segunda-feira, 24 de março de 2014

OBSTÁCULOS/ BLOCOS DE CONSTRUÇÃO



Transcrição: Amadeu Duarte



...Na verdade, os velhos obstáculos não se desvanecem, porque se tal acontecesse ver-se-iam bastante infelizes e encontrariam dificuldade em crescer e em aprender, e teriam dificuldades em lidar com a realidade que se prepararam para enfrentar. E isso é importante compreender que é uma sorte que os velhos obstáculos simplesmente não de esfumassem no ar. Agora, porque será isso importante será talvez por onde precisaremos começar.


Vós criais obstáculos com um propósito, e para o colocar em termos bem sucintos, vós criais os obstáculos de forma a aprenderem os métodos de os suplantar. Ora, isso é importante de anotar: que vós criais os obstáculos para poderem aprender os métodos de os suplantar. Não só suplantá-los, e arremessar a solução: “Foi assim que o consegui, mas agora que está feito posso esquecer a coisa.” Não, vós pretendeis informar-vos acerca de métodos e de técnicas, de estilo; de um modelo de crescimento e de um modelo de evolução, ou de iluminação – seja como for que queiram chamar isso. Querem aprender isso, e por conseguinte criam obstáculos a fim de se motivarem a informar-se quanto ao método. Porque na verdade criar obstáculos apenas para os suplantar sem mais nenhuma razão, seria de algum modo fútil, e seria abeirar-se da estupidez.


De vez em quando utilizamos a analogia de construírem dificuldades para as poderem ultrapassar, e para provarem a vós próprios que conseguem saltar sobre os obstáculos, e chegamos a sugerir mesmo – nos termos dessa analogia – que conduzem até à pista de obstáculos de madrugada e que colocam as barreiras com toda a precisão e de seguida voltam a casa, e depois regressam ao meio-dia e surpreendem-se: “Quem diabo foi que colocou toda aquela sucata ali?” (Riso) E depois percebem: “Ah, pois foi; fui eu, fui eu. Está certo, foi há várias horas atrás. Agora recordo ter sido eu quem colocou aqueles obstáculos na pista, e tê-lo feito a fim de aprender a ultrapassá-los.” Bom, para usarmos essa analogia um pouco mais, que métodos serão esses que se usa a fim de se ultrapassar barreiras, etc.? Decerto que podem passar sobre eles, em vez disso, mas não é disso que se trata. Em vez disso, aquilo que trata é o desenvolvimento de uma temporização, de uma coordenação, desenvolvimento muscular, para simplificar a coisa, evidentemente.


Bem, desenvolvem a temporização, a coordenação, o desenvolvimento muscular, e correm graciosa e lindamente sobre os obstáculos; mas se não aplicarem essa coordenação, essa temporização, esse desenvolvimento muscular a outras áreas da vossa vida, então resultará num esforço fútil, entendem? E parecerá bastante estúpido; porque diabo quererão saltar sobre barreiras? Decerto que há quem, envolvido em actividades desportivas, o faça por mais nenhuma razão para além da de gastar tempo, mas na verdade o atleta consumado é a pessoa que efectivamente desenvolve os métodos do desenvolvimento atlético, e que de seguida os aplicam em outros lugares. Para o aplicar porventura a algo que tenham feito na experiência do jogging, ou da ginástica aeróbica, no caso de alguns de vós.


Realmente, para se suplantar os obstáculos, da corrida ou da actividade aeróbica, etc., precisam aprender determinados métodos, certas técnicas de respiração, determinados pontos de focagem, pontos de concentração; um certo desenvolvimento muscular e uma certa tonificação, um certo desenvolvimento físico que envolve. Mas se depois não pegarem no que tiverem desenvolvido, nos métodos que tiverem utilizado para conseguir correr ou fazer aeróbica, se não pegarem nesses métodos que tiverem cultivado e os não aplicarem noutro lugar, na verdade ter-se-á tornado numa actividade fútil.


O corredor que experimenta esse grau de concentração, esse arranque através da pura vontade, e de seguida volta a casa tomar um duche e o esquece, e que não leva esse mesmo grau de concentração, esse mesmo grau de arranque por meio da vontade para o aplicar ao trabalho ou ao relacionamento ou ao cultivo, está na verdade a gastar tempo com isso. Aquele que pratica aeróbica com o objectivo de perder peso, ou de se exercitar, ou de tonificar o corpo; se os métodos que usa e desenvolve para poder conseguir praticar a aeróbica se detiverem por aí, e não aplicar o mesmo tipo de disciplina, o mesmo tipo de intencionalidade, o mesmo tipo de entusiasmo ao resto da sua vida, bem poderão desenvolver uns músculos muito rígidos, em vez de qualquer tipo de agilidade ou de fluidez.


E o mesmo se passa com os vossos bloqueios, por de facto criarem obstáculos a fim de se forçarem a aprender métodos particulares que tanto querem como precisam aprender para poderem cultivar-se. Se por exemplo, ao tratarem do obstáculo particular da vitimização, cultivarem um método de sinceridade, um método de lidarem com a vossa vida com sinceridade e de responsabilidade, mas depois não aplicarem, essa mesma sinceridade e responsabilidade a outros segmentos do vosso viver, então a vitimização terá sido em vão. E assim, entendem, não criam simplesmente a vitimização só para provarem que conseguem ultrapassá-la; criai-la como uma motivação para cultivarem os métodos que usais. De forma similar, devia-se abordar outras partes da vida de uma forma similar – independentemente de o fazerem ou não - mas pelo menos nas áreas do cultivo essa é a intenção, entendem?


E assim, não passa unicamente pelo ultrapassar dos bloqueios mas pelo cultivo dos métodos de os ultrapassarem, e na verdade, se estivessem dispostos a cultivar os métodos de imediato, então não precisariam encontrar obstáculos no vosso caminho. Se pudessem motivar-se: “Ah, é isso que eu quero. Creio que vou começar a fazer isso...” isso seria óptimo. Mas não quereis, isso é que é. Não querem, e sabem que não querem. E por isso tendem a criar tais obstáculos e bloqueios, essas pedras de tropeço, para os acordarem e levarem a prestar atenção da existência de alguns blocos de construção que porventura seria importante cultivar.


Quantas vezes não se terão cruzado, talvez com um livro, e não terão dito: “Eu já aprendi tudo quanto havia a aprender acerca disso.”


Porque pensarão ter-se cruzado com ele? Talvez para aprenderem; talvez seja isso que precisam aprender. Significará isso que devam ler todos os livros em que pousam os olhos? Não! Mas talvez signifique que deviam aprender sobre cada livro em que pousam os olhos! E se os vosso olhos pousarem num livro que já conheçam, tudo bem, isso é uma coisa. Mas se não souberem nada a respeito nem se dispuserem a aprender por não terem tempo, isso já é outra coisa completamente diferente. “Não preciso aprender nada acerca da Originalidade; tenho demasiado que fazer, não preciso disso. Autoconfiança, ah, isso vem lá por último. Terei que chegar a isso algum dia, etc.” Não estamos a dizer que devais ler tudo, não. O que estamos a dizer é: Quão relutantes ou ansiosos por aprender sobre cada tópico vos achais? Ou considerais mesmo que nem precisais aborrecer-vos em aprender algo acerca disso, ou não? E gostaríamos de sugerir que não é tipo: “Ah, o melhor é faze-lo.” Não! De facto, o tópico: “Eu não tenho tempo para o ler, não tenho isto ou aquilo...Mas quanto àquilo o melhor é eu dar uma olhada. Quero aprender acerca disso.” 

Porquê? Não porque alguém tenha designado isso como título, mas por o terem recebido no vosso correio! Por o terem visto na vossa realidade, por terem feito com que isso aí fosse parar.


Mas na medida em que disserem: “Ah, pois, estou disposto a aprender os métodos de cultivo e as técnicas e as abordagens que de facto preciso aprender... (NT: A esta altura a gravação parece sobrepor-se, comendo o resto da frase) ...preciso ter bloqueios para o fazer, mas ao mesmo tempo descobrem, não estar a devorar cada pedaço de conhecimento e de informação que puderem, mas em vez disso relutantes em olhar para ela, ou decidirem não o fazer em absoluto. Esse mesmo facto sugere o contrário do que sugerem. 


E assim, para compreenderem que vós criais os obstáculos, pelo menos por agora na vossa realidade, por razões que se prendem com a motivação, de forma que possam gozar da oportunidade de aprender os métodos. E quanto mais dispostos estiverem a aprender os métodos sem serem incitados a tanto, menos se espicaçarão a si próprios. Vejam bem, o que acontece aqui é o seguinte: inicialmente pensam que os obstáculos existem, e a seguir, com variados graus de relutância aceitam: “Está bem, está bem, eu criei-os.” E a seguir pensam deparam-se com soluções para suplantar esses bloqueios. Uma técnica? Sim. De facto as técnicas são reunidas como métodos, na realidade, para ultrapassar, só que sugerimos que as soluções, as abordagens e os âmbitos mais amplos constituem métodos para a vida, são métodos de existência e na verdade é importante tratar deles – no vosso percurso de cultivo! Não apenas aplicar essa solução ao obstáculo, mas de seguida aplicá-lo noutro lugar, na vossa própria encarnação, e encarnações, e na vossa evolução.


Vós ou vos impelis ou azeis por vos sentir compelidos a crescer. Fica ao vosso critério. Vocês dispõem, quer de sinais que vos indicam a direcção, ou de sinais que vos dizem que vão no sentido errado. A escolha compete-vos a vós. Vocês precisam de limites, entendem? Limites que vos possam orientar. Essas limitações tanto poderão ser, quer princípios que vos puxam, que vos impelem a crescer e vos apontem a direcção e guiem antes do tempo. Ou então criareis obstáculos, que vos empurrarão no sentido do crescimento, que vos compelem no sentido de crescerem. E que vos transmitam as mensagens: Caramba, fizemos asneira, nisto. Estamos a ser um pateta, naquilo. Entramos na direcção errada de novo. Tenta de novo.”


De modo que já vêem o quanto é importante que os velhos obstáculos não se desvaneçam, o quão é importante que simplesmente não se evaporem, por precisardes dessa sinalização. A ideia está em compreendê-los, em aprender acerca deles, em ir além deles, e de seguida em aplicar aquilo que tiverdes aprendido – os métodos – enquanto continuam a avançar em frente; por entre a sinalização, por assim dizer. De modo que consigam mover-se nisso de uma posição mais positiva, digamos. Limitando a vossa vida com princípios, e impelindo e levando o vosso crescimento a arrancar, em vez de se sentirem compelidos e forçados a isso por meio dos vosso obstáculos.

De modo que os obstáculos não morrem; nem sequer se desvanecem. Apenas obtêm potenciais obstáculos novos.

...


Estão a embarcar, conforme dissemos há muito tempo, cada vez mais. Quando será esse exacto embarque? Vós estais a faze-lo e estais a faze-lo cada vez mais rápido, e as coisas estão a mudar com uma maior rapidez. E assim aquilo que estão a fazer, nesse sentido, com esse embarque nestes últimos vinte anos, de 1983 até 2003, é que estais a trazer montes de coisas novas, coisas que não têm existido por aí, estilos e métodos de abordagem que simplesmente não existiam antes para trabalhar antes. Trata-se bastante de uma nova fronteira, de um novo território a explorar, que alguns poderão sentir ser excelente – “Óptimo; mais evasivas. Mais desculpas. Bem, eu nunca passei por isso nesta nem noutra vida, de modo que me falta a experiência.” Pois é, esta é a vossa primeira vez, e dispõem da escolha quer entre ser a primeira vez da última, ou a primeira vez de muitas. O que fica ao vosso critério. E se por uma questão de adiamento disserem que vão protelar - óptimo! Mas precisarão reconhecer as consequências de tal decisão, definitivamente.


Assim, ao considerarmos especificamente esses obstáculos queremos falar um pouco acerca de dois conceitos – um dos quais é o poder do futuro, e o outro é o domínio da energia. O poder do futuro é um conceito de que falamos ao afirmarmos que o futuro cria o presente contra o cenário do passado. Na verdade repetimos isso com bastante frequência, com tanta frequência que provavelmente podíamos fazer uma maravilhosa leitura coral com a frase, ou algo assim (riso). Mas está a tornar-se mais, agora. Está a tornar-se mais predominante e mais influente e mais poderoso, esse conceito em particular: O futuro está a criar o presente contra o cenário do passado. Isso sempre foi verdade, mas está a tornar-se mais verdadeiro. E vós ides começar a experimentar isso – quer acrediteis ou não – ao passo que há um ou dois ou dez anos atrás, de facto, estava a ocorrer – o vosso futuro estava a criar o presente de encontro a esse cenário do passado absolutamente, mas teríeis que olhar para o perceber, e para o compreender. E se tivessem olhado, poderiam ter visto isso. E se não tivessem querido não o teriam percebido, etc.


Mas agora está a tornar-se mais impulsionador. Já está a ser impulsionador. E irá tornar-se cada vez mais. E por conseguinte, como se encontram envolvidos com o crescimento, coisa que todos decidiram estar, de uma forma ou de outra, assim é que isso é algo com que irão ter que lidar. Um conceito? Sim. Um método? Absolutamente. Uma filosofia. Uma atitude. Uma percepção. Uma realidade, o que quiserem chamar-lhe. O futuro a criar muito mais o presente. Obviamente! E o passado a tornar-se progressivamente mais um cenário de fundo. Assim o que significará especificamente para vós? É uma excelente frase e soa bem e encaixa na perfeição e de uma forma lírica; mas que coisa quererá dizer para vós? Antes de mais, quer dizer claramente que cada vez mais aquilo que planeiam é o que irá determinar aquilo que sois. O que planeardes ser daqui a cinco anos, ou planeais ser daqui a seis meses, irá influenciar muito mais a função que tendes hoje. E ireis vê-lo, ireis experimentá-lo e ireis conhecê-lo. E daqui a seis meses ireis ser capazes de dizer: “Está certo. Caramba, como posso constatar isso agora.” Ao passo que se o percebêsseis agora, poderiam confirmar uma percepção belíssima. Mas a questão está em que se está a tornar cada vez mais assim. O que isso significa é que cada vez menos irão ser capazes de olhar para o passado em busca de solução. Cada vez menos irá ser a criança em vós ou a vossa infância. Cada vez menos será a mãe que não vos terá amado o suficiente ou o pai que não lhes terá incutido suficiente auto-estima. Ou o pai que morreu, ou a mãe que morreu, e eles brigaram, ou ele bebia, ou ela pulava a cerca, como queiram. Cada vez menos irão utilizar essas velhas desculpas, por nem sequer virem a fazer mais sentido para vós. Já não faziam sentido para os outros há um bom tempo. (Riso)


Podem tentá-lo em vós próprios, sabem? Magoaram os sentimentos de alguém, e tentam explicar: “Bom, isso deveu-se ao facto de, quando estava com cinco anos, a minha mãe deixou-me com a babysitter de quem eu não gostava, e...” Isso soa ridículo! Não parece soar assim a vós, a quem acontece parecer real. Irão cada vez menos ter que confiar nisso. Cada vez menos a asneira que tiverem feito irá ser culpa da vossa mãe; cada vez menos virão a apontar-lhe o dedo acusador por causa do vosso falhanço; uma compensação que muitos de vós assumiram por demasiado tempo – serem, capazes de culpar os pais, serem capazes de castigar os pais pelos vosso fracassos, de modo que não conseguirão andar por aí a fazer alarde do filho ou da filha. Mas em vez disso, apontar-lhes o dedo acusador não irá funcionar mais. Cada vez mais irão descobrir que simplesmente não funciona, que não faz sentido. E irão descobrir que voltar-se-para trás, mesmo no caso de lealdade: “Vou provar que adoro a minha mãe vivendo a vida dela. Ou aderindo às suas atitudes ou crenças.” Irão descobrir que irá mais parecer tão fútil e tão estúpido, por o passado estar a diminuir. Está mesmo a tornar-se num cenário inconsistente. À medida que o futuro vai ganhando consistência na vossa própria realidade e percebimento disso.


Bom, que quererá isso da criança e do adolescente dizer? “Ah, óptimo, não vamos ter que lidar mais com isso.” Não! Não quer dizer que a criança ou o adolescente vão a algum lado. Tudo quanto quer dizer é que todos os seus receios, inseguranças, a tendência que têm de as usar na vossa realidade, não irão mais basear-se nas experiências da sua infância, mas no vosso plano de futuro. Por conseguinte, a criança em vós acha-se igualmente assustada agora, não porque a vossa mãe os possa castigar, mas por estarem a alongar-vos a áreas de que ela nada sabe a respeito. O adolescente em vós pode ser um teimoso quanto à justiça, não porque não tenha sido aceito na peça do nono ano, mas por vós estardes a estender-vos muito para além das fantasias que nutria quanto ao seu futuro. Por isso, irão existir partes igualmente activos, porventura mais ainda. Mas não por causa do que aconteceu, mas do que está a acontecer, e do que irá acontecer.


Então não podem dizer: “Ah, óptimo, não vou ter que tratar mais dessas partes de mim próprio.” Bom, não podem dizer isso! Seriam bastante negligentes se o fizessem. Mas façam o favor de compreender que com o fecho do passado, com o desligar do passado, isso não quer dizer que a criança e o adolescente venham a desaparecer, por eles não constituírem o passado, entendem? Eles existem agora! Essa é toda a questão da dinâmica da criança interior – que é o facto de não se situar realmente no passado, mas bem aqui e agora, numa diferente circunstância da realidade; mas exactamente aqui e agora. O adolescente não representa mesmo o vosso passado. Ele ou ela funcionam exactamente aqui e neste instante, numa diferente circunstância; numa circunstância que se tem baseado nesse vosso passado, com base na vossa insistência, mas como a vossa realidade agora se baseia mais no futuro, também as suas realidades. E a circunstância do adolescente ainda se situa lá, só que as suas motivações irão passar a provir do futuro e a situar-se de encontro ao cenário do passado. Tal como a circunstância da realidade da criança se situa lá, com base na circunstância futura posta de encontro ao cenário do passado.


Vós situais-vos aqui, agora, entendem? A criança, o adolescente, o jovem adulto, o ego, o pai crítico em vós – seja qual for o nome que chameis a esses componentes, também têm base aqui e agora. Mas a mudança tende a reverberar em qualquer nível. De modo que o passado não vai desaparecer; está a fechar-se, enquanto fonte de explicação, enquanto fonte de desculpa, e como um curso a tomar. Progressivamente irão descobrir que, conquanto costumassem descobrir as soluções para os problemas voltando-se para trás e tentar reconstruir o encadeamento lógico dos acontecimentos que conduziu à moléstia de que padecem; mas irão descobrir que isso não resulta. Irão descobrir que não existe um encadeamento lógico de acontecimentos, que irão tentar explicar, e que irão ter que o fazer durante horas para que faça qualquer sentido – até mesmo para vós.

Bom, poderá resultar um pouco de influência proveniente de um tipo – mas não exactamente o mesmo que essa, e aí esse tipo de ocorrência: “ Eu posso admitir que seja rebuscado, mas creio que poderás saber que provavelmente...” (Riso esparso) E passam horas a reunir essas racionalizações provenientes do passado, a desbaratar uma quantidade de tempo, por não fazer qualquer sentido e por não ver válido, e também por isso não vir a provocar a menor cedência no problema que tentam ultrapassar com tal explicação. E se o escutarem o que dizem a tornar-se cada vez mais rebuscado, dão por vós já a faze-lo, a situar-vos cada vez mais lá, em termos de pequenos incidentes bizarros que recordam que duraram um período de duas semanas, entre as idades dos sete e dos sete anos e meio, quando tal e tal coisa terá ocorrido, em determinado Halloween ou seja o que for.


“Um incidente ocorreu que de algum modo...” Ora, vamos! Não podeis seriamente acreditar que num Halloween tenha ocorrido um incidente dessa natureza seja o que te está a estragar a realidade agora. Decerto que não. Não consegues sequer acreditar nisso. 

Por não ser assim; por o passado estar a desaparecer enquanto causação. “Ah, bom, então não tenho que me incomodar em voltar e editá-lo e reconstrui-lo!” O que gostaríamos de sugerir é que ainda é válido, certamente; se quiserdes alojar sujeira do passado numa grande caixa de areia. O que é importante é limpá-lo. Sem dúvida proceder a qualquer trabalho de edição ou de reconstrução que quiserdes fazer, mas faze-lo de uma forma sucinta. Façam-no de uma forma sucinta e prossigam com ele. Para nós representa muitíssimo a analogia dos baixios do passado onde podeis onde podeis ficar encalhados. E assim, se tiverem que os limpar rapidamente e sair de lá para fora, de volta para o presente e para um futuro – onde as coisas “contam”. Além disso em parte por causa do facto do futuro estar a tornar-se cada vez mais importante, enquanto causa da vossa realidade; contra o qual justificais os efeitos que tiverdes escolhido. 

Assim, a intuição e o conhecimento irão tornar-se progressivamente mais importantes. Intuição e conhecimento – ou conhecimento – seja como for – irão tornar-se cada vez mais importantes, mais e mais irão tornar-se numa parte de vós: 

Porque estás a fazer isso? “Eu só sei que é o acertado, eu sinto-o intuitivamente.”


Como sabes que represente a solução que deves adoptar? “Eu simplesmente sei-o; não consigo descrevê-lo por palavras, simplesmente sei intuitivamente que esta é a forma de actuar.” Não saber nem intuição nos termos de: “Eu descobri o problema que tens. Eu sei intuitivamente que é isto que está errado contigo.” Não; não esse tipo de intuição. Isso é chamado de intuição chantagista. (Riso) A intuição que tendes acerca de vós próprios: “Eu intuitiva e lógica, ou intuitiva e inconscientemente sei que isto está a decorrer. “ E é para aí que deveis olhar e isso que deveis controlar. Mas é isso que vai sofrer um aumento, por o conhecimento e a intuição constituírem produtos do futuro. Constituem a precipitação do futuro. Ora bem; isso é bastante maravilhoso e excitante, contudo o que também irá envolver um terreno mais fértil para o ego se esconder; por o ego poder facilmente disfarçar-se de intuição; o ego pode muito facilmente disfarçar-se de conhecimento. E por conseguinte, se não manusearem o ego, ele irá mais facilmente esconder-se de vós, e ireis pensar que o tenhais conseguido. Se não tiverem o ego – não controlado, nem completamente amordaçado, mas pelo menos sob algum sentido de controlo, sob um certo sentido de manipulação – ele irá encontrar excelentes esconderijos – um nevoeiro denso onde se encobrir impecavelmente.


O que também se irá revelar conveniente: “Óptimo! Quero vê-lo por aí com frequência.” (Riso) É verdade! Muitas vezes confundem a vossa intuição, o vosso saber e o vosso ego. Frequentemente confundi-los caso não sejam manuseados. Contudo o problema disso está em vos extraviardes muito mais, e muito mais rápido, antes de o perceberem. Ao passo que se virem: “Tudo bem, tudo bem, eu apresento um problema de ego, aqui; um ego do tipo “melhor” porventura, um ego do tipo “especial” porventura; um ego do tipo “menor”, talvez. Um tipo de ego caracterizado por diferentes formas do meu ego que se agarram como sanguessugas ao passado; eu sei que apresento isso; mas não o tenho visto ultimamente, de forma que devo (...)” E então subitamente - Bang! – esbarrais numa enorme barreira, numa enorme desordem, e dais por vós distantes da rota: “Como foi que diabo vim ter aqui? Como terá possivelmente sido que tenha chegado tão longe sem ter noção disso? Sem o ter percebido?” Por o vosso ego se esconder em meio à intuição e à névoa do conhecimento. E certas pessoas – notai que não disse “alguns de vós” – vai longe demais, extravia-se e perde-se, e estatelam-se, sabem? Pelo menos devem faze-lo. (Riso) “Upa, lá vamos nós começar de novo!” Por vezes é bom carregar no botão “Repor”, não? (Riso)


O poder do futuro é um poder entusiasmante, mas é mortal, à semelhança de todas as coisas poderosas: entusiasmante e mortal. É entusiasmante por poderem obter uma perspectiva mais clara, por terem um maior controlo consciente, muito mais poder. É entusiasmante por poderem obter uma maior orientação de olhos abertos na vossa vida; o poder da escolha torna-se muito mais no poder de exercitar, em vez de poder da teoria. As vossas vidas podem decorrer muito mais sem problemas, muito mais de uma maneira calculada, de uma maneira positiva, muito mais alegremente: tudo isso ao mesmo tempo. Pode ser muito assustador; pode causar muito temor e tornar-se muito perigoso, porque quando saem das malhas, tendem a ir muito para além da medida, antes de conseguirem corrigir. 


Assemelha-se bastante a carregar no acelerador sob piso de sal, no Utah. Esses carros de corrida que correm a muitas milhas por hora têm uma linha em que o condutor deve fazer com que o veículo se mantenha, esses carros com motor de foguete – supostamente a conduzir, não é? Torna-se difícil de dizer se irão a conduzir ou se irão a segurar no volante. (Riso) Assemelha-se àquela coisa de estacionamento em paralelo (riso). Mas têm que manter o volante imóvel, porque se não o fizerem, se deixarem que se vire nem que seja uma pequena fracção de polegada, desviar-se-ão em demasia, por irem tão rápido que uma variação de um quarto de polegada no final resultará num desvio de milhas.


E vós estais a acelerar; estais a acelerar. E o futuro, aquilo para que apontais, está muito mais a puxar-vos, do que o passado está a empurrar-vos. Bem, os automóveis, em determinada altura, todos eles, tinham tracção à frente que puxava o automóvel rua abaixo. Agora, cada vez mais os carros são empurrados rua abaixo (tracção atrás); o que de certo modo representa uma analogia, pelo facto de costumarem ser empurrados pelo vosso passado a fim de recuperarem o atraso, e de se manterem à sua frente; mas agora o futuro está a impelir-vos, está a atrair-vos, e estais a correr cada vez mais rápido; e quando se desviam do caminho, tendem mais a perder-se. Mas quando permanecem na rota, tendem a ir mais longe. De forma que se equilibra – conforme todo o vosso universo o faz por uns magnificamente belos conjuntos de paradoxos um tanto divertidos. Assim, o poder do futuro está a sofrer um incremento, e só de pensarem nisso têm todo um sobressalto quanto à possibilidade de se desviarem: “Oh meu Deus, é o meu ego; eu pensava ser a intuição, pensava que fosse um conhecimento, pensava ser a criatividade, e agora descubro que o tempo todo era o ego.” Não tem que ser assim assustador – se se recordarem que a solução, de forma similar, reside no futuro, e não no passado.


O conceito que poderá parecer de mais difícil trato e que de muitos modos parecerá intensamente mais abstracto, é o do domínio (autoridade). Um termo dotado de um som agradável, que alude à calma e à tranquilidade, que soa de um modo um tanto religioso para alguns – se tiverem antecedentes Católicos. Nós falamos de poder, enquanto a faculdade de agir – não como a própria acção. O poder constitui uma faculdade, uma abstracção; o poder faz parte do princípio feminino. E por conseguinte, para serem poderosos, quer se trate do homem ou da mulher, precisarão estar em sintonia, pelo menos, com o feminino interior. Aqueles que estiverem em contacto unicamente com a energia masculina – quer sejam homens ou mulheres – e a exercitem, a produzam, não estão a exercitar o poder. O poder constitui a capacidade de agir, quer essa acção efectivamente ocorra ou não. De facto, muitas vezes a acção não chega a ocorrer. Poder é a faculdade de agir – dissemo-lo muitas e muitas vezes. Faz parte do princípio feminino – conforme dissemos algumas vezes. Quando o poder se manifesta, então faz parte do princípio masculino. O poder manifesto faz parte do princípio masculino, ao passo que o poder em si mesmo é feminino.


E é aí que para que a pessoa poder existir num todo precisa ter acesso e alguma familiaridade tanto com o princípio feminino da capacidade de agir, como com o princípio masculino da implementação dessa faculdade – para existir num todo, em particular na forma física, onde parece ser muito importante ter ambos separados e integrados ao mesmo tempo. Sugerimos, de forma idêntica, que o poder consta de ter domínio (autoridade) e não dominação. É uma pequena frase chave agradável de memorizar: “O poder consta de ter domínio e não em dominar; eu quero exercer domínio e não dominação; desistir do dominar em favor do domínio.” Encaixa. Ajusta-se impecavelmente. Mas de que constará o domínio? É poder, não? Bom, é algo diferente disso; é poder, sem dúvida, só que é mais do que isso. Em todo o domínio existe poder; porém, nem em todo o poder existe domínio. Portanto, se considerarmos o poder como a capacidade de actuar, o domínio teria que ser algo mais vasto. Tal como o poder constitui a faculdade de agir, o domínio constitui a disposição para agir, a vontade de agir; o que por um lado implica que a faculdade esteja presente, por certamente precisarem adquirir sinceramente a capacidade de agir antes de estar disposto a agir – quer alguma acção seja ou não implementada, recordem; não dissemos que precisam provar essa capacidade – precisam é de a ter!


O domínio constitui a vontade de agir. Implícito à disposição está todo um conceito novo – não de todo novo para vós – mas um conceito novo de poder, que é o da responsabilidade. Porque implícita à disposição para agir está o assumir da responsabilidade por essa acção; por isso, o domínio, a vontade de agir implica a vontade para assumir responsabilidade por essa acção. “Bom, isso é certo. Não fará toda a gente isso?” Não! Mas ter domínio implica ainda mais: não só implica a capacidade de agir, a disposição para agir, como a capacidade, a disposição de assumir a responsabilidade pela acção, como também implica disposição de assumir responsabilidade pela totalidade daquilo sobre que exercerem domínio. Agora; que quererá isso dizer? (Riso) Soa bem; vamos lá ver: “Toda essa capacidade e disposição para agir e disposição para assumir responsabilidade pelo acto e disposição para se responsabilizar pela totalidade daquilo sobre que se tiver assumido domínio.” Maravilhosa definição que não deve confundir ninguém, e que no mínimo vos dará a oportunidade de se porem suficiente longe antes de vos interrogarem, não? (Riso) “Espera lá, que quer...” Mas já estareis longe. (Riso)


Talvez alguns exemplos possam ajudar aqui. Vós tendes algo bastante seguro e isento de ameaça como um animal de estimação: um cão, um gato, um peixinho dourado, um periquito, sobre o qual tendes domínio. Bom, que quererá isso dizer? Quererá dizer que têm o direito de alimentar ou deixar de alimentar, o direito de dar ou de tirar a vida; têm permissão para tanto, quando estiver doente ou seja o que for. Que se quiserem, não precisará estar doente, o que geralmente não acontece com aqueles que têm animais de estimação. Mas podem abatê-lo. Têm o direito de o fazer. Não irão obter carma por causa disso. Sobre as pessoas já duvidareis poder ter domínio, pelo que realmente não podem tomar essas decisões que muitos tendem a tomar. Ter domínio sobre um animal de estimação significa, antes de mais, que tenham poder; capacidade para agir. Alguns de vós gostam de fingir não ter; um animal de estimação arruína-vos a vida, e não conseguem fazer isto nem aquilo, e não podeis levar a vida que gostariam por causa do animal, mas se olharem a coisa com realismo poderão ter poder, terão essa capacidade de actuar e realmente podem mesmo manifestar essa capacidade de actuar em meio às acções efectivas que tomam com a criação do vosso animal. Ter domínio já é outra coisa que têm em relação ao animal, por estarem dispostos a agir; por terem vontade de ser poderosos, sem que ninguém os force a ter um animal, nem os force a obter aquele animal em particular.

domingo, 9 de março de 2014

FORÇAS EMOCIONAIS







 CONSCIÊNCIA, ACÇÃO, CRIATIVIDADE, PRODUTIVIDADE, DISCERNIMENTO, AVALIAÇÃO, CORAGEM, EMPENHO, PERDÃO, CURIOSIDADE, EMPATIA, VONTADE E IMAGINAÇÃO; SONHAR E VISIONAR, BOM HUMOR, LIDERANÇA, AMOR, COMUNICAÇÃO

Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte

Vamos abordar um recurso inexplorado que tem tanto de poderoso quanto de entusiasmante nos termos do âmbito de aplicação que revela, nos termos do seu alcance, nos termos da visão e das possibilidades que encerra. Vamos falar-vos do recurso das vossas forças emocionais, de modo que possais compreender que força será essa, do que os impede de ser fortes, a natureza das vossas forças particulares e únicas, e por fim como desenvolver e utilizar essas forças de uma forma elegante e excelente no vosso crescimento.

No vosso crescimento chegaram, em maior ou menor grau, a tomar conhecimento de bloqueios, limitações, e num maior ou menor grau, aprenderam a corrigir esses bloqueios e limitações. Quando se confrontam com bloqueios pela primeira vez, ou quando enfrentam um novo bloqueio, um que jamais tenham visto antes, têm uma tendência real de defender esse bloqueio com o tipo de reposta clássica: “Sim, mas....” “Sim, mas deve haver algo de bom em relação a mim; sim, mas eu devo fazer alguma coisa de acertado. Devo ter alguma coisa de positivo. Deve haver alguma coisa que eu esteja a fazer bem.

Devem-me restar algumas forças, não?” E o que começa por ser mais ou menos uma declaração de desafio torna-se numa questão e em última análise torna-se num apelo. E gostaríamos de sugerir que sim, certamente que existe muita coisa positiva relativamente a vós, uma enorme quantidade de rectidão e de bondade, e decerto que existem em vós forças reais e potenciais que nem sequer começaram a compreender, ou a explorar, mas que no vosso processo de crescimento se torna importante que comeceis a tratar dos bloqueios e a desimpedir-vos deles, pelo menos a ponto de compreenderem que começaram a esclarecê-los.

Muito embora as forças e a bondade e a rectidão sejam manifestas, tomem consciência delas se puderem, mas foquem-se nos bloqueios, foquem-se no esclarecimento deles; é muito importante que o vosso crescimento comece por aí. Não interpretem este tópico como algum tipo de indício de que tenham posto um fim aos bloqueios: “Já passei por isso lá por altura dos fins de Setembro do ano passado, pelo que não precisarei mais tratar de bloqueios.” Não, claramente que não. Ao terem começado a compreender e a esclarecê-los, e já chegaram a esclarecer bloqueios, ainda é importante que tratem deles primeiro, antes de começarem a considerar as forças que têm, antes de chegarem a compreender em profundidade aquilo que são, e em particular antes de começarem a desenvolver e a utilizar essas forças.

Porque será isso importante? A questão parece tão óbvia que por vezes negligenciam a resposta, que é muito importante que tenham em mente. Antes de mais, independentemente da bondade e da rectidão, da energia positiva que tenham; independentemente das forças que tiverem, essas não são as coias que vos estão a atrapalhar a vida. (Riso) São os bloqueios, as limitações, isso é que está a armar toda a confusão que têm, isso é que os mantém presos na lama da vossa própria criação da realidade, e por isso, isso precisa ser considerado primeiro, antes de poderem avançar para aquelas forças particulares que também se encontram aí, e que também podem ser igualmente provocadoras e benéficas no processo do crescimento em que estão envolvidos.

Em segundo lugar, independentemente do facto de se encontrarem aprisionados pelos vossos bloqueios ou libertos pelas forças que têm, a qualquer momento dispõem de um conjunto de matérias-primas com que trabalhar; dispõem de um conjunto de crenças e de atitudes, pensamentos e sentimentos, escolhas e decisões com que trabalhar, quer se encontrem aprisionados ou libertados pelos vossos bloqueios ou restrições respectivamente a qualquer momento dispõem de um conjunto de utensílios, um conjunto de desejos e de expectativas e imaginação com que podem cinzelar e esculpir e criar a realidade a partir de tais matérias-primas.

Por isso, se não tiverem tratado adequadamente dos vossos bloqueios – não de uma maneira perfeita, mas adequada – se os não tiverem limpo do caminho o suficiente, eles irão poluir o leque das matérias-primas, irão poluir as ferramentas com que trabalham. E por conseguinte, se se voltarem para as forças que têm e chegarem a esse lago de matérias-primas irão retirar ferramentas poluídas. Se alcançarem esse lago de recursos, irão extrair recursos poluídos. Forças poluídas rapidamente se tornam obrigações; ativos que poderiam operar a vosso favor, ao serem poluídos pelos próprios utensílios que precisam usar, pelas próprias ferramentas com que trabalham, de súbito tornam-se passivos e pontos fracos e eventualmente o que porventura terá representado um ativo ter-se-á tornado nos próprios bloqueios que nem quererão contemplar, e de que nem sequer quererão tratar - os próprios bloqueios que terão evitado na admiração do que pensavam ser as vossas forças!

A terceira razão porque é importante que comecem pelos bloqueios, e uma vez prontos, avancem rumo aos pontos fortes, é que as forças se destinam a ampliar-lhes o crescimento – e não a camuflar os bloqueios que os assediam! Vós criastes os bloqueios, não para ver o quão engenhosos ou espertos ou convincentes sois a cobri-los, mas criaram-nos de forma a aprenderem a experimentar a sua superação. Quando usam ativos potenciais e forças a fim de negar os bloqueios de que padecem em vez de amplificar o vosso crescimento, eles tornam-se obrigações, passivos, que não mais representam do que uma máscara para os sintomas dos problemas e jamais chegam a tornar-se nos ativos que podem fornecer uma solução para os problemas.

E por fim, começais pelos bloqueios, e assim que estiverem preparados avançam para as forças, porque as forças que estiverem sobrecarregadas de bloqueios não podem merecer confiança. Ora bem, talvez descubram uma força particular e desta vez ela opere no vosso relacionamento, ou numa vez seguinte ela resulte nas considerações de saúde, mas que dizer da próxima? Serão capazes de sustentar isso? Serão capazes de dar continuidade ao êxito? “Não posso confiar nas forças que me restam; não posso depender disso,” e por conseguinte, e de uma forma irónica, o êxito que criam apenas produz uma maior pressão. Pois: “Esta semana sai-me bem; mas e em relação à próxima semana? Sai-me bem na manifestação de um relacionamento; mas como conseguirei manter-me nele? 

Consegui o emprego; mas fui despedido passadas seis semanas. Eu simplesmente não sei, mas não posso confiar nestas forças que usei...” Por elas terem estado sobrecarregadas de bloqueios! “E quando não conseguem confiar nem ter a certeza nem a capacidade de invocar as minhas forças, então quando as puser em prática tudo quanto conseguirei será estimular os músculos da perfeição e do representação! Não estarão a exercitar os músculos emocionais de que realmente precisam, tais como o valor e a estima. De modo que o que acaba por terminar é que da próxima precisarão ser “melhores” e mais perfeitos. E quando a aprovação levar o prémio terão que representar. E por isso, essas quatro coisas podem dar para o torto caso dêem o salto demasiado apressadamente. Se começarem a aprender e a tratar das forças antes de se encontrarem preparados; razão porque os encorajamos a continuar a tratar dos bloqueios que os acometem, ainda que comecem a explorar, em bicos de pés ou de um enorme salto, o leque de forças que efectivamente se encontra manifesto.

O que acontece em todo este processo evolutivo do vosso crescimento é deveras irónico, sabem? Inicialmente, quando se deparam com bloqueios, têm vontade de fugir deles e agarrar desesperada e cegamente qualquer força a que consigam deitar a mão. Ou quando descobrem um novo bloqueio, por entre aqueles que já estarão a tratar, nota-se o mesmo tipo de incitação no sentido de vazar e agarrar o que puderem encontrar à mão que represente um ponto forte. Qualquer coisa servirá. Mas quando trabalham os bloqueios, quando avançam no vosso crescimento, e com efeito quando é altura de se voltarem para as vossas forças, não o fazem. Quando não é apropriado sentem-se mais do que ansiosos; mas quando é apropriado, há relutância, obstinação e ausência de actividade. E esse fenómeno que na verdade se dá com todos vós, num ou noutro grau, provém de variadas fontes.

A primeira é o temor de se verem sobrecarregados pelos vossos bloqueios. Algumas pessoas optam por um estilo de metafísica muito mais popular mas de longe muito menos eficaz, que basicamente lhes diz não existirem bloqueios: “Não, não existem bloqueios, não existem limitações; não existe qualquer dor, nem mágoa.” Na verdade este tipo de atalho metafísico depende da mudança de nome dessas coisas. Não mais têm bloqueios, agora têm oportunidades. (Riso) Agora têm mensagens ou lições provenientes do vosso Eu Superior. Estão a gora a lidar com a “Vontade de Deus!” E as limitações dispersam-se facilmente chamando-lhes simplesmente Carma. (Riso) Isso é reconhecidamente popular mas um estilo de metafísica bastante ineficaz, por depender não do crescimento mas da mudança de vocabulário. (Riso)

E não obstante o problema evidente, de que não importa o que lhes chameis, por a vida continuar numa confusão, há um enorme preço a pagar por tal metafísica chique mas ineficaz, que é a impossibilidade de alguma vez chegarem a descobrir qualquer manifesta robustez. E em segundo lugar aquilo a que chamam força provavelmente não passará de ativos poluídos ou ativos que rapidamente se tornarão obrigações que simplesmente mascaram sintomas em vez de resolverem problemas, ou tornar-se-ão ativos em que não poderão confiar e de que não poderão depender, e por isso simplesmente fomentarão uma maior exigência de perfeição e uma maior exigência de representação. Aquilo com que terminarão é aprender a sossegar, a comprometer-te – não como crescer.

O segundo problema em que algumas pessoas incorrem, e porventura alguns de quantos agora nos escutam, é que aprendem a crescer e aprendem a reconhecer e a identificar e a perdoar e a mudar, e embora relutantemente de início, sem terem a certeza de isso ir resultar ou não, quando o faz, torna-se divertido. “Eu posso gostar disto: reconhecer e identificar, perdoar e mudar. Obtenho todo o tipo de louvores e abraços e montes de intimidade, e as pessoas pensam em mim com admiração. Não serei vulnerável e excelente, e não estarei eu a cultivar-me? Caramba! Eu gosto tanto disto que nem tenho vontade de parar!” (Riso) “De modo que mantenho-me a reformar os meus bloqueios, enquanto vou de um grupo de cultivo pessoal para outro. Bom, eu reconheço e identifico e perdoo-me e mudo para as hordas que me aplaudem e me abraçam e que me agradecem pela inspiração que represento. Eu não quero deixar isto, e penso que vou ficar por aqui e despender o resto dos meus anos de cultivo a repetir o mesmo, uma e outra vez.” Estais a aprender a ser elogiados - não a crescer!

O terceiro problema que pode ocorrer é bastante semelhante ao segundo, à excepção de constituir a abordagem do preguiçoso, que é a seguinte: “Eu faço a mesma coisa, certo? Eu processo, eu programo, podes apostar! Eu reconhecerei, eu identificarei, eu perdoarei e mudarei, mas não o farei em relação aos verdadeiros bloqueios, por isso poder dar numa confusão. Implícito relativamente ao que vou fazer está os falsos bloqueios; o que nos termos psicológicos muitas vezes é designado por “abordagem do homem de palha”, em que crio um bicho papão que então passo a subjugar – só que o bicho papão nunca chegou a existir. Crio bloqueios como por exemplo, a minha mãe rejeitou-me aos três anos...”

De que modo?

“Ela teve outro bebé, que representa o meu...”

O nosso exemplo clássico é aquele que já contamos muitas vezes; o do jovem que disse que a mãe o tinha abandonado ao deixá-lo na piscina do clube de campo, (riso) enquanto jogava golfe, estão a entender? Assim, “criando o que se chama de falsos bloqueios que poderei então enfrentar a título de desforra, só que de qualquer modo não comporta nada além de pó e imaginação. Ou então crio bloqueios nobres, bloqueios do tipo... torna-se difícil dizer, mas... o problema que tenho está em que sou demasiado amoroso. (Riso) Eu simplesmente dou demasiado; sou demasiado generoso; eu confio demais; interesso-me demais; sou demasiado poderoso – esse é o meu problema.” (Riso)

Ah... isso não são bloqueios! (Riso) São explicações de carácter nobre que geralmente nada têm que ver com coisa nenhuma. (Riso) Essa é a abordagem do preguiçoso: “Tenho que fazer todas as coisas; tenho que fazer todo o processamento e programação...”  só que não em relação a nada que tenha significado. O que acaba por dar no facto de obterem montes de louvores, tal como o outro grupo, mas não tiveram que tratar disso; apelastes que nunca teríeis que tratar dos vossos verdadeiros bloqueios, ou as vossas verdadeiras limitações. Uma vez mais, por implicar tal confusão! O que acaba por acontecer é que brincais com a metafísica. Não têm quaisquer forças; os vossos ativos encontram-se poluídos, ou tornam-se passivos, ou então apenas fomenta a representação ou a perfeição. E porventura o que será o mais sádico de tudo, com uma metafísica de brincar sobrevém uma espiritualidade de brincar. Com uma metafísica de contos de fadas, que é tão pronta e acertadamente criticada no vosso mundo, vem uma espiritualidade de conto de fadas. Acabam por conseguir um relacionamento de conto de fadas com o vosso Eu Superior, e qualquer sentido de Deus, Deusa, Tudo Quanto Existe representará um elevado preço a pagar, pela breve glória de uma boa aparência.

A quarta coisa que pode dar para o torto em relação à razão porque não conseguem desactivar os vossos bloqueios e activar os vossos pontos fortes, quando é apropriado faze-lo, é o que representa uma verdade para quantos de vós nos escutam falar deste tema, que é o facto de estarem a tratar de crescer ao vosso jeito bem real, estão sim; descobrem bloqueios efectivos, compreendem-nos, programam, processam, e limpam-nos do caminho. De uma forma honesta e real, sincera. Rejeitam a simplicidade em prole da complexidade. Abordam o processamento e programação que fazem como um fim dirigido para o fim do crescimento, em vez de os usarem como um fim em si mesmo e por si só. E desenvolvem uma metafísica verdadeiramente sincera, e uma espiritualidade bem sincera. Mas não sabem o que seja a força. Não sabem mesmo; é um termo que é suposto conhecerem, algo com que seja suposto estarem familiarizados, mas o segredo está em que não sabem o que seja. Nem sabem o que é que os impede de ser fortes! Não sabem aquilo com que precisam lutar, aquilo em relação ao que precisam mover-se de modo a poderem gozar de uma oportunidade; mesmo que soubessem de que consta a força, não sabem como a descobrir. E também não sabem que forças terão; talvez consigam flectir os músculos e pegar em pesos, mas não conseguem descobrir as vossas forças emocionais, as forças que contem e que tenham importância, por não saberem que forças terão.

E por conseguinte, decerto não conseguirão desenvolver nem utilizar aquilo que não possuem e que não sabem o que seja, o que não sabem como obter, e que não sabem qual seja a relação pessoal e única que tenham. E encontram-se num mundo que na verdade não os encoraja de verdade nem os apoia, de modo que acabam não por incrementar nas vossas forças devido à falta de conhecimento, devido à falta de compreensão e à falta de experiência. Por uma dessas razões, cada um de vós, tem sido relutante em olhar sequer a vossas forças. Bom, é já tempo de começarem a olhar e de ficarem a saber em que consistem e aprenderem o que os impede de ser fortes, quais são os pontos fortes que têm, e como desenvolver e usar essas forças.

Os anos oitenta têm tido que ver, e ainda têm que ver, com a descoberta dos bloqueios de que padecem e corrigi-los. Os anos noventa virão a ter que ver com a descoberta das vossas forças e a sua utilização. Bem sabemos que ainda não nos encontramos nos anos noventa, mas vós sois os cartógrafos, vós sois os pioneiros do que representa esta nova e efectiva espiritualidade. E por conseguinte, antes do previsto, e mesmo a tempo, estais a aprender acerca das forças, de modo que quando os anos noventa chegarem, e subitamente se apresentar uma inversão no significado do crescimento, e toda a gente se mostrar indecisa e com o braço erguido em termos de: “Que é que se estará agora passar?” vós sabereis, e estareis presentes como uma âncora, como uma quilha, como um compensador – estareis presentes a ajudar os outros a descobrir as suas forças, e a descobrir como utilizar as forças que têm – não por meio de nenhum proselitismo ou instrução, mas por intermédio do vosso viver e da vossa experiência. 

E por conseguinte vós, enquanto cartógrafos, vós enquanto pioneiros desta nova espiritualidade, não obstante antes do prazo no que toca ao padrão do crescimento que está em causa, encontra-se justamente na hora certa, no que diz respeito ao vosso crescimento particular, por deverem estar a tratar das forças; é por isso que se encontram aqui esta noite, é por isso que esta cassete foi aquela que escolhestes trabalhar, por se encontrarem preparados agora. Não para esquecerem os bloqueios que os entravam, mas para incrementarem o vosso crescimento, ao aprenderem acerca das forças.

O que são essas forças? Uma vez mais, se lhes perguntássemos para nos darem, por vinte e quatro palavras ou menos, uma definição concisa e detalhada, muitos de vós sentir-se-iam bastante embaraçados, por não saberem. Acabariam com um tipo qualquer de definição do tipo “sabe como é...” (Riso) Assim, que coisa será a força? Em primeiro lugar, conforme todos serão capazes de adivinhar, é um ativo. De modo que começamos bem – a força constitui um ativo. Mas não é um ativo qualquer, e é aí que o problema reside. Trata-se de um tipo de ativo bastante específico e único e detalhado que traduz um ponto forte. E assim, há quatro critérios que determinam se um ativo constitui ou não uma força. Evidentemente que conseguirão reconhecer que essa força comporta bloqueios, medo disto ou dúvida quanto àquilo, insegurança nisto, falta disto ou falta daquilo – isso certamente não representará uma força, nem tampouco um passivo, de modo que estarão seguros quanto a isso, só que existe um monte de ativos: agora, quais desses serão forças? Apenas aqueles ativos que satisfazem o teste que passe por cada um dos quatro pontos – em todos os quatro e não no melhor de entre os quatro, ou três dos quatro ou seja o que for, mas todos os quatro pontos.

A primeira coisa que um ativo tem que representar – caso represente uma força – é que precisa ser flexível e expansiva, ao contrário de rígido e estagnado. Bom; o que com isso queremos dizer é o seguinte: Ser inteligente constitui um ativo. Se essa inteligência for dotada de flexibilidade, assente numa constante vontade de aprender, constante vontade de admitirem aquilo que não conhecem, constante vontade de dar ouvidos ao que os outros possam ter a oferecer-vos de forma a manipularem essa inteligência, desse modo revelando-se constantemente flexível e expansiva, então satisfará o primeiro teste da força. Se, entretanto, essa inteligência for rígida: “Ninguém me consegue ensinar nada por eu já saber tudo quanto há a saber,” ou fingir: “Sim, eu preciso de aprender coisas, mas não o faço muito.”

Se essa inteligência assentar em notas de colégio ou nas classificações que obtivestes ou na fraternidade ou irmandade em que participaram no colégio, ou no liceu, uma licenciatura em administração de Harvard; se se basear nisso por que tiverem passado há cinco ou dez anos atrás, ou vinte, ou mesmo trinta, então será rígida e estagnada, e essa inteligência – que representa um ativo – agora torna-se num passivo. Esse intelecto, que podia representar um ativo que traduzisse uma força, constitui um ativo que vale como um passivo. Para que um ativo possa representar uma força contributiva precisa ser flexível e precisa ser expansiva em vez de rígida ou contractiva ou estagnante.

O segundo critério essencial para que qualquer ativo se torne numa força é que precisa prover uma base para uma acção em curso ou actual, assim como um ímpeto para acção futura, ao contrário de uma desculpa para qualquer dessas. De novo, usemos uma força diferente, tal como a criatividade, que também representa um ativo. Se a vossa criatividade lhes fornecer uma base para a acção corrente: “Porque estou a fazer isto? 

Porque estou a fazer aquilo? Porque estou a formular esta escolha ou a tomar esta decisão? Ou a seguir esta atitude ou esta crença? Se for uma base, um alicerce que se deva à criatividade que tenho, que se deva ao ativo da qualidade criativa que tenho, essa será a fundação da acção, esse será o piso de que começarei a trilhá-la, o trampolim, a motivação,” o que quiserem chamar-lhe. “Mas o ativo da minha criatividade fornece-me o alicerce para a minha acção corrente. Mas também fornece um ímpeto para uma acção futura.

Olhamos para as esculturas de Henry Moore, cujo brilhante trabalho de escultura que foi aclamado bem cedo na sua vida, mas que ainda assim todos os dias ele continuou a ir ao estúdio; ele não precisava fazer isso por dinheiro, nem precisava de o fazer pelo reconhecimento; ele não era ganancioso nem autocentrado, nem era conduzido por nenhuma obsessão, não. A criatividade que tinha na área da escultura era o alicerce da sua acção diária, e o ímpeto para a acção futura. E por conseguinte, a sua criatividade representava um ativo que valia como uma força. 

Ao passo que qualquer um, que disponha de criatividade, mas que a utilize a título de desculpa para não agir e para qualquer ímpeto no sentido de uma acção futura, por ser, tal como é, tão criativo e tão sensível e tão brilhante, não ter que criar uma fundação para a presente acção, nem ser motivado em prole da acção futura, e poder permanecer quieto e usar esse ativo como uma desculpa para a inacção. Aí, o ativo da criatividade torna-se num passivo, e não numa força.  O terceiro critério que é essencial é que o ativo em questão precisa estar orientado no sentido da solução, utilizando consciência e acção, ao contrário de servir de substituto para a consciência e para a acção. Para dar um outro, a coragem pode constituir um ativo, certamente. Caso a minha coragem forneça ou constitua a fundação ou razão para solucionar problemas utilizo a coragem para encontrar soluções, para adoptar acção após me ter conscientizado, para funcionar em termos de consciência e de acção como uma orientação para a solução utilizando a coragem que tenho com esse propósito; aí tratar-se-á de um ativo que terá potencial para constituir uma força. Se, todavia, dispuser do ativo da coragem e o utilizar em substituição, não precisarei de considerar os meus receios, por ser corajoso; não precisarei de descobrir soluções para os problemas, por ser corajoso; nem precisarei de tratar da minha realidade, não precisarei de assumir acção nem de ter consciência de coisa nenhuma – por sou corajoso! Aí, esse ativo tornar-se-á num passivo e não numa força, por não passar o teste da orientação para a solução ao invés de no sentido da substituição.


E por fim, e em quarto lugar, o teste efectivamente crítico – será esse ativo dinâmico ou estático? Um ativo dinâmico requererá e de seguida exigir-vos-á que vos torneis mais daquilo que sois, que vos alongueis, que atinjais e que cresçais no sentido de vos tornardes mais naquilo que sois e no que podeis ser. Um ativo estático simplesmente promoverá o vosso ego negativo e o vosso passado, levando-vos a concentrar-vos naquele que tendes sido. E à semelhança do ativo inicial estático, os ativos similarmente rígidos e estagnados dependem do passado, “do prémio que obtive há anos, da medalha que ganhei faz bom tempo, e por conseguinte apenas promove o ego e o reviver do passado ao querer ir à reunião de classe para viver nesse mundo uma vez mais, enquanto desejais poder voltar a ser estudante de segundo ano ou um membro da categoria superior do colégio de novo, ou ter aquele último Verão prolongado antes de crescerem e de se tornarem responsáveis. E se dependerem disso, um ativo estático focar-se-á no passado e no ego negativo, e um ativo dinâmico requererá e de seguida exigirá que vos alongueis àquele que são e àquele em quem poderão tornar-se, no futuro.


Uma força, consequentemente, constitui um ativo; ou seja, flexível e expansivo, ao invés de rígido e estagnado, que seja uma base para a acção corrente, um ímpeto para a acção futura, ao contrário de uma desculpa para qualquer delas, e constitui um ativo orientado para a solução, ao contrário de um ativo orientado para a substituição, e é dinâmico, ao contrário de estático. Isso é força! Tão simples e concisamente quanto poderá ser descrito. Um ativo que satisfaça esse critério torna-se numa força. Por isso, nem todos os ativos – o que importa muito perceber; podeis ter inúmeros ativos, mas se não satisfizerem esse critério, serão ativos já terão, ou que num período razoável de tempo se tornarão passivos, se tornarão poluídos, ou que simplesmente promovem a vossa necessidade de representar e de ser perfeitos. É isso que uma força representa. Que será que os impede de ser fortes? “Já entendi isso; já o percebi, tenho estes ativos, só preciso ter a certeza de que são flexíveis; só preciso ter a certeza de que conduzem à expansão; só preciso certificar-me de que constituem uma fundação para o ímpeto, e agora só preciso certificar-me de que orientam no sentido de uma solução e que são dinâmicos. Grande coisa, não? Já o entendi!” (Riso)



Mas algo os detém; algo os impede de fazer isso. Concordamos que seja suficientemente fácil, e assim que o limparem, que será que tereis no vosso caminho? Aí poderão fazer exactamente isso. Mas que é que se intromete no vosso caminho? A primeira coisa que se coloca no vosso caminho, que porventura constitui o maior obstáculo a ser forte é a arrogância. A arrogância da excepcionalidade, a arrogância da imponência. Iremos falar bastante sobre a excepcionalidade e sobre a imponência proximamente quando falarmos sobre as vozes interiores – quer se trate do vosso Eu Superior ou do vosso ego negativo, iremos tratar com algum profundidade da vossa excepcionalidade e da vossa imponência.

 Mas mesmo assim, a arrogância da excepcionalidade, a arrogância da imponência impedem-vos de ser fortes. Podem declamá-lo e ser eloquentes nas afirmações que fizerem acerca dos vossos ativos, e do domínio da força que têm, mas provenientes de um lugar especial ou imponente, isso não passa de palavras vãs – afortunadamente. Porque se não forem, serão passivos.

A excepcionalidade – por que razão sereis vós especiais? Por que razão não precisarão crescer como o indivíduo comum? A excepcionalidade tem duas faces, como a moeda. Um dos lados da excepcionalidade refere que são melhores; são mais espertos, mais céleres, mais ágeis, mais vulneráveis, mais isto e mais aquilo, mais sensíveis, mais criativos, seja o que for- são melhores, e por isso não precisais vergar-vos, nem lidar com o tratamento nem com programação alguma. Têm uma linha directa para Deus, entendem, e são melhores do que o resto dos plebeus que vos rodeiam. 

Claro que o outro lado da excepcionalidade passa pela inferioridade. Têm mais dificuldade em visualizar, precisam de uma atenção especial, precisam de um trato especial, é mais árduo para vós por terem tido uma infância terrível, passaram por maiores dificuldades no primeiro casamento do que qualquer outro relacionamento, foi impossível no trato mas sobreviveram. (Riso) Talvez não tenham, no entanto... São especiais; gozam de compensações especiais; não precisam limpar os bloqueios de que padecem, por terem mais dificuldade; não têm que tratar de programar, por... bom; por não sabermos o problema que tiveram que enfrentar. (Riso) Mas além disso, a técnica que funciona para todos não poderia funcionar no vosso caso. Vós precisais da vossa própria técnica. Força que se aplicasse a toda esta sala apinhada de gente – estão a brincar? Não, a minha tem que ser especial, exclusiva. Superiores, inferiores – são exclusivos! E essa excepcionalidade impede-os de ser fortes, mesmo caso saibam em que consiste essa força.

A imponência? Constitui o vosso esquema secreto: “Ai, como lhes vou mostrar; ai, como os vou obrigar a engolir as palavras; ai como lhes vou mostrar quem está no comando! Ai como lhes vou esfregar o nariz,” – seja no que for que esfregais os narizes. “Eles vão-se arrepender por não me terem tratado melhor; eu vou tornar-me perfeito e levar uma vida perfeita e ter um relacionamento perfeito, e um emprego perfeito e um rendimento perfeito e um par perfeito e uma casa perfeita e um corpo perfeito e uma saúde perfeita. Não, ainda não tenho, mas vou ter. Esperai para ver; agora riem-se mas esperai pelo reverso da medalha. Não o digo em alta voz para não levar nenhum murro na cara, está em marcha e a todo o vapor, o meu esquema de imponência.”