domingo, 20 de outubro de 2013

EXPRESSÃO E IMAGEM – RETRACTOS DA ALMA





Tradução: Amadeu Duarte


“Seth: Tenho uma pequena observação a fazer. É importante que protejam a integridade do vosso ser- Se pensarem – se acreditarem – ser alguma coisa que possa ser objecto de ameaça. É claro que não pode ser ameaçada, é importante que percebam a vossa alegria, e, se precisarem pensar em termos de protecção e parecer que preciseis protegê-la, então protegei a vossa alegria, protegei a vossa liberdade, protegei a vossa vitalidade, protegei a vossa exuberância.


“Que mais faltará, mesmo nos vossos termos, proteger? Tereis medo que as vossas tristezas e mágoas se dissipem ou se tornem prazeres quando estais tão habituados a elas? Tereis medo de descobrir que os vossos corpos são um bem?


“Pensais nas vestimentas como pensais nas responsabilidades. Pensais que a vulnerabilidade seja coisa errada. A vossa liberdade reside na vulnerabilidade de que usarem para com a vida, a sensação, a experiência, a canção, e o ser. O Ser é feito de vulnerabilidade. Ele reage. Ele vive. Não conseguem negar os sentimentos sem negar pedaços da vossa alma. As atitudes que tomais para com os vossos corpos são semelhantes às atitudes que tomais em relação à responsabilidade. Pensai na relação que apresentam…


“A nudez. Pensai nela de uma forma diferente. Pensai nela como livrar-se jovialmente dessas fortificações que carregais que não reconheceis…


“No mais vernacular dos termos, sois uma gente maravilhosa. Não existe nada acerca do vosso ser que devais temer ou de que devais sentir-vos embaraçados. Os vossos nesta terra servem como representações da vossa alma. Na carne, representais Tudo Quanto Existe já que Ele vive através da vossa individualidade, e por conseguinte, sois sagrados, joviais e bons. Quando perceberem que nada há a esconder, sereis livres de esconder qualquer coisa que queirais, a partir do vosso próprio desejo e intenção, mas não por serdes forçados a tal pelos temores que sentis de vos apresentardes com clareza perante vós ou os outros…


“A alma na carne exibe a sua individualidade através da sua estrutura óssea, através da expressão que assume nos olhos, as pontas das orelhas, das mais pequenas articulações do dedo mindinho do pé, a curva do cotovelo, da vagina e do pénis, do cabelo e das unhas das mãos, e de todas as porções da vossa imagem física. A liberdade, espontaneidade e alegria da alma expressam-se por meio do movimento e da vida e do ser e da vitalidade da carne em movimento. Idealmente, as roupas deveriam seguir tal expressão. E fazem-no: Elas acompanham na perfeição o movimento do corpo, não obstante utilizarem roupas para impedir as funções do corpo. A forma como usais as roupas também revelam a função, a atitude, a natureza individual do corpo. Porém, a individualidade não vem das roupas. Por si só, uma muda de roupas não significa nada, independentemente do quão elegantes pareçam. Vós revelais as ideias que tendes de vós próprios, vós expressais a vossa alma por intermédio da vossa carne, através do vosso ser.


“Mas não podeis separar a vossa alma da vossa imagem, por essa imagem ser concebida pela vossa alma. E as atitudes da vossa alma expressam-se por intermédio do vosso corpo. Nesses termos, pois…  o vosso corpo constitui a vestimenta que a vossa alma enverga nesta terra, nos vossos termos. As atitudes da alma!


“Podeis observar as imagens de animais – velhos, esquálidos, gordos, feridos, belos, feios. Podeis contemplá-las e maravilhar-vos, caso as vejam nos retractos ou na televisão, e pensar: “Quanta singularidade!” E perceber a integridade e a exclusividade que os animais exibem. No entanto contemplais as vossas próprias imagens corporais às cegas, e se não parecerem estar de acordo com um ideal qualquer que tenhais definido para vós próprios, aí recusais-lhes e negais-lhes o que de bom grado dais a um animal.


“Vós não admitis a vossa própria beleza – nenhum de vós. Se virem um animal ferido, podeis ainda desfrutar da sua beleza, ou observá-lo no seu ambiente. Não julgais um graveto pela direcção em que cresce – quer para cima ou para baixo, ou direito ou retorcido. Podeis meditar sobre um ramo, e ainda assim olhais para os vossos próprios corpos e não admitis a sua validade. E quando não admitis a validade que tem, estais a rebaixar o vosso ser interior no mais vernacular dos termos. Não estais a perceber a vossa própria beleza. Uma vez mais, o nosso amigo aqui serve de bom exemplo disso (para um aluno). Torna-se-vos óbvio, excepto para ele, que ele não percebe a própria beleza que tem. Mas o mesmo é verdadeiro em relação a cada um de vós. Não percebeis a beleza das vossas próprias imagens. Não apreciais o miraculoso movimento do vosso corpo, nem a forma como o vosso corpo se move.


“Insistis que se parece com o corpo de qualquer outra pessoa. Se tiverem quarenta, quereis que o corpo assuma uma aparência de vinte; se forem gordos, quereis que ele tenha uma aparência magra; se forem magros, quereis que seja gordo. Quereis um corpo que não seja individualista, um corpo que não sejais vós. Mas o vosso corpo sois vós e fala do vosso ser e do de mais ninguém. Ficarias casado de um rosto meigo (para um aluno) e de um corpo perfeito que não falasse do teu próprio ser. Ou mesmo tu – que farias tu com um rosto brando? (O estudante perguntou: “Brando ou loiro?”) Brando!...


“Agora, tudo quanto quero que façam… é romper com as associações criadas entre a diversão e a responsabilidade. As palavras, na vossa sociedade, adquirem um enorme sentido. Representam símbolos de outras coisas. 


“Quando a responsabilidade significa fazer o que não quereis fazer por pensarem dever faze-lo, então a responsabilidade não soa divertida. Tampouco o é a verdadeira responsabilidade, por não estarem a responder como um ser individual vivo, mas estarem, ao contrário, a obedecer cegamente.


“Não estais a dar quando pensais estar a faze-lo por deverem ser responsáveis, quando o não desejais ser.


“Quero que examinem as ideias e as crenças que têm das palavras envolvidas. Torna-se importante que compreendam aquilo que querem dizer. Não ajudam ninguém quando o ajudam, mas não o quereis fazer, nos vossos termos. O sorriso mais frívolo, lançado com sinceridade, com base numa sensação de alegria e de diversão, significará que estais a responder a alguém – e esse alguém sentirá essa resposta. Podeis relacionar-vos com essa pessoa e essa pessoa poderá relacionar-se convosco.


“Todavia, quando dizeis: “Eu amo-te, por pensar ter a responsabilidade de o dizer, e quando não sentis a emoção por detrás dessas palavras, então sois mentirosos, e a outra pessoa sabê-lo-á. Não estais a responder a essa pessoa. De facto estais a negar-lhe a vossa resposta individual, e pode muito bem acontecer que isso, somente - a vossa resposta privada - fosse aquilo que ela queria, e não as vossas mentiras. Esse é simplesmente um pequeno exemplo.


“Se disserem: “Eu odeio-te,” mas sentirem o que dizem, estareis a dar à outra pessoa uma resposta honesta – ela conhecerá a vossa posição. Aceitai-la nesse momento conforme entendeis o momento. Isso facultar-lhe-á uma posição, e ela poderá responder: “Porquê?” ou “Eu odeio-te,” ou seja o que for. Mas disporá de uma resposta honesta, e de uma resposta individualista.


“Se disserem: “Eu amo-te,” quando o outro sabe nesse instante que não amais, nesse caso estareis a negar à pessoa a honestidade do vosso ser e a sinceridade da posição que assumis. Ela saberá que não a compreendeis nesse instante, que não o quereis fazer, e que de facto preferis a desonestidade. Isso não é, até mesmo nesses termos, uma acção responsável. Não faculta à outra pessoa a menor resposta. Se tiver consciência de que nesse momento a odiais, e a olhardes nos olhos a sorrir e disserdes: “Amo-te,” isso deixá-la-á sem chão debaixo dos pés, assim como a vós próprios.


“Isso deve-se unicamente ao facto de não confiarem nos vossos sentimentos e nas vossas emoções. Não compreendeis, por exemplo, nem mesmo nos termos que estou a empregar, que o ódio vos pode conduzir ao amor, que o ódio quer dizer: “Eu amo-te mas estás a falhar comigo,” e como tal constitui uma resposta e um sentimento honesto.


“Um aluno: Esse círculo de responsabilidade e de ajuda terão alguma coisa que ver com a razão por que a Elizabeth morreu? (A Elizabeth, que tinha morrido bem recentemente, tinha assistido a uma sessão em 74)


“Tem sim.


“Aluno: De que forma?


“Da seguinte forma. Ela temia, no âmbito da existência que levava, a integridade do seu próprio ser. Ela sentiu que o que ela era, era errado. À sua própria maneira, ela era uma perfeccionista, mas não conseguia ser aquilo que está errado. Mas tampouco conseguia ela perceber uma saída para as crenças da profissão.


“Ela foi aclamada por ideias que percebia basicamente conduzi-la mais apenas para o turbilhão. Por isso sentiu que sob tais condições era mais fácil partir e começar de novo. E ela está a sair-se bem!


“Agora devolvo-vos a vós próprios. Se, ainda que por uma vez, tiverdes compreendido emocionalmente o que eu estava a dizer, e sentistes a realidade por detrás das palavras, não o terei que voltar a repetir.


“Estais a ver aqui o nosso homem fortaleza (Um outro aluno) que veio até aqui por uma razão - muito pessoal – mas igualmente reflectir, por intermédio das atitudes que assume, muitas das vossas. Vistes como ele insistiu em recordar as observações desagradáveis, e não obstante a nossa tentativa de lhe recordar a beleza inerente ao seu ser, ele recordou que em determinada altura alguém lhe tinha chamado estúpido. Mas todos vós fazeis a mesma coisa à vossa própria maneira, e chamais a vós próprios nomes que não aceitaríeis caso outros vos chamassem o mesmo…

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