terça-feira, 8 de dezembro de 2015

PSIQUE & EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DEUS




Tradução: Amadeu António

"Seth: A fonte da vossa realidade, conforme a entendeis, reside na vossa própria psique. Os deuses, conforme os entendeis nos vossos termos, no vosso presente estado de desenvolvimento, e nos vossos termos uma vez mais, representam os níveis da vossa consciência. A vossa psique constitui um espelho dos deuses. Até que compreendam, pois, em certa medida, o milagre que constitui a vossa existência, fabricareis deuses que estejam abaixo das vossas capacidades mais grandiosas. Enquanto pensardes em termos de um Eu, haveis, pois, de criar a ideia de um deus limitado, confirmado pelas ideias que fazem da vossa pessoa.



"Enquanto pensardes estar mergulhados numa vida de pecado e de negação, e de baixas vibrações, então haveis de vos ver forçados a pensar em termos de serem salvos dessa vida. Então precisareis fabricar um deus que precise ser morto pelos vossos pecados, por acreditarem na necessidade do sacrifício.



"Simbolicamente isso é importante – que na civilização ocidental, conforme a entendeis, achardes necessário criar um deus que precise passar a ser fisicamente traído e crucificado. Vós não faríeis tal coisa aos vossos filhos!



"O âmbito das vossas crenças e da vossa consciência conduziu-vos a um impasse. Quando vos pareceu que a vossa consciência estava presa dentro da vossa cabeça, então precisavam pensar em termos de pessoa separada e precisavam projectar no exterior um deus que fosse maior do que vós apenas em grau. Se conseguiam ser cruéis, esse deus poderia ser muito mais cruel dotado que era dos seus poderes maiores: ele podia aniquilar milhares e provocar cheias; ele era capaz de enviar-vos a todos para o fogo eterno. Se conseguiam ser bondosos para aqueles a quem amavam, então esse deus poderia igualmente ser bondoso e abençoar-vos, enquanto seguissem as suas regras – como vocês amavam os vossos filhos e enquanto eles seguissem as vossas regras.



"Como começastes, e estais, a captar um vislumbre da vossa realidade maior, todavia, também vós sereis capazes de colher um vislumbre uma realidade ainda maior em que a vossa existência desempenha a sua parte, e talvez começar a conceber por que razão a divindade que é multidimensional, multipessoal, uma multi-personalidade suficientemente vasta para conter não só a vossa espécie, mas outras.



"Quando entrais em contacto com o milagre e a realidade da vossa própria psique, sois pois, levados a ter vislumbres dessa realidade mais ampla de que para todo o sempre brotareis e da qual colheis a vossa vitalidade e vida. Uma realidade em que tendes o vosso próprio lugar único. Uma realidade de que sois uma parte viva. Uma realidade em que descobrireis uma coisa alegre que proteja os insectos (dirigindo-se a um aluno) em que identifiqueis a sua realidade e vitalidade como tão abençoada quanto a vossa e não sintais ser necessário projectar neles o mal que a certa altura projectastes em vós próprios, em que as imperfeiçoes que achais – que vós achais – existirem no vosso próprio ser não sejam projectadas no exterior na pequena mosca nem na criatura rastejante da terra. Por tais imperfeições serem imaginárias, e não precisarem aceitá-las. E se as não aceitarem e as arremessarem de vós, não só vos libertais, como também vos livrais dessas projecções que incutis no vosso mundo exterior.



"Agora, como sempre, devolvo-vos a vós mesmos e à vitalidade que ainda estais a descobrir, e à realidade que vos pertence. As verdades estão ainda a ser criadas. Assim sendo, e recorrendo a qualquer termo que queirais usar, Deus acha-se tão vivo e vital e real quanto Era há novecentos anos, ou há trinta milhões de anos, ou há cento e cinquenta milhões de anos. Vós existis na Sua realidade, e Ele, ou Ela, na vossa. E a vossa presente vitalidade é prova disso…



"Os bichos e as cobras e os vermes rastejantes não cobrem a ideia que fazem de uma conversa religiosa, mas eles para vós representam os sentimentos que temeis e que ao longo dos anos procurastes ocultar. E eu digo-vos que nada tendes a temer em relação às vossas emoções. Por si só, conforme é do conhecimento da classe, por eu ter repetido isso muitas vezes – as vossas emoções são tão naturais quanto as tempestades: Elas revitalizam-vos o ser. Somente quando acreditais que estejam erradas, e vos atemorizais delas, ergueis divisões artificiais nas quais, quanto mais mantiverdes a correcção das boas emoções, e mais tentardes senti-las, mais assustados ficareis daquilo que agora pensais serem emoções imaturas ou negativas.



"Mas elas também são naturais e sãs, e por si só, mudarão – não são estáticas. Eu simplesmente quero que desestrutureis a vossa própria experiência e que a deixeis ser, por serem experiências boas e criativas. Só tentam dirigir as vidas dos outros por tanto temerem essas emoções em vós próprios, de modo que as temeis nos outros. E pensais que se os outros seguirem o seu modo natural, cairão em dificuldades – mas não cairão.



"Se confiarem no seu próprio ser, então esse ser revelar-se-á bom, seja com que emoções for. Aí podereis confiar que os outros erguerão as suas vidas, e confiar que as suas emoções também os sigam e os conduzam ao mesmo tempo ao próprio caminho deles…



"Quando alguém vos incomoda, dizeis estar incomodados. Esse é o método natural de comunicação, uma parte da vossa natureza biológica e espiritual. Ao negarem essa comunicação, negais o vosso próprio ser, e não sois capazes de comunicar, por se verem forçados a sorrir quando vos sentis irritados. Os outros sabem muito bem quando vos sentis irritados, e se sorrirem para elas, elas não poderão chegar a vós – e desse modo parecereis inacessíveis e estar além deles. E aí eles ficam efectivamente zangados, de modo que sorris dez vezes quando alguém vos perturba. Da próxima vez que o mesmo indivíduo mal abre a boca para falar, e vos sentis repletos de uma intensa agressividade, e gostassem de lhe torcer o pescoço, e pensarem: “Quão mau sou!” Mais desesperadamente procurareis ocultar a realidade do vosso ser.



"O mesmo, contudo, se aplica ao amor. Muitos de vós sentem vergonha de revelar o amor que sentem, de modo que o escondem. Alguns prefeririam ao invés ser apanhados numa luta de pugilismo nas ruas ou a puxar os cabelos, do que a dizer: “Eu amo-te,” a alguém que não um companheiro ou um amigo muito próximo. E assim também escondeis esses sentimentos.

E se sentirem medo de uma emoção, então sentireis medo de todas elas, de modo que cultivais o hábito de examinar todo o sentimento que vos acomete. Não conheceis a vossa realidade! Aceitai a vossa realidade conforme aceitais o vosso ser, e aceitai que esse ser é bom; tomai isso como um dado adquirido…



"As vossas religiões estão baseadas na ideia de que sois basicamente maus. Temeis os sentimentos que tendes por pensarem que o vosso ser seja mau, e no entanto a maioria de vós, com algumas excepções, voltar-se-á para os animais e concede-lhes a maior das superioridades morais e diz: “Isso é bom, e é natural,” e negais a vós próprios a mesma bondade, a mesma rectidão e a mesma natureza.



"Num programa de televisão questionaram o Ruburt da razão por que eu falo, e eu vou-vos dizer por que razão falo. Eu falo para vos mostrar a vossa própria realidade, na esperança de que, com a compreensão dessa realidade transformeis literalmente o vosso mundo. Esse é na verdade, e sempre foi, o meu objectivo. Mas isso depende da compreensão que conseguirem de vós próprios e da coragem com que aceitarem a vossa própria experiência, e da coragem com que põem de lado as velhas estruturas que vos têm dificultado.



"Por conseguinte, uma vez mais vos devolvo, após este bate-papo jovial, aos vossos próprios seres.



"Mas percebam que a vitalidade gratuita que pula nesta sala constitui a vossa esperança. A vitalidade gratuita e a natureza não estruturada destas aulas têm uma razão de ser. A espontaneidade conhece efectivamente a sua própria ordem. Quando cresceis de um feto até um adulto crescido, cresceis de modo espontâneo e verdadeiro. Não sois constituídos em parte cão, em parte sapo! A espontaneidade conhece a sua própria ordem, e quando refiro não estruturada, aquilo a que me refiro realmente é ao facto de que a vossa própria espontaneidade venha depois a fluir pela vossa própria estrutura natural, uma estrutura que não é erguida a partir de fora, mas a criatividade da vossa própria forma em mudança…



"Aceitai a realidade e a vitalidade e a verdade do vosso próprio ser. Afirmo-vos não ser, na verdade, pecado nenhum negar um deus, mas ser, em termos diferentes, um crime negar a vossa própria realidade. Porque quando a negais, então os deuses deixam de fazer qualquer sentido. Apenas pela compreensão e sentimento da vossa própria vitalidade podereis vislumbrar a realidade dos deuses.



SESSÃO 81, 26 DE Agosto de 1964


“… A oração foi extremamente bem-sucedida na capacitação das pessoas no sentido de manipularem a matéria por meio do uso das capacidades psíquicas.


Contudo, o conceito de Deus é verdadeiro e não é. Mitos e símbolos acham-se muita vez mais próximos da realidade do que os chamados factos concretos, já que estes constituem muitas vezes distorções dos sentidos externos.


Contudo, tais distorções constituem armações necessárias à existência do eu interno no universo material. Uma vez mais, pois, até mesmo os factos concretos são verdadeiros e não são verdadeiros. Por conseguinte, uma mente aberta, ou um espírito aberto, deve ser suficientemente amplo para comportar espaço para o que poderá parecer um drama totalmente oposto. Uma vez mais, mitos e símbolos muitas vezes aproximam-se mais da realidade do que os chamados factos concretos. Isso é verdade. Mas os chamados factos concretos, que podem parecer opor-se a mitos e símbolos, não representam necessariamente falsos, uma vez que podem representar distorções necessárias sem as quais o ser interno não conseguiria sobreviver no universo material.


Eu decidi enfrentar isso até certo ponto, aqui e agora. O mito de Deus, conforme referido na teologia Cristã, é muito claramente encarado pelo adolescente inteligente como tendo evoluído e sofrido mudanças desde o Antigo até ao Novo Testamento. Até mesmo o adolescente maduro no seu âmbito mental e emocional sabe que nenhuma divindade masculina, nenhum indivíduo com super poderes existe em algum isolado céu onde se ocupe pessoalmente dos assuntos mais íntimos dos homens, ratos, mosquitos e pardais.


Por um lado, o adolescente desvia-se do domínio tanto de mãe como de pai. Por outro, esta é uma era espacial, para vós. Situar-se-á o céu em Marte ou Vénus? Quantas estrelas irá o homem explorar antes de descobrir esse céu arcaico?


Para o inteligente até mesmo o simbolismo da crucificação é repugnante. Contudo, isso significará que tal crucificação não tenha ocorrido? Pode não ter ocorrido num local e determinado momento, a alguém chamado Cristo; mas, devido a que o homem tenha criado o mito, ele criou a crucificação com base na própria necessidade que tinha; e tal crucificação, que historicamente não ocorreu tal como o mito refere ter ocorrido, mesmo assim possui tanta realidade – ou mais – do que se tivesse existido, caso se tivesse verificado com base no facto concreto.


Assim, o adulto inteligente sabe, agora – não saberá mesmo? – que nenhum indivíduo na qualidade de ser superior existe como Deus num qualquer céu, a ameaçar com o inferno os pecadores e os descrentes. Por diversas razões, a ideia não faz sentido lógico. Tu nunca acreditaste emocionalmente nele. A Jane acreditou. Portanto, o facto concreto pareceria ser o de que não existe nenhum Deus. Pareceria ser um ponto de partida. Ou acreditam no mito ou acreditam no que parecerá ser facto concreto.


O facto concreto, para as mentes inteligentes deverá ser o de que não exista nenhum Deus. O mito insiste em que existe um Deus, e o homem inteligente depara-se com um dilema que não tem inteligência para o homem menos inteligente Isso é mera coincidência. O facto está em que o mito aproxima-se muito mais da realidade do que o facto. O mito representa a tentativa do homem de compreender os factos que precisa distorcer na existência que leva no plano material. E ele precisa distorcê-los simplesmente por no plano material necessitar de um meio de focar as suas capacidades que não permita que o alcance mais amplo do foco que exerce opere. Esse foco, que já tive ocasião de mencionar antes, foi eleito por ele para satisfazer as circunstâncias da sua existência.


Ora bem, a oração habilitou certa vez o homem inteligente a concentrar as suas capacidades psíquicas, devido a que o facto concreto, tido como certo por toda a civilização ocidental, ter representado a crença num tal Deus. O chamado facto concreto mudou. A verdade por detrás do mito ainda subsiste. A humanidade tem estado absorta em sonhos de um Deus semelhante a si própria, à excepção de o considerar superior e de possuir as mais elevadas qualidades que o homem admira em si.


O mito de Deus ajuda-os a conceder aos seus instintos ditos superiores uma objectividade, e o conceito de Deus representou e ainda representa um elo com o Eu interno. Bom, no que diz respeitos aos factos concretos, não existe Deus nenhum conforme a humanidade o imaginou, mas ainda assim Deus certa vez existiu conforme a humanidade o imaginou. (A jane sorriu) O que Ele representa agora é o que as religiões pensam que seja. Contudo, outrora Ele terá sido aquilo que Ele represente agora. Porque de facto Ele evoluiu e não se achava completo, mas representava uma suprema vontade do ser desde o começo.


Ele não é humano, para o referir nos vossos termos, embora tenha atravessado estágios humanos; aqui, o mito budista aproxima-se mais da realidade mais próxima. Ele não é um indivíduo, nos vossos termos, mas uma gestalt psíquica, uma gestalt de energia. (NT: Configuração na forma, como um dos seus atributos) Se te recordares do que referi acerca da forma como o universo se expande, que nada tem que ver com espaço, então conseguirás porventura perceber, embora de forma vaga, a existência de uma pirâmide psíquica composta por consciência interrelacionada e em constante expansão, que cria em simultâneo e instantaneamente universos e indivíduos dotados do dom das perspectivas pessoais, de duração, de inteligência, de compreensão psíquica e de eterna validade.

É isso que o conceito que fazem de Deus insinua.


Bom, tal gestalt psíquica absoluta e instantânea, que se acha em constante expansão a que poderão chamar Deus, caso o preferirem, acha-se de tal modo segura da Sua existência agora, que se pode decompor a si mesma, e voltar a reconstruir. A energia que possui é de tal modo inacreditável, que forma de verdade todos os universos; e por a Sua energia se achar contida e por detrás de todos os universos, de todos os planos e de todos os campos, Ele tem efectivamente consciência de todo o pardal que cai morto, por ser todo o pardal que cai morto.


Isso não nega o livre-arbítrio do homem, que se acha de facto mal-interpretado. Essa energia suprema luta efectivamente pela existência seja em que forma for em que se apresente; e justiça – para vossa edificação – constitui apenas um termo humano quando muito míope. Fariam bem em recordar isso.

Procuro transmitir-lhes a verdade, e este material será porventura o mais importante até à data, por a sua compreensão facultar ao homem inteligente a possibilidade de se valer de energias e capacidades certa vez utilizadas na oração. A oração é agora evitada. Porquê orar, se não existe ninguém para ouvir?


A oração comporta em si a sua própria resposta, e conquanto não exista nenhum Deus Pai de cabelos brancos, amável a escutar, então existe em vez disso a energia inicial em constante expansão que forma tudo quanto existe e de que todo ser humano faz parte. Essa gestalt poderá parecer-lhes impessoal, mas dado que a Sua energia dá forma à pessoa que são, como poderá isso ser? Se preferirem chamar a essa gestalt psíquica suprema e absoluta Deus, então não deverão tentar objectivá-la em termos materiais, por ela representar o núcleo das vossas células e ser mais íntima do que a vossa respiração.


Eu sei disto e nada mais – Ele não é humano. Ele não é “ele,” caso o imaginem em termos de sexo. Tão pouco é “ela.” Tais distinções e designações são arbitrárias e têm cabimento somente na vossa área. Ele é individual nos termos da concentração de múltiplas energias numa só; e de facto existe uma personalidade infinita, mas constitui uma gestalt.


(NT: Gestalt refere o facto de não se poder conhecer o todo através das suas partes, mas antes as partes por meio do conjunto. Refere que a forma possui duas características: a subjectiva, que impregna as impressões sensíveis com que formamos as ideias e as visões do ser e do mundo, e a objectiva, que decorre das impressões dos sentidos.)
 

Não exista, pois, nenhum verdadeiro começo nem fim, por nos estarmos a referir nos termos de uma expansão que nada tem que ver com o espaço ou o tempo, uma evolução em dimensões com as quais vós e o vosso género nem sequer ainda sonhou. À medida que uma ideia se expande e altera um mundo sem ocupar qualquer espaço e sem ser percebida pelos vossos instrumentos científicos, também a derradeira e absoluta gestalt instantânea a que poderão optar por chamar Deus, existe e expande-Se. 


Há quem refira que tal conceito represente uma evasiva da realidade. Contudo, esses seguem os seus sentidos externos de uma forma servil. Eles ignoram e temem a realidade interior, assim como as ideias internas e sonhos que efectivamente moldaram a realidade de que tanto se orgulham.

É verdade que os voos por tais domínios tão indisciplinados e histéricos podem ser perigosos, pelo menos a curto-prazo; porém, uma busca disciplinada, equilibrada, curiosa e baseada numa mente aberta conduzirá à realização pessoal e constituirá a forma de libertarem a energia inata inibida, orientada para fins construtivos.


Abordarei numa outra altura o mito da crucificação e do forte elemento de verdade que encerra.



ACERCA DA ENTIDADE DO CRISTO
SESSÃO APAGADA 9 DE JANEIRO DE 1978 9:33 DA NOITE, SEGUNDA-FEIRA

Boa noite.

("Boa noite, Seth.")

Bom, a mensagem da entidade do Cristo foi, em termos religiosos. “Vocês são todos filhos de Deus – tanto o pecador como o santo.” Deveras, de acordo com a tese inicial do Cristo, conquanto o homem pudesse pecar, ninguém era identificado como pecador. O homem não era identificado com os seus fracassos nem limitações, mas em vez disso com o seu potencial.

A entidade do Cristo conhecia a vitalidade, o poder e a força dos mitos. A vitalidade permite diferentes leituras, claro está, mas por meio do desenvolvimento em mudança do homem ele interpreta os mitos diferentemente, contudo, eles servem de recipientes para o conhecimento intuitivo.

A tese do Cristo foi inserida na tradição Judaica que lidava fortemente com a culpa, e a nova tese destinava-se a serenar essa tradição, e a estender-se além. Em vez disso, enquanto carregava as crenças no potencial do homem, o Cristianismo sufocou a tese sob os escombros da velha culpa.

A culpa pode ser usada para manipular as pessoas, claro está, e constitui óptimo instrumento nas mãos dos governos, da religião, da ciência, ou de qualquer outra vasta organização que pretenda reter o poder que tem.

Cristo lidou com mitos, uma vez mais, potentes mitos que representavam realidades internas. O Cristo envolveu essas realidades em histórias coloridas voltadas para a compreensão das pessoas. Eu estou a fazer aqui uso do termo “Cristo” como uma pessoa a bem da conversa, por essa entidade ter tocado muitas vidas, cada uma das quais saltou para um tipo de super realidade ao representar jubilosamente a parte que lhe cabia no drama religioso.

(Quando estava justamente para perguntar…)

A mensagem era: “Não se condenem nem aos outros,” por o Cristo estar bem ciente que a condenação pessoal hipócrita ou dos vizinhos servia para escurecer a porta por intermédio da qual o homem poderia ver o próprio potencial e a sua fonte grandiosa.

O conceito Cristão do céu mais as suas riquezas, de Deus e das suas recompensas, a própria fonte da natureza – tudo isso nos vossos termos constituía uma estrutura simbólica que descrevia em termos conto de fadas os atributos e as características do âmbito da Estrutura 2 (Astral, Causal e Mental)

Nos nossos termos, Tudo Quanto É existe no âmbito da Estrutura 2 como em qualquer parte, mas esse âmbito da Estrutura 2 representa a fonte da realidade material conhecida. Dele correm todos os factos conhecidos do vosso mundo. O Cristo esperava mostrar que vós sobreviveis à morte fisica e espiritualmente – e que “retornavam” ao Pai no céu.

Mentalidades literais, em busca de evidência comprovativa insistiriam que o próprio corpo físico se ergueria, ou ascenderia, daí as histórias relacionadas e a interpretação equivocada da informação.

“Pede e receberás.” Cristo sabia bem que a afirmação representada uma verdade efectiva, mas os homens que se condenavam e que se consideravam pecadores, não saberiam o que pedir, excepto castigo e alívio da culpa. Consequentemente, ele realçou repetidamente que cada um era um filho de Deus.

Além disso realçou a importância de uma crença infantil, ciente de que a mente do adulto se encontraria apta a questionar: “Como e quando, e de que modo o meu pedido poderá ser atendido?”

A afirmação: “Que a Tua vontade seja feita,” representava uma compreensão psicológica perfeita, porquanto de acordo com os ensinamentos do Cristo conforme originalmente terão sido dispensados, Deus pai representava a fonte ou a matriz do Eu, que por sua própria natureza se encontrava livre da ignorância e da falta de compreensão de qualquer altura, que mais consciente estaria do que o eu conhecido as experiências que lhe satisfariam as esperanças, sonhos e potenciais.

Dessa forma, com a pronúncia das palavras “A Tua vontade seja feita,” o eu podia livrar-se dos seus equívocos, e atrair do âmbito da Estrutura 2 benefícios que de outro modo não estaria suficientemente bem informado para solicitar.

Uma porção de cada um permanece no âmbito da Estrutura 1 (Plano físico) e no âmbito da Estrutura 2 (Planos astrais, grosso modo). Entendam que o âmbito da Estrutura 2 constitui uma estrutura psíquica, espiritual ou mental. No mais profundo dos termos, claro está, não constitui local nenhum. Representa, se quisermos, uma paisagem espiritual de recursos muito mais vastos do que aquele que conhecem. Ele produz o mundo da vossa experiência nesse mundo, e assim constitui igualmente a vossa origem.

“Que a Tua vontade seja feita,” significava “Deixa que siga os ditames superiores da minha natureza interior.” Mesmo sem todas as distorções, essa fórmula resultou em grande medida por séculos. Contudo, o Deus, a fonte, era situado como exterior à natureza, e por fim acabou tornando-se demasiado remoto e a própria história tornou-se desgastada à medida que o homem tentava ligar verdades intuitivas ao facto objectivo.

(10:06) Dá-nos um instante.

Ser um filho de Deus significava confiar na vossa própria dignidade. Podiam admitir fracassos, transgressões de um ou de outro tipo sem se identificarem, digamos, com o fracasso. O filho de Deus encontraria automaticamente a salvação, e todos eram filhos de Deus.

Quando o Cristo enunciou: “Acreditem em mim, e serão salvos,” ele referia-se: “acreditem na relação que têm com Deus, e que são filhos d’Ele, tal como eu, e decerto que serão salvos.” Uma vez mais, ele falava em termos religiosos, por esses serem os termos empregues na altura.

Esse conhecimento, todavia, na inata bondade de si mesmo literalmente confere ao indivíduo o suporte interior necessário para o exercício dos plenos potenciais do homem. Em termos civis e de governação, uma tal política não poderia ser tolerada nem tão pouco tinha o homem ainda aprendido como lidar com esse princípio básico.

É quase automático, por exemplo, rotular um indivíduo de assassino e identificá-lo com o crime cometido. A sociedade nunca chegou a um acordo com as vastas complicações inerentes aos ensinamentos de Cristo, e assim abandonou-os. A maior espontânea exuberância no homem jamais lhe permitiu o resultado desse vasto alcance.

Quererás descansar os dedos?

("Não.")

Ambos vocês irritaram-se contra as crenças do vosso tempo, do homem constituir um agressor natural, e se achar maculado desde o nascimento, e de se achar amaldiçoado pela sua própria natureza, condenado pelos antecedentes da sua infância, pelo pecado capital, ou pelos seus genes. Ao mesmo tempo também foram maculados por essas crenças, e pareciam ver provas delas por onde quer que olhassem em dentro de vós, ou fora no mundo dos vossos semelhantes.

Cada uma carregava o peso dessa condenação pessoal. Dificilmente se poderá considerar a Jane como excepcional pelas dificuldades físicas que passa, e no geral as vossas vidas e trabalho falam mais pelo potencial da personalidade que das carências da personalidade. Estabeleçam por vós próprios um objectivo de colocar de lado todas as crenças e distorções para vós e para os demais.

Bom; individualmente foram além as crenças da família, ao buscarem por vós próprios e ao tentarem as diversas vias. Realizaram a façanha bastante difícil, em determinados termos, de se procurarem um ao outro, de modo que cada um tivesse um companheiro que os ajudasse nas buscas – e tentaram pelo melhor que lhes era dado saber encorajar-se mutuamente. Ainda se viram atormentados pelos resquícios da auto reprovação e da auto condenação, contudo, ainda assim o eu espontâneo em cada um de vós conseguiu forçar aqui ou ali e resplandecer sempre que lhe dessem uma hipótese, com alguns excelentes resultados.

Eu sempre tenho que exprimir o meu material para vós pessoalmente sempre à frente (de forma enfática) da situação em que se encontram em determinado momento. No geral, contudo, o impulso principal do material sempre permaneceu, claro está, muito à frente da vossa posição, para falar em termos práticos, em qualquer altura.

Nos termos das vossas vidas, são capazes de utilizar determinadas porções do material em diferentes alturas. Ninguém o poderia colocar numa ordem de trabalhos a um só tempo e numa dada vida. A Jane então usou e desfrutou da espontaneidade que tinha vindo a desenvolver ao longo das linhas da compreensão que tinha. Não é, conforme poderá parecer, que ele possuísse algo de espontâneo e que o tenha perdido.

(10:28.) Dá-nos um instante.

A espontaneidade possui a sua própria ordem, e atinge a ordem de forma franca. Há anos atrás, antes da experiência psíquica, ela não se achava, por exemplo, psiquicamente espontânea em nenhuma medida significativa. Ela usou a escrita dela para se privar e ainda assim abranger o seu conhecimento psíquico inato. Ela reprovou a dança dela, e por vezes mesmo os seus anseios sexuais. Ora bem, essas reprovações simplesmente amontoaram-se, e resultaram em dificuldades físicas. Ao longo dos anos começaria a aprovar a espontaneidade mais uma área de espontaneidade nas aulas que deu, por exemplo, ou na poesia Sumari, ou ao aprovar por fim os próprios escritos psíquicos.

Contudo, a reprovação achava-se presente; todavia, vez por outra ao longo dos anos passaria por um período de alívio, de um súbito à-vontade e de uma melhoria física súbita – de cada vez que suspendia a auto reprovação e quando pelas tuas próprias razões começaste a suspender a tua própria.

A situação e a fé que conseguiram erguer no âmbito da Estrutura 2 vieram em vossa ajuda.

Os exercícios de entoação do “Om” e os exercícios das Runas constituem resultados demonstrativos por algum do material ter procedido das sessões, e estarem em conjunto a suspenderem os vossos exercícios de auto reprovação. Em termos religiosos, teriam percebidos terem sido salvos, ou que são filhos de Deus.

Em certo grau deixaram de se identificar com quaisquer limitações. E quando isso sucede, estão simbolicamente a dizer: “Que a Tua vontade seja feita,” querendo com isso dizer: “Que a minha natureza maior, que a minha natureza espontânea corra através de mim sem impedimentos, e sem subterfúgios.”

Então, os benefícios do âmbito da Estrutura 2 poderão começar a correr sem impedimentos. O corpo pode-se corrigir a ele próprio, e os métodos que usarem resultarão. Queres descansar a mão?

("Não, eu estou bem.")

(“Os olhos da Jane tinham vindo em definitivo a melhorar nestes últimos dias, à medida que a tensão tinha vindo a sofrer um alívio do resto do corpo – a área do pescoço em particular, as mandíbulas e os músculos da testa. Quase todas as dificuldades oculares se acham relacionadas a outras formas de tensão no corpo.

(“Eu devia ter perguntado ao Seth o que é que queria dizer com “quase”.)

A Jane tem razão: a sua visão sofreu flutuações ao longo dos anos, e em períodos de alívio mental, de compreensão e de melhorias físicas, a sua visão também melhora. Ambos ficaram bastante deprimidos, ao pensarem em termos de tempo e ao se concentrarem nos fracassos do passado, com os quais se identificaram. As notas que a jane redigiu ontem são de extrema importância, e enfatizam o meu velho “o eu espontâneo é o guarda,” e acrescentou a isso “de que a vossa própria vida floresce.”

Vocês poderão querer que a vossa espontaneidade se expresse a si mesma do mesmo modo que poderão querer que não o faça. Diz à Jane que se ela continuar desta maneira, e que se ambos vós conseguirdes manter a vossa paz de espírito o suficiente – por um período de dois ou três dias, por exemplo, então poderão esperar recompensas em todas as áreas. As chaves internas foram giradas uma vez mais.

(“A esta altura o material de Seth surgiu com relação ao uso da vontade, creio bem, em resultado de algum material mais antigo que tinha dado a ler à Jane esta tarde. Dizia respeito aos espantosos poderes da vontade dela, e foi retirado à sessão 713, Volume do Unknown Reality. Acontece que essa é a sessão desse livro em que me encontro actualmente a trabalhar. Recomendo que fosse tida habitualmente em mente e que referida com frequência, por decerto conter muitas pistas para as capacidades do indivíduo.”)

(10:45.) Bom, endereço-vos um caloroso e encorajador cumprimento de boa-noite.

("Posso fazer uma pergunta?")

Podes.

(“Isto apresenta-se um tanto fora de contexto, mas o material relativo ao Cristo que dispensaste lembra-me um carta que recebemos da parte de uma jovem não há muito tempo. Ela queria saber o que realmente terá acontecido ao Cristo, e se ele terá sido crucificado.”)

Dá-nos um instante…

Essa questão torna-se difícil de responder no contexto mais amplo.

(Olhos fechados:) Existiram diversos indivíduos que juntos compuseram as proezas da história do Cristo – façanhas que ocorreram apenas grosso modo no período de trinta e três anos referido (Para a vida de Cristo)

Um indivíduo foi crucificado, mas ele não era aquele que compunha a entidade do cristo. Compreenderão que as histórias que lhes chegam contêm elaborações e meias-verdades de cujas verdades as podem convencer as pessoas. Nenhum daqueles que compunha a entidade do Cristo foi crucificado. Cada um deles morreu – um deles, creio bem, na Índia.

As pessoas não entendem que os seus sonhos se tornam realidade, e que os grandiosos dramas da história e mitos frequentemente apresentam muito pouca semelhança com as ocorrências actuais, mas são mais vastos que os acontecimentos físicos. Fim da sessão.

(Com um bom-humor altissonante:) Vocês receberão pequenos fragmentos vez por outra.

("Está bem. Obrigado, Seth.”)




Sem comentários:

Enviar um comentário