segunda-feira, 24 de março de 2014

OBSTÁCULOS/ BLOCOS DE CONSTRUÇÃO



Transcrição: Amadeu Duarte



...Na verdade, os velhos obstáculos não se desvanecem, porque se tal acontecesse ver-se-iam bastante infelizes e encontrariam dificuldade em crescer e em aprender, e teriam dificuldades em lidar com a realidade que se prepararam para enfrentar. E isso é importante compreender que é uma sorte que os velhos obstáculos simplesmente não de esfumassem no ar. Agora, porque será isso importante será talvez por onde precisaremos começar.


Vós criais obstáculos com um propósito, e para o colocar em termos bem sucintos, vós criais os obstáculos de forma a aprenderem os métodos de os suplantar. Ora, isso é importante de anotar: que vós criais os obstáculos para poderem aprender os métodos de os suplantar. Não só suplantá-los, e arremessar a solução: “Foi assim que o consegui, mas agora que está feito posso esquecer a coisa.” Não, vós pretendeis informar-vos acerca de métodos e de técnicas, de estilo; de um modelo de crescimento e de um modelo de evolução, ou de iluminação – seja como for que queiram chamar isso. Querem aprender isso, e por conseguinte criam obstáculos a fim de se motivarem a informar-se quanto ao método. Porque na verdade criar obstáculos apenas para os suplantar sem mais nenhuma razão, seria de algum modo fútil, e seria abeirar-se da estupidez.


De vez em quando utilizamos a analogia de construírem dificuldades para as poderem ultrapassar, e para provarem a vós próprios que conseguem saltar sobre os obstáculos, e chegamos a sugerir mesmo – nos termos dessa analogia – que conduzem até à pista de obstáculos de madrugada e que colocam as barreiras com toda a precisão e de seguida voltam a casa, e depois regressam ao meio-dia e surpreendem-se: “Quem diabo foi que colocou toda aquela sucata ali?” (Riso) E depois percebem: “Ah, pois foi; fui eu, fui eu. Está certo, foi há várias horas atrás. Agora recordo ter sido eu quem colocou aqueles obstáculos na pista, e tê-lo feito a fim de aprender a ultrapassá-los.” Bom, para usarmos essa analogia um pouco mais, que métodos serão esses que se usa a fim de se ultrapassar barreiras, etc.? Decerto que podem passar sobre eles, em vez disso, mas não é disso que se trata. Em vez disso, aquilo que trata é o desenvolvimento de uma temporização, de uma coordenação, desenvolvimento muscular, para simplificar a coisa, evidentemente.


Bem, desenvolvem a temporização, a coordenação, o desenvolvimento muscular, e correm graciosa e lindamente sobre os obstáculos; mas se não aplicarem essa coordenação, essa temporização, esse desenvolvimento muscular a outras áreas da vossa vida, então resultará num esforço fútil, entendem? E parecerá bastante estúpido; porque diabo quererão saltar sobre barreiras? Decerto que há quem, envolvido em actividades desportivas, o faça por mais nenhuma razão para além da de gastar tempo, mas na verdade o atleta consumado é a pessoa que efectivamente desenvolve os métodos do desenvolvimento atlético, e que de seguida os aplicam em outros lugares. Para o aplicar porventura a algo que tenham feito na experiência do jogging, ou da ginástica aeróbica, no caso de alguns de vós.


Realmente, para se suplantar os obstáculos, da corrida ou da actividade aeróbica, etc., precisam aprender determinados métodos, certas técnicas de respiração, determinados pontos de focagem, pontos de concentração; um certo desenvolvimento muscular e uma certa tonificação, um certo desenvolvimento físico que envolve. Mas se depois não pegarem no que tiverem desenvolvido, nos métodos que tiverem utilizado para conseguir correr ou fazer aeróbica, se não pegarem nesses métodos que tiverem cultivado e os não aplicarem noutro lugar, na verdade ter-se-á tornado numa actividade fútil.


O corredor que experimenta esse grau de concentração, esse arranque através da pura vontade, e de seguida volta a casa tomar um duche e o esquece, e que não leva esse mesmo grau de concentração, esse mesmo grau de arranque por meio da vontade para o aplicar ao trabalho ou ao relacionamento ou ao cultivo, está na verdade a gastar tempo com isso. Aquele que pratica aeróbica com o objectivo de perder peso, ou de se exercitar, ou de tonificar o corpo; se os métodos que usa e desenvolve para poder conseguir praticar a aeróbica se detiverem por aí, e não aplicar o mesmo tipo de disciplina, o mesmo tipo de intencionalidade, o mesmo tipo de entusiasmo ao resto da sua vida, bem poderão desenvolver uns músculos muito rígidos, em vez de qualquer tipo de agilidade ou de fluidez.


E o mesmo se passa com os vossos bloqueios, por de facto criarem obstáculos a fim de se forçarem a aprender métodos particulares que tanto querem como precisam aprender para poderem cultivar-se. Se por exemplo, ao tratarem do obstáculo particular da vitimização, cultivarem um método de sinceridade, um método de lidarem com a vossa vida com sinceridade e de responsabilidade, mas depois não aplicarem, essa mesma sinceridade e responsabilidade a outros segmentos do vosso viver, então a vitimização terá sido em vão. E assim, entendem, não criam simplesmente a vitimização só para provarem que conseguem ultrapassá-la; criai-la como uma motivação para cultivarem os métodos que usais. De forma similar, devia-se abordar outras partes da vida de uma forma similar – independentemente de o fazerem ou não - mas pelo menos nas áreas do cultivo essa é a intenção, entendem?


E assim, não passa unicamente pelo ultrapassar dos bloqueios mas pelo cultivo dos métodos de os ultrapassarem, e na verdade, se estivessem dispostos a cultivar os métodos de imediato, então não precisariam encontrar obstáculos no vosso caminho. Se pudessem motivar-se: “Ah, é isso que eu quero. Creio que vou começar a fazer isso...” isso seria óptimo. Mas não quereis, isso é que é. Não querem, e sabem que não querem. E por isso tendem a criar tais obstáculos e bloqueios, essas pedras de tropeço, para os acordarem e levarem a prestar atenção da existência de alguns blocos de construção que porventura seria importante cultivar.


Quantas vezes não se terão cruzado, talvez com um livro, e não terão dito: “Eu já aprendi tudo quanto havia a aprender acerca disso.”


Porque pensarão ter-se cruzado com ele? Talvez para aprenderem; talvez seja isso que precisam aprender. Significará isso que devam ler todos os livros em que pousam os olhos? Não! Mas talvez signifique que deviam aprender sobre cada livro em que pousam os olhos! E se os vosso olhos pousarem num livro que já conheçam, tudo bem, isso é uma coisa. Mas se não souberem nada a respeito nem se dispuserem a aprender por não terem tempo, isso já é outra coisa completamente diferente. “Não preciso aprender nada acerca da Originalidade; tenho demasiado que fazer, não preciso disso. Autoconfiança, ah, isso vem lá por último. Terei que chegar a isso algum dia, etc.” Não estamos a dizer que devais ler tudo, não. O que estamos a dizer é: Quão relutantes ou ansiosos por aprender sobre cada tópico vos achais? Ou considerais mesmo que nem precisais aborrecer-vos em aprender algo acerca disso, ou não? E gostaríamos de sugerir que não é tipo: “Ah, o melhor é faze-lo.” Não! De facto, o tópico: “Eu não tenho tempo para o ler, não tenho isto ou aquilo...Mas quanto àquilo o melhor é eu dar uma olhada. Quero aprender acerca disso.” 

Porquê? Não porque alguém tenha designado isso como título, mas por o terem recebido no vosso correio! Por o terem visto na vossa realidade, por terem feito com que isso aí fosse parar.


Mas na medida em que disserem: “Ah, pois, estou disposto a aprender os métodos de cultivo e as técnicas e as abordagens que de facto preciso aprender... (NT: A esta altura a gravação parece sobrepor-se, comendo o resto da frase) ...preciso ter bloqueios para o fazer, mas ao mesmo tempo descobrem, não estar a devorar cada pedaço de conhecimento e de informação que puderem, mas em vez disso relutantes em olhar para ela, ou decidirem não o fazer em absoluto. Esse mesmo facto sugere o contrário do que sugerem. 


E assim, para compreenderem que vós criais os obstáculos, pelo menos por agora na vossa realidade, por razões que se prendem com a motivação, de forma que possam gozar da oportunidade de aprender os métodos. E quanto mais dispostos estiverem a aprender os métodos sem serem incitados a tanto, menos se espicaçarão a si próprios. Vejam bem, o que acontece aqui é o seguinte: inicialmente pensam que os obstáculos existem, e a seguir, com variados graus de relutância aceitam: “Está bem, está bem, eu criei-os.” E a seguir pensam deparam-se com soluções para suplantar esses bloqueios. Uma técnica? Sim. De facto as técnicas são reunidas como métodos, na realidade, para ultrapassar, só que sugerimos que as soluções, as abordagens e os âmbitos mais amplos constituem métodos para a vida, são métodos de existência e na verdade é importante tratar deles – no vosso percurso de cultivo! Não apenas aplicar essa solução ao obstáculo, mas de seguida aplicá-lo noutro lugar, na vossa própria encarnação, e encarnações, e na vossa evolução.


Vós ou vos impelis ou azeis por vos sentir compelidos a crescer. Fica ao vosso critério. Vocês dispõem, quer de sinais que vos indicam a direcção, ou de sinais que vos dizem que vão no sentido errado. A escolha compete-vos a vós. Vocês precisam de limites, entendem? Limites que vos possam orientar. Essas limitações tanto poderão ser, quer princípios que vos puxam, que vos impelem a crescer e vos apontem a direcção e guiem antes do tempo. Ou então criareis obstáculos, que vos empurrarão no sentido do crescimento, que vos compelem no sentido de crescerem. E que vos transmitam as mensagens: Caramba, fizemos asneira, nisto. Estamos a ser um pateta, naquilo. Entramos na direcção errada de novo. Tenta de novo.”


De modo que já vêem o quanto é importante que os velhos obstáculos não se desvaneçam, o quão é importante que simplesmente não se evaporem, por precisardes dessa sinalização. A ideia está em compreendê-los, em aprender acerca deles, em ir além deles, e de seguida em aplicar aquilo que tiverdes aprendido – os métodos – enquanto continuam a avançar em frente; por entre a sinalização, por assim dizer. De modo que consigam mover-se nisso de uma posição mais positiva, digamos. Limitando a vossa vida com princípios, e impelindo e levando o vosso crescimento a arrancar, em vez de se sentirem compelidos e forçados a isso por meio dos vosso obstáculos.

De modo que os obstáculos não morrem; nem sequer se desvanecem. Apenas obtêm potenciais obstáculos novos.

...


Estão a embarcar, conforme dissemos há muito tempo, cada vez mais. Quando será esse exacto embarque? Vós estais a faze-lo e estais a faze-lo cada vez mais rápido, e as coisas estão a mudar com uma maior rapidez. E assim aquilo que estão a fazer, nesse sentido, com esse embarque nestes últimos vinte anos, de 1983 até 2003, é que estais a trazer montes de coisas novas, coisas que não têm existido por aí, estilos e métodos de abordagem que simplesmente não existiam antes para trabalhar antes. Trata-se bastante de uma nova fronteira, de um novo território a explorar, que alguns poderão sentir ser excelente – “Óptimo; mais evasivas. Mais desculpas. Bem, eu nunca passei por isso nesta nem noutra vida, de modo que me falta a experiência.” Pois é, esta é a vossa primeira vez, e dispõem da escolha quer entre ser a primeira vez da última, ou a primeira vez de muitas. O que fica ao vosso critério. E se por uma questão de adiamento disserem que vão protelar - óptimo! Mas precisarão reconhecer as consequências de tal decisão, definitivamente.


Assim, ao considerarmos especificamente esses obstáculos queremos falar um pouco acerca de dois conceitos – um dos quais é o poder do futuro, e o outro é o domínio da energia. O poder do futuro é um conceito de que falamos ao afirmarmos que o futuro cria o presente contra o cenário do passado. Na verdade repetimos isso com bastante frequência, com tanta frequência que provavelmente podíamos fazer uma maravilhosa leitura coral com a frase, ou algo assim (riso). Mas está a tornar-se mais, agora. Está a tornar-se mais predominante e mais influente e mais poderoso, esse conceito em particular: O futuro está a criar o presente contra o cenário do passado. Isso sempre foi verdade, mas está a tornar-se mais verdadeiro. E vós ides começar a experimentar isso – quer acrediteis ou não – ao passo que há um ou dois ou dez anos atrás, de facto, estava a ocorrer – o vosso futuro estava a criar o presente de encontro a esse cenário do passado absolutamente, mas teríeis que olhar para o perceber, e para o compreender. E se tivessem olhado, poderiam ter visto isso. E se não tivessem querido não o teriam percebido, etc.


Mas agora está a tornar-se mais impulsionador. Já está a ser impulsionador. E irá tornar-se cada vez mais. E por conseguinte, como se encontram envolvidos com o crescimento, coisa que todos decidiram estar, de uma forma ou de outra, assim é que isso é algo com que irão ter que lidar. Um conceito? Sim. Um método? Absolutamente. Uma filosofia. Uma atitude. Uma percepção. Uma realidade, o que quiserem chamar-lhe. O futuro a criar muito mais o presente. Obviamente! E o passado a tornar-se progressivamente mais um cenário de fundo. Assim o que significará especificamente para vós? É uma excelente frase e soa bem e encaixa na perfeição e de uma forma lírica; mas que coisa quererá dizer para vós? Antes de mais, quer dizer claramente que cada vez mais aquilo que planeiam é o que irá determinar aquilo que sois. O que planeardes ser daqui a cinco anos, ou planeais ser daqui a seis meses, irá influenciar muito mais a função que tendes hoje. E ireis vê-lo, ireis experimentá-lo e ireis conhecê-lo. E daqui a seis meses ireis ser capazes de dizer: “Está certo. Caramba, como posso constatar isso agora.” Ao passo que se o percebêsseis agora, poderiam confirmar uma percepção belíssima. Mas a questão está em que se está a tornar cada vez mais assim. O que isso significa é que cada vez menos irão ser capazes de olhar para o passado em busca de solução. Cada vez menos irá ser a criança em vós ou a vossa infância. Cada vez menos será a mãe que não vos terá amado o suficiente ou o pai que não lhes terá incutido suficiente auto-estima. Ou o pai que morreu, ou a mãe que morreu, e eles brigaram, ou ele bebia, ou ela pulava a cerca, como queiram. Cada vez menos irão utilizar essas velhas desculpas, por nem sequer virem a fazer mais sentido para vós. Já não faziam sentido para os outros há um bom tempo. (Riso)


Podem tentá-lo em vós próprios, sabem? Magoaram os sentimentos de alguém, e tentam explicar: “Bom, isso deveu-se ao facto de, quando estava com cinco anos, a minha mãe deixou-me com a babysitter de quem eu não gostava, e...” Isso soa ridículo! Não parece soar assim a vós, a quem acontece parecer real. Irão cada vez menos ter que confiar nisso. Cada vez menos a asneira que tiverem feito irá ser culpa da vossa mãe; cada vez menos virão a apontar-lhe o dedo acusador por causa do vosso falhanço; uma compensação que muitos de vós assumiram por demasiado tempo – serem, capazes de culpar os pais, serem capazes de castigar os pais pelos vosso fracassos, de modo que não conseguirão andar por aí a fazer alarde do filho ou da filha. Mas em vez disso, apontar-lhes o dedo acusador não irá funcionar mais. Cada vez mais irão descobrir que simplesmente não funciona, que não faz sentido. E irão descobrir que voltar-se-para trás, mesmo no caso de lealdade: “Vou provar que adoro a minha mãe vivendo a vida dela. Ou aderindo às suas atitudes ou crenças.” Irão descobrir que irá mais parecer tão fútil e tão estúpido, por o passado estar a diminuir. Está mesmo a tornar-se num cenário inconsistente. À medida que o futuro vai ganhando consistência na vossa própria realidade e percebimento disso.


Bom, que quererá isso da criança e do adolescente dizer? “Ah, óptimo, não vamos ter que lidar mais com isso.” Não! Não quer dizer que a criança ou o adolescente vão a algum lado. Tudo quanto quer dizer é que todos os seus receios, inseguranças, a tendência que têm de as usar na vossa realidade, não irão mais basear-se nas experiências da sua infância, mas no vosso plano de futuro. Por conseguinte, a criança em vós acha-se igualmente assustada agora, não porque a vossa mãe os possa castigar, mas por estarem a alongar-vos a áreas de que ela nada sabe a respeito. O adolescente em vós pode ser um teimoso quanto à justiça, não porque não tenha sido aceito na peça do nono ano, mas por vós estardes a estender-vos muito para além das fantasias que nutria quanto ao seu futuro. Por isso, irão existir partes igualmente activos, porventura mais ainda. Mas não por causa do que aconteceu, mas do que está a acontecer, e do que irá acontecer.


Então não podem dizer: “Ah, óptimo, não vou ter que tratar mais dessas partes de mim próprio.” Bom, não podem dizer isso! Seriam bastante negligentes se o fizessem. Mas façam o favor de compreender que com o fecho do passado, com o desligar do passado, isso não quer dizer que a criança e o adolescente venham a desaparecer, por eles não constituírem o passado, entendem? Eles existem agora! Essa é toda a questão da dinâmica da criança interior – que é o facto de não se situar realmente no passado, mas bem aqui e agora, numa diferente circunstância da realidade; mas exactamente aqui e agora. O adolescente não representa mesmo o vosso passado. Ele ou ela funcionam exactamente aqui e neste instante, numa diferente circunstância; numa circunstância que se tem baseado nesse vosso passado, com base na vossa insistência, mas como a vossa realidade agora se baseia mais no futuro, também as suas realidades. E a circunstância do adolescente ainda se situa lá, só que as suas motivações irão passar a provir do futuro e a situar-se de encontro ao cenário do passado. Tal como a circunstância da realidade da criança se situa lá, com base na circunstância futura posta de encontro ao cenário do passado.


Vós situais-vos aqui, agora, entendem? A criança, o adolescente, o jovem adulto, o ego, o pai crítico em vós – seja qual for o nome que chameis a esses componentes, também têm base aqui e agora. Mas a mudança tende a reverberar em qualquer nível. De modo que o passado não vai desaparecer; está a fechar-se, enquanto fonte de explicação, enquanto fonte de desculpa, e como um curso a tomar. Progressivamente irão descobrir que, conquanto costumassem descobrir as soluções para os problemas voltando-se para trás e tentar reconstruir o encadeamento lógico dos acontecimentos que conduziu à moléstia de que padecem; mas irão descobrir que isso não resulta. Irão descobrir que não existe um encadeamento lógico de acontecimentos, que irão tentar explicar, e que irão ter que o fazer durante horas para que faça qualquer sentido – até mesmo para vós.

Bom, poderá resultar um pouco de influência proveniente de um tipo – mas não exactamente o mesmo que essa, e aí esse tipo de ocorrência: “ Eu posso admitir que seja rebuscado, mas creio que poderás saber que provavelmente...” (Riso esparso) E passam horas a reunir essas racionalizações provenientes do passado, a desbaratar uma quantidade de tempo, por não fazer qualquer sentido e por não ver válido, e também por isso não vir a provocar a menor cedência no problema que tentam ultrapassar com tal explicação. E se o escutarem o que dizem a tornar-se cada vez mais rebuscado, dão por vós já a faze-lo, a situar-vos cada vez mais lá, em termos de pequenos incidentes bizarros que recordam que duraram um período de duas semanas, entre as idades dos sete e dos sete anos e meio, quando tal e tal coisa terá ocorrido, em determinado Halloween ou seja o que for.


“Um incidente ocorreu que de algum modo...” Ora, vamos! Não podeis seriamente acreditar que num Halloween tenha ocorrido um incidente dessa natureza seja o que te está a estragar a realidade agora. Decerto que não. Não consegues sequer acreditar nisso. 

Por não ser assim; por o passado estar a desaparecer enquanto causação. “Ah, bom, então não tenho que me incomodar em voltar e editá-lo e reconstrui-lo!” O que gostaríamos de sugerir é que ainda é válido, certamente; se quiserdes alojar sujeira do passado numa grande caixa de areia. O que é importante é limpá-lo. Sem dúvida proceder a qualquer trabalho de edição ou de reconstrução que quiserdes fazer, mas faze-lo de uma forma sucinta. Façam-no de uma forma sucinta e prossigam com ele. Para nós representa muitíssimo a analogia dos baixios do passado onde podeis onde podeis ficar encalhados. E assim, se tiverem que os limpar rapidamente e sair de lá para fora, de volta para o presente e para um futuro – onde as coisas “contam”. Além disso em parte por causa do facto do futuro estar a tornar-se cada vez mais importante, enquanto causa da vossa realidade; contra o qual justificais os efeitos que tiverdes escolhido. 

Assim, a intuição e o conhecimento irão tornar-se progressivamente mais importantes. Intuição e conhecimento – ou conhecimento – seja como for – irão tornar-se cada vez mais importantes, mais e mais irão tornar-se numa parte de vós: 

Porque estás a fazer isso? “Eu só sei que é o acertado, eu sinto-o intuitivamente.”


Como sabes que represente a solução que deves adoptar? “Eu simplesmente sei-o; não consigo descrevê-lo por palavras, simplesmente sei intuitivamente que esta é a forma de actuar.” Não saber nem intuição nos termos de: “Eu descobri o problema que tens. Eu sei intuitivamente que é isto que está errado contigo.” Não; não esse tipo de intuição. Isso é chamado de intuição chantagista. (Riso) A intuição que tendes acerca de vós próprios: “Eu intuitiva e lógica, ou intuitiva e inconscientemente sei que isto está a decorrer. “ E é para aí que deveis olhar e isso que deveis controlar. Mas é isso que vai sofrer um aumento, por o conhecimento e a intuição constituírem produtos do futuro. Constituem a precipitação do futuro. Ora bem; isso é bastante maravilhoso e excitante, contudo o que também irá envolver um terreno mais fértil para o ego se esconder; por o ego poder facilmente disfarçar-se de intuição; o ego pode muito facilmente disfarçar-se de conhecimento. E por conseguinte, se não manusearem o ego, ele irá mais facilmente esconder-se de vós, e ireis pensar que o tenhais conseguido. Se não tiverem o ego – não controlado, nem completamente amordaçado, mas pelo menos sob algum sentido de controlo, sob um certo sentido de manipulação – ele irá encontrar excelentes esconderijos – um nevoeiro denso onde se encobrir impecavelmente.


O que também se irá revelar conveniente: “Óptimo! Quero vê-lo por aí com frequência.” (Riso) É verdade! Muitas vezes confundem a vossa intuição, o vosso saber e o vosso ego. Frequentemente confundi-los caso não sejam manuseados. Contudo o problema disso está em vos extraviardes muito mais, e muito mais rápido, antes de o perceberem. Ao passo que se virem: “Tudo bem, tudo bem, eu apresento um problema de ego, aqui; um ego do tipo “melhor” porventura, um ego do tipo “especial” porventura; um ego do tipo “menor”, talvez. Um tipo de ego caracterizado por diferentes formas do meu ego que se agarram como sanguessugas ao passado; eu sei que apresento isso; mas não o tenho visto ultimamente, de forma que devo (...)” E então subitamente - Bang! – esbarrais numa enorme barreira, numa enorme desordem, e dais por vós distantes da rota: “Como foi que diabo vim ter aqui? Como terá possivelmente sido que tenha chegado tão longe sem ter noção disso? Sem o ter percebido?” Por o vosso ego se esconder em meio à intuição e à névoa do conhecimento. E certas pessoas – notai que não disse “alguns de vós” – vai longe demais, extravia-se e perde-se, e estatelam-se, sabem? Pelo menos devem faze-lo. (Riso) “Upa, lá vamos nós começar de novo!” Por vezes é bom carregar no botão “Repor”, não? (Riso)


O poder do futuro é um poder entusiasmante, mas é mortal, à semelhança de todas as coisas poderosas: entusiasmante e mortal. É entusiasmante por poderem obter uma perspectiva mais clara, por terem um maior controlo consciente, muito mais poder. É entusiasmante por poderem obter uma maior orientação de olhos abertos na vossa vida; o poder da escolha torna-se muito mais no poder de exercitar, em vez de poder da teoria. As vossas vidas podem decorrer muito mais sem problemas, muito mais de uma maneira calculada, de uma maneira positiva, muito mais alegremente: tudo isso ao mesmo tempo. Pode ser muito assustador; pode causar muito temor e tornar-se muito perigoso, porque quando saem das malhas, tendem a ir muito para além da medida, antes de conseguirem corrigir. 


Assemelha-se bastante a carregar no acelerador sob piso de sal, no Utah. Esses carros de corrida que correm a muitas milhas por hora têm uma linha em que o condutor deve fazer com que o veículo se mantenha, esses carros com motor de foguete – supostamente a conduzir, não é? Torna-se difícil de dizer se irão a conduzir ou se irão a segurar no volante. (Riso) Assemelha-se àquela coisa de estacionamento em paralelo (riso). Mas têm que manter o volante imóvel, porque se não o fizerem, se deixarem que se vire nem que seja uma pequena fracção de polegada, desviar-se-ão em demasia, por irem tão rápido que uma variação de um quarto de polegada no final resultará num desvio de milhas.


E vós estais a acelerar; estais a acelerar. E o futuro, aquilo para que apontais, está muito mais a puxar-vos, do que o passado está a empurrar-vos. Bem, os automóveis, em determinada altura, todos eles, tinham tracção à frente que puxava o automóvel rua abaixo. Agora, cada vez mais os carros são empurrados rua abaixo (tracção atrás); o que de certo modo representa uma analogia, pelo facto de costumarem ser empurrados pelo vosso passado a fim de recuperarem o atraso, e de se manterem à sua frente; mas agora o futuro está a impelir-vos, está a atrair-vos, e estais a correr cada vez mais rápido; e quando se desviam do caminho, tendem mais a perder-se. Mas quando permanecem na rota, tendem a ir mais longe. De forma que se equilibra – conforme todo o vosso universo o faz por uns magnificamente belos conjuntos de paradoxos um tanto divertidos. Assim, o poder do futuro está a sofrer um incremento, e só de pensarem nisso têm todo um sobressalto quanto à possibilidade de se desviarem: “Oh meu Deus, é o meu ego; eu pensava ser a intuição, pensava que fosse um conhecimento, pensava ser a criatividade, e agora descubro que o tempo todo era o ego.” Não tem que ser assim assustador – se se recordarem que a solução, de forma similar, reside no futuro, e não no passado.


O conceito que poderá parecer de mais difícil trato e que de muitos modos parecerá intensamente mais abstracto, é o do domínio (autoridade). Um termo dotado de um som agradável, que alude à calma e à tranquilidade, que soa de um modo um tanto religioso para alguns – se tiverem antecedentes Católicos. Nós falamos de poder, enquanto a faculdade de agir – não como a própria acção. O poder constitui uma faculdade, uma abstracção; o poder faz parte do princípio feminino. E por conseguinte, para serem poderosos, quer se trate do homem ou da mulher, precisarão estar em sintonia, pelo menos, com o feminino interior. Aqueles que estiverem em contacto unicamente com a energia masculina – quer sejam homens ou mulheres – e a exercitem, a produzam, não estão a exercitar o poder. O poder constitui a capacidade de agir, quer essa acção efectivamente ocorra ou não. De facto, muitas vezes a acção não chega a ocorrer. Poder é a faculdade de agir – dissemo-lo muitas e muitas vezes. Faz parte do princípio feminino – conforme dissemos algumas vezes. Quando o poder se manifesta, então faz parte do princípio masculino. O poder manifesto faz parte do princípio masculino, ao passo que o poder em si mesmo é feminino.


E é aí que para que a pessoa poder existir num todo precisa ter acesso e alguma familiaridade tanto com o princípio feminino da capacidade de agir, como com o princípio masculino da implementação dessa faculdade – para existir num todo, em particular na forma física, onde parece ser muito importante ter ambos separados e integrados ao mesmo tempo. Sugerimos, de forma idêntica, que o poder consta de ter domínio (autoridade) e não dominação. É uma pequena frase chave agradável de memorizar: “O poder consta de ter domínio e não em dominar; eu quero exercer domínio e não dominação; desistir do dominar em favor do domínio.” Encaixa. Ajusta-se impecavelmente. Mas de que constará o domínio? É poder, não? Bom, é algo diferente disso; é poder, sem dúvida, só que é mais do que isso. Em todo o domínio existe poder; porém, nem em todo o poder existe domínio. Portanto, se considerarmos o poder como a capacidade de actuar, o domínio teria que ser algo mais vasto. Tal como o poder constitui a faculdade de agir, o domínio constitui a disposição para agir, a vontade de agir; o que por um lado implica que a faculdade esteja presente, por certamente precisarem adquirir sinceramente a capacidade de agir antes de estar disposto a agir – quer alguma acção seja ou não implementada, recordem; não dissemos que precisam provar essa capacidade – precisam é de a ter!


O domínio constitui a vontade de agir. Implícito à disposição está todo um conceito novo – não de todo novo para vós – mas um conceito novo de poder, que é o da responsabilidade. Porque implícita à disposição para agir está o assumir da responsabilidade por essa acção; por isso, o domínio, a vontade de agir implica a vontade para assumir responsabilidade por essa acção. “Bom, isso é certo. Não fará toda a gente isso?” Não! Mas ter domínio implica ainda mais: não só implica a capacidade de agir, a disposição para agir, como a capacidade, a disposição de assumir a responsabilidade pela acção, como também implica disposição de assumir responsabilidade pela totalidade daquilo sobre que exercerem domínio. Agora; que quererá isso dizer? (Riso) Soa bem; vamos lá ver: “Toda essa capacidade e disposição para agir e disposição para assumir responsabilidade pelo acto e disposição para se responsabilizar pela totalidade daquilo sobre que se tiver assumido domínio.” Maravilhosa definição que não deve confundir ninguém, e que no mínimo vos dará a oportunidade de se porem suficiente longe antes de vos interrogarem, não? (Riso) “Espera lá, que quer...” Mas já estareis longe. (Riso)


Talvez alguns exemplos possam ajudar aqui. Vós tendes algo bastante seguro e isento de ameaça como um animal de estimação: um cão, um gato, um peixinho dourado, um periquito, sobre o qual tendes domínio. Bom, que quererá isso dizer? Quererá dizer que têm o direito de alimentar ou deixar de alimentar, o direito de dar ou de tirar a vida; têm permissão para tanto, quando estiver doente ou seja o que for. Que se quiserem, não precisará estar doente, o que geralmente não acontece com aqueles que têm animais de estimação. Mas podem abatê-lo. Têm o direito de o fazer. Não irão obter carma por causa disso. Sobre as pessoas já duvidareis poder ter domínio, pelo que realmente não podem tomar essas decisões que muitos tendem a tomar. Ter domínio sobre um animal de estimação significa, antes de mais, que tenham poder; capacidade para agir. Alguns de vós gostam de fingir não ter; um animal de estimação arruína-vos a vida, e não conseguem fazer isto nem aquilo, e não podeis levar a vida que gostariam por causa do animal, mas se olharem a coisa com realismo poderão ter poder, terão essa capacidade de actuar e realmente podem mesmo manifestar essa capacidade de actuar em meio às acções efectivas que tomam com a criação do vosso animal. Ter domínio já é outra coisa que têm em relação ao animal, por estarem dispostos a agir; por terem vontade de ser poderosos, sem que ninguém os force a ter um animal, nem os force a obter aquele animal em particular.

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