domingo, 29 de setembro de 2013

A REALIDADE DO DESCONHECIDO





PREFÁCIO DE SETH
 

Traduzido por Amadeu Duarte


Ora bem: Prefácio. Existe uma realidade “desconhecida”, conforme referido. Eu faço parte dela, assim como vós.


Há algum tempo, surgi subitamente por entre o vosso tempo e espaço, e desde então tenho conversado com muita gente. Este é o meu terceiro livro. Nada disto teria parecido estranho para quem quer que fosse se eu tivesse nascido no vosso mundo num corpo meu, conforme é habitual. Em vez disso, comecei a expressar-me ao falar por intermédio da Jane Roberts. Tudo isso esteve imbuído de um objectivo, e parte desse objectivo reside no presente livro.


Todo indivíduo faz parte da realidade do desconhecido. Devido à posição que assumo, todavia, faço obviamente mais parte dela do que a maioria. A consciência psicológica que possuo cruza mundos de que tendes consciência, e outros que parecerão, no mínimo, escapar-vos à percepção. A mulher por intermédio de quem falo deu por si numa situação incomum, por nenhuma teoria – seja metafísica, psicológica ou de outra natureza qualquer – poderia explicar-lhe a experiência por que passou em termos adequados. Ela foi, pois, levada a desenvolvê-la sozinha, e este livro constitui uma extensão de certas ideias que já tinham sido mencionadas no livro “Aventuras na Consciência”. Para o escrever, a Jane Roberts recorreu a profundos recursos energéticos.


Contudo, a realidade do desconhecido revela-se suficientemente desconhecida para os voos habituais da mais flexível das consciências, para o referir em termos que compreendam, por só ser passível de ser alcançada por uma personalidade treinada nela quanto a minha. Uma vez expressada, porém, torna-se passível de ser entendida. Um dos objectivos que nutria, pois, foi o de tornar a realidade desse desconhecido objecto de um conhecimento consciente.


O homem pensou certa vez, para o referir em termos históricos, que só existia um mundo. Agora tem uma perspectiva diferente; mas ainda se agarra à ideia de um Deus, de um Eu, e de um corpo por meio do qual se expressa. Existe um Deus, mas dentro desse Deus existem muitos. Existe um Eu, mas esse Eu é composto por muitos. E existe um corpo, situado numa época do tempo, mas o Eu possui outros corpos em outras épocas. Todas essas épocas temporais têm uma existência simultânea. Historicamente falando, o homem optou por uma certa linha de desenvolvimento. Nela, a sua consciência especializou-se, ao se focar nos pormenores da experiência. Mas psicológica e biologicamente, existiu sempre uma possibilidade de mudança inerente desse padrão, que alçaria efectivamente a raça para um outro tipo de condição.


Um desenvolvimento desses necessitaria todavia, antes de mais, de um escopo de conceitos do Eu alargado, e uma enorme compreensão sobre o potencial humano. A consciência humana encontra-se actualmente num estágio em que tal desenvolvimento é não só praticável, como necessário, se a raça quiser alcançar sua máxima realização.


A experiência da Jane Roberts em certa medida sugere uma natureza multidimensional da psique humana e fornece pistas para as capacidades latentes de todo o indivíduo, que fazem parte da vossa herança racial. Advertem para “pontes” psíquicas que ligam a realidade do conhecido à do desconhecido, nas quais tendes lugar.


Embora possuam conceitos limitados sobre a natureza do Eu, não poderão começar a conceber uma deidade multidimensional nem uma realidade universal em que toda a consciência se revela única e inviolável – e ainda assim dada à formação de infinitas gestalts de organização e de significado.


Nos outros livros que ditei utilizei muitas ideias aceites como trampolim que conduzirão os leitores a um outro nível da compreensão.  A esta altura quero deixar claro que este livro dará início a uma jornada na qual poderá parecer que o familiar é deixado muito para atrás. Todavia, assim que terminar, espero que descubram que a realidade do conhecido é ainda mais preciosa, e mais real, por descobrirem estar iluminada tanto por dentro como por fora pelo rico tecido de uma realidade desconhecida então percebida como emergindo das porções mais íntimas do viver diário.


Os conceitos que têm de individualidade limitam-vos agora pessoalmente e em massa, e ainda assim as vossas religiões, metafísica, histórias, e até mesmo as vossas ciências são fixadas com base nas ideias que têm de quem são e do que são. As vossas psicologia não vos explicam a vossa própria realidade. Não podem incluir a vossa experiência. As vossas religiões não explicam a vossa realidade mais vasta, e as vossas ciências deixam-vos igualmente ignorantes acerca da natureza do universo que habitais.


Tais instituições e disciplinas são compostas por indivíduos, cada um dos quais restringidos por ideias limitativas acerca da sua própria realidade privada; de modo que assim começaremos pela realidade privada e a ela sempre retornaremos. As ideias contidas neste livro destinam-se à realidade privada de cada leitor. Poderão parecer esotéricas ou complicadas, contudo não estão fora do alcance de qualquer um que esteja determinado a compreender a natureza dos elementos desconhecidos do Eu, e do seu mundo mais vasto.


Assim, o livro está imbuído de um começo de carácter privado. O marido da Jane Roberts, Robert Butts questionava-se sobre a morte da sua mãe (falecida a 19 de Novembro de 1973) e numa das sessões, trouxe algumas velhas fotografias. Bom: a vida após a morte tem sido habitualmente descrita em perfeita consonância com a velha ideia aceite acerca de um Eu, e dos conceitos limitados da pessoa. Aproveitei tal oportunidade para dar início a este livro.


O Eu é multidimensional enquanto permanece fisicamente vivo, e constitui um triunfo da identidade espiritual e psicológica, ao escolher constantemente por entre uma miríade de realidades prováveis o próprio enfoque claro e inexpugnável (de modo determinado). Quando não percebeis isso, projectais na vida após a morte todos os velhos equívocos. Esperais que os mortos se diferenciem pouco dos vivos – caso acreditem na possibilidade de uma outra vida de todo – mas porventura um pouco mais em paz, mais compreensivos, e, felizmente, mais sábios.


(A seguir, dando uma enorme ênfase) O facto é que durante a vida posicionais-vos delicada mas ainda assim perfeitamente entre as realidades e após a morte fazeis o mesmo. Eu usei, nessa altura, essa oportunidade para explicar a enorme liberdade disponível à mãe do Robert Butts após a morte – mas também para explicar aqueles elementos da sua realidade presentes na sua vida que lhe tinham sido conscientemente barrados a ele (Robert Butts) devido às concepções que o homem tem sobre a natureza da psique. Teço comentários vez por outra acerca das fotografias que pertencem à família Butts (incluindo a Jane Roberts) mas qualquer leitor poderá considerar velhas fotografias e indagar-se sobre o mesmo, aplicando o que aqui é referido acerca da experiência privada. 


A realidade do desconhecido – em relação à qual vós representais o equivalente conhecido. Assim, conhecei-vos a vós mesmos. A vossa consciência expandir-se-á à medida que se forem familiarizando com estas ideias.


Eu pronuncio-me a partir daqueles regiões do vosso ser que já dispõem da compreensão disso. A minha voz eleva-se de estratos da psique em que também tendes a vossa experiência. Escutem, pois, o próprio conhecimento que já possuem.

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