sexta-feira, 15 de maio de 2015

PROFUNDIDADE DE CARÁCTER



Transcrito e traduzido por A. António

Desta vez queremos tratar da questão de profundeza, de uma profundeza de natureza específica, de modo que possam descobrir essa profundeza e possam aceder, possam aventurar-se e aceder à exploração da sanidade e prosperidade de que gozam e ao próprio êxito de que desfrutem.

Já tivemos oportunidade de falar convosco acerca da prosperidade por múltiplas formas e em profundidade, por muitas das técnicas da manifestação apelarem directamente à manifestação de prosperidade em variado número de níveis. Mais em particular no ensaio publicado sob o título de Natureza da Saúde. Já tratamos da prosperidade por variadas formas, e mais especificamente no trabalho intitulado Trabalhando com Abundância em A Mestria Inerente à Criação de Abundância e de Elegância, e decerto sobre o êxito em finais de semana e seminários intensivos em demasia para detalharmos ao pormenor.

E vocês aprenderam uma multiplicidade de técnicas subordinadas a essas áreas. E quaisquer que essas técnicas tenham sido e o que quer que tiverem colhido delas, a chave para as tornar efectivas passa pela progressão da percepção (do conhecimento) por intermédio da compreensão, a um estado de sabedoria.

Conhecimento. Parece óbvio; não o afirmamos mas de qualquer modo merece ser afirmado: Para que qualquer técnica se torne efectiva, precisam ter noção daquilo que envolve, e em meio à sua percepção precisam conhecer os passos, os detalhes, as nuances da técnica. Mas sabem, de início o conhecimento afigura-se suficiente; ter noção de uma técnica particular pode bastar para a operar. Muitos de vocês já o terão experimentado, terão cultivado a técnica por variadíssimas formas e terão experimentado determinada técnica sem saberem se operava,  sem a compreenderem por completo nem saberem se seria correcta, mas conheciam os passos, conheciam os detalhes, sabiam o que fazer e dispuseram-se a tentar, a ver o que sucederia. E terá resultado! Para vosso assombro admiração e surpresa, mas terá resultado de uma forma absolutamente extática e fantástica. Só que passado um tempo, esss mesma técnica que terá operado de forma esplêndida quando dela tiverem tomado consciência, cai no desuso por não mais parecer resultar.

Bom, poderá haver várias razões para que não resulte, mas uma das razões por que a técnica deixa de resultar deve-se a que a consciência não seja suficiente; ter percepção da técnica pode resultar inicialmente mas não chega; eventualmente a percepção que têm conduzi-los-á a um beco sem saída.
Compreensão. A compreensão consiste em colocar a consciência que têm (de qualquer coisa) em acção. E começam a compreender a técnica de que tenham consciência ao colocaram-na em acção por uma diversidade de modos, um dos quais modos é o uso contínuo; se usarem repetidamente a técnica começam não só a conhecer-lhe os detalhes e as nuances, mas começam realmente a compreender a técnica por agora estarem a agir com base nela.

Uma outra técnica consta de confiarem em vocês e de confiarem na técnica que utilizam a fim de desenvolverem uma harmonia e confiança entre vós e a técnica - o que representa outra forma de chegarem à compreensão. Uma terceira forma passa pelo assumir responsabilidade do direito à posse, com conhecimento de serem quem tem poder. São vocês quem possui o poder e a técnica amplifica simplesmente a concentração da intenção, do desejo, da expectativa que têm. Não outorguem o poder de que desfrutam à técnica, por não ser ela quem lhes está a criar a realidade mas serem vocês quem cria essa dança, esse ritual, essa técnica que suscita compreensão.

Finalmente, começam a entender uma técnica ou uma série de técnicas quando se apossam ou assumem responsabilidade pelo que essa técnica pode produzir, querendo com isso dizer que têm ideia do que possa criar, mas sabem qual o potencial que reserva: como utilizar a técnica numa ou noutra situação; como poderá resultar numa situação ou noutra, etc. Por conseguinte, com esses componentes, quer pelo uso contínuo ou pela confiança que têm em vocês e na técnica, ao possuírem a noção de serem vocês quem é detentor do poder e da responsabilidade quanto ao que em potencial pode ser criado, chegam a compreender, e quando compreendem a técnica, ela opera de modo mais efectivo.  Quando conseguem passar da consciência que têm de uma coisa para a compreensão de uma técnica, que de outro modo deixaria de ser útil, dá continuidade à eficácia que tem, quase como se avançassem de determinado ponto juntamente com uma linha de consciência que atinge o seu impasse natural, situação em que, se mudarem, seja em que altura for, para uma situação de compreensão, essa compreensão e essa técnica continuarão a funcionar a vosso favor.

Mas até mesmo a compreensão possui um tipo curto de vida natural própria. Chega uma altura em que mesmo a compreensão atinge um impasse, e a técnica que até então se terá revelado eficaz, também deixa de o ser.

Sabedoria. A sabedoria sobrevém quando vocês não só agem com base na consciência que têm, mas quando a vivem. Quando vivem a consciência que têm é quando têm sabedoria com respeito à técnica. A metafísica e a espiritualidade tornam-se sabedoria quando se tornam num modo de vida, quando se torna numa maneira de viver. E torna-se numa maneira de viver quando a primeira resposta que dão à vossa realidade é metafísica, espiritual; quando a primeira resposta a qualquer coisa que façam e a qualquer coisa que suceda é antes de mais, voltar-se para a metafísica e a espiritualidade.

Tanta vez, quando pretendem criar algo procuram por todas as formas manipular, bajular, a quem apelar, quem conhecer, onde congregar tudo, quem lhes deva favores, etc., mas depois reflectem e pensam que talvez o possam processar e programar, e que talvez o consigam cocriar. Infelizmente muita vez chega a solução final, a solução de última hora, quando tiverem gasto todas as outras possibilidades. Numa situação dessas não actuam com base na sabedoria nem na metafísica.

Quando alguma coisa dá para o torto na vossa realidade, por termos dito com frequência que o metafísico não é aquele que não tem problemas mas aquele que possui muitas soluções. E assim, muito embora sejam altamente metafísicos, não quer dizer que nada venha a dar errado; mas quando dá, que reacção têm? Será a primeira reacção que têm  virar costas? Será apelar a uma das vossas compensações, será retirar-se para a culpabilização, será de procurar quem consigam manipular ou persuadir, procurar cumplicidade para depois, quando se vêm encostados à parede e sem saída o melhor que tenham seja voltar-se para a metafísica? Se for essa a resposta, não corresponde àquilo de que estamos a falar. É quando a primeira acção e a reacção inicial que têm é de natureza metafísica e espiritual, se torna viva, é aí que fará parte de vós, é então que se traduz por sabedoria.

Quando a metafísica que professam e a espiritualidade que arvoram é consciente, contínua e automática, então é parte da vossa vida, parte daquele que são. Então possuem sabedoria, e aí as técnicas, que de outro modo se teriam detido ao nível da percepção, ou da compreensão, podem prosseguir; por terem transformado a compreensão que tinham em sabedoria, não se defrontam com impasses, e resulta continuidade e eficácia.

Mas independentemente da continuidade e da eficácia que tenha, até mesmo a sabedoria tem o seu limite. Talvez não represente impasse algum, mas possui um limite próprio. E muitos de vocês atingiram limites desses de vez em quando em que a técnica ainda actua, mas não sabem onde chegar com ela nem o que fazer com ela. Têm noção de criar a vossa própria realidade, mas não do que criar a seguir nem do rumo a tomar, e defrontam-se com esse tecto, por não saberem para onde se voltar, por não saberem o que criar.

Um outro aspecto desse tecto está no facto de conseguirem criar sucessos e de as técnicas resultarem, mas não gerarem um sucesso absoluto que desejam; conseguem utilizar a metafísica no trato de objectivos comuns, superar o sofrimento, superar dores de cabeça - mas algo mais sério como um tipo de sanidade, livrar-se de uma enfermidade, incómodo ou situação crónica. Resulta até determinado ponto, mas para além dele, não resulta. Não cruzam essa linha crítica para serem capazes de dizer que são absolutamente bem-sucedidos e que possuem o tipo de prosperidade ou de êxito que desejam. A técnica resulta, mas não por completo, no sentido de lhes trazer tudo aquilo que querem. Há um tecto, um limite máximo.

É certo que esse tecto é mais elevado do que qualquer coisa que pensem alcançar, esse limite é de facto magnífico, mas constitui ainda um limite. E apesar de muitos pensarem que podem viver dentro de limites e limitações, vocês não podem. Vocês são cartógrafos. São criadores da realidade, são cocriadores. Tais limites não são coisa com que possam contentar-se. É por isso que estão presentes e estão a escutar isto. Porque toda a quantidade de níveis, seja níveis de conhecimento ou nível de compreensão, ou nível de sabedoria, vocês podem defrontar-se com becos sem saída, compreendem? Podem esbarrar com limites e ficar sem saber como avançar mais. E tais becos sem saída ou limites manifestar-se-ão por qualquer de quatro maneiras. Podem manifestar-se através da estagnação, podem manifestar-se como retrocesso, podem manifestar-se na qualidade de avalanches, ou através do que chamamos de bombas ao retardador desencadeada pela negatividade. E qualquer dessas quatro pode ocorrer quando atingem um beco sem saída ou um limite máximo.

A estagnação; ao nível da consciência e da compreensão a estagnação representa a falta patente de resultados por parte da técnica. Têm consciência da técnica mas não vão além da consciência dela; compreendem-na, mas não vão além da compreensão dela, e ao se defrontarem com um beco sem saída ela simplesmente deixa de funcionar. Ao nível da sabedoria, esbarram com uma situação em que deixam de saber para onde se dirigem; uma situação em que fizeram tudo quanto sabiam e não sabem o que fazer a seguir ou para onde se dirigir ou o que criar, ao passo que já sugerimos que atingem um ponto em que alcançam um certo nível de prosperidade e de sanidade mas não se revela suficiente, e não é por serem gananciosos, nem porque se queiram satisfazer, por já se encontrarem plenamente satisfeitos, mas simplesmente por quererem mais, e não estarem dispostos a deixar-se comprometer, não se sentirem dispostos a contentar-se, por estarem aqui pelo vosso desenvolvimento espiritual, não apenas pela prosperidade pela sanidade e pelo sucesso, mas por um desenvolvimento espiritual que continue a elevar esses níveis.

E ao nível da consciência a técnica ainda resulta mas deixa de produzir os resultados e muita vez sentem que precisam de uma técnica nova quando não é mesmo disso que precisam. É que atingiram um limite em vocês mesmos por a sabedoria se ter esgotado a si mesma.

Retrocesso é quando os problemas por resolver da vergonha, do merecimento, da culpa começam a corroer, começam a desintegrar os êxitos que tiverem criado. Geram um certo nível de sanidade e aí começam a sentir culpa e de dúvida quanto à legitimidade e à justiça que lhes assista para tanto. Criam um certo nível de êxito por múltiplas formas, emocional, financeiro, mas por razões que não conseguem explicar não sabem por que diabo sentem o remorso oriundo da culpa que são levados a sentir. Têm noção de que não deviam, e sabem que trabalharam para isso mas sentem culpa e sabem que essa culpa começa a corroer tal êxito e a tirar essa sanidade ou essa prosperidade. Ou atingem aquele nível de sucesso em que a despeito do que quer que tentem criar começam a sabotar-se, sem que consigam explicar o porquê nem tenham ideia do que esteja a acontecer, mas castigam-se. Começam a usar de velhos padrões que não usavam há anos, começam a sentir-se martirizados e a exigir subornos que não aceitavam, começam, a reactivar dependências de que nem sequer tinham consciência de existir há tanto tempo. E começam a ver a coisa a desabar, começam a ver a coisa a deslizar-lhes por entre os dedos. E começam a carregar essas sensações negativas de culpa ou de vergonha ou de sabotagem ou de punição que pensavam ter controlado quando a vossa realidade lhes testifica que não. Quando se defrontam com um beco sem saída ou um limite gera-se um retrocesso, como se tivessem sido apanhados ou estivessem a ser arrastados, e como se veem detidos sentem-se atingidos de verdade. E a minha realidade começa a desagregar-se. Isso é um retrocesso.

Uma avalanche é um pouco diferente, uma avalanche, é tanto quanto parece, e a vossa realidade começa a despencar tipo avalanche; são despedidos, todas as vossas relações são despedaçadas, a vossa companheira abandona-os, é a vossa vez de devolver o cheque que não deviam devolver e descobrem que se enganaram há dois meses atrás e estão em sérios apuros financeiros que lhes vai levar anos a tratar. Os credores não os largam, isto não opera, aquilo não resulta, e acabam com um olhar fixo como se fossem alienados. Tudo corre pelo pior, não têm vontade de sair da cama, não querem atender o telefone nem abrir a porta por alguma outra coisa poder dar para o torto. Tudo está a despencar!

Por vezes assistem a pessoas ultra bem-sucedidas a sofrerem avalanches; tanto estão no topo do poder como se verifica um arranjo qualquer, uma desavença no lar, e logo uma coisa começa a dar errado, e logo outra, e no fim, mesmo que liquidadas as contas ficam com quê, uns três milhões de dólares de dívidas? Tudo de repente! Alguns de vós já o terão experimentado embora de uma forma menos notória, sem sombra de dúvida. Mas terão passado pela experiência da avalanche, e sabem aquilo a que nos referimos.

Bombas de uma negatividade desencadeada ao retardador. Bem profundo nos recessos, nas rugas da vossa mente inconsciente, bem fundo no vosso código genético na própria medula dos ossos, no próprio ADN da dupla hélice dentro de cada célula do corpo acham-se ocultas crenças e ideias e atitudes, pensamentos e sentimentos, escolhas e decisões de que ainda não têm consciência ou permanecem inconscientes, achar-se aí alojadas fixamente, florescer a partir de vidas passadas ou de outros níveis da vossa consciência. Poderão ter aí sido colocadas por vós, em catraios e inconscientes, antes mesmo de aprenderem a falar ou mesmo na adolescência, profundamente alojado em vós e aí permanecer. Bombas ao retardador, a fazer tique-taque, tique-taque, à espera de rebentarem.

No ADN é composto pelo ácido nucleico que é libertado com o tempo, e que liberta certas das mensagens que instruem o corpo quando deve crescer e deixar de crescer, quando mudar e quais as mudanças a operar, e algures por entre esse laço, algures por entre esse laço massivo contido em cada célula do corpo há uma bomba-relógio que aguarda para explodir à semelhança de um campo de minas, que só espera ser pisado. E quando isso sucede – Bang! – a vossa realidade não sofre uma avalanche mas explode simplesmente. O problema está em não saberem onde se situam. Não sabem ode sem encontram, nem sabem aquilo que contêm, não compreendem a rede e a menos que localizem e desmontem essas bombas ao retardador, por altura do fim da linha - quer pela consciência quer pela compreensão - por altura da selagem com a sabedoria elas acham-se vulneráveis e vocês encontram-se imensamente vulneráveis e elas podem explodir.

Falamos dessas bombas relógio quando falamos acerca da longevidade, e dissemos que em cada um de vós há um roteiro inoperante, uma parte de vós que sabe exactamente quando vão morrer e a forma como o irão fazer, e isso representa uma vontade de morte, um desejo de morrer, e isso acha-se cerrado dentro de vós, e a menos que desenredem isso, a menos que o desmontem, toda a nutrição saudável que ingerirem e todo o exercício, todas as consultas que fizerem ao médico para o exame anual, todas as actividades profiláticas de bem-estar não obstante não param de fazer tic tac, até que rebentam e vocês morrem. A diferença existente entre uma avalanche e uma bomba-relógio está em que no caso de uma avalanche, sempre podem pegar nos pedaços e voltar a reuni-los; no caso de uma bomba-relógio não podem. No caso da bomba-relógio de um roteiro inoperante ou da vontade de morrer, quando dispara, estão liquidados. É como uma bala com o vosso nome gravado. Não conseguem nem dizer “ai,” nem sair da cama para se sentirem vivos de novo – estão liquidados! É tudo por esta vida – poderão fazer mais dessas vidas, mas por esta será tudo.

Alguns poderão procurar um duplo trunfo, alguns poderão procurar alguns dos outros mega sucessos e se um dia tiverem uma bomba relógio toa a negatividade será solta, e tudo dependerá de saber se irão apanhar os pedaços e voltar a reuni-los de novo. E em vós há bombas-relógio dessas, profundamente enterradas no inconsciente, no ADN, a fazer tic-tac. E quando estão a avançar, tendem a não constituir problema algum, não tendem a revelar-se; é quando atingem um beco sem saída - quer na consciência ou no entendimento – quando atingem esse tecto de estagnação na vossa sabedoria, que mais aptos se encontram a colocar-lhe o pé e a perceber que a terão despoletado.

Bom, qualquer destas quatro coisas poderão suceder, não é garantido que isso suceda. Entendam, que se esbarrarem com um impasse não quer dizer em termos absolutos que vão atingir uma bomba-relógio. De forma nenhuma! Há quem na verdade atravesse a vida e passe por um campo minado e não chegue a pisar nenhuma mina. Mas uma dessas coisas sucede, seja a estagnação, o retrocesso, uma avalanche ou a bomba-relógio da negatividade é liberta quando atingem esses estados, quer seja becos sem saída ou limites máximos – e qual deles será o mais grave? Por isso recomendamos que não atinjam nenhum beco sem saída, (riso) não parem, continuem em movimento.

Decerto que terão tratado de muitas das respostas e soluções para tais problemas, terão tratado dos bloqueios e das compensações, e decerto que o terão feito com os guiões e os contractos negativos e esse trabalho poder resultar muito potente e efectivo na eliminação, ou pelo menos na limitação dos retrocessos e das avalanches. E à medida que limpam os vossos bloqueios e as compensações, encerram os contractos, desfazem os guiões e os substituem por guiões positivos, estão a mitigar a possibilidade de retrocesso, estão a mitigar a possibilidade de avalanche, e podem mesmo chegar a eliminar a possibilidade por completo. E aqueles de vós que trabalham com a vossa mente subconsciente e com a mente inconsciente, poderão descobrir as vossas bombas-relógio particulares e desmontá-las. Claro que não têm que viver a vossa vida debaixo do temor. Podem desmontá-las; e muitos de vós estão a fazer isso, por estarem a desenvolver-se e a mudar e estão a evoluir de verdade.





…Então, de que modo desenvolvem essa profundidade? Sabemos, e bem que poderão buscar por vós próprios os equívocos, podem tratar do que sejam, podem defini-los, podem vê-las nos outros, podem clarificá-lo e descobrir modelos por que se passam a modelar subsequentemente, naqueles que demonstram verdadeira profundidade.

Mas que técnica específica, que passos específicos poderão seguir a fim de se permitirem produzir profundidade? Bom, quando falarmos dessas abordagens, desses passos, embora possam entender a razão, mesmo que as pessoas possam compreender e saibam o que é, por que razão tantos revelam relutância no desenvolvimento disso? Eles sabem que ninguém deseja ser frívolo, mas aceitam-no por omissão.

Primeiro passo – Usamos a palavra-chave “alienação”. Soa divertido, não? Mas o que com isso queremos dizer é que precisam alienar-se do vosso passado; precisam alienar-se dos bloqueios com que cresceram, das recompensas que continuamente aceitaram, doa contractos que assumiram com os pais ou com as autoridades – seja por que nome for que as tratem – e dos guiões negativos. Têm que se alienar desse passado; precisam separar-se – o termo “Alheio,” que reside na raiz etimológica da palavra, ou “Alienus,” no original latino, significa separado, fora – separar-se, sair desse passado, o que quer dizer separar-se dos vossos pais.

Ora bem, quando referimos isto não estamos a asseverar, e repetimos, não queremos dizer que devam divorciar-se dos vossos parentes, em definitivo. O que referimos quando falamos em alienar-se dos vossos parentes, é que deixem de os ver como pais e comecem a vê-los como gente. Deixem de encarar aquela mulher enquanto mãe, e comecem a ver aquela pessoa enquanto mulher que é. Deixem o vosso pai ser o homem que é. O que não quer necessariamente dizer que os tratem pelo nome próprio, mas que os podem tratar por mãe ou pai mas que os vêm e se relacionam com eles enquanto gente. Se mantiverem essa mulher na função de mãe, continuarão a ver-se a si mesmos com seus filho ou filha ou como um adolescente. Não se permitem vê-la por aquilo que ela é, dotada conforme se acha, de pontos fortes e fracos, sonhos e esperanças e angústias.

Não o veem enquanto pessoa, não o experimentam enquanto tal, e precisam permitir que essa alienação ocorra. Muitos dos aqui presentes possuem parentes que de algum modo terão nascido durante a depressão, em 1929, e inícios dos anos trinta. Se a interrogarem: “Mãe, como foi durante a depressão?” Irão ouvir narrativas do tipo: “Ah, era difícil pôr comida na mesa, e havia racionamento, e precisava-mos adular o vizinho para obtermos mais duas rações de açúcar ou uma ração de café, por precisarmos, e esse tipo de coisa. Mas era difícil e o teu pai… e isto e mais aquilo…”

Mas se permitirem que essa mulher seja mulher, então quando conversarem acerca da depressão escutarão falar nos sonhos que ela tinha que foram despedaçados, nas esperanças de rapariga nova que tinha e que foram frustrados, na dor que sentiu e como terá sido ver os sonhos furtados, ressentimentos e amarguras. E também ouvirão falar nas esperanças e nos sonhos que desenvolveram depois disso, e perceberão nela uma pessoa completamente diferente – não mais será a mãe, mas uma mulher. “Este não é o pai, este é um homem.”

Ora bem, quando os passam a ver dessa maneira, poderão não gostar do que veem neles, eles poderão não ser necessariamente gente com quem queiram ir jantar fora, ou com quem queiram passar tempo, e isso constitui um risco, só que é um risco válido, e alguns nessa alienação podem perceber não ter vontade de passar tempo nenhum com eles e subsequentemente optar por não passar.

Outros de vós poderão descobrir que enquanto pais poderão ter sido de torcer o nariz, mas enquanto gente, já serão mais interessantes. E poderão descobrir que passam a gostar ainda mais deles do que pensavam gostar. Mas é essencial, se quiserem ter profundidade, mudem de posição; se quiserem profundidade precisam alienar-se dos vossos pais e alienar-se desse passado. É tão importante quanto isso…

Existe este complexo equilíbrio na natureza. Alguns de vós passaram infâncias terríveis, pelo que é realmente fácil alienar-se dos vossos pais. Mas aqueles que passaram uma boa infância ainda precisam alienar-se, mas para esses irá ser muito mais difícil. Vós passastes dificuldade em criança, eles passam a dificuldade agora, é assim que a natureza se equilibra. Porque eles precisam ter um objectivo definido, mas mesmo assim, tiveram os melhores pais que fizeram o melhor que puderam e que foram bons nisso, aqueles de vós que tenham uma história dessas ainda precisam alienar-se deles enquanto pais. E do vosso passado, mesmo que tenha sido um bom passado, mesmo que lhes traga boas lembranças, elas precisam tornar-se cada vez mais recordações e cada vez menos parte da verdade. Precisam alienar-se. O primeiro passo consiste nessa alienação.

O segundo passo, que parece não ser melhor, é o da rebelião. Precisam ser rebeldes. Não um rebelde violento, mas um rebelde pacífico, em que se rebelem contra a realidade consensual que diz que as causas conduzem aos efeitos, e que nada há que possam fazer em relação a isso, e que a realidade acontece – o que constitui um termo mais gráfico – a realidade acontece (riso). Precisam rebelar-se contra essas regras do consensual que diz que não têm esperanças, que não têm sonhos, que não podem criar, que precisam suportar, passar por isso da melhor forma que conseguirem na esperança de morrerem com um pouco de paz.

Precisam rebelar-se contra esse medo da realidade consensual que diz que não há soluções, que o mundo tem que acabar por não ocorrerem soluções nenhumas; que o mundo tem que acabar por ser o que reza nos livros; que o mundo precisa cessar por precisarem livrar-se de tudo quanto é impuro destruindo, e que a única forma de corrigir é matando, desde logo. Todo esse tipo de regras do consensual, precisam rebelar-se contra elas: “Não! Eu crio a minha própria realidade, nem sempre compreendo como, mas sei que o faço, e não vou descansar até descobrir como criei isto ou aquilo. Não vou encolher os ombros e desistir a favor do consensual; não vou estender as mãos mas atarem nessa prisão. E rebelo-me contra esse consensual. Eu não farei parte dele, não desempenharei o seu jogo; não me deixarem seduzir pelo canto da sereia, nem pelo seu medo. Não me permitirei, rebelo-me – silenciosamente, pacificamente, pessoalmente, não indagarei mais ninguém quanto a querer juntar-se à minha rebelião, eu rebelo-me.” Não tem que ver com massas nem com grupos que se afaste para um local qualquer distante em que ninguém queira viver, mas tem que ver com fazer isso aqui, dentro de vós – uma rebelião contra o consensual: “Não! Essas regras não se me aplicam. Não deixarei que se me apliquem; respeitarei as leis da terra, certamente, não me irei tornar num criminoso, mas vou-me rebelar contra essas leis da realidade consensual da forma como a realidade funciona.” O terceiro passo – tornar-se rebelde.

A palavra-chave do terceiro passo é o exílio. Que precisa ser auto imposto; remetam-se ao exílio – a um exílio auto imposto. Não a um exílio político nem emocional que mais alguém lhes imponha; não é uma prisão. Um exílio auto imposto pode durar horas, pode durar um dia ou mesmo um par de dias. Um período em que se separam do mundo e se remetem para exílio; não atendem o telefone, não assistem à televisão, não escutam música como distracção, não conversam com ninguém, volto-me para dentro a fim de despender porventura três ou quatro horas em total silêncio, posto à margem, exilado. A fim de procederem ao que poderá ser chamado Uma Busca de Visão que lhes permita descobrir a vossa profundidade.

Poderá ser em torno de uma questão particular: “Estou a tratar de uma questão ligada com a saúde, e percebo que atingi um beco sem saída. Eu sei o que fazer; eu sei o que visualizar. Conheço as técnicas de dar ouvidos aos sussurros e de lutar e de me irritar e de estabelecer um regime, eu sei. Já ouvi o suficiente e percebo. As outras pessoas curam-se disto e daquilo, etc., mas o que aqui conta é que topei com um limite. Ou atingi um beco sem saída, e a programação que faço não me ajuda relativamente a esta preocupação, ou está a resultar mas não suficientemente rápido ou suficientemente bem. Ou estou a declinar ou simplesmente não está a limpar. Percebo que não tem que ver com praticar a minha técnica de forma mais árdua, nem tem que ver com praticá-la mais três ou quatro vezes.”

Há muita gente que pensa assim, sabem. Não! “Tudo bem, preciso de me remeter ao exílio, em torno desta questão, para descobrir a minha profundidade; cara-a-cara com esta questão de saúde. E passar um tempo só para me voltar para dentro de mim.” Talvez seja com respeito à vossa saúde ou a outros aspectos do meu sucesso. Do mesmo modo, poderão decidir que no global realmente precisem despender algum temo em busca de profundidade, por perceberem que não tenham tanta assim. E em vez de se lamentarem por serem frívolos, alienam-se do passado, rebelam-se contra o consensual mas dispõem-se a tirar um dia de folga, um dia inteiro em que se voltam para dentro, em silêncio, sem televisão, sem radio, talvez um pouco de música ambiental, mas nada mais do que isso; nada de telefonemas, atender à porta, conversar com os outros, nada senão um corte desses. Talvez tirem todo um final de semana inteiro. Alguns podem ir de férias, e poderão faze-lo exilando-se.

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