sexta-feira, 3 de abril de 2015

UMA MANEIRA DIFERENTE DE VER





Tradução e transcrição: Amadeu António



Ao longo das semanas temos vindo a falar da energia, do tempo, compreensão sensorial e acção sensorial, e esta noite, relacionado com essas coisas, assim como com as mudanças operadas na energia e no tempo, vamos falar de ver de modo diferente. 


Para a maioria das pessoas ver é olhar, a vista. Mas ver também significa colher um sentido, sentir, não é mesmo? Que é que veem quando olham através dos sentidos elevados são múltiplos níveis de energia em alguma coisa ou em qualquer corpo que estejam a observar. Por outras palavras, olhamos alguém – ou melhor, vocês olham para alguém - e começam a ver que nessa pessoa estão a passar-se outras coisas, o que estabelece uma diferença no modo como serão capazes de a perceber e de seguida na forma como interagirão com ela. Porque, conforme entenderão, se apenas olharem para alguém sem também o verem, cometem uma tolice; poderão dizer a coisa inadequada, abordar esse alguém de forma errada, “detonar o rastilho” por assim dizer, e criar uma situação de vergonha ou de desconforto para vós próprios.


Se olharem para trás, para a experiência de vida que tiveram, encontrarão uma altura em que se terão voltado para trás e dito: “Desejaria ter agido de modo diferente. Quem dera que tivesse dito isto ou não tivesse dito aquilo…” Quer o tenham ou não dito ou devido fazer. Mas o que isso significa literalmente é que não estavam a detectar, ao olhar; não estavam a ver a situação na sua totalidade.


Para poderem ver a totalidade da situação de qualquer coisa, precisa-se olhá-la de uma forma desprendida. Quando olham alguma coisa por que se sentem extremamente apegadas emocionalmente, ficam presos na própria emoção que por sua vez impõe uma cortina que se assemelha a colocar uns óculos tridimensionais que façam as coisas destacar-se ou parecer diferentes. E é isso que sucede quando as vossas emoções intervêm com a visão. 


Vou-lhes dar um exemplo. Se chegarem junto de um acidente e o observarem e comentarem acerca do quão terrível seja e como alguém terá ficado magoado, etc. Mas se o automóvel envolvido for um carro conhecido, observá-lo-ão de modo diferente. Essa sensação de mal-estar resultante do sucedido é amplificada pela simples possibilidade de envolver alguém conhecido – e o conhecimento faz toda a diferença na forma como olhamos e sentimos as coisas. Se na verdade envolver alguém que conheçam, volta uma vez mais a ganhar amplitude, por agora a visão passar a envolver uma forma de pânico; já não observam unicamente o que se lhes apresenta.


É por isso que quem quer que exerça funções numa situação de emergência precisa desprender-se da situação para poder operar com eficiência. Por vezes as pessoas comentam que agem friamente, por não agirem com compaixão nem com a emoção que vocês acham que deviam ter sentido. Mas a verdade da questão é que se não se desprendessem emocionalmente não teriam possibilidade de lidar com a situação. Assim, alturas há em que precisam desligar-se das emoções para poderem perceber com clareza o que sucede. Uma enorme quantidade de sangue não significa necessariamente um ferimento mortal. Pode-se perder uma quantidade profusa de sangue por um corte na cabeça e não ser um golpe tão profundo quanto isso.


Assim, se permitirem que a emoção se intrometa poderão perceber que a pessoa esteja às portas da morte e que a situação não tenha emenda. Mas caso se desprendam, poderão tentar averiguar da gravidade da situação e apurar o que poderão fazer, e obterão toda uma perspectiva diferente. 


Este é um exemplo bastante terra-a-terra que poderá ajudá-los a ver como as vossas emoções por vezes se intrometem com a percepção do que realmente sucede. Ou se derem uma olhada de esguelha a alguém, amuados, e se sentirem zangados com esse alguém, não conseguirão ver às direitas, por causa de toda a energia de irritação que carregam, por meio da qual tentam perceber a situação. Quando se sentem assustados não conseguem ver direito devido a toda a névoa de pavor que impõem, não é? Mancham toda a capacidade de ver ou de pensar. 


Por isso, alturas há em que precisam entender que afastar-se de um envolvimento emocional não significa falta de carinho mas um verdadeiro sentido de preocupação. Preocupar-se o suficiente para deixar de perceber pelos olhos da vossa emoção e passar a perceber nos termos da realidade da situação, faz uma diferença colossal. Não há uma só pessoa nesta sala que alguma vez não se tenha sentido tão irritada que a vontade que tenha tido tenha sido de matar, nesse instante; não obstante sabem que não são assassinos e que não seria isso que realmente pretenderiam, mas o que terá sucedido foi a emoção que lhes terá turvado o senso comum que teria respondido por uma leitura diferente da situação. Se olharem a situação com base na emoção da ira, e não respirarem profundamente, não conseguirão obter uma perspectiva cabal da situação. Se abrandarem a respiração também se acalmarão.


Os primeiros trinta segundos de ira são legítimos; tudo o que exceda isso não passa de um passo em falso do ego. “Como se atreverão a fazer-me isto a mim?” Entendem? Quando eclode o furor inicial da raiva, isso representa os sentidos naturais do vosso ser a comunicar-lhes que algo vai mal convosco. Então, deixam que o senso comum tome conta da situação e olham para a situação e buscam uma solução. Se arrastarem todas as mágoas e continuarem a dar-lhes tratos elas derramar-se-ão de novo. 


Por conseguinte, em relação à capacidade de verem as coisas de modo diferente, precisam estar dispostos a olhá-las de uma forma desprendida e precisam tentar deixar de lhes sobrepor as imagens do passado.


Pergunta: Parece ser extremamente difícil dissociar o sentir das emoções…


Julian: Claro que é.


Pergunta: …mas conforme afirmaste, que durante os primeiros trinta segundos será legítimo, e que tudo o resto não passará de inflação do ego.


Julian: Que foi que afirmamos que nunca prometeríamos, Gordon? Rosas. Na realidade prometemos, mas elas são espinhos com que precisam confrontar-se, entendem? Na realidade, é difícil, enquanto continuarem a pensar que é difícil. Isso representa o passado a interpor-se de novo. “Foi sempre difícil, de modo que o irá ser para o resto da minha vida.” Perfeitamente entendido!


Precisam dispor-se a dizer: “Deixa-me olhar isso de modo diferente.” E eu garanto-lhes, meus amigos, que nada poderá mais ser visto da mesma maneira. Se continuarem a tentar olhá-la a partir da percepção do passado, isso não irá funcionar. Encontram-se em meio a uma nova energia, a uma nova situação no tempo, num novo movimento, numa nova compreensão. A espiral da evolução subiu um degrau. Vocês elevaram-se a um novo ciclo na espiral, e por causa disso é como subir um passo mais alto na escada, conseguir ver um pouco mais longe, e podem ver com um pouco mais de clareza, entendem? Assim, aquilo que precisam fazer é ajustar-se à clareza de percepção.


Este princípio torna-se sobremodo importante nesta altura, na maioria dos constrangimentos por que passam, pela simples razão de terem aceite os vossos hábitos e os hábitos dos vossos companheiros e amigos, etc., como normais, e o “normal” para vós neste momento, em termos de pensar, ser: “Bom, eles sempre agiram assim, de modo que irão agir assim de novo,” e não me interessa se é em termos negativos ou positivos. Esperam que actuem da mesma maneira. E depois reforçam: “Ah, viste? Lá o fizeram de novo!” Ou: “Eles vão agir assim,” e quando não agem ficam desapontados. 


Assim, o que precisam fazer é reconhecer que estão a fechar a porta a tudo quanto tenha sucedido, para poderem abrir uma outra porta ao que pode passar a ter lugar. E o que pode ocorrer é a fraternidade; a paz. E tudo isso tem início em cada indivíduo. Não é culpa dos outros, mas a forma como olham a coisa, como a tratam em prole da defesa do vosso próprio espaço.


Porque, entendam, o vosso pequeno oásis de paz, num compartimento repleto de guerra irá afectar aqueles que estiverem ao vosso redor. Como é que reza o poema? “Se conseguirem manter a cabeça, quando toda a gente ao vosso redor estiver de cabeça perdida…” ou algo do género. (NT: Poema de Rudyard Kipling) É verdade, por se tornarem num foco de luz em meio à escuridão, ao preservarem a vossa postura, por meio da energia que preferem, entendem?

O vosso mundo acha-se num enorme caos, só que trata-se do caos da mudança. Coisa alguma permitirá que este universo tenha fim. A sua criação deu, desde logo, trabalho de mais, para o despejarem pelo ralo abaixo; vão encontrar uma saída, e há quem tenha a responsabilidade de guardar o que está a suceder. 


Mas precisam permitir à energia impessoal que implemente essas mudanças necessárias à Terra para fazer com que dure e sobreviva. A forma como tratarem disso torná-lo-á drástico ou não. Se o assado queimar, que mal terá? Puxem lá da manteiga de amendoim e desfrutem dele. É disso que estamos a falar, entendem? Não digam que um determinado conjunto de critérios constitua a única forma para o sucesso ou para a realização, por a única coisa que agora resulta é a flexibilidade. Vocês usam uma expressão que é: “Deixar-se ir com a maré.” Pois bem, deixem-se ir antes de serem levados pela maré, porque assim não serão prejudicados. É permitir soltar-se, sabem, e permitir-se encarar uma perspectiva diferente seja em que altura for.


Por exemplo, costumam ter este compartimento muito cheio; esta noite não se encontra muito cheio, por razões perfeitamente legítimas. Isso alterará o valor que que aqui é dito? Claro que não. Apenas se pensarem que este não seja suficientemente bom por ninguém aqui estar, entendem? Estou a usar-me a mim próprio na qualidade de alvo, por assim dizer, certo?

Portanto, o que estamos a dizer é o seguinte: A fase inicial de uma percepção diferente passa por não tentarem reviver o passado, mas alegrar-se com o que o futuro lhes possa trazer. Dispor-se a pôr a emoção de lado, somente o tempo suficiente para obterem clareza de percepção. Então serão capazes de tratar das coisas.


Agora, também precisam fazer uso de um olhar diferente e de uma percepção diferente, no que diz respeito à solução dos problemas. Já alguém aqui construiu uma casa? Se estiverem a construir uma casa e deixarem de criar a fundação e estremecerem as paredes de pedra a vossa casa poderá terminar num monte de pedra aos vossos pés, por não poder durar muito. Se estiverem decididos a mudá-la três metros para a direita irão detestar a casa.

É claro que este é um exemplo muito rebuscado mas o que aqui estamos a referir é o seguinte: não sejam tão determinados, e não pensem que tenha que parecer como no passado. Vocês aferem por padrões muito centrados e rígidos, e agora é como ter uma daquelas coisas caleidoscópicas nos olhos por que tudo quanto veem é deformado e passa por ser uma coisa diferente.


Assim, quando pretenderem resolver um problema, não o podem olhar da forma que costumavam fazer. Uma pessoa que sempre tenha tido uma enorme quantidade de dinheiro, e não quero dizer com isto que se trate de uma pessoa possuidora de uma riqueza opulenta, mas uma pessoa que goze de meios de conforto; se ela quiser ir a qualquer parte, mete-se no carro e lá vai ela, ou contrata alguém que a leve de carro ou de avião ou de autocarro, de comboio, etc. De súbito essa pessoa vê-se num conjunto de circunstâncias diferente. Como há-de encarar a situação? Dirá simplesmente: “Eu não vou mais poder ir”? Ou dirá: “Esse é um óptimo lugar a visitar; que tal irmos todos lá? Talvez vamos por dois dólares, em vez de dez, como quem diz.” Será esse o termo que usam – dólares? Eu sempre confundo o termo dólar (que no original se designa comummente por buck, que também serve para referir corços) por perceber que por vezes o seu sentido se mistura com o de veados. 


Mas seja como for, aquilo a que estamos para aqui a querer chegar é: Podem comprometer-se com padrões de pensamento estritamente determinados que os desmoralizem ou privem por completo, assim como podem dispor-se a encarar isso de um modo diferente. Se uma pessoa estiver a ficar adiantada na idade, por assim dizer, e sempre tiver procurado algo e feito determinada coisa, e num determinado ano não o puder fazer mais, começará a pensar que está velha e que não o consegue mais fazer, enquanto outra dirá: "Graças a Deus, fico aliviado por isso, há uns três anos que já me andava a incomodar." 


Mas é a forma como encaram cada incidente que lhes transmite a qualidade do incidente, o que poderá vir a ser no futuro. Têm que se dispor a esquecer o que os tenha impressionado e o que se tenha passado, e dispor-se a encarar uma nova maneira por que deixar que algo suceda. Quando têm filhos, precisam deixá-los ir à vida, e aguardar os prazeres que poderão advir disso. Mas, espantosamente, os filhos também precisam soltar-se dos pais; não podem agarrar-se mais a eles do que a qualquer outra coisa.


A coisa mais importante assenta no facto da mudança constituir o único absoluto presente actualmente no vosso mundo.


Pergunta: Terá a maioria de nós que lidar cada vez mais com a carência e o sacrifício?



Só se ansiarem por isso.


"Eu terei tudo quanto necessito e mais. Obrigado, Pai."


Lembrem-se de que os vossos pensamentos constituem coisas, e coisas que se manifestam; agora a diferença está em que os vossos pensamentos tenham encontrado a solução para o ter, mais tarde.



Por outras palavras: “Bom, se conseguir trabalhar em dois ofícios até ter 56, e depois passar a ter somente um, mas aí podia sempre cuidar temporariamente de crianças.” Vocês têm todos estes critérios presentes, de modo que sempre vão precisar sair um pouco para olhar a coisa de um modo diferente e dizer: “Porque não ganhar a lotaria?”


Não deixem que nenhum pensamento se cristalize em vós de forma a não deixar espaço para a eclosão de outras vias por que as coisas sucedam. E sabem que mais, quando precisam verdadeiramente de alguma coisa, ela chega-lhes por vias que não tinham imaginado que chegassem. E por vezes nem sabem como isso sucedeu. É por terem a tendência de se fixar, e de agir com base no determinismo em que terão sido criados. Mas agora percebem que a falta, a carência, também constitui um estado de espírito. Há muitos lares que possuem uma renda bastante limitada, mas que abundam de alegria e de riso. Mas há muitos lares que possuem vastos rendimentos, e que não passam de lugares bastante infelizes.


Não são as riquezas que fazem a vida. Reconhecidamente é bom comer. É bom ter um rendimento, e vocês precisam ter um no vosso mundo. Faz parte do “embrulho” do vosso mundo mas não deixem que o vosso pensar ou a forma como encaram isso os deixe numa situação confinada em que, caso não aconteça de determinada forma, não poderá suceder-lhes de todo. A expressão “Abandonar-se e deixar Deus agir,” não significa sentar-se e não fazer nada. Aquilo que quer dizer é fazerem o melhor de que forem capazes e permanecer abertos a vias alternativas que possam vir a vós. Estejam preparados para Ele, sempre que lhes mostrar outro caminho. Quando o carro não funciona, sintam-se gratos pelo vizinho que lhe dá uma boleia. Ele levou-os ao destino, foram trabalhar e trouxe-os para casa, conseguiram o dinheiro, mas (…) o carro não funcionava.



Vocês ou olham para isso e dizem: “É isto, o dia está todo estragado,” ou olham e dizem: “Há outras formas.” Há caminhos alternativos. Sentem-se efectivamente inclinados a ver as coisas de um modo diferente. Até mesmo objectos. Alguma vez terão olhado algo toda a vossa vida em vossa casa e pensado: “Eu só tenho essa coisa por a minha tia Tillie ma ter dado, pois ela ficaria muito zangada que se não aceitasse.” Mas depois, um dia olham para ela e dizem: “Sabes, isto na verdade não é mau de todo.” A coisa não mudou, de modo que são vocês que deverão ter mudado. A luz do sol ou algo faz isso parecer muito melhor do que a sombra, e ideias sombrias criam escuridão.



Pergunta: Iremos nós ser auxiliados por estas novas energias a procedermos a estas mudanças, porque elas parecem muito atraentes e maravilhosas e estou seguro de que toda a gente neste compartimento o abandonará com a atitude mental de produzir as mudanças que quer. Mas as novas energias ajudar-nos-ão agora a produzir isso se trabalharmos e cooperarmos com elas?



Julian. Certamente! Toda a ideia das energias que se estão a apresentar, mas tu enquanto astrólogo compreendes a necessidade das energias planetárias.



Por outras palavras, elas não estão aí para qualquer pessoa. Estão aí a fim de apresentarem as mudanças, são os emissários da energia. Trazem à aura de toda a gente, presença, nesta sala as energias que forem necessárias para as mudanças que são necessárias no universo. O homem utiliza essa energia, personaliza-a de acordo com a sua energia e faz uso dela.



Portanto, digamos que a mudança é necessária, e alguém dotado de habilidade artística capta-a e diz: “Eu sei como podemos fazer com que isto aconteça, podemos pintar ou desenhar, fazer isto, fazer aquilo.” E alguém mais que possua uma grande capacidade no campo da matemática dira: “Vamos mudar a forma como estamos a gastar o nosso dinheiro e fazer isto acontecer dessa forma.” Alguém mais olhará para isso e dirá: “Sabem, se colocarmos isto no computador, será mais fácil.” Isso é a vossa energia pessoal a fundir-se com a energia universal que está a dizer: “Aqui está a matéria-prima, constrói qualquer coisa com ela.” Façam por que aconteça, meus amigos, porque o próprio Deus necessita de vós, entendem, tal como vocês precisam d’Ele, e eu não quero saber a que é que chamam Deus.




A questão está em que vós (e Deus) formais uma equipa. Vocês são a energia física densa que constitui uma extensão dessa energia divina. Em vós se acha a Corrente Divina a funcionar num plano denso. É por isso que precisam trazer a Sua divindade por intermédio de vós, de modo que Ele possa ser sentido no plano da densidade. É por isso que dispõem das vossas doutrinas religiosas, e não sei que mais, de acordo com as vossas necessidades individuais. Não existe a que esteja certa nem a que esteja errada, mas antes: Vocês estão a usar a força divina da forma que precisarem para fazerem com que suceda?



De forma que, o que se está a passar é como chegar a casa e dizer: "Tudo bem, aqui está um monte de legumes e aqui alguma carne. Agora escolhe tu o prato." Alguém fará guisado, outros farão churrasco, não é o que lhes chamam? Pobres coisas pequeninas. (Riso) E outros farão sopa. Tudo coisas deliciosas, nutrientes, coisas que alimentam, só que vistas por olhos diferentes como forma de usar a energia em bruto que é fornecida. E assim cada um tomará essa energia bruta que é apresentada.



Agora, por o universo saber que o homem teria alturas em que se veria atolado nos seus sapatos de concreto e não desejaria mover-se, Ele também enviou energia para os sacudir. O vosso universo neste instante está realmente a proceder a uma sacudidela pela simples razão de ser preciso que saiam do velho status quo que os fixou na posição em que se encontram. E quando refiro "vós,", não estou a indicar nenhum de vocês, mas no geral. E agora está a chegar ao ponto em que o safanão os permite ver que há algo melhor e que os componentes podem ser usados para fazer outra coisa qualquer.



Vocês possuem no vosso mundo um brinquedo de criança chamado Meccano, dotado de todas aquelas rodas e varas e coisas com orifícios etc., e a catraiada pode sentar-se com essa energia em bruto e construir o que a sua mente conseguir imaginar. Podem olhar para aquilo e dizer: "Jamais vi uma coisa de duas rodas como aquela, antes," ou "Jamais vi um avião com asas no chão." Mas ela viu. A criança pegou na energia em bruto e criou, e isso é mais importante do que quer que faça sentido, por agora ele passará a conceber coisas a sério. Por isso, não cortem os voos à criança quando ela faz coisas bizarras. Lembrem-se de que as crianças desenham monstros por não possuírem o controlo para desenharem pessoas. Assim que obtiverem esse controlo, passarão a desenhar pessoas, mas não o farão se fizerem troça dos monstros que desenham.



Pergunta: Porque é que desenham monstros?



Julian: Por não possuírem o controlo suficiente da mão para colocar o olho no sítio correcto e os dedos no sítio certo, e saberem que existe uma coisa chamada monstro que não é suposto parecer-se com coisa nenhuma. De modo que assim dirão: "Aqui está um monstro (na verdade é a minha mãe) mas este é o meu monstro. E assim, fazem o melhor que conseguem em função da articulação que possuem no momento. Mas se estiverem constantemente a corrigi-la, irá deixar de tentar.



À medida que crescem e alcançam uma maior articulação, começa a surgir o número certo de dedos e os olhos começam a surgir no sítio correcto, no rosto. Mas até essa altura, trata-se da sua corrente criativa a tentar expressar o melhor de que é capaz nesse instante. Os adultos passam pela mesma coisa. A diferença está em que: Os adultos têm uma verdadeira mania por pensarem que tenha que ser perfeito; uma criança não poderia interessar-se menos por estar ou não perfeito. Ela sente prazer em fazê-lo. Assim, um adulto dirá: "Se não consigo pintar de modo que toda a gente possa olhar e dizer: “Ah, que quadro óptimo, não conseguirei pintar de todo." Pintem pelo prazer de pintar, escrevam pelo prazer de escrever, dancem pelo prazer de dançar, que isso sairá tudo acertado e perfeito, entendem? Porque todos irão olhar isso de modo um pouco diferente.

Alguma vez apreciaram pintura surrealista? Vocês olham para essas pinturas e dizem: "Onde tinham o pintor a cabeça quando pintou isto?" (Riso) Eles possuem a matéria-prima, colocam umas porções na tela e qualquer pessoa é capaz de ver alguma coisa naquilo. E toda a gente que contemplar o quadro verá nele alguma coisa diferente. Quando as pessoas pintam com cores ao contrário de formas, elas criam a essência, ou a noção de uma coisa qualquer. Vocês olham para um quadro, e ele terá uma indicação a dizer que é uma cena pastoral. Apresentará azuis celestes e dourados e castanhos dos prados e, talvez, os acastanhados e negros das vacas. Embora não consigam perceber nele nenhuma dessas coisas ficam com a sensação de se encontrarem num espaço de cores, e a vossa mente pode fazer daquilo o que vocês quiserem. Mas ficam com a energia sensorial da sua presença. O mesmo acontece com quem vê coisas ou figuras através da percepção dos sentidos, ao contrário da expressão da forma. Possui validade.

Assim, o que precisam fazer é dizer: "Deixa-me olhar isto de modo diferente."

Que é que isso faz?

Houve uma altura em que o instrumento frequentava umas aulas de arte e o instrutor – era uma daquelas coisas rápidas feitas à noite – e o instrutor fez um pequeno esboço a lápis de uma cena de inverno, para lhe mostrar o uso monocromático da cor, etc. E quando terminou, ela entrou em delírio com a pintura e disse: “Queres vender esse esboço?” E ele respondeu: “Não. Isso foi algo que eu fiz na aula. Jamais venderia uma coisa dessas.”

E ela respondeu: “Ah, é pena, porque eu gostava de ficar com ele.” E aquilo que declarou a seguir foi: “Combina com a minha cadeira azul.” A percepção que teve desse quadro foi que combinava com a peça de mobília, e isso deixou-a contente. Mas, e depois? Se a deixou contente, ela não teve que se tornar numa crítica de arte para valorizar o facto de poder combinar com a cadeira dela. Claro que ele fez aquilo de uma assentada, por ser coisa da sua criação, que naquela situação estava a ser vista como algo que combinava com a cadeira de mais alguém. A situação foi bastante divertida. O objectivo está em que tudo se resume na forma coo o olham, e por esta altura, podem treinar-se para olhar as coisas de modo diferente.
Têm coisas maravilhosas pela frente, meus amigos, não receiem ansiar por elas. Aquilo que esperarem que ocorra, estarão a atrair a vós.


Comentário: Certa vez fui a um museu e observei um enorme mural com um ponto central no centro. Creio que se intitulava “Vida.” Toda a gente que o admirava soltava exclamações de admiração acerca da profundidade que o artista tinha experimentado para pintar aquele ponto no centro. Mas, por mais que tente, mesmo nos dias de hoje, não consigo descobrir o que representa para além de um ponto.

Já voltarei a isso num instante, mas primeiro quero fazer-te uma pergunta: Que consideras que a arte seja? De que tipo de arte gostas?

Comentário: Acolho-a como algo que para mim tenha algum tipo de relevância.

Julian: Alguma forma ou contornos com que prontamente consigas identificar-te. Mas aquela era uma pintura sensorial, e a razão por que se intitulava “Vida” devia-se ao facto de toda a vida ter tido início num ponto, ponto esse que se tornou na criação. O ponto representa a pulsação. Assim, aquele artista, quer estivesse a encarar aquilo desse modo ou não, de algum modo teve percepção de que poderia tornar-se em algo. Ele pintava com base nos sentidos, em vez de o fazer com base na forma. Não importa que o conseguissem apurar ou compreender. No mínimo diriam: “Não creio que quereria ter isso pendurado na minha parede. Tentar interpretá-lo deixar-me-ia maluca.” É aquilo que os faz pensar, o que mexe em vós.

Entendes, a arte é mais do que um utensílio do decorador de interiores. É o que os faz pensar, ou reagir, ou responder. Acontece a mesma coisa com as cores. Alguns apreciam as cores fortes e penetrantes, vivas, ao passo que outras apreciam os pastéis. Nenhuma delas está errada. É o que a energia da pessoa extrai da cor que funciona para ela. Portanto, a reacção que terias seria. “Isto não é coisa que gostasse de ter na minha sala, por ser mesmo… deixar-me-ia irritado.” Cientes disso, afastas-te e dizes: “Isso não é para mim.” Já te terá ensinado alguma coisa; ensinou-te que não é para ti. Mas não há certo nem errado! É o que percebem na coisa e aquilo que opera em vós. Algumas pessoas podem ter telefones móveis e encantar-se com os toques e o tilintar e não sei que mais, e alguém dirá. “Desliga lá essa coisa, que me está a deixar maluco.” É a percepção. É a forma como encaram a coisa, a forma como a percebem, como a sentem.

Mas devido a que o universo inteiro esteja a mover-se mais no sentido da energia sensitiva, vocês estão a começar a sentir as coisas que não teriam sentido antes. Estão a começar a perceber de forma diferente em relação àquilo que vêm. E assim precisam estar preparados para dizer: “Deixa-me procurar trabalhar com o modo das operações que me permita fazer um maior uso disso.”

Lembram-se da experiência que fizeste com o seixo, quando seguraras-te no seixo? Foi a primeira vez que os seixos falaram contigo! Ninguém poderá dizer-te que não venha a suceder outra vez. Rompeu a barreira do: "As rochas são rochas e eu sou um homem." Existe comunicação entre todas as coisas criadas, por o cunho da criação, a Mente de Deus, a Força Divina, se achar em todas as coisas. É um avanço, que significou que estavas a funcionar no modo sensitivo, durante esse exercício.

Por conseguinte, quanto mais te permitires ver nesse modo, que diz: “Aquilo que vejo pode ser mais do que consigo apurar…” Se eu pegasse numa escultura e a colocasse no meio deste salão e pedisse que se sentassem todos ao seu redor e ma descrevessem, todos vós a descreveriam de forma diferente, mas ainda seria a mesma escultura.

Porque, de acordo com a posição em que se encontrassem, veriam de uma perspectiva, que pareceria diferente da perspectiva daquele que estivesse junto a vós. Um poderia ver o nariz enquanto o outro veria a traseira, mas tratar-se-ia da mesma estátua. Por isso, aquilo que estão a aprender é a reconhecer que tudo quanto olham possui mais ingredientes dos que percebe o olho. Quer se trate de uma pessoa ou de um objecto. Mas permitindo-se sentir em consonância com ela, começam a perceber o que comporta mais, e começam a extrair mais de vós e da coisa uma melhor comunicação e uma melhor noção de sentido.

Vocês conhecem-se, se tiverem uma tarefa a preencher, ou vários afazeres, geralmente o hábito que têm é de o prolongar o mais possível que menos gostam de fazer: “Bom, talvez amanhã, ou depois…” Na realidade, se fizessem uma lista e colocassem essa tarefa no topo e a fizessem em primeiro lugar, encarando-a de modo diferente: “Não a vou afastar; vou fazê-la,” sentir-se-iam tão bem por a completarem que fariam o resto das coisas em metade do tempo. Por a terem encarado de modo diferente.

Por isso, disponham-se a olhar para as coisas de modo diferente, e aquilo que mais precisam olhar de modo diferente é para vós próprios, por serem o pior dos problemas que têm. Por terem erguido limites para vós próprios que dizem: “Ah, não conseguia fazê-lo.”

Sabem que uma das frases mais favoritas que empregam no vosso mundo que realmente me dá vontade de rir – por agora saber dar risadinhas, sabem – é a seguinte: “Ah, nunca soube desenhar; não consigo nem fazer uma linha recta.” Toda a gente o diz. Mas não é verdade. É claro que conseguem desenhar uma linha recta. Devem dispor de réguas. Limitam-se a pensar que precisam desenhar uma linha recta sem uma régua. Digam: “Eu sei desenhar uma linha recta; dêem-me uma régua.” Detenham-se e vejam como se confinam a determinada situação. Por poderem; podem fazer qualquer coisa que realmente queiram fazer, se se dispuserem a dar os passos que levam a isso.

Mas toda a gente sempre diz – e aposto que nesta sala toda a gente o terá dito – “Eu sempre o desejei MAS…” Pois bem, eu estou justamente a tentar tirar todos os “mas” e “talvez” e “não posso” ao vosso idioma, de modo a terem que dizer “eu posso,” e “vou fazer,” por umas os limitarem enquanto as outras lhes abrirem horizontes.

É importante que reconheçam que não existe nada que seja tão importante que não possa sofrer mudança. Isso quer dizer que não há nada na vossa vida a que devam estar tão vinculados com que achem não poder viver, por poderem se tiverem que o fazer. Não estou a dizer que venham a precisar viver sem isso, mas que podiam se tivessem que viver sem isso.

Ao olharem as coisas de modo diferente, o ingrediente mais importante é examinarem-se em busca de afirmações limitativas. Lembrem-se de que o que o subconsciente ouvir tornar-se-á na vossa realidade. O subconsciente governa o corpo por intermédio da glândula pituitária. Assim, quando repetem uma afirmação negativa constantemente com respeito à vossa saúde, ela irá começar a desenvolver-se por a terem aceite como um facto.

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Copyright © 2003 Saul Srour

Authors: June K. Burke and the Seraph Julian






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