quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A NOVA ERA (SEGUNDA PARTE )



Uma vez mais, é um prazer estar aqui. Damos-lhes as boas-vindas a todos e a cada um, e também os convidamos para fazerem uma jornada connosco esta noite, ao examinarmos a Consciência da Califórnia, dez anos mais tarde. Já faz tanto tempo, passou tão pouco tempo, desde que começamos em Marin County, não muito longe daqui, de facto no Liceu de Marin, para falarmos com muitos de vós, de facto com alguns dos que aqui se encontram esta noite que se encontravam presentes à altura.

E assim, pretendemos explorar, dez anos mais tarde, queremos olhar mais fundo para o que de facto sucedeu, e para o que na verdade irá suceder. E nessa altura falamos ca consciência que a Califórnia tinha, e exploramos a Nova Era e a Nova Espiritualidade, exploramos coisas que viriam a ocorrer, que já estavam a ocorrer. Nessa altura abordamos o que se iria passar nos próximos vinte anos. Pois esta noite querermos voltar a dar uma olhada e queremos olhar mais fundo para o que se vai dar nos próximos… dez anos deste mesmo período de tempo.

Bom, o círculo termina onde começa. E a espiral passa acima e além dos lugares onde já tinha passado. Alguns de vós estão esta noite a completar um círculo. Outros de vós, encontram-se a dar continuidade à espiral, esta noite. E todos estão a crescer. E por conseguinte, será porventura apropriado que por esta altura, 1989, o ano da renovação, e por esta altura, Agosto, em meio ao que chamais de período mais quente e abafado ao ano, um período do ano em que a natureza e a consciência se renovam, é apropriado que nos detenhamos e damos uma olhada a esses círculos e a essas espirais do crescimento em que têm estado envolvidos. É apropriado que nos detenhamos e damos uma olhada, tanto à frente como atrás, para a Nova Era, para a nova Espiritualidade; dar uma olhada para trás e para a frente à vossa realidade e à realidade do vosso mundo. 

É apropriado, sem dúvida, que nos detenhamos para olhar atrás e à frente, mas deter-nos por breves instantes, para a seguir, nos pormos de novo em movimento, por haver ainda muitas áreas a explorar, e haver tanto a fazer. E neste ano, 1989, dissemos ser o ano da renovação. E antes de começar, em Dezembro passado, falamos sobre o facto de que iria apresentar as suas durezas e dificuldades, apresentará as suas paragens e tempos sombrios. E que também apresentará os seus raios de luz, as suas esperanças e oportunidades que também emergem, e na altura sugerimos que a chave, a única chave por entre todas as chaves que buscariam, a chave única que iria ser a mais importante, era a chave da renovação, a chave que torna novo, a chave da revalorização de vós próprios e da vossa realidade. Sugerimos que o ano vos forçaria a isso. Mas que viriam a dar-se coisas na vossa realidade pessoal e global que vos levariam a renovar-vos, a dar uma olhada, a revalorizar, a reavaliar, a tornar novo e a proceder a mudanças, em meio a essa renovação.

Também sugerimos e encorajamos, mesmo quando não forçados, mesmo quando não se faia absolutamente necessário, a ir enfrente e a fazê-lo de qualquer maneira, porque se pegassem nessa chave e começassem a renovar não só onde eram obrigados a renovar, por tudo quanto tinham pela frente consistir numa parede de tijolos, mas também nos locais onde tinham oportunidade de o fazer, onde ainda havia campos de sonhos, campos de oportunidades que ainda perduravam, para vós. E a chave estava essa renovação. Não é por acaso que o ano da renovação devia ocorrer nesta altura, em que vos posicionais á beira da última década deste século, da última década deste milénio. Não é por acaso, mas antes de embarcarem nesse século vinte e um, na verdade antes de embarcarem na última década, que constitui um período de preparação, que vos renovásseis, vos revalorizásseis, reavaliassem e a partir daí dessem um passo à frente.

Este é um tempo de preparação, por certo. Um tempo de preparação, da forma como ides lidar com isso e com esta década porvir. Em 1979 sugerimos que era tempo de colherem, no outono do ano, um período de colheita do que tínheis feito, mas também um tempo de preparação para o que iam fazer, e que tinham vinte anos para o fazer. Bom, antes de 89 também era um período de colheita, também era tempo de preparação, ou de uma vez mais se prepararem para o que ides fazer. Agora dispondes de dez anos. Esta preparação em que embarcastes ou em que continuais a embarcar, ou em que começareis a embarcar ainda esta noite, essa preparação irá determinar o mundo que ides encontrar, em que mundo ireis entrar, à medida que entrais, um tanto graciosamente e um tanto desajeitadamente, no século vinte e um. De notar que dissemos que irá determinar que mundo ireis criar e descobrir; não dissemos que realidade ireis criar e descobrir. E decerto que o preparo que conseguirem irá determinar o impacto que a realidade criará, é claro que sim. Mas também exercerá impacto na visão do mundo – não vós na globalidade, mas vós enquanto indivíduos, irá exercer impacto no mundo que ides descobrir.

Sim, é um tempo sério; não é o fim. Não envolve a escolha quer de um mundo que termina ou de um mundo que não; envolve a escolha de um mundo que começa. Mas que mundo? Que mundo se iniciará para vós, ao entrardes no século vinte e um? O vosso preparo, o que fizerdes nesta próxima década em que estais a embarcar representará o factor determinante mais significativo do mundo que ireis descobrir.
“Bom, eu crio a minha realidade, não? Outra coisa não aprendi eu. Não será?” (Riso) “Quero dizer, tenho tempo, não?” Ah, sem a menor dúvida! Tendes tempo, e mais, tendes igualmente espaço. E sempre tendes tempo e sempre tendes espaço. Mas, em certas alturas e em determinados espaços ides precisar ter tempo e abrir espaço para vos preparardes e para escolher. Em 1979 tinham vinte anos; em 1889 dispõem de dez anos. Não para um mundo que termina conforme alguns prognosticaram ou esperaram, mas para um mundo que inicia. Quase seria mais fácil se terminasse, sabem? “Preparar-nos para quê?” (Riso) “Deixa-me ir em frente e cair borda fora.” 
 (Riso) “Ou explodir no sopro de uma luz incandescente, provocada por uma bomba atómica, ou todas as árvores serem abatidas e o oxigénio desaparecer, e…Puf! Preparar-nos para o quê?”

Não, não é um preparo para um fim, mas um preparo para um começo. Mas embora não vá começar em Janeiro de 2000, mas à medida que avançais pelo século vinte e um adentro, ireis passar para um mundo muito novo, que será um mundo que se inicia, e neste período de preparação, ireis determinar a forma como ireis nascer nesse mundo, a realidade que ides criar em traços largos arrebatadores, e o que ides ser capaz de aplicar, o que o vosso século vinte e um irá ser. Dispondes de dez anos para elaborar essas escolhas, pelo que, sim, tendes tempo e sim, tendes espaço, mas é altura de começarem a dispor de tempo e a abrir espaço para o preparo. E assim é que esta noite pretendemos iniciar essa preparação partilhando algumas das observações que fazemos; queremos trabalhar junto convosco, a fim de olharmos o que foi, o que é, e o que virá a ser a Nova Era, a nova espiritualidade, na vossa realidade e na realidade do vosso mundo.
Assim, a interrogação que provavelmente terão feito milhares de vezes – que coisa será a Nova Era? Bom, há dez anos atrás, falamos sobre o significado da nova era, e sugerimos que de muitas formas estava a ter início então, embora as pessoas fossem procurá-la aqui ou ali especificamente, mas a nova era tinha início então, e continuaria a ter início - conforme sempre esteve em início. Entendam que o que importa é compreender que não se trata de um tempo, uma data do calendário, mas que envolve um tempo de consciência; que, ao longo da história da humanidade e nos recessos anteriores da Lemúria ou da Atlântida ou da Idade Média, ou no erguer das gloriosas dinastias orientais, ou por diversas partes do mundo Aborígene, que existiram por aí, sempre existiram aqueles indivíduos que descobriram a nova era, e que assim que a descobriram souberam que a não podiam deter, não podiam fingir que não estava lá, nem podiam fingir que não tinha ocorrido. Mas eram indivíduos, muitas vezes perdidos por entre o joio da humanidade, da consciência humana, do género humano.

E o que se afeiçoava diferente nessa altura, conforme então sugerimos, há dez anos, era que cada vez mais pessoas estavam a descobrir essa nova era; não porque alguém o tenha advogado ou cunhado a frase, não porque os Yuppies, (NT: Termo algo pejorativo que indica uma certa camada da população Americana e Inglesa do segmento conservador e classe média, executiva e ambiciosa) ou como quer que fossem chamados na altura, decidissem ter alguma bordagem caprichosa da realidade. Não, a nova Era era nova mas não na totalidade do sentido. Sempre esteve presente, pronta para ser percebida como pista tão prontamente estivessem prontos para limpar a desordem, tão prontamente retirassem a névoa do caminho para poder perceber essa nova era. E o que era tão único acerca desse tempo, há dez anos, era que cada vez mais gente o fazia conscientemente, e uma maior quantidade de gente o faria em termos visíveis. E assim a nova era começou não porque estivesse a iniciar mas por começar a tornar-se visível, e por o continuar a ser. E que iriam dar por vós numa situação em que não iriam ter escolha de fingirem que não existia.
Sugerimos na altura que a nova era não era simplesmente a velha era corrigida, não era a velha era levada de novo à vida pela instauração de novas ideias, mas que era nova; o termo “novo” tinha significado: Nova Era, querendo dizer que não era uma era velha, mas nova. Sugerimos à altura que tinha certas características, a primeira das quais, segundo dissemos, era que se tratava de uma era em que as pessoas tomavam de volta o poder pessoal. “Bom, onde foi que já ouvi isto, não é?” Tomar de volta o poder pessoal! Não era tomá-lo de volta de uma autoridade centralizada qualquer, para de seguida a difundir por entre várias autoridades descentralizadas, nem tinha que ver com tirá-lo de uma pessoa para o dar a outra. Era tomá-lo de volta. Não queria dizer assumi-lo da parte fosse de quem fosse mas descobri-lo dentro de vós, mas era tomar de volta o vosso poder, não para o difundir do modelo centralista para um descentralizado, nem para o redistribuir da parte daqueles que o detinham para o espalhar por entre aqueles que não tinham. Não era uma redistribuição de poder nem uma redistribuição de riqueza. Era sobre tomar o vosso poder pessoal de volta, e tomá-lo de volta da mesma maneira que o deram.

Vocês deram-no – ninguém vo-lo tirou, nem ninguém vo-lo roubou a meio da noite, irrompendo na vossa consciência para vos arrancar o poder enquanto não estavam a olhar. Vocês entregaram-no – não por escrito (riso) – mas através das crenças e das atitudes que tomastes; deram-no por intermédio dos pensamentos e dos sentimentos que pensastes e sentistes, e por meio das decisões e escolhas que elegestes, aparentemente às cegas e inconscientemente, ou subconscientemente. Deram-no de “mão beijada” por via das vossas  matérias-primas, e por via das decisões e opções que tomastes, do que pensastes e sentistes, das atitudes e crenças que tivestes. E essa era a via por que precisavam retomá-lo e não pela força nem pela intimidação; não por coletividades, embora tais actividades se revelassem necessárias para despoletar a chama, mas o poder era para ser tomado de volta por uma alteração das vossas crenças e atitudes, pela mudança dos vossos pensamentos e sentimentos e pela renovação das decisões e escolhas.

Tomá-lo de volta da  mesma forma que o dispensastes; pelas mesmas vias, pelas mesmas formas para devolverdes o poder que doastes. Ninguém vo-lo tirou, e ninguém vo-lo poderia dar de volta, excepto vós. A Nova Era, conforme dissemos na altura, também representava uma era de assunção de responsabilidade – ser capazes, e não apenas capazes mas estar dispostos a responder. Não somente retomar de volta o vosso poder e mantê-lo num tipo qualquer de forma de possessividade. Mas activamente utilizar o vosso poder, e ser responsáveis – responder ao que criastes a partir disso. Reclamar e recuperar o poder. E isso são os dois principais dois componentes do que envolvia a nova era nessa altura.

Também sugerimos que a nova era representava uma crise de consciência, uma crise de escolha. Era altura das pessoas começarem a tornar-se conscientes das escolhas que estavam a fazer. Não de se esconderem em grupos, mas de começarem a tornar-se nos indivíduos que eram, ou conforme os termos empregues por Abraham Maslow, de se actualizarem e elas próprias; nos termos empregues por Carl Rogers, era altura de se individualizarem.

Sugerimos na altura que era essa coisa que estava a tornar-se mais visível. Proceder a escolhas, sem permitirem que os outros as fizessem mais por vós; nem dispondo-se a proceder a escolhas às cegas, mas em vez disso começar a descobrir e começar a compreender a razão porque fazem escolhas, e não apenas porquê, mas como. Compreender o mecanismo, compreender o processo da tomada de decisões, da elaboração de escolhas. E tornarem-se um pouco mais conscientes do questão a fazer.
Uma crise de consciência: quem vai ficar encarregado, não só do mundo, mas quem vai ficar encarregado de vós. O vosso consciente, ou o vosso subconsciente ou o vosso inconsciente. O adulto em vós, ou o adolescente ou a criança em vós. Também sugerimos que a força ou o aspecto de conclusão em vós, em 79, era um período de mudança de paradigmas; era tempo de saírem do pensamento lógico linear, rumo ao pensar exponencial mágico, sugerindo com clareza que existiam problemas, problemas que pareciam não ter solução, por estarem a considera-los no âmbito do velho contexto e de uma forma linear, e a tentar resolvê-los da forma em que sempre eram resolvidos quando quer que fosse e a toda a hora, e explicamos que as soluções não se iriam apresentar aí, nesse paradigma linear, nesse processo lógico, mas que ao contrário, só poderiam ser descobertas assim que se dispusessem s a criar todo um novo paradigma, assim que se dispusessem a olhar a vossa realidade como uma expressão exponencial de magia, deixando com isso insinuar que não mais havia tempo para tentar descobrir como limpar o velho assoalho; mas como criar um novo.

Esses eram os componentes que abrangiam a nova era nessa altura. Termos que mencionamos por diversas maneiras e de várias formas durante a década passada, por meio de noites como esta, fins-de-semana, cursos intensivos, dias consecutivos, diversas abordagens. Para muitos de vós, pessoalmente, conforme estão inteirados, em conversas privadas que tivemos convosco. Retomar de volta o vosso poder. Tomar de volta a responsabilidade. Começar a definir escolhas mais conscientes, e a mudar o paradigma. Falamos da crise da nova era como a crise do poder, crise da responsabilidade, crise da escolha, e uma crise de contexto. Falamos da evolução do indivíduo, ao pensarem em vós certa vez como parte da natureza e não tão separados dela, e ao avançarem para a descoberta da individualidade estava presente para de imediato levar na cara com a solidão que detinha, apressando-vos como o fizestes a formar grupos, não para descobrir respostas mas para descobrir onde vos esconder. E em que uma vez mais estavam agora a emergir na qualidade de indivíduos: o Eu actualizado, individualizado. Situação em que se viam confrontados com a escolha de avançar para uma nova forma de grupo, ou de ir para trás, rumo ao pântano do nada e da não existência e ausência de identidade.

A essa altura, a nova era constituía uma crise, e ao entrarem nos anos 80 constataram que essa crise emergia com uma maior clareza e uma maior visibilidade e uma maior vocalização do que jamais. Mas em que consistirá a nova era, agora? Bom, vamos sugerir, antes de mais, que a nova era evoluiu; não é estática, mas evoluiu e a seu modo constitui um organismo vivo, uma consciência viva se quisermos, que muda e cresce. A evolução consta de um processo de mudança e de crescimento, de crescimento que ocorre continuamente, e de mudança que ocorre instantaneamente. Onde o círculo se torna na espiral; o círculo do crescimento acrescido de uma mudança instantânea, a fim de produzir a espiral da evolução. E a nova era, não ao contrário de vós, tem vindo a crescer e tem vindo a mudar e por isso, a nova era tem evoluído. A nova era não é mais aquilo que era, há dez anos. Tampouco será, daqui a dez anos, aquilo que é hoje. 

Assim, queremos olhar para o que é esta nova era que se encontra viva, agora, que está a operar agora. Ela sofreu uma mudança e um crescimento e evoluiu. Alguns querem pensar que sim, alguns ainda querem encarar a nova era por aquilo que era antes, ou pelo que esperavam que fosse, há tanto tempo atrás. Querem agarrar-se a isso, e ficar onde estavam, e acabaram por dar por si mais alienados e mais separados, mais distanciados, perguntando onde seria a parada, para onde tinha ido tudo, e questionando-se do que tinha ocorrido ao seu redor, e porque parecia não resultar conforme costumava. Alguns de vós descobriram que ainda queriam ater-se àquilo que a nova era propunha, não a aceitando por completo na altura, mas agora querendo ater-se a ela e por se sentirem desesperados: “Porque é que a minha velha programação não resulta mais? Porque é que as minhas velhas técnicas não arrasam mais, e produzem conforme costumava? Outros há que, nesse sentido tremem e são criticados pelo envolvimento que revelaram na nova era e que se afastaram dela, e que se afastaram por ser assim mesmo. E não só voltaram costas aos termos “nova” e “era”, como se afastaram do significado, se afastaram do poder, se afastaram da responsabilidade e da escolha e do contexto que era parte integrante de tudo o que representava essa nova. O que se revelou tão irónico, e ainda se revela tão irónico é que alguns daqueles que bateram no peito mais alto e que bateram mais com o pé foram os que disseram: “Nova era? Ah, pois, isso. Eu nunca cheguei a gostar do termo “nova era”. Jamais cheguei a fazer parte dessa coisa da nova era.” Bom, conforme dissemos na altura e conforme dizemos agora, a nova era está entre vós para ficar, seja qual for o nome que quiserem dar-lhe, e por mais que queiram rejeitar qualquer participação ou envolvimento. Ela ainda está convosco; ainda existe muita coisa, problemas de escolha, questões de contexto e de responsabilidade e de poder.
A nova era evoluiu, e evoluiu para o que chamamos há já um período bastante prolongado, a Nova Espiritualidade. Podemos chamá-la de nova era certamente, mas sugerimos com uma maior clareza e correcção que representa uma nova espiritualidade. Não se trata de abandonar a nova era como mania que era ou nem a época louca dos anos setenta. Não, não se trata de a abandonar mas de a reconhecer e ao crescimento que teve. Por ela ter mudado, conforme vós mudastes, e ter evoluído, conforme vós evoluístes, e constituir agora uma nova espiritualidade. Assim, ao considerarmos agora, em 89, em que consistirá esta nova era, esta nova espiritualidade? Bom, em primeiro lugar, tem que ver com a posse de poder… “Ah, pois, isso ainda anda por aí; não conseguimos sair dessa, não é? Por mais que tentássemos contornar isso, como se o diabo tenha esperado por algum tempo nisso e de seguida isso se tenha tornado nesta coisa nova, não?” Não! Tem que ver com a posse de poder. Contudo, não tem que ver com a redistribuição dele, nem com a descentralização do poder, mas com a posse dele. Tem que ver com descobrir o poder, mas também com algo diferente, descobrir, unto com esse poder, a força – a força que tendes. Tem que ver com a descoberta do poder que sempre tiveram, o poder que tem estado dentro de vós. “Olhai para dentro” ouvistes vós tanta vez, mas no entanto, a nova era, a nova espiritualidade ainda se prende com uma busca sincera e séria dentro e a descoberta desse poder por intermédio da descoberta da força que tendes. Não tomá-la, mas desenvolvê-la. Não tomar o poder, mas desenvolvê-lo, por meio do desenvolvimento das forças que possuís.

Também tem que ver com a responsabilidade. Mas onde tinha que ver com o assumir responsabilidade, representa agora o que designamos por abraçá-la; abraçar activa e conscientemente a responsabilidade e usar o vosso poder. Não apenas obtê-lo nem reuni-lo nem descobri-lo somente: “Ah, olha como nós somos poderosos!” mas fazer algo com ele, utilizá-lo, desenvolvê-lo e pô-lo em uso, pô-lo em acção. Sendo poderoso e proceder a acções poderosas e sendo responsáveis e cometendo actos de responsabilidade. Descobrir o vosso poder, descobrir a vossa força, mas mais do que descobri-los, usá-los, implementá-los, pô-los a funcionar.
Os anos 80, a década que estão quase a concluir, foi um tempo de descoberta do vosso poder e a vossa responsabilidade pela descoberta das limitações que vos colmatavam, e pela sua mudança; pela descoberta das limitações e pela correcção delas. A próxima década, os anos noventa, têm que ver com tornar-se poderosos e fortes e responsáveis, pela descoberta e utilização das vossas forças. Tornando-se mais visíveis; não mais martirizados, mas mais visíveis para vós próprios e para a vossa realidade individual e colectiva. E aqueles que quiserem ficar agarrados: “Eu quero clarificar mais bloqueios e procurar mais limitações; quero descobrir aquele pequeno incidente que tive quando tinha seis meses de vida, (riso) e quero processar isso até à morte.” (Riso generalizado) Bom, o tempo está a passar, está bem? 

“Não, não, não. Quando tinha tempo não quis ficar à espera, mas agora quero, quero esperar isso. Quando tinha tempo para olhar isso e o despedaçar, eu tinha que o fazer, mas agora quero, por favor. (Riso) Vamos voltar atrás e procurar bloqueios de novo, vamos voltar atrás e descobrir ainda mais “contractos”, ainda mais compensações, porventura novos; que excitante.” Não. Isso devia ter sido claramente feito, se não o tiverem completado nem estiverem a completar. E iremos continuar a trabalhar com bloqueios e com as vossas compensações e limitações, absolutamente, por não serem abandonados, (riso) mas é mais tempo de trabalharem as vossas forças; de obter o vosso poder pela descoberta das vossas forças; de obter o vosso poder pela descoberta e utilização das vossas forças. Não só descoberta; ouçam bem. Não descobrem o vosso poder apenas pela descoberta das vossas forças, mas pela sua utilização.

As forças que descobrem, a criatividade e a produtividade que a acompanha, a imaginação, ou a vontade que a segue, ou a capacidade que tendes de sonhar e as visões que a acompanham, ou a paixão que possuem e a compaixão que a segue. Não é só fazer planos de agir e sentar-se a um canto contentes e dizer: “Ai virei a ter os meus pontos fortes? Aqui os têm, anotados. Eu anotei-as em grupos de cinco e coloquei-as no meu espelho, e todas as manhãs os repito: criatividade, bom… compaixão, enquanto olho por cima do ombro…vontade, com um piscar de olhos… (riso) descubro as formas e empenho e de coragem que possuo… descubro a curiosidade e o intelecto que a acompanha… descubro a liderança e o impacto que o segue com força… a capacidade de comunicação… a capacidade de inspirar… de discernir, de ser espiritual.”

 Isso ajuda, mas não vos levará por completo a descobrir o vosso poder ou a responsabilidade, até que façam uso dele. Não é suficiente percebê-lo e criá-lo; é tempo de fazerem alguma coisa com a vossa criatividade. Não é suficiente saberem que podem sonhar; é tempo de deterem essas visões e de tornarem os vossos sonhos uma realidade. Não é suficiente dizer: “Eu estou empenhado, ou na disposição disso…” É tempo de se empenharem, e de terem a coragem de o fazer – activamente, não como um mártir, mas activamente, de forma visível, consciente. Assim, ainda tem que ver com o poder, só que desta vez com a titularidade mais do que a tomada. Ainda se prende com o uso da responsabilidade, desta vez abraçando-a em vez de a assumir. Existe uma dinâmica de actividade que onde tinha que ver com o tomar, tem agora que ver com o uso; é isso que a evolução da Nova Era tem representado. E é na direcção disso que estais a encaminhar-vos. É a isso que se resume o vosso crescimento e a vossa mudança, a vossa evolução, juntamente com a nova era, juntamente com a nova espiritualidade.

O terceiro componente do que engloba a nova era agora, que não englobava antes, ainda se apoia na crise de consciência, na crise de escolha, e que ainda se revela tão criticamente importante à medida que seguis em frente – de facto mais agora, por não dizer unicamente respeito a uma busca de compreensão da razão por que fazeis escolhas e do modo como praticais a maioria das escolhas, não tem que ver simplesmente com a avaliação do vosso processo de tomada de decisões, mas tem que ver com o facto de se tornarem cada vez mais conscientes dessas escolhas.

Não por meio do contentamento nem do compromisso, descartando as escolhas que fazeis como subconscientes ou inconscientes. Certamente que o consenso geral da realidade externa encoraja isso, sem a menor dúvida; O consenso geral dir-vos-á em absoluto: “Sim, meu querido, há montes de escolhas inconscientes ainda a fazer; um monte de escolhas subconscientes ainda a ter lugar. Ah, isso será encorajado, e haveis de encontrar montes de “amigos” nesse “mundo”, mas a nova espiritualidade significa que não vos contentareis com isso. “Isso é conveniente, mas muito obrigado por me oferecerem isso como uma saída, mas é que eu não aceito mais saídas dessas. Obrigado por tentarem consolar-me, dizendo-me que foi só o meu subconsciente ou o meu inconsciente que não podia ser mais contido. Agradeço a vossa preocupação, mas não vou aceitar mais isso. As escolhas que até agora pensava serem inconscientes e que queria acreditar serem subconscientes estão agora dispostas a trabalhar para – escutem isto – a trabalhar para as tornar conscientes. Não contentando-me nem comprometendo-me com soluções subconscientes, mas em prole da consciência. A chave reside em optar, tornar - particípio presente - no processo da transformação, na acção.

Entendam, aquilo em que tantos cometem o erro é: “Ah, as escolhas são conscientes!” Elas precisam simplesmente tornar-se todas conscientes instantaneamente. E como não são, eles podem, pois, voltar costas e descartá-las: “Bem, aquela escolha não era consciente; esta escolha não é consciente. Por isso, nenhuma delas é consciente.” Não, não estamos a falar de movimento instantâneo; mudança instantânea, mas não movimento instantâneo. “Tudo bem; estas são as minhas escolhas correntes conscientes; tenho uma mão cheia delas. E aqui estão as escolhas que ainda quero fingir que são subconscientes: a criança e o adolescente em mim, o que me aconteceu quando eu era criança, é a resposta automática, é uma acção instintiva com que pareço auxiliar-me a mim próprio(a). Tu recordaste-ma e eu projectei-a, identifiquei-a, fiz tudo e mais alguma coisa nesse sentido, e obtive a minha compensação, ah, querida que nem tinha percebido isso. Creio que estava de volta a isso, encontrava-me exausta, cansada, ocupada, não sabia… (Riso) E estas são as escolhas que finjo serem inconscientes – de onde será que vêem? (Riso) Quero dizer, é uma escolha, obviamente, surgiu-me uma realidade aqui ou uma realidade maravilhosa ali; não faço a menor ideia de onde essa escolha terá procedido, mas vou-a colocar na minha categoria de inconsciente.” O termo misterioso, não é? (Riso) “Ou mesmo, fora de portas, na categoria das escolhas de Deus. Deus escolheu-o por mim. Ou o meu Eu Superior, ou o meu Eu Futuro, nada tenho que ver com isso.”

 “Aqui está este grupo, ali outro grupo, acolá um outro grupo; assim, digo para mim mesmo, muito bem, com base nas escolhas que faço, eis aqui como elas caem; eis aqui como pousam.” Mas a nova espiritualidade tem que ver com o deslocamento dessas escolhas todas para uma parte; uma de cada vez, ou duas ou três de cada vez, todo um grupo de cada vez, seja a que velocidade for, por disporem de tempo e de espaço, seja a que velocidade for que as queirais mover. “Hoje esta escolha é subconsciente, por ser assim que o meu inconsciente a escolher proporcionar.” (Riso) “Mas estou a tratar de retirar isso do pote das escolhas subconscientes, para o pote das escolhas conscientes.

Ainda não cheguei lá, ainda não completei isso, ainda não sou capaz de o obter, mas estou a tratar disso. E aqui está uma escolha inconsciente, que estou a mudar; não para o depositar na faixa intermediária, mas para a mudar por completo para aqui para ser inconsciente, mas eu estou a mudá-las, estou a mudá-las. Que deverei fazer a seguir no meu crescimento?” Se mudardes todas as vossas escolhas, mas todas mesmo – não passarão a ser conscientes apenas por o soletrardes a palavra, mas conscientes por serem de facto conscientes – aí talvez fiqueis sem ter o que fazer. (Riso) Mas até lá sempre podeis deslocar as escolhas, da simulação da pretensão de serem subconscientes e inconscientes para a verdade do facto de serem conscientes, para a realidade consciente.

O poder e a força produzem a criação. Responder, ou a responsabilidade, gera a reacção. A escolha combina ambos para edificar com base nas reacções e as criações, no vosso mundo. Acção - por meio do poder e da força; reacção – por meio da responsabilidade. E edificar por meio da escolha. Mais do que simplesmente buscar o “como” e o “porquê” escolheis, torna-se importante que móveis escolhas, deixar que sejam e descobrir a origem consciente, torna-las conscientes, todas elas eventualmente, mas deslocando-as durante o processo – não saltá-las, mas movê-las, por intermédio de um processo de transição chamado transmutação, transformação, e eventualmente transcendência.

Cada parte da vossa realidade é consciente, e um produto da crença e da escolha. Mas vós fendei-las, nesta e naquela… mas agora é altura de reunir o que fendestes e de as colocar onde pertencem – na mente consciente.
Por ser aí que o poder diz respeito. Quando referimos a escolha consciente e a razão por que ainda constitui uma crise, escutam os “e se” hipotéticos, geralmente com base numa postura altamente emotiva: “Estás a dizer-mo que uma mulher que tenha escolhido ser violada? Mas isso é de tal modo bárbaro, é tão antiquado, tão chauvinista!” Sim, o tipo de escolha que as escolhas masculinas chauvinistas sugerem que “ela estava a pedi-las”; sim, isso é antiquado e completamente falso. Mas de facto, como a violação está a aumentar, algo como 70% a 80% de todas as mulheres experimentarão esse tipo de violação, de uma forma ou de outra, se deixarem essa escolha ficar inconsciente ou subconsciente tornar-vos-eis numa estatística.

Se pegardes na escolha: “Olha, vou tornar consciente o facto de não criar essa realidade. Não vou ficar à espera de ver se vou servir de estatística. Sim, vou ser cuidadosa; sim, vou tomar as precauções por certo, mas não vou ficar à espera de me tornar numa estatística.” E se percebessem que não, nos anos quarenta não era possível que tanta gente assim tomasse consciência da escolha, e mesmo nos anos setenta e oitenta. Mas agora estais a passar para os noventa, e cada vez mais de vós têm essa oportunidade de ser assim conscientes. Possuís os mecanismos, as ferramentas, possuís as formas de conseguir isso, de modo que podeis, caso opteis por isso, tornar-vos assim conscientes. E com um nível de consciência desses vem o poder. Não é nada que ocorra instantaneamente. Nós conversamos com mulheres que foram violadas e não lhes dizemos: “Tu sabes, tu criaste isso. Tu sabes que escolheste isso.” De modo nenhum. 

Trabalhamos com os feridos no sentido de curar, e de seguida consideramos as emoções a curar, e depois consideramos a mente a curar, e depois a espiritualidade a curar – por último, a espiritualidade a curar. De seguida consideramos a possibilidade de tornar essa decisão consciente, após o facto, de forma que possais escolher de forma consciente não voltar mais a ser feridos dessa forma. É aí que o poder reside e é tudo quanto tem que ver com a nova espiritualidade. E no vosso mundo, como nível de criminalidade, as drogas, e o nível de violência que apresenta, confiar em que alguém proceda à escolha – vós, enquanto estatística, coisa que não sois! – torna-se num pesadelo. Dizei: “Terminou o tempo! Eu estabeleço a escolha. E vou faze-lo conscientemente. Talvez nunca o tenha feito conscientemente antes, mas pelos céus, se não vou começar a faze-lo de forma consciente agora! Por não querer ficar à espera do que elegeres por mim. Eu quero escolher por mim próprio.” E a nova espiritualidade tem que ver com – não com o facto de se tornarem instantaneamente - mas de se tornarem cada vez mais conscientes dessas escolhas. E a crise aumenta por o poder e a responsabilidade aumentarem.

O quarto componente daquilo que a espiritualidade envolve ainda se prende com a mudança de paradigmas, certamente. Tem que ver com a mudança do paradigma da causa-efeito e o da causação ascendente para um paradigma efeito-causa e causalidade descendente. Há quatro maneiras por meio das quais produzis causa no vosso mundo:

Uma, é através do passado – uma causa que conduz a efeitos; o que a minha realidade constitui agora, o efeito, veio da infância que tive, do que aconteceu à minha mãe, ao meu pai, ao meu irmão, dos meus professores, das autoridades, da minha religião, da minha sociedade, do meu passado económico, de todas essas coisas que podiam ser causas potenciais do que quer que tenhais agora como efeitos. Tudo muito Newtoniano, muito mecânico, muito engrenagem que dá voltas e mais voltas... Mas isso funciona, certamente que sim. Provoca um enorme trabalho árduo, mas funciona. Mas a razão por que causa tanto, é que quando se mantêm numa realidade tipo causa e efeito, torna-se verdadeiramente difícil anular o passado. É possível, e muitos daqueles com quem conversamos já o conseguiram, mas torna-se sobremodo difícil anular o passado. E por conseguinte, têm que acabar órfãos, ao ter que aceitar o efeito que esses passados criaram.

à causação ascendente também funciona: “A razão por que apanhei um resfriado deve-se ao facto de ter estado numa corrente de ar, por ter apanhado chuva, por a temperatura ter mudado, por ter estado perto de alguém que estava constipado, por o ter contraído ao utilizar o copo de água de fulano de tal, ou numa fontenário na baixa, ou seja o que for – fonte da causa que conduz... primeiro surgiu isto e isto, e depois isto, e não fui capaz de ir trabalhar, o que me levou a ficar para trás e a perder o emprego – a corrente de ar provocou-me a perda do emprego. (Riso) Essa é a causação ascendente!

“Não, não, o cancro veio de uma verruga que cresceu e se tornou maligna e numa metástase que penetrou até ao osso, espalhou-se até ao cérebro – isso é causação ascendente! A verruga provocou... seja o que for. Mas também funciona, mas claro está que não compreendem o preço que pagam, não o veem senão quando é “demasiado tarde”. Muito ao estilo do Descarte, não? Muito lógico. Muito preciso. Muito compreensível, mas também muito fora de controlo.


Uma terceira maneira porque podem optar por provocar uma causa, é pelo que designamos por efeito-causa: “Primeiro crio o efeito, e depois vou à procura da causa. O meu futuro cria o presente contra o cenário de fundo do passado, por decidir os efeitos e depois provocar o presente e o colocar contra o tapete, o contexto do que chamo de passado. E é assim que também podem produzir a realidade.

Uma quarta maneira é o que é chamado de causação descendente: O cancro corresponde à forma como optei por assumir responsabilidade pela raiva que senti, dado que não tinha vontade de a expressar nem de a processar nem de a libertar, ou de sair dela por qualquer forma que possa ter estado ao meu dispor. Opto por me responsabilizar desta forma. Não se trata da questão de saber se ides tornar-vos responsáveis ou não – é uma questão do método de responsabilidade que ides assumir. E certas pessoas optam por assumir o método da doença ou de um desastre ou seja do que for que optem por produzir, como uma forma de se responsabilizarem. Não faz mal – se é isso que querem fazer, tudo bem. Mas perceber: “Eu optei por assumir responsabilidade pela raiva que senti, pelo futuro, e depois encontrei uma causa chamada “verruga”, ou chamada “toxicidade pelo mercúrio”, ou chamada “hormonas em demasia no bife” que continuo a comer, chamada “demasiada gordura na dieta que ingero,” seja o que for que quiserem chamar-lhe... Demasiado leite, demasiados produtos dietéticos, (?) demasiados verdes, demasiados vermelhos, demasiados amarelos, qualquer cor que escolham em demasia (riso). Assim que se agarram a um efeito podem sempre descobrir uma causa! (Riso)

E essa é uma outra forma de criar a realidade, que é criá-la a partir do futuro, no presente, contra o passado. E de criar de cima para baixo. Todos esses quatro paradigmas estão ao dispor – todos esses quatro paradigmas estão ao vosso dispor! Cada um tem um preço – não existe nada de borla! – cada um tem um preço. Mas a vossa realidade consensual escolheu os primeiros dois: a causa que conduz ao efeito; as coisas a moverem-se no sentido ascendente. E esses são os dois paradigmas por que a vossa realidade consensual optou – pelo tipo de paradigma linear. Os outros dois paradigmas encontram-se igualmente acessíveis.

Mas a beleza dos dois últimos paradigmas assenta no facto de poderem mudar a realidade com eles – sem terem que reestruturar todo o passado, e sem terem que voltar a ele e terem que “nascer de novo” – reincarnação – mas decidindo que futuro querem criar e considerando onde…

Ao considerarem a vossa realidade agora, onde parece haver tão poucas soluções acessíveis, podem ver a crise de energia, a crise provocada pela poluição, a crise das drogas, a crise da criminalidade, podem descortinar a origem disso: “Bom, deve-se ao facto da existência excessiva de pessoas, ao facto de nascer a toda a hora demasiada gente, e dos combustíveis estarem a ser gastos, e ao gás metano, ao dióxido de carbono, às drogas artificiais compostas pelo homem, aos químicos que são libertados, o que provoca este resultado; à necessidade das pessoas se expandirem, oh, tantas causas que podemos apontar…” Mas o problema inerente a tais causas é que muitas delas não podem mais ser corrigidas. Não existem mais dinossáurios; não conseguis plantar árvores suficientemente rápido para repovoarem todas quantas estão a cortar e além disso os criadores de gado precisam das terras para o criar, e vocês poderem ter o vosso hambúrguer duplo (riso)… Há nações do terceiro mundo que dependem dessa madeira como única forma de rendimento. De que forma conseguirão alterar essas causas? Como poderão ir e fazer com que o tanque da Exon fique na doca durante a noite? Ou deixar de accionar o piloto automático por o capitão alegadamente se ter embebedado? De que modo anularão uma causa dessas? Como?


Em vez disso, se olharem bem e indagarem: “Que estará esta realidade a dizer-me? Onde conduzirá isto? Que futuro teremos? E se reestruturar o futuro – coisa que posso fazer – e alterar a motivação espiritual – coisa que consigo fazer – se trocar de paradigmas e começar a olhar mais e mais para a minha realidade, como procedente do futuro e da minha espiritualidade, ao contrário de proceder do passado e da minha natureza material, saberei que as soluções não são claras, mas são acessíveis - tornam-se acessíveis. E o que é importante aqui é compreender o seguinte: “Se der continuidade a um paradigma do tipo passado-presente, físico-metafísico, não haverá solução. Mas, se em vez disso mudar de paradigma, para um em que a realidade ecloda do futuro para o presente, e do espiritual ou do metafísico para o material, então – muito embora não saiba que soluções sejam – haverá uma possibilidade, espaço e tempo para uma solução. Por na minha mente poder criar o conceito da solução ser encontrada, de forma a influenciar-me o presente.”

A resposta não está na descoberta de um novo tipo de roda; a resposta não passa por descobrir quem terá deixado o pavimento sujo desde logo; está em descobrir o futuro e o espiritual – passa por o compreender e pela mudança dele (pavimento). “Deixa-me mudar a minha energia espiritual; deixa-me mudar e minha energia do futuro, por essa mudança ir produzir mudança aqui. “Bem, eu não creio nisso.” Isso é uma opção; é a vossa prerrogativa, fica ao critério da vossa escolha. Não estamos a afirmar que têm que acreditar. Mas vamos dizer-lhes o seguinte: Existem provas mais concretas do novo paradigma do que existem para aquele ao qual se agarram. Os vossos físicos da mecânica quântica demonstraram – não teorizaram unicamente – que o futuro cria o presente, de uma forma muito mais consistente, exacta e precisa do que alguma vez terão sido capazes de demonstrar que o passado tenha criado o presente. O vosso mundo demonstrou isso. Os vossos físicos quânticos e os vossos pensadores filosóficos foram capazes de demonstrar de uma forma mais conclusiva que é o espiritual que gera o material; é o metafísico que produz o físico – muito mais frequentemente, de uma forma muito mais consistente do que foram capazes de provar que seja o que é físico que influencia o que é metafísico.

Assim, o paradigma a que o consenso se agarra do passado a conduzir ao presente, e do físico a conduzir ao metafísico é menos provável, menos demonstrável, menos consistente do que o novo paradigma que estamos a sugerir. Assim, quando as pessoas olham para vocês e pensam que sejam loucos maníacos e que vivam nalgum tipo de mundo de fantasia, percebam que esse louco maníaco tem mais substância do que aquela a que eles se apegam. E percebam igualmente, que ao optarem por se agarrar a esse consenso, estão a optar por se agarrar a uma fantasia, mais do que a uma realidade. E à medida que os anos 90 prosseguem, e passais para esse século 21, cada vez mais as provas passarão a surgir e a sugerir ainda de uma forma mais concisa e clara e consistente que é o futuro que está a criar o presente, e que é o metafísico que está a criar o físico. Que paradigma?

Mas, uma vez mais, a nova espiritualidade tem que ver com o mudar – não com o ter mudado; não tem que ver com o decidir: “Muito bem, muito bem, estou-te a ouvir. O meu futuro cria o presente; o meu futuro cria o presente. O metafísico cria o físico; o metafísico cria o físico. Consigo proferir isso!” Não, tem que ver com o olhar para a vossa realidade, olhar para o joguete que tendes, olhar para esta ilusão chamada mundo físico e perceber, uma vez mais, como no caso da escolha: “Onde estarei a situar a causação? Nesta realidade estou a situá-la acolá; no passado. Nesta situação estou a situá-la no passado; nesta outra estou a situá-la no físico. Naquela situação, estou a coloca-lo no futuro, e naquela outra situação, olha, consigo ver como a estou a colocar no metafísico e a deixar que seja filtrado para o físico; sim, pelos céus, estou a fazer todas essas quatro coisas!”

 Estais sim”!

“E o que quero fazer, é sistematicamente alternado…” 

Então, começai a alterná-lo cada vez mais no sentido do futuro e da causação metafísica, ao contrário da causação do passado e da causação física. Por na causação metafísica do futuro haver lugar à esperança e existirem soluções; na causação física e na causação do passado há cada vez menos esperança, e cada vez menos soluções. Ainda não estamos a dizer que não haja nenhuma – mas há menos.

Não é dizendo a alguém, entendem… quando conversamos convosco individualmente, e no seminário intensivo que tem início amanhã. Amanhã vamos conversar, e durante cada um dos quatro dias convosco individualmente sobre qual o problema que querem tratar, qual será a situação, qual será o bloqueio que permanece, que contracto, que é que está no vosso caminho, que crença, que opção continuará a ser equacionada instintivamente na vossa mente subconsciente e inconsciente – não para dizer: “Isso é consciente, ponto!

Agora, que pergunta tens a fazer? Isso provém do futuro. Que pergunta tens tu? Isso vem…” Não! (Riso) Absolutamente! Aqueles de vós que têm estado presentes nos intensivos… não, em absoluto! Nós ajudamo-los a pôr a nu as escolhas subconscientes que fazem – de modo a poderem faze-lo conscientemente! Para porem a nu as vossas escolhas inconscientes de forma a poderem faze-las conscientemente. E ajudamo-los a descobrir as causas que situais no vosso passado, de modo a poderem levá-las até ao futuro, e mudá-las. Ajudámo-los a descobrir a explicação lógica: “Por que razão estarei tão cansado?” Quanto conseguiste dormir? (Riso) “Cerca de uma hora e meia.” Estás cansado por não teres dormido o suficiente. Essa é a causação física. Mas também poderemos acrescentar que a razão por não teres dormido o suficiente venha do metafísico. Assim, trabalhamos com a causação física e a causação metafísica; trabalhamos com a causação do passado e a causação do futuro para as fazer convergir com o momento, por se encontrarem num processo de comutação. Ainda não estão lá; ainda não mudaram toda a causação do passado para o futuro; ainda não mudaram a causação do físico para o metafísico, mas queremos encorajá-los e sugerir que a nova espiritualidade dos 90 trata disso. Cada vez mais.

Quando conversamos com as pessoas em particular, assim como durante os intensivos, apresentam um problema e por vezes admiram-se com a resposta longa que dão, por estarem à procura da proveniência disso no passado, ou se vem de uma explicação analógica, biológica, fisiológica, por procurarem entender se isso será proveniente do futuro ou do espiritual, e nós damos-vos todas as quatro possibilidades de modo a poderem escolher, para compreenderem e libertarem, para compreenderem e libertarem, para compreenderem e trabalharem com isso; para compreenderem, para compreenderem e trabalharem com isso, à medida que passais para um paradigma novo – sem esperarem dar por vós nele, mas à medida que passais para um novo paradigma. E compreender isso é demasiado importante – já o dissemos, e provavelmente iremos afirmá-lo mais uma centena de vezes, esta noite; que tem que ver com movimento, que tem que ver com mudança, que tem que ver com aquelas mudanças que tornam tudo particípio presente. Não ter isso feito, mas fazê-lo. Não “sido”, mas “ser”- presente.

Mas aqueles que criticam muitas vezes dizem: “Esta escolha não foi consciente,” e nós concordamos que não tenha sido, mas devia ter sido. E: “Isto procedeu do meu passado; isto procedeu da minha explicação lógica,” procedeu sim, mas vejamos se conseguem mover isso e decidir e determinar essas escolhas; vamos ver se começamos a pensar e a sentir e começar a ter atitudes e crenças. E ver se isso procedeu do futuro e do metafísico, de modo a poder ser alterado, e a mudardes junto com isso. E essa é a mudança de paradigmas. Não é só limpar a vossa ficha e dizer: “Ah, agora acredito em algo completamente diferente.” Não acreditaríeis numa coisa dessas, nem tampouco nós. Tem que ver com o apagar e substituir; apagar e substituir. Apagar e substituir até um dia em que de súbito – Bang! – tudo passar a ser escolha consciente, e tudo causação futura e metafísica: por meio de uma transmutação, de uma transformação, de uma transcendência.

Bom; num certo sentido isso é o que acontece, a oitava superior desses quatro componentes que compreendiam a nova era e do que a compõe. Mas a evolução, entendem, também procura expandir-se. Ao perceberem um círculo em movimento – isso representa o crescimento. Ao instituírem mudanças, que simplesmente ocorrem - isso representa a evolução. Mas há algo aqui que acontece; não é a espiral que vai directamente para cima, mas a espiral não só se eleva como se expande, e desse modo se torna maior assim como maior, até chegar a tornar-se num vórtice de energia, em vez de uma coluna.

A Nova Era, do mesmo modo, cresceu, e evoluiu nesse sentido de coluna num movimento ascendente. Mas adicionalmente, expandiu-se para fora e por isso, mais se acha agora envolvido do que se achava há dez anos atrás. Assim, se durante dez anos estiveram às voltas com as vossas diversões, agora têm mais que fazer, mais que tratar para “recuperar o atraso”. Aquilo que a Nova Era também circunscreve é o que chamamos de crise da culpa (riso). Vivem num mundo que adora culpabilizar. Todos têm que encontrar quem culpar, ou alguma coisa para culpar. Sabem, uma das críticas mais acentuadas actualmente que ouvem, e que irão ouvir muito mais, é: “Bem, esta coisa da nova era, esta coisa da metafísica soa muito agradável, mas o problema que tenho em relação a isso é que acabo por me culpabilizar a mim própria (riso) O Bernie Siegel, que indubitavelmente todos vós leram ou viram, dá, lamentavelmente, por si próprio a bater-se contra isso a toda a hora. As pessoas agora usam a sarça ardente como adorno, não é? (Riso) (NT: Moita espinhosa do género da acácia que apresenta uma coloração avermelhada que na era medieval era usada para se vergastar a si mesmo, como acto de penitência) No sentido de: “Bom, se eu assumir aquilo que ele diz, então eu serei o culpado de ter contraído cancro. Os terapeutas dizem. “Bom, o problema que eu vejo é que se você alinhar por esse pensamento nova era então você deve ser a culpada pela doença de que padece.

Quem preferem culpar? A mãe? “A minha mãe fez-me isto a mim. Não é culpa minha o facto de me encontrar doente e de estar a morrer, nem é culpa minha o facto de ter esta doença terminal. É tempo de culpar a mãe, não? Ou porventura o pai, ou a posição que assumo na família. Ou poderei mesmo culpar o abuso, ou a ignomínia, ou a pobreza, ou os tempos, ou a sociedade, ou o governo, ou a Igreja, ou o sacerdote, ou a religião…” (Riso) Quem ireis culpar? Isso não fará desaparecer a coisa, fará? Quem desejarão culpar? “Deus foi quem me fez isso. Vou culpabilizar Deus! Foi Deus quem me fez isto.” Sentem-se melhor? A dor desaparece? O tumor desvanece-se? (Riso) “Talvez se eu lhe fizer crer que ele me fez isto, Ele pare. Talvez se eu culpar Deus o suficiente, ou a mãe, ou o meu passado, ou a época em que tenha feito o que me tenha culpado isso, etc.” Gostais de culpar.

Gostaríamos aqui de sugerir que, se quiserem culpar, quem será a melhor pessoa para culpar? Vós! Se tiverem que culpar, culpem-se a vós próprios. “Bom, quererá isso dizer que para cúmulo do facto de esta pessoa padecer deste mal, ainda terá que lidar com a culpa?” Quer! (Riso) Se insistir em culpabilizar, com certeza! É exactamente o que isso quer dizer. Porque, entendam, mesmo que culpabilizem a mãe ou Deus – que muitas vezes é a mesma coisa (riso) – não deixarão de ter a doença e de ter que tratar da culpa. Talvez seja fácil para vós, enquanto terapeutas, lidar com ela, mas aí, será em prole do vosso conforto ou do bem-estar do paciente? Seja quem for que culpabilizem, ainda irão precisar lidar com a culpa. O facto de culpabilizarem os outros não os levará a sentir-se bem. Se disserem que os leva a sentir-se bem, então também podem culpar-se a si mesmos, mas o que sugerimos é que se tiverem que culpar quem quer que seja façam-no a vós próprios. Mas certo é que podem ter que lidar com: “Mas isso pode ser fonte de desconforto…” Só que pode representar muito menos do que a dor que atravessam de outro modo. Assim, culpem-se a si mesmos se tiverem que o fazer. Se for preciso! Mas o que sugerimos é que se forem culpar-se, nesse caso façam-no de forma completa, fustiguem-se por completo (riso). Não sejam banais nem medíocres em relação à vossa culpabilização. Se precisarem culpar-se então façam-no e acabem com isso e saiam dessa.

Que sucederá quando culpam mais alguém?

“Fulano de tal ficou com o emprego, mas eu culpo-o por ele ter tido conhecimento da entrevista enquanto eu não. Foi por culpa dele, e eu culpo-o. Eu posso ficar com ela culpabilização assim como cansar-me dela. Mas de qualquer modo arranjei outro trabalho pelo que o melhor é que deixe isso para lá. (Riso) Ainda o culpo, ainda o culpo, mas depois deixei de o culpar por outras coisas terem surgido na minha vida e por outras coisas se terem tornado mais importantes, e como me concentrei noutras coisas na minha vida, eu deixei de o culpar há muito tempo. Não faz mal.”

O que sugerimos é que acelerem o processo, e quando se culparem, façam-no com prazer; culpem-se por completo. Sintam a agonia, o ódio, passem por tudo isso mas saiam pelo outro lado (ilesos). Acelerem o que levaria vinte anos, relativamente a um amigo, por não disporem de vinte anos para deixarem que a culpa diminua por si, até que por fim deixem de o culpar ou a vós. Acelerem isso. Precisam atravessar isso não em vinte anos mas em vinte dias ou em vinte horas. Sintam a culpabilização, se for preciso – atendam a esta condição – se for preciso, se tiverem o objectivo de culpar e se estiverem assim certos da culpa ser tão essencial, então culpem-se a si mesmos e façam-no com prazer. E depois limpem essa culpa, atravessem-na e saiam pelo outro lado sem o culpar e deixando de se culpar a si. Por a crise da culpabilização constar de chegarem a compreender – não só por meras palavras mas através da experiência – que a culpa nunca resultou em bem algum nem jamais resultará. A culpa jamais corrigiu a realidade. Jamais a reverteu nem nunca a terá deixado melhor. Jamais forneceu a solução. Culpar jamais vos terá prestado, ou chegará a prestar, bem algum.

Se para chegarem a descobrir isso, precisarem culpar-se, então culpem-se a si mesmos, por isso ser mais desconfortável, é uma batata quente que terão mesmo que largar! Só que culpabilizar os outros é demasiado confortável – mas matá-los-á; fá-lo de forma alarmante, pois o que mais atinge é o coração, que é a fonte da culpa, da culpa dos outros. Ele liquidá-los-á. Mas é demasiado confortável. Por isso, culpem-se a si mesmos, por assim não ser fonte de conforto e poderem querer deixar isso.

Até chegarem à situação de escutarem de verdade o que estamos a dizer, a culpabilização jamais terá operado qualquer bem, jamais! E não estamos a falar dos criminosos que vão para a cadeia, não estamos a falar disso. Não estamos a referir que fulano ou beltrano que tenha matado ou que tenha violado determinada pessoa deva ser culpabilizada; é claro que tem que ser culpada, mas culpá-los jamais terá restituído a vida a quem quer que seja. Tratar da situação, zelar pelo que que deve ser zelado no vosso mundo, com certeza, mas não estamos a referir-nos à política, estamos a falar de vós e do processo que atravessam. Estamos a falar de vós e da vossa espiritualidade e o que estamos a referir vai surgir nos anos noventa vai ser uma crise de culpabilização como parte daquilo em que consiste a nova espiritualidade. E aqueles que se acham tão determinados a culpar combaterão essa nova espiritualidade, com palavras, com a linguagem; eles combatê-la-ão. E aqueles que realmente quiserem tornar-se espirituais combater-se-ão a si mesmos a fim de se livrarem da necessidade de culpabilização, e eventualmente consegui-lo-ão. Não faz qualquer bem nem nunca fez nem nunca fará, pelo que não culpabilizarão os outros nem se culpabilizarão a si mesmos mas apagarão a culpabilização – não pelo facto de deixarem de usar o termo, mas por um trabalho de si próprios até terminarem com isso. A crise da culpabilização!

O componente seguinte que se acha envolvido com o que a espiritualidade significa, é o que chamamos de abrangência da autoridade. Tal como vivem num mundo de culpa, também vivem num mundo de escolha condicionada em termos de "assim ou assado," ou tu deténs o poder ou então eu detê-lo-ei, mas não o deteremos juntos. Se não for assim será assado. A questão do aborto que é tão premente no vosso mundo; as pessoas querem encará-lo como uma de duas alternativas. Afirmam continuamente tratar de uma questão de escolha mas não querem ouvir tal coisa. "Nós não ouvimos falar de escolha; ouvimos falar de homicídio!" Querem ouvir que precisam salvar a criança a todo o custo e não falar de escolha individual. Estão predispostos a ouvir falar de definição de padrões em termos díspares e condicionados: "Ou permitem que as pessoas matem cruelmente (riso) ou permitem que o Estado tome a seu cuidado a educação -  de uma maneira ou de outra. A questão da escolha não é contemplada. A questão do chauvinismo: "OU bem que os homens mandam ou então mandam as mulheres!" Ninguém ouve falar em estarem juntos; ninguém ouve falar em trabalharem em conjunto. Por que razão os homens se assustam tanto com a cedência do poder à mulher: "Se eu abrir mão dele ela ganha-o," seja quem for que esse "ela" circunscreva! Por envolver o: "Ou ela ou eu! E como sou eu, não estou disposto a cedê-lo." (Riso)
"Assim, ela pode permanecer nas águas rasas do poder. Mas não pode entrar a fundo. Isso fica para o homem!" De uma maneira ou de outra. Ninguém olha para o meio termo, mas é tempo de abrangerem a autoridade e não o assim ou assado. A autoridade do meio termo.

Há uma energia interior destinada à aprendizagem disso; tem representado o padrão subjacente a todo o crescimento, de toda a Nova Era, para compreender e valorizar a energia externa, e posteriormente descobrir a energia intermédia - ou a energia do conjunto. E esta altura dos anos noventa são a altura de começar isso, por o próximo século vir a exigi-lo.

É tempo de terminarem o trabalho interno que empreendem, e de começarem a olhar para fora e de ver o trabalho que os outros andam a fazer, e de verem o que pode ser feito em conjunto. Isso está a ter lugar ao nível internacional presentemente, e precisa ter lugar a um nível mais pessoal, que é o que a nova espiritualidade quer dizer - abranger a nova autoridade - a autoridade da energia intermédia e conjunta. Comecem a experimentar a ideia, por ser aquilo com que tem que ver, abranger, cuidar, sustentar a energia intermédia do "Conseguimos fazer juntos," derrubando não só as fronteiras que os delimitam como as que os separam. A nova espiritualidade irá abri-los a um trabalho conjunto.

E por fim assenta no que chamamos de apossar-se do vosso mundo. De que mundo virão a fazer parte? Qual virá a ser o vosso mundo? Temos referido existirem dois mundos - um que é composto por um futuro positivo que conduz a um exponencial ilimitado e um futuro que é limitado e que atinge um término e que é linear e temos sugerido que sempre têm existido esses mundos. Mas nos últimos anos, décadas, séculos, eles têm vindo a aproximar-se mais, a ponto tal que não mais precisam dar o salto da fé cega mas pisar nesse novo mundo. Pois ambos esses mundos continuam a aproximar-se, e vão continuar a fazê-lo nos próximos dez anos, e depois vão começar a afastar-se - gradualmente, é certo - mas afastam-se tanto mais rapidamente do que se aproximam. E não conseguirão ficar indecisos em cima da cerca; precisarão decidir se saltam para um ou para o outro lado. E haverá quem opte por criar uma realidade que deixe os pessimistas satisfeitos; e haverá quem opte por uma realidade positiva. Ambos esses mundos estão a aproximar-se e a nova espiritualidade tem que ver com a definição de escolha, com uma tomada de decisão.

Porque, à medida que o século vinte e um se inicia, esses mundos irão começar a afastar-se, e dentro de cinquenta, cem, cento e cinquenta ou duzentos anos, eles afastar-se-ão ainda mais. Este é o período em que mais se aproximam e a altura para se assenhorarem do mundo que querem. E esses são os componentes: Abranger a responsabilidade, apossar-se do poder, uma crise inerente à escolha, mudança de paradigmas, uma crise de culpabilização, o abraçar da autoridade conjunta e apossar-se do mundo que querem. Foi nisso que a Nova Era mudou, e no que se tornou - na Nova Espiritualidade.

Há dez anos aterás falamos do que viria a ocorrer no vosso mundo e mencionamos o facto de se formarem diversos grupos, e fizemo-lo no sentido do autocolante no vidro traseiro, com a tendência para colarem autocolantes na traseira dos veículos para mostrarem quão espirituais são. (Riso) Dissemos que se formariam múltiplos grupos mas que se formariam nos moldes do velho grupo, do grupo da necessidade, dotado dos mesmos modos de lidar com o poder, através da tentativa da sua posse, da intimidação, e através das mesmas formas de lidarem com a responsabilidade que é negando-a, ao atribuírem a culpa aos outros e não a vós, e ao lidarem com uma mesma noção de escolha - definida pelos outros, sem espaço para a definirem por vós próprios senão continuar a fazer o que fazemos - e por uma continuidade num mesmo contexto de soluções lineares, e isso já sucedeu. Passaram a proliferar grupos e mais grupos. Encontram-nos naqueles que se reúnem para angariar contribuições para este ou aquele agrupamento: "Junta-te a isto e recebe um autocolante. Juntar-se a um velho grupo que lide com os mesmos problemas e que passe oitenta e oito por cento do tempo a culpar, doze por cento do tempo a decidir-se sobre uma acção vazia e a produzir pouca ou nenhuma alteração. E isso já sucedeu por estes anos, sem sombra de dúvida.

Falamos igualmente que o que viria a suceder seria que muitos se veriam encorajados a voltar a cair no pântano: "Regressem ao pântano, desistam." Daqueles que tentariam resolver de novo e reelaborar a velha era deste modo, daquele modo, a tentar dar-lhe um aspecto Nova Era, e que andariam por aí a dizer que é tudo igual, que Nova Era e velha era é tudo somente a mesma coisa. E que tentariam denegrir o vosso Eu Superior tentando que não passe de um vislumbre ou de um discernimento ou um flash ou a pequena voz que por vezes escutam. É isso tudo, mas é muito mais, mas aqueles que querem fazer da Nova Era um novo relato, uma regressão, uma actualização da velha era e que o tentam fazer pela desvalorização do poder da meditação como se fosse a mesma coisa que oração, e que tentam diminuir o poder de entrarem em níveis alterados como se fosse uma forma de hipnose, e que reduzam tudo quanto possam voltar a aprender como se não passasse de uma intuição que tenham, um flash psíquico, e que tentem encaixá-la, torná-la aceite pelo mundo consensual. E tem havido quem, para responder à crítica referentes à Nova Era tentem dizer que não será diferente daquilo em que acreditam. E infelizmente isso está a suceder.

Na última década têm surgido pessimistas em força que tentam vender as suas soluções tipo banha de cobra, mas o que será de notar é que nenhuma das previsões que tenham feito sucederam. Nem uma, sequer! "Bom, eles devem ter previsto uma seca..." Não. Eles previram uma seca que mataria, uma seca que aniquilaria, e que minaria o sistema económico. Das várias previsões não há uma que tenha imperado. Predisseram problemas ligados à poluição, sem dúvida, mas muito antes de o predizerem disseram que a economia atravessaria problemas, e atravessou, porque em oitenta e sete sofreram uma queda. Hurra! Só que não destruiu o sistema económico nem foi o fim da civilização ocidental, nem a derrocada do sistema bancário central nem a falência mundial, e o mercado de acções levou dois anos a recuperar mas conseguiu. Todas as previsões.

Los Angeles não caiu no oceano em Maio de 1988, conforme tinham dito que Nostradamus dissera. Nostradamus estava errado; as interpretações que fizeram das suas quadras foram erradas, mas seja como for... George Bush não foi assassinado antes da inauguração conforme muitos predisseram ao afirmarem que Dan Quaiyle viria a ser o próximo presidente. Mas a desgraça não ocorreu. Um terço de três quartos dependendo daquele a quem derem ouvidos e da população não estar morta. Por agora seria de supor que estivesse. Não há uma secção do país, costa leste, costa oeste, costa sul que esteja a salvo; os extraterrestres não vieram conduzi-los a um outro planeta, por fata de necessidade, todas as previsões, todas as predições da perdição sombrias não chegaram a realizar-se. Mas a banha da cobra ainda se vende, e à medida que forem entrando nos anos noventa provavelmente irão assistir mais a isso. Mas conforme sugerimos em 79 iriam ocorrer e ocorreram infelizmente, e quase seria engraçado excepto as pessoas que ficaram feridas; as pessoas que tiveram os relacionamentos e casamentos e as famílias desfeitas, pessoas que gastaram o seu desejo, por assim dizer, por terem acreditado; as pessoas que adoeceram e que tiveram enfartes do coração e que morreram; as pessoas que nesse sentido acreditaram no homem da banha da cobra, do pessimismo e da desgraça, que ficaram magoadas. Teria sido engraçado se não tivesse sido a tragédia que elas próprias de facto criaram para si próprias. Mas sugerimos que nunca precisou ocorrer. Nunca precisou ocorrer.

Por essa altura em particular, sugerimos igualmente, que surgiriam mais problemas sem solução – o conceito nesse sentido era novo, porque haviam alguns assim enquanto agora há muitos desses. E afirmamos que os forçaria a examinar o vosso crescimento, e fê-lo. O que então afirmamos que ocorreria ocorreu quase milagrosamente conforme era esperado. Contaram que exagerávamos mas infelizmente não exageramos. Pois bem, esta noite vamos examinar o que irá suceder. Conforme examinamos o que sucedeu então, agora esta noite queremos examinar o que sucede agora; queremos ver o que vai suceder neste década que se avizinha, à medida que 89 chega ao término e 1990 tem início, vamos dar uma olhadela no ano de 1990, o ano do despertar, em específico conforme temos vindo a fazer há mais de uma década, observar o ano que está para chegar. Só que por ora queremos analisar a década e aquilo que poderão esperar, a traços largos, da criação da realidade, e do que poderão fazer quanto a isso.

Bom, ao observarmos agora as mudanças que sugerimos, dos grupos que se incrustaram, as necessidades grupais e os locais que têm de onde se esconder e locais de retiro onde podem permitir que a criança e o adolescente neles floresça... e tem havido quem nos conte o seu passado e que nos conte que não há esperança e que não podem fazer nada com respeito a isso. Aqueles que falam da desgraça, por certo, mas também daqueles que querem que desistam e que se rendam ao inevitável, e que corramos a esconder-nos por causa das previsões à muito passadas, e que sintamos culpa e falta de merecimento por terem dado cabo do vosso planeta e têm que ser destruídos, e que única maneira de purificar é lavando a limpo tudo, oque significa que vós ides pela encosta abaixo. Aqueles que prometem que os extraterrestres os guardarão e guiarão se ao menos lhes cederem o poder e a capacidade criativa que têm. Esses afirmaram que a única resposta estaria em voltar costas à tecnologia em regressar á natureza e à maneira como costumavam viver, pensando que de algum modo voltando as costas de um futuro que parece sombrio para um passado de uma nostalgia selectiva parece mais simples, e presumindo que simplicidade signifique facilidade...

Todas essas coisas de facto chegaram a passar. Então, que é que está por vir? Qual será esta fase seguinte dos próximos vinte anos, da última metade deste período de preparação? Que será que se vai passar? Bom, em sequência do mau ao bom, que será que se poderá esperar encontrar, em antecipação? Antes de mais, a revitalização e à usurpação das necessidades grupais. Bom, há dez anos atrás falamos do conceito filosófico que evoluiu em termos da perspectiva que o género humano tem de si, que começaram, conforme sugerimos, com os filósofos como Calvino e Lutero e Emmanuel Kant que sugeriam que o Eu não era nada, era coisa sem importância; tudo o que tinha importância era Deus e viver para e entregar-se a Deus. O ser humano não tinha qualquer valor nem significado, excepto enquanto expressão ou dedicação ou servilismo e entrega a essa maravilhosa energia de Deus. A pessoa, o eu não era nada.

Obviamente que a filosofia nesse sentido contemplava o amor pelos outros como ridículo, cuidar de vós próprios era ridículo, trudo quanto importava era o amor por Deus. Mas falamos como Nietzsche surgiu num sentido de rebeldia contra Emmanuel Kant e Lutero e João Calvino, e disse: “Isso não é verdade; tudo quanto importa é o Eu, Deus está morto,” afirmou ele há cerca de um século atrás. Deus está morto! O Eu é tudo quanto importa. Mas logo surgiram os pensadores progressistas, embora muitas vezes progressivo signifique comprometedor, que com a pretensão de sufocar a ofensa afirmaram: “Amem a Deus, tenham amor por vós – ou uma ou outra coisa; as não conseguem ambas. Faça, como quiserem; façam o que lhes agradar mais. Façam como acharem mais confortável. De qualquer modo é tudo relativo.

E como é que encaravam esse Eu? Vocês emergiram de um estado carente de identidade para um estado de descoberta de que eram uma pessoa, a que infelizmente chamaram: “Penso, logo existo.” E perdidos e cegos mergulharam em grupos, enquanto lugar onde exercitar a criança e o adolescente, locais onde encontraram uma inércia institucionalizada, grupos sanitários, tabelas de grupo, grupos de mediação, inércia, ou em que institucionalizaram a projecção dos mauzões, dos pais, ou em que se identificavam a vós próprios como nobres piedosos, lugares em que se perdiam em meio ao tédio, locais de bravata e de discursos inflamados e fúria e ciúme e vingança, locais onde possam sentir autocomiseração - “pobre burro!” Locais de transferência do vosso poder, de transferência da vossa responsabilidade – as necessidades grupais. Os grupos do passado que se torna sempre presente.

Falamos há uns anos da necessidade de um tipo de grupo diferente, de um tipo a que chamamos grupo de preferência, em que não dependem desse grupo para se tornarem íntegros nem se apoiam no grupo para obterem poder nem para se tornarem importantes nem por uma questão de identidade, mas ao invés em que descobrem isso por vós próprios e levam isso para o grupo, em vez de o colherem a partir do grupo. Pois bem, aquilo a que irão assistir na próxima década é a uma revitalização das necessidades grupais. Uma revitalização e um intrometimento, irão assistir à formação de mais grupos onde encontrarão mais lugar para o adolescente e a criança terem onde podem usar da bravata e do discurso inflamado. E assistirão a grupos portadores de soluções muito infantis e respostas de adolescente; grupos que chocarão uns com os outros, a defender a sua razão para trás e para a frente. Assistirão á revitalização e ao intrometimento desse tipo de grupo, e com isso virá um receio de estarem a andar para trás, e embora a resposta seja um “não” o receio far-se-á presente. Mais gente a desabafar e a aderir a grupos para se esconderem. A sensação de privação de respeito, os sentimentos de solidão, sentimentos de alienação, para ocultar a doença e o fracasso.

Assistirão a isso na revitalização e uma invasão do fundamentalismo, a despeito de todos os escândalos que têm surgido no Evangelismo com o Jim Bakker e o Jimmi Swaggart e mais não sei quantos, a energia fundamentalista invadirá ainda mais fundo e tentará intrometer-se na política mais do que tem feito e invadirá toda a gente com as suas crenças particulares. E assistirão a isso igualmente na metafísica.

(continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu António

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