domingo, 30 de novembro de 2014

HISTÓRIAS DO COMEÇO E DO DEUS MULTIDIMENSIONAL



Capítulo 14 do livro Seth Fala, de Jane Roberts


Tradução: Amadeu Duarte


Conforme a presente vida de qualquer indivíduo se eleva de dimensões ocultas além daquelas facilmente acessíveis em termos físicos, e como retira a sua energia e poder de acção de fontes inconscientes, também o presente universo físico, como vocês o conhecem, surge de outras dimensões. Assim, ele tem sua fonte e deriva a sua energia de profundas realidades.


A História, conforme vocês a conhecem, representa apenas uma luz singular a onde vocês se focam. Vocês interpretam os eventos que vêem nela e projectam sobre a sua luz a interpretação que fazem dos eventos que podem ocorrer. Tão extasiada é vossa concentração que quando indagam acerca da natureza da realidade vocês automaticamente restringem a indagação a essa pequena cintilação momentânea que vocês chamam de realidade física. Quando ponderam sobre os aspectos de Deus, vocês irrefletidamente falam do criador dessa luz única. Essa luz é única, e se vocês realmente entendessem aquilo que é, haveriam realmente de compreender a natureza da verdadeira realidade.


A História, conforme vocês a concebem, representa uma linha delgada de probabilidades, na qual vocês se acham presentemente imersos. Não representa a vida inteira da vossa espécie nem o catálogo das actividades físicas, nem perto chega de narrar a história das criaturas físicas, das suas civilizações, guerras, alegrias, tecnologias ou triunfos. A realidade é muito mais diversa e de longe muito mais rica e indescritível do que vocês poderão presentemente supor ou compreender. A evolução, conforme vocês a imaginam e conforme é classificada pelos vossos cientistas, representa apenas uma linha provável de evolução, aquela em que, uma vez mais, vocês se encontram presentemente imersos.


Existem, pois, muitos outros desenvolvimentos evolutivos igualmente válidos e reais que ocorreram, que estão a decorrer, e que irão ocorrer, todos enquadrados em outros sistemas prováveis de realidade física. As múltiplas e infinitas possibilidades de desenvolvimento possíveis jamais poderiam aparecer numa tênue estrutura de realidade.


Com uma esplêndida inocência e exuberante orgulho, vocês imaginam que o sistema evolutivo, conforme o concebem, seja único, e que fisicamente não pode existir mais nenhum. Ora bem, na realidade física que vocês conhecem, existem pistas e indícios relativos à natureza de outras realidades físicas. Existem, latentes nas vossas próprias formas físicas outros sentidos, sem utilidade, que poderiam ter sobressaído, mas que na vossa probabilidade não sobressaíram. Eu tenho vindo a falar de desenvolvimentos terrenos, realidades, por conseguinte, que se aglomeram em torno de aspectos terrenos conforme são do vosso conhecimento.


Nenhuma linha evolutiva se encontra inoperante. Por conseguinte, se ela desaparecer do vosso sistema, emergirá noutro. Todas as materializações de vida prováveis e consciência terão um tempo próprio, e criam aquelas condições em que conseguem florescer; e seu tempo, nos vossos termos, é eterno.


Estou falando pois, neste capítulo, principalmente sobre o vosso próprio planeta e sistema solar, mas o mesmo se aplica a todos os aspectos de vosso universo físico. Vocês estão cientes, pois, de apenas uma porção específica, delicadamente equilibrada, todavia única da existência física. Vocês não são apenas criaturas corpóreas, que formam imagens de carne e sangue, embutidas num tipo particular de espaço e de tempo; vocês são igualmente criaturas que se elevam de uma dimensão particularizada de probabilidades, que brotam de dimensões da realidade ricamente adaptadas ao vosso próprio desenvolvimento, enriquecimento e cultivo.


Se tiverem entendimento intuitivo ainda com relação à natureza da entidade ou à totalidade do Eu, verão que o colocam numa posição na qual certas capacidades, discernimentos e experiência poderão ser percebidas e em que o vosso tipo único de consciência pode ser adestrado. A vossa experiência mais diminuta tem mais repercussões nesse ambiente multidimensional do que o cérebro físico poderá conceber.


Por se acharem intensamente preocupados com o que poderá parecer um aspecto infinitamente diminuto da realidade, e enquanto parecem estar completamente encastrados nele, apenas os elementos mais “superficiais” do eu se encontram em transe. Não gosto do termo “superficial” com respeito a isto, embora eu o tenha usado para sugerir as numerosas porções do eu que estão, de outro modo, envolvidas – algumas delas tão encantadas na sua realidade quanto vocês na vossa.


A entidade, o verdadeiro Eu multidimensional, está ciente de todas as suas experiências e este conhecimento encontra-se, até certo ponto, disponível a essas outras suas porções, incluindo, é claro, o eu físico conforme vocês o conhecem. Estas diversas porções do eu na verdade irão eventualmente (nos vossos termos) tornar-se plenamente conscientes. Essa consciência irá automaticamente alterar o que agora parece ser a sua natureza e contribuir para a multiplicidade da existência.


Há muitos sistemas prováveis de realidade, pois, no qual predominam dados de informação física, mas tais probabilidades físicas representam apenas uma pequena porção. Cada um de vocês existe igualmente em sistemas não físicos, e já tive ocasião de explicar anteriormente que o mais ínfimo pensamento ou emoção que têm, se manifesta por variadíssimos outros modos para além do vosso próprio campo de existência.


Só uma porção da vossa identidade inteira vos é "presentemente" familiar, conforme é do vosso conhecimento. Por isso, quando consideram a questão de um ser supremo, vocês imaginam uma personalidade masculina com aquelas capacidades que vós próprios possuís, pondo uma enorme ênfase nas qualidades que vocês mesmos admiram. Esse deus imaginário tem, portanto, mudado ao longo dos vossos séculos, refletindo as ideias em mudança que o homem tem.


Deus foi encarado como cruel e poderoso quando o homem acreditava serem essas características desejáveis, necessárias em particular nas batalhas que empreendeu pela sobrevivência física. Ele projetou-as a ideia que fazia de um deus por ele próprio as invejar e temer. Vocês moldaram, pois, a ideia que faziam de deus, à vossa própria imagem.


Numa realidade que é inimaginavelmente multidimensional, os velhos conceitos sobre Deus são relativamente destituídos de sentido. Até mesmo o termo, um ser supremo, é em si mesmo distorcido, por vocês naturalmente projetarem as qualidades da natureza humana nele. Se eu lhes dissesse que Deus é uma ideia, vocês não entenderiam o que quero dizer, por não compreenderem as dimensões nas quais uma ideia possui a sua realidade, nem a energia a que pode dar origem e impelir. Vocês não acreditam em ideias da mesma maneira que acreditam em objetos físicos, de modo que se eu lhes disser que Deus é uma ideia, vocês interpretará isso de forma errada como querendo dizer que Deus fosse menos que real - nebuloso, destituído de realidade, destituído de propósito, e sem qualquer motivo para a ação.


Agora, a vossa própria imagem física constitui a materialização de ideia que têm de si mesmos no quadro das propriedades da matéria. Sem a ideia de si mesmo, a imagem física que têm não existiria; ainda assim, frequentemente é tudo quanto vocês têm consciência. O poder inicial e a energia da ideia de si mesmos mantém a vossa imagem viva. As ideias, pois, são muito mais importantes do que vocês percebem. Se tentarem aceitar a ideia de que a vossa própria existência é multidimensional, e de que vocês habitam em meio a probabilidades infinitas, então vocês poderão apreender um ligeiro vislumbre da realidade que se encontra por detrás da palavra “deus” e entender a razão por que é quase impossível capturar um verdadeiro entendimento deste conceito por palavras.


Deus, por conseguinte, é, em primeiro lugar, um criador, não de um universo físico, mas de uma variedade infinita de prováveis existências, muito mais vastas do que aqueles aspectos do universo físico com o qual os vossos cientistas se acham familiarizados. Ele simplesmente não enviou, pois, um filho para viver e morrer num pequeno planeta. Ele faz parte de todas as probabilidades.


Foram contadas parábolas e histórias de começos. Tudo isso constituiu uma tentativa de transmitir conhecimento em termos tão simples quanto possível. Frequentemente foram dadas respostas a perguntas que literalmente não têm qualquer sentido fora de vosso próprio sistema de realidade.


Por exemplo: Não houve nenhum começo e não virá a suceder fim algum, ainda assim têm-lhes transmitido parábolas acerca de começos e finais simplesmente porque com as ideias distorcidas de tempo que têm, começos e finais parecem ser eventos inseparáveis e válidos. Ao aprenderem a mudar o foco da vossa atenção desviando-o da realidade física e, consequentemente, experimentam uma ligeira evidência de outras realidades, a vossa consciência agarrar-se-á a velhas ideias, que fazem com que as verdadeiras explicações se vos tornem impossíveis de compreender. A consciência multidimensional está-vos, contudo, ao dispor nos vossos sonhos, em certos estados de transe e frequentemente até mesmo sob a consciência habitual à medida que vivem a vida do dia-a-dia.


Esta consciência confere uma experiência pessoal dotada de uma riqueza multidimensional que não existe à parte dela, mas misturada com ela, dentro, através, e em todo o vosso mundo físico de sentido. Dizer que a vida física não é real é negar que a realidade penetra toda aparência e que faz parte de todo o aspecto. Da mesma maneira, Deus não existe à parte, ou separado, da realidade física, mas existe nela e como parte dela, tal como existe e faz parte de todos os outros sistemas de existência. 


A imagem que tendes de Cristo representa, simbolicamente, a ideia que têm de Deus e dos seus relacionamentos. Existiram três indivíduos distintos cuja história se misturou, e eles ficaram conhecidos coletivamente como Cristo – daí as muitas discrepâncias existentes nos seus registos. Estes foram todos do sexo masculino porque por aquela altura do vosso desenvolvimento, vocês não teriam aceitado um equivalente feminino.


Esses indivíduos foram parte de uma entidade. Vocês não poderiam imaginar Deus senão como um pai. Jamais lhes teria ocorrido imaginar um deus em nenhum outro termo excepto humano. Componentes terrenos. Esses três personagens desempenharam um drama altamente simbólico, impelido por uma energia concentrada dotada de uma enorme força.


Os eventos conforme foram registados, porém, não tiveram lugar em termos históricos. A crucificação de Cristo foi um facto psíquico, não um facto concreto. Desenrolaram-se ideias de uma magnitude quase inimaginável.


Judas, por exemplo, não foi um homem, nos vossos termos. Ele foi – como todos os outros discípulos – uma “personalidade fragmentada” criada, abençoada, formada pela personalidade de Cristo. Ele representou aquele que se trai a si mesmo. Ele dramatizou uma porção da personalidade de cada individuo que se foca na realidade física de uma maneira ávida, sôfrega, que nega o eu interior por ganância.


Cada uma das doze qualidades da personalidade representadas, que pertence a um indivíduo, e o Cristo conforme o conhecem, representou o eu interior. Os doze, portanto, mais o Cristo conforme o conhecem, (aquela figura composta por três) representaram uma personalidade individual terrena – o eu interior - e as doze características principais associadas ao eu egocêntrico. Como o Cristo estava rodeado por discípulos, também o eu interior é circundado por essas características orientadas para a matéria, cada uma extraída para a realidade diária por um lado e, contudo, em órbita do eu interior.


Os discípulos, pois, receberam realidade física a partir do eu interior, como todas as características terrenas que vocês têm provêm da sua natureza interior. Essa foi uma parábola viva, encarnada entre vós - um drama cósmico elaborado em vosso proveito, e formulado em termos que vocês poderiam entender.


As lições foram claras, já que todas as ideias que continham por detrás foram personificadas. Se me perdoarem o termo, foi como uma peça local dotada de sentido moral, encenada na esquina do vosso universo. O que não significa que tenha sido menos real do que anteriormente supuseram. De fato, as implicações do que aqui é dito poderiam claramente sugerir os aspectos mais poderosos da divindade.


As três personalidades de Cristo nasceram no vosso planeta e, com efeito, tornaram-se carne entre vós. Nenhuma delas foi crucificada. Os doze discípulos foram materializações das energias dessas três personalidades – das suas energias combinadas. Todavia, eles foram plenamente dotados, pois, de individualidade, mas a sua tarefa principal era a manifestarem claramente em si mesmos certas capacidades intrínsecas em todos os homens.


Os mesmos tipos de dramas, têm sido apresentados por variadíssimos modos, e embora o drama seja sempre diferente, é sempre o mesmo. O que não significa que um Cristo tenha aparecido em todo sistema de realidade. Isto significa que a ideia de Deus se manifestou em cada sistema de um modo que é compreensível aos seus habitantes.


O drama continua a ter existência. Ele não pertence, por exemplo, ao vosso passado. Vocês unicamente o situaram nele. Isso não significa que sempre venha a recorrer de novo. O drama, pois, estava longe de ser destituído de sentido e o espírito de Cristo, nos vossos temos, é legítimo. É o drama de Deus provável que escolheram perceber. Existiram outros que foram percebidos, mas não por vocês, e existem outros dramas que tais agora. Quer tenha ocorrido ou não a crucificação física, ela foi um evento psíquico e tem existência conforme todos os outros eventos ligados ao drama.


Muitos foram físicos, enquanto alguns não. O evento psíquico afetou o tanto vosso mundo quanto o físico, como é óbvio. Todo o drama ocorreu como um resultado da necessidade do género humano. Foi criado em resultado dessa necessidade, brotou dela, mas não teve origem no vosso sistema de realidade.


Outras religiões estiveram baseadas em dramas diferentes, nos quais as ideias foram encenadas de um modo compreensível para diversas culturas. Infelizmente, as diferenças entre os dramas frequentemente conduziram a más interpretações, e foram usados como pretexto para a guerra. Esses dramas também são elaborados a título privado no estado de sonho. As personificações de Deus primeiro foram introduzidas ao homem no estado de sonho e o modo posteriormente preparado.


Por visões e inspirações os homens ficaram a saber que o drama de Cristo seria encenado e, consequentemente reconheceram-no pelo que era quando ocorreu fisicamente. O seu poder e força voltaram posteriormente ao universo de sonho. O que lhe aumentou o vigor e a intensidade através da materialização física. Nos sonhos privados, os homens, passaram a relacioná-lo com as figuras principais do drama mas no estado de sonho eles reconheceram o seu verdadeiro teor.


Deus é mais que a soma de todos os sistemas prováveis de realidade que Ele criou, mas ainda assim, acha-se em cada um deles, sem exceção. Ele está, pois, dentro de cada homem e mulher. Ele encontra-se igualmente dentro de cada aranha, sombra, e sapo, mas isso é o que homem não gosta de admitir.


Deus só pode ser vivenciado, e vocês vivenciam-no, quer o percebam ou não, por intermédio da vossa própria existência. Ele não é masculino ou feminino, pois, e eu emprego esses termos apenas por conveniência. Na mais inevitável das verdades, Ele não é humano nos vossos termos em absoluto, nem tampouco nos vossos termos Ele constitui uma personalidade. As ideias que têm da personalidade são muito limitadas para conterem as inúmeras facetas da Sua existência multidimensional.


Por outro lado, Ele é humano, pelo facto de Ele ser uma porção de cada indivíduo; mas na imensidão da Sua experiência, Ele mantém uma forma idealizada de Si mesmo como humano, com a qual vocês poderão relacionar-se. Ele tornou-se literalmente carne para habitar entre vocês, pois Ele forma a vossa carne por ser responsável pela energia que confere vitalidade e validade ao vosso ser multidimensional privado, o qual por sua vez forma a imagem que têm de acordo com as próprias ideias que têm.


Este ser multidimensional privado, ou alma, possui pois uma validade eterna. Ele é acolhido, suportado, mantido pela energia, pela vitalidade inconcebível, do Tudo-Quanto-Existe.


Não, pois, ser destruído, esse vosso ser interior; mas tampouco diminuído. Ele partilha das capacidades inerentes ao Tudo-Quanto-Existe. Ele precisa, por conseguinte, criar do mesmo modo que é criado, pois essa é a grande dádiva que se encontra por detrás de todas as dimensões da existência, o derramamento a partir da fonte do Tudo-Quanto-Existe.


No devido tempo identificarei a figura da terceira personalidade de Cristo. Porém, por ora, estou interessado nos aspectos multidimensionais do Tudo-Quanto-Existe. Uma realidade dessas pode ser apenas experienciada. Não há fatos que possam ser dados que possam retratar de modo fiel os atributos do Tudo-Quanto Existe.


Essa realidade e atributos aparecerão dentro de vários sistemas de realidade de acordo com os dados de camuflagem de qualquer sistema. A experiência interior com o Deus multidimensional pode dar-se em duas áreas centrais. Uma é através da percepção de que essa força motriz primordial se encontra em tudo quanto podem perceber com os sentidos. O outro método é perceber que essa força motriz básica possui uma realidade independente da ligação que tem com o mundo das aparências.


Todo o contato pessoal com o Deus multidimensional, todo o instante legítimo de consciência mística, produzirão sempre um efeito unificador, e não irá, pois, isolar o indivíduo em questão, mas irá, em vez disso, ampliar as suas faculdades de perceção até que ele experimente a realidade e a singularidade de tantos outros aspectos da realidade quantos seja capaz.


Ele sentir-se-á, pois, menos isolado e menos à parte. Ele não perceberá estar acima dos outros por causa de tal experiência. Antes pelo contrário, ele será arrastado por uma gestalt de compreensão que o levará a perceber a própria unidade que tem com o Tudo-Quanto-Existe.


Como existem porções da realidade que vocês não percebem conscientemente, e outros sistemas de probabilidades dos quais vocês não têm consciência, também assim existem aspectos da divindade primordial que vocês não podem compreender neste momento. Existem, pois, deuses prováveis, cada um refletindo a seu modo os aspectos multidimensionais de uma identidade primária tão grandiosa e deslumbrante que nenhuma forma da realidade ou tipo particular de existência, poderiam conter.


Eu tentei dar-lhes uma ideia dos efeitos criativos de longo alcance dos vossos próprios pensamentos. Com isso em mente, torna-se pois impossível imaginar a criatividade multidimensional que pode ser atribuída ao Tudo-Quanto-Existe. O termo “Tudo-Quanto-Existe” pode ser usado como designação que inclua todas essas probabilidades divinas em todas as Suas manifestações.


Agora, talvez seja mais fácil para alguns de vocês entenderem as simples histórias e parábolas dos começos que citei. Mas é chegada a hora do género humano dar vários passos adiante, a fim de expandir a natureza de sua própria consciência ao tentar abranger uma versão mais profunda da realidade.


O tempo dos contos infantis já passou para vós. Uma vez que os vossos próprios pensamentos são dotados de uma forma e de realidade, uma vez que têm validade, mesmo em outros sistemas de realidade de que vocês não estão conscientes, então não será difícil entender a razão porque outros sistemas de probabilidades serão igualmente afectados pelos pensamentos e emoções que vocês têm – nem porque as ações dos prováveis deuses deixam de afetadas pelo que acontece em outras dimensões de existência…


Do livro: A Realidade do Desconhecido, Volume I

Secção 2 – Sessão 690



O Cristo conforme é conhecido em termos históricos, psiquicamente representou as probabilidades que assistiam ao homem. As suas teorias e ensinamentos podiam ser interpretadas de muitos modos; eles prevaleceram como sementes que o homem poderia disseminar conforme o desejasse. Por causa do Cristo, passou a existir uma Inglaterra – e uma Revolução Industrial. Os aspectos masculinos do Cristo foram aqueles que a civilização ocidental enfatizou. Outros aspectos dos ensinamentos dele não seguiram a linha principal do pensamento Cristão, o que quer dizer que a consciência da espécie passaria durante imenso tempo a ignorar a relação que tinham com a natureza e o seu aspecto feminino. Refiro-me com isto primordialmente à civilização ocidental. Deus Pai viria a ser reconhecido e a Deusa Terrena esquecida. Viriam a surgir senhores feudais, por conseguinte, e não videntes. O homem viria de facto a acreditar exercer domínio sobre a Terra enquanto espécie aparte, por Deus Pai há ter doado.



A crescente consciência do ego encontraria razões de ordem religiosa para passar a dominar e a controlar. O Papa tornou-se na personificação do Deus Pai, só que esse deus já tinha na verdade mudado do velho Jeová Judaico. O Cristo, para falar em termos históricos, tinha alterado esse conceito o suficiente para que pelo menos Deus o Pai não se revelasse tão caprichoso quanto Jeová.



Passou a ganhar um certo destaque uma certa misericórdia. A crescente consciência do ego não podia correr atentar desenfreadamente sobre a natureza. Por outro lado, as guerras santas e a ignorância manteriam as populações reprimidas. A Igreja, todavia – a Igreja Católica Romana - ainda detinha um repositório de ideias e de conceitos religiosos que serviam de banco de probabilidades de que a raça poderia tirar partido. As ideias religiosas prestaram-se à organização social, muito necessária, e muitos dos monges conseguiram preservar antigas escrituras e conhecimento secretos. Aqueles que eram aliados dos princípios religiosos, sobreviveram principalmente, e produziram comunidades e descendentes que foram protegidos.



Ideias religiosas e psíquicas, pois, independentemente dos muitos inconvenientes, prestaram-se como método de organização da espécie. Elas são de longe mais importantes em termos de “evolução” do que é reconhecido. Desde o começo que os conceitos religiosos mantiveram as tribos unidas, forneceram estruturas sociais, e asseguraram sobrevivência física e a protecção que tornou a descendência mais provável.



A democracia Americana, por exemplo, e uma novo tipo de risco surge directamente do nascimento do Protestantismo. Martinho Lutero é tão responsável pelos Estados Unidos da América quanto o George Washington. Existiram outras sociedades democráticas no passado, só que nelas a democracia encontrava-se baseada ainda num preceito religioso, embora pudesse ser expressado por formas diferentes – como por exemplo nas cidades-estado Gregas. O Santo Império Romano uniu uma civilização sob uma ideia religiosa, mas a verdadeira fraternidade entre os homens pode ser expressada apenas sob a bandeira da cooperação; e somente isso resultará no desenvolvimento da espécie, com desenvolvimentos da consciência que nos vossos termos se encontravam latentes desde o começo.

Eu estou a dizer que a chamada evolução e a religião se acham intimamente ligadas. Novos desenvolvimentos nos vossos conceitos conduzirão a uma maior activação de áreas do cérebro actualmente quase inutilizadas, e elas por sua vez despoletarão expansões tanto em termos psíquicos como biológicos.



O crescimento de ideias respeitantes ao espaço constituíram um pré-requisito. O homem num dos lados do planeta tinha que conhecer aquilo de que os homens falavam do outro lado. Tudo isso pressupunha manipulação do espaço. Os incentivos religiosos sempre serviram para estimular a curiosidade do homem quanto ao espaço.



Muitas das espécies que partilham, do vosso mundo carregam em si capacidades latentes que ainda agora se encontram em desenvolvimento. O homem e os animais encontrar-se-ão de novo com o velho entendimento ainda numa nova situação. Não existem sistemas estanques, e em termos da profunda ordem biológica cada espécie sabe o que a outra está a fazer, e o lugar que ocupa no esquema global que foi escolhido por cada. Vós sois percebidos de uma forma ou de outra por todos aqueles habitantes da terra que podem considerar como abaixo de vós. O homem provável encontra-se actualmente a emergir, mas também no relacionamento com todo o seu ambiente natural, no qual a cooperação constitui a força principal. Vós cooperais com a natureza quer o percebais ou não, por fazerem parte dela.



Excerto

“Toda a consciência tem na verdade existência ao mesmo tempo, e por conseguinte não evoluiu nesses termos… a teoria da evolução constitui tanto um conto maravilhoso quanto a teoria Bíblica da criação… ambas parecem ter existência num sistema próprio, no entanto, em casos mais vastos não podem constituir uma realidade….” Sessão 582


“…A humanidade deverá, pois, entrar na sua nova casa – mas as mudanças físicas resultarão as interiores, e das alterações nas linhas principais das probabilidades.

A teologia Cristã encara o fim do mundo em determinados termos, com um Deus grandioso que virá recompensar os justos e punir os perversos. Tal sistema de crenças não reserva qualquer espaço para outra probabilidade. Alguns vêm o fim do mundo a aproximar-se como um grande desastre, ou vislumbram o homem a arruinar finalmente o planeta, outros vêm um período de paz e de avanço – e cada probabilidade dessas ocorrerá “algures.” Todavia, muitos dos meus leitores, ou a sua prole, envolver-se-ão numa nova dimensão da pessoa em que a consciência será plenamente explorada e os potenciais da alma postos a nu, pelo menos em certa medida.



Os recursos humanos serão encarados por aquilo que são, e um grandioso período de desenvolvimento ocorrerá, em que todos os conceitos da pessoa e da realidade serão literalmente encarados como “superstição primitiva.” A espécie avançará efectivamente para um novo tipo de pessoa.



Teorias acerca de probabilidades serão vistas como factos psicológicos práticos e exequíveis, dando margem de manobra e liberdade ao indivíduo que não mais se sentirá à mercê dos eventos externos – mas perceberá em vez disso que é o seu iniciado.



Bom, vós espremeis o grandioso fruto da pessoa numa polpa minúscula e desconfortante, inconscientes da doçura dos seus sucos ou da variedade das suas estações. Olhais para fora de vós como se o pêssego tivesse consciência unicamente da sua pele. Na realidade que prevejo, todavia, as pessoas familiarizar-se-ão com aspectos mais vastos delas próprias e conduzi-las-ão à realização. Elas estarão em contacto com as próprias decisões à medida que as criarem.



Se adoecerem, fá-lo-ão com consciência de optarem por essa situação a fim de enfatizarem determinadas áreas de desenvolvimento, ou a fim de minimizar outras. Tomarão consciência das opções que lhes estão reservadas, de uma forma consciente. A enorme resistência e resiliência do corpo serão muito melhor compreendidas; não por que a ciência médica proceda a descobertas espectaculares – embora o faça – mas por que a aliança da mente com o corpo será vista com uma maior clareza.



Nessa probabilidade de que falo, a espécie deverá começar a defrontar o enorme desafio inerente à realização do vasto potencial intocado do corpo e da mente humanos. Nessa realidade provável, à qual cada um de vós poderá pertencer em certa medida, cada pessoa reconhecerá o seu poder inerente de acção e de decisão, e sente um sentido individual de pertença ao mundo físico que brota em resposta à crença e ao desejo individual.



As ideias que têm da Atlântida são parcialmente compostas de memórias futuras. São aspirações psíquicas com respeito à civilização ideal – padrões da psique, quase como cada feto tenha dentro de si uma imagem da sua realização mais idealizada rumo à qual se desenvolve.



A Atlântida é uma terra que desejam habitar, que aparece na vossa literatura, nos vossos sonhos e nas vossas fantasias, e que servem como um ímpeto para o desenvolvimento. É real e válido. Nos vossos termos, ainda não constitui um facto concreto, mas em alguns aspectos é mais real do que qualquer facto físico, por constituir um modelo psíquico. Também carrega, contudo, o cunho dos vossos receios, por os contos dizerem que a Atlântida tenha sido destruída. Vós colocai-la no vosso passado ao passo que ela tem existência no vosso futuro. Não só a destruição, mas todo o padrão percebido através das crenças que têm. A par disso, contudo, muitas civilizações surgiram e desapareceram mais ou menos da mesma forma, e o “mito” da Atlântida acha-se, pois, baseado no facto físico segundo os vossos termos.



A espécie avança para as suas novas casas. A Atlântida representa a história de uma probabilidade futura projectada num passado aparente…”



Sessão 742