terça-feira, 24 de dezembro de 2013

NOVA ERA - O PONTO DE VIRAGEM (1ª PARTE)


O vigésimo terceiro de Setembro – uma data muito importante sem sombra de dúvida. E nós decidimos conversar convosco nesta noite, não para lhes darmos nenhuma palestra nem para lhes dar nenhum sermão, mas para conversarmos convosco sobre algo que está a acontecer e que se está a desenvolver, e que de facto se vai tornar muito importante para a compreensão e participação que tendes naquilo que chegou a ser chamado de Nova Era. 
E queríamos começar muito brevemente acerca da importância do vigésimo terceiro, que conforme sugerimos seria provavelmente a segunda data mais importante do ano, de acordo com o que é chamado de Ligação com Sírio, o sistema estelar de Sírio, a qual representa uma ligação muito importante para o desenvolvimento do vosso planeta particular, por representar uma via, por assim dizer, por intermédio da qual a energia flui para a estrutura do vosso universo e para fora da vossa estrutura universal.

Através do ocultismo e do misticismo e da metafísica na abordagem ocidental que teve ao longo de eras, de que fazeis parte, quer gosteis ou não, a ligação com Sírio tem representado efectivamente uma parte integrante, e por isso o vigésimo terceiro – o 23 de Julho é a primeira e depois o 23 de Setembro como a segunda mais importante data em que essas energias possuem uma maior clareza e uma maior precisão. Além disso pode representar uma maior clareza na comunicação e na compreensão, e assim, porque não dar uma pequena ajuda a tirar partido disso?

É igualmente o equinócio do Outono, (NT: Corresponde ao equinócio da Primavera no hemisfério Sul e ao equinócio do Outono no hemisfério norte) a representação da época em que começais a colher aquilo que tiverdes semeado e plantado. É uma época em que culminais e reunis e vos preparais para avançar em frente de novo. E aquilo para que avançais no Outono deste ano é um período de contemplação daquilo que foi plantado – não somente neste ano, nem a colheita apenas deste ano, mas daquilo que foi realizado e trabalhado ao longo dos últimos vinte anos, por estarem preparados para dar início aos próximos vinte anos.

Na vossa história falais de ciclos de vinte anos de actividades que ocorrem, os anos sessenta e setenta, agora a darem lugar aos oitenta e noventa, e depois, quem sabe? Assim, esta não é a época do Outono de 1979 mas o Outono de todo um período de duas décadas, e representa o período de avaliação e de estabelecimento de decisões e de determinações sobre a forma como proceder em tais progressões.

Além disso, este é, de muitas formas o alvorecer, o início de – seja o que for que queirais chamar-lhe – o que tem sido aguardado com expectativa, como a Nova Era. O que foi antecipado durante muitíssimo tempo, encontra-se aqui agora. Está aqui agora. Um tempo para desvendar alguns dos mistérios; qualquer coisa que não compreendais constitui a Nova Era. (Riso) É algo que abarca tudo: “Porque fazes isso dessa forma?” “Por ser a maneira nova era.” (Riso) É tempo de desvendar alguns dos mistérios, pois quer gosteis ou não a Nova Era encontra-se aqui e continua a chegar; não conseguis definir esse termo: “Céus, quereremos defini-lo ou não?” Não é reembolsável e vocês entenderam-no. E por conseguinte cabe-vos lidar com isso. (Riso) 

Assim, torna-se importante desvendar o mistério, deslindar aqueles mistérios de que vamos falar nesta noite, não para o rotular por vós, nem para vos dizer o que fazer ou para vos dizer como têm estado errados, embora venham muitos a seguir e façam exactamente isso. Não estamos aqui para os fazer sentir-se mal nem para lhes dizer que estão errados e que são culpados, nem para terem vergonha, embora haja muitos que venham igualmente a tentar isso. Estamos aqui para partilhar convosco uma ideia, um conceito, uma abordagem, uma forma de encarar esta nova realidade a ver se conseguirão lidar com ela, uma forma de ver o contexto para que estais a passar – a Nova Era. Estamos aqui para lhes propor uma opção, uma escolha que inevitavelmente terão que fazer. Por conseguinte estamos aqui para partilharmos, para conversar, para rir um pouco e para assinalar certas circunstâncias bem interessantes.

Que coisa será a Nova Era, não é? É a Era de Aquário, o Dia do Juízo, oh, pode ser tanta coisa! Gostaríamos de sugerir que a Nova Era antes de mais não consiste numa correcção da velha era; não representa um aprimoramento nem o envergar de um novo uniforme do que se tem vindo a passar há séculos. Não se trata simplesmente de andar por aí a mudar os termo e torná-los mais actuais; é nova, querendo dizer com isso que é completamente nova, e que não a experimentaram antes, e algo a descobrir. E a Nova Era consiste na descoberta do poder - do poder pessoal. E queremos dispor de um instante para falarmos disso por alguns de vós, tanto aqui presentes como a escutar esta gravação, pensarem: “Poder? Pois, muita gente dispõe disso! É assustador, é preciso reparti-lo; não se pode deixar que alguém tenha poder, precisamos partilhá-lo todos, etc.” 

O poder possui dois sentidos básicos, um consta do poder sobre, e aqueles que buscam ter poder sobre – que existem muitos – não possuem um poder próprio, e por isso desejam o que vós possuís. Aqueles que suplicam pelos poderes instituídos, têm que vos tirar o vosso. Voracidade por poder, por domínio. E isso não é aquilo de que estamos esta noite a falar, por estarmos a falar de poder - de poder pessoal - da capacidade que têm de agir; só isso. A capacidade que têm de agir e de decidir pela manhã o que querem ver feito pelas cinco da tarde, e às cinco da tarde ter isso feito – isso é poder! Poder de decidir passar um excelente dia, e após o terem decidido: “Eu consegui-o!” Isso é poder. Não levar os outros a dizer-vos que são boas pessoas, nem levá-los a dizer-vos que o vosso dia foi maravilhoso, mas ter conhecimento disso, por terem exercido esse poder. E isso é algo que não conseguem repartir, e depois sobreviver. Podeis reparti-lo, mas perdereis de cada vez. E aqueles que o repartem pela omnisciência, para poderem sobreviver, precisam tirá-lo de vós, e vós tornais-vos nos seus cordeiros sacrificiais.

Poder é tudo quanto a Nova Era tem que ver. Assumir o vosso próprio poder de volta, poder que tão frequentemente foi doado, outorgado a terceiros. Como as crianças que naturalmente o doam aos pais, para eles decidirem, por eles saberem o que é melhor para eles. Ides para a escola e os professores decidem o melhor para vós. E em muitas coisas fazem-no, absolutamente. Não estamos a querer decidir que alguém em criança e na escola primária decida o que seja importante aprender. Mas gostaríamos aqui de sugerir que ao crescerem, ainda tereis quem vo-lo queira tirar, por saberem melhor o que vos cabe fazer. E assim frequentemente ele é entregue: “Não quero ter que decidir, deixa que alguém mais o faça, entreguemos o poder a um comité, e que alguém mais o faça para o não termos que o fazer,” doando, desse modo, o vosso poder, sacrificando a vossa vida desse modo figurativo. E é tempo de o retomarem, por ser tudo quanto a Nova Era subentende. É tempo de dizer: “Espera um instante, se fazes favor, eu decido o que será melhor para mim. Eu vou decidir o que quero, o que corresponde ao que me dá prazer.” Já vamos falar do que o prazer significa num instante.

Falamos acerca da ascensão e da queda do império romano como tendo estado ligado ao prazer. (Riso) Essa é a razão por que num certo sentido a Nova Era se torna tão difícil de entender, porque quando dizeis algo do género: “Quero retomar o meu poder de volta de forma a poder decidir o que me agrada, e para poder explorar o meu prazer,” toda a gente pensa nos romanos a comer uvas e a dar palmadinhas por detrás, nas mulheres, entendem. Mas nada tem que ver com isso; isso é “velha era.” Estamos a referir-nos a um novo prazer, e é isso que tem que se tornar – um conceito de compreensão – por o poder representar a capacidade de agir, de expressar aquilo que sois – isso é poder, e não tirá-lo a ninguém nem acumulá-lo, nem reparti-lo, de modo a que todos disponham de um pedaço; por toda a gente ter quanto baste. Trata-se unicamente de retomar só aquilo que vos diz respeito, o poder que vos pertence. 

E a segunda fase da nova era, infelizmente mas verdade, é a responsabilidade. Assumir a responsabilidade inerente a esse poder e à capacidade de agir; assumir uma responsabilidade total e completa. Vocês lêem, e ouvem falar dos místicos, não? De como podem fazer desaparecer uma laranja e atravessar as paredes e levitar - mas por uma volumosa quantia de dinheiro também vós sereis capazes (riso) – mas como dizíamos, são capazes de levitar, e vós: “Quem me dera ser capaz de fazer aquilo!” (Riso) Vocês lêem o Carlos Castaneda e o que ele diz sobre o Don Juan, e: “Céus, como eu desejava conseguir fazer aquilo!” Claro que podeis tomar o Peyote, mas não conseguis fazer o resto… (Riso geral) “Quem me dera poder fazer aquilo! Quem me dera conseguir controlar a minha realidade” Mas podeis! Vós podeis. Com certeza. Mas, e qual será o segredo disso? Uma palavra: responsabilidade! Assumir responsabilidade por TODA a vossa realidade, TODO o vosso poder. Não é apenas uma matéria agradável, por a matéria não ter chegado bem a correr da forma que queríeis. (Riso)

Para assumir toda essa responsabilidade, conforme o Don Juan o disse em termos bem simples, a fonte precisa ter pensamentos impecáveis – o que não quer dizer que penseis num belo pôr-do-sol nem numas belas flores, coisas do género, mas significa que assumis responsabilidade pelo que pensais e pela manifestação desses pensamentos. Significa que vós, vós individualmente, assumis responsabilidade – não vós no todo – vós individualmente. Não pensar que o vosso próximo o tenha feito; a vossa responsabilidade! E que de muitas formas, o segredo da Nova Era em muitos aspectos consta da compreensão de que o poder vos pertence e que não precisais tirá-lo a ninguém, mas retomá-lo de volta, e assumir essa responsabilidade por ele.

Encontrareis aqueles - e já os encontrais - que não querem isso em absoluto, por de algum modo isso ser egoísta, errado, e se parecer demasiado àqueles repugnantes anos sessenta e setenta do… (Imperceptível) E haverá quem vos dirá que não pode ser feito: “Não, entendem? Isso seria bom, mas estamos a braços com uma crise de energia, estamos a braços com um presidente vil; tínhamos um estupendo presidente, como foi que chegamos a isto? Estamos com problemas monetários, problemas bolsistas, o preço do ouro; não temos tempo para assumir responsabilidade, ora! Temos que deixar que mais alguém se encarregue disso.” E esse caso vai dar-se. E num certo sentido é aquilo a que chamamos de “crise de consciência” que está a ter lugar. Mas está bem patente, não? Não precisam acreditar nisso. E gostaríamos de sugerir que não acreditem nisso, por favor. 

Pretendemos conversar convosco e sugerir que o termo seja aceite, e que a vossa realidade vos mostra isso, razão porque vo-lo queremos mostrar de que forma a vossa realidade vo-lo está a demonstrar; neste mês que passou a Califórnia esteve em chamas, não foi? Tiveram incêndios a deflagrar um pouco por toda a parte, submersão da costa e furacões desenfreados, não? E como que para variar tiveram as mudanças na actividade, tremores de terra, conforme já passaram por alguns desses, não? Vários. Na verdade, foram três só nos últimos meses. As coisas estão a tremer. As coisas estão a despedaçar-se. Coisas que seriam impossíveis estão a ocorrer, económica, sociológica e geograficamente, que vos dizem que existe algo significativo, algo que está a provocar abalos, há algo em chamas, e isso é uma crise de escolha – não que tanto que ver com as escolhas que promoveis, mas com o facto de as fazerem e a forma como as fazem.

É aí que a coisa atinge a ebulição, entendem, por as pessoas andarem a dizer: “Digam-nos somente o que fazer e iremos faze-lo.” Mas a questão não está nisso; a questão assenta em aprender como decidir isso por vós próprios; em proceder às escolhas e saber porquê; em usar o vosso poder e responsabilidade, e ter consciência da razão por que o fazem. E é isso que tem que ver com a Nova Era – retomar o poder que vos pertence, e assumir completa, a 100%, a responsabilidade em relação a ela, proceder às vossas escolhas –as VOSSAS escolhas - e ter consciência do processo, do mecanismo, dos meios com base nos quais estais a eleger essas escolhas em particular. E as pessoas andam em busca de soluções, e jamais as encontrarão, até que troquem o contexto da forma como encaram a realidade.

Toda a vossa actividade tem assentado numa realidade do tipo “Causa e Efeito”, e vós falais de Carma e do Destino, Predeterminação, falais de Causa e Efeito. A abordagem linear da realidade não funcionará por as respostas não residirem nas resoluções lineares. As soluções não têm lugar nas sequências do tipo causa-efeito, nem nas sequências temporais, nem nas abordagens lineares; tiveram no passado, mas não irão ter no futuro. Trata-se de uma NOVA ERA. 

Falamos a 15 de Abril sobre como todas as coisas são simultâneas – passado, presente e futuro – tudo em simultâneo. Também mencionamos tratar-se de uma direcção da energia; não se trata de uma causa que está a conduzir a um efeito, mas um efeito a conduzir a uma causa, e o futuro a determinar o presente de encontro ao pano de fundo do passado. Pensai bem nisso, ainda que por um instante.

O que estais a fazer hoje. De que forma o ontem respondeu pelo que estais a fazer hoje? Não foi a causa. O que planeais fazer da vossa vida no próximo ano é o que responde pelo dia de hoje. Porque vieram aqui, hoje? Para escutar o que está para suceder? Que foi que os levou a decidir aqui vir? O facto de terem tido uma má noite de sono, há algumas semanas? O facto de terem perdido o emprego, na altura? Não. O futuro decidiu-o. O vosso futuro decidiu-o hoje, e vós colocastes isso contra o pano de fundo; não vieram por terem tido um mau dia ontem, e quiseram saber algo distante ou sobre o cosmos. Tendes muito tempo para conversar sobre as coisas cósmicas quando lá chegarem; o problema é que se encontram aqui, e para chegarem lá, precisam ter isto em ordem… (Riso) Não venham conversar connosco sobre coisas cósmicas, entendem? “Conta-me alguma coisa cósmica…” (Riso) 

Mas se hoje vierem neste dia de hoje com abertura, dispostos a ouvir, dispostos – não a aprender – mas a compreender, por causa desse cenário, contra o qual o vosso presente está agora a suceder, determinado por esse futuro que está ainda porvir. Porque ides ao liceu? Por quererem ser médicos ou advogados; mas porquê senão como o pano de fundo das notas que conseguem no liceu? O que sugerimos é que é o futuro que o determina. Mas precisam dar a volta às coisas, entendem? Até mesmo isso é linear. Pelo menos, se for linear, obtenham as direcções. (Riso) 

E depois ide a ponto de perceber que o passado, o presente e o futuro são agora. Que é que vai acontecer? “Que iremos fazer sem combustíveis fósseis?” Causa e efeito, sabem? “O Rockefeller provocou isto, há muito tempo.” Está tudo aí; está tudo aí exactamente agora. Mas para distinguirem a solução, não podem olhar em termos de causa e efeito; não podem olhar para o passado, nem para o presente nem para o futuro. Precisam olhar isso na simultaneidade que engloba. E é sobre esse novo contexto que vamos falar mais. Isso é o começo desse novo contexto. E o que a Nova Era significa, é essa crise de consciência; não qual será a solução. “Mas, como conseguiremos criar a realidade; podemos mesmo começar a procurar uma solução.” E é para isso que estão prontos nesta Nova Era, é isso que estão a prover uma situação de crise; estão a prover problemas que não têm solução. Isso é agradável, é entusiasmante. É uma oportunidade deliciosa a que estão a criar, porque os problemas que têm solução tornam-se entediantes. O pavimento está sujo e vós retirais-lhe as marcas; limpam o chão, o que constitui uma solução para um problema – que entediante! (Riso) Como haverão de criar um pavimento novo? É muito mais excitante! (Riso) E é com disso que estão a tratar; não existe resposta para a descoberta de mais combustíveis fósseis, a menos que perfurem mais fundo, não é? Ou que matem mais dinossáurios. É um problema sem solução. A energia nuclear. 

“Precisamos ter; não podemos ter – é um problema sem solução. A energia solar. Essa é uma solução; mas na verdade não constitui uma solução. Pois para que precisais vós de soluções? É um problema de energia sem solução.

A economia; estão a reger-se pelo ouro, não é? Por essas pequenas moedas de ouro, certo? E esperam que não suba de valor, por saberem que quando o valor do ouro sobe, o preço do dolar desce. De modo que dizem: “Que se passa com isto?” (Riso)
É um problema destituído de solução. “Que vamos fazer em relação ao mercado de acções? Que vamos fazer em relação ao preço disto? Que vamos fazer quando se esgotar a comida, ou seja o que for; espaço, ou coisas do género.” Não existe solução. Não no contexto linear. Não! E isso é que é excitante, o facto do velho sistema deixar de funcionar. Chamais a isso um logro. (Riso) Eles chamam logro àquilo que querem: “Querer crescer, querer ser espirituais, querer contribuir para o planeta; satisfazer o propósito que têm nesta terra.” E a vossa consciência superior está a dizer – “Tudo bem!” (Riso, seguido de aplausos) É isso que estão a criar agora. É a realidade do problema sem solução; a lógica, o vosso olfacto, o vosso paladar, todos os vossos sentidos, toda a vossa inteligência, toda a vossa aprendizagem livresca. Pois, não existe solução. É impossível sobreviver. E é entusiasmante porque agora têm uma oportunidade de dizer: “Não faz mal; agora vou pegar nesta realidade que parece impossível e faze-la funcionar.” Não fazer com que funcione da seguinte maneira: “Maldição, tem que funcionar, nem que tenha que os eliminar nesse ínterim,” mas fazendo com que funcione deixando que funcione. Deixando que isso aconteça, pela descoberta do novo contexto, dos novos instrumentos. As velhas ferramentas não o farão funcionar. Aperfeiçoar as velhas ferramentas não vai fazer com que isso opere; precisam descobrir uns utensílios novos, e esses utensílios novos estão mesmo aí, mesmo à vossa frente. Porque não os conseguem ver? Por estarem a olhar no velho contexto! Por estarem a tentar reinventá-los, adorná-los, afiá-los e argutos, em vez de descobrirem o novo contexto e: “Ah, meu Deus, como é óbvio!”

Mas vamos falar acerca de alguns desses utensílios! Mas é isso que a Nova Era é. E o que estão neste momento a fazer é a transição: a construí-la até terem que tomar uma decisão: ou escolhem pelo velho modo, e falham, e acabam com tudo ou seja o que for, ou pedem um novo modo, e essa escolha está a aproximar-se muito, e nisso reside a questão da comparação entre uma realidade que avança até cair na lixeira e outra realidade que avança em frente e prossegue nesse avanço. E geralmente ambas essas linhas paralelas distanciam-se, sabem; e há cem anos, há mil anos atrás nem sequer teriam tido conhecimento de que existiam. Mas agora estão a aproximar-se bastante. Desse modo, não é que precisem… (Inaudível) um salto para todo o sempre; precisam simplesmente permitir-se dar o passo gentilmente – não rebentar convosco a tentar consegui-lo - mas permitir-se dar esse passo para decidirem que realidade quererão. É por isso que estão a criar a realidade da maneira que a estão a criar agora. É por isso que estão a deixar-se conduzir a esse ápice em que o velho sistema, a velha realidade não funcionará, por a Nova Era estar aqui e estar a operar, e agora precisarem recuperar o atraso e descobri-lo. E agora é tempo de dar o salto em frente! Por envolver um salto quântico; não um santo sem termo no vazio, mas um salto quântico calculado, e aí os utensílios apresentar-se-ão.

No tempo de Homero, sabem, quando ele escreveu a Ilidia e a Odisseia, ele descreveu o Mediterrâneo como mar vermelho cor de vinho, porque nesse tempo em particular, o mecanismo físico do olho era incapaz de perceber a cor azul. Agora conseguem perceber o azul. Aperfeiçoaram esse utensílio. Mas ver o ultravioleta não vai fazer com que a vossa realidade funcione; ao aperfeiçoá-lo mais vocês extraíram-no o suficiente; agora é um utensílio novo, uma nova luta; uma nova audição; uma nova compreensão; uma Nova Era. É disso mesmo que trata.

…(Inaudível) acerca das novas ferramentas, e porque não funcionam. Uma das coisas de que ouvem falar é do período do pêndulo em que tudo oscila muito de uma ou outra maneira, e da oscilação mais significativa que ocorreu ou começou por volta do vosso século XVI, relativamente há pouco tempo, e que subentendeu uma oscilação da psique para a técnica que veio a ser chamado o período da Renascença, mas seja como for, foi disso que se tratou. Falamos a 15 de Abril sobre o espantoso Descartes e da infame contribuição que deu à vossa sociedade, mas nessa actividade oscilatória em particular, antes disso existia a psique, o indivíduo, perdido e entrosado no grupo, muito místico, muito dado à mera existência, etc., etc. A seguir surgiu a técnica, o desenvolvimento da ciência e tudo se tornou científico e preciso, lógico, tudo encaixava em todos os paradigmas, e em paradigmas expandidos, e essas coisas obviamente foram introduzidas nessas escolas de misticismo, onde de qualquer maneira não havia respostas.

Muito bem, esse foi o balanço para o lado da técnica, certo? E ele prosseguiu, e em 1939 deu-se uma mudança muito importante de energia que resultou na total depreciação do ser, na total depreciação da consciência humana pela causa do Estado e do ego pessoal de um indivíduo particular na Alemanha. Depois sobreveio uma longa noite em 53, com a abertura às actividades em torno da bomba atómica – que ocorreu ainda antes desse período, mas que se reportou especificamente à eclosão da bomba de hidrogénio, em 1953, novamente expandindo a técnica, e do que resultou uma resposta do tipo: “Nós conseguimos descobrir tudo; nós conseguimos descobrir tudo; podemos conseguir todas as respostas apenas aperfeiçoando as nossas ferramentas.” E a seguir, veio uma oscilação de volta: “Não, não. A mente, a psique, a intuição. Muito bem, há quem diga que vão voltar a oscilar no outro sentido, e que tudo ficará bem. Não vão, não. A Idade Média não foi divertida! (Riso) Os anos cinquenta não foram divertidos! Tampouco os anos quarenta ou trinta. Ah com certeza que tiveram alturas de diversão a que se chama “nostalgia seleccionada”. (Riso) Não podem balançar de volta, por a velha psique linear não resultar. Precisam expandir essa psique, significando que têm que ter consciência da realidade no seu todo simultâneo. Ter consciência da realidade por uma abordagem dessas.

Mas oscilar para fora da ciência, livrar-vos da ciência – a ciência foi o que lhes trouxe o tempo para pensarem na ideia de se livrarem da ciência. Nem toda ela é má. Os poluentes são terríveis e repugnantes; as fábricas, no século 19, poluíam o ar e matavam os trabalhadores. E tendo que trabalhar dezoito horas ao dia, não tinham tempo para fazer piqueniques e para se sentarem nas praias (riso). A tecnologia proporcionou-lhes essa oportunidade. Certamente que a poluição não é coisa que apreciem, mas a tecnologia ajudou bastante a sair disso. Oscilar de volta a um período em que não existam fábricas, nem usinas de transformação alimentar, nem os terríveis Macdonald’s (riso). A saudade seleccionada diz: “Ah, os bons velhos tempos! A velha psique!” Mas da Idade Média não teríeis gostado. Tampouco realmente se parassem para pensar nos anos de 1800, no começo da era da Revolução Industrial ou antes dela. Não, não teriam gostado disso.

Uma pessoa precisa descobrir uma nova psique; precisamos definir em que consiste a psique, que coisa será a percepção, a fonte intuitiva e criativa do ser, e expandir isso de uma forma quântica, percebendo que são a fonte criativa, e que são a sua expressão. E abordar a psique nesse sentido, e porventura trabalhar por fazer algo nesse sentido. As outras são ferramentas, nesse sentido particular, do porquê do pêndulo estar novamente a oscilar da descentralização para a centralização, e de novo para a descentralização. Estão agora a ouvir falar nisso, não é? Tirar o poder ao governo e não deixar que que ele o empregue, não é? Gostaríamos de sugerir que isso é excelente, absolutamente; as pessoas precisam assumir o próprio poder. Mas aqueles que apregoam a descentralização por via do velho sistema de “lhes retirar a eles e dar-mo a mim…” Isso não é descentralização, mas redistribuição. E encontrais-vos na situação de redistribuirdes a riqueza que tendes, que representa o vosso poder, que representa a capacidade inata de ser, e consiste na vossa auto-estima e respeito próprio. Não dêem também isso a Washington! Mas tampouco o redistribuam. Retomem-no! Mas o velho sistema de redistribuição e o velho sistema de descentralização irão dizer-vos que estão errados, e que são nocivos e estúpidos. E se encararem a centralização como um sistema de: “Nós estragamos tudo, fizemos tudo errado, fomos demasiado longe, fomos demasiado extremistas,” isso não irá resultar, mas somente deixá-los na posição de sentirem serem garotos pequenos que precisam levar umas palmadas.

Em vez de perceberem que a descentralização já existiu antes, e que foi seguida pelo centralismo do governo, etc., constituiu um importante passo no preparo para descentralizarem de uma forma nova – descentralizando retomando-o de volta, e não redistribuindo-o. A descentralização anterior que deu origem à centralização, não representou uma verdadeira descentralização. Havia bolsas de indivíduos de poder… (Inaudível) ao redor de Nova Iorque, a cúpula do chá e todo esse género de coisas políticas de que lêem nos vossos livros. Mas mesmo antes disso, havia bolsas de poder não organizado e coisas desse género em movimento, após a guerra civil. Não representava descentralização, mas apenas que esse poder não era visível – essas bolsas de poder. Mas depois tornou-se centralizado, claro, para o retirarem a esses indivíduos que vo-lo tiravam a vós. Agora, é altura de descentralizarem de novo, só que não de volta a essas bolsas, independentemente do quão espiritual digam ser, e da pompa de espiritualidade que exibam. Retomai vós o vosso próprio poder de volta. Não o redistribuam! Encarando a descentralização como assunção do poder e da responsabilidade e situá-los onde quiserem situá-los de uma forma consciente – não porque A ou B tenham dito que precisam todos salvar as baleias, e que precisam pular nessa onda, e salvar as focas e as baleias… tudo muito válido, mas saibam a razão por que o fazem. Apurem a razão por que o fazem. Tudo quanto soa muito a uma nova ferramenta.

Queremos falar um pouco acerca do desenvolvimento do Eu, da personalidade, igualmente como uma ferramenta. Por tudo funcionar num processo, entendem? Bom, os processos têm sete fases, mas não lhes vamos aqui entrar muito em detalhes, mas os processos têm sete fases. A primeira fase consiste numa completa falta de consciência, que passa para uma maior determinação e uma maior determinação; a quarta fase desse processo fica concluída ao atingirem cem por cento de determinação; a quinta fase do processo consta da descentralização - ou, como havemos de o dizer? – à indeterminação inerente à passagem para um novo estado de liberdade. E a fase final do processo traduz um novo estado de liberdade.

Olham para qualquer coisa que se acha em movimento – que se acha num processo – e numa dessas sete fases. Vou dar um exemplo que poderão considerar. Desde o desenvolvimento da amiba até à construção de um centro computorizado em linha recta da IBM. Acha-se num permanente processo e comporta sempre fases. Ou como o Eu, o Ser, que se acha igualmente num processo; a primeira fase constitui a ignorância total, e o que sugerimos é que anteriormente, no vosso desenvolvimento, não pensavam em vós, no vosso passado; o Homem não pensava nele (ou nela) como estando separados da natureza, das árvores, das estrelas, dos céus, e de coisas desse tipo, mas depois um belo dia tornou-se evidente que a vida englobava mais do que a mera sobrevivência.


Esse estímulo foi desencadeado e disseram: “Espera lá, eu existo separado da natureza; não sou idêntico às rochas nem às plantas nem aos animais. Não sou igual a eles; eu possuo algo mais. Posso parecer que sim, mas sou diferente.” E têm a sensação da emergência do Eu a partir dessa “imundície” ou “lodaçal,” e assim que isso sucede, sentiram um calafrio, “Estou sozinho; sinto-me isolado, estou completamente desamparado. Não posso cuidar de tudo isto. Tenho o melhor é dar início a um sentimento de pertença. Vamo-nos juntar, tu e eu, talvez consigamos um pouco mais… e que tal quatro ou dez de nós? Formamos grupos, por os grupos nos concederem um sentimento de pertença, e consequentemente aquela realidade de que me acho agora separado afeiçoar-se-á menos tremenda, e o medo que sinto do isolamento e da solidão e do desamparo e da impotência poderá ser… encoberto!”


Assim, o primeiro passo é essa ignorância e o passo seguinte passa por entrarem na fase da afirmação: “Eu sou um indivíduo, eu possuo uma consciência, um Eu,” e apresso-me a aderir ao grupo. O terceiro passo passa pelo emergir do grupo. “Espera lá, eu posso ser Americano mas isso não significa que concorde com a guerra do Vietname. Eu posso ser um homem, mas isso não quer dizer que todas as mulheres devam ser tratadas desta forma. Ou posso ser uma mulher mas não creio que as mulheres devam ser tratadas assim.” O emergir do indivíduo uma vez mais – anos sessenta e finais dos cinquenta – nem sempre sucede após esses anos terem findado, mas é o que basicamente sugerimos. O emergir do Eu uma vez mais cria esse terceiro passo em que o indivíduo é o mais importante, e que refere os meios que usa, etc. A quarta etapa passa pela completa determinação, o que representa um separação total, “Eu sou eu próprio, não? Sou tudo quanto tenho, e encontro-me aqui neste pequeno barco tosco sozinho. Pelos céus, isto é assustador; isto é solitário, isolado. Não posso dizer ao México para limpar aquele derramamento de petróleo que provocou, não posso lidar com esta realidade sozinho.” O momento da determinação total. Emergir do lodaçal para o grupo; emergir do grupo para si mesmos e alcançar o estado do sentimento de desespero de completo desamparo em que não se apresentam soluções, mas mesmo que houvesse não conseguiriam lidar com elas sozinhos. E o que nós sugerimos é que é no medo da solidão, no medo da impotência em que se encontram agora. E aqui está a escolha; encontram-se na quarta etapa; qual será a quinta etapa?

A quinta etapa para muitos equivalerá a regressar à primeira. Começar de novo. Esses vão colocar-se de fora de uma forma incrível, para fazerem parte do grupo, para se esconderem na segurança e no temor que o grupo garante ou proporciona, para ocultarem os sentimentos que têm de inépcia e de incapacidade, para ocultarem a impotência de que padecem no grupo com um rasgo de partidários do autoritarismo, por mais benevolentes que pareçam. Autoridade, poder, juntar-se ao grupo, como se de algum modo se colocarem o autocolante certo no vosso carro, ou o cartão de sócio acertado na vossa carteira, venham a ser salvos, não é? (Riso) Mas enviar uma nota de cem dólares ao Ralph Nader não vai solucionar a crise. Não se podem esconder num grupo, mas muitos quererão, e muitos encorajá-los-ão: "Não tentem resolver isso; nós tomamos isso a nosso cargo. Vão brincar, vão simplesmente brincar e pensar em margaridas, porque nós trataremos dos vossos fardos por vós. Bem sabemos que é um encargo, mas estamos dispostos a faze-lo por vós. Por isso, vão agora, crianças, vão brincar entre as margaridas." E muitos serão os que acorrerão avidamente, pisando-se mutuamente para lá chegar em primeiro lugar, para começarem tudo de novo, para começarem tudo de novo.

A quinta etapa, se o quiserem, será uma reentrada no grupo, só que não no velho grupo; no grupo da sinergia. Não no grupo do Conceito Sinergia, não no nome. Um termo que Ruth Benedict inventou, em que o todo é maior do que a soma das partes; em que vós, antes de mais, ao retomarem o vosso poder - muito obrigado - e ao assumirem responsabilidade por esse poder, com consciência do que estão a fazer, com integridade, agora dizem: "Eu, enquanto ser humano completamente esclarecido e dotado de poder, de autoridade, estou disposto a juntar-me a vós neste grupo, enquanto seres humanos que são, esclarecidos e dotados de autoridade, e juntos vamos criar uma sinergia, um poder. Um poder que jamais foi experimentado. Um todo que é maior do que apenas o poder pelo poder. Um poder que se torna exponencial. E depois vós enquanto ser humano e vós enquanto ser humano, combinados com outros dois seres humanos esclarecidos retomam o vosso poder de volta e a responsabilidade que lhe cabe, e conseguem quatro que se juntam agora num grupo por uma questão de preferência e não para se esconderem dos seus estados de impotência mas para celebrarem com júbilo os seus estados de poder. Não que se juntem ao grupo por o não conseguirem sozinhos, nem por serem fracos nem por se verem desamparados, temerosos ou sós, mas por se verem capazes e fortalecidos, mas não dispõem do tempo para fazerem tudo. Por isso, "Se tu fizeres aquilo enquanto eu faço isto - sinergia; criamos algo de novo. Não esfregamos mais os soalhos mas criamos pavimentos novos. “Ah, isso é impossível; não pode ser conseguido. Soa estupendo, não é? As palavras conjugam-se na perfeição, mas não consigo tal coisa.”

Temos que ver isso no contexto, por não poderem aplicar o velho sistema de poder nem da dominação. Precisam ver isso no contexto. O primeiro passo, juntarem-se ao grupo, por uma questão de preferência e não (…) e na condição de poder e não de fraqueza. Não é que um seja fraco e outro também e mais outro e peguem num senador e depois vamos conseguir isto, ou o agrupamento de fracotes represente uma frente de poder. Não, “Tu és forte e eu sou forte e nós juntámo-nos e não criamos uma frente de poder mas uma sinergia de poder, e não o senador connosco com ideias e objectivos.”


A partir desse novo grupo obtêm uma nova definição do Ser; do Ser que é a totalidade, que compõe a totalidade do universo, a totalidade da vossa realidade, de modo que chegam a perceber que uma crise de petróleo não é uma crise de petróleo, mas uma crise de poder, uma crise de energia. Quando percebem que os poluentes se encontram espalhados por toda a cidade, não porque estejam a expelir veneno, mas por os vossos processos mentais se acharem poluídos, e por se encontrarem engasgados na vossa própria poluição. Quando percebem que tudo constitui uma expressão macrocósmica do vosso pensamento – os pensamentos são coisas, o que significa que tudo começa inicialmente por ser um pensamento –razão por que quem se admirará com as coisas? (Riso)


E enfrentam terramotos, não como alguma coisa que vá cdeitá-los ao oceano, mas enquanto expressão figurativa do sacudir da realidade objectiva, em que previamente pensavam assentar, já que não estão mais a esfregar soalhos mas a sacudi-los a fim de criar novos pavimentos. É isso que um terramoto representa. E assim, quando é que irá suceder um? Sempre que quiserem poderão sacudir a vossa realidade com a escolha. Podem virá-la às avessas e voltar a virá-la de novo com a escolha, esta noite, amanhã, no dia seguinte, sempre que quiserem.


Percebem ser tudo quanto existe – essa é a totalidade a que chegam, quando o assumir da responsabilidade se torna demasiado incomensurável, mas vocês acham-se activos.

E o passo final consta da liberdade; não regressar de volta ao pântano, mas ir além dele, para os domínios superiores, com tudo o que isso queira dizer - além. O processo do Eu desenvolve-se dessa maneira, e vós encontrais-vos nessa quarta etapa neste momento, e haverá quem, neste compartimento, terá decidido que já terão dado início à quinta etapa, e há quem tenha decidido voltar à primeira. Mas tudo bem. Fica ao vosso critério. Não nos compete decidir.

Em todo este processo do Eu temos que observar o que aconteceu à vossa sociedade quando o Eu não estava presente, na Idade Média, quando o Eu não tinha existência enquanto conceito, que apareceu da Renascença, quando as pessoas começaram a pensar em si mesmas como dotadas de uma identidade, a seguir ao que surgiu gente maravilhosa como Martinho Lutero e Calvino e Kant* que mandaram tudo isso para o diabo. E aquilo que basicamente disseram - e poderão ler a filosofia que apregoavam se quiserem - mas o que basicamente disseram foi que o Eu não é nada, é completamente insignificante e estúpido. Pensar em si mesmo, fazer alguma coisa por si mesmo, ser bom para si próprio é um mal, está errado e é coisa terrível. Precisam renunciar a si mesmos e votar-se completamente a Deus, render-se por completo ao bem da humanidade, renunciar por completo; pensar ou fazer alguma coisa que seja para vós próprios é mau, errado e terrível. Basicamente o que fizeram foi confrontar o problema: “Quando me identifico com o indivíduo que sou, vejo-me confrontado com o temor da solidão, vejo-me confrontado com o sentimento de desamparo, de impotência, por isso, se me recusar a identificar-me com o indivíduo que sou, então talvez esse desamparo e impotência desapareçam. E assim, renuncio a mim mesmo, e voto-me a Deus. Deus não era suficiente para o conseguir; Kant conseguiu-o!” (Riso, seguido de aplausos esparsos)

Em parte alguma reza, em texto nenhum, que se devam entregar a Deus. Seja em que religião for que evoquem. Nos textos das abordagens iniciais isso não consta. Calvino, Martinho Lutero, Kant, foram eles quem apregoou isso. Portanto, podem tomar a posição que quiserem, mas a questão está em que foi o que sucedeu: “Não conseguimos lidar com este temor do isolamento, por isso vamos tornar-nos cegos para com ele, vamos denegrir este Eu e proclamar que é terrível e repugnante e decomposto, e renunciar a ele, votando-nos a um Deus que amamos. Soa tão contraditório só de considerar!


“Isto que eu sou é um lixo total, coisa completamente nenhuma, de modo que renuncio a mim próprio e voto-me a Deus.” Que sacrifício mais amalucado! (Riso) “Seja como for, não o desejo, por isso, toma, podes ficar com isso, Deus!” (Riso) Um denegrir total de si mesmo. Achavam que o que é bom para a humanidade é bom para Deus.

Mas depois veio Nietzsche** que pela estranheza com que se soletra o nome deve ter sido um homem muito importante. Bem, houve outros ao redor dessa classe particular, num estado de rebeldia, para além desse. “Isso é lixo! Não gosto nada disso.” Por conseguinte, (…) muito poderoso: “Isso está completamente errado. O Eu é tudo quanto existe. Fazer para nós próprios é tudo quanto tem importância. Sentir compaixão por alguém constitui um sinal de fraqueza, um sinal de debilidade, de imperfeição, por aquilo que amamos no outro ser o que nos falta. Por isso, não amem os outros, amem-se unicamente a vocês mesmos.” Toma lá, Kant, aí tens o troco! Desse modo, o Nietzsche e todo aquele grupo que afirmava isso viraram a questão do avesso.

Um grupo que apregoava para não se amarem por completo, e tampouco amem os outros – amem aquela coisa mais elevada que jamais poderão alcançar em vida. O outro grupo que apregoava para não amarem os outros – a mesma ideia, não amarem os outros – por amar os outros ser um sinal de fraqueza, e não amem mais nada exterior por não existir mais nada exterior. “Amem-se apenas a vós próprios.” Nesse ínterim surgem os pensadores progressistas, e eles colocam a questão nos seguintes termos: “O homem representa o fim por si só e em si mesmo, por isso amem-se ou amem os outros - seja o que for que funcione - para poderem fazer o que querem fazer. Amem-se ou amem os outros, por serem um fim em si mesmos e serem tudo, por serem um fim em si mesmos – os cumes!


Afinal, temos sempre insistido em que não somos uma entidade física nem nunca o fomos. Não precisávamos dizer isso. Podíamos mentir e dizer que vivemos na Atlântida que jamais o confirmariam, (riso) mas em vez disso insistimos em afirmar isso, o que deixa as pessoas numa situação particular: “O quê? A humanidade constitui um fim! Como poderás conhecer o que quer que seja acerca da realidade física a menos que sejas humano?” (Riso) É como dizer: “Vivemos na Califórnia, não? E toda a gente e qualquer um vive na Califórnia. Haverá quem viva em Idaho? E quem jamais tenha vindo à Califórnia?” Reconhecem e admitem a sua existência, entendem. Mas nessa mesma medida jamais vivemos no plano físico. “Ah mas isso é impossível.” Não é não senhor. É tudo quanto somos, e assim são vocês também! (A plateia desata num riso generalizado) Em muitos aspectos, vocês são essa excepção. (Riso) Mas a sociedade encara a humanidade, o indivíduo, como um fim em si mesmo, mas isso é o que se destaca mais, tudo para o homem. Ora bem, provavelmente não existirá coisa tal como “fim.” O que refere que os fins justificam os meios e que os meios justificam os fins, é questão discutível por não existirem fins. Tudo constitui meios.

Em que consistirá o fim? Temos que fazer a coisa direito, temos que saber para onde nos encaminhamos, temos que proceder às determinações com base num fim. Qual será o fim da Terra? A destruição! É esse o fim, mas não é bem verdade, porque isso suscitaria outras coisas. Mas nessa medida não existem verdadeiramente fins, e assim os fins não podem justificar os meios, por não existir coisa alguma que os justifique – tudo constitui meios. Muito bem, então pegam na via do Kant e na via do Nietzsche e na via dos pensadores progressistas e o fim reside nisso mesmo: “Qual devemos usar? Qual deles será? Tentamos isto, e aquele não mais… sabem com é, um dó li tá… O novo. Aquele homem constitui um meio para a transcendência de nós mesmos e não um fim.

Toda esta realidade não foi criada unicamente para a vossa individualidade física. A vossa individualidade física representa um meio por meio da qual poderão descobrir aquela individualidade transcendente. Kant estava errado, e da mesma forma estava Lutero, e Calvin, eles escapavam, eles fugiam das questões da solidão e da impotência. O Nietzsche estava errado, e estava a insurgir-se contra Kant. Todo o sistema assentava numa de duas premissas: Ou podemos amar a nós mesmos ou podemos amar os outros; não podemos fazer ambas as coisas. A dos pensadores progressistas, que sugeriram que o homem constitui um fim, de modo que tudo o que quiser é estupendo, não funciona, por o homem constituir um meio para a transcendência do Eu, e a transcendência do Eu passa pela percepção: “Sim, eu sou um indivíduo e estou aqui sentado na terceira cadeira da quarta fila, mas sou igualmente a pessoa que está a meu lado, e a pessoa que está nos bastidores e a pessoa que está na frente. Eu sou igualmente isso. Isso constitui uma porção, um aspecto de mim próprio.” É por isso que possuem um corpo e se manifestam no físico, de modo a que porventura possam perceber que isso constitui um aspecto vosso e que tudo o mais representa aspectos de vós próprios, e desse modo possam transcender a si mesmos a fim de descobrirem isso. Não para se enganarem, conforme o Kant disse, nem para se tornarem tudo quanto existe no sentido da mundanidade do que Nietzsche apregoava; não para fazer com que tudo quanto o homem quer justifica o comportamento que adopta conforme pensam os pensadores progressistas, mas para se verem a si mesmos como um veículo de descoberta, um veículo de transcendência. É assim que avançam para a quinta etapa; é assim que avançam em frente. E é contra aquilo que estão, é por isso que aqui se encontram na vossa corporeidade física, foi por isso que criaram uma realidade em que não existem soluções no antigo contexto, e é assim que descobrem o novo contexto – vendo-se a si mesmos como a transcendência na descoberta de um Eu mais vasto que inclui a Terra. Vós não vos encontrais na Terra, vós sois a Terra; parte dela.

Ora bem, associado a isso está toda a questão relacionada com o grupo, e a forma como se desenvolve. Uma vez mais, há a dicotomia que as pessoas buscam, que reza que os grupos não funcionam, pelo que terão que o desenvolver individualmente. E nessa medida propõe isso na base de uma escolha, que à semelhança do Kant e do Nietzsche, nos apresenta isso como uma escolha: ou amamos a nós mesmos ou amamos os outros, mas não podemos conseguir ambas as coisas. Ou somos uma parte do grupo ou um indivíduo, mas não podemos ser ambas as coisas. E nós sugerimos aqui de novo que a síntese provém da percepção: “Sim, se eu entrar no grupo, antes de me tornar num indivíduo, perder-me-ei nele, e farei capitular o meu poder e desperdiçá-lo-ei. Mas se me tornar num indivíduo primeiro, e em seguida me juntar a um grupo, será uma questão completamente diferente, uma coisa que jamais foi tentada. Dirão que não funciona, mas como o saberão se nunca foi tentada?

Nunca antes as pessoas tentaram tornar-se primeiro indivíduos, dotados de poder, indivíduos que se identificassem consigo próprios, indivíduos conhecedores de si e realizados, indivíduos isentos de jogadas e de manipulação, que a partir de uma posição assim entrassem no grupo. Porque o que geralmente sucede é o seguinte: Quando um indivíduo chega a esse ponto de actualização de si mesmo, a ponto de ser um ser autorrealizado, se não lhe for mais dada permissão para entrar no grupo, ele terá que seguir sozinho. E sabem que mais? Ele não se importa nem um pouco! (Ouve-se uma ligeira comoção nervosa da parte da audiência, como se estivesse à espera de outra resposta) Existe um por cento; até Maslow acentuou a existência de um por cento da população punha verdadeiramente em prática uma actualização em termos de autorrealização contra 99,9 por cento que não é. Um por cento está a pô-lo em prática e não tem problemas com a crise de energia nem problemas com o valor do dólar, do ouro nem da prata. Nem problemas co o que sucede no Médio Oriente, no Extremo Oriente nem no México, problema algum. Mas se esse um por cento, ao se descobrir mutuamente, tiver a oportunidade – coisa de que de fato tirará imediatamente proveito – de formar um grupo, aí cuidado! Porque a explosão da dinâmica de energia e do poder autorrealizado e individualizado seria imenso.

E assim, nesse sentido não pode ser conseguido por causa do risco de uma auto actualização dessas se tornar explosiva, ou então por não saberem que podem voltar a formar um grupo à semelhança de si mesmos ou de outro modo. Por isso, nesse sentido jamais foi conseguido, um indivíduo ter-se reunido a um grupo ou a formação de um grupo de Indivíduos. Grupos de gente assustada, grupos de catraiada, grupos de gente temerosa da solidão e do isolamento, receosa da sua própria autonomia e do seu próprio poder, desses sim, e repetidamente.

Se olharmos para os anos sessenta veremos que os Hippies e os comunas foram uma espécie de percursores daquilo que estamos a referir, só que não na forma de comuna, em que se dorme e vive juntos e se faz amor em conjunto, etc. Eles conseguiram erigir uma forma, entendem? “Vamos conceber como a casa deverá ser. Onde nos sentamos, no chão ou em cadeiras? Como deveremos dispor-nos quando nos reunirmos? Deveremos estar todos perfeitamente alinhados ou em semicírculo, talvez num círculo completo, para que percorramos todos. (Riso) invocaram a forma, mas depois surgiu a tirania do consenso, em que toda a gente precisava concordar. Isso soava óptimo, mas não passava de um magnífico instrumento de manipulação para os indivíduos que defendiam isso. “Não, não, não, não.” Eventualmente essa pessoa acaba por afastar-se, não o terão já notado o que opera com o consenso grupal? Geralmente o que defende isso vence por o outro ser discriminado e gera-se a tirania do consensual.

“A forma. Como iremos decidi-la?” Não reflectem em como decidir isso, mas no que venha a ser decidido. (Riso) Mas os anos sessenta constituíram um começo, e uma era enormemente importante, um aspecto importante que tinha que ser levado a cabo dessa maneira, em que as pessoas perceberam que podiam consegui-lo por si só, e não queriam regressar ao sistema estabelecido, pelo que queriam formar um grupo novo. A ideia achava-se presente, e em muitos aspectos a intenção, o objectivo, esteve presente, e era belo. E aqueles de vós aqui presentes que fizeram parte disso nos anos sessenta, podem sentir-se imensamente orgulhosos, porque embora não o tenham conseguido correctamente, pelo menos tentaram – não existe coisa alguma como “tentar” – o diabo é que não existe, podem tentar e vocês tentaram, e isso é algo de que devem levar em conta. Não voltaram a correr para a velha caverna mas estiveram presentes, e arriscaram, tentaram algo novo, a despeito das carências apontadas pela crítica, pelos olhos de águia que estavam à espera que evidenciassem fendas e desmoronassem. Estiverem no terreno a fazer algo, a tentar marcar a diferença. Foi uma época vital mas terão quem lhes venha dizer o contrário, mas não acreditem. Agarrem-se ao conhecimento de que pelo menos tentaram e alargaram-se numa ânsia de crescimento, na busca de descoberta de um novo contexto, mas agora não é isso, esse não é o novo contexto – o grupo é, só que não desse género. Um grupo de sinergia em que as pessoas sejam antes de mais indivíduos, e só depois façam parte de um grupo da sua preferência.


Os anos setenta, com a rejeição dos sessenta, acabou e afastou isso chamando a isso de patetice, estupidez, esses hippies mais as suas flores e os corpos fedorentos, uns tolos. Agora já não é mais o Poder das Flores mas o poder mal-intencionado. (Riso) Agora usam roupas ridículas para mostrarem que acreditam em alguém. E um nível superior nisto e naquilo, não fumam nem bebem nem comem nada animal, podem usar sandálias por suposto, mas não matam animais. “Matar animais! Nós preferimos usar sandálias de couro Birkenstock.” (Riso) Pois sim, mas de onde provém esse couro que usam?


Tornou-se numa época acidental, mas mesmo assim importante, mas haverá quem lhes diga que foi errado e estúpido, e que é altura dos “meninos” voltarem às coisas sérias como preocuparem-se com coisas como a energia e a poluição, e como manter a casa aquecida e as moscas à distância. Sem necessidade de tela de protecção! (Riso)



Mas tratou-se de uma época importante, porque nos anos sessenta a ideia de se juntarem a um grupo… infelizmente, a tirania dos hippies, em termos de se tornarem hippies, exigia um certo protocolo. Ah, não precisavam de (…) farda nenhuma aprumada, mas usavam um vestuário. Os anos setenta foi a época em que toda a gente usou o próprio fardamento. Mas foi importante em parte por causa desse processo de que falávamos, importante no que tocou a esse desenvolvimento em particular.



E agora estão a entrar nos anos oitenta, e não querem voltar aos sessenta, não senhor, nem querem repetir os anos setenta de novo, e o que querem fazer em vez disso será o que quiserem, conforme sugerimos. O que quiserem! Não no sentido defendido pelo Nietzsche, nem no sentido dos pensadores progressistas, que defendem que o indivíduo (individualismo) por si só seja o que mais importa na vossa forma física. O eu que é importante é o Eu transcendente. Por isso, vão em frente, mas estejam cientes do Eu para que se encaminham.



E nesse particular, é um tempo de retomar o poder de volta, um tempo de se tornarem o indivíduo antes de mais com o propósito de se tornarem assim num membro produtivo do grupo. Percebem as diferenças? Nos anos sessenta disseram-lhes para fugir, mas isso foi importante fazer, por ter sido um começo, e nos anos setenta afastaram tudo – o que também foi importante fazer – por os ter impelido em frente. Agora é uma altura de crise, mas continuem a ir em frente e a unir-se a outros seres individualizados e actualizados, e nessa etapa as soluções apresentar-se-ão evidentes. As novas ferramentas estão mesmo aí; só precisam pegar nelas e usá-las. A artimanha está em perceberem que não têm que fazer tudo de forma solitária e isolada, assim como também perceber que o vosso incentivo será o grupo, e por conseguinte, precisam estar puros e livres de manipulação e da poluição do jogo, senão todo o grupo ficará poluído.



A contribuição que derem será a de vocês próprios, enquanto meio, enquanto trampolim para se descobrirem, na vossa forma transcendente. O objectivo do grupo, entendam, não é o de escavar mais combustíveis fósseis, nem o de forçar o congresso a fechar esta ou aquela usina; o ponto central, o propósito do grupo há-de ser o de se celebrarem a si mesmos, e o de celebrarem a transcendência de vós próprios. Ah, pois, e a propósito, juntamente com isso, em todo o confetti e os balões, estarão as soluções. “Ah, não, não vai resultar…” Tentem-no, que vai. É a única forma porque virá a resultar. Mas vocês sabem disso, sabem, e deixaram-se apanhar numa posição em que terão que saber disso, ao criarem uma realidade em que não existem mais soluções, por meios lógicos.

É disso que as novas ferramentas tratam.

E os perigos que irão surgir por esta altura?
“Porque dar-se ao trabalho de falar nisso? Pode muito bem dizer: Olhem, façam assim, sejam um indivíduo e abandonem o grupo ou assim.”

Mais importante que isso. Por os grupos que se estão a formar, entendem, e a forma costumeira como os grupos funcionam, não é completamente intencional.

“Nós somos um grupo que milita contra as bombas nucleares,” contra isto, contra aquilo, seja o que for, ou a favor disto ou daquilo, é um deslumbramento. E vocês podem colar isso tudo junto no vosso carro, com esses autocolantes para viaturas (riso). Mas será isso intencional? Metade do tempo costumam dizer uns aos outros o quão burros e errados os outros estão, que um outro grupo não esteja a fazer bem e que a maneira que vocês utilizam virá a ser melhor, e porque é que as pessoas não o percebem e os perseguem? Será que não aprendem, e queixam-se e resmungam e fazem-se de vítimas e fazem-se de crianças por a mãe e o pai não compreenderem: “Caramba, vamos aramar uma casa em cima de uma árvore,” e permanecer ali sentados o dia todo, enquanto doze por cento do tempo dizem: “Bom, que é que vamos fazer? Fechamos mais uma fábrica. Okay!” (Riso) Vocês pertencem a diversos grupos: “Que é que é que pensam que acontece?”

A reunião tem início e gera-se atrito e uma acção recíproca: “Quem está a dormir com quem? Quem se senta aqui? Com quem estão em luta e que é que vai atingir a fervura esta noite?” e queixam-se e resmungam: “Aquele grupo está errado, e o governo está errado, e aquele senador, e aquele outro senador, e esta ou aquela posição económica, e as pessoas que são burras e estúpidas…” Não será isso que acontece? Mas claro que, “Ah, pois é, antes de suspendermos, antes de irmos para as banheiras de hidromassagem… antes de suspendermos deixem que lhes diga que decidi que vamos fazer um acampamento, para que possamos ficar com a ideia de que vamos acampa. Vamos deixar que o comité faça isso e o afixe num poster, e vamos lá” (Riso)

É tudo! Não é intencional, nem estão a tentar deter a energia nuclear. Estão a tentar jogar as brincadeiras da infância, estão a tentar voltar para a mãezinha ou para o paizinho. Estão a brincar de ser poderosos, por estarem certos de não o serem.
“Vamos pô-los de joelhos!” Porquê? Porque os quererão pôr de joelhos? Se ficarem de joelhos nada poderão fazer. (Riso) “Vamos mostrar-lhes! Vamos mostrar-lhes que não se trata de brincadeira nenhuma.”

E essa gente ainda recebe financiamentos e contribuições do governo federal!

Onde é que os grupos resultam? Na escola secundária. Juntam-se ao clube certo, não é? “Vou-me associar do clube certo e com isso vou mostra-lhes…” Mas depois juntam-se a outro clube que não faça reuniões, mas onde passam das marcas (riso) até darem por si e acharem que são solitários, que não têm amigos, que estão fartos de tudo e que se sentem sós e assustados, e por fim glorificados repitam: “Sou um solitário e tudo isto aconteceu!” E aí alguém de outro clube particular vem-lhes pedir para se juntarem. Bingo! (Riso)
Os grupos servem para se esconderem. “Eu sou agradável por pertencer a tal ou tal grupo. Eu sou esmerado por ter adoptado tal ou qual vigor. Eu sou impecável por conversar com…” sabem como é, “este fim-de-semana estive com fulano ou beltrano.” Usam-nos para ocultar o lixo que carregam. E então o grupo torna-se lixo, a vossa poluição. Muito mais destrutivo do que os resíduos nucleares. Porque quando morrerem, não levam os resíduos nucleares convosco, mas levam as vossas emoções.

As pessoas juntam-se a grupos para evitarem a responsabilidade.
“Mas eu já fiz a minha parte; já enviei o meu donativo de cem dólares. Já fiz a parte que me cabia; sou membro disto e membro daquilo: Já deixei de fumar e falo todo um monte de coisas sem sentido; já fiz a minha parte.” E depois andam por aí feito doidos a causar mágoa às pessoas. Mas sacam dos emblemas e dos cartões de membros. “Sou espiritual, veem? Diz aqui!” (Riso) “Não se nota pelas roupas que visto? Eu medito e como isto e aquilo… e repito este mantra… e trago um anel no nariz. É quanto basta, sabes; sou espiritual e vou e digo o que quiser. Eu sou uma pessoa responsável. Estou a definir os campos. Magoo as pessoas a torto e a direito. Dou-lhes cabo da autoconfiança e mancho-lhes a autoestima, mas poupo a minha.”
Usam-nos a título de desculpa, para evitarem a responsabilidade que lhes cabe. Mas isso não vai mais resultar. É o que isso tem de engraçado, é que não vai resultar mais. Não vai, por não poder; é o velho sistema e não encontra soluções, mas só se sai com jogadas. Não os transforma numa pessoa melhor!

A chave para a espiritualidade está em não magoarem os outros. Não tem nada que ver com o que comem nem com o que fumam, com o que bebem ou com o que usam, nem com o vocabulário ou vernáculo que usam. Importa que não magoem as pessoas, por o único recurso que têm – que os detém a vós - a única riqueza que têm ser o potencial de amar, de partilhar e de cuidarem. E quando mancham a autoestima de mais alguém para edificar a vossa, isso é desprezível. Isso não é ser espiritual.

Os tempos estão a mudar nestas coisas, mas haverá muitos que os tentarão atrair de volta ao primeiro passo e desfrutarem da imundície e da ilusão da completa falta de identificação. Haverá quem no sentido espiritual – e essa é realmente a parte assustadora para aqueles de vós que se acham envolvidos na Nova Era, envolvidos no movimento do potencia humano, envolvidos em querer marcar a diferença – que empunhando as credenciais da espiritualidade, materiais ou não; que lhes dirão que a vossa Terra está a chegar a um fim. “Os tempos estão a ficar terríveis. Mas não faz mal. Já lhes dissemos isso antes. Interferimos nisto e mais naquilo - respetivamente, por poder sempre interessar – e salvámo-los nisso.”
Agrada-nos aquele, fulano de tal… ouvimos dizer por diversas outras pessoas que um tal líder de certas forças espirituais, que já poderão ter atingido uma vintena por esta altura, terá feito uma intervenção na Guerra dos Seis Dias. “Porque é que ela não se prolongou até meio ano?” Foi por terem intervindo.

Toda a gente terá já ficado com a ideia de que nós não intervimos. Mas, caramba se quiserem atingir-se uns aos outros dessa maneira, isso não passará de quererem livrar-se do corpo e nada terá com prejudicar a autoestima. Prejudicar a autoestima e o respeito próprio, ISSO SIM, È CRUELDADE!

Eu digo-lhes que haverá quem lhes aponte a calamidade, e a destruição, e como não conseguirão sobreviver, e como num dia ou ano destes… como em 1982 ou em 1984 - por o terem anunciado por datas; a mensagem que lhes transmitem é um apelo à vossa sobrevivência, por a actividade básica e primária da consciência humana se prender com a sobrevivência. E se conseguirem atingi-los aí, e lhes ameaçarem a sobrevivência, e os elevem a pensar: “A menos que nos deem ouvidos, a menos que façam como dizemos, não irão sobreviver.” E assim os apanham! E haverá quem os procure atingir assim! Mas eu dir-lhes-ei que vocês criam a vossa própria realidade e que o mundo também irá passar por destruição. Mas as duas afirmações não combinam. Não poderão acreditar em ambas.
Mas irão surgir apelos dessa natureza, da parte daqueles que se encontrem dentro e fora do movimento espiritual; que estamos aqui para os proteger; que há entidades por aí que estão presentes para os proteger. Pensem nisso. Porquê? Por que razão fariam isso? Se isso envolver o acto de tomarem a iniciativa de cuidarem de vós, por que diabo, digam que não, que sabem tomar conta de vós próprios. Porque os hão-de tratar como crianças? Por que deverão trucidar-lhes a autoestima e o respeito próprio – se é que ainda os têm? Bom, dirão que é para evitar que rebentem convosco e assim destruam todo o universo. Mas estão agora a dar-se explosões no vosso sistema estelar que deixaria aquém qualquer actividade nuclear que possam exercer. Como poderiam rebentar convosco? Talvez um estilhaço venha pelos ares e rebente com uma janela…

Sim, por explosões cósmicas se darem a toda a hora.


NOTAS:

 * Immanuel Kant, teve um papel crucial ao romper com o pensamento metafísico e substitui-lo praticamente pelo racionalismo e pelo naturalismo. Profundo admirador de Newton, instaurou o caminho da ciência, ao justificar a lógica e a epistemologia como modelos exemplares a seguir.

** De facto, a ideia que faço de Nietzsche, do pouco que me é dado apurar, é que era dotado de uma perspicácia aguçada e que a determinada altura buscava a transvaloração de todos os valores, ou aquilo que agora definimos como redefinição de termos, e que abominava a abnegação e a piedade, enquanto valores de uma cultura cristã debilitante por procurar o poder pelo conhecimento e a transcendência que acarretava. Em muitos aspectos foi um adepto do pensamento livre, do individualismo e da vontade de poder, mas uma abordagem excessivamente analítica ter-lhe-á distorcido a objectividade que tanto buscava, e a mente brilhante que tinha encurralou-o e viu-se incapaz de dar uma saída em termos de propor uma linha d reconstituição que não dependesse da análise do passado e da destruição dos sistemas, viu-se impotente, e refugiou-se num mundo subjectivo. Mas, no geral percebeu a necessidade que o homem tem de ir além de sim mesmo, de se superar, de se erguer além das limitações da sua condição animal, conforme afirmava - ao contrário do que editam como sendo o Super-Homem, ou Ubermensch no original alemão ou Overman, em Inglês - O que descreve em traços largos, o dilema da filosofia, que assente em ideias exclusivamente, e a superação de si mesmo pode tornar-se numa forma de sublimação camuflada ou evidente, muito embora possa escapar à atenção do próprio, pode conduzir a um círculo vicioso que não se consegue superar.

Transcrição e tradução: Amadeu António