebidas. Mas ao te tornares aquiescente, as respostas ser-te-ão dadas - e a ti - e a ti.


IMPRESSÕES (relativas ao Jack e à Mabel, intuídas pela Jane Roberts)

Vi a França do século XIV - uma academia de equitação e um acidente de equitação quando estavas com quinze anos - tu foste sustentado, de certo modo aleijado, durante um par de anos - tu tinhas um irmão e esse irmão estava contigo na altura do acidente.

Vi uma estrutura em tijolo - não estou certa de ter sido a academia de equitação ou não - mas tinha uma entrada bastante ampla, relacionada com o acidente anteriormente mencionado.

Vós tivestes uma breve vida como gémeos, certas diferenças definidas dentro de ti têm que ver com essa existência quando eras um dos dois - um dos quais seguiu um caminho diferente do outro - um dos gémeos tinha forte inclinação para as coisas militares, ser soldado, e a organização da igreja actualmente presta-se ao mesmo objectivo, segundo creio - segurança inerente à organização.

O gémeo que foi para a vida militar encontrou o seu ser como soldado enquadrado no sistema, mas possuía uma enorme fé no sistema, no que ele fazia - o outro gémeo entregava-se mais aos tipos de coisas do homem de estado - de facto era um orador, embora tivesse uma outra profissão - que incluía a alocução pública, embora ambos possuíssem uma forte relação telepática. Desta vez a igreja providenciou o mesmo tipo de organização - tu ressentias-te do facto desse irmão gémeo ter essa organização em que encontrava apoio e de que se sentia tão parte por estar absolutamente seguro dos alvos e objectivos da organização e ser um bom soldado nela. E nessa altura sentias inveja dessa segurança, assim como do sentido de identidade que encontrava no sistema em que ele acreditava.

Desta vez, a parte do orador que possuis tem vontade de ensinar e gosta de falar e de debater questões - mas ao mesmo tempo desejavas a mesma sensação de segurança que sentiste que esse irmão possuía. Além disso, captaste o desejo que ele nutria de ir para o campo de batalha, só que neste caso usas a batalha em relação às ideias com que te debates. O outro irmão combatia por quilo que a organização almejava, e servia bem essa organização - enquanto que tu actualmente estás a combater as coisas que a organização quer e sentes a divisão - divisão essa que suscita lembranças subconscientes dessa vida passada em que existia essa divisão entre ti e o teu irmão.

Nome grego, Ostinatious. Também estou a captar 12 AC. Esse devia ser o teu nome, não o do irmão gémeo. É por isso que ele possuía essa comunicação telepática com o seu irmão gémeo, ele tinha esta noção fortíssima de querer a unidade em si mesmo, ao mesmo tempo que a sensação de estar dividido. Uma forte inclinação para seguir em frente de forma independente em relação às suas ideias, equilibrado pelo desejo de encontrar segurança no sistema, e receio de o abandonar. Ele sente que a sua liberdade intelectual existe somente na medida em que se sinta almofadado pela sensação de segurança da organização - pânico por ser um pensador independente, o que conduziu a um dilema que atingiste após os trinta anos nesta existência. A Mabel era esse irmão gémeo. 

Tradução de Amadeu António

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