sábado, 12 de julho de 2014

EMOÇÕES HUMANAS



Traduzido por Amadeu António



John


As emoções são a substância que os vincula ao plano terreno. Constituem o material maleável que deriva de vidas passadas e que compõe a substância do próprio carma.


As emoções são armazenadas na mente subconsciente. A mente consciente escora-se no plano físico por intermédio dos compromissos emocionais aí estabelecidos. Quando tais compromissos emocionais são examinados em níveis superiores, tornam-se numa sensibilidade altamente refinada. Não é que vos torneis impessoais, mas mais que vos tornais “sensitivos.” As vossas emoções começam então a alicerçar e a espiritualizar a personalidade, e tornam-se nos condutores sensíveis que ligam a luz mais elevada ao subconsciente e por conseguinte transformam o todo.


Mas precisam entender que, no sentido mais elevado da palavra, as emoções não têm existência. Em vez disso, o ser comporta diversos graus da energia única, que é amor. O amor em si mesmo não constitui uma emoção, mas é sentido em meio às emoções. As emoções não passam das cordas de um instrumento altamente afinado, como uma harpa ou uma lira, mas o amor constitui o instrumento no seu todo. As cordas da harpa podem emitir muitos sons e harmonias, ao criarem a ilusão de que elas próprias estejam a criar a música, mas é mais o instrumento inteiro e a sua afinação que são responsáveis pelas melodias.


Além disso, não existe coisa tal como raiva, existe apenas frustração. Aquilo que experimentais como raiva não passa do bloqueio do amor, de modo que no verdadeiro sentido da palavra, a raiva não existe. Apenas a falta de amor. É o amor que tem substância, e a raiva não passa de um ponto central da frustração. Por isso, quando vos irritais com um indivíduo, ou identificais a emoção da raiva, não a expresseis. Nem vos preocupeis com ela. Além do mais, fazei a pergunta: “ Porque estarei eu frustrado com este conjunto de circunstâncias? Porque me sentirei insensível em relação a este indivíduo?” Em seguida examinai objectivamente os sentimentos que tendes a partir de um verdadeiro estado de consciência e da única energia verdadeira que cura todas as coisas, que é o amor. O amor restaura a harmonia por SER ele próprio harmonia. Mais ainda, activais Deus na vossa vida, por Deus ser amor.


Tampouco existe coisa como ódio. Os homens e as mulheres não têm a capacidade de odiar, por terem sido criados a partir de Deus e constituem uma porção de Deus, e Deus não tem a capacidade de odiar. Por isso, que coisa será, pois, essa emoção que identificais como ódio? O ódio representa o verdadeiro vazio em que tem existência a falta de amor. A fúria representa o bloqueio do amor. Aquilo que percebem como ódio é o vazio que se lhe segue. Mas uma vez que nada pode fazer surgir coisa nenhuma, e o semelhante atrai o semelhante, e o ódio não existe, ele não possui poder próprio. O que se passa é simplesmente o facto de provocardes frustração nos outros com a ausência da fluência da energia do amor em vós.


Todas as emoções brotam da falta de amor ou de harmonia no próprio. Até mesmo certos estados de amor podem ser rastreados até chegarem à falta de harmonia. Precisam ser completamente amorosos, porque quando amam de uma forma discriminada e apenas em determinado grau, ou de uma forma condicional, não estais a brotar do vosso ser total. Para serem um ser total, precisam amar indiscriminadamente, ou pelo menos desejar a harmonia em todos, o que constitui o começo do amor.


A emoção que identificam como medo não passa da falta de conhecimento, ou temor do desconhecido. Olhar directamente no coração da ignorância é olhar directamente no coração do desconhecido. Não exista nada que sobrecarregue mais o espírito humano do que a ignorância. A única coisa que podeis ignorar é Deus na formação das vossas acções. Porquanto tudo quanto há a conhecer ser Deus, e todas as coisas encontrarem expressão em Deus. Quando ignorais isso, instigar os vossos sentimentos e olhar fudo no coração do desconhecido pode representar coisa temível, mas como tudo quanto há a conhecer é Deus, o temor de Deus representa o começo da sabedoria.


Se o temor de Deus representa o começo da sabedoria, então a dor, o sofrimento não passa da activação do conhecimento. Assim, por sua vez, se passa nos níveis fisiológicos. A dor, uma vez removida de modo apropriado, não passa da activação do conhecimento no indivíduo. Isso pode ser conseguido de uma forma afectuosa. O amor constitui o restabelecimento da harmonia no corpo físico. Embora por vezes isso possa ser considerado doloroso, será rapidamente seguido pela alegria após a libertação do sofrimento.


Muitas das formas de enxaqueca não passam de tensão acumulada na estrutura muscular a puxar o crânio ou as placas cranianas ou a estrutura muscular mais baixa ao longo e ao redor da medula oblongata. Aquelas coisas que identificais como raiva e frustração produzem estados críticos desses.


A violência não constitui a supressão das emoções, mas mais a armazenagem delas dentro de si e a seguir o desejo de as libertar nos níveis físicos num acto de violência. Notai as contorções que o corpo físico apresenta sempre que uma pessoa se torna violenta devido à frustração armazenada dentro de si. Para ultrapassarem as emoções violentas, deviam meditar com regularidade. Em vez de procurarem suprimir as vossas emoções, estudem-nas e aos sentimentos que geram e de seguida dirijam-nas a Deus através da oração e da fé.


As neuroses constituem vazios ou lacunas no vosso fluxo do amor, que percorre os pontos meridianos e o sistema nervoso. Quando se apresentam lacunas nos fluxos da energia estabelece-se a confusão, e a confusão não passa de um vazio, as trevas da ignorância, que gera temores e neuroses. Eventualmente isso chega a formar paranóia.


A neurose é uma actividade que é alojada no corpo físico e que é lentamente libertada de modo a poderem lidar com ela no tempo próprio que definirem. Ou seja, encontrais-vos ainda num estado de relativo equilíbrio. A esquizofrenia, por outro lado, sucede quando a mente se estende profundamente pelos níveis do corpo físico e activa continuamente a neurose, por vezes causando cisões na própria estrutura celular. O corpo passa então a ser moldado ou aprisionado pelas próprias actividades bioquímicas.


A esquizofrenia pode advir do trauma antes do ego se encontrar bem desenvolvido ou então desenvolver-se em períodos em que o ego se encontre num estado de fraqueza. O ego constitui uma autoconfiança na sua variante mais refinada. Representa a linha ténue entre o eu e o egoísmo. Num indivíduo saudável o ego pode ser utilizado como um escudo – não tanto para os proteger, mas mais para os manter alinhados através da autoconfiança na expressão que formais neste plano.


Todas estas coisas são armazenadas na estrutura muscular. Quando as energias do corpo físico se acham correctamente alinhadas e não se apresentam quaisquer vazios ou lacunas, a estrutura muscular é corrigida e intacta. Mas quando se apresentam vazios na estrutura emocional, ou bloqueios na harmonia do corpo físico produz-se um resvalar na estrutura muscular, tanto no nível fisiológico como no físico, e mesmo um desalinhamento dos próprios tendões musculares.


Assim, no corpo físico encontra-se um padrão específico de uma ressonância variada de energia gerada pelas actividades conscientes das emoções. Quando se produz uma verdadeira fluência na energia vocês sacodem esses bloqueios e restauram as sinapses necessárias. É assim que a energia cura. Tal como uma quebra ou um curto-circuito no fluxo eléctrico pode provocar tensões e mesmo chegar a produzir calor, (e a eclosão de fogo, o que representa desarmonia nesse mesmo sistema) também por sua vez se dá o mesmo em relação aos meridianos do corpo físico.


Acima de tudo, sejam pacientes em relação às vossas emoções, pois também não existe coisa alguma como tempo. O tempo, ou o sentido de tempo, envelhece o corpo físico em termos cronológicos, por “Cronos” significar tempo. Mas se tiverem paciência, abrandarão o metabolismo até que alinhe correctamente, não tanto num contínuo formado por tempo e espaço ao vosso redor, mas mais com o amor, a verdadeira energia que une todas as coisas, a qual constitui a verdadeira harmonia. Então o tempo não exercerá impacto sobre vós – tanto ao nível metabólico, ao nível fisiológico, ao nível físico, ou ao nível emocional.


É dito muitas vezes que o tempo cura todas as coisas. Isso está errado. Tanto mais que a verdadeira cura só poderá sobrevir do restauro da harmonia com o próprio universo, o que exige paciência. Permanecei na paciência entre as experiências. Dá-se a experiência seguida da paciência e de outra experiência. Pois quando vos encontrais em meio a uma experiência, não tendes sentido algum de tempo. Apenas quando vos encontrais entre as experiências que as tensões emocionais, conforme as designais, começam a causar-lhes dificuldades. Por conseguinte, dominai a paciência, que desse modo começareis a dominar o sentido do tempo, ou Cronos, que cobra o seu preço aos níveis metabólicos. Permanecei todos na paciência. Mas fazei isso com base num estado meditativo, para produzirem paz dentro de vós, o que os iluminará com amor, removerá todos os bloqueios do corpo físico, e verdadeiramente restaurará a saúde.


Com respeito aos efeitos provocados pelas emoções sobre os órgãos particulares do organismo, traçamos-lhes breves sugestões – mais do tipo simbólico. O coração prende-se com a natureza carinhosa. O chakra da garganta tem que ver com a natureza da expressão, os chakras “inferiores” acham-se ligados à força criativa, e a área abdominal constitui porventura o armazenamento das emoções desagradáveis. O armazenamento da negatividade, claro está, produz úlceras. A carência de afecto ou a incapacidade de receber amor manifesta-se na doença e nas enfermidades cardíacas.


Estudai os meridianos e as várias emoções armazenadas sobre os órgãos do organismo físico e as tensões neles contidas. É do conhecimento geral, por exemplo, que as emoções de uma natureza perturbada são armazenadas na área abdominal. Também é do conhecimento geral que os sentimentos de amor são experimentados no chakra do coração, assim como a comunicação é experimentada na garganta. No chakra “inferior” são armazenadas diversas tensões respeitantes à sexualidade e às suas expressões. Um tratamento dos meridianos corporais através de técnicas tais como a acupunctura, a acupressão, o jin shin do e o jin shin jitsu restaurarão o equilíbrio emocional no indivíduo. Aquelas terapias que são de natureza delicada e que produzem sensibilidade e amor entre o terapeuta e o cliente são do tipo mais elevado.


De todas as vossas terapias, a mais efectiva na resolução de bloqueios emocionais é a do acolhimento de Cristo dentro de vós, o conhecimento de serem parte de Deus, e de que deus deseja que tenham alegria. É por isso que a fé cura todas as coisas. A fé constitui prova de coisas invisíveis. Mesmo nas vossas estruturas eclesiásticas, mitos encontram alegria na libertação emocional – embora os dogmas dessas organizações projectem uma certa negatividade que em última análise produz estados de desequilíbrio. Mas fé em si mesmos, e fé no alcance das vossas faculdades curativas constitui o mais elevado dos bens, porventura a mais elevada forma de cura que descende da natureza de Deus, por Deus ser amor.


Se entregarem todas as coisas a Deus, as emoções não existirão, por tudo quanto passar a existir será o amor presente dentro de vós. Assim, entreguem essas coisas a Deus que Ele tratará delas, pois se Deus é amor, e LHE ofertardes essas coisas num gesto de amor, elas serão levadas a um alinhamento.


TOM MACPHERSON


Terei eu ainda alguns laços emocionais? Bom, enquanto Irlandês, e até que os Ingleses libertem a Irlanda, eu terei laços. Qualquer um que possua uma personalidade humana terá laços de apego. É isso que o ego tem de mais pegajoso, vêem? Laços de apego são tudo quanto tem que ver com o carma. Mas nisso reside o problema. Essas emoções podem tornar-se numa susceptibilidade quando vos identificais uns com os outros na qualidade de seres humanos. Por conseguinte elas não são negativas mas apenas meras oportunidades de crescimento.


Eu diria que o melhor remédio para os bloqueios da energia são as ameixas. Ai, peço-vos imensa desculpa. Jamais consigo resistir a essa. Mas de facto o humor ajuda. Aquilo a que se resume é que o melhor é não considerar a vida de modo demasiado sério. Além disso, quando se sentem bloqueados, o provável é que estejam presos a um acontecimento que parece estar a bloquear-lhes o progresso espiritual, ou a carregar um lastro de acontecimentos ao contrário de serem verdadeiramente espirituais e de saberem que o vosso espírito os deverá levar a transpor o curso dos acontecimentos.


Aprofundem também a vossa meditação e sentido de amizade, e debatam os bloqueios com os outros. Não é que devam reservar-se completamente para vós e exercitar a vossa senda através dela. Conversai sobre isso com os outros. Além disso equilibrai os chakras. Muitas vezes uma massagem também auxilia.


Poderão ultrapassar a frustração se perceberem com ela os condiciona. Eu ultrapassei a minha própria frustração ao sondar aquilo por que me sentia frustrado e de seguida ao decidir que não valia o esforço. Por exemplo, frequentemente brinco com o facto de não ter encarnado durante os últimos quatrocentos anos devido a que, por causa do império Britânico se achar espalhado por toda a parte, não ter descoberto um local decente onde encarnar. Ora, isso é uma tolice, por os Britânicos se estarem a vingar ao manterem o velho Tom fora do corpo e ao impedi-lo de voltar aqui em baixo e endireitá-los, possivelmente, como quem diz. Agora, isso é um tanto limitativo, não? Portanto, quando percebem que as vossas frustrações lhes limitam a liberdade, eventualmente decidirão ultrapassá-la.


Todos vocês necessitam de uma experiência prática da alegria. Enquanto Irlandês, eu passei por um bom bocado de experiência pessoal em relação aos velórios, que supostamente representam uma ocasião de pesar. Mas tudo quanto fazíamos era botar a tampa para baixo e despedir o velhote no seu caminho. Que melhor forma de o aceitar que essa? Afinal de contas, vós celebrais ao virem ao mundo, passais uns setenta anos de infelicidade aqui, e de seguida pranteais alguém que goza da oportunidade de partir. Essa só pode ser a piada bastante mais sinistra que poderei ter escutado!

(Fim do trecho)

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