sábado, 3 de agosto de 2013

AMBRES


 Traduzido Por Amadeu Duarte

Sture Johansson nasceu em 1939, numa área remota no norte da Suécia, e foi o mais novo dos seis filhos de um casal. Após um curto treino académico de sete anos era necessário que fosse trabalhar, primeiro como aprendiz de canalizador e mais tarde como carpinteiro. Posteriormente mudou-se para Estocolmo e continuou a trabalhar como carpinteiro com os irmãos.

Por volta dos anos setenta, a moda da meditação nos moldes orientais começou a tornar-se popular na Europa e na Suécia. Por essa altura a mulher dele juntou-se a um grupo de meditação pelo qual relutantemente ele se deixou seduzir. Sture não conseguia compreender como indivíduos considerados sãos e adultos sentiam ser necessario fechar os olhos e bloquearem a percepção do mundo ao seu redor para poderem encontrar tranquilidade e iluminação espiritual. Habitualmente cansado ao final de um dia árduo de trabalho, era frequente ele adormecer nessas sessões de meditação.

Certa noite ele subitamente acordou para se deparar com o grupo todo a fitá-lo de boca aberta. Desculpou-se pelo comportamento que terá demonstrado, pensando ter estado a ressonar.

“Tu não estiveste a dormir.” Foi a resposta que recebeu da parte de alguns deles. “Alguém passou a controlar o teu corpo.”

Aparentemente, uma voz completamente distinta da dele tinha-se apresentado e anunciado ao grupo que o Sture tinha sido escolhido como instrumento de uma comunicação imbuída de um propósito muito especial.

No princípio ele não acreditou no que estava a ouvir,por não ter a menor lembrança do que tinha ocorrido. Mas a despeito das dúvidas e dos receios que se formaram no seu íntimo, ele deixou que o processo se desenvolvesse.

“Eu sento-me, fecho os olhos, e sinto uma serenidade ao meu redor. Parece que me encontro num baloiço a andar para a frente e para trás, cada vez mais alto até parecer inclinar-me e cair.”

No presente caso, Sture está em comunicação com uma entidade que viveu no Egipto de há 3000 anos, chamada Rameno Charafez e apelidada de Ambres, ou "Cabeça Dura" pelo seu instrutor. Milhares de pessoas por todo o mundo já mantiveram encontros com essa entidade, após a divulgação que a Shirley Mclane fez dele, e colheram benefícios da perspectiva mais ampla que ele apresenta. O que aqui é exposto são alguns breves excertos de uma publicação surgida recentemente na imprensa Sueca, sob o formato de DVD.

Ambres

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Sem o saberdes, pedistes-me que viesse. Mas não estou aqui para vos ensinar nada. Estou aqui para vos levar a tomar consciência do conhecimento que já possuís.

Podeis chamar-me Ambres, mas aquilo que o meu nome significa e quem eu sou não tem importância; somente o que ensino tem importância. Aquilo de que vos falo não é novo. Vós sois capazes de o reconhecer, amiúde, sem saberem porquê; como se já o conhecessem. Com certeza que já o defrontaram antes só que por modos distintos e por outros ângulos.

O conhecimento esotérico sobre o homem e o Todo já foi ensinado por variadas formas de molde a alcançar tantos quantos possíveis na Nova Era. Mas essa profusão de rios e de ribeiros e de riachos possui a mesma fonte.
O homem fala de misticismo e do desconhecido; isso excita-lhe o pensamento, mas também lhe faculta névoas e véus, e torna-se muito fácil deixar-se apanhar pela “terra das sombras”. O homem coloca o misticismo aparte do seu viver diário e do que designa por “realidade” e aborda-o em certas ocasiões e locais, onde passa a empregar rituais e ritos. Aquilo que em si mesmo é natural e óbvio torna-se em algo sedutor e em secretismo. Se pudésseis abordar aquilo a que chamais Segredo Oculto com uma abertura mental, ele abrir-vos-ia as portas a todos os seus segredos, em vez de se dar como actualmente em que se torna numa fonte ou manancial sobre o qual o misticismo coloca o seu véu de névoas que não educa o suficiente.

Tudo o que tem existência tem uma explicação. O que aprendeis, suspeitais ou pensais ver por intermédio dos sentidos faz igualmente parte da realidade. Mas livrai-vos do misticismo que envolve tudo isso.

Não existe mística alguma; apenas ignorância. O mesmo acontece com aquilo a que o homem chama espiritualidade. Ele separa-a do viver diário. Fala de uma vida “espiritual” e também nesse sector cria ritos e cerimónias, pensando que tal espiritualidade deva ser empregue em determinados locais e por determinados indivíduos. Ele bate no peito, no seu fervor espiritual, e coloca-se acima daqueles que não obedecem ao mesmo. E em resultado, a espiritualidade torna-se algo separativo, ao invés de unificador.
O termo “espiritualidade” deveria ser apagado e substituído pela compaixão humana. Tornar-vos no próximo e utilizardes a compaixão e o amor no local de trabalho e onde viveis; isso representa realmente um viver espiritual. É na vida do dia-a-dia que descobris a vossa vida e o vosso trabalho.
Tudo traduz uma unidade. Jamais devereis formar qualquer sociedade em torno dos meus ensinamentos. Eles devem permanecer abertos e isentos de qualquer coerção para com todo e qualquer um que queira ter parte no que é oferecido. Àquele que me escuta e sente vontade de conhecer mais, eu convido a voltar. E àquele que me escuta e em seguida escolhe não voltar, eu estendo a minha bênção. Nesse caso, um outro mestre o aguardará, ao longo do seu percurso.
Isto não é nenhuma religião. A religião é a força que o homem utiliza para atar e petrificar aquilo que lhe é facultado. Estes ensinamentos têm como objectivo o contrário dessa cristalização, designadamente instaurar liberdade em relação a todo o dogma, em relação à divisão, e à proibição. Por isso, aquele que busca a religião em tudo quanto enunciei, veio ao local errado. Isso dá-se com tal facilidade que,  o que cresce livremente na vertical é forçado a inclinar-se no sentido do solo. Essa é a forma que o homem utiliza para constantemente procurar fazer do inconcebível algo imaginável. Ele sempre procura forçar tudo ao seu nível subjectivo de entendimento em vez de voltar o olhar para cima, em direcção ao plano onde a sua própria sabedoria o aguarda, qual tesouro.
A falta de confiança que o homem carrega em relação a si próprio e aos outros constitui o seu maior obstáculo. Qual prisioneiro acorrentado,  ele deambula ao redor, com pesada bola de ferro atada ao tornozelo. Ele arrasta-se na sua culpa, e carrega a desconfiança e toda a concepção hereditária proveniente de inumeráveis gerações anteriores.

Eu gostava de demonstrar que, se ao menos ele olhasse para baixo e escrutinasse a sua condição, haveria de descobrir que a corrente pesada que carrega não passa de um fio delgado de teia de aranha, e que a bola negra e pesada constitui apenas um balão. Mas o homem precisa sentir disposição para perceber isso. Se não o quiser, ele permanecerá no velho paradigma; aí, encontrará a religião que busca. Mas eu, e aquilo de que falo, jamais devemos associar-nos a qualquer tipo de religião. Aquilo que transmito é conhecimento relativo à vida. Partilho convosco o conhecimento que possuo da Vida. É isso que eu quero despertar de novo em vós. Prossigamos, pois, juntos, na transmissão do Novo que diz respeito à Nova Era.

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Eu constituo apenas um elo numa cadeia de vozes que vos falam. Depois de mim, outros elos se seguirão.

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Vós viveis num mundo de abundância no qual aqueles que detêm o poder controlam 90% de todas as vantagens existentes neste planeta. São pessoas que carecem de sentimento de empatia. De onde descenderão? De onde procederá esta doença mental que vos impede de despertar? Eu jamais me deixarei sucumbir. As pessoas precisam ver. Sois capazes de sentir nos vossos corações aquilo de que estou a falar. Isto é a verdade.

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Para que esta ordem de coisas sofra uma mudança, alguém terá que ter a iniciativa. Muitos encontram-se já nesse processo e esse florescimento espalhar-se-á por muito tempo mesmo depois de eu ter abandonado este instrumento.

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Também tenho consciência de que quando isto alastrar, o velho modo de pensar procurará defender-se com autoridade. Aqueles que percorrem os caminhos do amor jamais lhes farão frente com armas mas afastar-se-ão e permanecerão livres. Onde um cair outro se levantará. Este mundo irá tornar-se num cenário insano durante algum tempo antes do homem despertar e alcançar a compreensão intuitiva. Isso já está a ter lugar. Esse cenário já tem existência onde nações fraternas se combatem umas às outras e onde as pessoas se estão a armar, não pela causa da paz mas para se aniquilarem mutuamente.
Mas não é isso o que procuramos. O que procuramos é a aproximação, a igualdade e a liberdade. Soa-vos familiar? A maioria dos que permanecem no poder mencionam isso: “Fraternidade – um mundo sem fronteiras. Mas uns são mais desprovidos de fronteiras que outros, não é mesmo? Precisam governar para que a fraternidade seja obedecida, e dizem: “Precisamos governar para que a liberdade seja obedecida.” A liberdade não precisa ser governada. Nem se governa a si mesma – ela simplesmente torna-se patente. Tampouco a fraternidade necessita ser governada – ela também se torna patente por si só. Só que as fronteiras impedem-vos de experimentardes a fraternidade.
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Vós deixastes um estado a que chamais a Era de Peixes. É a era da contenda. Na era de peixes deram-se guerras religiosas; elas ainda prosseguem, mas actualmente achais-vos num período de transição na passagem para esta Era de Aquário. Pode-se ver o Aquário a deslizar suavemente no céu. Uma enorme quantidade de paz despertará e diz-se que o “Príncipe da Paz” despertará igualmente, se ao menos o homem for esse “Príncipe da Paz”. Não se trata de nenhum homem ou mulher em particular, mas muitas mulheres e homens a caminhar lado a lado e de mão dada, sem que importe a origem étnica nem as crenças religiosas que defendam. Eles deambularão com abertura do coração e não perceberão quaisquer fronteiras a dividir o mundo, mundo esse que sentirão vontade de recrear. Tudo o que eles percebem são indivíduos ilimitados num mundo ilimitado.
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Por que razão, pois,  me encontrarei aqui neste momento? Por que razão marcarei presença neste momento por meio deste instrumento? Penso já ter respondido, em parte, a essa questão, sabem,  mas para vós isso não é suficiente. Também desejais saber de que modo será possível apossar-me de um corpo, obliterar parcialmente uma outra consciência e assumir as suas funções. Ne verdade não é assim tão difícil, e não encerra qualquer mistério. Eu pretendo neutralizar o esoterismo e remover o mistério em que se acha envolto. Também pretendo fazer-vos ver que através do mistério e de todo o drama, vós criastes expectativas às quais jamais podereis corresponder. O mistério restringe as pessoas. Eu gostaria que vísseis que vós sois um dos mistérios mais vastos jamais vistos. Vós possuís uma possibilidade e capacidade inatas e o poder de recrear e de transformar. E isso é notável e divino, e capaz de chegar perto daquilo que sois. E vós sois deuses, só que sem terdes consciência disso.

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Vós dispondes dessas “cirurgias” em que operais os genitais, os lábios genitais das crianças, e em seguida mencionais a religião – a religião nada tem a ver com isso. Isso não passa de um meio que o patriarcado e o chauvinismo dos “deuses” empregou para subjugar a mulher. O silêncio da mulher constitui um outro aspecto das palavras de S. Paulo. Deveremos nós, velhos espíritos, falar disso? Vós dizeis: “Tudo bem, Ambres, tu estás desse lado e não entendes aquilo a que aqui nos estamos a opor.
Eu posso não pescrutar tudo no vosso lado mas defronto aqueles que passam e converso com eles. As vítimas de maus tratos, os proscritos, os que sofreram segregação na vossa sociedade. Deparamo-nos com os pobres, as crianças, e constatamos as suas necessidades e os seus anseios – o desejo desesperado que têm de serem reconhecidos e aceites. Existe todo um mundo à espera de ser descoberto.

Onde pára o bom samaritano? Não existirá mais? Não passará de um capricho das vossas escrituras sagradas? Onde está a compaixão? Se alguém é banido e jaz ensanguentado à beira da estrada – não podereis deter-vos e tomar conta dele? Não, a maioria passa e diz: “Eu não o vi.” Não - não quisestes vê-lo. Uma mulher ou uma criança deambula pelas vias da prostituição e vós dizeis: “Ora, alguém mais poderá cuidar disso,” e saís em debandada, à pressa. Será assim que deve ser no vosso mundo?

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Em cada doutrina e ordem religiosa subsiste uma estrutura hierárquica que impede que as pessoas se ergam. Porque, se se erguerem, terão que se livrar da religião. A maior parte das vezes não conseguem fazer parte da religião e tornar-se livres – por se acharem cativos de um mundo conceptual. Muito dirão: “Não é assim. Sempre que entro numa Igreja experimento uma grande sensação de harmonia e de amor ao meu redor. Sei que o Cristo morreu pelos meus pecados.” Sim, fico feliz por vos satisfazerdes com a vossa religião. Mas existem milhões de indivíduos de várias ordens religiosas que se acham aprisionados por causa da fé que professam, e sofrem a morte do mártir todos os dias. Mas já houve demasiados mártires. E enquanto existirem mártires esta loucura prevalecerá junto das pessoas e anulá-las-á. E elas definham como centelhas no cosmos, por causa da fé. Mas os mártires não fortalecem os direitos humanos – só os deuses o poderão fazer.

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As pessoas são muitíssimo mais do que expressam enquanto indivíduos; mais do que meros sujeitos. E carregam no íntimo algo muitíssimo mais nobre que precisa ser visto com toda a atenção. Mas isso assusta-as. Um dos vossos maiores líderes disse, certa vez: “Vós não receais a vossa pequenez mas a vossa grandeza.” E eu estou completamente de acordo com ele. Temeis olhar para vós e perceber o conhecimento que todos possuís. Porque se o virdes, ninguém vos poderá impedir de cooperar uns com os outros – nem vós próprios! E só através da cooperação se poderá demolir as barreiras.
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Falamos de desastres. E o Homem constitui um desastre natural, um dos maiores que já se abateram sobre este mundo. Tem estado activo há milhares de anos e refere direito próprio. Nada mudou em três mil nos a esse respeito. A vossa tecnologia obviamente mudou imenso, mas já não estais ao leme. Usais a vossa tecnologia para dominardes e obedecerdes uns aos outros. Nada mudou em três mil anos. Travais batalhas; falais de democracia como se de algo óbvio se tratasse, mas não existe democracia alguma no vosso mundo. Falais de democracia mas distribuição não é democracia. O que existe é uma cooperação dictatorial entre os que estão no poder e que governam o mundo pelo medo. E vós permitis que isso ocorra. Sei muito bem que é perigoso falar disso. Acreditai que o sei bem.
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Vós criastes o caos que defrontais com a vossa capacidade de deuses; cabe a vós endireitar as coisas. Mas precisais obter o entendimento e de tomar consciência de possuirdes capacidades e possibilidades. Mas, antes de mais, precisais eliminar os obstáculos, designadamente o poder e a luta pelo poder: poder religioso, poder financeiro, poder sobre a matéria, poder sobre as pessoas. Precisais descobrir outra fonte interior, nomeadamente a fonte do amor. Assim que a atingirdes, ver-vos-eis livres da contenda e do conflito e descobrireis na palma da mão todas as respostas que procurais. Isso é tudo o que precisais compreender. Tanto interior quanto exteriormente. Tendes tudo o que precisais para compreender o vosso próprio ser.

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Por conseguinte, quando e onde deverá isso ser levado a cabo? Não pode ser implementado por intermédio das organizações. Não podeis dizer: “Combatamos a pobreza, vamos consolidar a paz a pulso”, porque jamais estabelecereis a paz desse modo. Precisais começar por onde vos encontrais. Somente aí podereis desenvolver-vos, e se vos transformardes por acção do amor, o mundo ao vosso redor mudará. As pessoas abordar-vos-ão e perguntar-vos-ão: “Pareces tão agradável, tão harmonioso, tão equilibrado. Poderei acompanhar-te?” E vós repondereis: “Claro, juntai-vos a mim. Vamos agir em conjunto.” Progressivamente as pessoas deixar-se-ão infectar e o amor espalhar-se-á, pela Graça de Deus. Mas se procurardes poder por intermédio do amor, tê-lo-eis perdido.

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Quando nasceis sois acolhidos pelos pais e pela sociedade que, naturalmente procuram dar-vos o melhor das suas vidas. A isso se chama "Condicionamento". Ser-se condicionado para encaixar num determinado molde. E existem muitos moldes desses por todo o planeta. São aquilo a que chamais as malhas raiz ou estruturas enraizadas. Essas estruturas tomam conta das pessoas e garantem-lhes um lugar no mundo onde se sintam seguras – desde que obedeçam aos seus moldes. Na abordagem esotérica isto é igualmente designado como o mundo da ilusão (Maya). É o mundo imaginário que as pessoas ocuparam. Eu garanto que as pessoas são mais do que meras descrições, e quando nascem comportam um conhecimento formidável no íntimo. Regra geral, jamais chegam a entrar em comunhão com ele mas fecham-lhe as portas, dizendo: “O que costumava existir... que será?” Vós fostes condicionados, e o que terá existido antes do mundo ser criado para vós – que terá sido?

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Quando vos deparais com um bebé deitado no berço dizeis: “Como é belo, como é adorável, calmo e harmonioso.” E quando o olhais nos olhos percebeis algo como uma ponte a estender-se do presente ao futuro e do futuro para o momento. Questionais-vos sobre o que perceberá e o que experimentará, e dizeis: “Percebe o mesmo que nós mas não é capaz de o expressar.” Isso é verdade. De certo modo vê o que vós conseguis ver mas carece de meios para o descrever. Os termos, as palavras, reduzem um retracto, uma imagem ao detalhe e ao pormenor. Eventualmente a criança passará a viver num mundo de destaques e de pormenores. Todo o rompimento de uma linha quase como um quebra-cabeças em que cada pormenor do puzzle faz parte do cativeiro a que chamo Ilusão. Essa ilusão é composta por muros erguidos com base no idioma e nas emoções de separação. Esses muros hão-de ser usados como espelhos onde podereis fazer face à confirmação. A minha missão consiste em vos levar a um nível em que antes tereis existido, antes de o mundo ter sido criado.

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O desenvolvimento é constante. Onde terminaremos? Em que consistirá esse “fim”? Não faço a menor ideia. Tudo o que sei é que nos achamos numa formidável e espantosa jornada em que o esclarecimento espiritual dá lugar a um maior esclarecimento. Se precisasse tentar, aqui e agora, por intermédio deste instrumento, explicar aquilo que reside no exterior, tal assemelhar-se-ia a explicar o inexplicável nos termos da ilusão. E tal não pode ser feito. Não vos sucederá com frequência procurardes partilhar uma emoção e sentir-vos impossibilitados de encontrar um equivalente que veicule tal sentimento? Ela só poderá ser sentida. Não a podeis propor nem esperar que os outros a vejam porque vos considerariam como se estivésseis doidos: “Que estás a tentar transmitir? Nós não compreendemos.” É isso mesmo.

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Tantra – Um Ramo do Ioga
A sexualidade faz parte da vida. A sexualidade não se acha meramente associada à esfera do amor subjectivo. Vamos dedicar-lhe a nossa atenção por um instante...

A sexualidade não precisa incluir nenhuma forma de amor e é capaz de comportar violência, opressão e coisas afins – em cujo caso o amor não se torna num factor vigente. Além disso, a sexualidade constitui um poder natural de propagação. Mas gostava de referir algo mais a respeito da sexualidade. É frequente as pessoas falarem dela.
A Lei do Tantra implica várias técnicas. Tantra tanto significa expansão como estrutura. É esse o significado etimológico do termo Tantra. Podeis expandir-vos quase de forma ilimitada num determinado estado. Nesse estado consigo abranger quase a vida toda – ou se não abranjo a vida toda, abranjo a vista que se enquadra no presente compartimento, e o compartimento é a própria vida.
Quando referimos o Tantra referimo-nos ao soltar, ao deixar ser, ao soltar a pressão que se exerce, inerente à ausência de limites de um determinado estado. Se limitardes essa expansão circunscrevê-la-eis a uma moldura, só que a expansão que brota do Tantra não pode ser limitada.

Por vezes as pessoas interrogam-me em relação à sexualidade tântrica: “Poderemos aprender a penetrar no domínio do Tantra?” Eu costumo esquematizar isso num quadro e desenhar um triângulo em cujo interior coloco um homem e uma mulher. O triângulo representa uma elevação no terreno ou um monte, que ambos passarão a escalar. Mas colocámo-los no fundo, damos o sinal de partida, e dizemos-lhes: “Precisais alcançar o cume ao mesmo tempo.”
Que faz a mulher? Ela começa a escalar o monte mas permanece numa exploração constante; avança e recua, observa a paisagem, aprecia as flores e acha tudo espantoso. Acha-se presente em todos os estados e desfruta da situação de que goza. O homem, por seu turno, acha que aquilo envolve competição, ou seja, acelera, feito doido, a fim de alcançar o cume onde poderá exclamar: “Eureka, cheguei aqui primeiro!”
A mulher, que só escalou um terço da elevação, escuta o troar de conquista vindo de cima e observa o desmoronar da virilidade do companheiro. Este é um retracto bastante exacto do modo como a sexualidade subjectiva funciona. O princípio masculino visa satisfazer a sua necessidade, que se aproxima bastante do reino animal, neste caso – pela cópula efectiva. Quando se tem por objectivo a propagação e a sobrevivência, o homem representa o caçador que parte em busca da fêmea para copular com ela.
Mas o Tantra não trata de cópula. De acordo com o Tantra, a sexualidade possui um objectivo mais elevado porquanto por seu intermédio se pode alcançar um estado próximo ao do Sopro do Deus Pai e Mãe, por meio do qual se poderá apreender o seu acto de amor - e o amor representa o Tantra. Existe na esfera do Tantra um estado no qual podereis sentir com se fizésseis parte de cada planta, animal ou homem. Num único abraço dais por vós presentes em meio à totalidade da vida. Podeis sentir não vos achardes separados da mulher nem do homem com quem vos encontrais. O Tantra jamais se apressa, e pela sua implementação abandonais todo o anseio relativo à expressão do acto.
No mundo do Tantra, o acto não tem início
à noite mas começa assim que abris os olhos pela manhã para prosseguir durante todo o dia até ao anoitecer do dia seguinte. Significa permanecer num sentido de presença em meio ao que estais a fazer. Sempre que lavais os pratos, descontraí; o que de certo modo constitui um acto sensual, sexual. Ou quando vos relacionais com a tarefa que estais a fazer quando esfregais os vossos soalhos; descontraí e não abrigueis qualquer anseio nem tensão, emoção ou busca de resultado, pensamento. Desprendei-vos. Presentemente pareceis encarar essa condição como se de um inimigo se tratasse, a ser derrubado, mas em vez de vos desprenderdes, amaldiçoais o processo. E aí, o acto de terminar a tarefa de limpar o chão precisa ser completado tão rápido quanto possível, assim como a tarefa de lavar os pratos. As engrenagens do Tantra...
Se considerarmos a analogia da roda, com os seus raios e o fulcro – a roda representa o símbolo feminino. O fulcro simboliza a vagina. A roda é o Tantra, que se acha em revolução e expansão. Os raios indicam o modo que a expansão emprega, no sentido do exterior. É verdade que a roda se acha confinada a certos limites, mas simbolicamente traduz a acção de girar. Mas não pode andar à roda se não estiver ligada a um eixo. E o próprio eixo constitui o símbolo masculino. O eixo não se pode mover se não tiver roda para o fazer avançar. Mas a roda também não poderá mover-se se não estiver apoiada no eixo. Ambos estão interdependentes. Somente quando a roda se encontra agregada ao seu eixo é que poderá andar às voltas e expandir-se. Só que o acto de se desprender é requisito indispensável tanto em relação ao princípio masculino como ao feminino para que se achem em estado de equilíbrio.
Na presença do homem ou da mulher, no espírito absoluto da sexualidade, o acto não constitui o ponto crucial. Ou melhor, o orgasmo não constitui o ponto crucial. Em vez disso é alcançado com algo diferente. Ou seja, algo passa a fluir no vosso íntimo e quando vos encontrais na presença de um homem ou de uma mulher, o acto pode durar dias, semanas e até mesmo anos, sem chegardes a consumar qualquer união física. Também pode estar associado (a uma) pessoa, em cujo caso sofrerá uma aceleração.
Muitos explicaram que o orgasmo tântrico, que pode fluir durante horas, dias ou semanas, se torna perceptível naqueles que penetraram na esfera do Tantra, por lhes acontecer algo, pelo que passam a mostrar os corpos electrificados. Obtêm essa energia característica dos deuses, por meio da qual tudo se torna possível. Mas quando as pessoas correm atrás do Tantra, procuram implicitamente reduzir-lhe a esfera apenas à da actividade sexual – o que é completamente errado.
O Tantra deveria ocupar-vos o dia todo e mostrar-vos que a vida não passa de um assombroso jogo composto por variedade. Deveis servir-vos dessa variedade mas com cuidado, e ter consciência de que essa variedade não vos pertence somente a vós, mas aos outros também.
Eles deambulavam pelo jardim. Nesse jardim existia um lago e fazia calor. Ela despiu-se entrou na água, dizendo-lhe para fazer o mesmo.
Disse-lhe: “Vem deitar-te ao meu lado, mas não  me toques. Quando conseguires sentir a água a envolver-te e me sentires a mim igualmente na água, a nossa união terá início. Quando puderes sentir a margem a vir ao teu encontro, então ergue-te, mas não passes para ela. Permite-te flutuar e sentir cada planta a estender as suas raízes para baixo, a sugar a água. Torna-te num só com cada planta, com cada animal com que te depares no teu caminho. Aí a nossa união terá início. Pouco a pouco sentirás o meu corpo como parte da água, parte do terreno e da planta. Penetraremos num estado de unidade – não do corpo, mas de milhares de corpos que continuam a trepar cada vez mais, para cima. Flutuaremos num estado que jamais poderá assemelhar-se ao orgasmo físico, o qual não passa de uma pálida aparência do Tantra, em que o princípio masculino e feminino se acham em união.” Naturalmente.
Quando um homem ou uma mulher se reúnem na sua sexualidade, no âmbito do Tantra, ele torna-se notavelmente mais forte. De tal forma notável que o homem não consegue compreender – enquanto assumir o papel de caçador, enquanto ela for encarada como uma preza, enquanto a sexualidade significar unicamente a busca do orgasmo, um orgasmo físico subjectivo.
Aquilo de que falo é do orgasmo cósmico, ilimitado. Podeis despertar amanhã a sentir-vos incrivelmente felizes. Por vezes conseguis isso, não? A primeira coisa que fazeis é interrogar-vos sobre a razão de vos sentirdes satisfeitos. Começais a pensar e logo a felicidade se esvai, e tudo regressa ao normal. O Tantra significa aproximadamente o mesmo. Á medida que aprendeis a flutuar no mundo do Tantra, o ego regressa e pergunta: “Como serei capaz de ser tão incrivelmente sensual e tão incrivelmente presente?” Mas a essa altura o Tantra já se terá evaporado. O facto de não poder estabelecer-se na base da força da vontade significa um abrir mão das necessidades subjectivas e um deslizar para um estado de presença, o qual se acha completamente em união com a totalidade da vida.

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Antes de mais... preciso descobrir o que é que me está a bloquear – o que é que me está a criar este medo. Quando conseguir alcançar o medo que sinto e combater essa Hydra (monstro com nove cabeças) só então estarei preparado para reconquistar a minha posição original na vida. Ou seja, expandir-me nos domínios do Tantra – e do sensualismo da vida, completamente sem medo, onde poderei experimentar o Amor Incondicional sem ser como um fardo, mas como factor de libertação.
Poder-se-á dizer: “Se chegar a realizar o Amor Incondicional, conseguirei valer-me a mim próprio?” Esquecei tal coisa! Isso não passa de uma tentativa de aplicar o Amor Incondicional à esfera subjectiva e de pensardes ser ilimitados tanto no pensamento como na acção.

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Mas há ainda a história do monge e da pedra esférica. Já a conheceis, não?

Um certo monge encontrou uma pedra completamente redonda no jardim do mosteiro e disse: “ É tão bonita. Vou levá-la comigo para a cela e vou colocá-la na prateleira, sobre a minha cama.” Mas o carpinteiro não era lá muito habilidoso e tinha deixado a prateleira inclinada para a frente. Assim que o monge lá colocou a pedra, ela começou a rolar. Dias mais tarde, o monge ainda tentava colocar lá a pedra, mas ela continuava a rolar borda fora. Várias semanas mais tarde – o mesmo. Quatro meses e alguns dias volvidos a pedra subitamente deteve-se. Que terá acontecido? Alguém se lembrará de dizer: “É óbvio que a prateleira devia ter algum relevo.” Não, não havia qualquer relevo. “Nesse caso, a pedra simplesmente achatou.” Não, ainda continuava arredondada.
Alguém terá dito: “Ele colou-a à prateleira.” Mas também isso está errado. A resposta é mais simples. A pedra cansou-se do monge. Afirmo categoricamente que quando conseguirdes um paciência assim, tereis grandes hipóteses de permanecerdes presentes em todos os momentos das vossas vidas.

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Por falar em reencarnação. Frequentemente as pessoas dizem para consigo próprias: “Eu estive encarnado em tal e tal parte, antes de aqui me encontrar. Já estive num outro ambiente e num outro corpo.” Mas sempre presumem ser aquele que se acha actualmente encarnado. Eu afirmo que não; absolutamente. Vós jamais encarnais. Algo encarna. Aquilo a que eu chamo o Ginete, o Piloto ou Cavaleiro, a quem também trato por o Ser Interior Divino. Esse Ginete medirá o tempo? Não. Aferirá ele espaço ou distância? Não, não afere tais coisas. Porque o Ser Interior Divino sempre existiu e sempre existirá. É essa pessoa quem encarna. Possuirá ele um corpo? Não. No entanto prende-se a um corpo, em cada vida, com a consciência de que, tanto na morte como na vida as experiências são para ser vivenciadas. Ele adquire as suas experiências através das pessoas. Vós sois todos instrumentos destinados ao uso: a sintonizar na perfeição; instrumentos excelentes. Vós carregais algo formidável dentro de vós; uma fonte incrível de conhecimento que se traduz por todas as encarnações anteriores desse Ginete, que se traduz pela vossa personalidade básica. Os mestres do esoterismo e aqueles que propagam o ensino designam isso como os Registos Akáshicos – ou o Livro da Vida.
Contudo, é peculiar. É como imaginar o talo de uma erva a retratar o Ginete. Colocais amoras silvestres alinhadas no talo; cada amora correspondendo a uma vida. O Ginete introduz-se nas amoras todas, nas vidas todas. Acha-se encarnado em todas essas vidas mas vós representais a última.
Se dermos uma olhadela na cronologia do Ginete, ela mantém-se intacta. Ele não tem noção do tempo segundo o sentido em que o empregais. Por falar de encarnações – se movermos o talo de erva assim (estira-a com ambas as mãos ao comprido) poderemos notar as amoras todas dispostas nele. Mas se a deslocarmos e a olharmos assim (alinha ambas as mãos em frente ao nariz) só perceberemos um amora no término desse talo, que sois vós. Mas por detrás de vós ocultam-se todas as outras.
Elas têm existência no mesmo talo, no mesmo Ginete. O Ginete carrega todas as encarnações consigo ao entrar numa nova encarnação. Também podemos notar um ponto brilhante no corpo etérico, ao nível do ouvido. Representa aquilo a que chamo a Testemunha, a soma das vossas entidades todas. Numa vida, ele recolhe toda a informação, inclusive aquela que tenhais suprimido ou esquecido.
Nas experiências de quase-morte e nas experiências de estado de choque, a Testemunha de repente põe-se a reproduzir quase como um gravador cósmico. E todas as impressões se acham lá, desde a primeira, nesse gravador cósmico. As pessoas ficam espantadas com a precisão com que tudo se acha lá encerrado. Até mesmo aquilo que tenha sido esquecido se fará presente.

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O Ginete não alberga qualquer sentido de temor. Quando vos achais integrados nele, o vosso modo de vida deixa de existir. Vós tornais-vos parte dele. Se perguntardes: “Ambres, as guerras acabarão? Será todo o mal existente no mundo será erradicado?” Não. Ainda terá existência por meio de quantos sonham no estado de Maya e sentem medo. Haveis de o perceber e de o compreender – e de deixar de o combater. Em vez disso haveis de agir. Se o combaterdes tereis criado outro conflito. Amai e tornar-vos-eis no amor mais incondicional que existe. Mas podereis dizer: “ Mas, eles podem tirar-me a minha vida, matar-me.” Eu afirmo: “Sim, talvez. Mas haveis de morrer sem temor, por saberdes que a morte não significa o término da vida. A morte pode ser quem mais sabe sobre a vida. Mais do que a própria vida. Se caminhardes de mãos dadas com a morte haveis de descobrir que ela dirá: “Resolve-te. Vai junto do teu inimigo, toma-o nas mãos e diz-lhe o que o teu coração te propuser. Desculpa. Eu amo-te. Peço o teu perdão. Peço a tua compreensão. Eu não sabia o que fazia.”
Isso não representa uma derrota mas uma vitória - uma vitória sobre o Ego. É assim que o Ser Interior Divino age, na sua jornada ao longo da vida; sem acusar ninguém e tomando consciência da razão por que as pessoas lutam; e de que lutam por temor.
Pude recentemente dirigir-me a um indivíduo que estava às portas da morte. A morte faz parte da própria vida. É como dois irmãos gémeos que necessitam do apoio um do outro. Quando errastes em direcção à vida, a morte acompanhou-vos à semelhança de uma sombra. Quando cruzardes o umbral da morte, a vida seguir-vos-á, à semelhança de uma sombra. Ambos sois amigos e não inimigos.

No entanto, compreendo a vossa preocupação. Em meio à vida que levais, a morte parecer-vos-á um término pelo que associais a morte à dor.
A humanidade anseia pela vida eterna – na carne. As pessoas desejariam permanecer para sempre na sua juventude e talvez na sua vida adulta. Não conseguem objectivar que se trata de um processo, de um desenvolvimento que acompanha as leis da vida e da morte.
Tentou, ao longo de milénios, criar uma definição do homem. Mas o Homem assemelha-se a uma flor que murcha no Outono. Na Primavera volta a apresentar-se, na mesma raiz – mas com pétalas e flores completamente diferentes. Ele regressa ano após ano, na mesma raiz, de cada vez a crescer mais e a florescer, sempre diferente no formato, mas consistente na cor, naquilo porque todos anseiam e buscam. O que se teme é que a consciência se desvaneça; que não exista vida após a morte. Nesse caso, que origem terei tido?
De acordo convosco, eu venho de um local onde é suposto não existir vida – e onde a vida após a morte não passa de um mito. Se disserdes que o vosso corpo seja a vossa consciência, estareis errados. Por intermédio do vosso corpo pode-se revelar a vossa consciência e a vossa existência através do pensamento e da emoção. Direis: “Mas, se perder o meu corpo, nesse caso estarei liquidado. Como poderei, pois, manifestar emoção, ou revelar que permaneço vivo?” Não o podereis mostrar neste mundo físico externo.
Podereis deslocar-vos por entre esses dois mundos? Absolutamente. Já o fazeis, sem o saberdes. Passais por experiências astrais, o que é aproximadamente o mesmo. Vindes até ao nosso lado, e não estais mortos, mas ancorados no corpo, ao qual retornais. Isso é mais comum do que julgais. Mas é frequente perceberdes isso como não passando de sonhos. De manhã podeis sentir-vos estranhos: “Penso ter encontrado  o meu pai, a minha mãe, a minha irmã, ou outros parentes, durante a noite.”
Eu digo-vos que isso pode ser verdade, e que provavelmente não terá sido sonho nenhum. Passastes para este lado sem saberdes que o fazíeis.
Pergunta: “Este ser luminoso (conforme é comummente indicado) O que é? De quem se trata? Muitos associam-no a um líder religioso, mas não é. Somos nós, aqueles que se encontram deste lado. Não se trata de ninguém em especial. Poderíeis dizer que dispomos de todos os tipos, neste lado, ou seja, indivíduos que transitaram da matéria e que trouxeram consigo os seus anseios, os seus sonhos e as suas visões. Eles passaram pelo processo e não se depararam com nenhuma condenação. Ao invés, terão recebido graça. O que não quer dizer que a vida tenha cessado a essa altura. As pessoas continuam a desenvolver-se aqui, só que sem conflito e esforço. Outro tipo de amor intervém. Todos os que se acham deste lado nos abordam como seres de luz, ou criaturas absolutamente fantásticas. Mas, de forma bastante interessante, quando nos estabelecemos na vossa matéria e somos atraídos para baixo e nos tornamos presentes nela, somos afectados pela sua gravidade. Acontece algo espantoso à medida que uma parte de Maya (termo do oriente que designa Ilusão) e uma parte do desejo parecem estabelecer-se.
Essa é a mensagem do desenvolvimento que é incrivelmente lenta e incómoda; contudo, espantosa e fascinante.
As pessoas  dizem que muitos neste lado são iluminados mas não é assim. Isso só pode ocorrer no vosso lado. Aí, pode-se alcançar a iluminação, se isso for o que desejardes chamar-lhe. Um forte atrito é passível de provocar um tremendo desenvolvimento; onde o atrito não tem lugar, o desenvolvimento torna-se lento. Aqui dispondes de uma oportunidade única e formidável de divisar ou entender por meio da natureza irreal da vida. Contudo, isso exige que vos volteis para vós próprios e vos interrogueis: “Que existirá no meu íntimo? Que terá existido antes do mundo existir e foi sido criado para mim? Que terá existido então?”

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Na verdade é como se toda a tensão do mundo de Maya venha connosco, só que para ser descartada.

Pergunta: “Instantaneamente?”
Por acaso, sim. Se alguém que tenha experimentado uma forte agressão se achar preso à matéria e note ser difícil abrir mão dela... tal como ter sido agredido ou ter sentido um profundo amor por uma pessoa, ou afeição pelas suas posses, e ache difícil abrir mão delas.

Alguém certa vez terá dito:  “Ambres, não consigo imaginar mais ninguém  a viver sob o mesmo teto que eu, depois de eu ter passado desta vida.”

Ao que terei respondido:

- “Que importância terá isso?”

- “Trata-se da minha casa.”

 - “E tu, vais montar lá guarda? Vais permanecer nesse apego e vigiá-la?”
Ao que o indivíduo respondeu:

- “É provável que permaneça ali sentado por muito tempo a vigiar aquele que vier a tomar conta dela.”
- “Nesse caso, serás como aqueles que se mostram aos residentes novos das habitações antigas. Passarás a existir numa área de semiobscuridade em que não passarás completamente para o nosso lado. Não terás cruzado o umbral e permanecerás na zona de obscuridade entre duas regiões, digamos, ou estados mentais. Não terás passado por completo por te achares demasiado apegado à matéria.”

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Existem também aqueles que se acham obcecados pelo ódio, pela vingança e que são invadidos por tal sentimento de vingança, que assim que finalmente cruzam o umbral, permanecerão bastante junto à matéria. Chamais-lhes espectros ou fantasmas. Acham-se presos numa área de vingança ou de sucessividade ou lá o que for, e podem aí permanecer por centenas de anos... ou até séculos. Não são limitados pelo tempo nem o percebem nos mesmos moldes. E podem assustar-vos; todavia não são perigosos, em absoluto. Mas quando vos achais presos na ilusão, sentis não existir mais nada além deste mundo. Há muitos que conseguem falar com eles e vê-los, e faze-los sair daquela condição em que se encontram. É bom que existam indivíduos assim, que sejam capazes de experimentar e de ver.

Pergunta: “Será possível preparar-nos para a passagem?”
É claro que podeis. Muitos simplesmente escolhem partir. Noutras culturas chamais-lhes místicos ou indivíduos dotados de elevada espiritualidade que são simplesmente capazes de escolher partir. Não temem a morte mas têm consciência de se tratar de uma mera transição, e abandonam o corpo; saem dele, mas não estão mortos. Isso é tudo um tanto perturbador.
Eu encontro-me aqui sentado, a tomar a meu cargo este instrumento. Para todos os efeitos eu devo estar morto. Mas, a minha existência neste instrumento não servirá com uma evidência de que não estou morto? Necessito de um corpo para vos transmitir uma mensagem. Quando cunharam a expressão, “O meu amigo fulano de tal, já morreu há muito tempo”, isso evocou o meu sorriso. Muito bem. Aqui, ele só se encontrará morto por tal período de tempo. Retornará ele? Não, não ao corpo ou consciência que ele costumava assumir. O que surgirá será uma pessoa completamente nova, marcada por um novo sistema. Mas o Homem jamais morre. Não pode morrer, e existe como uma marca indelével no banco de dados cósmico. Ali permanece, e a sua vida assemelha-se a um livro na estante cósmica. A isso se chama Registos Akáshicos, e também o Mundo do Sonho. A vida pode ser encarada como um sonho formidável.

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Meus queridos amigos, começamos por falar da morte... Senti-vos gratos por ela existir. Ela não se assemelha à penetração no esquecimento mas antes numa espantosa transformação. É como se tivésseis deambulado, qual crisálida, desde a larva que formou o casulo, e quando vos ides embora e atravessais os portões da morte, vos torneis numa borboleta, livres da crisálida, tendo absorvido o seu conhecimento, capazes de voar sem impedimentos, neste mundo em que me encontro.
Perguntaram o mesmo ao Cristo: “Que é a morte?”, ao que ele respondeu por variadíssimas vias. Quando falava nela às pessoas, ele mencionava o corpo como representação do caixão, do qual se encontravam finalmente livres, e que livres como pássaros passavam a voar sem impedimentos pelos prados celestes. Eu posso dizer o mesmo – vós tornais-vos livres. Vós atais-vos à concepção da morte como se de uma extinção se tratasse, mas eu digo-vos que nesse caso havereis de vos surpreender por vos virdes a deparar com algo completamente diferente.

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O comentário mais frequente que recebo ao que digo é: “Ambres, mas tu encontras-te desse lado.”

Sim, estou deste lado, junto com muitos milhares, talvez milhões ou até biliões de consciências que aqui se encontram igualmente. E eles sabem que isso é verdade. Nós podemos estar cegos para (o vosso mundo) mas também podemos ver. É melhor um cego passar a ver do que aquele que tem visão deixar de ver.

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Que acontece quando morremos? De acordo com o entendimento que possuís, eu venho de um local em que é suposto existir morte. Mas vós passais de uma frequência à outra, a qual é igualmente preenchida por seres humanos, mas não comporta conflito. Vós não trazeis o conflito para este lado. Ele faz parte do mundo externo da ilusão. Trareis a ilusão para este lado? Trazeis, sim. Só que não conseguis lutar com os instrumentos dessa ilusão. Construís e perdeis aquilo que construís. Podereis sentir amor? Podeis, sim. Podereis sentir felicidade? Podeis. Podereis desenvolver-vos deste lado? Podeis. Nesse caso, que diferenciaríeis em ambos os lados? Tanto o espaço como o tempo. Mil anos para vós, aos nossos olhos não passam de um vislumbre, ou uns quantos dias ou semanas do vosso tempo. A experiência do tempo é consistente com a frequência em que vos encontrais.
Quando vos passais para este lado, frequentemente deparais-vos com o que preservais nas noções que abrigais. Reencontrais os vossos pais e quantos vos tenham sido queridos e próximos, e haveis de reencontrar aqueles que vos aguardam. Isso implica um sentido de paz e de liberdade que é absolutamente esmagador. Muitos daqueles que passaram por viagens astrais e experiências de quase-morte acham difícil voltar, por não quererem voltar. Acham esta vida muito mais plena do que qualquer coisa que alguma vez tenham experimentado. É como se o amor subjectivo e físico se retirasse e passassem a viver e a experimentar um amor formidável e incondicional.
Aqueles que atravessam para este lado frequentemente recriam a vida da qual procedem. Recriam-na. Os pais deste instrumento (Sture) encontram-se deste lado. Eles reconstruíram a sua pequena casa de campo, aquela que edificaram juntos e estão nela a aguardar pela sua família, os seus filhos. Eles têm suficiente noção disso ser apenas uma ilusão.
Se pretenderdes reclamar uma certa idade, a matéria é flexível e podeis criar um corpo que tenhais adorado. Sereis capazes de experimentar amor físico deste lado? O vosso companheiro poderá igualmente encontrar-se aqui, e é claro que podeis.
Muitos dizem-me: “Ambres, isso não pode ser verdade. Neste nosso mundo possuímos consistência física, ao passo que no teu, não possuímos.” Noutra dimensão, ou frequência, dirão que o vosso mundo seja tudo menos físico, por possuírem uma frequência ainda mais baixa. Cada um desses mundos torna-se físico quando nele vos encontrais. E como tudo é flexível e se manifesta com facilidade, produz-se um sentido do que podereis chamar de “monotonia”. Tudo se acha ao alcance da mão. Não existe fome, por exemplo. Nem doença. Sentar-se numa nuvem durante 100.000 anos a tocar harpa e a cantar hinos deixaria qualquer um na desolação, logo após o primeiro mês. E ainda precisáveis ter um perfeito domínio do instrumento...
O que tem lugar é um processo de libertação. O pensamento sofre uma atenuação (deixa de ser tão acentuado) e surge um vácuo. Os sentimentos são igualmente atenuados. Mas isso tornar-vos-á insensíveis? Não. Passa a instaurar-se uma tranquilidade, com se tudo se achasse encerrado num pequeno espaço. Algo passa a ter lugar: o Ginete é trazido à luz da consciência - o Ego Divino que se acha encerrado no Homem. Ele passa a considerar aquilo que tiver criado, e o que aprendeu. O Ginete foi quem contraiu Carma e não a pessoa. Que aconteceria se tivésseis a chance de retornar à Terra? Haveríeis de escolher parentes abastados, um clima acolhedor, um corpo perfeito e um local onde não existisse guerra nem desarmonia. O Ginete não quer saber disso. Ele tem a percepção do carma e persegue-o (dá-lhe seguimento?)

Vós não possuís carma – o Ginete sim, e elege um local. Pode escolher um cenário de guerra atroz, pobreza, fome... As pessoas morrem nas guerras mas isso acontece com muita rapidez e elas prosseguem sem nem sequer se darem conta de estarem mortas. Quando tentamos alcançá-las, elas assustam-se com a nossa presença ou existência. Dão por si a viver a vida mas só que numa espécie de deformação de tempo, no qual experimentam uma e outra vez o conflito, por séculos e séculos.
Vós achais isso estranho, mas não achareis quando aqui chegardes e passardes a entender o que o tempo é e de que forma chega a ter existência.
Existiram incontáveis exemplos, ao longo dos séculos – notai bem, INCONTÁVEIS - de pessoas que deixaram os seus corpos e passaram para o estado que eu represento. Foram capazes de percorrer enormes distâncias em que o tempo e o espaço não têm existência do mesmo modo que do vosso lado, o que explica que o espaço existe na sua consciência. O tempo só tem existência na vossa consciência. Mas não existem quando abandonais a vossa frequência.
Muitos terão presenciado a sua vida a desenrolar-se com rapidez, com todos os detalhes, o que representa a Testemunha a esvaziar a sua informação. Ao passardes para este lado, a Testemunha começa a desenrolar a informação, e vós dais por vós a vivenciar cada detalhe e acto que tenhais experimentado nas vossas vidas. Isso representa o vosso purgatório privado (casa do juízo, segundo outras concepções, ou juízo final), o qual precisais atravessar. Não vos sentireis humilhados nem julgados por ninguém. Nem sequer por aqueles que tenhais humilhado durante a vossa vida. Só vós vos julgareis. Esse discernimento (a percepção dessa peculiaridade torna-se numa atenuante) tornar-vos-á livres, e nisso reside a Graça. Não existe nenhum inferno nem Gehena composto por chamas. Não existe qualquer diabo de tridente em punho para vos espicaçar o traseiro. Nem espeto cósmico em que venhais a ser assados que nem pequenos porcos. Nada disso tem existência.
A morte é algo capaz de se tornar numa coisa imensamente espantosa. Mas o medo da vida e o medo da morte levaram-vos a opor-vos ao vosso melhor amigo. Se permitísseis que a morte vos acompanhasse à vossa esquerda, a vida passaria a ser perfeita. Haveríeis de actuar como se cada momento fosse o último. Haveríeis de sentir amor por todos e dificilmente teríeis inimigos. Simplesmente não teríeis tempo para tal – a vida revelar-se-ia de tal modo rica que não haveríeis de sofrer monotonia nem sofrimento mas de permanecer constantemente no presente e completamente despertos.

Eu estou morto – não o instrumento.

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