domingo, 19 de julho de 2015

ABORDANDO OS ALTOS E BAIXOS DA VIDA



Da autoria do Serafim Julian durante a Classe de Desenvolvimento Pessoal que teve lugar em 7 de julho de 1997, em Nova Iorque

As coisas nem sempre irão correr bem. Precisam aceitar as situações conforme elas se apresentam, e alterá-las a partir dessa instância. Ser um ser espiritual dotado de estado de espírito positivo não significa viver na negação. Significa ver a realidade de uma situação, aceitá-la tal qual se apresenta, e alterar essa realidade no vosso modo de pensar. Podem fazer com que avance de uma situação de trevas para uma de luz, porquanto em toda a situação de trevas existe um ponto de luz. Podem buscar esse ponto de luz que se acha imiscuído nas trevas e expandi-lo. Agora, o contrário é igualmente válido, por em toda a situação de luz existir igualmente um ponto de trevas. Até mesmo o evento dotado de carácter mais abençoado pode ser manchado por pensamentos de baixa gama vibratória.


Vocês comprometeram-se com a questão da paz. É importante que os vossos pensamentos íntimos correspondam às palavras. Pode chegar a haver diferença entre aquilo que dizem e aquilo em que acreditam de verdade. Alegar a paz onde nenhuma é sentida é como estar encharcado e negar que esteja a chover. Proferir uma coisa não basta. Precisam aceitar que possam viver com o que acontece. O objectivo não é o de que finjam que tudo está bem mas permitir que vejam a realidade. Ser capaz de lidar com essa realidade é o que importa.


Se encararem que tudo quanto na vida não constitui ideal nem é perfeito como um problema incomensurável, jamais chegarão a ser felizes. Manejar uma coisa qualquer na vida sem a ver como uma agressão pessoal constitui o começo de uma vida verdadeiramente feliz. As coisas acontecem. Por vezes vocês criam-nas e noutras alturas outras pessoas são responsáveis pela sua criação. Viver significa experimentar, o que tanto significa o esperado quanto o inesperado.

Quando algo suceder, esqueçam aquilo que esperavam ou pensavam dever ter acontecido. Olhem para o que se apresenta. Isso é a única coisa que poderão mudar. Não poderão alterar a fantasia. Olhem para a realidade de uma situação e procurem alterá-la através de uma visão e uma perspectiva renovadas. Velhos truques poderão não funcionar em novas circunstâncias. Se não se restringirem na definição de ideias surpreender-se-ão com a capacidade que terão de alterar a nova situação numa melhor.


Questionem-se se o vosso processo estará relacionado com o ego ou com a realidade. Uma vez tendo compreendido isso, avancem para a situação.


Lembrem-se sempre de que dentro de vós se acha o poder para aceitar e alterar a vossa vida.


Quero que acolham esta afirmação com toda a seriedade. Porque, da forma que o mundo está neste momento a funcionar, da forma que as coisas estão a correr, independentemente da direcção para onde voltarem o olhar ou aquilo em que o pousem, qualquer coisa parecerá errada. Pegam no jornal e ele pode deixá-los horrorizados, e podem ouvir o noticiário e ficar escandalizados.


O aspecto a ter em mente é o seguinte: há muitas coisas que estão a decorrer no universo neste momento que parecem possuir um carácter bastante negativo mas que na realidade constituem um presságio de paz e o pronúncio do bem. Por outras palavras, algo foi trazido à luz a fim de ser eliminado, para ser tirado da superfície. É quase como quando perdem as estribeiras e assim que tal acesso tem fim passa a instaurar-se uma paz interior, por terem consumido tudo. Pois bem, o universo está exactamente a fazer isso e toda essa aparente negatividade parece não encontrar um ponto de equilíbrio – o que não é verdade – por encontrar um equilíbrio. Só que vocês não ouvem falar nessas coisas boas; só ouvem falar da negatividade.
 

Em resultado do que, o homem começa a edificar em si a ideia de que precisa estar atento para com tudo, e de precisar ter o cuidado para que não lhe tirem nada. Em resultado do que, deixa de diferenciar uma irritação casual e um trauma significativo. Começa a ver tudo na vida como exactamente contrário à forma como quer, como algo que é armado contra ele, ou como encontrando-se sob um ataque da vida e tudo é percebido como um trauma inultrapassável. Não podem pesar a vida toda na mesma escala. É por isso que existem diferentes escalas, para que possam apura ro peso real de uma dada coisa.


O que lhes vou pedir para fazerem em conjugação com esta lição é que comecem a procurar pelas dádivas que lhes são dadas a cada dia. Quero que contem literalmente os dons que lhes são dadas – os sorrisos, as alegrias, as fruta fresca, tudo. Vejam que a vida lhes confere muitíssimo e que se perderem um autocarro, isso não representa o fim do mundo. Em poucos minutos terão outro. Entendem? Precisam começar a sentir-se bem certos de que não estão a permitir que sejam arrastados para a síndrome do: “Nada de bom alguma vez acontece.”

Este é um período em que as energias dos Solstícios e dos Equinócios estão a tecer uma teia de compromisso e um trabalho de equipa entre o homem e a natureza. O ar que respiram pede-lhes que o aceitem mais plenamente. A terra que pisam pede-lhes que a aceitem mais em pleno. O objectivo assenta numa trabalho de equipa.

Por isso — Bênçãos, Bênçãos, Bênçãos.



Devo recomendar-lhes a Guru Swami G. pela afirmação que fez - Bênçãos, Bênçãos, Bênçãos – sempre. Assim, abençoem esta terra e tudo quanto contém, e abençoem-se e tudo quanto carregam dentro também, por esse representar o verdadeiro trabalho que equipe que podem ter com o Pai. É disso quanto neste momento se trata.



Apreciem aquele que são. Não tentem ser mais ninguém. Aceitem o valor que têm, ao serem quem são. Não deixem que ninguém lhes tire isso. Afinal, são o único que sabem quem são. E uma vez mais, lembrem-se de que dentro de vós reside o poder para aceitarem e para alterarem a vossa vida. Só se poderão alterar quando se aceitarem pelo que são. Quando se aceitarem pelo que são e estão em contacto convosco próprios, aí poderão proceder às alterações em vós próprios. Não poderão espirrar nem assoar o nariz e dizer: “Não estou constipado,” porque isso será negar o que é. Assim que aceitarem que estão constipados, poderão alterar a situação. Nada pode ser alterado quando lhe negam a existência. Isso inclui qualquer coisa que tenha lugar em vós ou em algo que os rodeie. Até que o aceitem conforme é, não poderá ser alterado.



Walk-ins

Pergunta: Eu sei que já abordaste isto e creio que terás dito que é coisa que não existe mas gostaria que comentasses de novo a ideia dos walk-ins por me deparar com um monte de gente sincera e de algum modo esclarecida que acredita nisso e que acha que está a experimentar o mesmo fenómeno nas próprias famílias e por entre os conhecidos, e eu gostava que comentasses.

Uma das coisas que quero explicar-lhes uma vez mais é esse equívoco dos walk-ins. Quando uma pessoa se encontra extremamente enferma, sabem, e ao regressar à normalidade começa a agir como uma pessoa completamente diferente, isso não significa que algo se tenha apossado do seu corpo. Significa que terá estado em contacto com o mais elevado nela e agora sente vontade de emular isso na vida. Essa é uma das características daqueles que alegam ser walk-ins.

A alegação de que o vosso governo esteja infiltrado por walk-ins que venham a salvar o mundo, entendem. Mas se o mundo for salvo, sê-lo-á por parte das almas deste mundo que lancem mão disso e elejam o tipo correcto de líderes, etc. Aquilo que está a suceder, é que tem sido usado, a título de crachá que enuncia: “Olha lá para mim.” Mas se fossem um walk-in não se encontrariam mais aqui, mas teriam morrido! Por o walk-in representar uma outra entidade, entendem? Assim, aquele que alega ter-se tornado num walk-in, constitui uma falácia. A razão por que enfatizo isto deve-se ao facto de intelectualmente soar estupendo, mas na realidade, a mudança tem que se operar na própria pessoa. E muita vez opera-se, só que as pessoas interpretam isso como algo que venha e se apodere da pessoa.

Ora bem, caso uma pessoa tenha feito tudo ao seu alcance em relação a uma dada situação e não consiga ir mais longe, pode gerar-se uma fusão da pessoa com a energia divina que a ajude a passar a dificuldade ou adversidade até que consiga suportá-la de novo. Isso já foi interpretado como um walk-in. Dá-se uma concentração de auxílio a fi de a ajudar a superar os pontos baixos, mas não é que a pessoa se transforme em mais alguém, entendem? Isso não passa de simples equívoco quanto a algo que ocorre. Certo?

Pergunta: Já assisti a vários “canais” e já li diversos livros como o daquele Hilarion que escreve através do escritor Maurice Cook, no Canadá, e o canal afirma – a entidade afirma que um canal não se pode comentar a informação que o outro canal transmite ou comunica. A Ruth Montgomery escreve acerca dos walk-ins e os guias dela afirmam que é coisa que existe…

Por o verem da perspectiva em que se encontram. Se se levantarem e se puserem de pé na cadeira irão passar a ver as coisas de modo diferente daquele que permanece sentado. 

Compreendes? Passas a ver e a interpretar a partir do ponto de vista que alcançaste. Não é que estejamos a querer rebaixá-la de forma nenhuma; ela é uma mulher estupenda. Mas precisam entender que quando algo é comunicado que se ache em sintonia com o facto de a responsabilidade não estar nas vossas mãos mas em qualquer outra coisa que se aposse de vós, isso vai contra a vossa alma. É aí que nos vemos forçados a clarificar, entendem?

Todos possuem diferentes formas de compreensão, diferentes modos, e existem muitos caminhos diferentes para a verdade eclodir. Ninguém é dono da verdade. A verdade chega-lhes por intermédio de variadíssimos ensinamentos, e vocês ouvem a verdade proclamada porventura por diferentes palavras, mas a mesma verdade. Mas o que me preocupa é que toda a gente queira atribuir a sua situação, a legítima responsabilidade que lhes cabe nalgum outro lugar. Esse é o meu único interesse. E não é que o auxílio não possa vir a vós, quando se encontram na pior. Quando se veem em areias movediças e tiverem tentado tudo quanto tinham ao vosso alcance e dizem: “Meu Deus, não consigo mais; fiz tudo quanto estava ao meu alcance,” essa energia acorre-lhes mentalmente a fim de lhes prestar auxílio, mas não é entidade nenhuma que se apossa de vós, entendem? E essa é a origem da confusão, certo? Mas quero dizer-te o seguinte: Se quiseres acreditar nos walk-ins, acredita à vontade. Deus concedeu-te livre-arbítrio, e eu não te posso furtar a isso. (Riso) tens o direito divino de acreditares naquilo que quiseres, mas não deixes que isso se torne na crença de que não precisas trabalhar mais. E lembra-te que quando se operar uma intervenção do divino em ti, isso dever-se-á ao facto de teres entrado com o mais elevado em ti, entendes?

Pergunta: Gostava de voltar à questão da Ruth Montgomery. Já li um dos livros dela, e ela mostra ter ideias muito concretas acerca daquilo que narra, à semelhança de ti. Diz ela: “É isso! São walk-ins,” e os guias dela dizem (…) que o Einstein teria sido um outro caso desses (…) e avanças significativos, enquanto tu afirmas que não é…

Muito bem. Deixa que explique. O Einstein não pode regressar ao teu corpo, por Einstein representar um nome inerente a uma experiência individual de uma alma neste percurso. Mas a sabedoria que depositou no banco universal pode ser acedido por vós de novo. Entendes?

Se tu que fores um Jim Jones e morreres, a personalidade do teu ego não vai regressar. Irás regressar seja em qual for o próximo ciclo ou ronda de experiências. E é aí que tem origem o equívoco, o de que essa personalidade se encontre nesse gente. Não! Uma partícula, uma parte da consciência maravilhosa depositada no banco universal ou mente funciona de novo nas pessoas por lhe acederem. Entendem?

Pergunta: E em relação aos aspectos reincarnatórios? Quero dizer (…) faz um percurso até uma pessoa após outra na evolução…

Não. Um percurso da alma, muito bem, mas composto de múltiplos capítulos e versículos, tanto quanto personalidades e egos que passam pela experiência do crescimento.

Pergunta: Certo, mas vida humana e ser inerente a um capítulo que trilha a evolução da alma. Mas nesse caso por que não (…) por que não em vez disso apossar-se da pessoa em criança, que é essencialmente aquilo que não querem fazer, por não pretenderem despender o tempo, por a era de Peixes estar o no fim (…) a uma era da inclinação do eixo, ao longo da sua vida, por conseguinte, de modo a exercer um verdadeiro impacto…?

Porque estaria a interferir com essa alma.

Pergunta: Mas essa alma saiu; essa alma encontra-se morta. Essa alma diz: “Eu quero desaparecer daqui para fora, por favor, acolhe este corpo.”

Muito bem. Caso o corpo se encontre gasto, a alma está morta, que é o que estava anteriormente a frisar.

Mas o corpo encontra-se ainda vivo, o corpo acha-se ainda em estado tangível. Porque não ter (…?)
Nesse caso estaríamos a lidar com um caso de possessão.

Pergunta: Mas, se se deu uma troca, a pessoa ainda se encontra presente. A outra versão resume-se ao quê?

Tu escolhes acreditar nisso, e tudo bem.

Pergunta: Mas isso não soa lógico! Soa a (…)

Foi por isso que eu disse que intelectualmente soa maravilhoso.

Pergunta: Mas a Ruth Montgomary diz, o guia dela disse: “É isso!”

Sim, sim, não faz mal!

Pergunta: E eu quero uma certa coerência, uma maneira de poder (…)

Não existe… entende… permite que explique uma coisa. Não interpretes isto como um acto bélico.

Aquilo que te estou a dizer…

Pergunta: Como um pequeno encontro da alma, como um pequeno… (mistura de vozes)

Dá-se um encontro com a alma; dá-se sempre uma separação da alma. Mas a questão está no seguinte: o único perigo que vejo que possa ocorrer no vosso mundo é a compreensão disto ser utilizada como uma arrogância: “Eu sou um walk-in. Posso dizer-lhes o que fazer.” Entendes?

Pergunta: Sim, é verdade.

Está a ser empregue como um abandono da responsabilidade, uma desistência, e nisso reside o perigo…

Pergunta: Espera lá, talvez, e se for usado de uma forma positiva, e se esses walk-ins realmente forem utilizar isso para o bem?

Então, deves assumir o que quer que ocorra por bem e encará-lo como um bem. Não te estou a dizer – e já te expliquei que se trata de uma transferência mental que sucede, entendes? E se isso for encarado como bom, e produzir bem, nesse caso será a única coisa que poderás ver. Por outras palavras, se eu me chegar a ti e alguém disser: “Este tipo é um vadio,” mas tu dás-me o teu último copo de água se eu me encontrar a morrer à sede, tu não me vês como um vadio. (Riso) Não estamos aqui a lidar com nenhum conflito de personalidades, mas com uma compreensão da ocorrência de mais do que um intercâmbio de corpos e de almas. Tal intercâmbio significa que a alma terá obtido a experiência, se tenha desenvolvido por uma forma qualquer, entendes. De modo que, o que te estou a dizer é o seguinte. Se te sentes satisfeito com a crença nos walk-ins, óptimo! Mas não te esqueças de te assegurares de perceber que não pode ser… que é que lhes chamam…? Por vezes esqueço o termo… qual é o termo que busco…? Uma via de escape!

Pergunta: Eu gosto mesmo da leitura, mas parece que seria óptimo ter um tipo consistente de (…) 
compreensão por entre o teu domínio espiritual, de todas as coisas e de todas as diferentes dimensões que estão a ter lugar neste planeta em conjugação…

Pois. Lembra-te, qualquer coisa pode ser positiva.

Pergunta: E o Seth? Terás alguma coisa a dizer acerca do Seth? Este livro intitulado Seth Fala? Ah, não, eu posso literalmente. (…)

Pois, pois! Óptimo! Seth disponibilizou uma informação formidável. Informação verdadeiramente prodigiosa. Certo? A Ruth Montgomery disponibilizou uma informação magnífica…

Pergunta: Mas a fonte da informação dela será credível? Agora que afirmas que Deus não…

Mas eu quero que compreendas o seguinte. Quando se trata de entidades do outro mundo, precisam estar certos e estar sempre a lidar com a mesma. Pode surgir alguém a afirmar ser o Julian, ou outra entidade qualquer, Tem que apresentar sempre uma identidade grandiosa. Por vezes quando se habituam a lidar com alguém durante muito tempo aceitam-no sem reflectir. E por vezes outras coisas ajudam a alimentar a corrente de informação que sobrevem. Mas nós não estamos a menosprezá-la nem a negar que seja um canal formidável, por não se tratar disso, mas aquilo que afirmo é que todo este retracto dos walk-ins precisa ser entendido não somente em parte por “verem o que se está a passar no mundo.”

Porque, entende, se for conforme dizes um intercâmbio, uma troca, deixas de estar aqui presente. Por conseguinte, quando uma pessoa anda por aí a reivindicar ser um walk-in ela poderá estar a negar o desenvolvimento da alma dessa alma em particular. Por isso, encara isso como algo a ser enfrentado no vosso mundo; encara isso como uma mudança de consciência, e observa para o que daí resulta. É como dizerem a uma pessoa “Vamos tomar um copo,” coisa que é espantosa, mas caso a pessoa seja alérgica ao álcool ela pode adoecer de modo grave. Assim, precisam observar o que procede daí. Mas eu já disse isto muitas vezes, não idolatrem ninguém. Não idolatrem nenhum canal, este nem aquele, nenhum. Deus concedeu-lhes uma mente e ela é o vosso próprio filtro. Jamais deixem de o usar! Jamais deixem de o usar, por constituir a vossa glória, a vossa magnificência, entendem? 

Obrigado

SOBRE O PERDÃO

Pergunta: Gostava que dissesses alguma coisa acerca do processo do perdoar.
Ah, o processo do perdoar. O processo do perdoar resume-se ao seguinte: O vosso subconsciente detém a raiva e o ressentimento e mais não sei quê, o que conduz à necessidade de perdão. De modo que, para que possam perdoar adequadamente atravessam o mesmo processo só que pensando de modo diferente para imprimirem no subconsciente o novo programa, e melhor será que ele remova o velho para que possam sentir o perdão.

Muitas vezes dirão: “Eu perdoo-o,” e depois sentirem que (…) mas se repetirem que perdoam, um belo dia acordam a sentir isso de verdade.

Aquilo que também devem levar em conta é que, quando perdoam alguém, fazem-no em benefício próprio, e não do próximo. Perdoam de modo a poderem libertar-se de laços cármicos relativos à situação, de modo que dizem estar na disposição de esquecer a coisa, e quando isso sucede, ocupam-se do que lhes diz respeito, e não do que concerne ao outro. A pessoa fará o que tiver que fazer com respeito a isso. Mas se não perdoarem qualquer coisa, isso significa que carregarão um peso morto que não os irá ajudar no futuro. 

Toda a gente já passou por diferentes situações na vida, de forma diversa, e ter-se-á com frequência sentido rejeitado ou entristecido ou menosprezado, mas quando mais o guardarem mais forte isso tenderá a tornar-se. Por exemplo, se alguém se lhes tiver dirigido num modo que os tenha deixado infelizes ou inseguros quanto a vós próprios ou ainda a sentirem ser menos do que são, esse incidente poderá não ter (…) “Não gostei daquilo e não quero mesmo estar com a pessoa, estou zangado com ela.” Mas subsequentemente alguém usa o mesmo tom de voz com alguém, isso desencadeia a recordação desse incidente em vós, e vocês dão acumulam isso, dão-lhe mais energia. 

Por conseguinte, muita vez sentem-se irritados ou rancorosos com relação a determinada coisa que se tenha acumulado desde um período muito para além da altura do incidente original, de modo que isso assemelha-se a uma tentativa de se livrar de um monte de coisas ao se livrarem disso, simplesmente perdoando. E a maneira de o conseguirem é repetindo-o, por isso se libertar em vós pela repetição no vosso subconsciente. É isso que ajuda.

Precisam interrogar-se quanto ao seguinte: “Resultará algum benefício de acumularem esses sentimentos? Se não resultar, por que razão quererão (…)? Não lhes traz qualquer medalha de honra, nem promoção universal nenhuma, nenhum evento especial, mas algo que recai sobre todos, conforme julgo que dizem. Assim, interrogam-se do benefício que isso lhes traga, e se não lhes arrecadar qualquer benefício ou proveito, não precisam acatá-lo Esqueçam o assunto. Se o esquecerem, então passarão a dispor de todo o espaço no vosso subconsciente para algo de proveitoso, e verão toda essa sensação de peso ser-lhes retirada.

Vocês encontram-se num mundo de personalidades múltiplas, de energias múltiplas e de múltiplos incidentes. Não permitam que um incidente acumular-se sobre os outros, por cada um ser distinto. Assim, devem tratar cada incidente separadamente, e guardá-lo ou libertá-lo de acordo com o vosso livre-arbítrio. Mas interroguem-se sempre se lhes traz algum benefício, porque, se algo que recordarem os fizer sentir-se mal, por que razão quererão guardá-lo na memória? Têm o direito de o esquecer, e é desse modo que conseguem predispor-se isso, porque se passado um tempo começarem a pensar em termos cirúrgicos e começam a distinguir a raiva e o ressentimento, a mágoa e a dor e conseguirem predispor-se a que sejam extirpados. Mais ninguém o conseguirá por vós, somente vós! E conseguem-no dizendo: “Quem precisará disto? Caso não resulte em meu benefício, deixa para lá.”

Pergunta: Será certo que, se não perdoarmos passamos a atrair mais incidentes do género?

Certamente! Aquilo que emitem regressa a vós (…) de modo que quando se sentem rancorosos, começam a deparar-se com pessoas que se revelam rancorosas para convosco. Isso retorna a vós. Assim, para quê convidar isso, sem dúvida. Por vezes quando têm… é quase como as crianças que amuam ou fazem beicinho. Elas têm prazer nisso por não gostarem do que lhes acontece ou do que lhes tenha sido dito, de modo que fazem beicinho. Isso dá-lhes uma oportunidade de se afirmarem como independentes e de não precisarem gostar do que lhes seja dito. De modo que lá fazem beicinho mas passado um tempo esquecem a razão do amuo. Mas muitas vezes, os adultos não cortam isso pela raiz, mas acumulam. O que não quer dizer que não se deem acontecimentos marcantes na vida que sejam um erro, ou que alguém não diga algo de ofensivo de que não gostem. Essas coisas sucedem devido à multiplicidade de personalidades e de energias. Vocês não percebem as coisas exactamente da mesma maneira. Só que ao longo do percurso, precisam interrogar-se se isso lhes trará algum benefício, por a única pessoa responsável por isso, em todo o mundo, serem vocês. Pela forma como agem, como perdoam, como procedem… Porque assim que o conseguirem, aí poderão ajudar outros. Assim, para poderem valer aos demais, precisam valer-se a si mesmos, e conseguem isso abrindo mão de tudo quanto lhes provocar mágoa.

Pergunta: Tenho uma pergunta a fazer acerca da terminologia. Que diferença haverá entre guardar ressentimentos e carregar desconfiança ou mágoas

Guardar desconfiança ou mágoas significa que carregam mais do que quererão, mas em parte poderá ser agradável. Por outras palavras, pensem em toda a vez que fazem as malas para ir de viagem, levam bagagem a mais, não é? Todavia, quando carregam “bagagem” a mais essa “bagagem” sobrecarrega-os, e o que sucede é que deixarem que os sobrecarregue, começarão a sentir problemas com os pés, com os joelhos, com as ancas, por carregarem peso que não devem. De modo que precisam começar a perdoar e a esquecer de forma a poderem avançar, e assim tornar-se-á melhor.

Uma vez mais, agradeço o facto de teres colocado essa pergunta, por a terminologia ter muito a dizer.

Pergunta: Quando alguém nos pergunta se não perdoamos, e conforme disseste, isso continua a vir de encontro a nós… e se não recordarmos a lembrança que faça com que isso venha ao nosso encontro? Como conseguiremos livrar-nos disso, ainda assim?

Se não recordarem a razão por que estão zangados ou…?

Pergunta: Não, mas caso alguma coisa esteja permanentemente a vir ao nosso encontro, mais parecerá uma lição que estejamos a captar que não consigamos entender, razão porque esteja continuamente a vir ao nosso encontro.

Não. Aquilo que precisam fazer é acalmar e aferir a sensação do incidente que vem repetidamente ao vosso encontro. Que se terá passado na vossa vida que guardem na memória que se traduza por essa sensação? Uso o termo “sensação” em substituição de energia, certo? A seguir identificam aquilo que precisam esquecer de modo a conseguirem “mudar a cena,” disso que esteja repetidamente a vir ao vosso encontro.

Pergunta: Então, poderá ser que não tenha sido um incidente ou recordação ou algo do género. Poderá ser mesmo uma ideia de algo, ou um ideal, não?

Bom, vocês criam muitas ideias ou opiniões ou expectativas. Por vezes criam uma expectativa sobre o que venha a suceder com respeito a uma coisa específica, e quando isso não sucede desse modo, ficam magoados ou com raiva ou furiosos. A única coisa que realmente não terá funcionado terá sido a expectativa. O incidente que tenha sucedido da forma que seria suposto suceder. Não é? Precisam dizer… Livram-se sesse tipo de coisa que deviam dizer, dizendo: “E daí?” Agora, no que diz respeito ao perdoar, isso quer dizer um incidente em que tenham sentido imposição da parte de outra pessoa. Aí interrogam-se da participação que estejam a ter nisso. Terão dado origem à coisa? É como aqueles casos em que alguém diz: “Ninguém me ama.” A primeira pergunta que lhes lançaria seria se terão sido dignos de amor. Por precisarem enfrentar o facto de que num intercâmbio, ambas as partes participarem, e por vezes os incidentes são originados por pura teimosia, outras vezes é a terminologia; Há todo o tipo de razões - a personalidade do ego, esse tipo de coisa, mas não deem permanecer para sempre na vossa vida. O que se pretende é esquecer o incidente assim como os sentimentos de ressentimento da outra pessoa. Mas lembrem-se do seguinte: Fazem-no em função de vós próprios, não da outra pessoa E lembrem-se igualmente do seguinte: Eles não se importam a mínima que os perdoem ou deixem de perdoar.

Pergunta: Julian, esta manhã afirmaste… não no meu negócio, mas no negócio anterior… mas deparamo-nos com uma pessoa irritada ao telefone… se tratarmos disso de forma adequada numa primeira vez, da as próximas cinco pessoas a telefonar-nos não se irão revelar irritadas ou irão…?

As cinco pessoas que lhes telefonarem a seguir talvez, caso tenham alguma coisa, mas depois por acharem dever expressar-se por causa do que lhes tenha sucedido.

Pergunta: Nesse caso, a pessoa que atende o telefone deverá estar…

Desprendida.

Pergunta: Deverá manter-se na sua calma.

Exactamente. Há o termo desapego, que não quer dizer desinteresse. Quer dizer distanciar-se na vossa situação de modo a conseguirem ver a coisa na totalidade e lidar com ela sem a personalizarem.

Pergunta: …caso esse em que não se gera acúmulo algum.

Exactamente, caso em que não se gera acúmulo algum. Quando uma pessoa liga a uma empresa a apresentar uma reclamação, sente-se justificada no acto de dar vazão à decepção que sente em relação à empresa. Mas trata-se de uma decepção para com a companhia. Não personalizem isso como se ela estivesse irritada convosco. Ela está irritada com a política da empresa. Desse modo não serão sugados para o conflito, por assim dizer.

Pergunta: Mencionaste das pessoas que perdoam, mas e que dizer da hipótese de terem passado por uma experiência difícil, e por isso se tratar de um evento de que precisemos abrir mão? Devido à natureza do evento, não temos possibilidade de o analisarmos de uma forma racional, porque aí é que reside o problema. De que modo havemos de abrir mão ou abandonar isso?

Interrogando-se, uma vez mais, o que é que isso lhes trará no momento. Atravessaram uma experiência árdua; conquistaram essa experiência e têm consciência de lhes caber os créditos por tal feito. Mas o facto de a terem conquistado não os leva a ter que continuar a revisitá-la. Lembrem-se sempre que o dia de hoje será o passado do amanhã. O dia de hoje amanhã será passado. Por isso, aquilo que derem ou alcançarem hoje, amanhã será: “Muito bem, agora de onde procederei dali para aqui?” Ou seja, o acto de abandono sempre brota do: “Que benefício é que isto me trás?” Isso não representa egoísmo, mas autoestima. Do valor do próprio que diz: “Estarei a criar coisas na minha vida de que não precisarei?”

Além do mais lembrem-se que existe a polaridade, de modo que toda a vida tem que se caracterizar por incidentes que não serão tão agradáveis, caso contrário jamais virão a ter consciência dos que sejam agradáveis. Se jamais gozassem de um dia de chuva, jamais chegariam a ter consciência de gozarem de dias ensolarados. Por conseguinte, tudo na criação é caracterizado pela polaridade. Além do mais a polaridade em vós impõe que tenham altos e baixos, mas se aprenderem com os pontos baixos, e os superarem, alcançarão de novo o equilíbrio, e isso é o que mais importa, manter o equilíbrio.

Pergunta: Algo que está relacionado com a tua pergunta. Aquilo que me foi dado ouvir, parte da pergunta que formulaste era, e se parte do sucedido que não é recordado, coisa que me sucedeu, e por fim recordámo-lo, e a lição que colhi terá sido a de que tudo sucedeu, de modo que não aceitaria um monte de crenças que conheço…

Ao longo do percurso…

Pergunta: …mas levei imenso tempo a descobrir o que seria que me teria sucedido…

Certo. Além disso lembra-te do seguinte: Certos incidentes ocorrem na vossa vida por a vida ser assim. Certos incidentes são criados por nós ou por outros e geram situações de perda. Mas nem tosos os instantes de cada situação têm um carácter de solenidade, por assim dizer. Alguma vez terão assistido às brincadeiras dos garotos? Eles chegam aos berros uns com os outros e a irritar-se, mas passados dois minutos estão de novo aos abraços e aos beijos e a dar continuidade ao jogo. Assim, precisam ser como as crianças – não infantis, mas como as crianças. Casos haverá em que não se recordam, mas depois não os recordam por um motivo, que pode ser duplo. Tanto se pode dever ao facto de optarem por não recordar, por não pretenderem arcar com a responsabilidade pelo incidente…

Mas lembrem-se que em diferentes alturas na vossa vida serão capazes de assumir a responsabilidade que antes não teriam sido capazes. De forma que se recordarão disso na altura em que acharem preparados para assumir a responsabilidade. Mas tendo-a reconhecido, agradecem a lição, e esquecem a coisa. Ela não lhes é lançada como um castigo, mas sim para reconhecerem que já passaram por isso e que o terão feito. Está feito. Um tipo de coisa desses.


Traduzido por Amadeu António

Copyright © 2003 Saul Srour

Authors: Rev. June K. Burke and the Seraph Julian

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