sábado, 12 de outubro de 2013

METAMORFOSE





Transcrito e traduzido por A. Duarte


Metamorfose; é disso que estais próximo, é isso que está a começar, o emergir de um tipo novo de ser humano. Não só a transmutação, a mudança da forma, de uma estrutura noutra, não apenas a mudança do que era pela sua reconfiguração, embora a transmutação faça parte disso.


É porventura o começo disso, mas envolve tanto mais do que a simples transformação em que pegais na forma e passa-la para uma outra forma feita da matéria da velha forma. A transmutação e a transmutação são absolutamente essenciais, e é certo que, no mundo, muitos nem sabem ao certo como conseguir transformar esta realidade naquela, transmutar um sentimento num outro ou um pensamento num outro, um padrão noutro, ou como o transformar.


Muitos de vós aqui, conquanto novos no trabalho que fazem connosco ou sejam novos para a vossa metafísica e a vossa espiritualidade, ainda que os termos sejam completamente novos para vós, se olharem de uma forma honesta para a vossa vida, sempre estiveram envolvidos na metafísica e na vossa espiritualidade. Talvez tenhais associado os termos há semanas ou meses, ao que tendes vindo a fazer, talvez tenham voltado agora a vossa atenção consciente, o foco da vossa atenção para esse empreendimento, para essa busca, mas se olharem em retrospectiva para esse passado perceberão que têm estado envolvidos. Outros de vós têm estado a prestar atenção e mais focados há mais tempo, e traçaram todo um percurso de experiência com base numa longa jornada percorrida, mas todos têm estado envolvidos e estão a aprender a transmutar e a transformar.


Mas depois há esta coisa chamada transcendência, que é diferente de cada um desses processos de transmutação e de transformação; não envolve o simples atravessar da ponte, mas passar para um nível completamente novo. Transcender, ascender, subir. Sim, ascensão, ascender, transformar, transcender para um nível completamente novo.


Ao passo que a transmutação e a transformação consta do trabalho com o material de que dispõem a fim de criarem algo de novo, a transcendência consta do trabalho com o material que ainda nem sequer têm, para criarem algo novo. Quando a transmutação e a transformação provêm do passado, da velha forma, a transcendência emerge da nova forma. E a metamorfose, a absorção de tudo quanto existia… razão porque na noite passada odiaram o vosso passado; por não o irdes transmutar nem transformar. Usá-lo? 

Sim. Aprender com base nele? Sim. Colher dele? Absolutamente. Mas ainda o irão conseguir – em vez de por intermédio de um padrão de dependência, agora existe uma parte de vós, numa forma diferente da que sempre foi, uma parte de vós. Ainda recorrem aos dons e aos tesouros, ainda dependem dos poderes, ainda estabelecem a vossa realidade contra esse pano de fundo que é o passado, para obterem uma perspectiva do que é, com consciência de ser contra esse pano de fundo – não causação, por isso não causar o que está patente – que a estabeleceis.


Sim, o passado ainda fará parte do vosso vocabulário, mas entendam, transmutar e transformar é o que fazeis com o que era. E para poderem transcender, e para permitirem que uma metamorfose tenha início, precisam “consumir” o que era.


Utilizamos a analogia da lagarta, que se arrasta de forma linear e que possui uma dimensão limitada; decerto que possui comprimento e largura, mas pouca profundidade (riso), ao se mover linearmente, no seu devido tempo, até determinado ponto em que a lagarta cria um casulo em torno de si; não sabe porquê, nem sabe como, mas cria um casulo ao seu redor, e nesse casulo, no topo do seu sistema nervoso, liberta, segrega, uma hormona, (silêncio) uma hormona regenerativa. Uma hormona que não transmuta a lagarta, nem a transforma, mas que a consome. Tudo quanto nela existia, tudo quanto era, e com a segregação dessa hormona – que se não chegar a ocorrer o que estiver dentro do casulo apodrecerá e dissolver-se-á, dissipando-se – se essa hormona for libertada no topo do sistema nervoso da lagarta, que é muito simples se comparado com o vosso, mas que ainda assim constitui um sistema nervoso dotado de uma coroa, um topo, do qual emerge a pequenina quantidade da hormona que vai produzir a regeneração – a morte, antes de mais – e a assimilação de tudo quanto era enquanto lagarta, criando o que é chamado de pupa, ou crisálida.


Dentro do casulo, e invisível, por não o poderem ver e se o abrirem ela morre, a pupa, um estado de não nutrição, imóvel, e de suspensão da actividade, como uma coisa amorfa, como um títere – pupa, títere; o termo títere tem origem no termo amorfo – num estado em que não se alimenta, de suspensão, em que consome tudo quanto era. Então algo acontece de mágico, que não obstante seja do conhecimento dos vossos cientistas ainda é mágico, e a Imago, (o insecto adulto) a etapa seguinte, a adulta é, não só uma lagarta crescida e maior, dotada de uma casa maior, e de um carro novo (riso), esposa, filhos, férias no Yosemite; não apenas uma lagarta maior, mas uma Imago (fase adulta) uma imagem nova e diferente de adulto; não uma lagarta dotada de asas, mas uma borboleta, que então passa a irromper do casulo.


O próprio casulo detém a imagem das asas, e não a lagarta. Irrompe e deixa que com o tempo as asas sequem, e subitamente é capaz de voar – toda uma dimensão nova, toda uma perspectiva diferente, uma metamorfose, uma profunda mudança na forma, mas não uma transmutação nem uma transformação – uma transcendência para toda uma nova forma. O sistema nervoso não é o sistema nervoso da lagarta, mas o de uma borboleta. As células não são células de uma lagarta, mas são as células de uma borboleta – são diferentes.


No ser humano, no topo do vosso sistema nervoso, situa-se uma pequena glândula chamada hipotálamo (dotada dos seus tálamos) – o cérebro do cérebro como chegou a ser chamado por ser quem governa todas as mensagens transmitidas ao cérebro, que são filtradas ou afuniladas pelo hipotálamo. Tálamos, interessante termo proveniente do grego que significa “câmara nupcial”, um local onde um casamento é consomado. O hipotálamo, no topo do vosso sistema nervoso, tem a capacidade de segregar uma pequena hormona. Trata-se exactamente da mesma hormona gente!


Hormonas são hormonas. Desde a forma de vida mais simples à mais complexa, as hormonas são hormonas; podem não ter o mesmo número, a mesma quantidade, mas as que têm, numa única célula de um protozoário ou forma de vida. E aquilo que se encontra em vós, se se achar presente, será o mesmo, dentro do vosso hipotálamo existe a capacidade, a possibilidade de segregarem uma hormona que regenere, uma hormona que irá dissipar e consumir tudo quanto existia, e que pode produzir a metamorfose de um novo tipo de ser humano. À medida que cresceis, linearmente, avançando ao longo da vossa realidade, levando o vosso tempo, em toda e qualquer das vossas vidas encasulam-se no vosso passado, e nesse processo de serem feridos, e de penderem para a vossa alma Sombra, a vossa Sombra pode encasulá-los, e a marca de um novo tipo de ser humano não se encontra em vós, mas na vossa Sombra. Encasulados, e permitindo que essa hormona seja segregada para consumir toda a parte de vós que tiver existido – razão porque se torna importante extrair os dons, os tesouros, as pistas, o poder, de modo que esses não sejam consumidos junto convosco, para as tornar na crisálida e emergir mais uma vez a Imago, uma nova imagem, não em função daquilo que era, mas do que virá a ser – uma Imago, um mapa – que fará emergir um novo tipo de ser humano.


Toco o microcosmo se acha lá; cada uma das vidas, cada pedaço do holograma comporta informação pertinente ao todo. Em cada uma das vossas vidas humanas, desde a mais primitiva, até à vossa mais sofisticada mas arcana, até à vossa sofisticada mas antiga, todas as vidas – em todos os seres humanos, sem discriminação – aqueles que consideram ser inferiores e os que se consideram os superiores, ambos têm, a oportunidade – todos são feridos e atirados na Sombra, todos têm a possibilidade de ser encasulados nessa Sombra; muitos não o fazem, muitos pontapeiam e berram, e muitos recusam e passam a vida toda a tentar fugir da Sombra (da sua personalidade) sem jamais se deterem o suficiente para permitir que ela os envolva e passam a vida toda a negarem que têm qualquer maldade, qualquer traço de mesquinhez, de severidade, aspectos desagradáveis, qualquer cegueira, e tentam negar, sempre lívidos (independentemente da raça a que pertençam) e que consequentemente jamais chegam a construir o casulo. E que, com a negação da sua espiritualidade, com a violação e o desbaste da espiritualidade, com a negação do feminino no verdadeiro masculino, com a negação de tanto, uma sociedade que vos incentiva a jamais se deixarem deter para serem encasulados: “Jamais permaneçam suficientemente quietos para serem encasulados. Se tiverem que afundar em alguma coisa afundem na autocomiseração; se tiverem que afundar em alguma coisa, afundem no martírio, na manipulação, no controlo, mas nunca na vossa Sombra.”


Até mesmo aqueles que pronunciam o termo, e os que se acham nas várias profissões ligadas à saúde – não todos, mas alguns - vos encorajam a parar por lá, mas rapidamente, sem se demorarem muito na Sombra. Será por a permanência lá significar sombrio, melancólico? Não, mas é o que parece. Parece ficar deprimido.


Embora muita gente não crie esse casulo entram na Sombra - é-lhes dada a oportunidade - mas muita gente jamais chega a erguer o casulo, e muitos que o conseguem, jamais saem dele, por jamais chegarem a segregar a hormona, e passam o resto das suas vidas a viver nesse casulo, pensando que a vida se resuma a isso: “A vida é uma cadela e depois morremos; a vida acha-se repleta de tristeza e de tragédia, sabem? Fiquem a saber disso! Aceitai isso! Compensai-o! Contornai isso!”


Ficam no interior do casulo sem nunca chegarem a emergir. E por vezes o casulo fende-se e elas retornam à condição de lagarta, de criança, de adolescente; outras vezes o casulo rompe-se e ficam à espera de morrer. Alguns tornam-se sensatos, mas jamais chegam a levantar voo por completo. Outros morrem no casulo, infelizes, entristecidos, amargurados; vocês vêem-nos por aí pelo vosso mundo e afirmais jamais querer chegar a isso. Porque não? Claro que chegareis. Na vossa idade, eles eram aquilo que vós sois: Presos num casulo e sem jamais tentarem impedir-se de se aventurarem no casulo.


Mas vós haveis de sair dele – lá pelos vossos cinquenta e tantos – mas se a hormona não tiver sido segregada, ainda podereis tornar-vos sensatos, por favor entendam que não estão todos destinados a isso. Em cada vida, o padrão acha-se presente, entendem? Mas jamais está a ser levado a cabo conforme agora está. Por jamais terem tido a influência de Sírio, da Deusa, tão profunda e poderosa conforme tendes agora. Sempre se encontrou ao dispor, ela jamais foi para parte nenhuma, mas agora ao regressar – não para a vingança mas com o amor, que pode agora despoletar. O padrão tem estado presente, entendem? Repetidas vezes, só para o caso, só para o caso, só para o caso… Só que agora é diferente, e tudo é diferente.

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