domingo, 27 de julho de 2014

“ACERCA DA EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA HUMANA E DO UNIVERSO DE SONHO”




Sessão 26 - 18 de Fevereiro de 1964

Seth Canalizado por Jane Roberts e transcrita por Joseph Butts

Tradução de Amadeu António



Introdução


Esta sessão não tinha sido esperada pela nossa parte, e teve lugar sem a utilização da prancheta Ouija. Uma vez que o Seth tinha declarado que as sessões não programadas seriam uma excepção, a Jane e eu aguardávamos a sessão marcada para o dia seguinte, Quarta-feira.

Eu tinha conseguido tratamento para as minhas costas e agora sentia-me bastante melhor. Cerca das nove da noite a Jane e eu estávamos a tomar um lanche quando John Bradley telefonou. John é o dono da drogaria que nos tinha visitado por altura da sessão 21.

Como nos encontrássemos os três sentados à mesa a bebericar vinho e a debater o Seth, a Jane começou a sentir-se cutucada de vez em quando por parte do Seth. Será de recordar que durante a sessão 21, Seth queria que o John ficasse para presenciar na qualidade de testemunha. Mas esta noite, como estava a ficar tarde, e eu tinha dúvidas quanto à capacidade que teria para acompanhar o ditado, pensei que fosse melhor deixarmos passar a oportunidade. Também pensei que a Jane devia estar excessivamente cansada. O John ofereceu-se para ir embora, mas eu disse em voz alta que seria melhor esperarmos pela hora marcada da sessão.

Esta declaração, segundo me informou a Jane, deixou o Seth a “ferver de raiva.” Ela insistiu que eu arranjasse papel e caneta, para termos uma sessão naquele instante com o John enquanto testemunha. Assim teve início a sessão. No seu final encontrarão uma cópia da declaração datada e assinada do manuscrito que o John Bradley fez enquanto testemunha.

Ao longo desta sessão a voz da Jane foi bastante mais forte e um pouco mais profunda do que o costume. Os olhos dela escureceram conforme o habitual, o ritmo foi lento. Mais tarde disse-me que no início estivera bastante nervosa, já que essa tinha sido a sua experiência debutante diante de uma testemunha. Além disso, tivemos mais luzes acesas do que o costume, o que inicialmente a incomodou. Mas logo a sensação passou.


Seth


Vós sois excelentes mestres, devo admiti-lo. Contudo, Joseph, conquanto admita que surjo sem ter sido convidado, e conquanto compreenda a razão para a ausência da noite passada, tinha como certo que esta noite teríamos a nossa sessão normal. E acho muito descortês da tua parte que me restrinjas deste modo.


Afinal de contas as nossas sessões são importantes, e não são para serem postas de lado segundo a disposição do momento. Conforme o Ruburt (a Jane) te disse, eu estive aqui à hora marcada na noite passada e tive consciência do sucedido em casa. Claro que estava perfeitamente disposto a abrir mão da sessão na noite passada, ao compreender as circunstâncias.


Esta noite, todavia, foi diferente. Foste cortês com o vosso convidado e eu saúdo a sua presença. Contudo, não foste tão cortês comigo. O Ruburt estava duvidoso quanto a ter a sessão diante de uma companhia presente. No entanto esteve disposto a dar-me ouvidos independentemente disso, e preciso admitir que de forma nenhuma consigo compreender o facto de me teres interrompido de uma forma tão brusca.


Sabes que não coloco objecções à presença do vosso amigo, já que o tinha declarado anteriormente. Quanto a essa questão eu acolho com prazer uma testemunha, e é tempo de terem uma – para vossa própria edificação, não minha, e por poder fazer algum bem ao meu pombinho nervoso que é o Ruburt.


Eu queria responder de alguma forma à pergunta do vosso amigo sobre a evolução. Todavia, devo fazê-lo à minha maneira como de costume. Mais tarde falarei acerca da noite passada e sobre as reacções que tiveram.


Quando falam de evolução, e quando o vosso amigo colocou a pergunta, pensais nos termos da evolução humana, claro está. Isso, em si mesmo, constitui uma expressão do dualismo de que falei. Claro que a evolução não se aplica apenas à espécie humana, e como eu afirmei a consciência no vosso plano existe em todas as coisas. Quando o vosso amigo colocou a pergunta ele estava, creio bem, a referir-se à altura em que a “consciência de si” terá penetrado na chamada forma inerte.


Já sabem agora que a chamada forma inerte possui consciência. Até certo grau possui mesmo autoconsciência, e assim não existe um ponto em que a autoconsciência tenha entrado, como quem diz, ao som das trompetas. Até certo grau a consciência era inerente à materialização física verificada neste vosso plano.


A consciência de si entrou muito pouco tempo depois, mas não aquilo com que se satisfazem em chamar “consciência de si.” Decerto que não me agrada ferir-lhes o ego deste modo. Todavia, o facto é esse, mas consigo ouvi-los a bradar chocados, com a diferenciação inexistente entre os diversos tipos de autoconsciência.


Vós ou tendes consciência de vós ou não. E por regra, a autoconsciência existe no vosso plano. Uma árvore tem consciência de si enquanto árvore. Não pensa em si como uma rocha. Um cão sabe que não é um gato. O que estou a tentar assinalar-vos com isto é a presunção egotista suprema de que a consciência de si deva necessariamente envolver a humanidade por si só. Não envolve.


Se estou a responder à pergunta do vosso amigo com rodeios é somente, meu querido Joseph – e ainda te trato por meu querido Joseph embora tu escassamente o mereças – e somente por haver coisas que sinto serem necessárias aclarar antes da pergunta poder ser respondida ainda que com uma pitada de correcção.


A chamada consciência humana não surgiu subitamente. O nosso pobre difamado amigo “macaco” não apareceu repentinamente a bater no peito de exaltação e a clamar “Eu sou um homem.” Não existiu nenhum momento assim e essa, se me desculpares o trocadilho, é a minha questão.

Os começos da consciência humana, por outro lado, tiveram início tão pronto se começaram a formar agrupamentos celulares em padrões de campo de uma certa complexidade. Conquanto não tenha ocorrido nenhum ponto específico de entrada quanto ao que diz respeito à consciência humana, existiu uma altura anterior em que a consciência humana como tal não teve existência. A autoconsciência existiu. A consciência de ser humano nos vossos termos achava-se completamente desenvolvida no homem das cavernas, contudo – e não consigo enfatizar isto o suficiente - a concepção humana achava-se viva no peixe. 


Tudo isso envolveu a ideia de - hesito em referir “avanço” - mas uma ideia de mudança ao longo de certas linhas. Falamos de genes mentais. Eles são mais ou menos modelos psíquicos para a matéria física, e nesses genes mentais achava-se o padrão para o tipo humano de autoconsciência. Todavia, ele não surgiu construído, ou seja, numa forma criada, durante um longo período do tempo físico, e já discutimos o tempo psicológico como parte do que chamarei por ora de sentido interior de tempo.


Essa autoconsciência humana existiu no tempo psicológico e no tempo interior muito antes de vós enquanto espécie o terem criado nos termos dos vossos padrões de camuflagem particulares. Em favor do vosso amigo, irei simplificar a questão, dizendo que a consciência humana era inerente e se achava latente desde o início do vosso universo físico.


Agora sugeriria um intervalo, mas não te desfaças em pedaços de novo. Estendo-te esta ligeira prova do meu humor apenas para mostrar que afinal de contas não sou dos que carregam rancores.



Robert Butts


John Bradley referiu que o Seth, à medida que ia falando, começou a responder cada pergunta que lhe – ao John – acudia à mente. A jane e eu sugerimos que ele redigisse uma declaração acerca da sessão, na qualidade de testemunha. O intervalo terminou quando o John, que tentava diferenciar os nomes da entidade (essência) e os da personalidade, se questionava sobre como haveria de se dirigir ao Seth na sua declaração.



Seth


Tu podes chamar-me Seth, John, embora caso estejas interessado, o teu nome da entidade é Philip. Por seres uma excelente testemunha Philip, mas por também te ter conhecido no passado preciso admitir que te considero um velho amigo, e em certa medida vamos renovar o nosso conhecimento.


Sempre me delicio, se me perdoares, em surpreender as presentes personalidades e conhecidos dando-lhes a saber que os conheci antes. É uma falha que tenho, mas de que sinto prazer. E tu, Philip, foste duas vezes mulher e uma vez um Mouro de uma estatura considerável, assim como a personalidade que viveu em Boston de que te dei conta.


Os nossos caminhos cruzaram-se muitas vezes, e foi por isso que te quis aqui, e a razão por que calhaste de ir à galeria em que o Ruburt está empregado. Não que o livre-arbítrio não se ache envolvido, porque decerto se acha. É só que os velhos amigos têm um jeito de se encontrar. Mas eu não brincava ao dizer que tinhas uma predisposição para a gota, por também teres sido lascivo a teu jeito.


(Eu ri, e disse: Como eu?)


É verdade, como tu, meu querido Joseph. No teu caso, Joseph, e já te disse isto muitas vezes, tu actualmente contrabalanças por causa da, digamos, corpulência passada, com uma estética bastante desnecessária e uma atitude autopunitiva. O Philip, por outro lado, não realiza compensações dessas, excepto numa vez em que escolheu uma esposa com bom aspecto, e por conseguinte se permitiu trata-la com amabilidade.


(Agora era a vez do John se rir. Nem a Jane nem eu chegamos a conhecer a mulher dele)

Quando foi mulher encontrou-se numa posição diferente, e caso me seja permitido distribuir gratuitamente segredos, ela foi espancada por um marido casmurro com focinho a combinar.


(Eu tentei conduzir o Seth adiante)


(Quando foi que isso aconteceu?)


 Isso sucedeu na Bélgica – mas eu não me vou deixar que me passes uma rasteira, meu caro Joseph – foi na Bélgica em 1632, e o nosso Philip num caso bastante sensacional para a época, na verdade levou esse marido a uma corte da vila, um acontecimento particularmente invulgar na altura. O nome dela era Yolanda Schravansdatter.


(Espera – vamos ver com isso se soletra)


(A Jane tinha deixado escapar essa estranha entoação do nome de tal modo rápido que perdi o jeito de tentar anotá-lo. O Seth amavelmente soletrou-mo letra a letra)


Ela (ele) na altura estava com 33 e tinha sido apanhada num acto, digamos, de indiscrição, pelo qual tinha sido injusta e injustificavelmente espancada. Mas actualmente, enquanto John, está familiarizado com o marido anterior num relacionamento de negócios.


Devo admitir que isto nos leva muito para fora da discussão da evolução.

É importante que combinem este material evolutivo com a informação anterior respeitante aos sentidos interiores. Os sentidos interiores foram sempre de uma importância primordial no desenvolvimento evolutivo, representando o ímpeto por detrás das formações físicas; e elas próprias, por meio da utilização de enzimas mentais, imprimiram a informação contida nos genes mentais na camuflagem física material.


Eu torno-me impaciente, embora não o devesse, com esta insistência implícita de que a evolução envolva apenas a espécie humana, ou melhor, com o facto de toda a evolução dever ser considerada como uma árvore gigantesca com a humanidade como o seu desabrochar supremo.

O chamado desabrochar supremo da humanidade é o ego humano, e por vezes representa de facto um desabrochar venenoso. Conforme disse antes, o ego nada tem de errado. Contudo, a questão persiste em que o homem se deixou fascinar de tal modo com a consciência do ego que ele passou a ignorou a parte dele próprio que concede ao ego os próprios poderes de que tanto se orgulha conscientemente.


Existe por detrás do ego um Eu mais vigoroso e mais vívido. Existe mesmo um Eu mais consciente de si em relação ao qual ele permanece na ignorância. Mas uma vez mais, conforme disse, a comprovação desse Eu pode ser e será acolhida.


Vou passar a isso dentro de poucos instantes. Uma vez mais sugiro um intervalo, e espero não te ter deixado de rastos, embora seriamente duvide disso; em particular no teu caso, Joseph, já que o teu mecanismo protector é tão sólido quanto um muro de tijolos.


(Durante o intervalo, a Jane comentou que enquanto transmitia este material perdeu de novo controlo dela própria e do ambiente por completo. Não teve consciência do John, de mim, ou da sala. Esta tinha sido a primeira vez que tinha alcançado tal profundidade desde a 23ª sessão. A jane tinha, evidentemente, cruzado o olhar com o meu várias vezes enquanto passeava para a frente e para trás lentamente; a voz dela tinha ecoado com intensidade)


Vou fazer por que esta seja uma sessão curta e não vos vou empatar por muito mais tempo. Contudo, precisas admitir que adoptei um desempenho estupendo, e que poderás esperar um desempenho ainda melhor diante do editor do Ruburt quando ele chegar.


Eu queria esclarecer uma questão, mas antes, não há como uma testemunha para convencer o meu querido Ruburt nervoso de que eu sou eu, e não ele, ou seja, a Jane; como uma boa evidência de telepatia, conforme no caso do John, esta noite.



(Ver a declaração que o John Bradley fez no final da sessão)


Tampouco devia o Philip esquecer o que lhe contei, no que toca à predisposição para a gota.

Ora bem, o que eu queria esclarecer é, uma vez mais, conforme disse, do mesmo modo, que a experiência psicológica é real e vívida e no entanto não pode ser vista nem tocada nem examinada nos vossos laboratórios, tal como a informação interior proveniente dos sentidos internos é vívida, embora não possa ser vista nem tocada.


Tal informação interior deixa a sua impressão no cérebro físico e altera a personalidade conforme qualquer experiência. Em muitos casos essa experiência interior fica retida na memória das vossas células. Se por uma vez que fosse demonstrassem, e por esta vez, Joseph, não me refiro a ti em particular, se por uma vez que fosse demonstrassem abertura e disposição para aceitar tal informação com base nela própria, sem insistirem numa comprovação da parte dos sentidos vulgares, então e somente então disporiam de uma comprovação que os sentidos externos poderiam reconhecer.


Isso envolve, para início de conversa, uma tarefa quase impossível. Os dados informativos provenientes dos sentidos interiores são vívidos, fiáveis, e deixam uma impressão na consciência do indivíduo. É a insistência que fazem em traduzir este material em termos físicos que lhes causa dificuldades. Não insistem em ver, sentir, nem tocar uma experiência psicológica, e ainda assim não dizem que uma experiência psicológica não exista por não a conseguirem segurar nas mãos.

Porque insistirão, pois, em que a experiência interior tal como a telepatia ou a premonição não exista por causa de não a poderem segurar nas mãos? No entanto, em muitos casos que tais podem ser corroborados por outros de um modo por que uma experiência puramente psicológica não pode ser corroborada.


Não há forma de medirem a experiência interior, ou antes, a experiência psicológica de alguém que tenha perdido um amigo pela morte, mas não negam que tal experiência tenha lugar. No entanto, se duas pessoas virem, nos vossos termos de ver, a mesma aparição, então imediatamente precisaremos falar em termos do peso da aparição vista, da cor dos olhos.

Para qualquer dessas chamadas percepções extrassensoriais insistem duas vezes numa comprovação, e sob circunstâncias em que que a comprovação se torna vívida nos seus próprios termos, e precisa ser traduzida primeiro pelos estranhos sentidos externos, antes de as aceitarem, sentidos esses que simplesmente não estão equipados para os receber. Isto é para edificação (aperfeiçoamento) do Philip, espero eu.


Não estou a dizer que não deviam confiar na evidência dos vossos sentidos; estou à espera que digam isso. Sabemos que as nossas chamadas mesas não são sólidas. Até mesmo a vossa ciência sabe disso actualmente, mas ainda assim os vossos olhos percebem a mesa como sólida. Encarem o facto, minhas queridas beldades: Os vossos sentidos mentem. A mesa consiste num conglomerado de átomos e de moléculas em rápido movimento, mas vós percebei-la como uma mesa, e sólida. Os vossos sentidos, e uma vez mais isto destina-se a uma actualização do John-Philip, os vossos sentidos são tutores de um mundo físico de camuflagem que é criado pelo Eu interno por meio das enzimas mentais num padrão estabelecido pelos genes mentais.

Estais a lidar com camuflagem. Os vossos sentidos externos constituem tutores da camuflagem, e a mesa em que repousas as mãos não é sólida. Isso não quer dizer que os vossos braços caiam subitamente ao chão. Quer dizer que mesmo a vossa ciência está a descobrir a existência do mundo interior, o qual será incapaz de negar por muito mais tempo.


Por eu dizer que vós criais o vosso universo físico da mesma maneira e de forma igualmente automática e inconscientemente como criais com um padrão de vapor da respiração sobre um vidro, isso não quer dizer que criais tudo quanto existe. Quer unicamente dizer que vós criais o vosso ambiente físico. E se me for concedida permissão, Joseph, encontrar-nos-emos amanhã à noite para abordarmos outras questões.


O John/Philip tem razão, e a nossa marcação deve manter-se. Pessoalmente não faço qualquer objecção a uma sessão extra para o editor do Ruburt, mas não tolero menos de duas sessões por semana, excepto por circunstâncias que estejam além do vosso controlo.


Tivesses tu sido mais útil nas circunstâncias da noite passada e não terias precisado dirigir as tuas emoções para dentro de uma forma autodestrutiva. Eu sou-te tão afeiçoado meu Joseph teimoso que me causa severa dor ver-te a fazer um uso indevido de ti. E quanto à força altaneira do Ruburt, não dependas tanto disso, por uma força altaneira mais débil nunca eu vi.

E por agora, meus queridos amores, uma boa noite.


(Boa noite, Seth)


(Não utilizamos o tabuleiro para dar as boas noites ao Seth, e uma vez mais, a Jane ao proferir o material anterior não teve consciência do ambiente; ela “regressou,” tão logo a sessão cessou.


(O John Bradley terminou a declaração de testemunho, assinou-a, e partiu para Corning, N.Y., onde tinha alugado um quarto de motel. Ele pediu uma cópia da sessão com a ideia de possivelmente tentar verificar a informação fornecida pelo Seth respeitante às suas vidas passadas.


(Receio ter feito algumas reclamações meio humoradas acerca das reacções que o Seth fez à tentativa que fiz de adiar a sessão desta noite; quero dizer, não creio que tenha sido tão indelicado quanto a isso. Contudo, concordei com a interpretação que o Seth fez quando ao ataque de câimbras que sofri, e fiz a observação de que provavelmente iria ter que o aturar igualmente na noite de quarta-feira.


(Ao passar pela sala de estar antes de me preparar para a cama, surpreendi-me por ver a Jane de pé e em silêncio diante da secretária dela. A olhar-me fixamente, apontou de seguida para uma caneta e papel que tinha evidentemente colocado ali na secretária. Ao me sentar para escrever ela começou a ditar.)


 Meu caro Joseph, uma palavra apenas: Eu não te deixaria com a impressão de que eu esteja verdadeiramente descontente, ou que te julgue injustamente. Não quero que firas os sentimentos do Ruburt, e até agora evitei declarar isso; contudo, por razões puramente emocionais eu tenho estado mais envolvido contigo em casos anteriores. Mas conheço tão bem os teus recursos que quando pareço severo é somente devido a que deseje a tua felicidade e sucesso.


Suponho que julgamos aqueles que amamos de um modo mais áspero, mas eu devia saber e por esta vez tens o meu pedido de desculpas. Penso muito bem de ti. Não tenho a intenção de te pressionar demasiado, e certamente que não tenho a intenção de te levar a sentir incompetente ou incapaz seja por que meio for. A tua representação está igualmente muito próximo do excelente.


O Ruburt captou umas comunicações da noite passada. Uma que ele não captou com clareza foi a de que tu encontras algum consolo no facto do teu ser total não ser tão profundamente afectado pelos teus pais actuais quanto poderias supor, mas eu prometo-te que te ajudo a alcançar liberdades importantes adicionais de quaisquer más influências nestes moldes, de uma maneira que te permitirá ajudá-los sem te prejudicares.


Boa noite, meu caro Joseph, e de novo as minhas desculpas.


(Posteriormente, a Jane disse-me que há algum tempo que sentia que o Seth se achava mais emocionalmente envolvido comigo do que com ela. Todavia, ela jamais tinha mencionado isso, tanto quanto me recordo.


(Finalmente na cama, a Jane recebeu duas breves notas da parte do Seth, bastante incompletas. A primeira dizia respeito ao tempo condensado, quero dizer, no que poderá ser uma fracção de segundo para a entidade, a personalidade encarnada experimentará uma duração de tempo de, digamos, 70 anos. A segunda nota era uma espécie de brincadeira: Só pelo facto do Seth se ter desculpado, não devia tornar-me num convencido.


(Cópia da declaração feita por John Bradley, em 18Fevereiro de 1964 – 26ª sessão

Eu, abaixo assinado, por este meio declaro que estive presente na sessão supra citada. Comigo estiverem as entidades por intermédio de quem o Seth falou.


(Nesta sessão, o Seth falou sobre a minha vida passada, e atribuiu os meus presentes padrões de vida às lições aprendidas nas minhas existências anteriores. Facto demonstrável de imediato é que durante a sessão a Jane (Ruburt) falou com uma voz mais profunda do que o costume, e com um acento definitivamente de Boston em certas palavras. Antes da sessão começar, em conversa, fiz uma pergunta ao Robbie (Joseph) que envolvia a questão da existência contínua ao contrário da evolução. O Seth respondeu à minha pergunta e enquanto me dava uma resposta generalizada, outras perguntas relacionadas afloraram-se-me à mente, as quais por sua vez viriam de imediato a ser respondidas pelo Seth. Isso ocorreu com tal frequência que por volta do final da sessão, sempre que pensava numa pergunta sentia uma confiança imediata em que viria subsequentemente a ser respondida.


(John J. Bradley)



Jane


(Nos dias seguintes fartei-me de pensar. Enquanto trabalhava na galeria, ou no meu livro, ou enquanto fazia as minhas tarefas de casa, a última sessão não parava de me vir à mente. Se o Seth tivesse lido a mente do John, isso representaria um excelente progresso. Caso não tivesse, então o John ter-se-ia iludido a ele próprio, e o Seth teria cooperado e teria tirado partido da fraude. E se o Seth não passasse de uma personificação do meu subconsciente, então isso seria um excelente exemplo de fraude subconsciente.


“Tu estás a degradar-te quando tens pensamentos desses,” disse-me o Rob, quando lhe contei.


“Para ti é fácil falar,” retorqui eu. Não tenho propriamente problemas com um subconsciente travesso, mas um enganador já é outra coisa.


“Pensas que o Seth seja enganador?” Perguntou o Rob. “Se pensas, devias desistir da coisa toda.”


“Não. Muito embora creia que a telepatia seja possível… Não consigo pensar que num estado de transe, por intermédio de mim, uma outra personalidade leia a mente de mais alguém – é isso!” Disse eu. “Eu pus o dedo na coisa. Além disso, não gosto que o Seth te leve te chame à atenção em frente do John. E isso levou-me a questionar se eu não estaria realmente mais muito mais perturbada do que pensava estar por não teres ajudado relativamente à Miss Cunningham, na outra noite. Que coisa adorada e sorrateira de fazer! Ter uma segunda personalidade a dar-te como o diabo – e diante de companhia – comigo supostamente em claro, sem assumir qualquer responsabilidade por tudo.”


“Mas aí, deverias ocultar a coisa toda de ti própria,” opôs o Rob. “Jamais suspeitarias.”


“Sim, sim.” Disse eu, à beira das lágrimas. “Mas talvez eu seja esperta demais para meu próprio bem.”


“Porque não poderás simplesmente aceitar a palavra do John acerca disso?” Disse o Rob.


Eu olhei para cima. “Não sei. Mas a ser verdadeiro, então estamos realmente envolvidos em algo com um potencial fantástico… e de certa forma único… e isso soa demasiado egocêntrico…”

Neste período particular só tínhamos tido vinte e seis sessões do Seth e do material do Seth – e até agora, nenhum material comprovativo; não havia nada que prosseguir excepto a nossa experiência e fé em nós próprios. Sempre confiara em mim própria enquanto escritora. Na qualidade de psíquica, senti-me achei-me em chão trêmulo durante um tempo. Contudo, o Rob sempre conseguia ajudar-me a colocar as coisas em perspectiva, e desta vez, ele voltou a ajudar-me a manter a fé em mim própria e nas minhas capacidades.


Durante os dias seguintes, recuperei o meu estado de espírito positivo. Por várias vezes, clarões de conceitos acometeram-me enquanto me encontrava a fazer a limpeza da casa – padrões de pensamento subitamente intrusos acompanhados por uma sensação de iluminação intelectual e emocional. Nessas alturas sentia que uma nova informação estava a “surgir na minha cabeça,” ou melhor, em todo o meu ser. E eu sabia que, mentalmente, apenas retia parte disso. Essas experiências levaram-me a aceitar o episódio da telepatia da última sessão, embora ainda não estivesse certa do agente que tivera envolvido.