sexta-feira, 3 de abril de 2015

O SIGNIFICADO DA NOVA ERA



Transcrito e traduzido por Amadeu António



Estou muito satisfeito por me encontrar uma vez mais convosco e por expor uma vez mais aquilo a que chamam de Nova Era e da relação que ela tem com a humanidade.



Penso que porventura o sítio mais apropriado por onde começar seja pela explicação do que seja uma Era. Uma Era constitui um ciclo efectuado no processo evolutivo universal. Pensarão talvez que a duração de uma Era seja de uns cem anos aproximadamente, mais ou menos, por corresponder à duração do vosso tempo de vida pessoal, mas esta Era representa a parte mais extensa do vosso ciclo evolutivo - a jornada singular da alma. Por conseguinte, aquilo a que chamam de “vidas” constituiu os capítulos e os versículos da jornada singular da alma. À medida que passam pelo processo desses ciclos, e devido ao movimento que é criado no âmbito do tempo, a energia sofreu uma intensificação, e muito embora entrem pelo mesmo processo poderão terminar numa nova vibração, numa nova compreensão, e numa capacidade renovada de se abrirem para com a evolução.



Agora, quando o próprio universo foi criado, a evolução do universo num todo entrou em vigor, de modo que com o primeiro movimento efectuado no vazio, um processo evolutivo teve início, e ao longo de eras de tempo, conforme medem o tempo - nós não o medimos, apenas o vivenciamos, como quem diz - chegaram a defrontar-se com um crescimento da alma ao longo do caminho.



Agora, à medida que uma Era evolui passa a apresentar diferentes energias que comportam determinadas lições de carácter espiritual. Lembrem-se que uma Era está relacionada com a alma, e não se centra na personalidade do ego, pelo que a Era apresenta a energia necessária para que obtenham o máximo, na evolução individual e colectiva que atingem, por meio dessa energia. Assim sendo, o que acontece é que há igualmente necessidade de toda uma espiral no processo evolutivo universal, por precisar trazer-lhes uma nova energia para poderem usar, por assim dizer, de forma a poderem avançar.



Se reconhecerem que o processo universal evolutivo nada tem de pessoal mas se acha relacionado com a criação, reconhecerão que não poderá criar nada por vós que não devam experimentar. Mas a forma como o experimentarem ou o quanto o experimentarão dependerá da atenção que prestarem à energia, bem como da forma como se relacionarem com ela, tanto nos termos da personalidade do ego como da personalidade da alma, porquanto a mente constitui o instrumento da sua concentração, e a forma como encaram uma energia torna-a num processo evolutivo novo e positivo para vós, ou tudo menos positivo. Assim, possuem um enorme poder que lhes foi conferido, destinado a ajudá-los a utilizar pelo melhor que conseguirem essas energias apresentadas por essa força superior, por essa energia universal não pessoal.



Já falamos muitas vezes acerca da Era de Peixes cujo molde assentava na estrutura e no molde em que cultivavam a disciplina e cultivavam a concentração e em que passaram da existência de uma multiplicidade de deuses para o conceito de um Deus Único das vossas crenças religiosas, e em que passaram por muitíssimas mudanças que lhes trouxeram a percepção do poder que têm de escolher. Aprenderam a concentrar-se e assim muitas coisas se tornaram rígidas e passaram a ter estrutura e forma, por isso corresponder à forma como se focavam nesse processo evolutivo.



Passaram agora para a Era de Aquário que constitui a era do espírito e do curso, e passaram do Deus exterior para o Deus interior. Aceitaram por fim que vós, o templo que é o corpo da vossa alma e da vossa luz, sejam suficientemente adequados para albergar Deus dentro de vós. Por na Era de Peixes ser muito mais fácil, entendem? Podiam “passar a bola” (não assumir a responsabilidade) dizendo: "Foi Deus quem me fez isto. Como poderá Deus ter permitido que isto me acontecesse?" (Riso)



Deus era alguém ameaçador, alguém a temer, por esse alguém representar o próprio método que usavam para se manterem “na linha” (...) e de manterem o padrão. Assim: "Deus chegar-te-á se não tiveres cuidado," era o que prevalecia, não era?



Mas actualmente evoluíram e felizmente deram a volta a ponto de poderem dizer: “Eu sou uma parte viva dessa energia de Deus que se acha dentro de mim, pelo que me posso tornar mais divino.” Ora bem, “divino” não quer dizer que sejam um deus que passe a dominar toda a gente - significa que possam aceitar a premissa do ser divino e viver como uma energia divina. Daí que não mais sintam necessidade de criticar, a necessidade que têm de alcançar tudo se ache moderada, não porque seja mau querer tudo, mas por ser o que fazem com isso que tem importância. Assim, no novo ciclo evolutivo deixaram de dizer que tudo lhes estivesse a fazer algo contra ou a favor, e começaram a dizer que lhes tenha sido outorgada a energia para o fazerem por vós e pelos demais, pelo que se torna numa energia poderosa que diz que podem mudar tudo quanto precisem mudar em vós próprios, por ser aí que tem início.



Toda a gente padece ainda do que chamam de ressaca da era de Peixes, certo? Pelo que dirão: “Será melhor que me endireite, será melhor que faça as coisas direito,” mas de súbito percebem: “Que é que estou a fazer comigo? O melhor é que me ponha na linha e engrene." Não será esta uma afirmação estranha? Fico fascinado com algumas dessas afirmações, mas não perceberão o termo “engrene”? E fazer por que alguma coisa “se mexa”? Nós ouvimos minuciosamente algumas das coisas que dizem e gostamos bastante. (Riso) Lembrem-se que, ao assumirem o controlo de vós próprios no âmbito da energia divina desta era, ficam mais habilitados a interagir com toda a gente que existe e começarão a encontrar uma menor necessidade de julgar, serão capazes de partilhar de uma forma mais plena, por a estrutura e o molde terem ruído.



Este ano da era de Aquário representa o décimo segundo ano, e o décimo segundo ano de uma era constitui sempre o ano da energia em bruto. O décimo primeiro ano é sempre catalítico, e se olharem para o ano passado, fizeram frente a uma enorme bola de lixo; todas as dúvidas e temores, todas as raivas de que pensaram estar livres vieram ao de cima de forma a terem que enquadrar e olhar nos olhos de novo. E agora estão capazes de dizer que se sentem livres disso, mas não sabem para onde ir a partir desta situação. Mas onde poderão encaminhar-se a partir dessa situação é pegar nessa força bruta e dar-lhe forma e moldá-la, porque ao longo deste ano vão ter que moldar e criar a estrutura e a forma do futuro. E quando emprego estas palavras, (isso quer dizer que) maravilhosas visões sucederão, sabem?



A estrutura e a forma inerentes à era de Peixes funcionavam com base no quadrado. E a estrutura e a forma nesta era acham-se baseadas no círculo, e são fluídas e fluem; não denotam por forma nenhuma o quadrado mas assume todo um espaço novo, de forma que gera um tipo de qualidade movente e de arco e de voo na corrente da energia desta era. E de súbito, quando o equinócio sucede e a energia que foi preterida durante três meses torna-se activa, e vão todos sentir como se os açafrões tenham aparecido com a neve. “Existe luz do sol algures, em algum lugar, e eu descobri-a.” E é disso que se trata.



O termo “Nova Era” é disseminado de forma indiscriminada como qualquer frase nova que surge, e que por ser usada dessa forma torna-se insignificante, por deixar de ser rara e passar a ser do domínio comum, e assim ouvem falar em nova era e associam isso à metafísica e pensam que queira dizer qualquer outra coisa, onde quer que se foque. A Nova Era significa que tudo quanto existe possui uma nova energia destinada a um novo crescimento e movimento.



Não fujam à energia da Nova Era dizendo que isso signifique que meditem ou que pratiquem numerologia ou astrologia ou sabe Deus o que mais. Isso faz parte da energia total, mas poderá não passar de umas quantas gotas no balde de toda a energia. Por também querer dizer que o potencial que têm de crescimento, a capacidade que têm de ver mais e de fazer mais, de criar mais se torna mais vigorosa. As mentes que se permitiram dar tratos a isso antes vão agora dedicar um tempo e indagar: “Espera lá, que objectivo será esse? Que será que estou mesmo a tentar conseguir?” E começam a prestar atenção ao potencial, por se ficar a dever à lei desta era - dar atenção ao vosso potencial - como se fosse o seu primeiro mandamento. Mas claro que o mandamento da nova era consiste em se amarem uns aos outros de forma incondicional. Mas vocês dirão: “Como poderei amar alguém que seja um assassino de massas de forma incondicional?”



A lei universal da causa e efeito encarrega-se de julgar e descarta-lhes toda a responsabilidade de o fazer. Não têm que julgar, mas amar ao nível da alma, por a alma ser pura. E assim dizem: “Não gosto da personalidade de ego que apresentas,” por isso ter cabimento no direito que têm ao discernimento. “Não gosto do que andas a fazer; não gosto que andes por aí a retalhar as pessoas.” Todavia, sei que por dentro dessa personalidade do ego há uma alma, uma luz divina que é pura, e a alma em mim passa a amar a alma em ti e a desejar-te felicidades, porque só Deus sabe como precisas de ajuda.”



Conseguirão imaginar a luz divina de um assassino de massas? Ou a sua alma? Ou de quem quer que seja que diga: “Não vou dar ouvidos ao que possuo de melhor dentro de mim? Vou-me deixar cair na depressão, por ser mais divertido.” Mas isso é tão grave quanto um assassino de massas, por estarem a negar o potencial. Estão a negar o melhor que podem vir e ser tudo quanto queiram ser, por assim dizer. Assim, precisam dizer: “Sim, darei ouvidos ao melhor em mim, e suscitarei em mim coisas que nem sequer imaginava poder conter,” e a vossa alma entrará numa dança, acreditem. Sabiam que as almas dançam? Todas as noites quando dormem elas dançam. (Riso) Elas saem do vosso corpo e voam, por assim dizer. Por a alegria de existirem muitas vezes ser esmaecida quando as pessoas dizem: “Não pode acontecer.” E quando deixam de sonhar.



A vida sucede a todos os níveis. Acha-se nessa (...) acha-se em vós, no próprio ar que respiram; não a neguem, deixem-na vir ao de cima… A pior coisa desta era de Aquário, para qualquer pessoa estará no reconhecimento de que a única coisa absoluta é a mudança; nada pode permanecer na estagnação, nada poderá garantir o status quo. Por outras palavras, não poderão dizer: “Eu escrevi um livro,” não podem dizer: “Eu pintei um quadro.” Precisam dizer: “Eu fiz isto, mas vejam o que vou fazer a seguir.” (Riso) Não podem ficar parados, precisam mover-se e crescer. E se permitirem que isso suceda, poderão descobrir que alguns dos interesses que tinham podem mudar; descobrirão que não permanecem unicamente no mesmo sítio, por haver outras coisas que ainda querem fazer, outras expressões de vós próprios. Irão descobrir que conseguirão mesmo muito mais só por falar. Quando antes se lamentavam, passarão a dizer: “O que quer que se diga, é.” Por virem a deixar de temer o vosso potencial. (Riso)



A personalidade ansiosa diz: “Se eu disser aquilo que sinto, posso ser rejeitado. Talvez seja melhor eu resmungar. Talvez seja melhor apresentá-lo de forma tão confusa que ninguém tenha a certeza do que digo,” por aí não poderem dizer que sejam rejeitados. Sem mais qualquer receio. Agora passarão a dizer: “Não tem importância que ninguém acredite naquilo que digo; não tem mal que ninguém esteja interessado no que digo. O que é importante é que eu saiba que o preciso dizer.” E assim se pronunciam, sem beligerância, sem raiva, sem receio, mas declarando aquilo em que acreditam. E ninguém se sentirá ameaçado com um tal pronunciamento e mais virão ouvi-los.



Assim, na abordagem que usam para com a vida e para com a expressão, onde antes poderão ter sido empolados na expressão, darão por vós a deixar-se levar sem saber o que dizer, o que representa uma busca de equilíbrio entre ambas as posturas. Não terão receio de dizer: “Será melhor não escrever isto por o querer soletrar.” Dirão: “Redigi-lo-ei, e alguém me dirá se deverá ser escrito.” Porque o potencial vir a clamar para ser expressado – ele representa uma parte viva vossa e não vai dispor-se a permanecer parado a dizer: “Tu recebeste treino para te tornares engenheiro pelo que irás ser engenheiro por toda a tua vida.” Dirá: “Isso representa uma parte de mim que eu expressei; agora quero fazer outra coisa qualquer.” Irão descobrir que não mais irão ser orientados com base na velha estrutura e molde: “Eu tenho que fazer isto, por alguém poder não gostar que deixe de o fazer.” Bom, a menos que pensem que isso queira dizer: “Eu posso conceder-te qualquer coisa assim, faz lá o favor. Desculpar-me-ás a palavra, por ter o direito de me expressar.”



Também precisam saber que isso só envolve um pequeno detalhe, que é que são responsáveis pelo que expressam e pelo que fazem. Assim, dizem: “Só mais um pequeno cigarro,” ou “Só mais um pequena pastilha,” ou “Só mais um golinho,” ou “Só mais uma pequena reprovação.” Mas o que estão verdadeiramente a dizer é: ”Alguém me vai reprovar; vou tirar proveito do efeito da bebida, vou tirar proveito do cigarro, vou tirar proveito do efeito da pastilha.” Assim, ao decidirem fazer alguma coisa percebem que obtêm a “medida por inteiro,” por não haver “meias-medidas.” Obtêm a coisa por completo, só que isso não quer dizer que não vão em frente e não tomem decisões acertadas e positivas e que os conduzam no sentido do vosso progresso. Por a energia que apelava à evasão irá agora dizer que apresenta um outro lado: “Há uma outra coisa que podes fazer, para além de adoptares a evasiva. Podes expressar-te. Podes colocar-te de fora.”



Na era de Peixes, que assentava na rigidez da estrutura e do molde, e mesmo durante os primeiros dez anos desta era, vocês foram muito frequentemente governados pelo que tinha imperado. Agora encontram-se na energia - pura e em bruto – em que são governados por aquilo que “pode vir a ser.” Portanto, se tratarem esta era como tratam a moda, dirão: “As saias usam-se curtas, as saias usam-se compridas; as lapelas querem-se largas, as lapelas querem-se estreitas; as gravatas usam-se largas, as gravatas usam-se estreitas; assim também acontece com o potencial que me assiste. Eu não tenho que usar sempre minissaia nem lapelas largas; posso usar o que me apetecer.”


(continua)




Copyright © 2003 Saul Srour

Authors: Rev. June K. Burke and the Seraph Julian



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