sábado, 28 de setembro de 2013

CRITÉRIO





Tradução de Amadeu Duarte



Examina a literatura que lês, os programas de televisão a que assistes, e diz a ti própria para ignorar aquelas indicações próprias da fraqueza corporal. Diz a ti própria para ignorar os programas ou a literatura que se pronunciam em tom de autoridade em relação aos “instintos assassinos” da espécie. Faz um esforço por libertar o teu intelecto de tais crenças embaraçosas. Dá uma oportunidade às evidentes potencialidades que tens, sem as exagerares nem subestimares.



Não sentirá a necessidade, digamos, de justificar a tua existência por meio do exagero de um dom particular, nem pela criação de um talento ou desempenho artístico particular como um rígido ideal quando, na verdade, podes ver-te como agradavelmente dotada, mas não suficientemente dotada da capacidade que te renda o louvor que podes pensar querer receber.



Por outro lado, há muitos altamente talentosas que continuamente depreciam as capacidades de que gozam e temem dar um pequeno passo rumo à sua expressão. Se aceitares o acerto que a tua vida contém no universo, então os ideais que tiveres serão os que se revelarem de acordo com as da tua natureza. Essas obterão uma franca expressão, de modo que só contribuirão para a realização do teu sentido de valor assim como para o desenvolvimento da sociedade.



Os impulsos que sentes constituem a comunicação imediata com o teu ser interior, por no estado desperto representarem as exortações espontâneas rumo à acção, que se erguem do profundo conhecimento interior de ti própria que tens nos sonhos. Tu nasceste por teres sentido um impulso no sentido nesse sentido. Não foi nenhum Hamelin cósmico que entoando notas mágicas incitou o universo a existir.


O estímulo procedeu do interior, e esse estímulo repete-se em certa medida com todo o impulso rumo à acção, quer da parte do homem, ou da molécula. Se não confiares na natureza dos impulsos que tens, então não confiarás na natureza da tua vida, na natureza do universo, nem na natureza do teu próprio ser.



Qualquer animal sabe agir que não pela desconfiança na sua natureza e na sua própria vida, assim como toda a criança. A natureza existe em função da virtude da esperança. O esquilo reúne nozes na esperança de vir a ter as provisões necessárias, e de que a primavera se seguirá ao inverno. Os vossos impulsos acham-se imersos na qualidade chamada fé, por os incitarem à acção na esperança de existir uma hora para a acção. As crenças que tens precisam interagir com os impulsos que recebes, todavia, e muitas vezes podem corroer aquela espontaneidade natural benéfica que os impulsos podem facultar.


Quando me refiro a impulsos, muitos de vós pensarão automaticamente em impulsos que parecerão contraditórios ou perigosos senão mesmo maus, mas isso deve-se ao facto de estarem tão convencidos na falta da indignidade básica que caracteriza o vosso ser. Tendes todo o direito de questionar os impulsos que sentis, e de os escolher, e de lhes aceder; mas precisais ter consciência deles, reconhecer-lhe a existência, por vos conduzirem à vossa verdadeira natureza.


Por causa das crenças que carregam, isso poderá revelar-se penoso para alguns. Por muitos dos impulsos que têm agora serem o resultado de pressão causada por aqueles normais que foram perfeitamente não identificados no passado. Mas os teus impulsos reflectem o impulso básico da tua vida. Mesmo que pareçam contraditórios numa dada altura, no geral serão encarados como formando padrões construtivos que conduzem à acção e apontam claramente para o teu próprio caminho de desenvolvimento e realização.



Os atributos naturais revelam-se de forma evidente, por exemplo, na tenra infância, quando vos é concebida uma maior liberdade para fazerem o que quiserem. Alguns, em criança, adoram trabalhar com imagens, outros com objectos. Alguns revelam uma enorme capacidade para lidar com os seus contemporâneos, ao passo que outros têm uma inclinação natural para a solidão e as meditações de carácter privado. Olha para a impulsividade comportamental que tinhas em catraia, e para aquelas actividades que mais te agradavam.



Se fazias desenhos, isso não queria dizer que virias obrigatoriamente a tornar-te numa artista. Só tu conhecerás o vigor de tais impulsos – mas se forem intensos e se revelarem consistentes, então segue-os. Se acabares por pintar simplesmente a título de um passatempo, ele enriquecer-te-á a vida e a compreensão. Se os impulsos que sentires te conduzirem no sentido do relacionamento com os demais, então não deixes de receios de demérito se intrometam no teu caminho. É muito importante que dês uma expressão activa ao idealismo que abraças, na medida do possível, por isso de aumentar o sentido de valor e de poder…



Seth, Capítulo 10, The Individual and the Nature of Mass Events

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