sexta-feira, 3 de abril de 2015

RECLAMAR E EXIGIR



Na vossa realidade consensual, reclamar significa exigir qualquer coisa. E exigir significa reclamar uma coisa qualquer. Na vossa realidade consensual muitas vezes usam ambos os termos de uma forma aleatória, e em determinados contextos isso não tem qualquer importância. E não os encorajamos a prestar uma maior atenção à distinção, no vosso viver normal da vida. Prestem atenção à distinção quando se tratar de fazer operar a magia do reclamar e do exigir; caso contrário, se utilizarem os termos de forma aleatória, isso não acarreta nenhuma consequência grave e como tal, não acarreta qualquer razão para se preocuparem ou procederem a distinções.
Reclamar. Reclamar constitui um direito. Reclamar significa exigir - como se não o soubessem, não é? - com base na virtude desse direito.

A virtude, a virilidade, a força, a força dinâmica. Reclamar representa um direito, uma exigência baseada na virtude, baseada na força dinâmica desse direito. Não se baseia na vossa força, por mais dinâmica que seja, nem tem base no poder que têm, mas é antes uma exigência que assenta na força e poder do próprio direito.

Uma exigência constitui um direito, e exigir significa insistir ou fazer valer (afirmar) o reconhecimento (o re-conhecimento, cujo prefixo aqui no sentido de retrocesso, voltar atrás e alcançar conhecimento) desse direito. Não significa apenas uma exigência com base nele. Exigir constitui uma insistência e uma afirmação do seu reconhecimento; insistir em que se seja reconhecido, afirmar que o facto esse direito seja reconhecido. Trata-se de uma exigência feita com base no reconhecimento do direito.

Mas assim como envolve a força, e o reconhecimento de um direito, exigir envolve requerer o que é devido, requerer a graça se quisermos, desse direito. Requerer, insistir nele, se quisermos, apelar-lhe e requerer a graça inerente a esse direito. Convidar, exigir o que é devido, coisas como a honra, o reconhecimento, o respeito; clamar, requerer o respeito e a honra do direito.
É isso que a reclamação envolve. Bem que poderão ler a definição consensual que lhe atribuem em qualquer dicionário, mas para compreender que uma reclamação constitui um direito e assim reivindicar (particípio presente do verbo, da acção) é agir com base na virtude, no reconhecimento e no necessário devido, na honra e no respeito de um direito. No que é um direito vosso. Isso é reclamar.

Exigir, representa reclamar; exigir é reclamar, ou mais adequadamente, pedir para receber; exigir é pedir para receber. Fazer uma pergunta não é exigir, mas pedir para receber. Exigir é a acção de pedir para receber. Mas não pedir ou receber a bem ou a mal. Pedir para receber com autoridade, com uma permissão e uma autoria determinada e originada pelo próprio: "Eu peço para receber a partir da minha própria capacitação, com base na permissão auto determinada, e não numa permissão que tenha obtido da parte de terceiros, mas uma permissão que tenha obtido e dado a mim próprio/a, da minha própria autoria." É um pedido para receber dotado de autoridade, permissão e fortalecimento. Autoridade - agir! 

Mas exigir é igualmente pedir para receber, com integridade. Com uma responsabilidade espontânea, com espaço para a totalidade da pessoa - pedir para receber com integridade. Não só autoridade mas também com integridade, com um sentido da nossa totalidade, com um sentido da resposta conforme a dão, não enquanto crianças nem enquanto adolescentes, mas enquanto adultos espirituais. Exigir também é apelar para a acção correcta, apelar à justiça.

Decerto que as pessoas podem usar a exigência de um sem número de coisas; as crianças fazem todo o tipo de exigências aos pais; os adolescentes fazem todo o tipo de exigências ao mundo, com base na mentalidade de presunção que têm. As pessoas nas suas vidas de adulto exigem todo o tipo de coisa, muitas vezes com uma voz que fica aquém, e que mais não faz que barulho, não obstante a destruição que tal barulho possa provocar.

Mas a demanda, no sentido real, o exigir, constitui um pedir para receber dotado de autoridade, de integridade e de um apelo à justiça e ao direito, ao bem, ao verdadeiro. Isso é reclamar um direito, e exigir, pedir e receber com base nesse direito - com autoridade, integridade e justiça.
A magia do reclamar e do exigir constitui uma magia secreta cujo significado se perdeu no pressuposto e na presunção da habitualidade com que toda a gente assume que sabe o que significa exigir e reclamar. Possuem uma riqueza de experiência procedente da infância e da adolescência, procedente da experiência do viver a vida. De todo o tipo de exigências e de reclamações - algumas satisfeitas e outras não, mas devido ao pressuposto e à presunção, devido à familiaridade, exigir e reclamar... "Pois, eu sei o que isso significa." Só que é nas profundezas do sentido, no funcionamento, no mistério dessa magia que os segredos se revelam.

Para se olhar, para se compreender, a exigência cria uma fundação - essa coisa chamada exigir não é passiva mas activa, mas cria activamente uma fundação de direito (certo). Virtuosa, forte, ao reconhecer e requerer o devido de forma acertada. A reivindicação cria a fundação, representa a preparação. A exigência também é activa, só que constitui a acção. Enquanto a reivindicação é activa e ergue uma fundação, a exigência também é activa e constitui a acção em si mesma. Acção dotada de autoridade, de integridade e de correcção ou de justiça.
E quando se combinam de uma forma particular, isso gera uma magia. Uma representa a fundação ou a preparação; a outra representa a iniciação - pôr em acção. Nos trabalhos de magia que promovemos, gera-se uma triangulação que tem início num preparo e que termina na iniciação, e que tem pelo meio essa coisa chamada iluminação. Ela segue o preparo e precede a iniciação - iluminação.

Reivindicar constitui a preparação e a exigência representa a iniciação, e pelo meio, nesse espaço místico intermédio, é onde acontece a magia - invisível, desconhecida, sem descrição. Algures por entre o reivindicar e o exigir ocorre a magia, ou por outras palavras, a magia do reivindicar e do exigir ocorre antes que a exigência seja completamente empreendida. A sua manifestação seguir-se-á, sem sombra de dúvida, de acordo com as prescrições que usarem do tempo linear ou outro.

Importa compreender que reclamar constitui um direito, um direito activo que é virtuoso ou forte, que é reconhecido e respeitado. Exigir constitui uma acção dotada de autoridade e de integridade que apela à justiça. Ora bem; para além da definição, não se pode fazer valer a magia do reivindicar e do exigir pela récita das palavras, nem dizendo: "Eu reivindico, eu reivindico, eu reivindico…" repetidas vezes, ou cada vez mais alto, nem com uma maior suavidade devido à intensidade. Não se pode operar a magia da demanda e da exigência batendo o pé e exigindo de um modo petulante ou arrogante. Para se fazer valer essa magia precisam fazer duas coisas. Precisam, antes de mais, passar pela perplexidade que envolve ou pelo paradoxo em que assenta.

 E precisam trabalhar com os seus componentes. Reclamar constitui uma habilidade, entendem, que requer a experiência e o conhecimento que obtiveram; ao passo que a exigência constitui uma arte, e requer a proficiência da vossa habilidade misturada com o esoterismo e a espiritualidade dos vossos princípios, com a estética, a beleza, a bondade, a verdade dos vossos princípios espirituais. E para desenvolver a destreza do reclamar, para desenvolverem a arte da exigência requer-se duas coisas: compreensão e abrir caminho através da desorientação, através do paradoxo do reclamar e do exigir, e a compreensão e o desenvolvimento de uma certa perícia em relação aos seus componentes. Assim, falemos da desorientação ou perplexidade, falemos do paradoxo.

Há a visão do olho clínico do reclamar e do exigir e há a perspectiva pessoal; ambos compreendem os limites, se quisermos, da desorientação, cada uma das quais propõe tanto uma cilada quanto uma libertação potencial. As palavras-chave que colocamos são: 

Autorização (exercício do direito) a que corresponde a emancipação ou Capacitação. Uma Visão Amadurecida representa a contrapartida. 

A Reivindicar (justificar) é a terceira potencial cilada e passagem, que corresponde ao Endireitar o Torto.

A Fraqueza constitui a quarta, que tem por correspondente a Robustez.

A Ganância e a Avareza, são a quinta, a que corresponde o Altruísmo e a Espiritualidade.

A partir destas energias, destes portais, vem a vossa pretensão ou exigência, um direito ou o resultado de uma visão controlada. A partir da ganância dirigida para dentro, uma ganância que é passível de conduzir à avareza (avareza que constitui a ânsia da ganância,) ou a partir da capacitação, a partir de uma visão amadurecida, a partir do corrigir o torto, a partir da força, do altruísmo ou da espiritualidade. E enquanto a avareza constitui essa ânsia, uma ânsia não correspondida, a espiritualidade constitui uma sede interminável.

Depois vem um outro acesso uma outra parte desta energia particular que tem que ver com os Créditos e os Débitos, e com a sua contrapartida da justiça, a busca desse sentido de justiça.
Agora, a perplexidade, o paradoxo - como tudo se conjuga. Onde residirá a virtude do vosso direito? Onde residirá a virtude? Residirá no direito? Será isso que lhes dá força ao direito? Será isso que torna o vosso direito um direito eficiente ou será de facto a capacitação? A virtude, a força, a fonte, a virtude do vosso direito. 

Onde reside o reconhecimento? Como é que reconhecem esse direito? Será reconhecido através da visão atrofiada, ou da visão controlada, contida, do ego negativo, do olho clínico, ou estará o reconhecimento desse direito baseado numa visão amadurecida, num sonho amadurecido? Onde residirá o respeito, a magnanimidade? Que resultará desse direito? Que é que acham que deve resultar dele? A justificação? Ou o endireitar o torto?

Será aquilo que procuram algo que buscam obter a partir do direito, ou utilizar esse direito para a dádiva? Será a expressão da tentativa de obtenção ou uma via para a dádiva? 

Começando pelo topo – que virtude terá o vosso direito? Estará ela no direito ou na capacitação? Em que se baseará o reconhecimento? Basear-se-á numa visão atrofiada ou de olho clínico ou numa visão amadurecida? Onde residirá o respeito? Onde residirá a magnanimidade? Residirá na justificação antecipada ou na antecipação da correcção do erro? Será esse direito fraco por tentarem obter para vós próprios ou será fortalecido por o usarem como um veículo, como um corredor, um conduto para a dádiva?

Em quinto lugar, onde residirá o destino desse direito? Que destino terá? Será uma ganância voltada para dentro que pode conduzir à avareza, ou que já se ache presente? Ou estará o seu destino num altruísmo que conduza a uma espiritualidade, ou a uma espiritualidade em que o altruísta já se ache presente em vós? Qual será a motivação e a energia, ou a energia e a motivação desse direito? Os débitos e os créditos achar-se-ão em equilíbrio, na vossa vida? "Eu estou em dívida; tu deves-me. Estou a cobrar dívidas." Será essa a energia, será essa a motivação desse direito que estão a reclamar? Ou será justiça?

Esta é a incerteza, este é o paradoxo, porque a reclamação pode ser de qualquer dessas coisas. E muita gente no vosso mundo procederá a uma reclamação com base no direito:
"Eu sofri por tempo demasiado, eu estive em sofrimento por demasiado tempo, eu falhei durante muito tempo. Tive uma vida infeliz, o meu pai era alcoólico e em criança vi-me envergonhada. Conheci a tragédia e o sofrimento; conheci o desapontamento, e por isso acho-me no direito e reclamo. Esse é o vigor do meu direito. Eu uso a autoridade que me cabe para fortalecer o meu direito. E percebo o direito que me cabe por intermédio da visão restrita do meu ego, embora não lhe chame tal coisa. Mas quando era criança decidi, e é assim que o reconheço, é assim que o percebo; ah, é o meu direito. Eu recordo-me disso; eu reconheci-o. Tomei conhecimento disso quando estava com cinco anos. E agora estou de volta, aos trinta e cinco, quarenta e cinco, cinquenta e cinco e reconheço-o, com base nesta visão limitada. Eu exijo a graça, eu reclamo isso e exijo a graça. Eu quero vingança. Eu quero vingança. Eu reivindico isso para poder obter para mim, para poder obter - tudo em torno de mim. Quero aprender acerca desta magia de modo a conseguir obter coisas para mim próprio, de modo a satisfazer uma ganância ou avareza, uma voracidade que não pode ser saciada. E sinto-me motivada, e encontro energia no equilibrar das dívidas." 

As pessoas fazem reivindicações todos os dias das suas vidas. No passado, vós fizestes reivindicações dessas - o que não é grave, nem merece castigo, mas entendam que se trata de um deslizamento fácil, de uma encosta escorregadia cair em situações dessas, a menos que sejam conscientes e saibam o que fazem. Este é o labirinto, este é o paradoxo do reclamar, por declamar o ego, e não conter qualquer magia. Isso é declamar-se a si próprio, ao passo que a verdadeira virtude, reconhecimento, exigência, a graça. 

Usar a reivindicação a título de dar, como uma maneira de fazer fluir mais de vós próprios pelo vosso mundo e pelo dos outros, sim, decerto que em benefício próprio, só que não tirando, não pela obtenção mas através da dádiva, através do corrigir o torto e da robustez, com o altruísmo por destino, e com uma maior e mais profunda parceria com Deus, com a Deusa, com o Todo e tudo quanto isso acarreta, todos os vossos amigos invisíveis e visíveis. Motivado pela energia, pelo ímpeto da justiça. Onde residirá o direito que reclamam? Na própria virtude, reconhecimento, exigência? Em obter ou em dar, enquanto destino, enquanto ímpeto e motivação?

Agora, quanto chegamos à outra metade desta magia do reclamar, a energia opera pela ordem inversa. Onde residirá a força da vossa acção? Onde residirá a autoridade, se quisermos, a autoridade da vossa acção? A autoria, a permissão residirá no equilibrar nos débitos e dos créditos da vossa realidade ou residirá na justiça? "Esta é a coisa acertada, a coisa justa a fazer." Aí reside a autoria, aí reside a permissão; autoridade concedida pelo próprio.

A integridade - e a autoridade, se quisermos - mas a integridade da vossa acção; residirá ela na ganância e na avareza? Ou residirá no altruísmo e na espiritualidade? A justiça a que apelam ou convocam - será uma justiça débil, uma justiça baseada na obtenção, ou será destinada à dádiva? O destino - para onde se encaminham? Onde pretendem acabar com tal demanda, com tal acção de reclamar? pretendem acabar vingados, justificados? Ou pretendem corrigir o erro?

Onde residirá o impulso? Que dinâmica sentirão? Assentará na vossa visão restrita ou na visão amadurecida? E a motivação, procederá do exercício do direito, ou da capacitação? As energias do direito descem enquanto as energias do reclamar sobem (NT: Referindo-se ao gráfico que desenhou na tela). E desta forma torna-se importante compreender este paradoxo, este labirinto, não no sentido de o memorizar mas para o compreender, para obter uma noção dele. Estar alerta, ter consciência das energias do próprio direito que reclamam, ou da acção que irão empreender; ter consciência da virtude, do reconhecimento, da exigência da recompensa; ter consciência da obtenção, da dádiva e do destino. E depois, ter consciência da motivação e do impulso ou dinâmica do direito - que desce para voltar a subir em direcção àquela noção de autoridade, àquela noção de integridade, àquela noção de apelo à justiça. Seguida pelo dar e obter: "Estarei a tentar obter vingança ou estarei a tentar conseguir a correcção do erro?" É quando essa energia - a quarta energia  que termina aqui - essa energia da obtenção da vingança, ou da utilização dessa exigência com o fito de corrigir o erro.

Em seguida vem o destino - estará o destino, aquilo com que irei acabar, com que vou encerrar esta coisa, numa visão limitada e restrita, ou numa visão amadurecida? E por fim, a motivação e a dinâmica, as duas últimas em conjunto. Procederão do direito próprio ou da capacitação? Compreender a confusão e abrir caminho por entre a desorientação faz parte do desenvolvimento da perícia, parte do desenvolvimento da arte do reclamar e do exigir, respectivamente.

A outra parte, a outra energia importante, para desenvolverem essa perícia, para desenvolverem essa arte, deixar que essas coisas sejam o que puderem - uma magia tão misteriosa - consta do conhecimento dos componentes, e do desenvolvimento de um certo nível de proficiência, e de consciência e de saber e de perícia, certamente. Mas muito disso já vocês possuem, sem dúvida. A maioria disso, é uma questão de serem mais conscientes, uma questão de o alinharem. E uns componentes particulares que estão envolvidos nesse preparo do reclamar e nessa iniciação do exigir: O Poder do Possível. Estar familiarizado, estar consciente do poder do possível. 

Compreender, conforme tanta vez temos explicado, que por mais que se sinta tentado a limitar as próprias possibilidades, a restringir as próprias possibilidades, e a ter tão poucas possibilidades quanto possível, muita gente pensa: "Ah, são demasiadas opções, demasiadas possibilidades. Quisera que só houvesse uma, pegar ou largar, não?"

Mas de facto, quando subsistem menos possibilidades há um poder menor. E quando aumentam o número das possibilidades, mesmo do ultrajante e da parvoíce até ao estúpido e à incredulidade absoluta, ou até ao mais profundo, ao mais perspicaz e ao mais maravilhoso, aumentar o alcance das possibilidades aumenta o vosso poder. E quantas mais possibilidades tiverem, no estabelecimento da decisão ou da escolha, mais poderosa essa decisão ou escolha virá a ser. E para fazerem com que esta magia maravilhosa e misteriosa funcione, esta magia da reivindicação e da exigência -- não só por entre a desorientação, o labirinto e o paradoxo -- mas compreender os seus componentes de forma a se tornarem conhecedores, poder-se-ia dizer, a tornarem-se conscientes, familiarizados e confortáveis com esses componentes, antes de mais, com o poder do possível. Em segundo lugar, uma relação positiva com o futuro, uma relação positiva com o futuro.

Porque, caso contrário, o que poderá aqui suceder é que as energias do reclamar e do exigir podem acabar por se tornar num último recurso, numa energia de pânico. Se não for proficiente quanto ao poder do possível, se não tiver uma relação positiva com o futuro, então o reclamar e o exigir correrão o risco de se tornarem pânico e num recurso de última instância, em vez da magia da paciência em face da urgência. Existe uma diferença entre o pânico e a urgência; existe uma diferença entre o pânico e a paciência; há uma diferença entre recurso de última hora e a urgência. E vocês precisam tornar-se conhecedores do poder do possível, compreendê-lo e trabalhá-lo, obter experiência relativamente a ele. Precisam ter um relacionamento positivo com o futuro.

A ansiedade, conforme dissemos anteriormente, talvez agora evocado a título de advertência, a ansiedade vem com a separação do futuro. As pessoas não sentem ansiedade com respeito às coisas do passado, excepto na medida em que temam que venha a repetir-se no futuro, ou por temerem que de algum jeito esse passado venha ao seu encontro e os volte a assombrar o seu futuro. E nesta conjuntura particular, nesta semana de terrorismo, durante esta semana em que a face do mundo foi alterada, em que tanta gente perdeu a noção de esperança no futuro, em que tanta gente se questiona se alguma vez o conseguirá, se virá a ter algum futuro, e se o futuro voltará alguma vez a ser o mesmo, nesta conjuntura particular que levou a que a América e o mundo mudassem para sempre -- ah, decerto que o terrorismo já terá sucedido noutras paragens, só que nunca tinha sucedido assim, na América, a superpotência, com tudo quanto pensem dos Americanos e da América, a superpotência. 

Muita gente que tinha estabelecido pontes no sentido do futuro viu essas pontes colapsarem, e agora vêm-se crivadas de ansiedade... a ansiedade constitui um produto do relacionamento que têm com o futuro, independentemente da forma ou onde essa forma possa enraizar-se, assenta no relacionamento que têm com o futuro. Aqueles que carregam fracos níveis de ansiedade têm uma relação positiva com o seu futuro; aqueles que possuem um nível extremamente elevado de ansiedade têm uma relação negativa... Aqueles que sentem indiferença em relação à ansiedade não têm qualquer relacionamento... (Riso) por se encontrarem adormecidos. Um componente -- não aqui, não precisa ser nisto -- é o seguinte: Será o pânico de último recurso ou uma urgência paciente? Uma energia relacionado com o que seja possível, uma relação com o futuro. Um terceiro componente: um certo nível de perícia em relação à escolha.

Quarto - a sagacidade, a sensatez. Não a mais sábia, nem uma coisa comparativa relativamente aos outros, mas o desenvolvimento da vossa própria. Comparar e competir com a sagacidade o discernimento dos outros constitui uma desculpa para não desenvolverem a vossa própria, em muitos casos embora não sempre. Por vezes trata-se de uma resposta condicionada procedente da realidade consensual, ainda tão condicionada pelo chauvinismo, m as muitas vezes, as preocupações que criam em torno da competição e da comparação da sabedoria que têm com a de outra pessoa constitui uma desculpa e justificação para deixarem de desenvolver a vossa própria, é uma distracção --porque sempre irão encontrar quem seja mais sensato que vós, entendem, sempre irão encontrar alguém que seja mais sábio que vós, de modo que jamais chegam a vencer a competição.

"Não vou desenvolver a minha sabedoria até que se revele superior à de quem quer que seja." Poderão achar isso de forma temporária, e comummente a forma porque chegam a isso é assegurando-se de se rodearem de gente insensata ou imprudente, não é? (Riso) Mas com que companhia terminam por ter! "Eu sou o mais sensato aqui!" (A sorrir) o que é verdadeiramente triste, não será? Esperar-se-ia que no vosso círculo de amigos sempre haja alguém mais sensato que vós, pelo menos por vezes. (Sorri)

Parte da fundação, parte da criação desse preparo, dessa fundação e da tomada dessa acção iniciatória, passa por serem sensatos - não comparativamente a outros nem em competição com eles, mas passa por serem conhecedores, por serem conscientes da vossa própria noção de sensatez, do poder do possível, do futuro, da escolha, da sensatez. 

O quinto componente -- a capacitação; ser o autor de uma forma dotada de permissão. Autorizar-vos e conceder a vós próprios autoridade para reclamar e exigir enquanto magos que são. E o sexto e sétimo desses componentes --desenvolver o ritual de se arrogarem e o ritual de exigirem. Se conseguirem atravessar a perplexidade, se tiverem chegado a compreender e a desenvolver a experiência e o conhecimento relativamente aos componentes -- coisa que já conseguiram -- então estarão preparados para fazer com que a magia opere. O que faltará usar? Os rituais, aprender os rituais do reclamar e do exigir.

Após o intervalo, uma meditação; mas espera lá e então os rituais? A meditação não representa os rituais, a meditação constitui o lançar das bases que vai pôr em movimento tanto o preparo como a iluminação mais a iniciação destinados à verdadeira destreza e arte que subsequentemente desenvolvem. A meditação representa a seu modo um oásis a que poderão voltar em busca do acalento e do fortalecimento, reforço e expansão. Assim, iremos falar sobre ritual e técnica, antes de concluirmos.
...
Vamos falar da mágica do reclamar e do exigir. Antes de mais, ao tomarem consciência dos paradoxos particulares, ao tomarem consciência das ciladas e das portas que os poderão libertar; ao tomarem consciência das velhas tentações que seguem os velhos padrões, das velhas rotas e das rotas mais bem percorridas, e proceder a tal escolha, não no sentido de levar a que essa escolha aponte numa direcção diferente para alinharem por essa parte disso; trabalhar os paradoxos, por aí residir o verdadeiro poder da magia que vão operar. Envolve igualmente um trabalho com os componentes. Já trabalharam com a maioria desses componentes, a maioria de vós já tratou deles extensivamente, eles não são novos, e isso é bom de saber, de modo que não precisarão começar o zero. Mas tem que ver com o tomar consciência, perceber ou regressar a esse relacionamento positivo - ou começar pela relação com o poder do possível. E desde logo, aquele relacionamento positivo com o vosso futuro, para voltarem a apresentar, renovar reafirmar, seja como for que optem por o fazer, activar esse sentido de serem conscientes das possibilidades e do futuro. Assim como dependerem, contarem com, confiarem na perícia que têm com a magia da escolha, com o poder, a sabedoria que terão inferido por esses métodos. Isso não é novo no despertar do génio, no trabalho da vossa sabedoria, da perspectiva mais vasta.

A capacitação? Um lembrete; concedam simplesmente a vós próprios permissão para se capacitarem. "Ai, vou ter que procurar por esse mundo fora, acima e abaixo, por quem me conceda tal permissão..." Veem o problema que isso trás? "Caramba, quem me dera ter poder para tanto, conceder a mim próprio ou a mim própria permissão para tanto: Eu concedo a mi próprio autorização para me capacitar..." Mas se vocês o afirmarem de uma forma autêntica se lhes apresentará -- agora! E com isso, claro está, o sexto e sétimo passo na lida com os próprios rituais, um do reivindicar e do exigir - um, que constitui um ritual de destreza e o outro que constitui um ritual de arte.

Com isto passemos à técnica, modos de operar isso. Antes de mais, o ritual do reclamar, Já fizeram parte dele, a meditação incluiu pedaços de ambos, mas já completaram parte disso. Eis a maneira com isso se desenvolve. O ritual, a pequena dança, o ritual do reclamar:
Que será que pretendem reclamar? Que será que pretendem exigir na vossa realidade? A nível pessoal - de forma tangível, material emocional, mental; ou para outras pessoas, por quem se importem e a quem amem, com quem e para quem terão prometido e programado fazer operar a magia; algo que tenha que ver com projectos vastos em que se encontrem a trabalhar isoladamente ou com outros. Ou algo que destinem ao vosso mundo, para aqueles que não conhecem, para a saúde e bem-estar do mundo em geral, e da humanidade.

Que será que quererão reclamar e que quererão exigir? Que é que querem criar com esta magia, cientes de que antes de mais têm estabelecer a fundação, primeiro têm que proceder à preparação daquilo que querem criar. O ritual de reivindicação disso - numa meditação, no vosso local de segurança, em que se dirijam quer ao local do mago ou a um lugar em que os elementos sejam exaltados - o topo de uma colina, ou à beira mar ou junto a uma pequena ribanceira, numa clareira encantada de floresta ou bosque, um local encantado ou sagrado segundo a vossa própria concepção e energia, em que certos elementos, a água, o ar, o fogo, se apresente e destaque em meio ao júbilo que encerra. Quer num local de exaltação dos elementos em particular, ou numa colina, num parapeito. Uma vez aí, conjurem o anel da luz: 

"Eu sei o que vou reclamar; eu sei o que vou exigir. E neste lugar elevado ou neste local em que os elementos são exaltados crio agora um anel ou um talismã. Ou talvez por meio de um estalar de dedos ou um piscar de olhos, seja o que for que façam operar, um movimento, um ruído, vocês criam um anel, quer na horizontal quer na vertical; anel esse que se expande e do qual a luz se expande e cria uma esfera, e nessa esfera um pentagrama, uma estrela com bicos que represente os cinco elementos, a terra e o ar, o fogo e a água, e o quinto elemento do espírito, uma estrela de sírio, dotada de cinco pontas, e dentro dessa esfera um pentagrama; dentro do pentagrama, essa figura geométrica dotada de cinco lados - um pentagrama. Mesmo no centro. Nesse mesmo centro, no centro da esfera e no centro do pentagrama, dentro dessa figura dotada de cinco lados abre-se um vórtice de energia. Caos? Sim. Um turbilhão de energia - um vórtice. É fascinante, é misterioso, é impressionante, é assombroso.

Permitam sentir isso, deixar-se arrastar, deixar-se atrair para isso, com avidez, entusiasmo, com relutância porventura, mas arrastados para isso que roda e gira e revolteia. Ao se deixarem arrastar para isso comecem a consumir isso da mesma forma que são consumidos por isso.
Seja o que for que os faça sentir, inspirem isso, façam por ingerir e abraçar isso por todo o vosso ser, consumam esse vórtice de energia na mesma medida em que ele os consume. Ambos desaparecem; ele encontra-se dentro de vós e vós dentro dele. Ora bem, isso não faz sentido em termos lineares, só que agora encontram-se no domínio do mistério, encontram-se num outro estado (alterado) de consciência em que as coisas podem adoptar a linearidade caso seja conveniente, ou não, caso seja apropriado. Vocês consomem esse vórtice de energia e ele consome-os a vocês; ele deixa de existir por se achar dentro de vós, mas vocês deixam de existir por serem esse vórtice de energia. Vocês são a energia, vocês são o vórtice...

(continua)
Transcrição e tradução: Amadeu António


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