sexta-feira, 29 de agosto de 2014

“ACERCA DA COMPREENSÃO E DA COMPAIXÃO”



Vocês podem tornar-se na luz que sempre buscaram, e que para sempre buscarão.

COMPREENSÃO

Consciência, compreensão, saber, os termos são comummente usados de forma indistinta, e muitas vezes como sinónimos. E certamente que numa conversa de circunstância não tem problema. Decerto que, para desenvolvermos uma compatibilidade e de seguida amadurecer essa compatibilidade de forma que se torne num relacionamento que tenha qualquer hipótese de aliança com a compreensão, não precisamos alterar o vocabulário, não precisamos mudar a língua materna. Não tem mal utilizar a consciência, a compreensão e o saber como sinónimos indistintos ou seja como for que queiram.

Mas torna-se importante que se permitam explorar a complexidade da compreensão, do compreender, se quisermos, explorar a forma como a consciência e o saber, apesar de serem usados de forma indistinta e como sinónimos, na verdade diferem da compreensão. Torna-se importante explorar, descobrir, penetrar na complexidade da compreensão, por ser além dessa complexidade, do outro lado dessa complexidade que encontrarão o mistério da compreensão.
E o mistério, como em qualquer mistério de natureza esotérica, existe poder e magia. Para além da complexidade, do outro lado da complexidade que caracteriza a compreensão – é aí que descobrirão o mistério e o poder e da magia da compreensão; É onde encontrarão a capacidade, não apenas de darem ouvidos às vozes da compreensão como dar-lhes ouvidos, e de reagirem, de responderem, e de agirem sobre essas vozes que mais fazem que escutar nesse estado, mas que na realidade escutam. É no extremo dessa complexidade que poderão tocar e ser tocados pela pungência e pela beleza e elegância da compreensão. É aí que descobrirão a mística, o mistério, da compreensão. E é aí que poderão suscitar de uma forma mais plena, mais rica e mais bela a magia da compreensão.

Descobrirão que esse perdão – algo que conhecem bem – e a compaixão desempenham um papel fulcral, uma função integrante.

Há um dito anónimo que reza o seguinte:
 “Para descobrirem a plena compreensão, precisarão perdoar totalmente; para tudo compreenderem, tudo precisam perdoar.”

O perdão e a compaixão desempenham um papel integral; a falta de perdão impede a compreensão de ser aquilo que pode ser. A compaixão é o factor de libertação que pode permitir que a compreensão conduza à mudança. Esses dois componentes, o perdão e a compaixão, são peças potenciais e importantes. Utilizem esses termos conforme quiserem, consciência, compreensão, saber, mas abordem e descubram a complexidade, por ser no outro lado, no extremo mais afastado que encontrarão o mistério, o poder, a magia; é onde descobrirão a acrimônia, a beleza e a elegância, a mística; é onde poderão descobrir não só a possibilidade de terem compreensão mas a faculdade de serem compreensivos para depois se tornarem por completo na compreensão.

Ter compreensão, usar da compreensão – que é tão importante e valioso para darem o passo seguinte além da complexidade e no sentido da mística, do mistério, do poder e da magia – com a pungência assim como beleza e elegância. Aí, sim, mais do que escutar as vozes, poderão dar ouvidos; e aí, mais do que ter compreensão podem ser uma pessoa compreensiva, podem tornar-se num ser espiritual plenamente compreensivo. Há tanto poder proveniente dessa mística e que procede do ser compreensivo mais do que ter compreensão – ser compreensivo.

Quando são compreensivos, quando isso faz parte da vossa natureza, parte daquele que são, de um ser humano compreensivo, não apenas nas funções nem nas alturas em que estejam a lidar com isso, mas quando vivem como um ser compreensivo – esse estado de espírito da compreensão abre-os a um mundo de possibilidade, a um vasto mundo de possibilidade, mundo de possibilidade em que não só lhes poderá despertar a imaginação, como também lhes poderá inspirar e uma conciliação, estimular um amor e grandiosos como não jamais tiveram.

Ser compreensivo aprofunda-lhes a empatia para além da vossa simpatia – ambas as quais têm um lugar; uma empatia que vai além da piedade e além da simpatia. Uma empatia dotada de desapego. Ser compreensivo pode aprofundar essa qualidade de empatia. E ao fazê-lo, pode igualmente despertar tanto o assombro como a elegância da renúncia, da renúncia destituída de submissão. Essa energia mística, essa energia incrivelmente misteriosa de ser capaz de renunciar sem se submeter. Nela existe um assombro, nela há uma elegância, e com o aprofundamento da empatia, com o desapego, também surge um despertar do assombro, um despertar dessa elegância da renúncia isenta de submissão. E com essa empatia aprofundada, com a capacidade de renúncia, mais plenamente poderão criar e manifestar e enriquecer a vida, criar e manifestar realização na vossa vida e forjar de uma forma mais completa novas aventuras que por sua vez criarão novos presentes.

Ser compreensivo, mais do que ter compreensão, percepção, perspectiva, perseverança – cada um desses aspectos poderá alcançar um nível elevado, cada um deles poderá abri-los a uma sabedoria mais amadurecida e mais vibrante. Para além disso, com essa energia de ser compreensivo viva em vós, poderão abraçar o conhecido com um saber que não depende da certeza, um saber que é aberto e fluído à mudança, ao crescimento, à expansão; sem terem que se apegar à certeza pela veracidade ou viabilidade. Poderão abranger o saber com um conhecimento que não depende da certeza que do mesmo modo pode deixá-los abertos aos trampolins da incerteza, da confusão e da dúvida.

Esse saber que não depende da certeza, também permite que colham a recompensa do desconhecido, desse desconhecido místico e inimaginavelmente poderoso. Do mesmo modo, quando trabalham, quando alcançam esse estado, movem-se ao encontro desse estado de serem compreensivos, e podem transformar as vossas crenças, de crenças que se agarram ao passado em crenças libertadoras e desobstrutivas, e em crenças que se alcançar estendem e agarram a um futuro que podem manifestar agora. Pensem nisso. Dispõem da mais profunda por entre as matérias-primas – a crença. A crença que tinge e produz atitudes, crenças e atitudes que por sua vez vão tingir a edificação – os vossos pensamentos, os vossos sentimentos e assim as vossas decisões. E de facto a segunda das vossas mais poderosas matérias-primas - a escolha.
As crenças que têm, por mais expansivas que sejam, são crenças edificadas com base no passado. São crenças que se apegam ao que passou e ao que é. E ser compreensivo pode permitir-lhes mudar e transformar essas crenças em crenças que não se agarram mais ao passado, em crenças que em vez disso se cheguem a compreender o futuro, o possível, o desconhecido.

Da mesma forma, ao serem compreensivos poderão transformar as vossas escolhas. A escolha – muitas vezes um reflexo do que passou, frequentemente limitada pelas percepções que têm, pela perspectiva que têm do que passou, pode da mesma forma ser transformada de modo a que não mais se prenda ao passado, mas que chegue a compreender o futuro.

Se transformarem as vossas escolhas o misterioso pode tornar-se místico. Ao serem compreensivos poderão ter uma esperança e uma visão transcendentes. Elas procedem de fora da complexidade, do outro lado, do outro lado da complexidade, através do mistério, da mística da compreensão. E ao serem compreensivos, mais do que tê-la, a vossa compaixão poderá reluzir e poderão trazer um maior animismo e um maior dinamismo à vossa bondade, verdade e beleza.

Animismo: Um sentido mais vincado de consciência; uma maior presença de espírito, uma maior presença da alma, na vossa bondade. Uma maior presença de alma e de espírito, uma maior expressão de consciência na vossa verdade, e da mesma forma, um maior animismo na beleza que os caracteriza.

Dinamismo: Aquela força que não depende da massa nem do volume; que não depende do tamanho nem do peso da vossa bondade, verdade e beleza. A própria força da vossa bondade, e a vossa verdade e beleza poderão brilhar quando são um ser que é compreensivo – não apenas que compreende isto ou aquilo, mas que é compreensivo.

A vossa compaixão poderá cintilar, e a vossa beleza, a vossa bondade, a vossa verdade pode tornar-se rica em animismo e em dinamismo. O poder e a beleza da compreensão é imenso, está para além da medida, mesmo para lá da tentativa de descrição, no entanto as pessoas resistem-lhe, as pessoas movem uma resistência à acção de escutar e não se permitem a menor oportunidade de ouvirem. Ah, toda a gente diz querer compreender. “Tu queres compreender?”
“Claro que sim!” Mas o que realmente querem dizer o mais das vezes é que querem reivindicar a compreensão como algo que já possuem. “Que queres dizer com isso de me perguntar se compreendo? Claro que compreendo. Eu compreendo sim, mas é claro!” Pretendem reivindicá-la, mais do que realmente chegar a tê-la, mais do que pô-la em acção. E decerto que ser compreensivo, “Que coisa será isso?”

A compreensão é encarada como um bem imóvel, como propriedade, algo que possuem: “Esta é a compreensão que tenho, a minha verdade; isto é meu, pertence-me, é propriedade minha, que habitualmente resolvo afastar e não partilhar.” Há tanta gente no vosso mundo que tenta impor a compreensão que tem, mas que não está disposta a partilhá-la. Podem testemunhar isso nos vossos programas de entrevistas e nos vossos noticiários e nos programas de Domingo, uns de um lado outros do outro que vêm “partilhar a compreensão que têm…” De modo nenhum! Eles vêm impô-la aos outros. E falam, falam, falam… “Permita-me…posso fazer uma pergunta?” Ninguém os escuta, ninguém os escuta! Mas lá vão eles ao programa seguinte, e ao seguinte, e por vezes confrontar-se com os mesmos adversários. Ninguém presta atenção, mas eles revelam todo o tipo de compreensão, não é? E querem impô-lo. Não estão dispostos a partilhá-lo Querem ser donos dela; como algo que precisam defender, proteger, como algo que precisam esconder e assegurar de modo que mais ninguém lhos tire. “Por ser uma propriedade! Por me pertencer! Por o usar para justificar a minha justiça, a minha retidão, o meu direito. Ou então para o impor nos outros, em vez de o partilhar.”

A maioria das pessoas no mundo, na realidade consensual preferiria impor a compreensão que tem do que sequer começar a integrar uma nova compreensão. As pessoas resistem: algumas de uma forma mais vigorosa que outras, evidentemente. Mas vós também opondes resistência. Bom, existe um sem número de razões e um sem número de expressões que essa resistência adopta, mas algumas das mais comuns formas de resistência à compreensão, a ter compreensão, procedem antes de mais através do medo:

Quarto formas de Medo:

Receio da Ignorância
Receio do Desconforto
Receio do Compromisso e da Vulnerabilidade
Receio do Significado e da Consequência

Receio de Parecer Ignorante: Receio de parecer fraco, menos de ser inferior, ou de serem vistos como tal aos olhos dos outros. Quando a questão é colocada a resposta é automática:

“Compreendes?”
“Compreendo, claro que sim!”
“Não fazes a menor ideia do que diabo estamos a falar…”
“Faço sim, é claro que faço! Estás a chamar-me estúpido, ou inferior? Claro que compreendo; não me venhas dizer que não compreendo.”
“Que é que compreendes?”
“Bom, sabes… o que acabaste de referir. Compreendo isso.”
Quer compreendam ou não…por não quererem passar por idiotas, por ignorantes, por inferiores, por fracos. A resposta que se impõe é: “Sim, eu compreendo,” quer efectivamente o façam ou não, e assim, por mais que compreendam, ainda existe uma resistência a uma nova forma de compreensão.

Ainda subsiste uma resistência a irem além de darem atenção às vozes, de escutarem essas vozes. Ainda os impede de irem além da complexidade, rumo à mística da compreensão – esse receio de parecerem estúpidos e ignorantes.
Bom, já no caso de outros, envolve um receio diferente.

Medo do Desconhecido: O receio do incómodo.
Quando referimos o erguer dos véus, mencionamos um véu em particular, o véu da importância. Um desses véus é o véu da confortabilidade. Assim, apresenta-se aqui uma forma de resistência à compreensão, um receio do incómodo ou do desconforto. E no vosso mundo, por entre a realidade consensual muito mais claramente do que entre vós, assim é, prevalece aquela sedução do conforto: gente que prefere sentir-se confortável com a infelicidade do que arriscar o desconforto da mudança. Mas entende-se, “Se eu tiver compreensão, se fizer por compreender, isso poderá sacudir ou abanar o barco em que me encontro, e eu não quero passar por tal desconforto. Prefiro agarrar-me ao conhecimento que tenho como certo, e à compreensão que tenho, e sentir-me confortável, do que correr o risco de cair no desconforto do desconhecido ou ariscar o incómodo da mudança. Mais predominante no consensual, mas ainda assim uma forma de resistência. Poderá não se equiparar à recusa de compreensão, mas tão só situar-se ao nível do movimento além da sua complexidade.

Receio do Compromisso e Receio da Vulnerabilidade - juntos. O receio do compromisso: “Se me revelar ao expressar a compreensão que tenho e o desejo de alcançar mais, abrindo-me com a humildade e a coragem que exige para me expandir, para alcançar mais, para incrementar a compreensão que tenho, revelarei os meus níveis de empenho, revelarei a posição em que me encontro, exporei as crenças e as opções que assumo, exporei as atitudes a as decisões que adopto.

O compromisso é demasiado revelador, e a vulnerabilidade parece demasiado assustadora. E de facto… “Quando mencionas dessas coisas nobres e sublimes que possam advir – um amor e uma conciliação grandiosas, uma empatia dotada de desapego, do assombro e da elegância da renúncia, de uma vida rica, de realização, de forjar novos futuros, de forjar uma realidade presente nova, de fazermos reluzir a compaixão, o animismo e o dinamismo do bem, da verdade e da beleza, da percepção, da perspectiva, da perseverança, de uma sabedoria amadurecida. Ah, meu amigo, essas coisas são demasiado sublimes, demasiado nobres. Para poder gozar delas teria que me comprometer com isso. E como poderia simplesmente afastar-me? Como poderia deixar de o fazer?” 

Isso assemelha-se ao crescimento.
“Eu quero crescer. Ou melhor, cresci, lá pelos anos oitenta e noventa; mas desisti de crescer no ano 2000; fui além do crescimento.” Como se poderá desistir disso? Como se poderá afastar desses componentes sublimes e nobres que o “Ser compreensivo” pode trazer? “Não. É um compromisso demasiado grande. Tornar-me-ia demasiado vulnerável, e assim ficaria sujeito a ataque da parte daqueles que pudessem sentir inveja ou ciúme. Não, prefiro passar despercebido, ou pelo menos destacar-me menos que isso.” 

O vosso medo do compromisso e da vulnerabilidade a produzir a resistência à compreensão.

A quarta forma de receio é o Receio do Significado, do Ter Valor. E receio das consequências do impacto do ser compreensivo e do ter compreensão.

Uma vez mais: “Que poderá a compreensão trazer? Um conhecimento que não depende da certeza? A graça do desconhecido? Crenças transformadas não mais ligadas ao passado? Uma escolha transformada? Nem sequer sei o que isso possa significar. Soa demasiado significativo, demasiado elevado, demasiado nobre. Uma esperança transcendente e uma visão transcendente? Uma esperança que me erga da…? Uma visão permita passar para novas dimensões e domínios da realidade? Ah, não. Eu sou demasiado insignificante; não tenho suficiente importância. As consequências de tal compreensão afeiçoam-se demasiado desconformes, demasiado grandiosas, demasiado difíceis para mim de lidar.”

Existem outras formas de resistência para além desse núcleo de temor, certamente, mas essas são as mais comuns. Para além dessas, as pessoas usam a compreensão como uma forma de manipulação e resistem-lhe, e decerto que resistem à possibilidade de serem compreensivas. Há quem use essa falta de compreensão; esses não temem ser inferiores, por usarem esse “menos que” como um jogo de poder na manipulação que exercem: “Mas…mas…mas… não compreendo. 

Deixa-me ver se conseguirei travar a evolução de toda a gente. Não compreendo. Posso fazer com que me prestem atenção, posso levá-los a gostar de mim, posso fazer com que me amem, se não revelar entendimento. Não sei como funciona o mundo, quererás mostrar-mo? Quererás elucidar-me? Quererás conduzir-me? Fá-lo-ás por mim? Mas… mas… não sei como encher a máquina de lavar a louça. Não sei como liga-la nem a secadeira; não sei como viver a minha vida, como ser feliz, como ser bem-sucedido. Poderias simplesmente explicar-mo de novo? Poderemos começar do início? Poderemos repetir tudo de novo?” O uso da falta de compreensão como uma forma de manipulação.

E no outro extremo do espectro: "Mas é claro que compreendo; eu compreendo tudo. Queres dar-te ao trabalho de vir junto de mim? Eu dir-te-ei. Disponho de toda a compreensão do mundo. Eu compreendo tudo. Tu, que nada compreendes, ou que dispões de muito pouca compreensão, tu precisas de mim. Eu dir-te-ei o que fazer. Eu conduzir-te-ei, eu controlar-te-ei - deves fazer isto e aquilo, etc." Controlo. "Porque eu disponho da compreensão, entendes e uso-a como permutam uso-a em troca de intimidade e de amor. Eu dou-te alguma compreensão e dar-me-ás amor e intimidade e afecto.

À pergunta: "Compreendes?" A resposta é não, ou sim, dependendo do lado da manipulação em que se encontrarem e nada terá que ver com o conteúdo. Aqueles que utilizam a compreensão - nem toda a gente o faz - como uma das formas de manipulação mais expressivas que fazem da compreensão, é: "Não me interessa ter compreensão, e decerto que não estou para ser compreensivo."

Para além disso, há outra forma de resistência - que é uma pura e verídica falta de conhecimento. "Não sei como compreender... como é que fazes isso? Simplesmente fazemo-lo, não é? Simplesmente compreendemos, ficamos por debaixo, seja o que for. Eu sei o que fazer Eu aprendo. Eu compreendo; que será... eu consegui um pouco fazendo e fazendo repetidamente, consegui-o remetendo-me aos apontamentos que fiz e seguindo os passos. Onde estará a dificuldade? Dar ouvidos às vozes da compreensão? Não sei qual sejam, nem sei o que isso seja.

 Simplesmente não sei! E por não saber, por não ter consciência disso, resisto, sinto-me inibido quanto a alcançá-la e abarcar compreensão. Sinto-me inibido para ir além do que uso no meu vernáculo enquanto consciência, saber e compreender. Descobrir a complexidade e ir além da complexidade? Falta-me o saber, falta-me a experiência, a perícia. Por isso, resisto."
Mesmo fora do contexto da exploração metafísica, ir para uma escola ou ir assistir a uma palestra, ou dar ouvidos a alguém num jantar festivo; "Vamos falar do que se está a passar no nosso mundo, falemos sobre as políticas proibidas e da religião. Vamos falar sobre..."
Mas, que foi que colheste disso, compreensão?

“Não sei. Compreendo que ele pensa isto e mais aquilo…”
Mas, que é que tu pensas?
“Bom, não estou certo.”
Que compreensão obtiveste?

"Nem sequer pensei nesses termos, eu estava simplesmente a tentar mostrar-me à altura da conversa e... ser um convidado ou um hospedeiro à altura e assim..."
Por falta de conhecimento: "Não sei como chegar a compreender de uma forma consciente, activa." Não é nada de que devam sentir vergonha; não é grave nem errado - é triste! Mas uma forma de resistência ainda assim, para alguns.

E finalmente, ser compreensivo, usar de compreensão... Uma vez mais, não é? Uma vez mais Tenho que ser aquele que compreende! Sempre eu! Uma vez mais, preciso entender isto e preciso entender aquilo, tenho que compreender porque isto... Tenho que compreender! Quando é que chegarei a ser compreendido? Quando é que os outros chegarão a ter que me compreender?"
Tu encontras-te nesta vida para compreenderes - não para seres compreendido. "Aaaarrrh!"
"Quererá isso dizer que tenho que passar a vida inteira sem ser compreendido? Quando é que mais alguém chegará a compreender-me?"

Tu estás nesta vida para compreenderes - não para seres compreendido. O que não quer dizer que não sejas compreendido. Se fores compreensivo, ironicamente chegarás de facto a ser melhor compreendido do que imaginas. Encontras-te nesta vida para compreenderes, e nessa medida serás compreendido, isso ocorrerá, será automático. Por conseguinte, não estás aqui para aser compreendido - estás aqui para seres compreensivo. Mas subsiste esse receio - ou crença:
"Se continuarmos a dar mostrar compreensão repetidamente; se o fizermos uma e outra vez...onde é que chegaremos? Quando virá a minha vez? Quando é que alguma vez virá alguém que me chegue a compreender a MIM? Tenho passado a vida a compreender todo Paulo, João e Alberto - a compreender, a compreender, a compreender... Estou farto disso, saturado. Quero ser compreendido Quero que me apareça alguém que mostre compreensão por mim - que tal compreensão por MIM? Quando é que chega a minha vez?

Claro que exageramos, para realçarmos a questão. Essa resistência em particular funciona de uma forma mais subtil, mas representa a energia: "Não quero ser compreensivo; não quero ter compreensão, não quero mostrar compreensão, e claro que nem devia querer. Porque se mostrar, quando é que obterei? Quando é que alguém mais chegará a compreender-me?"

Essas são as formas de resistência. Dependendo da intensidade que apresentem, para alguns poderão representar bloqueios, na realidade consensual, em que simplesmente não consigam dar ouvidos, não consigam escutar as vozes da compreensão. Decerto que não conseguem dar-lhes atenção, para além do ouvir. Desse modo concordaríamos que essas formas de resistência se tornam num embaraço, num impedimento, numa fonte de apreensão.

Que representarão elas para vós? O que sugerimos é que não os prendam, por terem trabalhado a percepção que têm a ponto de a conduzirem à compreensão, de uma forma bela, poderosa, maravilhosa. E obtiveram tanto saber, muito mais do que muitas vezes admitem acerca da natureza da vida humana, acerca de como funcionar, criar e manifestar a vossa realidade de uma maneira mais consciente, mais mágica. E estão a consegui-lo, e isso procedeu da consciência que obtiveram. A energia em formação (informação) que reuniram e colectado ao longo das semanas, dos anos, de décadas, ao longo dos minutos de tal reunião. Tomaram consciência, despertaram, e estão a explorar e a chegar, a dar, a receber e a ser. Acham-se presentes, muito mais do que por vezes admitirão, mas nem sempre tanto quanto poderiam, e por certo não tanto quanto chegarão a estar.

Portanto, vocês dispõem de muita consciência, mas não obtiveram unicamente consciência, não obtiveram unicamente energia em formação como chegaram a aplicá-la, utilizaram-na, reagiram, responderam, e a seguir agiram de novo - ou actuaram de novo. É isso que a compreensão subentende - ter e aplicar compreensão - e vós dispondes de muita compreensão que elevaram ainda mais além ao viver - viver aquilo em que actuam, aquilo a que respondem - e como tal, a um estado de saber.

Ser consciente, é ter consciência da energia em formação.
Compreender, é reagir, responder e actuar de novo com base nessa consciência.
Saber, consiste em viverem a compreensão que têm.

Assim, as resistências que apresentam não constituem mais bloqueios, nem comprometimento, mas estática, fricção, fontes de apreensão. E como perseguem a compreensão, como perseguem uma relação, uma afinidade que se torna num relacionamento dotado de compreensão; ao se desenvolverem e alcançarem uma maior compreensão, como se movem deste lado rumo ao outro lado ou para o terceiro lado da complexidade, da compreensão. Essas resistências que não mais são que fricção, não mais que apreensão, podem emergir e entravá-los, podem emergir e compromete-los. E provavelmente não se erguerão ao nível de os bloquear, mas podem compromete-los, impedi-los. O atrito pode aumentar. Por isso é importante não só ter noção do que pode ocorrer no outro lado da complexidade inerente ao saber, o que pode ocorrer quando mais do que escutar as vozes, as atendem e respondem.

Precisam ter consciência desses bloqueios, e proceder à escolha consciente de irem além deles. Quando penetram na arena em que buscam a compreensão:

 “Eu vou ver este livro, vou assistir a este documentário ou a este programa televisivo seja de que natureza for; vou a esta palestra, vou assistir a este seminário, ou conferência, seja o que for. Porque vou? Para ter o que fazer? Por não passar nada na TV? A televisão avariou. Ou vou a fim de chegar a compreender melhor? Para ouvir o que é dito e ouvir para além do escutar? No percurso que percorro até lé, seja isso onde for, para apanhar o libro, ligar o televisor, para ir a esse congresso ou conferência, preciso dispensar um instante para afrouxar a resistência que movo.”

Iremos falar mais sobre isso mais tarde. Essas resistências interpõem-se no caminho do ser compreensivo e da aplicação dessa compreensão, e pode de uma forma ainda mais complexa e passiva de causar perplexidade colocar-se no caminho do ser, do tornar-se, nessa compreensão. E como sempre dizemos, elas impedem-nos de ouvirem realmente além do escutar as vozes da compreensão – o que tais vozes representem. Falamos disso em Ritmos e Padrões, mas é igualmente importante esquematizá-los aqui.

Para compreenderem – a compreensão envolve a recolha de uma forma coesiva e coerente, e de seguida aplicar a acção sobre aquilo que recolhem. Existem sete vozes, conforme poderão suspeitar… ou inferir.

A primeira voz, uma voz de reunião, uma Voz de Compreensão. 

Abranger, reunir, e descobrir ou criar sentido, significado, valor na energia desta ou daquela ou de outra formação qualquer. Compreender significa captar e deter, apreender, se quisermos, atingir, apreender o sentido, alcançar a energia, a formação dessa energia (informação) para tomar consciência, para ser consciente. E capturar, captar essa percepção, agarrar-se a ela. Para, de certa forma, momentaneamente, ou pelo menos durante algum tempo capturá-la, apreender essa percepção.

Viste isto, viste aquilo?

“Vi um pássaro a passar a voar, eu vi isto, eu vi aquilo; estava ciente, estava ciente”
E que queria dizer?

“Que queres dizer com a pergunta sobre o que queria dizer? Não sei o que queria dizer.”
Por não o teres apreendido, por o não teres captado, e por conseguinte não abrangeste a experiência. Esperaste nesse estado, porventura, experimentaste-o mas não o compreendeste. Compreender algo é mesmo isso: capturar a consciência, capturar a energia em formação – nessa formação – capturar a energia em formação. Mencionamos que uma das belezas de se ser compreensivo reside na empatia, para além da piedade e para além da simpatia. E ao se encontrarem aí sentados: “Muito bem. É desapego, é empatia para além da simpatia. Ai, sinto-me tão… E a simpatia. Ai, isso faz-me pensar na simpatia e como devia ser mais simpático para com as pessoas, e agora desejo isto, aquilo e aqueloutro e eu… a piedade está aí de novo e provavelmente constitui o problema que tenho, por ter tanta coisa em todo este tipo de coisa…”

Não captaste a energia em formação da empatia para além da piedade e da simpatia, vês? Necessitas de compreensão, de captar, de apreender a energia na sua formação com sentido, com significado, com valor.

Essa é a primeira voz. Para compreenderem precisam atender, abarcar, captar, capturar, apreender com clareza, com lógica, com razão a informação, a energia em formação. A primeira voz.

A segunda voz consta da interpretação. Segundo componente, não só precisam ser capazes de compreender, como precisam interpretar o que apreendem. Precisam pegar naquilo que compreendem, no que captaram em formação, no que capturaram em termos de sentido e de significado e de valor, e a seguir filtrá-lo através dos vossos sentidos, significados e valores existentes. Precisam filtrá-lo através da vossa lógica, da vossa razão, filtrá-lo através do vosso pensamento e sentimento, das vossas escolhas e decisões. Filtrar isso que compreenderam, e a seguir deixar que seja peneirado ou filtrado através das vossas crenças particulares, atitudes, sentidos, lógica e razão; através da compreensão particular que já possuem, da percepção que já têm; filtrá-lo. Interpretar é filtrar.

Um compositor estabelece uma partitura e de seguida tenta apresentar a compreensão que tem, e frequentemente através da execução dessa partitura demonstra a interpretação que faz. Outros que lhe sucedem anos mais tarde, descobrem a partitura e filtram-na através da percepção que têm da música, da compreensão que têm da música, do sentido e significado do que aprenderam e do que acumularam, das percepções que têm, e aparecem com a sua própria interpretação, filtrada. Não a reescrevem, não a modificam; filtram-na e reinterpretam-na, ou interpretam-na diferentemente, ou a mesma interpretação.

Muitas vezes quando se pretende interpretar um escritor, um músico, um poeta, um pintor, precisa-se olhar mais do que o que vem na tela ou na partitura ou na página. Precisam olhar os anos da infância ou da adolescência, para os anos do crescimento, para a educação, para as experiências a fim de se tentar compreender a energia em formação da sua vida, o que possa ter feito parte das crenças que tinha, das suas atitudes, das suas ideias, das suas experiências, dos sentidos, dos valores por meio dos quais filtraram a própria compreensão para virem a criar aquilo que escreveram ou expressaram através da arte, seja de que tipo for. Compreender não significa apenas entender, é interpretar.

A compreensão é a primeira voz, a interpretação é a segunda. Entender e interpretar.
A Terceira voz, que ainda é parte da recolha, é a voz do discernimento. Ora bem; frequentemente as pessoas pensam em discernimento na forma singular de descobrir o que esteja errado, de descobrir onde esteja o embaraço ou o embuste, ou onde reside a mentira: “Eu atento ao que diz e estou a usar do meu discernimento.” (Riso) Quereis dizer cético, quereis dizer crítico, quereis dizer cínico, quereis dizer exigente – que quereis dizer com “discernir”? A palavra é tanta vez usada, ou a singular definição de distinguir e de ver o que esteja errado. Mas que será discernimento?

Discernir é procurar e experimentar o que está oculto, o que não é óbvio ou aparente. Observar a semelhança, mas observar igualmente para o que está oculto. Procurara a diferença, procurara a distinção. “Que é que torna isto o mesmo que me é dado conhecer, o que eu compreendo? Que é que o torna diferente? Eu apreendi-o, capturei essa energia na sua particular formação. Filtrei-a por meio da percepção e compreensão que tenho, e agora busco o que esteja oculto, o que não seja óbvio, o que não se vê. Observo e aprecio a semelhança. E busco a distinção. Não para o tornar errado. Se estiver, isso revelar-se-á, a distinção revelar-se-á: Aqui está a falha, aqui está o defeito, aqui está o que está errado, aqui está a mentira, aqui está o embuste, aqui está a contradição. Mas também se evidencia nesse discernimento. Muitas vezes, aqui está a beleza, aqui está o insight (compreensão ou discernimento intuitivo), aqui está a luz, aqui está a força, aqui está o poder, aqui está a liberdade, aqui está algo que de outro modo não perceberia e que é positivo e belo e expansivo.

Assim, o discernimento não assenta unicamente na procura do constrito ou do negativo. Pode fazer isso, mas também experimenta o positivo caso esteja presente, por o discernimento se centrar na busca do que está oculto, e buscar o que não é aparente, o que não é visível, o que se acha presente no conteúdo ou na compreensão ou na interpretação.

O que nos leva à quarta voz, que muitas vezes constitui a voz mais determinada, e que frequentemente é a voz em que as pessoas que tentam escutar se detêm. E essa quarta voz, ainda uma voz de recolha, é a voz da avaliação, ou dito de outra forma, a voz do bom senso. Sim, a capacidade crítica é uma parte integrante da compreensão. Mas o discernimento cristaliza – cristaliza sim – o juízo cristaliza as coisas no ponto em que se apresentam; isso é absolutamente verdadeiro. E juízos negativos fazem isso de uma forma danosa, ao passo que juízos ou críticas de carácter positivo o fazem de uma forma positiva. A complexidade e a dificuldade do ajuizar, entendem… muitos dos que têm bem noção de viverem numa dualidade em que de súbito se saem com a singularidade da crítica: “É mau, é sempre mau; não julgues, não condenes! Gostarás mais disto do que daquilo? É melhor que não o digas, porque estarás a julgar, não é?”

Os juízos ferem - as críticas negativas ferem. A crítica pode mutilá-los, pode devastá-los, pode destruí-los assim como pode destruir outros. Os juízos feitos ao atirador do Instituto de Tecnologia de Virgínia - condenações espantosamente destrutivas exibidas repetidas vezes sob todas as formas que podiam ser feitas. Sim, as críticas podem destruí-los, podem mutilá-los e ferem, e frequentemente são utilizadas de uma forma negativa a fim de impedir a comunicação, impedir o pensar, impedir o sentir, e cristalizar as coisas no estado em que se apresentam e voltar costas. Mas as críticas, num contexto de dualidade, também têm um aspecto positivo; as críticas de ordem negativa são as críticas que se baseiam não na opinião, não na compreensão, nem na interpretação ou no discernimento.

No entanto as críticas que se baseiam na compreensão, na interpretação, no discernimento, podem representar críticas positivas; Elas também se podem manter. As avaliações consolidam, entendem? E as condenações cristalizam. No sentido positivo elas consolidam, e assim torna-se importante que se seja capaz de ajuizar, que se seja capaz de avaliar e de julgar. "Abrangi, interpretei e descobri a distinção. Agora preciso cristalizar, consolidar a estimativa que fiz, a opinião que formei com base na compreensão, na interpretação e no discernimento que alcancei." Reúnem, filtram, buscam a distinção e de seguida conjuntam tudo,  juntam e a colam a fim de consolidarem, e fazem-no com a avaliação e juízo, um juízo positivo baseado na compreensão, na interpretação e no discernimento que alcançaram.

É onde muitas vezes as pessoas se detêm, conforme nós dizemos; reúnem e grudam, e presumem que compreendem, já escutaram o suficiente. Mas a coisa tem mais que se lhe diga. Ter verdadeira compreensão como uma parte viva e pulsante da vossa energia, ter uma verdadeira relação com a compreensão que pode amadurecer num relacionamento, há mais três componentes importantes.

Bom, vamos aqui colocar, para vermos a sinergia ou o processo da coisa. Primeiro começamos com a compreensão e a seguir com a interpretação e por último com o discernimento. Mas para compreender não basta ter entendimento. Para se compreender precisa-se interpretar. Precisam de o filtrar por meio da vossa própria experiência, por intermédio da vossa própria lógica e da vossa razão, mesmo que essa lógica e razão sejam distorcidas, precisam filtrá-lo. E necessitam discernir, porque a compreensão e a interpretação não são suficientes. Precisam discernir, buscar a diferença, a distinção; apreciar a semelhança. Como é que isto se enquadra, como é que isto funciona, como é que isto faz sentido, que cabimento tem na lógica e na razão, como funciona, de que modo se enquadra na vossa ordem da possibilidade. Pegam nesta possibilidade e filtram-na pela vossa ordem de possibilidades e torna-se numa probabilidade, torna-se interpretação.

Depois de verem a semelhança, procurem a distinção, vejam em que é que é diferente – não melhor nem pior, mas diferente – procurem a distinção. A partir daí avaliam, julgam. Consolidam a compreensão, a interpretação e o discernimento que alcançaram e a agora têm capacidade crítica, avaliação. Mas há mais três passos a dar. Isto representa o grude que mantém a coisa toda junta, mas eis que surge a aplicação – pôr a compreensão em acção.

A quinta das vozes é a inferência (deduzir), implicar (envolver). Há quem argumente com base na semântica e no significado disso: “Está a implicar ou a inferir? A inferência não tem importância mas o melhor é não implicar…” Existe uma diferença, por certo, mas neste caso pretendem trabalhar com a inferência.

Inferir corresponde a discernir. Inferir é acrescentar pensar e sentir onde de outro modo há carência de facto. Acrescentar pensamento que está em falta nos factos. Acrescentar sentimento que falta, que não se acha presente, nos factos. “Eis aqui os factos!” Sim, mas e que é que sentem, que é que pensam, que é que tais factos desencadeiam no vosso estado emocional? Que é que despoletam no vosso coração e no vosso cérebro? Que é que desencadeiam na vossa mente? A inferência envolve a mente ao descobrir ou expressarem o pensar e o sentir que de outro modo não se acha expresso no facto. O discernimento busca o oculto. A inferência, infere ou fornece o pensamento e o sentimento que de outro modo se acham em falta no facto. 

Que mais sentem e pensam? Que ideias ou sensações são estimuladas a partir desse ajuizar? A quinta voz é uma voz de sentimento e de pensamento, é uma voz da mente. Para além da lógica e da razão, para além das percepções que têm, para além das vossas possibilidades, para além das distinções. Assim que o consolidam, abrem-se à inferência. E que é que passa a ser inferido? Pensamentos e sentimentos, que de outro modo não se achariam presentes, ou que estariam em falta nos factos. É uma voz difícil de atender por vezes, razão porque a maioria apela à detenção da capacidade crítica.

Para além dessa há uma outra voz, uma outra voz muito importante na compreensão, que é voz da estima ou apreço (valorização). Apreço é palavra que é tanta vez usada pelas pessoas e que se torna tão habitual que chega a querer dizer agradecido, grato, etc. Mas está tudo bem, óptimo, porque o verdadeiro sentido da palavra deve ser o que expressam, certamente, porquanto o que o apreço engloba é sentir a admiração. “Tu fizeste esta coisa admirável, e eu sinto admiração por ti.” É isso que o apreço quer dizer. A inocência e a sabedoria que mexem com o vosso coração e mente. A coragem e a convicção, a coragem e a sabedoria; a coragem e a criatividade - talvez melhor dito, que pode envolver a convicção – mas posto isso, trata-se da coragem e da criatividade que envolve a alma e o espírito.

Essa criatividade que se acha envolvida, trabalho ao abrigo da coragem e com ela, constitui uma energia da alma e do espírito e mexe com eles e eleva-os de modo a permitir-lhes ver isso e a sentir apreço por uma pessoa ou por algo, sentindo-o em si mesmas ou na coisa ou no outro – isso é apreciação, não só pela inocência e pela sabedoria, como pela coragem e pela criatividade que se acham presentes, que mexe com a alma e com o espírito, que inspira.

Sentir a maravilha também representa aquela sedução fascinante ou subtil que os convoca a superar e a suplantar, que os convoca a tornarem-se mais ou tornar-se algo mais do que tenham sido, a estar à altura da ocasião, para o pormos da forma mais simples. É isso; é o espanto. Pressentem-no nas pessoas e pressentem-no em vós próprios por meio dessa sedução, desse anseio que os convoca à superação e à substituição. É o que os inspira a tornar-se mais do que aquilo que são.

Mas o espanto, a admiração, também representa a perseverança e a convicção, que move a voz que questiona: “O que é isso de beleza, de bondade e verdade?” e que silencia a voz que ao contrário diz: “E depois?!” É uma perseverança assim. E quando alguém faz algo por que sentem um verdadeiro apreço por uma pessoa, o que acontece é que sentem a admiração. Podem não o colocar com floreados nem indicar a inocência nem a sabedoria, ou a coragem e a criatividade, ou o fascínio, a qualidade sedutora da pessoa, que a convoca a substituir e a superar, podem não usar os termos particulares da perseverança e da convicção mas isso acha-se presente, é o que se acha presente, aliás, quando acham que alguém seja prodigioso. 

Por que razão será prodigioso? Por causar tal coisa, mesmo sem que o rotulem, mesmo sem tratarem a coisa pelo nome. Por provocar isso. E assim, sentem apreço pela boa acção de alguém; apreciam que alguém os ajude dessa forma. Pode não ter feito tudo isso; poderá ser que tudo quanto tenha feito tenha sido elevar-vos o coração – um certo sentido de inocência e de sabedoria – talvez lhes tenha agitado o coração e o espírito, com a criatividade e a coragem que tenha demonstrado, ou talvez tenham sentido que se tenham elevado ou ultrapassado o que tenham feito antes, para se tornarem mais do que aquilo que tenham sido, por causa disso. 

Algures pelo meio disso, nalgum aspecto disso, o apreço está em experimentarem a maravilha, sentir a maravilha. E assim, a voz, é apreciar, procurar a maravilha. E se não estiver presente, se essa voz estiver silenciosa, será importante sabê-lo. Mas se essa voz se achar presente, será poderoso perceber.

A sétima das vozes: Avaliação. Valorizar; não é necessariamente avaliar, porque isso ocorre ao longo do percurso, mas valor. A partir do apreço. Vejamos neste sentido. O discernimento, o quarto passo, constitui o passo final da cola, e congrega ou cola aquilo que compreendem, aquilo que apreendem e interpretado ou filtrado, e o que tiverem descoberto oculto e cola isso tudo tornando-o sólido. É o quarto passo e o último componente da cola de aderência. 

Mas também constitui o primeiro passo da acção, onde descobrem inferências em meio aos juízos que fazem; quais serão os sentimentos que de algum modo não se acham presentes no facto? Qual será a inferência patente neste discernimento, neste aglomerado – compreensão que é objecto de interpretação agora no discernimento e na observação ajuizada? Qual serão as inferências aqui? E onde terá lugar a apreciação? E agora, para valorizarem o discernimento, a inferência, a apreciação, vem a avaliação. Esta é a sétima voz; é assim que vós aplicais o que compreendeis, a fim de reunirem a plenitude da compreensão; não chega contentar-se com o discernimento – aquilo que podem concluir – precisam de buscar as inferências, o apreço, nessas conclusões. E a partir do discernimento, a inferência e a apreciação, valorizam-no, dão-lhe valor seja em que medida for. Valorizem-no. É assim que estas sete vozes que vão do reunir e colar, à aplicação e a seguir à acção. E desta avaliação, reagir, responder, para depois agirem de novo. Reagir, responder, agir. É assim que devem abordar a complexidade da compreensão.

Vamos já ver como consegues chegar a esse lado longínquo, por ainda nos restar o problema da compaixão, e a seguir chegar ao lado distante da compreensão, despertar ou activar, agitar e activar a magia da vossa compaixão. Estivemos a considerar a espantosa beleza do que poderão encontrar na mística da compreensão. Esse mundo de possibilidades que os poderá abrir para um maior e grandioso amor e compaixão…

COMPAIXÃO

Chave, no acesso a essa complexidade e na sua transposição, chave no tornar-se compreensivo e do ser compreensivo reside no perdão e na compaixão. Parte integrante no processo. Assim, vamos falar um pouco acerca da compaixão, e definimo-la em termos de uma preocupação que brota da dor. Não da pena, nem da simpatia, embora elas tenham o seu “papel.” Quando se sentem pesarosos, verdadeiramente pesarosos, ou lamentam algo que tenham feito ou algo que ocorra na vossa realidade que não conseguem mudar nem corrigir, mas em que ainda assim lamentam que acontece, nas profundezas desse pesar tem lugar um nível de preocupação, nível particular esse que é a compaixão pelos outros, quando experimentam o sofrimento deles, ou os veem, ou sabem que estão em sofrimento. Verdadeiramente pesarosos ou no estado de dor inerente à sua realidade. Aqueles que amam, aqueles por quem se importam – o nível de preocupação que sentem pelo seu sofrimento – isso é compaixão. 

Ao olharem para o mundo e veem pessoas em dor, não só dor, não só em sofrimento pela sua dor, mas a sua dor é também sofrimento, decerto que sentirão pena e simpatia, mas para além disso sentem pesar e o interesse que experimentam com base nesse pesar – isso é compaixão.
À medida que assistem às notícias da tragédia verificada no Instituto de Tecnologia de Virgínia, mutos de vós sentem dor. Não conheciam ninguém lá nem sabiam de nada, sentem aquele pesar e esta onda de preocupação que emerge – isso é a vossa compaixão. É um afecto, único e distinto por emergir da dor. Importam-se com aqueles que amam e com quem têm intimidade, quando a vida corre bem, e isso é belo e não pretendemos diminuir tal atenção; mas depois, quando algo corre mal na sua realidade, e ainda sentem preocupação, e essa preocupação por vezes se acentua mais do que o esperado – isso é compaixão. A compaixão é a preocupação que brota do pesar, do sofrimento.

Foi por isso que dissemos que as crianças e os adolescentes não conseguem verdadeiramente sentir compaixão, podem preocupar-se e sentir um afecto intenso e em grau variável, mas devido à juventude ou falt6a de experiência ainda não conhecem a dor. Poderão conhecer a pena, e a simpatia, mas não conhecem o sofrimento. Poderão dizer que lamentam, repetidas vezes, por erem aprendido e por terem sido condicionados, mas não sentem a dor. Não têm culpa, por isso vir com o crescimento, com a mudança, com a maturidade, com a experiência. Quando conhecem o sofrimento, aí descobrem a encontram a compaixão. Esse é um componente, uma parte do que significa a compaixão.

Mas a compaixão é algo mais do que a preocupação que brota do sofrimento. Compaixão é igualmente aquilo que emerge, se quisermos, o que procede de um complexo equilíbrio entre o vosso amor, intimidade e afecto, independentemente da presença da dor. Não é que precisem amar, ter intimidade e interessar-vos a um mesmo nível, mas é que precisa existir um equilíbrio.
Com certas pessoas vocês amam de uma forma espantosa e têm uma maior intimidade, mas não tanto como amor; e o nível de afecto poderá ser maior ou menor do que o da intimidade. Existe um equilíbrio. Já com outros têm uma maior intimidade mas não as amam com tal intensidade. Amam-nas mas não se sentem apaixonados, por exemplo, e preocupam-se mas não tanto; é um equilíbrio diferente. Em relação aos “ex” e às experiências têm um equilíbrio particular, um equilíbrio complexo composto de amor, intimidade e de zelo e criam uma sinergia, um todo que é maior do que a soma das partes, maior do que a soma do amor, intimidade e afecto, onde quer que possa assentar. E esse todo que é maior que a soma das suas partes é a compaixão.

Já conhecem o amor e a intimidade, já abordamos isso muita vez; o dar e o responder, o considerar e o conhecer que produzem – no caso do amor – prazer e segurança, um sentido de vulnerabilidade, um sentido de confiança que reduz o sentido da perda, etc. Esse dar e receber, esse mesmo grau de respeito e de conhecimento, que ao invés produz proximidade ou ternura assim como vulnerabilidade e confiança, reduzindo o temor da humilhação, isso é intimidade. 

Poderão criar prazer e poderão criar segurança, mas não têm proximidade nem ternura. A vulnerabilidade poderá estar presente e a confiança, e poderão reduzir o temor da perda mas, a humilhação ainda se achará em grande risco; muito mais o amor do que a intimidade. A intimidade e o amor usados, não de forma indistinta, têm um impacto diferente. Ainda o dar, o responder, o considerar, o conhecer que produzem determinados efeitos, efeitos esses que variam ligeiramente, entre o amor e a intimidade.

Depois há o afecto, falamos sobre isso, mas o afecto, a preocupação também emerge ou é um produto da dádiva, da resposta, do respeito e do conhecimento. No caso do afecto, essas acções produzem protecção – diferente da segurança – protecção. Mas também produz carinho, e sustento. Enquanto no caso da intimidade produz ternura, e no caso do amor produz segurança dotado de afecto, dádiva, resposta e respeito gera um carinho, “Eu sinto-me acarinhada.” Decerto que poderão ser acarinhados pelo amor e ser bem cuidados pela intimidade mas é quando o afecto faz parte desse amor, quando o afecto faz parte dessa intimidade, esse afecto produz não só a protecção mas também a sensação de carinho, de sustento.

Dar, responder e considerar que produzem respeito. Sinceridade e vulnerabilidade são mais parte do amor e da intimidade. Por ser o respeito que resulta do afecto. A confiança, essa mais determinada energia é a mesma em todos os três casos, constitui a dobradiça em que os três – amor, intimidade e afecto giram. No caso do afecto, não tem tanto que ver com a redução do medo da perda ou receio da humilhação quanto tem que ver com o receio da rejeição, de ser rejeitado. E decerto que conforme no caso do amor, da intimidade e do afecto, há amor, há intimidade a envolver o afecto. E quanto ao componente final do dar, responder e considerar -- sentir a sensação de aceitação.

O amor produz uma sensação de conhecimento e de ser conhecido. A intimidade produz um sentido de ser compreendido. O afecto, a preocupação, é o que gera essa sensação de ser aceite. “Tu conheces-me; tu compreendes-me, mas aceitar-me-ás?” É o afecto – o dar o responder, o respeitar que permite que saibam que os aceitam. Isso é afecto. E conforme se aplica aos outros também se aplica a vós próprios. Proporcionam uma sensação de segurança a vós próprios? Ter carinho por vós, respeitar-se, confiar. Reduzirão o próprio medo de rejeição pessoal, ou conforme habitualmente é dito, condenação pessoal, amor e intimidade - mas aceitar-se-ão a vós próprios? Ainda estão a caminho e ainda estão em mudança e a tornar-se mais, mas aceitar-se-ão conforme são agora? Isso é importar-se e sentir apreço. Poderão saber quem são – o que representa carinho – poderão compreender aquele que são – o que representa ser íntimo. Aceitam-se? Isso é gostar de vós próprios.

A compaixão representa a sinergia que é estabelecida quando alcançam um equilíbrio complexo de amor, intimidade e carinho; o todo que isso forma traduz a compaixão. Um terceiro componente, uma terceira parte do que subentende a compaixão é a empatia. O conhecimento que emerge de sentimento, mais do que da razão ou da consciência; mais do que emerge da crença ou da atitude, mais do que emerge da decisão oriunda da escolha ou do pensamento, é o conhecimento que provém da sensibilidade. Poderá não ser lógico, poderá não se enquadrar nas vossas crenças nem nas vossas atitudes, pode não fazer parte do que vocês tenham visto ou escolhido ou decidido, mas emerge da empatia e emerge, primordialmente da sensibilidade. Isso é compaixão.

A compaixão é igualmente a erupção espontânea da felicidade e da alegria. Todos vós a terão experimentado numa ou noutra altura, em que precisam dar um berro, abrir a boca e soltar um Aaah! Nem sequer por palavras, mas apenas por sons, ou possivelmente nem mesmo por meio de sons mas de uma dança, em que emitem sons de felicidade, por se sentirem cheios de uma alegria que não conseguem conter e que irrompe. "Sinto-me tão alegre! Estou tão cheio de alegria que nem o consigo conter; ela irrompe..." Fazer entrar a felicidade e a alegria em erupção espontaneamente. Isso não é restringido pelo tempo nem pelo espaço - caso não seja o momento adequado para o fazerem... É contínuo e intemporal.

Compaixão - o carinho que emerge da dor, da sinergia do equilíbrio complexo do vosso amor, intimidade a carinho (importância e interesse), uma forma de empatia que brota principalmente como sentimento, como uma erupção espontânea, a compaixão é igualmente isenta de condição: "Tu tens que ser deste ou daquele jeito ou não mobilizarás a compaixão em mim..." Não, a compaixão é incondicional. Vocês conheceram a dor, e à medida que cresceram e mudaram e se tornaram mais, e aceitaram aquele que são, (enquanto magos, cartógrafos) e aceitaram o vosso destino de tecelões de sonhos ou de criadores de mapas, à medida que tomaram consciência do sonho de um futuro e de visões e de sonhos de magia e de milagres, a compaixão que sentem cresceu. Travaram conhecimento com a vossa dor e com a dor daqueles que amam e daqueles que nem bem conhecem e por vezes ela tê-los-á surpreendido, com a profundeza do carinho que sentem em face do sofrimento. E vocês amam e têm intimidade e interessam-se, e cada vez mais se tornam conscientes e alcançam equilíbrio, e com esse equilíbrio tão complexo, a compaixão -- que porventura não será tratada enquanto tal -- terá emergido. E vocês sentem essa empatia -- embora não sempre, nem por toda a gente -- mas por algumas pessoas. Pode não fazer um sentido lógico, e pode não representar a vossa atitude ou crença, ideia, escolha ou mesmo decisão, mas ainda assim chegam a conhecer a "sensação," mas podem experimentar a sensação, talvez não ver a relação que apresenta, mas conseguem experimentar a sensação dessa empatia particular que podem não sentir por toda a gente -- isso é a vossa compaixão! 

Mas todos ter-se-ão defrontado no vosso caminho com essas erupções espontâneas em que se terão sentido simplesmente tão felizes, tão alegres... A alegria não se prolonga nem perdura; a alegria inflama e anima e subsequente retorna à felicidade. Mas terão experimentado a espontaneidade, a erupção do surto. Sim, vocês sentem compaixão, e podem desencadeá-la, podem despertá-la, podem convocar a vossa compaixão. E com ela surge uma magia que poderá permitir que sejam catapultados para além da complexidade da compreensão. Sim, conseguem escutar, e nesse vosso escutar, podem chegar a ouvir; isso facultar-lhes-á a compreensão, vocês poderão chegar a possuí-la, poderão chegar a consegui-lo, mas é o perdoar e a compaixão que lhes permitirão dar o salto além da complexidade e entrarem na mística que se situam além das vozes que se pronunciam, na mística da compreensão. Não permanecerão aí, mas poderão penetrar nisso e com isso emprestar vida à magia da vossa compaixão.

Assim, como haverão de o conseguir? Como? O processo tem início trazendo ao de cima a resistência que movem. Não fingindo que não a sentem, nem recorrer à desculpa dizendo que o tenham feito antes, pelo que já não precisarão fazê-lo mais, mas tendo consciência de que essa resistência não os bloqueia nem os obsta, porventura, com o fará a outros, não os trava nem os prende; poderá impedi-los, atrapalhá-los, pode deixá-los um tanto apreensivos e limitar-lhes a faculdade de terem consciência que caso contrário teriam, e pode não apresentar mais que uma fricção, mas a dança o ritmo, a maneira como alcançam a complexidade do saber, a maneira como poderão escutar, e para além do escutar ouvir, a maneira como poderão obter compreensão não só no sentido de a imporem mas de comporem uma nova compreensão, tem início pelo trazer ao de cima a resistência que vocês movem, grande ou pequena, muita ou pouca não importa, erguer a resistência que movem.

O segundo passo a dar assim que erguerem a resistência passa por se abrirem à compreensão -- pode não passar por mais do que deter-se e dizer conscientemente a vós próprios: "Vou-me abrir a uma maior compreensão. Verifico a situação que se deu no Instituto de Tecnologia da Virgínia, leio e assisto às notícias e ouço os "pontífices" que culpam a administração, que culpam a falta disto e daquilo, que culpam os professores e os pais, mais a falta de segurança aqui e acolá," mas isso é o que as pessoas fazem quando se sentem em sofrimento. Mas vocês podem ficar cativos nisso, podem ficar agarrados. Há um tempo para isso, certamente, mas sempre acaba por suceder uma altura em que sentem vontade de compreender, e assim afrouxam as resistências que impõem à compreensão. Procedem a uma escolha consciente no sentido de se abrirem à compreensão e de dar ouvidos - não aos "pontífices," mas às vozes da compreensão. 

Procedem a essa escolha consciente, mas o primeiro passo passa pelo perdão, permitir-se perdoar-se a si mesmo. Pelo quê? Pelo que tiverem a perdoar; pode ser pela falta de compreensão que tenham tido, talvez tenham percebido com clareza que terão passado um imenso número de anos a martelar os outros com a vossa compreensão ou a usá-la como um bem para regatear ou para fazer intercâmbio ou para usá-la na compreensão como um porrete de probidade ou de direito. Talvez tenham feito mau uso ou abusado da compreensão que tinham e por conseguinte precisem perdoar-se por isso. 

Talvez uma pequena resistência particular, esta ou aquela, ou um ou outro receio, ou manipulação, ou falta de conhecimento, o desejo de serem compreendidos ou por se sentirem cheios da compreensão eufemística – talvez precisem perdoar-se pelos sentimentos que colhem em torno disso. Talvez por uma situação particular, que aqui usamos a título de exemplo, mas noutras situações em que tenham ficado significativamente aquém em termos de compreensão. Talvez não tenham tido compreensão, talvez nem tenham tentado consegui-la sequer, e agora queiram, pelo que se perdoam a si mesmos por se terem permitido tal realidade, por a necessidade de compreensão se ter evidenciado de forma tão estrondosa no vosso mundo. Perdoar.

O terceiro passo, concedem perdão a vós próprios pela razão. Talvez não saibam por quê, pelo que pedirão forças ao vosso eu superior para se perdoarem pelo que se possa interpor no vosso caminho, pelo que quer que possa estar a impedi-los de conseguir compreensão. Mas talvez por uma área que não venha ao caso, e que nada tenha que ver com a compreensão, mas que, por se recusarem perdoar e manter este ou aquele, ou isto ou aquilo vivo e a queimar enquanto fonte de raiva, enquanto fonte de fúria, enquanto fonte de culpa – essa falta de perdão com respeito a isso pode resultar num sentimento de indigno de compreensão. “Como poderei eu possivelmente compreender isto… quando permaneço tão fechado, tão relutante a perdoar ou a libertar isso?” Poderá não fazer sentido um lógico, mas ao nível emocional. E vós próprios podereis não relacionar isso, mas o vosso eu superior pode. Por isso, o terceiro passo passa por perdoar, mesmo que não envolva nada de concreto a perdoar – perdoar-se pela falta de compreensão que tenham evidenciado até aqui.

O quarto paço tem que ver com a mudança, tem que ver com o estabelecer as pazes -- coloquemo-lo assim -- tem que ver com o fazer as pazes com a mudança. Estarão dispostos a ser diferentes, com base nessa compreensão? Estarão em busca da compreensão simplesmente para confirmarem o que já compreendem? Simplesmente para se afirmarem e reafirmarem a compreensão que têm, ou estarão realmente abertos? Estarão realmente dispostos a criar uma nova compreensão ou a descobrir uma nova compreensão? Façam as pazes com a mudança: “Se eu começar a compreender isto; se por intermédio das vozes que ouço eu começar realmente a escutar, e com base nessa atenção começar a mudar, precisarei estar disposto e admitir que admitir que isso esteja correcto.”

Muitas vezes, na comunidade terapêutica, aqueles de vós que trabalhem com o aconselhamento marital ou com o aconselhamento de casais etc., frequentemente um dos preâmbulos da terapia passa pela atitude “Olhem, vocês vêm juntos fazer terapia; estão dispostos a mudar? Estão dispostos a tornar-se diferentes? Ou estarão a ouvir simplesmente para confirmarem o quanto o outro está errado? Ou estarão a entender que estejam errados para compreenderem o outro e para que ele os entenda? Estarão cientes de que dessa compreensão mútua ou singular vocês podem mudar?”
“Ah, não! Não posso incorrer nisso; não posso permitir que isso suceda.”

“Bom, nesse caso, não irão atingir a complexidade, e certamente não a transporão.” Precisam estar dispostos a mudar.
“Mas é claro; não estará toda a gente?”
Não!
“Pois bem, eu estou sempre!”

Não, não estás! (Riso) Haverá alguma coisa na tua vida que gostasses de mudar? Ou que tenham tido vontade de mudar por mais do que vinte minutos ou por mais de uma semana? (Riso) Nesse caso evidenciarão resistência à mudança.

“Bom; alguma coisa terá que mudar!” Tudo bem, mas tu entendes o que queremos dizer, não? Precisam aproveitar o momento para fazerem as pazes com a mudança.

O quinto passo, passa por despertarem a vossa compaixão. Sintam compaixão, activamente, conscientemente, sintam a vossa compaixão. Talvez suceda que a compreensão particular que procuram não envolva dor nem pesar, mas nesse caso voltem-se para a dor que conhecem. Permitam-se ter noção do equilíbrio que têm entre o vosso amor, intimidade e interesse por viver a vida. Permitam-se ter noção da empatia que procede em sua grande parte do sentimento. Poderão não gozar do ambiente desejável para a erupção espontânea, por isso não o façam; permitam-se em vez disso as outras vertentes: sentir essa profundidade de interesse que brota do sofrimento e que emerge como uma sinergia, que provém da empatia. Permitam-se sentir a vossa compaixão.

O sexto passo passa por se abrirem; abrirem, à semelhança do segundo passo, também o sexto passo passa por se abrirem. Abrirem-se para com uma mudança da vossa imagem, da vossa identidade, das vossas escolhas, da vossa perspectiva, da vossa percepção para com a possibilidade de que, a partir da compreensão venham a obter um ganho; poderão precisar expandir ou mudar a imagem que têm, as vossas escolhas, a vossa percepção e perspectiva. Não sabem se o conseguirão, mas precisam estar abertos para com a compreensão, abertos para com os efeitos da mudança. Esse é o sexto passo.

O passo final, passa por, com base naquilo que ouvem, com base no trato das vozes da compreensão, permitir-se reagir, responder, retornar à promessa de serem o adulto que são, e depois agir. A criança em vós poderá apresenta uma reacção, o adolescente, o ego negativo, o menor daquele que são, poderá apresentar uma reacção, uma reacção adversa. Não o ignorem, não o neguem. Não se ponham a dar ouvidos às vozes da compreensão para depois fazerem orelhas moucas às vozes que se manifestarem em vós. Reajam! A criança em mim encontra-se irritada; o adolescente em mim encontra-se assustado. O ego em vós quererá atribuir-lhes isso. Tudo bem, permitam-se - enquanto adultos, o ser espiritual que são, não apenas o ser crescido mas o adulto espiritual que são - responder. Sejam responsáveis – capazes de responder, capazes de responder “Este é quem eu sou agora. A criança, o adolescente, o ego: isto são tudo partes de mim. A menor parte de mim ainda é parte daquele que eu sou, mas este é o eu que eu sou e se transforma. Agora, após as suas reacções, eu respondo. Podem ser reacções completamente positivas…” mas vocês reagem. E subsequentemente vocês respondem, ao retornarem à vossa promessa daquele que são e daquele em que se estão a tornar. E depois vocês actuam; a acção que exercerem, que não há-de ser um produto da reacção, mas um produto da reacção em função da qual adoptam capacidade de resposta. E agora actuam.

É esse o processo de como poderão chegar à complexidade, e além da complexidade, à compreensão. O processo que empregam para angariarem, para terem e para aplicarem a compreensão – compreender o que sucede na vossa realidade e a realidade daqueles que amam e na realidade do mundo que é criação vossa, através da causa, mas em grande parte pelo consentimento. Compreender, desenvolver essa relação, trazer ao de cima as vossas resistências, abrir-se à opção consciente de compreender. Perdoar – a vós próprios aos outros, seja a quem for. Fazer as pazes com a mudança; deixar que seja acertado que possam mudar. Sentir a vossa compaixão, ainda que não seja pertinente ao que estejam a tentar compreender – sintam a vossa compreensão. Abrir-se a uma mudança da imagem, a uma mudança da escolha, a uma mudança do êxito. Reajam, respondam…

(continua) 
Transcrito e traduzido por Amadeu António