quinta-feira, 12 de novembro de 2015

AUTOSSABOTAGEM




Já aprenderam a libertar o medo pela transformação e a erguer uma expectativa de uma forma magica. Ao logo do nosso trabalho conjunto descobriram como libertar-se do ciúme e da inveja. Mas também aprenderam isso com frequência pela criação de uma aliança com a fúria. E ao longo de tudo isso, sim através de tudo isso desenvolveram o empenho e a autenticidade, o esclarecimento, uma coragem, uma perseverança que se traduz por todo um compromisso. Compromisso esse que foi expandido, estendido com convicção, coerência e aceitação pessoal. E embora haja mais a aprender e a descobrir, sempre haverá. Do mesmo modo que há uma maior consciência a alcançar. Pelo que é altura de examinarmos o que pode minar tudo quanto tenham criado; aquilo que pode corroer a própria fundação do vosso recém-descoberto compromisso. É tempo de examinarmos a autossabotagem, e para além de a examinarmos, é tempo de transformarmos essa pesada e frequentemente obstinada energia numa outra coisa, numa coisa mais profunda.


Ao longo do caminho que trilham da metafísica e da espiritualidade, por entre essa vossa jornada de desenvolvimento e de mudança, independentemente do quão novo ou experiente possa ser, vocês desenvolveram-se e mudaram em muitos aspectos; aprenderam a criar sucesso, ou a abraçá-lo ou a aumentá-lo, e ao longo do percurso aprenderam igualmente a lidar com o fracasso. Aprenderam a aceitar, a compreender, a reunir as dádivas e os tesouros, aprenderam a mitigar.


Compreendemos que a autossabotagem constitui uma forma de fracasso, só ao seu jeito, permanece aparte e é único e possui um ambiente próprio e condicionamento que leva a ser como é. Permanece numa categoria própria, envolto no mistério e na ameaça, de uma forma quiçá diferente, como uma ameaça que se apresenta mais sinistra tanto mais que no vosso mundo há quem se mostre relutante ou chegue mesmo a hesitar lidar com o fracasso. Mas seja como for, haverão de lidar com ele, toda a gente o faz, conforme muitos se permitiram envolver com a autossabotagem, embora pensem não envolver. Mas eventualmente ela irá envolver-se com eles.


Nesta última década, à medida que o controlo do passado renunciou a favor da influência do futuro, à medida que a aderência do passado abrandou a garra que exercia, progressivamente, à medida que abandonam o passado, a ameaça da autossabotagem alcança maior importância no trato. À medida que o passado é soltado e o futuro tende a exercer influência, à medida que soltam a tendência do passado e voltam a vossa atenção – mudam a vossa intenção ou foco – para o futuro, a ameaça da autossabotagem adquire maior importância no trato. Além disso gente, após a abertura do vórtice de Sírio, após a abertura do vórtice de deusa que se verificou a 23 de Abril, que está para abrir-se de novo a 23 de Julho e à medida que se abrir subsequentemente a cada 23 de Julho a ameaça da autossabotagem assume uma maior importância no trato.


Torna-se pois, fundamental tratar da autossabotagem. À medida que a capacidade que têm de amar e de ser amados aumenta, também o mesmo se passa com relação ao receio da perda. O fenómeno do amor é único; quanto mais amarem mais os outros receios tenderão a diminuir, à excepção do medo da perda. Quanto mais amarem mais serão amados – e mais receosos poderão tornar-se quanto à perda desse amor – o que agora passa a ter um maior valor, pelo que terão algo ainda mais precioso, algo que prezam mais e que não querem perder, e cujo receio de perderem os deixa aterrados. Há maneiras de lidarem com esse medo crescente da perda mas torna-se importante que compreendam que, quando amam e são amados, e quando esse amor e ser amado aumenta, também o mesmo acontece com o medo de o perderem. Mas traduzamos isso; da mesma forma que a capacidade que têm de ser bem-sucedidos e de criar o vosso sonho aumenta, na medida em que a própria presença do sonho sofre um incremento, não só a capacidade que têm de ser bem-sucedidos e de sonhar mas efectivamente a capacidade de viverem esse sonho, à medida que o sonho de desdobra, à medida que a sua presença aumenta, junto com a habilidade que têm de obter êxito e de criar tal sonho, também a potencial ameaça e o possível dano da autossabotagem também sofre um incremento.


FRACASSO


Quando tradicionalmente fracassavam numa realidade em que o sucesso se apresentava de forma intermitente e em que viviam mais ou menos sonhavam e mais ou menos viviam um sonho, essas ameaças potenciais e possíveis danos decorrentes do fracasso tradicional revelavam-se significativos; mas agora que se veem capazes de obter êxito de uma forma grandiosa e mais significativa, agora que são capazes de criar um sonho e de viver esse sonho a potencial e os possíveis danos, não do fracasso tradicional mas da autossabotagem, subitamente sofrem um incremento, pelo que se torna importante, imperativo tratar -- não só da autossabotagem tradicional mas dos fracassos decorrentes da autossabotagem.


O PESO DO FUTURO


Em segundo lugar, vocês sabem como lidar com o passado; despenderam décadas, através da compreensão psicológica, formal ou informal, através dos inúmeros livros que leram acerca de matérias de auto ajuda, desde o auto aperfeiçoamento e o potencial humano, que encontravam nas secções do oculto ou da psicologia das livrarias, até aos manuais subordinados ao tema do "como conseguir," em que tanto leram com respeito ao enfrentar do passado ao longo da jornada que empreendem de desenvolvimento e de mudança, ao longo do vosso caminho de metafísica e de espiritualidade. Todas essas diferentes vias lidavam com o passado, e ao longo das décadas, seja uma, duas ou mais, com que se envolveram com o vosso crescimento, aprenderam a lidar com o passado. Mas agora precisam lidar com o futuro.


Quando surge um problema, poderão chegar às boas com a criança ou o adolescente em vós, enfrentar o ego, poderão considerar as congéneres do pai e da mãe em vós, poderão esquadrinhar a vossa infância em busca de acontecimentos e de circunstâncias que possam trair ou sugerir os padrões, crenças, programas, modelos de comportamento, mas saberão como enfrentar o futuro? Sabem como sondar e  esquadrinhar o futuro em função do que possa tornar-se, só que há tantos. Existe somente um passado -- ou não o digam a vós próprios! -- e torna-se fácil, embora tenham despendido muitas décadas a aprender a enfrentá-lo, mas como aprender a enfrentar o futuro? Pois bem, esse é o desafio inerente à metafísica e à espiritualidade, não será? Um desafio que vós e nós juntos procuramos satisfazer e a que procuramos dar a volta.


É um desafio a que a psicologia tradicional poderá ou não responder, por terem que ver o que criam aí, mas a questão está em que sabem como enfrentar o passado, sabem como trabalhar com ele, mas na maior parte dos casos o passado constitui uma fonte de fracasso tradicional, é de onde o fracasso tradicional procede. Quando examinam a vossa realidade e falham de forma tradicional, isso é muita vez encontrado no passado. Costumava ser o passado a prendê-los, agora são vocês a prender o passado, mas o fracasso tradicional encontra o seu manancial no passado. Mas vocês não sabem como enfrentar o futuro, que representa o manancial da autossabotagem.


A autossabotagem acha-se com mais frequência do que o contrário enraizada no futuro e não no passado. O fracasso tradicional acha-se enraizado no passado, a autossabotagem acha-se enraizada no futuro. Sabem como enfrentar o passado assim como sabem como lidar com o fracasso tradicional mas não sabem como lidar com o futuro, por conseguinte realmente não sabem como enfrentar a autossabotagem, o que não quer dizer que isso responda pela facto de não serem suficientemente espertos nem suficientemente capazes, mas sim pelo facto de não o terem aprendido.


O vosso histórico de criação de fracasso poderá efectivamente sofrer uma melhoria; poderão descobrir uma realidade em que descubram cada vez menos fracassos tradicional, mas ao mesmo tempo, a ameaça da autossabotagem aumenta. Daí que se torne tão importante que aprendam a lidar com ela.


Em terceiro lugar, a prática (o tempo de exercício) terminou; quanta vez não afirmamos isso. Todo o pensamento que têm, todo o sentimento que têm ganha mais impacto, adquire maior sentido e valor e por conseguinte, em muitos aspectos tem uma maior importância do que alguma outra vez. Mesmo apesar da ilusão se tornar mais e mais numa ilusão, para muita gente, será sentido como cada vez mais real. O tempo do treino acabou; tudo conta agora, tudo tem importância. Os vossos aspectos obscuros não se encontram em jogo, ou se se encontram, não passam de uma brincadeira de criança. 

O mártir em vós tirou as luvas, e a autocomiseração em vós carregou a pistola; não estão a disparar aos pratos nem é somente ruídos ensurdecedores que deflagram. Vocês podem sair seriamente prejudicados e infligidos; prejudicados de forma crítica. A pratica terminou, por conseguinte torna-se importante, porventura mais importante não somente enfrentar o fracasso tradicional, sim, sem dúvida, mas ir além disso, e examinar a mortalha, a misteriosa mortalha, a ameaça sinistra e aprender a lidar e a enfrentar com a autossabotagem, por vós próprios, por aqueles que amam, por aqueles por quem se importam, pelo vosso mundo. 


Elaborar o mapa da transformação da autossabotagem num sucesso duradouro, tornou-se efectivamente fundamental. As insinuações e as pistas abundam. Antes desta década começar falamos de um pesadelo potencial ao sugerirmos que um pesadelo de um futuro poderia muito bem ocorrer, e que caberia a cada indivíduo, colectiva e individualmente -- e toda a gente escolherá quer a partir de um pesadelo ou a mediocridade ou com efeito quando postos à margem. Falamos do pesadelo antes que esta década tivesse tido início; falamos de uma ampla disseminação de epidemias que atacariam o sistema endócrino, o sistema linfático, o sistema nervoso, o sistema circulatório, o sistema respiratório e por último o sistema imunitário, e no vosso mundo actual ouvem falar cada vez mais dessas epidemias e de doenças dos velhos tempos como a tuberculose, novas estirpes incuráveis e mortais que são transmitidas pelo ar, de outros tipos de alergias imunitárias e deficiências imunitárias que surgem de forma tão furiosa e rápida que nem sequer conseguem encontrar nomes sofisticados que lhes possam atribuir, doenças mortais que não reagem aos antibióticos, velhos ou novos.


Existe uma epidemia amplamente difundida, não só a ada SIDA, que já é mais que suficiente, mas de todos os tipos. Falamos acerca da rebelião provocada pelo ambiente em que o tempo pareceria atacar -- não só no vosso país mas por todo o mundo -- em que as chuvas não representariam chuvadas mas inundações, e em que os ventos não representariam simples ventos balsâmicos e agradáveis mas ventos que atacariam e destruiriam e que trucidariam tudo à sua passagem; falamos de ondas de calor em que quando fizesse calor seria um calor abrasivo e quando fizesse frio seria um frio de morrer. E falamos do ar, e da água, do fogo e da própria terra que parece tornar-se revoltada e que parece lutar e atacar. E de facto agora ouvem falar do tempo, que costumava ser coberto e andar perdidos pelos noticiários da noite, mas que agora preenchem cabeçalhos de noticiários e muitas vezes sao o termo ezes ss que agora preenchem cabeçalhos de noticido fizesse frio seria um frio deão o factor determinante em tanto do que ocorre pelo vosso mundo.


Falamos de um pesadelo que envolvia evasão, em que as pessoas se retrairiam por qualquer das formas correspondentes aos vícios que tivessem, em fuga, e falamos de um pesadelo que seria representado pela desumanidade, pela desumanidade de homem para com homem, mulher para com mulher, povo contra povo, em que não haveria qualquer consideração pelo corpo humano nessa desumanidade humana. E há tantos indícios, tantas pistas de se encontrarem seriamente a contemplar e de que muitos estejam a aceitar o pesadelo.


Falamos igualmente da mediocridade, da possível mediocridade que se situa algures por entre o pesadelo e o sonho possível, e na mediocridade referimos que uma das primeiras pistas seria assinalada pela perda da compaixão, assim como por uma perda da paixão, em que as labaredas da paixão desapareceriam e em breve a compaixão entorpeceria, diminuiria, evaporaria. E vocês constatam no vosso mundo essa perda da compaixão, essa perda da paixão bastante clara e evidenciada. Falamos das necessidades bem básicas como a sobrevivência e a segurança que para tantos se estão a tornar supremas, se estão a tornar nas únicas necessidades, em que tudo com que as pessoas se preocupam é com a sobrevivência, estar seguro; problemas de pertença, problemas de estima, questão relativas à criação e à produção, questão do foro do conhecido e do foro esotérico, problemas quem após tomarem um banco de trás, bem traseiro onde de facto as únicas necessidades, de sobrevivência e de segurança pareceriam levar as pessoas a sobreviver, a concentrar-se na mediocridade, na depressão e no pessimismo. E dissemos que iria passar a existir uma política de ódio, uma política marcada pela indiferença. 


E agora as pistas e as insinuações abundam, e os potenciais de uma mediocridade tornam-se demasiado evidentes no vosso mundo. Sim, pesadelo, mediocridade, mas também falamos de um sonho. Falamos de um sonho, ironicamente, em que os direitos humanos, a dignidade humana, o valor humano seriam defendidos e erguidos, e se elevariam mais alto no espírito humano; que iria haver uma busca por essa dignidade humana, que iria haver um alongar da busca por um sentido do correcto , por um sentido da bondade, por um sentido de verdade mesmo apesar da inversão da relatividade do relativismo. Que iria imperar uma noção do que seja correcto e do que seja verdadeiro e da bondade e beleza. Que iria haver uma elevação dos direitos humanos e do espírito humano, da dignidade humana e do carácter do homem, da visão e da participação, sem sombra de dúvida. Dissemos que iria dar-se uma cura, que as curas alternativas iriam encontrar um novo folgo, um novo rumo, uma nova dimensão e que iria haver um enorme debate acerca da longevidade, e que independentemente de todos os problemas que imperam no mundo haveria uma busca por essa longevidade, por um certo sentido de imortalidade e de eternidade, rejuvenescimento, revitalização no fortalecimento da energia de cura, e na verdade existe.


Dissemos igualmente que iria dar-se uma infusão de espiritualidade, uma busca de sentido, sim, mas uma busca pela beleza, uma certa noção do inconsciente a tornar-se consciente, um sentido de integração das sombras, um sentido dos desejos a florescer, um sentido do poder inerente a essa energia espiritual e desse sentido da paz e da alegria que tanto fazem parte da beleza e do êxtase que a impregna. Dissemos que essa energia espiritual iria reemergir e nós falamos dessa energia bastante nebulosa chamada energia intermédia conjunta da imaginação e da criatividade, que iriam ser deflagradas e alcançariam uma parceria que desenvolveria um desenrolar. Sim, gente, também muitas pistas e muitas insinuações de um sonho, insinuações e pistas de um sonho, não somente de um pesadelo, não só de uma mediocridade, mas pistas e insinuações de um sonho também abundam. E esse sonho prevalecerá. O sonho prevalecerá.


O vórtice de Sírio, o vórtice da deusa abriu as portas da imaginação, da criatividade, da intuição estão a aumentar exponencialmente. Porções do vosso cérebro que até aqui pareciam ser redundantes ou estar adormecidos; uma porção da hélice dupla entrançada do ADN que até aqui parecia estar revolvido ou numa algaraviada, recebeu e irá cada vez mais receber, acha-se repleta de informação. Porções do vosso cérebro, porções do vosso ADN repletas de informação e repletas de luz – não, não a luz os vossos sentidos sensoriais e lobo occipital conseguem registar – mas a verdadeira luz, a luz real, a luz mais elevada. Essas porções do vosso cérebro, essas porções do vosso ADN, essas porções de cada célula do vosso corpo e de toda a “célula” da consciência do universo receberam e irão receber cada vez mais. Agora á tempo de implementarem, e uma das primeiras implementações consta da transformação da autossabotagem. Transformar a autossabotagem num sucesso duradouro.


Comecemos. Comecemos por examinar a singularidade da sabotagem. Por que razão, porventura, se ainda representa uma forma de fracasso, se apresenta só. Porque para poderem lidar, para poderem tratar, transformar a autossabotagem torna-se importante compreender a singularidade que a caracteriza. Antes de mais, a autossabotagem representa de muitas formas o maior factor de nivelamento. Independentemente do muito ou pouco sucesso que tenham. Ela pode tirar-lhes tanto ou tão pouco desse sucesso num instante. Num instante!


À semelhança do ego negativo, é capaz de destruir-lhes em minutos o que lhes tenha levado anos a construir. Ele não se enquadra nas regras, como o fracasso tradicional o faz. Não obedece às convenções.


No fracasso tradicional há níveis, graus de fracasso, mas em relação à sabotagem, num piscar de olhos tudo se poderá desvanecer; não se esvai passo-a-passo, nem é corroído como tão frequentemente acontece com o fracasso tradicional. Não é algo que seja tirado peça por peça e caso prestem atenção e detenham a avalanche e derem a volta tudo fique bem. Não. A autossabotagem pode tirar-lhes tudo instantaneamente da cabeça aos pés. E aqueles que têm montes de sucesso, 
aqueles que gozam, por exemplo, de um caso tangível de dinheiro, e podem ter muitos milhares de dólares, e se perderem um milhar de dólares e outro e mais outro, aos poucos e com o tempo irão fracassar; ao passo que uma pessoa que possua apenas um milhar de dólares pode passar por isso e estará tudo terminado. Pelo que difere do fracasso tradicional no impacto que causa, ao passo que no caso da sabotagem, não importa que tenham muitos ou poucos milhares – se se autossabotarem em torno de questões mundanas como a do dinheiro, ele poderá desaparecer num instante, num estalido de dedos ele desaparecerá. Independentemente do muito ou do pouco, pode fazer desaparecer tanto ou tão pouco quanto isso num instante – num instante.

Consequentemente, não importa o quanto tenham tido de sucesso no passado, não importa o quanto tenham auferido, ela é o nivelador.

Em segundo lugar; enquanto o fracasso residual deixa-os muita vez com problemas para resolver e problemas que precisam de resolução, e em vários níveis ficam com uma confusão para arrumar, mas se examinarem o fracasso tradicional, após o fracasso se ter dado, ficam com problemas para resolver ou para solucionar, e á uma multiplicidade de bagunças que precisam ser limpas, responsabilidades a assumir, é verdade, mas no caso da autossabotagem, ela muitas vezes deixam-nos na tristeza e com dúvidas em relação a vós, com que precisarão lidar, mas que parecerão não ter solução nem decisão. 

Sim, quando se sabotam ficam também com problemas por resolver e por solucionar, e vários níveis de confusão por pôr em ordem e responsabilidades a assumir, mas no caso da sabotagem de vós próprios acabam a sentir pesar. Ocorrem coisas que não podem ser modificadas nem desfeitas; terão feito coisas que desejariam não ter feito, que não podem alterar nem desfazer. Pesar. E acabam por duvidar de vós próprios e a interrogar-se: “Se consegui sabotar-me deste modo, que mais poderei fazer… de que outra forma poderei fazer isso? Em que outra coisa poderá isso atacar, como se de algum modo fosse independente de mim?” Um espantoso volume de dúvida de vós próprios desse tipo juntamente com a tristeza que parecerá como se não pudesse ser resolvida, como se não houvesse solução para ela. Desse modo tornando a autossabotagem num tipo de fracasso que se destaca do fracasso.

Também é único, gente, por a autossabotagem ser encarada como uma falha. É vista como um defeito. E por isso é recebida com humilhação e vergonha. Vejam bem, nós entendemos que o fracasso não é coisa pouca, evidentemente, mas é aceitável, e é algo de que se diz que pode construir o carácter. O fracasso é encarado como uma mescla, ou uma falta de consciência intelectual, ao passo que a autossabotagem é encarada como uma fraqueza, uma completa estupidez porventura, só que é encarada como uma fraqueza que deveria ou que poderia ter sido evitada. É verdade que muitos fracassos tradicionais deveriam ou poderiam ter sido evitados, mas a autossabotagem na sua totalidade traduz-se por: “Tu devias tê-lo evitado; tu podias tê-lo evitado.” Pouca coisa, se alguma mesmo, poderá ser erguer-se da autossabotagem. 

Com o fracasso tradicional, certo, talvez pudessem tê-lo evitado, talvez não, mas é frequentemente encarado como uma mescla: “Ah, lamento muito; alguma coisa correu mal, calculaste mal, não usaste o intelecto apropriadamente, não viste aquilo, alguma coisa foi… Foi uma mistura de coisas que aconteceu.” Não foi fraqueza nenhuma, entendem? Mas é que a autossabotagem é considerada uma fraqueza, e geralmente procede da ideia de desejarem… não é somente o facto de lhes faltar consciência intelectual, mas é que são estúpidos, são estúpidos, são comodistas. Aqueles que falham, poderão ter a noção do esmeril ou do contributo, ou de ambos esses chavões juntos, mas quando se sabotam, isso é estúpido, isso é fraco, isso é moralmente errado, entendem? A autossabotagem é vista como um defeito, e como tal é recebida com humilhação e vergonha, e quando cometem esse acto, deviam “ter vergonha de vós próprios” e deviam “sentir vergonha;” ter-se-ão humilhado a vós próprios e “têm que sentir humilhação.” Ao passo que se fracassarem, alto lá, a maneira de tratar passa por um: “Sinto-me orgulhoso dele; ele aguentou, ele manteve-se forte, foi confiante e positivo.”

 E se alguém sabota os próprios caminhos e permanece forte e confiante é encarado como não tendo contacto com a realidade. “Deve sentir vergonha, deve sentir humilhação.” Por a vergonha ser vista como um defeito, uma fraqueza. Ao passo que o fracasso é encarado como uma mescla, é vista mesmo como algo que é capaz de criar carácter; torna-os mais fortes, faz de vós melhores pessoas devido a isto e àquilo. Vocês entendem essa energia que é encarada com uma fraqueza, e por conseguinte, nada poderá advir dela. Não resulta nenhum reforço do carácter, nenhum sentido mais elevado de vós próprios a ser descoberto, ou assim não pensem, ou assim não seja percebido, por ser uma fraqueza, por ser um defeito, algo de que deveriam ter vergonha e uma humilhação; não há qualquer carácter a erguer, ao contrário do fracasso.

Além disso, torna-se importante entender essa singularidade, entendem, porque o fracasso, por mais péssimo e desagradável que seja – conforme dissemos, não é pêra doce, entendemos completamente – o fracasso enquadra-se nos padrões da aceitação. O fracasso enquadra-se nos princípios masculinos dominantes; enquadra-se no exercício gratuito da autoridade e do controlo; enquadra-se na tentativa de corrigir tudo quanto alguma vez tenha estado errado, na tentativa de aperfeiçoar. Enquadra-se nos princípios masculinos dominantes do “Um ou outro,” mas também se enquadra nos outros padrões da aceitabilidade. O fracasso possui uma lógica e uma razão de ser. O fracasso possui uma certa ordem e uma certa estrutura, um certo juízo de “certo” e “errado.” “Fulano de tal fracassou – ele merecia-o! Eles merecem esse fracasso. Eles eram uns pretenciosos, eram isto, eles eram aquilo, eles tinham excesso de confiança, eles foram longe de mais, cresceram depressa demais, não prestaram atenção ao detalhe ou às implicações, eles cresceram demasiado para caber naquelas calças,” e por conseguinte possui uma lógica e uma razão. 

Há uma ordem e uma estrutura; há quase um certo dever e obrigação ao redor das questões do fracasso. E decerto que há uma aparência própria, uma rigidez apropriada, cabeça erguida, botar o peito para fora – é isso que fazem quando fracassam, não é? A atitude, o semblante que carregam, mesmo que tenham perdido, e que tenham sido valentes na derrota, terão considerados como tendo sido valentes no esforço que empreenderam, não é? Há aparência, representação, oportunidade de competição, e uma oportunidade de comparação – no caso do fracasso tradicional. Decerto que superar a luta envolve combate. Mas a autossabotagem enquadrar-se-á? Não enquadra, vêem? A autossabotagem é encarada como fraqueza, é vista como carência moral, vergonhoso. Não é coisa que faça parte do princípio masculino dominante, mas muita vez acha-se erroneamente ligado a “coisa feminina” de que o princípio masculino pretende livrar-se, denegrindo. Aqueles que se sabotam a eles próprios são vistos como fracos. Parece não abrigar qualquer lógica nem razão mas surgir como que do nada. Não há explicação daquelas que enumeramos. É algo visto como doentio, estranho, mórbido.

continua

Transcrito e traduzido por Amadeu António

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