domingo, 3 de maio de 2015

AUTOESTIMA







 
Julian: Boa noite. Estou encantado por estar na vossa companhia uma vez mais. Esta noite optamos por debater a autoestima, algo de que a maioria das pessoas anda em busca, esquecendo que possui, e todo o tipo de coisa.

Antes de mais, em que consiste a autoestima? Ter estima por si mesmo? Ora bem, muita gente confunde egocentrismo com autoestima, mas ambas constituem duas coisas completamente diferentes. A autoestima constitui a aceitação dos potenciais e qualidades da pessoa. A autoestima permite-lhes sentir orgulho nas realizações que obtêm sem serem egocêntricos ou egoístas.

Sem autoestima sentem-se inclinados a menosprezar os potenciais e qualidades que possuem, a sentir-se menos do que aquilo que são, e a criar uma letargia que os impede de usar as qualidades que lhes podem fornecer aquilo que buscam – acreditar em si mesmos.

Uma das coisas de que precisam estar bem seguros é do significado do Eu. Que significa esse Eu? “Eu”, “mim”, “meu”; quererá esse Eu dizer o aspecto do ego da personalidade ou o aspecto da realidade, que consiste na parte de vós mais elevada? O Eu constitui uma combinação dos dois. Não separem ambos os aspectos ao dizerem que não poderão usar o ego, e que a personalidade seja algo que precisam descartar por os tornar menos santos e em vez disso reconheçam que quando a autoestima se acha presente a percepção completa do Eu encontra-se igualmente presente, ou seja a parte mais elevada de vós que é capaz de manter a parte da personalidade que é o ego em perfeito equilíbrio, de forma que não venham a esbarrar no egocentrismo mas na autoestima.

Antes de mais, uma das coisas que precisa ser reconhecida, é que vocês não se encontram aqui para serem mais ninguém para além de vocês próprios. As pessoas que são altas desejariam ser baixas e as que são baixas desejariam ser altas, as pessoas gordas desejariam ser magras e vice-versa, as que têm cabelo claro desejariam tê-lo escuro e as que têm cabelo escuro desejariam tê-lo claro, e é assim com todas as coisas de que não gostam relativamente a si próprias. Mas, se puderem aceitar o facto de se encontrarem aqui a fim de se cumprirem, para serem vocês próprios, não obstante a cor do cabelo e a estatura que tenham, que nada tem que ver com o aspecto da qualidade que os caracteriza, por se encontrarem aqui a fim de serem vocês próprios, só que pelo melhor de que forem capazes.

A vida compreende ciclos de desenvolvimento em que a mente controla, por meio de um ciclo de vinte e cinco anos, que é seguido de outro que é o da emoção, que o homem interior controla por um ciclo de vinte e cinco anos, e depois a destreza que acompanha o corpo, num ciclo igualmente de vinte e cinco anos, ciclos esses que funcionam a toda a hora, só que criar-se-á uma tendência para uma concentração. Vocês acabam de sair de um período de vinte e cinco anos em que se concentraram numa educação superior. O vosso mundo neste momento estabeleceu que determinado número de diplomas ou graus académicos determinam a qualidade que possuem. E agora entram no ciclo de vinte e cinco anos dos negócios, em que uma vez mais o potencial e a capacidade da destreza de mãos e corpo, em ligação com a mente, irá ser reconhecido. E por que terão esses ciclos? Por serem necessários na manutenção do equilíbrio entre o homem enquanto indivíduo, e a busca que empreende pela identidade de si próprio. 

Há muita gente que seguem os padrões, mas há sempre quem siga uma norma diferente, um ritmo diferente, há sempre quem faça tudo ao contrário e se agarre à vassoura, mas por reconhecerem a individualidade que os caracteriza. O soalho é limpo na mesma, quer o façam de uma maneira ou de outra, com a vassoura -- o que não tem importância alguma, e se isso não os levar a colidir com ninguém pode sempre resolver subir mais. Esses ciclos sobrevêm a fim de romper a rigidez formada que leva as pessoas a sentir-se inferiores.

Vocês falam acerca dos velhos tempos, o que para alguns de vocês equivalerá a trinta anos atrás, quando para mim equivale a uns três mil anos ou mais. Quando uma pessoa cria pelas próprias mãos, desde o estado bruto até o produto ficar acabado – o que representa algo de seu e possui em si tudo quanto precisa e é especial, tem orgulho no trabalho. Hoje, dispõem de linhas de montagem em que as pessoas podem nunca chegar a ver o produto acabado, para além da parte que montaram, pelo que se sentem menos atraídos pelo produto, sentem uma menor identificação com o produto, a identificação que sentem é em relação salário e não com o amor nem o carinho, e toda aquela coisa estupenda que foi dar corpo à coisa.

Aqueles de vós que escrevem ou que dançam ou que se encontram numa área criativa, têm noção disso por lhes surgir a ideia e a conduzirem à concretização e depois terem que a deixar desenvolver-se e afastar-se de vós, mas é sempre difícil. E há muita gente que faz coisas estupendas que depois não vendem por ficarem presos e não suportarem distanciar-se delas. Mas tudo isso representa autoestima. Se não se sentirem bem com a identidade que têm relativamente a seja o que for que estejam a fazer, então será altura de procurarem apurar a razão disso. Que parte de vocês estarão a deixar de usar ou a deixar de realizar com isso no momento? Talvez devam estimular mais a mente; talvez devam deixar de pensar tanto e começar a fazer algo mais ligado ao aspecto físico. Talvez precisem descobrir o vosso outro lado com que ainda não entraram em contacto. Porque somente quando chegam a conhecer o vosso pleno potencial poderão possivelmente colher um sentido de bem-estar em relação a vós próprios. Enquanto sentirem que essas partes de vós estejam em falta, ou continuem insatisfeitas, colherão uma sensação de incompletude.

Agora, uma das coisas que precisam entender relativamente à autoestima é que não é coisa que aperfeiçoem e que passe a estar presente. Porque enquanto permanecerem no plano terreno, ou no mundo que eu habito, enquanto lidarem com um ser que se acha em movimento, em crescimento e a evoluir, sempre terão mais a realizar em relação ao que melhor se sentirão acerca de vós próprios. A única coisa que precisam compreender é que a autoestima jamais poderá ser conseguida por meio da lassidão, da falta de aplicação, ou pela recusa de tentarem. Não podem ficar à espera que vo-la forneçam. Precisam sair em busca dela. Agora, quando vão em busca dela fazem-no no exterior e esperam o reconhecimento do mundo, ou que lhes diga que estão bem e que são bons. Mas precisam voltar-se para dentro e pedir a essa parte de vós que lhes diga o que fazer.
Eu vou beber um pouco de água para impedir que ela (June) possa ficar desidratada, mas quero que vocês reflitam por um instante, enquanto estiver ocupada, acerca de algo em relação ao que não se sintam bem, relativamente a vocês próprios. Sinto uma enorme autoestima por este feito que consegui.

Muito bem, qual as coisas que geralmente leva as pessoas a deixarem de se sentir bem relativamente a si mesmas? Alguém quererá pronunciar-se?

Pergunta: Eu inicio demasiados projectos antes de terminar o primeiro, de modo que isso me suscita diversas ideias quanto aos objectivos a longo prazo, mas quero-os de imediato e por vezes não volto a eles.

Julian: Ou por outras palavras, dás início a demasiadas coisas e depois não acabas nenhuma, não é? Ou talvez uma ou outra? Antes de mais, a concentração torna-se um imperativo na realização; se dispersarem a energia e a concentração, não disporão de suficiente energia para a aplicar numa área. É como se não conseguissem reunir as energias dispersas numa só direcção. Agora, há razões muito válidas para alguém iniciar um monte de coisas, e uma delas é o facto de uma ideia os levar a sentir-se produtivos, o que os deixa entusiasmados, e por precisarem de algo que os deixe excitados, algo que os estimule. Se isso não suceder, têm a tendência para abandonar tal entusiasmo, por começar a sentir-se desmotivados, e a lassidão a que me referia começa a pronunciar-se, pelo que o desejo de se mexerem começa a recuar.

Por vezes uma pessoa inicia múltiplas coisas por desse modo se sentir encoberta, o que nada tem de mal. “Ter quatro, cinco ou seis ideias é ser esperto, e assim sentem-se demasiado ocupadas com as ideias para fazer o que quer que seja relativamente ao resto, pelo que não tenho que me preocupar com a incerteza de vir a ser um sucesso”. Estão a ver como as coisas se esgueiram em vós? 

Olhem as ideias do projecto em que estão a trabalhar; insiram-nos numa ordem de prioridade. Quando realizarem o que tiverem colocado em primeiro lugar, ainda que não seja aquilo de que mais gostam, sentir-se-ão de tal modo bem que em breve passarão à consecução do que vier a seguir. A única forma por que o conseguirão será encurtando a trela da liberdade, de modo que precisarão concentrar-se no que for suposto fazerem. É isso que precisam fazer, controlar o alcance do que possam fazer para poderem mover-se dentro dessa área e a seguir passarem para outra coisa qualquer.

Outra coisa que precisam reconhecer é que se estiverem a trabalhar em algo em que precisem fazer constantemente a mesma coisa sem que o padrão de trabalho comporte qualquer variação, muitas vezes o tédio instaura a lassitude que os leva a pensar ter deixado de ser criativos, e isso constitui uma armadilha em que se permitem cair. Por isso precisam permitir-se ver que arranjem algo para fazer aparte daquilo que fazem a toda a hora. Se estiverem activos num campo criativo, vão e aprendam algo técnico; façam algo de errado, algo que os afaste daquilo que fazem o tempo todo. Isso constitui um acto de equilíbrio pessoal que todos deviam instaurar.

É estranho como no vosso mundo um condutor de autocarro utilize outro autocarro para ir de férias, sabem? A razão está em se afastarem por completo daquilo em que se encontram completamente absortos ou atados com regularidade. Permitam-se sempre adoptar uma polaridade de um tipo qualquer; se não estiverem a fazer o vosso trabalho sozinhos, então implementem isso num passatempo ou numa outra forma de interesse qualquer, mas não se deixem atar a um sítio.

Pergunta: Julian, eu estou com um problema. Gostava imenso de conduzir, e sinto que já consegui a autoestima que isso requer, no entanto vejo-me impedida por receios.

Julian: Muito bem. Nesse caso aquilo que precisas fazer é superar esse receio. Agora, isso soa bastante acessível, não? Antes de mais, se não colheres um factor de controlo qualquer que te leve a sentir que dominas a máquina, irás sentir receio. Por isso, a primeira coisa que tens que fazer é habituar-te ao veículo, e não só pegar nele e conduzi-lo até qualquer parte. 

Descobre o que o faz funcionar; tira um curso, se necessário for, subordinado ao carro, e aprende o que o faz funcionar, de modo que o comeces a conhecer. Porque qualquer coisa que venham a conhecer deixará de ser fonte de receio. É o desconhecido que representa uma fonte de receio. Assim, permite-te obter conhecimento acerca do carro. Depois pede a alguém amigo que te leve a um campo aberto, a uma dessas estradas que as fazendas têm, e começa a conduzir a máquina aí, onde não tenhas nada que possas atropelar nem nada de que cair. 

Quando um bebé está a aprender a caminhar não o colocam à beira das escadas mas num local seguro. Faz a mesma coisa contigo. Quando começares a sentir uma sensação de controlo, começarás a sentir-te confortável com a máquina e aí poderás começar a estabelecer um âmbito mais alargado que albergue outras coisas, só que precisas aprender para poderes levar essa máquina seja onde for. 

Parte desse receio que sentes passa por te veres a conduzir na cidade. Mas conduz no campo até que obtenhas o controlo que te permita conduzir na vila em vez de na área rural. E quando conseguires conduzir no campo poderás conduzi-lo até aos subúrbios e à cidade.

Se encarares algo como um produto final com receio e tão distante de ti que não te deixe margem a ter qualquer sensação de superação e de alcance, voltas atrás e tratas isso pela melhor forma que conseguires com segurança e de um modo garantido. E nenhum veículo poderá causar-te qualquer dano enquanto estiveres a aprender acerca dele. Mas se conduzires no campo não terás ninguém que possas atropelar, ou com o que te possas esbarrar. Por isso, faz conforme conseguires tolerar, não tentes levar isso a bom porto de uma vez. À medida que te familiarizares com o carro obténs um sentido de conquista e de realização que breve te leva a superar o medo.

Lembra-te sempre que não podes ir de A a Z sem passares por todos os outros níveis e sem obteres compreensão quanto a eles. Tens que ter feito a ponte entre as energias intermédias, e se tiveres receio quanto à posição em que te encontrares, precisas descobrir modo de fazer a ponte entre as energias que te possa pôr termo a esse receio. Usa termos que te indiquem movimento que efectues de uma posição à outra. É tão simples quanto interessar-se pelos diferentes tipos de carros, começar a habituar-te a eles. Não podes conquistar coisa alguma de que não tenhas obtido conhecimento para poderes acompanhar. Por isso, diz a ti própria: "Eu conquistarei o medo que tenho abordando aquilo que quero fazer, na proporção do preparo que for conseguindo. E se fizeres isso garanto-te que dentro de pouco tempo estarás a conduzir. Mas não penses que tiras a carta e vens logo por aí a fazer piruetas. (Riso)

Pergunta: Que podemos fazer quando vamos à escola obtemos diplomas académicos e tudo o mais e continuamos a pensar precisar de mais para podermos sentir-nos prontos para ir e fazer aquilo para que fomos preparados?

Julian: Muito bem. Há uma coisa que precisas ter igualmente em atenção, por isso também constituir uma evasiva. Ou por outras palavras, "Ainda não estou apta por precisar de mais alguma coisa," não é? Como irás apurá-lo se ainda nem testaste o nível em que te encontras?

Se a criança aguardar até obter toda a informação antes de conseguir escrever uma frase, jamais virá a escrever um livro, e vocês precisam pegar naquilo de que dispõem no momento em que se encontram, e usá-lo de uma forma jubilosa, usá-lo adequadamente, e então, quando tiverem visto os resultados disso, quando a satisfação resultante disso se apresentar, admitem que estão a avançar no sentido do que quer que precisem saber, mas entretanto terão realizado alguma coisa.

A educação, seja sob que forma for, precisa ser usada para ser a educação que se pretende que seja. Podem emoldurar todos os diplomas que quiserem na parede, mas se não usarem a informação nem a partilharem não terão aprendido. Além disso, reconheçam que se se encontrarem a obter educação, o que é excelente, questionem-se da razão por que o estão a obter. Servirá verdadeiramente o propósito daquilo que realmente desejam fazer? Porque muita gente aborda a educação como uma lista de controlo, e jamais se detém a fim de se identificar com ela ao longo do percurso. 

E certos assuntos há que, independentemente do quanto aprendam, isso não os ajudará a viver, a menos que lhe deem um uso prático. Não estou de forma nenhuma a rebaixar a educação; a vossa mente necessita de estabilidade e de entusiasmo, mas isso precisa igualmente estar em equilíbrio em relação ao resto do vosso ser, o que os leva a dizer: "Eu utilizo de forma produtiva aquilo que conheço agora, para poder aprender mais."
Pergunta: Julian, aparentemente a falta de autoestima brota da falta de aceitação de certas qualidades pessoais….

Julian: Exacto!

Pergunta: ... mas o problema que tenho presumivelmente se eu aceitar essas qualidades pessoais que de outro modo não são dignas de ser aceites, então estarei a permitir-me ser complacente e não estarei a esforçar-me por melhorar. Parece que preciso dessa insatisfação como um ímpeto para poder concluir o meu cultivo ou crescimento.

Julian: Assim que atingirem uma situação em que o factor de realização começar a ser obscurecido, é tempo de passarem a um outro passo na realização. O que quer dizer que o vosso potencial está pronto para que deem outro passo. E por conseguinte, têm que o fazer avançar de um jeito qualquer, quer por meio de uma aplicação nova ou de uma aplicação paralela, relativamente ao que estiverem a fazer actualmente, ou da aprendizagem, de pegarem nalguma coisa nova e avançarem com ela.

Os tempos que estão presentemente a viver são bastante difíceis, por a única coisa que constitui um absoluto é a mudança. Nada poderá permanecer em estagnação; o movimento irá estar sempre presente. Por isso, não importa o quanto alcancem, irão sempre saber dentro de vós que haverá mais a alcançar. Não excluem a diversão da conquista. E talvez isso estimule muitos que não alcançariam isso de outro modo a alcançá-lo. A noção de descontentamento constitui o catalisador que os incita à acção.

Pergunta: Nesse caso, será por isso que haverá tanta gente criativa, artistas, actores, que parecem padecer de tão fraca autoestima quando se sentem por baixo em relação à corrente da energia criativa?

Julian: Exactamente. Exactamente. Se não utilizarem esse potencial e o trouxerem ao terreno da partilha, sentem-se perdidos, sentem que não estão a ser produtivos.

Pergunta: Eu actualmente estou com um problema por estar a fazer aquilo que quero fazer, mas é demasiado lento, e isso leva-me a sentir como uma burra, e dou por mim a clamar por auxílio nas minhas meditações. Poderás aconselhar-me sobre de que modo conseguirei esgueirar-me desta situação?

Julian: Sentes-te feliz?

Pergunta: Sim, creio que me sinto feliz.

Julian: Então não dês cabo disso. Nenhuma necessidade é ruim, sabes? Aquilo que estou a dizer -- claro está que te estou a provocar -- mas aquilo que te estou a tentar dizer é o seguinte: Se estiveres a avançar numa área em que te sintas contente e feliz e em que te estás a sair de uma forma bem-sucedida, mesmo que estejas a avançar lentamente; se conseguires aferir movimento em frente, então está certo que aí te encontres.

Pergunta: Sinto situar-me correctamente onde me encontro; onde não me sinto bem é nas minhas meditações. Sinto que as meditações que faço são muito boas; são muito agradáveis e repletas de luz, mas não parece que receba muita orientação nas minhas meditações. Talvez a receba ao nível subconsciente, não estou certa.

Julian: Jamais há meditação que não lhes traga orientação, seja a quem for. Todavia, muitos dos que recebem treino em meditação esperam que se assemelhe a um filme e que seja dotada de visões, ou talvez escutem um bom programa de rádio e esperem receber as mensagens. Sabem que o propósito da meditação reside no relaxamento, um relaxamento suficientemente forte que lhes permita escapar dos sentidos físicos e passar para os sentidos espirituais?

Se estiverem a passar por uma meditação profunda e satisfatória e não estiverem a receber nada conscientemente, terão estado numa profunda forma de meditação e a obter uma profunda orientação. A orientação vai directamente do supraconsciente para o subconsciente para lhes ser lançada por acção do instinto na devida altura. Não pensem que não estão a beneficiar.

É coisa estranha no vosso mundo, por toda a gente quer tornar, até mesmo a meditação, que é suposto constituir um gozo numa tarefa aborrecida e árdua; e tem que trabalhar duro para chegar a ela. Desfrutem dela. Deixem que opere a vosso favor.

Aquilo que ela lhes causa internamente é bom. Se saírem dela a sentir-se bem, ela terá feito algo por vós. Confiem em que desfrutam dessa meditação, com consciência de que lhes trás a paz de que necessitam para poderem avançar para outras coisas. Aquilo que não devem fazer é meditar 24 horas por dia, porque então estarão a tornar algo que é suposto deixá-los descontraídos numa via de escape para não terem que fazer coisa nenhuma.

Pergunta: Julian, a falta de confiança é a mesma coisa que falta de autoestima, não será? (Julian: É.) Aquilo que tenho dificuldade em compreender, pessoalmente, é que sinto ter chegado a uma altura na minha vida em que consigo conscientemente reconhecer as capacidades que tenho, mas não compreendo porque é que, se conscientemente consigo reconhecê-las, ainda sinto falta de confiança em determinadas áreas em que sei ser capaz de um bom desempenho.

Julian: Antes de mais, ao longo do percurso, ao ganharem confiança com o treino e a participação e o trabalho que levam a cabo, etc., e ao começarem a acreditar na capacidade que têm de o empreender, por vezes começam a sentir-se receosos quanto à possibilidade de alguma coisa surgir defronte e vire a mesa do avesso. Colocam-se sob pressão, e acontece que isso representa a natureza da besta (a condição de se preocuparem) pôr-se sob pressão.

Pergunta: Representará isso a forma de insegurança tipo "e se," como uma insegurança subconsciente?

Representa. O "e se..." O “suponhamos...” Além disso, muitas vezes, por mais estranho que lhes pareça, a maioria de vós pensa que não seja bom sentir-se bem com relação a vós próprios. É suposto serem humildes; é suposto dizerem que não são dignos; é suposto dizerem: "Quem, eu? Não eu. Pobre de mim." A Era encontra-se sobre vós, meus amigos, em que irão precisar "tocar a vossa buzina" um pouco. Vão precisar dizer: "Eu faço isso bem."

Agora, em meio ao milhão ou isso de pessoas que pertence a esta minha comunidade, estou certo que nem todas pensarão ser o melhor, “Mas eu sei que ao ser tão bom quanto consigo, pelo menos metade dessa gente pensará que seja a melhor.” Se dezassete pessoas disserem bem relativamente a isso e uma disser algo de mal, vocês hão-de acreditar nessa. É a natureza da besta. Precisam dizer a vos próprios: "Agradeço a tua opinião; isso impede-me de ficar com um ego inflacionado, mas eu tenho consciência de ser uma coisa de qualidade a que estou a produzir. Eu tenho consciência de ser suficiente; ainda vou acreditar em mim.""

Se se sentirem impacientes convosco próprios, se não quiserem estar convosco, estarão carentes relativamente à vossa autoestima. Se se sentirem confortáveis convosco próprios, podem ficar relativamente seguros de que terão autoestima, porque a primeira coisa que tentam fazer quando estão carentes de autoestima é ficar na companhia de mais alguém de forma que lha possam encorajar, que lhes possam apoiar essa energia. Começarão a apontar-lhes 18 mil razões para não conseguirem conseguir êxito. Não se sentem bem relativamente a si mesmos, de modo que precisam descobrir um buraco onde se esconder ou uma evasiva, ou alguém que diga: "Não, não. Tudo bem, és tão bom quanto pensas que és." É o tipo de peças que as pessoas usam consigo próprias.

Pergunta: Eu quisera saber como se há-de receber amor, ou como hei-de receber amor, caso tenhamos a autoestima por baixo.

Julian: A primeira coisa que precisam fazer é aprender a ter amor por vós próprios. A menos que uma pessoa tenha amor por si própria, ela não conseguirá por forma nenhuma amar outra. Por esse amor ser sempre ser interpretado como satisfação das suas necessidades e não como partilha. Se se questionarem do que tenham de cativante, é onde tem lugar aquela coisa de tentarem tornar-se alguém que não vocês próprios. "Só serei digno de amor se for (como) essa pessoa. Só serei digna de ser amada se representar de uma forma que seja aceite aos olhos de alguém, pelos padrões em que fui criada. Só serei digno de amor se fizer isto; só serei amada se fizer de uma certa forma, de determinada maneira, a determinada altura, etc." Precisam questionar-se do que tenham de digno de amor.

A primeira coisa que pergunto a quem quer que diga que ninguém a ama, é se terá sido amável. Ninguém que não seja amável (inspire amor) merece amor. O amor é partilha. Se forem egocêntricos, estarão de tal modo enternecidos por vós próprios que mais ninguém gozará de uma oportunidade. Se tiverem autoestima, terão suficiente amor por vós próprios para dizer: "Eu posso partilhar do meu ser com alguém." A autoestima possui diversos níveis, mas aquilo em que se resume é acreditarem em vós, acreditarem o suficiente em vós. Mas meus amigos, façam o favor de compreender o seguinte: Nada há de errado em não saber; cometer erros não tem nada de errado; Só estará errado se não se dispuserem a aprender, ou não tiverem vontade de dizer: "Eu aprendi com o erro." Não se condenem a toda a hora. Vocês são pessoas bonitas e maravilhosas.

Aceitem isso em vós próprios.

Aceitem isso em vós próprios. (Reacção da parte da audiência) Óptimo. Fico encantado por ver que concordam comigo. (Sem dúvida) Óptimo! Gostariam de conhecer uma pessoa encantadora? Aqui está uma. Ele próprio o disse, e isso é estupendo. (Riso)

As pessoas receiam tanto não ser consideradas "boas pessoas," “pessoas educadas,” que têm receio de "tocar a buzina," conforme creio que gostam de chamar a isso. Se não acreditarem em vocês, como poderá alguém confiar, Se todas as atitudes que tiverem forem de derrotismo, como poderá alguém respeitá-las, ou esperar que obtenham sucesso por elas, ou com elas?

Há muitas formas porque poderão observar-se e ser um guia para vós próprios ao longo do percurso. Ao passarem pela vitrina de uma loja, deem uma espreitadela para o reflexo que surge no vidro. Que postura adoptarão? Terão uma boa postura de ombros e estarão de bem com o mundo? Isso deixá-los-á chocados, por não perceberem como se deixam ir abaixo literalmente, ao andarem de ombros flácidos, de cabeça em baixo. Cedo tornam-se no símbolo da curva perfeita. Assim, deem uma espiada vitrinas de loja e vejam onde começam a revelar derrotismo.

Aquilo que fazem a seguir é, de vez em quando, dar atenção à vossa voz. Se tiverem a voz a subir uma oitava e começarem a lamuriar... (Riso) “Ah, tive um dia desgraçado." Não importa se são homem ou mulher, porque sucede o mesmo. (Começa a lamentar-se) "Tem sido um dia miserável e toda a gente está... O autocarro não anda e..." Podíamos continuar sem parar. Poderão ter que ter dificuldade para descobrirem todas, mas elas apresentar-se-lhes-ão todas. Por abrigarem uma mentalidade negativa, irão deparar-se com todas as situações negativas com que se depararão ao longo da rua que percorrem. Tenham isso em atenção! Isso representa sinais de aviso que vos são lançados. Eles indicam-lhes que perdem a confiança em vocês e no potencial que têm e na capacidade que têm. Por isso, observem essas coisas relativas a vós próprios.

Outra coisa a ter em atenção é quando começam a negligenciar-se fisicamente. "Só usei esta camisa quatro dias; Ainda devo poder usar." Deus ajude quem estiver sentado por trás de vós ou a favor do vento. (Riso) "Eu posso passar sem passar esta camisa a ferro. Só está um pouco amachucada." Quando começam a permitir-se ser desleixados, estão a começar a abrir mão de acreditarem em vocês próprios. Estão fisicamente a começar a consentir, externamente de início, mas a seguir isso irá reflectir-se internamente. Por isso, observem a voz que usam, observem a postura que adoptam e a forma como se tratam. Isso são importantes indicadores do que se passa convosco no instante.

Pergunta: Nesse caso, Julian, estamos todos favorecidos, por Nova Iorque ser uma cidade muito dada a isso.

Sabem como diz a canção: “Nova Iorque, Nova Iorque é uma cidade formidável?” (Riso) Não importa onde se encontrem, é magnífico quando se sentem magníficos. Sim, vivem numa cidade superpovoada onde existe uma multiplicidade de energias, uma diversidade de atitudes mentais, múltiplos negócios e normas, etc., múltiplas culturas, e isso é formidável. Quanta educação! Que estupenda formação requer encontrar-se num local em que podem ter múltiplas culturas dotadas de diferentes origens. Por isso, por todas a vezes que dizem que este lugar é terrível, procurem aprender com ele e tratem de perceber aquilo que lhes transmite.

Pergunta: E que dizer daqueles de nós que parecem cuidar-se com excesso de zelo, tipo, ingerir boas doses de vitaminas. Vamos ao nosso (fisico) terapeuta de quiroprático holística e ele narra-nos uma história. Pagamos a estes médicos para que nos façam coisas, no entanto estamos constantemente a discutir connosco próprios e a queixar-nos de alergias e sempre doentes.

Antes de mais, tudo é passível de entrar em desequilíbrio. O amor pode entrar em desequilíbrio. Podem amar tanto alguém que retiram à pessoa que amam toda a capacidade de ser pessoa. Podem sufocá-la. Não há nada nesta Terra que não seja passível de cair no desequilíbrio. O corpo é capaz de absorver uma determinada quantidade, e quando lhe ministram mais do que é capaz de absorver, isso representa dinheiro deitado fora. O corpo irá descarregá-lo. Se estiverem a proceder a um ajuste que não consiga prevalecer, então descubram a razão disso. Se tiverem mais de trinta anos, torna-se muito importante que tomem sais minerais façam parte da dose vitamínica. As vitaminas somente não são suficientes.

Os sais minerais têm que ver com a elasticidade dos músculos e dos tendões, tudo quanto os mantém conjuntados. Assim, procurem responder à necessidade, não simplesmente fazendo de uma coisa qualquer uma muleta, mas interrogando-se porventura mentalmente: “Que é que estou a fazer? Que é que penso relativamente a isso?” Aquele que diz: “Bom, já lá vão quase duas semanas, as costas estão a voltar ao normal. Tenho que regressar ao…” ter-se-á endireitado. Tenham cuidado é se não se endireitarem por meio da atitude mental ou do padrão mental que adoptam! Identifiquem se estão a alimentar-se de forma saudável, as vitaminas constituem um extra, são destinadas a servir de complemento, e não de alimento. Quem quer que dependa de vitaminas somente não está a viver, e no fim o corpo irá padecer por causa disso.

A comida faz mais do que nutrir o corpo, ela mantém tudo em funcionamento, por o músculo precisar fazer passar o alimento através dos circuitos, e o corpo ter que responder às excreções. Vocês possuem uma máquina eficiente, e quando nutrem essa máquina, gera-se mais do que um simples padrão de comer, ou do paladar. Passa a existir toda uma função corporal, de modo que o alimento é essencial. O exercício é essencial. Precisam sair e mover-se…

Pergunta: Esta manhã disseste - não sei quais foram as palavras exactas - mas lá pelo começo da manhã disseste algo do género, quando buscamos autoestima, buscamos reconhecimento do mundo - algo do género. O que te queria perguntar é até que ponto devemos procurar impulsionar a nossa autoestima ao colhermos uma opinião favorável da parte dos outros.

Julian: Antes de mais, quanta vez buscam uma opinião favorável da parte dos outros, e isso ainda não lhes trás o que esperam a menos que vocês acreditem em vocês próprio, entendes? Quando referi que quando esperam que o mundo lhes sirva de espelho da vossa própria capacidade, esse é o vosso ponto de partida. Mais tarde começam a aceitar a qualidade de vocês próprios, e ao faze-lo, o vosso trabalho melhora a ponto de ser aceite pelo mundo.

Agora, compreendam, se fazem favor, que isso não quer dizer que toda a gente venha a tornar-se numa Prima Ballerina, ou o maior escritor do mundo, só que o seu trabalho será reconhecido e sentir-se-ão bem com esse trabalho, onde quer que se situem ao longo do percurso, porque se gastarem o tempo todo a lamentar o facto de ainda não terem alcançado a mestria, não terão qualquer energia ou ímpeto para a alcançar.

Por isso precisam, uma vez mais, usar termos que soem naturais. Façam uma lista da situação em que se encontram e das coisas que querem colher da vossa vida. Façam uma segunda lista das coisas que querem ter na vida. A seguir descubram termos que possam fluir entre ambas essas listas. Não digam que não podem ter. Não digam: "Não consigo lá chegar." Não digam: "Preciso chegar a isso." A caminho disso, poderão descobrir que existe uma lateral que lhes dá muito mais satisfação.

Lembram-se que vocês passaram de uma Era fixa para uma Era de fluência. Por isso, os padrões e ideias fixas, determinados, precisam ser tomados em consideração e examinados de novo a ver se ainda os quererão, ou se estarão preparados para alguma coisa de novo, para algo que indicie movimento. Uma pessoa que diz: "Eu preciso ganhar determinada quantia de dinheiro; penso que o mereço, quero tal quantidade de dinheiro,” e obtém essa mesma quantidade, pode sentar-se e ter um acesso de raiva relativamente a isso e não chegar a parte nenhuma, e talvez mesmo perder o dinheiro por que trabalha. Mas se disser: "É possível que eu obtenha tal quantia," e o trabalho que tiver a seguir será em definitivo um que lhe traga mais do que isso.

Trata-se de atitudes que indiciam movimento. Atitudes que afirmam a possibilidade, que indiciam movimento que se dirige no sentido do acontecimento esperado. Não que indiciam um vazio enorme a ser superado para chegarem a isso, porque, em primeiro lugar, vão ter receio de dar o salto. Mesmo com a capacidade que têm, meus amigos, e foi isso que quis dizer quando referi que precisam usar as capacidades que têm; a menos que se sintam confortáveis com o ponto A, o ponto B irá sofrer um enfraquecimento, e o ponto C virá a ficar ainda mais fraco. De modo que precisam entender...

Por exemplo, no vosso sistema de educação, uma das coisas mais cruéis que acontecem às crianças é quando uma criança não mantém a nota que teve, toda a gente convence os demais a promovê-la por todas as formas. Que coisa mais cruel. Que coisa mais cruel por que fazem passar uma criança, em vez de a deixar ficar onde se encontra e sentir-se plenamente confortável com isso e encontrar uma base que lhe permita seguir para a frente. Precisam ter cuidado para que o ego seja de quem for - ou mesmo o vosso - não os force a coisa nenhuma para que não se sintam preparados; na decorrência do que, só venham a encontrar sofrimento em vez de satisfação.

Quando tentam fazer alguma coisa para que não se encontram preparados – o que não quer dizer avançar num emprego, em que passem a aprender algo de novo, mas dizer: “Eu sei aquilo de que está a falar; não sei exactamente que coisa é, mas vou alegar que sou capaz e a seguir vou-me submeter a isso e ter fé em que seja capaz.” Vão submeter-se a isso tão cheios de nervos, e vão-se ver num tal aperto, que vão enganar-se, vão cometer erro. Sintam-se seguros onde se encontram que a seguir conseguirão avançar.

Para poderem sentir-se seguros onde se encontram, precisam aceitar o facto de a situação em que se encontram não constituir problema algum. Precisam deixar de batalhar com ela e de fazer dela um inimigo e começar a sentir carinho por ela e a torná-la num impulso. Sintam carinho pela situação em que se encontram pelo que ela lhes ensina, ainda que não pareça ser a melhor das situações. Queres perguntar alguma coisa?

Pergunta: Mencionaste o facto de as crianças serem promovidas quando não o merecem, mas caso os companheiros sigam todos em frente e elas fiquem para trás a sua autoestima não sofrerá com isso?

Julian: Não. Ela poderá sentir-se desapontada com isso, mas raciocina pelo outro lado da questão. Ela está com os amigos que são capazes de avançar e de fazer o trabalho, e cada instante que passa com eles traz-lhe insatisfação.

Pergunta: Penso que sinto culpa por ter forçado o meu filho.

Julian: Não te sintas culpada por isso. Lembra-te do que afirmei antes. Os erros nada têm de errado conquanto lhes permitam aprender com eles. “Estou certa de que ele terá progredido para o que quer que fosse suposto progredir.”

Pergunta: Ele fê-lo, e actualmente sinto orgulho nele.

Julian: Pois. Aquilo que precisas ter em mente é que a criança é quem aguenta com tudo; não o professor, nem o pai, a criança é quem tem que carregar com isso. Se derem demasiada atenção ao facto de ele conseguir acompanhar o colega, aí os padrões que defenderes basear-se-ão no que os pais do colega fazem, e isso significa que não tereis padrões próprios. E assim que o desaprovarem lá se vai a vossa autoestima. Veem a rede intrincada que tecem?

Pergunta: Eu sei. Todavia, ao olhar para trás, ainda penso ter tomado a decisão correcta, por ter sentido que ele estava emocionalmente perturbado com a perda do pai, que parou de trabalhar; e eu senti que deixá-lo ali… e depois na escola secundária ele voltou a trabalhar. De modo que resultou bem.

Julian: Nesse caso, sente-te satisfeita com a decisão. Toda a regra tem exceções.

Pergunta: Obrigado.

Julian: Olhem como ela agora já se sente satisfeita! (Riso) Sinto-me encantado por te ter deixado satisfeita.

O que pretendemos dizer é, independentemente da idade com que estejam, se passarem a sentir insegurança, irão despender tanto tempo com essa insegurança que não irão beneficiar por completo da situação em que se encontram. Precisam entender que precisam preparar-se seja para o que for. Precisam saber para onde se dirigem e ter ideia do que necessitam saber para tanto e estar dispostos a consegui-lo, não a esperar que isso lhes venha a cair na caixa dos biscoitos.

Pergunta: Julian, ainda tenho a tendência para permitir que as pessoas me deixem desanimada, me façam sentir desmoralizada. Apesar de poder sentir júbilo e entusiasmo com relação a algo que esteja a fazer, ainda sinto esse pequeno incómodo que me leva a sentir desanimada, e não gosto nada disso. Mas tenho consciência de que permito que isso suceda.

Julian: Interroga-te da razão porque precisas disso. Será essa atua via de escape?

Pergunta: Ah, já percebi!

Julian: Entendeste? Muito bem.

Sempre que se apresentar uma tendência contínua para a melancolia, ou uma atitude perpétua de auto derrotismo, e esse tipo de coisa, muita vez pode representar uma muleta ou uma via de escape que estejam a usar. Porque podem sempre dizer: “Eu já estive nessa situação, foi por isso que não consegui.”

Pergunta: Eu sou viciada no tabaco, e gostava de deixar de o ser, mas de súbito esta manhã percebi, enquanto falávamos acerca da autoestima, que eu usava o cigarro como factor que me permitia manter a autoestima. Também o uso a título de cortina de fumo sempre que sinto que a autoestima se me escapa.

Julian: A maioria das pessoas fuma porque em determinado período era coisa que estava na moda, até se ter tornado num hábito, entendem? Usam isso no momento como uma muleta. Precisam… É uma coisa relaxante, tipo uma chupeta. E toda a gente tem diferentes tipos de calmantes ao longo da vida. O que precisam ter em mente é que se quiserem eliminar o hábito, não tentem nenhuma rutura abrupta.

Comecem por dizer a vós próprios: “Eu não desejo. Já não preciso mais.” Determinem um prazo qualquer e comecem a falar convosco próprios assim: “Este é um cigarro agradável; não será divertido que lá por volta de meados de Novembro eu deixe de o desejar?” Essa é uma conjugação de palavras fluente, que pega. “Não o desejo mais, quer dizer, é opção que tomo.” O ego não se vai sentir perturbado nem entusiasmado.

Não podes dizer “Eu não posso fumar,” porque isso se torna contraproducente, por o ego dizer: “Ah, isso é que posso!” E vais começar a sentir o apetite aguçado, e a sentir saliva na boca, ao ansiares por um cigarro. Assim, precisas dizer: “Não será divertido que não sinta desejo de fumar? Quanto mais alimentares esse subconsciente… o que por sua vez, na data determinada deixa de libertar qualquer desejo por essa coisa em particular, por o subconsciente governar o corpo por intermédio da glândula pituitária. Mas vocês vão sondar a situação… mas se estiverem a batalhar o vosso próprio ego, vão estar em guerra com ele durante imenso tempo. Tenham amor por vós próprios. São bem dignos disso. Amem-se a si mesmos; merecem bem isso.

Eu amo-vos. Não existe ninguém neste mundo que não seja amado por alguém, a menos que não seja amável. Mas até mesmo esses são amados.

Pergunta: Não ficou claro, Julian, ambas essas listas, não compreendi bem, uma é a da situação em que nos encontramos e do que queremos colher na vida, e a segunda é do que queremos ter na vida?

Julian: Que é que queres na tua vida, onde queres chegar? “Aqui está a situação em que me encontro e aqui onde quero chegar.”

Pergunta: Ah, estou a entender.

Julian: A seguir, começa a usar um vocabulário que flua nessa direcção, e não um que te diminua a capacidade de lá chegares. Se alguma vez tiver escutado uma palavra, no vosso mundo, que me tenha deixado aborrecido – caso fosse susceptível a ficar aborrecido – terá sido a frase que diz: “Eu não consigo,” ou “Eu não posso.” Se nutrirem esse “Eu não posso,” a toda a hora, no diálogo que estabelecerem convosco próprios, jamais irão chegar a poder. Ou seja, lembrem-se que há passos a dar para alcançarem aquilo a que querem chegar. Há portas a abrir e a atravessar, degraus a subir, etc. Quando têm um objectivo, recordem de que isso constitui um enfoque, mas o caminho de acesso a isso comporta cumprimentos ao longo do percurso.

Pergunta: A parte que me parece difícil, pelo menos a mim, é por um lado precisarmos aceitar-nos e a situação em que nos encontramos, e por outro, olhamos e dizemos que aparentemente conseguimos ver todas as coisas adiante, mas depois tudo na nossa sociedade parece glorificar o assumir riscos. Por um lado os valores contraditórios, aquela segurança no trabalho e tudo quanto é suposto ser bom…

Julian: Tu acabaste de referir a chave. "A sociedade parece afirmar..." A sociedade assemelha-se ao "eles," que não os deixam fazer as coisas. Aquelas bestas míticas, os "eles," da sociedade. Que achas do assumir riscos? Porque a sociedade pode dizer-lhes para assumirem todos os riscos que quiserem, porque não é ela quem os assume. São vocês. Posso dizer que uma garrafa inteira de scotch é preferível a um gole, mas não sou eu quem a vai beber. Tens que te interrogar por que normas estou a afirmar tal coisa. Se não te for permitido dizer que seja pelos teus, não assumas.

Pergunta: Tudo se resume à compreensão de nós próprios e a termos uma confiança realista em nós.

Julian: A confiança em vós, a compreensão realista e o percebimento de que nada sucede da noite para o dia, e de que é preciso tempo, energia e prossecução do objectivo, e de que talvez precisem aprender determinadas coisas ao longo do percurso. Precisam reconhecer que ninguém irá surgir e dizer: "Tu és perfeito; eu quero-te." Isso pode suceder, mas aquilo que estou a dizer é que, em média, sabem que há níveis a atravessar para chegarem onde querem. Conquanto estejam dispostos a trabalhar com esses níveis, não assumireis riscos. Lembrem-se sempre de que possuem o poder de fazer com que aconteça. Possuem a mente supraconsciente que sabe onde é suposto irem. Confiem nela. Permitam que os guie.

Agora, uma advertência. Há uma diferença entre dizer “pela norma de quem,” e não dar o passo caso não seja de acordo com a vossa norma. Com isso estamos a dizer tomada de risco, esse tipo de coisa. Mas recordem igualmente o seguinte: se aceitarem o pagamento pelo trabalho que empreenderem, terão aceite as regras e regulamentos que lhe são inerentes. Se tiverem que comparecer às nove, então terão consciência de que será melhor levantarem-se cedo o suficiente para lá estarem às nove. Não poderão dizer que tenham a norma de chegar às dez. Mas não é disso que estamos a falar. Isso o ego. Isso nada tem que ver com norma. O que estou a dizer é para terem o cuidado de não confundir o aspecto da personalidade do ego e a norma. Uma norma jamais os prejudicará caso vivam de acordo com a vossa norma.

Pergunta: Creio que o pior que alguma vez poderá acontecer é descobrirmos que cometemos um erro, de modo que pelo menos estamos a avançar e a expandir-nos.

Julian: Exactamente. Deus os livre de alguma vez cometerem um erro na vossa vida. Que vida mais aborrecida! Sabem que aprendem mais com os erros que cometem do que com alguma outra coisa? Creio que lhe chamam “escola das cabeçadas.” (Riso)

O que precisam ter em mente é que um erro não representa o fim do mundo; não significa que sejam inferiores; não quer dizer que vão “desmanchar pelas costuras.” Significa que cometeram um erro, e que agora podem avançar para outra coisa qualquer.

Pergunta: Mencionaste a frase “Não consigo.” Relativamente à autoestima, que devemos esperar sentir com respeito à frase “Eu devia”?

Julian: Não. Não usem o termo “Eu devia.” Esse é outro termo que provoca tensão. Isso equivale a dizer que se não… Entendes? Estão constantemente a apontar o dedo a vós próprios. Por que razão “deverão?” Se batalharem convosco próprios, irão provocar dissensão ao vosso redor, no vosso trabalho, em toda a interacção que tiverem com as pessoas, de forma que têm que dizer “Deverei?” Coloquem a questão em termos diferentes: “Poderei?” “Fá-lo-ei?” Assim ainda soa melhor, não?
“Fá-lo-ei? Isso poderia tornar-se bastante divertido.” Estamos para aqui a lidar com termos engraçados. Olhem sempre para as palavras que usam. Algumas são aglutinantes, enquanto outras representam portas que se abrem, termos fluentes. O termo “Eu espero,” deixa margem a dúvida. Digam: “Eu sei,” “Eu posso,” “Eu serei.” “Conseguirei o melhor de mim que conseguir; por querer, não por ter que o fazer.” Percebem a diferença? Quer dizer: “Porque não? Vamos lá tentar.”

Outra coisa que precisam fazer é interrogar-se se são realistas relativamente aos vossos objectivos. Tê-los-ão tornado num pensar criativo ou não passarão de fantasias? As fantasias permitem que brinquem com elas, mas quando terminarem, ainda permanecerão uma fantasia. Não terão chegado a lado nenhum com ela. Se pegarem nessa fantasia e a tornarem numa ideia criativa, começam a pensar: “De que modo poderia fazer por que aconteça? Que precisarei fazer? Qual deverá ser o paço inicial que devo dar na direcção disso?” Acabam com movimentos lógicos. A chave assenta no movimento, movimento na direcção disso. Poderão passar a vida inteira a fantasiar e jamais chegar a enfrentar a realidade e não sair do sítio em que se encontram toda a vossa vida. Por isso, precisam tornar a fantasia numa corrente criativa, a qual por seu turno se manifesta através do movimento e da acção que empreenderem.

Possuem o espírito que os ajuda, mas não esperem que o espírito faça por vós aquilo que vocês não fazem. Precisam pôr a energia a mexer, porque assim ela torna-se num magneto que lhes atrairá o auxílio de que necessitam. Não podem permanecer sentados e pensar que a fada madrinha o venha a despejar no colo, por não funcionar dessa forma. Só no caso da Cinderela e do Príncipe Encantado. Mas, meus amigos, vocês são todos Cinderelas, são todos Príncipes Encantados. Todos vocês possuem um lado vosso que constitui o pobre indigente, e todos possuem um lado que é o Príncipe. A faceta do indigente em vós é quem diz (a lamentar-se) “Não consigo. Hoje foi um dia miserável; vou ter uma noite terrível.” (Riso) Esse é o indigente em vós; a parte desditosa em vós, pobre de espírito. É algo de que iremos falar na próxima semana. Pobre de espírito significa incapaz de deixar que a ajuda sobrevenha, ao se focar em tudo quanto há de errado consigo em vez de se focarem em algo de conveniente. Investem a vossa energia onde quiserem que o movimento se dê. Então verão acção.

Estão a indicar-me que preciso dar-lhe de beber. (Subentenda-se: Ao corpo da médium, que está a controlar) Assim será. Eu acatei esta tarefa, entendem, quando assumi este serviço, pelo que tenho que lhe dar de beber. (A rir) Dois goles.

Pergunta: Um problema específico que surgiu na minha vida – uma estupenda oportunidade teve lugar na minha vida, algo que toda a minha vida constituiu um sonho, e quando se me apresentou pela primeira vez, pensei: “Aqui está ela; sim, estou pronta, o meu Eu Superior sentiu que toda a minha vida tinha trabalhado por isso. Consegui perceber isso tudo.” Mas quanto mais me chegava à realidade dela mais assustada me tornava. O indigente, a voz destituída de direito tornou-se cada vez mais ruidosa, e a visão começou a diminuir, e estou curiosa sobre como conseguir reconduzir tudo a um equilíbrio.

Julian: Procura entender o processo. Primeiro, o pensamento subliminar esteve presente toda a tua vida. Esteve presente numa atitude de fé absoluta, irrestrita, por pensares ser um sonho, enquanto esteve o tempo todo a trabalhar significativamente a teu favor, de modo que, quando se apresentasse o momento certo e perfeito, pudesse entrar na tua vida, o que quer dizer, quando estivesses preparada para isso. Sempre sonhaste com isso antes mesmo de te preparares para isso. Mas o sonhar com isso impediu que fluísses e te movesses no sentido de te preparares, para dares os passos lógicos na direcção da coisa. Não temas isso agora. Não comeces a olhar para o que se acha em falta. Percebe que isso é o efeito da causa que moveste. A causa da crença criou o efeito que diz que se encontra aqui. Vai em frente. Acima de tudo reconhece que o mereces. Muita vez quando algo que tenham desejado lhes vem ao encontro, instala-se o pânico por pensarem: “Agora já o tenho; agora preciso provar a mim mesma. Agora preciso estar à altura como nunca antes, porque mo tirarão se não estiver.” Uma vez mais, encontras-te a ser julgada. Não. Aborda isso com alegria. Aborda isso com a percepção de que, seja qual for o trabalho que tenha que acompanhar isso, tu o farás. Aprenderás aquilo que não conheces caso precises, mas torná-la-ás numa experiência de júbilo.

Infelizmente desejam coisas no vosso mundo, e depois, assim que lhes chegam, dizem: “Quem foi que me deu isto? Quem foi que me fez isto? Agora tenho que pegar nisto e tratar disto,” o que pode representar uma coisa assustadora. Lembrem-se, caso se tenha manifestado na vossa vida, vocês tê-lo-ão merecido.

Pergunta: Julian, não estou bem certo como expressar isto, mas aquilo que me é dado perceber é que muitos de nós permitem que os pensamentos se intrometam no caminho da nossa plena realização, da nossa plena autoestima. Terás alguma palavra a dizer acerca do modo como poderemos realizar-nos, permitir-nos tornar-nos repletos de autoestima?

Julian: A autoestima procede da satisfação da conquista, e não importa que seja lavar as janelas do apartamento, arranjar um emprego novo, conseguir uma relação nova, por ser algo que preenche uma parte de vós, em resultado do que dirão: “Sou um indivíduo formidável; olha para o que me sucedeu. Tenho que ser bom, ou isto não me teria acontecido.” Começam a acreditar em vocês.

Agora, por vezes o Eu Superior proporciona-lhes uma crença e vocês mantêm-na e honram-na num segundo plano da mente, por assim dizer. Isso manifestar-se-á na vida no devido tempo por confiarem nisso como uma crença. Mas quando ao longo do percurso erguem barreiras a essa crença, quando dizem que não poderá constituir uma possibilidade para vós, por não serem suficientes: “Eles não mo permitirão.” Aí, estarão a negar a crença que têm. Já disse isto a muita gente. Quero que se ergam da cama pela manhã, se olhem ao espelho de olhos nos olhos e digam: “Tu és o meu melhor amigo, e vamos ter um dia perfeito.”

Ficarão surpreendidos com a forma como resulta, por estarem a olhar para vós próprios. Começam a acreditar nisso, e assim que acreditarem nisso, isso manifestar-se-á. Não podem manifestar uma falsidade. Podem deitar tudo quanto quiserem da boca para fora, mas se não acreditarem nisso pelo que lhes toca, estarão a tentar manifestar uma falsidade. Precisam dizer: “Em que é que acredito de verdade? Que é que quero efectivamente passar a ver na minha vida?” É aí que precisam deter-se e pensar: “Será que quero mesmo isto na minha vida, ou pensarei querer?” Essa é a maior cilada que as pessoas criam no vosso mundo, por tentarem de imediato estabelecer e rumar no sentido de objectivos que não lhes pertencem, que pertencem a mais alguém. E ao longo do percurso sentem desconforto.

Uma das alegrias desta Nova Era é que representa um momento específico em que não se sentirão presos numa “carreira.” Não é suposto terem uma carreira para todo o sempre, conforme costumavam pensar na Era de Peixes. Nesta Era o movimento e a corrente dizem: “Quando conquistar uma área, caso queira passar para outra, isso nada terá de errado. Não terei que pensar estar a acobardar-me, ou que esteja a falhar, o que quer que seja.”

Frequentemente uma pessoa tem uma ideia baseada nalguma coisa obscura, e torna isso num objectivo de vida. Caso esse objectivo seja concebido em criança, com base na percepção que a criança tem, só Deus sabe aquilo para que se estão a preparar. Já o disse anteriormente numa aula que uma criança é capaz de ver uma limusine e decidir que seja aquilo que quer. Quer ter uma limusine enorme como essa, mas na cidade, o único que tem limusines assim é o cangalheiro, de modo que a associação lhe dirá: “Vou ser cangalheiro, por assim poder ter uma limusine. Isso soa ridículo, bem o sei, mas é o que acontece às pessoas. Assim, um objectivo é definido, um sonho é montado, só que com base numa associação falsa. Mas, meus amigos, não há nada de errado com os cangalheiros; eles são gente adorável. Que haveriam de fazer com todos vós caso não existissem cangalheiros? (Riso) Isto é uma provocação, é claro. Nós aceitámo-los do jeito que são. (Riso) A questão está em que, periodicamente, ao longo do percurso, devem deter-se e reavaliar os vossos objectivos. Precisam parar e reavaliar por que normas ou padrões terão estabelecido tais objectivos. Quando terá sido a primeira vez que terão querido fazer isso? Que estariam a pensar quando o fizeram?

Busquem sempre o outro lado da moeda. Procurem sempre a polaridade da coisa; aquilo que a acompanha; porque assim que tomarem uma decisão --aqui vai a minha afirmação favorita – obtêm o pacote inteiro. Não há meios pacotes, não há decisões erradas, mas receberão o pacote inteiro correspondente à decisão que tomarem. Não podem pegar e escolher. Assim, ao longo do percurso precisam dizer: “Para que é que me estou a preparar? Será isto que quero mesmo nesta altura da minha vida? Haverá alguma coisa que preferisse fazer agora? Haverá alguma coisa que me transmita um sentido mais profundo da minha própria capacidade, do potencial e do bem-estar caso me volte nessa direcção?

A coisa mais árdua de conseguirem no vosso mundo é deixar para lá, relaxar, mas a única coisa com que podem mover-se é soltando alguma coisa. Todo o avanço se baseia no sacrifício. Abdicam da infância para se tornarem num adulto, deixam uma situação de vida para adoptar outra, abandonam o estado de solteiro para casarem, abrem mão de tempo e de energia para se tornarem pais, tudo. Abdicam de algo para alcançarem outra coisa qualquer. Porquê? Por não haver espaço para tudo. Precisam abandonar alguma coisa para adoptarem outra qualquer. É tão simples quanto isso.

De outro modo, ficariam de tal modo cheios que não seriam capazes de se mexer, por ainda pensarem que carregavam as responsabilidades das situações anteriores quando já assumiam as responsabilidades das situações actuais; e isso não funcionaria, meus amigos. Precisam dispor-se a dizer: “Isto tem tido lugar na minha vida, mas é altura de o tirar dela.” Não negá-lo, nem dizer que tenha sido mau, mas dizendo que lhes tenha dado o que podia, e que lhe tenham dado o que puderam, mas que é tempo de definir um novo aspecto do potencial e de o usarem. Procurarão evitar tal sobrecarga se periodicamente disserem: “Onde me encontro agora e onde quero ir a partir daqui?” Isso ajudá-los-á enormemente.
Haverá alguma mais pergunta nestes momentos finais?

Pergunta: A minha pergunta é que quando estamos a afirmar alguma coisa e nos interrogamos da situação em que nos encontramos e onde queremos ir, e temos de dar o melhor de que formos capazes e decidir ir numa certa direcção, e nos estamos a ser assertivos, mas ainda há algo em nós que pode não acreditar muito e pode não pensar ser muito possível, será o que estamos a afirmar falso? Não será uma afirmação?

Julian: Precisas dar uma outra olhada ao que estás a afirmar e aí precisas interrogar-te da razão para andares a arrastar os pés. “Porque não me disponho a ir com isso?” Por vezes essa falta de verdadeira crença constitui um receio que precisa ser suplantado, assim como pode ser um julgamento proferido por alguém que tenhas aceitado com facto. Precisas dispor-te a examinar o que te leva a arrastar os pés. O que a autoestima tem de fantástico é que não pertence a mais ninguém senão a ti. É a autoestima que tens, e tu edifica-la com base na conquista que obténs, no sentido que tens de amor-próprio, de fé em ti própria, etc. E assim, ao longo do percurso precisas interrogar-te quanto ao que estás a fazer que te deixa atada. “Que estarei a fazer que me prende? Que deveria fazer para me libertar?”

Pergunta: Que é que fazemos quando parece que perdemos o sentido de orientação, e não sabemos mesmo qual seja? Sabemos que aquilo que estamos a fazer não é o que nos deixa felizes, mas não temos ideia do que nos traga esse preenchimento de que precisamos.

Julian: O que precisas fazer é começar por onde te encontras. Se a situação em que te encontras não te traz felicidade, precisas interrogar-te do porquê. Precisas dispor-te a dar a volta e a enfrentar o tigre. Tens que dizer: “Muito bem, companheiro, porque não serei eu feliz? O que é que tenho que me está a negar a felicidade?” Porque só tu podes responder pela tua felicidade, só tu te podes permitir ficar irritado, somente tu te podes deixar ficar triste. Eu posso-te dizer que és uma pessoa engraçada, que não gosto de ti, que te acho idiota, e caso tu o aceites, então nesse caso sê-lo-ás. (Riso) A questão que te estou a dizer é que precisas, aí mesmo, dizer por que razão não és feliz na situação em que te encontras. Perdoa-me lá a provocação, está bem?

A questão que quero realçar é, se examinares a razão por que não és feliz, isso levar-te-á a enfrentar a razão porque não és feliz. Porque muita gente diz: "Não sou feliz,” mas não se dispõem a olhar por cima do ombro para ver porquê. Só querem ter a ideia de que não são felizes e procurar alguém para culpar. Assim, interroga-te unicamente quanto a isso. Passa o teu dia em revista; passa a tua vida em revista; revê as associações que estabeleces e diz o que é que te deixa infeliz, onde é que isso se apresenta; quando é que tens esse sentimento.

E quando isso sucede, então investiga a razão disso, porque aí irás ter ideia do que precisas saber, o que fazer onde te encontras exactamente e para conduzires essa felicidade em frente. Porque a mudança precisa ter lugar na situação em que te encontras, e não saltando para outra coisa qualquer, porque se não souberes por que razão te sentes infeliz aí, não saberás o que não te levará a sentir infeliz na outra situação. Entendes aquilo que te estou a dizer? Uma vez mais, dispõe-te a examinar os ingredientes com que te encontras a trabalhar exactamente agora.

Muitas vezes descobrirão insegurança numa área que lhes cria sensações de inadequação. Alguns sentir-se-ão bastante perturbados na presença de um grupo de pessoas bastante informado e preparado, ou de um grupo de pessoas muito viajado, ou algo dessa natureza, e sentem-se inadequados, e precisam dizer a si mesmas: “E depois? Que diferença faz isso? Isso é problema deles; isso é a vida deles. Que é que quero ter na minha vida?”

Isso, uma vez mais, leva-nos de volta ao que referi anteriormente. Vós estais aqui para ser vocês, para ser felizes conforme são, para descobrir o vosso potencial e autoestima inerente ao que são - não como o homem que mora mais abaixo, nem como a mulher que mora do outro lado do caminho, ou seja o que for. Têm que parar de se comparar com eles e começar a interrogar-se acerca do que é que querem fazer da vossa vida, do que é que querem mudar em vós de forma a sentir-se seguros e confortáveis.

É bom ter dinheiro, sabem, e o vosso mundo funciona na base do dinheiro, e o dinheiro não tem nada de errado. Por vezes, se não têm o suficiente para fazer tudo quanto querem, não podem começar a dizer que não sejam capazes de o conseguir. Não podem começar a dizer que isso não possa vir a ser vosso. Em vez disso, tocam na coisa por onde forem capazes. Leem com respeito a isso; conversam acerca da coisa; tratam-na como se fosse vossa. Então começarão a descobrir um meio que lhes abra portas e que lhes dê o que precisam para o obter. Se disserem que não o podem conseguir, já o estarão a negar. Mas haveriam de ficar surpreendidos com o quanto os escutamos – por não os podermos coagir. Não o podemos fazer sem a vossa permissão, e a vossa permissão procede de colocarem a energia a mexer, procede da criação do movimento que possamos seguir no sentido de os auxiliarmos.

Na próxima semana vamos abordar uns tratamentos de tipo bastante clínico… algumas das coisas que temos vindo a debater, e irão para casa com mais algumas coisas. Mas durante esta semana, pedir-lhes-ia que fizessem a vossa lista e começassem a pensar nela. Por vezes, quando anotam objectivos, e anotam aquilo que querem, de repente começam a pensar: “Quererei mesmo? Quererei isso, e porquê?” À medida que avançarem acreditem em vós. Confiem em que serão justos convosco próprios, confiem em que serão sinceros para convosco, sinceros o suficiente para dizerem: “Tenho vindo a latir para a árvore errada este tempo todo. O gato encontra-se na outra.”

Disponham-se a dizer: “Não, estou disposto a mudar para outra coisa, por isto realmente não ser aquilo que quero nesta altura da minha vida.” Não pensem que isso faça de vós um fracasso. Esse termo “fracasso,” é tão usado indiscriminadamente no vosso mundo e tanta gente o teme. A única coisa que temem mais que o fracasso é o sucesso, por carregar uma tremenda quantidade de responsabilidade. Mas a questão é o seguinte: Há diversos graus de sucesso. O sucesso precisa completá-los a todos os níveis de vós próprios ou não representará sucesso nenhum. O retorno financeiro é bom, mas não é suficiente. Também tem que haver alegria do coração, contentamento decorrente da forma como se sentem em relação a vós próprios. Portanto, pensem nisso.

E por agora quero-lhes dizer que acho que têm imenso potencial. Acho que são filhos maravilhosos da Força Criativa Divina dotados de absoluta perfeição neste mesmo instante. Peguem lá nesse combustível e usem-no. Acreditem em vocês o suficiente para deixarem que isso ocorra, porque entendam, vocês matam-se de tanto se julgarem. Nós não. Nós amámo-los exactamente tal como são. Se acharem que não são suficientes, interroguem-se da razão disso e digam a vocês próprios que isso não passa de um erro, por ficarem bem. “Eu sou divino. Eu sou criativo. Eu sou poderoso. Eu alcançarei essa autoestima, essa satisfação que me deixa bastante abastado; bastante rico a todos os níveis do meu ser,” por o virem a conseguir. Não irão ser capazes de esquecer esta noite: Irá introduzir-se nas vossas mentes e cutucá-los e impulsioná-los até que comecem a trabalhar com a maravilha que são. Vejam o quão são maravilhosos. Não gosto de ser o único a ver isso; assim é demasiado solitário. Neste momento gostaria que se voltassem para a pessoa do lado e a abraçassem.
(Todos respondem ao desafio) 
Também gostaria de lhes dar um abraço, caso mo permitam. (Alguém o abraça e agradece, ao que Julian responde: “Tu és maravilhoso!”
Agora, perguntava-lhes o seguinte: Se eles conseguem abraçá-los, não conseguirão abraçar-se a vocês próprios?

Segunda Aula tida em Nova Iorque

Estou encantado por me encontrar de novo convosco e por continuar o nosso debate relativo à autoestima. Haverá alguma pergunta que queiram formular relativamente à nossa sessão da semana passada, ou ao que tenham pensado durante a semana? Haverá alguma coisa que gostassem de perguntar? Caso haja, deixem que saiba. Muito bem, como não precisamos ralar-nos com isso, podemos avançar com o resto da noite.

Tínhamos definido que a autoestima é edificada… que embora nasçam com a plena percepção da qualidade e da beleza de vós próprios, não é facilmente aceite ao começarem a integrar-se no mundo físico. Por outras palavras, ao avançarem pela vida, afastam-se da sintonia com a realidade de vós próprios para passarem a sintonizar com a vossa personalidade.

Ao fazerem isso, começam a definir os vossos alvos, objectivos e motivações segundo os decretos da sociedade, pela pressão exercida pelos pares, e por aquilo que pensam que deviam ser - não necessariamente aquilo que são realmente ou aquilo que querem ser. São definidos objectivos e produzidos padrões de vida e começam a ser-lhes definidos rumos na vida - pelos outros. Algo que seja realizado segundo decreto de mais alguém, não poderá dar-lhes o mesmo sentido de satisfação que algo que brote da decisão do próprio.

Quando são crianças e alguém lhes diz para porem a mesa, sabem, e vocês põem a mesa, fazem-no por saberem como pôr a mesa e por lhes ter sido pedido. Caso seja ideia vossa pôr a mesa, põem-na com uma atitude diferente. Põem-na por quererem. Asseguram-se de que tudo condiz com tudo o resto, de que tudo é feito pelo melhor, por ser uma extensão de vós, uma realização daquilo que tiverem fomentado ou iniciado. E assim acontece que na vida, a maior realização, a maior noção de reconhecimento próprio, ou de autoestima, procede de uma orientação fomentada pelo próprio; mas para poderem instigar uma orientação para vós próprios precisam saber onde querem chegar. Precisam ter uma ideia do que é que gostariam de trazer à vossa vida.

Para poderem ter ideia do que gostariam de trazer à vossa vida, muita vez precisam olhar a vida conforme ela é no momento em que se encontram, e ser capazes de trabalhar a partir desse momento (ou seja, em diante). Se olharem para trás, irão tentar ver o vosso valor unicamente pelo que tiver sido, mas o que foi será um reflexo da situação em que se terão encontrado nesses momentos da vida. Para onde estão indo basear-se-á no que fazem nos momentos que haverão de suceder. Por conseguinte, se se voltarem para trás e disserem que terão sido bem-sucedidos em determinadas situações, são obrigados a dizer: "Posso voltar a ter sucesso." Mas se olharem para trás e disserem: "Eu não fiz isso; aquilo não foi bem feito; algo deixou de me acontecer," poderão encontrar um milhão de razões para não obterem sucesso, sabem. Por isso, precisam deixar de olhar para trás, mas olhar em frente. Precisam dizer: "Independentemente do que tiver passado - bom, mau ou indiferente - posso criar um futuro que me satisfaça e que me permita acreditar em mim próprio.

A palavra-chave consiste em "Mim Próprio/a." Mas quem o irá fazer? O próprio. Quem o irá experimentar? O próprio. E quem o irá cumprir? O próprio. Por isso, precisam começar onde o próprio o possa tocar no momento. Precisam dispor-se a dizer: "Isto é o que eu posso fazer relativamente a isso neste instante. Este é o passo que posso dar agora mesmo." Poderá não ser um passo que represente uma realização plena, mas precisam ver realização com base, ou a partir desse passo. Aquele que quiser dançar precisa aprender a dançar. Se tudo quanto vir nas lições e no treino e dança que tiver ou que desenvolver não passar de trabalho árduo e um entrave, uma coisa medonha e temível na sua vida, jamais virá a ser uma boa dançarina e nunca irá sentir a realização, por a satisfação ser construída tijolo a tijolo com base na satisfação anterior, assim que o objectivo é definido.

De modo que se disserem: "Hoje sofri por ter sido bem-sucedido - não falhado - por ter sido bem-sucedida em "X" números de exercício de dança, o que quererá dizer que amanhã estarei mais ágil e poderei fazer mais em prole do meu objectivo, então estarão a começar a sentir-se satisfeitas mesmo em relação ao sofrimento, mesmo com base na situação que, nesse instante, ainda não pareça vir a chegar a parte nenhuma.

O instinto natural é o de quererem o glacé antes de baterem o bolo. Querem aquilo que cintila, aquelas coisas bonitinhas por cima do bolo. Não querem passar pela mistura nem pelo bater das claras, pela cozedura, etc., mas se perceberem que todos os passos na confecção do bolo fazem parte do glacé, por constituir a estrutura em que o glacé poderá ser colocado, começarão a apreciar essas situações intermédias que parecem difusas. Entendem? Já dissemos antes que, se lamentarem ter que aprender o alfabeto, jamais irão aprender a ler. Precisam saber que isso constitui um passo na direcção da conquista da realização.

Interroguem-se por um instante, neste dia em particular e neste instante em particular: “De que modo terei ignorado ou recusado perceber uma conquista,” e duvido que haja uma pessoa nesta sala que não tenha de algum modo tentado negar alguma coisa que, na realidade constituía uma conquista, uma superação, uma realização, um movimento em frente. Porque por vezes são tão subtis que não os percebem, de modo que se depositarem toda a vossa energia em não os ver, irão ter que compreender que vão ter que agarrar esses aspectos positivos e avançar em frente com eles, sem se permitirem cair na cilada da auto-negação.

A auto-negação constitui um instrumento da fraca autoestima, de modo que não podem negar a vossa conquista, o vosso direito de obter realização. Quantas vezes não terão ouvido as pessoas dizerem: “Eu quis fazer isto, mas não pude por ter que fazer outra coisa – alguém mais precisou de mim.” Se olharem isso cuidadosamente, descobrirão que poderia ter havido uma outra dúzia de pessoas que podiam ter tomado isso a seu cargo, pelo que o que lhes terá passado pela mente nesse instante terá sido um sentido de serem bons para alguém, pelo que o que terá representado uma “pena no vosso penacho espiritual,” na realidade terá sido um acto de auto-negação, uma desculpa para deixarem de atingir por recearem atingir (qualquer coisa).

Bom, esta afirmação soará como uma afirmação idiota porventura, mas a maior parte das pessoas receia mais o sucesso do que o fracasso, por o sucesso acarretar uma maior responsabilidade do que o fracasso. O fracasso poderá saber pior, mas o sucesso trás uma maior tensão. Por isso, muitas vezes, dizem: “Toda a minha vida o quis, mas jamais obtive oportunidade, por causa de 1, 2, 3, 4, 5…” Reparam que, em qualquer altura, quando pensavam que iam chegar-lhe, sempre se apresenta uma desculpa, e essa desculpa sempre será encarada como algo perfeitamente legítimo. Por outras palavras, não porque não o tivessem querido, porque não lhe tenham querido dedicar um esforço, por não terem querido desistir de algo em prole disso, mas por alguém ter precisado de vós. Por terem que fazer isto, terem que fazer aquilo.

A questão aqui – e não negamos que haja alturas em que alguém necessite de vós, e sacrifiquem uma coisa ou outra a isso. Não estamos a dizer que isso não suceda, só que não ocorre com a frequência nas suas vidas conforme a maioria das pessoas crê. A maioria das pessoas instaura uma via de escape por intermédio do serviço. Assim, uma via dessas muitas vezes diz: “Não posso dedicar tempo a mim própria por precisar dedicar tempo a outra coisa qualquer. Um serviço representa uma coisa estupenda, mas vocês também precisam de se interessarem por vós. Por não conseguirem os vossos créditos, entendem, a autoestima não vai resultar de dizerem: “Olha o que eu fiz, olha o que eu fiz,” mas de dizerem: “Sinto-me bem em relação a algo que fiz. Sinto ter avançado na vida por algo que fiz. Olho para mim própria e digo - caramba, isso é algo de que me orgulho.”

Consequentemente, ao longo do percurso precisam dizer periodicamente: “Porque razão não estou satisfeito com a situação em que me encontro actualmente?” Na maioria das vezes descobrirão que será por não terem verdadeiramente pensado – pensado de verdade, para além de generalizarem – na posição em que querem estar, ou no que querem na vossa vida. Ouvem declarações que dizem: “Eu quero paz. Quero ser feliz. Quero ser rico.” Esses são objectivos estupendos, mas de que forma poderão aceder-lhes neste instante? A paz não se encontra fora de vós, mas dentro. A riqueza tem lugar no íntimo, e o êxito não acontece fora, mas dentro de vós. Assim, precisam voltar-se para dentro e definir o que essa paz, riqueza, ou felicidade representam agora, na situação em que se encontram hoje. Precisam interrogar-se acerca do que é que deveriam procurar alcançar e ter.
Portanto, qual é a primeira coisa que fazem? “Se me sinto infeliz, porque razão estarei infeliz?” A maior parte das pessoas não é capaz de dizer porque se sente infeliz. Poderão dizer: “Sinto-me infeliz por o autocarro ter vindo atrasado. Estou insatisfeita por o cão ter feito porcaria no chão. Estou infeliz por uma multiplicidade de razões,” mas não é por isso que se sentem infelizes. Estão infelizes por se sentirem insatisfeitos com a situação pessoal que têm neste determinado momento, de modo que precisam deslocar a vossa energia para uma nova situação e deixar que se alastre e avance. “Se não me sinto bem aqui, onde quererei estar? Se não me agradar o que a minha vida comporta de momento, de que quererei livrar-me?”

O movimento em frente assenta tanto no deixar que as coisas aconteçam como no deitar-lhes a mão. Do mesmo modo que os catraios crescem para além da medida, vocês superam períodos em que as coisas são válidas ou inválidas para vós. Entendem? Assim, precisam dizer: “Que será que é válido para mim nesta altura da minha vida, e que estarei a fazer por que venha a ter lugar?”

Bem sei que me repito continuamente. Mas estou a programá-los, meus amigos, pelo melhor que me é dado consegui-lo, para que aceitem o facto de conseguirem proceder a essas mudanças. Não lhes estou a fazer uma lavagem ao cérebro, mas estou a realçar fortemente o facto de que confiem em vocês o suficiente para saberem que há um passo que são capazes de dar.

Bom; na maior parte das vezes uma pessoa dirá: “É isto que quero,” mas ficam por aí. A fada madrinha irá surgir e providenciá-lo e irão dar por isso na soleira da porta lá pela manhã. Por vezes precisam dizer: “Que energias paralelas estarão disponíveis para essa coisa? Porque outras vias poderá essa mesma coisa ser conseguida?” Devido a que por vezes estejam a tentar tomar um rumo que não os pode conduzir a isso, enquanto um rumo alterno poderá.

Uma via alternativa de conquista financeira pode muito bem significar trabalhar em algo que não seja exactamente aquilo que querem, a fim de obterem o treino que os conduza onde querem chegar, de modo que precisam abençoar esse trabalho e agradecer-lhe o encorajamento que lhes imprime no sentido do estudo que os encoraje a dar o passo rumo à situação em que querem ver-se. Precisam ver onde chegaram como uma ponte levadiça e precisam interrogar-se que será que poderá fechar a ponte de modo a passarem. Que será que constitui um passo diferente?

Durante o período de Peixes, durante anos, imperavam certos passos lógicos rumo à felicidade. Quer os quisessem ou não, era assim que operava. De modo que uma criança cresceria e iria estudar. Tornar-se-ia produtiva de um modo qualquer, buscaria um companheiro, casaria, depois teria filhos, criaria esses filhos e depois deixaria esses filhos partirem a fim de começar tudo de novo e aí poderia recostar-se dizendo: “Eu realizei-me.” Mas, se ao longo da sua vida não tivesse tirado um tempo para desfrutar do estudo, para desfrutar do trabalho, dos filhos, não se sentiria realizado. Teria passado por todos esses passos e toda esse controlo, mas não se teria sentido realizado.

A realização procede do movimento, só sobrevém da valorização de cada passo desse movimento ao longo do percurso. A criança que regressa a casa cheia de entusiasmo por ter aprendido a fazer um “A” terá intimamente dado início à autoestima. E à medida que vai aprendendo cada vez mais letras, essa autoestima aumenta. Depois descobre que é capaz de as reunir de modo a quererem dizer algo. E depois reúne todas essas letras e na verdade torna-se algo completamente diferente, de modo que consegue um sentido constante de conquista. Se durante o percurso obtiver uma negativa ou rejeição da parte de alguém, poderá começar a perceber que não represente uma conquista, mas como uma escravidão, como um trabalho penoso.

Uma das maiores ofensas que um progenitor ou professor pode expressar a uma criança é não reconhecer a necessidade que a criança tem de exuberância com relação ao processo de aprendizagem. Já ouvi as pessoas no vosso mundo comentarem que os filhos são estúpidos. Eles poderão cometer erros, mas isso não os torna estúpidos. Mas se lhes disserem o suficiente que são estúpidos, eles passarão a manifestar estupidez. Estão a entender?
                       
Agora, o outro factor que opera contra a autoestima é a culpa. Quantos de vós alguma vez terão sentido culpa? Não precisam erguer as mãos, por não ser preciso. (Riso) Toda a gente a certa altura sentirá que tenha feito algo que alguém não venha a aprovar. Isso não quer dizer que precisem presumir que isso constitua uma parte viva de vós para o resto da vossa vida. Assim, a autoestima baseia-se no confronto com a velha culpa e e na sua libertação; no confronto com velhos factores de aglutinação, velhas raivas e ressentimentos, e no deixá-los, e ser capaz de dizer que, não obstante o que tenha acontecido a determinada altura, numa outra altura poderão ser aquilo que quiserem. Que poderão avançar da forma que quiserem, e que conseguirão.

Por vezes a autoestima torna-se confusa ao definirem um único objectivo sem alternativas nem abordagens paralelas. Toda a gente deseja ganhar cinquenta mil dólares ao ano, de modo que começam por aí. Mas isso não tem lógica. As vias paralelas começam primeiro por conseguirem quinze mil e por irem subindo. As vias paralelas dizem que precisam aprender a fazer isso de modo a obterem-no. Por conseguinte, a autoestima assenta na crença de que conseguem obter quinze mil dólares por ano, só que com a disposição de sentirem regozijo com esses quinze, vinte, vinte e cinco, etc. Porque de outro modo irão pensar estar a falhar a cada dia que passa, caso não consigam os cinquenta mil. Mas sabem que o podem conseguir. Podem fazer com que isso aconteça em vós. Podem erguer a confiança na capacidade que têm de levar a que isso aconteça, mas não através da fantasia, nem dizendo que é a coisa lógica de que necessitam para terem ideia de que são capazes de ganhar cinquenta mil, e depois tornarem tal num primeiro passo de edificação dessa autoestima. Consigam isso, sintam-se bem com isso, essa autoestima inicial.

A autoestima não representa a realização com base no factor material, concreto, mas as conquistas, as realizações, obtidas no factor potencial. Possuem no vosso mundo algo a que chamam “Avó Moses” (NT: Caso típico de uma artista Norte Americana que começou a pintar a sério aos 78 anos e que morreu com 101, sendo comummente citada como um bem-sucedido caso de começo de carreira na idade avançada) que foi pintora e que começou a carreira de pintora quando se encontrava em idade avançada. O primeiro quadro que alguma vez pintou foi algo que viu reflectido num tampão de roda de carro. Não sei se algum de vós sabia disso, ou se se interessa por isso, mas digo-lhos à mesma. A questão está e que essa mulher pintou algo que viu reflectido que lhe agradou e optou por o representar pelo melhor de que era capaz. Tornou-se reconhecida e conseguiu fazer nome no campo artístico. Não se recostou a dizer: “Estou demasiado velha para começar.” Não se contentou em dizer: “É uma forma engraçada aquela que o tampão reflecte, pelo que não a conseguiu ilustrar, por saber que as curvas que apresenta não são assim.” Ela foi em frente e fê-lo, e a partir dessa noção de realização, prosseguiu a fazer coisas sem o tampão.

Por isso, o que lhes estou a tentar transmitir é que as vossas conquistas iniciais poderão parecer-lhes deformadas. Poderão parecer-lhes obscuras, curvadas nos lugares errados, nebulosas. Poderão não as encarar com um feito significativo, mas a sensação de a terem alcançado confere-lhes a coragem para prosseguir e realizar mais. Assim, têm que dizer a vocês próprios: “Caso me dispuser a conseguir nesta área, ainda que possa parecer não apresentar qualquer relação com a realidade, prosseguirei em frente e conquistarei noutras áreas.” Se ela jamais tivesse pintado o que vira reflectido naquele tampão de roda, apesar de se apresentar distorcido, não teria avançado para o resto da conquista, reconhecimento, e edificação da autoestima.

Interroguem-se do que os levaria a sentir-se bem com respeito a vós próprios, e não quero dizer o que pensem que os outros venham a dizer que os levaria a sentir-se bem relativamente a vós próprios, mas quilo que vocês sentem que os levaria a sentir-se bem em relação a vós próprios. Pensem nisso por um instante. (Pausa) Agora interroguem-se: "Se for isto que me leve a sentir bem relativamente a mim próprio/a, quantas formas haverá de ir no seu encalço? Quantas formas?"

Por favor retiram-me isto que lhe (à médium) está a impedir a circulação? Penso que também lhe vamos tirar isto. Muito bem. Não sei o que se está aqui a passar mas é divertido. (Riso) Entendam…

Vamos dar um exemplo: Alguém que tenha vontade de partilhar algo que queira alcançar. Que gostarias tu de alcançar, ou que te levasse a sentir-te bem?

Pergunta: Duas coisas. A primeira, em termos físicos, queria tornar-me uma grande desportista de marcha atlética. E em segundo lugar, queria dar início a um centro de aprendizagem, grande, que te envolvesse.

Julian: Bom, vais ter que subir até lá. Antes de mais, deixa que te diga, qual é a prioridade que imprimes a ambos os desejos? (A escola de aprendizagem) Muito bem, a escola de aprendizagem. De que precisarás para que isso aconteça?

Pergunta: Preciso de dinheiro para ser capaz de comprar, digamos, um certo estilo de vida em que as crianças e os idosos possam conviver em conjunto, dar uns aos outros, ensinar uns aos outros; basicamente aquilo que nos estás a transmitir como parte do programa de aprendizagem, de modo que necessito de dinheiro.

Julian: Deixa que te revele a forma de abordares isso, por presumir que não disponhas do dinheiro.

Pergunta: Eu possuo um parque de estacionamento de que não me quero desfazer por ter a ideia de que se o preservar por mais uns cinco anos, venha a ser capaz de o vender por pelo menos meio milhão de dólares, senão mais. Podia vendê-lo agora, e comprar aquilo que para mim actualmente não terá muito significado.

Julian: De um lado da moeda, o parque de estacionamento, representa, digamos, capital inicial para o que queres obter. Estás a fazer do centro de aprendizagem um alvo que te indique que em cinco anos o venhas a conseguir?

Pergunta: Não, não estou.

Julian: Assim estás um pouco como que a fazer de "advogado do diabo," entendes?

Pergunta: Certo. Óptimo. Não, não fiz. Pensei que dentro de cinco anos, da forma conforme tudo está a correr, a estrutura de impostos e isto e mais aquilo, pensei que cinco anos representariam período excelente para vender o parque de estacionamento por meio milhão de dólares. E depois começar a pôr isso a rolar, por precisar estar bem informada quanto ao que fazer com meio milhão de dólares.

Julian: Então, talvez porventura aquilo que queiras fazer em primeiro lugar seja aprender a lidar com o dinheiro, o que representaria um passo para o objectivo que tens em mente. Em segundo lugar, existe um milhão de lares para idosos em que não existe comunicação alguma com os catraios. Existe um milhão de organizações para crianças que buscam um contacto com os idosos de forma que as crianças possam partilhar aquilo que sabem com os mais velhos. Assim, uma forma de chegares ao objectivo pretendido já é trabalhando em articulação com duas agências e colocá-las em contacto. Não é identificado como (um projecto) estritamente teu, mas tu colocas a tua corrente de energia em movimento. Caso tenhas uma criança em tenra idade e um adulto em idade avançada juntos durante uma hora, terás colocado o centro de aprendizagem em movimento. Entendes o que te estou a transmitir? (Entendo) É algo que podes tocar já sem demora. Entendes o que te estou a dizer? (Entendo, sim)

Considera a multiplicidade de abordagens condutivas à situação em que pretendes que desemboque e verás que existem situações que podem ser utilizadas já de modo a manteres a energia em movimento e sem teres que esperar por um critério específico que te leve a que isso aconteça. Tudo quanto esteja "destinado" a concretizar-se eventual e gradualmente acabará por se reunir, à medida que obtiveres conhecimento acerca dos componentes que lhe são inerentes e deixares que a energia desses componentes flua, seja congregado e crie a estrutura e o projecto final. Por conseguinte, aquilo que te estou a dizer é que não vejas nada como exterior a ti. Caso o princípio seja exequível, opera-o por onde conseguires pegar-lhe, e isso será dizendo... Caso contactes um lar de idosos que revele receptividade quanto à presença de catraios, e contactares uma organização de crianças que também revele tal receptividade quanto a um trabalho conjunto com idosos, então contacta-as a ambas.

Pergunta: Claro que deveriam manifestar interesse.

Julian: Estás a entender? E em muitos lugares estão, mas o que te estou a dizer é que há sempre uma forma de tocar o objectivo final JÁ, e é assim que deves funcionar com isso. Isso imprimir-lhe-á o ímpeto que permita que isso cresça.

Pergunta: Obrigado, Julian, abriste-me todo um novo acesso. Sem dúvida.
                                                                                  
Julian: Claro. Porque o hábito consta de dizerem: “o sucesso, a autoestima, um sentimento pleno com relação a nós próprios significa isto," e a seguir concentrarem-se nisso de forma exclusiva sem admitirem espaço a uma via paralela nem a experiências paralelas que operem já no sentido disso, do que pode resultar deixarem o sonho para sempre em espera. Entendes? (Sim)

Para se tornarem estilistas, antes de poderem frequentar uma escola de moda, implica sair por aí a observar moda, aprender a cozer sozinhos. Entendem o que lhes estou a dizer? As vias paralelas para a coisa final. Se não conseguirem estar onde queiram estar, associem-se entretanto com isso por uma forma qualquer. Entretanto, a vossa autoestima estará a ser edificada, ao perceberem que existem múltiplas formas de lhe chegarem. Mais alguém quererá tratar de mais alguma coisa? Muito bem, Obrigado por partilhares. (Obrigado)

Pergunta: Ah, obrigado. Muito obrigado, June. Estou a praticar terapia do toque e a trabalhar no relaxamento e gostava de cantar e de fazer comédia musical. Já pratiquei alguma palhaçada no passado, destinada a idosos, e eles adoraram, e já fiz um espectáculo individual, mas por uma razão qualquer parei. Foi um sucesso, e gostava de saber como integrar este trabalho espiritual e sensual que estou a fazer nesse papel de canto musical e de comédia e de representação, por precisar vir mais a público.

Julian: Antes de mais, precisas entender o seguinte: A cura tem lugar a diversos níveis. O riso constitui um dos maiores dons que Deus conferiu à humanidade. O humor, o sentido que têm de humor, é aquilo que poderá impedir que vão pelo cano abaixo. Se conseguirem rir de vós próprios numa dada situação, serão capazes de sair dela. Por isso, a ideia de usares o drama, a arte da interpretação, o canto. O canto é universal, a música é universal, a dança é universal. Isso representa tudo linguagens universais, de modo que o aspecto de usarem isso como uma facção de cura consiste num óptimo objectivo, e o que há a ter em mente é que se trata do objectivo, mas, como chegar a isso? Que é que terás que aprende ao longo do percurso? Por outras palavras, precisas dispor-te a cumprir com aquilo de que dispões, na posição em que te encontras. Certo? Por outras palavras, não te ocupes tanto com lamentos quanto ao facto de ainda não te encontrares na frente, no palco central, que te esqueças de representar na tua vida do dia-a-dia.

Pergunta: Também sou capaz de ver onde é que eu… Também estou envolvida numa comédia.

Julian: Poderás falar uma pouco sobre isso?

Pergunta: Claro, estou envolvida num projecto de comédia destinado a pacientes de uma hospício que tenta (Julian: Óptimo) quase do tipo do que o Norman Cousins tentou criar (Julian: Excelente) de modo que consigo ver onde é que mais ou menos…

Julian: Está em movimento e vai continuar a crescer, mas a questão está em que precisas dispor-te a usar isso onde te encontras, e não apenas dizer que seja numa outra situação qualquer que vás sentir-te bem em relação a isso. Precisas sentir-te em conformidade com isso na posição em que te encontras. Aí carregarás a energia do bom sentimento contigo, e com base na autoestima ela irá aumentar. Trata-se de um objectivo estupendo. Fico radiante por ouvir que objectivos destes estejam em curso pelo mundo fora.

Portanto, entra em contacto com isso por onde puderes, usa-o já por onde puderes, e aceita plenamente que irá aumentar, que irá avançar, que irá em frente, e irá. E poderás descobrir que existem rotas paralelas.

No vosso mundo actualmente ouço repetidamente as pessoas usarem a ideia de um centro, uma escola, um tipo de coisa ligada ao ensino do factor da autoestima. Na maioria dos casos o sonho é de tal modo grandioso que permanece um sonho por toda a sua vida, por recusarem levar a que isso suceda onde consigam fazer com que tenha cabimento na situação em que se encontram. Mas qualquer coisa poderá unicamente crescer a partir da posição em que se encontram. Não pode crescer a partir do exterior.

Portanto ficamos a saber que existem rotas e movimento paralelo. Qualquer coisa que tenha que ganhar forma, ganha-a com base em três níveis. O primeiro nível é o do movimento que se gera no âmbito da energia bruta das possibilidades e do potencial que detém para passar a existir. Bom, isso significa um passo no âmbito do vosso potencial de o levar à concretização, e um movimento no âmbito da energia dessa essência. Ou seja, o movimento tem início com base no vosso pensamento padrão, é prolongado pela vossa acção, pela acção física que movem, e conduzido à concretização por essa acção.

A primeira posição é experimentada na ideia, a segunda é experimentada na vida pessoal, e a terceira e última posição é experimentada na satisfação do sonho. Uma não pode suceder antes da outra. O surgimento da ideia e a vossa vontade de lhe tocar onde se encontram, põem em marcha a energia seja por que forma for rumo ao potencial máximo que permanece no éter, no “não-local,” no “coisa-nenhuma” que constitui todas as coisas, assim como em vós, por o universo se achar em vós. A disposição para reunir essas duas posições num movimento constitui um primeiro conceito, a primeira ideia, o primeiro passo rumo à coisa. O segundo, consta da disposição de trazer isso para o exterior, tirá-lo do armário da ideia e a campo aberto, à concretização física, mundana, pelo seu uso por uma forma qualquer exactamente onde se encontram – pelo estudo, por uma aprendizagem, por uma participação tal como a que estivemos a delinear, ou por outra forma qualquer. A terceira coisa consiste em confiarem na sua manifestação final, que a trará à concretização.

Agora, à medida que se realiza, atravessa estágios de crescimento. A flor não desabrocha sem passar pela fase do botão, de modo que qualquer coisa que esteja em crescimento até chegar ao estágio final da realização tem que iniciar por uma coisa diminuta e crescer, precisa desdobrar-se. Depositam-lhe a crença que lhes fornece o espaço ao desdobramento. Nada se pode manifestar sem espaço. O sistema de crença que possuem constitui o espaço de florescimento dessa ideia particular ou botão de flor. De modo que dizem: “Acredito nela, estou a pô-la em marcha pelo melhor de que sou capaz, confio e aceito que possa passar e existir,” fornecendo-lhe assim o espaço para que cresça através dos seus estágios normais.

Conhecem alguém, gostam da pessoa, e têm mais vontade de ver essa pessoa. Confiam que essa pessoa irá igualmente gostar de vós o suficiente para querer vê-los. Não exigem nada excepto ter uma oportunidade de voltar a estar juntos. Confiam na criação de uma situação por que a vossa amizade possa florescer. A amizade dá lugar à criação de um espaço em que o amor possa florescer. O amor cria um espaço em que qualquer coisa é capaz de crescer, por o amor constituir a energia mais poderosa do universo. Mas trata-se de um processo. É um processo de movimento rumo à aceitação, um processo de aceitação e de prontidão e disponibilidade para aceitar que seja assim. A partir da aceitação, da participação, sucede o cumprimento, mas não há nada na terra que aprendam, nada na terra que alcancem que não passe por um processo, e o processo é o seguinte - da necessidade nasce o desejo; do desejo nasce a participação, e da participação surge a realização.

Têm a necessidade de servir, e a necessidade de ser respeitados por esse serviço, e não se iludam, é tudo quanto dizemos, e com razão; de forma que a necessidade os põe em movimento, o desejo por fazer com que aconteça. O desejo de fazer com que aconteça leva-os a pequenas incursões na rota principal. Essa participação produz a manifestação de que a realização pode florescer. É por isso que ideias precipitadas, pensamentos padrão insossos, jamais se materializam ou manifestam, por não os desejarem de verdade, apenas os verbalizarem. Mas agora vamos proceder a um intervalo e dentro de dez minutos voltaremos e continuaremos a partir daqui. Aceitam isso?

Muito bem. Estou para aqui sentado a observar todas estas coisas a decorrer e esqueci a razão por que aqui estou. Muito bem, a primeira coisa que queria perguntar-lhes já é se terão alguma pergunta.

Pergunta: Julian, não estou bem certa se isto terá alguma coisa que ver com a autoestima, mas gostava de ter uma casa própria, e de momento ando a pesquisar mas estou com problemas em encontrar uma devido ao facto de precisar ter uma certa percentagem a avançar e todo o lado para que me viro parece que estou a rumar para um beco sem saída. Poderás dizer-me o que é que posso fazer? Será apenas uma questão de ter fé e de esperar, ou haverá alguma coisa que possa fazer?

Julian: Antes de mais, precisas acreditar que não haja problema tu teres uma casa. Precisas reconhecer que a casa que podes comprar já baseia-se no que és capaz de produzir em termos financeiros. Isso faz parte do “pacote” deste momento. Mas possuis vias paralelas. “Optarei por esperar por uma altura diferente e usar o meu movimento no sentido dessa casa aumentando o meu rendimento, ou avanço agora e aceito a casa que puder obter e uso isso como trampolim para um lar futuro?” Certo? Mas precisa compreender um enunciado positivo. Presta atenção aos termos que empregaste na descrição. “Tudo me está a entravar…”

Não é verdade. Tu é que te estás a entravar. Entendes o que te estou a dizer? Tens que dizer: “Pode ser minha, pode-me acontecer. Estou disposta a aceitá-la. Estou disposta a aceitar o “pacote” inteiro, por ser a única forma por que a obténs. Não há “meios pacotes.” E dizes igualmente: A casa acertada e perfeita mostrar-mo-á, ou melhor revelar-me-á se a usarei como trampolim ou a coisa final.” Assim como a via paralela pode estar em dizeres: “Se preciso de mais dinheiro, então esperarei mais um ano e acumularei, deixarei que esse seja o único alvo do meu dinheiro, o que significa que terei que sacrificar alguma outra coisa.” Entendes? Estás a compreender?

Pergunta: Então, de que forma estou a bloqueá-lo?

Julian: Por meio dos pensamentos padrão que tens.

Pergunta: Mas sinto ser bastante positiva em relação…

Julian: Não foste muito positiva na declaração que aqui fizeste!

Pergunta: Bom, apenas pelo facto de me sentir desencorajado por ir à procura e…

Julian: Estás a sentir-te desencorajada devido a que não esteja a ocorrer instantaneamente. Caso acredites o suficiente nisso, preservas a ideia. Caso contrário, deixarás que fique pelo caminho. Mas assim que começas a afirmar que te esteja a ser negada, estabeleces o padrão da negação para ti própria.

Precisam ter muito cuidado, meus amigos, com as palavras que usam. Precisas ser muito cuidadosa mas não é só com as palavras que proferes quando te referes à casa, mas com as palavras que referes relativamente a tudo na tua vida, por o teu osso do joelho estar ligado ao teu osso do quadril, etc. Não podes negar uma área sem negares igualmente todas as outras. Assim, precisas dizer: “A minha vida melhora a cada dia, em todos os aspectos. Todas as coisas de que necessito e que quero estão a vir ao meu encontro no momento justo e adequado.” Se negares por qualquer forma que seja, estarás a negar a coisa toda. Entendes?

O que isso tem de estranho é não perceberem que estão a negar, por terem sido criados até agora numa era de estrutura e de forma que dizia que precisavam ser humildes, que não mereciam, e toda essa coisa. De modo que dizes: Eu quero esta casa, mas talvez não deva possui-la.” Dizem: “Quero este emprego, mas talvez não seja de esperar que o obtenha.” Digam: “Sim, é suposto que a tenha. Eu quero-a, e se não obtiver essa, obterei uma muito melhor.”

Toda a vez que não és bem-sucedida em relação a uma casa, fica sabendo que uma melhor estará à tua espera. Quando te sentires desencorajada diz: “Este é um momento passageiro, amanhã um novo dia surgirá.” Não te deixes aprisionar na lama, nessa lama que dá pelas ancas que diz: “A vida não corre a meu favor.” Não deves negar. Mas sabe que não estás sozinha nisso, minha amiga, por toda a gente fazer isso. Toda a gente! Eles não percebem as palavras que empregam, nem percebem que estão a estabelecer um padrão para o resto das suas vidas. Estão a estabelecer um padrão que diz: “Isto vai afectar-me a saúde, isto vai afectar-me o dinheiro, isto vai afectar-me a vida social,” etc. Precisam influenciar todos os aspectos do vosso viver; não podem influenciar apenas um só nível. Assim, já veem como é importante observar o que pensam.

Pergunta: Julian, quando alguém pensa que só acontecem coisas ruins e tudo quanto conseguem é pensar isso, quanto tempo leva? Espero que leve algum tempo até que suceda, porque…

Julian: (Ri) Por precisarem rapidamente tratar disso, não é?

Pergunta: …Por eu própria e outras pessoas terem montes de pensamentos negativos e ter receio disto e receio daquilo, e queria saber quanto tempo leva até que as coisas más sucedam.

Sabes quanto tempo leva? Leva um minuto. (Riso) Um minuto até esse receio começar a manifestar-se num medo mais vasto e afectar-te a vida a todos os níveis. No instante em que disseres: “Não, não é assim, pode passar a ser diferente.” Um instante conduz-vos à aceitação de poder mudar e de poder ser diferente.

Pergunta: Então, o que estás a dizer é que devemos negar de imediato o pensamento mau.

Julian: A energia negativa… Não existe energia negativa. Apenas existe uma energia. O homem torna-a boa ou má pelo padrão de pensamento que instaura. No instante em que declararem: “A minha vida encontra-se numa energia negativa,” atraem negatividade a vós a todos os níveis. Assim que dizem: “Não, eu estou a mudar isso, a minha vida está a avançar de uma forma positiva, e eu vou considerar o positivo…” Por precisarem acompanhar isso, entendem? Não podem andar por aí a dizer: “Ah, a minha vida é estupenda, a minha vida é formidável, a minha vida, é sensacional; amanhã vou ser despejado. (Riso) ” Precisam dispor-se a dizer: “A minha vida é maravilhosa por andar à procura de uma nova habitação.” Prestem atenção à forma como enunciam as coisas de modo a não se trancarem numa situação que os leve ao derrotismo, ao aprisionamento, ao imobilismo.

E percebam o seguinte: (Por vezes rimo-nos de algo que é bastante grave, mas isso faculta-nos uma nova perspectiva sobre a matéria.) Reservem um instante para rirem de vós próprios. Reservem um momento para dizer: “Pelos céus, tive um dia péssimo e estou a colocar a minha vida inteira em negação.” Reservem um instante para enumerar as bênçãos que colhem. Levantaram-se pela manhã? Encontram-se a respirar? Isso é positivo. Já terão algo por que se sentirem gratos nesse dia. Bem sei que estou a ser sarcástico com respeito a isso, mas estou a procurar dizer-lhes que não há dia na vossa vida que não apresente positividade, e a autoestima baseia-se unicamente na positividade. Sentir-se bem relativamente a vós próprios pode unicamente brotar da acção criativa, positiva. Portanto, quando se recostam a negar tudo, sabem, isso não vai funcionar. Mais alguma pergunta?

Pergunta: Julian, eu queria perguntar-te… Digamos que temos uma ideia do que gostaríamos de fazer. Eu gostava de tratar de crianças que sofreram abusos, mas como completei a escola, etc., muito recentemente, como havemos de saber quando alguma coisa de súbito surge, uma oportunidade em que me seja estendido o convite para ir para uma clínica? Eles propuseram-me um trabalho, mas a diferença está em sentir se não estaremos a regredir… Esse trabalho está relacionado com crianças que abusaram das drogas e do álcool, entendes. Ou seja, por um lado soa a uma ideia fantástica; por outro lado, quase sou levada a sentir que deva estar a encaminhar-me para uma posição em que me sinta travada, pelo que realmente não tenho andado à procura.

Julian: Muito bem, em primeiro lugar, tu acabaste de dizer: “Não saí à procura.” Porque não? Vai lá, mexe-te, como quem diz.

Pergunta: Tenho cuidado de certas coisas que necessitam de ser tratadas, não é? Mas o que estou a tentar dizer, como havemos de perceber a diferença acerca do que vem por aí. Será aqui que devemos estar, ou…?

Julian: Podes ficar eternamente à espera, por teres receio de arriscar. Queres tratar de crianças que sofreram abusos? Interroga-te acerca disso. (Quero) Caso queiras, então aceita-o e usa-o.

Pergunta: Então, por outras palavras, aceito isso como um trampolim para o que em última instância desejo…

Julian: Pois. Para o que em última análise desejas. Precisas pôr a energia em movimento, entendes?

Precisas dispor-te a tocar na coisa por onde puderes. Caso contrário bem que poderás ficar eternamente à espera e dizer: “Um dia destes vou, um dia destes vou…” Mas dizes: “ Vou sair por aí à procura e a ver o que há, mas se não fizer por isso, bem que poderia ter deixado de ir à escola.” De modo que se esta oportunidade te disser que estás a trabalhar naquilo que queres, aceita-a e trabalha com ela. Não tens que ficar nela para sempre. Assim que o momento for oportuno e tiveres aprendido o suficiente sobre como tratar efectivamente de crianças que sofreram abusos, e não só com a teoria - a teoria é estupenda - mas quando lá chegares e tratares disso e decidires: “Sim, isto realmente corresponde ao que quero fazer – sinto que me deixa realizada e que me aumenta a autoestima, quero trabalhar aqui para o resto da minha vida,” avançarás com a coisa.

Pergunta: Eles querem que eu entre como administradora, (Julian: Pois!) pelo que gostaria de saber se isso me irá prender em relação ao que queria mesmo fazer, (Julian: Não, tu vais aprender o “pacote” inteiro) mas tu dizes para ir e experimentar.

Julian: Vai e experimenta. Tens noção de que não podes nadar se não tiveres pé, de modo que só tens que ir e dizer: “Sim, vou tentar isto. Tratarei de saber…” Por se tratar de uma experiência de aprendizagem, e tu vais instruir-te-mais acerca disso, vais ficar a conhecer o “pacote” por inteiro. Aquele que opera directamente no processo e as pessoas que trabalham no departamento do pessoal administrativo têm duas perspectivas diferentes da coisa, mas juntos formam a coisa toda. Já ouvi as pessoas dizerem: “Bom, sabes, não me dão aquilo de que necessito…” Mas se olharem para o ponto de vista da administração verás que o orçamente actualmente dificilmente dá para isso. Como poderão dar-lhes outra coisa? Por conseguinte, precisas dizer: “Que vias alternativas que levem à descoberta daquilo para que queres ir poderás usar que não exija despesas de orçamento onde o dinheiro se acha em falta?” Assim, o conhecimento desse lado da questão pode representar uma coisa formidável para ti, e pode levar-te a conhecer de verdade o “pacote” inteiro, e pode representar o trampolim para uma outra coisa. Certo? Confia nisso.

Pergunta: Julian, que é que havemos de fazer quando depositamos muita energia positiva numa mudança positiva e depois toda essa mudança ocorre a uma só vez? É direccionada para um final positivo, mas a energia é de tal modo súbita que tudo acontece à uma. Não há estabilidade. A verdadeira parte positiva disso ainda não terá eclodido e atravessamos a sujeira e sentimo-nos demasiado sobrecarregados quase a ponto de passarmos a parte do sofrimento. Que havemos de fazer?

Julian: Não uses o termo sofrimento. Não há sofrimento na realização. A realização pode comportar trabalho árduo e descoberta, mas não é sofrimento. Permanecer numa cama de hospital com dores constitui sofrimento. A realização jamais representa sofrimento, minha querida, não a encares dessa forma. Retira-lhe a conotação de desgraça, está bem? Em primeiro lugar, se estiver a suceder a um só tempo, dá graças a Deus por estar a suceder. Por poderes dizer: “Ah, está tudo a acontecer tão rápido, volta para trás, amiga.” Tudo bem, adeuzinho - lá vai ela. Dizem: Hei, eu pedi isso tudo e de repente descubro que funciona e deixa-me terrivelmente assustada.” Mas podem trabalhar com ela um dia de cada vez. Um milhão de decisões a tomar? Sim! Mas isso não envolve sofrimento, mas graças a Deus por possuírem a capacidade de tomarem decisões, o potencial de a tornar real.

Pergunta: Mas quando tudo vem com força, é quase como se sentíssemos não ter a capacidade, por ser quase como se tivéssemos o circuito em sobrecarga.

Julian: Precisas sossegar e dizer: “Não há nada neste dia que não consiga alcançar. Não amanhã, nem na próxima semana. Não me interessa o que suceda amanhã ou na próxima semana. Vou-me interessar pelo presente dia.” Porque quando tudo sucede à uma, a tendência que têm é de pensar que tenham que resolver tudo de uma vez. A única coisa que precisam resolver é um dia de cada vez, minha querida, por isso trata de um dia de cada vez e diz para contigo própria: “Não há nada neste dia que não possua a capacidade de cuidar.

Pergunta: Mas, digamos, que algumas das coisas que constam da lista não foram realizadas, será apenas uma questão de dizer: “Obrigado pela faculdade de tratar de tudo quanto fiz, amanhã acabo o resto?”

Julian: Certamente. Por a coisa que precisas compreender é que o dia tem tantas horas e tanto a fazer, que se realizarem nem que seja metade do que têm a fazer, estarão a fazer um excelente trabalho. Olhem para o que realizaram, não para o que não realizaram. Caso contrário estarão a considerar o negativo ao invés do positivo. Tens a capacidade. Eu sei, ela acha-se presente.

Sabem o que é que a manifestação tem de engraçado? Toda a gente quer vê-la acontecer, mas quando começa ao correr, torna-se assustador: “E agora, que é que faço com isto? Eu pedi isto, mas agora que aqui se encontra, que é que faço com isto?” Pode ser assustador, conforme dizem no vosso mundo, mas entendam, nada lhes é dado na vida que não consigam controlar. Vais sair-te bem, e vais regozijar-te por teres sido capaz de o manifestar.

Perguntas?

Nenhuma. Muito bem.

A primeira coisa que vamos fazer já é pensar, cada um de vocês na vossa própria mente, em algo que gostariam de manifestar na vossa própria vida. Quero que pensem como se estivessem num quadro e dissessem: “Isto é o que eu gostaria de manifestar.” Anotem uma.
O que a seguir quero é que se interroguem quanto ao que acham que os esteja a impedir disso.
Agora quero interrogá-los quanto ao que acham que alcançar isso venha a influenciar os outros aspectos da vossa vida, da vossa família ou amigos, filhos, da vossa amada ou amado, tudo. Perguntem a vocês próprios que efeito é que o alcance dessa coisa exercerá nessas coisas da vossa vida.
Agora interroguem-se se existe alguma associação entre o efeito que tenha sobre isso e aquilo que viram como um bloqueio.
Dá-me vontade de sorrir por ver as “as vossas cabeças a andar às voltas,” sabem? Agora interroguem-se se estarão a ser sinceros com relação a essa comparação.

Pergunta: Se estarei a ser sincero com relação ao quê?

Julian: Sincero relativamente a essa comparação.

Pergunta: Comparação?

Julian: Sim.

Pergunta: Que comparação?

Julian: A comparação existente entre o efeito exercido sobre os outros aspectos das pessoas na vida e no vosso… naquilo que pensam ser um bloqueio.

Agora interroguem-se – um monte de interrogações, esta noite, não? Mas serão capazes de utilizar esta fórmula quando dispuserem de muito mais tempo para tratar disso.
Agora questionem-se acerca de três passos para alcançarem o que querem.

Agora interroguem-se por quantos meios conseguirão alcançar o primeiro passo. Estes serão muito mais fáceis quando trabalharem com mais tempo, mas quero que fiquem com os passos principais. “Por quantas formas conseguirei abordar o primeiro passo?”

Interroguem-se: “Se abordar o passo inicial desta forma, de que modo irá isso afectar o passo número dois e o três,” certo? E com cada uma das formas.

Vou-lhes dar um exemplo. Suponham, digamos, que eu queira ter uma escolaridade adicional. Tenho uma família para suportar, ou uma esposa, ou um companheiro, qualquer coisa. O dia tem somente X número de horas. Se eu frequentar a escola a tempo inteiro, de que modo conseguirei suportar essa frequência escolar? A outra via que posso seguir é ir à escola a tempo parcial e trabalhar.

Se eu frequentar a escola a tempo parcial e trabalhar, quantas horas terei disponíveis ao dia? Estão a ver como vão afectar toda a gente ao vosso redor. O que não contribuirá para a sua negação, não quer dizer que não possam ter lugar, mas deixa que comecem a ver que há mais do que um caminho para alcançarem o que querem. Se disserem: “Tudo bem, vou em regime de tempo parcial, aí de que forma irá isso afectar o passo seguinte? Se forem a tempo parcial, irão demorar mais tempo a conseguir o diploma, o que quer dizer que vão ter que trabalhar e obter uma instrução por tanto tempo quanto isso, mas obterão a instrução. Talvez conheçam um parente rico que lhes pague a escola. Esse poderá ser um outro modo. Ah, mas não existirá igualmente um passo para isso? Que tipo de comprometimento estará ligado a esse dinheiro? Será um empréstimo, que na altura devida terão que pagar? Será uma dádiva, que terão que reembolsar por uma forma qualquer? De que forma isso os afectará e à vossa família? Entendem o que estou a querer dizer?

Precisam considerar todas as ramificações possíveis dos passos. Por vezes, quando realmente consideram todas as ramificações desses passos dizem: “Nem bem certo estou de querer isto.” Mas noutras alturas consideram isso e dizem: “Há uma maneira alternativa para o conseguir.” Mas é somente considerando a coisa na sua inteireza e a diversidade de passos que chegam realmente a saber.

Mas deixem que lhes diga uma coisa. A prática deste exercício com relação a algo que tentem alcançar na vossa vida, constitui o vosso primeiro passo no sentido de se sentirem bem relativamente a vós próprios e à autoestima; porque, ao terem passado pelo processo da triagem, começam a sentir-se mais seguros com relação a isso por não haver factores ocultos que venham a surpreende-los quando menos o esperem. Já reflectiram nisso por diversas formas, e como tal já tomaram o medo de só existir uma forma de o atingirem em consideração, e já foram sinceros convosco próprios. Isso não será espantoso? Respeitar-se o suficiente para não temerem serem sinceros convosco próprios. Isso representa um milagre. É espantoso. E assim, imediatamente começam a ter noção já o estarem a colocar em marcha, por esse processo o estar a colocar em movimento, lhe estar a dar impulso.

A razão por que lhes pedi para analisarem a forma como isso lhes afecta a família, as associações que têm, é dupla. Uma: Muitas vezes alguém é culpabilizado por não conseguirem, quando isso nada tem que ver com o caso. Certo? E por vezes não confrontam o facto de que há outros envolvidos na decisão que tomam. Seja como for irá tornar-se claro, e foi por isso que lhes pedi para ver se seria a razão que sentiram ter estado a bloqueá-los e o que vai suceder às pessoas que os rodeiam, caso tenha uma relação qualquer, de forma que realmente vissem de que forma têm pensado nisso. Dessa forma começam a trazer uma nitidez inicial ao movimento da energia de forma a conseguirem avançar em frente e a conseguirem mais. Alguma pergunta?

Pergunta: E se as razões que tivermos para os bloqueios nada tiverem que ver com as pessoas com quem estamos associados?

Julian: Muito bem. Se tais bloqueios não apresentar qualquer associação com as pessoas, então precisarão considerar o bloqueio individualmente, e têm que se interrogar da razão porque veem isso como um bloqueio. Quantas vias alternativas poderão ser utilizadas para evitar ou contornar tal bloqueio? A única razão porque lhes pedi que comparassem com a associação era para que pudessem estar mais certos de não terem mais ninguém a bloqueá-los em vez de um outro incidente qualquer. Mas a maior obstrução de que irão alguma vez ouvir em toda a vossa vida é: “Eu não tenho o dinheiro.” Aí precisarão interrogar-se se estarão dispostos a obtê-lo. O que poderá significar um trabalho extra por qualquer forma, mas significará ter onde fazer com que isso aconteça, com tudo.

Isso é o que vós chamais de enorme exuberância, quando duas pessoas tentam chegar ao micro ao mesmo tempo. (Riso na sequência de um atropelamento)

Pergunta: Se realmente não virmos qualquer bloqueio, por que razão deverá existir um? Essa é boa, não?

Julian: Claro. Não estamos a tentar erguer divisórias. Estamos a tentar que enfrentem o facto da inexistência de divisórias, de que as divisórias apenas são criadas em vós. De modo que é excelente, sim.

Pergunta: Julian, eu gostava de fazer uma pergunta. Creio que com este exercício descobri ou redescobri que a falta de autoestima de que padeço provenha de um sentimento que tenho que se prende com a falta de reconhecimento. Além disso, este exercício deixou-me claro que isso não é verdade, mas uma ilusão.

Julian: Exacto.

Pergunta: Contudo, volta a aparecer, e parece ser aquilo que tento ultrapassar. Porquê?

Julian: O que realmente referia é que a obstrução que sentes não é uma obstrução proveniente de uma outra fonte qualquer, mas de ti próprio. Mas aquele que literalmente precisa reconhecer-se és tu, porque, se não pensares que és suficientemente bom, ninguém, o poderá pensar. Se não achares que és digno de respeito, ou de reconhecimento, mais ninguém achará. Entendes? De modo que, precisas dizer: “Sou digno de reconhecimento e obtê-lo-ei através do meu esforço no tempo próprio que me for devido,” e o tempo próprio que te for devido é em qualquer altura da tua vida. Eu respeito-te. Tu fazes o teu trabalho bem. O reconhecimento por isso existe, mas precisas aceitá-lo em ti.

Pergunta: Isso é bem verdade, eu sei. Como?

Julian: Como? Através da litania que vais proferir para ti próprio todos os dias – se é que é o termo correcto: “Eu sou digno de respeito e de reconhecimento, pelo que já me assiste.” Quando sentes que não és reconhecido, isso deve-se a que parte de ti pense que não sejas digno disso. E caso isso persista, aí interroga-te: “Muito bem, mostra-me onde é que penso não ser digno.” Exemplo disso: Alguém pode maravilhar-se com algo que faça, e auxiliar milhões de pessoas. Bom, digamos que sejam milhares. (Riso)

Pergunta: Milhões. (Riso)

Julian: Milhões. Obrigado. Claro que estou a brincar. Uma pessoa é capaz de ajudar os outros e é bom naquilo que faz. E alguém lhe dirá: “Onde obtiveste o teu diploma?” E ela responderá: “Hmm, eu não tenho qualquer diploma.” Se admitir que a ideia da falta de diploma ou posição social o leve a pensar que não seja digno de respeito por todo o trabalho que faz, estará a negar o seu trabalho, estará a negar o valor que tem. Eu utilizo isto como exemplo por ver o que sucede tanta vez no vosso mundo. Precisam respeitar aquilo que fazem da maneira como o fazem pelo que isso trás, e se acharem não serem dignos desse respeito, ataquem isso. Ataquem o espaço em que não sentem ser dignos e alterem-no quer pelo reconhecimento de que é destituído de importância ou tratando de obter o que acham seja necessário para ter essa dignidade, dispondo-se a dizer que vão no seu encalço de modo a poderem sentir-se bem convosco próprios e alterarem a situação.

Aquele que anda continuamente a dizer que é feio, sabem, eventualmente verá que lhe nascem verrugas. Se disser: “Sou feia,” irá precisar dizer: “Onde, como, mostra-me onde é que eu sou feia. Tenho o cabelo emaranhado? Muito bem, eu vou arranjá-lo. Preciso aparar a barba? Vou arranjá-la.” Certo? Façam a correção do nariz – seja o que for que precisem. O que quer que temerem, irá tornar-se num problema. Voltem-se e enfrentem o tigre. Vão atrás dele. Assim que se voltarem e enfrentarem o tigre, o tigre voltar-se-á e afastar-se-á, mas enquanto se recusarem a enfrentá-lo ele morde-lhes os calcanhares por intermédio da insegurança. Certo?

Pergunta: Como havemos de lidar com uma situação caso nos encontremos em contínuo conflito e vacilação?

Julian: No teu íntimo, queres tu dizer? (Sim) Precisas perguntar a ti própria porque razão estás a usar a vacilação como evasiva para não enfrentares o potencial ou o desejo. Muitas vezes uma pessoa terá um desejo e por uma razão qualquer pensa não merecê-lo e que não o pode ter, e vacila. E diz: “É isto que quero – não, é isto.”

Pergunta: É o que eu faço.

Julian: Pois! De modo que tens que te interrogar quanto à razão porque não podes ter ambas as coisas. É tão simples quanto isso. Não há razão para não poderes ter ambas. Vai no encalço de um e assim que o conseguires, vai no encalço do outro, mas não te deixes…

Pergunta: Eu não quero ambas.

Julian: Então opta por uma. E assim que optares, não voltes atrás. Entendes? Podes dizer: “Não sei aquilo que quero,” e será nessa posição que permanecerás por toda a tua vida. Onde houver uma escolha a fazer, procede a essa escolha, e assim que a tiveres feito deposita nela toda a tua energia e não na dúvida de teres procedido à escolha certada ou não. Porque assim que o fizeres, irás no encalço do desejo de ambas. Dizes: “É isto que escolho fazer nesta altura.” Vai no encalço disso. Deposita toda a tua energia nisso.

Assim que o alcançares, terás obtido todo o potencial da autoestima, do desempenho e da satisfação. Se nessa altura sentires que queres ir no encalço do outro, vai. Mas caso não procedas a essa decisão deixar-te-ás sentada sobre a cerca sem chegares a parte nenhuma. Por isso, decide-te. Considera o critério desta pequena lição. Pergunta a ti própria três coisas: “Se eu tiver isto, que quererá isso significar na minha vida? Trar-me-á felicidade? E se tiver aquilo, isso trará?”

Se ambas forem iguais, então não terás razão para não as guardares no chapéu e puxares por uma. Poderás chegar a isso, porque, se não te dispuseres a tomar uma decisão, terás que deixar que a Lei do Destino decida por ti. Mas toma uma decisão.

Pergunta: Julian, que sentido fará ajudarmos alguém, e a nossa ajuda magoar a autoestima da pessoa? Quando chegamos a datal ponto, ou a senti-lo?

Julian: Antes de mais, interroga-te da razão porque a estás a ajudar. Certas pessoas ajudam os outros de forma a que isso as faça sentir-se bem. Outras ajudam os outros por precisarem de ajuda. Outras aceitam o auxílio por ser mais fácil do que consegui-lo por si só. Outras ainda aceitam a ajuda por ser a única forma de a conseguirem no momento. Quando ajudam alguém e o grau de auxílio que prestam vai retirar o incentivo a esse alguém para se ajudar a si mesmo, ter-se-ão tornado num factor negativo em vez de positivo. Por isso, examinem sempre isso. Se disserem: “Eu faço-te isto, eu faço-te aquilo,” eventualmente, digam: “Agora faz isto por mim.” Todo o acto de auxílio deveria basear-se na edificação da capacidade de autoconfiança no próximo. “Vou-te dar aquilo de que necessitas para acabares com este obstáculo.” A seguir: “Que é que vais fazer com isso?” Certo?

Pergunta: Sim, respondeste-me à questão. Obrigado.

MEDITAÇÃO

Julian: Bom, gostaria de terminar a noite com um exercício de meditação, de modo que lhes pedia que se sentassem sossegados e escutassem as minhas palavras.

“Em mim existe potencial e poder para fazer com que avance, dirigido pela força mental para a concretização que para mim significa realização. Eu aceito esse potencial.” Digam-no…

Estudantes: Eu aceito o potencial que tenho.

Julian: “Em mim existe o poder para formar e moldar a minha vida. Através da direcção mental formo e moldo. Aceito essa capacidade e poder de dirigir a minha vida.” Digam-no.

Estudantes: Eu dirijo a capacidade que tenho de orientar a minha vida.

Julian: “Possuo a capacidade de tomar decisões com base na clareza de pensamento e na ausência de medo.” Digam-no.

Estudantes: Tenho em mim a capacidade de proceder a decisões com base na clareza do pensamento e na ausência de temor.

Julian: “Em mim se acha um ser divino repleto de potencial e de plena capacidade de avançar em frente e de conseguir.” Permitam-se ficar tranquilos e escutar.

Originária do centro do universo e da Força Criativa que a traz à existência, existe a essência em bruto de toda a ideia. No centro do meu universo pessoal há a capacidade de aceder e de tocar toda a ideia em bruto. Foi-me facultado o intelecto para dirigir por entre o modelo de pensamento de toda a ideia. Permito que o intelecto se funda com toda a ideia em bruto e produza novos conceitos daquilo que é já velho e se acha extenuado em mim. Confio num novo empreendimento e numa nova direcção. Liberto velhos bloqueios e medos. Desde o centro do universo o espírito e poder do pensamento e da energia em bruto fundem-se, são-me trazidas, e tornadas manifestas em mim por intermédio do meu padrão do pensar. Os pensamentos que tenho são potentes e puros. Os pensamentos que tenho são coisas a manifestar, os quais se tornarão a minha vida.

“Regozijo-me com a minha própria escolha e a direcção positiva que toma, que me manifesta tudo quanto é benéfico, justo e perfeito, tudo no devido momento. Não carrego temor, por conter o poder da ideia no meu íntimo. Deste momento em diante o meu pensar assentará na devida direcção, realização, segurança e alegria. Um equilíbrio assim constitui saúde e integridade. Estas palavras não são gracejos nem são em vão, mas têm lugar em absoluto no movimento da energia no tempo. Acham-se agora orientados para aquilo que lhes é justo e perfeito por intermédio do vosso próprio pensamento. Que assim seja.” Repitam-no, se fazem favor.

Estudantes: Que assim seja.

Julian: Uma vez mais.

Estudantes: Que assim seja.

Julian: Que assim seja. Agora, com uma certeza destas não poderá falhar. São não só dignos de ser amados, como são efectivamente amados. São não só sábios, como reconhecidos. Confiem em vós, acreditem em vós, libertem-se e sejam completos.

E agora, meus amigos, vou libertar o instrumento, por esta noite. Em nome do Pai, criador de Tudo, e dos Filhos e Filhas do Universo, que tudo perpetuam, e no Espírito que constitui o dom da Unidade abençoo-vos a todos e desejo-vos uma boa noite.

Tradução: Amadeu António
Direitos de Autor© 2003 Saul Srour
Autores: Rev. June K. Burke e o Seraph Julian


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