sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A ELABORAÇÃO DA REALIDADE PESSOAL


(The Nature of Personal Reality)

Introdução de Seth

Tradução: Amadeu António


A experiência é o produto da mente, do espírito, dos pensamentos e dos sentimentos conscientes, assim como dos pensamentos e sentimentos inconscientes. Juntos, formam a realidade que constatais. Assim, pois, dificilmente vos encontrareis à mercê de uma realidade que existe aparte de vós próprios ou que vos seja imposta. Achais-vos de tal modo intimamente ligados aos acontecimentos físicos que compõem a vossa experiência que com frequência não conseguis distinguir por entre as ocorrências aparentemente mais reais os pensamentos, as expectativas e desejos que lhes tenham dado origem.


Se os pensamentos mais íntimos que tendes contêm fortes características negativas presentes, se eles na verdade formam barreiras entre vós e uma vida mais plena, frequentemente continuais a olhar por entre essas barreiras sem as ver. Até que se tornem conhecidas, permanecerão um impedimento. Mas até mesmo os obstáculos têm razão para existir.


Se têm que ver convosco, então compete-vos a vós reconhece-los e descobrir as circunstâncias que se mantêm por detrás da sua existência. Os vossos pensamentos conscientes podem representar enormes pistas no processo de desvendar tais obstruções.


Não vos achais familiarizados com os vossos próprios pensamentos quanto podereis imaginar. Eles podem escapar-se-vos das mãos à semelhança de água por entre os dedos, e arrastar consigo nutrientes importantes que se espalham ao longo da paisagem da vossa psique carregando com demasiada frequência os resíduos e a lama que vos obstruem os canais da experiência e da criatividade.


Um exame dos vossos pensamentos conscientes dir-vos-á muito acerca do estado da vossa mente interior, das vossas intenções e expectativas, e com frequência levar-vos-á a um confronto directo com desafios e problemas. Os vossos pensamentos estudados deixar-vos-ão perceber para onde vos conduzis e apontam com nitidez para a natureza dos eventos psíquicos.


Aquilo que existe em termos físicos, existe antes de mais no pensamento e no sentimento. Não existe outra regra.


Possuís a mente consciente por uma boa razão. Não vos achais à mercê de pulsões inconscientes a menos que conscientemente consintam com elas. Os vossos presentes pensamentos e expectativas sempre poderão ser usados para comprovar o vosso progresso. Se a experiência por que estiverdes a passar não vos agradar então precisareis alterar a natureza dos vossos pensamentos e expectativas conscientes. Precisais alterar o tipo de mensagens que emitis, por meio dos pensamentos que tendes, para com o vosso próprio corpo, e para com os amigos a colaboradores.


Cada pensamento acarreta um resultado, tal como o entendeis. O mesmo tipo de pensamento, repetido com habitualidade, parecerá ter um efeito mais ou menos permanente. Se esse tipo vos agradar, então raramente examinareis o pensamento. Mas se vos virdes acossados de dificuldades físicas, contudo, então começais a questionar o que estará errado.


Por vezes culpais os outros, o vosso próprio passado, ou uma vida anterior – caso aceiteis a reencarnação. Podeis responsabilizar Deus ou o diabo por tal coisa, ou simplesmente dizer: “É a vida”, e aceitar a experiência negativa como uma porção necessária da vossa sorte. Podereis por fim chegar a um meio entendimento sobre a natureza da realidade e lamentar-vos: “Acredito ter provocado esses efeitos negativos, mas sinto-me incapaz de reverter a situação.”


Se tal for o caso, então independentemente do que tiverdes dito a vós próprios até ao momento, ainda não acreditais ser o causador da vossa própria experiência. Tão logo reconheçais tal facto passareis de imediato a poder alterar aquelas condições que vos provocam consternação ou insatisfação.


Ninguém vos força a pensar de um determinado modo. No passado podeis ter aprendido a considerar as coisas de uma forma pessimista a ter acreditado que o pessimismo seja mais realista do que o optimismo. Podeis mesmo supor, como muita gente faz, que o sofrimento enobreça e constitua um sinal de profunda espiritualidade, uma marca de excepção, uma disposição mental necessária aos santos e aos poetas. Mas nada mais poderia estar afastado da verdade.


Toda a consciência comporta no seu íntimo todo o ímpeto insondável no sentido da utilização plena das suas faculdades e da expansão das capacidades que tem, e no sentido da aventura jubilosa para além das barreiras aparentes da sua própria experiência. A mesma consciência que se encontra nas moléculas mais diminutas clama contra toda a ideia de limitação e anseia por novas formas de experiência. Assim, até os átomos buscam constantemente unir-se sob novas organizações de estrutura e significado, e fazem-no instintivamente.


O homem dotou-se, e fê-lo a si mesmo, com uma mente consciente para dirigir a natureza, a forma e o modo as suas criações. Todas as aspirações profundas e motivações inconscientes, todos os impulsos não expressados emergem para obterem aprovação ou desaprovação da parte da mente consciente, e aguardar a sua orientação. Só quando abdica das suas funções é que se permite ser seduzida pela “experiência negativa”. Somente quando recusa a responsabilidade se descobre por fim à mercê de eventos sobre os quais parecerá não ter controlo.


Os livros que abordam a temática do “pensamento positivo”, ainda que por vezes sejam benéficos, geralmente não levam em consideração a natureza habitual dos sentimentos negativos, agressões ou repressões. Muitas vezes esses são simplesmente atirados para baixo do tapete. Os autores de tais livros dizem-vos para serdes positivos, compassivos, fortes, optimistas, repletos de entusiasmo e alegria, sem vos dizerem o que fazer para sairdes do dilema ou apuro em que podereis encontrar-vos, e sem compreenderdes o ciclo viciosos que parece prender-vos. Tais livros, uma vez mais, conquanto por vezes apresentem valor, não explicam como os pensamentos e as emoções dão origem à realidade. Não levam em consideração os aspectos multidimensionais do ser nem o facto de que em última instância cada personalidade, enquanto segue leis generalizadas definidas, precisa ainda descobrir e seguir o seu caminho de adaptação delas às circunstâncias pessoais.


Se não gozardes de muita saúde, sempre o podereis remediar. Se as vossas relações pessoais não se mostrarem muito satisfatórias, podeis melhorá-las. Se vos encontrardes na pobreza, podereis em vez disso ver-vos rodeados de abundância. Quer o percebais quer não, haveis buscado o vosso curso actual com determinação, pela utilização de vários recursos e movidos por fins ou razões que a certa altura fizeram sentido para vós. Podereis dizer: “A falta de saúde não faz sentido para mim,” ou, “uma relação rompida com o meu companheiro/a dificilmente corresponderia àquilo por que ansiava,” ou “certamente que não corri atrás da pobreza após todo o trabalho duo por que passei.”


Se nascestes pobres ou enfermos, então certamente que vos parecerá que tais circunstâncias vos tenham sido impostas. No entanto não foram, e de um modo ou de outro podem ser mudadas para melhor. Isso não significa que não se requeira um esforço e determinação. Quer dizer que não sois impotentes para mudardes os acontecimentos e que cada um de vós, independentemente da posição que ocupar, ou circunstâncias ou condição física está no controlo da sua própria experiência pessoal. 


Constatais e sentis aquilo que esperais ver e sentir. O mundo conforme o conheceis constitui um retracto das expectativas que abrigais. O mundo conforme a raça o conhece consiste na materialização em massa das vossas expectativas individuais. Assim como as crianças procedem dos vossos tecidos físicos, também o mundo consiste na vossa criação conjunta.


Eu escrevo este livro para ajudar cada indivíduo a resolver os próprios problemas pessoais. Espero fazer isso mostrando-vos exactamente o meio por intermédio do qual formais a vossa própria realidade, e explicando as maneiras por meio das quais podereis alterá-los com vantagem.


A existência dos chamados pensamentos e sentimentos negativos não serão encobertos, mas tampouco a capacidade que tendes de lidar com eles, por se acharem sob o vosso controlo São métodos para utilizar como um trampolim para a criatividade. Em nenhum momento vos será pedido que os reprimais ou os ignoreis. Sr-evos-á mostrado como reconhece-los na vossa experiência e como descobrir quais terão obtido a vossa permissão para vos escapar, assim como tratar aqueles que parecem estar fora do vosso controlo.


Os métodos que irei resumir exigirão concentração e esforço. Também constituirão um desafio para vós, e irão trazer à vossa vida uma expansão e alteração da consciência mais gratificantes. Não sou uma personalidade física. Contudo, basicamente tampouco o sois vós. A experiência que agora fazeis é física. Sois criadores que traduzem a sua expectativa na forma física. O mundo presta-se-vos como um ponto de referência. A aparência exterior constitui uma réplica do vosso desejo interior. 


Podeis alterar o vosso mundo pessoal; já o estais a alterar sem o saberdes. Só precisais usar a vossa capacidade de uma forma consciente para examinardes a natureza dos pensamentos e sentimentos que tendes e projectardes aqueles com que basicamente vos achardes em conformidade. Eles aglutinam-se nos eventos com que vos encontrardes intimamente familiarizados. Espero ensinar-vos métodos que vos permitam compreender a natureza da vossa própria realidade, e indicar um caminho que vos permita mudar essa realidade da forma que escolherdes.


O livro explicará a forma com a realidade pessoal é formada, dando uma ênfase acentuada aos modos de mudar os aspectos desfavoráveis da experiência individual. Evitará, conforme o espero, os atributos demasiado optimistas de muitos livros de auto ajuda e provocará no leitor um desejo entusiasta de compreensão das características da realidade ainda que unicamente para resolver os seus problemas. Os métodos aqui apontados são altamente práticos e viáveis, e encontram-se ao alcance da capacidade de qualquer pessoa genuinamente preocupada com os problemas inerentes à natureza da existência humana.


Será realçado que toda e qualquer cura constitui o resultado da aceitação de um facto básico: o de que a matéria é formada por aquelas qualidades interiores que lhe conferem vitalidade, que a estrutura obedece à expectativa, que a matéria em qualquer altura pode ser completamente mudada pela aceitação das faculdades criativas inerentes a toda a consciência.

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