terça-feira, 12 de agosto de 2014

FELICIDADE



Transcrito e Traduzido por Amadeu António


Esta noite vamos debruçar-nos sobre uma coisa bastante misteriosa, que é a felicidade. E é uma coisa misteriosa por outros tipos de sensações e emoções positivas e atitudes positivas muitas vezes se cristalizam num conceito chamado êxito ou num conceito chamado alegria ou amor; assim que os adquirem tendem a tornar-se auto sustentados, tendem a perpetuar-se lindamente; é claro que as pessoas os perdem e os abandonam e jogam-nos fora, completamente, mas sempre sabem que estão a fazer isso – caso prestem atenção a si mesmas.

Quando se sentem muito bem-sucedidos isso perpetua-se, e precisam activa e conscientemente dispor-se a desfazer o que quer que seja para que possa tornar-se de novo mal sucedido, e por vezes leva algum tempo até que o vosso sucesso se torne infrutífero – caso tentem tal coisa. E o mesmo se dá em relação à alegria, enquanto emoção e atitude, em relação às quais de facto as sentem e elas se sustentam e as coisas tendem a alimentar-se, e tendem a ser atraídos para isso, pois, para se poderem tornar infelizes precisarão realmente esforçar-se por isso, e precisam recordar como se sentir infelizes e carentes de alegria, e recordar esse tipo de coisas para o conseguirem. E de modo similar, em relação ao amor, que alguns de vós se queixam de simplesmente desaparecer, quando consideram com mais atenção poderão perceber os sinais e os indicadores do facto de estar a diminuir.

Além disso, cada um desses três tipos de conglomerados de sensação e sentimento e de atitude positiva, são algo que efectivamente - ao os buscarem e se voltarem no seu encalço - alguns de vocês jamais chegam a admitir que alguma vez os possuam, e com efeito há aqueles que dizem andar em busca e que sentem vontade de dizer que andam atrás delas, mas que nunca chegam realmente a encontrar sucesso, ou que jamais chegam a encontrar o júbilo, ou que jamais chegam a descobrir o amor, ainda que fossem capazes, com efeito, por se encontrar em toda a parte ao seu redor. 

Mas com a felicidade é muito diferente. A felicidade é algo que tende de facto a desaparecer sem que saibam para onde tenha ido, e que tende a desaparecer com muita rapidez. E é aquele tipo de coisa que se não sustentarem, ela evaporar-se-á à sua maneira. Na verdade terá atraído coisas boas e maravilhosas, terá atraído muitos dos outros componentes tal como o sucesso e a alegria e o amor, mas é, ao seu próprio jeito bastante interessante pelo facto de tender a evaporar-se.

Mas também é algo que todos vocês terão sentido, numa ou noutra altura. Vocês já se terão sentido todos felizes; e numa altura qualquer, desde a altura em que nasceram até agora, alguns de vocês conseguiram esquivar-se de uma forma óptima de uma forma muito bem-sucedida à felicidade, por certos períodos de tempo, e até mesmo vocês se deixaram apanhar, em certas ocasiões, pelo sentimento de alegria.

Mas depois misteriosamente desaparece. E um monte de razões para isso ficam simplesmente a dever-se ao facto de não compreenderem o fenómeno, porque se entendessem o fenómeno e aquilo que se passa convosco em torno da felicidade, e a seguir aplicassem umas técnicas simples, poderiam tê-la e sustentá-la e mantê-la. 

Entendam que, desde a altura em que são bastante pequenos, são quer encorajados ou advertidos para serem felizes. Mas ninguém chega realmente a dizer-vos como conseguir isso. E se ainda garotos, tiverem a coragem de perguntar, quando a mãe diz: “Oh, trata de ser feliz, vai fazer alguma coisa, sê feliz,” se tiverem a ousadia de perguntar: “Como é que consigo isso?” Frequentemente deparar-se-ão com uma multiplicidade de respostas, e muitas vezes serão confrontados com uma resposta: “Ora, vai mas é lá para fora brincar. Vai lá, sai daqui que eu estou ocupada.” Ou deparam-se com a resposta do mártir: “Porque me estás a fazer isto? Ainda me vais levar à sepultura. Não consegues ver que estou ocupada e que estou a tratar de coisas? Sai daqui, vá lá.” Ou então com respostas ameaçadoras: “Talvez seja melhor ires para o teu quarto!” (Riso) Ou então, e pior do que tudo o mais, confrontam-se com aquele silêncio e aquele olhar rígido, aquele olhar que os deixa entender que dispõem de trinta segundos, antes que o mundo conforme o conhecem chegue a um fim abrupto. (Riso)

Vejam bem, aqueles que se acham ligados à parentalidade concordam com a presunção (vaidade) das dificuldades da sua vida e comparam-na à assunção do conforto da criança, e retiram a conclusão de que as crianças sejam automaticamente felizes. Pois bem, não são nada!
Mas mesmo vocês agora, todos vocês que são adultos, tiram essa mesma conclusão; mesmo apesar de terem passado por isso, enquanto criança, sabem muito bem que não eram felizes. Mas agora, enquanto adultos, olham para o jogo da presunção de dificuldades, para toda a responsabilidade e para as contas por pagar e para toda a gente a atender e as tarefas a cumprir e para o facto de terem que se apressar para as cumprir, e terem que voltar costas; todas essas coisas, essas dificuldades que tantas vezes têm lugar na vossa vida, e depois olham para a criança e presumem que com todo o conforto de que gozam as crianças sejam automaticamente felizes.

E olham para os bebés, e eles mostram-se felizes – automaticamente felizes! Mas porquê? A maioria dos bebés, grande parte do tempo acha-se fora do corpo. (Riso) Há frequentemente algum mundo de fantasia dentro deles, talvez mesmo pré-encarnatório. Andam a voar por aí e a fazer um tipo qualquer de coisas maravilhosas, e a despender a maior parte do tempo em meditação. Mas entendam, quando esse bebé se torna numa criança e depois num adolescente, e a seguir num jovem adulto e num adulto, ele é progressivamente afastado da realidade dessas fantasias; é progressivamente afastada desse estado perpétuo de meditação. E está certo que precisem ser afastados por terem vindo a esta Terra e por se terem manifestado na forma física para aprender, para crescerem, e para se desenvolverem na experiência física, e por isso, não podem vir e permanecer num estado comatoso, pelo que é correcto que sejam afastados. Mas entendam, a felicidade automática do bebé precisa ser substituída pela felicidade cultivada.

Mas presume-se, de algum modo, que simplesmente por terem duas semanas e parecerem tão felizes e tão angélicos, de algum modo isso vá permanecer pelo resto das vossas vidas. E que tudo quanto é preciso que lhes digam seja para serem felizes. E vós fazeis isso. Além disso, mesmo quando olham para as crianças, olham para elas e dizem: “Bom, muitas parecem ser felizes, e se fosse eu, havia de ser feliz.” Por aquilo que fazem numa situação dessas ser pegar no vosso saber actual daquilo que compõe a vossa realidade e reduzir isso à condição daquele pequenino e depois misturar isso com a nostalgia selecionada que sentis em relação à vossa infância e depois dizer a vós próprios: “Se eu fosse ele, havia de ser feliz, pelo que ele deve ser, ou deveria ser feliz.” Mas esquecem que ele não possui o vosso saber. Tal como vós também não o possuíeis tampouco, à altura. Mas mitigam isso dizendo: “Caramba, se eu fosse catraio de novo... se eu tivesse sabido na altura o que sei agora...” Por pensarem de algum modo que assim poderiam ser completa e automaticamente felizes; esquecendo-se de que ele não possui esse saber, ele não sabe aquilo que agora sabem. E ninguém lho diz; só lhe dizem para ser feliz. 

E o pai ou mãe que se acham dentro da vossa cabeça dizem-lhes para serem felizes, mas sem lhes concederem esse saber, por de algum modo ser suposto que façam isso acontecer automaticamente. Reconhecidamente são agora capazes de suportar o estágio inicial do jardim-de-infância; não vamos discutir convosco tal coisa. (Riso) E são capazes de lidar com o facto de o vosso irmão lhes tirar o brinquedo favorito. E são capazes de tratar do facto do vosso amigo ou amiga ir ao cinema sem vós; mas sejam sinceros convosco próprios e digam quantos de vós ainda agora entram em pânico só de pensar que a mãe se possa sentir zangada convosco. Quantos? Quantos de vós ainda agora ficam abananados com o facto dos vossos pais se sentirem completamente desapontados com a forma como conduzem a vossa vida? Quão certos estão de poderem efectivamente encolher de volta à condição do bebé e ser felizes, se tantas vezes nem sequer conseguem recordar essa infância? Pensem nisso por um instante. 

Uma das mais comuns loções anestésicas que a criança utiliza é: “Quando eu crescer, vou ser feliz.” Por que é que pensam que a criança de quatro anos queira uma vez mais sentar-se no colo da mãe a tomar o biberão ou a sugar o peito? Por que é que pensam que a criança de quatro anos tenha vontade de se apressar e atingir os seis e os oito e os dez anos? Será por se sentir tão maravilhosamente feliz? E que dizer do adulto? Qual será uma das declarações que proferis de efeito mais anestésico? “Se eu fosse novamente criança...” Algo deve estar completamente errado com isso tudo! (Riso) Toda a gente presume que a felicidade seja automática e que tenha lugar na posição do outro; onde, por definição, não se situam!

“Quando me reformar, serei feliz; se eu voltasse a ser criança novamente, seria feliz.” É a mesma coisa que dizíeis aos quatro anos: “Se eu pudesse ser bebé, se pudesse ser uma pessoa crescida...” Situa-se sempre do outro lado. Então, a felicidade será automática. Não sabem como ser felizes, e ainda sentem medo de perguntar. Assemelha-se a certos tipos de palavras de quatro letras, sabem, cujo significado é suposto conhecerem mas que não conhecem, e que não se atrevem a perguntar para não se humilharem, pelo que fingem. Acontece o mesmo com a felicidade. Vocês ou fingem ser felizes, mas sentem-se ocos e vazios e sabem muito bem que não são felizes, ou então partem para a conclusão de que nunca haverão de ser felizes - agora, já; mas que sempre serão felizes - além (onde quer que isso seja que não é no presente). 

Falem com algumas pessoas velhas sobre o quão felizes serão por se encontrarem reformados e por estarem a murchar e à espera da morte: é um período de uma verdadeira alegria! (Riso) Mas entendam, quando são crianças, adolescentes, adultos, todas as forças paternalistas os aconselham no sentido de se posicionarem “além”: “Vai lá e brinca, vai fazer qualquer coisa”. E a sociedade diz-vos a mesma coisa: “Agora não são felizes, mas esperem até um dia qualquer se reformarem! Aos sessenta e cinco ou setenta anos de idade. Então, ireis sentir-vos felizes!” Mas nós sugeriríamos que aferissem isso; todo o mundo anda à procura dela num outro sítio qualquer, mas não na situação em que se encontra. 

Bom, mas isto está tudo certo e é bom e talvez seja interessante relativamente à felicidade, mas que será que isso tem que ver convosco?
Ora bem; tem tudo que ver convosco; entendam isso, por se encontrarem numa jornada espiritual. Todos vós que vos encontrais aqui, bem como todos aqueles que se encontram a ler estas palavras por meio destas páginas, todos vocês se encontram numa jornada espiritual consciente. Mas sabem que mais? Até mesmo aqueles que não se encontram conscientemente envolvidos, se encontram numa jornada espiritual. Apenas não têm consciência disso. Não entendem por que o mundo, no entender deles, está a ficar doido, e coisas bizarras e estranhas que não deveriam ocorrer estão a acontecer. Eles encontram-se numa jornada espiritual.

Mas aquilo que vai acontecer – o que já está a acontecer – é que, ao avançarem na busca do “espiritual” que empreendem, ao se libertarem da confrontação com o vosso próprio martírio, ao substituírem a motivação que sentem do medo e da ira pela motivação da gratidão, ao trabalharem conscientemente com a vossa mente subconsciente, acidentalmente irão ser felizes – exactamente aqui! E irão entrar em pânico. Já escutamos o clamor: “Não sei o que se passa de errado, mas sinto esta sensação indefinida no meu estômago, e este tipo de coisa na minha cabeça; poderei estar a sentir-me feliz? Jamais me ocorreu pensar nisso! (Riso) Esta sensação estranha inundou-me e eu não sei que fazer com ela; devo estar doente. Terei que ir a um médico ou seja o que for, para descobrir o que se passa comigo. Sinto-me tão arrebatado; sinto-me tão tonto, sinto-me sempre tão alegre, que algo deve estar errado.” É assim furtivamente que ela se lhes vai apresentar, é assim que ela os vai surpreender, e vós ides sentir-vos intimidados e fugir disso e tentar voltar àquelas situações infelizes com que estão familiarizados.

E aqueles que desconhecem estar numa jornada, vão dar por si quer a recuar mais para a sua infância, em busca de uma resposta por parte da panaceia, em busca daquela figura paternalista que finalmente lhes diga que tudo vai correr bem: “Aconchega-te simplesmente nos meus braços, “ quer se trate de uma figura paternalista com a de Deus ou a de um OVNI, ou a figura de um pai místico ou talvez a figura da mãe. E se não recuarem para essa infância irão recusar mudar o curso da acção e estagnar de uma forma obstinada na própria inércia. Por desconhecerem que a felicidade é um ingrediente essencial na vossa jornada espiritual; não é uma opção, não é uma escolha: “Bom, virei a ser feliz ou não; penso que vou ignorar isso e continuar a crescer de qualquer modo.” Chegarão a uma altura em que precisarão de confrontar isso, e precisarão saber como ser felizes, de modo a poderem efectivamente sustentar o crescimento e todos os sucessos que já tiverem dominado, e continuar.

Vejam bem, muitos de vocês aqui presentes estão a funcionar com base nesse problema particular, na vossa vida actual; um que jamais terão particularmente antecipado, que é o facto de estarem a criar sucesso com tanta rapidez – tanto pequenos sucessos como êxitos mais avultados – que não sabem o que fazer com eles: “Parece tão real! Parece tão bizarro; não consigo lidar com isso!” Precisam aprender a sentir-se felizes e como ser feliz, de modo a poderem digerir todos esses sucessos, e abrir espaço para mais: “Eu não sei se suportarei isso!” (Riso) Pois bem, não o conseguirão, se não se sentirem felizes. Mas haverão de o conseguir se o forem!
Vejam bem, na vossa caminhada espiritual, a felicidade constitui um ingrediente essencial. Precisam aprender – em particular aqueles de vós que tiverem escolhido conscientemente crescer; precisam desenvolver conscientemente a sua espiritualidade. Precisam aprender como ser feliz, e sabem que mais? Precisam aprender isso tão bem, que consigam manter a ressonância, por existirem muitos por aí que recusarão, e que nem sequer sabem o que seja suposto fazer. 

Têm a responsabilidade de ser felizes. Não pode ficar por menos. E para além de aprenderem como ser feliz e de o aprenderem de tal modo, que a despeito das tentativas que os outros empreendam no sentido de os puxarem para baixo, a despeito das insistências que os outros façam no sentido de lhes garantirem que aquilo que sentem não é verdadeiro, vocês serem capazes de a manter e serem capazes de manter essa ressonância de modo a que a ressonância deles eleve a vossa, e que passem assim a “ensinar” os outros pelo vosso exemplo, no sentido de serem felizes.

Mas para além disso, para além dessa aprendizagem, precisam abandonar todos os vossos programas, dissimulados ou não, que estão presentemente a usar para impedir a felicidade que efectivamente irão produzir, para impedir a felicidade que através da aprendizagem sobre a sua criação virão a colher. Vocês devem isso ao vosso planeta. Devem isso às pessoas e à humanidade que ocupa o planeta. É responsabilidade vossa colocar essas coisas de lado, agora. Não pode ficar por menos. Há um preço a pagar para ser espiritual, que é o de abrirem essa porta, atravessarem esse véu, e permanecerem lá, de modo que os outros, que nem sequer sonham com isso, possam começar a aprender e começar, talvez, a mover-se nessas mesmas direcções.

Quando se encontram a crescer de uma forma puramente metafísica, como percursores do vosso crescimento espiritual, como nas preliminares, então poderão faze-lo somente por vós, e de facto é essa a ênfase, é esse o aroma da metafísica: polir-se, limpar a vossa actuação, recompor-se de modo a poderem representar o melhor de vós próprios o melhor de que forem capazes. Mas depois precisam ir além disso, e só poderão tornar-se tão bons, tão preparados e tão limpos e tão recompostos, tão recolhidos, que precisarão avançar, e num certo sentido exporem-se a si mesmos como uma dádiva, a outra pessoa, ao mundo. Isso é tudo ao que se reduz a espiritualidade. Através do acto de irem além do acto de congregar o vosso próprio agir, para assumirem um certo nível de responsabilidade pelo planeta e por outras consciências em posição similar ou desigual.

Falamos sobre o papel que isso tem nos relacionamentos amorosos, e dissemos que a forma de amarem outra pessoa consiste em primeiro lugar em se amarem a vocês próprios, e em tornar-se no ser mais maravilhoso que possam possivelmente ser, para a seguir exporem o vosso próprio ser nos termos: “Esto é o presente de amor que te dou!” E na altura chegamos a reduzir isso à analogia da compra de um cálice de prata, como um presente, que antes de doarem, se asseguram de não se encontrar manchado, e de o limparem e de removerem todas as impressões digitais, todas as manchas, todas as dedadas, para a seguir o presentearem delicadamente como um belo presente, e não simplesmente: “Aqui tens um cálice, ele encontra-se um pouco sujo e mal-arranjado mas tenho a certeza de que conseguirás fazer alguma coisa dele.” (Riso) Não farão a dádiva correctamente. Pois bem, esse é o vosso lado metafísico – livrar-se de todas as manchas que têm, livrar-se de todas as dedadas do vosso passado, de todas as etiquetas e de todos os fiapos e poeiras e sujeira escondidos nas rugas e nas fendas da vossa consciência, para brilharem. 

Mas depois precisam de mais uma coisa: uma razão, e isso de modo a se exporem ao mundo, e assim ensinarem, e assim ajudarem, e assim irem ao encontro dos outros, porque à medida que a jornada prosseguir - para aqueles que nem sequer têm noção de se encontrarem numa jornada - eles irão necessitar da vossa ajuda. Não do vosso paternalismo; não do vosso paternalismo, por eles não serem crianças, mas precisam da vossa ajuda como uma fonte espiritual e de ressonância poderosa. Eles poderão nunca vir a creditar-lhes, mas vocês saberão estar a prover tal coisa.

É por isso que nos fins-de-semana desenvolvemos isso e desenvolvemos mais com o exacto propósito de os calibrar e afinar e de lhes limar as arestas após terem andado pelo mundo a macular-se, e de terem ficado cheios de dedadas, para deixarem essa sujeira e essas poeiras e esses fiapos, para saírem vez por outra e para mergulharem por completo e se purificarem disso tudo, de modo que uma vez mais possam representar aquele exemplo esterlino, por que os outros poderão ressoar com afinidade. E não é simplesmente uma questão de continuarem a fazer o mesmo uma e outra vez, mas uma questão de expansão, e de ir ao encontro, e de crescimento. E assim é que não permanecem simplesmente imóveis e mergulham de vez em quando nessa calibragem e nessa afinação, mas depois precisam manter a expansão e ir ao encontro do outro, e o passo seguinte de tal processo consiste em aprenderem a ser felizes e aprendê-lo de tal modo que sejam um farol, que sejam uma luz, uma fonte dessa felicidade para vós e para aqueles que os rodeiam e para os que rodeiam esses, etc., etc., etc.

E é por isso que é importante não só aprender como ser feliz, mas livrar-se do lixo, livrar-se da vossa pequena pauta de interesses, das vossas pequenas razões pessoais. Porquê? “Eu não o farei, mesmo que saiba como.” É vossa responsabilidade e realmente não podem ficar por menos.
Por conseguinte, que coisa será a felicidade e que é que envolve? Bem sabemos que já conhecem tudo sobre ela, pelo que não precisam humilhar-se dizendo: “Eu não sei o que fazer com ela, não sei como é nem o que é, nem como produzi-la.” E sabemos as notas que vão fazer em benefício de mais alguém; por isso não se aborreçam por que a pessoa junto de vós não vai dizer: “Ena, olha para ele, a tomar tirar aqueles apontamentos.” Por saberem que as estão a fazer para uma outra pessoa qualquer. (Riso) “Não pode comparecer,” ou seja qual for a desculpa que quiserem dar.

Não há realmente muito que as crianças lhes possam ensinar, sabem, nem: “Da boca dos bebés só sai sinceridade, sabedoria e verdade.” Muito raramente, mas seja como for... (Riso) Pensem bem nisso; quando tinham cinco ou seis anos, quão sinceros eram vocês? Quão brilhantes e perspicazes eram? Eram uns pequenos manipuladores, e têm perfeita consciência disso. (Riso) Mas, apesar das crianças não terem tanto a ensinar-lhes quanto possam preferir pensar, há certas coisas que podem aprender com elas, se preferirem, se as observarem. E gostaríamos de sugerir aqui que para poderem começar a entender o que a felicidade envolve, vamos considerar as crianças que são felizes e procurar apurar o denominador comum das características indicativas que apresentam disso.

A primeira coisa que notarão em relação a uma criança que seja feliz – não uma criança que esteja necessariamente apenas a divertir-se; existe uma diferença entre felicidade e o prazer. Há a presunção de que se eu gostar de fazer as coisas que gosto de fazer, eu seja automaticamente feliz, e apesar de terem testado essa presunção muitas vezes e de terem descoberto o quão é falsa, continuam a pô-la em prática, ou continuam a dizer a si mesmos: “Se eu apenas descobrir aquilo de que gosto de fazer, então saberei que sou feliz.” De modo que fazem o que lhes agrada, e como isso não os deixa felizes, em vez de o admitirem: “Talvez isto não funcione,” vocês sacodem a coisa e dizem:” Creio que não gosto de fazer isto.” Assim, não estamos a falar de observar a criança nem do que acontece com a criança quando ela se diverte, mas do que acontece com a criança quando se encontra feliz.

A primeiro indicador de que a criança se encontra feliz, é o de estar a ser criança. Não está a tentar parecer uma criancinha pequenina nem está a tentar em absoluto ser como a gente crescida, mas está apenas a ser a criança que é. Está a responder à realidade como uma criança. Não está a representar, nem a tentar agradar à mãe ou ao pai, ou à tia não sei das quantas; não está a procurar ser treinada, diminuída, inconveniente nem a fazer-se menina bonita, etc; só está a ser quem é – com cinco ou sete ou dez anos, ou seja com que idade for que tenha.

Um outro aspecto indicativo do que ocorre quando uma criança é feliz, é o facto de estar a funcionar no âmbito das próprias expectativas que tenha. Não diz a si mesma que deve fazer melhor, que deve fazer mais rápido, apenas faz o que faz no âmbito das limitações que tem. É claro que pode muito bem fazer planos para melhorar isso, mas não está à espera que isso ocorra no momento. Observam uma criança a andar de bicicleta – ela sente-se feliz. Não está a tentar andar mais rápido do que os outros, nem a ser mais habilidosa do que os outros, mas mesmo que faça algumas habilidades do tipo: “Olha mãe, sem mãos...” em resultado do que possam cair, não se condena nem diz ser desajeitada, incapaz e péssima e que nunca consegue fazer nada acertado, nem: “É tudo culpa da minha mãe.” Não faz nada disso, mas levanta-se de novo e volta a tentar, por funcionar no âmbito das limitações ou restrições que tem. Esperando conseguir melhorar mas não no momento.

Uma qualidade que observam quando as crianças se encontram felizes, sinceramente felizes, é que confiam em si mesmas, como fonte dessa diversão ou prazer ou da felicidade – embora possam não ter consciência disso – que sintam. Ah, com certeza que é divertido quando a mãe brinca convosco, e é divertido quando têm a avó por perto para lhes contar histórias, e divertem-se com isso, mas a verdadeira felicidade procede daquilo que: “Eu estou a fazer, enquanto brinco com a mãe ou a avó, ou com os amigos da casa do lado.” As crianças podem ir a um parque de diversões e divertir-se em grande. Mas a felicidade provém daquilo que ela faz, e não do que a roda gigante está a provocar: “Caramba,” se ela não se encontra na roda gigante; “Caramba,” se não está a imaginar que vai cair; “Caramba,” se ela não imagina que o cesto junto do dela se vai esbarrar com o dela e o quão divertido isso vai ser. É o que ela faz em si mesma que constitui a fonte da felicidade que sente. E ela sabe disso, e sente-o e é por isso que se sente feliz.

Em quarto lugar, de onde essa felicidade procede na criança, é do facto dela se encontrar em pleno crescimento enquanto está a faze-lo. Não tem o menor sentido de tempo nem de espaço nem da realidade aí presente, em absoluto. E vocês já observaram isso nas crianças, seja qual for a inclinação que tenham - quer estejam a colorir o seu livro de colorir ou a assistir à televisão ou a ler ou seja o que for que ela possa estar a fazer - que podem chamá-las pelo nome, irromper quarto adentro, que elas nem sequer dão pela vossa presença; não é por serem surdas, mas por não lhes estarem a prestar qualquer atenção a vocês, simplesmente. E nós gostaríamos de sugerir que com respeito a isso, elas se encontram de tal modo absortas no que estão a fazer, e têm uma tal proximidade com isso, uma tal união com isso, que o resto do mundo pura e simplesmente não existe, e é quando elas se encontram felizes. 

E elas podem divertir-se a colorir, mas se olharem para tudo o mais ao redor, não se sentirão felizes. Não se sentirão felizes.

Uma outra qualidade que opera quando a criança se sente verdadeiramente feliz, é que está a olhar para aquilo que está a fazer e a estender e a aplicar isso às outras coisas que podia fazer igualmente boas ou melhores. Sente-se orgulhosa dela própria, por construir os melhores castelos de areia que alguma vez conseguiu, e por ter conseguido criar aquelas pequenas ruas e por ter contado o melhor conto que alguma vez tenha conseguido e isso leva-a a sentir: “Que provavelmente posso fazer a minha cama melhor?” Não! Isso não, mas que provavelmente poderá também brincar a uma outra coisa melhor. Tem consciência de ser mais ela própria, tem porventura consciência de confiança, consciência de ser uma pessoa melhor, por causa disso.

Mas com respeito a isso, também se amarra justamente a isso e sente-se imensamente orgulhosa em relação àquilo que está a fazer; não conclui necessariamente: “Eu sou a melhor criança do mundo, mas consegui o meu melhor – porventura melhor do que quem quer que seja em todo o mundo – mas fiz o melhor.” De modo que nessa coisa, nessa actividade, nesse acontecimento funciona da melhor forma, pelo que se sente orgulhosa dela própria. E por fim, quando a criança se sente feliz, está mais do que disposta a mudar; quando a criança está porventura a desenhar e a brincar e a murmurar para si mesma sobre o significado de tudo isso, e vocês entram no seu aposento e dizem: “Vamos lá, tens que apanhar os teus craiões para que ninguém tropece e parta o pescoço se entrar e os calcar. Tens que apanhar isso tudo.” Quando a criança se sente feliz ela fá-lo-á. E depois irá a qualquer parte ou irá fazer uma outra coisa qualquer, por causa desse gosto da felicidade. 

Se estiver simplesmente a ser ociosa, é quando notarão o pontapear e os berros e as sacudidelas e todo o género de reacções como ir sentar-se a um canto como uma coruja por não poder colorir o livro no meio da sala de estar, etc. Quando a criança se sente verdadeiramente feliz é capaz de mudar de uma coisa para outra, (estala os dedos) sem perder pitada. E se observarem esses aspectos em particular, essas situações particulares, nas crianças que observam ou que conhecem talvez por serem vossas ou de alguém conhecido, verão que de facto essas qualidades se apresentam quando se sentem felizes. E quando tais qualidades não se acham presentes, podem divertir-se e sentir prazer no que estiverem a fazer, mas não se sentirão felizes.
Por isso, nessa medida, aqueles de vocês que são pais interrogar-se-ão se os seus filhos serão felizes. Observai-os! Mas não procurem apenas sorrisos, nem que estejam sossegados; elas tê-los-ão incomodado pelo menos durante uns quarenta e cinco minutos para agora deverem sentir-se felizes... Vós sabeis que vos sentis! 

Procurai essas qualidades. Estarão apenas a ser as crianças que são? Estarão envolvidas naquilo que estiverem a fazer sem expectativas nem apreensão quanto a castigos, caso não sejam melhores? Estarão a perceber e a envolver-se com elas próprias – mesmo que estejam acompanhadas por outros catraios – estarão a contar, a confiar no que estão a fazer – seja em meio ao que for que esteja a desenrolar-se – nessa felicidade? Estarão tão envolvidas, absortas, que nem sequer dão conta de entrarem no aposento ou nem percebem que as estejam a observar? Estarão a sentir-se melhores em relação a elas próprias, por causa disso - devido ao sentimento de orgulho que obtêm – estarão a sentir mais amor por si mesmas, por causa da qualidade do trabalho que estão a fazer? Estarão capazes de mudar de uma para outra coisa, sem sentirem interrupção (do gozo que sentem com o que fazem)? Nesse caso, sim, a vossa criança sentir-se-á feliz. E nós gostaríamos aqui de sugerir que podem ver isso nas outras crianças. É importante saber disso, não constitui toda a resposta, mas é importante saber por ser possível ser feliz em criança, entendem, e sugeriríamos que ocasionalmente elas conseguem sê-lo; ocasionalmente até mesmo vocês conseguiram sê-lo e podem pensar nisso uma ou outra vez - que são felizes em criança; não precisam dize-lo a ninguém, apenas têm conhecimento disso como uma informação secreta, por não quererem que ninguém pense que tenham sido felizes em criança. Santo Seus, não! Mantenham isso em segredo.

O que poderá ser aprendido da parte dos adolescentes acerca da felicidade – sugerimos ser muito pouco! (Riso) Porque, por altura em que atingem a adolescência, já terão aprendido que a felicidade se situava justamente “lá atrás” onde terão sido forçados a viver “lá mais para a frente”, onde terão que se situar qualquer dia. Existe muito pouca felicidade na adolescência; recordem a felicidade que tiveram. Olhem para os outros adolescentes ao redor e olhem para as notícias e prestem atenção ao que ocorre pelo mundo fora – existe muito pouca felicidade na adolescência, e se alguma houver - e ocasionalmente ocorre uma adolescência feliz – deve ter alguma coisa de seriamente errado. Assim, não há muito a aprender aí, pelo que saltemos essa parte. Em relação ao jovem adulto, de forma semelhante também não há muito que possamos obter dessa posição, por nessa situação se encontrar à beira da idade adulta e ser arrogante e adoptar a defensiva e por ser tão fechado quanto pode ser, de modo que devemos saltar essa fase também.

Assim, o que poderão agora aprender em adultos ao tomarem basicamente a informação procedente da criança que foram e colocando-a no domínio do adulto? E isso é o que poderão reunir de modo a saber o que a felicidade traduz. Ora, se pegarem no primeiro incidente de criança, em que a esse particular respeito foi capaz de ser a criança que era, isso traduzir-se-á na realidade do adulto como responsabilidade. Ser capaz de responder – faz parte justamente disso. Trata-se de uma definição intensamente tola, sabem - a de que a responsabilidade conste da capacidade de responder! Não é? (Riso) Mas o importante é o que pensam em relação a esse termo particular, o que ele circunscreve – “ser capaz de responder”. 

E o exemplo mais absurdo neste caso é o da vossa autoestrada, numa zona que percorrem a 100 Km por hora onde só podem transitar a 90 Km por hora, e em que conduzem junto à costa e vão a olhar a beleza da paisagem marítima e notam alguém lá que percebem estar a afogar-se. Não podem responder a uma situação dessas. Não há saídas, não há qualquer caminho que lá os conduza, a última saída ficou 6 km atrás, e serpenteava por entre a comunidade balnear, etc., o máximo que poderão fazer é buzinar, mas não têm a menor capacidade de resposta perante uma situação dessas. Ao passo que, se se encontrarem na praia e junto do vosso barco a motor ou seja o que for, e a uns meros seis metros de distância, e notarem alguém a afogar-se nas imediações, então serão capazes de responder - mas quer o façam ou não, pelo menos capazes serão de o fazer.

Pegando nesse caso, em termos de analogia, que felizmente raramente acontece convosco, conforme se encontram na vossa realidade actual, encarem isso como adultos; já não têm cinco anos nem são mais crianças. Por isso, o único sítio em que podem responder é a partir do adulto. Se regredirem na vossa mente e desempenharem o garoto não poderão responder à vossa realidade actual, em absoluto. Sempre poderão definir algumas respostas, mas ver-se-ão incapazes de dar resposta, e posicionar-se-ão como na autoestrada, e lá está o desafio, e não serão capazes de lhe chegar a partir da posição em que se encontrarem. Se ficarem pendurados na vossa adolescência e a projectar os pais e a projectar a paranoia e os medos que tiverem tido enquanto adolescentes, não poderão responder na vossa realidade.

A única forma por que poderão responder na vossa realidade, já que se trata de uma realidade de adulto, é na qualidade de adulto. É o único sítio, o único lugar, o único espaço que têm para poderem responder. Por isso, não importa o quanto se esforcem, enquanto catraios ou adolescentes, pela ideia ou pela atitude ou pela maturidade mental, jamais serão responsáveis. Por jamais poderem verdadeiramente ser capazes de responder. Isso é importante porque muitos permanecem pendurados em muitas outras posições na idade adulta, de tempos a tempos, (riso) e procurarem responder e se esforçarem seriamente por responder e se questionar por que não conseguem, e por que não funciona; acontece quer em termos de alguém que lhes pede para serem responsáveis por isto ou por aquilo, e o corrigem, como acontece no caso em que quebram um vaso ou deixam cair uma coisa qualquer e a estragam, pelo que passam a responder comprando uma nova, ou tratando de o limpar ou de o reparar ou de substituir o danificado; e fazem isso enquanto criança ou adolescente, por que tudo fica arranjado mas há algo que não está certo, há algo que permanece em falta, e não está tudo verdadeiramente arranjado, por não terem respondido numa realidade de adultos com base no adulto e terem regressado à táctica adaptativa que a vossa mãe lhes ensinou, com um simples obrigado, e caso tiverem quebrado algo, oferecer-se para o reparar ou para pagar pela perda ou seja o que for – boas maneiras com que poderão muito bem ir acampar, não é? (Mas só isso!)

E gostaríamos de sugerir que podem continuar assim, só que o que muitas vezes acontece nesse caso é que jamais chega a parecer estar certo e de forma similar sempre que estiverem a funcionar a partir da criança que foram, ou seja o que for que não tenha lugar na posição de adulto, não poderão ser responsáveis, muito embora possam fazer com que isso tenha bom aspecto; e muito embora tudo possa apresentar um aspecto consertado e um aspecto idêntico ao que tinha antes - por algo parecer estar em falta. De forma idêntica e muito mais importante, no vosso íntimo, quando se envolvem com o vosso crescimento e se envolvem no vosso desenvolvimento espiritual, se estiverem a proceder a partir da criança que foram e estiverem a proceder a partir do adolescente que foram, e estiverem a tentar assumir responsabilidade, falharão, sem que importe o quão de forma adaptativa isso apresente um bom aspecto. “Eu devia meditar. Muito bem. Eu vou meditar, e caramba se não vou conseguir meditações fantásticas! 

Mas a minha vida não está a mudar. Não compreendo. Disseste que se eu praticasse esta e aquela técnica as coisas me correriam na perfeição. E os outros conseguiram isso e resultou optimamente no caso deles, mas no meu não funciona. Porquê?” Talvez porque estejam a tentar funcionar numa realidade de adulto a partir da mentalidade da criança ou do adolescente, e assim não possam tornar-se responsáveis. Quer queiram quer não! Tão seriamente quanto pretendam ser responsáveis por isso, se o fizerem com base na criança ou no adolescente, temos pena mas não o conseguirão.

Assim, na vossa realidade, precisam reconhecer e por fim aceitar o facto inevitável de serem - vejam bem - um adulto. Por conseguinte precisam obter a mentalidade e acompanhar a vossa realidade, de modo a poderem responder, até mesmo para terem metade da oportunidade de responderem. E depois a outra face da coisa: Assim que dispuserem da capacidade de dar resposta, em termos de: “Refiro-me ao sujeito certo, à posição certa, como a realidade de um adulto – e eu sou um adulto!” Aí precisarão estar dispostos a responder. Ao se encontrarem no vosso barco a motor e ao assistirem a alguém a afogar-se, devem sentir-se dispostos a responder: “Oh, eu podia mas, e se ele me puxar para o fundo, etc.? E se eu o colher e o retalhar com a hélice? O melhor é eu ficar por aqui e pedir socorro - SOCORRO!” (Riso) 



Precisam, estar dispostos a responder. São adultos e vêm que meteram água aqui, e que ali se deram bem e foram bem-sucedidos, e que não foram, capazes de dar uma resposta, mas agora sê-lo-ão? E notem que mencionamos ambos – que tenham metido água e que se tenham saído bem, por a responsabilidade não consistir em estar à altura, voltar-se para cima, voltar-se para dentro, ser o bode expiatório, conforme é na adolescência, entendem? Não é isso. É responder com a disposição, saber que o fizeram, quer tenha sido estragar tudo, ou, muito importante para muitos de vós, ser responsáveis pelos êxitos. “Eu fiz isso! Eu criei isso!” 


“Não, não, não, simplesmente aconteceu! Simplesmente desceu dos céus; simplesmente caiu sobre mim. Não faço a menor ideia de quando, como, ou de onde. Eu não quero ser responsável por isso, porque aí posso ter que continuar. E posso ter que desistir de todas as agendas que tenho, de me queixar e de reclamar. E posso ter que vir a sentir-me feliz, e Deus me valha se sentir gratidão, e posso ter que antecipar uma boa vida, e poderei vivê-la naturalmente, em vez de fantasiar acerca dela. Por isso, prefiro acreditar que as bênçãos que me sobrevêm sejam de algum modo dádivas misteriosas provenientes de uma parte qualquer, e de que nada tenho em absoluto que ver com isso, do que aceitar o facto de eu ter criado isso, de eu ter estado disposto a ter isso desse jeito, razão porque terá sucedido assim.” 


Talvez tenha sido uma dádiva da parte do vosso Eu Superior, talvez tenha sido parte da dádiva cósmica oriunda de Deus, da Deusa, do Todo, mas vocês precisam permanecer abertos e dispostos a acolhê-la. E por conseguinte, terão produzido a oportunidade. E ser responsável pelos êxitos do mesmo modo que pelos fracassos, constitui uma parte vital e importante, e o primeiro componente – a felicidade. “Se eu não fizer isso, então não irei ser feliz. Não quero ser feliz. E se alguma felicidade por acidente me cair em cima, vou-me livrar rapidamente dela.”


Um segundo componente, na criança, é aquele componente de funcionar no quadro das limitações sem cair na expectativa de ser melhor, ou porventura de fazer melhor mais tarde, mas não agora. Quando falham, não têm vontade de se punir a elas próprias. Isso é chamado sinceridade, quando o traduzem para a idade adulta. Serem sinceros em relação a vocês próprios relativamente à situação em que se encontram. Serem capazes de admitir, quando caem do triciclo, que caíram. Que caíram mesmo. Que foram realmente vocês quem o fez. Não estavam a ser ordenados a isso por Deus, nem estavam a pagar uma dívida cármica de há três vidas passadas, e que não foi o ex nem a mãe ou o pai, mas que foram vocês. “Sim, eu caí! Eu tombei. Bang!” Tudo. (Riso) mas a esta altura não nos referimos tanto ao acto de guiar o triciclo, entendem?


Quando olham para a vossa realidade e veem onde cometeram erros no emprego ou cometeram erros no relacionamento, ou cometeram erros em algo que estavam a tratar, à semelhança do garoto que admite: “Sim, eu caí do meu triciclo,” e não olha ao redor a ver quem o terá derrubado, por saber que foi ele quem caiu, também vós sabeis que o fez. Serem sinceros convosco próprios na situação em que se encontrarem, sem as noções do “dever” e as sentenças de deverem ser melhores. Decerto que terão o desejo e a esperança de se tornarem melhores, e de aprenderem com isso de modo que na vez seguinte o fazerem melhor – a sinceridade. Uma sinceridade brutal para convosco próprios. Quando falharem, admitam-no. Vejam, isso não representa necessariamente… Entendam, é aí que o adolescente é que começa: “Eu fracassei, eu fracassei; letras garrafais nos jornais. Eu quero que todos saibam como falhei. Coluna pessoal. 

Caramba se isso não me vai mudar a realidade!” Não vai nada! O que irá mudar é aqui dentro – quando vocês percebem: “Eu falhei! Mas não preciso contar a ninguém; porque não quero! Contudo, preciso de o contar a mim próprio! E tenho que ser sincero quanto a isso.”

Muitas vezes em que conversamos com as pessoas, e as interrogamos quanto aos problemas que têm, precisamos deter-nos um pouco a decifrar antes de conseguirmos chegar à coisa. “Quererá isso dizer que foste despedido do emprego? Quererá isso dizer que meteste água nisso? (Riso) Quererá isso dizer que falhaste?” 


“Foi.”

“Ok, tudo bem.” 


Um preâmbulo de dez minutos que na verdade não seria necessário, mas seja como for, entendem, precisam ser sinceros convosco próprios. Já falamos muito acerca da sinceridade, não nos vamos demorar muito nisso aqui, mas é importante, um componente de uma importância vital na questão da felicidade. Porque se não souberem na situação em, que se encontram, para poderem ir daí para onde querem ir, não irão dispor de uma medida, não irão dispor de um termo de referência, de algo com que o comparar. Precisam dessa sinceridade, entendem? Isso significa não só a sinceridade do “Eu meti água,” mas de igual modo a sinceridade do “Eu fui bem-sucedido!” Eis aí, uma vez mais a questão: Há dois anos atrás, tinham que malhar com a ideia do “Eu preciso admitir que fracassei.” Agora alguns de vós vão precisar malhar com o facto de terem obtido êxito, e não o querem admitir. “Ah não, na verdade não.”


“Tu tiveste um dia estupendo.”


“Não, não digas isso.” (Riso)

“Mas tudo correu tão bem…”


“Mas podia ter corrido melhor!” (Riso) “Não vamos contar os ovos no cú da galinha. Não vamos ter tanta confiança nos êxitos. Não vamos ser sinceros acerca do facto de nos termos saído bem, cinco ou seis dias seguidos. Eu não quero fazer isso. É demasiada responsabilidade; e provavelmente dissipar-se-á.”


A verdade é que querem ficar nas velhas posições devido ao conforto, mas muitos de vocês precisam começar a ser sinceros em relação aos vossos êxitos. E adoptar uma responsabilidade sincera pelo facto de o terem conseguido. O que nos conduz ao terceiro componente, que na criança representa, fiar-se nela e ter noção disso, que no adulto se traduz pela confiança. “Eu confio,” constitui um termo infeliz, por ser usado e abusado, e fazer parte do jargão de toda a gente. E à medida que os chavões dos diversos grupos de cultivo se desenvolveram ao longo dos anos, na consequência do que perderam o significado holístico que tinham – holístico, outro termo que agora se emprega em tudo e mais alguma coisa, a ponto de se tornar árduo lidar com o facto de saberem se se encontram numa ou noutra coisa holística, não é? Por constituir um lugar-comum nos tempos que correm, e não ter qualquer sentido. E um outro termo que aqui sugerimos, que muitos de vós que o terão usado em diversas alturas conhecerão, não sabem o que isso significa isso de salvar a vossa vida, mas empregam-no a cada passo, por não fazer sentido nenhum, e agora constituir um chavão.


Pois bem, infelizmente a confiança tornou-se assim numa espécie de chavão, ao abusarem do termo: “Sabes qual é o teu problema? É não confiares em ti próprio.” É empregue em tudo quase como uma generalização, como algo que não compreendem, pelo que o que sugerimos é que, quando ouvimos isso… e estamos bem cientes de que, por exemplo, quando conversamos com alguns de vós acerca de bloqueios e chegamos a ponto de descobrir que padecem de bloqueios e que esses bloqueios os impedem de confiar em vós próprios, estamos cientes de ouvir suspiros… “É um daqueles fracotes,” etc. “Provavelmente não vai mais mencionar isso, só o jogou aqui.” Sugerimos que nesse âmbito a confiança, infelizmente aparte da qualidade de chavão que tem, constitui um dos aspectos vitais de maior importância, e conta tremendamente no vosso crescimento. 


Porque ao se aventurarem no vosso domínio espiritual que ainda permanece desconhecido para vós, quando dão um passo em falso, sem testar: “Será sólido, será sólido?” mas dão o passo, e descobrem que confiam no facto de ser, a confiança torna-se num problema totalmente novo. E o que sugerimos é que quando a criança se sente feliz, embora não disponha do jargão, está efectivamente a confiar em si mesma, e não está a depender da mamã para a levar a dar o salto na necessidade que tem de ser feliz. Ela está a ser feliz, por estar a confiar em si mesma. Quando de facto, põem isso na terminologia de adulto, isso significa que precisam desenvolver isso. Mas por constituir um slogan e por se ter tornado num chavão: “Está bem, eu vou fazer isso, eu vou confiar em mim.” Mas não sabem como consegui-lo. Na verdade sugerimos, sem entrarmos em detalhes muito elaborados, que é importante compreender umas quantas coisas breves aqui. 

Primeiro, que a confiança é algo que funciona a muitos níveis, e no sentido limitado que têm de vocês, possuem um ser físico e um ser emocional, e um ser intelectual, e um ser psíquico ou metafísico; e a partir disso, um ser espiritual. Pois bem, a confiança opera de uma forma similar, se começarem a confiar no vosso ser físico: “Que estará o meu corpo a fazer agora? As palmas das mãos estão a transpirar? Estou a ficar com um aperto na garganta? Estou com uma congestão de sinusite? O meu corpo estará a reagir de uma forma qualquer esquisita?” Não que isso seja factor quintessencial: “Ah, o meu corpo está a dizer…” o vosso corpo não diz coisa nenhuma. O vosso corpo adianta uma certa informação que vocês interpretam. Não é “O que o meu corpo está a dizer, o que o meu estômago está a dizer, o que a minha artrite está a dizer,” mas podem utilizar a informação que o vosso corpo lhes transmite como um componente da confiança.


Do mesmo modo, como se sentem? Não é sempre exacto: “Eu sinto-me irritada, por isso deve haver algo por que me deva sentir irritada.” Não necessariamente. “Sinto medo de ti, pelo que deves estar a fazer alguma coisa que me deixa com medo. Não consigo o que possa ser. Sinto que és uma pessoa desonesta pelo que deverás ser um mentiroso. Deves ser uma pessoa desonesta.” Mas não funciona assim. Mas é importante levar esses sentimentos em conta.

E de modo similar, com o intelecto. Quando falamos acerca irem além da lógica e de irem além das limitações da mente e dos processos do pensamento do hemisfério esquerdo, isso não quer dizer que devam andar a empregar isso a esmo; alguns de vós ficariam deliciados ao ouvir: “Ai que bom, não vou precisar mais pensar, para ser um ser espiritual.” O que sugerimos é que precisam pensar e muito mesmo, mas para utilizarem o vosso pensar de uma forma pertinente, numa perspectiva adequada. E por isso: “Que é que eu penso acerca disto?” E baseando um certo componente de confiança “Naquilo com que essa parte de mim contribui.”


E do mesmo modo, intuitivamente – o sexto sentido – psiquicamente, metafisicamente. “O que é que essa parte de mim contribui?” E pegar nessas quatro respostas, nesses quatro fragmentos de informação, e com base neles desenvolver um sentido de confiança. Usando-os. Confiando em que cada um desses componentes contribui com algo, e com base nisso tomar decisões, agir, prosseguir com o funcionamento que tiverem. A sinergia da confiança – reunir esses componentes. E num certo sentido, é aprenderem a fazer isso, e uma das formas e o aprenderem e compreendendo que essas partes de vós já estão em funcionamento. Não é que precisem aprender como levar o vosso corpo a comunicar-lhes algo, por ele lhes estar sempre a fornecer um contributo, informação. Só que não lhe prestam qualquer atenção. Vocês ignoram-no: “Oh, é só o meu corpo.”


E relativamente às vossas emoções, vocês estão constantemente a sentir. “Que é que estás a sentir neste exacto momento?” “Nada!” Isso é mentira! Vocês estão sempre a sentir. Estarão porventura a entorpecer-se e, relação a esse sentimento, de momento; estarão porventura a fingir não sentir, o mais provável é que não queiram dizer o que estão a sentir, ou então não estão a prestar atenção a tudo quanto têm vindo a sentir, mas o sentimento acha-se não obstante presente. Não é: “Agora preciso começar a ensinar as minhas emoções a sentir…” Elas já sabem! Precisam aprender a dar ouvidos.


E similarmente relativamente ao intelecto, vocês estão a pensar o tempo todo. Conforme dissemos num seminário destes, o vosso cérebro acha-se sempre a funcionar no futuro, está sempre a alongar-se na direcção do futuro, e falamos nisso de forma um tanto detalhada até irmos direitos ao ADN, que constitui a banda de comunicação existente em todas as células do vosso corpo, que transmite a toda a célula do vosso corpo como crescer e como corresponder a toda e qualquer outra célula do vosso corpo. E dissemos que essa fita de ADN, essa dupla hélice, constitui o futuro, por nela estar contido o aspecto que virão a ter quando tiverem oitenta anos de idade. Desde o instante em nascem, desde a altura em que são concebidos, e após terem sido concebidos, isso acha-se no ADN, quando o formula. Ele detém todo o vosso futuro. Por isso, ele não se volta para trás à procura nem persiste no passado, mas em vez disso, está sempre a avançar para o futuro, e desenvolve cada célula do vosso corpo, as quais por conseguinte estão similarmente sempre a olhar para o futuro. 


E o vosso cérebro no seu desenvolvimento desde o retículo até ao límbico e posteriormente até ao córtex, está constantemente a avançar para o futuro. Tudo em vós se acha impelido, motivado para esse futuro, excepto vocês, (riso) que estão a puxar para trás e a tentar deter isso, e a tentar regressar ao vosso passado, enquanto tentam fingir que lá tudo seja real. Estão sempre a pensar. O vosso cérebro está sempre a pensar no futuro. Precisam entrar no processo e pensar no passado. E precisam faze-lo de uma forma activa; precisam tomar a decisão, porque caso contrário, estarão sempre a pensar no futuro: “Para onde me dirijo? Quando é que isso vai acontecer? Quando é que vai ser?” Precisam carregar no travão, parar de pensar nisso, e como não podem simplesmente deixar de pensar, precisam pensar noutra coisa qualquer, e assim pensam acerca do passado. O vosso cérebro está sempre a raciocinar; não precisam ensiná-lo. Não precisam descobrir como pensar. Já sabem.


E intuitivamente? Como conseguirão ser intuitivos? Prestam atenção. Prestam atenção aos murmúrios. A vossa realidade está permanentemente a bombardeá-los com todo o tipo de discernimento intuitivo; não precisam aprender como, do zero; apenas precisam prestar atenção. Assim, a confiança reduz-se de facto a todo um sistema ou acção de escuta em relação ao que já esta a suceder. Por isso, é um equívoco sequer sugerir que não saibam como confiar em vocês próprios; apenas precisam aprender a ouvir melhor. Por já estarem a confiar em si mesmos, entendem? Alguns de vocês de uma forma muito ruim, mas já estão a confiar em si mesmos. Já estão, se olharem bem a coisa, a confiar no que o vosso corpo, o que as vossas emoções, no que o vosso intelecto, ou no que o vosso ser psíquico lhes está a dizer; já estão a contar com isso. Mal, mas estão a contar com isso. De uma forma errónea, mas estão a confinar nisso. Apenas precisam aprender a faze-lo melhor. Mas é essencial que façam isso, por necessitarem dessas porções de informação, para saírem para o domínio que estão a pisar, precisam disso; para poderem entrar na felicidade como uma função cultivada. Precisam dessa confiança.


O quarto componente é quando a criança se deixa envolver de tal modo que perde a noção do tempo e do espaço, que na idade adulta se converte em “intimidade.” Precisarão disso caso queiram ser felizes? (A rir) Bom, o melhor é que embalem isso também. (Riso) Haverá alguma coisa válida na vida que não envolva intimidade? Uma só que seja? Não! (Riso) Caso contrário revela-se de tal modo crítico que: “Eu tenho este problema, tenho medo da intimidade. Olha, é importante.” Sabem, se lhes disserem que têm um problema, e que vão perder a vista e que vão perder a audição, e perder a capacidade de três quartos dos vossos pulmões, haviam de prestar atenção. Já em relação à intimidade: “Ah isso, pois sim.”


Não vamos descrever demoradamente a intimidade, por termos falado bastante sobre isso no mesmo tópico relativamente tantas outras coisas que estão relacionadas, mas também não a podemos deixar de lado, por ser parte tão integrante da felicidade. Mas vós dizeis: “É isso, já o sabíamos, não é? Precisamos encontrar “aquele” homem antes de ser feliz. Precisamos encontrar “aquela” mulher antes de podermos ser felizes.” Não, isso refere um tipo de intimidade particular. Mas o que sugerimos é que não é o que a intimidade compreende. E recordamos-lhes que podem ter proximidade, ternura e privacidade, podem ter abertura ou vulnerabilidade, podem ter confiança, amor e carinho, podem arriscar a humilhação, e podem compreender e conhecer uma ideia, um conceito, algo que estejam a aprender, um trabalho, uma carreira, um outro ser humano, e também alguém de quem sejam amantes. Mas não é só alguém de quem são amantes. E é aí que muitos de vocês se enganam, por procurarem pela intimidade nisso, ir para a cama com alguém, ficar nus, fazer amor, ou seja o que for. “Isso é que é intimidade!” Pois bem, isso representa um tipo de intimidade, mas estão a deixar de fora a vasta maioria do que compreende, ao estreitarem o seu âmbito para verem somente isso. Surge-lhes uma ideia que podiam adoptar: “Nah! Não pode ser isso!” Um conceito; toda uma oportunidade de carreira, um amigo: “Nah! Não, não, não. Tem que ter que ver com aquela mulher ou homem. Tem que ver com um desses. É isso e apenas isso.”


Bom, sugerimos que em parte é aí que se dão mal; a outra parte, claro está, é que comporta muita responsabilidade, primordialmente a responsabilidade de se ser amado quando têm intimidade. O que significa, para o colocar em termos bem simples, ser mudado por essa fonte de intimidade. Se tiverem intimidade com uma ideia da espiritualidade, do cultivo e do desenvolvimento e a evolução e a iluminação da consciência, essa intimidade irá mudá-los, e isso envolve responsabilidade. Se tiverem intimidade com uma carreira, em que estejam completamente absorvidos até aos cabelos, essa carreira irá mudá-los, e se tiverem uma amiga de quem gostem afectuosamente, com quem tenham tido momentos de proximidade e de carinho e de privacidade, um relacionamento compreensivo e aberto, afectuoso, carinhoso, amoroso, terno, em que se disponham a arriscar a humilhação, essa relação irá mudá-los.


E, se estiverem apaixonados por alguém na qualidade de amantes, e também tiverem essa intimidade sexual assim como uma intimidade emocional, vocês irão ser mudados por ela. E por recearem a responsabilidade de serem mudados por ela, receiam ser amados, consequentemente receiam a intimidade. E com esse receio, temem a felicidade. Por conseguinte a felicidade torna-se numa ameaça. E é por isso que quando os apanham de surpresa, e acordam uma bela manhã e começam a sentir-se contentes, vocês entram em pânico. “Algo deve estar gravemente errado aqui. Eu sinto-me óptimo.”


A intimidade constitui o quarto componente, por isso é o mais difícil. E o mais importante, dessa maneira.



Assim, um destes dias, por mais que estrebuchem, vão ter que se aplicar a sério e tratar do medo que têm da intimidade, e tratar dela – dar-lhe a volta por aqui e por ali, tipo: “Deve haver uma maneira qualquer por que possa crescer sem ter que lidar com a intimidade, para além da autocomiseração e do martírio, por não ter nenhuma…” Eventualmente irão esbarrar com ela, e o melhor é que a aceitem e tratem dela.

O quinto componente, na criança, é se sente melhor em relação às outras coisas que virá a fazer por causa das coisas que faz agora, ou por outras palavras, sente-se orgulhosa dela própria. O que se traduz na idade adulta pela definição de escolhas de crescimento, ao contrário de escolhas com base no medo, e de terem consciência de não existir outra alternativa; ou procedem a escolhas de crescimento, ou procedem a escolhas com base no medo, não existem escolhas nulas nem sem efeito.

Assim, se olharem isso em termos de cada escolha, é muito fácil, muito fácil. Vocês tornam isso tão difícil: “Será esta uma escolha de medo ou de crescimento? Estará isto a levar-me para mais perto de mim próprio ou a afastar-me mais de mim próprio?” A última constitui uma escolha procedente do medo. Mas sabem, se adoptarem o hábito – bem sabemos que no passado têm tanta coisa que fazer, não é? Mas seja como for, sugerimos que adoptem o hábito de olhar de verdade as escolhas que fazem, ou pelo menos quando estão em vias de proceder a certas escolhas. E para também colocarem a vós próprios essa pergunta; para não fazerem sempre: “O que as outras pessoas querem? O que devo fazer? O que será correcto fazer aqui? Oh, meu Deus, oh, meu Deus, oh, meu Deus.” Para começarem a proceder a escolhas de crescimento, fazer assim ou assado. “Eu não sei, eu não sei.” Pensem bem nisso que vocês conseguem descobri-lo. Não é terrivelmente difícil. Mas parte do ser feliz passa pela definição de escolhas de crescimento com um certo nível de consistência.


A qualidade seguinte que na criança passa por sentir-se bem em relação a ela própria pelo que ela realiza traduz-se na vossa realidade de adultos como amor. Amor-próprio e depois amor pelos outros. Amar a si mesmos, sentir apreço por vós próprios, gostar de vós próprios, e sentir orgulho naquilo que realizam – não melhor que outros por causa daquilo que realizam - orgulhosos do que realizam nesse sentido do amor. Bastante essencial em relação à felicidade.


E por fim, aquilo que na criança diz que é capaz de passar de uma coisa para outra traduz-se na idade adulta pela vontade de mudar, disposição para se tornar numa pessoa diferente. Foram tão longe que simplesmente não conseguem virar uma nova página. “Não podem simplesmente mudar-me.” 


Certa vez isso constituiu uma verdade. Na época em que tentavam conseguir isso. Era verdade; não podiam. Porque não compreendiam por que eram da forma que eram. Não compreendiam o que estavam a tentar obter disso, não estavam atrás de nenhum tipo de compensações nem recompensas, nem agendas ocultas nem contractos secretos que estivessem a decorrer. Não estavam a lidar com a criança nem com o adolescente nem com o jovem adulto nem com um ego negativo. Não estavam a lidar com crenças e atitudes e coisas do género. Estavam unicamente a dizer: “Bom, eu fiz isso mal, prometo que jamais alguma vez o voltarei a fazer, a sério.” Sempre a fazer o mesmo, etc. “Não, agora é a sério. Nuca mais voltará a acontecer. A sério.” (Riso) De alguma forma isso não apresenta a profundidade de um crescimento metafísico inerente à análise da razão de fazerem o que estão a fazer e de o identificarem e o reconhecerem e se perdoarem por isso e mudar. E mudar – e mudar!


Pois é; alguns de vocês passam por isso só que tão devagar: “Tudo bem, finalmente hei-de identificar isso,” daí a dois anos ou isso. Enquanto negam, e desculpam tudo isso: “Está bem, por fim reconhecê-lo-ei,” mas enquanto o reconhecem outra coisa sucede, não é? “Não vou descobrir por que o fiz; não será suficiente dizer que eu seja terrivelmente mau? Ainda é preciso que reconheça porque estou a ser assim, e que sou eu quem o faz? Mas talvez eu vá assim longe, por fim, e de uma forma obstinada, sabem? Tudo bem, já que fiquei sem pé, eu identifico e reconheço, mas diabos me levem se me vou perdoar por isso. Vou-me divertir demais a prantear-me e a punir-me, mas nunca, jamais me vou perdoar, por ter simplesmente descoberto que nesta situação posso ter muito quem se preocupe comigo. Posso ter muita gente que me trate com (…) Posso conseguir que muita gente faça coisas que não conseguiria antes. Nesta situação posso fartar-me de manipular. Não vou desistir disso perdoando-me.”

Mas por fim vão a ponto de esgotarem as desculpas: “Está bem, está bem, eu perdoo-me, mas mudar? Ah! Não. Eu vou começar de novo.” Mas todas as quatro são importantes, entendem? Identificar, reconhecer, perdoar e mudar. 


Vira para uma página nova.”


“Eu pensava que não podia fazer isso.”


“Não, não podias, então. Mas agora dispões das ferramentas e tens consciência de que consegues virar uma página nova.”


“Não, eu não quero.” (Riso)


Mas essa é uma parte importante da felicidade; a disposição para mudar; para ser flexíveis. E esses são os sete componentes; é assim que perfazem a felicidade. E se fizerem essas coisas: “Ah, Deus, mais a recordar!” Não, não se torna mais a recordar. Já vão entender porquê num instante. Mas se fizerem todas essas coisas, permitir-se responder… Vejam como isso é nesse âmbito: “Já que sou um adulto, o melhor é que me porte como tal para que esteja pronto, para que seja capaz de dar resposta caso alguma coisa de bom ocorra.” (Riso) Vejam, é o mesmo que ir a conduzir e ver alguém a afogar-se, ou a deixar cair um pacote com um milhão de dólares pelo caminho: “Não posso chegar-lhes!” 


Pois consigam, consigam chegar-lhes em adultos, situação em que conseguem chegar a essas coisas. Só para o caso de algo de bom poder surgir. Ver a vós próprios como capazes de responder. “É um truque, não é?” Não, não é. Em particular para muitos de vós agora, que já afastaram um monte de porcaria da vossa vida. Não estamos a sugerir que voltem à posição que ocupavam quando começaram. Não. Vocês cresceram, sincera e legitimamente. E se sincera e legitimamente olharem para vós próprios irão ter que admitir isso, que agora são uma pessoa diferente do que eram há um ano ou há dois anos, ou há cinco anos atrás.


Está a chegar a próxima tarde de Domingo de 23 de Setembro, em que alguns de vocês voltarão, e em que fará exactamente cinco anos desde que em 1979 falamos acerca da Consciência da Califórnia. E muitos de vocês estiveram lá. E se se recordarem de vós lá sentados, e se pensarem em vós aqui agora sentados, terão que admitir que estão diferentes, e melhores por causa disso e mais felizes; abriram caminho por entre muito do vosso lixo e da fealdade. Por isso, assumir responsabilidade por Julho de 1984 não vai significar a mesma coisa que significou em Julho de 1979. Terão que admitir que todo o lixo e todo… mas também irá significar admitir todas as coisas boas, toda a maravilha e toda a limpeza, todo o crescimento que conseguiram. E precisam ser responsáveis por isso, para serem felizes.


Assim, se começarem a colocar-se numa situação em que podem responder e depois tiverem vontade de responder assim que lá estiverem, descobrirão que isso se abre, e do mesmo modo com a sinceridade. Uma vez mais, a sinceridade não vai ser a litania de tudo quanto esteja mal convosco. Irá ser parte disso, por se agarrarem a isso, a essa vida preciosa, mas se forem sinceros convosco próprios também irá ser coisas muito boas. E se confiarem em vocês. “Em que poderei confiar?” Escutando, escutando. Novamente, desenvolvam aquela que já têm. Algo novo? Algo precisará surgir de completamente novo? Então abram-se; tirem os antolhos dos olhos e os tampões dos ouvidos, escutem e vejam. Usem os vossos sentidos, que isso lhes dará ampla informação em que confiar.


Do mesmo modo, busquem a intimidade – não o relacionamento, mas a intimidade. Se quiserem um relacionamento poderão consegui-lo mais tarde, mas busquem a intimidade primeiro. Desenvolvam isso. E busquem as escolhas de crescimento; prestem-lhes atenção. Mesmo após o facto: “Terá sido uma escolha de crescimento?” Pode ser muito, muito útil. E o amor – nunca o esqueçam! Em última análise não poderá ser negligenciado, por ser Tudo Quanto Existe que tem qualquer realidade. Até certo ponto o amor constitui um sentimento, mas depois torna-se numa atitude, e a seguir torna-se numa realidade. Assim, não é só uma coisa: “Eu sinto amor, e isto é tudo quanto existe.” Não! São diferentes aspectos do amor, diferentes qualidades que tem. 

Permitam-se abrir a isso, para sentirem esse amor. E se olharem a coisa através dos componentes do amor próprio de que falamos, verão os vários componentes como a consciência de si: “Eu exerço impacto; bom mau, indiferente, eu exerço impacto.” O valor próprio: “Eu sou digno.” Não como algo que preciso desenvolver nem como algo que preciso tornar-me. “Eu já tenho essa dignidade.” Do mesmo modo que a confiança, só precisam retirar os antolhos, e tirar os tampões dos ouvidos para perceber o que já é. E a autoestima. E depois em relação ao amor-próprio, conforme é chamado, por base. “A confiança em mim próprio, a fé coroada com a humildade, mais coragem e esperança. É o respeito por mim próprio, o que emocionalmente significa respeitar-me.


Na verdade não se poderão respeitar a partir das coisas que fazem, mas podem respeitar-se a partir das coisas que sentem. É por isso que as pessoas tentam: “Eu vou obter respeito próprio e vou fazer isto e aquilo, e fazer, fazer, fazer.” E nunca chegam a senti-lo, para além porventura de um instante: “Agora vou sentir respeito próprio,” mas esvai-se de novo rapidamente, por o respeito próprio lidar com as vossas emoções. Passa por respeitarem o facto de as terem e pelo facto de as honrarem ao deixarem que sejam expressadas. E não prendê-las num sítio qualquer, mas permitir-se ter uma emoção sincera. É assim que se respeitam. É assim que quando as pessoas dizem que seja por respeito próprio, precisarão dizer que é por respeito pelas emoções que sentem que precisam dizer o que dizem, que é quando é legítimo. E a partir disso, provém a auto realização: “Eu exerço impacto e posso dirigi-lo conscientemente.” Não só que exercem um impacto bom ou mau, mas que conseguem dirigi-lo conscientemente. “Eu posso determinar ter um impacto positivo a maior parte do tempo. Parte do tempo, a maior parte do tempo, o tempo todo.”


Isso conduz ao amor incondicional. Do amor-próprio ao amor incondicional. Precisam estar situados aí primeiro (no amor-próprio) mas ao passarem daqui para ali (amor incondicional) elevam os níveis da felicidade. Até que chegam aqui, mas nunca chegam a ter noção de se encontrarem lá, por se encontrarem tão ocupados a ser felizes e bem-sucedidos que jamais chegam a pensar: “Estarei eu a amar de uma forma incondicional?” Não querem saber, por estar a ocorrer o tempo todo. Preocupamo-nos é com aqueles que estão certos de estarem, por terem o suficiente para se assegurarem de o dizer a todo o mundo; para esses poderão não querer procura-lo assim tanto. Mas seja como for, nesse estado de amor, ir em frente e fazer isso, muito embora o tenham aprendido há imenso tempo. Continuar a trabalhar com esse amor, expandi-lo; nunca o esgotarão – jamais! Por Deus, a Deusa, o Todo constituir amor puro e se achar ainda em crescimento e em expansão, não sentado em qualquer parte a apontar-lhes o Seu polegar figurativo à espera que recuperem, mas está a correr em frente. 


É por isso que precisam “recuperar o atraso,” e trabalhar no âmbito disso para mudarem, e ver o quanto resistem a isso. Ainda que: “Eu sei tudo o que se passa. Já falei para a criança em mim, já tratei do adolescente em mim, já tratei disto e mais daquilo.” Mas porque não mudaste? “Não sei como faze-lo.” Já o fizeste! Se fizeste tudo quanto apontaste, já terás mudado. “Não! Ainda estou na mesma.” Apenas por que vos estais a manter assim; se o soltarem, serão diferentes. E também é desse modo com a felicidade, é essa mudança, essa vontade de mudar, deixar que essa mudança ocorra, após terem feito o vosso “trabalho de casa,” o que é muito importante. O que precisam aqui entender, ao reunirem isso tudo, é que a felicidade constitui uma atitude. Jamais está no que quer que seja. O único sítio em que se acha ao dispor é exactamente aqui, de modo que: “Ao envelhecer, ao fingir ser mais novo; ao abandonar este emprego para ir para outro, ou abandonar este emprego e voltar para aquele; ao descobrir o relacionamento ou ao sair de outro; ao avançar ou retroceder, percorram o caminho todo ao redor disso. O melhor sítio para esconderem algo é bem na frente dos olhos. Está oculto, está bem aqui. Não é amanhã, não é mais tarde, nem foi ontem, é exactamente agora! E assenta numa escolha! Assenta numa escolha e numa decisão – não numa causa e num efeito – numa escolha e numa decisão. E tem lugar exactamente aqui. 


Nesse aspecto é semelhante à criatividade. As pessoas presumem que têm que alcançar uma situação de criatividade, e que têm que passar por tudo o que envolve: tocar a música correcta, ter a altura apropriada do dia, ter isto e aquilo; usar as roupas apropriadas, fazer as meditações apropriadas para chegarem a uma situação de criatividade. E falam de se sentirem presas relativamente a ela, como se estivesse do outro lado da parede. Nunca a encontrarão até perceberem que se situa exactamente aqui. “Não tenho que ir a parte nenhuma, nem existe nada entre mim e a criatividade, para além da percepção que tenho dela.” O mesmo se dá em relação à felicidade – ela situa-se exactamente aqui; não há nada que tenham que fazer, não têm que ir a parte alguma, não existe preparo real nenhum de modo que a reduzam a certas coisas que tenham que fazer para se prepararem para se colocar nessa situação. Em última análise passa pela percepção de que nenhum preparo se faz necessário, que ela se situa exactamente aqui e agora, e que tudo quanto precisam fazer é decidir e abrir-se a ela.


E enquanto seres espirituais têm a responsabilidade de fazer isso; devem isso a vós próprios, enquanto consciência que são, devem-no à vossa consciência superior, devem isso ao planeta e não podem ficar por menos, do que ser completamente felizes, e em abrir-se a isso. Assim, por que não? Queremos que pensem nisso enquanto fazemos um intervalo, mas queremos que pensem porque é que não o fazem. Não porque o não conseguem, mas porque o não fazem. Alguns de vós felizes grande parte do tempo. Mas se fossem sinceros convosco próprios perceberão que podiam, ser mais felizes. Mas para aqueles que o são – e muitos de vós são-no – precisam considerar a razão por que não se permitem ser mais felizes, ou por que razão não se permitem ter essa felicidade de uma forma mais consistente. Mas aqueles que vós que se convencem de não ser felizes, precisam considerar a razão por que não o são: “Porque não me permito sê-lo? Não por que não consigo; porque não me permito sê-lo?”


Ora bem, parte da razão que têm deve-se porventura à falta de saber como, já que de facto em criança jamais lho ensinaram mas apenas lhes disseram para ser felizes, e na adolescência não esperarem que fossem felizes mas bons. E em adultos é suposto saberem automaticamente como consegui-lo, por fazer parte da idade adulta. Jamais o aprenderam, entendem? Jamais o chegaram a compreender nem a reunir as condições para tanto de forma a conseguirem resultados. “Tudo bem, mas por que não quero ser feliz?” É importante.


Assim, após o intervalo vamos considerar as razões por que não, e depois vamos ver como consegui-lo.


Assim, por que não se sentem felizes o tempo todo? Bom, vocês vêm, há várias razões, infelizmente, de modo que vamos dar atenção a algumas dessas razões principais. Encontrarão outras pequenas variações encastradas sob essas actividades particulares.


A primeira razão porque não se sentem felizes, embora a felicidade esteja ao vosso alcance e embora ocasionalmente a sintam, e se apressem a fazer com que desapareça como que por magia, deve-se ao facto de não quererem acreditar que dependa de uma atitude. Têm vontade de acreditar que seja uma situação (função), ou um espaço, ou um acontecimento, ou aquele “algo” exterior a vós. Em primeiro lugar, alguns de vós jamais pensaram na felicidade como uma atitude mas somente como um sentimento: “Eu sinto-me feliz, ou infeliz, por causa de alguma coisa que esteja a passar-se por aí. Tenho que ficar a pé até tarde, tenho que ir ao cinema, tenho que comprar um carro novo.” Seja o que for que os torne felizes, será o que empregarão como causa. Mas entendam, isso não é verdade; trata-se de uma forma de prazer, e gostaríamos aqui de sugerir que é a atitude em torno dele que constitui a felicidade e não a coisa em si mesma. Mas não querem acreditar nisso; querem pensar que venha de fora de vós, e que: “Se eu conseguisse aquela corrida, ou se conseguir aquele emprego, ou se ao menos conseguisse aquela soma de dinheiro, se ao menos eu pudesse obter aquele relacionamento, se ao menos eu pudesse obter aquele reconhecimento, ou escrever aquele livro, produzir aquele filme, conhecer aquela pessoa...” Todas essas coisas: “Se ao menos... aí poderia sentir-me feliz.”


Vocês queriam que fosse assim, por quererem que mais alguém lhes dê essa felicidade. Apesar de arriscarem o facto de alguém vo-la poder tirar! “Tudo bem, vou arriscar na possibilidade de alguém ma poder tirar, por usar o elogio ou bajular, por saber que consigo persuadir, ser conivente, manipular alguém no sentido de ma dar. Preferiria ter uma felicidade como coisa que alguém me dê do que como uma decisão que tome. Preferiria arriscar no facto de me poder ser tirada, do que saber que jamais ma poderão alguma vez tirar, por preferir usar a felicidade como uma manipulação, e como “melhor do que”, do que simplesmente senti-la ou conhecê-la, encontrar-me rodeado por ela.”


Na verdade trata-se de uma atitude, entendem? Vós dai-la a vós próprios e ninguém vo-la pode dar – o que desaponta muito boa gente. “Eu quero ganhá-la, merecê-la, obtê-la, quero persuadi-la seja de que modo for, quero ser recompensado com a felicidade...” Mas entendam, ninguém vo-la poderá dar. E consequentemente, ninguém vo-la poderá tirar! “Grande coisa!” Isso é de muito pouca importância, para alguns. Porque se não se dispuserem à felicidade dispor-se-ão à bajulação: “Olha o que eu ganhei! Olha o que obtive, ao passo que tu não! Eu quero ser aquela que é feliz, não o resto de vós. Se formos todos felizes isso não adiantará nada. Só eu!” Tudo associado a: “Não quero acreditar que se trate de uma atitude, não quero saber disso. Portanto, convenço-me de que se situe fora de mim, que tenha lugar ali ou acolá, naquilo; e vou em busca dela, através daquilo, enquanto me apoio no facto de algum dia a ter ganho e portanto obter o elogio. Entretanto vou jogando a minha vida fora, na persecução – na persecução - disso.”


A segunda razão porque não se permitem ser felizes, deve-se ao facto de usarem a esse pequeno jogo convosco próprios de que se a conseguirem sustentar: “Deus, sinto-me tão bem, sinto-me tão feliz que agora tenho medo; conseguirei mantê-la?” Mas trata-se de um simples jogo falso que representam convosco próprios, em relação ao qual nem sequer faz sentido questionar-vos da razão para pensarem nisso. Quando são criança, aprendem a caminhar, e assim que se tornam profícuos na “matéria”, não acordam pela manhã a questionar-se: “Ah Deus, ainda serei capaz de caminhar?” (Riso) Não fazem isso; simplesmente levantam-se e caminham, e tomam isso – não como uma presunção – mas esperam assumir isso com uma parte de vós. De facto alguns perdem essa capacidade, mas o que sugerimos é que quando a obtêm não duvidam nem se questionam se a irão perder. Sabem que conseguem caminhar; sabem que são capazes de o fazer, e o mesmo pode ocorrer em relação à felicidade. Mas preferem fingir: “Pergunto-me se a conseguirei manter!” Com um tipo qualquer de provação ou algum tipo de competição, como se fosse algo que finalmente tenham entendido, uma coisinha escorregadia qualquer, que vá escapar-se-lhes de novo, se não se prenderem a ela.


Bom; há igualmente uma parte disso que provém do facto de despenderem tanto tempo à espera disso, que quando acidentalmente acontece, provoca uma inundação, de modo que muitos de vocês experimentam a felicidade bastante por acaso, ao rasgarem aquela protecção que os separa dela, e acabam oprimidos com tal felicidade. “Acordei esta manhã e senti-me estupendo, e tudo me correu bem; aconteceu-me isto e mais isto e mais aquilo; andei por aqui e por acolá. Ah, mas não sei se aguento! Não sei se conseguirei suportar tanta felicidade dia após dia; é simplesmente demais para mim!” Bom, isso deve-se ao facto de estarem a adiá-la há tanto tempo que é como se tivessem construído uma barragem num belo regato que corre pela vossa vida. E vocês construíram essa barragem, que o bloqueou lá atrás, como um oceano por detrás dessa coisa, e se abrirem uma pequena rachadura nela, ela limparia tudo. “Ora, eu não consigo lidar com isso dia após dia.” Não precisam de o fazer! Deixem a corrente da felicidade passar durante alguns dias. E depois, quando voltar ao normal, terão simplesmente uma vida pacífica alegre e feliz, dia após dia. (Riso)


Mas o sucede é que abrem esse dique e por ele precipita-se toda esta corrente de felicidade e vocês voltam a fechá-lo de novo: “Céus, não consigo lidar com isto. Pode destruir tudo. Todas as pequenas teias complexas de intriga que criei ao longo da minha vida; todas as pequenas manipulações e todos os joguinhos que faço e todas as pequenas ciladas que preguei a todos os meus amigos, vai ser tudo varrido. Por isso preciso deter essa felicidade; não posso deixá-la ganhar assento. É uma ideia fantástica mas não a posso deixar assentar, por ser demasiado formidável. Todavia, se mais alguém a quiser perseguir e ma quiser dar, muito bem, aceitarei um pouco dela. Mas eu não vou abrir essas portas corrediças.”


Essa é a segunda razão. Mas muitos de quantos se encontram presentes fazem isso. Têm um dia fantástico em que tudo sucede como que por magia, tudo corre às mil maravilhas: “Tudo quanto faço e tudo quanto toco e todo o telefonema que faço, sucede maravilhosamente; é demais. Abranda um pouco, abranda um pouco.”


Bom, podem abrandar a felicidade; não a precisam eliminar. Não tem problema; podem dispor de uma felicidade em câmara lenta. Mas precisam sentir felicidade, deixá-la entrar; todavia o que fazem é deixá-la de fora, fechar-lhe as portas por completo. E em seguida sentir-se infelizes! “Pelo menos consigo suportar a infelicidade! Sempre sei o que se passa; sei como vai ser o telefonema seguinte, como vai correr a reunião da tarde, sei como isto vai correr, sei exactamente como vai acontecer. Ah, finjo não saber, mas eu sei. Porque quando me sinto triste, infeliz, eu sei exactamente o que vou produzir; isso não precisa de nenhuma habilidade psíquica. Ao passo que quando me sinto feliz, sei igualmente o que vou criar – felicidade – só não sei que forma irá adoptar sempre. Não sei exactamente de que modo essa felicidade vai surgir. Mas sei que se fará presente. Ao passo que a infelicidade, eu sei muitíssimo bem que vai aparecer – por ser estúpida e repetitiva, e por ter feito isso a minha vida toda.” Portanto, essa é a segunda razão, por se convencerem de que não conseguem lidar com ela, que a não conseguem sustentar.


A terceira razão por que não se sentirão felizes deve-se ao facto de se convencerem que se sentirem, as pessoas os usem e tirem partido de vós, e tentem manipulá-los. Mas por que diabo poderiam pensar na possibilidade de isso suceder? Devido a que, desde que têm vivido, ter sido exactamente o que fizeram sempre que encontraram alguém que era feliz. 


Pensem quando eram catraios pequenos: “Quem dera poder ficar a pé até tarde a ver o filme. A mãe está bem-disposta, de modo que aqui vou com isto. Vou tentar ver se consigo ir até ao arraial e ficar fora, em casa dos meus amigos.” Todas as coisas próprias de uma manipulação conivente que elaboram para escapar à mãe, que os faz sentir mais confiantes de conseguir quando ela se sente feliz. “A mãe está de mau humor; eeh, o melhor é nem perguntar se posso. Ela não me vai deixar passar a noite com fulano e beltrano. Aah!” 


E vocês dominam isso em catraios; sabiam quando tinham cinco anos e ambos conversavam: “Pensas que posso fazer isto?” “Eu não sei; preciso ver de que feição está a minha mãe. Se estiver alegre, provavelmente poderei sair de perto dela. Se não, nem pensar! Ela é má para valer quando se sente, oh, é terrível estar por perto.” Vós sabeis isso. Não sois uns anjinhos ingénuos que têm um bom relacionamento, e sabem que sim. Esqueceram isso. Agora, pensam que eram estas coisas pequenas e doces a quem acontecia tudo a torto e a direito. Esqueceram a vossa parte manipuladora. Esqueceram a parte de vós que calculava: “Olha, o pai está bem-disposto, creio que lhe vou cravar mais um dólar.” Ou a parte da compensação: “Olha como eles parecem estar tão contentes; a mãe e o pai estão maculados... Nhaac! Mas é altura de obter o que quero deles.” (Riso) 


Portanto sabem desde muito cedo: “Quando eu vejo alguém feliz, o melhor é ver o que posso obter dele, e rápido, porque ele não vai permanecer assim por muito tempo.” E quando são adolescentes, ah, não superam isso, mas reforçam-no mais ainda: “Olha, está de bom humor. Posso levar o carro esta noite? Posso sair com fulano de tal? Posso passar a noite fora? Posso ficar até...?” Ah, todas as coisas que procuram obter, mas que sabem que não deviam, que sabem ser suposto não fazer. Não vão e dizem: “Olha, eu sei que tenho que estar aqui por volta da meia-noite, mas trata-se de uma ocasião muito especial, razão por que queria ficar até tarde, e por que penso ser capaz de aguentar, etc.” Não vão por essa via, não tratam isso como um adulto, não tratam isso com essa franqueza até como um adolescente. Conspiram! Manipulam! Esperam até se sentirem felizes e aí atingem-nos. (Riso) Claro, completamente.


Olhem aqueles de vós que têm catraios. Dois ou três anos - que espertos! Eles sabem o que se passa, e observam-nos quando estão de bom humor e sorridentes, e a seguir que é que procuram? “Onde está o meu presente?” (Riso) “Vem brincar comigo, agora. Sentes-te feliz. Quero que venhas brincar comigo agora. E têm um outro bom exemplo disso, sabem, no caso que todos tiveram quando foram catraios, da avó favorita, que era sempre uma das duas. Geralmente, era a mãe da vossa mãe, por ser aquela que precisavam controlar, (riso) mas seja como for, por vezes é a mãe do vosso pai, mas a mãe não gosta necessariamente da sogra dela, pelo que isso não acontece tanto. Mas têm sempre uma avó favorita ou uma tia, alguém mais velho, etc., que se mostra sempre tão contente, tão contente...


Mas quando vêem isso, entendem, o que realmente vêem nisso é essa velha mulher – a avó - que geralmente foi obrigada a virar-se na vida pelo marido, de quem os netos agora tiram partido, por estar velha, e poder olhar por eles, poder emprestar dinheiro, poder fazer isto, poder fazer aquilo, de quem os netos – vocês! – se aproveitam, mas que é uma velhinha doce e feliz: “Bom, eu não quero ser feliz – se for isso que a felicidade significa.” E sentem que se forem felizes se irão aproveitar de vós desse jeito, tal como da avó, ou da mãe, ou do pai. Ou dos professores: “Ei, hoje está bem-disposto, podemos falar sobre o teste?” É sempre com base nisso, eles sentem-se bem-dispostos, contentes, razão para podermos manipulá-los, e depois dão a volta e dizem: “Não, eu vou ser feliz do jeito que sou! Por saber que toda a gente ao meu redor me andar a tentar manipular, por que eu o faria, no caso deles.”


Repararam para quem se voltavam quando brincavam às escondidas em catraios? Voltavam-se para o vosso pai. Assim, nessa medida, muitos de vocês recusam, e se acidentalmente se sentirem felizes, não deixam que ninguém o perceba. (Riso) Pensem nisso. Fizeram isso de uma maneira muito consciente; sentiram-se felizes, sentiram-se na maior, e subitamente: “Acalma-te, não o reveles!” Estão sozinhos e de repente entra alguém, e vós respirais fundo e dizeis: “Que é que queres?” (Riso) Porque é que fazem isso? Porque diabo? “Estou a preparar-me para sairmos os dois. Temos estado a ansiar pela viagem desta noite, ou desta semana, e por fim... E sinto-me de tal modo feliz a preparar-me e ela aparece e: Está bem, está bem. Bom, eu estou preparado. Caramba! Vamos lá, vamos lá, tu levas o carro...” E suspendem o sentimento: “Preciso portar-me como um adulto, e não como um garotinho. Além disso não quero que note que me sinto muito feliz, por poder começar a pedir-me favores.” Portanto, muitos de vocês entram nesse esquema, por terem podido fazer o mesmo, podiam fazer o mesmo e têm consciência disso. Por isso, essa é uma boa razão. Essa é uma boa razão. Do mesmo modo, muita gente – não toda a gente! – mas muita gente não deixa transparecer a felicidade. 


Uma outra razão por que não se permitem sentir felizes, apesar de saberem como o conseguir e de o sentirem de vez em quando, é que muitos de vocês não sentem as emoções. Como é que te sentes? “Sinto-me mais ou menos distante. Sinto-me mais ou menos deslocado. Sinto-me mais ou menos desligado.” O que não deixa transparecer coisa nenhuma! Nada disso constitui um sentimento. “Sinto que não gostas de mim.” Isso tampouco representa um sentimento. “Sinto que o mundo é maravilhoso.” Isso também não é um sentimento. “Sinto que acredito que vai resultar.” Isso também não é sentimento nenhum.


Muitos de vocês não se permitem sentir – não é só que se impedem de expressar os sentimentos, mas guardam e retêm os sentimentos – até mesmo os bons. “Eu sinto alegria, sinto amor, sinto-me tão... feliz.” Até têm dificuldade em pronunciar a palavra! (Riso) Mas não se permitem sentir, por diversas razões, por lhes terem ensinado a esconder as razões por que não o devem fazer, e por todas as razões que não conseguem descortinar por que não se permitem sentir. Mas o problema está em que o vosso cérebro o faz. O vosso cérebro processa sentimentos. A vossa mente processa essas coisas, e se não lhe derem uma oportunidade, ela vai faze-lo por conta própria. Se não sentirem nenhum sentimento a sério, o vosso cérebro e a vossa mente irão produzir sentimentos que se façam sentir, só que não serão reais, porque se fossem reais haveriam de os sentir. E se os não conseguirem sentir, não podem ser reais, e precisam ser um embuste. Portanto, que irá ser o que apresentam? Não será amor, nem felicidade - porque esses são sentimentos reais, emoções reais. Não, irão sentir os falsos: a vitimização, martírio, presunção, culpabilização – sempre que não sentirem os sentimentos reais. Por uma questão de força maior, o vosso cérebro e a vossa mente deverão colocar lá algo – os falsos. E começam a sentir-se mártires e vítimas.


A culpa é um outro excelente exemplo. Quando se sentirem na dúvida, sentem culpa. É uma emoção falsa, não é verdadeira, principalmente por não conter qualquer valor redentor. Todas as emoções reais possuem uma expressão positiva e uma negativa. Todas as emoções artificiais só possuem uma expressão negativa. A culpa não tem nada de positivo. “Ah, a culpa que sinto leva-me a fazer isto ou aquilo...” Não leva coisa nenhuma! Talvez a vossa consciência, o sentido do certo e do errado os impeça de roubar um banco quando estiverem sem dinheiro, etc. Mas isso não é culpa! Podem tentar convencer-se de que seja verdade mas não é. A culpa, do mesmo modo que a vitimização e o martírio, a retidão não têm qualquer valor redentor. São uma impostura, são sintéticos, material artificial criado para controlar, e por conseguinte isso é tudo destinado a suprimir, a controlar, a sacar-lhes qualquer poder que possam ter. Mas isso é coisa falsa, entendem, e o vosso cérebro precisará sentir tais sentimentos se não lhe derem mais o que sentir; se não lhe fornecerem qualquer combustível, tal como irá alimentar pensamentos negativos se não lhe derem quaisquer pensamentos positivos a pensar. Por o vosso cérebro, assim como a vossa mente estarem em constante operação, e se não os abastecerem com algo, eles irão fornecer-se a si mesmos com coisa nenhuma. E por as pessoas, muitos de vós, não sentirem, não terem sentimentos reais que lhes salvem a vida, não podem ser felizes – não serão felizes, porque aí poderão sentir; e Deus os livre disso; poderão sentir. E essa é a quarta razão, e uma das mais difíceis.


O que a seguir ocorre, em termos da razão porque não se permitem ser felizes, deve-se ao facto de gostarem que se preocupem convosco. Pensem quando eram catraios e quando recebiam atenção. Quando chegavam a casa e diziam: “Sabes que mais, mãe, passei uma tarde felicíssima, brinquei na areia e no baloiço e depois apareceu um rapaz das redondezas e passamos um bom bocado. Senti-me tão contente; tive uma tarde tão feliz.” Ou quando entram em casa como que a arrastar os pés e a vagar, e lhes perguntam se querem alguma coisa e respondem que um não de autocomiseração, e vão até ao quarto e se sentam, com um olho posto na porta, a contar os segundos até a mãe aparecer a perguntar se haverá algo de errado convosco. (Riso) É isso que vocês querem! “Estou preocupada contigo; pareces tão infeliz.” Essa é a parte mais suculenta. (Riso) Mas também aprendem isso em catraios; sabem como controlar, como tatear caminhando a arrastar os pés; conseguem isso muito bem; os adultos já não conseguem mais fazer isso, por poderem tropeçar e caírem, mas os catraios conseguem isso, entendem? Com o olho posto na porta. E parecem sentir-se infelizes, de forma a levá-los a dizer-lhes: “Com é que estás? Estás bem? Estou preocupada contigo.” Isso é amor. E amor é o mesmo que levá-los a sentir-se preocupados convosco. 


Alguns seguem essa via e fingem melancolia e carregam isso até à adolescência, e vocês veem-nos a fazer isso com treze, catorze, quinze anos, a adoptarem poses de infelicidade e de azedume, sem sorrirem em anos e sem se sentirem felizes e que conseguem que toda a gente se preocupe com eles, professores, etc. Mas vocês adoram isso! Adoram receber assim atenção. Esse é o amor. E depois entram na idade adulta, e fingem a mesma coisa nos relacionamentos que têm. Querem que o outro se preocupe convosco, para vos mostrar que vos ama. E depois têm filhos e fingem com eles, e eles fingem para vós e andam por aí assim, e isso prossegue geração após geração, gente infeliz. 


Alguns conseguem elevar um pouco a parada em metem-se em apuros, com uma rebeldia que os leva a quebrar a janela do vizinho, meter-se com os velhos indefesos na rua, empurrá-lo para o chão, etc., aproveitar-se de um catraio de dois anos, meter-se em apuros com a mãe, andar desajeitado pelas ruas a passar o tempo (riso); pequenas formas de dizer: “Mãe, preciso que me dês atenção e amor.” Andar à porrada com catraios mais velhos e depois pender para a delinquência e a esse tipo de coisa, por querer amor. Ouvem falar de incidentes desses: “Ah pois, é uma criança problemática que assassinou alguém num clamor por amor…” Sim, infelizmente é assim, e é grave, mas o que sugerimos é que não pensem que também se aplica por terem matado alguém ultimamente. (Riso) Mas vocês saem por aí, muitos de vocês roubam, talvez por não terem tido coragem suficiente para ultrapassar a lei na escola secundária, e agora andam às voltas à mesma a meter-se em apuros uns com os outros, a ferir os sentimentos uns dos outros e a zangar-se e a ameaçar e a brigar uns com os outros: “Presta atenção a mim! Eu preciso do teu amor. Quero ser fonte da tua preocupação; quero ser um perturbador na tua vida.”

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