domingo, 5 de abril de 2015

VIVER NO MOMENTO II




Boa noite. Estou mais que satisfeito por uma vez mais estar convosco, e por debater esta noite o tema que elegeram, que é viver no momento.


No vosso mundo impera muita coisa acerca do futuro; pensamento progressista, etc. Como os tornar numa pessoa melhor, por todos percebermos que não sucede da noite para o dia, e se interrogarem quanto ao que fazer entretanto. “Com hei-de agir e interagir comigo próprio e com os demais no momento, exactamente agora, antes de ser capaz de compreender de forma cabal os padrões do novo modo de pensar que me permitam viver à vontade com os outros?”


É no momento que constroem o futuro; o futuro não reside algures mas tem lugar neste momento, exactamente agora. Os componentes daquilo em que poderão tornar-se encontram-se aqui e agora viver no momento significa viver com alegria no espaço em que se encontram. Perceber o vosso objectivo como palpável no espaço em que se encontram. Deixar de ver o momento em que se encontram como uma adversidade para com o objectivo que têm nem como distinto, reconhecendo que poderá nunca ser algo que possam envergar como um chapéu para um momento especial, posteriormente na vida, mas que é algo que vivem em todas as partes de vocês próprios em cada instante em que se encontram.


Assim, quando pretendem ser alguma coisa, precisam primeiro aceitar, exactamente agora e seja por que meio for, que se encontra em funcionamento exactamente neste instante. A criança na escola poderá não perceber qualquer razão para aprender a escrever ou ler, e mais tarde perceber que isso teria uma relação, que a matemática que tanto detestara antes, na verdade se revelara muito importante para se tornar no que quererá ter querido ser, por precisar medir e contar, nessa sua vida, precisar lidar com finanças. E assim, por fim começa a entender que um pouco e aplicação na tabela da multiplicação se poderá tornar numa parte muito importante da sua vida, vinte ou trinta anos mais tarde.


Assim, a primeira coisa para viverem no momento, consta da aceitação de que o momento é importante, que está relacionado com a meta que pretendem atingir, e que comporta em si os componentes da felicidade. Porquanto não importa o quanto pensem que tudo na vossa vida esteja errado, torna-se importante que esteja pela lei da polaridade. Para tudo quanto se ache errado na vossa vida existe um “certo” oculto que poderão tocar e descobrir e produzir. Por isso, precisam buscar a luz quando as coisas se apresentam nebulosas. Torna-se-vos muito correcto ligar o interruptor da luz na parede quando o dia se põe nebuloso, de modo que a luz volte a instaurar-se; fazem-no de forma irrefletida. Mas possuem interruptores da luz igualmente em vós, e o importante está em se permitirem ligar os interruptores em vocês no momento em que se encontram.


Toda a gente passa por períodos que parecerão escuros, ou de escuridão, de temor, mas precisam aprender que também isso faz parte da polaridade da luz. O tempo e a força que o seu poder exerce sobre vós depende da forma como lidarem com ela. Quando pensam: “É isto; terminou!” encorajam as coisas a atingir um término. E quando exclamam: “Oh, não, ainda sou quem sou,” continuam a ser cada vez mais e em mais larga escala o que tenham sido antes.

Quando num determinado momento se encontram em conflito, precisam interrogar-se da melhor forma de vocês e só vocês poderem ajuizar a razão para constituir uma forma de desconforto para vós nesse instante. Que é que temem, de que forma estarão a julgar o vosso espaço e que é que lhes está a suceder, e se estarão numa postura da personalidade do ego a agarrar-se a ideias pré-concebidas que na realidade estejam a bloquear-lhes a alegria e o sucesso. E toda a gente se atem a ideias pré-concebidas que lhes impedem o esplendor da alegria e do futuro. 


Tudo na vida se baseia no sacrifício e na forma, o que quer dizer abrir mão de uma coisa qualquer para assumir outra qualquer. Por vezes aquilo de que abrem mão é uma opinião; pode ser tão simples quanto isso. Pode ser tão simples quanto abrir mão de uma ideia definida da existência de uma só maneira da vossa vida resultar. Quantas vezes já não terão tido aquela sensação: “Já defini o meu objectivo; é para aí quero ir, e vou avançar.” Mas ao longo do percurso não deixam de se debater e afadigam-se e pensam se realmente valerá a pena. Tais sinais por si só deveriam ser suficientes para se deterem e reavaliarem o momento em que se encontram. Descubram a razão por que constitui um momento que os está a deixar derrotados. E pode ser duas coisas: Pode ser o vosso Ser Interior a dizer-lhes que o vosso objectivo devia comportar uma variante, assim como poderá ser alguma outra coisa que nesse instante esteja a tingir-lhes a forma com se sentem em relação a tudo.


O exemplo perfeito será o de alguma coisa que corra mal no trabalho e vocês começam a pensar nisso sem parar, e na altura em que deviam acabar com a diversão entram em completa combustão e sentem-se verdadeiramente irritados e perturbados, e chegam a casa e despejam tudo sobre os familiares, por serem os únicos que não podem esgueirar-se e que têm que lhes dar ouvidos por se acharem presos, e sabem que estão bem seguros nessa situação. Não estariam quando se teria proporcionado, por se sentirem preocupados com o que pudesse suceder. Mas voltam para casa como para um quartel de abrigo e despejam tudo. Nessa situação terão criado uma situação infeliz que apenas irá prolongar a infelicidade que carregam, por agora terem acrescentado sentimento de culpa à infelicidade que sentiam ao início. Agora terão criado um verdadeiro monstro.


Em todo o momento, ao longo do percurso, poderão deter-se e interrogar-se acerca do que os perturba. Se alguma coisa tiver sido apontada como errada, terá estado? Caso tenha estado, terá sido responsabilidade vossa? E caso tenha sido, que farão em relação a isso? Ficar irritado não o irá alterar, nem os levará a parecer mais capacitados nem nada que se pareça. Mas um exame conciso da coisa e disponibilidade para a afeiçoar por qualquer via, aprender com ela, poderá dar lugar à criação de algo muito melhor.


Suponham que o patrão lhes diga que isso não ficou bom, e vocês tentem melhorar a forma e sentirem-se infelizes a ponto de cometerem vinte erros adicionais mais tarde, por causa da infelicidade que os assola, e de seguida olham o que tiverem feito e comentam: “Isto não ficou muito eficiente.” Mas se disserem: “Tudo bem, cometi um erro e arrependo-me do facto mas agora como o conseguirei corrigir,” e encontrarem uma forma melhor de o conseguirem, aí o patrão irá pensar e dizer: “este, não só se adaptou, como se interessa por aprender e por avançar.”


Quando o ego se intromete no caminho, ajuda a derrotarem o vosso próprio objectivo. Não quer dizer que andam por aí a deitar-se pelo chão como um capacho, mas que reconhecem que são humanos e que podem cometer um erro. Não se encontra aqui ninguém que ao longo do percurso não tenha cometido um erro qualquer, segundo os padrões de alguém. E têm que se questionar da razão para julgarem alguma coisa, e como julgam alguma coisa. Julgá-la-ão com base numa ideia preconcebida que talvez não mais seja válida? Podem dizer a um catraio de três anos que não pode atravessar a estrada sozinho, mas quando atinge a idade de trinta já estão dispostos a deixá-lo atravessar, não? Vocês mantêm ideias preconcebidas demasiado tempo, e fazem-no sem que por vezes o percebam. Já falamos antes acerca do vosso feriado de Acção de Graças, em que toda a gente prepara um peru, por a televisão e o rádio e os cabeçalhos dos jornais o anunciarem. Mas suponham que sejam alérgicos a peru, ou não apreciem essa ementa - isso torná-los-á inferiores? Por que padrões julgarão? Pelos vossos próprios ou pelos culturais ou pelos difundidos pelos media? Precisam deter-se e examinar como e porquê julgam da forma que julgam.


"Eu não sou sucesso nenhum." Porquê? "Por o meu vizinho possuir todas aquelas coisas, e eu não." Será isso sucesso? E se realmente for, saberão por que razão ele possuirá todas essas coisas? Provavelmente ele terá muitos encargos e coisas a resolver, de modo que também terá uma dor de cabeça, para além de coisas. A menos que tratem de o saber e de chegar a compreender, entendem, não chegarão realmente a ser capazes de compreender a razão por que se sentirão mal relativamente a um determinado momento. Ideias preconcebidas constituem pontos fixos e rígidos no tempo. E vocês estão a viver num tempo de um movimento fluído em que as ideias fixas não mais têm lugar. 


Se a ideia que tiverem não conseguir fluir e ser flexível, será enfraquecida pela vida, porque independentemente do que traduza e independentemente dos valores que possa comportar, a menos que funcione num momento e no âmbito da energia desse momento, não poderá resultar, e vocês dão por vós aprisionados e confinados a uma dimensão reduzida e isolada do resto do mundo.


Então, quando acham que estão a marcar passo sem chegar a parte alguma, reavaliem onde seria suposto estarem a chegar. Se repetirem: "Não estou a chegar a parte nenhuma, não estou a chegar a parte nenhuma," examinem onde é que querem chegar. Que será que querem obter?

Muita gente realmente não tem ideia de onde quer chegar, e assim anda numa roda-viva mas nunca chega a focar-se naquilo a que quer chegar. Mas não só onde querem chegar mas o que querem no âmbito dessa estrutura; que é que querem obter nesse objectivo. Porque definir um objectivo com o fito unicamente no dinheiro ou unicamente no prestígio ou título, representa uma energia demasiado vaga. A menos que o objectivo seja capaz de os preencher a todos os níveis, a menos que estejam dispostos a ser uma pessoa íntegra através dele, não irão ser capazes de ser felizes se chegarem a ir por completo onde querem ir, por notarem um ingrediente em falta.


Assim, como é que começam a preparar-se para ser felizes quando atingirem o objectivo? Sentindo-se felizes no momento em que se encontram. Sendo capazes - neste momento - de sentir a beleza da vida, de objectivar o bem que a vossa vida comporta, a alegria que poderão dar a outros, assim como receber deles. Se a toda a hora acharem um ponto fixo e disserem: "Sim, isso acha-se presente mas falta-me aquilo," questionem-se da razão porquê. Muitas vezes descobrirão ter medo da mudança, e por temerem a mudança, não darão o passo que traria essa particular coisa à vossa vida, e em vez disso recuarão, em parte, do próprio objectivo que querem estabelecer para vocês próprios.


Para serem felizes no momento, antes de mais, precisam acreditar em vós. Não segundo os critérios ou padrões ou listagem que a sociedade tiver estabelecido, mas gostando e sentindo amor por vós, e através da noção de que são suficientes. Não há ninguém neste compartimento que não seja digno de amor. Frequentemente colocam a faculdade que têm, de sentir amor-próprio numa escala que reza: "Bom, eu não fiz as coisas que os outros pensavam que eu seria capaz de fazer. Não segui este caminho particular, aquela prática dogmática particular, pelo que deve haver alguma coisa em falta em mim." O que está em falta em vocês, é acreditar em vocês próprios. Se acreditarem ser uma pessoa válida, independentemente da situação em que se encontrarem ou do que estiver a suceder-lhes, não procurarão mais nenhum agente em que colocar a culpa. Em vez disso dirão: “Estou aqui para aprender com esta experiência, para crescer com ela, ou para a endireitar.” Não se vão deixar colocar na situação de dizer: “Ah, bom, estas coisas acontecem, pelo que o melhor será que as aceite,” e vão por água abaixo.


O que quer que lhes aconteça na vida, acontece-lhes em função dos vossos padrões de crescimento. A forma como lidarem com isso tornar-se-á num desenvolvimento para a vossa alma. A forma com lidarem com isso tornar-se-á nos passos rumo aos objectivos que tenham determinado. Por isso, a ideia preconcebida que diz “Não sou capaz…” Quantos de vós cresceram numa família em que tinham um irmão que levava com os elogios e isso os levava a sentir-se menosprezados? “O João ou a Maria era sempre o bom! Ela é bonita, ao passo que eu era feia,” não eram, mas pensavam ser. “Eu nunca obtive a mesma sensação de satisfação, por ele obter os louvores primeiro.” Sabem o que é chamado de “Filho do meio?” O filho do meio tem sempre uma posição difícil, desde logo por nunca ser o primeiro a fazer alguma coisa na família. O filho ou filha mais velha sempre obtém o diploma primeiro, tem o aniversário primeiro – é sempre assim! E também não é o bebé, o elogio do momento, não é aquele que é tão novo e já é o alvo de todas as atenções. Sente-se num vazio na condição que representa. É assim que se sente.


Por isso, se tiverem um filho do meio, detenham-se e deem-lhe atenção. Deem-lhe a atenção que lhe diga que também ele é válido, e não esperem que o faça em primeiro lugar. “A única razão porque os irmãos ou irmãs mais velhas o fazem primeiro é por serem mais velhos, pelo que é natural que sejam os primeiros, mas isso não torna a tua situação menos válida, por a tua formação para mim ser igualmente empolgante, entendes?” Por isso, há diversas coisas na vida que os afectam e lhes criam ideias preconcebidas que carregam até à idade adulta e em que então se veem presos ao longo do percurso, como que numa armadilha.


Penso que preferia que passassem a fazer perguntas, por estar a observar alguns movimentos. Que é que gostariam de perguntar no sentido de compreenderem o que estamos a referir?


Pergunta: Estás a referir medos que nos impedem de atingir os nossos objectivos. Isso é algo que na minha própria vida pude constatar. Se tivermos um objectivo bem definido e tivermos ideia do problema que envolva e reconhecermos a presença do medo e ainda nos sentirmos colmatados na acção, por o medo ter mão em nós, então será uma questão de começarmos a ter autoestima em função de não deslizarmos por não darmos esse passo. Como havemos de lidar com tal situação?


Julian: Quando têm noção da sua presença e sabem ter receio de dar o passo, precisam interrogar-vos a próprios da razão para o recearem. Porque habitualmente conseguem relacioná-lo a algo que tenha ocorrido anteriormente, em que não tenha resultado e se tenham sentido mal, ou lhes tenham dito que isso tenha sido estúpido. Esse tipo de coisa. Nenhum avanço de qualquer tipo é conseguido na vida a menos que arrisquem, que adoptem a oportunidade. Toda a gente precisa alguma vez permitir-se ser vulnerável em relação à vida. Assim, precisam dizer: “Tudo bem, para tornar a coisa mais fácil de compreender para mim, qual seria a pior coisa que poderia suceder caso eu arriscasse isto? Em que situação me deixaria e como poderia lidar com isso?” Se virem que eram capazes de lidar com o pior que possivelmente pudesse ocorrer, isso removeria parte do medo. 

Aquilo acerca do que também precisam interrogar-se é sobre o que fariam caso acabassem completamente bem-sucedidos; de que forma lidariam com isso. Por haver mais no vosso mundo quem receie o êxito do que o fracasso, por mais estranho que isso pareça. O êxito acarreta responsabilidade que pode deixar as pessoas sobrecarregadas, e implica que tenham que aprender a lidar com montes de coisas. Sabem que podem saber lidar com um salário moderado, e se de súbito lhes couber um dinheiro a mais – como haverão de lidar com isso? Isso pode representar uma verdadeira cilada, meus amigos. 


Como hão-de lidar com uma situação em que se vejam importunados pelas pessoas, que querem obter algo de vós simplesmente por se acharem presentes? Como lidarão com pessoas a dizer-lhes: “Quero deixar-me contagiar.” O sucesso pode ser coisa bem assustadora. De modo que as perguntas que colocam a vós próprios são: “Que é que temo? Será temor do êxito, ou medo do fracasso?” Mas se o fracasso for representado pela pior coisa que possa acontecer, em que posição ficarei relativamente àquela em que me encontro exactamente neste instante?” Se significar que venham a estar onde estão neste instante e a lidar conforme lidam neste momento, realmente nada terão a temer, não é? Precisam pegar nisso como que à distância para lhe achar o rasto, e descobrirem a verdadeira razão.


Não sabem que na maioria dos casos, quando recusam alguma coisa na vida, isso nada tem que ver com a razão por que dão, mas geralmente se deve a uma outra coisa qualquer preconcebida, que não terão sido capazes de soltar? Racionalizam a razão por que não o fazem, mas geralmente há uma razão subjacente que representa a verdadeira causa. E é isso que precisam procurar – a verdadeira causa.


Agradeço-te o facto de teres feito a pergunta, por ter sido excelente. Mais alguém?

Neste momento toda a gente na sala pensa intimamente: “Estarei eu a fazer isso?” “Caramba, não quero admitir que o esteja a fazer.” “Quisera saber por que o estou a fazer.” Pronunciem-se, e façam perguntas! Não receiem ser vulneráveis; isso importa, sabem, por a vulnerabilidade constituir uma forma de flexibilidade; uma forma de flexão. E em face de uma energia movente e fluída, vocês ou se dobram ou quebram. Vou-lhe dizer uma outra coisa que poderão fazer no momento – podem decidir no momento que não vão arriscar, e que vão permanecer exactamente onde se encontram, que não vão alterar nenhuma dessa energia, e posteriormente ficar tão irritados convosco próprios – ainda que não sejam capazes de admitir que estejam com raiva de vós próprios – a sentir culpa por não terem aproveitado a oportunidade – e incapazes de admitir que se sintam culpados, porque se admitirem que se sentem culpados ficarão com raiva de sentirem culpa – é como um pequeno ciclo vicioso a que dão início. E isso gera uma energia ao vosso redor que diz: INSATISFAÇÃO. “Não mais posso sentir-me satisfeito/a neste instante por ter tido um vislumbre de que poder ser alguma outra coisa. E volto as costas a isso.”


Por isso, precisam reconhecer que é o livre-arbítrio em vós quem diz que podem aceitar ou rejeitar qualquer coisa. Mas lembrem-se de que não há “meias medidas.” Se disserem que não têm a possibilidade de aceitar a oportunidade e avançar em frente, então terão que indagar junto de vós próprios se estarão a contentar-se com o facto de serem do jeito que são. Então, o melhor será que comecem a tornar a situação em que se encontram numa que seja afortunada. A partir do momento em que deixarem de estar dispostos a avançar, terão que dizer que estejam contentes com o que são. E precisam deixar de se queixar com a situação em que se encontram, por já terem feito a vossa escolha.


Pergunta: Julian, como haveremos de orientar-nos quando, num determinado momento temos vontade de fazer algo e no momento seguinte não estarmos certos disso, e depois temos a certeza de que não o queremos? Seremos (…) por acaso?


Julian: Não. Eu sou Capricórnio. Vamos lá ver, os Capricórnios buscam a certeza, e não têm vontade de dar passos em falso. Isso deixa-os perfeitamente arrepiados. Por isso, o que estamos aqui a dizer é não importa aquilo que sejam. Toda a gente passa por flutuações dessas por uma forma qualquer só que por razões diversas. O que precisas fazer é interrogar-te quanto à vontade que tens de depositar tempo e energia para fazer com que isso aconteça? Caso não estejas disposta a tanto, então não estarás verdadeiramente a criar um objectivo. Estás fantasiar e a viver uma fantasia. Porque qualquer alteração do teu curso de vida (requer) aplicação e trabalho. Não te vai cair no colo vindo do céu.


Agora, aquilo que também precisas perceber é que é perfeitamente aceitável definir uma meta menor – não queremos dizer que seja menos valiosa – mas uma que sintas que as energias consigam manusear no momento. É quase como dizer que queres voltar à escola mas não tens recursos. Assim, estabeleces uma meta menor e dizes: “Vou usar de mais delongas e frequentar umas quantas aulas, por assim conseguir dar conta em termos financeiros, emocionais, em termos energéticos, e por ainda estar a trabalhar em prole do alvo que defini.” Assim, terás instaurado movimentos, avanço sem que te atoles por completo.


Por vezes os objectivos são tão grandes que os deixam oprimidos. E aí vão precisar desmembrá-los em proporções aceitáveis – que consigam controlar no momento.


Pergunta: (…) não é aceitável. Quer dizer, se realmente sentir amor por mim própria, não aceitaria simplesmente a minha situação? Mas em vez disso, isto significa menos, e menos não é bom. Isso é parte da pergunta. Quero dizer, podia dizer mentalmente que sim, mas sinto que menos não seja bom, ponto final. A outra parte da pergunta tem que ver com a abertura a fazer mais, digamos, o que por vezes poderá ser muito entusiasmante ou opressivo. Isso é mais ou menos a resposta que terás dado talvez à primeira pergunta que foi colocada, em que disseste que tinhas tido uma conversa com alguém esta noite com respeito ao: “Se eu fosse capaz de fazer esta coisa, que faria com toda essa energia?” (Exactamente!) Bem, eu faria o teste que supostamente teria que fazer, mas por vezes um êxito pode-nos reter. Como nos poderemos preparar para aceitarmos pegar e fazer…?


Muito bem. Agradeço que o tenhas colocado. Todos ouviram a pergunta? Então, aquilo que têm que reconhecer é o seguinte: Antes de mais, se se tornarem bem-sucedidos não terão qualquer obrigação para convosco. O vosso livre-arbítrio determinará as responsabilidades que acatarão e as obrigações que sentirem ter. Muita gente mente para si própria constantemente com respeito ao sucesso. Dizem: “Deus, deixa que seja bem-sucedido que a seguir farei isto... Enviarei todos quantos conheço para a faculdade, construirei catorze igrejas, alimentarei os esfomeados…” Porque aquilo a que isso se reduz é: “Eu em mim mesmo não sou digno. Preciso ver o que venha a sair disso. Preciso mostrar a Deus que vou fazer coisas positivas para Ele ver que sou digno de as ter.”


São dignos dela; são dignos dela na medida do progresso que se dispuserem a ter. Mas um enorme erro que a maioria das pessoas comete é tornar o projecto tão desproporcional que acaba por completo por as oprimir. E ignoram o próprio serviço que poderiam prestar à humanidade por não ser suficientemente bom. Nem tão pouco o reconhecem.


Alguém está desesperado para ir a qualquer parte e vocês ficam a olhar pelas crianças. Terão feito uma coisa excelente por esse casal. Mas quantos procurarão fazer uma coisa dessas como uma forma de sucesso – uma forma de dádiva e de partilha e de ser? Por isso, aquilo que precisam fazer é dizer: “De que modo estarei neste momento da minha vida a atingir o meu objectivo? Que estarei eu já a fazer que esteja de qualquer modo relacionado com aquilo que quero atingir?” Reconheçam igualmente que não existem obrigações para com o sucesso que tiverem, por ser somente na medida da energia e (…) que lhe depositarem.


Pergunta: (…) a questão, em termos daquilo que possa perceber ter por objectivo, se no meu passado o meu objectivo esteve tão intimamente ligado a valer pelos outros? Por outras palavras, a pergunta que coloco a mim própria é: De onde é que o meu interesse procede e como hei-de saber se não estará ofuscado no seu objectivo por qualquer obrigação para com os outros?


Muito bem; antes de mais, no teu íntimo. Se o teu objectivo for algo que se prenda com o crescimento da tua alma, dentro de ti sentirás um incómodo qualquer nesse mesmo sentido – não quer dizer nada de específico, mas a energia que lhe é inerente. Alguns têm uma forte energia de serviço que que denota quererem servir quem quer que seja por qualquer forma; eles escolherão por meio do livre-arbítrio o modo. Ou a força criativa: “Eu quero criar.” Elegerão uma forma qualquer de criatividade. Ou a necessidade de dar à luz nova tecnologia; eles terão esse instinto – instinto em função da energia – o objectivo procede do seu livre-arbítrio. Agora, o que sucede é que muita vez as ideias preconcebidas do que tal objectivo deva circunscrever pode criar problemas, por as pessoas procurarem pôr-se entre algo que realmente não é indicado para elas.


Já assisti a muitos exemplos em que as pessoas têm um dom inato para uma coisa particular, mas por alguém mais lhes ter dito que deveriam fazer uma determinada outra coisa, elas se confinaram a situações que não correspondiam ao desejo do seu coração. 

Transcrito e traduzido por Amadeu António

Copyright © 2003 Saul Srour
Authors: Rev. June K. Burke and the Seraph Julian



Sem comentários:

Enviar um comentário