quarta-feira, 11 de setembro de 2013

CRISE DE CONFIANÇA



Muito bem, é um prazer estar esta noite aqui convosco a falar sobre o desenvolvimento da Confiança Pessoal. E queremos começar esta conversa falando sobre a Crise de Confiança ou, a razão para que Roma não caiu, que se deveu ao facto de eles comerem as uvas deitados. (Riso)


Existe uma Base Espiritual para toda a Motivação, desde o nível subatómico até aos Níveis da Consciência que transcendem em muito aquilo que é humano. A Motivação Espiritual é o impulso da satisfação e da diversão. Sentir prazer na descoberta de quem sois, com a descoberta daquele que podeis ser, na descoberta daquele em que podereis tornar-vos, em tornar-vos mais do que aquilo que sois. Essa é a base da motivação procedente desde o nível subatómico – das pequenas partículas que a seu modo se combinam de modo a criarem as partículas atómicas na progressão ascensional evolutiva da consciência nos reinos mineral, das plantas, animal e humano, tanto quanto podeis apurá-lo, e depois mesmo para além.


(Do tradutor: Note-se que os termos aqui empregues de “prazer”, que traduzo em vez de “diversão”, conforme consta no original, pretendem aludir a um sentido lato que o hedonismo estabelecido na antiguidade deixava antever, no quadro do sentido filosófico que o enunciava como o bem supremo da vida humana, e não no sentido pejorativo e decadente em que foi conotado no Iluminismo.)


A razão da existência, a razão do crescimento, a razão para fazerem as coisas que estão feitas em todos esses diversos níveis, incluindo a actividade do vosso dia-a-dia, poderá ser sintetizada por essa motivação. Possuís uma motivação espiritual, e essa motivação espiritual é a de sentirdes prazer em vos tornardes mais do que aquilo que sois.


Agora; essa motivação com base na satisfação e no prazer decompõe-se basicamente em quatro componentes. E listamos especificamente esses quatro componentes inerentes ao significado da satisfação e ao tornar-vos mais do que aquilo que sois, por encaixarem perfeitamente todos em todo este conceito da confiança.


O primeiro componente motivador consta de ter Domínio na Natureza. Podemos conceber isso como o desenvolvimento da Consciência Humana, distinta da do Reino Animal, Vegetal e Mineral. O Domínio na Natureza é parte daquilo que quer dizer sentir prazer e tornar-se mais do que aquilo que sois.


O segundo componente motivador é a Criação Consciente do vosso Mundo Material. Tendes um mundo material, obviamente, e ele cerca-vos a toda a hora, e vós criai-lo, quer saibais disso ou não conscientemente. A forma de desenvolverdes e de manifestardes esse objectivo espiritual consta claramente do facto de terdes Consciência dessa Criação.

O terceiro componente de motivação consiste na Completa Felicidade, abonar-vos e criardes para vós próprios uma realidade em que possais ser completamente felizes. Não só em que sejais completamente felizes de uma forma isolada mas em que toda a gente seja Completamente Feliz. Mover-vos na direcção dessa felicidade destinada a toda a gente.


O quarto componente da motivação que compõe esta estrutura particular ou objectivo que buscais, pode muito bem ser encarado como a Liberdade de Ser. Liberdade de Serdes o que quer e quem quer que sejais.


Esses quatro componentes básicos compreendem o objectivo espiritual conforme designamos para o propósito em curso.


No vosso mundo moderno, que definiríamos em termos que incluem tudo isso; desde a Atlântida digamos, desde o desenvolvimento dos Egípcios no Oeste e dos Chineses ou Orientais a Leste, nos vossos tempos modernos, sempre estiveram presentes esses alvos do Domínio, da Criação, da Felicidade e do Ser à medida da escolha, de que as pessoas têm andado atrás. Talvez expressados por palavras diferentes, mas tudo quanto se sintetiza bem nesses quatro componentes da motivação na busca do Objectivo Espiritual.


Não foi senão na Idade das Trevas e na Idade Média, que se passou a acreditar que a Meta Espiritual estava apenas reservada aos poucos, aos eleitos; o desenvolvimento do que até então tinha sido designado por Ensinamentos Secretos, e Escolas de Mistério, os Iniciados, os Iluminados, etc. As Ordens Secretas e coisas desse tipo.


Mesmo ao longo do desenvolvimento da tradição religiosa Judeo-Cristã, isso esteve ao dispor apenas dos eleitos, o desenvolvimento dessas ordens e dessas sociedades secretas e irmandades, sacerdotes e anciãos, e vários outros rótulos desse tipo. Em alturas anteriores, no tempo da Atlântida, existiu de forma similar toda uma área de desenvolvimento em que se acreditava que tal alcance se destinada aos poucos, para os eleitos. Se trabalhásseis arduamente e fizésseis um bom trabalho, talvez numa vida futura qualquer pudésseis nascer entre os eleitos.


Contudo, algo se deu, quando saístes da idade das Trevas ou da Idade Média; desta vez não foi na Renascença. A Revolução Industrial conseguiu uma série de proezas, obviamente, mas para evitar tornar este debate numa lição de história, não iremos entrar em grande detalhe, sobre o significado que a revolução industrial tem para vós, mas vamos em vez disso sugerir que a revolução industrial pegou nessa ideia do objectivo espiritual que se encontrava limitado, e tornou-a acessível a qualquer um. Mas embora muita gente pense na Revolução Industrial como tendo sido quando inventaram máquinas e quando desenvolveram linhas de montagem e a indústria e as chaminés fumegantes e a poluição das fábricas Inglesas, também trouxe a possibilidade de toda a gente dispor desses quatro componentes desse objectivo espiritual.


A Revolução Industrial veio trazer essa Meta Espiritual a todos. Ou alterou-a um pouco, obviamente. Transformou-a no Domínio sobre a Natureza em vez de Domínio na Natureza. Transformou-a numa riqueza material abundante em vez da criação consciente da realidade material. Transformou-a no maior bem para o maior número de pessoas em vez da felicidade total. Transformou-a na liberdade para terdes o que quer que quisésseis, em vez da liberdade de serdes quem quer que fordes. No entanto, a linha estava presente, os componentes estavam presentes.


E o que começou por ser a Meta Espiritual tornou-se na Grande Promessa, ou na vossa sociedade, O Sonho Americano. A revolução Industrial, apesar de ter começado em Inglaterra, deu lugar ao surgimento do Sonho Americano, o qual se tornou basicamente no Sonho do Mundo Ocidental. Que na verdade podiam controlar e dominar a natureza e possuir toda uma abundância material que queríeis, e que podiam pelo menos ter o maior volume de felicidade permitido para a maioria, e que podiam ter tudo quanto quisessem. E tudo isso destinar-se-ia a toda a gente e não mais para os poucos.


E esse Sonho Americano, que resultou da revolução industrial, tornou-se na fonte da confiança. Com o desenvolvimento da Tecnologia, tornastes-vos Omnipotentes, ou pelo menos assim pensastes. Com o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia tornastes-vos omniscientes voltastes-vos no rumo certo para vos tornardes Deuses, e de serdes capazes de criar uma Realidade Nova e de facto o objectivo dessa Promessa Grandiosa passava pela criação da vossa própria realidade.


A base da esfera dos negócios americana na sua versão mais capitalista consiste no facto de criardes a vossa própria realidade. É a mesma que a meta espiritual. Mudada, sem dúvida. Alterada, obviamente; mas a motivação, a força impulsionadora que tinha começado como a Meta Espiritual acabou um pouco deformada e um pouco distorcida, mas mesmo assim, vigora por todo esse Sonho Americano, por toda essa base em que assenta o mundo ocidental – quer seja no hemisfério ocidental ou não.


A ideia era a de que com a Produção Ilimitada surgiria o Consumo Ilimitado, e nisso reside a falácia. É onde isso sempre acaba por cair. A Produção Ilimitada não garante por si só um Consumo Ilimitado. A Promessa Grandiosa falhou. O Sonho Americano falhou. Agora, vocês ainda não têm consciência disso, totalmente, embora alguns de vós o saibam. A vossa sociedade no seu todo, ainda não tem consciência disso. Mas alguns sabem. O que esse sonho Americano, essa promessa grandiosa diz é: “Vamos utilizar o mundo natural como tijolo de construção, com base no que criaremos este novo mundo, esta nova realidade. O problema está em que tal sonho, tal Esquema Grandioso dependia do facto do mundo natural permanecer lá. E por não mais se encontrar (na mesma), falhou. Ao passo que a Meta Espiritual, na sua versão mais pura, não depende de coisa nenhuma. Nada precisa permanecer lá. Excepto o desejo, a Expectativa, e o Conhecimento. Foi-vos dito que os vossos Recursos Naturais estão a esgotar-se. Mas o Sonho Grandioso baseia-se na presunção de que sempre continuarão a existir. Mas não vão existir.


Ao passo que o objectivo espiritual na sua forma pura não está apoiado nem depende de coisa nenhuma para a sua existência. Senão vejam, com a energia mecânica e depois a energia nuclear que veio substituir a energia humana e animal, e com os computadores que vieram substituir a mente humana, acreditava-se, e ainda é mantido desesperadamente por muitos, poder haver uma produção ilimitada e assim um consumo ilimitado. Tudo baseado na presunção falsa de que o mundo natural continuaria a estar presente, a fornecer a abundância necessária para erguer todo esse mundo novo.


Mas o que nós sugerimos é que esse sonho falhou, como a economia dos últimos anos está a tentar mostrar-vos. Muitos de quantos vivem em áreas ricas do ocidente não têm consciência de que o sonho já fracassou, não sabem que a promessa era falsa. Mas aqueles que vivem noutras partes do mundo ocidental constatam isso a toda a hora, com taxas de desemprego da ordem dos 25%, com gente com a vida arruinada por terem perdido o emprego, o único emprego que tinham, ou por as horas extraordinárias de que viviam terem sido cortadas, situações que deram lugar à perda das casas e de tudo quanto tinham e em que precisaram passar a fazer, conforme a companhia aérea Braniff Airlines fez em relação aos seus trabalhadores, um leilão enorme para vender as posses que tinham, apenas para continuarem a existir, sobreviver. E na verdade, noutras partes do país sabem muito bem que a confiança se rompeu. Talvez não a vossa, especificamente, mas a confiança sofreu um golpe geral. A promessa de que se fossem bons e frequentassem a escola, ou arranjassem um bom emprego, e obtivessem formação, tornar-se-iam ricos e felizes, e que seriam felizes e poderiam exercer domínio sobre a natureza, não funcionou.


E a percepção disso e o rompimento dessa promessa provocam uma quebra na confiança. E o problema não está na crise económica. Não existe nada de errado com os negócios do ocidente, mas com a confiança, que quando sofre uma quebra, o que gera destruição.

Foi por isso que dissemos que Roma não caiu, por eles comerem as uvas deitados. Ela caiu devida à promessa que tinham feito, de controlar o mundo, do domínio do mundo, e de uma abundância total, de completa felicidade para o maior número e da sua liberdade, do Império Romano, para serem o que quisessem ser, com uma produção completa e ilimitada e recursos que garantiriam um consumo total. Rompeu-se e falhou e foi por essa razão que o Império se desmoronou. E o que tende a substituir isso é a decadência, sem dúvida. Mas a verdadeira crise assentou na crise de confiança que ocorreu. Não resultou à época nem está a resultar agora.


A ascensão do Terceiro Reich, com que alguns de vós porventura estarão um pouco mais familiarizados. Não foi por existirem cabarés e decadência e por as pessoas permanecerem sentadas a cantar enquanto o mundo era destruído. Foi por a confiança se ter rompido. Foi por a confiança que a República de Weimar transmitiu, e que o mundo tinha na República anterior ao Hitler, com as suas promessas de que as pessoas teriam um domínio sobre o mundo natural, e uma abundância total, uma felicidade completa, e o maior dos bens para a maioria, e de que seriam livres se viram comprometidas. E por causa dessa falta de confiança, e talvez por conseguinte a decadência.

Essa crise de confiança, essa crise de confiança, é o que produz a destruição. Na sociedade actual foram feitos estudos, entre os estudantes e outros, e muito mais do que trinta por cento não antecipou poder viver para além dos trinta. A confiança foi quebrada. A promessa de que a maioria de vós prosperariam é insignificante para eles. A confiança foi quebrada.


A vossa economia está a mostrar-nos, com tudo de terrível que está a acontecer, a inflação e as taxas de juro e as taxas hipotecárias e as execuções de arresto. Tudo quanto de terrível está a suceder representa a motivação por detrás do surto do que é agora a ameaça do holocausto nuclear. É quando surge: "Vamos construir abrigos nucleares e armazenar ovos e produtos derivados de soja. Vamo-nos preparar para o holocausto que vai destruir tudo. E possivelmente disso surja uma nova promessa ". Isso é tudo manifestação da quebra de confiança, e não manifestação de uma tecnologia superior. Naturalmente que numa base puramente política social e económica existem aqueles factores físicos que estão envolvidos, mas nós não estamos a falar dessa realidade. Estamos a falar da realidade mais significativa e real, da vossa realidade espiritual, e é a quebra de confiança que nesse nível agora se revela por este surto do que nos anos sessenta era burguês construir (abrigos radioactivos). E preparar-se para o ataque nuclear; a agora limitada guerra nuclear. O que então era suposto significar um holocausto completo, seria agora um holocausto limitado, e isso é um produto dessa quebra de confiança.


Na realidade microcósmica da vossa realidade, do vosso mundo, do vosso planeta Terra, a confiança foi representada por essa promessa grandiosa, por esse Sonho Americano. A um nível muito pessoal, o microcosmo representa a autoconfiança. E quando a confiança mais vasta ou a Grande Confiança sofre uma quebra, então a autoconfiança fica em perigo. As pessoas estão a perder a autoconfiança que tinham, e não se trata de uma situação menor, por ser essa quebra de confiança que destrói. E toda a civilização que foi destruída - quer conteis as três civilizações da Atlântida ou não – o ponto de ruptura que esteve na quebra de confiança. Ah, por certo, mesmo por alturas da Atlântida, deram-se maremotos, terramotos e coisas do género. Mas não foi exactamente isso que as destruiu. 

Isso foi a consequência, a manifestação física, e não ao contrário do que se dá na vossa realidade, com a conversa da explosão nuclear e coisas do género, enquanto a manifestação física de uma mais realista quebra emocional de confiança. A produtividade total não conduziu ao consumo total. Isso não funcionou, e quando sofreu uma quebra, então passaram a ocorrer as manifestações físicas, e desse modo o desaparecimento. E se olhardes cada civilização do tipo de civilização que tenha sofrido uma ascensão e uma queda, através desses historiadores, vereis que foi exactamente isso que ocorreu. Até mesmo nessa medida, a Segunda Grande Guerra, com a queda do Terceiro Reich.

Não estamos a dizer que tenha sido triste, mas o que sofreu um rompimento não foi a batalha pela protuberância da Normandia. Nem se deveu ao brilhantismo do Eisenhower. 

Espero que os republicanos me desculpem mas não se deveu ao brilhantismo dele nem ao do Montgomery. Foi a quebra da confiança no sonho que Adolf Hitler tinha proposto. O sonho do quê? Domínio total do mundo, da natureza. Uma abundância completa. A felicidade para a raça Ariana. Liberdade total para a raça Ariana. A Promessa Grandiosa; termos diferentes, a mesma coisa; o Sonho Americano apresentado em particular, o objectivo espiritual. Não foi tanto por causa das pessoas se revelarem tão decadentes, entendem, mas por a confiança que tinham ter sofrido uma quebra e ter sido substituída por uma nova promessa, que as pessoas aceitaram e seguiram. Não é que os Alemães sejam, por natureza, insensíveis.


E essa nova confiança também sofreu uma quebra, razão porque os aliados saíram vitoriosos. Que teria ocorrido caso essa confiança não tivesse sofrido tal quebra? Alguém teria sofrido tal quebra de confiança, e esses teriam sido os perdedores. A quebra de confiança conduz à destruição. Não é só: “Oh, que pena. Temos que fazer alguma coisa a respeito.” Conduz à destruição.


Aqueles de vós que querem fazer alguma coisa, que querem marcar a diferença, que querem exercer impacto no mundo, uma coisa que podíeis fazer era ter confiança, e espalhar essa confiança. Mas não precisais ganhar o Prémio Nobel, nem obter uma ovação por parte de uma plateia em pé, nem ver as pessoas a ficar admiradas à vossa passagem, de modo que talvez não tenhais que fazer tal coisa para fazer com que o mundo funcione, etc., por não ser tanto a notoriedade nem a fama. Que fareis para que o “mundo funcione”? “Eu tenho confiança em mim próprio e deixo que essa confiança se espalhe.”

“Ah, grande coisa!” (Riso) “Isso não te dá o direito de ires jantar a nenhum lado. Isso não faz de ti parte da família.”


É verdade, mas faz mais, em relação a exercer impacto no mundo, num mundo onde a confiança sofreu uma quebra, e onde os potenciais de destruição se apresentam como suficientemente reais. Agora, não estamos a dizer que seja o que vai ocorrer, não estamos a dizer que vá ocorrer um holocausto – antes pelo contrário! – não estamos a sugerir que construam um abrigo nuclear e se ponham à espera da próxima Promessa Grandiosa, do próximo Sonho Grandioso; estamos na verdade a sugerir que vós criais a vossa própria realidade, e que se quiserdes que uma bomba nuclear aconteça na vossa realidade, ireis fazer por isso. O que não quer dizer que isso realmente ocorra. Tampouco estamos a sugerir qualquer actividade ligada à Perdição, certamente que não. Estamos unicamente a apontar o fenómeno que ocorre, e explicar em certo sentido, a razão por que o estado do vosso mundo está como está. 

E conforme dissemos em inúmeras ocasiões, entendem, o vosso mundo moderno, em particular o mundo ocidental, é uma réplica microcósmica, do que ocorreu nas três civilizações da Atlântida. E a maioria de vós, senão mesmo todos vós, estiveram envolvidos em certas das vidas na Atlântida e determinaram voltar a estar vivos agora, em idades que variam os vinte e os sessenta, mas regressar agora à vida, de modo a serem capazes de fazer alguma coisa a respeito, e a evitarem que o que ocorreu na Atlântida volte a acontecer de novo. E conforme já referimos, já tivestes êxito. Não vos ides estruir a vós próprios conforme o fizestes na Atlântida, independentemente do que os vossos profetas do Juízo dizem. Não, porque nisso estais individualmente a criar a vossa realidade, e embora no vosso todo tenhais decidido não destruir o mundo, nem deixar que se afunde à semelhança da Atlântida, isso não significa que qualquer um de vós não o decida implementar na sua realidade. Assim, é importante para a vossa realidade global e para a vossa realidade individual.


A confiança não é uma coisa que se explique em termos: “Ah, pois, devia ter um pouco disso.” A confiança é de uma importância crucial e na verdade representa um aspecto vital do vosso crescimento espiritual. Por isso, quando falamos em desenvolver a autoconfiança, estamos a considerar um aspecto crucial e muito importante, não só do vosso crescimento, não só o de ser agradável acrescentar um pouco disso junto com um pouco de auto-estima e de dignidade e de amor-próprio, mas como um ingrediente crucial em relação à vossa realidade global assim como em relação à vossa realidade de indivíduos. Podemos considerar de uma certa forma o que se quer dizer com a promessa da Revolução Industrial – promessa essa que sofreu uma quebra, por ser falsa e falhou, razão por que se dane a Revolução Industrial, não? Não. Não estamos a dizer que a esfera dos negócios seja má nem que a indústria esteja errada, e que por terdes cometido um erro deveis voltar atrás para as quintas e voltar a bombear a vossa própria água do solo, etc. 

Não estamos a firmar nada disso. De facto, em inúmeras ocasiões referimos que essas mesmas pessoas que criticam todas as conveniências que os computadores trouxeram desde a Revolução Industrial, estão a fazê-lo com base no tempo que essa revolução industrial lhes facultou. E nesse sentido nada temos a apontar à esfera dos negócios, nem temos nada contra as conveniências, nem contra as coisas modernas. Não estamos a dizer isso; dissemos que esperavam que essa revolução industrial… esperaram que a vossa sociedade e a vossa realidade fizessem mais por vós do que podia, em vez de conscientizarem: “Eu quero esse objectivo espiritual, que penso estar reservado apenas aos poucos. Mas vou torna-lo disponível para mim.” Em vez de fazerem isso, desviastes-vos por intermédio dessa promessa: “Ah-ah! Isto vai-me dar o que quero, ou quase, pelo que vou esquecer esse objectivo original, esquecer aquilo em busca de que ando.”


Está quase relacionado com a situação da droga. Percebereis – antes de vos submeterdes a uma experiência de drogas – (muitos de vós percebem) que existe mais, que a realidade significa algo mais, que o Eu quer significa algo mais, que sabeis existir mas que não conseguis provar, ao conseguirdes apenas deixar-vos enredar pelas palavras que eventualmente deixam de fazer sentido até mesmo para vós, mas sabem que existe. Mas então consumis um pouco, e pelos céus se não o provais a vós próprios! Vêem esse factor extra e passam a obter uma comprovação da existência de mais. Mas o desafio e a realidade então torna-se alcançar isso sem a ajuda das drogas. Usar essa droga, no caso de alguns de vós, para obter um vislumbre, uma compreensão: “Sim, existe!” E depois, sem ela, voltar a criar e a alcançar isso por vós próprios.


E num certo sentido podíamos olhar a revolução industrial como essa droga que tomastes para poderdes perceber: “Sim, é possível obter tudo.” Mas então o desafio consiste em o obterem sem a ajuda da droga. O que não quer dizer que a droga seja má; mas é usada incorrectamente. E acontece o mesmo tipo de situação, e ao nível do macrocosmo essa promessa que falhou é representada no microcosmo pela confiança que tendes em vós próprios e pelo seu fracasso. E no nível mais amplo, no âmbito mais vasto, ouvem dizer que a tecnologia é má, o que justifica um regresso à natureza, etc.; e ouvem dizer que a indústria e os negócios sejam maus, o que encoraja o regresso à anarquia; e ouvem dizer que as drogas são terríveis, o que dá razão ao regresso às coisas orgânicas, etc., ou mesmo à marijuana orgânica, ou seja lá o que for. (Riso) 

Mas sugerimos que isso não é a resposta. Ouvem as pessoas dizer: esta organização não funciona, a minha organização não funciona, pelo que a organização não funciona (silogismo). Tal egocentrismo é ridículo. Mas mesmo assim as pessoas são egocêntricas. Não, não funciona pelas razões erradas; se tentarem aplicar alguma coisa que seja incompatível, não funcionará. Mas pode funcionar a vosso favor, ver as possibilidades, as potencialidades, e com a percepção disso, faze-lo por conta própria. Ter consciência de que esse sonho, na forma desse objectivo de ter domínio sobre a natureza, exercer controlo sobre a realidade material, ser completamente feliz – vós e toda a gente – e totalmente livres – não só liberdade para ter tudo, mas liberdade para ser tudo. Essas podem ser palavras vãs para vós, mas é por meio dessa totalidade que é a vossa realidade consciente, é através desse vislumbre da Promessa Grandiosa que percebeis ser possível. Mas agora preciso faze-lo eu mesmo, sem essa droga e sem a nebulosidade que implica; preciso mover-me em direcção a isso com clareza e confiança. 


Porque aquilo por que estais aqui, aquilo que estais a fazer, é o que vos faz levantar da cama pela manhã – uma nova motivação. A confiança é de importância crucial para a imagem que tendes do mundo, e é de importância crucial para a vossa imagem pessoal. Consequentemente, desenvolver a autoconfiança é de importância vital. Então, que coisa é a confiança? O que é autoconfiança? Bom, antes de mais, sugerimos que a autoconfiança é um componente, uma das partes integrantes de uma estrutura particular, poderíamos dizer, que opera na íntegra com o amor-próprio, a auto-estima e o valor próprio. É, talvez, o quarto componente. Muitas vezes os termos revelam-se confusos e as pessoas pensam que o amor-próprio, a auto-estima, o valor próprio seja tudo a mesma coisa, mas realmente não são. Apresentam diferenças subtis. Estão interligados e formam um componente que sois vós. Mas no entanto distinguimo-los.


Sobre o amor-próprio falamos bastante, significa ter amor por vós próprios e ter compaixão e apreço por vós próprios. Mas tem uma qualidade particular que é a de ser mais ou menos dada. E o que queremos dizer com isso é que ao virem a esta realidade vêem a amar-se completamente a si mesmos. Somente depois de nascerem é que o abandonam. Mas as respostas iniciais que tendes vão no sentido de se amarem por completo. Uma criança ama-se por completo. Infelizmente ama-se em exclusão de toda a gente. Mas sugerimos que ainda assim tem amor-próprio. É dado. Também está ligado à mãe, conforme dissemos noutras ocasiões por causa da expectativa da mãe vos amar automaticamente, por serem crianças. Te amor-próprio é algo que é suposto acontecer automaticamente. E é por isso que se torna no problema que é, por ser suposto ser uma coisa garantida e automática, e quando o não tendes deveis estar lixados para valer. 


Mas esse amor-próprio é autocompaixão e amor por vós próprios que é mais ou menos dado. A auto-estima representa esse mesmo amor só que é adquirido, ganho; é algo que é desenvolvido, com o tempo. Uma criança não tem auto-estima automaticamente. Ninguém tem. É algo que desenvolveis conscientemente. Mas comporta a mesma qualidade de amor, carinho e compaixão por vós próprios. Só que é da forma que o obtendes e não é dado. E está, conforme sugerimos noutras ocasiões, igualmente associado à figura do pai. Por o amor da mãe ser dado como certo, o amor do pai tem que ser conquistado. Muito poucos de vós esperará que o vosso pai vos ame, só por ser o vosso pai. A vossa mãe, sim, é suposto amar-vos, por isso fazer parte da definição de ser mãe. E é coisa certa: “È claro que ela me ama; deve faze-lo; é melhor que o faça, e se o não fizer, que coisa terrível!” Ao passo que o a mor de pai, todos esperais obtê-lo. Muitos de vós que esperam ganhá-lo fracassam, mas mesmo assim, pelo menos encaram isso no âmbito de: “Isto é algo que tenho que obter. Não é coisa que tenha como certa.” Consequentemente sugeriríamos que tem que ver com os mesmos componentes do amor, só que obtidos, na vossa realidade.


Tanto o amor-próprio como a auto-estima têm que ver com a capacidade que tendes de ser amados ou com a amabilidade. Ambas fazem parte dessa área. Ambas são fruto do desenvolvimento: uma dada como certa, e a outra obtida. Contudo, o valor-próprio não é auto-estima nem é amor-próprio. Constitui a base em que a auto-estima e o amor-próprio se erguem. É a matéria-prima que é utilizada na formação do amor-próprio e da auto-estima. Não podeis desenvolver o valor-próprio, não importa o quanto vos esforceis. Já o dissemos em inúmeras ocasiões e vamos dize-lo de novo por ser algo que as pessoas não entenderão. O valor-próprio constitui uma qualidade - não quantidade é uma qualidade; é o material a partir do qual ergueis os outros componentes, que são qualitativos e quantitativos. Mas o valor-próprio é unicamente qualitativo. Possuís tanto valor-próprio hoje quanto alguma vez possuístes ou vireis a possuir. A pessoa mais desprezível em que possais pensar, na baixa, que envergue roupas de linhagem e durma em qualquer sargeta, abandonado e embriagado, alberga tanto valor-próprio quanto vós. Nem um pouquinho menos, por possuirdes valor-próprio a cem por cento. Nada podeis fazer para lhe acrescentar. Tampouco conseguireis diminui-lo. Nada podeis fazer que vos leve a tornar-vos menos dignos. Podereis fazer muito para bloquear o valor que tendes, mas nada podereis fazer que vos torne menos dignos.


E relacionado com o problema que muitos de vós têm, ao tentarem desenvolver o valor-próprio, é que vireis a falhar. Não o podeis fazer. Por não poder ser feito. Pegai num copo de água e tentai acrescentar-lhe mais água; não o conseguireis! Não há como consegui-lo, não importa o quão engenhosos forem, não importa o quão habilidosos forem, não importa o quão vigaristas possam ser, não há como introduzir 325 mililitros de água num copo de trezentos mililitros. E o que conseguis é um copo cheio até cima, acrescentais-lhe mais vinte e cinco mililitros de água e constatais que ainda terá trezentos mililitros. Fracassais! E quando fazeis algo para desenvolver o valor-próprio garantido será que fracassareis. Mas senti-lo. Pensai nisso aqueles de vós que, vez por outra, o terão tentado no passado. O valor representa uma qualidade; não uma quantidade. Nada lhe conseguis acrescentar, nem tirar-lhe. “Ah, mas eu posso despejar parte da água.” De certeza que esse lado da analogia não se emprega. Por o copo estar vedado com um tampo transparente de vidro acrílico. (Riso)


A questão está em que não importa o quão desprezíveis possais ser no comportamento que adoptardes, porquanto podem ter uma fraca auto-estima, podem ter um défice de amor-próprio, não ter qualquer confiança, que ainda assim tereis a mesma quantidade de valor-próprio. Mas isso deve deixar alguns irritados: “Eu não quero ser inútil, de modo a poder castigar e a poder manipular e racionalizar.” Mas não sois. O valor-próprio constitui a matéria-prima com base na qual ergueis o amor e a estima. Além disso ele é dado como certo, sem sombra de dúvida. A autoconfiança difere do amor-próprio, da auto-estima e do valor-próprio por a confiança representar a capacidade de dependerem do vosso ego positivo – ou, para o colocar em termos mais correctos, a capacidade de dependerem do funcionamento correcto do vosso ego, de forma a poderem sobreviver. Representa a fiabilidade, a capacidade de depender do amor-próprio, da auto-estima e do valor-próprio. A capacidade de depender de um ego que opere de forma adequada, de modo a poderem fazer frente, e a poderem sobreviver nesta realidade.


E uma vez mais, por causa do ego nas suas funções apropriadas ser suposto transmitir-lhes mensagens, mensagens relativas ao que se passa aqui nesta vossa realidade, de modo a que vós, enquanto o ser interior que sois, possais estabelecer decisões com base nessa informação e retransmitir a nova informação. É assim que é suposto que o ego funcione – não como intérprete, conforme tanta vez temos dito. Quando o ego opera apropriadamente, tendes auto-confiança. Por poderem depender do facto de, quando recebem a mensagem, estar um tempo quente no exterior. Podeis pegar nessa informação e dizer: “Penso que hoje posso envergar roupas de verão.” E podeis retransmitir essa mensagem de volta à realidade externa e isso acontecer. Ao contrário da mensagem proveniente de um ego negativo que diga: “Está um tempo quente. Não é que sempre acontece isto quando quero que esteja fresco? Não representará isto um complô? O meu Eu Superior não me ama; sou um fracasso total e não consigo fazer nada acertado.” Eis porventura a sinopse da diferença existente entre o ego positivo e o ego negativo. E quando opera o ego negativo, não tendes qualquer confiança. Não conseguis depender dele para vos transmitir informação exacta.


A autoconfiança é a capacidade de dependerem – não a capacidade de obterem informação, mas a capacidade de dependerem da informação. Importa sobremodo distinguir isto. É algo que obtendes ou desenvolveis, por experiência própria. Assim, quando consideramos isto, o valor-próprio e a autoconfiança têm que ver com a capacidade que tendes de depender. O amor-próprio e a auto-estima têm que ver com a amabilidade. E essa é uma distinção significativa de que se deve ter consciência. Na categoria da amabilidade tendes a garantia do amor-próprio e a obtenção da auto-estima. E na categoria da fiabilidade tendes a certeza do valor-próprio e a obtenção do respeito-próprio. Tanto o respeito-próprio como a auto-estima são adquiridos; o amor-próprio e o valor-próprio são ambos certos.


Parte integral do amor-próprio e da auto-estima e do valor-próprio na utilidade que comportam, uma parte integrante disso é a autoconfiança. E na verdade para perceberem o que a autoconfiança é, é a capacidade de depender do facto de que conseguem sobreviver. Não representa a sobrevivência em si mesma. É a capacidade de depender: “Estou confiante em mim próprio,” significa: “Eu posso depender de mim próprio para enfrentar o que quer que ocorra, de forma a sobreviver, para conseguir passar o dia de hoje, esta semana, conseguir passar o tempo desta minha vida.” E não de algum modo orientar uma sobrevivência estilo às portas da morte, etc. “Quase não conseguia, mas por causa dos meus lindos olhos ou unhas, consegui.” Não! É a capacidade de dependerem de vovês próprios. Isso é de uma importância vital, porque sem ela, várias coisas irão dar errado.


Antes de mais, sem autoconfiança, o amor-próprio e a auto-estima tornam-se ineficazes. Porque se não tiverdes confiança em vós, o amor-próprio e a auto-estima permanecem inactivos. Algo que permanece completamente dentro de vós e que jamais se manifesta nem responde pela manifestação de mais nada. Por isso, a autoconfiança é um aspecto de importância vital desse amor e apreço.


Em Segundo lugar, sem autoconfiança, o valor-próprio não passa de uma teoria. Torna-se completamente isolado. Porque, se não tiverdes forma de manifestar e de utilizar a confiança, então torna-se nisso, numa mera teoria. Ah-ah! O valor-próprio é algo que possuís, e que não podeis diminuir nem acrescentar-lhe nada. Guardais isso na classe dos pressupostos e das linhas partidárias. Mas como não a usais na vossa actividade diária torna-se isolada.


Em terceiro lugar, o ego negativo tem rédea solta. Por a autoconfiança representar a capacidade de depender da operação do ego positivo. Obviamente que se não tiverdes qualquer confiança, não tereis um ego positivo operacional, ou ela não terá qualquer fiabilidade, por conseguinte, a fiabilidade assenta no ego negativo; o ego negativo terá rédea solta nesse aspecto em particular, absolutamente – se não tiverdes confiança.

Quarto, sem a confiança em vós próprios, não cresceis. Ou ficais um adolescente ou um jovem adulto e vivereis numa fantasia inatingível, numa fantasia que realmente não quereis atingir; uma fantasia que só querereis sonhar e mencionar, e consumir. Mas se vos for apresentado, correreis para o lado contrário. Sem confiança ficareis presos, quando muito, no jovem adulto, e na pior das hipóteses, no adolescente. Contudo, ultrapassareis a infância.


Quinto, sem autoconfiança o medo da solidão torna-se numa alienação real. À semelhança de um paranóico, sempre com medo que alguém esteja atrás deles, e que por vezes têm mesmo gente atrás deles, a tentar deitar-lhes a mão, não é? Medo da solidão conduz-vos à perda, ao corte, alienados no tempo e no espaço.


Sexto, a autoconfiança é uma parte vital do vosso crescimento espiritual. É essencial. Podeis crescer espiritualmente, mas a autoconfiança é uma parte vital do vosso crescimento espiritual; da sua realização, a consecução, a totalidade dela, que perseguis. È muito importante compreender isso, ver como funciona e referimo-nos a isso previamente quando falamos da grandiosa promessa macrocósmica geral, e da quebra de confiança para o efeito. Por isso, é a um nível muito pessoal; podeis crescer espiritualmente, e ter compreensão espiritual e ter a vossa vida um pouco melhor, melhorar determinadas qualidades e aspectos existentes, mas para verdadeiramente terem o crescimento espiritual que buscam, necessitam essencialmente de autoconfiança.


O que importará aqui será porventura estabelecer uma ligeira distinção, que é a de que o movimento do potencial humano é aquele movimento ou actividade que os ajuda a descobrir mais daquilo que são, ao passo que o movimento do potencial espiritual os ajuda a descobrir mais quem são – em vez de o que são. Um não é mais importante, claramente, nem tampouco se sobrepõem, mas talvez a distinção seja importante. Não podem ir do movimento do potencial humano, e assistir a cada curso e a tudo quanto é proposto, e aprender tudo quanto haja a aprender, preencher cadernos de apontamentos, áudio cassetes e tudo o mais, sem confiança em vós próprios. Passaram pelo movimento do potencial humano e obtiveram um esboço daquilo que são. 

Mas estar envolvido no movimento espiritual, no desenvolvimento espiritual, no potencial espiritual – que é muito mais do que o simples potencial humano, e que tem que ver basicamente com quem sois, isso requer confiança; não podeis tirar os cursos, não podeis descobrir um itinerário e andar por aí a fazer de tudo sem confiança, porque ficam aborrecidos e desistem.


Sétimo, com autoconfiança, as escolhas que deliberarem tornar-se-ão escolhas baseadas no crescimento. Assim como, sem ela, quase todas as vossas escolhas procederão do medo. Por isso, a autoconfiança é importante, entendem, porque qualquer coisa pode representar uma opção de crescimento, e qualquer coisa pode representar uma opção baseada no temor. “Deverei ler este livro em particular?” A escolha baseada no medo poderá ser: “Posso aprender algo com que não queira ter que lidar. Pode levar-me a ver coisas sobre mim próprio que não quero.”


A escolha baseada no crescimento dirá: “Posso aprender mais sobre mim próprio.” A escolha baseada no medo: “Se o ler vou-me tornar dependente, e vou deixar de pensar pela minha própria cabeça, etc.” A escolha baseada no crescimento: “Vou ser aquele que sou. Vou descobri-lo por mim próprio. Não vou apoiar-me nas ideias que os outros fazem do que se passa. Vou descobri-lo por mim próprio.”


De modo que, qualquer decisão que tomeis, quer seja no sentido de fazerem ou de deixarem de fazer algo será passível de ser interpretado como uma opção de crescimento ou uma opção baseada no medo. Diríamos que sem confiança toda a escolha baseada no crescimento será uma escolha baseada no medo. Essa é a motivação que porventura poderão teoricamente apontar à opção baseada no crescimento. Mas estarão a agir com base na opção baseada no medo. Com autoconfiança, cada vez mais das vossas escolhas se tornarão escolhas baseadas no crescimento. Cada vez mais, independentemente do que fizerem, as escolhas se tornarão escolhas de crescimento. Se tiverem confiança terão poder. Sem ela, esse poder não passará de uma teoria. A capacidade de agir – poder – não a capacidade de dominar mas a capacidade de agir tornar-se-á numa realidade vibrante sempre que se sentirem autoconfiantes; tornar-se-á numa teoria intelectual sempre que deixarem de se sentir confiantes. Se tiverem confiança agirão como causa da vossa realidade. Sem confiança, reagireis aos efeitos.


A autoconfiança é de uma importância vital na vossa realidade e o desenvolvimento da mesma, muito importante. Então, porque não ter confiança? Porque a bloqueareis se é dotada de importância tão vital e necessidade tão premente? Existem diversas razões obviamente por que as pessoas não desenvolverão a sua autoconfiança, mesmo quando têm ideia de dever fazê-lo não o fazem. Há aqueles que lêem isto que de facto prestam atenção e procedem a copiosas anotações delineadas de um modo belo, e que nada farão disso. E que virão a ver-se tão carentes de confiança na semana seguinte, no mês seguinte ou três meses depois como se vêem agora, e isso não se deverá tanto a: “Bom, não percebi muito bem,” ou: “Não estava lá.” Mas ao facto de terem escolhido isso.


Talvez a primeira coisa que gostaríamos de dizer acerca da razão para não desenvolverem a confiança seja similar ao que dissemos sobre a perfeição. Há muita gente que anda por aí a dizer: “Oh, que tristeza, pobre de mim, que tolice a minha, a de ter a mania de ser perfeito. Não será uma tolice da minha parte? Não serei lerdo?” A perfeição é um problema tão bonitinho, não é?”


Na verdade, quando dizem que estão a tentar ser perfeitos, o que efectivamente estão a dizer é: “Estou a tentar ser melhor do que toda a gente, e estou quebrantado por me ver incapaz disso.” (Riso) E por isso, em vez de dizerem: “Oh, pelos céus, tenho um problema relacionado com a perfeição, tsk, tsk. Tenho um problema que se prende com o facto de querer ser melhor que todo o mundo, e ainda não o ter conseguido.” Subitamente deixa de ser um problema socialmente tão aceitável. Torna-se um pouco difícil chegar junto de alguém e dizer: “Faz o favor de sentir alguma simpatia por mim, por tentar ser melhor que você, e ainda não o ter conseguido?” (Riso) pois bem, do mesmo modo, a falta de autoconfiança constitui uma função do ego e do jovem adulto. Por isso, dizer: “Corre tudo bem, só que não tenho confiança em mim; não será isso triste? Eu estava a sair-me tão bem, e estava a programar ter confiança para continuar. É, não é a coisa mais bonita que possais ter visto. Isso não te comoverá a simpatia e a compreensão relativamente ao meu problema benigno da falta de confiança?


À semelhança da perfeição, a falta de confiança representa uma postura do ego. Não se trata simplesmente de uma coisa que tenhais, mas de algo por que optais. Têm tantas oportunidades de ter confiança em relação ao que fazem como têm em relação à falta de confiança; na verdade mais. Por isso, têm que sair do vosso modo de ser para ter falta de confiança. E fazê-lo constitui uma função do vosso ego. Fazem-no como uma função do vosso ego e da profunda determinação de ficarem pendurados na fantasia do jovem adulto. O ego cristalizado.


"Quando estava com vinte anos decidi que queria ser a pessoa mais famosa do planeta, que porra, não abro mão disso independentemente do que a minha realidade diz, independentemente do quão danoso isso seja para ti, independentemente do que isso possa fazer aos demais nessa realidade, não abro mão disso." É o que eu digo quando não tenho confiança. O que estou a dizer é: "Prefiro permanecer na esfera da manipulação do meu ego negativo; prefiro agarrar-me à atitude do que se lixe."


Mas é difícil obter alguma aceitação social a partir de uma atitude dessas. Quando o consideram: "Ah, está tudo bem, excepto o facto de eu querer agarrar-me à atitude que tenho de ser o melhor, e só quero ser melhor do que os outros e dizer foda-se para todo mundo. Isso não será sadio?" Não! É bastante ridículo. A atitude "Simplesmente não tenho confiança; que hei-de fazer?" torna-se num: "Estou a optar por me tornar num ego maníaco com isto, e dizer foda-se para todo mundo." Que hei-de fazer? Torna-se realmente difícil obter qualquer energia disso, sabem, quando percebem de uma forma mais realista o que isso significa.


A falta de confiança representa uma opção. Não foi a vossa mãe que vos terá feito isso. "Ah, ela sempre me rebaixou. Ela sempre me disse que eu era estúpida, etc." Isso poderá afectar a vossa capacidade de perceber a autoestima, o valor próprio. Isso poderá afectar-vos a capacidade de terem amor por vós próprios, mas sinceramente não afecta a capacidade que têm de ter confiança em vós próprios. Esse é o erro que cometem.

"O meu pai jamais me prestou atenção, jamais jogou à bola comigo no jardim, jamais me tratou por querido menino, etc. Jamais me sentou no colo quando estava com treze anos, etc." No caso das raparigas: "Ele fazia-me sentir feia, ele fazia-me sentir porca, tudo." No caso dos rapazes: "Ele jamais me fez sentir como um homem. Jamais me ensinou a ser funcional neste mundo," (como se soubesse) mas seja como for, subsiste esse sentimento de vo-lo terem feito.


Não, o vosso pai pode nunca ter jogado à bola convosco nem ensinado a amealhar dinheiro ou a depositá-lo numa conta bancária por poder obter juros, em vez de o colocarem no colchão, por lho poderem roubar. Poderá ser que ele jamais lhes tenha feito nada disso, nem lhes tenha transmitido os segredos de como triunfar nos negócios, etc. Ele jamais vo-lo terá feito. E a vossa mãe sempre os poderá ter rebaixado, e poderá ter sempre dito que eram patetas e estúpidos e feios e que jamais iriam encontrar quem os quisesse, e que se alguma vez viessem a ter um amigo seria por ele ser cego, surdo e mudo.


Poderão ter-lhes dito tudo isso, e isso afectar-lhes o amor-próprio e a autoestima. Não o facto de terem autoestima mas o facto de o perceberem ou não. Mas não tem que tocar a vossa autoestima nem a auto-confiança. Se deixarem que afecte a vossa autoestima e a autoconfiança, será devido a que se tenham desviado do vosso caminho para tanto.

Bom, isso deve soar muito estranho, bem o sabemos, por tanto de vós se terem apoiado no: "Ah, tenho falta de auto-confiança," como uma desculpa. "Gostaria de sair à procura e de arranjar de um novo emprego mas ainda não tenho confiança suficiente para o fazer. Gostaria de mudar de carreira mas ainda não me sinto suficientemente confiante para o fazer." Isso é uma mentira. E quanto mais conseguirem perceber que é uma mentira, mais depressa poderão deixar de mentir a vós próprios. Não foi a mãe nem o pai quem vos terá erodido a confiança, mas o vosso ego.


A vossa situação, a vossa infância, o vosso primeiro casamento, o vosso primeiro relacionamento, os estragos que cometeram em torno do sexo não foi que lhes afectou a auto-confiança. Isso não passa de uma mentira, uma desculpa, uma conveniência. Em vez de dizerem: "Prefiro manter o meu ego. Prefiro agarrar-me ao melhor do que todos os demais, Prefiro mandar todo o mundo foder e depender da minha fantasia de adolescente," o que não soa muito agradável e poderá angariar-lhes um soco no nariz, enquanto amontoam tudo sob o estandarte do eufemismo chamado falta de confiança e sair com os olhos lacrimejantes e com voz vacilante.


Quanto mais cedo virem que se trata de uma mentira, uma opção, uma decisão, menos o amor e o valor próprio serão afectados pelo vosso passado. Quando observam isso, como poderá a vossa auto-confiança ser afectada pelo vosso passado de todo? Não é. Não é! A vossa capacidade de amar sê-lo-á, e a vossa capacidade de perceber o mérito próprio será afectado pelo vosso passado. Deveras. Mas não a vossa autoestima nem a vossa auto-confiança.


A autoestima e a auto-confiança são auferidas. Ora bem, podem permitir que o vosso passado os afecte. Não estamos a dizer isso. Podem dar azo a uma situação dessas. Mas fica ao vosso critério. Na verdade não é um facto real. Ao passo que o amor-próprio e o valor próprio, o desenvolvimento e a percepção delas saem afectadas. E depois fica ao vosso critério deter essa afectação, obviamente. Por conseguinte, há coisas bastante concretas que se prendem com a auto-confiança e com a razão por que não a não quererão ter. Mas conforme dizemos, a primeira coisa a perceber é mesmo isso; o facto de constituir uma escolha e não algo de que vocês sejam o produto.


Agora, quanto às razões, antes de mais, as compensações. Conhecem as categorias de tais compensações. E o que sugerimos é que se não tiverem confiança em vós próprios ou tiverem perdido a auto-confiança poderão faze-lo com base em qualquer compensação que imaginem. Poderão evitar tudo, culpar toda a gente, sentir-se honrados em relação ao que quer que seja, persistir nas garantias, sentir autocomiseração, sentir-se superiores, sentir presunção, e manter-se no passado. Poderão usar qualquer compensação que queiram, qualquer categoria e tudo quanto possa abrigar. Mas essencialmente a falta de auto-confiança será a vossa maior desculpa, a vossa maior desculpa para deixarem de criarem a vossa realidade da forma que querem. A maior compensação, conforme sugerimos assenta no: "Preciso usar isso como uma desculpa. Posso voltar a cair nisso quando não quiser procurar noutra coisa."


Além disso: "Se eu não quiser abrir mão do meu ego negativo, aparte das compensações, quando não quero desistir do meu ego negativo e desfruto dele e secretamente o admiro, não vou ter confiança em mim próprio. Porque ter confiança ameaça-me o próprio ego. Por conseguinte se não quiser ver o meu ego ameaçado, não vou ter confiança." Muito claro e fácil: "Só não sei como tentar; não consigo sentir confiança em mim." Treta. É mentira. Por mais que se esforcem nunca irão ter confiança em vós, por se estarem a divertir à fartazana com o vosso ego negativo, ao pensar que sejam melhores do que os demais, mesmo que se dê o contrário. Mesmo que sejam os melhores entre os piores.


Em terceiro lugar, se quiserem depender das garantias que o ego propõe, não estão para sentir confiança. Não importa o quão importante seja. “Eu quero exercer controlo.” Essa é uma enorme garantia do ego. A nata das garantias do ego. É o que querem saber. “Vou avançar e vou sentir amor por mim próprio. Vou avançar e vou sentir autoestima. Vou mesmo avançar e perceber o valor próprio que tenho, caso ainda possa exercer controlo. Se ainda assim puder manipular e controlar os outros.” Mas não, não é aprovado. “Ah, bom, nesse caso esquece. Não vale a pena. Preferia saber que exerço controlo sobre os demais e que os posso manipular do que me incomodar com o amor-próprio, a autoestima, e a porcaria do valor próprio.” 

Mas sabem que mais, vocês pensam: Caramba, se eu alguma faria tal coisa…” (Ri) Não liguem, mas muitos de vocês fazem isso a cada passo, e diariamente. Por vezes procedem a escolhas dessas repetidamente. Mas vejam a quantidade de vezes em que dependem de tais garantias; “Eu quero uma garantia de que possa controlar. Quero a garantia de que obterei tudo quanto quero, quero a garantia de vir a encontrar uma relação, quero ter a garantia de que alguém me virá a amar, quero que me deem a garantia de que alguém cuidará de mim,” qualquer dessas. “Prefiro defender isso do que o amor-próprio, a autoestima, o valor próprio e, acima de tudo, a autoconfiança.


Por a maior ameaça a essas garantias provir da auto-confiança. De modo que podem sentir amor-próprio e ainda assim defender as garantias, até certo ponto. Poderão mesmo ter autoestima e ainda assim defender as garantias. Poderão mesmo reconhecer o valor que têm e ainda assim sub-repticiamente defender tais garantias por baixo da mesa em busca de uma compensação. Mas com a confiança não podem. Em relação à confiança recuam a mão, acima de tudo. E nisso é única. Mas sugerimos aqui que não se trata de fanfarronice, o que estamos para aqui a referir não envolve fanfarronice alguma. Estamos a falar de uma auto-confiança sincera. Não podem agarrar tais garantias. Não as podem manter debaixo da mesa.


A quarta razão porque não querem sentir auto-confiança assenta com toda a clareza na fantasia de adolescente. Essa particular fantasia de adolescente que se cristaliza sob a forma do jovem adulto que ainda perseguem. Independentemente do facto de não resultar para vós. Quanta da gente com quem falamos não tem a fantasia de adolescente de que quando crescerem vão encontrar a alma-gêmea, que se cristaliza por volta dos vinte sob a forma de: “Vou encontrar o meu amor perfeito, que irá cuidar de mim por completo, e servir-me e adorar-me e cuidar de mim e fazer-me completamente feliz?” E a seguir fixam-se na sua busca para serem massacrados a cada passo e passar o pior mau bocado das suas vidas, sem abrirem mão das suas fantasias. Grande parte da razão porque não sentem confiança deve-se a isso, ao facto de não abrirem mão dessas fantasias. Ainda se agarram a isso. Usarão as palavras correctas, aprendem o novo vocabulário, o novo jargão, tudo. Mas não desistem disso. Ainda se agarram secretamente a isso.


Grande parte disso surge no velho paradoxo que defende que a maneira para conseguir qualquer coisa passe pela desistência dela. De modo que desistem dela quando: “Que diabo será isso?” (Riso) “Fui enganado!” (Riso) E isso porventura representará uma amostra daquilo que estamos para aqui a referir, nos termos: “Eu desisto do meu ego; eu desisto da fantasia que tenho de adolescente por acreditar que de qualquer modo essa seja a maneira de o conseguir. E se desistir disso, e me tornar desapegado, aí la la, e eis que afinal não o obtenho. Não será excelente? E assim, quando desistir, penso eu, direi, convenço-os a todos de que as minhas fantasias de adolescente se sumiram.” (Riso) E de seguida começo a esperar, sabem. E passa um dia, e passa uma semana e um mês, e eu: “Maldição, onde está isso? Ouvia alguém dizer que quando se desiste se obtém, não é? E eu desisti; agora onde é que isso está?”


É o mesmo que acontece aí, e é o que andam a dizer em termos de confiança. Descarreguem isso. Confiança sincera e não fanfarronice. “Eu posso lamber qualquer bota. Posso fazer qualquer coisa que tu fazes melhor.” Não é a esse tipo de fanfarronice que nos referimos. Não é ao machismo no sentido de parecer durão. 

Que inndependentemente de serem mulher ou homem podem ser machistas. É disso que estamos a falar, e não da fanfarronice nem da imagem de durão, etc. Estamos a falar da verdadeira confiança sobre cuja natureza vamos debruçar-nos e tartar de um modo mais complete por ser verdadeiramente formidável e divertido e fácil de possuir, claramente. Mas o que aqui sugerimos é que é uma das compensações: “Vou agarrar-me a isso.”

Em quinto lugar está: “Eu quero que mais alguém o faça no meu lugar.” Esse velho bicho-papão. “Se eu tiver confiança em mim próprio e for capaz de o fazer sozinho, que diabo, isso não terá piada nenhuma, e mais parece uma perda.” Mas nós já dissemos muitas vezes e voltamos a dizê-lo, por o esquecerem, por não o manterem fresco na memória, ou por não o relacionarem: “É quando ele se põe a falar do amor-próprio, de modo que neste caso não se aplica à auto-confiança.” 

Assim, dizêmo-lo uma vez mais, e basicamente circunscreve a ideia de que de qualquer maneira, “Se eu tiver que  ter amor por mim próprio, aí isso quererá dizer que mais ninguém terá tido. Portanto, não tem problema, sabes, a parada terminou, toda a gente regressou a casa e só eu vou ter que me conduzir de volta a casa, não é?” E a última: “Ninguém mo mostra, de modo que penso que vou ter amor por mim próprio, levar a minha prima ao baile, tudo.” Pois bem, passa-se o mesmo com a confiança. Ter confiança e ter essa faculdade, a faculdade de depender de mim próprio quererá de algum modo dizer que os outros não poderão depender de mim, e que eu não possa depender deles, e seja como for soa a uma situação de perda.” 


No caso dos homens, e em relação à última posição, vocês ficam com a imagem de se arrastarem pelo vestiário, sem mais ninguém. Terem que apanhar o autocarro de volta. No caso das mulheres assemelha-se àquele tipo de situação de ir às compras sozinha. Todas as vossas amigas saíram juntas sem que ninguém as tenha convidado. Ir jantar for a sozinha. Ir ao cinema sozinha. É terrível. E é isso: “Se tiver que sentir confiança, é o mesmo que dizer que não tive ninguém de quem dependesse, e assim encontro-me presa. Mas não faz mal, eu vou sentir confiança. Mas por causa dessa sensação, a possibilidade de o fazer por mim própria soa de algum modo a perda. Ninguém o fará por mim, e eu não o vou fazer.” Medo do pungente. Esse é um temor significativo.


Em sexto lugar vem claramente a tendência para sentirem pena de vós próprios e a vontade de se punirem. “Pobre de mim, que não tenho confiança. Pobre de mim. Preciso punir-me. Sou péssimo. Terrível. Eu sei que é importante e que supostamente será fácil, e que se não sentir confiança todo o meu mundo irá ruir.” Auto-flagelação. O único problema que a auto-comiseração e o auto-flagelo tem – não o único problema, mas um dos problemas – está em que sempre descamba na culpabilização e na punição dos outros. Essa é a proposição natural resultante que sempre se apresentam: Ai, pobre de mim, tu és péssimo! Vou-me punir e atingir-te umas quantas vezes enquanto o faço. Afinal sou eu quem está dorido.” (Riso) “Dói que se farta, e tu não estás a fazer nada por que isso deixe de doer. Devias importar-te mais.” (Riso) Isso é uma compensação. Pretender: “Vou-to fazer, pá. Vou-me punir e sentir auto-comiseração,” descamba na punição e na culpabilização dos outros. O que também consiste numa compensação. É em busca disso que ando mesmo, razão por que estou a fazer um pouco disto, etc., até fazer muito daquilo. Sem que me responsabilize nem um pouco."



Por fim, o medo da solidão Uma das razões mais significativas por que muitos de vocês não se permitem sentir confiantes está em persistirem num desmesurado medo da solidão. "Caso tenha confiança, caso tenha a capacidade de depender de mim próprio para enfrentar, não precisarei de ninguém. Não terei ninguém. E se não tiver ninguém ficarei só e abandonado." Reside nesse sentimento particular que diz que "Algo deva estar errado comigo porque se de facto me sentisse confiante, não gostaria das pessoas, e precisamos gostar das pessoas, não é? Não seria simpático com as pessoas e preciso ser simpático com elas, obviamente." Por isso, quase como que por protecção, não se sentem confiantes. 


Com o medo da solidão vem igualmente o receio do ego. Não querem parecer pretensiosos, não querem parecer arrogantes. Não querem parecer melhor que os demais. O que de algum modo associam ao sentimento e ao aspecto da pessoa confiante. O que não corresponde à verdade.


Parecer confiante e parecer arrogante são duas coisas distintas. Mas não se sentirão confiantes por não quererem parecer que se sintam arrogantes. Principalmente por se sentirem arrogantes e não querem que ninguém suspeite disso. Mas se parecerem confiantes, poderão presumir que sejam arrogantes. E estariam certos.


Portanto aquilo que consideramos até agora foia importância e o significado da confiança e não é coisa unicamente pessoal, mas uma coisa inerente a todo o mundo. É coisa planetária. A vossa confiança, muito embora brinquemos com a questão; vós em específico não sereis responsáveis pela primeira bomba que tiver sido lançada.

Percebam que é a quebra de confiança à escala mundial que produz a destruição à escala global, e que a confiança num mundo à escala global constitui a sinergia da confiança de cada pessoa. Ao sofrer uma quebra, também a confiança do indivíduo sofre. Quando a confiança do indivíduo sofre, também essa confiança perde. Há pessoas que deixaram que todas as suas vidas fossem arruinadas. Elas dificilmente conceberão tal coisa, mas fizeram-no. É uma escolha. As pessoas vêm as suas vidas serem varridas, e as suas propriedades perdidas. O seu sustento. Os entes queridos. Aquilo que lhes arruina as vidas é a quebra de confiança.


Criem a vossa bolsa de êxito caracterizado por uma completa abundância, façam desse o período mais glorioso da vossa vida, mas estejam conscientes da realidade exterior. Tenham compaixão e compreensão relativamente a ela. Vejam-na como um símbolo dessa confiança macrocósmica rompida. Vejam nela a necessidade de renovar a vossa autoconfiança, por o microcosmo precisar ser renovado.


A confiança é essencial a essa escala. É essencial ao vosso desenvolvimento. O desenvolvimento do amor-próprio, da autoestima, da dignidade pessoal representa autoconfiança. Ver aquilo que é, não gostar, mas depender de vós próprios, daquilo que faz por vós. Porque será tão importante?


Primeiro pela confiança: Intelectual, física, emocional e confiança espiritual. Confiar em vós e nos outros não quer dizer que esperem que tudo corra na perfeição. Quer dizer que, se algo corre mal, poderão tratar disso. E se correr bem também conseguem tratar disso. A questão é uma questão de fiabilidade. Se derem por vós, por exemplo, a querer dominar, controlar, estar no comando e manipular, isso será uma indicação de que não confiam. Se virem que estão a querer sufocar, e que querem conhecer todas as respostas, todas as possibilidades quanto ao que possa correr mal antes do tempo, não estarão a confiar em vós. Adoptar uma situação em que abranjam todas as alternativas representa falta de confiança. A beleza do caos.


Os quatro requisitos são: Primeiro deve existir um bom e um mau. Em segundo lugar o resultado precisa situar-se no futuro. Em terceiro lugar, a possibilidade negativa deve ser pior do que o benefício ser benéfico. Em quarto lugar devem esperar beneficiar. Caso contrário não confiam.


As pessoas procuram confiar em si e nos outros quando a confiança é coisa que não se aplica.


O segundo componente da autoconfiança é a humildade. Há alturas em que se interrogam por que diabo estarão a criar esta realidade, porque estarão a permitir que tal pessoa seja tão imbecil. Em parte poderá muito bem dever-se ao facto de serem corajosos, uma expressão da vossa coragem, ao contrário de uma insuficiência ou falha da vossa parte.

De forma análoga, para aqueles que se defrontam com pessoas na sua vida que por vezes parecerão: "Por que razão terei criado esta má sorte, esta realidade terrível?" Talvez tenha sido para expressarem a vossa coragem. O que não significa que por consequência tudo quanto de mal constitua um desabafo do tipo: "Óptimo, óptimo, olha a forma horrível como as pessoas me tratam. Vejam o quão corajoso sou."


A coragem é coisa bastante silenciosa e subtil. A maioria das pessoas não será capaz de apontar de forma precisa a coragem que sente. Mas respeitá-la-á.

Assim, qual será a fórmula? De que forma esses quatro componentes da confiança, da humildade, da esperança e da coragem se enquadram? Não é por partes iguais.

(continua)

RESUMO


A fórmula é a seguinte:

[(Confiança a dividir pela Humildade) acrescida daa Esperança] X Coragem = Autoconfiança.


Ao ampliarmos essas qualidades, a autoconfiança será ampliada.

Autoconfiança, primeiro aspecto: Somos o que dizemos ser quando falamos de autoconfiança. Autoconfiança, segundo aspecto: Constitui uma oitava mais elevada do primeiro aspecto. Basicamente enquadram-se do seguinte modo: Enquato o primeiro aspecto da autoconfiança assente na capacidade que tenham de depender do vosso ego positivo para funcionarem, o segundo aspecto da autoconfiança consiste na capacidade que têm de dependerem do inconsciente e do eu superior para funcionarem. Constitui por conseguinte uma faculdade de sobreviverem, não em termos físicos, mas espirituais.

A confiança torna-se conhecimento. Quando alcançam um certo nível da evolução espiritual não precisam confiar mais em vós. Vocês sabem.


A humildade torna-se compreensão. Posicionar-se fora de si de forma a compreenderem e perceberem todos os aspectos em simultâneo. Isso, por natureza, comporta humildade.

A esperança torna-se consciência, sensibilização. A consciência é aquilo em que a esperança se torna porque, enquanto a esperança considera o que se acha copiosamente presente e lhe confere vida com a possibilidade, a oitava maior disso representa o conhecimento de todas as possibilidades, o que representa consciência.

Coragem é Ser. A oitava mais elevada do ser pessoa corajosa representa uma pessoa que é pela totalidade. Ou uma consciência do ser total.

[(O saber a dividir pela compreensão) acrescido da Consciência] X o Ser = Consciência Pessoal dois.


Assim, se pretenderem desenvolver o segundo aspecto da autoconfiança, cientes de que podem depender do vosso eu superior, ter noção de que ele lhes valerá e que jamais os deixará ficar mal. Para chegarem aí precisarão ter passado pelo primeiro aspecto da autoconfiança. Mas aquilo com que passarão a trabalhar não será aquilo em que acreditam mas aquilo que conhecem. E aquilo que compreendem relativamente ao que conhecem. Mais aquilo de que estarão cientes fora de vós. Maior que vós. Pegar nisso e multiplicá-lo pelo grau em que se encontram, confere-lhes esse segundo aspecto da autoconfiança.


Como é que lá chegarão? Há diversos modos por que o poderão conseguir.

Antes de mais, pela consciência dos componentes que compõem a confiança. Que coisa será a confiança? Reflectindo nesses componentes. No significado que terão para vós na vossa vida. De que modo poderão ser mais corajosos. De que forma poderão conseguir uma maior esperança. Como chegarão a alcançar uma maior humildade. Dia sim e dia não. Entendam os componentes e a razão por que querem sentir confiança. "Quem medera ter confiança. Porquê? Não sei. Não será o que todo o mundo desejará?" Por que razão será autoconfiança importante? Conheçam os componentes e a razão por que quererão alcançá-la. E a seguir alcancem-na.


Uma outra abordagem consta do desenvolvimento das faculdades do amar. Do amor-próprio e da autoestima. Porque se desenvolverem as faculdades do amar os factores da segurança acompnhá-los-ão. Serão forçadas a fazê-lo por ser a partir dos factores da segurança que desenvolvem as faculdades do amar. Precisam ter as matérias-primas para produzirem o produto acabado. Saberão que ao desenvolverem as faculdades do amar desenvolverão os factores de segurança e assim irá ser.


A terceira abordagem consta de pen sarem numa situação em torno e em relação à qual queiram sentir confiança. Passem-na rapidamente em revista quais as compensações dessa situação específica. Que aspecto do ego estarei aqui a considerar, ao contrário de me sentir confiante. A que fantasia de adolescente ou de jovem adulto me estarei a agarrar, em vez de me sentir confiante? A seguir visualizem-no a seguir por onde quiserem que siga. Depois invertam a coisa, etc.


A quarta abordagem assenta em assumirem um quociente passado de confiança de uma experiência passada em que se tenham sentido autoconfiantes.


Os elementos essenciais da informação da autoconfiança são:

Ter a satisfação de descobrirem quem são, aquilo que podem ser e aquele que poderão ser e tornar-se mais do que aquilo que são.


A base Espiritual da Motivação assenta na satisfação.

A Motivação Espiritual possui quatro objectivos, que são:

(1) Domínio na Natureza

(2) Criação Consciente do vosso Mundo Material

(3) Completa Felicidade

(4) Liberdade de Ser.


A revolução industrial incluiu o objectivo espiritual mas converteu-o no mesmo objectivo mundano que nunca funciona e que sempre destrói qualquer civilização mais avançada, incluindo a Atlântida, a Babilónia, Roma, a Alemanha de Hitler, o Terceiro Reich Alemão, e a Rússia Soviética. Conduzido pelos Estados Unidos quase todo o mundo, incluindo a União Soviética, acredita an mesma promessa grandiosa. A promessa está agora a falhar, não apenas numa só nação mas com base no mundo todo.


As contrapartidas da Grande Promessa do Objectivo Espiritual são sempre:
(1)     Domínio da Natureza,
(2)     Riqueza de Abundância Número e
(4)     Liberdade de Posse.

As metas Espirituais não dependem de nada mais do que Desejo, Expectativa e Saber.
Normalmente, torna-se virtualmente impossível alguém chegar a conhecer tudo. Normalmente encontram-se na posição de acreditar. O Saber constitui o Produto Final Válido de um Sistema de Crença que se acha consistentemente em consonância com os Princípios Universais. As crenças que se acharem de uma forma predominante, senão complete, em linha com os Princípios Universais, incluem a Cabala, o Cristianismo Original, O Budismo Original. O Sufismo Original, a Teosofia, a Antropologia, mais Gurdjief, Krishnamurti, etc.

Somente se uma crença apontar aos seus aderentes a busca da verdade, sem que dizer em que consiste essa verdade, poderá essa crença estar em conformidade com os Princípios Universais. As pessoas que confiam cegamente na orientação exterior jamais poderão estar em conformidade com so Princípios Universais. Todas as denominaç~eos que alegam conhecer a verdade são falsas. Somente aquelas que não usan técnicas de avaliação que permitem que as pessoas descubram a verdade por si sós poderão possivelmente estar em consonância com os Princípios Universais.

A meta do Grande Sonho baseia-se na abundância de recursos disponíveis e numa cada vez maior produtividade.  Isso são ilusões que conduziram a uma Crise de Confiança, que foram idênticas para toda a civilização que emergiu para depois entrar em decadência.

Autoconfiança, juntamente com a Dignidade Pessoal, o Amor próprio e a Autoestima constituem agentes motivadores.

Quando a Grande Promessa é vista por aquilo que comporta, elas passam a ser altamente estimadas.
O Amor próprio é garantido. É o amor que temos por nós próprios ao nascer.
A autoestima é ganha. É conquistada, em especial da parte do pai.
A dignidade própria é dada. É uma qualidade que não podemos alterar. Contudo, podemos imaginar não ter Dignidade própria. 

A Autoconfiança é ganha.
Sem autoconfiança, o amor próprio e a autoestima são ineficazes. A dignidade própria torna-se teoria e o ego negative reina sozinho. Não crescemos, o medo da solidão torna-se alienação, o crescimento spiritual é sufocado e todas as decisões constam de medo da escolha.
Tal como a Perfeição, a falta de autoconfiança representa uma posturadissimulada do ego.
O amor próprio e a dignidade poderão ser inviabilizadas pelos outros.
A autoestima e a confiança só são perdidas por optarmos por as perder
A lista de recompensas inclui:

Evitar tudo.
Culpar toda a gente.
Sentir-se recto com respeito a tudo.
Agarrar-se às suas garantias.
Sentir pena de si.
Sentir-se melhor que.
Sentir presunção.
Manter o passado.

A autoconfiança, por seu lado, consiste em Confiança, Humildade, esperança e Coragem
Os quatro requisites da Confiança precisam , inicialmente, assenter num factor bom e num factor mau. Em Segundo lugar, precisa situar-se no future. Em terceiro lugar, o mau precisa ser pior que o benéfico apresentar-se benéfico. Em quarto lugar, precisam esperar o benefício. Caso contrário, não confiam.
A humildade consta da predisposição para olhar as situações e a nós próprios de novo, independentemente da frequência com que o tivermos experimentado antes.

A esperança passa por toma rum presente resplandecente de abundância e ver as futuras possibilidades que contém. Não é comparer seja o que for, mas ver possibilidades previsíveis.
O desespero não é algo que nos acometa, mas algo que pomos em marcha.

Não há coisa tal como desespero, mas as pessoas jogam o jogo de "Eu me sinto sem esperança", como se fosse algo que exista que as tenha pregado à parede, paralisando-as do pescoço para baixo. É a recusa de ver as possibilidades, a recusa de deixar que o presente se torne vivo. Que estejamos, por conseguinte, decidindo ser impossível e, com base nessa decisão, a decidir sentir falta de esperança.

Coragem não é machismo, ousadia, resistência à dor e ao sofrimento. Isso é estupidez, já que nada disso é requerido. Coragem é agir a despeito da consciência do medo que sentimos, sem deixarmos que os receios nos paralizem. A coragem é igualmente aquela disposição para ir ao encontro da vida, e não esperar para ver o que sucede.

Coragem é igualmente a disposição para encararmos as pessoas enquanto pessoas que são. Frequentemente ficamos a saber que criamos a nossa realidade e que toda a gente na nossa realidade não passa de fruto da nossa imaginação, uma ilusão.

A pessoa corajosa encara o próximo como pessoa e somente depois como um produto da sua imaginação. Dispor-se a encarar o próximo como uma pessoa real e somente depois dizer “Porque a estarei a criar da forma que a encaro?” A disposição para deixar que seja real. Isso é coragem.
 
Transcrito e traduzido por Amadeu António

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