quinta-feira, 3 de outubro de 2013

VIVER NO MOMENTO

Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte 

Esta noite vamos abordar o tema: Viver no Momento.
E como tal podemos dizer que podeis brilhar com um esplendor inexplicável sem precisarem ser os mesmos de novo.

Este ano começamos por investigar - vós começastes a trabalhar, alguns de vós – com a sabedoria inerente da vossa alma, e a liberdade inata do vosso espírito, no sentido de despertar, e a seguir no sentido de amadurecer o vosso Eu verdadeiro, ao reunirem a presença da vossa alma e do vosso espírito, ao reunirem as muitas facetas ou aspectos do vosso ser actual ou presente. 

Vós atraístes, conduzistes a vós o emergir do vosso Eu verdadeiro, e a seguir, ao se tornarem conscientes, num estado de meditação e de contemplação, criastes uma ressonância que vos engoliu, uma ressonância que engolfou igualmente a vossa alma, o vosso espírito e o vosso Eu verdadeiro emergente. E com essa ressonância, por modos que não conseguiríeis definir por completo nem descrever de todo ou compreender na íntegra, com essa ressonância que vos engolfou e à vossa alma e espírito e ao vosso verdadeiro Eu, num momento que podia revelar-se eterno, o vosso Eu verdadeiro despertou de uma forma mais completa e amadureceu.

E com o despertar e amadurecimento desse vosso Eu verdadeiro, a vossa alma obteve liberdade e continuou a crescer em sabedoria. E o vosso espírito adquiriu sensatez ao continuar a crescer a liberdade inata de que goza. E vós pusestes em marcha, iniciastes e pusestes em movimento uma reacção em cadeia de uma alma e um espírito em crescimento com sabedoria e liberdade, e um Eu verdadeiro que desperta e amadurece.

Destes início a uma reacção em cadeia que até mesmo agora tem continuidade no contexto da vossa realidade. Com a continuidade do ano, muitos de vós traçaram uma nova rota, por meio da visão, destinada a viver os vossos sonhos e a sentir amor pela vossa vida. Quando alteram a forma como percebem o mundo, o mundo que percebeis muda. Não só passam a perceber a realidade de um modo diferente, mas mais importante ainda, passais a perceber realidades diferentes. Podeis perceber realidades dotadas de amor e de mágica, de prodígio e de milagre; podeis perceber um mundo novo, quando desenvolveis novos modos de perceber. E tudo tem início na visão. Talvez seja uma imagem, mas mais que isso, a visão é um estado de espírito. E ao vos visionardes a viver os vossos sonhos, e ao vos visionardes a sentir amor pela vossa vida, num momento inexplicável em relação ao qual exactamente como, onde ou quando não conseguiríeis descrever, num instante de visão dessas, criastes uma factor de atracção que conduziu a vós uma nova rota, de modo que pudestes começar a experimentar – mais do que visionar – experimentar um viver efectivo dessa visão da vivência dos vossos sonhos; da vivência da visão do amor que sentis pela vossa vida. Num instante de um estado de espírito chamado visionar, pusestes em marcha que trás a essa luminância uma nova rota. 

Mais recentemente muitos de vós trabalharam connosco em relação à possibilidade de serem uma fonte de inspiração. Uma vez mais, na presença da vossa alma e do vosso espírito, permitistes que o vosso espírito e a vossa alma exercessem, inflamassem algo em vós; permitistes que a vossa alma e o vosso espírito desencadeassem o excepcional e o triunfo em vós, algo da vossa grandeza pessoal e do mistério que vos compõe ao permitirdes que despertassem a grandiosidade e o mistério que vos caracteriza. E na presença da vossa alma e espírito permitistes que desencadeassem o vosso amor e a vossa paixão e despoletassem uma nova motivação, um novo ímpeto. E nesse instante que não conseguiríeis definir nem compreender por completo tornastes-vos numa luz, tornastes-vos numa inspiração.

Agora; cada uma destas abordagens por tema comum a iluminação. Trazer clareza, e com base nessa clareza expor, e a partir dessa exposição avivar com o espírito, adornar com a alma, a fim de permitir a revelação – a manifestação pela luz. E a partir dessa revelação, a celebração. E com tudo isso – a expansão, a expansão das fronteiras que vos limitam, expansão dos vossos limites do poder e da responsabilidade, os vossos limites da liberdade, os limites do poder da vontade e do despertar do génio em vós, as fronteiras da intimidade e da sensatez e da capacidade que tendes. As limitações da transcendência e a expansão os horizontes da possibilidade e do potencial. Expandir os horizontes da oportunidade de novos sonhos, de uma nova esperança e de uma nova luz. De um mundo novo na vossa realidade.

Cada uma destas três abordagens, desde o despertar e amadurecer de um verdadeiro Eu, dotado de liberdade e de sabedoria do espírito e da alma, respectivamente, até ao traçar de uma nova rota de vivência dos vossos sonhos e de amor pela vossa vida; desde a inspiração que podem ser, passando pelo erguer do êxito, até à descoberta do triunfo – a iluminação! Assim como meios métodos e processos destinados ao desenvolvimento de a harmonia da iluminação. E a partir dessa harmonia, desenvolver uma aliança com a iluminação.

Outro factor comum a todas as três abordagens é o facto de todas elas envolverem um instante, um momento de transcendência, um instante que não poderá ser completamente definido nem descrito, um momento que não podeis compreender na íntegra, um momento que tem existência para lá do tempo/espaço, um momento mais real que pode ser eterno. E nesse instante, sem saberem muito bem como ou porquê, nem exactamente onde, um despertar e amadurecer do verdadeiro Eu, que está ainda a ter lugar, no traçar da nova rota, e ao trazerem à vossa realidade esse potencial e possibilidade, essa oportunidade de viverem os vossos sonhos e não apenas de os sonhar; de sentirem amor pela vossa vida, e não só imaginar que o fazeis. Nesse instante, tornar-vos numa inspiração para vós e para os outros, um farol de luz, um farol de esperança no vosso mundo, numa altura como a actual, em que o mundo está tão carente de esperança e de luze, sem dúvida, de magia, seja por que nome que o designeis.

Cada uma dessas três abordagens são, não só o denominador comum da iluminação e do desenvolvimento dessa harmonia e aliança, mas também o denominador comum de um momento que pode ser transcendente, que pode ser eterno. E esta noite vindes tratar ainda de um outro meio de trazer iluminação e de desenvolvimento dessa harmonia e aliança com a iluminação. Esta noite vindes tratar do viver desse momento, desse momento transcendente que pela própria natureza não poder ser integralmente entendido, definido nem descrito, e que por definição é mais real do que qualquer instante físico tangível que pudésseis conhecer ou experimentar nesta realidade.
Vindes em busca, na perseguição do viver no momento que pode representar uma aventura gloriosa de desabrochar de milagres.

(NT: Não é lirismo da parte do autor. Envolve, entre outras, a possibilidade de uma experiência efectiva de cura e de perdão pela transcendência, como os próprios termos não chegam a poder transmitir e mais prontamente traem o sentido, por não radicarem no âmago do significado que encerra.)

OS PARADOXOS

Ora bem; cada uma destas abordagens pode prevalecer por si só ou operar em conjunto a fim de retribuírem êxito e de operarem a vosso favor. Por entre elas, viver no momento pode ser a mais vigorosa, mas além disso, o viver no momento é e mais evasiva e ilusiva, ilusória e escorregadia das coisas. Se tentardes definir ou descrever viver no momento, perdê-lo-eis. Mesmo que estivésseis no momento, não mais vos encontraríeis nele (riso) por dardes um passo atrás pela definição ou descrição da experiência. Se procurardes compreender o viver no momento, deixareis de o viver, e ele esgueirar-se-á, o que quer que tiverdes apreendido, perdê-lo-eis. Não pode ser integralmente definido nem descrito, não pode ser entendido e as tentativas disso garantem que não viveis no momento. Mesmo quando alcançais um viver no momento, se tentardes manter isso, se tentardes possuir isso, se tentardes capturá-lo, perdê-lo-eis. Se tentardes viver no momento como uma forma de evitar algo velho do vosso passado ou para realizardes ou conseguirdes alguma coisa nova com base no futuro, não serreis bem-sucedidos e isso deslizar-vos-á das mãos e perdê-lo-eis uma vez mais, por vos situardes no passado e não no momento; por estardes a estender-vos na direcção do futuro, e não no momento. Se tentardes viver continuamente no momento, jamais chegareis a isso.

O viver no momento tem existência no domínio do paradoxo, e frequentemente é relegado para o domínio das palavras intermináveis; palavras que no momento vos dizem: “Faz simplesmente isso! Torna-te simplesmente no momento!” E nesse mesmo momento, essas mesmas palavras dizem-vos: “Não pode ser conseguido. Não o podes fazer! Não te podes tornar nisso! Por isso, faz isso simplesmente, e torna-te nisso, mas não podes faze-lo nem tornar-te nisso!” (Riso) Palavras sem fim.

Não muito diferente da unidade, algo de que falamos faz muito tempo, e que ocasionalmente ouvis dizer que alguém terá conseguido – alguém que ninguém parece conhecer, que sempre tenha experimentado isso – não se trata de lenda nenhuma urbana, nem de um primo de um conhecido meu que certa vez travou conhecimento… não! Mas a figura de um alguém mítico. Façam o que não pode ser feito, e em relação ao que nada há a fazer! Tornem-se no que não podeis tornar-vos, e em relação ao que nada há a conseguir ou a realizar. Essa façanha impossível que é de tal modo completa, sublime e absolutamente fácil… palavras e mais palavras que no momento enunciam uma acção e enunciam que não pode ser empreendida, por existir no domínio do paradoxo. O momento não significa o passado; o momento não quer dizer o futuro. Isso torna-se óbvio. Mas “no momento” não quer dizer AGORA tampouco. O situar-se Aqui e Agora, que já se tornou popular há décadas, para muitos de vós, e que remonta a alguns de vós. (Riso)

O livro mais recente e popular, intitulado “O poder do Agora” que tanto faz sentido como deixa de fazer, não significa situar-se no momento; não quer dizer estar aqui e agora, nem é o passado nem o futuro e em muito aspectos podia ser dito que situar-se no momento antecede o passado e sucede ao futuro e que se situa algures por entre o agora. Mas até mesmo isso está incorrecto. Essa não é a vossa natureza, entendem? Satisfeitos e contentes, sim, mas estabelecidos no momento… não. Viver no momento pode ser a coisa mais poderosa, e no entanto é a coisa mais elusiva e escorregadia e difícil de apreender e de agarrar; contudo é a mais poderosa, esse é um facto assombroso para vós, de modo que vamos lá a isso.

Viver no momento constitui um ideal. Podeis jamais chegar a consegui-lo. Podeis jamais chegar a situar-vos nesse momento, e mesmo que vos situeis nele, podeis jamais chegar a vivê-lo; e mesmo que vos situeis nele, ele não irá perdurar. (Riso) Por o viver no momento se situar no momento. É um ideal que perseguis e buscais sabendo que podeis nunca encontrar e chegar lá, mas que com o processo de buscar, a vossa vida se pode tornar numa aventura gloriosa.

(NT: Vale a pena ter em mente que o processo é o que conta, e não o resultado; os meios, a forma como agimos para chegar a determinado fim, e não o fim em si mesmo, que é uma mera projecção da ânsia, são o que conta. Valeria a pena recorrer à analogia da corrida para a meta que representa uma tal vivência com o objectivo da conquista, do fim, do ideal, quando no final se constata que a melhor parte terá sido vivida e que o resultado não encerra qualquer vigor próprio, pelo que terá representado mero reflexo, um emblema de todo o percurso realizado e, entretanto, não vivido na sua plenitude.)

E ao perseguirdes o viver no momento, podereis descobrir a clareza da iluminação a exposição, o ânimo, o embelezamento, podeis descobrir a revelação e a celebração, e expandir o poder, a responsabilidade e a liberdade que tendes. Podereis expandir o despertar do génio em vós, podereis expandir a vossa vontade e a vossa força de vontade. Expandir a intimidade e a sabedoria. Passar da transmutação e da transformação da realidade para a transcendência, ao buscarem a persecução do viver no momento. Podeis nunca lá chegar; podeis jamais vir a descobrir isso, mas ao buscardes e perseguirdes isso, tanta iluminação e clareza e celebração, e podeis desenvolver essa harmonia, não só com a luz mas com a iluminação dessa luz; desenvolver essa aliança e a vida esplêndida e gloriosa da aventura, que abunda de milagres.

AS PRELIMINARES

Vamos começar por falar da forma como descobris o momento; depois faremos um intervalo e quando voltarmos trabalharemos com os segredos do viver no momento… Como haveis de descobrir o momento? Que técnica utilizareis na persecução do viver no momento? Se tentardes defini-las ou descrevê-las, perdê-lo-eis; se procurardes repetir uma abordagem passo-a-passo, ele voltará a deslizar-vos por entre as mãos. Então, como haveis de descobrir o momento? Bom, vamos indicar-vos passos – mas eles não irão resultar! (Riso) Mas poderão criar a possibilidade, poderão criar o potencial, e com essa possibilidade e potencial a oportunidade – que poderá muito bem jamais vir a realizar-se – mas a oportunidade não obstante… Como haveis de descobrir o momento?

O primeiro passo consta da luz e da clarificação; rotulamos isso dessa maneira, mas o que queremos dizer é que começa por ter o desejo de iluminação, e seja o que for que busqueis – um emprego, uma coisa ligada à saúde, uma alteração da realidade, mudança – por mais mundana ou expansiva que possa ser – a vossa realidade, a realidade daqueles por quem vos interessais, a realidade do vosso mundo, algo que desejeis mudar – buscar a clarificação desse desejo, buscar a clareza desse desejo, pela busca de um poder maior, de uma maior responsabilidade e de uma maior liberdade. Não estais simplesmente à procura de um maior poder com esse emprego ou alteração na vossa realidade. Isso que desejareis não envolverá apenas tornar-vos mais poderosos, ou passar a possuir o que querem, ou obterem o que querem ao contrário do que alguém mais queira. Tem que ver com a descoberta, pela vossa parte, de um poder maior, e com esse poder, uma maior responsabilidade. Isso que buscais, que desejais, que quereis, de que realmente estais em busca, é de um poder maior e de uma responsabilidade cada vez maior e de uma maior liberdade. Serem mais poderosos de forma a serem mais livres. Terem uma maior responsabilidade de modo a usufruírem de uma maior liberdade, e serem mais livres do que tenham sido.

Um sentido dessa clareza, levar essa luz ao que for que desejeis. Ser suficientemente conscientes, trabalhar com a busca do esclarecimento, a busca de uma maior reflexo da vossa vontade; uma maior expressão do génio em vós. Desejam isso de modo a poderem ser mais poderosos, responsáveis e livres, e desejais essa liberdade para poderdes expressar o vosso génio, para poderdes expressar a vossa vontade, ou despertar o génio em vós para fortalecer o poder da vossa vontade. Essa é a razão por que desejareis isso, por entre todas as razões que parecerão muito lógicas e práticas. Estais igualmente em busca de ser mais poderosos e responsáveis e livres, gozar de uma maior liberdade para poderem contribuir para o sentido da vontade, o génio, uma maior intimidade, uma maior proximidade, uma maior ternura, vulnerabilidade; contribuir para a vossa intimidade e sabedoria. Para expandirem os horizontes da perspectiva mais alargada, sem perderem de vista a actual. Para verem mais nitidamente para onde se encaminham, assim como onde estivemos e estamos. Para poderdes dar um passo atrás, ao perceberem a perspectiva mais ampla, e verem os horizontes alargados e chegarem mais perto, para chegarem a ser mais ternos, mais vulneráveis e confinarem mais, ao quererem a proximidade e a distância em simultâneo, se quisermos. A proximidade da intimidade e a distância, inerente à perspectiva da sabedoria.

Em tudo isso que empreendeis com o propósito da transcendência – de transcenderem, ser alçados ou alçarem-se dos padrões e das emoções do passado. Não dos acontecimentos; esses constituem uma ilusão. Dos padrões das emoções. Serem alçados do passado, ou serem alçados de futuros possíveis que responderiam pela criação de encontro ao contexto desse passado. Porventura de situações ou de circunstâncias oriundas desse passado, ou de um potencial futuro, que criaria um presente de outro modo, e poderem permanecer no agora, de modo que a partir da plataforma do agora, possam ser alçados para fora do agora, rumo a uma sítio qualquer intermédio, a um momento. Tem início no desejo ao qual conduzis esclarecimento; na clareza e na exposição a que conduzis a vivacidade do espírito e o embelezamento da alma; a que conduzis a revelação e a celebração. É onde isso tem início. Na luz e iluminação do desejo que tendes.

Uma vez isso se ache no lugar, como um alicerce, como um acesso, ou portal que vos indique a direcção, o passo seguinte, o segundo passo consiste em criarem um domínio, criar uma bolha, uma cúpula, uma ressonância, um pensamento e uma emoção emocional e mental, um domínio emocional e mental; uma cúpula, uma bolha de energia, uma ressonância. Ora bem; esse domínio, composto de emoção, pensamento/sentimento, a partir do que acabamos por chamar de nível superior, entre os níveis da emoção.

OS DIFERENTES NÍVEIS DA EMOÇÃO

Mencionamos os níveis da emoção quando falamos sobre a capacidade visionária, e quando falamos de ser uma inspiração. Existem três níveis de emoção – o do fundo, composto pelas negativas, as emoções restritivas, que compreendem o medo (a ansiedade e a angústia), a mágoa (com a correspondente sensação de traição, abandono, rejeição e humilhação), o ciúme e a inveja, a culpa, fúria, violência e ódio, a solidão (falta de valor e sensação de vazio); e na base desse fundo, o desespero, que se torna impotência, desamparo (com a falta de sentido e o vazio que o acompanha); as mais obscuras e mais restritivas.

Depois existe o nível intermédio, composto pelas emoções transitórias que tanto podem elevar como conduzir abaixo, aprisionar. As emoções transitórias situadas no meio, aquelas que se podem tornar mais entorpecentes, em que a maioria das pessoas permanece mais, por assim dizer, temerosas da intensidade da obscuridade que as compõem e receosas da intensidade da luz, e por onde geralmente vagueiam, algures lá pelo meio das que expandem e elevam e das restritivas, depressivas, descendentes e de fixação. Essa gama intermédia, composta por tédio e impaciência, ou por frustração e confusão, preocupação e dúvida, e a mais densa, a lástima, contudo mais restritiva, a tristeza ou a culpa – emoções muito diferentes, mas uma frequência vibratória semelhante ou ressonância; ou o pessimismo, ou no fundo desta rodada, a raiva.

A maioria das pessoas, entendem, se perguntarem, poderá dizer, quando muito: “Ah, bom, ele está enraivecido.” Bom, talvez esteja a sentir-se um tanto pessimista, ou triste ou culpado, ou esteja mesmo a lastimar. Ou estará preocupado, ou na dúvida, ou frustrado e confuso, ou tão só entediado ou impaciente. Ao longo desse nível, desde o fundo desse nível, raiva, até ao seu topo, impaciente, entediado, é onde a maioria das pessoas se permanece.

Existe o nível de cima, edificante e positivo, leves; no seu círculo mais baixo, o sentido de bem-estar, de contentamento e de satisfação. Uma ressonância um pouco mais acima, o optimismo; uma bela e vigorosa e assombrosa emoção, sem dúvida. Mas ainda acima dessa, a sensação de excitação, o entusiasmo (entusiasmo ou ânsia, dependendo do grau com que for sentido), sentir-se emocionado e entusiasmado, a transbordar de entusiasmado, intoxicado com o divino – a rota do arrebatamento. E para além dessas, a emoção intermédia e a mais densa das emoções mais positivas, o fulcro nessa quarta posição, vem a esperança e a confiança. Mas uma frequência de vibrações ainda mais acima, rarefeita, a paixão e a compaixão – emoções muito distintas, mas que apresentam uma enorme semelhança na vibração. De elevação são ainda a felicidade e a admiração, e a frequência mais elevada, a ressonância mais elevada – o amor, com a alegria que comporta, autoridade, liberdade, e a sua individualidade. 

Essas emoções de nível de mais elevado, edificantes expansivas muitas vezes assustam as pessoas no quadro consensual, geralmente tanto quanto as do fundo – de facto mais ainda do que as do nível do fundo. As pessoas estão mais prontas a dizer que se sentem amedrontadas e magoadas, até mesmo invejosas e enciumadas, e culpar, certamente – muitos não estão dispostos a deixar de culpar – muito mais prontas do que para expressar o amor autêntico, a felicidade e a paixão, a esperança e confiança. E é por isso que a maioria permanece nessa gama intermédia.

Muito bem. O segundo passo consiste em criar um domínio, mas se se sentirem sós ou em desespero, se se sentirem em meio a uma vingança ou fúria, repletos de culpa, não ireis criar um domínio que vos possa conduzir ao viver no momento. Mesmo em situações de mágoa (dor emocional e não física) ou de ciúme ou de inveja ou de medo, precisais ir além, precisais erguer-vos. Mas até mesmo no nível intermédio, é muito melhor, e comporta muito mais oportunidades, por comportar emoções de transição; mas mesmo assim, nos estados de raiva ou de tédio e de impaciência, não ireis criar a ressonância que vos permita ou fornaça a oportunidade desse momento – viver no momento. 

De modo que precisais elevar as emoções que sentis. Tende a certeza na ideia que tendes daquilo que quereis. Suscitai a luz, e com essa luz, a iluminação. E ao fazer isso, em que posição vos colocareis? Lançai a luz onde vos situardes. Se vos encontrardes nesse nível baixo ou intermédio, erguei-as. Conforme sugerimos quando mencionamos o facto de visionar e de vos tornardes numa inspiração, não tenham medo da posição que ocuparem, mas ergam essas emoções. Agora, o segredo com respeito a isso consiste em ergue-las passo-a-passo, e não mais do que dois passos de cada vez; querendo com isso dizer que, se vos encontrardes num estado de desespero, elevai-o para o de solidão. Não tentem elevá-lo para o do amor. “Encontro-me num estado de desespero; vou passar a sentir amor,” não podeis dar um salto efectivo desses, a sério. Podeis traduzir isso por palavras, mas faze-lo, não o podeis de verdade, nem tornar nisso. Precisais passar do estado de desespero em que vos encontrais, pelo menos para o de se sentirem sós. A solidão é horrível – mas é melhor do que o desespero!

MODERAÇÃO E EQUILÍBRIO

Mas quando muito saltai dois passos: “Estou a sentir-me em tal desespero; quero passar a sentir culpa.” Isso são três passos. Senti vontade de vingança; permiti-vos ficar furiosos. “Sinto-me invadido por um sentimento de desespero; deixa-me elevar este sentimento para fúria. Agora estou repleto de sentimento de fúria, e de vontade de me vingar.” É muito melhor. Representa um movimento, e não uma estagnação no sentimento. Mas é uma situação em que se detêm por um momento a sentir essa fúria e esse ódio, esse desejo de vingança e de castigar alguém. Depois movei-vos, quer para a culpa, ou percorrei o caminho todo rumo até o ciúme e a inveja, por ser o que mais provavelmente sentireis com base nessa vingança. O que a vingança quer realmente dizer é que vos sentis enciumados e invejosos. Eles têm algo que desejais. Então, a partir daí, não se demorem muito tempo, saltai de novo, pelo melhor que conseguirem, para o medo; se precisarem sentir mágoa, tudo bem, mas saltai, movei-vos. E do medo, pelo menos para a raiva, ou talvez até ao pessimismo. Mas isto não precisa durar muito tempo, entendem? Não precisam despender dias seguidos nisso. Mas movei a coisa.

OS DIFERENTES ELEMENTOS

“Isto que eu quero, a que aponto a luz e ilumino, percebo que na verdade o que sinto é estar verdadeiramente assustado, e isso deixa-me irritado; e agora sinto-me culpado, ou muito triste, mas posso sempre ir além da lástima, ou talvez não, tudo bem, eu consigo passar por casa do meu amigo… só em nome dos velhos tempos, e tomar um copo de vinho.” Pena, não é? (Riso) “Mas rapidamente avançarei daí, talvez para a frustração, para a confusão, até me sentir entediado. Mas posso elevar esse aborrecimento, essa impaciência que teve início no medo que senti; agora posso elevá-lo a um estado de, pelo menos, bem-estar.”

 “Este é o meu segundo passo, na persecução do viver no momento. Nem sequer cheguei perto disso, mas na perseguição que lhe movo, à luz daquilo que quero, descubro o quanto me preocupo e elevo-me a esse nível superior. Assim que lá estiver, e tiver um sentimento de bem-estar, então posso sentir-me optimista e obter um sentido de excitação. Estou a aproximar-me; está a ficar excitante, sinto o entusiasmo e um sentido de esperança e de confiança, paixão, ou por ventura compaixão mesmo, feliz, maravilhado. Está a mexer com a minha alma e com o meu espírito; está a deixar alguma coisa dentro de mim agitada, e consigo sentir amor.”

“De modo que cheguei a isto; estou em busca de viver no momento. Lanço uma luz sobre o que quero e ilumino-o, motivado por esse desejo de deter o poder e a responsabilidade e a liberdade, até à transcendência, para ser elevado ou para me alçar do passado, ou do futuro, do agora. E para conseguir isso agora crio este domínio. Começo a permitir-me ter um sentimento de bem-estar, e a ter pensamentos relacionados com estar bem; começo a sentir o sucesso que tenho e a minha felicidade, sentir com o que é que me sinto contente, satisfeito, na vida. E deixo que essa bolha cresça até se tornar optimismo e a vibração. Não, porventura uma vibração excessiva mas agregar um formigueiro.” 

“Ah, que a esperança e a confiança sobrevêm agora; a paixão e mesmo a compaixão, e então sinto-me feliz. E agora sinto amor, alegria, liberdade; sinto aquela autoridade, e a individualidade, a singularidade, aquilo que me distingue. Criei o domínio, aquela bolha, a ressonância composta de pensamento e de sentimento – que é onde as emoções se encontram, nos pensamentos e sentimentos. Não podemos ter uma coisa sem a outra. E eu criei este domínio…”

O terceiro passo - o mistério. Número um - a luz e a iluminação. Número dois - o domínio. Três - o mistério. “Eu infundo esta bolha com mistério.” E a forma específica como fazeis isso é abrindo-vos para com a presença da vossa alma. Bom; a vossa alma acha-se presente quando sentis determinadas emoções. Pode achar-se presente em meio a um certo número de emoções, mas acha-se sempre presente quando sentis a beleza da tristeza que se acha no sofrimento. Sempre que vos sentis realmente arrependidos, não a lastimarem-se nem a vitimarem-se, esse sentimento comporta uma tristeza, e é uma tristeza que contém beleza – não toda ela, mas comporta. Quando olhais o mundo e sentis a dor do sofrimento, algo acontece dentro de vós, que vos leva a sentir uma tristeza, e essa tristeza contém algo de belo. E é essa energia particular que constitui a beleza da tristeza inerente à dor – não a dor que acarreta, nem a mágoa, nem a frustração que move, mas a beleza da tristeza. Não a tristeza nem a culpabilidade inerentes à dor, mas a beleza da tristeza. 

Se sentirem, isso, a vossa alma achar-se-á presente. Quando sentis ternura, em relação a vós ou a outros, a uma situação, nesse momento, em meio a todo o frenesi que estiver a decorrer, sentis ternura – devido a que a vossa alma se ache presente. E se vos permitirdes sentir ternura, a vossa alma far-se-á presente. Se vos permitirdes sentir paixão… a paixão desperta com a alma. Sentis paixão e a vossa alma desperta. Quando vos sentis corajosos, quando vos inundais com um sentimento que diz: “Não vou viver uma vida que não dê expressão àquilo que sou, que não dê expressão à força que tenho, quando vos dispondes a actuar, ainda que não disponham de todas as respostas, ainda que parte das respostas que tiverdes estejam erradas, e estiverdes na disposição de correr o risco de estar errados na persecução do certo – quando sentis uma coragem dessas – a vossa alma acha-se presente!

Quando vos sentis confiantes, e sabem estar à altura dos desafios, não por serem perfeitos, nem que tudo venha a ser exactamente como vós… mas tendes consciência de estar à altura, e de que sois capazes de tratar disso. Quando a confiança que tendes é talhada com a humildade e há coragem e esperança, e vos sentis confiantes, a vossa alma acha-se presente. Quando vos sentis alegres – a alegria é uma emoção masculina, é sim; a vossa alma constitui uma energia feminina, é verdade, mas a alma comporta uma totalidade que tanto expressa o masculino como o feminino, sem género propriamente. Quando vos sentis alegres, a vossa alma acha-se presente. 

Portanto, empreender este terceiro passo de infundir mistério nesse domínio, nessa cúpula, equivale a suscitar a presença da vossa alma. Começai por sentir aquela beleza inerente à tristeza, ou à ternura, à paixão, a coragem, à confiança, à gentileza, à alegria. Qualquer delas servirá, e uma combinação delas certamente que servirá. Infundi-las com o mistério ao permitirdes a presença da vossa alma, mas igualmente a presença do vosso espírito. E conforme mencionamos quando falamos de vos tornardes numa inspiração, a presença do vosso espírito, sucede do mesmo modo quando sentis poder, quando vos sentis poderosos e fortes; quando vos sentis livres, quando vos sentis bem e verdadeiros, quando tendes uma sensação de bondade de verdade. Quando vos sentis apreciados (com valor), amados e em alinhamento com Deus, com a Deusa, com o Todo, alinhados pelo divino, alinhados em vós próprios. Sim, quando vos sentis ampliados, talvez sem saberem por que razão, mas sentis isso – a vossa alma acha-se presente. Quando vos sentis suficientes, o vosso espírito acha-se presente. E assim, com essa luz iluminada, elevais as emoções que sentis ao criar a cúpula, o domínio, e infundis isso com a presença da alma e a presença do espírito, sentis seja que combinação for de sentimentos que vos atrairão a vossa alma e o vosso espírito.

Infundis mais um componente, que infundis ao permitirdes uma outra mística. Permitindo o que chamamos de estranho misterioso – um arquétipo. Talvez se trate de um arquétipo com que trabalhais regularmente, talvez não seja. Mas permitis a presença – o sentimento da existência de alguma coisa mais, de algo para além, neste lugar. “É misterioso, não sei. Mesmo que se trate de um arquétipo familiar, não sei qual seja. Não me vou pôr com suposições, mas aprovar essa energia. Isso infunde e contribui para esse domínio – o mistério. Em tudo quanto acompanha o mistério. A presença da vossa alma, a presença do vosso espírito, e a outra presença misteriosa. Sentindo estas ou aquelas emoções, e depois sentindo haver alguma coisa mais, alguma coisa para além, alguma coisa misteriosa. E esse é o terceiro passo: infundir o domínio – o mistério.

Agora chegamos ao quarto passo, o passo da maior determinação. O passo a que chamamos expansão. E neste passo, expandis agora a bolha. Primeiro expandis o domínio e a seguir expandis-vos a vós próprios. Bom; a forma como sugerimos que o façam, é permitindo-vos, nesse domínio que agora criastes, nesse domínio que comporta a presença da vossa alma e espírito e a presença de um estranho misterioso; recorrei agora à coragem; sintam muito em particular a coragem e recorram ao sentido de valor. À coragem da vossa alma e ao valor do vosso espírito. Permiti que vos deem essa coragem: “Tenho agora a coragem da minha alma em mim a operar, a funcionar. Tenho agora o valor, o meu espírito, a minha luz, a substância da minha coragem, a luz do meu valor. E tenho, da parte do arquétipo, algo mais, algo além, algo que não pode ser definido, e com isso percebo o domínio a crescer, sinto o mistério a crescer. Expandis o domínio (sopra num gesto enfático de reforço), expandis o mistério, repleto de coragem e de valor e repleto de alguma coisa mais. Recorrem à beleza. Sentem alegria. E ainda assim sentem-se completamente em paz. Exultantes, mas ainda assim, completamente serenos.

 Imponentes, mas ainda assim maravilhados. Inspirados e ainda assim encantados.
“Sinto a beleza; conto com a coragem da minha alma; com o valor do meu espírito; conto com a beleza e o êxtase. Tudo repleto de alegria, aceitação total e completamente em paz. E repleto de assombro, e aceitando-me por completo. Cheio de amor, e a amar por completo,” a preencher esse momento esse fulgor. A presença de Deus, da Deusa, do Todo.

E neste quarto passo da expansão que introduzem o divino, que introduzem a presença de Deus, da Deusa, do Todo. Sabem aquilo que buscam, que abre as portas, já o iluminaram, e isso dá-lhes orientação. Cria, essa bolsa, essa cúpula, essa ressonância e acrescentam-lhe mistério, alma, espírito – isso está presente nessa cúpula convosco. A seguir expandem-no com base na coragem, com base no valor, com base na beleza e no êxtase. Notam a presença de Deus que lhes expande o domínio e o mistério que contém, e depois expandem-se a si mesmos, e tornam-se num gigante. Poderão sentir que se tornam num gigante, assim como poderão sentir tudo aquilo que não são a cair fora. Talvez não cheguem a imaginar o corpo maior mas ainda assim sentem que todos os disfarces e esconderijos a abrir fendas e a expandir-se e a tornar-se metaforicamente no gigante que são. Nesse quarto passo expandem-se e a seguir preenchem o espaço.

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