sábado, 11 de julho de 2015

A CRIANÇA DA NOVA ERA



Julian: Bom dia. Estou encantado por me encontrar na vossa presença, e por debater convosco o tema que vós próprios escolhestes – do trabalho com as crianças da nova era.

Penso que para se compreender o que uma criança da nova era seja, se precise questionar do que seja a nova era. Desde o começo do tempo que têm existido ciclos de energia presentes no vosso mundo que se prendem com um período de evolução do vosso mundo. Esses ciclos duram aproximadamente 2600 anos. A sua energia tem sido conhecida como “messias,” conceito que significava a essência da evolução. Nos ensinamentos que foram recolhendo ao longo do percurso isso tornou-se no Messias e foi atribuído a um ser.
Em todo o ciclo evolutivo há mestres que representam os precursores da mensagem da mudança da era. O homem, ao ser dotado de uma tendência para personalizar, fá-lo dizendo: “Tu és essa energia!” Mas a energia evolutiva constitui um movimento não pessoal do universo que deve ocorrer para garantir que permanece perpétuo. Assim, uma nova era constitui um novo “messias,” ou um novo impulso evolutivo de energia. Uma nova energia significa uma mudança absoluta no modo de operação do tempo. Significa, não um súbito arremessar de tudo quanto tenha existido, mas a produção de uma nova perspectiva sobre o que tinha existido antes. E vocês encontram-se no décimo segundo ano – segundo a medição do tempo que fazem – do novo processo ou impulso evolutivo a que chamam de nova era, ou era de aquário.

A era de aquário baseia-se no círculo e é formada pelo espírito e pela corrente (abundância), o tempo da compreensão interna, ao contrário da compreensão externa. Em tempo em que acolhem a responsabilidade em vós próprios pelo que sucede no vosso universo, em vez de dizerem: “Foi ela, ou ele, quem fez isto.” E dizem: “Que foi que eu fiz para que isso acontecesse?” Num sentido físico e pessoal o homem tem uma responsabilidade, ou seja pelo seu próprio crescimento da alma, pelo seu próprio caminho e interacções que tem. As interacções que tem produzem a acção de energia colectiva, as quais por sua vez afectam a acção da energia universal.

Assim, quando referimos a criança “Nova Era,” falamos da criança nascida nos últimos doze anos, que constitui uma alma antiga. E todas as crianças nascidas nos últimos doze anos são almas antigas. Ora bem; uma alma antiga significa alguém que tem vindo a encarnar desde o começo do tempo, pelo que se acha dotada da experiência colectiva bem fundo dentro de si para explorar, que representa uma maior facilidade na produção da mudança, uma maior flexibilidade obtida só através da experiência.

Essas crianças são crianças como todas as outras, só que quando as olham nos olhos, notam a presença de um ser muito velho e sábio e não mais um bebezinho indefeso. Eles abrem esses olhos e olham para vós e vocês pensam: “Eu estou a ser penetrado.” Elas têm a capacidade de influenciar profundamente a partir do ser interior. Essas crianças não devem ser tratadas como espécie rara mas como crianças, porque a acrescentar àquilo que vêm ajudar a produzir, elas vêm com o intuito do crescimento da alma, o que significa que devem submeter-se ao processo evolutivo, que se estende da primeira primeira infância à infância propriamente dita, da criança ao jovem adulto, do jovem adulto ao adulto, etc. Por isso, precisam passar pelo processo normal de crescimento; só que devido à capacidade inata que possuem, apresentarão a tendência para aprender mais rapidamente, de ver através das coisas com uma maior facilidade. Não podem enganar a criança da nova era. A sinceridade é importante, por elas se ressentirem do engodo. Não sabem porquê, nem têm noção de ser uma alma antiga, nem que por qualquer forma saibam mais do que vós, mas pressentem que algo esteja errado com a afirmação que lhe façam, caso seja enganadora.

Uma das razões disso é que as crianças de hoje não mais estão dispostas a renunciar aos seus sentidos espirituais. Todas as crianças nascem espirituais, todas elas nascem com percepção psíquica. A criança terá conhecimento interno, sem que alguma vez conheça a razão, daquilo que querem precisar. Esse é o sentido espiritual em que vive nesse período – o factor de percepção. A criança chorará diante de alguém que empregue uma palavra irritada num compartimento contíguo. Não sabe o que a palavra signifique por ainda não ter aprendido a língua, mas conhece a energia da raiva e sabe que representa algo temível.
No sentido normal do crescimento, um certo volume do sentido espiritual da criança é abandonado, e muitas vezes todo esse sentido é deixado para trás à medida que aprende a viver no mundo físico, por precisar desenvolver os sentidos físicos. A criança que tem medo de cair – ainda que não conheça o sentido da queda – instintivamente precisa trepar e cair para compreender a queda.

Assim, à medida que se adapta aos sentidos físicos – o que precisa fazer, para poder viver no mundo físico - ela passa a renunciar ao conhecimento espiritual que possui aos sentidos espirituais. Mas a criança dos dias de hoje não fará isso, mas agarrar-se-á ao factor da percepção, e essa é uma das razões por que não poderão enganá-las.

Agora, há uma diferença entre não ser capaz de enganar a criança e a criança precoce. Embora seja suposto dizerem que a criança saiba mais do que vós, isso não lhes permite fazer aquilo que quiserem nem onde lhes apetecer independentemente do que sucede.

Anteriormente, quando uma criança nascia, e muitas das crianças que nasceram antes da nova era constituem igualmente almas antigas – muitos de vós aqui presentes são almas antigas, a maioria, na verdade, por buscarem uma nova dimensão por saberem que venha a ser muito importante nesta era e tempo actual. Razão por que se encontram na senda da preparação para compreender, para a abertura e a exploração.

A criança que cresce precisa que lhe ensinem a lei da Causa e do Efeito. Se ensinarem à criança que aquilo que ela instiga por palavras ou actos regressa a ela, aprenderá a deter-se e a pensar no que diz e faz. Quando a criança tira o brinquedo a alguém e gera choro, e a criança a quem o tira se levanta e o arrebata e a deixa a chorar, explicam-lhe que ela terá posto essas lágrimas em movimento, e que se não tivesse tirado o brinquedo não teria desde logo sentido a dor da perda. Assim passará a compreender o que a outra terá sentido quando ela lhe tirou o brinquedo.

Podem usar métodos simples que a leve a compreender que ela põe as coisas em movimento, ao mesmo tempo vocês próprios aprendem mais a fundo. Não se trata de uma lei complicada; é uma lei impessoal que se encontra constantemente em operação e que não pode ser detida. Quem quer que pense que alguém possa esgueirar-se-lhe com alguma coisa está enganado, por mais tarde ou mais cedo isso regressar à pessoa. E pode não ser da mesma forma por que a tenha iniciado. Mas será uma maneira que a leve a compreender. Chama-se crescimento da alma, não é?

A criança hoje precisa se ser ensinada a tomar decisões. Uma criança a quem nunca seja permitido tomar uma decisão, e depois na idade de crescer e de integrar a comunidade lhe é dito para ir e ser adulta, sentirá uma enorme dificuldade. A criança precisa compreender... o pai ou a mãe precisam entender que lhes é emprestada…

Ah, tu queres que eu beba isso… (Dão-lhe de beber) Obrigado. Estou a transpirar, e ela não deve desidratar-se. (Pausa para beber água) Já estou a ficar muito melhor; até tenho os sapatos calçados nos pés. (Riso geral) Eu descobri – ou melhor, ela descobriu um par de sapatos e um par de… como é que lhes chamam? (Alguém na plateia diz: “Sapatilhas.”) De modo que lá consigo sobreviver, por serem suficiente leves. Não me agrada sentir demasiada tensão nos pés, por gostar de estar em contacto com o que se passa. Assim, eu preciso crescer no vosso mundo, entendem? Preciso aprender… (O ruído to tráfego que passa impedem de ouvir o que é dito) Isto foi um pequena aparte, não o incluam na lição, certo? (Riso) Tenho que me gabar um pouco, por me estar a humanizar. (Riso)

Mas o que quero realçar é que o intercâmbio que se dá entre a criança e um adulto, quer se trate de um progenitor, ou um educador, qualquer coisa, precisa firmar-se na sinceridade, para que consiga perceber com clareza. E tanto a criança como o progenitor aprendem que constituem um empréstimo e não uma posse.
Aquilo que no vosso mundo se torna devastador para a criança é quando o progenitor tenta viver por intermédio da criança. Por sucederem duas coisas: deixam a criança em posição de ser forçada a responsabilizar-se pelas necessidades emocionais de mais alguém (pais) – o que, com toda a honestidade não lhe pode ser permitido que assuma tal responsabilidade – assim como se gera um enfraquecimento no progenitor, por o progenitor empregar todo o imaginário na criança e deixar de criar vida própria. A criança cresce e deixa o lar, e de repente ao pais olham um para o outro e dizem: “Quem és tu?” Não tiveram tempo um para o outro, por terem vivido através da extensão da criança. Ou por terem abandonado todas as amizades que tinham.

E o que sucede do lado da criança, é que jamais chega a aprender a tornar-se autônoma. Aprendeu que precisava tornar-se no conduto da estrutura emocional dos pais, o que também deixa a criança na posição de dependência dos pais, por essa se ter tornado a sua realidade. Por isso, façam o favor de notar que os vossos filhos constituem um empréstimo, que são almas livres, que se encontram aqui para serem orientadas, formadas e moldadas por vós, pelo melhor de que forem capazes, mas ao mesmo tempo precisam reconhecer a sua autonomia, e deixá-los ir a sua vida.

Deixá-los seguir a sua vida não significa deixar de os ver, não mais interajam com eles ou não os amem ou eles a vós, mas significa o reconhecimento do direito que tenha à diferença de opinião, assim como o reconhecimento da parte deles à vossa diferença de opinião. Reconhecer que não precisa de uma baby-sitter, e vocês reconhecerem que não faz mal que precise de uma baby-sitter diferente, de acordo com os moldes em que se encontre. (Riso) Entendem o que está em questão? Começam a grudar e a ficar apegados, e assim começam a sufocá-la, de modo que da liberdade que existir, restará um leve resquício.

Assim, nos dias actuais as crianças estão desde o começo a ser ensinadas a ser autônomas. O que não quer dizer precoces, conforme eu disse, mas quer dizer que a criança aprenda que a mamã e o papá também têm amigos, e a não convidar a mamã ou o papá para a caixa da areia quando têm os amigos presentes, e que não têm que comparecer obrigatoriamente nos jantares da mãe ou do pai, ou que quando eles saem, eles voltam. Ensinam-lhes a testemunhar e a desfrutar da vida, de forma a que a vida não se torne numa ameaça.

Portanto, isso são tudo coisas preparatórias que passam junto com elas, que as ajudam a tornar-se mais independentes. Quero que entendam que estas declarações não se baseiam por forma nenhuma no julgamento, mas que representam simples constatações do que ocorre no vosso mundo. No mundo actual a criança passará por uma fase em que não será capaz de ver as coisas conforme vocês as viam, por a mente dela ser uma mente inventiva.

Sabem que se um dos visionários no vosso mundo não for capaz de ver as coisas de modo diferente jamais chegam a progredir, e permanecerá no mesmo lugar. Eu quero explicar-lhes algumas das coisas que estão a atravessar no vosso mundo neste exacto momento, por todos o estarem a viver, e a aprender sobre isso e estarem a tentar compreendê-lo.

A espiral tripla da evolução, que é universal e impessoal, que abrange tanto o homem colectivo quanto o homem individual, a energia tem tanto de expansivo quanto de contracção, ao mesmo tempo, razão porque andam sempre assim: “Up, up, up, up,” acrescido do facto de não o conseguirem ver bem, de modo que andam como que de olhos vendados, a sentir-se emotivos, com consciência de estar algo a suceder, mas “Só Deus saberá o quê,” incapazes de perceber. Esta é a energia da época.

Para aqueles de vós que trabalham com campos astrológicos, trata-se da energia impessoal de Úrano que se acha aqui a fim de apresentar uma mudança evolutiva que significa o catalisador da mudança – uma mudança explosiva, súbita e inesperada, e creio que possa ser chamada esquisita, embora jamais possam verdadeiramente descrever o que a energia de Úrano fará. Ora bem, a energia do Si Mesmo é impessoal, mas é a forma como lhe respondem que constitui a parte esquisita.

Essa energia coerciva e de concentração de Saturno que tem que ver com o tempo, é aquilo que ocorre no seu tempo devido. A energia de Neptuno é a que oculta, tem que ver com o místico ou o mistério. É a energia que diz que o verão quando for tempo de o verem e não antes. Assim, pois, aqui estão, como cegos em busca disso. Têm a visão velada, a sentir que se expandem e a sentir-se concentrados – tudo a um só tempo. Até agora têm querido sair da linha, mas outra parte de vós diz que não, que quer manter-se organizada, e outras partes ainda dizem que não entendem do que isso trata. E há um enorme medo hoje, meus amigos, mas não estão a endoidecer.

Agora, o que vai resultar disso, é as energias naturais do universo impessoal estão a abalar a situação vigente e a forçá-los a assumir uma nova perspectiva. As ideias pré-concebidas cairão por terra, à medida que novas percepções passarem a existir. Não poderão olhar para nada conforme faziam antes, por ser altura de mudança, é tempo de deixar de basear as coisas na quadratura e de começar a fundá-las no círculo – o que se afeiçoa evidentemente vago, interminável, onde todos os términos constituem começos, repetidamente até ao infinito. Mas é bom. Este é ímpeto evolutivo do tempo, e estas crianças da nova era vieram para fazer parte desse ímpeto evolutivo, para serem os líderes e ceifeiros das recompensas da mudança. Assim, eles tornar-se-ão líderes espirituais, líderes mentais, líderes físicos do mundo. É para isso que aqui se encontram, por estarem a vir sem ideias pré-concebidas por terem visto o que a mudança pode operar.

Aqui a alguns anos atrás diziam que todas as mesas eram planas, não era? Talvez não o fossem; talvez alguns tenham dotes contrários aos da lei da gravidade. Se afirmarem que não conseguem atravessar aquela parede, não conseguirão. Mas se acreditassem o suficiente, conseguiriam, por operarem com uma dimensão diferente do vosso ser. Este é um tempo em que as crianças se preparam para compreender esse novo tempo.

No trabalho que fizerem com elas precisarão estimular-lhes a mente, estimular-lhes os sentidos criativos; a capacidade de verem coisas por múltiplas formas. Estou certo de que todos aqueles que tiverem tido alguma coisa a ver com crianças, terão reconhecido que ao darem um brinquedo a uma criança, eventualmente ela colocará o brinquedo de parte e passará a brincar com a caixa. Porquê? Por ser suposto que o brinquedo faça aquilo que se espera que faça, ao passo que a caixa poderá representar um mundo qualquer ou uma coisa qualquer que queira que passe a ser. Pode tornar-se num barco ou num carro ou num autocarro, pode tornar-se numa casa, tudo quanto a sua imaginação quiser que seja, e que faça parte do instinto natural da criança de se manter na sua própria maneira independente de ver além da forma.

Se a alguns de vós fossem dadas as mesmas ferramentas, haveriam de as usar de modo diferente. Se a alguns de vós fosse dado um mesmo objecto haveriam de o ver de maneira diferente, de acordo com a sua energia e ideias pré-concebidas. Assim, a criança precisa gozar de liberdade para ver além da ideia pré-concebida, de acordo com a habilidade de lidar que tenha com isso, numa determinada idade e ao longo da vida. Os brinquedos tornam-se menos objecto do que pode ser feito para ela, e mais coisas que ela mesma pode fazer. Se a criança tiver molas da roupa por perto onde possa pintar rostos, a quem chame de gente, crescerá mais do que se lhe derem o conjunto completo já acabado.

Destreza de mãos e da mente é parte importante do trato que tenham com as crianças da nova era. Ensinem-lhes a usar as mãos; ensinem-lhes que as mãos são capazes de fazer o que a mente for capaz de conceber. Lembrem-se de que uma das leis apropriadas às crianças desta era é a de que não lhes reduzam a capacidade de pensar em que sejam capazes, a menos que constitua um perigo para elas. Mas têm que se interrogar se representará um perigo para elas, ou se isso não passará de ideia pré-concebida da vossa parte.
Muitas crianças nunca chegam realmente a aprender a despejar uma coisa qualquer num copo de vidro até que seja bastante crescida, por ser fácil que derrame e arme uma confusão. Mas se forem suficientemente pacientes para fazerem passar a mensagem ao longo do processo, em breve não haverá confusão alguma, e estarão a ensinar coordenação à criança; ensinarão à criança, ao longo do processo que, verter de um nível mais baixo seja melhor do que verter de um nível mais alto, por levar a causar menos nódoas. Sabiam disso? (Riso) Estou a arreliá-los, está bem?

O que estarão a conseguir, pois, é a permitir que todos os sentidos da criança pensem; vocês não pensam por elas, mas estimulam o mecanismo do pensamento nelas. Isso é muito importante. E há, conforme saberão, muitas maneiras de conseguir isso - mas se não a “molhar” (beber água) ainda me repreendem. Por isso desculpem-me. (Pausa) Muito obrigado. Ela agradece-te. (Sorrindo)

De que modo estimulam a criança? Há muitas formas por que o poderão fazer: ensinando-lhe a ver – a ver de verdade. Façam jogos: “Que é que vês na prateleira? Pega num pedaço de corda” - e isto já foi feito no vosso mundo; pegam num pedaço de corda e formam com ela um pequeno quadrado no chão e dizem: “Vê quantas coisas diferentes consegues dentro deste espaço.” Sapos e formigas, e variados tipos de relva, mas ensinam-lhes a observar, a ver. Ensinem-lhes a usar os sentidos, ensinem-lhes a escutar: “Diz-me o que eu disse por palavras tuas.” Conversem com as crianças, e não falem para elas. Quando falam para uma criança ou para um adulto, cedo suscitam a vergonha, por não resultar estímulo algum do que lhe dizem, ao passo que se lhes transmitirem aquilo que elas precisam saber de uma forma que induza um companheirismo em vez de uma forma de dar ordens, elas passarão a responder muito mais. Incitem ao estímulo. Deixem que perceba as variadas cores.

Se tiverem visto ao longo do caminho as encostas, verão que existem pelo menos umas quinhentas variações de verde expostas. Se lhes perguntar que cor terá uma maçã e me disserem que é vermelha, eu perguntar-lhes-ia se assim será (sempre). Há maçãs amarelas, maçãs verdes, há maçãs acastanhadas, há maçãs às manchas, mas a ideia pré-concebida é a de que as maçãs sejam redondas e vermelhas. Para tornar a coisa mais fácil categoriza-se e aplica-se-lhe um rótulo: Maçãs redondinhas e avermelhadas! Árvores verdes, são todas verdes. Será que todas as árvores se ramificam? Não. Ensinem a criança a observar e ficarão espantados com o que aprenderão ao longo do processo, tornarão isso numa forma de atingir a “floresta.”

Ora bem; o que aqui está a acontecer, no vosso mundo, é dual, por a infância ter sido retirada à criança, e as terem transformado em jovens sofisticadas. As crianças que são estragadas com passatempos e que andam por aí em bikini e em sapatos de tacão alto… por outras palavras, estão a ser colocadas num padrão crescente de crescimento. Dizem-lhes: “Não faças tortas de lama, porque senão ficas toda suja.” A criança que faz tortas de lama de facto encontra-se em contacto com a natureza, em contacto consigo própria e faz uso da força criativa que possui ao fazer essas maravilhosas e deliciosas tortas de lama. Encorajem-na. Estas são coisas que são necessárias.

Na era de Peixes caracterizada pela estrutura e pela forma, a evolução dava-se em grande medida nas tecnologias. Vocês cresceram em tecnologia e orgulharam-se bastante ao dizer que o brinquedo da criança fazia tudo. As baterias não se achavam incluídas, por isso será melhor que também vão comprar baterias. Que é que sucede num dia de chuva em que as baterias ficam descarregadas e ficam sem nenhuma em casa? Ficam com uma criança infeliz! Aquilo que precisam compreender é que a vão mimar ao fazerem tudo quanto lhes for possível por ela, excepto ensiná-la a fazê-lo.

A criança possui uma curiosidade e um desejo naturais no sentido de fazer. Quanto menos o progenitor refizer, melhor a criança o fará, prestando assim um favor à criança. Por lhe transmitir que confia nela e que ela fará melhor a cada dia que passe. Acompanham-na e dizem-lhe como se faz, mas depois deixam que cresça por meio do orgulho de o conseguir fazer bem. E se ao regressar a casa todos os dias verificar que se encontra feito, pensará: “Para quê incomodar-me?” Assim, o objectivo de auxiliar a criança muitas vezes vai desmoralizar a criança, ao manter a criança afastada do orgulho que brota da conquista que pode obter.

As crianças desenham monstros, assim que começam a desenhar, por razões bastante lógicas. Os monstros não precisam ter um número acertado de olhos nem de orelhas, narizes, ou de dedos, e a capacidade que têm de o fazer nessa idade, não consegue lidar com esses detalhes. Assim, desenham aquilo que são capazes de desenhar, de modo que quando vo-los derem para a mão sintam orgulho nos seus monstros; não digam que não estão bem. Assim que adquirem controlo, passam a desenhar pessoas, e os monstros serão naturalmente postos de lado, ou passarão a ter um aspecto melhor. Por estarem a enfrentar a capacidade que têm de colocar as coisas no devido lugar, e por a maturidade delas aumentar se não forem desencorajadas.

Se viverem por intermédio da vossa filho ou filho e esperarem que ele ou ela se tornem numa marioneta que os glorifique: “O meu filho anda limpo e arrumado e nunca faz nada de mal.” Que chatice! Não, as crianças por vezes gostam de se sujar, e de fazer tortas de lama. Mas as crianças precisam adquirir experiência quanto ao conhecimento das diferenças – é a polaridade; como irão saber se andam limpas se nem sequer sabem o que seja sujidade? Ao longo do crescimento precisam deixar que experimentem. Agora gostaria de me voltar para as perguntas que tenham, para posteriormente voltarmos a falar um pouco mais tarde. Por isso, se tiverem alguma questão subordinada a todo este processo, ou sobre alguma coisa que ainda não tenha sido debatida e precise ser esclarecida, sentir-me-ei encantado por lhes responder.

Eu quero que compreendam de verdade que não estamos aqui a dizer que vocês sejam maus pais. O que estamos a dizer é que passaram por um impulso evolutivo que encorajava: “Proteger o meu filho; fazer-lhe a “cama”; eu passei por um bocado difícil; deixa-me fazer por que ele tenha uma vida melhor.” Ao quererem torná-la melhor por vezes esquecem o qual seja a verdadeira necessidade que tenham. Ensinem o vosso filho a cozinhar - seja menino ou menina. Ensinem-nos a brincar, ensinem-lhes as coisas que precisam ser, por a velha estrutura e forma terem caído por terra. Os papéis masculino e feminino não mais são os mesmos.

O homem deixa de temer ser delicado, a imagem do macho foi-se por água abaixo, amigos. A mulher não mais vai temer ser forte, mas as atitudes de liderança da mulher estão a ir por água abaixo, amigos, por o pêndulo ter ido demasiado longe, e se ter tornado num prejuízo em vez de uma mais-valia para o reconhecimento da pessoa no feminino. Direitos iguais, sim, mas não insensatez. Porque o que está a suceder é uma fusão destinada a produzir equilíbrio na polaridade de todo indivíduo: O homem e a mulher em vós, a alcançarem um equilíbrio idêntico e uma idêntica capacidade de lhes dizer respeito. O que significa que se tornem numa força activa e receptiva, o homem pode tornar-se mais receptivo e a mulher pode tornar-se mais activa. Só que não como uma prostituta, mas em termos de aceitação, entendem? O que é óptimo. Perguntas!

Pergunta: …(Inaudível)

Julian: Sim, por os animais amarem sem quaisquer regras ou normas. As pessoas podem fazer-lhes “trinta por uma linha” que eles sempre virão em busca de mais. E não só isso como existe uma comunhão entre o animal e a criança, por a criança ainda não ter aprendido a excluí-lo como uma espécie menor. A criança dirá: “Porque não poderá ele dormir e tomar banho comigo?” Por ser seu amigo. Por ainda não ter ocorrido qualquer delimitação. Os animais constituem um excelente treino para as crianças, em especial se disserem: “Se quiseres um gato dá-lhe de comer.” Ela aprende a ter uma noção de responsabilidade por esse amigo, mas do mesmo modo que para o animal, o carinho gratuito é algo de que a criança precisa, por a criança ter alturas em que não consegue expressar o que quer expressar e em que nem sequer sabe aquilo que sente, mas ter um companheiro desses pode ser uma coisa maravilhosa.

Por vezes quando não têm um animal vivo, o ursinho ganha vida, ou o cobertor de estimação, aquelas coisas de amar e abraçar, são coisas muito reais para a criança. Não envolvem forma nenhuma de dependência mas o desejo de criar aconchego, um oásis, que as deixe a sentir-se em segurança.

Cada criança constitui uma energia diferente, de modo que são ligeiramente diferentes no trato. Assim, uma dessas energias diz: “O cão deixa-me aterrado.” Outra dirá. “Eu gosto do cão.” Por conseguinte, não existe lei que diga que devam gostar de cães. É como é, com cada indivíduo. Recordo um pequeno, no vosso mundo, que dizia: “Eu não preciso da luz nocturna; eu acendo a minha luz divina.” Tratava-se de uma alma especial, e de uma criança especial, que se encontra agora no meu mundo, por ter feito a transição por altura dos dez anos de idade. Mas ela ficou deficiente ao longo do percurso e voltou-se para dentro dela própria. E dizia: “Eu tenho uma luz; desliga essa.”

Mas aquilo que merece ser reconhecido é que em diferentes alturas da vida as crianças fazem coisas por razões diferentes. As pressões causadas pelos grupos de colegas não se estende unicamente às crianças. Os pais também sofrem a pressão oriunda dos colegas. Toda a gente. Mas a questão está em que, ao longo do percurso, diferentes capacidades (…) esses grupos de pares. A criança precisa viver segundo as próprias normas interiores. Essas normas interiores são formadas e moldadas pelos pais, à medida que cresce, mas ela vem a passar por alturas na vida em que essas normas interiores são postas em questão, quando os pares expressam o contrário. É quando a criança se torna capaz de proceder a decisões ao longo do caminho, ou quando a capacidade de tomarem decisões apela ao: “Eu vou ficar como sou.”

Um dos maiores danos que pode ser feito a uma criança, e em especial a uma criança da nova era, é compará-la, ou dizer: “Olha para o teu irmão ou para a tua irmã,” por ela não ser a irmã nem o irmão, nem estar destinada a ser. Cada uma possui a sua beleza singular, cada um possui a sua qualidade única, capacidades mentais, emocionais e de personalidade, com que operam como indivíduos.

Pergunta: …(Inaudível)

Julian: O aumento do suicídio na infância deve-se ao factor de estresse produzido pelas pressões do universo neste momento. Mas precisamos entrar nisso em profundidade por as pressões do mundo, nos dias de hoje, serem muito negativas. Não precisavam ser, mas a criança ouve dizer que a guerra é inevitável. Ela capta as notícias dos jornais e assiste à televisão, e é tudo a mesma coisa. A única coisa que lhe é anunciada é assassínio, estupro, assalto, guerra, bombas - esse tipo de coisa. E ela começa a aceitar isso como uma realidade. Na fase do secundário dá-se o maior impacto na criança, por ser a fase em que a criança abandona a atitude de menino ou menina e começa a tentar pensar com um adulto. O seu corpo atravessa as maiores transformações físicas que podem ter lugar, mudanças mentais, mudanças emocionais, mudanças espirituais, o que exerce o maior impacto nessa época. Numa situação dessas, a criança começa a consciencializar-se de que não existe futuro.

Agora, vocês aceitam isso e aceitam a energia dos tempos, que diz: “Está tudo a terminar, a separar-se,” e a criança tem problemas com isso, por ser levada a pensar que, se não houver futuro, porque ficar? “Porque ficar e criar obrigações?” Agora, no extremo oposto dessa energia particular, encontra-se a energia da pressão para atingir, para alcançar: Precisam ter as melhores notas, precisam fazer aquilo que toda a gente faz... Em nome da diversão e do sucesso algumas crianças não dispõem de tempo na sua vida para serem uma pessoa.

Têm lições de dança, têm basquetebol, têm a claque, e tudo isso é competitivo; têm as suas lições de carácter competitivo. Tudo quanto é suposto ser uma actividade divertida é convertido numa outra forma de pressão; eles não brincam nem jogam por diversão, mas fazem-no para vencer. E assim a criança busca uma escapatória.

Agora, se acrescentarem a essas duplas pressões um sentimento de rejeição de qualquer forma, ou mesmo uma sensação que represente uma rejeição assumida, elas muitas vezes dizem que preferiam não estar aqui. E isso sucede numa idade tenra dessas, em que o processo de definir uma tomada de decisões é tão importante. E isso envolve muitas pressões.

No vosso mundo vão-se dar muitas mudanças, e essas mudanças poderão vir a ser assumidas como negativas por parte de alguns, enquanto outros as perceberão como um alívio. Sabem, uma pessoa que se candidate a três ou quatro faculdades e que fica à espera (…) e que não consegue decidir-se qual delas venha a frequentar, se obtiver duas recusas, senti-lo-á quase como um alívio, por pelo menos não ter que se preocupar por qual delas venha a optar por frequentar, ou se alguma vez venha a ser aceite. Até mesmo a rejeição se pode tornar numa sensação de alívio.

Assim, o que sucede é que os jovens, e isso com uma mesma frequência no vosso mundo, estão a passar por grandes mudanças ao nível impessoal, mas se se encontrarem na sua condição pessoal de esforço por alcançar, vão sentir mesmo medo. Muitos jovens estão a pôr termo à vida por influência das drogas; quando se encontram sujeitos à influência das drogas toda a razão se esvai. Por outras palavras, “Se eu estiver suficientemente drogado tornar-se-á tanto mais fácil cortar a garganta do que se não estiver.” E nem sequer têm noção do acto real.


Pergunta: E que dizer acerca dos abusos infantis?

O abuso infantil nos dias actuais constitui uma coisa verdadeiramente horrível, se alguma vez é que não tenha sido, só que está a engrandecer. As pessoas buscam compreendê-lo a ver o que sucede por detrás disso. No caso do abuso de infância dá-se um estranho fenómeno. Na verdade, é abuso físico que na maior parte das vezes tem lugar mas as emoções também têm lugar e a atitude mental também. Se pelo menos compreenderem uma coisa, que é o de que a criança aprende a interagir e a amar e a tomar parte junto de outros com base no exemplo. Ele ou ela irão tratar os próprios filhos com base no que tiverem aprendido como uma realidade na infância, pelo que representará um enorme esforço para quem não tiver aprendido o amor nem tiver compreendido a partilha nem uma atmosfera de dádiva em que tenha aprendido a dar ou a partilhar.

Assim, ao longo da vida tentarão colher isso da parte dos outros, e muitos são suficientemente sortudos para o conseguir; outros vão usar o mesmo padrão com os filhos. Muitos dos abusadores de crianças foram eles próprios vítima de abuso. Desta forma, aquilo que é importante para uma criança que tenha sido abusada, e de seguida entregue ao cuidado de alguém mais, é que o novo exemplo quanto ao que a realidade represente seja demonstrado; demonstrado pelo toque de uma forma diferente, pela atenção, pela partilha de experiências de riso, por o riso representar uma excelente terapia, e também romper com a percepção; quando riem, rompem com o padrão do estresse, e conseguem olhar de novo as coisas.

Assim, se trabalharem com uma criança que tenha sido abusada, não podem varrer tal facto da sua mente dizendo que não tenha acontecido ou que não venha a suceder mais, por ela precisar de uma atmosfera em que não ocorra efectivamente, e precisar ser ensinada com respeito à dignidade que tem em si mesma, e assim trazer essa dignidade à tona. Até mesmo uma criança pequena sabe que existe dignidade nela. É por isso que elas por vezes ficam tão zangadas, por sentirem que essa dignidade esteja a ser abusada. Muitas crianças nunca chegaram a ter quem lhes ponha a mão (agressão) mas ainda assim são levadas às profundezas absolutas do desespero em função das atitudes. As suas mentes e emoções são obturadas pela constante acusação de não prestarem, de serem estúpidas, de serem feias, de não conseguirem coisa nenhuma.

Assim, a crueldade assume muitas formas que não somente a do abuso físico, mas a do abuso mental e a do abuso espiritual. Uma criança que nunca tenha tido qualquer intimação da existência de algo para além do mundo que a rodeia, em que se possa apoiar, acha-se espiritualmente faminta. Toda a criança alguma vez se rebela contra uma prática dogmática, por a ver como alguma uma outra coisa qualquer que a leve a fazer qualquer coisa. Isso é normal. Mas quando nunca foi ensinado à criança, ou não tenha ouvido falar ainda que vagamente, em algo em que se possa apoiar quando tudo o mais pareça falhar, ela parecerá um navio sem governo.

Por isso, precisam comunicar à criança essa presença dentro dela que sempre se acha presente e que sempre os ajuda, sempre que lhe derem atenção. Por vezes ela será tentada a dar-lhe um nome, mas levá-la a ter noção de que há um poder nela, de que pode depender quando tudo o mais falha.

Foi muita vez ensinado à criança, na Era de Peixes, que uma criança era para ser vista e não escutada; uma criança não devia participar em conversas com adultos. Assim, a criança precisava cultivar a arte de ser capaz de conversar, de ter uma opinião. Mesmo que não seja a mesma que o resto das pessoas envolvidas na conversa, o facto de ter uma opinião diferente não faz dela uma pessoa péssima. Não quer necessariamente que seja como ela diz, mas expressá-lo não tem mal.

O que também deve ser entendido é que muita vez uma criança se assemelha a uma taça vazia, pronta a ser cheia; aquilo com que a encherem tornar-se-á na sua realidade. Possui a energia para formar e moldar, só que precisa aprender a formar e a moldar. Assim, se lhe derem um peixe alimentá-la-ão por uma refeição; se a ensinarem a pescar, tê-la-ão ajudado para a vida inteira. E vocês precisam perceber que com as crianças também é assim. Aquilo que aprenderem a fazer, habilitá-las-á a fazê-lo para sempre. Aquilo que fizerem por elas poderá vir a ser esperado da vossa parte ou da parte de outros, para sempre (no sentido de um condicionamento). Por vezes a criança não necessita que juntem os cacos por ela; outras vezes a criança precisa saber que se fizer algo de errado ela será responsável por isso e aprender a fazer melhor por ela. A passagem da "batata quente" (ou descartar da responsabilidade) é uma doença que a criança aprende bem cedo, e infelizmente aprende-a ao observar os adultos. Quantos de vós aqui sentados neste compartimento poderão dizer que nunca terão mentido ao telefone, e depois dizem à criança para não mentir, não é? Ela irá ser levada a sentir-se confusa e a questionar a mentira: "De que mentira estará a falar?" Lembrem-se de que cada instante da vossa vida do estado de vigília constitui um exemplo para a criança. E por pensarem que as crianças ficam sentadas e que não observam, pensam que podem comentar e conversar acerca da criança como se ela não estivesse presente. Mas a criança observa e vê e escuta e sente, e que muita vez com base numa ideia errada criar um e enorme trauma no seu íntimo.

Quanto mais a criança se mover no âmbito dos sentidos físicas, mais ela se viverá no mundo mental da personalidade do ego. Quanto mais viver com base nos sentidos espirituais, mais ela viverá no seu mundo da realidade, da realidade da alma. As forças vêm da realidade da alma. Por isso, quando a criança se afasta dos seus sentidos espirituais, e os descarta, ficará com um conceito mais difícil de como conseguir sair da estrutura que é a da personalidade do ego. Torna-se difícil ela romper com algo quando não tem compreensão da realidade do seu ser. E nesta era ela vai-se ater cada vez mais àqueles sentidos espirituais que a tornam consciente.

Recomendar-lhes-ia um livro, que creio já ter referido antes, que é do Vance Packard, “Uma Nação de Estranhos,” em que ele fala do que aconteceu quando se tornaram numa sociedade móvel. Houve um tempo em que nasciam numa vila, eram criados nessa vila, casavam nessa vila, trabalhavam nessa vila, e talvez nunca chegassem a deixá-la; era a vossa vila, a vossa biblioteca, a vossa escola, e representava o orgulho que sentiam.

No mundo de hoje, por altura em que a criança atinge a idade do ensino médio, ela pode ter passado por dez ou doze diferentes comunidades, por causa da sociedade móvel, das transferências de emprego. É um mundo pequeno, agora, não é? Podem voar daqui até à Europa em sete horas, não é? O que sucede é a falta de identidade que se forma em relação a todas essas vilas; porque criar raízes se elas vêem a ser arrancadas de novo dentro de um certo tempo? Gera-se dum desapego no sentido da pertença, o que constitui uma coisa que conduz à desolação, e em resultado do que o vandalismo se torna mais fácil, por não envolver a “vossa” biblioteca, nem a “vossa” regra. O desapego do sentido da pertença gera uma condição de solidão que pode conduzir à depressão; assim como pode conduzir a um desapego que gera raiva contra a comunidade, por começar a ser interpretada como: “Não me é concedido o sentido de pertença,” em vez de: “Não estou a criar raízes,” mesmo que numa condição temporária. Mas nesse livro o autor aborda essas coisas.

Torna-se importante reconhecer que é essencial que a criança tenha uma noção da presença de Deus. Não importa aquilo a que chamem Deus. Nós empregamos o termo Deus por falta de um termo melhor. Mas a criança precisa saber que existe uma presença suprema em que se pode apoiar; precisa ter noção da existência de um poder nela que consegue ajudá-la nos momentos difíceis. Não lhe dizem que isso venha a fazer sofrer, é claro que vem a fazer sofrer; a criança sente-se rejeitada e sente mágoa. Mas vocês dizem: “Lembra-te de quem és! Lembra-te do teu verdadeiro ser,” e a dor desvanece-se, ao permitirem que a vossa verdadeira identidade ou natureza assuma o controlo.

Quando se afastam tanto da fonte de que vieram, têm a sensação absoluta de estar num mar revoltoso sem cavalo, de estar absolutamente nas mãos da situação, (sem alternativa) por assim dizer; na realidade, todos têm o direito ao divino do discernimento, ao direito divino da toma de decisões e à vossa realidade divina da alma. E a criança precisa de saber disso. O que não quer dizer dar-lhes uma palestra; significa demonstrar que vocês acreditam nisso, demonstrar que, aquela árvore que está no exterior, também faz parte de Deus, pelo que não se arranca a árvore, por ser uma amiga. À medida que começarem a entender esse tipo de conceito, também começam a sentir uma identidade; sentirão ser parte dessa árvore, quanto mais não seja, e ela torna-se menos solitária.

Quantos de vós em criança não teriam um local especial onde gostavam de ir para ficar sozinhos? Poderá ter sido no miradouro de uma cidade apinhada, poderá ter sido ir até aos bosques a um local especial. Por vezes não seria mais do que ficar sentados no vosso quarto, mas tratar-se-ia de um período a sós em que lhes permitiria entrar em contacto com a parte da realidade em vós. E quando alguém viesse interrompe-los, quase se sentiriam furiosos, privados, por se encontrarem no espaço da vossa realidade, no vosso espaço de Deus, e nessa condição começariam a encontrar sentido, não obstante o quão confuso o mundo se apresentasse.

Pergunta: Isso suscita-me duas questões. Eu não estou certa de compreender o que disseste acerca da personalidade do ego…

Julian: Muito bem. Todo o indivíduo é composto por mente, corpo e alma – ou espírito. Os termos “alma” e “espírito” no vosso mundo são usados indiferente e alternadamente, mas alma constitui o aspecto imortal enquanto o espírito constitui a energia que o rodeia numa vida individual. Precisam ser uma pessoa equilibrada e devem usar a vossa mente, corpo e espírito de uma forma equilibrada. Quando se acham em contacto com o vosso espírito, ele é a vossa mente superior, o supraconsciente, que representa a mente de Deus em vós. Eu costumo dizer que é quando “ligam ao quadro eléctrico de Deus.” Quando se acham numa condição dessas habilitam-se a ser guiados pela condição omnisciente em vós. Quando se situam na acepção da personalidade do ego, lidam com os vossos aspectos mais mundanos.

Portanto, o ego não é coisa má, porque sem ele não fazem nada, mas quando o ego assume o controlo a ponto de se tornar na única coisa que conta, torna-se numa condição de desequilíbrio, e é quando se voltam para o espírito, a vossa alma, e clamam: “Qual será a realidade que responderá por mim, aqui? A personalidade do ego em vós diz: “Preciso ter um carro maior do que o dos meus vizinhos;” a personalidade do ego em vós diz: Aquele não concorda comigo, vou colocá-lo na minha lista negra.” A alma em vós diz: “E depois? É a tua opinião, e é preciso um carro como meio de transporte e não por uma questão de glória.”

Por isso, constatam que se tiverem um carro maior terão um pagamento mais elevado, um tanque maior a encher – uma carga mais pesada. “Talvez queira arranjar um tipo diferente de carro, que me traga tudo quanto preciso; que seja um carro atractivo e magnífico mas não implique uma prestação tão elevada, e me possibilite sair e encher o depósito para poder ir a qualquer parte.” A vossa natureza real encara isso da perspectiva das necessidades verdadeiras, e da real orientação que tenham. A personalidade do ego deixa-se apanhar no mundo da ilusão. Este é o mundo da ilusão; o mundo da realidade tem lugar aqui (íntimo).
Assim, a personalidade do ego acompanha o tempo, por assim dizer. A alma é imortal e atravessa o tempo.

Assim, mantêm as três partes do vosso ser juntas, que combinadas representam a ferramenta para focar a energia da alma. Assim, por outras palavras é-lhes dado um corpo para habitarem, um espírito que reside nesse corpo, e um instrumento com que formar e moldar e focar; senão terão simplesmente um monte de energia que os não conduzirá a parte nenhuma. Assim, veem certos ensinamentos que professam que a mente é tudo, o que significa que sem a mente não conseguirão focar a atenção, um propósito. Assim como pensarem assim será. Os pensamentos são coisas e poder; aquilo que pensam, manifestam e torna-se na vossa realidade. Por isso, a criança que é levada a crer que é feia, gradualmente tornar-se-á feia, por não (saber) tratar de si, por apresentar uma aparência depressiva, etc. A criança a quem é acentuado o sentido da beleza que tenha, ainda que não apresente a simetria de traços que se defende que correspondam à beleza, tornar-se-á numa pessoa bela.

Alguma vez terão observado as noivas? Não há uma que não seja bela. Nem uma só!

Pergunta: E os bebés?

Julian: Quanto ressentimento! (Riso geral) Estou a provocar-te, evidentemente.


Todos os bebés são belos. Já terão visto bem os noivos? São bonitos e muito cheios de antecipação, nesse dia tão especial.

(Continua)


Transcrição e tradução de Amadeu António


Direitos de Autor © 2003 Saul Srour


Autores: Rev. June K. Burke e o Serafim Julian

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