terça-feira, 14 de julho de 2015

COMPREENDENDO A COMUNICAÇÃO





COMUNICAÇÃO A TODOS OS NÍVEIS

Transcrito e traduzido por Amadeu António



Muito bem. Hoje optei por falar sobre a comunicação sob todas as formas que adopta, por a comunicação vir a ser vital nos próximos anos. O homem irá precisar expressar-se de uma forma sucinta e não loquaz; vai precisar parar de falar em torno dos assuntos e começar a falar directamente acerca deles. Também irá ter que observar todas as formas de comunicação que adopta.

Vós comunicais através de movimentos corporais, por intermédio dos olhos, através dos movimentos das mãos, através do tom da voz, pela expressão que adoptam no rosto porquanto podem dizer uma coisa e expressar outra completamente oposta com toda a clareza caso os olhem nos olhos ou a expressão que adoptam ou ainda se prestarem atenção ao tom de voz que usam. Podem dizer algo carregado de beleza num tom de voz que elimine essa mesma beleza, e também comunicam por meio do pensamento antes de abrirem a boca para falar, de modo que não dirão coisas que não pretendam dizer - o que não poderá ser trazido de volta, por já o terem estendido ao universo.

Portanto, quando falamos de comunicação entendem que a comunicação tem níveis. O nível das comunicações empresariais, que se prende estritamente com os negócios, quando se encontram num modelo de vós próprios, independentemente do negócio que envolva. Situam-se na linguagem desse negócio, na atmosfera desse negócio, nos pros e contras desse negócio e durante o período da intercomunicação subjacente a esse negócio tornam-se nesse negócio. Mas há um ponto de demarcação e se passarem além desse ponto de demarcação, tornar-se-ão no que no vosso mundo é referido por “viciados no trabalho.” O viciado no trabalho busca a gratificação por múltiplas formas distintas; busca a gratificação que brota da medalha de honra de ser um bom trabalhador. Por outras palavras, está na verdade à procura de satisfazer uma carência que sente em si próprio. Se eu for viciado no trabalho ninguém poderá dizer que não tente. O que também denota o ponto de vista do ego. Além disso o viciado no trabalho também o fará como uma via de escape, para se evadir de alguma coisa que não se ache disposto a enfrentar na sua vida, de forma que se desgasta de modo a que possivelmente não consiga lidar com mais coisa nenhuma.

Portanto, a comunicação envolve muito mais do que… ondas de rádio, por assim dizer, não é? A comunicação constitui uma actividade de corpo inteiro que inclui o espírito e a personalidade do ego. Mas, como sempre, o factor polaridade precisa ser buscado e o meio-termo mantido. Assim, quando decidem examinar alguma coisa com alguém, a vossa argúcia vem ao de cima a partir das expectativas que o vosso ego tenha do que venha a suceder com o exame, e da realidade dos factos. Precisam comunicar-se por meio da expressão pessoal e precisam comunicar por meio da atenção. Não pode ser unilateral.

Comunicar significa interagir, e como tal precisam colocar-se-numa posição neutra em relação ao outro, como quando algo não funciona e têm uma conversa para ver como funciona. Têm que se colocar numa posição neutra, de modo a conseguirem ouvir o que a outra pessoa diz, porque se não pararem de falar só irão ouvir o que dizem e as expectativas que têm e a maneira como pensam que deveria ser.

A comunicação tem início na comunicação que estabeleçam convosco próprios; dar ouvidos a vós próprios. Agora, vocês prestam atenção a partir do nível espiritual, de dentro do Eu. Dão ouvidos às nuanças, às combinações, aos palpites, à intuição – conforme lhe chamam – que lhes fala. E a persecução disso ou a exclusão da coisa, de modo que não o ouçam, e deixam que a personalidade do ego governe, o que então os leva a fazer coisas que nem sempre resultam em vosso benefício.

A personalidade do ego não representa um mal, mas uma parte bastante necessária do aspecto físico da vossa própria expressão, contudo, precisa ser mantido equilibrado para que não os governe em vez de vocês a governarem. Por isso, quando dão atenção a vós próprios disponham-se a fazê-lo de uma forma neutra. Voltam a desligar a “caixa de velocidades” de modo que escutem as coisas que precisam ouvir, embora possam não querer ouvir, e também poderão escutar as coisas que pretendem ouvir. Lembrem-se que provêm da atitude humilde da Era de Peixes, de modo que convertem muitas das vezes aquilo que ouvem em: “Eu devia ter tido,” ou: “Eu falhei; eu isto, eu aquilo.” Por o “eu” se achar presente. E assim, talvez o que precisem dizer seja: “Talvez eu tenha cometido erros. Foi-me dito que isto não era caminho a seguir, mas se eu der atenção, ouvirei por onde me devo encaminhar.” Ouvem numa atitude neutra da mesma forma que comunicam a partir de uma atitude neutra. Por também precisarem ouvir, e se interagirem isso em grande parte esvai-se, o Eu pessoal. Por isso, vão retroceder o suficiente para se posicionarem nessa atitude neutra de darem verdadeiramente atenção a vós próprios. Nem sempre ouvindo aquilo que querem ouvir, mas ouvir o que precisam ouvir. E serem capazes de perceber o que precisam ouvir com tanta alegria quanto ouvir o que querem ouvir. Por isso vir a criar um futuro que não comporta os mesmos erros.

Por conseguinte, primeiro começamos por comunicar de uma forma sincera connosco próprios e de seguida comunicamos com os outros. Agora, já assisti a pessoa no vosso mundo que dizem: “Eu sou uma pessoa muito franca; acredito na honestidade,” e de repente aparece alguém e pergunta: “Gostas da minha roupa nova?” e ela responde: “Detesto-a. É horrível.” Com isso arruína o dia desse alguém… (A rir) Não se posiciona numa atitude neutra, porquanto numa posição dessas poderia dizer: “Que cor bonita.” Não mentiam a vós próprios nem mentiam à pessoa. “Tem uma cor bonita.” O problema é que irão romper com uma amizade ou fazer um inimigo; uma ou a outra coisa. Portanto, por vezes assistimos à forma como utilizam o que chamamos de sinceridade e franqueza.

O que também precisam ter em mente é o seguinte: Ao comunicarem, precisam interrogar-se se isso terá alguma validade: “Estarei a comunicar para me ouvir a falar, ou será para melhorar uma situação, ou um ambiente?”  Muita gente fala simplesmente para se ouvir a falar, e realmente não têm qualquer intenção sucinta de agir em coisa nenhuma. Assim, ficamos a saber que não envolve apenas a honestidade connosco mesmos mas sinceridade na comunicação a ponto da qualidade em vez da quantidade da comunicação. Alguma vez terão estado num recinto em que alguém usa da palavra e ninguém tem opinião nem conversa excepto a pessoa, e passado um tempo ninguém escuta? Por vocês terem uma válvula de segurança que os desliga quando se sentem sobrecarregados com as opiniões dos outros; na realidade entram numa zona de neutralidade e a válvula dispara, e a pessoa poderá falar nem que seja por uma hora seguida que vocês não farão ideia do que tenha dito. Por se protegerem a vós mesmos de serem inundados pelas opiniões de alguém mais.

Para que a comunicação seja salutar precisa ter um propósito. E por vezes esse propósito passa somente por serem felizes: rir juntos, ver alegria nas pequenas tolices, por isso equivaler a iluminar o ambiente. Ser capazes de rir de vós próprios com os outros constitui um excelente dom. Assim, a comunicação transmite: "Eu tenho algo a dizer," ou "algo precisa ser abordado." Diz: "Eu tenho a minha própria opinião com relação a isso, mas sei que os outros também têm, pelo que estou disposto a dar-lhes ouvidos." E o consenso na comunicação poderá ou não resolver o problema. Por outras palavras, poderão sair de um encontro a dizer: "Agora estou inteirado das opiniões de toda a gente, e sabemos todas as coisas que estão erradas, mas não chegamos verdadeiramente a resolvê-lo sem uma mudança. Bom, isso deve-se ao facto de isso representar a primeira volta da comunicação com respeito à situação; a volta seguinte levá-los-á um passo adiante, e começarão a dizer: "Certo. Agora sabemos como mudar a situação, como saná-la.

Torna-se importante saber que por vezes a comunicação só pode avançar um tanto de cada vez. Porque caso contrário ficam sobrecarregados, e o que sucede é que parecerão o pequeno tigre ao redor da árvore que se transforma em geleia (NT: História infantil da autoria de Helen Bannerman intitulada Little Black Sambo) mas a questão está em que só podem falar de alguma coisa se não se tornar repetitivo, por isso realmente não ser saudável.

Uma outra fase da comunicação é o engano: em que podem ter a ilusão da satisfação, ou a ilusão do que deveria acontecer sem realmente chegar a ser conhecedores dos factos, o que sucede muitas vezes. Creio que têm, no vosso mundo, um termo para isso: "O que eu arranjei!" Por não conhecerem os factos, ou todos os factos, o que pode levar a que se baseiem em parcelas, o que poderá resultar em qualquer coisa. Por isso, precisam ter cuidado em apurar que, aquilo que estejam a ouvir faça algum sentido para si, em relação ao que estiver a ocorrer. Porque, caso contrário, pode-se tornar numa ilusão. O perfeito exemplo disso pode estar no caso de alguém que queira iniciar um negócio. Alugam um espaço para instalar o escritório, compra os armários de arquivo, e as canetas os lápis e as réguas, e preparam-se para começar. E alguém lhes pergunta: "Que negócio tens?" E não conseguem apresentar uma resposta. Criaram a ilusão de um negócio, porém não têm nada em que o possam basear. Por isso, precisam começar pelo princípio e não pelo meio. É isso que queremos dizer com ilusão da comunicação. Essa é uma outra coisa que precisam considerar quando estão a comunicar.

A razão desta aula destina-se a levá-los a entender o quanto a comunicação é importante, e o quanto é variável, porque assim que tiverem consciência disso, poderão ter ideia do que precisam aplicar ou deixar de aplicar a uma situação, e saber quando devem ou não abrir a boca. É falar e ouvir, abrir a boca e fechá-la; quando é importante declarar o vosso ponto de vista puramente com o sentido de estar em comunhão - que é o último a ter palavra - e quando tal não é importante. Se os relacionamentos e parceiros de negócios fossem reconhecidos... digamos que se tirarem tudo a alguém, não restará nada a negociar. Se deixaram algo para a comunicação que ressalve a dignidade da pessoa, os negócios poderão ser resolvidos, apreciados e bem-sucedidos, e poderão chegar a uma interacção. Aquele que pensar que despojar alguém, seja nos negócios ou em qualquer outro ramo, seja uma forma de honrar, está enganada, por estar a transmitir que ninguém conta para ela. Por isso precisam ter sempre isso em conta. "Eu cheguei perto, mas não me consegui adaptar..."

Muitas formas diferentes de comunicação de negócios, comunicação interpessoal, comunicação a nível de amizade, e há múltiplos níveis de amizade. Há os conhecimentos, que veem de vez em quando e que desfrutam, embora não sejam necessariamente extremamente chegados a vós, ou seja, aqueles que conhecem, só que mal. E há os amigos chegados, aqueles com quem quase chegam a ter relações de irmandade, e depois aqueles a quem chamam de familiares. Mas curiosamente os familiares são aqueles com quem por vezes têm uma comunicação difícil, por a família ter uma estrutura de poder que nunca chega a ser superada. Os mais velhos têm sempre a primeira palavra, ou em última análise. Além disso por terem laços tão chegados na família que por vezes se torna difícil não acabarem sentidos, ou irados, e depois de algo ser dito torna-se difícil retirá-lo. O que por vezes sucede é ficarem instantaneamente a remoer com base na raiva ou frustração, pelo que sempre persistem numa posição de segundo plano.

Lembrem-se que nascem numa família em que estavam destinados a nascer, por ser a situação em que poderão aprender e que lhes pode trazer vigor e permitir-lhes avançar pelo reconhecimento, mas que essa família não significa tudo na vossa vida. Precisam dar lugar a outras comunicações e relações e ir além desse círculo, porque se não o fizerem ficam enredados. Família ou clã - clã ou tribo, é a mesma coisa. A ideia passa por estarem numa condição de comunicação em que as únicas opiniões a que alguma vez cheguem a dar ouvidos sejam as da família imediata, e acabem moldados por essas opiniões, ou falta de afecto. Mas a questão está em que, a menos que comecem a chegar ao outro lado e procurem a comunicação fora desse âmbito, esse círculo tornar-se-á numa coisa asfixiante.

Passam a depender uns dos outros e ninguém faz nada sem os outros e esse tipo de coisa e a comunicação começa a diminuir, por se tornar na mesma velha conversa de sempre, uma e outra vez... o que também evoca o caso em que as pessoas pensam estar a comunicar mas ocupam-se com a bisbilhotice. E mais uma vez, isso baseia-se muita vez numa fracção de conhecimento da verdadeira situação, que é embelezado, o que leva uma pessoa a parecer muito inteirada, ou com propósitos de inveja, ou com fins de raiva. Mas a bisbilhotice é uma das maiores marcas de indiferença que existe no vosso mundo, por assentar na depreciação de alguém. E a opinião de toda a gente começa a pesar, e pensam passar um fim de tarde a comunicar quando tudo o que fazem é dizer mal de alguém e cuspi-lo pela boca. A bisbilhotice não é comunicar, e pode chegar a ser prejudicial. A bisbilhotice representa a personalidade do ego em acção, por proceder do ego. Tanto a pessoa tagarela, por estar a criar algo que chega a exercer um efeito poderoso no mundo. Por outras palavras, alguém faz uma interpretação desonesta das acções de alguém, ou a rebaixa, e isso é emitido, e em breve as pessoas começarão a ouvir essa versão, e o que acontece é que dão lugar a que a pessoa de quem estão a bisbilhotar acabe por se sentir magoada.

Pergunta: Como poderemos apurar quando alguém está a bisbilhotar de outra pessoa e...?

Pois, existe uma diferença. Quando um grupo de pessoas se importa com relação a alguém e se reúne a fim de debater uma situação amplamente conhecida... Digamos que duas pessoas estivessem para casar e rompam. Isso passa a ser do conhecimento de toda a gente e é anunciado na Igreja e toda essa coisa. Se a conversa for no sentido de as ajudar, uma partilha de informação no sentido de as ajudar, ou no sentido de tentarem encontrar uma solução para elas, isso não será bisbilhotice; isso representará uma partilha de energias para reunirem uma energia de cura para tentarem ajudar alguém. Quando entram numa atitude pude do ego, então representa bisbilhotice e torna-se destrutivo.

Pergunta: Preciso dizer que muitos professores que fazem bisbilhoteira… nos quais me incluo… como é que começamos… que é que fazemos quando damos por nós…?

O que fazem é dizer: “Se fosse eu, de que forma isso me afectaria?” Ponham-se no lugar daquele de que estão a bisbilhotar, e encarem-no de modo diferente. Dirás “Oops!” (Riso) Por poder ser… mas se além disso tiveres a lei da causa e efeito em mente, e que aquilo que emitem regressa a vós… isso será a vossa vez de arranjar assento no coração, por assim dizer. Tudo quanto tenha um sentido de “sabe tudo,” esse tipo de coisa, sabem, isso não é boa coisa. Só nesta sala acham-se presentes vários fundos culturais e múltiplas formas de ego, gente variadíssima detentoras de uma multiplicidade de opiniões. Se disserem que este grupo se tenha reunido para ajudar fulano ou beltrano, nesse caso atrairão aquilo que pensam possa (…) Isso não é bisbilhotar, mas um desejo de prestar assistência à pessoa. Mas se se reúnem, apesar dos vossos múltiplos antecedentes que têm, a fim de inventar coisas e rebaixar alguém, então precisarão dizer: “Se eu estivesse no lugar daquela pessoa, como seria que sentiria este encontro?” Penso que nesse caso a coisa se tornaria numa questão de carinho, em vez de uma condição de cura.



(continua) 

Copyright © 2003 Saul Srour

Authors: Rev. June K. Burke and the Seraph Julian

Sem comentários:

Enviar um comentário