segunda-feira, 6 de abril de 2015

VOCÊS SÃO ÚNICOS!





Transcrição e tradução: Amadeu António



JULIAN



Esta noite vamos debruçar-nos sobre a singularidade do indivíduo e o que tem de único em si mesmo. Toda a alma constitui uma energia única em si mesma e acha-se dotada de uma energia que é formada e moldada pelo meio e pelas associações numa personalidade. Mas a Realidade é a sua parte interior, aquilo que comporta dentro. E assim, com o reconhecimento de que embora precisem peneirar por entre uma parte da vossa personalidade para alcançarem a vossa própria realidade, chegarão a perceber que por vezes terão conflitos internos que os levam a sentir que realmente não se compreendem a si mesmos, mas na realidade não terão sondado o suficiente. Bem fundo dentro de vocês acha-se a vossa realidade, que é aquilo que os trouxe ao plano terreno; o que os torna diferentes de toda a gente. É a essência da vossa força; a vossa luz e guia.



Como é que descobrem a vossa própria singularidade? Como saberão quando se encontram verdadeiramente a trilhar o vosso caminho e não o de mais ninguém? Como saberão de verdade como aceitar o que estão a fazer como o que seja correcto para vocês, e quando deixar de o fazer? Estas são algumas das questões em que aqui nos vamos debruçar.



Reagirão a determinada coisa por acharem que o devam fazer ou por realmente sentirem que sim? Esta é uma das primeiras questões que poderão colocar a vós próprios, não por que devam alguma vez responder ao que quer que seja por ordem ou orientação alheia, a menos que o sintam no íntimo. Posso apresentar o perfeito exemplo disso; existe no vosso mundo aquilo a que chamam de "indústria dos computadores". Ouvem dizer que os computadores sejam o que está a dar, e que sejam o "último grito". Os computadores representam uma parte significativamente importante do futuro desta sociedade particular e cultura. Contudo, isso não deve constituir a base em que devam definir a escolha da vossa carreira. Caso os sistemas de programação e o conhecimento que acarretam os deixem intrigados, então ser-lhes-ão adequados e poderão tornar isso na vossa carreira. Mas não farão dos computadores carreira a menos que se sintam confortáveis com o trabalho com esse tipo de tecnologia.



A vossa singularidade poderá levá-los a trabalhar com os computadores de uma forma bastante diferente, e talvez lhes dê a entender que os devam vender, e que isso represente o que devam fazer. Nesse caso, os computadores ainda poderão representar uma parte confortável da vossa vida. Utilizo este exemplo unicamente de forma de explicação ou de racionalização, porque toda a gente na sua vida terá sentido em determinada altura desconforto íntimo relativamente a alguma coisa que faz. Não me refiro ao sentimento de remorso, mas ao saber e à completa aceitação de que algo em que estejam envolvidos pareça enquadrar-se-lhes na perfeição, e não importa aquilo que seja.



Antes de entrarem no plano terreno decidem uma multiplicidade de coisas acerca de vós próprios, como áreas de crescimento, áreas de dívida cármica e de coisas que gostariam de realizar em vós próprios. Aguardam que a configuração dos céus lhes traga a envoltura de energia que os habilitará a ir ao encontro e a envolver essas áreas de crescimento da alma. Desse modo, por meio da energia singular que o caracteriza, cada um evolui mental, física e espiritualmente com um veículo único que é a qualidade única que possuem, a energia de que se veem dotados.



Quando duas pessoas não se olham "olhos nos olhos," isso significa simplesmente que estejam a abordar algo por intermédio de uma energia diferente, e não pela energia do outro. Da percepção e aceitação disso não precisa resultar qualquer fricção, mas antes a aceitação por causa da ausência de importância que tem olhar as coias por uma perspectiva diferente.



A singularidade que os caracteriza exige fazer-se notar por múltiplas formas. Existem ciclos de sete anos de agressão por que toda a gente passa. A cada sete anos o vosso ser interno exige ser reconhecido enquanto indivíduo que são, distinto do colectivo. Se olharem de volta para a altura em que tinham sete anos, e catorze, e vinte e um, poderão recordar que durante esses períodos terão adoptado uma postura de afirmação, e notado que o queixo se pronunciava, tudo numa afirmação: "Eu sou eu próprio; não me vou deixar engolir pela sociedade ou seja por quem for; vou ser eu próprio."



Quer tenham tratado efectivamente de fazer ou não alguma coisa acerca disso será decisão que terá ficado por completo a vosso cargo. Faz-se presente a sensação de desconforto, ou o que poderão chamar de agitação. É a noção de movimento sem que saibam para onde esse movimento se dirige. É como uma sensação de estagnação. Tais sensações constituem impulsos que os impelem em frente.



Enquanto indivíduos únicos que são, funcionam num espaço confinado, composto pelas leis e imperativos concebidos e criados pela cultura, que por sua vez se enquadram na Lei Universal. Assim, há áreas em que precisam conformar-se para poderem ser únicos, porque singularidade não significa esquisitice nem exibicionismo flagrante. Muita gente pensa que ser único signifique ser bizarro, mas não é isso que tem por objecto. A singularidade diz: "Eu sei quem sou e vou utilizar todo o meu potencial e deixar que se torne numa parte viva da minha personalidade." Sob tudo isso encontra-se o verdadeiro ímpeto que os impele para o vosso próprio sucesso - o desejo de serem vocês mesmos e mais ninguém.



Ora bem, se precisarem conformar-se a certas leis, como haverão de permitir que a vossa singularidade flua? Pela identificação da situação inerente à estrutura dessas leis em possam avançar sem impedimentos. Essa lei há-de apresentar múltiplas saídas que estejam ao vosso dispor. Reconheçam a existência tanto das leis da terra como daquelas leis que a sociedade forma. A sociedade estabelece as normas, e a singularidade que os caracteriza diz-lhes para se acomodarem a tais leis sem que o façam sob pressão. Caso tais leis e costumes não lhes agradem, então usem as características únicas de que gozam para se expressarem pelos meios adequados para as alterarem. É suposto que o homem cresça por meio da interacção com os demais. Caso sigam a vossa natureza única de verdade, não sentirão qualquer necessidade de prejudicar o semelhante. Reconhecerão ser parte de todo um quebra-cabeças cujas peças são todas iguais, embora cada uma seja única e necessária à criação do todo.



Muito embora se enquadrem na corrente do universo e da cultura em que se inserem, poderão marchar a um ritmo diferente e acreditar num conjunto de valores diferente, deixar a vossa marca. Se forem contra tudo quanto se ache estabelecido assemelhar-se-ão ao salmão que nada contra a corrente e que eventualmente alcançará o destino a fim de se reproduzir, só que muitos são os que ficam pelo caminho por nadarem contra a corrente. O instinto natural que têm é o que chegar à meta, Mas seria muito mais fácil se pudessem nadar a favor da corrente. Precisam permitir-se perceber que, por vezes, quando se sentem completamente encerrados e frustrados, completamente incapazes de se mover, precisam questionar se estarão a ir de encontro a todas as coisas. "Como poderei começar a evidenciar uma volta nessa energia?" Se olharem para os muitos que, ao longo dos anos, por diversas formas procederam a mudanças flagrantes na compreensão que tinham, perceberão que terão passado dificuldades acrescidas no início, por terem andado a remar contra a corrente, e que terão tido que descobrir uma outra forma de fazerem valer a questão. Terão tido que descobrir como alterar a corrente de uma forma agressiva, alterado a corrente de modo que se viesse a tornar parte da sua própria energia e orientação.



Talvez com o esforço empreendido para expressarem a vossa singularidade percam de vista o quadro global. Uma completa mudança parecerá demasiado esmagadora e talvez se faça necessário colmatá-la gradualmente, aceitando pequenas alterações rumo a ela. Usem as qualidades especiais que possuem para realçarem as coisas e ajudarem a avançar em frente em vez de exigirem um lugar central de acção imediato.



Vejamos a coisa pelo seguinte exemplo: Se quiserem ser escritores e levarem um manuscrito que tenham redigido a um editor e este lhes disser que seja inaceitável, vocês reagem. Tal reacção deixa-os tocados de duas maneiras: Na vossa realidade e na personalidade do ego que têm. Vocês optam por aquele a quem preferem dar ouvidos. Se optarem pela atitude do: "Como te atreves," e se recusarem a ceder, vão contra a corrente e passarão enormes dificuldades. Isso não representará a vossa singularidade a falar por vós, mas o ego. Se, ao invés, questionarem o que seria inaceitável, descobrirão as áreas problemáticas, e poderão decidir se aceitam isso ou não como uma realidade para vós próprios. O ego precisa ser colocado de lado, de modo a poderem ver os factos.



Reconheçam que isso não quererá dizer que o editor esteja inteiramente certo; contudo, a menos que se disponham a dar ouvidos, poderão não nadar com a corrente e nunca chegar a meter pé dentro da porta, ou a gozar da possibilidade de demonstrarem o talento que possuam. Poderão pensar que isso represente um compromisso. Sim, de certa forma sê-lo-á, só que representará um compromisso activo e produtivo, e não um compromisso humilhante. Se pudessem voltar atrás e produzir alguma coisa que tenha sido produzida no vosso mundo de hoje, ela teria sido completamente inaceitável. Que a terá levado a ser aceite hoje? Pela mudança gradual. Ela avançou por via da redação do que seria aceite, com a alteração suficiente para colmatar a diferença.



Em tudo na vida se passa o mesmo. Ao longo da jornada precisam fundir a realidade em que têm assento com aquela para que querem dirigir-se. Não permitam que o ego se torne numa barreira. O ego é importante, por lhes conferir ímpeto. Mas se permitirem que tudo governe, poderão descobrir que lhes vede acessos em vez de lhes abrir portas. Vocês são únicos; não existem duas almas iguais. Existem envolturas de energia semelhantes, mas a qualidade única que os caracteriza precisa ser expressada, satisfeita. Precisam funcionar no âmbito da energia característica do quadro temporal em que se inserem. Em vez de fugirem quando não parece que as coisas corram da forma que pretendem, marquem passo durante algum tempo e reavaliem não o que estão a tentar fazer mas o modo como estão a tentar fazê-lo, por aí residir o "rabo". Não é que a crença seja errónea, mas a maneira por que estará a ser abordada, que pode ser a errada.



Que será que os torna diferentes? Que é que os torna especiais? Que qualidade especial pensam que poderão apontar em vós próprios? Pensam que possa ser a perspectiva que tenham da vida? A singularidade que os caracteriza assenta na qualidade e integração da vossa mente, corpo e espírito. Quando esses factores se acham em estado de equilíbrio, vocês funcionam com base nas Leis Universais, que lhes conferem clareza. Em termos universais, e segundo a Lei da Polaridade, cada coisa precisa ser dotada de um contrário. Por isso, no negativo - ou naquilo que lhes parecerá negativo - precisa existir o positivo, que podem buscar e utilizar. O homem funciona no tempo linear, e assim, a maior parte das vezes ou deseja aquilo que quer ontem, em vez de amanhã. Assim, há alturas em que se sentem negados; sentem não estar a chegar onde querem chegar, ou que não estão a conseguir obter o que querem. Reconheçam, que há verdadeiramente um tempo para todas as coisas, inclusive o desenvolvimento do ser. Se o conseguirem, poderão ser capazes de ver que o que acham que seja negação constitua provavelmente um atraso. Se conseguirem aceitar que tal atraso não tenha importância, descobrirão que se focam cada vez mais na realização futura, e focar-se-ão de uma forma progressiva no facto da obtenção do que se apresentar, com base no facto de o virem a conseguir.



Muitas vezes, uma pessoa tenta determinada coisa, e se não resultar, descarta-a, por não funcionar. Não resulta nem ninguém lhe dá ouvidos, supostamente, ponto final. Não! Se não tiver sido atendida ou compreendida talvez tenha sido por não ter sido abordada de forma correcta. Talvez ainda não fosse altura para ser. Em vez de o descartarem, olhem a coisa de uma outra perspectiva, e tentem uma vez mais. Aquele que recusa uma segunda tentativa nega a singularidade do ser, por em cada um de vós residir o êxito.



A maior parte das pessoas pensa no sucesso como significando alcançar o topo. Parece demasiado deslumbrante e não exigir demasiado esforço. Quão errado! Em todo o caso, geralmente constitui um desafio. No processo as pessoas deixam-se aprisionar de tal modo na avidez do objectivo que chegam a ressentir-se do esforço requerido para o atingir, como coisa negativa. Dediquem-se a ver o progresso conseguido e percebê-lo-ão como uma conquista positiva. Se cuidarem de ver o que de periférico tiverem aprendido e experimentado a cada passo do percurso, compreenderão que o que parecerá ser uma negação da vossa qualidade única será na verdade um despertar para todas as facetas e todas as perspectivas de tal singularidade.



Eu tenho escutado as pessoas no vosso mundo dizerem: "Fui forçado a fazê-lo, mas por intermédio disso descobri uma parte de mim que não sabia existir. Descobri que sei lidar muito bem com as pessoas." Isso representa uma expansão da singularidade do indivíduo. Mais tarde o que tiver sido cultivado relativamente a essa questão forçada assistir-lhes-á noutros objectivos.



Muitas vezes, o homem, demasiado sincronizado com o atingir a meta, não se dá ao trabalho de dar uma olhada para fora, à medida que avança. No percurso rumo ao vosso objectivo reconheçam estar a interagir com muitas pessoas e incidentes. Desfrutem disso e aprendam com isso por serem tão importantes para vós quanto o objectivo. Se não o fizerem perderão parte da vossa jornada. Tais formas de interacção garantem-lhes a oportunidade de aprimorarem as aptidões e de avaliarem os objectivos.



Dá-se o mesmo em relação à singularidade do vosso Eu. Precisam permitir que essa qualidade única seja exposta a múltiplas coisas. Precisam entender que por vezes resulta fricção, e dar passos para trás em vez de para a frente. Alguma vez se sentiram inseguros quanto à posição que assumem? Quando dão um passo atrás, da vez seguinte em que tiverem dado um passo em frente ter-se-ão sentido mais seguros de vós. Com a jornada da alma não é diferente. Terão alturas em que se verão forçados a permanecer imóveis ou a recuar, mas isso não significa que não estejam a avançar. Estão a obter uma maior tenacidade, ou, como quem diz, uma melhor posição. Lembrem-se de que uma melhor posição pode querer dizer um sentido de oportunidade diferente, uma altura que permita que tudo corra com suavidade.



O que na realidade estou a pedir-lhes que façam, é dispor-se a ver para onde se dirigem, para onde se querem dirigir, e porque querem dirigir-se para lá. Se conseguirem dar resposta a essas três questões, saberão se terão escolhido com sensatez. Se não se dispuserem a compreender o caminho que trilham, jamais irão obter sentido de realização nele. Lembrem-se de que o único absoluto que existe é a mudança. Mesmo quando pensarem ter alcançado, a mente e a singularidade interior irão fazer-se soar, e vocês irão sair à procura da conquista de um outro aspecto da vida. Obtêm sucesso; mas por que razão apenas numa área da vida? Porque não em múltiplas? Foquem-se num outro aspecto vosso e permita que cresça.



Pergunta: Alturas há em que, por causa desta complexa sociedade, damos por nós forçados a aceitar desafios que normalmente não desejaríamos aceitar. Por vezes se tratarmos desses desafios, muito embora não os apreciemos, poderemos descobrir satisfação neles. Por vezes chegamos a obter prazer com o desafio.



Julian: Sim, tens razão. Por vezes chegam a gostar do desafio e chegam a aprender que conseguem fazer face ao desafio e ultrapassá-lo. Mesmo que não voltem mais a esse particular aspecto, saberão que se encontram à altura. Aqueles desafios a que se terão visto forçados, são-lhes muita vez colocados para que despertem para alguma qualidade íntima de que poderão não ter inteira consciência.



Pergunta: Eu sempre tive um enorme sentido de… (Inaudível) ao colocar em movimento, e obtive… por experimentar a minha vida e as acções da minha vida como uma metáfora da minha vida. Frequentemente ouço vozes exteriores a mim a dizer-me que avanço muito devagar, e por que preciso de tanto tempo, porque leva tanto tempo e eu internalizo essas vozes de modo que chegam a fazer parte de mim e estabelecem um conflito. Mas é como se no meu coração soubesse que (…) mas ainda assim por vezes questiono-me acerca de qual será a realidade.



Julian: A realidade é aquilo que tem assento dentro., não aquilo que se situa fora. No exterior situa-se o enquadramento em que a realidade funciona, mas a realidade deve proceder de dentro. E caso não tenham escutado, estamos aqui a referir-nos ao conflito instaurado entre o externo que diz que estais a levar demasiado tempo (…) que diz que este é o vosso ritmo. É à voz interior que deveis dar ouvidos.



Pergunta: poderias falar acerca do conceito de sinergia e a forma como está relacionado com a singularidade?



Julian: Muito bem. A sinergia constitui uma forma de compromisso que se estabelece entre dois indivíduos únicos ou um grupo de indivíduos únicos. É dizer: “Temos o suficiente em comum para encontrarmos uma situação ou espaço de interacção comum. É a criação do espaço para a interacção. O termo compromisso para muitos, muita vez acarreta o sentimento de ter que abrir mão de alguma coisa. Assim, tal termo utilizado nesse contexto, pode soar erróneo. Mas sempre que se misturam com outros vocês dão algo de vós. Só que dão com base no desejo que sentem e não nas exigências seja de quem for. Assim, não estão a perder coisa nenhuma mas a escolher algo. Percebem a diferença? Se eu disser que preciso dar isto para fazer determinada coisa, estarão encarando isso como um sacrifício que lhes retire a singularidade; mas se aceitarem que esse sacrifício seja a transição, a alteração de uma energia, e se perceberem que o desejo de ser parte de uma coisa qualquer lhes permite tornar esse desejo numa realidade, verão que o farão a partir do desejo que tiverem e não por ordem de mais ninguém. E ao fazê-lo estarão a criar o espaço para a interacção e o intercâmbio.



Pergunta: Como se lida com a dependência no relacionamento? (…)



Julian: Toda a gente precisa sentir-se amado por qualquer forma que seja. Ninguém se encontra tão isolado que não careça de amor ou de afecto. Vocês precisam uns dos outros. Precisam até daqueles que “dão convosco em doidos,” conforme dizem, por os obrigarem a enfrentar aspectos vossos ao os levar a entender-se com as atitudes e as trocas que fazem.



Muitas associações amorosas desenvolvem um factor de dependência. Isso tem lugar quando começam a permitir que a interacção que têm com o semelhante se torne tudo para vós. Ao se deixarem atar demasiado a outra pessoa, fazem disso algo em que se apoiem. Mas por a mudança constituir o único factor absoluto, a associação deverá crescer, passar por alterações, e ser experimentada por diversos modos. Precisam conservar a vossa identidade em qualquer interacção que tenham com os demais. Estabelecem um patamar comum, mas não se tornem numa sombra. Mas por a mudança constituir o único absoluto, sabem que precisa crescer, sofrer alterações e ser experimentada por múltiplas formas.



O exemplo perfeito disso:



Um grupo de indivíduos cresce junto. São companheiros de infância, atravessam os anos iniciais de escola juntos e depois ingressam no colégio ou na faculdade. Quando deixam o colégio ainda conseguirão identificar áreas em torno do que se poderão juntar e ser companheiros. Por terem passado todos por uma outra experiência de aprendizagem, poderão comparar as experiências obtidas no colégio ou liceu. Depois de terem deixado essa situação, passam a lidar com padrões de trabalho; alguns casam e outros não. Diferentes padrões de trabalho alteram as energias. O casamento ou a falta dele estabelece diferentes energias. Esses amigos poderão agora juntar-se e voltar a conversar sobre o liceu ou o colégio, mas após um certo tempo começarão a perceber que a amizade que tinham terá sofrido mudanças. Não se terá tornado negativa mas sofrido uma alteração na energia por eles terem crescido cada um a seu modo e no âmbito da singularidade que os caracteriza. A dependência de uma completa semelhança é trocada pela partilha de uma diversidade de experiências. Esses amigos passam agora a enriquecer-se uns aos outros por meio das diferenças em vez das semelhanças. A partilha tornou-se um vínculo mas não uma dependência.



Toda a gente gosta de se sentir segura. Toda a gente gosta de saber que pode dirigir-se a qualquer parte e que é totalmente aceite. Isso pode criar uma situação de dependência da aceitação para se sentir realizada, o que por sua vez se pode transformar em temor relativamente à tentativa, a menos que encontrem uma garantia de uma situação segura e confortável.



De vez em quando devem sair do círculo da segurança, mas se tiverem colhido uma verdadeira síntese carregarão a qualidade desse círculo convosco e serão capazes de dar lugar à criação de um sentido de segurança onde quer que se encontrem. Nisso reside a diferença entre a aceitação do preceito alheio e a aprendizagem da criação da vossa própria prescrição. De início sentirão apreço pela prescrição alheia até aprenderem a criar a vossa; o que não quer dizer que doravante não desfrutem da prescrição alheia, mas que terão perdido o temor inerente à falta de uma prescrição. E é a isso é o que a síntese faz: faculta-lhes uma situação de crescimento, de resistência, de compreensão, e de seguida de avanço sem que abandonem a síntese original mas a expandam e permitam que se torne numa verdadeira realidade.



...



O "instrumento," tem um (...) que estou certo de já terem ouvido antes, que diz o seguinte:



He drew a circle to shut me out

Heretic, rebel, a thing to flout

But love and I had the wit to win

We drew a circle that took him in.



Ele traçou um círculo para me excluir

Como um herege e um rebelde, e o desprezo me lançou

Mas o amor e eu tivemos sagacidade para o impedir

E traçamos um círculo que o cativou.



(NT: Na verdade trata-se de um soneto da autoria de Edwin Markham, que se intitula "Outwitted")



Não conseguirão ver círculo após círculo a formar-se e a expandir e a aumentar, até que nada reste para além do amor? Mas, que é o amor? O amor não consiste na arregimentação do pensamento. Amor não é toda a gente a fazer a mesma coisa, mas a disposição de aceitar alguém que não faça o mesmo. E a ênfase assenta em vós, no percebimento de que conseguem fazer isso.



Pergunta: (...) defrontamo-nos com alguém que parece andar à deriva e sem rumo e que não sabe o que quer. Parecerá andar a vagar sem rumo e sem remo e incapaz de alcançar resultados, nem sabe para que lado se voltar...



Julian: Quando uma pessoa não tem rumo ela deveria simplesmente investigar o que é capaz de fazer, escolher uma coisa e de seguida tratar de a realizar. Aquilo de que precisa é de obter sentido de realização em qualquer coisa. Ela poderá desabafar e comentar com os seus botões ou com os demais que não consegue chegar a parte nenhuma, e que nada está a seu favor, e jamais ter chegado a reflectir no que é que quer que encontre a seu favor, no que quer.



Pergunta: Não sabe.



Julian: Pois. Ela precisa deixar a muleta do "Não sei," e precisa dizer: "Eu não sei, mas vou fazer qualquer coisa," por não fazer qualquer diferença. Precisa focar-se em alguma coisa a fim de provar a si mesma que é produtiva. Assim que conseguir ser produtiva numa área quererá ser produtiva numa outra. Daí resultará o enfoque e a realização das suas capacidades. Podem ficar sentados e dizer que nada sucede, que nada parecerá suceder, mas até que faça uso da sua energia, nada poderá suceder

38:12e dispor-se a sanergia, nada poderr n  conhecer antes. . Aquele que almeja um bom emprego numa determinada área sabe que há determinadas coisas que deve realizar para lá chegar. Deve dispor-se a cultivar as competências que exige, deve dispor-se a dedicar-lhe energia e deve dispor-se a ir à sua procura. Se não lhe dedicar energia, jamais saberá o que fazer. Por outras palavras, se não souber como ser responsável, não conseguirá manusear a responsabilidade.



Precisam permitir-se cultivá-la por pequenos incrementos que mais tarde os conduzirão a êxitos mais expressivos e a uma realização mais significativa. Quando uma pessoa apresenta uma noção de falta de rumo, ela deve simplesmente assumir um – um rumo qualquer positivo - que lhe permita ver que rende sucesso. Isso permitir-lhe-á experimentar a realização, realização essa que, por sua vez, o encorajará a obter mais sucesso. Se se sentarem e jamais se mexerem, cedo começarão a atrofiar e deixarão de saber como mover-se; esquecerão como fazer por que isso aconteça. Passado um tempo não conseguirão sequer focar-se num movimento que seja. A energia precisa mover-se para se manifestar. Sempre que uma oportunidade se lhes apresentar, devem agir com base nela e agitar a energia que apresentar para se tornar produtiva. Têm que pôr a vossa energia em movimento, têm que agitar o pote a fim de permitirem tornar-se num vórtice que se torne no magneto que atraia para vós aquilo de que precisam.



A melhor coisa que poderão fazer por uma criança é deixá-la tomar decisões. A melhor coisa que poderão fazer por uma criança é deixar que tome decisões erradas, que lhes permita compreender a responsabilidade que as acompanha. Não podem viver a vida por eles; eles precisam fazê-lo eles próprios e ser capazes de tomar decisões acerca da sua vida. O que não quer dizer que não os amem nem os apoiem, mas que que permitem que determinem escolhas ou alternativas na sua vida enquanto tentam orientá-los e ao mesmo tempo deixam que compreendam que são indivíduos únicos. Não se pode esperar que uma pessoa a quem jamais foi permitido que tomasse uma decisão na idade de cinco ou seis ou sete ou dos doze, e a quem sempre tenha sido dito o que fazer, saiba como fazer com que o processo ocorra sozinha. Quando um pássaro aprende a voar, quando atinge uma certa fase, os progenitores expulsam-no do ninho: “Voa ou cai.” Isso poderá parecer um tanto brusco, mas a questão a recordar é que se trata da natureza; e a natureza sabe quando avançar e quando deter-se. E a natureza avança muito mais rapidamente. Assim, os pais desde o início, precisam começar a treinar a criança a ser uma pessoa livre e única que toma decisões. Essa é a maior bênção que poderão dar à criança, pois vós sois únicos.



Ora bem, isso não quer dizer que possam deixá-los correr por entre o tráfego aos três anos, mas ensinam-nos a respeitar as luzes do tráfego e dizem-lhes quando é seguro circular. Não subestimem o poder subjacente à mente da criança. E pelo amor de Deus, não sufoquem as forças criativas da criança. Já viram uma criança com um lenço atado ao corpo como se fosse o super-homem? Ou com uma cortina atada à cabeça como se fosse uma noiva? (Riso) A sua mente criativa não adopta os obstáculos que os adultos adoptam. Deixem que essa mente criativa seja única, e saberão como manusear as situações, e não saltar de edifícios altos. Mas precisam deixar de comentar em termos: “Não sejas idiota, para com essa estupidez.” E por amor de Deus, permitam que a criança se suje, porque uma criança que jamais toque na terra, jamais chegará a compreender a Terra. Não os encorajem a ser lixeiros, mas deixem que contactem a terra. A criança que brinca de fazer bolos de lama não só está em contacto com a terra, como está a usar o pensamento criativo, e está a usar da magia que irá precisar para o resto da sua vida, e a menos que os venham a ingerir, deixem que os façam. (Rir)



Pergunta: (Inaudível)



Julian: Há diversos factores que determinam o aspecto que uma pessoa venha a ter na vida. Dado que cada um é único, cada um utiliza o enfoque que achar melhor. Cada energia encara a vida a seu modo, deferente do das outras. Uma pessoa quererá saber o que a leva a funcionar, porque existirá, e poderá tornar-se bastante metódica nos padrões de pensamento que desenvolva. Outras sentirão vontade de experimentar tudo e só então reflectirão no que fazer com isso. Uns não são melhores do que os outros, mas agirão de acordo com a natureza individual que têm. Contudo, a acção é a única coisa que fará com que algo se materialize, e a acção concentrada constituirá a grandeza mais forte subjacente a essa materialização. Desse modo, uma forma de concentração precisa achar-se-á presente para que faça com que aconteça.



Se as pessoas viverem perfeitamente contentes e sem fazerem por que nada aconteça nas suas vidas, não tem importância, dependendo do facto de não o imporem a mais ninguém. Caso jamais queiram trabalhar e queiram unicamente sentar-se e nada fazer e deixar de utilizar as capacidades que tenham, isso será decisão que terá cabimento no livre-arbítrio de que gozam. Deus concedeu-lhes livre-arbítrio e isso nada representará de errado desde que não afecte os demais. Mas se esperarem que os outros lhes mantenham o padrão de vida, aí tornar-se-á carma e uma imposição aos outros por que precisarão responder por uma forma qualquer.



Há quem diga que tem alma de cigano e que viaja por toda a parte a visitar os amigos. Mas que pensará quem tiver que lhes dar alojamento? Se não se sentirem incomodados com isso, óptimo. Todavia, a mesma energia empregue na indolência podia ser utilizada construtivamente. Preocupar-se por saber de onde virá a próxima refeição requer o dispêndio de muita energia. Muitos veem-se numa posição dessas contra a vontade, e esforçam-se numa tentativa por o mudar, ao passo que outros tornam isso num modo de vida.



Pergunta: (Inaudível)



Julian: Por vontade de uma livre escolha. Alguém que se sente e diga: “Nada me acontece, nem nada alguma vez me acontecerá,” não tenta fazer algo por que faça acontecer. Uma pessoa assim aceita e projecta o fracasso com a afirmação repetida disso. Por vezes as pessoas fantasiam com a realização mas não se sentem preparadas para assumir qualquer responsabilidade para com o objectivo almejado. Não empreendem qualquer esforço que o torne real, mas ainda assim insistem que nada sucede por causa dos outros ou por causa da falta de sorte. A verdade é que isso não passa de fantasia.



Ainda em relação à pergunta que formulaste. As pessoas que têm diferentes caminhos na vida formam esses caminhos com base no padrão único da energia que geram e o que tiverem sido permitidos desenvolver no âmbito da energia da sua personalidade por uma directiva assente no livre-arbítrio. Por conseguinte, não lhes é imposto. São dotados de uma energia que constitui o veículo e a maneira que basicamente constitui a forma única por que podem expressar-se. A forma como a edificam cabe-vos a vós em todos os casos. Há padrões de aprendizagem que acompanham essa energia. Isto servirá de alguma ajuda?



Pergunta: Serve, mas qual será a origem da indecisão?



Julian: A fonte de tal indecisão reside na insegurança e na falta de fé que tem em si mesmo. No receio de tomar decisões erradas. Mas não existem decisões erradas. Unicamente o que fazem com o que decidirem após o terem decidido as torna positivas ou negativas. Se tomarem uma decisão e depois pensarem que outra coisa seria melhor, poderão passar a vida a lamentá-la sem sair do lugar. Ou então usem-na no sentido de obterem tudo quanto puderem dela, usem-na como um trampolim para outra coisa qualquer. Dediquem tudo quanto puderem para prenderem com isso. Lembrem-se que podem pegar nessa energia e alterá-la e tornar-se num decisor.



Mas a questão a perceber é a seguinte: O que precisam perceber é o seguinte: É melhor proceder a um movimento qualquer do que não dar um passo. Poderão ficar a analisar uma decisão pelo resto da vossa vida e nunca chegar a tomá-la, assim como poderão dizer: “Isto é o melhor que me é dado ver; vou assumi-lo e usá-lo.” O problema está em que as pessoas tenham a ideia de que se tomar a decisão de definir um rumo para a vida ela venha a perdurar para o resto das suas vidas, e que jamais venham a ser capazes de fazer outra coisa. O único absoluto que existe é a mudança. Se tomarem a decisão de experimentar algo e isso não sair conforme esperavam, nada há que os impeça de tomar uma outra decisão, ou outra via, desde que se disponham a aplicar-lhe energia, empenho. Conquanto alguns se predisponham a tomar uma decisão ou se precipitem a decidir sem analisarem adequadamente, já outros analisam durante toda a sua vida e jamais chegam a dar um passo. Isso representa a disparidade da polaridade em que se acham inseridos, mas precisam achar um meio-termo como expressão da melhor forma de equilíbrio. Nada há que não possa ser mudado na vida – nada! – conquanto se disponham a tratar de o mudar.



Pergunta: Eu tenho uma pergunta acerca do ódio. Tu mencionas bastante que ao aprendermos mais acerca de nós próprios e acerca da singularidade que nos caracteriza nós (...) que gostamos de designar como algo negativo, o que de facto não é verdade, por conduzir a um advento positivo. Isso também prevalecerá verdadeiro em relação ao ódio ou o ódio de facto será destrutivo?



Julian: Após uns trinta segundos o ódio torna-se destrutivo. Esse é o mecanismo natural de defesa do corpo Lembrem-se de que à raiva, à culpa e mesmo ao ódio são permitidos uns trinta segundos de expressão. Esse é o limite que o mecanismo das defesas naturais do corpo permite. A essa altura precisarão decidir fazer disso controlo do ego ou descobrir o que os tenha levado a achar isso necessário e a alterá-lo em vós, de modo a poderem seguir em frente.



Pergunta: Então, após esse período, deixa de ser... (Inaudível)



Julian: Torna-se... (Inaudível)



Pergunta: ... (Inaudível) alguma confusão acerca do controlo... cinco minutos. O melhor da minha vida tem sido com base no meu ego. Mas agora ando a tentar activar o núcleo divino dentro de mim, mas não sei o que será único. Será o meu ego único? Será o núcleo divino em mim único? Não sei o que seja único, e a ser assim, que será que é suposto que faça, e além disso, percebo que preciso passar por uma certa escuridão, por não poder permanecer sempre numa situação maravilhosa. Assim, penso que a pergunta que queira fazer seja algo do género: Que será que posso esperar agora que o entendo? (Riso geral)



Julian: Entende que a singularidade constitui a tua individualidade. Não tem nada que ver com o ego, para além do facto do ego atentar contra ela. Agora, sabem que podem dar uma cotovelada quando acham demasiado e têm vontade de o golpear; se, toda a vez que o ego a golpear pensarem que precisam parecer um vidente, perdem contacto com o indivíduo único que constitui a vossa alma. De vez em quando precisam dizer "não.” Questionem-se se serão felizes. Se se encontrarem num estado estéril, e tratarem de trabalhar com o vosso potencial, obterão uma sensação de alegria, uma sensação de satisfação.



Lembram-se de lhes ter dito que cada um de vocês obtém um ímpeto da configuração dos céus que os levam a encarar as coisas de uma certa forma? No caso de alguns, leva-os a encarar as coisas com medo ou com vontade de recuar, ou com vontade de analisar. O elemento inerente àquilo que são é a abordagem única que usam relativamente à vida. E assim, muito embora sejam compostos por muitos, vocês têm aquilo que no vosso mundo chamam o vosso signo solar e esse signo solar constitui a atitude natural e instintiva que sentem em relação a todas as coisas, não importa o que se siga a isso, mas o primeiro instinto natural procede daí. Assim, abordam-no com uma pessoa do elemento terra, do elemento fogo, do elemento ar, do elemento água. Vocês imaginam como satisfazê-la pensam-na, põem-na em acção, ou exigem conhecê-la e compreendem-na.



Agora, ao longo da jornada da vida vocês também fazem por se integrar nos outros elementos. Precisam dizer: "Porque terá que ser sempre deste modo?" E com efeito arranjam tempo para investigar as outras maneiras, e para compreender que não se acham em conflito, por serem simplesmente as abordagens que os outros usam. Quanto à vossa própria qualidade única, precisam trazê-la ao de cima e fazê-la operar a vosso favor. É disso que se trata, fazê-la operar a vosso favor. Mas não o poderão conseguir segundo as orientação alheia mas pela vossa própria orientação interior. Caso contrário poderão dispor das orientações externas que quiserem, que ainda assim vão precisar tomar a decisão inicial, em vós próprios. Vocês são o vosso próprio filtro, e determinam o que virão a (...) ou determinam o que virão a aceitar e determinam o que desconsiderar no relacionamento que têm convosco próprios. Com conhecimento de que ao fazerem isso, também acatam a responsabilidade que lhes cabe por tal decisão. E com conhecimento de que o que põem em marcha move consequências.

Por exemplo, se eu optar por ser crítico, preciso ter noção de vir a ser julgado pela lei universal da causa e do efeito, por uma via qualquer. Se escolher julgar os outros com regularidade, também precisarei aceitar que as pessoas não gostem disso e poderei dar por mim sem muitos amigos ao redor. Nesse caso precisarei questionar-me se será isso que quero. O enfoque que exerço estará a conduzir-me a uma situação que a minha realidade efectivamente não deseje? Deveria proceder a alterações em mim próprio no ínterim?

Se tiverem estado nesse centro de vós próprios, a partir de desse ponto estarão sempre em (...) com isso. Por isso, deixam que isso seja filtrado ao longo da vida e deixam que isso os ajude a modificar as situações em que criam bloqueios para vós próprios. Aquietem-se e saibam que Eu Sou Deus. Regressem a esse centro e deixem que aconteça.



Pergunta: Nesse caso, como havemos de abordar algo do género do racismo e do machismo, ou coisas dessa natureza?



Julian: Muito bem. Sim, como abordas tu isso? Em que é que acreditas? Tu levantas-te e defendes aquilo em que acreditas. Ora bem, tu tens o direito divino do discernimento, o direito a dizer que não te agrada o que estiver a ser feito, e que não queres que isso faça parte da tua vida, mas não tens o direito de o julgar. Deixa o juízo para a lei universal. Mas abençoas o divino neles, que poderá ainda achar-se oculto, no teu ponto de vista, mas não no deles.



Pergunta: (...) impedir de obtermos o emprego que queremos... Mas é muito difícil mudar alguém a partir do exterior. Podemos viver estas coisas, mas na realidade, ela quererá saber...



Julian: Claro que sim. Recorda que eu afirmei que o indivíduo único funciona no enquadramento da estrutura da cultura. E a cultura, nesta altura, acha-se no auge das dores da mudança de uma abordagem bastante pragmática relativamente ao que pode ou não pode ser, para uma abordagem muito mais flexível. Mas toda a mudança dessa natureza leva tempo. Acontece que têm existência na orla da mudança e sentem a frustração que lhe é inerente. Ora bem, há várias coisas que deverão buscar, e deverão buscá-lo no vosso íntimo. Se não conseguirem o emprego precisam indagar de vós próprios porquê. É demasiado fácil atribuir isso ao racismo ou à atitude alheia. Mas também precisarão questionar-se se alguém mais terá estado mais qualificado do que vós. Teriam tudo quanto necessitariam para se sentir qualificados? Precisam ter em mente que os rótulos não passam de vias de escape que podem ser usados a fim de os levar a deixar de tentar. Também poderão dizer: "Não resultou aqui, mas não vou desistir, se tiver que saber mais vou consegui-lo e vou para outro lado e vou continuar a tentar.



Agora, uma das coisas que precisam reconhecer, no vosso mundo, é que há coisas criadas pela cultura que existem e que precisam ser trabalhadas., e que não podem deixar que se torne numa parte de vós que os consuma, que é o que a rotulação faz. Uma cultura, uma raça, são rotuladas, e aí usam isso a título de desculpa. E não pode ser isso que os faça funcionar. Precisam dizer: "Eu acredito em mim. Eu esbarrei com este impedimento, mas posso contorná-lo ou passar por cima," e não deixar que lhes prejudique a crença que têm em vós próprios. Essa é a estrutura cultural em que a vossa singularidade funciona neste momento actual de mudança no vosso mundo. Estais a chegar à fraternidade, estão à beira daquilo que irá soltar essa fraternidade, de modo que ela vingue…



Pergunta: Penso que pessoalidade seja termo mais indicado.



Julian: O quê?



Pergunta: Pessoalidade. Pois, bem, se quiseres utilizar esse termo, fá-lo. Onde é que nos situamos na humanidade, não é?



Julian: Isso deve-se a que entendas isso como um ataque pessoal. Humanidade é um termo, Deus é outro termo. Usais o termos Deus por falta de outro melhor, mas trata-se de um termo, entendes? Mas não encontro importância alguma nisso. Agora, tenho que impedir que ela (o “instrumento,” June Burke) se desidrate. (NT: Periodicamente dão-lhe a beber água) A sensação de que possamos forçá-la, o que daria uma rica confusão. (A plateia ri como bandeiras despregadas). Eu estou a aprender bastante no vosso mundo.



A questão assenta no seguinte. Quando um passo é iniciado e muita vez oscila muito longe e acelera, até que seja filtrado percebam e o conduzam de volta ao ponto de dança entre o que foi e entre o que virá a ser, resultarão atitudes hostis. Presentemente existe um conflito entre a profissão médica e os terapeutas holísticos, e até que ambos comecem a ceder, ninguém sairá beneficiado. Esse mesmo conflito acha-se patente entre homem e mulher. Que será que terá de errado ser mulher? Eu posso questioná-lo por não ter nenhum dos sexos. Não tenho por que me defender. (Riso) A feminilidade é adorável, mas que nada tem que ver com a debilidade. A masculinidade é formidável, mas que nada tem que ver com a capacidade. Vocês possuem uma mente e uma alma e são dotados do desejo de crescimento. A própria construção do corpo diz que a determinada altura não é apropriado a mulher fazer certas coisas, que por uma questão de lógica nada terão que ver com o racismo nem com a feminilidade nem com coisa alguma. O poder que atribuem a algo procede de dentro de vós, e uma palavra nada tem que ver com isso. Se recearem que a palavra “humanidade” os diminua, ela fá-lo-á.



Pergunta: É que a acho demasiado inclusiva… (Inaudível) É que com o termo fraternidade nós não… Digamos que vamos a uma entrevista para um emprego, e que sabemos o que… é demasiado absurdo.



Julian: É claro que é. Mas eu digo-te que este é o tempo em que a mudança está a ocorrer no vosso mundo. O que fizeres com ele poderá tanto destruir-te como conduzir-te adiante na tua feminilidade e levar-te a chegar onde queres. Não o utilizes como uma via de escape para aquilo que és.



Pergunta: Que poderei fazer acerca disso? Deixar-me intimidar? Quero dizer, não consigo mudar isso.



Julian: Ah, mas isso é que podes! Não o podes ter ambos os casos, masculino e feminino, entendes? Eu não sou macho nem fêmea de modo que não tenho preferências nem partido a defender, mas o que estou a dizer é o seguinte: Se vos permitirdes tornar mais masculinizados na vossa atitude, mais agressivas por o homem ter sido o agressor, então começarás a usar dessa atitude na abordagem que fizeres da vida. O problema está em que no ponto de mudança que recai sobre a vossa sociedade actualmente, as pessoas estão a encarar a aceitação como uma guerra. Estão em pé de guerra com a masculinidade. Mas toda a gente é ambas as coisas, feminino e masculino, e precisa aceitar isso no seu íntimo, e deixar que venha ao de cima como uma forma de equilíbrio.



Actualmente estão a fazer face a um tempo estranho no vosso mundo, por duas razões: Durante imenso tempo, na vossa sociedade, o masculino constituiu o provedor enquanto o feminino esteve ligado ao trato da casa, etc., o que era coisa bastante respeitável para ela, e de que podia orgulhar-se. Notavam mesmo que o aceitava na íntegra. Por não ter qualquer desejo de ser aceite de qualquer outra forma.



Pergunta: … necessidade económica.



Julian: Uma mulher casava por uma questão de protecção e do apoio do homem – não por que não se amem um ao outro – de modo que se encontravam num ponto no tempo em que ambos aceitavam isso como coisa normal. Hoje vocês encontram-se numa situação de mudança, tudo está em mudança actualmente, e vocês estão a voltar à vossa condição anterior de androginia, que traduz um feminilidade e uma masculinidade activas em vós próprios. O que quer dizer que a mulher passa a ter o desejo de ser mais agressiva e não mais desempenhar o papel de fraca mas sentirá vontade de expressar uma agressividade e de ser activa, e quer ter uma carreira própria. O homem procurará expressar o seu lado delicado ao reconhecer que não faz mal ser gentil, que não tem mal deixar transparecer o seu lado feminino. Assim, acham-se presos no rebordo dessa mudança. E sempre que se instaura uma mudança, sobrevém um período de conflito. Vocês também se situam num período em que se verifica uma tensão económica, no mundo, e o instinto natural baseado no que tem imperado é o de que o homem obtém o emprego por ser suposto (…) O mundo de hoje, com todas as mulheres que apoiam os companheiros ainda é novidade. Precisam dizer: “Tudo bem, eu acredito em mim, por isso vou continuar a tentar.”



Pergunta: Eu tenho vindo a debater-me ao longo dos anos, mas ultimamente tem sido mais intenso. Eu escutei o pequeno dentro de mim durante muitos anos a clamar que é único, para o soltar, mas existia uma voz externa que dizia ser o ego e que ele precisava viver a sua vida por intermédio dele, antes de mais. E a luta tem-se intensificado ultimamente por ter consciência de que bem fundo dentro de mim não consigo encontrar a felicidade se não arrancar esta enorme voz do pequeno para fora. Assim, creio que a pergunta que estou a fazer seja: Quero saber como deixá-lo sair, mas por outro lado, um modo qualquer ou sugestão no sentido de descobrir onde encontrar forças para deixar essa pessoa vir ao de cima.



Julian: O maior problema subjacente ao reconhecimento da singularidade da pessoa brote passa por pensarem que tenha que ser uma coisa grandiosa. Deixem que essa singularidade se plasme nas pequenas coisas. Tomem decisões que normalmente não tomariam. Deixem que corra dentro de vós o que a voz interior pronunciar. Ao se sentirem confortáveis com isso, descobrirão ser capazes de tomar decisões mais avançadas e de dar passos mais largos. Serão cada vez mais capazes de avançar ao permitirem que o interior tenha controlo sobre o exterior. Por isso, não tentes dar um salto qualitativo, mas dá um passo de cada vez, pelas pequenas coisas da vida.



Pergunta: (Relativa aos trinta segundos iniciais da legitimidade para sentir emoções negativas como raiva, ódio, etc. Como entrar em contacto com os sentimentos e experimentá-los e libertá-los.)



Julian: A raiva, o ódio, o ressentimento, a culpa e o medo, é tudo gerado a nível emocional, mas constitui tudo energia. Para se tornarem destemidos precisam dar um passo de encontro ao medo. Se recearem não ser aceites, nesse caso interroguem-se do que fará de uma pessoa aceite. Façam uma lista do que seja, e tratem de ir ao seu encontro. O primeiro passo rumo a tal mudança também será o primeiro passo no sentido de se convencerem de que são aceites. Precisam dar um passo lógico no sentido da alteração do que quer que seja que temam. A raiva diz-lhes que há algo em vós que é incapaz de aceitar o que estiver a acontecer, pelo que precisam interrogar-se do que seja. A expressão de energia que é a emoção constitui um sintoma do que ocorre no vosso íntimo. Voltem-se para dentro e descubram a razão.



Falamos noutras classes acerca de coisas que trazem do vosso passado, e não me refiro às vidas passadas, mas desta em particular. Quando ocorre um incidente, que os leva a adoptar uma certa atitude em face da vossa vida até que se interroguem acerca do porquê. Precisam dirigir-se ao interior. “Porque é que certas circunstâncias me levam sempre a sentir (…) Voltem-se para essa descoberta pessoal através do que sucede nos passos (…)



Pergunta: (…) coisas interessantes que acontecem na vida que me levaram de algum modo a duvidar de uma amiga e a duvidar de mim própria, assim como à capacidade ou direito que tenho de estar errada. E queria saber se isso (…)



Julian: Como é que uma pessoa chega atrás e se torna de novo íntegra quando se chega a um período de dúvida acerca dela própria e dos amigos, e é capaz de ser amada, etc. Uma vez mais, volta ao ponto em que tiveres começado a sentir assim, e examina o que sucedia na vida nessa altura. Porquê, qual terá sido a razão para te teres sentido humilhada ou inferior pelo que estava a suceder? E eu tenho uma coisa dizer-te. Uma das áreas mais significativas de derrota pessoal no vosso mundo é a dos relacionamentos. Porque vocês penetram num relacionamento e depois há algo de errado com o relacionamento que vocês não resolvem, e começam a sentir não ser capazes de ter um relacionamento. Mas o que realmente acontece é um catalisador os impede de entrar num que a longo prazo não venha a ser mantido e não seja bom para vós.



Assim, precisam reconhecer a dada altura as emoções, as reacções naturais como o ressentimento, etc., vêm ao de cima e expressam: “Tens vindo a martelar nisso. Foste magoada, foste rejeitada,” e o instinto que têm é de se voltarem para dentro e ocultar. Mas aí a singularidade em vós surge e diz: “Ah, não. Olha para ti, amiga.” E isso aplica-se-vos a todos. Porque a determinada altura na vida experimentam as coisas como se estivessem a ser temperados pelo fogo. Na altura poderão parecer negativas, mas não são. Elas conferem-lhes vigor para tomarem decisões acerca do que realmente querem da vida. Muita vez sentem-se diminuídos numa relação, mas se disserem a vós próprios que agora já sabem aquilo que não querem e que não querem experimentar determinada coisa ou determinadas circunstâncias de novo, serão capazes de reconhecer os vossos pontos fortes. E aí questionam-se acerca do que realmente querem e para onde se dirigir a partir daí. Vão até onde (…) e pedem a vocês próprios que lhes seja mostrado, e daí seguem em frente.



Pergunta: (Inaudível)



Julian: De quanto tempo dispomos? (Alguém responde: Aproximadamente uns quinze minutos) Muito bem. Vou-lhes pedir para se sentarem em silêncio, inspirem fundo, e deixem-se descontrair. Pensem em vocês conforme são neste instante. Olhem para vocês próprios, vejam o aspecto que têm e como se sentem. Vejam se são capazes de sorrir ou de franzir o sobrolho, quando o fazem. Permitam-se pensar em vocês. (Pausa)



MEDITAÇÃO



Agora pensem em vocês enquanto seres compostos de camadas múltiplas e comecem a retirar as camadas externas do vosso ser. Isto quer dizer que não têm que se esconder atrás de uma fachada. Soltem essa realidade externa que revelam aos outros e voltem-se para dentro ao se libertarem dessa fachada externa. A casca rija que eram dissolve-se e tornam-se numa pessoa mais branda. (Pausa)



Agora retirem uma outra camada do vosso ser e que enquanto o fazem tomem consciência da vibração que emitem. Que tomem consciência da vossa própria energia. Não são mais a fachada nem a casca rija mas tornaram-se maleáveis e flexíveis por vós próprios. (Pausa)



Retirem ainda uma outra camada. Têm não só consciência da vossa própria energia como também tomam consciência da vossa luz interior. Deixaram de ser uma fachada e uma casca rija e tornaram-se mais do que maleáveis e flexíveis por mote próprio. Chegaram a ponto de serem capazes de vislumbrar a realidade que encerram. (Pausa)



Agora examinem esse Eu maleável e suave, flexível e leve e considerem as mudanças que gostariam de instaurar. As coisas que gostariam de ser. Lembrem-se que conforme um homem (ou uma mulher) pensa, assim também se torna. Penetraram na zona da vossa própria reforma. Assumam as atitudes que gostariam de possuir, as orientações e os enfoques que querem passar a adoptar e coloquem-nos bem no fundo da vossa luz. Pensem neles com clareza e precisão como se os colocassem num receptáculo como vossos.



Inspirem fundo e afirmem o seguinte:



Eu aceito a mudança

Eu dirijo a mudança

Eu sei que isso é assim.



Permitam-se de novo ver o corpo de luz suave em que se tornaram. Sintam o vosso nível vibratório a elevar-se. Estão a vibrar a uma maior velocidade. Permitam que a elevação da luz queime literalmente todos os bloqueios anteriores.



Aceitem que nada os poderá impedir de se tornarem aquilo em para que quiserem orientar-se, aquilo por que quiserem aceitar responsabilidade. Estão a queimar os bloqueios. Quero que percebam que ao vibrar a essa velocidade mais profunda e numa frequência mais elevada, estão a soltar a densidade que os segava. Encontram-se agora a operar na luz pura que constitui a essência do vosso ser, luz pura que permite que o vosso ser criativo flua, exista e se expanda. São amor, luz e alegria, capazes de se focar e de avançar e de se expandir. Jamais poderão deixar de usar o potencial que passaram a aceitar esta noite. A capacidade que têm de funcionar conforme desejam de modo que seja útil e saudável para vocês constitui agora uma percepção profundamente arraigada.



Dediquem um instante à contemplação da luz e a sentirem o amor. Circundem os braços ao vosso redor e sintam o amor a brotar para convosco próprios proveniente do vosso íntimo. Sintam-no a penetrá-los à medida que se aceitam enquanto o ser amoroso e adorável que são. Percebam que vocês e Deus são UM. Esse Eu Superior irá então dirigi-los na medida em que aceitarem o amor. Acreditem em vocês e confiem no vosso ser interior.



Agora inspirem fundo e permitam-se cobrir o corpo com um lençol protector de luz. São um ser amoroso e confiante protegido pela Luz Branca que poderão invocar a qualquer altura. Encontram-se, assim, protegidos do mundo crasso mas não mais se encontram enrijecidos numa casca protectora. Não se encontram vulneráveis mas protegidos, mas têm consciência do ser luminoso, e do ser belo e amoroso que são. Aceitem-no.



Agora gostaria que pegassem na mão da pessoa que se encontra junto a vós e que sintam proceder a um intercâmbio de luz com ela. Sintam-se não vulneráveis em relação a ela, mas que a aceitem. E sintam-se livres para existir.



Inspirem fundo e permitam-se regressar a este local, a este tempo.



Aquilo que estiveram a fazer, por meio da visualização auto imposta foi abrir-se e afastar o mecanismo de defesa que os impede de se voltar para o exterior, e dirigiram-se para o interior e plantado uma semente, e notaram essa semente e deixaram-na vir ao de cima (…) que será libertada, e que aumentará a partir daqui. (Ouvem-se expirações profundas e comoção na plateia) Vocês são o jardineiro e sempre que desejarem poderão trazer isso ao de cima, ou fechar a porta e voltar à casca rija. Assim como poderão regar isso, cheirar os rebentos e deixar que isso venha para fora. Desfrutem cada momento, entendem? É estupendo.



Há outra coisa que quero dizer. As lágrimas não são coisa negativa mas um expurgo de alegria, tristeza, raiva, culpa. Jamais temam deixá-las eclodir, quer sejam homem ou mulher, por representarem uma libertação saudável.



E agora penso que será altura de libertar o “instrumento”. Agradeço-lhes o facto de terem permitido que partilhasse o meu mundo com o vosso. Creio que o instrumento não estará disponível por algum tempo; ele nunca está, nunca sei… (riso) Agradecemos-lhes a partilha que fizeram.



Grupo: (Em uníssono) Obrigado.



Julian: Possam o amor e a luz acompanhá-los sempre. E agora, em nome do Pai e dos Filhos e do Espírito, dispenso-lhes a minha bênção e me despeço.





Copyright © 2003 Saul Srour
Authors: June K. Burke and the Seraph Julian



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