domingo, 13 de julho de 2014

A BUSCA DE PODER PESSOAL



Traduzido por Amadeu António

John

Para compreenderem a natureza do poder pessoal, precisam entender a natureza do poder em seu pleno direito. O poder constitui um foco único não para a mudança – por não existir coisa alguma como mudança - mas mais para produzir movimento num sistema ou estrutura. Dado que o movimento confere a ilusão da mudança, o homem desperdiça imenso tempo na busca do poder de modificar as coisas. Mais ainda, se procurarem obter movimento, o qual representa inspiração, então terão obtido a chave do poder pessoal.

A natureza do poder pessoal, pois, não reside tanto na busca da produção de mudança nem na utilização do poder da vontade, mas muito mais na produção de movimento num conjunto de coisas ou de circunstâncias que eventualmente conduzirão a resultados que tanto poderão como não ser materiais. Só um tolo busca poder a partir dos ganhos materiais. É um disparate dizer que o dinheiro represente poder, por o dinheiro poder conseguir apenas coisas materiais. O verdadeiro poder pessoal é a faculdade de exercer influência. Talvez as palavras “poder” e “influência” se traduzam literalmente uma pela outra, não muito diferente de “amor” e “harmonia”, que representam uma e a mesma coisa.

Não existe nenhum bem; não existe nenhum mal – existe unicamente o homem e os sistemas de juízo que emprega. E quando percebem que não existe coisa alguma como mudança mas tão só movimento, então compreenderão que em vez de procurarem mudar aquelas coisas que os afligem, deveriam tentar afastar-se delas rumo a uma consciência mais elevada e mais grandiosa, num acto de amor e de harmonia.

O homem sensato buscaria a influência sobre os assuntos das coisas conformem se apresentam, assim como a compreensão daquelas coisas que se encontram ainda por existir. Isso equivale a mergulhar no futuro, o que representa, por direito próprio, um poder.

A inspiração constitui uma forma elevada de poder. Em todo o homem e em toda a mulher existe um desejo de exercer inspiração ou o fogo (ânimo) directo interior. Aquele que compreende a verdadeira natureza e uso do poder pessoal procurará produzir inspiração.

A inspiração procede de uma fonte única, que é a harmonia. È através do exemplo pessoal que homens e mulheres são inspirados, e desse modo se dá a conquista do poder pessoal. A harmonia dentro de vós, que representa amor, constitui poder pessoal. Por conseguinte, se buscarem estabelecer harmonia em vós, então essas coisas provocarão uma influência nos outros por intermédio da inspiração.

As pessoas utilizam o termo “poder” por desejarem mudança. Se pensassem mais em termos de “movimento” em vez de “mudança,”, utilizariam o termo “inspiração.” Por a inspiração ser a faculdade de provocar movimento dentro de vós. Por conseguinte, o poder, o movimento e a inspiração são sinónimos. O único poder de que precisam é da inspiração dentro de vós, o que representa o movimento do espírito. 

Não existem coisas tais como estrutura ou organizações, apenas existe a influência das pessoas. Por conseguinte, o homem sensato buscará exercer influência em vez de poder a fim de produzir uma mudança directa. As pessoas não mudam. Nada de novo existe sob o sol. Em vez disso, buscai influenciar aquelas coisas que já existem. Buscai a pedra angular da influência, a qual representa a inspiração.

Não existe coisa alguma como mudança. A mudança não passa da busca que o homem empreende no sentido de reordenar as circunstâncias que sempre existirão no seu meio. Sempre tereis pobres convosco, mas a pobreza é relativa à consciência do indivíduo. Há muita gente que leva existências monacais e que no entanto é rica no sentido de possuir todas as coisas, ao se terem emancipado de todas as coisas. Há também aqueles que desejam servir de foco para o fluxo de dinheiro. Esses assemelham-se a um prisma em relação a tais actividades e permitem que os atravessem, transmutando-as em diversas cores.

O poder constitui a capacidade de estabelecer harmonia dentro de vós, o que por sua vez faculta a capacidade de inspirar os demais. Porque se a mente estiver repleta de caos, então desejarão paz. E é o alcance dessa paz e dessa harmonia, que lhes conferirá a capacidade de exercer influência – não tanto sobre os outros, mas com os outros.

Jamais busquem o domínio pelo uso do poder pessoal; mais ainda, busquem operar com o poder que têm. Com tal direito, obterão a maior influência. Criem um vazio e Deus preenchê-lo-á. Criem a necessidade e de seguida, não criem tanto o desejo junto com outros de preencher essa necessidade, mas permitam que percebam essa necessidade em si mesmos, de modo que assim consigam servi-los. Com um equilíbrio assim, cada um servirá o outro, e gerar-se-á a criação de uma perfeita harmonia., que representa perfeita inspiração, e por conseguinte um perfeito poder.

Assim, e uma vez mais, qual será a natureza do poder pessoal? É a capacidade de causar inspiração sobre um conjunto de influências que já têm existência, em que o resultado final poderá ser material, mas isso não deve constituir a procura no seu direito próprio. 

A materialização constitui um dom directo que deriva de Deus e que não resulta do poder pessoal. O poder pessoal situa-se no domínio do concreto, e a materialização permanece no domínio do mental, ou porventura no seu mais elevado nível, enquanto a projecção que é de um objecto noutro. Esses são os reinos do espírito, os quais representam os domínios de Deus, o poder pessoal não procede da extensão do ego mas mais da obediência correcta das leis de Deus, por intermédio da oração e da educação. E as derradeiras influências são como as representariam nos níveis do físico. A materialização representa a visualização directa e a directa manifestação das faculdades divinas.

Todas as coisas devem ser edificadas com base na verdadeira energia, que é o amor. Porquanto se amarem alguma coisa, possuirão uma compreensão minuciosa dela, e ela, por sua vez poderá prestar-lhes um serviço.

Para obterem poder precisarão tirar proveito da inspiração. E para isso, primeiro precisam meditar. A meditação é oração dirigida a deus, o qual é inspiração por direito próprio. Em meditação, centrem-se naquilo que desejam manifestar através da natureza do poder. Porquanto talvez a maior verdade seja a de que o poder não passe do vínculo que têm com aquilo que desejam manifestar. Por conseguinte, sentem-se em meditação. Acalmem-se e procurem conduzir a vós, directamente, por intermédio da meditação, pessoas junto com quem poderão manifestar esses instrumentos necessários; ou procurem acalmar-se o suficiente para obter uma clareza tal na vossa própria visão que possam dirigir essa visão directamente para aquele que seja necessário inspirar.

O poder pessoal são actividades encenadas ao nível do indivíduo. Elas poderão achar-se em harmonia com as leis de deus, mas não constituem necessariamente as actividades directas de Deus. Essas coisas não são boas nem más; não passam da influência de um conjunto de circunstâncias destinada a manifestarem aquilo que é desejado ou percebido como uma necessidade particular. Busquem a mais elevada harmonia em todo o tipo de coisas, por Deus já conhecer as necessidades que têm. Desse modo, e através de uma oração adequada e da meditação, poderão manifestar as mais elevadas percepções que Deus tem para vós. Isso não quer dizer que existe bem ou mal, ou superior e inferior, na manifestação do poder pessoal; só pretende referir que essas coisas não passam de instrumentos destinados à utilização em particulares alturas do vosso crescimento.

O poder pessoal não passa de instrumentos. Não representam luzes que iluminem a senda, mas os instrumentos destinados à construção da própria senda. Por ser à luz de Deus, e estar circunscrito das leis de Deus, que todas essas coisas devam ser feitas. Deus é amor, e é num amor assim que deverão manifestar as derradeiras e mais elevadas verdades dentro de vós. Por conseguinte, o poder pessoal constitui unicamente o desejo de manifestar a percepção da necessidade pessoal, primeiro através da meditação, de seguida por intermédio da inspiração, e depois da concessão dessa inspiração a outros, e da inflamação dela neles, naquilo em que poderão achar-se em harmonia com o que percebeis como a vossa necessidade.

Essa é a natureza do poder pessoal, influenciar o conjunto de questões pelas quais vós, por vosso turno, devereis eventualmente moldar a manifestação do material. Uma vez mais, façam todas essas coisas à verdadeira luz de Deus, a qual é o amor, que por sua vez constitui harmonia dentro de vós, de onde todas as coisas se deverão estender.

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