quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O CAMINHO PARA A SAÚDE - Seth (Excertos)



Tradução: Amadeu Duarte

Se as pessoas ficam doentes, está bastante na moda dizer que o sistema imunitário tenha temporariamente falhado – no entanto, o próprio organismo sabe que certas disfunções sou moléstias constituem reacções saudáveis. O organismo não reconhece doenças enquanto doenças, conforme os termos são geralmente compreendidos. Considera toda a actividade enquanto experiência, como uma condição momentânea da vida, como uma situação de equilíbrio.

Está na moda dizer que os homens possuem mentes conscientes, mentes subconscientes e mentes inconscientes – mas não existe coisa tal como mente inconsciente. A consciência do corpo é altamente consciente. Vós simplesmente não estais cientes disso.

Poderão dizer em vez disso que várias partes da vossa própria consciência operarão a diferentes ritmos. Traduções efectuadas entre uma parte da consciência e outra ocorrem constantemente, de modo que a informação é traduzida de um ritmo para outro.
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Muitos psiquiatras e psicólogos percebem agora que um cliente perturbado não poderá ser suficientemente auxiliado a menos que o indivíduo seja considerado juntamente com o relacionamento que tem com a unidade familiar.

A mesma ideia aplica-se igualmente às doenças físicas. É possível, contudo, levar esta ideia ainda mais longe, de modo que uma pessoa que goze de má saúde devesse ser encarado pelo médico na relação que tem com a família e na relação que tem com o ambiente. Os médicos de família à moda antiga, compreendiam claro está, a sensibilidade que o paciente tinha com os membros da família e com o ambiente, e muitas vezes sentiam uma viva simpatia e compreensão que os praticantes da medicina moderna muitas vezes parecem ter esquecido.
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A ciência médica moderna considera em larga medida o corpo humano como um tipo de modelo mecânico, um tipo de veículo similar a um automóvel que precisa ser amiudadamente verificado numa garagem.

Tal como um automóvel é montado numa linha de montagem, do mesmo modo é o corpo encarado como uma máquina eficiente montada na “fábrica” da natureza. Se todas as partes estiverem no lugar apropriado, e funcionarem sem problemas, então a máquina deveria prestar um excelente serviço tal como qualquer automóvel que funcione bem – ou assim não pareça.
No entanto, todas essas partes do “automóvel” são as únicas responsáveis pelas suas operações enquanto tiverem um condutor responsável. Todavia existem relações ocultas existentes entre várias partes do organismo – e essas partes dificilmente são mecânicas. Elas mudam a cada instante.

O coração é comummente descrito como um tipo de bomba. Com os últimos desenvolvimentos na tecnologia moderna, há operações cardíacas de todo o tipo que podem ser realizadas, até mesmo o uso de transplantes de coração. Em muitos casos, mesmo quando o coração é reparado por meio da tecnologia médica, a mesma dificuldade reaparece numa data posterior, ou o paciente recupera apenas para cair presa de uma outra doença, quase fatal ou mesmo fatal. Esse nem sempre é o caso por quaisquer meios, mas quando uma pessoa dessas recupera por completo, e preserva uma óptima saúde, isso dever-se-á ao facto das suas crenças, atitudes e sentimentos terem mudado para melhor, e devido ao facto da pessoa “ter de novo um coração”; por outras palavras, por o próprio paciente ter recuperado a vontade de viver.

Muitos de quantos têm problemas cardíacos sentem ter “perdido o coração” para viver. Podem sentir-se abatidos ou destroçados por várias razões. Podem sentir-se descoroçoados, ou imaginar-se tão insensíveis que se castigam literalmente ao tentarem perder o coração.
Em muitos de quantos passam por dificuldades dessas, o acréscimo do amor no ambiente pode resultar muito melhor do que qualquer operação cardíaca. Um animal de estimação novo dado a uma pessoa enlutada já salvou mais gente carente de operações cardíacas do que qualquer médico. Por outras palavras, uma “transplantação de amor” no ambiente pode resultar muito melhor no geral do que uma operação de transplante de coração, ou um bypass, ou seja o que for; em tais casos, é permitido ao coração que se cure e ele próprio.
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As pessoas foram ensinadas a confiar nos raios X por causa da imagem do que ocorre nos seus organismos, e não foram advertidas a confiar nos próprios sentimentos. Certos anúncios do serviço público realçam o facto de o indivíduo poder ser gravemente ameaçado pela pressão alta arterial, por exemplo, ainda que se sinta em pleno estado de saúde.

Em muitos casos as pessoas fazem exercício muito simplesmente por causa do que possa suceder caso não façam. Poderão correr para evitar doenças cardíacas, por exemplo, enquanto o próprio medo que sentem poderá ajudar a promover a própria eventualidade que receiam.
A saúde corporal constitui uma expressão do bem-estar interior. A falta de saúde é igualmente uma expressão, e pode servir muitos propósitos. Preciso não será dizer que certas pessoas ficam doentes em vez de alterarem as actividades que exercem e os ambientes. Também podem ficar doentes a fim de se forçarem a proceder a tais mudanças.

Não quero dizer que o exercício possa resultar em detrimento da boa saúde. Todavia, é verdade que a razão por que fazem exercício seja mais importante do que o exercício que praticais. A razão pode promover a boa saúde ou na realidade impedi-la.
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O conceito de sobrevivência dos mais aptos exerceu um efeito consideravelmente prejudicial em muitas áreas da actividade humana – em particular no domínio da ideologia e da prática médica.
Tanto política quanto clinicamente, tais distorções conduziram a situações infelizes; às ideologias biológicas Arianas fomentadas durante a segunda grande guerra, a concentração na ideia de um “perfeito”, assim como a outras distorções. A ideia do corpo ideal foi muitas vezes sustentada pela população em geral, e muitas vezes isso estabeleceu a estilização de um físico “perfeito” que na verdade poderia encontrar correspondência por parte de poucos indivíduos.

Quaisquer variações serão desaprovadas, e quaisquer defeitos de nascença considerados à mais suspeita das luzes. Algumas escolas de pensamento, pois, defendem que apenas os geneticamente superiores deveriam ter permissão para se reproduzir, e há cientistas que acreditam que todos os defeitos possam ser eliminados por meio de um planeamento genético criterioso.

Os deficientes acolhem muitas vezes mensagens, mesmo da parte da classe médica, que os levam a sentir-se como inadaptados, indignos de viver.
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As ideias que tiverem sobre si mesmos são, uma vez mais, de carácter vital, no amplo contexto de uma vida saudável. A vossa condição cardíaca é afectada, por exemplo, pelos sentimentos que têm em relação a ela. Se se considerarem frios ou insensíveis, tais sentimentos exercerão um efeito considerável no órgão físico. Se se sentirem abatidos ou destroçados então também levarão a que tal sentimento se reflicta de uma forma ou de outra no próprio órgão físico.
...cada pessoa possui igualmente muitas opções em aberto. Todos quanto se sintam destroçados não morrem necessariamente por insuficiência cardíaca, por exemplo. O tema da saúde não pode ser considerado de uma forma isolada... cada um tentará satisfazer as suas próprias faculdades, e “preencher” a experiência de vida tão plenamente quanto possível.
Caso uma pessoa seja prejudicada nessa tentativa forte e persistentemente, então a insatisfação e frustração transformar-se-ão numa falta de exuberância física e de vitalidade. Todavia, existe sempre um reservatório inesgotável de energia ao comando de cada um, independentemente das circunstâncias...
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Pensamentos e crenças produzem efectivamente alterações físicas. Podem mesmo – e muitas vezes fazem-no – alterar mensagens genéticas.

Doenças há que as pessoas crêem ser herdadas, carregadas de uma geração para a seguinte por uma comunicação genética falha. Evidentemente que muita gente com, por exemplo, uma herança genética de artrite, não acabam por contrair a doença, ao passo que outras se vêem efectivamente afligidas por ela. A diferença assenta na crença.

As pessoas que tiverem aceitado, de uma forma acrítica, a sugestão de virem a herdar tal doença parecerão herdá-la: e experimentam os sintomas. Na verdade, a própria crença pode ter tornado uma mensagem genética saudável numa doentia.
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...A dor e o sofrimento são igualmente sensações vivas e vitais – e por conseguinte formam uma parte do reportório corporal dos sentimentos possíveis e da experiência sensual. Também representam um sinal, pois, da vitalidade da vida, e são em si mesmo responsáveis por um retorno à saúde quando actuam como comunicados destinados à aprendizagem.
Muitas doenças são frequentemente processos que visam a promoção de saúde. Sarampo, varicela e outras doenças similares contraídas durante a infância “inoculam naturalmente” o organismo a seu modo, de forma ele ser capaz de lidar com outros elementos que constituem parte do organismo e do ambiente corporal.

Quando as crianças civilizadas são clinicamente inoculadas contra tais doenças... numa significativa extensão os processos de protecção natural vêem-se obstaculizados. Tais crianças podem, pois, não chegar a contrair com a doença contra a qual seja clinicamente protegida – mas poderão efectivamente tornar-se “presa” de outras doenças, mais tarde durante a vida, que de outro modo não teriam ocorrido.

Não estou a aconselhar as pessoas a recusarem a vacinação dos filhos, já que agora precisais ter a vacinação em consideração por causa da proeminência que alcançou na sociedade. Contudo, é bastante possível que a própria ciência com o tempo venha a descobrir os desafortunados efeitos colaterais de muitos desses procedimentos, e comece a reavaliar toda a questão.
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...Ninguém morre antes do tempo. A pessoa escolhe a altura da morte. Contudo é verdade afirmar que muitos cancros e situações tais como a SIDA resultam do facto do sistema imunitário ter sido tão adulterado que o corpo se terá visto impossibilitado de se permitir pôr em prática o seu próprio acto de equilíbrio.

Uma vez mais, no entanto, ninguém morre de cancro ou de SIDA, ou de qualquer outra situação, até que tenha estabelecido a altura.
...Nenhuma consciência considera a morte um fim ou um desastre, mas encara-a em vez disso como um meio de continuidade da... existência.
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As pessoas que contraem doenças mortais... muitas vezes sentem  que a continuação do crescimento, do desenvolvimento, ou da expansão se revelem altamente difíceis, senão impossíveis de alcançar a determinada altura das suas vidas. Muitas vezes existem relacionamentos familiares complicados que a pessoa não sabe como tratar... Em qualquer caso, porém, a necessidade de cumprimento de sentido de valor, de expressão, e de criatividade são de tal modo para a vida que quando são ameaçadas, a própria vida se vê pelo menos momentaneamente enfraquecida.
 
Intrinsecamente, cada pessoa compreende existir vida depois da morte, e em certos casos essa gente compreende que é realmente tempo de passar para outro nível da realidade, de morrer e de partir novamente para outro mundo completamente novo.
Frequentemente, pessoas que se encontram gravemente doentes reconhecem tais sentimentos mas foi-lhes inculcado que não devem falar deles. O desejo de morrer é considerado covardia, mesmo coisa má, por certas religiões – mas ainda assim por detrás de tal desejo reside toda a vitalidade da vontade de viver, que pode já estar em busca de novas aventuras de expressão e significado.

Há aqueles que contarem uma doença grave – problemas cardíacos, digamos – e que são curados por meio de um transplante de coração ou outros procedimentos médicos, apenas para se tornarem presas de outras doenças aparentemente sem relação, tais como o cancro. Todavia, constituiria um alívio para a família ou os amigos compreender que a pessoa envolvida não se tornou “presa2 da doença, e que não terá sido vítima nos termos habituais.
Isso não quer dizer que alguém conscientemente decida contrair tal ou tal doença, mas quer dizer que certas pessoas percebem instintivamente que o próprio desenvolvimento requer agora um outro quadro de existência.

Muita solidão resulta do facto das pessoas que sabem que vão morrer se sentirem incapazes de comunicar com os entes queridos por receio de lhes magoar os sentimentos. Outro tipo de pessoas ainda assim viverão vidas longas e produtivas mesmo quando a sua mobilidade ou saúde física são severamente prejudicadas. Ainda sentirão ter trabalho a fazer, ou que necessitam delas...
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Muitos pacientes de cancro têm características de mártir, ao suportarem muitas vezes situações ou condições indesejáveis durante anos.

Sentem-se impotentes, incapazes de mudar, mas ainda assim relutantes de se manter na mesma posição. A questão mais importante é incitar tal pessoa na sua própria fortaleza e poder. Em muitos casos, essa gente encolhe os ombros e dizem: “O que tiver que acontecer acontecerá,” mas não lutam fisicamente contra a situação em que se encontram.

Também é vital que tais pacientes não sejam excessivamente medicados, porquanto muitas vezes os efeitos colaterais de certas drogas destinadas à erradicação do cancro são nocivas em si mesmas. Obtiveram-se alguns êxitos no caso de pessoas que imaginaram que o cancro era, em vez disso, algum inimigo odiado ou monstro ou adversário, que terá em tais casos sido banido com simulações de batalhas mentais durante um certo período de tempo. Conquanto a técnica tenha as suas vantagens, também opõem uma porção da pessoa contra a outra. É muito melhor imaginar, digamos, a neutralização das células cancerígenas por uma varinha qualquer imaginária.

Os médicos poderiam sugerir que o paciente relaxasse e de seguida perguntar-lhe que tipo de fantasia interior melhor se prestaria a um processo terapêutico. Imagens instantâneas poderiam de súbito acudir à mente, mas se o sucesso não fosse conseguido de imediato, deveriam fazer com que o paciente voltasse a tentar, porque quase em todos os casos alguma imagem interior seria percebida. 

Por detrás de todo o problema, contudo, está o medo de usar a sua plena potência ou energia. Pacientes de cancro a maioria das vezes sentem uma impaciência interior ao sentirem a própria necessidade que têm de futura expansão e desenvolvimento, apenas para a sentirem frustrada.
Uma vez mais, não podemos generalizar demasiado, mas muitas pessoas sabem muito bem que não têm a certeza se querem viver ou morrer. No entanto a superabundância de células cancerígenas representa a necessidade de expressão e de expansão – a única área deixada em aberto – ou pelo menos assim parece.

Uma pessoa assim precisa também lutar contra as ideias infelizes acerca da doença em geral, de modo que muitos pacientes de cancro acabam isolados ou sós. Todavia, como em quase todos os casos de doença, se fosse possível ter um tipo de operação0 de “transplante de ideias”, a doença rapidamente se desvaneceria.

Conscientemente, poderão querer expressar certas capacidades, enquanto inconscientemente temem faze-lo.
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Por todos os aparentes infortúnios, desenvolvimento, satisfação e realização compensarem de longe a morte, as doenças e os desastres. Um novo começo pode ser conseguido - por qualquer um e em qualquer situação, e produzir alguns efeitos benéficos independentemente das condições anteriores.

Por detrás de todas as doenças, da forma mais básica reside a necessidade de expressão, e quando as pessoas sentem que as suas áreas de crescimento estão a ser restringidas, então instigam acções destinadas a desimpedir o caminho, por assim dizer.
Antes dos problemas surgirem existe quase sempre uma perda de respeito próprio ou de expressão.

Na questão da doença chamada SIDA, por exemplo, tendes grupos de homossexuais, muitos como que “surgidos do armário” pela primeira vez, que tomam parte em organizações que promovem a sua causa, e são subitamente confrontados com as suspeitas e desconfiança de muitas outras porções da população.

A luta movida no sentido de se expressarem, e as faculdades e características únicas que possuem, impulsionam-nos, mas ainda assim são muito frequentemente frustradas pela ignorância e incompreensão que os rodeia. Acabais com algo do género de um contágio psicológico. As pessoas envolvidas começam a sentir-se ainda mais deprimidas ao lutarem no sentido de combaterem o preconceito que têm contra eles. Muitos deles quase se odeiam a si mesmos. Por toda a fanfarronice aparente que manifestam, temem que de facto não sejam membros naturais da espécie.

Tais crenças provocam uma quebra no sistema imunitário e produzem os sintomas tão ligados à doença. A SIDA nessa medida consiste num fenómeno social, ao expressar as profundas insatisfações, dúvidas e fúrias dos que são alvos do preconceito – contra um segmento da sociedade.

Sejam quais forem as mudanças físicas que ocorram, acontecem por a vontade de viver se achar enfraquecida. A SIDA consiste num tipo de protesto biológico, como se os homossexuais estivessem a dizer: “Bem que podem matar-nos. Estaríamos bem melhor do que da forma que nos tratam”...

A atitude de médicos e de enfermeiros em relação ao trato de tais pacientes revela muito claramente não só o medo que sentem da própria doença, como o medo que sentem da homossexualidade, que tem sido considerada um mal e proibida por várias religiões.
No entanto a SIDA pode ser contraída por aqueles que não são homossexuais, mas que têm problemas semelhantes. Constitui um enorme erro segregar tais indivíduos, como se fossem uma colónia moderna de leprosos.

Muitas outras condições que parecem ser disseminadas por vírus ou alvo de contágio estão igualmente relacionadas com problemas da sociedade da mesma maneira, e quando tais condições são corrigidas, as doenças em si mesmas em larga medida desvanecem-se. Devia ser recordado que são as crenças e os sentimentos dos pacientes que largamente determinam o efeito de qualquer procedimento médico, técnicas ou medicações.

Infelizmente, todo o quadro que rodeia a saúde e a doença é um quadro amplamente negativo, no qual até mesmo a medicina preventiva pode ter inconvenientes graves, uma vez que muitas vezes recomenta fármacos ou técnicas destinadas ao ataque de um problema não só antes do problema surgir, mas simplesmente ante a possibilidade de se verificar.

Muitos dos anúncios da saúde pública publicam de forma rotineira os sintomas específicos de várias doenças, quase como se definisse mapas das doenças destinados a ser seguidos pelos consumidores médicos.

Contudo, os próprios processos de cura do organismo estão permanentemente activos – razão porque aconselho tão vivamente que sejam invocados juntamente com a ajuda médica que parecer apropriada. Mas o indivíduo, mesmo enquanto paciente, deve sempre dispor de escolha, e do direito de recusar qualquer tratamento recomendado.
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Não podem separar a filosofia da vida, por os pensamentos e opiniões que têm concederem à vossa vida o seu significado e ímpeto. Há quem acredite que a vida seja destituída de sentido e de objectivo, e que as suas numerosas partes se encaixem unicamente por via do funcionamento do acaso. Evidentemente que me refiro ao dogma científico, mas tal dogma é muito mais religiosos do que científico, por também esperar ser objecto de crença sem prova, e somente com base na fé.

Em qualquer caso toda a vida é encarada como conducente à extinção. Todo o conceito de uma alma, da vida após a morte, ou mesmo de vida de uma geração para a seguinte, tornam-se no mínimo duvidosas. Num tal mundo filosófico pareceria que o homem não possua qualquer poder.
...esses conceitos podem ter uma mão no desenvolvimento dos supostos suicídios, em particular em tenras idades, por parecerem efectivamente bloquear um futuro.
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Durante séculos foi tido como certo que Deus estava do lado das nações mais fortes, e mais ricas. Ao que parece, certamente que se um país fosse pobre ou oprimido, seria por Deus o ter querido.

Tais ideias mantinham literalmente as pessoas acorrentadas, promoviam a escravatura e outras práticas inumanas. O mesmo se aplica infelizmente aos conceitos orientais do Nirvana e ao conceito cristão do Céu.

Ambas foram usadas por aqueles que detinham o poder para conter as massas das pessoas, para justificar condições de vida de má qualidade e insuficientes ao prometerem condições de futura bem-aventurança no mundo pós-morte.

Existem muitas diferenças entre as ideias do Nirvana e do Céu, mas cada uma delas foi usada, não só para justificar o sofrimento, como também para ensinar as pessoas a buscar a dor. A ideia era de que, quanto mais perseguida e caluniada a pessoa for, tanto maior será a recompensa numa existência futura...

As ideias de penitência, jejum excessivo, o abuso pessoal do corpo, tal como o da autoflagelação – todas essas práticas conduzem à crença de que o sofrimento seja algo que deva ser procurada em si mesmo. Dessa maneira a dor torna-se num objectivo de procura, e o prazer subverte-se à dor.

Gente bastante comum muitas vezes crê, pois, que o sofrimento por si só constitua um caminho para o desenvolvimento pessoal e o conhecimento espiritual. Em questões de saúde, tais crenças podem ter o mais infeliz do resultado. Frequentemente são responsáveis por sacrifícios inúteis de órgãos físicos em operações imprudentes.

Certos indivíduos tornam-se presa de ansiedade e de preocupação caso pensem estar demasiado felizes – para eles isso significa que não pagam o suficiente pelos seus pecados. Podem ser ameaçados por um perigo inegável qualquer, até que por fim, de uma forma ou de outra, voltam a procurar uma saída do castigo – enquanto se questionam o tempo todo por que serão tão frequentemente assediados por problemas de saúde ou pela doença.

Esse tipo de síndroma pode afectar indivíduos, famílias, e em certa medida, nações completas. Militam directamente contra a saúde do homem, a sobrevivência e a exuberância.
Receios constantes acerca de... catástrofes também se poderão classificar sob essa classificação.

Largas massas de pessoas deixaram-se de tal modo convencer da eventual vingança e do castigo de Deus que começaram a fazer planos nesse sentido. As suas vidas tornaram-se numa forma de evitar a dor em vez de procurarem prazer ou satisfação. Isso é válido relativamente às pessoas, mas também se aplica a muitos dos chamados grupos de sobrevivência, que se congregam numa ou noutra parte da nação, e recolhe alimentos para disporem deles após o holocausto e para defenderem as suas famílias daqueles que lhes possam roubar as provisões.

A maioria das pessoas espera um período de caos em que todas as leis sejam abolidas. Uma outra versão realça a área económica, prevendo o colapso da economia, a anarquia, e outras situações que opõem o indivíduo contra o semelhante. Essa gente acredita, evidentemente, que qualquer situação piorará, e será levada ao mais desastroso dos términos. Essa atitude tinge-lhes todas as outras crenças e acções. Alguns usam o dogma religioso e outros confiam no dogma científico a fim de provar o seu caso, mas seja como for, é-lhes apresentado um mundo de engano e de vingança.

Uma boa saúde mental ou física dificilmente poderá florescer sob tais condições...
Tais ideias afectam todos os níveis da vida, desde o mais microscópico em diante. Não é que as plantas entendam as vossas ideias nos termos habituais, mas de que de facto colhem o vosso objectivo, e na área da sobrevivência mundial, elas têm participação.

Não quero romantizar a vida não humana tampouco, nem exagerar os seus recursos, mas a natureza também dispõe dos seus modos – e por tais modos trabalha constantemente em prole da sobrevivência da vida em geral. A natureza não vos pode salvar, mas sempre estará presente, pronta a acrescentar a sua própria vitalidade e força ao bem e à saúde geral do planeta.

Recordem o que eu afirmei antes acerca das ligações existentes entre os estados de doença e de não doença. Comunicações cintilam entre os vírus e os micróbios, e eles são capazes de mudar num piscar de olhos. Uma vez mais, pois, ideias da natureza mais optimista são as biologicamente relevantes.
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Este é um bom lugar para suscitar algumas práticas extremas de alimentação, tais como o jejum em excesso e a obsessão pelos chamados alimentos naturais. Não me estou a referir ao interesse natural e saudável pela pureza dos alimentos, mas a uma preocupação exagerada.
Por detrás de tais atitudes está a ideia de que o próprio corpo não seja indigno, e de que a fome de alguma maneira reduza todos os apetites da carne. Geralmente acabais com uma enxurrada de diferentes tipos de dieta.

Algumas concentram-se quase em exclusivo na proteína, outras nos hidratos de carbono – em particular o arroz – mas em qualquer dos casos a grande variedade natural de alimentos e de nutrientes é eliminada.

Isso mantém o corpo num estado de constante tumulto. Certas pessoas acham-se assim convencidas, de facto, de que o comer seja errado e de que fazem dieta até ficarem com uma fome voraz, a seguir ao comem em demasia e forçam-se a vomitar.

Outras pessoas, numa tentativa bem-intencionada de controlar o peso, saltam os pequenos-almoços por completo – o que consiste num procedimento muito pobre.

É muito melhor comer quantidades moderadas de alimentos de entre toda a gama de alimentos, e consumir pequenas porções mais amiudadamente... quatro refeições ligeiras ao dia em geral servir-vos-ão muito bem.

Essas ideias sobre a alimentação são importantes, já que muitas vezes são passadas de pais para filhos, e geralmente os pais usarem os alimentos como uma forma de recompensar o bom comportamento dos filhos, desse modo iniciando os jovens no sentido do excesso de peso.
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Se tiverem problemas de saúde, muito melhor será procurar a razão deles na vossa experiência imediata...

...Tentem compreender que o dilema particular da saúde não representa um acontecimento que vos seja forçado por um agente externo qualquer. Percebam, em vez disso que de uma forma ou de outra o dilema da doença que tendes foi escolhido por vós...

Se perceberem que as crenças que têm moldam-vos a experiência, então terão uma excelente oportunidade de alterar as crenças que têm, e desse modo a vossa experiência.

Podem descobrir as razões que têm para optar pelo dilema ou pela doença se forem bastante honestos convosco próprios. Não há necessidade de sentirem culpa já que foram enfáticos o suficiente ao eleger cada escolha – só que as escolhas foram eleitas com base nas crenças que não constituíam factos mas crenças.

Se se encontrarem em qualquer tipo de dificuldades, inicialmente poderá parecer inconcebível, incrível ou mesmo escandaloso imaginar que os vossos problemas sejam causados pelas crenças que têm. De facto, o contrário poderá parecer verdade. Podem ter perdido uma série de empregos, e poderá parecer-vos muito claro que não merecem culpa em nenhuma dessas circunstâncias.

Podem encontrar-se no meio de um de uma série de relacionamentos insatisfatórios, nenhum dos quais parecerá ter sido causado por vós, enquanto em vez disso acreditam ser vítimas ou participantes involuntários. Podem ter um problema perigoso de álcool ou de drogas, ou estar casado com alguém que tenha um problema desses.

Na maioria dos casos, mesmo a mais grave das doenças ou das situações de complicação são causadas por uma tentativa de crescimento, de expansão ou desenvolvimento em face de dificuldades que parecerão intransponíveis de uma forma ou de outra.

Uma pessoa poderá parecer lutar por um objectivo qualquer que pareça estar bloqueado, e por conseguinte, usar toda a sua energia e força disponível para contornar o bloqueio.
Na verdade, o bloqueio geralmente consiste numa crença que precisa ser compreendida ou removida em vez de contornada.
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Não sereis saudáveis... não obstante a robustez da condição física que tiverem, se os relacionamentos que tiverem forem doentios, insatisfatórios, frustrantes ou difíceis de conseguir. Seja qual for a situação em que estiverem, é uma excelente ideia questionarem-se o que fariam caso estivessem livres dela. A esposa de um alcoólico poderá desejar de todo o coração que o marido pare de beber – mas se subitamente se questionasse do que faria, ela poderia, surpreendentemente – sentir uma pontada de pânico. Ao examinar os próprios pensamentos e sentimentos, ela poderá muito bem descobrir que estava apavorada por poder não atingir os próprios objectivos de modo a ter encorajado o alcoolismo do marido, ou para não ter que enfrentar o próprio “fracasso” dela. Evidentemente que esta situação hipotética representa um exemplo rápido daquilo que quero dizer, sem mencionar todos as demais crenças e meias-verdades que envolvem o relacionamento do homem e da mulher.

Cada pessoa é de tal modo exclusiva que é francamente impossível que eu debata todas as vertentes da crença que moldam a experiência humana... poderão descobrir não só uma versão de vós, mas várias versões, por assim dizer, cada uma das quais persegue certos objectivos, e poderão descobrir, além disso, que certos propósitos cancelam outros, ao passo que outros são diametralmente opostos entre si. É claro que tal contradição de objectivos pode conduzir a dificuldades mentais, emocionais e físicas. 

Vastas massas de pessoas vivem de facto vidas insatisfatórias, e muitas pessoas buscam objectivos quase inalcançáveis por causa do conglomerado de crenças contraditórias que lhes disputam a atenção. Elas estão em contradição com elas próprias.

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