domingo, 13 de outubro de 2013

IMPULSOS E VIOLÊNCIA




Traduzido por A. Duarte



(O grupo entrou numa violenta discussão acerca dos impulsos, e sobre o que fazer quando temos impulsos contraditórios. “Que havemos de fazer quando temos o impulso de assumir duas acções diferentes ao mesmo tempo?” perguntou uma de nós por entre um gemido. “E se eu sentir o impulso de fugir com o marido da minha vizinha? E se sentir o impulso de pegar fogo à tua casa?”



“Bom, poderias simplesmente tentar fugir com o marido da tua vizinha por uma noite,” sugeriu a Jane de forma bem-humorada, Entende contudo que se gera a ideia, para cúmulo do impulso, de que o sexo, por exemplo, é de tal modo destrutivo que precisamos esmagar todo pequeno impulso que sintamos, até que acabe por alcançar as dimensões mais vastas de uma coisa que originalmente não significava.”


“Então, de que forma distinguiremos os impulsos que provenham realmente do nosso ser interior? Perguntou o Richie.


“Bom, o Seth disse que nós esquecemos a natureza real dos impulsos que temos, por não conseguirmos mais diferenciar,” respondeu o Rudy. Mas antes de podermos continuar, os óculos da Jane já tinham sido arremessados para a mesa.)


Seth: “O que eu gigo é que todos os vossos impulsos provêm do ser interior. O que estou a dizer é que, a espeito da experiência que têm com os impulsos na vossa cultura, a despeito da sua natureza contraditória que lhes atribuís, as vossas vidas estão imbuídas de uma característica impulsiva. O que eu digo é que a a espontaneidade conhece a sua própria ordem e que os vossos impulsos, quando permitis tal coisa, podem operar de forma ideal e espontânea não só a vosso favor, como a favor de todo o mundo.


“Quando temem os impulsos, temem-nos por pensarem ser criaturas basicamente assassinas, e que provêm dos animais, em que pensam como bestas. Parece-lhes que a vossa natureza bestial se venha a trair a si mesma com os impulsos que sentem. Mas os impulsos que sentem procedem daquele impulso natural para SER. E os vossos impulsos naturais, por si só, são os da cooperação e os da alegria.


“Quando conseguiremos distinguir esse factor do por si só?” Perguntou o Kurt)
 

Quando por séculos deixaram de confiar em vós próprios, quando começastes a ensinar aos vossos filhos que os impulsos estão errados, e que a espontaneidade é coisa má, então começais muito cedo a interpretar mal e a desconfiar dos impulsos que tendes…

Se te sentires zangado com a tua nova esposa (dirigindo-se ao Kurt, que recentemente se tinha casado com a Charlene) e quiseres dizer: “Cala-te, cabra,” e o não contiveres mas pensares que isso seja errado, e que não farás tal coisa, então acabarás com uma situação em que sentirás um impulso de a magoar ou ela a ti. Se perceberes que os impulsos que tens têm a intenção de te te transmitir alguma coisa, então usarás a mente consciente para distinguir quais os cursos da acção que quererás tomar. Lembra-te daquilo que disse acerca das probabilidades. Quando travas os impulsos que te acometem, reduzes as vias de acção provável, e sempre que o fazes, reduzes a criatividade.”

Conversations with Seth, book 2

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