domingo, 9 de março de 2014

FORÇAS EMOCIONAIS







 CONSCIÊNCIA, ACÇÃO, CRIATIVIDADE, PRODUTIVIDADE, DISCERNIMENTO, AVALIAÇÃO, CORAGEM, EMPENHO, PERDÃO, CURIOSIDADE, EMPATIA, VONTADE E IMAGINAÇÃO; SONHAR E VISIONAR, BOM HUMOR, LIDERANÇA, AMOR, COMUNICAÇÃO

Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte

Vamos abordar um recurso inexplorado que tem tanto de poderoso quanto de entusiasmante nos termos do âmbito de aplicação que revela, nos termos do seu alcance, nos termos da visão e das possibilidades que encerra. Vamos falar-vos do recurso das vossas forças emocionais, de modo que possais compreender que força será essa, do que os impede de ser fortes, a natureza das vossas forças particulares e únicas, e por fim como desenvolver e utilizar essas forças de uma forma elegante e excelente no vosso crescimento.

No vosso crescimento chegaram, em maior ou menor grau, a tomar conhecimento de bloqueios, limitações, e num maior ou menor grau, aprenderam a corrigir esses bloqueios e limitações. Quando se confrontam com bloqueios pela primeira vez, ou quando enfrentam um novo bloqueio, um que jamais tenham visto antes, têm uma tendência real de defender esse bloqueio com o tipo de reposta clássica: “Sim, mas....” “Sim, mas deve haver algo de bom em relação a mim; sim, mas eu devo fazer alguma coisa de acertado. Devo ter alguma coisa de positivo. Deve haver alguma coisa que eu esteja a fazer bem.

Devem-me restar algumas forças, não?” E o que começa por ser mais ou menos uma declaração de desafio torna-se numa questão e em última análise torna-se num apelo. E gostaríamos de sugerir que sim, certamente que existe muita coisa positiva relativamente a vós, uma enorme quantidade de rectidão e de bondade, e decerto que existem em vós forças reais e potenciais que nem sequer começaram a compreender, ou a explorar, mas que no vosso processo de crescimento se torna importante que comeceis a tratar dos bloqueios e a desimpedir-vos deles, pelo menos a ponto de compreenderem que começaram a esclarecê-los.

Muito embora as forças e a bondade e a rectidão sejam manifestas, tomem consciência delas se puderem, mas foquem-se nos bloqueios, foquem-se no esclarecimento deles; é muito importante que o vosso crescimento comece por aí. Não interpretem este tópico como algum tipo de indício de que tenham posto um fim aos bloqueios: “Já passei por isso lá por altura dos fins de Setembro do ano passado, pelo que não precisarei mais tratar de bloqueios.” Não, claramente que não. Ao terem começado a compreender e a esclarecê-los, e já chegaram a esclarecer bloqueios, ainda é importante que tratem deles primeiro, antes de começarem a considerar as forças que têm, antes de chegarem a compreender em profundidade aquilo que são, e em particular antes de começarem a desenvolver e a utilizar essas forças.

Porque será isso importante? A questão parece tão óbvia que por vezes negligenciam a resposta, que é muito importante que tenham em mente. Antes de mais, independentemente da bondade e da rectidão, da energia positiva que tenham; independentemente das forças que tiverem, essas não são as coias que vos estão a atrapalhar a vida. (Riso) São os bloqueios, as limitações, isso é que está a armar toda a confusão que têm, isso é que os mantém presos na lama da vossa própria criação da realidade, e por isso, isso precisa ser considerado primeiro, antes de poderem avançar para aquelas forças particulares que também se encontram aí, e que também podem ser igualmente provocadoras e benéficas no processo do crescimento em que estão envolvidos.

Em segundo lugar, independentemente do facto de se encontrarem aprisionados pelos vossos bloqueios ou libertos pelas forças que têm, a qualquer momento dispõem de um conjunto de matérias-primas com que trabalhar; dispõem de um conjunto de crenças e de atitudes, pensamentos e sentimentos, escolhas e decisões com que trabalhar, quer se encontrem aprisionados ou libertados pelos vossos bloqueios ou restrições respectivamente a qualquer momento dispõem de um conjunto de utensílios, um conjunto de desejos e de expectativas e imaginação com que podem cinzelar e esculpir e criar a realidade a partir de tais matérias-primas.

Por isso, se não tiverem tratado adequadamente dos vossos bloqueios – não de uma maneira perfeita, mas adequada – se os não tiverem limpo do caminho o suficiente, eles irão poluir o leque das matérias-primas, irão poluir as ferramentas com que trabalham. E por conseguinte, se se voltarem para as forças que têm e chegarem a esse lago de matérias-primas irão retirar ferramentas poluídas. Se alcançarem esse lago de recursos, irão extrair recursos poluídos. Forças poluídas rapidamente se tornam obrigações; ativos que poderiam operar a vosso favor, ao serem poluídos pelos próprios utensílios que precisam usar, pelas próprias ferramentas com que trabalham, de súbito tornam-se passivos e pontos fracos e eventualmente o que porventura terá representado um ativo ter-se-á tornado nos próprios bloqueios que nem quererão contemplar, e de que nem sequer quererão tratar - os próprios bloqueios que terão evitado na admiração do que pensavam ser as vossas forças!

A terceira razão porque é importante que comecem pelos bloqueios, e uma vez prontos, avancem rumo aos pontos fortes, é que as forças se destinam a ampliar-lhes o crescimento – e não a camuflar os bloqueios que os assediam! Vós criastes os bloqueios, não para ver o quão engenhosos ou espertos ou convincentes sois a cobri-los, mas criaram-nos de forma a aprenderem a experimentar a sua superação. Quando usam ativos potenciais e forças a fim de negar os bloqueios de que padecem em vez de amplificar o vosso crescimento, eles tornam-se obrigações, passivos, que não mais representam do que uma máscara para os sintomas dos problemas e jamais chegam a tornar-se nos ativos que podem fornecer uma solução para os problemas.

E por fim, começais pelos bloqueios, e assim que estiverem preparados avançam para as forças, porque as forças que estiverem sobrecarregadas de bloqueios não podem merecer confiança. Ora bem, talvez descubram uma força particular e desta vez ela opere no vosso relacionamento, ou numa vez seguinte ela resulte nas considerações de saúde, mas que dizer da próxima? Serão capazes de sustentar isso? Serão capazes de dar continuidade ao êxito? “Não posso confiar nas forças que me restam; não posso depender disso,” e por conseguinte, e de uma forma irónica, o êxito que criam apenas produz uma maior pressão. Pois: “Esta semana sai-me bem; mas e em relação à próxima semana? Sai-me bem na manifestação de um relacionamento; mas como conseguirei manter-me nele? 

Consegui o emprego; mas fui despedido passadas seis semanas. Eu simplesmente não sei, mas não posso confiar nestas forças que usei...” Por elas terem estado sobrecarregadas de bloqueios! “E quando não conseguem confiar nem ter a certeza nem a capacidade de invocar as minhas forças, então quando as puser em prática tudo quanto conseguirei será estimular os músculos da perfeição e do representação! Não estarão a exercitar os músculos emocionais de que realmente precisam, tais como o valor e a estima. De modo que o que acaba por terminar é que da próxima precisarão ser “melhores” e mais perfeitos. E quando a aprovação levar o prémio terão que representar. E por isso, essas quatro coisas podem dar para o torto caso dêem o salto demasiado apressadamente. Se começarem a aprender e a tratar das forças antes de se encontrarem preparados; razão porque os encorajamos a continuar a tratar dos bloqueios que os acometem, ainda que comecem a explorar, em bicos de pés ou de um enorme salto, o leque de forças que efectivamente se encontra manifesto.

O que acontece em todo este processo evolutivo do vosso crescimento é deveras irónico, sabem? Inicialmente, quando se deparam com bloqueios, têm vontade de fugir deles e agarrar desesperada e cegamente qualquer força a que consigam deitar a mão. Ou quando descobrem um novo bloqueio, por entre aqueles que já estarão a tratar, nota-se o mesmo tipo de incitação no sentido de vazar e agarrar o que puderem encontrar à mão que represente um ponto forte. Qualquer coisa servirá. Mas quando trabalham os bloqueios, quando avançam no vosso crescimento, e com efeito quando é altura de se voltarem para as vossas forças, não o fazem. Quando não é apropriado sentem-se mais do que ansiosos; mas quando é apropriado, há relutância, obstinação e ausência de actividade. E esse fenómeno que na verdade se dá com todos vós, num ou noutro grau, provém de variadas fontes.

A primeira é o temor de se verem sobrecarregados pelos vossos bloqueios. Algumas pessoas optam por um estilo de metafísica muito mais popular mas de longe muito menos eficaz, que basicamente lhes diz não existirem bloqueios: “Não, não existem bloqueios, não existem limitações; não existe qualquer dor, nem mágoa.” Na verdade este tipo de atalho metafísico depende da mudança de nome dessas coisas. Não mais têm bloqueios, agora têm oportunidades. (Riso) Agora têm mensagens ou lições provenientes do vosso Eu Superior. Estão a gora a lidar com a “Vontade de Deus!” E as limitações dispersam-se facilmente chamando-lhes simplesmente Carma. (Riso) Isso é reconhecidamente popular mas um estilo de metafísica bastante ineficaz, por depender não do crescimento mas da mudança de vocabulário. (Riso)

E não obstante o problema evidente, de que não importa o que lhes chameis, por a vida continuar numa confusão, há um enorme preço a pagar por tal metafísica chique mas ineficaz, que é a impossibilidade de alguma vez chegarem a descobrir qualquer manifesta robustez. E em segundo lugar aquilo a que chamam força provavelmente não passará de ativos poluídos ou ativos que rapidamente se tornarão obrigações que simplesmente mascaram sintomas em vez de resolverem problemas, ou tornar-se-ão ativos em que não poderão confiar e de que não poderão depender, e por isso simplesmente fomentarão uma maior exigência de perfeição e uma maior exigência de representação. Aquilo com que terminarão é aprender a sossegar, a comprometer-te – não como crescer.

O segundo problema em que algumas pessoas incorrem, e porventura alguns de quantos agora nos escutam, é que aprendem a crescer e aprendem a reconhecer e a identificar e a perdoar e a mudar, e embora relutantemente de início, sem terem a certeza de isso ir resultar ou não, quando o faz, torna-se divertido. “Eu posso gostar disto: reconhecer e identificar, perdoar e mudar. Obtenho todo o tipo de louvores e abraços e montes de intimidade, e as pessoas pensam em mim com admiração. Não serei vulnerável e excelente, e não estarei eu a cultivar-me? Caramba! Eu gosto tanto disto que nem tenho vontade de parar!” (Riso) “De modo que mantenho-me a reformar os meus bloqueios, enquanto vou de um grupo de cultivo pessoal para outro. Bom, eu reconheço e identifico e perdoo-me e mudo para as hordas que me aplaudem e me abraçam e que me agradecem pela inspiração que represento. Eu não quero deixar isto, e penso que vou ficar por aqui e despender o resto dos meus anos de cultivo a repetir o mesmo, uma e outra vez.” Estais a aprender a ser elogiados - não a crescer!

O terceiro problema que pode ocorrer é bastante semelhante ao segundo, à excepção de constituir a abordagem do preguiçoso, que é a seguinte: “Eu faço a mesma coisa, certo? Eu processo, eu programo, podes apostar! Eu reconhecerei, eu identificarei, eu perdoarei e mudarei, mas não o farei em relação aos verdadeiros bloqueios, por isso poder dar numa confusão. Implícito relativamente ao que vou fazer está os falsos bloqueios; o que nos termos psicológicos muitas vezes é designado por “abordagem do homem de palha”, em que crio um bicho papão que então passo a subjugar – só que o bicho papão nunca chegou a existir. Crio bloqueios como por exemplo, a minha mãe rejeitou-me aos três anos...”

De que modo?

“Ela teve outro bebé, que representa o meu...”

O nosso exemplo clássico é aquele que já contamos muitas vezes; o do jovem que disse que a mãe o tinha abandonado ao deixá-lo na piscina do clube de campo, (riso) enquanto jogava golfe, estão a entender? Assim, “criando o que se chama de falsos bloqueios que poderei então enfrentar a título de desforra, só que de qualquer modo não comporta nada além de pó e imaginação. Ou então crio bloqueios nobres, bloqueios do tipo... torna-se difícil dizer, mas... o problema que tenho está em que sou demasiado amoroso. (Riso) Eu simplesmente dou demasiado; sou demasiado generoso; eu confio demais; interesso-me demais; sou demasiado poderoso – esse é o meu problema.” (Riso)

Ah... isso não são bloqueios! (Riso) São explicações de carácter nobre que geralmente nada têm que ver com coisa nenhuma. (Riso) Essa é a abordagem do preguiçoso: “Tenho que fazer todas as coisas; tenho que fazer todo o processamento e programação...”  só que não em relação a nada que tenha significado. O que acaba por dar no facto de obterem montes de louvores, tal como o outro grupo, mas não tiveram que tratar disso; apelastes que nunca teríeis que tratar dos vossos verdadeiros bloqueios, ou as vossas verdadeiras limitações. Uma vez mais, por implicar tal confusão! O que acaba por acontecer é que brincais com a metafísica. Não têm quaisquer forças; os vossos ativos encontram-se poluídos, ou tornam-se passivos, ou então apenas fomenta a representação ou a perfeição. E porventura o que será o mais sádico de tudo, com uma metafísica de brincar sobrevém uma espiritualidade de brincar. Com uma metafísica de contos de fadas, que é tão pronta e acertadamente criticada no vosso mundo, vem uma espiritualidade de conto de fadas. Acabam por conseguir um relacionamento de conto de fadas com o vosso Eu Superior, e qualquer sentido de Deus, Deusa, Tudo Quanto Existe representará um elevado preço a pagar, pela breve glória de uma boa aparência.

A quarta coisa que pode dar para o torto em relação à razão porque não conseguem desactivar os vossos bloqueios e activar os vossos pontos fortes, quando é apropriado faze-lo, é o que representa uma verdade para quantos de vós nos escutam falar deste tema, que é o facto de estarem a tratar de crescer ao vosso jeito bem real, estão sim; descobrem bloqueios efectivos, compreendem-nos, programam, processam, e limpam-nos do caminho. De uma forma honesta e real, sincera. Rejeitam a simplicidade em prole da complexidade. Abordam o processamento e programação que fazem como um fim dirigido para o fim do crescimento, em vez de os usarem como um fim em si mesmo e por si só. E desenvolvem uma metafísica verdadeiramente sincera, e uma espiritualidade bem sincera. Mas não sabem o que seja a força. Não sabem mesmo; é um termo que é suposto conhecerem, algo com que seja suposto estarem familiarizados, mas o segredo está em que não sabem o que seja. Nem sabem o que é que os impede de ser fortes! Não sabem aquilo com que precisam lutar, aquilo em relação ao que precisam mover-se de modo a poderem gozar de uma oportunidade; mesmo que soubessem de que consta a força, não sabem como a descobrir. E também não sabem que forças terão; talvez consigam flectir os músculos e pegar em pesos, mas não conseguem descobrir as vossas forças emocionais, as forças que contem e que tenham importância, por não saberem que forças terão.

E por conseguinte, decerto não conseguirão desenvolver nem utilizar aquilo que não possuem e que não sabem o que seja, o que não sabem como obter, e que não sabem qual seja a relação pessoal e única que tenham. E encontram-se num mundo que na verdade não os encoraja de verdade nem os apoia, de modo que acabam não por incrementar nas vossas forças devido à falta de conhecimento, devido à falta de compreensão e à falta de experiência. Por uma dessas razões, cada um de vós, tem sido relutante em olhar sequer a vossas forças. Bom, é já tempo de começarem a olhar e de ficarem a saber em que consistem e aprenderem o que os impede de ser fortes, quais são os pontos fortes que têm, e como desenvolver e usar essas forças.

Os anos oitenta têm tido que ver, e ainda têm que ver, com a descoberta dos bloqueios de que padecem e corrigi-los. Os anos noventa virão a ter que ver com a descoberta das vossas forças e a sua utilização. Bem sabemos que ainda não nos encontramos nos anos noventa, mas vós sois os cartógrafos, vós sois os pioneiros do que representa esta nova e efectiva espiritualidade. E por conseguinte, antes do previsto, e mesmo a tempo, estais a aprender acerca das forças, de modo que quando os anos noventa chegarem, e subitamente se apresentar uma inversão no significado do crescimento, e toda a gente se mostrar indecisa e com o braço erguido em termos de: “Que é que se estará agora passar?” vós sabereis, e estareis presentes como uma âncora, como uma quilha, como um compensador – estareis presentes a ajudar os outros a descobrir as suas forças, e a descobrir como utilizar as forças que têm – não por meio de nenhum proselitismo ou instrução, mas por intermédio do vosso viver e da vossa experiência. 

E por conseguinte vós, enquanto cartógrafos, vós enquanto pioneiros desta nova espiritualidade, não obstante antes do prazo no que toca ao padrão do crescimento que está em causa, encontra-se justamente na hora certa, no que diz respeito ao vosso crescimento particular, por deverem estar a tratar das forças; é por isso que se encontram aqui esta noite, é por isso que esta cassete foi aquela que escolhestes trabalhar, por se encontrarem preparados agora. Não para esquecerem os bloqueios que os entravam, mas para incrementarem o vosso crescimento, ao aprenderem acerca das forças.

O que são essas forças? Uma vez mais, se lhes perguntássemos para nos darem, por vinte e quatro palavras ou menos, uma definição concisa e detalhada, muitos de vós sentir-se-iam bastante embaraçados, por não saberem. Acabariam com um tipo qualquer de definição do tipo “sabe como é...” (Riso) Assim, que coisa será a força? Em primeiro lugar, conforme todos serão capazes de adivinhar, é um ativo. De modo que começamos bem – a força constitui um ativo. Mas não é um ativo qualquer, e é aí que o problema reside. Trata-se de um tipo de ativo bastante específico e único e detalhado que traduz um ponto forte. E assim, há quatro critérios que determinam se um ativo constitui ou não uma força. Evidentemente que conseguirão reconhecer que essa força comporta bloqueios, medo disto ou dúvida quanto àquilo, insegurança nisto, falta disto ou falta daquilo – isso certamente não representará uma força, nem tampouco um passivo, de modo que estarão seguros quanto a isso, só que existe um monte de ativos: agora, quais desses serão forças? Apenas aqueles ativos que satisfazem o teste que passe por cada um dos quatro pontos – em todos os quatro e não no melhor de entre os quatro, ou três dos quatro ou seja o que for, mas todos os quatro pontos.

A primeira coisa que um ativo tem que representar – caso represente uma força – é que precisa ser flexível e expansiva, ao contrário de rígido e estagnado. Bom; o que com isso queremos dizer é o seguinte: Ser inteligente constitui um ativo. Se essa inteligência for dotada de flexibilidade, assente numa constante vontade de aprender, constante vontade de admitirem aquilo que não conhecem, constante vontade de dar ouvidos ao que os outros possam ter a oferecer-vos de forma a manipularem essa inteligência, desse modo revelando-se constantemente flexível e expansiva, então satisfará o primeiro teste da força. Se, entretanto, essa inteligência for rígida: “Ninguém me consegue ensinar nada por eu já saber tudo quanto há a saber,” ou fingir: “Sim, eu preciso de aprender coisas, mas não o faço muito.”

Se essa inteligência assentar em notas de colégio ou nas classificações que obtivestes ou na fraternidade ou irmandade em que participaram no colégio, ou no liceu, uma licenciatura em administração de Harvard; se se basear nisso por que tiverem passado há cinco ou dez anos atrás, ou vinte, ou mesmo trinta, então será rígida e estagnada, e essa inteligência – que representa um ativo – agora torna-se num passivo. Esse intelecto, que podia representar um ativo que traduzisse uma força, constitui um ativo que vale como um passivo. Para que um ativo possa representar uma força contributiva precisa ser flexível e precisa ser expansiva em vez de rígida ou contractiva ou estagnante.

O segundo critério essencial para que qualquer ativo se torne numa força é que precisa prover uma base para uma acção em curso ou actual, assim como um ímpeto para acção futura, ao contrário de uma desculpa para qualquer dessas. De novo, usemos uma força diferente, tal como a criatividade, que também representa um ativo. Se a vossa criatividade lhes fornecer uma base para a acção corrente: “Porque estou a fazer isto? 

Porque estou a fazer aquilo? Porque estou a formular esta escolha ou a tomar esta decisão? Ou a seguir esta atitude ou esta crença? Se for uma base, um alicerce que se deva à criatividade que tenho, que se deva ao ativo da qualidade criativa que tenho, essa será a fundação da acção, esse será o piso de que começarei a trilhá-la, o trampolim, a motivação,” o que quiserem chamar-lhe. “Mas o ativo da minha criatividade fornece-me o alicerce para a minha acção corrente. Mas também fornece um ímpeto para uma acção futura.

Olhamos para as esculturas de Henry Moore, cujo brilhante trabalho de escultura que foi aclamado bem cedo na sua vida, mas que ainda assim todos os dias ele continuou a ir ao estúdio; ele não precisava fazer isso por dinheiro, nem precisava de o fazer pelo reconhecimento; ele não era ganancioso nem autocentrado, nem era conduzido por nenhuma obsessão, não. A criatividade que tinha na área da escultura era o alicerce da sua acção diária, e o ímpeto para a acção futura. E por conseguinte, a sua criatividade representava um ativo que valia como uma força. 

Ao passo que qualquer um, que disponha de criatividade, mas que a utilize a título de desculpa para não agir e para qualquer ímpeto no sentido de uma acção futura, por ser, tal como é, tão criativo e tão sensível e tão brilhante, não ter que criar uma fundação para a presente acção, nem ser motivado em prole da acção futura, e poder permanecer quieto e usar esse ativo como uma desculpa para a inacção. Aí, o ativo da criatividade torna-se num passivo, e não numa força.  O terceiro critério que é essencial é que o ativo em questão precisa estar orientado no sentido da solução, utilizando consciência e acção, ao contrário de servir de substituto para a consciência e para a acção. Para dar um outro, a coragem pode constituir um ativo, certamente. Caso a minha coragem forneça ou constitua a fundação ou razão para solucionar problemas utilizo a coragem para encontrar soluções, para adoptar acção após me ter conscientizado, para funcionar em termos de consciência e de acção como uma orientação para a solução utilizando a coragem que tenho com esse propósito; aí tratar-se-á de um ativo que terá potencial para constituir uma força. Se, todavia, dispuser do ativo da coragem e o utilizar em substituição, não precisarei de considerar os meus receios, por ser corajoso; não precisarei de descobrir soluções para os problemas, por ser corajoso; nem precisarei de tratar da minha realidade, não precisarei de assumir acção nem de ter consciência de coisa nenhuma – por sou corajoso! Aí, esse ativo tornar-se-á num passivo e não numa força, por não passar o teste da orientação para a solução ao invés de no sentido da substituição.


E por fim, e em quarto lugar, o teste efectivamente crítico – será esse ativo dinâmico ou estático? Um ativo dinâmico requererá e de seguida exigir-vos-á que vos torneis mais daquilo que sois, que vos alongueis, que atinjais e que cresçais no sentido de vos tornardes mais naquilo que sois e no que podeis ser. Um ativo estático simplesmente promoverá o vosso ego negativo e o vosso passado, levando-vos a concentrar-vos naquele que tendes sido. E à semelhança do ativo inicial estático, os ativos similarmente rígidos e estagnados dependem do passado, “do prémio que obtive há anos, da medalha que ganhei faz bom tempo, e por conseguinte apenas promove o ego e o reviver do passado ao querer ir à reunião de classe para viver nesse mundo uma vez mais, enquanto desejais poder voltar a ser estudante de segundo ano ou um membro da categoria superior do colégio de novo, ou ter aquele último Verão prolongado antes de crescerem e de se tornarem responsáveis. E se dependerem disso, um ativo estático focar-se-á no passado e no ego negativo, e um ativo dinâmico requererá e de seguida exigirá que vos alongueis àquele que são e àquele em quem poderão tornar-se, no futuro.


Uma força, consequentemente, constitui um ativo; ou seja, flexível e expansivo, ao invés de rígido e estagnado, que seja uma base para a acção corrente, um ímpeto para a acção futura, ao contrário de uma desculpa para qualquer delas, e constitui um ativo orientado para a solução, ao contrário de um ativo orientado para a substituição, e é dinâmico, ao contrário de estático. Isso é força! Tão simples e concisamente quanto poderá ser descrito. Um ativo que satisfaça esse critério torna-se numa força. Por isso, nem todos os ativos – o que importa muito perceber; podeis ter inúmeros ativos, mas se não satisfizerem esse critério, serão ativos já terão, ou que num período razoável de tempo se tornarão passivos, se tornarão poluídos, ou que simplesmente promovem a vossa necessidade de representar e de ser perfeitos. É isso que uma força representa. Que será que os impede de ser fortes? “Já entendi isso; já o percebi, tenho estes ativos, só preciso ter a certeza de que são flexíveis; só preciso ter a certeza de que conduzem à expansão; só preciso certificar-me de que constituem uma fundação para o ímpeto, e agora só preciso certificar-me de que orientam no sentido de uma solução e que são dinâmicos. Grande coisa, não? Já o entendi!” (Riso)



Mas algo os detém; algo os impede de fazer isso. Concordamos que seja suficientemente fácil, e assim que o limparem, que será que tereis no vosso caminho? Aí poderão fazer exactamente isso. Mas que é que se intromete no vosso caminho? A primeira coisa que se coloca no vosso caminho, que porventura constitui o maior obstáculo a ser forte é a arrogância. A arrogância da excepcionalidade, a arrogância da imponência. Iremos falar bastante sobre a excepcionalidade e sobre a imponência proximamente quando falarmos sobre as vozes interiores – quer se trate do vosso Eu Superior ou do vosso ego negativo, iremos tratar com algum profundidade da vossa excepcionalidade e da vossa imponência.

 Mas mesmo assim, a arrogância da excepcionalidade, a arrogância da imponência impedem-vos de ser fortes. Podem declamá-lo e ser eloquentes nas afirmações que fizerem acerca dos vossos ativos, e do domínio da força que têm, mas provenientes de um lugar especial ou imponente, isso não passa de palavras vãs – afortunadamente. Porque se não forem, serão passivos.

A excepcionalidade – por que razão sereis vós especiais? Por que razão não precisarão crescer como o indivíduo comum? A excepcionalidade tem duas faces, como a moeda. Um dos lados da excepcionalidade refere que são melhores; são mais espertos, mais céleres, mais ágeis, mais vulneráveis, mais isto e mais aquilo, mais sensíveis, mais criativos, seja o que for- são melhores, e por isso não precisais vergar-vos, nem lidar com o tratamento nem com programação alguma. Têm uma linha directa para Deus, entendem, e são melhores do que o resto dos plebeus que vos rodeiam. 

Claro que o outro lado da excepcionalidade passa pela inferioridade. Têm mais dificuldade em visualizar, precisam de uma atenção especial, precisam de um trato especial, é mais árduo para vós por terem tido uma infância terrível, passaram por maiores dificuldades no primeiro casamento do que qualquer outro relacionamento, foi impossível no trato mas sobreviveram. (Riso) Talvez não tenham, no entanto... São especiais; gozam de compensações especiais; não precisam limpar os bloqueios de que padecem, por terem mais dificuldade; não têm que tratar de programar, por... bom; por não sabermos o problema que tiveram que enfrentar. (Riso) Mas além disso, a técnica que funciona para todos não poderia funcionar no vosso caso. Vós precisais da vossa própria técnica. Força que se aplicasse a toda esta sala apinhada de gente – estão a brincar? Não, a minha tem que ser especial, exclusiva. Superiores, inferiores – são exclusivos! E essa excepcionalidade impede-os de ser fortes, mesmo caso saibam em que consiste essa força.

A imponência? Constitui o vosso esquema secreto: “Ai, como lhes vou mostrar; ai, como os vou obrigar a engolir as palavras; ai como lhes vou mostrar quem está no comando! Ai como lhes vou esfregar o nariz,” – seja no que for que esfregais os narizes. “Eles vão-se arrepender por não me terem tratado melhor; eu vou tornar-me perfeito e levar uma vida perfeita e ter um relacionamento perfeito, e um emprego perfeito e um rendimento perfeito e um par perfeito e uma casa perfeita e um corpo perfeito e uma saúde perfeita. Não, ainda não tenho, mas vou ter. Esperai para ver; agora riem-se mas esperai pelo reverso da medalha. Não o digo em alta voz para não levar nenhum murro na cara, está em marcha e a todo o vapor, o meu esquema de imponência.”

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