terça-feira, 6 de outubro de 2015

FACTORES CHAVE DA FELICIDADE




Discutimos muitas vezes os objectivos e os propósitos – ou conforme preferimos chamar-lhes – os polos de convergência da vida, e em tais discussões, no geral e de forma específica, referimo-nos aos focos de carácter obrigatório, ou focos verdadeiramente espirituais da vida, como sendo antes de mais, aprender a obter satisfação, e em segundo lugar, aprender acerca da forma de criarem a vossa realidade conscientemente, com plena intenção daquilo que optam por aprender, rumo ao desenvolvimento de um êxito cada vez maior. Enfatizar o “aprender,” por tais focos não terem que ver unicamente com a graça nem somente com a criação da vossa realidade conscientemente. É a aprendizagem da obtenção de satisfação e não apenas ir de encontro a isso por acaso nem ficar travados nela devido às circunstâncias, mas aprender efectivamente a criar a graça, aprender a criar felicidade.


Mas tais polos de convergência não se prendem unicamente com a aprendizagem da vossa realidade conscientemente, porque vocês fazem isso de qualquer modo. Mas tem que ver com o aprender “como” o fazem, de modo a poderem conseguir um domínio consciente da própria realidade que criam, e se voltem na direcção de criarem mais e mais sucesso – não apenas aceitar o facto de que, sim, vocês criaram essa infelicidade, sim, vocês criaram esta destrutividade de modo que é nesse pé que a coisa fica. Mas ao invés, fazer alguma coisa com respeito a isso para se moverem cada vez mais rumo a um completo sucesso, à felicidade.


Sugerimos além disso que tais focos tinham carácter obrigatório, muito à semelhança de muitos cursos exigidos no liceu ou na faculdade, que antes de se formarem precisam frequentar. De forma similar, antes de poderem avançar para os níveis mais elevados, antes de poderem expandir a vossa realidade para além da realidade material, precisam realizar estes dois focos porque, uma vez que passem da realidade material para onde não existe tempo – muito simplesmente não existe tempo para aprenderem a realizar essas coisas – uma ávida busca do êxtase representaria um verdadeiro inferno, se já não soubessem como obter satisfação e como criar êxito de forma consciente. Porque em boa verdade, na ausência de tempo, todo o pensamento se torna realidade instantaneamente. E se pararem por um instante a considerar a miríade de ideias que passam pelos meandros da vossa mente em muitos períodos de vinte e quatro horas, com efeito, a infelicidade, as dúvidas, os medos, os horrores que haveriam de criar de forma instantânea representariam uma boa descrição do inferno, e decerto não o êxtase de que estivessem em busca.


Por conseguinte, vocês configuraram por vós próprios o facto de poderem avançar para além do plano físico em qualquer altura que o desejem, todavia, não se permitirão fazê-lo até que tenham realizado até certo ponto a satisfação de aprenderem a obter prazer e aprenderem como criar conscientemente a vossa realidade de modo a criarem sucesso conscientemente. Por conseguinte sugerimos que os verdadeiros focos espirituais não têm que ver com a correcção dos males do mundo nem o refazer ou reorganizar a sociedade, etc., mas ao invés de forma bastante pragmática e bastante propositada aprender a obter satisfação, aprender a criar sucesso conscientemente, aprender acerca das chaves da felicidade. Todos os nossos seminários, workshops e consultas são dirigidos para esse mesmo fim, para esses focos espirituais, contudo por vezes perdem esse resultado final de vista -- a felicidade -- por se perderem por entre os pequenos detalhes da técnica.


Frequentemente parecerá que precisem, antes de mais, aprender como rebaixar e edificar o vosso ego e de seguida aprender a construir uma nova motivação, e precisarem lidar com a crise de identidade e com o dar ouvidos aos sussurros e desenvolver a autoconfiança e a felicidade e a singularidade de modo que mais parecerá que se percam por entre essa barragem. E vocês muitas vezes perdem-se com os pequenos detalhes da técnica, embora tenda tudo a dirigir-se para o mesmo.

A ideia é a seguinte: Se para vós o rebaixamento e a edificação do ego constituir a via para a felicidade então tomem-na, mas se para vós o desenvolvimento da singularidade que os caracteriza ou para mais alguém for o desenvolvimento da sua autoconfiança, ou criarem uma nova jogada, todas essas vidas conduzem ao mesmo lugar; tomem essa de todo o coração, assumam aquela que lhes proporcionar a maior felicidade, mas se descobrirem ser incapazes de a percorrer, em função do que os workshops e as técnicas são reunidos, de modo a ajudá-los, afastem aqueles obstáculos que se lhes impuserem no caminho.


Mas por vezes poderão perder-se nos pequenos detalhes da técnica, razão porque decidimos reunir estas palavras para lhes relembrar aquilo de que verdadeiramente andam no encalço. Logo, as chaves da felicidade!


Alguns sentir-se-ão desapontados se pensaram que ao ler isto iriam finalmente descobrir como conseguir por fim o homem ou a mulher que pretendem, ou instantaneamente ricos. Para alguns a felicidade parecerá ser bastante unidimensional, não é? Pois bem, uma parte da felicidade de cada pessoa poderá ou não incluir esse companheiro especial, poderá ou não incluir uma enorme riqueza. Decerto que se poderão permitir ter, e podem ter ambos; poderão ter tudo quanto necessitarem ou quiserem, que os torne felizes, poderão obtê-lo de modo fácil e rápido se, em meio a todas as técnicas e abordagens com que estão a trabalhar compreenderem e utilizarem as chaves da felicidade.


RESPONSABILIDADE


Ao longo de todos os workshops e seminários discutimos a maioria, senão todos estes conceitos, mas reunimo-los aqui a todos num único trabalho para lhes fornecermos uma visão geral, e esperamos também, uma nova perspectiva acerca da felicidade. Como bem poderão suspeitar a felicidade tem sete chaves, e nós decompomo-las da seguinte maneira: Antes de mais, e poderão não ficar surpreendidos por o ouvir, a primeira chave assenta na responsabilidade. 

Responsabilidade é, para o pôr em termos bastante simples, a capacidade de responder. Bom, ao separarmos isso em breves trechos, por o termos feito tanta vez, se de facto se encontrarem sentados na sala de estar e alguém no quarto de dormir gritar por socorro, a capacidade de responder que tiverem dependerá da capacidade que tiverem de se levantar de onde se encontram, atravessarem essa sala e chegarem até esse quarto de dormir e fazer o que for necessário para responderem a esse grito de socorro. Certamente que se continuarem no sofá, a pensar em que é que poderão fazer, no que é que será que se esteja a passar, e a sentir-se frustrados, impotentes, atados de pés e mãos, ou alienados, numa realidade diferente, todos esses tipos de coisas, decerto que nada disso irá ajudar a uma resposta por não terem qualquer capacidade de responder enquanto permanecerem nessa sala de estar.


Pois bem, se pegarmos nesta analogia um tanto ridícula e a aplicarmos à vida ela resultará de forma muito similar. Quer gostem disso ou não, encontram-se todos vivos numa realidade de adulto. Todavia, se continuarem a ver que estejam a funcionar numa realidade de infância, não terão qualquer maneira de responderem, tal como se continuassem sentados na sala de estar. Se mantiverem uma atitude de adolescente, e esperarem até que as fantasias de adolescente forem realizadas e à espera que os juízos de adolescente sejam corrigidos, não terão forma de responder ao apelo ou à informação da vossa realidade de adultos. Do mesmo modo, se tenderem a demonstrar a vós próprios sendo um pai crítico ou copiarem e clonarem os próprios pais que tiverem tido, ou se tornarem no pai crítico que represente uma espécie de síntese de todas as afirmações parentais que alguma vez tenham ouvido, e toda a vossa vida se traduzir por uma repetição dos “deveres” e “obrigações,” da mesma maneira não conseguirão responder à espontaneidade e à criatividade nem à vivacidade da realidade de adulto que os rodeia. Se persistirem em ser o jovem adulto “congelado” (e insensibilizado) pela fantasia, à espera que a realidade lhes traga aquilo que não tiverem decidido, não conseguirão responder. 


Se fizerem por sobressair no vosso ego e permitirem que esse ego os controle e dirija, tornar-se-ão numa prisão no vosso próprio corpo e tornar-se-ão da vossa própria realidade e certamente não conseguirão responder. A única situação a partir da qual poderão responder é da situação adulta. Sendo adulto; compreendendo, aceitando e trabalhando aquelas partes de vós como a criança, o adolescente, o pai crítico, o jovem adulto e o ego certamente. Mas tornando-se adultos e procedendo a partir dessa condição. É a única forma por que poderão responder efectivamente e de uma forma bem-sucedida à realidade em que vivem. Poderão tentar responder, poderão desejar responder, poderão desejar responder, poderão saber em retrospetiva de que forma deveriam ter respondido, mas não conseguirão responder a partir de mais nenhuma outra situação para além da de adulto. Por isso, a primeira chave constitui ser responsável, ser capaz de responder, o que significa ser adulto. Assumir responsabilidade através de factores que são completamente chave conforme mencionamos tanta vez mas que passaremos rapidamente em revista.


Reconhecer o que estão a fazer. Admitir que são vocês quem o está a fazer assim como admitir as razões para o fazerem – as recompensas. Perdoarem-se a vós próprios para vosso próprio bem, de forma a não continuarem a repetir o padrão; perdoar-se em função das outras pessoas ou situações, de forma a não continuarem a fazê-lo a eles ou a elas. E mudar. Mudar o comportamento, mudar a resposta. Ser capazes de responder de uma forma mais efectiva, mais segura, mais clara. E quanto mais responsabilidade assumirem, mais poder terão, mais responsabilidade assumirão por si mesmos total e completamente, e mais capazes serão de obter satisfação, sucesso e de criar a realidade de uma forma bem-sucedida. Quando tinham cinco anos, ser responsável significava ser criança, quando tinham quinze anos, ser responsável significava ser adolescente; se aos quinze anos tivessem a tentar ser criança ou mesmo adulto não seriam responsáveis. Agora são adultos e por conseguinte a única maneira por que poderão ser responsáveis será da mesma forma sendo adultos. Já superaram a infância, já superaram a adolescência e é tempo de o aceitarem de verdade e de se permitirem a capacidade de responderem. Se o fizerem, decerto que serão poderosos, e a vossa realidade criar-se-á e recriar-se-á ao vosso redor lindamente, e conseguirão assumir responsabilidade tanto pelos aspectos positivos como negativos que ela comporte.


Tanta vez pensam na responsabilidade como enfrentar, ou admitirem a vossa culpa, ou como a correcção do que estiver errado, e é tudo isso, reconhecidamente, só que não serão responsáveis a menos que o façam como adultos. Arrumar a confusão que tenham feito enquanto criança ou como adolescente ou enquanto parente crítico não significa ser responsáveis embora a confusão possa muito bem ser limpa. Somente quando ao fazem enquanto adultos que se torna responsabilidade, ah mas isso torna-se tão difícil de compreender para tantos de vós: “Eu corrigi-o, não? Eu fiz tudo certo, não foi? Porque não deu tudo certo? Porque ainda acontecerá? Porque estará ainda a ocorrer? Porque é que não denota segurança?” Por terem cometido a bagunça, a vossa criança, o vosso adolescente, no vosso ego, o parente crítico ou o jovem adulto em vós corrige-a, quem quer que seja que não vós adultos, corrige-a, mas não serão vocês quem estará a responder, não serão vocês a aproveitar a oportunidade para responder.


Da mesma forma quando as coisas correm de feição, o que representa todo o lado da responsabilidade que raramente consideram, quando as coisas correm às mil maravilhas também são responsáveis por isso. Quando por fim obtêm o emprego que queriam e a realidade funciona e a relação e o dinheiro e as amizades e as associações e a saúde, tudo, corre maravilhosamente, podem de igual modo assumir responsabilidade por isso. Mas se permitirem que a criança, o adolescente, o parente crítico, o ego, o jovem adulto e o ego a assumam, não a conseguirão, nem sentirão o sentido de responsabilidade – tudo quanto sentirão será uma noção de sorte. Por isso sejam esse adulto, assumam a resposta do adulto, e sugerimos que terão assim aberto a chave principal -- uma das chaves mais significativas – da felicidade.


HONESTIDADE (Seriedade, Transparência, Sinceridade)


A segunda chave é a honestidade. De facto temos frequentemente dito que o que é requerido para se ser feliz, o que é requerido para se ser bem-sucedido é tão fácil, e é tão fácil de anotar, por tudo quanto realmente requer seja assumir responsabilidade e ser honesto. Para serem infelizes, e terem uma vida terrível, ser vítimas, um fracasso requer tanto mais energia, e requer que recordem tanto mais, por exigir que recordem e sustentem todas as falácias, têm que reunir a realidade toda de forma a suportarem as mentiras, precisam viver no passado, precisam negar o futuro, precisam negar a abundância do presente. Não se lhes é permitido confiar em vós, não têm permissão para se sentir confiantes, não se lhes permite que se sintam bem, amados, nem dizer tudo a vós próprios. É tanto mais difícil levar uma vida infeliz, é tão mais difícil, mas ainda assim tanta gente despende toda essa energia em apenas um dia. E bem sabemos que aqueles de vós que estejam a ouvir-nos que pensem que sejam infelizes e que pensem levar uma vida terrível e tudo o mais, um prolífico monte de bosta, e que adorariam ser felizes e o queiram, etc., sejam sinceros convosco próprios e saibam que estão a criar a realidade e que o que têm é aquilo que criam, e descubram lá porquê.


Muitos de vocês têm ideia, “Ah, sim, eu sei, eu aprendi isso algures, em qualquer parte, registado num livro ouvido da boca de um amigo numa festa ou sei lá que mais,” mas sabem que mais, a noção de que criam a vossa própria realidade não basta. Mesmo a simples noção de o fazerem de forma consciente não chega. Precisam dispor-se a ser bem-sucedidos. Precisam estar na disposição de avançar nessa direcção. E é aí que entra o aspecto da honestidade. Porque se forem sinceros, e isso significa o quê? Conhecer a verdade, e ter intenções honestas por detrás do contar da verdade – ser sinceros com respeito à honestidade que tenham, atrevemo-nos mesmo a dizer, e se fizerem isso, mesmo quando as coisas correm de forma deficiente ou mal, terão uma honestidade em que confiar, em que se apoiar, uma honestidade como companhia quando se sentirem sós. Sugerimos aqui que essa seja a segunda chave para a felicidade. Ser tão honestos quanto possam, a partir da condição de adulto, não de adolescentes deliciosamente obedientes, que pensem que o vosso patrão tenha mau hálito e vão dizer-lho, mas sinceridade com base na condição de adultos, ter a honestidade de (reconhecer) que não é comportamento de adulto. Uma honestidade dotada de tato. Diplomacia não significa desonestidade. E isso é tudo quanto tem que ver com uma honestidade responsável.


Permitam-se perceber que esse segundo componente é formado pela honestidade e permitam-se avançar cada vez mais e com rapidez na sua direcção a cada dia.

O terceiro componente, a terceira chave é a confiança. Falamos repetidas vezes acerca da confiança como diversos componentes como a singularidade, da certeza, o componente do amor-próprio e do perdão concedido a vós próprios, o componente da responsabilidade. Como o componente de uma real sinceridade. 


ESPERANÇA


Fizemos uma gravação intitulada Sinergia da Confiança na qual falamos em maior detalhe sobre o que a confiança é, pelo que agora o mencionamos a breves trechos, agora que a confiança constitui um delicado equilíbrio entre a esperança e a crença, e na dependência dessa esperança e crença. Esperança, não a insatisfação com o infeliz insuficiente presente em comparação com um futuro que se espera venha a ser abundante e suficiente. A esperança constitui mais precisamente ver a abundância e ter noção do potencial da abundância do presente. Crença e opinião, não facto, uma opinião a que tenham chegado e em que se foquem, uma opinião que sustentem de forma impecável, a partir da qual as vossas experiências brotem, a partir da qual a vossa experiência se restabelece.


A combinação da esperança, a percepção dos potenciais do presente e da crença, a sustentação de certas opiniões de forma impecável, seguida de uma tomada de atitude, é disso que trata a confiança. Todos vocês confiam – alguns de uma forma deficiente, outros de uma forma distraída, já outros de forma excelente – não é questão que tenha que ver com a maneira de confiar mas questão que se prende com uma forma de melhor confiarem do que já confiam. E à medida que cada dia, de cada vez que examinam a vossa realidade, aprendem melhor, e à medida que o fazem de uma forma activa, isso irá trazer-lhes a terceira chave à combinação da felicidade.


INTIMIDADE


A quarta chave: Criação de intimidade. Hesitamos aqui um pouco porquanto, embora tenhamos falado acerca da criação de intimidade num workshop com esse nome, sugerimos que é termo que é frequentemente ignorado, e muitíssimo mal-entendido. É algo de que provavelmente a maioria de vós teme. Poderão alegar que o queiram, mas têm medo dele ao mesmo tempo, já outros de vós, entorpecem-se a ponto de nem sequer terem ideia de que o queiram, a ponto de se caracterizarem e mesmo de se orgulharem pela vossa solitude, mas o que realmente denunciam é a falta de intimidade. Podem estar sós, e ser mesmo eremitas, e ainda ter uma vida repleta de intimidade, por a intimidade não querer dizer ir para a cama com alguém; intimidade não e ficar despidos junto a alguém. A intimidade tampouco significa necessariamente andar à roda das pessoas, a menos que se trate de alguém com quem tenham intimidade. Mas podem ter intimidade com coisas, podem ter intimidade com ideias, podem ter intimidade com conceitos, podem ter intimidade convosco próprios, e aqueles de vós que tenham decidido por uma razão ou por outra que queiram conduzir a vossa vida sozinhos, óptimo. 

Aqueles que tenham decidido rodear-se de pessoas, óptimo. Vocês têm o denominador comum no facto de a intimidade os assustar. E o que é interessante para nós, ao escutarmos as pessoas a falar e ao constatarmos como as suas realidades se desdobram ao alegarem desejarem a unidade, ao alegarem tudo fazerem por uma abordagem a bem-aventurança espiritual, o nirvana, o samadhi, ou seja qual for o nome que empreguem para descrever essa experiência utópica, que se resumem ao conceito de unidade, á medida que escutamos o enaltecimento e a exclamação destinadas a tal fim, e ao escutarmos isso da parte de pessoas aterradas umas das outras, aterradas por causa da proximidade que têm umas com as outras, que precisam colocar entre elas e os outros ideologias, receios e dúvidas, conceito se e crenças e atitudes, formas emotivas de imaturidade, torna-se-nos bastante espantoso ouvi-las falar de unidade – que tem que traduzir a derradeira forma de intimidade, pois que pensarão vocês que seja a unidade senão intimidade – ao mesmo tempo que se sentem aterradas relativamente a ela e se interrogam da razão para a não desenvolverem.

Quantos de vós conseguirão sinceramente perceber com respeito a vós próprios? Quanto desejarão essa unidade, quanto quererão tornar-se um com Deus, quanto quererão ser um com a fonte de tudo quanto existe, seja qual for o rótulo que lhe deem, e ainda assim sentem receio de chegar perto de uma pessoa que se encontre perto de vós, a uma pessoa que supostamente seja amiga, ou mesmo conhecida? Quantos de vocês que alegam o desejo de unidade, e nós acreditamos na vossa sinceridade, têm medo de ideias, medo de ter intimidade com o pensamento, medo de chegar a ter intimidade com o sentimento, com conceitos e ideologias que possam explorar e compreender, em vez de utilizarem como barreiras contra as pessoas e para vossa protecção? Quão receosos são vocês em relação à intimidade? Porque na verdade esta quarta chave é crucial. E acha-se na quarta posição de um processo de felicidade, daí que seja a mais acidentada, a mais determinante, a mais difícil de captar e de lutar, mas do mesmo modo, porventura a mais importante.

Porque na verdade, se concederem a vós próprios intimidade, se se permitirem criar a complexidade da intimidade, de facto a confiança, a sinceridade, a responsabilidade poderão encaixar no lugar com toda a suavidade, de uma forma mais bem-sucedida e produtiva. E verdadeiramente, não obstante o quão responsáveis sejam, não obstante o quão sinceros sejam, não obstante o quanto confiem, se tiverem medo enão se permitirem ter intimidade com essa responsabilidade, sinceridade e confiança e muito menos com os outros, isso torna-se vazio, um exercício de futilidade, destituído da menor intimidade com qualquer coisa.

Mas é aqui igualmente que a coisa dá para o torto, ao pensarem que por “intimidade” estejamos a referir-nos a um relacionamento íntimo: “Eu saiba, eu sabia; por eu não ter um homem, por eu não ter uma mulher, por não ter filhos… Eu sabia que jamais poderia ser feliz.” Não, não estamos a falar de relacionamentos, por essa constituir um diminuta forma de intimidade, uma área em que podem experimentar a intimidade, e nós atrevemo-nos a dizer a todos quantos têm relações externas, pensem na altura em que as tinham, ou naqueles que sabem que têm… A intimidade não é coisa que seja garantida; a intimidade é algo que vocês próprios desenvolvem. Pode ser com respeito a uma relação, e por isso pode ser muito bela. Mas esses relacionamentos podem constituir amizades, amigos íntimos afetuosos. Esses relacionamentos podem ser com ideias, sentimentos, criatividade, etc. por isso, não tem que ver co o facto de precisarem ter um homem ou mulher, e ser casados e viver numa casa com uma garagem com dois carros, ou isso. Trata-se de uma atitude, um estado de espírito, disposição para se tornarem um com, por ser isso que a unidade engloba. Intimidade! Uma intimidade definitiva e plena.


E “Como encima, também em baixo,” como querem desfrutar dessa unidade com a fonte também assim precisam aprender, desenvolver, criar essa unidade com a vossa realidade. Não com toda a gente, mas com aqueles poucos seleccionados com quem conseguem sentir a maior noção de responsabilidade, sinceridade e confiança. É com esses que desejarão desenvolver a unidade. O que quer dizer o quê? Que vós e eles sereis um; que serão capazes de pensar da mesma forma, ser da mesma forma, responder da mesma forma. Que sejam capazes de compreender -- não que sempre o façam, mas que sejam capazes de os entender, assim como a vós próprios.

(CONTINUA)

Transcrito e traduzido por A. Duarte

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