segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A ARTE DO DESAPEGO





Julian: Estamos aqui neste dia para falarmos acerca da arte do desapego, está bem? E trata-se de uma arte, de uma técnica, por assim dizer. Creio que a primeira coisa que precisam compreender é que desde o instante em que inspirar o ar pela primeira vez, na Terra, estão a ser programados na direcção do vosso futuro. Desde esse primeira inspiração que outras pessoas começam a moldar e a formar as vossas ideias e o vosso pensar. E se olharem para trás, no tempo, a determinada altura toda a gente pensava o mesmo relativamente a determinada questão, razão porque toda a gente é igual. Em determinada altura porque toda a gente definia um certo molde (...) ao passarem de uma expressão rígida (...) para uma flexível e mais aberta; todas essas coisas foram programadas desde o início, em vós. E não foi senão até que tenham atingido a idade da razão que terão começado a formular dúvidas ou a questionar tudo na vossa vida.

A criança acha-se aberta a tudo quanto lhe seja estendida. E sem que o perceba, é formado e moldado na criança, por meio da contribuição ou investimento que lhe é feito, a forma como virá a enfrentar a vida. Agora na idade da razão poderão surgir dúvidas quanto ao que lhe tenha sido ensinado, mas ainda se acham muito susceptíveis quanto a dizer: "Se não o fizer desse modo, serei culpabilizado." De modo que o aspecto da culpa começa a intrometer-se uma vez mais. Percebem: "Isto assemelha-se àquilo por que passei aos sete anos de idade," que é o primeiro período de transição. Assim, percebem que deva ser de determinado modo, e se não for dessa maneira, devam sentir-se culpados, e estar errados.

Ao crescerem um pouco mais, por altura do segundo ciclo de sete anos, começam a rebelar-se e começam a dizer: "Não, não quero faze-lo assim, por não corresponder àquilo que sou; tenho que me tornar naquilo que realmente sou," e assim a busca tem início. E a busca leva-os sobre montes e vales, seja por onde for, mas irão descobrir quem são, e então terão que aceitar aquele que são, porque até que cheguem a aceitar aquele que são não poderão escapar aos velhos padrões. precisam dizer: Eu sou um indivíduo, e o que (...) dos primeiros sete anos da minha vida, ou mesmo dos sete anos seguintes da minha vida, estou agora no controlo disso, e tenho o direito de conceber aquele que sou e quem virei a ser.

Agora, ao longo do percurso, enquanto passam por esse processo, muitas vezes têm a sensação: "Se eu preciso descobrir quem sou, de que modo o farei? Que será que me ajudará a descobrir-me?" E por estranho que pareça, muita gente descobre-se por meio de um incidente negativo por que passe na vida, e muita outra encontra-se por intermédio de incidentes positivos. Já outros tomam uma decisão que lhes vai alterar a vida toda. Não há nenhuma maneira definida por que se encontrem. Mas é pela libertação e pelo desapego (abandono) que atraem as novas formas de compreensão. Porque se não mobilizarem o desapego não haverá espaço a nada de novo. Assim, o que fazem é olhar para trás e dizer: "Quem terei eu sido? Quem terei eu pensado ser durante os primeiros sete anos da minha vida?" Descrevam a personalidade que tinham, descrevam aquilo que faziam.

Ora bem, entendem que isso não é aquele que eram, mas que era o conceito que faziam daquele que eram por essa altura. E depois dizem: "Muito bem, e quem é que fui nos sete anos seguintes? Como reagia às coisas, que é que fazia; do que é que estava a fazer um absoluto na minha vida, onde talvez não tivesse que o ser?" Por outras palavras, buscam (...) hoje, e olham para trás e veem quem eram na altura. Uma vez mais, muito embora a lenta ruptura tenha tido início, ainda se verão como o projecto de outra pessoa. Ouçam os vossos pais quando falam: "Os meus filhos; este é o meu filho." Propriedade - que a criança aceita, por ver através do conceito da inexistência de variação. O pai vive por intermédio da projecção que faz na criança. Se a criança for bem-sucedida, o pai poderá (...) a ponto de dizer: "Este é o meu filho." Caso a criança não seja bem-sucedida, ele dirá: "Esse vadio?!" (Riso)   

Assim, o que precisam é reconhecer que, quando decidirem quem são, nada disso tem importância, por agora saberem quem devem ser, e dirigem-se no seu encalço. Nos últimos dez, doze ou quinze anos têm enfatizado bastante na culpabilização da infância que tiveram, por tudo na vossa vida estar errado. Culpam aquele que foram por essa altura, por não reconhecerem que tinham o direito de o alterar, que tinham o direito de se afastar disso. Eu voltaria ao que afirmei; agora que se veem forçados, vão aceitá-lo? Por perceberem que o que lhes foi ensinado e o que começaram a aceitar enquanto vossa realidade pode ser alterado se disserem: "Não, isso não sou eu."

Assim, ao desabrocharem, o desapego assemelha-se a um descascar dos ciclos de sete anos, e a ver quem foram; como os levava a sentir-se, como reagiam às pessoas, o que sucedia... As crianças utilizam a evasiva; algumas revelam-se bastante argumentativas e irritadas, e discutem bastante, outras fazem crer que nada se passa e atravessam a vida dessa maneira, por ser o método que usam de se proteger quanto à possibilidade de serem usados quando não têm a intenção de o ser.

Entendam o seguinte: A responsabilidade parental reza que os pais precisam conduzir os filhos pela melhor forma que puderem, de modo que o fazem pelo melhor que sabem, e pelo que tenham aceitado ser, de modo que isso estende-se século atrás de século. Mas a compreensão que tem início aos catorze começa a incutir em vós o sentido da vossa própria independência e (...) E isso é realmente importante ao reconhecerem isso como um direito que têm, e não como um campo de batalha. Por muita vez ser abordado como um campo de batalha. As crianças mentem, as crianças passam por apuros em casa, por terem que agir de determinada forma, por serem ruins, e acabam simplesmente tendo que sair de casa. Todos eles percebem que não faça mal terem que sair de casa. Todas essas pequenas coisas contribuem para que se tornem numa pessoa, mas até que identifiquem aquele que são, não terão pleno controlo da vossa vida.

Pergunta: Parece tratar-se de um abuso progressivamente mais físico e emocional. De que forma irá isso afectar (...) a identificação daquele que somos?

Julian: Sempre houve disso. Só que não estavam (...) por nessa altura nada ser exposto e tudo ser mantido escondido, por não ser trazido à luz. Isso constitui uma parte disso; a outra parte é que nesta altura, não só nos encontramos numa energia muito célere, etc., mas a liberdade em demasia criou falta de limites, de modo que o que antes era ocultado é agora descaradamente anunciado, mas também sofre uma intensificação, por não existirem limites. Assim, ter os vossos limites definidos por um padrão, bem cedo na vossa vida, torna-se muito importante, por isso ajudar a criança a ter um tipo qualquer de limite à medida que se torna pessoa. O que não quer dizer que não fosse uma pessoa antes, só que não sabia que o era. Tinham somente a ideia de ser uma extensão dos pais, por assim dizer.

Por conseguinte, o que precisa acontecer agora, e irá ter lugar, é o facto de o ciclo estar a mudar agora, e tudo estar a ser trazido à luz. Parece estar a ocorrer muito mais por estar a ser anunciado - as notícias difundidas pelos media, apregoarem: "Isto é o pior que alguma vez ocorreu..." Só que não entendem que sempre se deu... Mas só agora tem possibilidade de ser trazido à luz a fim de tentar encontrar assistência. Só que isso faz igualmente parte da descoberta daquele que são. Como estão vocês a reagir a isso? Que farão para o ajudar por qualquer via que consigam? Isso é importante.

Vocês são extremamente (...) por trabalharem com essas crianças e percebem o prejuízo que pode advir do aspecto do álcool e do aspecto das drogas, do aspecto da indulgência excessiva. E conforme declarei antes, por esta altura estão a estabelecer um paralelo com a era da Atlântida e com a era Romana. Em relação à era romana por causa da autoindulgência e com a era da Atlântida em que o aspecto da tecnologia se adiantou a vós, por não estarem a deter um controlo total dela.

Pergunta: Quando te referes ao aspecto tecnológico referes-te ao mundo em geral ou aos Estados Unidos?

Julian: Ao mundo no geral.

Pergunta: Por teres mencionado que ao longo da história ter sucedido e tender a ser (...)

Julian: Hmm, hmm. Mas quando estou a trabalhar na aula, trabalho com o mundo em que vivem. De modo que a Terra é o vosso mundo, entendes? A mudança ocorre na medida da necessidade. Lembrem-se de que duas coisas estão a ocorrer neste exacto momento - razão porque constitui um período de tempo tão importante. O ciclo de três mil anos está a decorrer, que é quando as energias impessoais do universo purificam o planeta, etc. Portanto, isso está em definitivo a ocorrer e vocês conseguem senti-lo na forma como os padrões mudam, etc. E ao mesmo tempo encontram-se numa nova era, num ciclo de dois mil e seiscentos anos que representa a espiral da evolução, de modo que há muita coisa que está neste momento a ocorrer, há tantas mudanças que estão a ter lugar que se torna quase impossível apontar com precisão qualquer coisa. O que representa uma outra razão por que as pessoas andam confusas quanto à identidade que têm, por se terem acostumado a fixar-se segundo um modelo, entendem? É por isso que têm as vossas estrelas de rock e o vosso teatro e essas coisas, em que escolhem o modelo que querem tornar-se, por assim dizer. E por vezes o modelo não tem qualquer existência ou realidade na sua própria vida, mas fantasiam com relação a isso o suficiente para se manterem contentes.

Descobrir quem são e esquecer o passado exige trabalho. E aquilo que é chave no processo é a disposição, dispor-se a deixar o passado, a abrir mão do que imperava e de assumir o que pode ocorrer, em vós. Ora bem, isso significa que a energia de Peixes representou uma energia fixa em que escolhiam uma coisa e permaneciam nela para toda a vossa vida. A energia de Aquário não representa uma energia rígida, pelo que irão dar por vós a mudar as coisas constantemente na vossa vida: novos interesses, novos desejos, etc., por ser suposto o que tem lugar neste momento – libertar-se e não confinar-se; ser livres para dar corda aos calcanhares no sentido que quiserem.

Aquilo que também há que reconhecer é que, assim que se encontrarem preparados e dispostos a descobrir aquele que realmente são, ponham de lado o aspecto idealista. Ponham de lado aquela imagem que diz: “Se usares de uma imagem destas terás sido bem-sucedido.” E começam a olhar para vocês próprios de uma forma realista que diga: “Posso não ser perfeito a toda a linha,” seja o que for que lhe chamem, “Mas, Eu Sou.” E Deus é um convosco. Por isso, não há quem esteja perdido. E começam a considerar isso e a aceitar quem são, e a perceber que não podem fazer tudo na vida; não conseguem o melhor em todas as coisas, e que não necessitam conseguir o melhor em todas as coisas, e começam a considerar o que realmente os leva a mexer ou a pensar. De que é que gostam? Do que é que gostam de fazer? Alguns de vocês já o descobriram, outros estão ainda a tentar (…)

Por isso, o que há a ter em mente é o seguinte: Se estiverem a tratar de uma questão de mudança, numa questão em que a mudança é quase absoluta, então porque não se dispõem a mudar? Portanto interrogam-se da razão porque é mais fácil agarrarem-se àquilo que eram do que transformar-se no que podem ser? E aí é que está o problema. É isso que precisam atacar. Que é que os assusta tornar-se em algo de diferente? Que é isso que diz: “Não gosto da situação em que me encontro mas vou permanecer nela porque pelo menos sei o que… sinto-me seguro nela.” Portanto, muitas das coisas que comporta baseiam-se naturalmente no medo – medo de não serem capazes de mudar, ou de não serem a “história de sucesso” que a maioria definiu por intermédio dessa coisa do idealismo.

Tudo o que têm na vida não possui outro valor além do que lhe atribuem. Todos os louvores que venham do exterior não ajudam nem um pouco, a menos que os aceitem em si mesmos. Assim, a primeira coisa que têm que fazer é dizer: “Estarei disposto a deixar que novas facetas do meu ser se tornem conhecidas e se evidenciem? Estarei disposto a assumir com alegria e amor o dispêndio de energia que isso acarreta?” Eis o exemplo perfeito disso, por mais que decidam fazê-lo: Observando o arco do desenvolvimento que tiveram (…) denota-se uma coisa espantosa. Vocês descobriram o vosso aspecto criativo; podem ter tentado outras coisas, fizeram trabalho (…) e esse tipo de coisa, mas assim que a sementeira se aproximou, tornou-se algo com que conseguiram identificar-se e tornou-se cada vez mais expressivo, tanto mais que estão a suscitar toda esta ideia de mudança por meio da descoberta de uma faceta de si mesmos e estão a dispor-se a deixar que ela se revele E vocês conseguiram isso. Porque se considerarem algo que tenham semeado no início e algo que estejam a semear agora, não conseguirão acreditar na diferença, Olham para isso e dizem: “Meu Deus, eu fiz isso?!” Mas o objectivo está em (…) e decidirem-se a alimentar isso, de modo que descobriram o aspecto criativo em vós, e soltaram-no. E faz uma enorme diferença na vossa vida.

Assim, todos temos estes outros aspectos a que não prestamos atenção, e que dizem: “Deixa-me sair para o exterior.” E quando os deixam sair, surpreendem-se com o que conseguem fazer.

O que eu gostaria que fizessem durante as próximas semanas, por assim dizer, ou quando dispuserem de tempo, é que pensem no que é exista na vossa vida com que não estejam satisfeitos. Será a capacidade que têm de a mudar? Estarão dispostos a mudá-la? Ao considerarem essas coisas e ao enfrentarem o que se lhes apresentar, irão desembocar numa outra faceta de vós próprios.

Além disso, tal como disse anteriormente, há uma pequena passagem que encerra o seguinte: “Que é que me está a impedir de abandonar e me está a prender?” Mas se olharem para alguns dos que obtiveram um enorme sucesso seja em que campo for em que trabalhem, geralmente eles amam o campo em que trabalham; ele é uma parte viva deles próprios, por assim dizer, a expressão de si mesmos, seja o campo dos negócios ou das artes, do ensino, seja o que for – mas constitui uma parte viva deles e eles adoram o que fazem, e sentem-se contentes com isso. Porque fazer algo que gostem de fazer, e depositar energia nisso realmente condu-los a essa abertura em vós próprios.

Assim, durante este ano e os próximos três anos irão descobrir muito disso a acontecer – de súbito tornarem-se noutra pessoa. Na verdade não estão a tornar-se numa outra pessoa; estão somente a descobrir a pessoa que têm sido mas se tem mantido na concha das imagens de realização da infância, por assim dizer. E dizem: “Não tem importância. Não importa a situação de que vimos; não importa quem fomos, nem quanto dinheiro tivemos ou deixamos de ter – nada disso importa. O que importa é: Quem sou eu? Que é que estou a fazer? E sentir-me-ei satisfeito em fazê-lo?” Isso é que importa.

Agora, quando buscam o desapego isso envolve uma outra pequena coisa, que é: Estão dispostos a obter ajuda? Não me estou a referir à análise psicológica. O que quero dizer é se estão dispostos a dar atenção às próprias palavras que empregam, dar atenção ao que os outros dizem e decidir se eles farão parte da vossa mudança ou não? Por vezes uma pessoa pode dizer alguma coisa, ou ouvir dizer alguma coisa no supermercado e isso é algo que os leva a perceber: “É isso que quero,” ou: “É disso que me quero ver livre,” como se nunca o tivessem percebido antes, e uma proclamação casual pode representar a ajuda de que precisam. Se há algo que precisam fazer, é não tornar-se num ícone para vós próprios. Se disserem: “Eu tornei-me nesta pessoa importante, pelo que não preciso de mais ninguém,” aí estarão a andar para trás e a tornar-se num modelo. Toda a gente precisa de alguém; toda a gente precisa de auxílio. O que não quer dizer que alguém tenha que estar errado, mas é só que a camaradagem do riso, ou ir a alguma parte juntos, ou passar um bom momento juntos em torno de uma chávena de chá ou seja o que for, mas todos precisam da camaradagem proporcionado pelos outros. E é somente através da escuta tanto quanto de um pronunciamento que obtêm o verdadeiro valor disso.

Quando há necessidade de ter controlo absoluto que esteja sedar o medo, que esteja a sedar a razão por que não se sentem confortáveis caso não se sentam (…) para se poderem sentir como pessoa, voltem atrás e descubram-no, dizendo “Porquê?” Rastreiem a coisa porquanto por fim chegarão a descobrir que aquilo que fala mansinho é o que se faz ouvir mais, e melhor. Assim procuram compreender porque protelar? Tudo se reduz a um tipo de medo, tanto no caso das coisas ligeiras como graves. Um receio que diz: “Eu preciso disto para me poder sentir seguro.” Por vezes diz: “Eu adio-o.” E ao adiá-lo, fazem-no de tal forma que nunca chegam a fazê-lo. Outras vezes diz: “Se o fizer à minha maneira será correcto.” Mas precisam dispor-se a olhar para vós próprios e para as vossas falhas, por uma parte interessante de vós vossa assentar nas vossas falhas; mas até que reconheçam isso e começarem a impor-lhe um equilíbrio, estarão no caminho errado.

Portanto, precisam perceber que até terem sete anos de idade, não têm controlo sobre a vossa programação; após os sete anos começam a ter a noção de que poderão ter algum controlo, e quando atingem os vinte e um o mundo já não está preparado para vós. Esse é o desabrochar do percebimento de vós próprios como separados do conglomerado de gente que os rodeia. E separados pelo percebimento de que eles estiveram presentes na vossa condução até este ponto, e agora é convosco. Mas isso deixa-os aterrados! E vocês têm percepções formidáveis da pessoa estupenda que realmente são.

Bom, hoje, devido a que o balanço do pêndulo tenha ido demasiado longe, o aspecto da responsabilidade do mundo acha-se mais forte, as rotas de fuga da vida, devido ao despreparo no enfrentar da vida, criam problemas às pessoas, de modo que têm imenso abuso pelas drogas, abuso pelo álcool e esse tipo de coisa. Todas as eras têm uma coisa qualquer, mas o objectivo está em erguer-se acima disso, ou em manter isso moderado em vez de deixarem (…) Assim, nesta altura, precisam decidir aquilo em que vão tomar parte, aquilo em que se vão alçar, e baseá-lo no seguinte: “Que benefício irá isso trazer-me? Quanto benefício me trará isso à vida?”

Portanto, temos aqui um modelo com a aparência do mundo, em que tudo quanto ouvem é o que se passa de errado nele, mas eu garanto-lhes que para todas as coisas que se passam de errado, coisas há que são feitas de modo acertado – busquem o certo, e descobrirão que o outro aspecto não lhes parecerá tão árduo no trato. Afastem-se daquilo que lhes for prejudicial. Isso depende de uma decisão; e vós tomais decisões todos os dias da vossa vida.

É isso que se pretende dizer com a passagem bíblica do “Dar a outra face,” que não quer dizer dar a cara para que a esbofeteiem, mas deixar de a expor à energia que a tenha ofendido. E assim, vocês acham-se no processo de tirarem a vossa energia daquilo que a ofende seja de que modo for.

Pergunta: Tu usas o termo “programados,” e “programar,” mas não poderias definir…?

Julian: O programar?

Pergunta: Sim, tu disseste…

Julian: Muito bem. Por exemplo, quando são crianças é-lhes dito o que devem fazer, o que é bem e o que é mal. A passagem em que se diz que os “Pecados dos pais caem sobre filhos,” (NT: Ou os filhos pagarem pelos pecados dos pais, conforme se pode entender da passagem do Êxodo 20: 4-5) não significa o pecado original mas aponta simplesmente o preconceito do ódio que é transmitido à criança pelos pais. Mas a questão está naquelas coisas que a criança aceita como coisa normal, pelo que se for dito à criança que ela é estúpida ela pensará que é estúpida. Por nessa altura ela não ter outros ícones além dos seus pais. Por conseguinte, a programação que é definida grosso modo até aos sete anos, diz-lhe que deve existir alguma coisa de errado com ela; o que não quer dizer que toda a programação que lhe é incutida seja má, por haver muita coisa que é sã que os pais lhe incutem, mas por estarmos a tentar entender a mudança, procuro que entendam o processo de abalo que provocam nela com o que incutem nela, por assim dizer.

Por conseguinte as pessoas são programadas de uma forma qualquer todos os dias. Até mesmo em adultos vocês são programados. São programados pelo que a sociedade pensa, pelas cores que estão na moda, tudo isso.

Pergunta: Onde entra o aspecto da livre escolha?

Julian: O aspecto do livre-arbítrio está em dizerem: “Se o vermelho não me agrada, não preciso usá-lo.” Dizem: “Será adequado para mim?”

Pergunta: Então quando é que uma pessoa adquire o livre-arbítrio, será desde a nascença?

Julian: É desde a nascença, só nos estágios iniciais a criança não é capaz de usar essa liberdade de escolha por não fazer ideia de como o fazer.

Pergunta: Então por volta de que idade é capaz, por volta dos sete anos?

Julian: Os sete anos é a fase considerada como a idade da razão, quando a criança realmente começa a pensar nas coisas fora dela própria ao invés de o fazer nela própria. A criança acha-se demasiado envolvida em si mesma nos estágios iniciais. De modo que por essa altura começa a ter um vislumbre disso e começa a questionar, e a chegar mesmo a dizer “Com pode? Porquê?” e esse tipo de coisa. Depois, por volta dos catorze, e devido a tudo quanto começa a ocorrer nos seus corpos, porque conforme sabem as maiores transformações mentais, espirituais e físicas que alguma vez se dão, ocorrem desde os catorze até aos dezassete, de modo que passam pelo que chamam de fase terrível da adolescência, mas uma vez mais isso representa uma afirmação generalizada, porque por baixo disso têm crianças estupendas. Busquem aquilo que represente boas-novas, nem que seja um cabeçalho de três linhas que venha publicado nos jornais, mas busquem isso, por ser isso que lhes transmite o facto de o mundo não estar todo a enlouquecer. Mas o vosso mundo não é o mundo todo. Vocês criam o vosso mundo dentro do mundo.

Pensem somente nos laços de afecto que criaram nestes grupos semelhantes ao que vocês aqui têm. Vejam o carinho que nutrem uns pelos outros nele; olhem para o respeito mútuo que aqui encontram. Vocês estão a construir um mundo dentro de um mundo louco, e o vosso mundo pode ajudar a influenciar esse mundo “louco”; bem sei que é impertinente usar tal termo, mas vocês sabem ao que me refiro. Há um pequeno livro maravilhoso para crianças que começa assim: “Deus criou uma desordem,” e eu creio que esse é um excelente termo por ora, o de que o mundo esteja numa desordem. Se aumentar poderá tornar-se alguma coisa estupenda mas por ora está numa bagunça. Mais perguntas.

Pergunta: Tenho uma pergunta acerca de uma afirmação. Quando ensinava… Eu ensinei durante vinte e cinco anos e tive uma mãe de um aluno que se manteve uma arrelia, por eu estar habituado a tratar as crianças como minhas, como a minha filha e filho. Mas ela tinha uma perspectiva completamente diferente disso e tornou-se num problema. Chegou a dizer que era a mãe dele, o que percebi como representando um sinal (…) nela, e isso fez-me pensar se não estaria a expor-me à insensatez.

Julian: Isso também pode ter representado a afirmação de uma reivindicação sobre a criança: “Eu sou a mãe dele!” Uma afirmação dessas possui dois lados (…) e foi usado à defesa, mas aquilo que subentende é que os pais são possessivos, o que durante a maior parte do tempo não percebem, mas não deixam de ser possessivos, e apesar de durante a maior parte do tempo tentarem proteger os filhos do papão da própria infância que tiveram, ou das suas vidas. Eu ouço as pessoas dizerem: “Eu nunca o tive para que os meus filhos o venham a ter.” E assim criam um dos maiores problemas na vida das crianças, pensando que tenham que devam ter tudo, ao pensarem que não têm outra responsabilidade para além daquilo que querem, esse tipo de coisa, sabes?

Pergunta: Então poderias dar-me um exemplo qualquer de uma declaração que devemos empregar com respeito à reduzir (…) dos pais, quanto a este ou àquele tipo de possessividade?

Julian: A possessividade está sempre presente por precisarem perceber que faz parte dos pais. Fisicamente, vocês são feitos a partir dos vossos pais, por assim dizer, de modo que eles dizem: “Olha para mim; aí estou eu.” Por conseguinte, “O que eu não consegui, esta minha filha ou filho conseguirá por ser eu, e eu me ir sair bem-sucedido.” Mas também há alegrias com relação às crianças, alegria quanto às conquistas que obtêm. Uma das coisas que descubro quanto ao vosso mundo actual é que retiram os factores de alegria a muitas coisas e tornam-nas numa competição.

Havia um tempo em que as crianças costumavam, digamos, ir para tudo quanto vissem trancado e “faziam trinta por uma linha” e passavam um bom bocado, que agora está tão reduzido, mas é o vencer, têm que vencer; de modo que agora é o trabalho; as crianças têm que crescer segundo as opiniões dos outros, quanto ao que seja o melhor, de forma que entram naquele tipo de jogo da propriedade. Qualquer um pode dizer que a criança seja… mas se não quiser brincar, não precisa fazê-lo.

Pergunta: A limitação não será uma violação da criança? Não se estará a falar de autorizar as pessoas a derrubar isso? Nunca antes esses pais levaram os seus filhos a fazer isso (…)

Julian: A questão está em que queiram tudo para os seus filhos, e por nesta altura isso representar o que se realça imenso, por assim dizer, de modo que é quando eles dizem, tudo bem… mas muitas vezes as crianças querem fazê-lo e depois descobrem que não querem isso tanto, quando se encontram nisso, e esse tipo de coisa. Mas a coisa mais importante é que a criança tenha uma oportunidade de o experimentar, mas se depois não gostar, não faz mal que diga: “Eu prefiro não fazer isto.” Uma das coisas mais significativas no mundo de hoje, no que toca às crianças, é que elas não têm tempo para elas. A arte das tortas de lama despareceu, o que é uma pena, por isso ser importante no despertar da sua imaginação, assando e tirando essa lama que chegava a dar uma refeição divina à mesa. Por isso as estimular pelo acto de criar; e isso foi-lhes tirado. Mas as crianças estão a ser forçadas a crescer demasiado rápido. E depois as pessoas maravilham-se com o facto de aos três anos as crianças conseguirem aprender línguas. Isso está tudo muito bem. Mas não às custas de as crianças não terem tempo para fazer tortas de lama. Hoje com esse tipo de coisa de precocidade as crianças nem têm oportunidade de conhecer a diversão antes de a colocarem num tipo qualquer de equipa, o que deixa de ser divertido.

Pergunta: Isso não retira a criança da sua vida física e não a coloca num mundo mental? Essa omnipresença?

Julian: Ah, sim retira-as à vida física no sentido… de acordo com aquilo com que se acha envolvida. Mas o essencial está em que ensina a criança a usar de sentido de competição com a vida, em vez de aceitar deixar-se levar pela vida.
Não estou a dizer que essas coisas sejam más, más, por certas crianças quererem passar por isso, adoram fazer isso, mas também precisam manter um equilíbrio entre a mente e o corpo e o espírito. Os tempos livres para a criança representam o tempo do espírito. A parte física activa delas é. Claro, a participação que têm nas brincadeiras, e a parte mental passa pelo tipo de treino e pela despreza que precisam desenvolver naquilo em que participam.

O objectivo está em que os pais querem que a criança seja feliz, e se os filhos de toda a gente estiverem na parada, digamos, eles não vão querer que o filho deles fique de fora, de modo que vão querer que o filho deles também faça parte da equipa, mas pensam que isso faça algum bem à criança, por a criança não querer ser estranha nem ficar isolada. Todavia, a criança pode querer estar isolada, pode apreciar não ter que fazer isso. Mas se auscultarem a criança, normalmente ela dá indicações se quer tentá-lo ou não. Mas o principal é que as crianças… provavelmente seria melhor que as crianças fossem brincar e os pais ficassem em casa, por essa provavelmente ser uma jogada mais feliz. Mas o facto de se poderem meter em brigas deixa os pais assustados.

Pergunta: Bom, devido à intensificação da energia, e esta é a forma como o nosso mundo se encontra presentemente, como haverão as crianças de hoje descobrir quem são, por se achar tudo fora delas próprias…

Julian: As crianças que nascem durante este período de tempo já se encontram em sintonia com essa energia, pelo que na realidade se encontram mais adaptadas do que os adultos, de modo que irão ser capazes de colher mais disso. Mas também é importante explicar à criança, à medida que ela cresce, que alguns dias não se mostram tão produtivos quanto outros, mas não faz mal, é a vida. De modo a que a criança não sinta que precisa esforçar-se continuamente. Por outro lado, não deixem de estimular a mente da criança, por certamente não quererem que a criança permaneça sem fazer nada; isso tampouco é aceitável.

Pergunta: Mas tampouco será feliz esforçando-se…

Julian: É verdade. Um meio-termo em função da criança.

Por outras palavras, a criança sabe que, se não gozar de inclinação atlética, não terá que sentir vergonha por não fazer parte da equipa, por ter outras habilidades que preenchem essa situação que poderá usar.

Pergunta: Aquilo que me é dado a entender, quando observo as crianças de hoje, é que já trazem uma energia completamente diferente com que se sentem confortáveis, e na realidade estão a ser preparados para um tempo em que a competitividade e a intelectualidade serão primordiais, de modo que parece-nos ofensivo a nós em 2002 ou 2003, mas quando estiverem a viver em 2010 ou 2020, essa irá tornar-se numa situação para eles. (Hmm, hmm) Tal como os rapazes do Jogo das Estrelas de agora, foram preparados para os computadores há vinte anos.

Julian: Sim, contudo, uma vez mais, o equilíbrio não está a ser mantido.

Pergunta: A Era de Aquário terá equilíbrio…?

Julian: Está a trazer equilíbrio, sim está a trazer equilíbrio, esta é a era da harmonia e da fraternidade, etc., e trás de novo uma harmonia, mas o que está a suceder, John, é como qualquer coisa nova. As crianças agarram-se a isso e adoram-no, e isso serve de excelente estímulo para a mente, mas há algumas crianças que vivem nesses jogos vinte e quatro horas por dia, e isso é prejudicial.

Pergunta: Eu percebo que isso seja uma inicialização, o universo está a dar-lhes um treino intensivo para os preparar para daqui a vinte anos.

Julian: Está certo. Tal como a vós vos foi dado um. Mas ainda têm que passar pelos mesmos processos e passos por que passaram, por isso traduzir o processo do desenvolvimento. Sim, certamente que as crianças de hoje estão mais inclinadas para as coisas técnicas por ser para aquilo que o mundo agora aponta, a tecnologia. Mas deixa que te diga uma coisa, John, não estejas tão certo de que daqui a vinte anos essa seja a maneira de ser. (Riso)

Pergunta: Quererá isso dizer que na Era de Aquário… disseste que a porção Romana e Atlante, e aquilo que estamos neste momento a debater, penso que estejamos a alcançar um equilíbrio…

Sim, vocês nesta era estão a esforçar-se por trazer de volta esse equilíbrio, mas o que estão a fazer é a estabelecer um paralelo com essas energias. Por exemplo, vocês têm resíduos nucleares a que não sabem o que fazer, da mesma forma que os cristais da Atlântida. Os cristais da Atlântida sabem, eles quebraram-nos e enterraram-nos, sem perceberem que ainda estavam em ressonância e a criar um desgaste tipo “colmeia” no subsolo. E neste momento vocês enfrentam o mesmo tipo de problemas com tida nova energia, mas uma vez mais o período de comodismo que vem da Roma antiga, tipo “enquanto o meu corpo estiver a salvo eu estarei óptimo,” por vezes esquecendo o aspecto espiritual do ser.

Assim, estes são tempos de forte equilíbrio, e uma coisa que precisam entender é que, por estarmos a falar da arte do desapego, que nos leva a examinar o aspecto cruel e negativo das coisas, por favor compreendam o belíssimo e carinhoso (…) que fazem o melhor de que são capazes de tudo quanto têm e isso é tudo quanto é esperado deles. Mas a coisa é que estamos a examiná-los colectivamente, universalmente, e o que estão a fazer neste momento, por este momento constituir uma janela de oportunidade para tais mudanças.

Pergunta: Devido a que a energia se encontre em tão elevada vibração, que creio que toda a gente (…) agora o corpo precisa ajustar-se a isso. (Exactamente) Agora, isso não irá provocar situações no corpo?

Julian: Certamente. O que está a suceder é… Sabemos que vocês metem muitos ingredientes na misturadora que, quando a ligam as pressiona contra o topo e que os misturam na perfeição… O que esta energia faz é forçar as coisas para fora do corpo. Assim, poderão encontrar elementos no corpo e coisas desse tipo, que estão destinados a ser tratados e muitas vezes são esquecidos, e que são forçados a vir ao de cima, de modo a poderem manejá-los… por outras palavras, vocês estão a limpar o corpo interno através da vibração, assim como por meio da existência exterior que os rodeia (…) Mais alguma pergunta?

Pergunta: Dás a entender, basicamente, que as crianças são programadas desde a nascença até basicamente à idade dos sete anos, quando se opera uma mudança… Não haverá um tipo de catalisador que a ajude a mudar, ou que ajude qualquer pessoa a mudar, um catalisador qualquer que nos leve a perceber o que realmente não seja bom para mim…

Julian: Sim, todas as crianças… mas o catalisador acha-se na própria criança, a criança descobre… por outras palavras, se algo se revelar demasiado irritante, vocês acabarão por perceber que precisam fazer algo a respeito, coisa que nunca é percebido antes. Os catalisadores geram interesse para as crianças, os catalisadores geram mudanças para a criança, e essas mudanças são boas. Mas o que precisam ter em mente é que por altura dos sete anos, as primeiras cutucadas interiores que ocorrem decorrentes da própria infância dizem: “Espera aí, eu quero que a minha vida seja diferente,” e esse tipo de coisa, e aí trata de o conseguir.

Toda a gente necessita de um catalisador de um género qualquer. Mas uma vez mais, um catalisador poderá ser uma declaração escutada algures. Mas lembra-te de que as crianças gostam das coisas e de participar em coisas, com base em quererem ser como mais alguém, no grupo dos seus pares.

Pergunta: Descubro que a forma mais excessiva de eu me desapegar ou abrir mão, passa por ter uma aspiração de me tornar algo. Poderias dar-nos alguns exercícios que nos ajudem a recobrar o “plano” original que tínhamos antes de aqui vir? (Julian ri, seguido de riso geral em tom de desafio)

Julian: Realmente não existe forma nenhuma de conseguirem o “roteiro original.” Ainda que as escolhas motivadas pelo vosso livre-arbítrio digam: “Estou a fazer este desvio mas à medida que prosseguirmos irei regressar à via principal,” o desvio ensina-lhes alguma coisa que lhes realça o objectivo, assim que o examinarem. Por a cada passo na vida, dentro de vós, por vezes por pequenos vislumbres fugazes, vocês verem onde querem estar e onde querem chegar. E como esses pequenos vislumbres são o que os inspira a continuar… é quase como… o burro realmente pensa que a cenoura (que lhe colocam à frente) se está a aproximar pelo que continua a caminhar, (ri) esse tipo de coisa.

Para poderem ter uma percepção qualquer, precisam dar um passo atras e questionar-se do que seja importante na vossa vida. As pessoas olham ao redor e dizem que seja o carro e isto e aquilo; e para alguns isso é importante, por ser o que faz deles uma pessoa, na sua mente. Assim, o que fazem é questionar-se do que seja importante na vossa vida, e, onde é que isso os irá levar. É como quando, John, descobres a cozinha, e isso se te torna numa meditação, numa alegria; a Joy descobre (…) e tu descobres a cozinha, todos descobrem alguma coisa. E a questão está em que isso é algo de que gostam de fazer na vida, de modo que querem que isso colabore na vossa vida. Na verdade isso representa “voltar a entrar nos trilhos” – quando descobrem uma nova faceta do vosso ser que querem passar a usar. Isso é “voltar a entrar nos trilhos.”

Jamais sintam que precisam saber aquilo com que vieram a esta vida, por isso representar um plano muito vasto. É dizer: “Eu quero usar as minhas capacidades mentais,” que é uma coisa que tu tens vontade de fazer, e irás usá-las independentemente do que fizeres na vida, mas aí, quando chegares a uma dada situação em que o cozinheiro diz: “Vamos lá fazer isto com maior intensidade e entusiasmo,” aí é quando obtém a sensação de investigar e de descobrir alguma coisa de que goste - tudo quanto os conduz de volta a esse caminho de si próprio, como quem diz.

Tu vieste, John (…) “Eu quero entender o dinheiro.” Bom, tu tiveste a tua oportunidade. (Riso) Mas trabalhaste duro para isso, e não ficaste meramente à espera que te fosse dado, por assim dizer. Isso faz toda a diferença, entendes. À medida que tratarem de o descobrir, percebem que o vosso Eu Interno o conhece, e que sabe quando a mudança faz falta, sabe quando algo tem que ser acrescentado e quando algo tem que ser subtraído. E quando vocês dizem, se apenas proferirem as palavras: “Eu Sou,” e se pronunciarem tranquilamente essas palavras, sentirão dentro de vós cutucadas, sentirão dentro de vós necessidade de mudança, sentirão no vosso íntimo uma sensação correspondente a uma outra faceta do vosso ser que têm vontade de trazer à vida e de encetar. É assim que o conseguem. “Eu Sou,” e a percepção de que alguns servem através do silêncio e outros servem fazendo parte da banda, por assim dizer, mas todos servem.

Há três coisas que precisam ter em mente sempre: “Eu Sou.” “Eu sou um projecto em andamento,” “O meu projecto já se encontra concretizado.” E se o perceberem, perceberão que seja o que for que estejam a fazer estarão a encaminhar-se para onde seja suposto ir, e a fazer o que seja suposto fazer.

Pergunta: Eu descubro, Julian, que creio que (…) uma aceitação de que na altura apropriada o que quer que esse plano original compreenda se revelará, e creio que isso nos permite descontrair em relação à coisa, saber que na altura apropriada isso se revelará.

Julian: Exactamente. O que precisam é perceber que tudo quanto fazem na vida faz parte desse “Eu Sou.” Tudo quanto fazem os ajuda a chegar a isso. Assim, o que têm que perceber é que pela aceitação – uma das palavras-chave deste momento no tempo, conforme estão ao corrente – por intermédio da aceitação trarão isso à tona de modo a conseguirem percebê-lo. Quando afirmam: “O meu projecto já aí está,” estão a aceitá-lo, e isso por vezes torna-se-lhes flagrante.

Uma das coisas importantes também deste momento no tempo é a amabilidade, a bondade, amabilidade e maneiras simples. Não precisam romper com os modos, mas gentileza somente, interesse pelo próximo, ter atenção por quem precisa que lhe carregue o saco das compras e fazê-lo, esse tipo de coisa.

(CONTINUA)                      

Transcrição e tradução de A. António
Copyright © 2003 Saul Srour

Autores: Rev. June K. Burke e o Seraph Julian

Sem comentários:

Enviar um comentário