terça-feira, 14 de janeiro de 2014

REFLEXÕES SOBRE O MUNDO NOVO



Transcrição e tradução de Amadeu Duarte



Pergunta: Bom dia… Quem fala é a Marilyn.


Resposta: Olá Marilyn. Sobre que vamos falar?


Pergunta: Bom, eu estava a pensar neste mundo novo que estamos a criar, mas não tenho uma visão muito clara, e permanece um tanto obscuro…


Resposta: Óptimo.


Pergunta: (Ri) Eu tinha pensado, sabes, em como a certa altura, a América representou o Novo Mundo, e constituiu um experimento, há quase quatrocentos anos atrás, e como de certo modo… (Imperceptível) a Declaração da Independência, A Declaração dos Direitos Humanos, e creio que uma maravilhosa constituição, e sabes como as pessoas acudiram de todas as partes, e formam uma comunidade global actualmente, e agora dispomos de todo um outro mundo, da tecnologia, um belo planeta no espaço… Mas que é que fazemos, como é que havemos de realizar o novo sonho?


Resposta: Muito bem, muito bem. Bom, vamos falar um pouco acerca disso na verdade. Decerto que vos encontrais num estágio do desenvolvimento humano em que o ser humano evolui e se torna de certo modo num tipo diferente de ser humano. Já vimos a falar desses elementos pelo menos há uma década, ou década e meia, no sentido da consciência humana a evoluir, e a esse respeito sabemos que há quem por aí fale de virem a ter cromossomas extras e todo o tipo de diferenças tangíveis no ADN humano e na estrutura molecular humana, novos centros de energia (chakras) e mais isto e aquilo e aqueloutro mais. 


E essa conversa não é insensata nem constitui uma tolice, mas também não é válida nesse sentido, não é verdade, no sentido de virem a ter cromossomas extra, e que as crianças que nasçam após tais e tais anos venham a ser de algum modo química e biologicamente diferentes dos pais e dos avós, etc. O que se passa em torno disso, num certo sentido, é que… como dizê-lo? As pessoas – talvez se deva referi-lo melhor nestes termos – estão a tocar em algo que é novo, em algo que é diferente, e a tentar da forma que podem, traduzir isso por palavras de um idioma linear e a tentar colocar isso no contexto de um mundo linear, de um mundo que tenha começo, meio e fim e em que tudo flua bastante numa linha recta.


Falamos em termos desses visionários, sabem, que vão até aos limites da consciência e espreitam além, e além dos horizontes da consciência e captam vislumbres e os clarões fugazes, pistas e indícios do que lá se encontra, e que tentam a seu modo de visionários comunicar, capturar isso. Falamos disso em particular, por exemplo, nos termos do Tarot e das 22 imagens arquetípicas do Arcana Maior do Tarot em que de facto aqui é o que o Louco simboliza, e aqui é o que o Mago simboliza, mas existem versões, claro está; as versões clássicas e as subsequentes como o Tarot feminino, por exemplo, em que todas as imagens são femininas, e aparece uma Louca e uma Maga, ao contrário do simbolismo masculino tradicional.


E aquilo que dissemos a esse respeito foi que, esses visionários, esses habitantes dos limites, aqueles que possuem esse sentido de visão - mais do que um sonho – um estado de ser, que é o que a visão representa, a diferença entre uma visão e um sonho. Eles vão até às extremidades dos limites, vão até ao horizonte à medida que perscrutam além e fazem ideia, por exemplo, do arquétipo que representa o arquétipo do Louco. E regressam e tentam transmitir a um amigo, tentam colocar isso em palavras, e dizem que é uma energia, que é uma ressonância, é este algo diferente, semelhante a alguém que permanece de pé na borda ou no limiar, e dá um passo em coisa nenhuma, e sem olhar para onde se dirigem, assemelham-se a tolos, completamente contentes e a olhar para trás por cima do ombro enquanto dão um passo rumo a coisa nenhuma: “É uma ressonância que corresponde à minha versão, e pressinto aquela energia desta magia, deste ser, desta consciência, que nos leva a alcançar os céus e a descer cá abaixo.” “E assim em cima como em baixo…” e que associa o que virá a ser ao que já tiver sido, e trabalham essa incrível magia, esse alcance de energia. E é como esse homem, por causa da época, fosse… e por isso o mágico assume… Isso é uma interpretação. Não é literal, ouçam cá. É uma energia arquetípica – a forma sem forma de um louco representa alguém com um pau sobre o ombro, com um saco enfiado na ponta, e um cão, a andar pelas colinas e a cair de um penhasco, a esse respeito.


Não é que o arquétipo do Mago use essas vestes compridas, e permaneça o tempo todo na posição de pé, etc., enquanto as pessoas se aproximam (riso). Trata-se de uma ressonância, de uma energia destituída de forma a que alguém terá tentado dar forma com as ferramentas que tinha ao dispor. Assim é com o Mundo Novo, ou melhor, com a evolução da consciência. As pessoas procuram obter uma versão do que virá a ser o novo tipo de ser humano: “Pelos céus, que quererá isso dizer? Deve querer dizer que o seu ADN é diferente; deve querer dizer que terá cromossomas extras; deve querer dizer que terá um sistema nervoso biológico e químico diferente; deve querer dizer que apresente diferenças visíveis, tangíveis, concretas.” Mas nós gostaríamos de sugerir que não, que não é com isso que se irá parecer, que não se vai parecer… como dizê-lo? Como nos anos cinquenta, quando as pessoas procuravam o aspecto do ser humano futuro, com uma cabeça gigantesca, umas pernas de tubo limpas deste tipo, por se sentar em volta e pensar, com aquele cérebro enorme. Existiam imagens desse tipo que se pareciam mais com extraterrestres do que com outra coisa.


Não, aqui vos encontrais, e as vossas formas corporais são muito similares, um pouco mais altos porventura, mas muito parecidos. E assim, o que acontece aqui, quando alguém vislumbra o Mundo Novo e depois tenta trazer isso de volta e colocá-lo numa linha recta e nos termos que empregais na vossa língua que é tanto linear quanto limitada, e tenta descortinar o que seja novo. E perceber que os arquétipos são forma destituída de forma – termos contraditórios, mas ainda assim uma avaliação mais exacta; mais exacta mas não tão exacta quanto isso. A consciência evoluída não vai ser muito diferente biologicamente a esse respeito: mais cromossomas e químicas diferentes, sistemas nervosos diferentes, etc. Mas nesse sentido, é uma função que está a mudar, uma função que está a mudar e que se reflectirá na forma de uma maneira muito subtil. E assim, com o Mundo Novo, conforme muitas vezes dissemos, não é com se, os cabeçalhos do New York Times, ou do Washington Post venham a anunciar: “Eis aqui o Mundo Novo.” Não é como se os actos do mundo que têm subitamente venham a ser derrubados e o Novo os venha substituir. Não é como se venham a acordar numa bela manhã, e: “Ah meu Deus, este é um mundo inteiramente diferente!” Não é nada assim.


E tu tens razão, por num certo sentido metafórico, de facto, as Américas, norte e sul, representaram o novo mundo, certamente. E nesse sentido, com o desenvolvimento da exploração dos limites e o alcance das margens da realidade, que em certa época eram representadas pelo rio Mississípi nos Estados Unidos e na área Norte Americana; espreitar além dessas margens e ver o que existia lá. Essa é uma metáfora maravilhosa e tudo o mais, que aconteceu com as Américas e se deu de uma forma manifesta, por causa do Espírito que é verdadeiramente chamado de Espírito da América. E sabemos que as pessoas falam disso, e muitas vezes americanos, e que isso soa um tanto egocêntrico, mas realmente há um Espírito da América único e característico, embora os americanos nesse sentido tenham a mesma biologia e os mesmos cromossomas. Existe um espírito diferente, uma função diferente que tem que ver com o que é o Espírito Americano. E existe uma Alma Americana e um Espírito da América. E a América, Estados Unidos, conforme lhe chamais, mas a América passou por o período em que recebeu o nome e pelo seu período de poder, e pelo período da juventude eterna, e foi ferida também, e ainda nos seus anos sombrios, ainda nos anos sombrios, com base no ferimento – a guerra civil – há cento e cinquenta anos atrás, o que parece um período sombrio terrivelmente longo, mas que representam os anos sombrios, certamente.


Mas gostaríamos de sugerir que com esse amadurecimento, essa guerra, esse ferimento que rasgou, essa ferida em que a Alma e o Espírito da América sangrou, e derramou o próprio sangue, na única guerra que teve na sua história em que derramou o próprio sangue. E ao entrar nessa sombra, no matadouro para se descobrir a si mesmo. Para se descobrir a si mesmo! E ainda está lá, entendem, não se trata só de uma vida de setenta anos, ainda está nesses anos sombrios em que a América está a descobrir quem é. E nós sugerimos que nos últimos anos perdeu isso de vista, e com o advento da guerra, por exemplo, e com o final da “guerra fria” em que o excesso de confiança da América enquanto a nação suprema do mundo lhe subiu à cabeça, como bem poderá ser dito, e mesmo agora ao cair em si e ao compreender e ao descobrir-se ainda a si mesma, ao descobrir o papel que lhe cabe, ao descobrir o seu destino, como quem diz – ainda os anos sombra – mas gostaríamos de sugerir que haverá um “tempo dos diabos”, quando a América verdadeiramente olhar para si mesma, e através da Alma Americana e do Espírito Americano as pessoas olharem para si mesmas, e isso não será um tempo crítico e maravilhoso, o período de tempo mais entusiasmante da história do género humano? Não é uma hipérbole, na verdade é uma subavaliação do que está a suceder aqui. Mas nós falamos disso nos anos noventa, entendem? Como a década mais monumental da história do género humano, por nessa década terem tomado uma decisão, uma decisão acerca da natureza do futuro; não se viria a haver um futuro ou não, por isso já ter sido decidido, mas a natureza desse futuro, que tipo de futuro compreenderia, se viria a ser um futuro de visões e de sonhos, se viria a ser um futuro de magia e de milagres, e na verdade, a decisão tomada foi no sentido de vir a ser isso, sim.


Na verdade o ponto pivô, ou o ponto de viragem, conforme usais no vosso vernáculo moderno, o ponto de viragem disso surgiu em 1997, quando tomaram essa decisão (bate bruscamente palmas uma vez a enfatizar) ao experimentarem ao longo dos anos do despertar e ao tomarem essa decisão no oitavo ano, em 1997 dessa particular década, uma vez passado o processo do despertar, a firme decisão, empenho. Que viria a haver um futuro já tinha sido decidido, mas esse futuro virá a ser um futuro positivo, um futuro virgem, em ultima análise, um futuro intocado pelas mãos humanas, e que esse futuro virá a ser um Mundo Novo. E gostaríamos aqui de sugerir com respeito a isso, que ao chegarem aqui doze anos mais tarde, uma oitava cromática mais tarde, conforme dissemos (NT: Escala cromática é a escala de doze tons) e o que fizerdes neste ano, ou mais correctamente, aquele em que vos tonardes neste ano será essencial nesse processo de decisão.


Em termos do aspecto que esse Mundo Novo virá a ter, não parece manifestamente diferente de uma forma cromática, no sentido da forma que venha a ter; não é que venham a ter uma nova forma de governo em que eliminem a legislação ou a administração; não vai surgir pelo aparecimento de um novo sistema monetário nem de uma moeda mundial nem de um governo mundial nem desse tipo de coisas, nem com a remoção das fronteiras nem com a dissolução da soberania, todo esse tipo de especulação que as pessoas fazem, que por vezes é basicamente ingénua, e outras vezes tentativas genuínas de ir até ao horizonte e de olhar para além do horizonte e de obter esse sentido de visão, no sentido de o tentarem ajustar à forma – que é linear – e desse modo criar uma versão, que na melhor das hipóteses representa uma metáfora, um símbolo, mas incorrecta quanto à exactidão e literalidade.


Com respeito a isso, e num certo sentido, o que se considera é um Mundo Novo, e o que sugerimos desse mundo que está a tornar-se novo, talvez das evidências mais óbvias disso passa – e temos que ter cuidado com as palavras que utilizamos aqui - por um despertar da consciência, em que a consciência será valorizada. Durante a era agrária que o vosso mundo atravessou, há milhares de anos atrás e durante um período de vários milhares de anos, a propriedade, o gado, os animais, o milho, o trigo, isso era o que tinha valor; o valor do que valorizavam era medido pelas coisas que possuíam, pela terra, pelos produtos, pelo número de cabeças de gado, o número de galinhas e o volume de ovos que a vossa quinta produzia, a quantidade de leite que obtinham. Nessa época agrária, o valor, a rentabilidade, era medida pelas coisas que possuíam. E houve uma altura em que na verdade as evidências sociais, em que um homem tomava uma esposa que passava a ser propriedade sua, a quem dava o seu nome, e ela trazia um dote, o que a tonava mais interessante e valiosa, e ela tinha os filhos dele, e tudo o mais: a propriedade, o gado, um bem imóvel, conforme viria a ser chamado, os bens imóveis constituíam a medida da rentabilidade, a medida do valor. Quando a era industrial surgiu, há muitas centenas de anos, isso mudou. A terra era valorizada, mas o que vós produzíeis, os dispositivos, conforme vieram a ser chamados, o produto, a vossa produtividade, o vosso valor, o mérito, a rentabilidade eram medidos pelo que produzíeis, e pela quantidade dessa energia particular.


Consequentemente, surgiu o acondicionamento, o embalamento do produto; as pessoas tornaram-se num produto nos termos em que num período de tempo novamente as mulheres se tornaram num produto mais provável que o homem, por, o homem, de uma forma chauvinista, se ter posto à margem da competição, e era suposto que as mulheres tivessem peitos grandes, com silhueta de ampulheta, um belo par de pernas, era suposto terem assim um aspecto, mas depois isso mudou e subitamente esperava-se que se parecessem muito com os rapazes, e tivessem muito pouco peito, umas ancas estreitas, demasiado esguias, e muitas mulheres com peito grande pensaram duas vezes em se livrarem do peito que tinham, etc. E depois isso mudou e altera-se, mas o acondicionamento da pessoa, o facto das pessoas a acondicionarem-se a si mesmas com uma educação correcta, e com antecedentes adequados, e um conjunto de amigos apropriados, os carros e casas adequados, a fim de apresentarem uma embalagem daquilo que são.


Durante a era industrial, por exemplo, a rentabilidade era avaliada pelo produto que apresentavam ou pelo produto que tinham; não eram valorizados pela quinta enorme que tivessem, mas valorizados pelo produto que apresentavam. Ao saírem dela, durante os anos noventa e o começo dos anos 2000, e ainda em anos por diante, a informação constitui a produtividade, agora na era da informação, em que a rentabilidade é medida pela quantidade de informação que controlam ou que podem dispensar. Aquilo para que estais a avançar, no sentido do Mundo Novo, a rentabilidade, se quisermos usar o termo, o valor, basear-se-á na consciência. Virá a ser, tal como durante na era industrial, não é como se as terras agrícolas e a produtividade de repente perdessem todo o valor, não é assim; não era linear, mas uma expansão, pelo que nesse sentido a terra ainda terá valor, o produto ainda terá valor, a informação ainda terá valor, mas a consciência que está a surgir e a emergir, tornar-se-á valorizada.


As companhias e as pessoas descobrirão a rentabilidade, descobrirão o êxito, na medida em que conseguirem trabalhar, não de abusar mas de explorarem e de expandirem a consciência, a espiritualidade – não a religião – adquirirá um enorme sentido de valor. E quando mencionamos isso, não querermos dizer que as pessoas venham necessariamente a adorar ou a falar de Deus ou da Deusa de uma forma manifesta, mas procurarem o significado da espiritualidade – por se tratar de um relacionamento que se torna numa parceria com Deus, com a Deusa, mas de uma forma mais tangível, com Tudo O Que Existe. Ao lidardes com o verdejar de um mundo, tratais de questões do foro ecológico, quer se trate de climatologia ou do ambiente – o que equivale ao desenvolvimento de um relacionamento que se pode tornar numa parceria com o ambiente – tornar-se parceiros dos elementos, parceiros da terra, parceiros do Tudo Quanto Existe da natureza- isso é espiritualidade. Honrar as vossas tradições, não o passado, mas a tradição, as gemas que se encontram nas dobras nesse passado, buscar o passado, não para o relembrar, mas no sentido de recordarem a tradição. E honrar essa tradição, ser mudado por ela, tornar-se mais por causa dela. Isso é espiritualidade. 


Adicionar um toque de amor, intimidade e de carinho onde quer que possais e no que quer que façais. Isso é espiritualidade. E as pessoas e as empresas, as indústrias, seja o que for que queirais chamar-lhes, isso pode trazer um toque de amor, um toque de intimidade, um toque de carinho ao que fazem e àqueles para quem o fazem. Esses são os que irão obter êxito, e a rentabilidade, se quisermos, o valor da consciência e da espiritualidade. Buscar uma maior liberdade representa tudo quanto a espiritualidade envolve. Buscar a dignidade, o carácter, a vitalidade e a visão, uma parceria convosco próprios, um relacionamento e uma parceria convosco próprios, valorização pessoal – tudo isso traduz a espiritualidade. Não é religião, nem sequer chega a ser um debate consciente sobre Deus nem sobre a Deusa. São todas essas coisas, e tomar consciência da espiritualidade. Valorizar a consciência.


A era agrária, a era industrial, a era da informação, o Mundo Novo pode muito bem ser chamado de era da consciência, em que a consciência é a chave da produtividade e da rentabilidade e o valor, para o colocar nesses termos monetários, mas isso é apenas o começo dele; não envolve tudo quanto traduz. Num certo sentido constitui o prenúncio, a mola, o chamado dos tordos, os primeiros rebentos, a era da consciência em que de facto as pessoas e as empresas começarão a valorizar e a erguer esse nível de consciência em que a consciência será infundida, incorporada em muitos mais componentes e expressões da forma que parece tão familiar, e isso num mundo que se torna novo.


O que isso também comporta, é que a magia se tornará num componente muito mais vívido no viver da vida. Provavelmente não será chamada de magia, por o mundo ainda encarar a magia com coelhos a sair da cartola, desempenhos de palco, ou como um tipo esquisito de bruxaria ou algo do género, algo obscuro, e magia negra, e tudo isso. Faz pensar na Buffy e nesse tipo de coisa. (Riso) De modo que o provável é que não venha a ser chamado de magia, mas quando olhardes isso no sentido dos componentes, representará coisas que acontecem de uma forma crescente e de forma milagrosa.

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