domingo, 13 de julho de 2014

A SEXUALIDADE E AS RELAÇÕES HUMANAS



JOHN

A sexualidade e os relacionamentos humanos são praticamente sinónimos, pelo facto da sexualidade humana não se achar confinada ao acto sexual em si mesmo, mas constituir uma energia contínua que se gera com todos cada e com cada um. O propósito da sexualidade humana é o de conduzir (ou atrair) as pessoas a níveis de intimidade. Não foi projectada como barreira que pudesse gerar consciência de si; foi concebida para levar as pessoas a um relacionamento humano. Por ser nos relacionamentos que negociastes níveis de intimidade, e uma intimidade aberta e negociada constituem a pedra angular da interactividade que têm uns com os outros, o que em si mesmo representa a vida.

A sexualidade humana é mais do que a atracção que se gera entre as pessoas; faz parte do carácter e da composição da identidade humana. Em termos esotéricos, a sexualidade encontra a sua sede de consciência no segundo chakra. Aqui, tanto no macho como na fêmea, encontramos as fundações tanto da identidade pessoal como a da própria sociedade.

A separação dos papéis sexuais por posições ditadas pela sociedade é uma das formas em que a sexualidade humana tem sido usada com o objectivo de dividir a raça. Existe unicamente uma raça, a raça humana. Tais divisões sexuais arbitrárias presentes nas diversas culturas não passam de um exemplo da negação da plena liberdade humana. Na verdade, em meio à luta exercida pelo género humano, a primeira opressão significativa é a da sexualidade. A inflamação dos fortes instintos humanos – o desejo de intimidade, de estimular e de reproduzir – traduz-se por forças tangíveis e poderosas políticas e sociais.

Para compreenderem a sexualidade humana precisam tornar-se um com a vossa própria sexualidade. A maneira de conseguir isso não é dividindo-se em papéis de macho e fêmea, mas fundindo esses papéis na totalidade dentro de vós. Apenas quando alcança, o estado de androginia e aceitam tanto o masculino como o feminino, e que vós e tudo quanto vos diz respeito se torna emancipado. É apenas quando cada um se torna andrógino e acrítico ou imparcial quanto à sexualidade dos outros e à sua expressão (conquanto seja fruto do consentimento de ambas as partes) que todas as diversificações da sexualidade humana se fundem e encontram uma senda comum que é tanto emancipadora e unificadora. Ser andrógino é não ser masculino nem feminino ao nível da personalidade, mas tornar-se um, situação em que se equilibram ambos os aspectos.

As origens da sexualidade humana datam da civilização esotérica da Lemúria, em que o corpo físico era tanto masculino quanto femininos contidos num só, ou andróginos. Os Lemurianos reproduziam-se por vontade própria após profundos actos meditativos. As glândulas mamárias não eram proeminentes senão até ao parto, altura em que o indivíduo assumia o aspecto de uma mulher conforme o entendem nos dias actuais; mas antes do parto, tinham mais uma aparência masculina. Apenas mais tarde, por altura da civilização esotérica que foi a da Atlântida, que se deu a divisão de macho e fêmea. Pois, conquanto preconceitos de local de origem e de raça tenham sido ultrapassados na Lemúria, um teste final fez-se necessário a fim de assegurar a perfeição da consciência humana. Daí a divisão em macho e fêmea, em que o verdadeiro conhecimento de si mesmo enquanto espírito poderia ser testado no seu estado final de androginia, independentemente da forma física de polaridade que o espírito ocupasse.

Nos tempos da Atlântida pois, encontrais os início da criação das condições culturais que agora experimentais – dos homens a exercerem domínio sobre as mulheres. Pois embora nos níveis da alma, ou nos planos de Deus enquanto tal homens e mulheres sempre tenham sido tratados por igual, na manifestação do plano terreno, o homem, ao possuir um corpo físico mais forte e ao ser um caçador por entre as tribos primitivas após o afundamento da Atlântida, chegou a exercer domínio sobre a mulher. Além disso, após o afundamento da Atlântida, muitas tribos reverteram para as formas inferiores que designais por “primitivas,” em particular sob a forma de Cro Magnon. Isso explica as formas de arte altamente desenvolvidas que apresentavam, por serem os guardiões do conhecimento da Atlântida, em vez de praticantes directos. Eventualmente as suas práticas foram integradas nas elevadas culturas do Egipto, da Babilónia, e em outras. Aí descobris as raízes dos relacionamentos entre homens e mulheres.

Isto não pretende dizer que o teste se tenha dado apenas entre homens e mulheres, porque na verdade se deu entre mulheres e mulheres, e homens e homens também, a fim de integrar essas actividades num todo. Desse modo se deu a origem de, e a necessidade de, práticas tântricas, em que a sexualidade humana era usada tanto a fim de negociar relacionamentos como para integrar as faculdades da mente, do corpo, e do espírito de uma modo mais pleno. Novas emoções e conceitos acorreram aos indivíduos que não tinham iniciação nessas práticas. A supressão da sexualidade deu origem às várias fobias e histerias que ainda empestam a vossa sociedade nos dias actuais. Uma sexualidade promíscua conduziu a desequilíbrios, agressões, e a constrangimentos, e à necessidade de justificar tais comportamentos.

Nos rituais tântricos, primeiro dava-se a abertura dos chakras e de seguida as preliminares que envolviam as várias zonas erógenas do corpo físico. Por fim – e isto é posto no mais simples dos termos – dava-se a cópula. Várias posições assumidas nas preliminares iniciais não se diferenciavam das posições usadas pelos estudantes da Ioga.

Elas não só realçavam o prazer como eram usadas especificamente para regular os fluxos sanguíneos, e por conseguinte os fluxos da consciência, a partir das várias sedes da consciência localizadas no corpo físico até aos órgãos internos. Em última análise, as preliminares sempre incorporam certos princípios de natureza tântrica. A estimulação de cada parceiro com base no próprio princípio do prazer estimula os fluxos sanguíneos no sentido das diversas porções do corpo físico, em particular durante o orgasmo.

Ao explorar o corpo físico do companheiro, as pessoas descobrem certas áreas sensíveis que chagaram a designar por “zonas erógenas.” Se estudadas cuidadosamente, essas áreas da sensibilidade, em particular aquelas dotadas de uma natureza altamente concentrada, deviam revelar um padrão ao longo do fluxo dos meridianos do corpo físico. Se cuidadosamente mapeadas, uma pessoa conhecedora descobriria que o estímulo das correntes sanguíneas flui para essas áreas, ou que o estímulo desses meridianos por meio do acto erógeno, começaria a gerar um diagrama da consciência da pessoa; e que ao mapear as zonas erógenas no corpo físico e ao comparar os pontos meridianos, se obterá um modelo da consciência do indivíduo. Isso deve-se a que o estímulo das áreas erógenas no corpo físico enviem os fluxos sanguíneos necessários para essas sedes da consciência, activando-as na personalidade.

Desse modo o acto sexual não se destina unicamente à libertação de tensões; até mesmo na mais simples das maneiras de preliminares, o que constitui um acto tântrico em si mesmo, dão-se alterações efectivas na personalidade. Se esse princípio for inteligentemente aplicado, aqueles que partilham das intimidades do avanço do acto sexual, realçam, e espiritualizam a personalidade ao incrementarem a força vital através dos fluxos dos meridianos e da concessão às correntes sanguíneas de uma maior à-vontade quando há tensões libertas do corpo físico após o orgasmo.

A kundalini constitui o despertar das forças espirituais dentro de vós. A sexualidade é muitas vezes uma das mais poderosas sedes ou centros para abrir a kundalini e as sedes da consciência aí localizadas. É sensato abrir a kundalini através da partilha natural e íntima do acto sexual, porventura por intermédio dos meios preliminares sugeridos, e de seguida pela entrada na intimidade sexual. O próprio orgasmo pode provocar a abertura de todos os chakras e das sedes da consciência, caso, após o acto sexual, a meditação suceder a fim de manter a energia no corpo físico. Essa energia, que se acha encerrada no sistema, abre então a kundalini naturalmente, após ter equilibrado e alicerçado as sensibilidades emocionais no próprio acto sexual.

A abertura da kundalini constitui a fusão dos meridianos, os tecidos neurológicos (do sistema nervoso), a estrutura do esqueleto, e todas as outras funções da mente, corpo e espírito num único estado de consciência.

Tem sido referido que no próprio acto sexual se gera um esgotamento de energia, em particular na ejaculação, da parte do homem para a mulher. O que efectivamente sucede é uma reversão das polaridades. Após o acto sexual geralmente sucede um estado de passividade no homem e de actividade na mulher. Se ambos esses estados se consolidassem em ambos os indivíduos e eles meditassem neles, o estado andrógino seria alcançado, e desse modo o total aprimoramento e fecho da energia. Mas não se dá perda nenhuma de energia da parte quer do homem quer da mulher.

O acto sexual resulta numa reversão das polaridades, desse modo provocando um estado andrógino nos indivíduos. O estímulo do acto sexual é comprável ao da acupunctura, da acupressão, e a outras forças que operam juntamente com os meridianos do corpo físico. Isso permite que a personalidade flua ao longo das linhas naturais da sexualidade e atraia indivíduos que tenha conscientemente escolhido nesta vida. Isso torna-se de seguida no ponto de equilíbrio de que a individualidade brota.

Tais princípios servem para desenvolver as relações humanas, por uma mais elevada compreensão do verdadeiro propósito da sexualidade permitir um aprofundamento das relações entre as pessoas. Mas além disso, a sexualidade humana constitui um fluído magnético que brota de todas as pessoas e actos como uma força atractiva, não só ao nível biológico como também sobre um princípio magnético literal, criando uma força continua para atrair as pessoas para os relacionamentos humanos.

A sexualidade constitui a atracção entre dois indivíduos com uma mesma mentalidade. De acordo com certos padrões cármicos, tanto no nível da alma como do mental, que é a personalidade (ou seja, a personalidade é moldada pelo meio imediato desta vida particular). Assim, pois, existe o princípio da reincarnação – por a sexualidade ser, a vários títulos, ser moldada por vidas passadas.

A sexualidade constitui um diálogo entre dois corpos. Caso os corpos sintam atracção um pelo outro, então todas as trocas de linguagem corporal, o cultivo do acto sexual seja por que meios for, e as várias manipulações exercidas sobre as susceptibilidades dos dois corpos no acto sexual constituem em si mesmas um diálogo em que a pessoa descobre, nos níveis subliminares, a libertação ou incremento de tensões, de acordo com o modo como a mente consciente percebe a experiência.

O orgasmo biológico constitui o culminar de todos esses diálogos. É a mensuração do sucesso dos diálogos apresentados anteriormente. É a força motora que atrai homens e mulheres para, não tanto o contacto físico um com o outro, mas também para a comunicação sobre os níveis espiritual e emocional.

A sexualidade, quer de carácter homossexual quer de carácter heterossexual, constitui a exploração das vossas personalidades enquanto seres encarnados, ou enquanto espírito que habita a carne. A preferência sexual de um indivíduo não devia ser vista como coisa boa nem má – tais preferências não passam da função do diálogo que o corpo mantém para com e e com outro.

A homossexualidade, ou o sexo entre macho e macho ou fêmea e fêmea, não passa de uma partilha de intimidade. A divisão entre masculino e feminino foi responsável pela criação da sexualidade humana, ao cruzar todas as linhas da experiência – inclusive a homossexualidade, a heterossexualidade, e a bissexualidade. Cada parte está em igualdade de circunstâncias na lição de que - pala expressão sexual e pelas intimidades inerentes ao relacionamento humano - cada indivíduo devia ser equilibrado, carinhoso, e altruísta.

Em termos bíblicos, a homossexualidade era considerada uma forma de prevenção da natalidade – em particular, quando afectava a linhagem masculina directa. O povo Hebreu, para poder sobreviver enquanto tribo nómada, tinha que garantir uma natalidade fecunda devido à elevada taxa de mortalidade verificada entre as crianças. Essas coisas aplicavam-se principalmente nos tempos de Moisés, embora também tenham surgido nos ensinamentos de Paulo, já que ele estudava tanto a lei de Moisés quanto o Novo Testamento do mestre conhecido como Jesus.

A interpretação bíblica disso refere que todas as coisas se encontram num estado de evolução. A maior parte da ênfase verificada na Bíblia é colocada na luxúria, onde reza que: “Eles ardiam de luxúria e de paixões impuras uns pelos outros.” A luxúria é energética ou violenta. Diz que: “As mulheres desviaram-se do uso natural dos seus corpos e ardiam de luxúria umas pelas outras.” Isto não significa tanto um comentário acerca das práticas homossexuais mas mais acerca da concupiscente maneira em que as pessoas manifestavam dos diálogos corporais. Assim a ênfase é colocada na luxúria, que significa egoísmo, egocentrismo, e não no desejo quer por companhia quer por equilíbrio da experiência da alma, a qual vem através da reincarnação. Por conseguinte, trata-se mais da interpretação que é feita da Bíblia do que da Bíblia em si mesma, que soa estranhamente peculiar nestes dias que correm.

Saibam, pois, que a sexualidade não passa do fluído magnético que vos atrai para a intimidade, de forma que possais então desenvolver relacionamentos. Por ser através do testemunho que passais uns para com os outros que possuem vida e a vivem em abundância. A vida constitui as interactividades que exerceis uns para com os outros, as quais lhes permitem dar expressão àquilo que Deus é. E deus é amor, amor é harmonia, e a harmonia gera paz. Deviam abordar todos os vossos relacionamentos com uma atitude de amor.

Por vezes procuram compreender a sexualidade através das diversas estruturas que tendes da moral. Mas à medida que prosseguirem na descoberta de que essas coisas são determinadas nos níveis da alma, compreenderão que, em Cristo, não existe nem masculino nem feminino. Deus não os julga no sentido da masculinidade nem da feminidade, nem acerca da natureza da sexualidade que manifestarem, A existir um julgamento fidedigno, ele dar-se-á unicamente ao nível da compreensão e do grau em que manifestam o mandamento do amar a deus de todo o vosso coração e mente e o próximo como a vós próprios. Em Deus não existe divisão; não existe masculino nem feminino. Existe unicamente um Deus, um amor, o qual representa harmonia. E harmonia é o que deve ser estabelecido por entre o género humano.


ATUN-RE

Ah, Atun-Re dirigir-se-ia aos filhos para lhes falar. Abençoados sejam. Perguntaram acerca do celibato. Quantos conhecerão essa experiência voluntariamente? A prática do celibato não deve ser entendida como supressão, mas a canalização da energia, por deliberação consciente, para os estados mais elevados. Representa olhar para cada pessoa com gentileza e de uma forma íntima e não suprimir aquilo que pode ser natural, mas permitir que aquilo que é natural flua por toda a forma física.

O celibato devia ser utilizado com sensibilidade e prudência, através da meditação. Poderão utilizar a energia de modo que flua de uma forma uniforme e para se tornarem num estudante completamente dedicado da senda espiritual. Até mesmo a prática do celibato por padrões compostos de avanços e retrocessos contribui para a saúde e o bem-estar do indivíduo, e para os educar para as necessidades da vossa forma física. Alguns de vocês tagarelam sobre: “Já suportei imensa privação. Sinto-me tão stressado.” Nesse caso lançais-vos à mercê de qualquer um. Esse é um triste estado de assuntos humanos. Se tivessem que canalizar essa energia, acrescentariam bem-estar ao vosso próprio corpo físico. Haveriam de o remodelar, de o tornar atraente. E haveriam de criar um fluxo constante de energia ao vosso redor, um fluxo mais relaxado, dotado de uma menor ansiedade e pôr menos de parte as pessoas com quem desejariam negociar intimidade. Porque cada pessoa constitui um templo, e cada templo deveria ser respeitado com reverência.

O verdadeiro praticante do celibato permite que o relaxamento sobrevenha ao corpo físico de modo que ele ou ela não se vejam dominados pelo sexo. Porque a sexualidade humana precisa fluir com naturalidade a partir do indivíduo e ser justamente canalizada. Então haverá relaxamento sobre a forma física, assim como a alteração efectiva das características do indivíduo. Por vezes, sobrevêm-lhe um novo tipo de luxúria, ou estatura adicional, ou uma correcção de dificuldades no fluxo e movimento da forma física. E se for utilizada de forma sensata, e com discrição, o celibato poderá realçar o relacionamento que têm com Deus. O que não quer dizer que o celibato constitua a única prática – não passa de uma prática singela, comparável à meditação ou à oração.

A escolha entre uma sexualidade activa e o celibato fica ao critério de cada um. Ambas constam de disciplinas. E uma sexualidade indisciplinada pode chegar a ser tão punitiva quanto o celibato estritamente forçado das diversas culturas e religiões. A sexualidade e o celibato têm idêntico valor se praticados com consciência.

Se uma pessoa negociar de forma adequada e tântrica, sele ou ela abordar o acto sexual com uma atitude de consentimento e de carinho e praticar o tantra com uma intimidade negociada, então, na verdade, colherá benefícios disso.

O tantra constitui a canalização da energia sexual para o bem-estar espiritual. Não deveriam ser menos cautelosos com uma prática das técnicas tântricas do que deveriam sê-lo nos outros aspectos do viver. Devem tratar tudo não com precaução, mas com sensibilidade. Poderão abusar de vós próprios ao mergulharem em relacionamentos que não lhes tragam satisfação. Poderão abusar de vós próprios fisicamente ao negarem ao vosso corpo os próprios nutrientes de que necessita. Com o kundalini não é diferente. Não é nada que deva ser temido, mas algo que deverá ser tratado com sensibilidade. Precaução implica um perigo já presente. Eu diria que o perigo surge apenas da falta de sensibilidade.

É através da sensibilidade que poderão abordar qualquer forma. A prática da meditação e da respiração constituem duas formas que poderão ser altamente benéficas. Não as abordem de uma forma arrogante, por isso poder romper padrões emocionais que vos são necessários para um equilíbrio e para tratarem das questões do mundo. Se abordarem o que quer que seja de um modo arrogante me vez de sensibilidade, expõem-se a perigos. A kundalini actua apenas aquilo que para que a encaminharem. Em si mesma, é impessoal.

O propósito do tantra é o de elevar a consciência das pessoas de forma que se tornem mais conscientes de si mesmas em todas as áreas, e não apenas no contexto do relacionamento. Recomendamos o modelo que o John sugeriu – a mais simples forma preliminar que envolva a estimulação do corpo físico, que culmine na intimidade do acto sexual. Esse modelo em si mesmo é de natureza tântrica. Mas se desejarem praticar o tantra, percebam que também pode ser praticado no celibato, por meio da meditação, pela canalização das vossas energias celibatárias para as dimensões superiores da vossa forma física. Poderão desejar aumentar o conhecimento que têm destas questões a partir daqueles sistemas orientais de pensamento que organizaram a informação sob a forma de manuscritos em que falam de uma fluência natural do amor e do erotismo e o estímulo que provocam na consciência.

Os indivíduos deviam sentar-se, meditar, e de seguida negociar aquilo que querem de verdade um do outro antes de penetrarem no acto, ou de porem termo a um relacionamento. Isso representa o verdadeiro ponto inicial do processo de espiritualização. Quando um casal não mais consegue ser honesto um com o outro, então o relacionamento não poderá crescer mais. Um casal que seja honesto um com o outro sempre descobrirá um crescimento adicional no relacionamento que mantiverem. 

A dificuldade associada ao adultério, conforme o designam, está no facto de um dos parceiros se tenha votado ao segredo sem o conhecimento do companheiro, muitas vezes trazendo um terceiro partido de volta para o leito com ambos, através do visionamento, pois isso pode ser pressentido pelo amante astuto. Que efeito causará isso? È mais a desonestidade da parte de um do que o acto em si mesmo que poderá suscitar qualquer energia negativa, por intermédio de um processo de internalização em vez de uma completa abertura e da criação de um espaço dentro desse relacionamento. Por ser possível, até mesmo no caso daqueles que tenham feito votos de monogamia, permanecer aberto e honesto, e dizer que deseja explorar os seus sentimentos que tem por outra pessoa. Nesse caso, talvez possa estabelecer agregados familiares separados a fim de explorar essas coisas, e ainda assim preservar a singularidade do seu relacionamento. Portanto, a palavra-chave é honestidade.

A honestidade não representa o derramamento das emoções pessoais, mas a presentação das seus sentimentos e a disponibilidade para dar ouvidos ao outro, e de seguida negociar a partir daí.
Se houver honestidade, se houver abertura não resultarão danos. O único dano será aquele que é internalizado, por a pessoa que internaliza por vezes sente suspeição em termos vibratórios que por sua vez se transforma em stress, e um ácido que poderá corroer o carácter do indivíduo.

A energia sexual, devidamente equilibrada e canalizada ao longo do corpo, poderá ser usada como uma força magnética para atrair as pessoas apropriadas às vossas circunstâncias de vida. A redução do stress na forma física, por intermédio da sexualidade, e também se torna regeneradora da vida. A sexualidade constitui um elemento-chave, a energia-chave através da qual poderão operar conscientemente no sentido de negociarem os níveis da intimidade que desejarem com as pessoas.

Recomendaríamos que não aplicassem a sexualidade de uma forma promíscua, e que evitem ser como gibões aos saltos por entre as árvores. Torna-se sensato aplicar a consciência e a sinceridade ao relacionamento. Isso não quer dizer que se devam retrair ou proteger-se constantemente atrás de longas vestes ao circularem pelas ruas. Não, encorajámo-los a trabalhar com a meditação a fim de reduzirem o stress e, acima de tudo, a livrarem-se do temor nos relacionamentos. Além disso expandam o conhecimento holístico que têm acerca das várias doenças venéreas transmissíveis, por existirem métodos directos de os aliviarem. Mas acima de tudo o mais, a meditação representa um papel chave nisso – fundir-se, torná-lo num acto tântrico, dotado de um profundo respeito de parte a parte.

Na verdade, as doenças venéreas de que padecem geralmente procedem da supressão ou abuso da criatividade do indivíduo. Tem muito pouco que ver com a sexualidade ou a moralidade em si mesma, já que pode ser captada apenas num acto sexual, e geralmente quando um indivíduo se encontra sob elevados graus de stress. Em relação à sexualidade, diríamos que uma sexualidade suprimida constitui uma criatividade suprimida. Diríamos que o aborto constitui a escolha consciente de uma pessoa que não se sente suficientemente amadurecida para trazer uma alma ao mundo. O aborto espontâneo é considerado um acto de Deus. Em certas culturas representa um acto punitivo destinado a esmagar uma pessoa sob um papel social. Nos dias presentes, certos medicamentos e procedimentos tornam o aborto disponível às mulheres e concede-lhes uma escolha consciente. Eu diria que como o aborto espontâneo ocorre na natureza, precisará ser utilizado conscientemente pelas pessoas. Para este velho, contudo, o nascimento é igualmente nobre, e caso levado a bom termo, talvez esse pacote precioso da alma completamente encarnada posso ir até àqueles que lhe transmitam amor e carinho. Mas recordem, se ambas as partes, masculina e feminina, tiverem desde logo usado de sensibilidade, aí nem o aborto nem a adopção teriam constituído um problema.

Quanto à violação, diríamos que os seus efeitos nefastos podem ser percebidos no trauma que a pessoa experimenta, nas cicatrizes que são deixadas na psique, e nas imagens que são impressas na pessoa. Elas poderão ser aliviadas através da meditação e limpeza da alma da pessoa a fim de restaurarem a sua auto-estima e perceber que não foi ela quem estimulou tal acto, mas um indivíduo brutal e incompleto. Diríamos que a violação é cármica mas não punitiva.

Nos domínios espirituais, gera-se uma troca sexual consciente entre aqueles que preservam um nível qualquer da personalidade humana. Dá-se uma prática da sexualidade humana sob formas de intercâmbio tanto de informação como de energia. Há quem tenha aprendido muito através do acto sexual e, caso o deseje, poderá ainda envolver-se nesse acto num estado desencarnado, por intermédio da visualização. Porquanto a verdadeira encarnação dá-se na personalidade humana. Vós não vos achais verdadeiramente encarnados num corpo humano, mas encontrais-vos encarnados numa personalidade humana. E como é da personalidade que brota a sexualidade, a sexualidade humana é ainda praticada no estado desencarnado e pode ser visualizado sob a forma da cópula sexual de acordo com a consciência da pessoa. Mas geralmente, dá-se mais sob formas de troca de energia.

É referido que o homem e a mulher se encontraram certa vez numa única forma e que vós vivestes em corpos arredondados. Tornaram-se de tal modo poderosos e arrogantes que ameaçaram rolar montanha acima e desafiar os próprios deuses. E assim a Deusa do Amor veio para a conclusão: “Vamos dividi-los ao meio, que assim vão-se ver de tal modo a brigar uns com os outros que não nos irão incomodar mais.” Quão bem-sucedidos os deuses não terão sido!

Traduzido por Amadeu António




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