sábado, 20 de dezembro de 2014

“SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE”





“AS DIFERENÇAS EXISTENTES ENTRE HOMENS E MULHERES”

“A EMERGÊNCIA DA ENERGIA FEMININA”

“A MATRIZ DA FEMINILIDADE, DO PODER E DO SUCESSO QUE AS MULHERES POSSUEM”

Traduzido por Amadeu António


Pergunta: Embora possamos ser andróginos por essência, torna-se evidente que quando ocupamos um corpo escolhemos um de dois tipos – masculino ou feminino. Do ponto de vista do crescimento espiritual, de que forma ou até que ponto diferem as necessidades entre o homem e a mulher, ou existirão mesmo diferentes necessidades?


Resposta: É evidente que enquanto centelhas de consciência não existe sexo, não existe divisão. Mas em cada vida vós escolheis um padrão particular de energia em que devem concentrar-se. O objectivo óbvio, nesse sentido, reside em se tornarem num todo. Por conseguinte, ao iniciarem um caminho particular na vossa espiritualidade, cada vida representa o seu próprio segmento único do caminho. Assim, começam a partir de uma determinada óptica e de uma atitude particular, de um ângulo particular que não difere do homem nem da mulher. Mas existem diferenças em termos das necessidades de ambos.


No que toca à finalidade, todavia, quando um homem ou uma mulher alcançam o estado de totalidade, aí não existe diferença. Por isso, talvez se faça um desvio temporário através daquilo que define a masculinidade ou um desvio temporário através daquilo que representa a feminilidade para acabarem nesse estado de totalidade.


Que diferenças serão essas? Bom, a energia do homem e a energia da mulher não constituem propriamente divisões apropriadas, porque nem todos os homens são só masculinos nem todas as mulheres são somente femininas. Por isso, a divisão deveria ser traçada entre a energia masculina e a energia feminina. A maioria das mulheres enfatiza a energia feminina. A maioria dos homens enfatiza a energia masculina. Toda a gente tenta tornar-se ambas.


Para as mulheres, antes de mais, a espiritualidade tem que ver com aquilo que chamamos de Ordem do Sagrado (“ordem,” no sentido de configuração). Se tratarem da Ordem do Sagrado que se prende com a criação do ambiente, com a criação da atitude, com o campo de energia que criam ao envidarem um empenho espiritual, beneficiarão enormemente e agirão com leveza.

Ora bem; a que razão se deverá isso? Antes de mais, a energia feminina é muito mais adepta do estabelecimento de uma configuração, muito mais adepta da criação de um espaço que a forma virá a assumir, em que o conteúdo irá eclodir. Por isso, torna-se válido que uma mulher tenha uma diligência espiritual inicial – quer seja sozinha num processo meditativo ou por um empreendimento de grupo de mulheres que se congreguem numa partilha e num acto de amor e de crescimento, enquanto mulheres – pela criação de uma Ordem Sagrada, pela criação do ambiente que conduza à segurança e ao cultivo ou crescimento.


Os homens, por outro lado, não estabelecem tal ordem. Não é que não precisem; eles apenas não a criam. Eles invocam o seu lado feminino e confiam nas mulheres quanto à criação da Ordem Sagrada. Assim que o espaço é criado, precisam preencher responsavelmente esse espaço com um conteúdo esclarecedor.


O segundo ponto importante é que as mulheres precisam ter noção do poder que têm, e precisam abrir-se à descoberta do poder que reside no ser mulher – não o poder que lhes é concedido pelos homens, mas o poder inato que possuem por serem quem são. Os homens não necessitam ser despertados para isso da mesma forma, por já se acharem condicionados na crença de serem poderosos. Os homens precisam aprender no que consiste o poder.


As mulheres sabem intuitivamente que coisa é o poder. Por conseguinte, as mulheres precisam aceitar o poder. Os homens precisam aprender acerca do poder. As mulheres precisam criar a Ordem Sagrada. Os homens precisam criar o tempo e o espaço para os seus empreendimentos espirituais.


Em terceiro lugar, as mulheres precisam chegar a um sentido mais vasto da sua própria identidade. As mulheres precisam não só de aceitar o poder que têm, como também precisam encontrar e aceitar a sua identidade.


Uma pequena divagação: Há uns anos atrás era unicamente permitido às mulheres que fossem femininas, donas de casa. Toda a mulher deveria ser casada assim que atingisse os dezoito ou os dezanove, ou se frequentasse a faculdade, por volta dos vinte e um. Deveria começar a ter filhos por volta dos vinte e três ou vinte e quatro. Se algo corresse mal, bom, porventura lá pelo final dos vinte. Mas deveriam ter pelo menos dois ou três, talvez mesmo quatro filhos (dois rapazes e duas raparigas) e isso seria o que descreveria a mulher. Era o que os homens lhes davam permissão para fazer ou ser. Podia trabalhar durante a guerra, mas uma vez finda esta, “volta para casa.” Os homens regressaram a casa. “Dêem-lhes os trabalhos que sejam legitimamente e sinceramente seus, e que voltem para as suas cozinhas, que voltem para os seus lares.” Era assim que eram tratadas.


Mas as mulheres disseram: “Não, nós queremos outra coisa.” Mas, para quem foi que se voltaram? Voltaram-se para os homens e disseram: “Homens, dêem-nos os nossos direitos.”


Ora, isso é uma loucura. As mulheres voltaram-se para os homens e disseram: “Tudo bem, homens, vocês não são mais poderosos do que nós Não são vocês quem estabelece as leis aqui. Nós somos perfeitamente iguais a vós. O melhor é que nos concedam permissão para sermos iguais a vós.” Aí os homens disseram: “Ora, vamos pensar no assunto.” E as mulheres disseram: “E nós vamos brigar.” E queimaram os soutiens.


Depois os homens voltaram atrás e disseram. “Está bem, mulheres. Vamos-lhes conceder permissão para serem poderosas, mas o preço que devem pagar por isso é que precisam escolher: Ou se vão tornar femininas (e apresentar-se envolta em celofane com um martini ao regressarmos a casa) ou se vão tornar libertas (feministas), e por conseguinte, vestir-se como nós, agir como nós, pensar como nós – essa é a permissão que têm! Não poderão ser femininas e poderosas. Poderão ser femininas ou poderosas.” E a maioria delas concordou, e pensou ser livre.


Agora aquelas mulheres que fazem parte da Nova Consciência dizem: “Espera lá. Cometemos um enorme erro, há uns anos atrás. Jamais deveríamos ter pedido aos homens o nosso poder, por não constituir um direito deles, desde logo. Não tinha permissão a conceder-nos. Devíamos ter exigido de nós próprias o poder de volta. Lixamos tudo, mas tudo bem, sempre o podemos corrigir. 

Pedimos-lho, e eles concederam-nos permissão para ser feministas ou para sermos poderosas, e pensamos que isso significasse libertação. Mas agora sabemos que não. O que temos que a fazer é conceder a nós próprias permissão para sermos tanto poderosas quanto femininas.”


Ora bem, onde queremos chegar com isto é ao seguinte: as mulheres precisam voltar-se para as mulheres e não para os homens, em busca da sua identidade. Vocês têm uma frase bem triste: “caramba, ela é formidável! Ela pensa com um homem! Isso ainda é considerado um elogio quando deveria ser levado na conta de um insulto. Se um homem disser tal coisa a uma mulher, ela deveria bofeteá-lo por ser a coisa mais insultuosa que se diga a uma mulher.


Imaginem um comentário ao contrário. Vão junto de um homem que considerem poderoso, ou vão ter com um colega de trabalho e digam-lhe: “Tu és mesmo formidável; pensas tal e qual com uma mulher!” Que é que lhes aconteceria?


Riem nervosamente só de pensar. Pensar, agir, ser como uma mulher é considerado um insulto. Tristemente é considerado como um insulto mesmo quando estão a falar com uma mulher.

Dizer: “Caramba, és mesmo fantástica! Esta mulher pensa como uma mulher!” Tudo bem, agora já serve de cumprimento, por ser algo de que se possa orgulhar de ser. É o que queremos dizer com obter a identidade e o seu significado e poder de si próprias e umas das outras. Enquanto grupo espiritual, as mulheres precisam voltar-se para as outras mulheres para obterem o seu poder e a sua identidade, para aceitarem o poder inato que têm por direito próprio, para estabelecerem a Ordem Sagrada para aquilo que a espiritualidade realmente significa.


Os homens, por outro lado, precisam criar o tempo e o espaço, conforme dissemos. Precisam aprender o significado do poder. Os homens precisam voltar-se para a sua energia feminina. Não queremos dizer que se tornem covardes nem fracos; não estamos a dizer que se tornem catraios. De facto estamos a dizer que se tornem verdadeiros homens.


Os homens precisam voltar-se para a sua energia feminina a fim de descobrirem a identidade do que compreende a Deusa, do que a deidade feminina, esse aspecto feminino de Toda a Divindade significa. Precisam descobrir esse lado particular deles próprios a fim de obterem uma perspectiva de uma identidade que até agora sido afastada e negada e distorcida pela consciência das massas.


Sentimos uma enorme empatia pelas mulheres que se voltam para os homens em busca do poder que lhes pertence, e que se confinam a si mesmas. Assistimos a tantas mulheres brilhantes e bem-sucedidas que possuem tudo excepto um homem. Por isso, desconsideram o carro, os amigos, a casa, o dinheiro, a inteligência que possuem, a espiritualidade. Desconsideram tudo isso por não terem um homem. Sentimos uma enorme compaixão por essas mulheres ao longo de todo o espectro.


Mas também assistimos à situação de homens que foram maltratados pelo Inconsciente Colectivo, homens que se viram despojados da sua masculinidade, e que em vês dela ficaram com uma baforada de machismo. Os homens que se veem despojados dos sentimentos, entendem, homens a quem é dito que não devem sentir e que só podem sentir-se irados, e a quem é dada uma imagem robot de sucesso daquilo em que devem tornar-se – vemo-los a sofrer tal como as mulheres que sofrem. A saída disso para eles passa por se voltarem para energia feminina dentro deles e por dizer: “Não, não me vou deixar magoar pela consciência das massas. Não me vou despojar do que representa o verdadeiro poder e ficar em vez disso com uma cópia dele. Não me vou contentar com um machismo frívolo semelhante a um robô.”


Por isso, os homens precisam criar tempo e espaço e chegar a entender o que representa o poder, por uma primeira vez que seja. Precisam voltar-se para o seu lado feminino, voltar-se para a energia da Deusa a fim de clarificarem a própria identidade – não de descobrir a sus identidade. Precisam voltar-se para si próprios, mas para clarificarem a sua identidade. Precisam voltar-se para si próprios e para as mulheres. Os homens precisam voltar-se para os homens e para as mulheres – não só para as mulheres, nem somente para os homens – para descobrirem a sua perspectiva, a sua identidade, e para realizarem a sua espiritualidade.


Estas são as diferenças. Tomamos o caminho mais difícil? Ele equilibra-se. A maioria das mulheres surgiram com a ideia de querer tratar da opressão, e de que a forma garantida de o fazer passe por nascer na América. Uma das formas garantidas de lidar com a opressão é nascer mulher nos Estados Unidos. Nesse sentido, os homens terão vindo para lidar com o poder.


As mulheres vieram para lidar com a matriz do que chamamos de feminilidade, poder e êxito, a fim de tentarem instaurar o equilíbrio: “Eu consigo conciliar a feminilidade, o poder e o sucesso.” Os homens vieram para serem induzidos no erro e para se reorientarem de volta para o verdadeiro sentido da masculinidade, para o verdadeiro sentido do que quer dizer ser um homem.

Quando um homem é inconsciente, ou é um aborrecimento ou um fracote, completamente ineficaz, sentado sem fazer nada da sua vida, e constantemente em estado de exponenciação – “Um dia destes, um dia destes.” Quando um homem irrompe da consciência das massas e realmente descobre a masculinidade, descobre que não tem mal nenhum ser um homem, e que pode deixar de atacar as mulheres e começar a trabalhar com elas. Torna-se verdadeiramente capaz de abraçar uma mulher – não num abraço sexual -  mas compreendê-la enquanto pessoa real que é, como uma amiga, enquanto consciência. É uma coisa formosa aquilo que o homem real representa.


Do mesmo modo, quando uma mulher se livra da opressão e aceita o poder que é seu por natureza, obtém a identidade de mulher e se volta para dentro em busca daquela que realmente é, e concede permissão a si própria para ser um ser espiritual, então nasce uma verdadeira mulher, todo um vulto que é suficientemente poderoso para criar a própria realidade de uma forma terna e amorosa, e para amar a própria realidade de uma forma criativa.


Há por aqui e por ali bolhas de consciência, centelhas de consciência que constituem verdadeiros homens e verdadeiras mulheres, e quando cruzam com elas, elas representam coisa que se veja. Se se tornarem numa, tornam-se absolutamente fascinantes, credivelmente fascinantes na vossa espiritualidade e na relação que têm com o que representa o relacionamento que têm com Deus, com a Deusa, com o Todo, ou seja como for que chamem à Divindade.


Pergunta: Poderias comentar o facto de agora assistirmos a casos de mulheres que assumem o poder? Cada vez as vemos mais em lugares de liderança e em posições em que procedem a alterações e tomam decisões políticas importantes.


Resposta:  Bom, o que nos deixa fascinados é que, no que diz respeito a Setembro de 1987, as mulheres se tornaram na maioria da vossa população. Durante os próximos anos, com o número crescente de nascimentos do sexo feminino e toda a actividade ligada ao recenseamento, as mulheres continuem a representar a maioria da população. Achamos tal coisa fascinante, porque se poder inicialmente pensar e presumir que isso pudesse representar uma maior energia feminina, não é?


Não se deixem enganar pensando que por tal circunstância as mulheres tenham, ipso facto, qualquer monopólio sobre a energia feminina. o que aqui gostaríamos de sugerir é que elas são consciência, centelhas de consciência, conforme dizemos, que optaram por vir a esta vida física para efectivamente desenvolverem essa energia feminina de uma forma mais manifesta e para obterem acesso a uma aprendizagem acerca da sua energia feminina. Contudo, com o aumento da população feminina e com a assunção crescente de cargos de poder por parte das mulheres, gera-se uma maior percepção da energia feminina.


À medida que essas várias mulheres se abrem para com a sua própria energia feminina, à medida que deixam de imitar os homens e as suas ideias do que constituir um sucesso representa, certas mudanças interessantes poderão ocorrer. As mulheres poderão começar a criar a imagem do que representa um sucesso em vez de clonarem os homens.


O que actualmente acontece é que muitas mulheres se voltam para fora para o mundo e dizem: " Vou ser bem-sucedida," e assim aprendem a pensar como um homem, a agir com uma homem, a funcionar como um homem, e até a vestir-se como homens - quase. Usam o lenço amarrado com um laço em vez de um nó de gravata, (nó de Windsor) mas a maioria das mulheres tende a medir o sucesso que têm em termos do quanto se conseguem assemelhar a um homem "num mundo de homens."


Isso muito dificilmente representa uma ideia emancipadora. Talvez fosse mais sensato as mulheres começarem a procurar pensar como mulheres e a agir como mulheres e a vestir-se como mulheres - seja o que for que isso signifique para a mulher (que não se ajuste aos padrões de mais ninguém senão dela própria) - e a começar a criar imagens novas, padrões novos, energias novas do que signifique ser mulher.


Mais importante mesmo do que isso é estar em contacto com a energia feminina. Com a maioria da população a pertencer ao sexo feminino, e com a crescente ocupação de cargos de poder por parte das mulheres durante os próximos vinte anos, isso levará a um aumento da percepção da energia feminina.


Tanto homens como mulheres precisam parar e proceder a uma avaliação dessa e energia por ser a energia feminina que representa a energia criativa, que representa a energia que nutre e que acarinha, e por ser a energia feminina que cria o equilíbrio, e a energia que traz a percepção. As qualidades de criatividade, da educação, do equilíbrio e da percepção constituem as qualidades de que o vosso mundo mais precisará, durante os próximos vinte anos, para que Sonhem com soluções para os problemas que parecem onipresentes.


Pergunta: Então, estamos a criar os nossos próprios modelos novos.


Resposta: Esperamos que sim! Sim. Muitas mulheres encontram-se neste momento a batalhar com a circunstância particular a que chamamos de Matriz da Feminilidade, a qual basicamente possui três componentes: Um é o êxito. Outro é o poder. E o outro é a feminilidade.


Há muitos anos atrás foi-lhes dada permissão, enquanto mulheres, para serem femininas, entendem? É tudo. Não podiam ser poderosas. Não podiam ser bem-sucedidas. Tudo quanto tinham direito a ser era femininas, e é tudo.


Depois, o Movimento de Libertação da Mulher surgiu. Começou por várias etapas e foi frustrado, e teve início e foi frustrado uma vez mais. Mas quando começou a andar a sério, um grupo de mulheres, separadamente e em conjunto, saiu à rua e disse: “Olhai, queremos a emancipação. Queremos ser livres deste chauvinismo e deste domínio masculino.” A seguir voltaram-se para os homens e disseram: “Queremos a emancipação, está bem?” E os homens disseram: “Certamente; agora podem ser femininas ou poderosas, mas não ambas as coisas, e ainda não podem ser completamente bem-sucedidas.” E as mulheres saíram a pensar que tinham conquistado uma grande vitória. “Os homens concederam-nos permissão para ser femininas ou poderosas.”




Elas dividiram-se nesses dois grupos. Um dos grupos de mulheres basicamente disse: “O nosso papel é o de ser femininas, e devíamos tornar-nos completamente mulheres, completamente femininas.” As outras disseram: “Não, de certo modo isso representa ir contra a mulher que somos; de certo modo isso politicamente incorrecto. Queremos tornar-nos completamente poderosas e esquecer a feminilidade, esquecer aquelas qualidades que costumavam ser designadas por próprias da mulher. Sejamos simplesmente poderosas.” E dividiram-se em dois campos.


O que agora está a suceder é que cada vez mais mulheres como vós próprias, e em particular mulheres na faixa etária do vosso grupo, estão a perceber: “Espera lá. Não quero ter que escolher entre uma e outra coisa. Quero ser ambas as coisas. De facto, não só quero ser poderosa como quero ser feminina, e também quero ser bem-sucedida.”


O problema está em que não há muitos exemplos. Existe um certo número de modelos do que representa ser feminina, e existe um certo número de modelos do que representa ser poderosa – mas existem muito poucos modelos do que representa ser ambas as coisas. E depois ser bem-sucedida, para cúmulo disso? Isso está fora de questão!


Algumas mulheres no vosso mundo são bastante femininas, mas não são poderosas, e não são bem-sucedidas. Elas veem-se por completo como um apêndice dos maridos ou dos homens das suas vidas.


Outras encaram-se como completamente poderosas. Desistiram de relacionamentos ou de filhos e não têm vida de casa de que falar. Dizem, que isso não é importante; o que é importante é constituir uma força política, social, económica no mundo. Essas mulheres não são bem-sucedidas muito embora possuam poder.


A maioria das mulheres não é bem-sucedida. Possuem aquilo a que chamam de sucesso secundário. Podem obter acesso até determinado ponto, até certo nível. Mas na verdade não conseguem ser totalmente bem-sucedidas. Ah, podem obter uma promoção, podem tornar-se vice-presidentes, mas o que aqui sugerimos é que jamais chegam a presidente. Jamais chegam ao topo da escada, a menos que formem a própria empresa. Mesmo assim, o êxito que conseguirem será de segunda. A maioria das mulheres ainda sente, de uma forma bastante automática, que o sucesso a que têm direito é de segunda – e que um homem tenha direito a um sucesso de primeira.


As mulheres são os piões giratórios (fazem tudo ao mesmo tempo) do poder e da feminilidade. Muitas delas conseguem tornar-se poderosas durante um certo tempo, e pôr em perigo o amor e os relacionamentos que têm – o carinho e a sensibilidade que têm na vida – e assim desistir do poder a favor dessa docilidade e ternura, desse carinho. Contudo, agora as mulheres tentam equilibrar ambos esses dois factores. Tentam manter ambos os piões a girar. E agora pretendem acrescentar um terceiro pião, como quem diz, um terceiro pião para continuar a rodopiar, que é: “Não me vou contentar com um sucesso de segunda. Eu quero um sucesso de primeira.”

Este é um movimento Nova Era de energia, e muitas são as mulheres que têm isso por objectivo. Muitas são as mulheres que procuram não só equilibrar como também aumentar a esfera de influência que têm a fim de incluir o êxito de uma forma primária. É bastante excitante.


Pergunta: Alguma entidade superior descriminaria a sexualidade de uma pessoa?


Resposta: Claro que não. Infelizmente, o chauvinismo alastra de uma forma desenfreada com todos os mestres místicos que sentem que as mulheres sejam inferiores, e que se realmente forem evoluídas, irão reencarnar como homens, por os homens serem superiores - mais evoluídos – às mulheres. Na verdade são uma consciência. São uma centelha de luz, e optam por se tornar homens ou mulheres; escolhem a raça a que vão passar a pertencer, seja por que vantagem for.


Também escolhem uma preferência de ordem sexual. A questão está em que se encontram na vida para amar. Não importa quem. E nenhuma consciência altamente valorizada diria que a homossexualidade em si mesma seja errada.


A sexualidade pervertida, seja homossexual ou heterossexual pode prejudicar-lhes o crescimento. Poderá ser aconselhável que alterem os padrões, mas não as preferências. Muitos dos que optam pela homossexualidade escolhem desse modo para lidarem com a opressão, tal como acontece com muitas mulheres. Por isso, pode ser mais do que adequado; pode ser um instrumento muito valioso.


Pergunta: Embora a maioria dos grupos e dos mestres de metafísica digam que defendem a não condenação, há quem pareça criticar os homossexuais e as lésbicas ao afirmarem que aqueles que se entregam ao sexo numa relação com um par do mesmo sexo não possam alcançar a iluminação, não possam ser espirituais. A mensagem por vezes parece ser a de que a heterossexualidade constitua o caminho favorito do desenvolvimento espiritual. Que terás a dizer acerca da questão?


Resposta: Bom, antes de mais, afirmar que aquele a quem se ame – o sexo que prefiram – tenha qualquer impacto na espiritualidade pessoal, é absolutamente ridículo. É grosseiro. É inculto. As pessoas que pensam assim merecem a nossa compaixão, por efectivamente terem vedado tanto do próprio potencial que possuem. Não os condenamos como maus nem afirmamos que estejam errados. Sentimos compaixão por eles.


É realmente prejudicial publicar tal afirmação, por haver quem seja lésbica ou gay que acredite nisso. Isso percebemos nós constituir uma enorme tragédia neste campo da metafísica. Há quem se arvore em autoridade e promova tal fanatismo, tal ideia de intolerância limitada – ideia que simplesmente não pode ser verdade.


Antes de mais, assim que passam do plano físico, perdem o sexo a que pertencem. Passam para o “conceito” do sexo no plano astral. Sim, no Plano Astral as pessoas possuem corpos masculinos e femininos, mas perdem o gênero. Ficam pelo conceito que têm do gênero.


No Plano Causal, também existe o conceito de gênero, mas assim que alcançam o Plano Mental, até mesmo o conceito de gênero é de tal modo vago e tão limitado que mal se faz presente. Assim que passarem além dele, não existe qualquer gênero, de modo que como poderão afirmar que a homossexualidade – Lésbica ou Masculina – possa ser errada ou grave? Somente o mundo Inferior poderia afirmar tal coisa.


Em segundo lugar, Deus, a Deusa, o Todo olha-os como Centelhas de Consciência. Não se deixa impressionar pelo sexo a que pertencem, embora vocês o façam. Infelizmente, muitos de vós deixam-se impressionar. Quando vê duas luzes a fundir-se, isso é amor. Não vai debaixo dos cobertores verificar o sexo nem ver que equipamento têm. Reparem que não dissemos “têm, ou deixam de ter.” É muito chauvinismo sugerir que alguns tenham equipamento e outros não. Deus, a Deusa, o Todo não se importa com isso, e espiritualmente falando, vocês não deveriam importar-se, tampouco. Claro que vocês têm preferências, e deve, desfrutar de tais preferências.


Uma pessoa pode ser homossexual, homem ou mulher, e ser tão completamente evoluída quanto uma pessoa que opte por ser heterossexual.


Qual será a definição da homossexualidade? É a de representar uma preferência de carácter sexual. A heterossexualidade constitui igualmente uma preferência – não uma obrigação. Por conseguinte, uma pessoa, seja homossexual ou heterossexual, expressa uma preferência.

O que é importante nisso: Vocês amam? Se a resposta que derem for um “sim,” estarão a crescer espiritualmente. Se a resposta for um “não,”, não estão. Aquele que amarem nada terá que ver com isso. Por conseguinte, para as lésbicas ou os Gays que lerem isto, diríamos o seguinte: Sabemos que ouviram dizer que não podem evoluir, ou que não poderão ser tão evoluídos quanto os outros. Quando escutam um tipo de mensagem destas, usem-na como sinal de que o orador que avança tal coisa não deve ser levado seriamente em consideração relativamente a essa particular matéria, e talvez relativamente a qualquer outra matéria mesmo.


Pergunta: Maravilhosamente dito. Haverá muita gente a ler isto que se sentirá grata com o ponto de vista que defendes, e que agora conseguir aproximar-se mais do amor por elas próprias e por aquela parte delas que acreditavam nas inverdades relativas à preferência sexual.


Resposta: Nós queríamos partilhar isto por sabermos que por toda a metafísica tem sido sugerida por outras fontes a existência de uma potencial diferença entre os homossexuais e os heterossexuais. E agora com a Sida, há quem reivindique uma evolução espiritual e proceda a afirmações irresponsáveis acerca da Sida enquanto maneira que Deus usa para purgar, e que essa seja a maneira que Deus encontra de atacar os homossexuais. Com professores que defendem ser espirituais (e temos consciência de um que escreve uma coluna de jornal médico!), isso é manifestamente abusivo, e contribuir para um tipo de crítica dessas ao medo já existente, é totalmente injustificado.


Sentimo-nos mais do que satisfeitos por sermos sinceros e por o publicarmos aqui que não existe diferença alguma em termos de evolução entre os heterossexuais e os homossexuais. A Sida não representa o castigo que Deus dispense a ninguém. É uma mensagem que cada um – heterossexual ou homossexual – estende a si próprio. Nada tem que ver com condenação de ninguém, seja a que nível for. E nos níveis superiores não existe qualquer julgamento.

Muitos homossexuais sentem-se inferiorizados. Alguns actualmente passaram para a posição contrária, e sentem que de qualquer modo sejam superiores. A raiva e a mágoa que sentiam tornaram-se numa arrogância militante. Não. O que sugerimos é que não funciona assim. Eles não são inferiores nem superiores. As pessoas são pessoas. Centelhas de consciência, conforme são percebidas pelos níveis mais elevados. O corpo – quer seja bonito, destituído de atractivos, alto, baixo, gordo, esquelético, quer tenha uma preferência pelo mesmo sexo ou pelo oposto – isso faz tudo parte da ilusão. Importa somente para quantos tomem parte nessa ilusão.

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