quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O PODER DA ORAÇÃO


O PODER DA ORAÇÃO
Transcrito e traduzido por Amadeu António
Autoria do Serafim Julian, e da (médium) Rev. June K. Burke 1926-2005
©Direitos de autor de Saul Srour

Boa noite, estou encantado por uma vez mais estar convosco, e por falar esta noite acerca do tópico da Oração. Ouço constantemente as pessoas no vosso mundo falar da oração, da petição por assim dizer, mas também é necessário que compreendam que a oração constitui uma acção muito importante exercida em si mesmas, e que muita gente filtra a sua própria oração como um acto de protelamento, por no seu íntimo alegarem não poder ter aquilo que pedem em termos externos. Assim, torna-se importante que vocês aceitem.
A oração não é uma petição no sentido da súplica, a oração constitui a aceitação de que podem receber. Há uma enorme diferença em ter uma noção íntima de serem capazes de receber auxílio e de que tal socorro possa ser-lhes trazido directamente. Um dos obstáculos à oração, muita vez, é o facto de que, conquanto o estejam a pedir por uma oração, o estejam a negar internamente, e estejam a dizer: “Eu não sou digno,” ou o facto de terem definido a forma como essa oração deva ser atendida de tal modo rígido que cheguem a dizer: Por favor Deus, ajuda-me, porém, fá-lo da seguinte maneira… É isto que eu quero…” Mas muitas vezes dizem: “Por favor, meu Deus, concede-me isto, e dá-mo terça-feira, embrulhado em vermelho.” Deus vos livre d’Ele vo-lo providenciar embrulhado em amarelo na segunda-feira e de não o poderem ter, por terem definido os “moldes,” entendem?
Por conseguinte, quanto pedem auxílio, reconheçam que o Deus em vós já sabe mais da forma como possam ser atendidos do que vós. Aquela essência do vosso ser que se acha em contacto com o poder divino conhece as obstruções que podem ser removidas, e sabe qual o modo acertado e adequado a vós. Há um pequeno ditado no vosso mundo que reza: “Tenham cuidado com aquilo por que oram, por poderem mesmo recebê-lo.” A maioria das pessoas diz: “Eu quero aquilo…” não importa o que seja, mas jamais passam além desse passo do querer. O que faz lembrar os catraios no vosso mundo que dizem: “Eu quero um gatinho, eu quero um cachorrinho, eu quero um sapo, eu quero um peixinho dourado, eu quero, eu quero, que quero…” Mas depois, quem é que toma conta deles após o conseguirem? Geralmente, a mãe ou o pai, por nessa altura eles já estarem de olho noutra coisa qualquer que queiram. Eles nunca pensam no animal de estimação nem chegam a reconhecer nele algo para além de um simples artigo na vida, não enquanto coisa a ser alimentada, acarinhada, amada, tratada, etc. Por isso, precisam interrogar-se se estarão a ser como essa criança. “Estarei a dizer, eu quero, eu quero, que quero, sem reconhecer o que esse ter acarreta?”
Portanto, a oração vai bem mais além do querer, e constitui uma comunhão e uma interacção com a força divina. E o primeiro lugar onde "activam" a oração é em vós. Não dizem: “Tu aí encima!” Dizem: “Tu aqui dentro,” por representar o vosso painel de comando, por ser onde a vossa ficha particular para o quadro de distribuição de Deus encaixa – em vós! Quando pedem que algo venha a ter lugar na vossa vida, ou que venha a suceder na vossa vida, saibam com certeza que isso não lhes está a ser negado muito embora possa encontrar-se atrasado, por na verdade existir um tempo para todas as coisas. Desse modo, quando pedem para ser atendidos de imediato, e não são “atendidos” de imediato, precisam aceitar – palavra chave essa, do ACEITAR -- que esteja a ocorrer, muito embora ainda não se lhes torne visível. No devido tempo tornar-se-á visível. Muitas vezes as pessoas pedem algo, e aí, quando lhes vem ao encontro por uma “canal” diferente, ou por via de um método diferente daquele por que seria suposto chegar-lhes, ficam chateadas, e sentem-se de alguma forma enganados, e sentem que, por o não terem planeado, e por não lhes ter chegado da forma que planeavam, possa não ser tão bom ou aceitável.
Aquilo que também precisa ser reconhecido no que toca à oração é que, quando querem alguma coisa, quando pedem ajuda, e não estão esclarecidos quanto àquilo que querem, irão abrandar o processo. Poderão dizer: “Torna-me feliz,” mas se não fizerem ideia alguma do que a felicidade seja, como irão saber se são felizes? E se nunca tiverem conhecido qualquer tristeza, como irão alguma vez saber se serão felizes? Poderiam ser a pessoa mais feliz à face da terra que não perceberiam a diferença, até que passassem por um dia de tristeza, e aí reconheceriam um dia feliz. A polaridade acha-se constantemente em funcionamento – acha-se sempre presente.
A primeira coisa a fazer, quando pensarem em termos de oração, é reconhecer que seja correcto pedir; não precisam dizer: “Eu não sou digno,” nem precisam dizer: “Lamento estar a pedir isto, em todo o caso…” Está correcto reconhecer que a força divina os possa ajudar, e que esteja inteiramente disposta a ajudá-los, desde que estejam na disposição de aceitar a ajuda. Quando dizem: “Deixa-me conseguir aquele emprego,” caso esse emprego não seja o indicado nem lhes seja adequado, e não o conseguirem, dirão: “As minhas orações nunca são atendidas!” O facto do emprego que tiverem vindo a obter uma semana depois vir a ser um emprego excelente, não chega a ter lugar na vossa consideração. “Eu quero é aquele.” Em diferentes alturas o vosso padrão particular de crescimento acha-se menos habilitado a entender o que seja certo para vós, ou o que seja bom para vós. A criancinha pequenina quer dez bolinhos e não só um. Ela quer tudo quanto conseguir obter, sem considerar dores de estômago, nem cobiça, excepto aquilo que quer, que pretende obter na medida do que conseguir.
Algures ao longo do percurso, espera-se que o homem amadureça o suficiente para dizer: “Estas são as necessidades que tenho - aceitá-las-ei a todas caso seja adequado, mas as necessidades que tenho são estas.” As necessidades que têm sempre serão atendidas, já os vossos desejos poderão não ser, por o desejo constituir parte do aspecto da personalidade do ego que têm. É a parte do vosso ser que diz: “Eu quero, eu quero, eu quero – já, neste instante; ou mesmo ontem, por ser ainda melhor.” A vossa alma reconhece certas necessidades, e reconhece com perfeito equilíbrio tanto as necessidades que têm de ser uma pessoa feliz assim como as necessidades de atraso que lhes incuta as lições que precisam aprender para serem felizes. Muita gente tem tudo quanto precisa, e mais; muita gente tem tudo quanto alguma vez terá desejado, e sente-se entediada. O “ter” não os torna necessariamente felizes. É a partilha e a interacção que conseguem no mundo que cria a felicidade. Por conseguinte, precisarão interrogar-se: “De que precisarei eu para ser uma pessoa feliz?” Comecem por aí – o que não quer dizer que não possam igualmente ter desejos, só que as necessidades vêm primeiro; e talvez a maior necessidade seja a da paciência, pelo que poderá parecer que a oração não seja atendida de imediato.
Bom, a maioria das pessoas trata a oração mais ou menos como a lotaria. Compram um bilhete mas caso não ganhem, dizem: “Para o diabo com o jogo!” Talvez seis meses depois voltem a tentar. A oração constitui sempre um sistema de crença, aquilo que diz: “Eu estou de bem com os poderes superiores, por estar de bem comigo.” Por isso, não é nada de incomum, nem risco algum dizer “Socorro.” Nem aceitar que o socorro esteja a caminho.
Todos vocês passaram por alturas em que tudo na vossa vida parecia correr de feição. “Tudo bem,” conforme dizem no vosso mundo; terá parecido que, independentemente do lado para que se voltassem, tudo encaixava no devido lugar. Mas depois tiveram períodos que terão parecido como se nada encaixasse no sítio. Se revisitarem cada um dessas períodos em que tenham pensado que nada parecia concorrer para um sucesso na vossa vida, e examinarem a atitude que tiverem mantido, descobrirão que esse período de esterilidade terá sido precedido por atitudes de cariz negativa que tenham tido, por intermédio das quais tenham cerrado os “canais” e tenham negado a possibilidade, e recusado a aceitação do facto de poder vir a ser.
Toda a gente tem a tendência para dizer: “Eu quero que isto aconteça,” e vocês assistem a isso com frequência no campo da cura, em que dizem: “Vou trabalhar com alguém e curá-lo,” e a seguir pretendem de imediato ver resultados, tanto para vós como para o cliente, porque caso contrário, como poderão acreditar que esteja a ocorrer? Mas se não conseguirem aceitar que esteja a ocorrer de forma invisível, nunca chegarão a acreditar o suficiente, não obstante o número de vezes que o vejam. A percepção de que a aceitação da intervenção divina, em qualquer nível da vossa vida que seja tem que vir da aceitação completa e de que pode ser posta em movimento -- e que é efectiva, quando clamam por ela. Nem sempre conseguirão constatar esse movimento. Precisam confiar e aceitar que seja posto em movimento, porquanto com tal confiança e aceitação aumentam o poder que o trará à manifestação. Certo?
Se reconhecerem que existem passos para a oração, que a oração por vezes pode não passar de um instante fugaz, um pensamento fugaz, enquanto noutras alturas pode constar de um diálogo prolongado e concentrado... Quando alguma coisa sucede na vida, uma das primeiras palavras que escutam é: “Ai meu Deus.” Isso, meus amigos, constitui uma oração! É um apelo ao poder divino para uma dada situação. Vêm um acontecimento qualquer, passam porventura por um acidente na estrada e a ideia que se lhes aflora à mente é: “Deus lhes valha.” Apenas umas quantas palavras, que não obstante representam um apelo ao poder divino, à presença e à situação. Nem sempre adopta a forma de uma forma de incitação mais expressiva, mas de uma aceitação franca.
As orações da criança são bastante simples; não passam de uma conversa. Havia um catraio pequeno, que se encontra actualmente no meu mundo, que certa vez afirmou não ter medo do escuro, nem precisar da luz de presença acesa, por ter a luz de Deus dele acesa. Disse que confiava, mesmo no escuro, quando não conseguia ver. E isso é o que vós, enquanto adultos de são, precisam igualmente conseguir. Confiar “no escuro,” quando não conseguem enxergar devidamente. Essa é a verdadeira oração – é a confiança e a aceitação.
Têm alguma pergunta a fazer?
Pergunta: Tenho mais uma observação, mas gostava que comentasses. Tem que ver com o facto das orações poderem vir atrasadas mas não serem recusadas (não atendidas). Consigo entender que uma pessoa não consiga ver um livro publicado este ano conforme desejaria, e o veja publicado no próximo ou possivelmente no ano seguinte, mas creio que ache que por vezes se o atendimento à oração se encontrar atrasado ela possa  estar a ser negada, e gostava de partilhar contigo o que entendo por isso… Ocorre-me, em particular o caso de duas mulheres que conheço, cada um das quais cresceu durante a guerra, na Europa, uma na França e a outra na Alemanha, que apresentam aquilo a que se chama “dentes de guerra.” Os seus dentes não tiveram ocasião de sofrer uma formação apropriada por não terem tido alimento diário apropriado. Agora, elas passaram por uma vida de graves problemas dentários e de reconstrução, etc. Mas o que queria realçar é que parece que quando mais precisavam não o receberam, de forma que…
Julian: Elas terão pedido isso?
Comentário: …eu não sei, quero dizer, elas nem sequer receberam… o que queria realçar é que agora podem ingerir tabletes de chocolate de leite ou assim, que isso não irá substituir o que deveriam ter tido na infância. Assim, como poderás dizer que esteja atrasada uma vida inteira quando elas não obtiveram aquilo de que precisavam?
Julian: Muito bem. Num período de guerra há muitas orações a ser emitidas e muitos desafios a ser enviados à presença do divino, por o termo “Deus” representar o que quiser que queiram atribuir à divindade superior ou ao poder superior, entendes? Presumem que Deus faça a guerra, presumem que Deus provoque doenças – Ele não faz nada disso; é o homem quem cria tais situações com base nas atitudes que assume, etc. Devido à lei da causa e do efeito, muitos terão visto causas “respondidas” que muita gente não recordará nesta vida, mas que terá posto em movimento numa outra vida. E vós não sabeis que é o quê ou quem é quem.
Agora, numa situação de confronto bélico, a oração que geralmente é erigida é-o nos seguintes termos: “Deixa-me sobreviver.” Mas caso o que fosse preciso para que o período de sobrevivência fosse concedido, então a oração teria sido atendida. E tu não tens meios de saber que elas terão pedido o que necessitavam. Se estiveres numa situação de uma enorme gravidade, em que o alimento escasseie muito, tu não te preocupas com nada para além de comida que te alivie a dor da fome. Uma vez ultrapassado esse período, aí começas a pensar noutras coisas. Portanto, sobreviver não constitui negação nenhuma. As coisas de natureza cosmética que procedem das circunstâncias tampouco constituem uma negação, por não conhecerem as circunstâncias – não sabem aquilo que é pedido, nem sabem qual seria a necessidade premente que teriam. Essa necessidade seria de sobrevivência.
Faz o favor de entender o seguinte: Ninguém tem o direito de julgar o semelhante; ninguém tem o direito de presumir que os actos do próximo sejam errados com relação a si mesmo. Poderá estar errado relativamente a vós, e as consequências desses actos poderão incomodá-los, mas seja o que for por que esteja a passar, ele precisará dar conta disso. Já em relação àquilo por que vocês passam são vocês quem tem que dar contas. Essas pessoas tanto poderão durante toda a sua vida zelar pelo aspecto dental, como poderão pensar na sua sobrevivência. Tem tudo que ver com a forma como olham a coisa.
Comentário: Mas não se pode esperar que um catraio reze por uma dentição saudável; quero dizer…
Julian: Não, há muita coisa que não se pode esperar, mas a questão está no seguinte: A criança que sobrevive, ainda terá uma vida a enfrentar. Mas o facto de lhe ter sido negado algo na infância, não lhe dá o direito de negar o resto da sua vida. Entendes? Porque o que ela está a fazer é dizer: “Por algo na minha vida ter dado para o torto, nada na minha vida dá certo. E enquanto essa atitude prevalecer, nada poderá ter lugar na sua vida. Por isso, é muito importante reconhecer que têm determinadas alturas na vossa vida que representam horas sombrias e desoladoras, conforme mencionei anteriormente, e noutras alturas terão momentos de leveza, mas não podem ancorar-se somente nos momentos difíceis; precisam dispor-se a abandonar as trevas da melancolia e da tristeza para confiarem que comporte luz e para que os conduza adiante.
Muitas crianças, devido ao sofrimento, dão a volta e acabam por se tornar resistentes. Já outros não, de acordo com a atitude que assumem. Mas não podes presumir que pelo facto de a vida comportar algo de negativo, o resto possa ser articulado nessa negatividade.
Comentário: Julian, está relacionado com os catraios... Por exemplo, caso um filho nosso sofra abusos, e ore a Deus de uma forma desesperada para que o salve e ainda assim essas orações não forem atendidas...
Julian: Elas são ouvidas!
Comentário: ...porque não serão elas atendidas, nesse caso? Será por existir um longo plano envolvido no caso do indivíduo, desse catraio, que o leve a crescer de uma forma mais robusta e mais carinhosa?
Julian: Esse, muitas vezes é o caso. Vós não compreendeis ou conheceis ninguém. Porque estará isso a acontecer a essa pessoa? Que padrão estará a ter o seu desenvolvimento? Ou onde a poderá levar ao longo da vida. E devido ao facto de o não saberem, podem somente enviar-lhe ajuda através do amor, da luz e da oração. Mas reconheçam que, o facto de essa oração não estar a ser-lhe atendida, não quer dizer que não haja uma acção em movimento por detrás.
Comentário: Com base na minha própria experiência de criança... recordo-me bastante de orar, mas obviamente que nessa altura em particular não fui atendida, o que não veio a tornar-me de forma nenhuma amarga, mais tarde. Sou capaz de perceber (...) que terá resultado disso, contudo é muito difícil para uma catraia...
Julian: É claro que é.
Comentário: ... e sempre que vejo outras crianças isso preocupa-me bastante....
Julian: É claro que é, e talvez seja por isso que o experimentam em criança, de forma que talvez venham a ter compaixão pelos outros catraios, em alguma outra altura da vida, em vez de chafurdarem no que lhes tenha sucedido. Em vez de dizerem: "Coitado de mim," dirão: "Compreendo que a compaixão e o amor que sinto ajudam o semelhante." Talvez fosse por isso que o tenhas experimentado. Não podemos saber.
Comentário: Quando passar para o outro lado de certeza que obterei conhecimento da razão...
Julian: Pois! no meu mundo terás conhecimento disso, por teres noção daquilo que vieste fazer e da razão para teres experimentado determinadas coisas.
Comentário: Torna-se-me difícil ver crianças e animais... e depois tenho dificuldade em compreender porquê, em todo o padrão generalizado desta existência, a razão porque os animais não se conseguem proteger e têm que passar por experiências terríveis nas suas vidas. Intelectualmente, é-me dito que se prende com o crescimento da alma e tudo o mais, mas seja como for no fundo do meu coração não consigo...
Julian: Há muitas coisas na vida, mas quando menciono as "trevas" em que não conseguem enxergar, refiro-me àquelas coisa de que andam em busca. Isso são trevas no vosso mundo. A crueldade, seja por que forma for, constitui uma forma de trevas - é então que precisam apegar-se à percepção de que a polaridade que lhe assiste em termos de positividade, se acha em movimento.
No começo dos tempos no vosso mundo imperava a sobrevivência dos mais aptos, e isso manteve o equilíbrio. Nos dias de hoje, esse equilíbrio é mantido por outras formas, à medida que o homem foi obtendo um maior controlo, que o levou a montar um conjunto de acções prolíficas, pelo que o equilíbrio criado pela sobrevivência dos mais aptos é por vezes superado pela guerra, a qual é manifestada pelo homem. Mas precisa imperar um equilíbrio.
Comentário: Posso colocar mais uma pergunta, Julian? O seu (...) equipara-se àquele com que temos uma dificuldade particular e por que tentamos trabalhar isso e compreendê-lo, e por vezes pode envolver uma questão de anos. Que é que acontece nesse momento em que finalmente nos entregamos, tal como na minha situação de vários anos em que...
Julian: Em que finalmente abandonam...
Comentário: ...em que finalmente percebemos que não há nada no mundo que possamos saber, independentemente das orações, do amor, que não irão mudar a coisa por essa altura, e que por fim nos entregamos. Estou a tentar compreender o que é que no nosso íntimo realmente diz: "Eu entrego isto a Deus; não há nada que possa fazer," e de súbito, daí tenha resultado, como no meu caso, esta incrível sensação de cura e de alívio...
Julian: Por finalmente o teres aceitado, e não mais o estares a tentar controlar. Quando uma pessoa é encostada à parede, e diz: "Que assim seja!" Então, a intervenção divina pode deixar passar. Tu não estás a entender a necessidade de controlo. Ou seja, o homem tem necessidade de controlo. Em que ideia assentará a salvação? Que tipo de coisa será "ser salvo"? Sem o perceberes ainda tentas controlar a situação. Mas quando atinges um ponto em que dizes: "Fiz tudo quanto podia," aí a intervenção divina, ou a força divina faz-se presente convosco, para ver além da corcova da estrada. És uma com a força divina e isso altera a perspectiva e muda tudo.
Comentário: Julian, poderias traçar a diferença entre fazer um pedido em termos de manifestação, ao contrário de pedir uma mesma coisa através da oração?
Julian: Muito bem. Na manifestação, estão a unir-se em oração. Chamam-lhe manifestação, mas ainda representa uma forma de oração, ainda representa uma forma de se concentrarem em algo que queiram ter na vida. A maioria das pessoas tenta manifestar, mas uma vez posta à prova, dirá: "Eu quero orar," por o termo "orar" ter estado por demasiado tempo associado à força divina, que representa uma situação muito mais confortável de se estar. Imaginam que os "mandachuva" lhes irão dar ouvidos.
Se reconhecerem que a força divina em vós, o poder de Deus em vós, está sempre a operar, e que vós, por intermédio de um processo de manifestação começais a focar-vos e a deixar que esse poder opere por vós, a primeira coisa que acontece é a atitude que tiverem, que muda. E quando a atitude muda, tudo o mais ao vosso redor começa a mudar. O mesmo sucede com a cura; a primeira cura que tem lugar é na alteração da atitude, por representar a aceitação e a receptividade em relação à força divina dentro de vós. De modo que, conforme dissemos há pouco, quando esquecem o assunto e aceitam cegamente, que não conseguem ver o que venha a suceder mas que venha a suceder, tanto mais rapidamente essa força divina poderá operar.
A manifestação traduz a questão assim: "Molda-o e forma-o e foca-o." A oração tradu-la nos seguintes termos: "Em seguida abandona isso."
Comentário: Eu tenho vindo a orar há muito, seja para encontrar uma casa ou encontrar um companheiro. Quando é que reconhecemos... por exemplo, oramos por uma casa em particular e surge-nos uma outra, mas não tem importância; não achamos que seja a casa indicada, ou quando se ora por um companheiro em particular, etc., etc.? Quando é que reconhecemos que as nossas orações sejam atendidas?
Julian: Por intermédio de uma sensação interior de absoluto conforto relativamente à questão. Agora, também precisam reconhecer que se estiverem a pedir sob a forma: "Deixa que consiga a casa adequada e perfeita, acabará por surgir uma casa que lhes atenderá às necessidades - essa será uma boa casa. Já se disserem: "Eu quero um rancho de luxo numa propriedade de um milhar de metros quadrados, isso já irá levar um pouco mais de tempo. Uma pessoa concentra-se de tal forma distinta nisso que faz disso um bloqueio. A concentração significa: "Deixa-me testar a qualidade," não significa: "Dá-me os detalhes." Por outras palavras, desejam um quarto de banho, mas será verdadeiramente necessário que seja cor-de-rosa?
Se estiverem a manifestar um companheiro ou a orar por um companheiro, oram pelo companheiro certo e perfeito por essas serem as qualidades que apreciam num companheiro. Não o aspecto que tenha, nem a conta bancária que tenha, mas as qualidades que desejam num ser humano. E a seguir pedem que venham a gozar de conforto. Porque, se depositarem tudo nos aspectos externos e nada nos aspectos interiores poderá sair-lhes um viciado e acabarem por levar uma vida de infelicidade - seja homem ou mulher. É a qualidade que buscam.
Comentário: Quanto terá o carma a ver com as nossas orações? Por exemplo, caso sejamos abusadores de crianças, talvez numa vida subsequente tenhamos que regressar para sofrermos abusos?
Julian: Por vezes podem optar por regressar e experimentar algo que tenham causado a mais alguém de modo que possam neutralizar uma outra vida.
Comentário: Nesse caso a oração será negada? Se por exemplo, não percebermos que tenhamos sido abusadores e o que mais possa ser...
Julian: Sim.
Comentário: ...e orarmos: "Por favor, não permitas que seja mais molestado..." Que sucede a uma oração dessas?
Julian: Essa oração é formada e moldada em algo que lhes seja adequado. E se ainda precisarem experimentar alguma coisa, experimentarão, e a seguir sairão disso. Assim que tiverem experimentado algo que constitua um carma, poderão sair disso. Além disso reconheçam mais uma coisa: Uma criança pode considerar ter sido abusada quando não o tenha sido. Uma criança pode considerar ser mal tratada, por não ter algo que queira, ou por não poder conseguir o docinho... Isso faz parte da natureza da criança, embora haja crianças que são vítimas de muito abuso. Mas o que estou a dizer é que o conceito que a criança faz do abuso nem sempre é real. Ela poderá dizer... prestem atenção aos pobres dos adolescentes e vejam o que ouvem a respeito deles. "Eles são todos terríveis." Não, não são nada! São seres humanos em dificuldades.
O que sucede é que eles se encontram numa situação caótica, e as atitudes que têm uns com os outros provocam mais situações. Mas logo vem o rótulo, mas aquilo que há que reconhecer é que, se ele for capaz de se deter, de se acalmar e de dar atenção, e de aceitar que esteja uma força divina a operar, as atitudes começarão a mudar. Só precisa de uma situação em que se detenha.
Comentário: Julian, eu tenho uma pergunta. Muitas vezes a oração adopta a força da autorrealização, do alcance da paz em nós próprios, e muitas vezes sucede na meditação aceitarmo-nos como alguém que finalmente se acha em paz, e mesmo quando se abre mão do desejo ou se direcciona esse desejo de uma maneira estruturada, mais tarde sentimo-nos realizados, de modo que considero que isso seja parte de uma acrobacia que fazemos connosco próprios...
Julian: Exactamente.
Comentário: ...mas para além disso haverá alguma coisa tipo guia espiritual de afastamento dessa situação com que uma pessoa particular possa estar em contacto e a quem possa dirigir um pedido por qualquer forma?
Julian: Sim. Antes de mais, reconhece que ninguém anda na vida sem assistência espiritual. Vocês chamam-lhes guias, anjos da guarda, chamam-lhes muitas coisas, mas eles acham-se presentes para os guiar e prestar auxílio - com a vossa permissão. É por isso que uma oração é tão essencial. Eles não os podem ajudar a menos que lhes peçam, por não lhes ser permitido interferir com o vosso livre-arbítrio. De modo que, se disserem: "Ninguém se importa..." então será o que acontecerá. Mas caso se dispuserem a dar lugar à criação de atenção, eles comunicarão através do vosso Eu Superior e vocês obterão auxílio.
Reconheçam igualmente o seguinte: Há muitas formas de oração. Orações há que representam uma oração formal, que terão aprendido desde a infância, e que recitam de cor. Quantos de vós conseguiram deter-se a meio da Oração do Deus Pai, sem ter que recomeçar de novo do início, para conseguirem continuar? Tentem isso um dia destes. Quantos de vós realmente chagaram a ouvir o que as palavras transmitem? A oração não precisa ser formal; pode ser muito simples: "Bom dia, Senhor. Bom dia, meus amigos; espero que estejam comigo hoje. Convido-os a estar comigo neste dia."
Além disso reconheçam que a oração formal cria o espaço -- qualquer oração, meditação, música, cria o espaço em que se tornam mais receptivos à corrente divina. É por isso que quando se sentam num templo ou numa igreja ou num campo ou numa caverna ou onde quer que encontrem o vosso espaço de conforto particular, e alcançam a serenidade, se encontram abertos à oração e à receptividade com muito mais facilidade. É por isso que a meditação é tão vital, por representar um período de tranquilidade. “Acalmem-se e deem atenção, e saibam que Eu Sou Deus!” Quer dizer, fiquem a sós convosco próprios e escutem a Sua voz dentro de vós. Não podem dizer. “Olha, Deus, eu vou ao teu encontro às duas e um quarto.” (Riso) De vez em quando precisam dizer: “Ainda estás aí?” Porque, se estiverem na disposição de se aquietarem o suficiente para darem lugar à criação de um espaço de comunhão, isso não pode chegar a acontecer. Mas naquelas horas de necessidade drástica, em que dizem: “Ai meu Deus,” vocês abrem-se, por aceitarem que a presença esteja convosco.
Muito bem. As vossas perguntas.
Pergunta: Julian, será possível que através da oração e da manifestação cheguemos a saber, seja em que grau for, a razão para aqui termos vindo e purificar-nos do carma; será isso possível através da oração?
Julian: Claro que sim.
Pergunta: Porque disseram-me que uma coisa destas seria demasiada para perguntar. Tens a certeza disso?
Julian: É claro. Entende o seguinte: Se pretenderes viver num estado positivo, num estado de amor e de ausência de condenação, irás deparar-te com coisas muito positiva na tua vida. Irás ser capaz de responder ao carma… responder ao carma não tem que ser sempre mau, e pode tornar-se numa coisa muito boa. De modo que, quando sentes que deves fazer alguma coisa para atender ao carma, pede que to seja revelado, de forma a saberes.
Pergunta: Uma outra coisa. Disseram-me que o nome que usas, Julian, possui uma vibração terapêutica.
Julian: Sim, possui. É por isso que o nome Julian significa (...) Tem um som que quase faz comichão, esse tipo de coisa, mas se o tomarmos pela vibração fonética, traduz um som muito aberto. Enquadrámo-lo no tipo Julian para que o homem se agarre a ele, por assim dizer.
Pergunta: A minha pergunta tinha que ver com a intensidade da oração, como a expressão que podemos usar, tipo: “Ah, Deus.” Tu poderás dizer. “Ai, meu Deus.” Isso denota um cumprimento de onde diferente, uma estrutura sonora diferente e uma intensidade diferente. Isso terá algum significado em termos da oração?
Julian: Tem significado na oração apenas por te atrair esse nível de energia. Mas o facto de o apelo ser dirigido à força divina é o que o torna uma oração.
Pergunta: Nós usamos o termo “Deus” e a seguir praguejamos.
Julian: Muito bem. Em primeiro lugar, nunca funciona, e depois, terão assumido um aspecto negativo, porque ao fazerem isso estão a julgar o semelhante. E isso não é direito divino que lhes caiba por direito. O direito divino que têm de discernimento diz-lhes que podem gostar e deixar de gostar: “Não gosto do que andas a fazer; não opto por te ter na minha esfera de intimidade, mas o divino em mim reconhece o divino em ti e eu desejo-te felicidades, Namaste.” Por outras palavras: “Eu abençoo a realidade que te assiste; mas não me agrada a personalidade do ego que tens.” Essa é a diferença existente entre a lei divina do amor e o direito divino ao discernimento. Esse direito discerne o que lhes é adequado e justo a vocês, mas não acarreta qualquer juízo de valor. Assim que começarem a julgar estarão a criar carma.
Pergunta: E com relação àquela situação em que oramos pelos outros; digamos por exemplo que seja pedido a uma congregação de uma igreja para orar por uma pessoa que tenha uma doença incurável como o cancro ou a sida, e essa pessoa poder não se encontrar em posição de aceitar que possa vir a ser curada, ou pensar ser um caso desesperado a despeito de toda essa gente… Que efeito terá essa oração em massa…?
Julian: A aceitação por parte do indivíduo é muito importante; não a aceitação de que esta ou aquela pessoa esteja a orar, mas que a oração pode ajudá-lo. A oração converter-se-á naquilo que o indivíduo precisar. Se for alguma coisa que precise enfrentar, então a coragem de que necessite para o enfrentar advirá da oração.
A oração por quem quer que seja deveria ser: “Que o que for acertado e perfeito para ele ocorra!” Não o que for acertado e perfeito para vós, segundo a ideia que tenham, porque assim não poderão interferir no que quer que seja e isso poderá converter-se no que for bom para ele (ou ela).
Pergunta: Eu recebi um material acerca da criação de um triângulo de oração, juntamente com outros, e gostava de o entender isso um pouco mais a fundo. Já veio ao meu encontro uma série de vezes e sinto-me bastante interessada na criação disso…
Julian: Tríades de oração?
Pergunta: … alguém chamou a isso um triângulo. Outro grupo chamou-lhe transmissão, mas parece tratar-se de uma mesma coisa que reúne três pessoas que estabelecem uma ligação.
Julian: Juntar-se três pessoas ou ligar-se a outra pessoa. “Onde dois de vós ou mais se juntarem em meu nome, eu me encontrarei no meio delas.” Mateus 18:20.
Pergunta: Que significado terá o triângulo?
Julian: O triângulo significa simplesmente o equilíbrio de mente, corpo e espírito. Representa uma forte configuração.
Pergunta: Os três indivíduos criarão…
Julian: É simplesmente uma intensificação da oração.
Pergunta: Muito bem, então nesse caso destina-se a ajudar à mudança do mundo e à redução…
Julian: Minha amiga, deixa que te diga uma coisa. Se te sentares a um canto em oração pela paz mundial, estarás a contribuir para a paz mundial. Se te reunires a mais três ou dez pessoas para orarem pela paz, estarão a contribuir para a paz mundial. Não te deixes prender por configurações. O poder não está no triângulo - o poder reside na oração.
Pergunta: Julian, mencionaste o facto de que, ao julgarmos desenvolvemos carma. De que forma conseguiremos avaliar o exercício do direito que temos ao discernimento…?
Julian: Quando é obsessivo, saberão que estão a julgar. Por outras palavras, se alguma coisa acontecer e disserem: “Não me agrada o que acontece, e prefiro não me envolver mais com isso,” isso representa discernimento. Quando condenam toda a gente por sistema isso equivale a julgamento, juízo crítico.
Pergunta: Poderás dizer-me alguma coisa com relação ao tipo de interacção individual que temos com pessoas da nossa vida, ao contrário de um grupo?
Julian: Está certo. No caso de uma pessoa com quem tenhas uma discordância, ou com quem algo não resulte, tu dispões de uma alternativa. Ou agarras-te ao momento de infelicidade, e julgas o resto da pessoa por esse momento, criando assim carma, ou poderás dizer: “Que terei eu aprendido com o sucedido?” Abençoa-o, deixa-o de lado e dá continuidade à tua vida. Quando estagnas numa situação negativa na tua vida, não conseguirás avançar. E precisas dispor-te a abandonar isso e pedir por orientação divina para esqueceres isso.
Por vezes precisam entender uma outra coisa. Poderão analisar uma coisa qualquer até à exaustão e jamais chegar a compreendê-la. Assim como poderão dizer que não a compreendem, e que a irão pôr de lado, e não despender de todas as vossas energias vitais a analisá-la quando não conseguem chegar a parte nenhuma com tal análise. Tomem a decisão de depositar as vossas energias na aceitação.
Quando se encontram numa situação negativa na vossa vida, precisam aceitar que não faz mal estarem nessa situação negativa, porque desse modo poderão deixar de se culpar, poderão deixar de julgar e poderão concentrar energias em procurar sair dela. E essa energia pode ser depositada na remoção construtiva em vez da projecção de juízos não construtivos da vossa pessoa na dos outros. Sabiam que uma das piores coisas que fazem é a de se julgarem a vós próprios? Vocês vêm da velha era do: “Não sou digno,” e chegaram por completo a acreditar nisso, dispostos a condenar-se e a culpar-se a toda a hora. Mas precisam estar prontos para dizer: “Não, trata-se de um tempo novo e de uma nova situação que eu posso transformar num novo dia.
Pergunta: Em termos de autocrítica, como haveremos de saber se tentar deter essa maneira de pensar... bom, é que tu mencionas que internamente ainda se ache presente. Como haveremos efectivamente de sair dessa situação de condenação pessoal?
Julian: Por a vossa vida se tornar muito mais feliz, coisas boas começarem a ocorrer, por abrirem mão da negatividade que tenham vindo a manter.
Pergunta: Apenas por meio da alteração superficial do pensamento, isso passa a funcionar no íntimo?
Julian: Pela alteração do pensar... Qualquer coisa na vossa vida é passível de ser alterada por uma mudança de pensamento, mas isso não quer dizer pensá-lo uma vez, mas a aceitação de que seja a nova maneira de pensar e viver com ele. Nesse caso, isso é registado no subconsciente, o subconsciente liberta a emoção correspondente no corpo e o corpo sente-a e agora permanecem realmente com ela, então estão a dar-lhe continuidade. E a partir desse ponto a vida começa a tornar-se mais feliz.
Pergunta: Julian, sinto-me orgulhosa de mim mesma. Já não falo com a minha irmã faz seis anos, mas telefonei-lhe, e por intermédio da nossa filha, cresci imenso e aceitei que ela seja assim e ainda falamos, e estou ciente de ainda sermos irmãs e de possuirmos um laço de pertença – pelo menos quanto a conversarmos uma com a outra. (Julian bate palmas) Obrigado Julian, mas sabes, ela não mudou, e não faz ideia de como o conseguir, mas não faz mal...
Julian: Aah! Não destruas essa coisa excelente... (Riso)
Pergunta: Tudo bem, tudo bem. Não. Não estou... Estou a falar a sério, Julian...
Julian: Por nenhuma de vós ter mudado... aos olhos dela.
Pergunta: ...aos olhos dela. Creio que ela percebe... Ela acha-me um tanto estranha, ela é muito franca e diz aquilo que quer...
Julian: Bom, que será que isso te faz recordar? (Riso)
Pergunta: Nós somos irmãs, não é Julian?
Julian: Vós sois irmãs, bom conheces aquela canção... “Sisters...?” O que precisas recordar é que sim, tu estendeste a mão para além da situação negativa e agora só poderás criar em termos positivos. Isso é excelente.
Pergunta: Caso oremos por mais alguém que tenha um carma mau e não se ache aberto a nenhuma força divina, poderemos ter algum efeito, poderá alguma coisa suceder?
Jullian: Mas claro; a primeira coisa que irão afectar é a vós próprios, e à capacidade que tenham de lidar com ele. Em segundo lugar, talvez o carma vos pertença a vós – quem sabe? Por isso, orai por todos os envolvidos numa dada situação. Porque vocês nunca chegam a saber se alguém que pareça um alcoólico esteja a ensinar paciência a quem quer que seja. Não o sabem nem podem saber, num mundo material, de modo que orem por auxílio. Mas vós obtereis a força para lidar com isso. Por ser onde a força tem início. Agradeço que o tenhas questionado, por influenciar muita gente.
Pergunta: Se formos suficientemente afortunados para conhecermos os nossos guias, e para lhes oramos, em prole de uma coisa qualquer, ou oramos a Deus...
Julian: Oram a Deus; Deus enviará os seus emissários. Ora bem, não sei ao que chamarão a Deus; poderão chamar-lhe Buda, poderão chamar-lhe Eloim, ou Deus, mas o que lhes digo é que é a força divina que reconhecem. Emissários de Deus, tais como guias, anjos da guarda não são para orarem a eles, mas são vossos amigos que lhes podem dar assistência. Enviem uma mensagem ao “chefe da empresa,” que ele a delegará o seu cuidado à facção certa.
Pergunta: Queria saber porque é que o nosso carma constitui um tal segredo quando nos encontramos no corpo físico, quando mais essa informação nos seria útil e necessária...
Julian: Por precisarem chegar a ela por intermédio do vosso livre-arbítrio, e precisarem ser capazes de reconhecer essas partes de vós próprios. O carma, entendem, é algo que vão exercitar, mas a forma de o exercitarem fica ao vosso critério por intermédio das atitudes que tomam, por meio dos padrões do vosso pensar, pelos padrões da vossa oração ou da vossa manifestação, mas resolverão isso...
Pergunta: Eu vou explicar o que queria dizer, por pensar não me ter dado a entender. Quando não sabemos porque é que algo esteja a suceder, alguns de nós poderão ir a um psíquico e obter uma resposta relativa a uma outra vida que tenhamos tido em 1713, em que teremos sido fulano de tal e teremos sido assim ou assado, razão para agora nos encontrarmos com a situação presente. Mas é sempre algo que nos é dito, e mesmo numa regressão a uma vida passada...
Julian: Sabes o que eu diria? Poupem o vosso dinheiro. (Riso) Compreendam o seguinte: Os psíquicos existem para os ajudar ou orientar; não para criarem dependência. Se começarem a pensar pela vossa cabeça, e não pensarem que tudo quanto ocorra na vossa vida seja algo que tenha ocorrido numa vida anterior, irão despender a vossa vida inteira a correr para os psíquicos à procura de saberem o que seja suposto fazerem, em vez de pensarem no que seja suposto vocês próprios fazerem e em vez de usarem o vosso potencial.
O conhecimento de vidas passadas é excelente quando os ajuda a obter uma perspectiva global ou algo assim. Mas se vierem a saber que tenham sido rei ou rainha num algum lugar, isso não os irá realmente ajudar muito agora. Mas alguns prestam mais atenção àquele que tenham sido do que ao que são. Além disso, pelo facto de a única vida em que o desenvolvimento da alma se pode dar ser naquela vida em que se encontram. Porquê desperdiçar o vosso dinheiro lá quando podem fazer muito mais aqui?
Pergunta: Julian. Eu fui criada num ambiente de igreja em que não era considerado coisa boa pedir coisas materiais, posses, de qualquer tipo, mas unicamente orientação, forças e ajuda, etc. Será errado pedir por posses materiais?
Julian: Não é errado pedir pelo que quer que seja, conquanto estejam dispostos a desempenhar a parte que lhes cabe. Por outras palavras, se pedirem: “Pai, ajuda-me a obter o tipo de emprego de que preciso, para ser capaz de obter as coisas que quero,” isso é uma coisa. Se orarem: “Pai, deixa-me ficar sentado em casa e ganhar a lotaria, para não ter que fazer mais nenhuma coisa...” Não há mal nenhum em se ganhar a lotaria, só que podem ficar toda a vossa vida à espera sem que entretanto façam coisa alguma. Lembrem-se que para que alguma coisa se manifeste na vossa vida, precisarão pôr a energia em movimento. Trata-se de um trabalho de parceria e não de uma coisa unilateral. Por isso, quando dizem: “Deus, por favor ajuda-me a obter um bom emprego,” será melhor que andem à procura de um. Ele ajudará a abrir a porta adequada para vós. Mas vocês pelo menos precisam chegar a procurar.
Não há nada de errado com a posse de coisas, conquanto essas coisas não se apoderem de vós. Se por causa de determinadas coisas não puderem sair à rua com receio de que os roubem, então as coisas estarão a apossar-se de vós. Têm sete carros e só podem conduzir um de cada vez – encontram-se sobrecarregados! Lembrem-se de que as coisas só têm o valor que lhes derem, de modo que um ego goza de abundância e partilha, cria um fluxo de maior abundância; outro ego tem receio de partilhar, e cria paralisação. Não apresenta corrente nenhuma, de modo que nada mais pode entrar.
Sabem que em muitas igrejas usam de um processo chamado “dízimo” através do qual dão um tanto do vosso ganho? Isso remonta a antigos períodos em que o objectivo de tal dádiva não se destinava à ajuda da igreja mas à criação de uma corrente que dissesse: “Estou a abrir caminho para que venha mais. Estou a dar.” E porque a igreja representava uma “obra” de caridade, então eram capazes de dar e de criar uma maior abundância. O objectivo da dádiva assenta na criação de recepção. Mas não pode ser feita com esforço, nem com a ideia: “Vou dar dez para que pela manhã me cheguem vinte.” Precisa ser com a ideia da dádiva pela alegria da dádiva, porque assim tornar-se-á na corrente que irá criar rendimento, assim como despesa.
Perguntas: Os mercados de acções têm andado bastante agitados ultimamente. Terá isso alguma coisa que ver com a possibilidade dos homens colocarem isso à frente de Deus?
Julian: Em muitos casos tem. O objectivo é o seguinte: Eu tenho vindo a advertir as pessoas há mais de uma ano de que os mercados de acções irão atravessar um período de agitação, e que irão subir e descer tão rápido que não conseguirão entrar nem sair a tempo, pelo que devem usar de cautela. Esse não é meu domínio mas nós assistimos ao que se está a passar. Sempre que se gerar um desequilíbrio, alguma coisa sucederá para o corrigir. Esta e uma era da corrente, da fluência. As estruturas rígidas estão a cair. Vastos aglomerados ou colectivos são forçados a dividir-se. Está tudo a suceder à vossa volta. Não é que nada esteja a suceder, mas tem que suceder de modo a conduzir a vida e o controlo da vida de volta ao homem e não às colectividades.
Pergunta: Julian, quando é que podemos ter a certeza de estarmos certos? Por outras palavras, provocar uma mudança que agite as energias?
Julian: Muito bem. Vocês sabem que estão certos por se sentirem confortáveis, por se sentirem bem em relação à coisa. Mas lembra-te de que há dez mil maneiras de estares certa. O que não estará bem é dar um passo e depois sentar-se preocupado a ponderar se terá sido o acertado, porque aí torna-se num factor negativo.
Toda decisão que tomem na vida devia ser tomada de todo o coração, e ser digna da vossa energia. Dizem: “Bom, deverei fazer isto ou aquilo?” Mas eu digo: “Vou fazer isto!” Assim dediquem todo o vosso ser a isso, desfrutem disso por completo, que acabará tornando-se numa coisa positiva. Porém, se disserem: “Vou fazer isto,” mas passarem o vosso tempo todo o vosso tempo na dúvida quanto a fazerem aquilo, a coisa não irá desenvolver-se, mas vai ficar achatada como uma panqueca, por não lhe infundirem (a vossa) energia. Tomem a decisão e acompanhem-na.
Uma pessoa pode passar uma vida inteira sem tomar uma decisão; pode passar a vida a andar em círculos. (Alguém na audiência atesta o facto de se identificar com isso) Costumavas ser tu! (Riso) Isso corrige-o numa ápice. (Riso) Acautela-te com o que dizes, que está a ser registado! Vocês são uma gente maravilhosa.
Pergunta: Recentemente testemunhei serviços de cura carismáticos em que a atmosfera se apresentou absolutamente electrificante e as pessoas receberam curas completas em questão de minutos. Gostaria de saber o que exactamente é miraculoso e de conhecer a mecânica que envolve.
Julian: Um milagre constitui um acto de aceitação. Essa gente é curada pela aceitação absoluta de que pode ocorrer, e de que seja seu direito divino ser alvo disso. Elas criam uma atmosfera através da congregação, por meio da qual isso pode ocorrer. Uma atmosfera devota. O milagre só tem existência na mente do observador. Se eu erguer este copo até ao tecto isso representará um milagre? Não! Não passará de uma actuação. O milagre reside na plena aceitação do poder do espírito divino. Isso é o milagre. O milagre é definido pelo facto de o receberem ou não. E essa mesma aceitação achava-se presente. E voltarão numa outra altura, e participarão numa outra altura nessa atmosfera espiritual, com consciência de que numa dessas alturas o milagre poderá ocorrer. Mas muitas vezes o que sucede é ele ser colocado em movimento na pessoa, pelo que poderá não ser uma coisa instantânea, mas o seu começo tem início na pessoa. E uma semana ou dez dias mais tarde, ou até mesmo dez meses mais tarde, subitamente encontra-se presente; por aquilo que tinha que operar em si mesma, entre esses dois momentos, precisar ocorrer.
Porque, por vezes se disserem a alguém: “Eu vou-te curar,” e a pessoa responder: “Ena. Estou curada, agora já posso voltar ao mesmo que fazia antes por me curar de novo,” saibam que não terá aprendido a lição que acompanhava a cura. O milagre reside aqui, na aceitação que tem lugar aqui. (Subentendo que aponta para o coração)
Pergunta: Julian, compreendo o conceito da aceitação, mas não poderá dar-se o caso de uma criança de nove meses portadora de uma (...) no cérebro, e que tenha a cabeça assim (…) e ser curada, apesar da criança não o perceber, ou mesmo de não conhecer o suficiente para o aceitar? Como é que isso se opera?
Julian: A criança aceita-o. A criança aceita-o por completo. Geralmente é por volta dos sete anos que deixa de aceitar. A criança nasce completamente espiritual, completamente aberta, completamente ciente e em completa aceitação. Ela “acredita” em milagres! Não por palavras, mas no íntimo. E assim, ela acha-se plenamente aberta a isso. Ao entrar mais em contacto com o mundo material e os sentidos físicos, tende a afastar-se dos sentidos espirituais e a deixá-los de lado, por assim dizer.
Pergunta: …Nem sempre ocorre a todas as crianças. (Julian: Não.) Onde estarão, pois, os bloqueios? Digamos que no caso da criança de nove meses…
Julian: Os impedimentos poderão estar naqueles que oram pela criança. Eles poderão acreditar que não possa ocorrer.
Pergunta: Nos elementos mais chegados da sua família? Estou a perguntar isto por em três crianças uma é curada e as outras duas não. (Julian: Pois) Isso dever-se-á mais àqueles mais chegados da sua família?
Julian: Poderá dever-se a alguém da sua família que não acredite, ou que sinta ressentimento por isso, e também se poderá dever a um padrão cármico por que a criança tenha que passar.
Pergunta: Se quisermos ser, digamos, um artista, e tivermos talento, mas se em vez de querermos tornar-nos artistas por uma questão de autorrealização ou pela simples questão de sermos artistas, será errado tornar-nos num artista realmente bem aceite? Haverá alguma coisa de errado…?
Julian: Não! Se acreditarem o suficiente em vós próprios para pensarem que isso possa suceder, por que hão-de preocupar-se?
Pergunta: Então, onde é que tem início a ganância?
Julian: A ganância não tem nada que ver com isso. Estamos a falar em se tornarem artistas. Se forem artistas suficientemente bons e o vosso trabalho for suficientemente bom, então dediquem os vossos esforços a tornar-se nisso, e assim poderão colher a compensação disso. O dinheiro não tem nada de errado. O que as pessoas fazem com o dinheiro é que pode ser errado. O átomo tão pouco tem algo de errado; o que as pessoas fazem com ele é que pode ser errado. A questão está em que nada de errado existe no facto das pessoas possuírem dinheiro. É o que permitem que o dinheiro lhes faça que faz a diferença.
Muita gente pensa que se tivesse dinheiro não teria problemas na vida. Mas até que resolvam os problemas em vós, independentemente do dinheiro que tiverem, não irão ser felizes. Por ainda não terem resolvido os problemas. Portanto, quando mencionas o caso de seres uma excelente artista, então o melhor é que digas: “Eu sou suficiente artista para ser reconhecida. E se tiver o suficiente para ser reconhecido, então terei o justo e adequado a mim própria.” Aquele que repete incessantemente que é um grande artista e que ninguém o aprecia, nunca virá a ser alvo de apreciação, por já ter afirmado que ninguém o aprecia. Isso é o que manifesta.
Pergunta: Julian, em relação à pergunta da cura carismática e da oração, não será possível que muita gente se congregue e nada ocorra, embora todos estejam a aceitar mais mas não cheguem a aceitar a energia, e então chegue uma pessoa que possua mais poder que as demais e seja capaz de a distribuir. Por outras palavras, não será mais o caso dessa pessoa em particular possuir essa energia ou uma corrente de energia que possa transmitir às outras, do que aquelas se contentam em esperar por ela?
Julian: Bom, a última aula desta série que vamos ter, terá que ver com a transmissão das energias. E nessa aula vou entrar nessa matéria. Contudo, aquilo que quero que compreendam, é que múltiplas energias num mesmo espaço, todas subordinadas a um mesmo padrão de pensamento, aumentam o poder. Assim, nesse poder incrementado dá-se uma maior capacidade de ser aceite devido ao sistema de crenças que é incrementado.
Sabem que se acreditarem em alguma coisa, já o terão começado a manifestar. Por outras palavras, quando dizem “Eu creio,” já se terão aberto à aceitação disso. Poderá haver alturas em que ninguém seja curado numa reunião carismática (Pentecostal) dessas, o que simplesmente significa que não seria a altura adequada. Mas quer os crentes constatem ou não um milagre, eles voltarão, e esses serão os verdadeiros crentes. É aí que o poder começará verdadeiramente a formar-se.
Pergunta: Aquele sentimento de desmerecimento de que falavas; supõe que oramos por algo e não tenhamos consciência de ser uma hipocrisia, mas subconscientemente seja…
Julian: Antes de mais, antes de entrarem em oração digam: “Pai, eu aceito que sou digno.” Por que assim estabelecem de imediato o padrão. “Sou merecedor do que peço. Peço-te que me escutes.” Usem essa afirmação.
Pergunta: Eu só gostava de percorrer essa via da oração; tu disseste que primeiro precisávamos de… esqueci em que é que precisávamos focar-nos primeiro, ou pensar no que seja…
Julian: Quando vão orar, precisam saber por que é que oram. A seguir precisam dispor-se a abrir mão disso e a dizer: “Agora traz-mo do jeito que perceberes.” Mas não digam: “Por favor, Deus, faz-me feliz.” Porque Deus podia dar-lhes tudo quanto conste do livro, e vocês não ficarem satisfeitos, por não saberem o que é que os deixa felizes. Digam: “Estas são algumas das alegrias que tenho na vida.” E a seguir terão que cooperar com isso. Terão que ser uma pessoa ditosa pelo melhor de que forem capazes. Precisam querer levar alegria a mais alguém. Comecem a fluir, de modo que isso possa entrar e sair. O poder da oração constitui o maior poder no universo.
Pergunta: Se conhecermos a verdade – por exemplo, estou a pensar em termos de dignidade, ou por outras palavras, se aceitarmos o facto de que Deus está dentro de nós e de que nós somos dignos, mas ainda assim tivermos sentimentos negativos quanto ao contrário, não nos sentimos merecedores e temos problemas com isso; não poderemos simplesmente orar a Deus a pedir…?
Julian: Alguma vez estiveste numa igreja ou num templo em que repetem a litania, as mesmas palavras, uma e outra e outra vez? Tenta resolver isso em relação a ti própria, por que o que acontece é que interferem com a aceitação subconsciente da vossa dignidade. Assim, sempre que um pensamento negativo se imiscuir, têm alternativa – ou conceder-lhe poder ao permanecerem a cismar nele, ou dizer: “Basta! Fora com isto!” e dedicar a vossa mente a alguma outra coisa.
Pergunta: Em termos de oração, ter uma conversa com Deus e dizer: “Deus, eu sei que existes em mim. Ajuda-me a superar este padrão errado de pensar e a perceber que sou merecedora?”
Julian: Então cumpres com a tua parte. “Ajuda-me a aceitar-me plenamente como digna. Deixa-me livrar desta dúvida que nutro em relação a mim própria.” Assim, começas a desempenhar a tua parte, que é o pensamento positivo. Mas sabes que mais, sempre lhes surgem pensamentos negativos na mente, mas vocês dispõem de escolha nesse exacto instante; quer com respeito à atenção para com o pensamentos negativo, ou dizer: "Estou ocupada com outra coisa." E colocam o pensamento noutra ideia positiva. Por disporem de livre-arbítrio, e disporem de alternativas, e por poderem fazer a diferença. Em qualquer altura da vida, literalmente, vocês dispõem do direito de escolher a que dedicar a vossa energia. É demasiado fácil recordar todos os episódios de mágoa, todas as vezes em que tudo tenha corrido mal.
Vocês têm uma reunião de família e o que recordam é alguém que se tenha embebedado. Pensem em todas as coisas boas que tenham ocorrido nessa reunião de família. Vocês dispõem do direito de dedicar o vosso pensamento a uma situação positiva, e ao fazerem isso criam situações positivas em vós e isso começa a manifestar-se ao vosso redor, e a vida torna-se mais afortunada.
Pergunta: Julian, por vezes tentar as coisas que nos aborrecem parecem uma tolice, e é uma coisa que ultimamente me tem aborrecido um pouco e que não sei muito bem como pôr em perspectiva. O autoconhecimento e a compreensão própria sempre foram muito importantes. Eu sempre fui muito feliz e os últimos anos têm sido muito afortunados para mim. Mas por um lado ultimamente tenha olhado para traz e tenho pensado que tenho sido tão feliz que realmente não tenho olhado a fundo, não tenho sentido esse tipo de pressão, e isso tem-me andado a incomodar.
Julian: Muito bem. Quando as coisas correm mal vocês voltam-se para a oração; quando as coisas vão mal voltam-se para a parte de vós mais elevada. Quando correm de feição, é como se: "Não tenho estado em contacto ultimamente." Mas isso representa a manifestação das orações de outras alturas. Por outras palavras, se orarem hoje, dizem: "Isto é o que eu gostaria de ver acontecer," e esforçam-se ao máximo por que isso aconteça, de modo que vem o ano seguinte e tudo sucede, e ficam agradavelmente felizes. Tudo bem, regozijem-se com isso e digam: "Obrigado." É tudo quanto precisam dizer. Isso não quer dizer que tenham perdido contacto convosco próprios, mas ao invés, terão atingido a plena percepção de que podem manifestar a partir de vós próprios, de que conseguem criar uma vida afortunada e boa, o que constitui a melhor e mais plena aceitação de todas.
Pergunta: Esta é a minha última pergunta da noite. Eu estava a assistir, mesmo por acaso, a um daqueles programas de igreja que passam na televisão em que o ministro falava acerca da oração que funciona, da oração dotada de poder, e o exemplo que deu foi o de um homem santo do Velho Testamento que orava a Deus para que conseguisse vencer os seus inimigos, oração essa a que Deus atendeu ao matar milhares de pessoas, mas essa explicação...
Julian: Pensas que tenha sido a resposta à sua oração? Deixa que te diga uma coisa, Deus não toma partido. Alguém de cada uma das facções iria morrer, por estar a decorrer uma batalha. Mas isso não é obra de Deus.
Comentário: Ele serviu-se disso a título de uma das orações que resultam, por ele não entender que há milhares de vítimas de cada lado que também oram a Deus para se livrarem dos inimigos. Claro que isso não é uma oração. A questão está em que deveriam orar pela paz, por um ajuste pacífico.
Julian: Entendam que o homem, através da ganância e da avareza, produz a guerra. E essas guerras manifestam outras guerras, por agora existir um padrão cármico que terá que repercutir noutra parte qualquer. Mas Deus ama por igual. E é por isso que, quando pensam não ser merecedores, o melhor é que percebam que os ama tanto quanto ao fulano que seja inteiramente digno.
Nós vimos de uma era em que o medo foi o instrumento de ensino predominante, por o homem estar a aprender a focar-se, e por vezes o único jeito de se focar é produzido pela ameaça. Encontram-se agora no undécimo ano de uma era que anuncia que o amor é o instrumento efectivo do ensino. Não orem pelo domínio do inimigo, orem por que o inimigo encontre a paz, porque se ele encontrar a paz, vocês irão encontrar a paz. Ao longo do tempo a oração foi muita vez perniciosa, mas é um diálogo com Deus na crença e na aceitação de que, com a combinação de ambos, consigam manifestá-la.
Na próxima semana vamos abordar padrões efectivos de oração e a forma como funcionam. Gostaria de terminar a noite com uma oração - com um brinde, diz ele. Tudo bem.
Fechem apenas os olhos por um instante, e por um momento pensem em algo que gostariam que fosse diferente na vossa vida. Que pequena coisa gostariam que fosse diferente em vós, na vossa vida? Enquanto mantêm essa ideia em mente quero que sintam mesmo no âmago do vosso ser luz. Sintam-lhe a calidez e o seu conforto. Deixem que aumente até que essa luz divina os preencha. Deixem que aquela mudança que desejam sofrer na vossa vida seja inundada pela luz divina. Vejam-no. Se optarem por o aceitar agora, digam: "Eu aceito o poder interior, e o poder exterior; juntos iremos criar. Eu sou digno de receber. Eu aceito. Que assim seja."
Quando executarem este pequeno exercício de novo, fazem o mesmo ritual, aquietam-se e sentem a luz divina a inundá-los. Depositem a vossa oração na luz divina, e se ainda a perceberem como merecedora, então aceitem a vossa dignidade e a capacidade que têm de a tornar vossa.
E agora, meus amigos, possa a luz divina da cura enchê-los e rodeá-los; possa o amor divino trazer-lhes alegria e paz, e possam vocês realizar-se em todos os moldes a cada dia. Vocês são uma parte viva da divindade; aceitem-na e saibam que é real.
Em nome do criador e dos filhos e do espírito que os torna Um, dedico-lhes a minha bênção e desejo-lhes boa noite.
SEGUNDA PARTE
Boa noite; estou encantado por me encontrar convosco de novo esta noite, e por continuar o nosso debate subordinado à oração e ao poder que tem.
Importa bastante que tenham presente que, na oração existe uma comunicação proveniente das profundezas internas do ser; não se trata somente da palavra pronunciada, não é mera declaração de platitudes, mas de uma comunicação interna, uma que admite um lado vosso que muita vez mantêm ocultada do mundo - abrir-se a ela e comunicar com a força divina.
Bom; na oração toda a gente comunica através do seu aspecto divino com aquela divindade que se encontra mais além. Alguns chamam a isso Buda, outros chamam-lhe Deus, outros ainda chamam outras coisas que tenham cabimento nos seus sistemas de crenças; mas trata-se de um chamado a apelar à união da energia destinada à clarificação da situação e de vós próprios. Uma oração não é satisfazer uma lista de mercadorias, mas um movimento de energia de um para outro ser, pelo que a oração constitui um modo de uso da energia que faculta uma união entre a força superior em vós e a força superior do universo - que poderá unicamente activar em vós uma expansão de todos os vossos sentidos e uma oportunidade de melhor compreenderem onde se encontram e de como lidar com isso. Lembrem-se do que dissemos na semana passada, quando algo corre mal dizem: "Ai, meu Deus." Nessas palavras mesmo, apelam a uma intervenção.
Se reconhecerem que a energia de que procedem, a energia de que são feitos, é a mesma energia de que tudo quanto existe é composto, compreenderão que a comunhão pode ocorrer entre vós próprios e todas as coisas no universo. Agora, de acordo com o modo como se sentirem com respeito a vós próprios, também determinarão o nível do qual se permitirão pedir auxílio. Alguns dizem: "Eu não vou orar a Deus, mas vou pedir ao meu vizinho." Acham que se encontram ao mesmo nível, pelo que não faz mal.
Quanto maior for a autoestima que tenham, mais serão capazes de aceitar o facto de não poderem separar-se dessa força divina, por serem compostos dela. E ao admitirem a partícula dela que são, e se reunirem com a partícula divina, expandem a vossa própria; e com a expansão da luz só pode resultar claridade.
Agora, uma das razões por que muitas pessoas alegam orar e não receber uma resposta, deve-se a que não orem mas pechinchem. “Faz isso por mim, Deus que eu serei…o que quiseres que eu seja. Que Alá seja louvado por deixar que tal me aconteça.” Apelam à força superior e tentam negociar com ela. Mas onde quer que a permuta se achar presente não haverá aceitação. Não aceitam que possa fazer alguma coisa por vós sem que tenham que dar algo em troca. Transformam isso numa mercadoria.
No dia em que conseguirem pedir por clareza: “Se eu for o pior pecador existente à face da ter” - mas façam o favor de recordar que menciono “pecado” por vocês o usarem no vosso mundo, por se tratar de um termo corrente no vosso mundo – vocês poderão ser desprezíveis, digamos, e ainda assim orar, conquanto acreditem que a oração possa ser atendida.
A segunda razão porque a oração não é bem-sucedida, deve-se a que a emitam, mas fracassem no reconhecimento de que o dispêndio da energia a que acorrem em busca de auxílio, possua um enorme protecção da visibilidade. Ela pode ver mais, conhecer mais e compreender mais. Assim, dizem: “Muito bem, Deus, isto é o que eu quero e aqui está a forma como o quero.” Suponham que haja algo maior; a vossa limitada visão abriga ideias preconcebidas e preconceitos quanto ao que corresponda à resposta final. A resposta poderá ser muito mais grandiosa e melhor do que a ideia que têm de uma resposta final, e quando apelam à ajuda divina devem pedir uma intervenção divina que lhes traga aquilo de que realmente estejam em busca, que poderá ser muito mais do que tenham sido capazes de ver. Está bem? Então, da próxima vez que orarem, digam: “Mostra-me. Escuta-me. Atende à minha necessidade. Atende-ma pela forma mais adequada ao meu desenvolvimento.”
Quando oram e se debatem com isso, estão a imiscuir-se no caminho da oração. Assim, orem com abertura e aceitação, e com a garantia de que não faz mal orar. Desde a infância que muitos de vós abrigais preconceitos quanto ao que ser uma "boa pessoa" signifique. Têm ideias preconcebidas quanto ao que faça com que os torne elegíveis para ver as orações atendidas ou não. Se reconhecerem que aos olhos de Deus não existe separação, e que Ele os ama a todos por igual, e que não estão diante da corte para que se diga que somente o tipo bom recebe a recompensa, mas disserem: “Mas eu não fiz o que era suposto até ao momento, pelo que não gozarei do direito de o ter agora, ou de ter com que algo de bom venha a mim; eu voltei as costas a outros, pelo que deverei passar pelo mesmo,” isso não será um juízo do Deus mas vosso. Vocês são quem o está a fazer a vós. Mas na medida em que a satisfação da coração se baseia naquilo que emitem, vocês já estão a negar a vossa oração. Compreendem aquilo que estou aqui a dizer? Por se tratar de coisa muito importante.
A oração baseada no julgamento do semelhante, ou no desejo de o prejudicar, não é uma oração, e por conseguinte não pode ser ouvida. Se orarem: “Que aquele tipo seja atingido por um comboio para que eu alcance aquilo primeiro,” isso não é oração nenhuma mas uma (declaração de) guerra. Devem saber que se podem abrir e dizer: “Que o que for justo e adequado a mim suceda,” que virá a suceder. Mas se já estiverem resolvidos a conseguir o emprego ou a coisa, e for a única coisa que consigam ver como uma resposta para a oração, e o outro tipo o conseguir, vão sair por aí a atestar: “Vês, eu bem te disse que a oração não funciona.” E consequentemente vão deixar de tentar, e não vão obter qualquer êxito. Mas se lhe derem a volta e disserem: “Há uma razão para que não o obtenha, e a razão é alguma coisa melhor à espera, por a força divina aferir a minha necessidade,” serão capazes de passar para coisas maiores e melhores, sem precisarem preocupar-se por ter perdido a vossa escolha inicial. A vossa primeira escolha foi o que foi apenas por não terem conseguido perceber a segunda, terceira ou quarta alternativa, mas a força divina pode. Sabem o ditado que empregam no vosso mundo, que diz para se acautelarem com aquilo que pedem, por poderem mesmo obtê-lo. Mas aqui vem a minha afirmação preferida: “Não há meias medidas. Vocês apanham com tudo o que acompanha aquilo que almejam.” De modo que pedem por alguma coisa e recebem tudo quanto isso envolve, e não só as partes escolhidas que querem usufruir disso. Se quiserem o trabalho bem remunerado irão receber a carga de trabalho que acompanha isso; se quiserem trabalhar em função da prossecução das actividades vão valer uma preciosidade. Se quiserem chegar ao quadro honorário precisarão estudar e trabalhar para o conseguir. Não há meias medidas.
Portanto, quando pedem, reservem um tempo para reflectir um pouco naquilo que estão a pedir. Se se levantarem todas as manhãs e disserem: “Os poderes estabelecidos e os poderes existentes em mim são um, pelo que este dia irá apresentar tudo de bom para mim,” irão passar um dia excelente. Por já terem estabelecido o padrão para o vosso dia internamente em vós, pela aceitação da união com a força divina externa.
Quando trabalham com as pessoas, e carecem de uma enorme compreensão delas, peçam por que a clareza se faça presente, peçam por que a condição divina em vós lhes forneça as palavras adequadas, e para serem orientadas pela vossa condição divina externa de modo que as palavras adequadas, as escolhas acertadas, as decisões correctas surjam. Por outras palavras, aquilo por que clamam é pela clareza. E a clareza mostrar-lhes-á o caminho. Agora vamos a perguntas, está bem?
Pergunta: E se alguém orar a partir de um grupo negativo (e aqui estou a fazer uma crítica, digamos, aos Hare Krishna) e queira erguer o seu próprio império. Alguém que seja ignorante no grupo dos Hare Krishna ore por qualquer coisa que receba, isso funcionará?
Julian: Sim, funcionará, por ele não o encarar como algo negativo, mas como algo que é desejado.
Pergunta: E que dizer disso na Alemanha Nazi, digamos, em que alguém ore pela ascensão do Terceiro Reich, isso também seria atendido?
Julian: Ela ascendeu, não? A oração é atendida pela orientação… mas se recuarem o suficiente na história, perceberão que aquilo por que inicialmente oravam era manteiga para barrar o pão e por comida para colocar na mesa, e não encaravam a coisa à luz do fanatismo que mais tarde sobreveio. Começou como algo completamente diferente daquilo em que mais tarde se tornou. Não coisa definida alguma que diga que somente determinadas orações sejam atendidas; as orações constituem um sistema de crenças, e se vocês acreditarem, poderá suceder-lhes ou vir ao vosso encontro.
Tu estás a julgar pelos teus próprios padrões o fanatismo que a certa altura a Alemanha representou, por intermédio da compreensão que tens do que já tenha sucedido. Isso nada tem que ver com a oração. A oração tem que ver com as pessoas que numa situação pedem por uma intervenção pela qual recebam aquilo que melhor se lhes adeque à condição ou época. Agora, o observador externo poderá pensar: “Como poderão as atrocidades alguma vez ser aceites?” Não há maneira de sabermos por que uma atrocidade seria aceitável, porque por todos os conceitos do homem possivelmente não poder ser. A menos que esteja relacionado com a lei do carma, mas o carma é criado a todo o instante da vida.
Vocês sabem, de vez em quando alguém diz: “Eu vim a esta vida carregando este carma, mas assim que o tenha saldado ficarei bem.” Mas como vocês agem todos os dias da vossa vida, criam novo carma, de modo que poderão estar a encher o cesto por um lado e a esvaziá-lo pelo outro. Se o sistema de crenças estiver presente, a oração funciona. Uma organização ascende ao poder por meio de um número suficiente de pessoas que creiam nela, para fazer com que isso aconteça. Isso não representa necessariamente uma oração por uma coisa, mas um objectivo ligado à manifestação da energia. Mas a oração que é emitida por qualquer um, que possua a acompanhá-la a crença de que possa ser atendida, receberá uma resposta; poderá não ser a resposta que pense que venha a receber, mas será uma que será necessária a essa circunstância e momento.
Pergunta: É declarado, Julian, no Novo Testamento, que Jesus terá dito que todo aquele que vier ao Pai por intermédio dele, verá o Pai. A mim isso parece limitado. Não o poderias explicar?
Julian: Essa é a interpretação da Escritura. Quando Jesus afirmou: “Eu sou o caminho,” ele não se referia a “mim,” a carne. O que ele queria dizer era que lhes mostraria como, quando fossem um só com a força divina, o caminho se lhes abriria. E quando afirmou: “Tudo isto e mais farão vocês,” ele falava sério, por o que ele estava a mostrar era a existência una com o poder divino, com Deus, pelo nome que quiserem tratá-Lo, e que esse poder em vós seria desperto e poderia funcionar. O que ele queria dizer quando disse: “Igualem os meus caminhos e capacitar-se-ão a ver a luz, a ver o Pai,” não era: “Agarrem-se às abas das minhas vestes e fiquem em dívida para comigo.” Há muitas traduções de escrituras antigas literais a ser feitas que são muito restritivas, por ter sido tudo quanto terá sido possível compreender por essa altura. Deus é, vocês são, e ambos formam Um só, e nada poderá alterar isso.
Pergunta: Mencionaste mais do que uma vez o termo “clareza,” e eu gostaria de saber o que exactamente queres dizer com isso.
Julian: Muito bem. Com o termo “baptismo” (Christing, em Inglês) não nos referimos a Jesus, o Cristo, mas a Cristo enquanto luz, luz que proporciona a iluminação que conseguem perceber. Por isso, clareza representa a luz de Cristo a abri-los para que possam ver o caminho que seja correcto para vós, ou a atmosfera apropriada na situação em que se encontram no momento.
Pergunta: Se orarmos a Deus por ajuda e auxílio na orientação da nossa vida e o aceitarmos e tratarmos disso, não precisamos pedir um monte de coisas...?
Julian: Não, não precisam. Ouviram esta pergunta? Ela perguntou, se pedirem a ajuda de Deus na vida, não precisarão pedir muitas coisas. Não precisam. Se disserem: "Orienta-me," irão saber que rumo tomar e o que fazer. Irão saber quando será altura de se chegarem atrás e quando será o momento de seguir em frente. Se acreditarem que a força divina os irá ajudar e pedirem a orientação de Deus e a seguirem, na realidade isso será tudo quanto precisam. Tudo o mais será alheio.
Pergunta: A imagem que temos de nós próprios, determina o nível em que comungamos com a força divina. Como poderemos alterar essa energia se a imagem for muito má?
Julian: Há duas formas de examinarem a questão. Quando faço menção à vossa imagem ou a autoestima, refiro que se gozarem de uma fraca autoestima na decorrência da qual acharão não ser dignos, então estarão a intrometer-se no caminho da vossa energia. Se gozarem de uma fraca autoestima e disserem: "Deis, não sei o que fazer, ajuda-me," isso representará uma oração. Não estão a dizer: "Não o consigo, devido a que..." Estão a dizer: "Não consigo ver. Ajuda-me." Se estiverem enfiados em areias movediças e estiverem a ser engolidos, não se detêm com aspectos técnicos, mas gritam por socorro. Pedem por clareza.
Pergunta: Eu tenho duas perguntas. Uma é, qual será a diferença que existe entre a oração e a meditação?
Julian: Meditação é quando escutam Deus, ao passo que a oração é quando suplicam. Uma é quando falam e a outra é quando escutam.
Pergunta: Então devemos fazer ambas...? (Julian: Sim) E a outra pergunta era, quando referes que não se deve orar para provocar a negatividade sobre outra pessoa - que dizer do vodu? Não se assemelhará o vodu a uma oração destinada a prejudicar outros?
Julian: O vodu constitui um foco de energia, e opera quando as pessoas o temem.
Pergunta: É mais um factor psicológico?
Julian: Temem-no e assim estão a outorgar-lhe o poder. Se estiverem a usar um cachecol roxo ao pescoço e eu lhes disser que lhes vai acontecer alguma coisa de drástico, incorrerão na probabilidade de irem a descer as escadas e ficarem presos no corrimão e sofrerem um ataque cardíaco. A questão assenta na síndroma do medo que confere o poder ao objectivo de alguém que tenha tal intenção.
Pergunta: Julian, poderias dizer-nos de que modo poderão as orações ajudar as entidades desencarnadas, e como isso funciona?
Julian: Muito bem. Como é que as vossas orações poderão ajudar as entidades desencarnadas, aqueles que partiram antes. Em primeiro lugar, quando uma pessoa se encontra no plano terreno ela traz consigo uma série de sistemas de crenças. Por vezes, quando atingem o meu mundo, sofrem um enorme choque por não corresponder àquilo que pensavam que fosse, por não serem julgados nem serem banidos para limbo nenhum, por nada disso lhes acontecer, em resultado do que a confusão se pode instalar. Alguns poderão dizer: "Isto é óptimo, e fico encantado por aqui ter chegado, enquanto outros poderão ainda andar a olhar por cima do ombro com receio de isso ser demasiado bom e alguém poder surgir e deitar uma bomba a qualquer instante.
Essa gente escuta os pensamentos de afecto que vocês emitem e o desejo que nutrem por que atinjam a claridade e por isso são ajudados, nos períodos de ajustamento, à aceitação da sua condição. Para aqueles que se acham ligados à terra, ou seja, que se acham tão presos à Terra que se recusam a seguir além de um plano astral, e que se encontram na mais completa confusão ainda a pensar que estejam na Terra, as vossas orações ajudam-nos a voltar-se para a luz, ou seja, a luz daqueles que aí se encontrem a tentar conduzi-los ao lar – as forças divinas. Assim, quando rezam para que possam ver e seguir a luz, estão a ajudá-los com a claridade de que precisam para se sentir completamente confortáveis na sua condição.
Pergunta: Se Deus é omnisciente e amor, gostava de saber por que razão Ele não nos dá tudo quanto precisamos em qualquer caso, com ou sem oração.
Julian: Começaste assim: "Se Deus é omnisciente e amor, porque não disporemos de tudo quanto precisamos?" Na realidade dispõem; aquilo que vocês na vossa personalidade começam a determinar que precisam, etc., é que os coloca em apuros. E o homem criou para si próprio muitos becos sem saída no seu mundo, ao longo dos tempos, coisa em relação à qual nesta era procura criar clareza para poder inverter. É já tempo de verem que todos os catraios que nascem com tudo quanto precisam para explorar tudo quanto tenha acontecido antes de o entender. É por isso que encontram no vosso mundo de hoje muito mais vias abertas para as doutrinas espirituais etc., do que há trinta ou quarenta anos atrás, por as pessoas andarem em busca daquela força invisível.
Pergunta: Quando deste aquela aula subordinada ao mundo animal, alguém perguntou se seria correcto caçar animais e tu disseste que se fosse por uma questão de alimento tudo bem, mas que se fosse por uma questão de desporto ou de crueldade, aí seria errado, e que um possível carma que a pessoa poderia contrair seria a necessidade desse alimento, aves domésticas ou seja o que for, num tempo futuro. A minha pergunta é a seguinte: Se faltar alguma coisa a alguém, quer se trate de comida ou seja o que for, por razões cármicas, a oração contraria isso? Alguém o conseguirá por orar?
Julian: Vamos voltar a falar aqui do reino animal e da diferença entre a caça por uma questão de sobrevivência, alimento e vestuário, e da caça enquanto questão de desporto, para posteriormente descartarem a carne, etc. Uma não representa necessariamente chacina e a outra deve-se à sobrevivência, pelo que... Mas por a terra ter estado subordinada à lei da sobrevivência durante tantos anos, à sobrevivência dos mais fortes ou aptos, por assim dizer, vocês caem nesse padrão. Agora, se matarem para comer, abençoam o alimento e o que fazem é dar graças pelo suporte nutriente que lhes proporciona, pelo que o animal não terá morrido em vão, por assim dizer. Mas o melhor será que também abençoem a cenoura, sabem...
Pergunta: A oração contrariará uma necessidade que tivermos, mesmo que essa necessidade seja carmica...?
Julian: A oração pode ajudá-los a obter clareza quanto a ser certo ou errado fazerem alguma coisa. E se realmente derem atenção... e têm muitas alturas na vossa vida em que terão dito alguma coisa ou feito algo ou agido de uma forma que sabiam bem no fundo do vosso ser uma coisa ordinária.
Pergunta: Eu gostava de saber quão forte será o bem contra o mal, na medida, por exemplo, em que, se orarmos por algo de mal, isso é manifestado caso um número suficiente de pessoas o faça, como por exemplo no terceiro mundo...
Julian: Recorda-te de uma coisa (...) orar por algo de mal, está bem?
Pergunta: ... sim, como por exemplo, estes milhões de pessoas como Khomeini no terceiro mundo que oram pela destruição... milhares, milhões, mais do que os que oram pelo bem...
Julian: Desde o começo dos tempos que as facões se dividiram, e cada lado ora a Deus pela chacina do outro. Pela lei da polaridade e do equilíbrio, deu-se chacina em ambos os lados, não por Deus ter atendido tais orações mas devido a que o homem tenha optado por fazer a guerra. Deus jamais sancionou qualquer guerra.
Pergunta: Mas há tantos, e do lado dos bons há tão poucos; podemos não o conseguir constatar aqui, mas se compararmos a população da Terra...
Julian: Isso não passa de uma suposição da tua parte, por aquele que não o expõe neste lugar, não querer dizer que ore por que ocorram coisas admiráveis no mundo. Esta sala não constitui o único lugar espiritual, ou oásis, existente no mundo. Há seres espirituais espalhadas por todo o mundo, por todo o universo, que oram pelo bem. Deveriam orar por uma orientação e pelo que seja bom e perfeito, não “Pelo que eu quero,” porque nisso reside a diferença. Por isso, jamais presumam que estão sós, porque assim que fizerem isso estarão a dizer: “Para que incomodar-me se não bastamos?” Entendes? Dizem: “Quando uma voz é escutada nas trevas, ela gera som e movimento.” Quando uma vela é acesa na escuridão, terá dado origem à luz.
São demasiadas as vezes em que ouço dizerem no vosso mundo: “Que poderei fazer? Sou só um.” Mas podem acender uma vela e pronunciar uma só palavra.
Pergunta: Estarás familiarizado com o termo “Ajustador do Pensamento?”
(NT: Conceito que surge no Livro de Urantia, Documento 107)
Julian: Estou.
Pergunta: Reconhecemos que esse ser existe em cada um de nós?
Julian: Esse ser é uma das forças angélicas ou divinas que os rodeiam. Eles não lhes ajustam as ideias por não poderem interferir com o livre-arbítrio, mas não permitem que uma ideia que se possa tornar destrutiva para vós seja permanentemente usada sem os advertir quanto a isso.
Pergunta: Pois, mas não é dessa ideia que estou a falar com isso de “ajustador residente.”
Julian: O ajustador residente é o vosso Eu Superior, a vossa consciência superior, que nunca os irá deixar ficar mal por toda a oração que fizerem, ou tudo quanto lhes for comunicado além de vós e por vosso intermédio terá que provir daí. O ajustador interno… os factores externos precisam respeitar o vosso livre-arbítrio mas esse Deus interno em vós irá sempre ajudá-los a ter conhecimento se tomarem o beco sem saída. Vocês sabem, por obterem aquela sensação. Quantas vezes a tentam afastar dizendo: “Não, não, não, por a minha mente, a minha personalidade, o meu ego mo dizer…” No vosso íntimo vocês sabem, e isso nunca os conduzirá ao erro.
Pergunta: Só mais uma pergunta sobre o ajustador. Será que o Ajustador se reúne connosco após a nossa morte neste planeta?
Julian: Quando o corpo físico parte, esse ajustador é a mente que acompanha o corpo espiritual. A mente supraconsciente é a mente do corpo espiritual que comporta a alma. Esse é o corpo eterno.
Pergunta: Essa informação de que dispões foi uma informação que obtiveste neste plano, ou foi uma informação que te foi dada?
Julian: Esta informação é vivida em todas as existências que alguma vez tenham tido desde o começo do vosso ser, desde o primeiro alento. Foi por isso que aquele cavalheiro perguntou se teremos o suficiente. Sim, têm o suficiente, por possuírem não só as experiências desta vida mas tudo quanto tiverem conhecido ou aprendido, que pode ser sondado nesta vida, caso realmente optem por isso. E caso optem por o fazer por uma razão que seja digna. Aquele que quer tornar-se num sabe-tudo não encontrará as respostas. Aquele que queira conhecer algo que possa usar de uma forma produtiva na vida, conhecerá as respostas. Obrigado pela pergunta que fizeste.
Pergunta: Quando oramos por alguma coisa e essa coisa acontece, como haveremos de saber se a oração terá sido atendida ou se teremos clareado a intenção que tínhamos e a teremos manifestado através do nosso livre-arbítrio?
Julian: Como haverão da saber se terá sido a oração ou o quê...? Que diferença fará isso? Diz-me, que diferença fará? Se disseres: “Eu tenho que chegar ao Município,” e não conseguires apanhar um táxi e passar um autocarro, irás interrogar-te se o táxi te irá lá levar mais rápido do que o autocarro?
Pergunta: Eu não sei o que pensar. (Riso)
Julian: Aquilo que te posso dizer, meu amigo é que estás a analisar as energias divinas; estás a tentar condicioná-la em embalagens de 150gr. Quando oram e uma resposta lhes vem ao encontro, ela vem sob a forma que lhes esteja destinada como a forma mais benéfica na vossa vida. Vocês também poderão entreter todo o tipo de ideias com relação a isso, e todas se enquadram na ideia da oração; por isso, conquanto venha ao vosso encontro e lhes prove que é benéfico, por que haverão de se incomodar com a “versão” que tenha causado o seu atendimento? Elas irão todas fazer parte da vossa vida.
Pergunta: O Espírito também orará, e caso o faça, vocês os serafins carregarão uma maior responsabilidade...?
Julian: Nós detemos um pouco mais de clareza porque... Muito bem, ele pretende saber se o Espírito ora e se um serafim como eu tem uma maior responsabilidade, uma maior influência. (Riso) Eu poderia fazer um bom trocadilho com isso, mas não o vou fazer. (Riso) A questão que aqui se coloca é que a clareza de uma força maior por parte de uma força desincorporada é um pouco mais clara, por nos situarmos sobre um promontório que nos permite ver além, o horizonte além do vale, enquanto vocês se encontram no vale e não conseguem ver por causa das árvores, pelo que talvez gozemos da clareza que vocês buscam, mas enquanto irmãos do Homem, nós temos um poder idêntico. O homem pensa que não tem poder, por ter passado a guiar-se mais pelo aspecto físico da personalidade do ego, mas quando começar a entender que essa é a parte do seu ser que é secundária, e que a parte primordial é o aspecto do Eu Interno Divino, então ele reconhecerá o verdadeiro poder de que goza. Mas esse tempo é chegado, meus amigos. O mundo está cada vez mais a passar para a aceitação do Poder Divino dentro de vós. Agora, quanto a carregar um maior peso, creio que seja mais clareza do que influência (cunha).
Pergunta: Quando oramos pela capacidade de ver a luz também oramos pela capacidade de escutar o som?
Julian: “Quando oram pela faculdade de ver a luz também oram pela faculdade de escutar o som?” Dizem: “Deixa que ouça o que preciso ouvir e por que forma mais conveniente que o precise ouvir.” Quer seja uma visão que tenham ou uma palavra que ouçam, ou simplesmente estar no sítio certo à hora certa, também isso será óptimo. A chave está em reconhecer que se aceitarem que possa ser, isso possa passar a ser. Mas a aceitação do facto de que possa ser não precisa ocorrer em cinco minutos. Caso também reconheçam que têm uma obrigação física para com a oração. Por outras palavras, não orem para virem a ser o maior dos médicos do mundo enquanto falham no estudo para os vossos exames. Não rezem para se tornarem no maior dançarino do mundo enquanto evitam ir aos exercícios. Não rezem por se tornarem seja no que for enquanto tudo fazem para fugir ao exercício físico que os conduza a isso, por se situarem num mundo físico e o mundo físico precisar do contributo ou da contrapartida física. Portanto, se criarem uma equipa de trabalho, irá resultar muito mais depressa.
Mas lembrem-se sempre, e já o disse antes, a oração nunca é negada, mas por vezes sofre um atraso, por na verdade haver um tempo apropriado; há um tempo para todas as coisas, e por vezes, aquele que ora por que alguma coisa suceda no momento... o exemplo perfeito disso ocorre no que toca às relações. “Por favor, Deus, dá-me aquele... Eu quero-a, eu quero-a, eu quero-a.” E depois não acontece, e vocês dizem: “A minha oração foi-me negada.” E mais tarde poderão descobrir que ele tinha uma segunda personalidade ou que ela será uma stripper, não estou certo... (Riso) Mas a questão está em que esse partido não seria o mais indicado para vós a todos os níveis. Lembrem-se de que se um relacionamento ocorrer em função de uma química corporal, isso não chega, precisa ser fundado em aspectos espirituais, mentais e emocionais, além do da química corporal.
Por isso, por vezes uma pessoa poderá ser muito atraída por alguém, que poderia ser completamente destrutiva para ela noutros níveis da sua vida. Mas assim que obtivesse isso e pensasse que a oração tivesse sido atendida poderia começar a descobrir representar uma situação de completa infelicidade. Por isso quando não for atendida, digam: “Muito bem, haverá alguma coisa aqui que não terei visto, mas eu mantenho o meu apelo pela pessoa certa e indicada.”
Pergunta: Julian, pensas que se permanecermos numa atitude passiva e não pedirmos por nada, mas deixarmos que a vida simplesmente ocorra da forma que ocorre, isso seja suficiente?
Julian: Nem sempre. Ora bem, passividade na medida de uma aceitação, e de que consigam enfrentar o que quer que ocorra na vida, com o que consigam trabalhar, isso é uma coisa; agora, passividade a ponto de não “mexerem uma palha” na vossa vida, isso é negativo. Seja o que for que se apresente em demasia, acaba por se tornar negativo; uma coisa boa em demasia torna-se algo negativo. As coisas ficam feias o suficiente e subitamente sofrem uma reviravolta em função de algo que façam e acaba por começar a tornar-se numa coisa boa. É o equilíbrio da polaridade. Quando não exigem dirigir alguma coisa na vossa vida, quando dizem: “Hoje não tive o tipo de dia que gostaria de ter, mas isso não deu cabo de mim,” isso representa aceitação, e é óptimo. Dizem: “Amanhã será melhor.” Mas caso se tornem passivos a ponto de serem calcados por todos, e de não mexer nada que possa fazer com que a vossa vida aconteça, então isso terá ido demasiado longe e terá alcançado um desequilíbrio. E vocês saberão quanto tiver ido além da medida, por começarem a sentir como se tivessem deixado de ser uma pessoa.
Pergunta: Não compreendi a última coisa que disseste. Quando começamos a...
Julian: Quando deixam que a passividade vá demasiado longe, saberão que terá ido demasiado longe por se sentirem letárgicos, e por sentirem como se não exercessem qualquer controlo sobre a vossa vida, por sentirem como se tivessem deixado de ser uma pessoa. Aí será altura de dizer: (Batendo o pé) “Eu quero que suceda alguma coisa na minha vida.” Tornem-se um pouco ferozes. Desculpa, Frank, se te incomodei com este bater do pé, mas estava a demonstrar energia. (Riso geral) Estás a compreender aquilo que estou a dizer, minha querida?
Pergunta: Julian, sinto curiosidade quanto afirmas que esteja a ocorrer um ressurgimento que se está a dar relativamente ao número de “canais” espirituais que se estão a abrir; será isso um esforço concertado do mundo espiritual, e os nossos canais estarão actualmente a ver restauradas as faculdades...?
Julian: Sim, sim. Os canais sempre têm existido, meu amigo, com respeito ao facto dos canais estarem agora a abrir-se de novo, e cada vez mais vir a surgir canalização, etc. Esta é a era do Espírito e da corrente. A Era do Deus interno, contrária à era de Peixes, da estrutura e da forma, que representava o Deus externo. Assim, os poderes internos começam a sofrer uma expansão. A receptividade para com as operações do poder interno começam a expandir-se. Ainda só se encontram no décimo primeiro ano da era de aquário, e cada era tem a duração (aproximada) de dois mil e seiscentos anos pelo que se encontram mesmo na orla. Mas o décimo primeiro ano de cada era é quando se dá o travamento. Assim, constatarão uma abertura cada vez maior e uma receptividade cada vez mais acentuada para com a canalização, etc.
É tempo de fazermos um intervalo, de modo que vou atender à tua pergunta imediatamente a seguir.
Muito bem, vamos já dar início, e começar pela pergunta que querias fazer mesmo antes de fazermos o intervalo.
Pergunta: Eu queria perguntar se os artistas deste plano, em particular os músicos... quando desempenhamos o canto ou tocamos e oferecemos a nossa música a quem quer que esteja a escutar-nos, se isso será ouvido.
Julian: É claro que é. As artes constituem linguagens universais. A vossa primeira forma de comunicação é feita através do som. A audição foi o primeiro dos vossos sentidos a ser-lhes dado e o último a deixá-los. Assim, quando cantam, ou produzem música a partir do coração, isso é ouvido. E haverão de notar que a maioria da actual música de hoje copia os sons universais, por se encontrarem de volta à origem de tudo. Recentemente tive o prazer de me encontrar com um grupo de músicos na Califórnia, que continha compositores, músicos, cantores - tudo gente profissional. E conversamos sobre a música que faziam e o que virá por aí, etc. Mas aquilo que evidenciaram foi que no seu íntimo sentiam vibrações que interpretavam sob a forma de sons na música que produziam.
E assim esse dia começou a preencher o universo e a expressar o universo por meio da sua própria força criativa. Se quiserem sentir-se próximos do universo, próximos da força divina, permitam-se usar o som e a dança, o movimento, por isso representar formas de linguagem universais. A cor é uma linguagem universal; senão pensem por um instante: se imaginarem os diversos poderes, vejam de que forma a música os afecta: pode levá-los a querer corresponder, pode levá-los a ter vontade de chorar, pode dar-lhes vontade de cantar. O movimento... peguem numa mão e façam isto (...) arqueiem-na como uma coisa que flutua. Imaginem a folha da árvore a cair e vejam como isso os leva a sentir-se. Peguem nessa mesma mão e empunhem o punho fechado, e vejam como se sentem diferentes. Se estiverem doentes, criem um movimento ascendente em vós. Escutem música que seja luminosa e começarão a curar. Fico todo excitado quando falam das artes, por elas fazerem tanto parte do meu mundo.
Pergunta: Sendo cantora toda a minha vida de adulto, ou melhor, toda a minha vida, ainda me sinto nervosa sempre que tenho que cantar. Porquê?
Julian: Por esqueceres por um instante que estás a cantar a partir do coração, e pensares encontrar-te perante a necessidade de aprovação da parte dos que escutam. E ao tomares pequenos fôlegos antes de avançares. Mas escuta a tua própria linguagem, escuta a música, por que se o fizeres tornar-te-ás parte viva dela. É sempre preciso perceber que o artista sob qualquer forma que seja, muita vez pensa em termos de aprovação, “Será que vão gostar de mim? Gostarão do que faço?” Isso deixa-os assustados, não é? Mas vocês dizem: “Eu gosto do que faço, e canto pelo prazer de cantar. Qualquer um que se erga e que lhes fale, e que saiba aquilo que está a dizer, que conheça o assunto e fale com o coração, achará agradável escutá-los. Aquele que se põe com discursos moralistas sem que o que diga venha de um fundo de sentimento, que conheça as palavras mas não possua o entendimento, não registará o mesmo que vós. E sucede o mesmo com relação à música, à pintura, à dança ou a qualquer outra coisa. Quando põem o coração no que fazem, isso revela-se.
Sabem porque é que os desenhos animados do que chamam de Rato Mickey sobreviveram todos estes anos? Por aqueles que trabalham para essa firma terem ficado tão encantados com o processo, tão enamorados com o processo que seriam capazes de trabalhar a troco de nada para conseguir que isso continuasse. E por o seu coração ter transparecido através daqueles pequenos personagens. E por lhes terem dado uma vida que os fez viver. E o mesmo acontece quando vocês criam. Em essência, vocês representam uma oração em acção, quando criam.
Pergunta: As ideias criativas que temos procedem de nós ou da fonte divina?
Julian: As ideias criativas que têm procedem da força divina em vós, que é capaz de aceder à força divina do universo. É o efeito de funil (ou pirâmide) que o processo representa.
Pergunta: Será que, quando internalizamos ou exteriorizamos, como na oração em grupo, por exemplo, na oração verbalizada, isso afecta os nossos chakras?
Julian: Claro que sim. À medida que oram vocês abrem-se e expandem-se, e assim abrem igualmente os vossos chakras, por todo o pensamento que têm na essência constituir uma oval e crescer pelos chakras acima, obter a sua sabedoria e compreensão e voltar abaixo através dos chakras trazendo por meio deles o dom da força divina. Por isso, quando oram, vocês abrem todo o vosso ser a essa oração e a seguir trazem o poder todo dessa oração para baixo, o que clarifica os chakras todos, e os ajuda a ver com uma maior clareza.
Pergunta: Se orarmos de modo específico, como na Igreja Católica, ou a um santo específico, a São Miguel, por exemplo, essa entidade particular ouvir-nos-á?
Julian: Claro! Nenhuma oração é deixada por ouvir. Essa é a razão por que se tiverem alguém a quem tenham perdido no mundo material e que agora se encontre no meu mundo, poderão falar-lhe que ele escuta-os. Esse alguém não precisa de um intermediário. Digam-lhe tudo quanto tenham querido dizer-lhe.
Eu ouço as pessoas no vosso mundo dizer: “Eu sempre quis dizer-lhe o quanto pensava nela mas nunca tive oportunidade.” Digam-lho agora, que ela irá escutá-lo.
Pergunta: Julian, poderias explicar um pouco melhor o aspecto artístico no teu mundo?
Julian: As artes do meu mundo são compostas por movimento, cor e som. Fonética, embora não possua palavras conforme as palavras que vocês conhecem, mas possuem movimento e significado, e criam cor, pelo que no meu mundo é extremamente belo. E quando elas veem ao vosso mundo vocês formam-nas e moldam-nas nos sons aceitáveis no vosso mundo.
Pergunta: E em relação à música?
Julian: A música é composta por sons fonéticos. A música consiste nos movimentos do universo. Se escutarem sons deste tipo (entoa um cântico) eles assemelhar-se-ão ao canto dos Nativos Americanos, e as pessoas dirão tratar-se de um canto Índio. Não é nada. Trata-se de um cântico universal. No entanto, devido a que o Índio se achasse mais próximo à natureza, imitava os sons da natureza (o que representa os cânticos universais) nos seus cantos. Mas nós não vamos retroceder à era do Nativo Americano, vamos retroceder ao universo.
Pergunta: Julian, que papel desempenhará o Rock'n Roll em tudo isso? Vocês não têm Rock'n Roll no céu, ou seja onde for que se encontrem. (Julian ri)
Julian: Estou certo de termos, por dispormos do trovão e do relâmpago, que se assemelham bastante ao Rock'n Roll. (Riso geral)
Pergunta: Isso expressará as energias que estejam a decorrer…?
Julian: Faz o favor de entender o seguinte: Em todas as eras e em todas as épocas, em todas as culturas tem existido uma fonética interpretada por sons, em função do equilíbrio necessário nessa época por parte dessa cultura e condição. A música no vosso mundo fala sobre o mundo; vocês têm actualmente no vosso mundo o Rock Metálico, o Rock Punk e esse tipo de coisa. Isso representa a expressão da ira do mundo, razão porque envolve um som tão áspero e duro. Representam uma expressão interna traduzida pela fonética sonora. E gradualmente dessa condição ocorre qualquer outra coisa, e a música alcança um novo desafogo. Se vocês observarem aquilo a que chamam música do oeste, ela mostra-lhes que é composta por lamentos e por histórias narradas através da música, e quase são capazes de sentir o cavalo por debaixo do cavaleiro enquanto ela canta, (riso) por o ritmo e a cadência serem assim pacíficos. As canções dos cowboys destinavam-se a “amansar a fera.” Não era para os manter acordados, por o animal responder ao ritmo. Por isso, ao longo de todo o tempo, são criados novos ritmos e novos movimentos sonoros pelos artistas que tenham esse propósito, que se abrem e o recebem para fazer com que isso suceda no seu mundo.
Pergunta: Enquanto ainda estamos a falar acerca do tema da música, eu também sou cantora e canto muito Mozart, e estou agora a tornar-me mestra no meu ofício, e à medida que me torno mais livre… bem sei que soa uma loucura, mas parece que cada vez mais chego a sentir o espírito de Mozart quando canto a sua música. Será isso possível?
Julian: É claro que sim! Tu pensas nesse homem e no quanto a sua música lhe foi querida, e eis aqui alguém que dedica a sua vida à música dele, e que lhe empresta vida de novo. Não achas que ele se ache presente? Claro que está. E a afirmação mais encantadora que fizeste foi dizer que te estavas a tornar mestre no teu ofício. Graças a Deus por o teres reconhecido, em vez de dizeres: “Ah, não sou lá muito boa, nhe nhe nhe.” (Riso) Por ser o que as pessoas fazem, ao pensar que isso as torne humildes e boas. Quando forem bons admitam-no! Adorem-no e façam isso!
Pergunta: A maioria das pessoas terá algum tipo de criatividade nelas…?
Julian: Toda a gente nasce criativa, por qualquer forma. Agora, a maioria das pessoas pensa que a criatividade signifique desenhar e pintar, esculpir, compor música, dança. Podem ser chefes de cozinha gourmet, podem ser capazes de tomar conta de uma família e fazê-lo bem e com amor e compaixão. A criatividade adopta muitas expressões. Um bom diagnosticador constitui um poder criativo em acção. Portanto, precisam reconhecer que são criativos, e o quanto permitem libertar e o quanto permitem que se torne num factor de movimento na vossa vida será determinado pelo vosso livre arbítrio.
Pergunta: Eu senti-me interessada quando esta senhora mencionou o Mozart. Eu também dancei e fiz coreografia etc., e agora ando a escrever. Se pedirmos por auxílio, por exemplo, da parte de uma entidade que tenha sido artista ou isso, quanto nos poderá ela influenciar-nos com a sua criatividade?
Julian: Ela transmitir-lhes-á a energia da criatividade, não necessariamente à sua maneira, mas de forma que vossa maneira possa encontrar receptividade, pelo que seja correcto e perfeito para vós. A medida disso dependerá do esforço que colocarem na aprendizagem da pintura ou seja o que for. Não se trata de uma coisa feita por vós, mas do vosso trabalho árduo que atrai a energia e permite que ela os ajude. Elas não sobrepõem por não serem mais uma personalidade. Elas retêm todo o conhecimento e energia inerente a isso mas não têm mais uma personalidade do ego.
Pergunta: Realçam-nos a criatividade mas através da sua…?
Julian: Sim, por outras palavras, se vocês pretenderem escrever, digam: “Por favor, Deus, deixa que aqueles que sabem escrever me auxiliem.” E eles rodeá-los-ão e dar-lhes-ão a energia que permita que se abra em vós uma maior (…) para a habilidade de escrever. Mas ninguém vem dizer que vocês sejam o novo Hemingway, ou para deixarem crescer barba. (Riso) Muita gente pensa que o auxílio espiritual signifique que se venham a tornar nessa pessoa. Não!
Pergunta: Será possível que o artista (falecido) que tentamos igualar e habilitar, se encontre encarnado neste período de tempo num outro corpo e não sejamos capazes de comunicar com ele?
Julian: Se estiver neste mundo de novo, poderá ser um canalizador e essa ser a força criativa que tenha e aí não comunicariam com ele. Mas podem comunicar com tudo quanto ele tenha colocado no repositório do banco universal, na mente universal.
Pergunta: Poderemos orar por mais alguém, a pedir orientação divina? Por exemplo, se alguém for músico ou seja o que for... Poderemos pedir nas orações que endereçamos a alguém mais acima auxílio para alguém?
Julian: Podem pedir que o poder divino auxilie a pessoa do jeito que for adequado e justo para a pessoa. Não podem pedir que o poder divino faça determinada coisa por isso ser o que vocês pensam que essa pessoa precisa.
Pergunta: Sempre quis saber o seguinte: Existirão instrumentos musicais que possamos tocar no plano seguinte?
Julian: Não, infelizmente não andamos por aí a tocar harpa.
Pergunta: Não harpas, mas... será a música composta pelo pensamento?
Julian: É composta pelo movimento, que por sua vez é criado pelo pensamento. O movimento gera o fluxo vibratório, que é composto por som e cor.
Pergunta: E não poderá ser controlada pelo pensamento? Mas que sons e que cores?
Julian: Claro que sim. E se quiseres ver como isso funciona, levanta-te da cama um dia destes a pensar em azul. Vê o que compões, o que tens vontade de cantar e como te moves. Num outro dia, levanta-te e diz: “Rosa.” Onde estiver a mente será onde está a energia. E onde a energia estiver será onde a manifestação estará. Por isso, todo o movimento gera som, e se tivermos um movimento agitado também teremos um som encrespado. Vocês podem conseguir qualquer tom musical produzido por qualquer dos instrumentos que tenham no vosso mundo, pelo movimento empreendido no meu mundo.
Pergunta: Se formos pianistas e nos esforçarmos arduamente por aperfeiçoar o som, essa técnica (ou conhecimento que cria essa técnica) permanecerá connosco e ainda seremos capazes de o usar?
Julian: Claro que sim. Vocês podem explorar tudo quanto alguma vez tenham conseguido, mas fazem-no sem o perceber. Eu estou certo de já ter dito isto antes, mas vou repeti-lo de novo. Quando estendem a mão para trás para arranjarem qualquer coisa por trás das costas, que é que fazem? Fecham os olhos. Porque, quando têm um “apagão” para visualizarem como fazer isso, percorrem as inúmeras demais experiências por que o tenham conseguido antes, desde o começo dos tempos, e fecham-nos sem dificuldades. Quando se debatem com o fecho de um colar qualquer, quando se debatem por colocar uma peça de vestuário ordenada, parem de se debater. Fechem os olhos e deixem que as mãos façam o que querem fazer. Verão que o conseguem.
Pergunta: Existirão mesmo anjos da guarda, e caso existam quem são?
Julian: São anjos! Existem no meu mundo, conforme vocês entendem esse meu mundo, o que é chamado de nove coros, que significa nove movimentos de energia que governam todas as coisas viventes. Mas por “governar,” não quero dizer comandar ou controlar, mas guiar e auxiliar. Por vezes trabalham em grupo. Os Principados e os Domínios trabalham com a vida animal e a vida vegetal. Os duendes pequeninos. Outros operam junto das pessoas; outros operam com colectivos. Se um grupo estiver a estudar junto muitas vezes será enviado um guardião para auxiliar esse estudo. Mas eles são simplesmente seres desincorporados, ou seja, não possuem forma física que se ache presente com uma clareza aberta de consciência, a fim de ajudar a expandir a consciência desses indivíduos. É por isso que são chamados de anjos da guarda por servirem de vossos guardiães. E não há quem não possua um, ou mais.
Pergunta: Existirá um banco de memória dos acontecimentos? Por vezes as pessoas veem coisas, como uma batalha a decorrer num campo…?
Julian: Tudo quanto tenha alguma vez ocorrido, ocorre ao nível de cada um dos vossos sentidos, e é registado desse modo no banco universal. Esse banco universal transborda e extravasa para o mundo, de modo que quando estiver suficiente negatividade presente, ela começa a atrapalhar. É por isso que o pensamento positivo é tão importante para manter esse derrame positivo, por assim dizer. É por isso que, quando recordam alguma coisa do passado, não só recordam o incidente como também recordam as cores e os odores e o que quer que os tenha acompanhado, por ter ficado tudo registado nos vossos sentidos. Se estiverem a compor música, atendam ao vosso mundo; prestem atenção ao latir do cão. Prestem atenção ao táxi e ao pronto-socorro. Façam disso música, que essa música começará a adoptar uma parte viva do vosso mundo. Poderão abafá-lo em qualquer direcção que seja depois, mas isso ajuda-os a compreender o vosso mundo por intermédio do som da fonética, por os sons disso… (Forte ruído de algo a ser arrastado) Por exemplo, isso constitui o aparelho de batimento (riso) que sempre se faz anunciar por esse pequenos… não estou certo de ser um gemido ou do que seja, mas trata-se de um som que é sempre uniforme e que anuncia a sua chegada.
Pergunta: Na cura, praticada na Ciência Cristã, não é permitido que o praticante reze pela cura de alguém a menos que tenha permissão da pessoa, a menos que se trate de um daqueles casos em que a pessoa se encontra inconsciente. A pergunta que quero fazer é: Se orarmos por alguém sem seu conhecimento ou permissão, isso equivalerá a impor o nosso livre-arbítrio? Mesmo que não deseje permanecer aqui?
Julian: Não. Se a vossa oração for apropriada, se a vossa oração for: “Pai, dá-lhe a ajuda de que precisa. Pai, que o que for justo e perfeito para ele ocorra.” A maioria das pessoas trata a oração como se fosse a sua vontade que estivesse a ser forçada sobre alguém. Se esse indivíduo tiver que passar por uma coisa qualquer então a oração ajudá-la-á a ter a coragem e a tolerância, a paciência necessárias para resistir ao que tiver que resistir. Porquanto vocês não sabem a razão porque tenha que passar por isso, entendem? Se a oração for uma oração de amor e for dotada de uma energia amorosa e prestativa, só poderá ajudar a pessoa. Se essa oração constituir uma exigência da vossa vontade ou ego, então desde logo que não constituirá oração nenhuma, nem será adequada à pessoa. Lembrem-se de que ela terá guardiães e lembrem-se de que ela terá uma mente supraconsciente, uma força divina em si que opera em seu benefício. As vossas orações são recebidas por essa parte de vós e distribuídas pelo que for acertado e adequado à pessoa.
Pergunta: Julian, eu queria perguntar o seguinte: Sempre que vejo cavalos e pássaros no Parque Central tenho vontade de lhes endereçar amor, e quando vejo um cavalo a passar penso: "Que cavalo magnífico que és!" Será que esse animal capta isso da minha parte?
Julian: Claro que sim. Em primeiro lugar, se quiseres ver como é que os animais reagem a vós coloquem-se diante de uma montra de uma loja de animais. Foquem-se num pássaro ou num gato e não deixem de olhar para esse animal e permitam-se verter tanto amor quanto conseguirem. Não palavras nem pensamentos mas tão só amor. Eventualmente esse animal voltar-se-á e defrontar-se-á convosco e virá encostar o nariz ao vidro e olhar para vós, por o sentir. Os animais não são animais de cúpula. De facto por vezes no vosso mundo eu questiono quem servirá de cobertura. (Riso) Estou a brincar convosco, meus amigos. Podem repreender-me se quiserem.
Pergunta: Como poderemos ter mais percepção do nosso anjo da guarda?
Julian: Pela simples aceitação da sua presença. Sentirão a sua presença. Quando forem para a cama digam: "Boa noite anjo da guarda. Obrigado por estares aqui." Hão-de sentir a sua presença.
Pergunta: Que lugar terão os guias espirituais na oração?
Julian: Os guias espirituais são aqueles que lhes são designados antes de virem ao plano terreno. Eles são conhecedores da razão porque aqui se encontram, do que deve constituir o vosso período de crescimento da alma, etc. Eles acham-se presentes a fim de os guiar, e são para ser tratados como amigos no mundo invisível. E tal como vocês diriam a um amigo deste mundo "Eu necessito de ajuda," digam-lhes que precisam da sua ajuda. Eles são excelentes a conseguir estacionamentos. (Riso) Vocês haveriam de ficar surpreendidos com o que pode acontecer.
Pergunta: Em que é que diferem os guias espirituais dos anjos da guarda?
Julian: Os anjos da guarda constituem forças angélicas que nunca estiveram na forma física. Guias são aqueles que tiveram formação numa consciência que lhes permite operar desde o meu lado do véu, a fim de prestar auxílio aos seus companheiros humanos. Guias e anjos da guarda não são Deus, e devem ser tratados enquanto guias e amigos e anjos da guarda. Vocês oram ao poder divino de Deus e aceitam os delegados que Ele enviar a fim de lhes prestar auxílio.
Pergunta: Eu rezo com regularidade, todas as manhãs e ao anoitecer. Como é que acontece que por vezes oramos de forma tão calma e outras podemos sentir fazê-lo de jorro e dizer as mesmas palavras, ou sentir o mesmo mas...?
Julian: Há um tempo para empregarem palavras novas.
Pergunta: Bom, não quero dizer exactamente as mesmas palavras mas quase chegamos a sentir um bloqueio emocional e não sabemos o que seja.
Julian: Então diz: "Pai, deixa que na tua clareza vejas aquilo de que preciso, por de momento não estar certa." Levanta-te e diz: "Bom dia, meu Deus, é óptimo estar contigo hoje." Mencionei na semana passada que muita gente usa o Pai Nosso como oração. E essa é uma bela oração, mas quantos de vocês conseguirão parar a meio sem ter que voltar ao início para a terminar? Isso deve-se a que não escutem aquilo que as palavras dizem e a repetirem-nas de cor. Assim, quando orarem orem do fundo do coração, quer se trate de uma das vossas orações de infância ou de uma oração que cultivem à medida que se forem desenvolvendo. Deixem que saia do coração, que jamais se enganarão.
Pergunta: Julian, poderias comentar a oração destinada a conceder aos espíritos um efeito de cobertura sobre tudo, ou da concessão de permissão para tratar das coisas por nós? Poderias comentar isso?
Julian: Referes uma oração genérica? "Pai, deixa que o que for correcto e adequado a mim tenha neste dia lugar. Deixa que lhe responda e que actue de modo correcto e perfeito. Que assim seja." Isso dirá tudo.
Pergunta: As pessoas (incluindo eu própria) disseram: "Eu concedi-lhes um efeito de cobertura para que me avisem quando estiver a fazer alguma coisa de errado ou...?
Julian: Isso diz exactamente o mesmo que eu disse por outras palavras. Importa que a digam da forma que o sentirem, mas a chave disso reside no seguinte: "Tu sabes melhor do que eu, pelo que eu me coloco nas Tuas mãos." Ou então: "Comprometo-me a trabalhar contigo, pelo melhor do que for capaz."
Pergunta: Algumas pessoas que tenho tentado curar, parecem sempre negar as coisas. De que forma poderei fazer com que deixem de o negar?
Julian:  Não podem, meus amigos. Mas vocês podem deixar de negar, ao deixarem de pensar que estejam a negar. (Riso) Por vocês só conseguirem modificar-se a si mesmos e a mais ninguém.
Pergunta: Eles na verdade choramingam pela ajuda mas viram costas e voltam a negá-la.
Julian: Não tem importância, por assentar no hábito. Por ser o que... Mas se vocês perceberem que quando estão a curar são somente um canal da força divina e que a força divina sabe aquilo que faz, não precisarão preocupar-se.
Pergunta: Eu sei que a força divina o sabe, mas eles não sabem.
Julian: (Começam a falar ao mesmo tempo) (...) que o façam?
Pergunta: Por se sentirem infelizes.
Julian: A força divina é mesmo mais poderosa que qualquer força terrena. O amor tem mais poder que qualquer força existente na Terra. O problema está em que vocês queiram ver resultados. Esse é o vosso problema. (Riso)
Pergunta: (...) vezes sem conta.
Julian: Óptimo; importas-te de o fazer vezes sem conta?
Pergunta: Não.
Julian: Então alegra-te pela capacidade de o fazeres vezes sem conta. Não cries bloqueios ao impor restrições.
Pergunta: (...) do incidente de ontem. É demais!
Julian: Porque critérios avalias que seja “demais”?
Pergunta: Pelos dela e pelos meus...
Julian: Que direito tens tu de lhes impor critérios?
Pergunta: Eu simplesmente não gosto de a ver sofrer...
Julian: Eu estou só a meter-me contigo, entendes?
Pergunta: Eu sei. Eu sei, mas só não gosto de a ver sofrer.
Julian: Aquilo que te estou a dizer é que o teu ego se intromete no caminho. Tu não podes ditar o que deva acontecer com a outra pessoa. Podes somente dizer que estás disposta a dar o que puderes quando o puderes. Pensa somente em como Deus se sentirá lá em cima. (...) Ele anda por aí tão cheio de amor com a plena realização de vocês serem Seus filhos.
Pergunta: (Inaudível)
Julian: Não, só se acreditarem que seja assim. Vocês podem negar a Deus até ficarem carecas que Ele jamais os negará. Tão pouco podem alterar o facto de serem um só. A tua própria negatividade está a provocar metade do problema. Eu sugiro que mudes a tua forma de pensar.
Pergunta: Obrigado por isso.
Julian: Tu sabes o amor que nós sentimos por vós, pelo que poderás aceitar o "castigo" com um sorriso que eu fico encantado por ver isso, por denotar o verdadeiro estudante. Obrigado.
Pergunta: Estávamos a falar de guias espirituais e de anjos da guarda; não será verdade que todos temos uma força superior?
Resposta: Todos têm anjos da guarda e guias. Os mestres superiores são aqueles que trabalham com aqueles que se encontram no caminho através de uma coisa específica.
Pergunta: Como descobriremos (...)?
Julian: Sendo o melhor que são, porque quando for altura do lhos ser revelado sê-lo-á. Não é uma lista de controlo nenhuma por que digam: "Eu tenho os meus guias e agora tenho o meu anjo da  guarda..." (Riso)
Pergunta: Existirão muitos guias espirituais e anjos da guarda aqui neste instante?
Julian: Vocês têm todos os vossos guias convosco...
Pergunta: Mas tu consegues vê-los?
Julian: Claro que sim. Eles nunca se encontram afastados de vós.
Pergunta: As pessoas dizem que possamos ter apenas um ou dois guias mas eu sei que na maior parte das vezes teremos vinte ou vinte e cinco; existirá algum limite para o número de guias?
Julian: Claro que sim; por vezes (...) A questão assenta no seguinte: Aquilo de que necessitarem será o que os rodeará. Dizem: "Socorro," e eles virão.
Pergunta: Tu disseste que Deus jamais abandona quem quer que seja. Que dirias enquanto Julian e enquanto Serafim, a alguém que possa sentir que Deus o tenha abandonado?
Julian: Dir-lhe-ia que se encontra preso no próprio ego e na própria autojustificação, e que está a deixar de ver aquilo que está a criar na sua própria vida ao atribuir a culpa disso a quem é tão fácil de culpar que nem se incomoda nem um pouco.
Pergunta: Quando estamos a praticar cura e pedimos por auxílio, e o auxílio sobrevém no nosso mundo. No final dela deveremos pedir para o libertar? Ele ficará connosco até que a libertemos? Ele ficará connosco?
Julian: Agradeçam. Eles saberão quando tiverem terminado. Mas sabes que mais, vocês sempre dizem: "Por favor vem, por favor vem," mas quando terminarem agradeçam o auxílio que tiverem recebido, que eles apreciam isso.
Pergunta: Isso já me aconteceu uma vez, sabes. Desloquei-me à casa de uma senhora para praticar cura, o que nunca tinha feito. Eu tinha pedido auxílio, e ela disse: "Peça auxílio, peça auxílio," mas não soube libertá-los e agradecer. Dois anos mais tarde alguém me perguntou se eu teria estado em algum convento de freiras, ao que respondi que não. "Nós pressentimos uma freira." Eu respondi que não. De modo que, essa pessoa me disse que eu teria duas freiras junto a mim. Eu não consigo imaginar como terá captado isso. (Riso)
Julian: Que bom!
Pergunta: Elas deverão ter vindo prestar auxílio, pelo que eu as despedi e agradeci. Foi assim. Mas foi há imenso tempo, só que não o tinha percebido.
Julian: Lembra-te do seguinte: Quando um guia alcança um nível de consciência que lhe permite tornar-se num guia, ele honra a vida em que tenha atingido esse grau de consciência, e dirá: "Eu sou um velho Egípcio; eu sou uma freira; eu sou isto e sou aquilo..." Terão sido múltiplas coisas e passado por uma multiplicidade de experiências e uma multiplicidade de conhecimentos, mas honrarão a vida em que se tenham “graduado,” por assim dizer.
Pergunta: Como poderemos alcançar uma maior consciência dos nossos guias espirituais e dos anjos da guarda?
Julian: Pela meditação. A meditação é chave em toda a percepção. “Aquieta-te e escuta, e sabe que Eu Sou Deus.” O que quer dizer ficar a sós convosco próprios e escutar a Sua voz dentro de vós. Mas quando digo “ouvir a Sua voz, não refiro necessariamente que venham a ouvir pelos ouvidos, mas a compreensão intuitiva quanto ao que fazer e onde ir. É o tipo de orientação que diz: “Hoje vou por uma rua diferente daquela que normalmente tomo,” e que os coloca em frente a uma loja que nem sabiam existia, e que responda por aquilo que tenham vindo a procurar.
Pergunta: Julian, se a transição que fazemos para o teu mundo é tão maravilhosa, que propósito teremos em estar aqui, em viver aqui na Terra?
Julian: Por ser no plano terreno, em que lidam com a emoção e a interacção, que as maiores e mais rápidas lições podem ser aprendidas. No meu mundo, nós compreendemos a emoção, porém, não interagimos com base nela. Assim, ao precisarem lidar com as vossas emoções, vocês aprendem mais rápido. Representa como que um resultado, uma pontuação. Vamos aceitar mais uma pergunta, desta senhora que se encontra aqui.
Pergunta: Por vezes na minha vida pessoal e dos negócios, por vezes, quando estou em oração, tenho dificuldade em pedir coisas. Poderias partilhar connosco uma outra permissão, que possamos usar de modo que nos ajude, com essa oração?
Julian: Na oração em que pedes por sucesso... é a isso que te referes?
Pergunta: Não necessariamente por sucesso, mas por orientação, pelo que quer que precisemos.
Julian: Por orientação? Porque é que tu não... se estão juntos, porque não se sentam ambos em meditação? Porque não dizem simplesmente: “Hoje, abro-me ao poder divino e à orientação divina. Vou usá-lo pelo melhor de que for capaz, a fim de me preparar para um amanhã perfeito. E agradeço por assim ser.”
Bom; agora gostava que simplesmente escutassem a oração que tenho para vós:
“Que o Criador de todas as coisas, a força divina de todo o poder, esteja com todos vós a cada instante da vossa vida. Que o poder da clareza lhes seja facultado, ao se abrirem em pleno para o vosso mais vasto potencial e a vossa maior alegria. Que o poder que existe em vós lhes conceda paz e harmonia, abundância e riso. E se o aceitarem enquanto direito divino que têm, que o possam sentir de modo profundo como os orienta e desperta para os vossos caminhos perfeitos e as vossas vidas justas e perfeitas. Por o poder do universo lhes pertencer, e por a força divina os preencher e iluminar e conduzir. Conheçam-no como um amigo; aceitem-no enquanto um amigo. Deixem que tenha assento, de corpo e alma, e juntos deixem que o nosso mundo rejubile. Que assim seja.”
Nesta oração está patente uma clareza de abertura e a preparação de uma aceitação, e uma percepção de que são vocês que o focam, e quem faz com que resulte.
Quando têm noção de que o bem existe, também têm consciência de que esse bem pode suceder. E mesmo quando o mundo das aparências parece realçar a negatividade, voltem-se para dentro, para a força divina que carregam em vós, abram-se à recepção do poder do criador, e saibam que a realidade do vosso mundo é resplandecente, criativa e repleta. Por na realidade do vosso ser vocês se afastarem do mundo das aparências. Deixem que a vossa língua seja doce, e as ideias que têm sejam de progresso. E acima de tudo, deixem que os vossos corações esteja repletos, porque cada um de vós possui um propósito divino, que é o de utilizarem os vossos potenciais para criarem o mundo perfeito.
Mais poder possuem vocês agora, do que alguma vez possuíram antes.
E agora, por esta noite, vou libertar o instrumento. Se o tempo impedir a nossa reunião, na próxima semana, então deixem que lhes deseje uns feriados felizes repletos de gentileza e de bondade, riso e alegria, por isso ser, meus amigos, a voz dos anjos.
Fico encantado por teres posto ali a cadeira, mas não creio que ela (médium) aprecie esse lugar solitário. (Riso)
Em nome do criador de todas as coisas e na unidade presente em cada um de nós, e em nome do amor que partilhamos, dou-lhes a minha bênção... e as boas noites.

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