sábado, 3 de agosto de 2013

ENCONTRO COM AMBRES (RAMENO CHARAFEZ)



Traduzido do Espanhol por Amadeu António


Queridos filhos! Gostaria de falar um pouco sobre o objectivo desta mediação por não se tratar de uma mediação que deva ser estudada com o intelecto (analisada e seccionada). De início poderá acontecer que o façais, mas pouco a pouco vos dareis conta de terdes recebido a mediação que vos facilito de um outro modo: por meio do sentimento.


Quando escutais esta alocução pela primeira vez, tudo vos parecerá novo e poderá resultar confuso. Tudo aquilo que tiverdes edificado na vossa vida (sob a forma de conceitos) até ao presente, pode ver-se abalado nas suas fundações. O homem na realidade não é tão coeso quanto pensáveis, nem se encontra tão desamparado quanto isso.


A intenção da mediação é a de elevar o homem a uma nova consciência e a um novo entendimento para que seja capaz de mudar a sua personalidade que foi formada através das influências e das fricções que se lhe terão apresentado na vida.


Pretendo que comece a questionar o que lhe transmitem os seus sentidos e que porventura se interrogue sobre: “Que percebo realmente? Será este o meu mundo?” Quero que o homem se liberte das suas tensões para que possa abrir mão do medo e da couraça de protecção que sustenta.


O desenvolvimento tecnológico sofre uma aceleração maior toda a vez que nos aproximamos do final de uma era. Poderia dizer-se que o desenvolvimento técnico constitui a base da era seguinte e que a consciência humana não é capaz de o acompanhar, pelo que o homem se converte numa vítima, instruído como foi no sentido de não possuir liberdade pessoal. Tampouco goza de liberdade ao nível nacional ou global, e na angústia que sente, brada: “Dai-me liberdade! Dai-me paz! Trazei-me harmonia à existência!”


Na doutrina Cristã, que talvez professais, a sabedoria esotérica ressalta com toda a evidência ao longo de toda a sua mensagem. A figura de Cristo falou-vos de liberdade, de amor e de fraternidade. Falou do Deus Interior, do Deus Todo-Poderoso, e disse: “Eu sou o Pai e o Pai está em mim.” Sabei que cada um de vós é um com o Pai. Acontece exactamente convosco o que acontecia com a figura do Cristo: o Pai é capaz de falar através de vós e de ser uma parte do vosso ser sem que percais a vossa identidade mas a enriqueçais e isso vos encha a vida e vos cumule de amor.


Durante milhares de anos surgiram ensinamentos diferentes mas todos terão surgido da mesma fonte. Cada doutrina é, na sua essência, verdadeira, todavia existem mestres que fazem uso dela em proveito próprio, a fim de manter as pessoas atadas. Isso sucede em toda a parte. Um mestre precisa, por um lado, usar de muita atenção, para evitar a veneração das massas, e por outro – se possuir um discípulo – para saber conferir-lhe liberdade sem o atar, dizendo-lhe: “Agora, precisas prosseguir.” O mestre deve possuir essa sabedoria. Mas muitas vezes, desafortunadamente, sucede o contrário.


EXISTEM MUITOS CAMINHOS PARA CHEGAR À VERDADE


Se alguém lhes disser que existe somente um caminho verdadeiro, não acrediteis nele. Existem muitos caminhos rumo à verdade. Precisais igualmente pôr à prova o que vos é transmitido, precisais testá-lo, senti-lo, questioná-lo. A mediação que exerço deve ser capaz de suportar um exame crítico. As fundações precisam achar-se consolidadas.


Prestai atenção! Não são grandes as coisas que ocorrem. Não é preciso proceder a grandes mudanças. Regra geral o homem pensa que precisa tornar-se difícil, que precisa meditar ou passar por algum processo, passo a passo, iniciação após iniciação! Todos esses graus e todas essas iniciações criam um distanciamento em relação ao que vos rodeia. Não há iniciação alguma a submeter-vos. O maior acontecimento das vossas vidas dá-se quando vos dais conta de serdes ilimitados, contudo isso não produz distância mas proximidade e amor em relação ao homem. Aí passareis a entender a tremenda força que se acha acumulada no homem. Isso não é negativo, pois vireis a sentir desejo de ajudar e de elevar, de explicar e de fazer com que as outras pessoas experimentem o mesmo processo! Isso poderia ser considerado uma iniciação.


Todavia, não espereis que o mestre surja com a coroa, com o véu e com a taça da água benta para vo-las ofertar. Não, não é assim.


Vós sois a “água santificada”. A “coroa”, já a carregais, apesar de não comportar joia alguma. O véu da sabedoria, também o levais já, ainda que sem lhe dar uso, só que precisais usá-lo. É tão fácil - tão fácil! Não tendes de vos afastar do mundo. Brincai com ele, mas continuai como éreis antes. A única coisa que acontece é que alcançais uma nova perspectiva. Não vos deixeis prender pelo mundo; deixai que a felicidade vos inunde. Participai com todo o vosso ser e deixai que cada porção diminuta do vosso corpo possa sentir a felicidade da vida.


O HOME DEBATE-SE POR CAUSA DOS MEDOS QUE SENTE


Um dos perigos inerente ao desenvolvimento tecnológico assenta no facto do homem começar a dominar a natureza; começar a dominar a natureza dos deuses. Se o homem pudesse perspectivar-se a partir de um outro ângulo, obteria um outro respeito e uma outra compreensão relativamente ao conhecimento que possui e empregá-lo-ia de modo construtivo e não para destruir. Existem duas forças opostas: uma que é construtiva e a outra que é destrutiva. Quando o homem emprega unicamente a força destrutiva, acaba por se destruir a si próprio.


No princípio poderá parecer que a técnica constitua uma força construtiva, mas em pouco tempo passa a evidenciar-se como destrutiva. E quanto mais avançada for a técnica, mais acelerada será a força destrutiva, e no final a força construtiva deixa de poder compensar a destrutiva.


O Homem precisa despertar! A força do amor funciona a largo prazo; ao contrário, a força negativa opera a curto prazo e revela-se dura. Com a agressividade que a caracteriza, a força negativa é capaz de durar mais tempo e de suscitar um antagonismo cada vez mais vivo, de modo a chegar a matar até a força do amor.


Por vezes o homem diz: “Deus não é justo; Deus permite a criação de guerras. Com poderá Deus permitir a criação de armas destrutivas? Como pode Deus permitir a fome?” O Homem não é capaz de atender ao facto de que é ele mesmo o causador das guerras, devido aos medos e à força negativa que carrega! Não é capaz de perceber que ele mesmo foi o causador da fome, das culturas e das tradições. Foi ele quem criou as diversas religiões, que se debatem umas com as outras! Na guerra os homens enfrentam-se aclamando: “É uma guerra santa! Deus está connosco!” Poderia Deus atrever-se a lutar consigo próprio ou isso implicará na existência de vários deuses? Não, o homem é quem luta, devido aos medos por que se vê assediado. Afastou-se do paraíso, sem perceber achar-se situado no centro dele.


É PRECISO APLICAR O ENSINAMENTO ESPIRITUAL À VIDA


De que serve falar dos ensinamentos espirituais ao mesmo tempo que os situais fora da vossa existência presente? Os ensinamentos espirituais não podem converter-se numa fuga da vida. É necessário que os unais à vida com cada acto, com cada inspiração, com cada palavra, porque desse modo tornar-vos-eis nesses ensinamentos puros. Se a aprendizagem esotérica se converter numa fuga, de nada valerá, para ninguém. Se deixardes a aprendizagem apartada do homem, de certo modo isso significará também uma ferida.


Também representaria um equívoco colocar-vos sobre um pedestal a bradar: “Eu consegui! Eu sei! Eu possuo o conhecimento!” Em vez de nos vangloriarmos de possuirmos conhecimento, é preciso viver esse conhecimento. Através desse conhecimento é preciso actuar em relação aos outros! Há que ser como a pedra, que provoca ondas quando é arremessada na água. Não é preciso temer! Mas na valorização subjectiva que fazeis vós tendes medo. Alguém dirá: “Não me atrevo a contar aquilo em que acredito; poderão pensar que esteja louco!” Mas, quem estará mais louco? Onde estará a loucura? Onde está o que sem cessar lança o seu veneno, além do inimigo do homem?


É preciso – é urgente! – que obtenhais conhecimento. Nós comunicamos por todo o vosso planeta, por meio de uma enorme diversidade de manifestações, a fim de alcançarmos tantos quantos pudermos. Mas alguns que recebem conhecimento vão logo correr mundo a proclamar: “Este é o único caminho possível!” Precisais compreender que existe uma variedade infinita de ensinamentos e que todos carregam a mesma mensagem central, todos carregam em si o mesmo princípio de amor. Se algum mestre, como o designareis, disser que os seus ensinamentos são os únicos verdadeiros, não deveis acreditar nele! Todos os ensinamentos comportam a mesma mensagem, só que com uma coloração distinta, mas cada coloração é pura em si mesmo.


Se começardes a comparar os ensinamentos, pode ser que surjam contradições aparentes. Mas não é preciso comparar os ensinamentos. Devemos colhê-los tal qual se apresentam, e respeitá-los por serem puros, cada um dotado do seu colorido próprio. Tampouco se devem misturar, para se evitar que se tornem impuros (distorcidos). Mas também não se deve negar nenhum ensinamento porque isso equivaleria a negar tanto a Deus como ao homem. 


(NT: O que aqui realça nesta passagem é a necessidade de identificar o devido contexto em que os ensinamentos são apresentados)


Queridos filhos! O Homem possui um enorme conhecimento, uma enorme riqueza. Possui espantosas capacidades para sair pelo mundo a falar com os outros. Por vezes, quando vejo o homem a indagar sobre o que terá existência depois desta vida, sinto vontade de lhe dizer: “Observa o que existe aqui e agora! Que possuirás tu que possas compartilhar neste momento? Que possibilidades terás de transmitires amor aos teus semelhantes? De que te servirá convocar a tua mãe ou o teu pai, que já terão passado para o astral? Deixa-os! Tu actuas aqui! Logo chegará a tua hora de actuares lá!”


Bem sei que criais tudo com o pensamento. Se pretenderdes construir uma casa, começais por conceber uma ideia sobre como virá a resultar, para de seguida a plasmardes no papel. O construtor recolhe os planos e logo a ideia é manifestada. Eis uma casa que tereis construído de uma forma activa. Se, ao contrário fordes passivos nesta vida e deixardes tudo a cargo da providência, então os vossos corpos, os vossos instrumentos enfraquecer-se-ão. Não obtereis tensão nem fricção alguma das vossas experiências. Todavia, é preciso tomar parte na vida para se obter experiências. Mas ao mesmo tempo, não vos deixeis afectar por ela. Com isto, o que quero dizer é que não vos deveis deixar afectar subjectivamente por coisas diferentes porque, se isso suceder, isso deixar-vos-á atados; mas se vos comprometerdes objectivamente, não encontrareis limites para o vosso desenvolvimento. Então, não permitireis que aquilo que vos cerca vos irrite, nem vos separareis disso.


TUDO POSSUI O MESMO VALOR


Que pensais possa ocorrer se viverdes unicamente no amor ou em nome do amor objectivo? Ora, cada acto teria lugar de forma espontânea e natural. Mas se começardes a atribuir valor (ao amor), torná-lo-eis subjectivo e nesse caso colocareis algumas pessoas no pedestal, ou seja, passareis a dar cobertura aos ideais. Gostaríeis de vos assemelhar aos vossos ideais, e de viver segundo a vossa natureza própria. Mas se vivessem de forma totalmente objectiva não resultaria o menor conflito - quer dizer, um conflito que provocasse temor e luta. Não vos armaríeis uns contra os outros por uma questão de temor. Não compararíeis um com o outro e todos teriam o mesmo valor.


Por vezes fico surpreendido ao ver como o homem valoriza o semelhante e coloca muito abaixo na escala a esfera sentimental da pessoa e eleva demasiado a intelectual dizendo: “Mas ele possui conhecimento!” Só que, de que lhe servirá o conhecimento se não possui sabedoria para o empregar? A pessoa dotada de sentimentos, pode ser que não possua conhecimento, mas há-de empregar todos os meios ao seu alcance a fim de revelar amor. Com isto quero dizer que é preciso procurar equilíbrio na vida. Sempre que estabeleceis uma valorização subjectiva, e passais inclusive a valorizar a busca em diferentes graus, sentireis conflito.


A pessoa objectiva, a pessoa sem limites, jamais obtém tais conflitos nem coloca ninguém no pedestal; tampouco reduz ou subtrai o valor de quem quer que seja. Talvez alguém se interrogue: “Mas, as contrariedades e as diferenças da vida devem valer de ajuda! Desse modo desapareceria toda a fricção.” Não é assim! Porque a vida apresenta novos desafios. Toda a situação vital mudará e passará a apresentar-se num desafio comum e não num desafio particular. Comportareis uma consciência comum e não várias consciências separadas. Mas alguém dirá: “Eu não quero fazer parte da consciência dos outros. Quero ser quem sou!” Bom, então, nesse caso, toda a busca não passará de um erro. Porque sós, jamais chegareis a deparar-vos com todo o conhecimento. Pouco a pouco alcançareis uma situação em que precisareis obter conhecimento em associação com alguém, porque sós não o conseguireis.


Enquanto valorizardes o subjectivo e valorizardes tudo ao vosso redor, o conhecimento há-de vos escapar da mão. Tendes de abrir mão de algo, precisais morrer simbolicamente para poderdes renascer. Quero que compreendeis que sois vós próprios quem precisa desenvolver o trabalho para obter a mudança. Precisais viver a mensagem do amor e entregar-vos a ele sem reservas. Ele precisa chegar a formar parte natural de vós próprios.


NÃO EXISTE MISTICISMO, APENAS DESCONHECIMENTO


No fundo, o conhecimento esotérico sempre existiu, só que era considerado misticismo, repleto como se achava, para muitos, de fenómenos estranhos. Quando o ignorante fala dos ensinamentos esotéricos, ele próprio converte-os. Mas não existe misticismo; apenas desconhecimento.


Queridos filhos! Todos temos maturidade e compreensão, todavia, não vos fecheis de tal modo que ao mesmo tempo vos fecheis para o mundo. Precisais soltar alguma amarra, e quando a soltardes, descobrireis que na verdade sois aceites. Enquanto uma pessoa colocar restrições a si própria, não pode ir ao encontro do semelhante. Todavia quando se deixa levar, nesse caso passa a ser também o semelhante. Precisa abandonar a vida para a encontrar. Precisa abandonar a sua existência “velha” (velhos paradigmas) para chegar a poder conhecer a nova existência. Não as pode combinar.


Cada um de vós possui todo o conhecimento de que necessita. Quando vos esquecerdes de vós próprios e da vossa armadura, aí tornar-vos-eis no Unificador. Então sereis irrepreensíveis e nenhum ataque externo vos poderá afectar. Ao vos esquecerdes de vós próprios perdereis o temor que abrigais, e não sentireis a menor angústia em vos entregardes. Quando vos esquecerdes de vós próprios podereis percorrer o caminho até ao fim. Possuir um vocabulário reduzido, ou coisa que o valha, terá então menos importância, e com a vossa existência (exemplo) personificareis o ensinamento e tornar-vos-eis no amor. Não vos fará falta comunicar-vos por palavras mas somente pelos actos que praticardes.


VIVEI COMO SE FOSSE O ÚLTIMO DIA DA VOSSA VIDA


Ser irrepreensível a cada instante significa actuar como se fosse a última coisa que realizásseis nesta vida, e levá-lo a cabo de um modo correcto e sem vos deixardes prender pelos sentimentos, agir objectivamente. Viver cada instante das vossas vidas como se fosse o último (sentido de presença) é actuar correctamente em cada momento e em cada situação. E se o considerardes, podereis igualmente entender que talvez represente a vossa última hora de vida, e que possui o valor de uma dádiva. Não acredito que pudésseis fazer nada que causasse dano a outra pessoa e creio que procuraríeis deslindar a vossa vida nessa última hora. Talvez reunísseis os vossos inimigos e lhes dissésseis: “Quero-vos bem; tentemos entender-nos.” Por outras palavras – procederíeis a um balanço final.


Vivei sempre como se estivésseis a escrever as últimas palavras da novela da vossa vida, e evocásseis constantemente o final, página a página. Aí não podereis usar de subjectividade.


Ser criativo é, em primeiro lugar, permanecer aberto em relação a si próprio. Ser irrepreensível significa proceder com fidelidade a toda a hora e em cada acto, para consigo próprio (honrar aquilo que é). Ser irrepreensível é ser excelente, é atrever-se a actuar da forma que quereis genuinamente, sem vos comportardes como a massa colectiva desejaria. Ainda que tenhais consciência de não quererdes actuar conforme os ditames das opiniões das massas, deixais-vos prender por eles. E aí tornar-vos-eis dignos de condenação.


Quero vê-los destituídos de restrições. Quero ver como escutareis a angústia de outra pessoa quando se vos dirige e vos diz: “É tudo muito difícil! A vida é um desastre!” Pela atenção que lhe dispensardes não sentireis restrições. Se, ao contrário, escutardes de uma forma subjectiva, nesse caso interrompereis constantemente e direis: “Não é preciso assim. Não é em absoluto como tu percebes!”


O homem sem limites é como uma vasilha onde o semelhante poderá verter a sua angústia. E muitas vezes, apenas escutando, sois o remédio. Amigos, o amor não é aquilo que acreditais que seja. Não é abraçarem-se, beijarem-se no rosto e dizer: “Quero-te muito.” Amor é (também) admoestar e por vezes brigar com alguém.


Podereis, com todo o gosto debater esta mediação, mas não vos convertais em cópias do velho Ambres. Podeis vivificar a mediação segundo a vossa própria inclinação, porque aí vos convertereis em instrumentos singulares no prolongamento que estabelecerdes em direcção ao exterior. Cada um possui liberdade para tomar o caminho que prefere. Cada ensinamento é puro. Os mestres abordam os problemas por ângulos distintos, mas a fonte é a mesma. Se encontrardes uma abordagem melhor podeis segui-la; todavia, não vos deixeis atar por forma alguma, nem vos deixeis encurralar, por exemplo, por uma comunidade fechada, porque aí não gozareis de liberdade. Ide, e sede indivíduos, e sabei que vos quero bem!


O SONHO DO HOMEM


Vamos falar um pouco sobre sonhos e veremos como se forma um sonho, o que poderá significar, de onde procederá, e a razão por que sonhamos. Jamais vos deparareis com uma interpretação idêntica válida para todas as pessoas, por variar de um caso para o outro, e de um sonho para o outro. Cada pessoa detém a chave (da interpretação) dos seus próprios sonhos.


Que será, na verdade, o que sonhais? Sonhareis igualmente no período em que vos achais despertos ou somente quando vos encontrais adormecidos? Podia ser que vos situásseis em meio a um sonho vital infinito, um sonho vital que tenha lugar durante o dia e que prossiga durante a noite, para de seguida regressar durante o dia, do mesmo modo que o círculo cármico, sob o aspecto de vida e morte, ou dia e noite.


Eu afirmo que o homem permanece sempre desperto e jamais dorme. Mas haveis de rebater o que digo com: “Mas eu deito-me ao anoitecer e durmo até a manhã seguinte.” Bom, os vossos corpos acham-se quietos, a descansar mas vós próprios não dormis. Vamos diferenciar o homem e o corpo físico, situação em que o corpo físico consiste numa ferramenta que serve para que o homem se expresse. É um instrumento que cada um de nós emprega no seu sonho vital a fim de demonstrar quem é. Será o homem dotado de uma natureza simples ou composta? Sinto-me inclinado a afirmar a última posição.


O homem é composto por um monte de figuras, cada uma das quais desempenha o seu papel, e que surgiram a partir de diferentes conflitos na vida. Vamos examiná-lo com mais atenção e pouco a pouco nos aproximaremos do sonho propriamente dito.


O Homem Não É Criado no Momento do seu Nascimento


Durante a sua vida toda, o homem representa uns quantos papeis que se vão implementando ao longo de diferentes etapas. Já comentamos previamente, na interacção que mantivemos, que o homem não foi criado no momento do seu nascimento. O vosso corpo físico foi criado com o seu Ginete (cavaleiro ou ocupante) encarnado, uma centelha divina. O Cavaleiro cria, ele próprio, o fluido etérico que rodeia o corpo físico, onde desde logo surge o homem, por outras palavras, o corpo astral e mental – do sentimento e do pensamento – vêm a surgir. Dito de outro modo, são esses dois corpos os que nós concebemos como o homem criador, que surgiram de uma situação vital em que o Cavaleiro se terá encarnado. Também surgiu do Carma, que o Cavaleiro acumulou de encarnação em encarnação.


Começam a Marcar A CRIANÇA, E os Papéis Que Mais Adiante Passará a Representar Começam a Tomar Forma


Os vossos pais fazem-vos uma descrição daquilo em que o mundo consiste, e desse modo se começa a marcar o menino/a. O fluido etérico de que há pouco falávamos atrai conhecimento e o homem fica marcado a partir dessa autoridade e da atenção que o meio lhe dispensa. Surge um sentimento sob a forma de corpo astral. Gera-se uma operação mental e um corpo correspondente começa a ser formado. Ambos esses corpos acham-se atados ao corpo físico por linhas de cariz etérico e por meio delas a informação acorre constantemente ao corpo físico.


Por meio dos vossos sentidos recebeis informação dos vossos pais e do colectivo que compõe o mundo que vos rodeia. Quando esse processo de condicionamento tem início surgem sempre contradições e colisões. São vontades diferentes, aquelas que conduzem o vosso desenvolvimento, mas, sem levarmos em conta o modo por meio do qual a lei cármica se terá desenvolvido em encarnações anteriores, esta última encarnação constitui uma síntese de todas as anteriores. (NT: Inclusive das “futuras”, segundo a nossa óptica)


O homem surge dos conflitos que a vida lhe proporciona. São esses conflitos que o levam a formar os distintos papéis que representa e que os encerram na vossa personalidade básica, que segundo o aspecto cármico deveria surgir. Os grandes rochedos cármicos nunca se podem evitar e a fricção que se apresenta ao longo de toda a vida cria os diversos papéis que o homem sempre desempenha sem o saber. Aquilo a que chamais personalidade constitui a soma resultante da colaboração que se gera entre esses papéis.


A maioria das pessoas anela por algo indefinido e que lhes custa imenso expressar. Trata-se de algo abstracto, mas que sentem como se, de algum modo, se encontrassem no sítio errado, na altura errada e como se estivessem a desempenhar as ocupações erradas, encontrando-se numa situação em que a personalidade básica no fundo não quisesse situar-se. A personalidade básica constitui a síntese das encarnações anteriores. Essa personalidade básica pode, não obstante, fazer-se ouvir somente em parte, devido aos papéis que tereis criado para vós (persona) e que a envolvem com outros véus.


Muitas vezes o processo de condicionamento que os pais exercem sobre o menino ou a menina resulta apenas num prolongamento dos seus próprios desejos, dos valores da vida e dos valores que apreciam ao seu redor. É isso o que procuram transmitir ao menino/a quando lhe estão a criar a identidade. Com as suas desilusões, os pais procuram muitas vezes exercer influência sobre o pequeno/a para que eles próprios se possam realizar por intermédio dele: “O meu filho não há-de passar pelo que eu passei. O meu filho vai estudar. O meu filho vai ser isto e aquilo...” Apesar da intenção poder parecer a melhor, o desejo do garoto/a é relegado para segundo plano. É desse modo que surgem os papéis que tendes que representar. A personalidade básica não se deixa ouvir, a fim de se desenvolver com liberdade e fica encerrada nos papéis que tanto os pais como a realidade colectiva impõem ao garoto/a.


A escola, a família e os amigos ao redor do menino/a também contribuem para que tais papéis se estabeleçam como indivíduos distintos. Cada papel carrega, de certo modo, a sua própria identidade e cada um deles terá surgido de uma tensão superficial. Que quererei dizer com tensão superficial? Com isso pretendo indicar um conflito que terá resultado de um atrito na vida. Esses tipos de atritos sempre criam esses papéis e cada um está atento a seu modo. Pode-se descobrir cada um desses papéis a regressar ao vosso sonho vital. Podemos quase com perfeita exactidão dizer quando terão surgido.


A incorporação da experiência realiza-se através dos sentidos e da consciência diurna. As experiências foram sendo colectadas e armazenadas sem cessar, no subconsciente. Todos os conflitos e todos os traumas que tenhais vivido se acham armazenados desse modo no vosso subconsciente. O consciente inconsciente, sempre activo, prende as vossas resistências no sonho diurno, para depois procurar no subconsciente e em seguida enviar ao sonho todos os conflitos por resolver. Também vamos ver como o supra consciente se acha em contacto constante com a consciência superior do planeta. Podíamos exemplificá-lo como um iceberg: a ponta do iceberg corresponde aos sentidos e à consciência diurna – o que mostrais ao exterior, na vossa vida diária. Abaixo da superfície está o subconsciente, o consciente inconsciente, o estado de sonho, e o supra consciente.


Afiguraremos o subconsciente como um poço; podemos registar várias camadas de conflitos por resolver que terão surgido ao longo da vida e que terão dado lugar a vários papéis. Desse modo poderemos investigar esses papéis e ver de que forma terão surgido na vossa infância – a partir da relação que tiverdes tido com o vosso pai ou com a vossa mãe, ou com ambos ao mesmo tempo. Podeis dar-vos conta de como tereis aprendido a desempenhar diferentes papéis em distintas situações. Podia chamar-se a isso um tipo de defesa.


O homem aprende a representar os seus papéis para sobreviver segundo o ponto de vista subjectivo que defende, mas eles são adoptados de um modo tão subtil que passam despercebidos. Mas, como haveria o homem de se dar conta disso? Desde logo, ele não tem consciência nem sequer da existência que leva! O menino que nasce não é uma pessoa, mas apenas um corpo físico dotado de um Ginete (Cavaleiro) encarnado!


A Personalidade Básica -

Uma Síntese das Encarnações Anteriores


E esses papéis que representais, que terão eles a ver com os vossos sonhos? Digamos que tendes uma personalidade básica que busca a sua perfeição mas que não se pode fazer ouvir por palavras, pronunciar-se subjectivamente. A personalidade básica, com as suas aptidões e talentos, constitui uma síntese de todas as encarnações anteriores que se terão aperfeiçoado progressivamente, encarnação após encarnação. Não se pode tocar a personalidade básica e tampouco falar-lhe de um modo normal. Ela faz-se escutar através de um sentimento e por vezes esse sentimento torna-se de tal modo vigoroso que podeis sentir que vos fala directamente. Não escutais palavras no sentido estrito da expressão, mas sobrevém-vos um saber repentino. Por vezes podeis duvidar: “Porque me encontrarei agora aqui? Será a isto que preciso dedicar-me? Não, não é a isto, sinto que esta não é a posição que deva ocupar nesta vida.”


Nesse caso, pergunto-vos: “Qual é o problema? Porque não mudais a vossa existência neste instante se sentis tal insuficiência? Os vossos pensamentos rodopiam: “Como o hei-de fazer? Que dirão a minha mãe e o meu pai? Que dirão a minha esposa e os meus filhos, já para não falar de todos os meus amigos?” Mas logo os problemas se amontoam, a começar pelos económicos. E o medo: “De qualquer modo gozo de segurança. Conheço o presente estado em que me encontro, mas não sei o que possa vir a suceder. Talvez implique uma mudança. Como arranjarei as coisas? Não poderei levar comigo os meus velhos amigos!” Observai como até os vossos amigos estão presentes nos papéis que vos rodeiam e que vos trazem aprisionados. Por outras palavras, não viveis as vossas vidas mas como os outros esperam que o façais.


Os papéis que representais estão separados uns dos outros por terem surgido de situações diferentes. Mas de todos os modos colaboram no sentido de vos preservar a personalidade, a vossa presente personalidade subjectiva. Colaboram o tempo todo a fim de se expressarem de um ou de outro modo. Quando sentis agressividade, quando sentis tristeza ou medo, algum dos vossos papéis sai à luz a fim de se manifestar. Os papéis precisam de se transformar por algum meio e esse “meio” deve ser um corpo. E ao experimentardes, por exemplo, a agressividade, notareis que em primeiro lugar surge a agressividade e em seguida a sua expressão. Podeis notar a diferença de tempo gerada entre ambos, mas é de tal modo rápido que esse instante entre a reacção e o sentimento e a do corpo físico não se nota. O sentimento produz uma reacção quando sentis o modo como a agressividade surge, no vosso íntimo, e o corpo produz uma outra reacção, ao empregardes os punhos para vos defender ou atacar. O sentimento faz-se ouvir por intermédio do subconsciente e do inconsciente, que o trás à luz.


O pensamento, que de algum modo permanece bloqueado, quando passa a dar livre expressão ao sentimento fica ligado a ele porque, se não o fizer, o consciente inconsciente não se poderia chegar à plataforma a partir qual possa chegar ao sentimento. O que conduz à agressão é um acontecimento que tem lugar na vossa vida diária. Deixais-vos impressionar por meio dos vossos sentidos e o inconsciente corre qual lebre entre o subconsciente e o consciente a analisar e a catalogar e à procura de acontecimentos parecidos que tenham ficado por resolver desde, digamos, os dez anos, quando raciocinavam de modo idêntico à forma como o fazeis actualmente.


Nesse caso, perguntamos: Que vos levará a experimentar esse sentimento? Pois, foi um pequeno “papel” representado que ficou por resolver e que permaneceu em suspenso no vosso subconsciente. Esse pequeno “papel” cobrou dividendos porque através dos vossos sentidos incorporastes um acontecimento, para a seguir o vosso subconsciente passar a raciocinar, a seguir ao que o conduzis à superfície. 


Tracemos um exemplo e examinemo-lo: Num belo dia chegais ao vosso posto de trabalho. O vosso chefe ter-vos-á encarregado de algo que cumpristes da melhor forma que sabíeis. De qualquer modo ele não fica satisfeito e repreende-vos diante dos vossos companheiros, o que experimentais como um acto de denegrir a vossa imagem que vos leva sentir temor. Sentis como se se tratasse da figura do vosso pai que se ergue diante de vós e que em altos brados vos diz: “Tu não sabes nada! És um inútil! Só sabes destruir!” A reacção produz-se de imediato, aumenta-vos a angústia e poderia dizer-se que ficais bloqueados. Sentis o modo como os vossos companheiros vos olham, como vos avaliam. É isso que vos acomete quando um dos vossos papéis sai à luz. Em qualquer parte do vosso subconsciente subsiste um conflito por resolver ou uma tensão na vida que terá justamente originado tal sentimento. Talvez a sua origem se possa situar numa altura em que estavam com 10 anos; talvez o vosso pai vos tenha encarregado de fazer algo em que tenhais dado o vosso melhor, mas isso não o tenha deixado agradado e vos tenha repreendido diante dos vossos amigos porque, segundo a estimativa dele não o terdes feito adequadamente.


Aí se encontra o conflito por resolver. Com o tempo, a angústia foi encapsulada e o conflito relegado ao subconsciente. É aí que sucede a segunda ocorrência que vem sacar o velho conflito à superfície. Um “papel” antigo volta a fluir e prontamente estais a representar um papel deplorável, que na realidade não quereis representar e de que não gostais. Mas não o podeis evitar pois deslizais para ele sem possibilidade de dirigir os vossos sentimentos.


A Vida É um Sonho Infinito, O Vosso Sonho de Vida.


Vamos abordar a vida em si mesma como sendo um sonho infinito e vamos repartir esse sonho de vida em sonho nocturno, que todos conheceis perfeitamente, e em sonho diurno, um conceito que sinceramente poderá ser descrito por meio dos acontecimentos e das situações da vida diária que vos afectam de modo especial. Mais adiante ampliaremos isto.


Quero afirmar que o homem, nos seus corpos astral e mental, jamais dorme, mas sempre permanece consciente e desperto. Precisais ter em mente que vos encontrais entre várias frequências e que o corpo físico, a que passaremos a atribuir, por exemplo, o valor 10, é caracterizado por uma baixa frequência. Possuís o corpo físico que vos serve de instrumento para vos expressardes na matéria, corpo esse que se acha preso ao seu tempo e espaço. Aos corpos astral e mental poderíamos atribuir os valores 20 e 30 respectivamente, e com isso indicar que possuem uma frequência mais elevada. Se os corpos astral e mental possuíssem a mesma frequência que o corpo físico, não conseguiriam separar-se - facto esse que ocorre, designadamente no processo da morte. Então poderíeis percebe-los com os vossos olhos físicos e dizer: “Podemos ir passear pelo mundo astral ou mental.” Quando vos digo que o mundo astral e o mundo mental também existem no mesmo espaço vital que o vosso, suponho que isso os esclarecerá quanto ao facto de na realidade vos encontrardes numa frequência muito mais elevada do que havíeis imaginado.


A Personalidade Básica Elabora os Seus Sonhos


Toda a informação que o homem recebe é transformada pelo seu corpo físico por intermédio dos seus sentidos; não obstante, a personalidade básica tem dificuldade em deixar-se ouvir por meio do corpo físico, por existirem demasiados papéis a custodiá-la.


Perguntámo-nos. “Quem é que sonha subjectivamente?” Cada papel procura realizar-se dentro de nós, e procura moldar a sua própria identidade. Cada um desses papéis que representais procura dominar o corpo; não só o corpo como também a consciência. O homem deixa-se levar por não ser consciente de representar tais papéis. Aquilo a que chama a personalidade é formado por todos esses papéis. Poderíamos dizer que esta personalidade está estruturada em diferentes zonas e que o homem desliza constantemente entre essa multiplicidade de papéis sem ter consciência desse facto. Quando eles operam no exterior, colaboram, mas cada um reserva a sua peculiaridade e procura desdobrá-la.


Por vezes pode acontecer que a criatura humana já não consiga manter a sua identidade, a sua personalidade, e prontamente deixe de “representar”, por já não suportar a situação. Devido a fortes pressões que levam a que os distintos papéis já não consigam colaborar, a personalidade torna-se demasiado débil. Aí, dois, três ou mesmo quatro papéis podem passar a moldar uma personalidade própria na vida de uma pessoa. Poder-se-ia dizer que se produz uma troca forte de personalidade que dá lugar a uma dupla personalidade. Os distintos papéis procuram manter a sua identidade, cada um por seu lado, ao mesmo tempo que procuram negar os outros, ainda que lhes reconheçam a existência.


Nenhum desses papéis deseja ser eliminado; todos desejam prosseguir. Durante esse período, quando determinados papéis alcançam prioridade, a vossa personalidade básica permanece mais ou menos adormecida. Quando a criatura humana em questão desperta de imediato, após dois anos, o tempo passado parece algo difuso, e ela não o consegue identificar, apesar de reconhecer ter funcionado nele. Até pode acontecer que o tempo seja completamente bloqueado, obscurecido.


É maravilhoso saber que, de qualquer modo, obteve experiência. As capacidades e o conhecimento de si mesmo que esses papéis terão desempenhado durante esse tempo permanecem e passam progressivamente a florescer na consciência. Os papéis que tiverem estado inactivos voltam a activar-se, ao passo que, aqueles que tiverem estado activos necessitam de um tempo para aceitar que fazem parte de uma constelação.


Quem será que se faz escutar e produz o próprio processo do sonho? Pois, é a personalidade básica de que falava, que se deixa escutar de um modo bastante subtil. Não se pode fazer ouvir directamente; por outras palavras, não vos pode dar umas palmadinhas nas costas e dizer-vos: “Sou a tua personalidade básica, desculpa, mas estás errado em relação a isso. Deves actuar de outro modo.” Ela deixa-se escutar somente quando sentis que no momento estais a fazer algum equívoco. Deveríeis proceder a uma alteração na plataforma sobre a qual vos encontrais.


A personalidade básica é quem elabora as imagens dos sonhos. A personalidade básica é a consciência superior no homem, que nada tem que ver com o supraconsciente. Podemos dizer que o homem é limitado, mas também possui um aspecto ilimitado, para além de um aspecto divino. O homem limitado é os papéis que representa mas, um indivíduo que se tivesse, pelo contrário, livrado dos seus papéis representaria um homem sem limites. Se, por exemplo, for cobarde, também será valente. Se sente medo diante dos conflitos, também mostrará valentia para os afrontar, e talvez se pudesse dizer que é franco. Se for um homem agressivo, também se revelará tranquilo e harmonioso, porque sempre existem os contrários. A partir dessas qualidades surgirão os contrários, por intermédio do atrito carmico exterior exercido, por um lado, por parte dos pais, que por sua vez se terão encarnado para resolverem algo, e por outro lado, por parte do mundo colectivo que rodeia o indivíduo.


O Homem Sem Limites É Completamente Destituído de Temores


A figura à qual chamamos personalidade básica acha-se encapsulada no homem sem limites. Em relação à pessoa sem limites, pode dizer-se que possui coragem, mas não coragem do ponto de vista humano (destemor). Não sente medo de coisa alguma nem tem inimigos. Quando o homem limitado diz ter coragem, conforme dizeis, muitas vezes isso deve-se à intrepidez, às situações em que não é capaz de medir o perigo. Pode dar-se o caso de ter tido a sorte de se salvar do perigo, mas não se trata desse tipo de coragem porque nele subsiste algum tipo de temor.


Para romper os papéis que representais e para resolver os conflitos que se alojam no vosso subconsciente, o consciente inconsciente trabalha afincadamente, mas surgem também impulsos a partir de um aspecto ainda mais elevado, que provém do Duplo Etérico. Este estabelece contacto com o corpo por intermédio do Cavaleiro, por cujo fluido etérico pouco a pouco irá entrando em sintonia com o homem. O Eu, que é quem comporta a memória celular, já terá deixado a síntese da encarnação anterior no corpo e esse corpo irá desenvolver-se em relação ao aspecto cármico.


Regra geral, pode dizer-se que a personalidade básica permanece fechada devido a que o mundo exterior exerça demasiada pressão e se faça tão presente. A descrição do mundo implica tantos conflitos e temores, que isso faz com que a personalidade básica poucas vezes venha à luz. Então, a personalidade básica começa a formar sonhos. Procura produzir sonhos que possais interpretar, a fim de vos descobrirdes a vós próprios; Descobrir todos os papéis que vos rodeiam, e desse modo poderdes libertar-vos e crescer rumo ao interior e finalmente esvaziar o subconsciente.


Viveis como Quereis, ou Como Esperam de Vós os Demais?


Temos diferentes tipos de sonhos. Vejamos um exemplo do que chamamos de sonhos. Há sonhos que têm que ver com o quotidiano e que se situam num tempo muito próximo. Digamos, a título hipotético, que tenhais um trabalho muito difícil e pesado; sentis uma forte carga que vos exige uma prestação específica durante o dia. Dá-vos a impressão de não o fazerdes por vós próprios mas por que outros vo-lo exijam. Vós próprios tereis procurado este papel que vos cabe agora julgar. A princípio desfrutáveis da sensação, quer dizer, desejáveis situar-vos a um nível onde as pessoas vos admirassem e agora tereis caído sacrificados na vossa própria armadilha. Logo ficais cativos da vossa actuação e não vos podereis livrar dela porque os outros esperam que continueis do mesmo modo que antes. Mas gostaríeis mais de poder escapar. Então, a personalidade básica faz-se ouvir e procura fazê-lo por intermédio dos sonhos diurnos (devaneios e exercício da imaginação livre), tanto quanto por intermédio dos sonhos nocturnos, e tenta chamar-vos a atenção para a situação. 

Também dá lugar a situações conflituosas, que aqueles que possuem ouvido suficientemente apurado podem incorporar directamente através do consciente inconsciente mediante o seu sonho diurno. Tentai trabalhar o velho papel quando surge durante o dia!


Voltemos ao exemplo anterior. Quando o vosso chefe vos repreende, penetrai o sentimento que surge; observai-o e senti-o: “Parece-se com o meu pai! Repreende-me! Porque me sentirei assim?” Tentai encontrar o pequeno fio que se tenha desenrolado e que diz respeito a épocas passadas, e que agora se tenha feito ouvir e que tenha repetidamente recobrado vida e surgido à superfície qual borbulha a elevar-se do leito do mar. Observai igualmente a linguagem corporal (que adoptais). Diante de uma autoridade, tal como a de um pai ou de um chefe se encontra o/a menino/a. Pode ser que saia dali com os pés voltados para dentro e de braços a pender e de cabeça baixa. Observai que figuras surgirão, que fantasmas do vosso subconsciente.


Podemos agora começar a interpretar o sonho. Este não é um sonho nocturno mas um sonho diurno. Torna-se demasiado evidente. Observamos as reacções sentimentais e de seguida procuraremos tentar compreender os sinais que se apresentam ao seu redor. Vimos a figura do pai por detrás da figura do chefe e dos companheiros. A figura do pai adquire relevo. Repreende-vos e além disso sentis o desprezo da parte dos demais. O chefe assemelha-se ao pai. Viveis a figura do pai, muito acima de vós, e sentis-vos diminuídos.


Este sentimento conduz-vos de volta ao período da vossa infância e faz-vos chegar imagens do passado que surgem com muita rapidez. Tornam-se muito fluídas e, se fordes capazes de reter as imagens do passado, dar-vos-eis conta de que o papel que viveis e a angústia que sentis estão ligados ao vosso pai. Estão ligados a uma situação que diz respeito a uma parte anterior da vossa vida. Mas, que podereis fazer? Que fareis para resolver isso? Como haveis de o interpretar? Observemos de novo o chefe. Antes de mais é um símbolo do pai, que é quem, de certo modo, representa o mau da fita, e quem vos terá influenciado.


Equilíbrio ou Desequilíbrio Entre as Partes Masculina e Feminina?


Observemos esta vasilha, símbolo do homem. Sabemos que cada pessoa possui tanto um aspecto feminino como um masculino. Se partirmos o homem em quatro partes, poderemos dizer que para além disso possui hormonas masculinas e femininas. As primeiras impressões que o homem recebe na vida sobrevêm-lhe por meio dos modelos do pai e da mãe. O que aqui vemos poderá ser chamado cruz dourada (desenha).


Naturalmente o homem desenvolve-se a partir da figura do pai, mas não por regra, obrigatoriamente! A mulher desenvolve-se a partir da mãe, mas nem sempre. Se o pai tiver tendências femininas fortes, se for irracional e possuir fortes sentimentos, e a mãe for muito lógica e intelectual, então o homem poderá desenvolver-se tomando como modelo a mãe e a mulher poderá tomar o pai por modelo, e poderão surgir fortes conflitos.


Se examinarmos as qualidades de que a figura do pai estava investida - do pai hipotético de que falávamos - talvez nos demos conta de ter sido agressivo e calculista e fixar-nos nesse caso nas qualidades negativas. Digamos que tenha sido avarento e dominante e advertiremos que nesse caso concreto tenhamos empregado aspectos distintos dos do pai. Pode ser que descubra qualidades contrárias à da agressividade do pai, à da sua qualidade dominante, à da sua avareza, etc.


Em relação a isso devemos igualmente observar o aspecto da mãe. Podemos supor que a mãe fosse generosa e valente diante dos conflitos. Suponhamos que tenha sido um homem que tenha vivido tal situação com uma tremenda angústia e medo do chefe. Terá herdado a agressividade e o poder dominante do seu pai? Não, porque se o tivesse feito, não teria reagido do modo que reagiu. Se observarmos o aspecto feminino teremos de ter consciência de que o filho terá usado algo pertencente às qualidades da mãe. É generoso e valente diante dos conflitos. Digamos que tenha incorporado qualidades contrárias às do pai, e o aspecto da mãe tenha deslizado formando um aspecto masculino suave e moderado, mas que ao mesmo tempo abrigue temor. O pai procurara moldá-lo de acordo com o sentimento que tinha. E a agressividade constitui um sentimento, não será? Envolve um temor bastante evidente em relação à figura do pai, que o terá dominado, e as qualidades da mãe que o tenham induzido à suavidade, à candura e à sensibilidade. Aí terá surgido um desequilíbrio entre os aspectos masculino e feminino.


Para poder corrigir o seu problema deve avaliar e equilibrar esse factor. Poderá então percorrer o mundo sem medo e responder ao chefe: “Eu dei o meu melhor e não tem o direito de me repreender por desconhecer a situação que experimentei ao procurar levar a cabo o projecto.”


Não obstante, torna-se claro ter surgido um desequilíbrio entre essas duas partes e que não terá sabido enquadrar as reprimendas de um modo adequado, e descobrimos que o conflito tenha ficado encapsulado aos dez anos. Por volta dessa idade tem início a formação da personalidade. Estavam a entrar na adolescência quando os aspectos masculino e feminino se formaram. As reprimendas do pai seguramente terão feito com que o vosso aspecto masculino fosse rejeitado, atrofiado, e com receio de se revelar tal como era. A figura da mãe suplantou-o e criou um aspecto masculino brando, destituído de qualquer tipo de couraça protectora. Ao contrário, mantém-se alerta o tempo todo, com medo, e num estado pacífico. Ao mesmo tempo carece do aspecto feminino que o possa equilibrar por possuir um aspecto tanto masculino quanto feminino dentro da mesma caixa. Ele é débil em si mesmo, não possui domínio nem lógica masculina. A parte feminina representa o sentimento, mas agora descobrimos que o aspecto masculino e a lógica terão desaparecido.


Para poder despertar a lógica precisa voltar a procurá-la onde ela se encontra ancorada e procurar reconhecer o significado desse sonho diurno. Vemos que o domínio do pai terá moldado o filho. Pode ter formado ainda mais aspectos. Precisa trabalhá-los. Se não o fizer, os conflitos acabarão por surgir sob a forma de símbolos. Terá um sonho nocturno imbuído de símbolos que podem revelar-se mais claros do que parecerá, quando procura interpretar o sonho à luz da consciência diurna. Se os seus esforços saírem malogrados nessa interpretação, deparar-se-á uma e outra vez com os seus velhos conflitos até que os resolva.


Os símbolos que surgem durante o sonho nocturno diferem da simbologia que experimentais no vosso sonho diurno, devido a que os vossos corpos astral e mental se encontrem num outro tempo e espaço. No sonho nocturno, a personalidade básica faz-se escutar com muito mais força do que no sonho diurno e não procura expor os conflitos directamente mas por meio dos símbolos que existem no nosso subconsciente.


A Sombra da Encarnação Possui o Mesmo Conhecimento do “CAVALEIRO”


Quero reiterar o facto de que, quem lhes impele os sonhos é a vossa personalidade básica. O “Cavaleiro” desce a cada encarnação e o Eu comporta a síntese de todas as lembranças celulares e de todas as encarnações anteriores. Todas as experiências que tiverdes adquirido em encarnações anteriores se situam qual sombra - a Sombra da Encarnação - ao redor do corpo em desenvolvimento.


O homem ainda não foi criado, todavia, as experiências das encarnações anteriores têm assento ali. É muito importante ter consciência disso, assim como senti-lo por meio dos sentimentos que tendes, e entendê-lo. Ao vosso redor existe uma realidade mais ampla do que a que podeis imaginar.


Se avaliarmos do ponto de vista do tempo cronológico, diríamos que as encarnações se encontram bastante afastadas umas das outras. Mas se considerarmos a fluidez do tempo, as encarnações poderiam ser vistas como camadas, uma sobre a outra, onde cada encarnação seria vista como situada aqui e agora. Visto desse modo, o “Cavaleiro” abrange todo o caminho, desde a forma gasosa até ao presente momento. Poderia dizer-se que se estende por todo o caminho.


A Sombra da Encarnação possui exactamente o mesmo conhecimento que o “Cavaleiro” e estende-se do mesmo modo, desde a forma gasosa até ao período da encarnação actual. Ao nascer, encontrais-vos envoltos nessa Sombra. À medida que vos ides individualizando e que a consciência do ego se vai expandindo, e vos ides tornando subjectivos, a Sombra da Encarnação vai-se afastando progressivamente de vós, o que significa que progressivamente ides perdendo o conhecimento. Projectais-vos progressivamente no exterior e passais a viver por meio dos vossos sentidos. O ego exterior força o conhecimento interior, que por fim chega a ficar isolado do homem, quando este alcança a idade adulta. 


Mas podíamos igualmente perceber a coisa por uma outra perspectiva, porque a Sombra da Encarnação na realidade não se move, apesar de o termos esboçado desse modo. É o homem quem se põe de fora e se comunica directamente com o corpo físico. Isso quer dizer que a Sombra da Encarnação se faz presente o tempo todo, mas que é a própria pessoa quem se situa de fora do alcance desse conhecimento, porque ao se tornar subjectiva deixa de poder entender a sua mensagem. Ao nascer entendia, ou melhor, o seu corpo era formado por esse conhecimento, mas o corpo não soube transmiti-lo, porque apesar de parecer um paradoxo, o homem precisa em primeiro lugar do seu atrito e de ser condicionado, para de seguida dar uma volta de 180 graus na direcção de si mesmo, a fim de descobrir o conhecimento.


Um outro paradoxo é que quando o Eu Interno (a personalidade central) vos ensina a ver e vos ensina a compreender, a mim parece-me que esteja a falar diante de um espelho, porque todos vós possuís o conhecimento que procuro transmitir-lhes. O problema coloca-se por o procurardes fazer a partir do exterior, quando o que deveis fazer é voltar a obter um outro ponto de vista sobre a vida e sobre vós próprios, e uma outra maneira de perceber as coisas. O que implica numa mudança total dos vossos valores.


A Sombra da Encarnação faz-se presente como um murmúrio de fundo em relação à encarnação presente, do mesmo modo que em relação às seguintes; todavia a Sombra da Encarnação não transmite nenhuma informação ao Duplo Etérico, embora essa informação proceda directamente do Ginete (Cavaleiro). É a Sombra da Encarnação quem armazena as experiências encarnação após encarnação.


Das angústias da vivência das vidas traumáticas anteriores encarrega-se o Eu, que é quem as vai colocando na actual construção celular, na memória celular. Foi o Cavaleiro quem imprimiu o impulso na memória celular, todavia o Cavaleiro não possui a imagem disso, por a imagem dos traumas se encontrar na Sombra da Encarnação. Se procurardes por um trauma dentro de vós e esse se encontrar na Sombra da Encarnação, ireis presenciar toda a imagem ao vivo. Existirá tanto então como agora, só que de uma forma diferente. O Cavaleiro encontra-se tanto aqui como além. 

Atravessou um número infinito de camadas de expressão, sob a forma de gaz, sob uma forma plástica, mineral, vegetal, animal e humana. O homem abandonou a sua existência (nesses estados) e profere: “É aqui que tenho a minha vida, precisamente aqui!” Contudo, se prolongardes a imagem, vereis que sois a síntese de toda essa evolução. * Não existis somente aqui e agora. Subjectivamente existis aqui e agora, mas se o encarardes a partir de uma outra existência sentimental, estareis igualmente presentes em todo esse trajecto anterior.


* (NT: Não confundir isto com o “processo teórico e linear da evolução proposta por Darwin, porquanto não está relacionado)


O Homem É a Sua Própria Testemunha


Tereis consciência de ser as vossas próprias Testemunhas? Tudo quanto fazeis registais. Por vezes tem-vos sido dito que deveis observar tudo no vosso caminho, não é? Ao mesmo tempo sois as vossas próprias Testemunhas. Os vossos sentidos registam tudo quanto se passa ao vosso redor, ao ínfimo detalhe. Os vossos sentidos registam absolutamente tudo quanto viveis, mas só recordareis mais ou menos uma décima parte daquilo que vos chega por intermédio dos vossos sentidos. Rejeitais o que tenha menos importância, talvez uns noventa por cento daquilo que vos rodeia, e tratai-lo como algo de que não necessitais na vossa tarefa diária. Vamos partir o corpo humano em duas partes e dizer que a metade direita é lógica e a esquerda sentimental.


Simbolicamente sois as vossas próprias Testemunhas. Uma vez que a lógica não pode admitir o sentimento e não pode admitir nada que não consiga tocar ou ver, será o lado sentimental quem precisará aceitar. O sentimento aceita sem ver. A Testemunha de que falamos manifesta-se na parte esquerda da pessoa, no seu lado sentimental, e pode ser percebida ao nível da vossa orelha esquerda. A Testemunha pode influir sobre a pessoa. A Testemunha não pode falar, porém influi por intermédio do sentimento. A Testemunha obtém experiência desde o nascimento até à morte física.

 Em seu leito de morte, o homem verá passar, muito rapidamente, tudo quanto tenha vivido, como se de uma revista se tratasse. Inclui todos os detalhes vividos desde o nascimento. É a Testemunha quem faz a saída do corpo físico. Deixa para trás a ligação que tinha com o corpo físico para passar a formar parte da Sombra da Encarnação na encarnação seguinte.


A Sombra da Encarnação é formada por Testemunhas e agora queremos saber como é que a sombra da Encarnação poderá incluir todo o tempo, desde a forma gasosa. Aí, não existia sentido algum. Contudo precisais entender que tanto no domínio mineral como no da forma plástica e da forma gasosa existe um tipo de consciência. E logo que haja alguma forma de consciência, a Testemunha regista-a.


Na forma mineral assim como na forma plástica ou gasosa podem dar-se experiências dos sentidos, que não obstante em nada se parecerão com as vivências que colheis através dos vossos sentidos (actuais). As vivências que o homem forma por intermédio dos seus sentidos não se parecem com as vivências que são obtidas por um vegetal, um animal ou um mineral. Todavia, Testemunhas e a Sombra da Encarnação, que se tenham formado de um número infinito de Testemunhas, existiram desde a forma gasosa até agora. Possuís uma sabedoria infinita, que carregais ou que vos carrega.


A Sombra da Encarnação não admite informações durante a encarnação presente. É a Testemunha quem recebe a informação. A Testemunha não pode passar a fazer parte da Sombra da Encarnação até que tenhais abandonado o corpo mental, e depois disso, o Ginete ou Cavaleiro poderá baixar de novo.


A Testemunha é um produto dos vossos sentidos mas não se acha implicado subjectivamente. Não se encontra ancorado no subconsciente, contudo possui todas as informações da actual encarnação. Se quisésseis obter todo o conhecimento que a Testemunha possui, haveríeis agora de tratar esse conhecimento de uma maneira subjectiva. A testemunha observa de uma forma objectiva o tempo todo e armazena uma quantidade enorme de conhecimento, de cada detalhe.


Quero dar-lhes um exemplo de como a Testemunha os pode ajudar a reagir. Um indivíduo estaciona o seu automóvel numa grande praça. Quando o faz não está escuro, mas no momento de sair dali terá ficado completamente escuro. Ele só consegue ver e tirar o automóvel às apalpadelas, e age com a segurança de não existirem ali outros veículos. Actua com base no tacto e sai de marcha atrás, para dar a volta. De repente o seu corpo reage de uma maneira que não consegue evitar. 

Trava bruscamente e interroga-se sobre o que se tenha passado. Algo o terá levado a sair fora e ao dar a volta ao carro dá-se conta de haver ali um outro automóvel a uns quantos centímetros do seu. Não estava ali quando chegou e não o tinha visto, devido à obscuridade. Mas a Testemunha que o viu, influenciou o homem directamente através do seu sentimento e levou a que o seu corpo reagisse.


Se possuísseis um contacto correcto com a Testemunha, sempre teríeis consciência do que existe ao vosso redor, e sempre estaríeis despertos. As experiências da Sombra da Encarnação estão unidas à nossa personalidade básica. À medida que os corpos astral e mental se desenvolvem na pessoa, ela vai-se distanciando do conhecimento que no fundo possui desde o princípio. Os corpos mental e astral não possuem o conhecimento que a Sombra da Encarnação possui, nem tem as suas experiências. Os papéis que representais e que são inerentes á vossa personalidade, e que ao mesmo tempo formam a parte mais vasta dos corpos astral e mental, formaram-se ao longo do tempo/espaço em que crescestes e não têm ideia do conhecimento exterior a esse tempo/espaço. 

Pouco a pouco a Sombra da Encarnação vai-se distanciando, pode dizer-se que se vai colocando à distância e que isso os leva a deixar de ter contacto com a vossa personalidade básica e a sentir somente como que uma ânsia por uma mudança qualquer.


Como a Personalidade Básica Pode Fazer-se Ouvir


Temos vindo a falar de romper com os vossos papéis de actor. Temos vindo a falar de como a personalidade básica, que repousa desde o início, tenta fazer-se ouvir, tenta romper a casca. Vamos considerar a pessoa como se fosse um ovo. A casca constitui a superfície do ovo, o que percebemos dele. Identificais o ovo com a casca. A superfície reflecte-se no exterior, do mesmo modo que a pessoa limitada, e diz: “Sou um ovo.” O mundo exterior reflecte: “Claro que és um ovo.” A casca não tem consciência de possuir uma gema e uma clara. A clara concebemos nós como a pessoa destituída de limites e a gema como a pessoa divina. Que haverá a fazer? Pois, tem que se romper a casca!


O homem ilimitado colabora com a personalidade básica e tenta constantemente romper a casca ao seu redor. A personalidade básica tenta levar-vos a reconhecer os sonhos e tenta levá-los a trabalhar para que os papéis que surgiram do vosso sonho de vida, desapareçam. Tendes que entender porque existem. Pouco a pouco a casca se romperá. Quando a casca tiver desaparecido, deixará de existir defesa. A pessoa divina faz a sua entrada na arena da vida. Vamos dar uma olhada sobre o processo em que a pessoa ilimitada e a personalidade básica tentam fazer-se ouvir. Fazemos um desenho do rio do tempo, da corrente do tempo, e desenhamos as fases dos 10, 20, 30 e 40 anos em que poderão ter surgido papéis diferentes. Precisam ter em mente que os papéis de actor que representam nem sempre participam na vossa actividade externa, mas se deixam ouvir de vez em quando.


O homem vive no passado. Não viveis no agora. Construís o futuro possível a partir do que se tiver passado anteriormente. Todavia os papéis de actor nem sempre operam, mas só às vezes. Por exemplo, mencionávamos anteriormente o facto de o vosso chefe discutir convosco. Isso tê-los-á afectado muito devido a um conflito que tereis tido aos 10 anos. A reacção sentimental foi então tão avolumada quanto é agora. A isso chamamos nós de sonho diurno, e durante este sonho diurno, encontrais-vos completamente despertos, completamente conscientes e completamente comprometidos sentimentalmente com o processo. Antes do chefe entrar tudo estava em ordem e tranquilo. Nada do que se passasse ao vosso redor os podia afectar. Estavam a dormir. Não se encontravam num estado de vigilância. De modo nenhum estavam a tomar parte de uma forma activa. Encontravam-se no local, todavia, sem estar presentes. A essa altura o consciente inconsciente extraiu um dos papéis que se encontrava no vosso subconsciente. Esse papel tinha estado em repouso e agora se activou. Tivestes agora a mesma reacção infantil que a que tivestes por altura dos 10 anos, quando se terá dado a reacção primária e vivestes a mesma angústia, a mesma humilhação e sentistes o desprezo dos vossos companheiros. Um velho aspecto eclodiu à superfície e toda a linguagem corporal se converteu na de um garoto.


Aqueles que têm pais demasiado autoritários reagem frequentemente - sem que se tome em conta a idade em que se encontrem - como meninos em relação ao pai ou à mãe e em relação às pessoas que se parecem com eles. O corpo encolhe-se, a voz baixa de tom e torna-se débil e parece que precisam pedir perdão por existirem. É dessa maneira que os vossos papéis se activam a partir de diferentes acontecimentos das vossas vidas e que colaboram com a personalidade.


A personalidade básica tem vontade de sabotar os papéis que representais e permitir-vos ver que foram formados pelo vosso mundo externo colectivo. Por intermédio de símbolos tenta levar-vos a ver e a admitir isso. A personalidade básica não possui qualquer linguagem, não possui nenhum meio subjectivo nenhum por meio do qual possa trabalhar, por o meio subjectivo através do qual poderia trabalhar acha-se ligado aos papéis, que não aceitam nada e que podiam armazenar a sua existência. Por isso a personalidade básica trabalha tanto de dia como de noite, enviando símbolos que os leve a entender que os papéis terão surgido de uma ilusão.


A personalidade básica influi sobre os acontecimentos externos ao vosso redor. Junta-os a pessoas diferentes, que criam situações por que de algum modo possais repetir esses conflitos, esses traumas que se manifestam no vosso interior. Muitos dos papéis acham-se em repouso, e não são vêem à consciência. Até que o consciente inconsciente tenha introduzido os impulsos do que foi vivido durante o dia não dais vida aos papéis que se encontram no subconsciente.


O homem diz: “Tive um sonho maravilhoso. Sinto-me elevado.” O sonho pode conter mensagens importantes, contudo o ego não os quer interpretar. Por isso se torna tão difícil a pessoa interpretar os seus próprios sonhos. Não quereis ver o negativo e procurais mudar o sonho para que se enquadre no vosso próprio propósito. Interpretai-lo de uma forma cor-de-rosa e pensais ter sido um sonho bom. Quando começamos a examiná-lo um pouco podemos ver que talvez vos dê ordens que apontam de volta no sentido do subconsciente. Talvez lhes transmita igualmente informação sobre como tentais afastar-vos das distintas pessoas que se encontram ao vosso redor. Transmite-lhes imagens que precisam interpretar.


O Sonho Constitui a Forma Máxima de Estar Desperto


Quero aprofundar um pouco mais o que disse sobre estar desperto ou adormecido. Se estais a caminhar, quanto do percurso que percorreis conseguis ver? Em que se fixa o vosso olhar? Quando saem de casa para ir para o trabalho, que é que vêem? Conseguem descrever o caminho? Conseguem descrever cada passo? Conseguem escutar os pássaros a cantar ao vosso redor? Fixais a atenção nas casas com que vos cruzais e nas pessoas que encontrais? Não, nem estais despertos até vos verdes de algum modo comprometidos com diferentes detalhes e se não o fizerdes estais a dormir.


Se observarmos o que acontece num dia da vossa vida, damo-nos conta da forma como mantendes os papéis que representais. Despertam pela manhã. Sentem sono. Sentam-se na cama a fixar o olhar na parede sem a ver. Então, perguntaria, que é que vêem ao vosso redor? Estão despertos? “Claro!” Descrevam aquilo que vêem! A maioria das pessoas dirá: “Tudo está como dantes.” Mas que representa esse “como dantes”? “Há um relógio, um candeeiro.” Haverá mais alguma coisa? “Pois não sei.” Não observais aquilo que existe. Podemos seguir-vos o dia todo para nos darmos conta de que, de um dia de doze horas, permaneceis no máximo quatro horas acordados. Essas quatro horas são escolhidas a partir de distintos períodos do dia, quinze minutos aqui e vinte acolá. E se observarmos um pouco detalhadamente, dar-nos-emos conta de que esses períodos de quinze minutos contêm algo que os terá afectado de uma maneira qualquer especial. Nesses momentos surgiu uma visão, algo que existe no vosso subconsciente e que se acha relacionado com os papéis que viveis. Naquele momento tereis tido uma visão em que deviam fixar-se e interpretar do mesmo modo que interpretais um sonho nocturno, por vos trazer uma mensagem. Algo tenta fazer-se ouvir. Entre esses períodos de quinze minutos, entre esses acontecimentos, estais a dormir, embora digais estar despertos. As doze horas do dia foram comprimidas a um máximo de quatro horas. Isso representa o período total em que vos encontrais despertos e representa o aspecto máximo do sonho. O sonho constitui a forma máxima de estar despertos.


A Personalidade Básica Encarrega-se do Processo de Limpeza.


Quem se deixa ouvir é a personalidade básica. Então, perguntaria: Será que o consciente inconsciente estará de algum modo ligado à personalidade básica? Pois poderia dizer-se que o consciente inconsciente funciona de uma forma mecânica. Mas ao mesmo tempo, parece estar a dirigir, por absorver, analisar, catalogar todas as informações e extrair os símbolos sonhados. Vamos supor por um instante que é a personalidade básica quem para se fazer ouvir influi sobre o consciente inconsciente. Por ser a personalidade básica quem tenta proceder a um processo de limpeza.


Porquê e Como, Duas Palavras Muito Úteis.


Quando falamos de sonhos, precisais ter em mente que o sonho possui uma cabeça e vários tentáculos. Primeiro podeis interpretar a cabeça e a seguir o resto e vereis que o sonho comporta várias mensagens. Pode ser um sonho num tempo próximo, que tenha que ver com o que estais a fazer na vossa vida diária, assim como pode ter que ver com decisões que preciseis tomar ou mudanças na vossa vida, nesse momento. Também pode fornecer indicações sobre períodos passados. Pode-vos advertir sobre determinada época do passado, dos tempos da infância, sempre contando com uma margem de alguns anos. Além disso o sonho pode mesmo ser de carácter visionário, pode falar-vos de algo que vá a suceder ou de mudanças na vossa vida, todavia não vos dará qualquer indicação directa do que venha a suceder.


Quando o sonho regride no tempo, às vezes dá-vos informação sobre um processo que se tenha realizado, mas não pode transmitir informação directa sobre um processo futuro. A personalidade básica não se encontra limitada ao tempo/espaço onde os papéis de actor se tenham formado. Cobre um campo mais amplo na corrente do tempo. Dessa maneira pode acontecer que não se encontre somente aqui e agora, mas inclusive possa dar uma visão sobre um tempo futuro mais amplo. Isso explica-se entendendo o facto de o carma representar uma encarnação atrás de outra, e tendo consciência de que a última encarnação representa uma síntese de todas as encarnações anteriores, assim como de vós enquanto corpo, como uma síntese de todos os vossos corpos anteriores.


Como vêem, a personalidade básica tem uma visão mais ampla de possíveis encarnações futuras. Também tem uma visão mais extensa desta encarnação, todavia não pode sair directamente a informar nem a mudar. É necessário que se transforme através de um ego para que se possa fazer ouvir. Vejamos um outro exemplo de um acontecimento comum que pode ter lugar aqui e agora. 

Uma mulher com quem vos tenhais encontrado terá dito algo que vos terá feito sentir profundamente ofendidos. Procurais um lugar tranquilo para reflectirdes e perguntais: “Como foi possível que me tenha feito isto?” Observai então a linguagem corporal que adoptais, que é a de uma criança! Questionamo-nos, pois: “Com que se parecerá tudo isso? “Ela parece-se com a minha mãe, tal e qual! Faz-se presente e recorda-me que não devo fazer isto ou aquilo.” Sim, mas nesse caso olhai para a vossa mãe. Onde se encontra agora? Estará aqui? Não. Vós é que estais identificados com o papel que estais a representar. Tratai e terminai com esse papel, dai-lhe as boas-vindas! Sentai-vos e passai em revista tudo quanto tiver sucedido, até sentirdes a reacção dos vossos sentidos, até o entenderdes. Quando dizeis que se parece com a vossa mãe, que foi que a vossa mãe vos fez? Sim, ela criou um papel que reage de uma maneira muito intensa. “Sim, mas...” Direis: “Ela foi injusta comigo. Tratava-me desta ou daquela maneira.”


Sempre precisais formular a pergunta “porquê.” Por que razão actuava conforme o fazia? Se nos limitarmos a colocar o “porquê” à frente de cada forma de actuação – “Porque terei eu agido desta ou daquela maneira?” – então surgirá a resposta: “Sim, por a minha mãe...” Novamente formulamos a pergunta “porquê” antes da mãe e veremos que ela terá agido segundo o convencimento que tinha. Agiu segundo o sentimento que tinha. Se o encarardes desse jeito, não podereis associar a agressão que sentis à figura da vossa mãe. Ela foi unicamente um meio que serviu para criar agressividade em vós. A partir da plataforma em que se encontrava, ela transmitiu algo da sua realidade até vós e isso levou-vos a reagir da maneira que fizestes. Assim vos confrontastes com esse papel de actor, em relação ao qual reagistes de uma forma tão rara.


Vamos voltar à pessoa que vos tenha ofendido e colocar-vos face a face com ela. Ela representa agora a figura da vossa mãe e entendeis que representa um símbolo. Ela agiu de uma maneira que vos terá levado a julgar ver nela a vossa mãe. Mas quando a observais agora, encarais uma imagem completamente diferente. Não vêem a vossa mãe mas que ela terá sido o meio que foi empregue para vos despertar. Não sentis a mesma agressão em relação a ela conforme no princípio, por então terdes estado, desde logo, furiosos com ela.


Em segundo lugar, trasladastes a agressão para a vossa mãe e agora percebeis que quem criou todo esse processo terá sido um dos vossos papéis de actor, elaborado faz muito tempo. Agora começais a entender como se formou. “Porquê” e “Como” são dois termos muito úteis.


Examinando este conflito um pouco mais detidamente, quase podemos constatar com exatidão quando terá surgido. Vemos então que na companhia de outros, a vossa mãe vos terá atraiçoado e agora podeis constatar a actuação que teve, a debilidade que apresentou. Assim também percebereis onde e de que forma o papel terá surgido e também podereis removê-lo, por não sentirdes qualquer agressão em relação à vossa mãe. Ela foi uma vítima da sua realidade, que por sua vez moldou a vossa.


Compreendereis, e Podereis Sentir Amor


Retomemos agora o que comentamos anteriormente. Temos os aspectos do pai e da mãe. Qualquer pessoa possui tanto aspectos femininos como masculinos. Seguindo este raciocínio poderíamos conceber isso como uma árvore e assim compreender como foi o pai. Por sua vez também possui aspectos de pai e de mãe, que por seu turno se encontram divididos em aspectos paternos e maternos. Tem igualmente uma parte masculina e uma feminina. Poderíamos fazer o mesmo à mãe. Então damo-nos conta de serdes vítimas. 


Nas vossas escrituras sagradas existe algo que se chama herança do pecado, que se estende para atrás até à terceira ou quarta geração. Temos, pois, uma herança que não é a herança biológica mas uma herança vital, uma herança das experiências da vida. Os pais passaram as suas vivências do mundo aos filhos, e eles por sua vez passaram-nas aos seus filhos, etc.


Então damo-nos conta de que todas as pessoas são vítimas dos papéis que representam. No nosso exemplo anterior tivestes uma reacção demasiado intensa, quando vos fizeram recordar a vossa mãe. Libertar-se da figura da mãe, de modo que o sentimento já não se veja afectado por ela, é um processo que pode durar muito tempo.


Um papel que tenhamos assumido não é passível de ser rompido de modo que logo desapareça. É um processo que durará algum tempo em vós. Os símbolos que apareciam nos sonhos e que vos afectavam tão profundamente voltarão, mas cada vez com menos intensidade, e a agressividade que sentíeis em relação à vossa mãe amortecer-se-á mais, progressivamente. No final tereis compreensão e conseguireis entender a vossa situação. Já não sentis agressividade, por se ter transformado em amor.


Alguma vez tereis tentado amar um inimigo? Tentai-o e procurai as qualidades positivas dessa pessoa. Procurai sentir amor e o resultado será maravilhoso.


Vejamos outro exemplo. Duas pessoas tiveram uma forte desavença e não se suportam. Dissemos a uma delas: “Procura mostrar-te amável quando te encontres na rua. Não lhe vires as costas, não te ponhas com rodeios, porque aí estarás a fugir. Tampouco o ataques, por isso provocar ainda mais tensão. Vai ao encontro dele e fala-lhe, e dessa maneira constatarás a sua cara de surpresa. Não te deixes levar por isso; diz-lhe algumas palavras. Poderias perguntar-lhe: “Como estás? Que tempo formidável!” São palavras deveras simples mas com elas estabelecerás um diálogo. Ao te separares talvez te sintas como ganhador. Terás ganho sobre ti próprio. Ele não se sentirá como um perdedor mas como alguém que recebeu uma prenda. Talvez te dês conta de ser mais fácil do que pensavas equilibrar uma inimizade. Pois, quem se sente ferido, senão um dos papéis que representas?


O Sonho Fala-Vos Por Símbolos


Vamos falar um pouco sobre símbolos. Tendes consciência da linguagem se encontrar repleta de símbolos. Não reconheceríeis nada caso não conhecêsseis o significado das palavras. Se vos falar numa cadeira, então associareis ao objecto em questão. Mas se jamais tivésseis visto uma cadeira, nem sequer saberíeis para que serve, nomeadamente, para vos sentardes. Tudo o que vemos encontra-se carregado de símbolos. Vêem tetos, paredes, almofadas, cristais, e associais os objectos por meio de imagens interiores. 


Se tentardes descrever um sentimento, esse sentimento tem que ser conhecido e tem que ter sido vivido de uma forma subjectiva. Se falardes de algo abstracto, não tereis qualquer linguagem de imagens mas um sentimento subjectivo de uma coisa abstracta. Se tentardes comunica-lo ao exterior, então ireis formando-o segundo o vosso sentimento subjectivo.


Os sonhos estão igualmente carregados de uma linguagem simbólica, que de algum modo se encontra situado entre vivências subjectivas e objectivas. Os sonhos nunca seguem um padrão. Não podeis ter uma chave e dizer que isso significa aquilo por a chave o dizer. Os sonhos não funcionam dessa maneira. Cada pessoa é única e tem a sua própria vida dos sonhos. Cada um podia encontrar a própria chave para compreender os seus sonhos. Certas partes poderão ser passíveis de comparação e ter uma interpretação comum, mas somente pequenas partes. 


Quando se interpreta um sonho há que trabalhar desde a base do sentimento, buscar o núcleo do sonho e ver o que nos pode dizer. Saber interpretar um sonho representa um processo vasto que não se pode conseguir num abrir e fechar de olhos, por poder durar horas e mesmo dias.


Mas, para voltar a falar dos papéis que interpretais, vemos que cada um desses papéis possui a sua identidade própria, e que juntos formam a vossa personalidade. Cada papel tem os seus símbolos no sonho e na vossa personalidade, que representam a forma como os vossos papéis interpretam o seu meio ambiente e em conjunto interpretam tudo quanto vedes e viveis.


O padrão de reacções é tanto o mesmo, quando o papel foi criado, como quando sois adultos. Se compreenderdes os símbolos, então podereis compreender a razão para esse papel ter surgido, e assim poder romper com ele.


A Sombra do Sonho Será Vosso Cúmplice


Acontece muitas vezes no sonho estardes a fugir de algo que vos ameaça. Por vezes não o conseguis ver, por não passar de um sentimento. Por vezes é de tal forma palpável que até vos encontrais com o personagem que vos assusta. Pode ser um personagem que cheire mal, e apresente uma roupa suja, e que tenha uma aparência ameaçadora; estais constantemente a fugir dele. Isso representa os traumas e conflitos todos que no seu conjunto são chamados. A essa síntese de conflitos chamaremos a Sombra. É ela quem vos persegue no sonho. 


A Sombra no sono representa a síntese de todos os conflitos que viveis na encarnação presente e tenta chegar a vós de qualquer maneira até que a aceiteis, até que aceiteis as vossas tensões. Quando enfrentais a Sombra, quando vos tiverdes cansado de fugir de vós mesmos, então recebê-la-eis, porque com isso a Sombra muda de carácter. Quando quiserdes colaborar no sentido de resolver os conflitos que tendes no vosso íntimo, a Sombra será o vosso colaborador, e tentará ajudar-vos.


Por que surge a Sombra? Pois, se voltarmos a examinar a personalidade básica, dissemos que ela é uma síntese de todas as encarnações anteriores e que procura fazer-se entender através dos sonhos. Tenta ajudar-vos a romper com os papéis que criastes, para poderdes descobrir os seus contrários. 

Do mesmo modo que convosco próprios, em cada sonho tendes o conhecimento do que deveis tratar, cada papel contém em si o conhecimento da forma como surgiu. Surgiu da tensão à superfície e aí mesmo se encontra a resposta sobre a razão por que surgiu. Da mesma maneira que quando tendes uma pergunta e a examinardes com mais atenção vos dais conta de que a resposta na verdade se encontra na própria pergunta.


A Clareza em Todos os Traumas. O Velho Sábio


Surgiu um papel a partir de uma tensão superficial que se manifesta num sonho diurno. Dito de um outro modo, a personalidade básica tenta fazer-se ouvir desde dentro, e procura faze-los ver que surgiu esse papel. Se não quiserdes admitir o sonho ou não vos quiserdes ver de uma perspectiva real voltareis as costas ao papel. Já que não quereis ou não podeis acolher o sonho na vossa consciência diurna, para começar a trabalhar a esse nível, surgirá num sonho nocturno.


No sonho pode surgir uma figura, que de uma forma subtil procure conduzi-los ao conhecimento do porquê de ter aparecido um dos papéis do vosso reportório. Trata-se de uma figura simbólica que vos pode ensinar o caminho de saída de situações complicadas. Podeis conversar com ela e a seu lado sentir-vos protegidos. Por vezes tal figura poderá aparecer e simplesmente pronunciar umas palavras para vos guiar. Do mesmo modo que tendes a Sombra no sonho, que constitui uma síntese dos traumas todos desta vida, também tendes uma outra síntese que poderíamos chamar de clareza em todos os traumas. Esta conhece a causa da origem de todos os traumas e também conhece o caminho para sair deles. A essa clareza e confiança, que ganha forma no sonho, chamaremos o Velho Sábio ou a Velha Sábia.


Durante o sonho diurno também surge aquilo que chamamos de Sombra. Durante o sonho diurno também aparece o Velho Sábio. O homem foge muitas vezes de factos desagradáveis, em vez de os enfrentar e de aceitar que ele mesmo possui tudo isso. Se aceitardes a vossa Sombra, ou melhor, se tendes todos estes aspectos, o mesmo conflito será um meio de obtenção de ajuda. No próprio acto da aceitação existe um outro da renúncia, onde de uma maneira qualquer já não podeis mais: “Agora tenho que resolver este problema; já não posso fugir mais.” E a imagem que tiverdes do conflito será uma ajuda para compreenderdes como surgiu. A Sombra muda de carácter e converte-se num acesso importante no trabalho convosco próprios.


Assim pois, temos o Velho Sábio e temos a Sombra. Poderíamos examinar logo todos os demais símbolos que surgem no sonho, pouco a pouco, por nunca podermos proceder a uma interpretação exacta sobre o significado de um sonho, já que varia de um sonho para o outro e de caso para caso.


Somente Aquele que Sonha Conhece a Interpretação Correcta


Vamos preparar alguns exemplos e expor algumas interpretações possíveis. Alguém terá dito: “Encontrava-me num barco e contemplava as águas amplas; era um oceano. Era maravilhoso, tudo permanecia muito tranquilo e sossegado. O mar assemelhava-se a um espelho. Não se percebia o menor movimento.” Poderíamos entender isso como um símbolo de que tudo está em sossego, e de que tudo é harmonia. Contudo, se o examinarmos de uma outra maneira, podemos interpretar como demasiado tranquilo. 


O mar não apresenta movimento. O mar representa a vida. A grandeza do barco geralmente representa a esfera vital de que estais rodeados. Se o barco for demasiado pequeno, podereis ter uma plataforma muito pequena, podereis ter-vos separado do mundo e sentir medo que alguém entre e que vos influencie de alguma maneira. A tranquilidade do mar também pode significar pouca actividade.


Então alguém dirá: “Encontrava-me sobre um mar muito agitado. O meu pequeno barco encontrava-se ali em baixo num vale por entre ondas altas e foi atirado de um lado para o outro.” A imagem mudou de carácter. O barco continua a ser pequeno. Tendes medo da vida, e pode ser um medo que vos capture, ou de que outras pessoas se lancem sobre vós, ou de que a própria vida vos possa afogar.


Digamos agora que o barco seja maior e que sintais encanto pelas águas. As ondas empurram-vos e a água salpica-vos um pouco na cara, e travais uma luta contínua. Pode representar uma actividade vital e que desafieis a vida.


Mudemos a imagem dizendo que vos encontrais numa piscina em um pequeno barco. Que nos dirá um sonho desses? Aqui não há vida. A água é artificial. A plataforma ou consciência vital em que vos encontrais a moldar-vos é muito limitada. Não vos atreveis nem sequer a ir ao mar. Fechais as portas à vida e construis a vossa própria plataforma, em que não quereis aceitar o que existe ao vosso redor.


Muitos são os factores que têm importância numa análise dos sonhos. Saber interpretar os sonhos não representa apenas ver os símbolos, que diferem em diferentes culturas, idades, etc., mas tratar igualmente de ver o sonho na sua globalidade. O sentimento e a coragem no sonho, a maneira como se conta, a base social do sonhador, etc., são de suma importância para poderdes proceder a uma interpretação o mais completa possível. E só o próprio sonhador saberá quando a interpretação é correcta.


Não Precisais Formular a Pergunta Fora de Vós Próprios –

SEGUI O VOSSO PRÓPRIO SENTIMENTO


Seguramente tereis notado que muitas vezes pedis conselhos ao vosso redor: “Como devo fazer isto? Que precisarei fazer?” De algum modo descobris uma forma de actuação que é influenciada pela esfera colectiva ao vosso redor, que vos aconselhou. Mas em cada ocasião, como vos encontrais diante da possibilidade de tomar uma decisão, podeis ter dado ouvidos e, sobretudo, podereis ter sentido que seja o que deveis fazer. De cada vez que destes ouvidos à esfera colectiva que vos circunda, quando lhe tiverdes pedido conselhos e os tiverdes dado, a seguir deveis ter podido comprovar em que é que estavam errados. E logo direis: “Eu sabia que ia seguir por este caminho. Sabia que era um equívoco mas de qualquer modo cometi-o. Não confiei no meu próprio sentimento.”


Parece que existem dois lados que operam constantemente no homem. Um que sempre sabe e o outro que diz: “Isto, eu não posso resolver sozinho. Necessito de conselhos da parte do meu meio, sobre a forma como devo actuar.”


Necessitais de conselho. Naturalmente, só que também importa que tenhais o vosso próprio ponto de vista sobre o conselho, para o não seguirdes à letra. Porque se o fizerdes, não ireis viver as vossas próprias vidas, mas ireis viver como seres de segunda que buscam o cultivo no mundo que vos rodeia. Há que confiar sempre no sentimento interno!


Então alguém dirá: “Se devo confiar no próprio sentimento interno, raciocinarei justamente ao contrário de todos os demais.” Pode ser, mas ao mesmo tempo ides sentir uma liberdade e uma segurança que não têm comparação. Por os vossos papéis terem surgido justamente do vosso meio colectivo: dos vossos pais, amigos, parentes, etc. Sois impelidos a seguir os impulsos a partir do exterior. Isso produz insegurança em vós. Por isso é que estais continuamente a questionar e não sois capazes de tomar as vossas próprias decisões.


Atrevei-vos a Desafiar a Força! Atrevei-vos a Desafiar o Poder!


Costumo dizer que o homem possui um número simbólico, o 10, que representa as suas partes da Força e do Poder. Que serão essa Força e Poder? Pois, Poder constitui a capacidade de terminardes algo que tiverdes começado. E a Força representa a inspiração. A Força também representa criatividade. A Força também revira o pote e cria possibilidades ao vosso redor. Se disséssemos que a Força e o Poder juntos perfazem 10 valores, poderíamos dividi-lo em dois valores 5 – 5. A maioria das pessoas não apresenta equilíbrio entre esses dois valores. Pode ser que apresentem um excesso de Força e pouco Poder, e isso leva a que comecem um monte de coisas sem terem a capacidade de as terminar. Pode acontecer terem demasiado Poder e com isso um baixo nível de inspiração, falta de fantasia, e uma criatividade limitada. Poucas vezes nos deparamos com valores iguais.


Imaginemos um indivíduo que apresente um valor 7 de Poder e 3 de Força. Deparámo-nos com um tipo de pessoa que nunca ou muito raramente é capaz de tomar uma iniciativa própria, e que constantemente colhe a inspiração de outra. Encarregam-lhe tarefas que termina, mas jamais se vê capaz de iniciar algo por sua própria vontade. Se lhe apresentarem as tarefas preparadas, será de um enorme valor numa equipe, onde realizará os cargos na perfeição. Contudo, quando precisar ter iniciativa própria, torna-se inseguro. Apresenta muito pouca Força e muito Poder.


Agora atribuiremos a grandeza 7 à Força e a 3 ao Poder. Aqui nos depararemos com uma pessoa que poderá demonstrar ligeireza, vivacidade, intensidade, e que toma parte de uma forma muito animada em tudo que se dá ao seu redor. Divide as suas energias por diversas tarefas, e de algum modo navega pelo mar da vida sem um pouco de apoio. Isso tampouco será bom, por ter pouco Poder. Tem muitas ideias, mas deverá procurar alguém para terminar o que tiver começado.


Vemos estes tipos distintos de pessoas por toda a parte. Essas características também formam parte dos papéis, porque tanto a força como o Poder estão ligados a eles. Ao examinarmos a personalidade básica não encontramos nenhum desequilíbrio. A personalidade básica sempre tem o mesmo valor, e apresenta as grandezas 5 – 5. Sempre se encontra em equilíbrio e sempre possui inspiração e sempre termina o que empreende. Pode ser que num momento inicial pareça fleumática, mas sempre permanece desperta. Sempre percebe os detalhes. Não descarta nada no mundo como se fosse algo destituído de importância, mas permanece nele o tempo todo. Só vos quero mencionar isto por irdes descobri-lo em tudo.


E que podereis fazer para vos equilibrardes se souberdes, por exemplo, que tendes mais Poder que Força? Pois, simplesmente começar a tratar de ir contra o Poder, que talvez vos esteja a bloquear. Talvez olheis alguém com inveja que concebeis como criativo e gostásseis de ser como ele. Aí tereis dois valores que vos falam: um que dá ouvidos ao exterior e que somente é capaz de terminar o que os outros digam, e a outra muito por dentro de vós que diz: “ Fá-lo!” E vós próprios dizeis: “Não me atrevo!” Claro que vos atreveis! Precisais desafiar o Poder! Nesse caso não sereis tão leais. Vivei o vosso sentimento! Atrevei-vos a viver as vossas vidas sentimentais! Que é que vos bloqueia? Bom, “Isso não se faz!” A vossa mãe - ou outra pessoa - disse isso. Trata-se de um papel que se converteu na figura central, e que constantemente bloqueia o meio.


Podeis ter papéis que por exemplo estejam formados por deveres e que vivam o dever com demasiada intensidade. De uma forma qualquer estão todos formados pela culpabilidade que esses deveres produziram. Parecer-vos-á ser necessário ser habilidosos. Tampouco será bom ser criativo se não tiverem Poder. Há que equilibrar esses valores e compreender que a vossa personalidade pode mudar. O homem é de uma natureza complexa e composta. É complicado, porém, também é simples; trata-se simplesmente de se ser transparente, de ver o processo que se desenvolve no vosso interior. Desafiai-o!


O HOMEM É REVITALIZADO POR MEIO DOS CHAKRAS


Os corpos que o homem possui revitalizam-se e recebem energia através de um sistema de chakras. Não vamos aprofundar o tema, mas tão só indicar a existência de sete chakras principais, que se acham ancorados no corpo físico e que ao mesmo tempo irradiam os corpos mental e astral. Podem ser comparados a folhas de vários lóbulos giratórias, ou a luzes de várias camadas e de diferentes intensidades que lançam uma chama aqui e outra acolá. Existem também como pontos luminosos no corpo físico. A partir desses chakras ou centros energéticos gera-se uma conexão – a chamada harpa de sete cordas - com o Duplo Etérico.


O chakra coronário (que está associada à hipófise) acha-se ancorado entre os dois hemisférios cerebrais, por cima e por baixo do corpo caloso. Possui duas membranas que giram muito rapidamente – no sentido dos ponteiros do relógio e no sentido contrário - e que atrai energia cósmica de alta frequência – o Prana - que logo é derramada por todo o sistema de chakras, por meio do canal espinal. Essa energia também é passada ao sistema nervoso central, por intermédio da medula. O chakra coronário constitui o polo positivo do corpo humano.


O chakra frontal acha-se situado na área que chamaremos de triângulo dourado: Está limitado pelo espelho frontal (parte dianteira do corpo caloso) e pela hipófise e pela pineal. O chakra frontal acha-se em repouso. Não trabalha, porque se o fizesse teríeis uma visão diferente. Veríeis o campo energético ao redor das pessoas, os seus corpos astral e mental. Veríeis as entidades da natureza que vos rodeiam. Certa vez, quando eram catraios, esse chakra encontrou-se activo, mas pouco a pouco, à medida que fostes ficando presos nos vossos papéis, o chakra frontal perdeu a sua função. Vós fechastes o chakra frontal no momento em que começastes a confiar em pleno nos vossos cinco sentidos. Uma parte do Cavaleiro – o Eu Superior - acha-se atada ao chakra frontal.


O chakra do pescoço acha-se ancorado na tiróide e deixa-se influenciar em larga medida pelo chakra sentimental. Isso podeis vós constatar quando sentis angústia, por exemplo, quando o vosso discurso se torna demasiado influenciado. O chakra do coração constitui o assento principal do Cavaleiro. A parte do Cavaleiro que nós chamamos de Eu acha-se encarnado no coração.


O plexo solar ou chakra sentimental está ancorado no pâncreas e possui um aspecto superior, ou espiritual, e objectivo, e uma parte inferior, subjectiva. Uma parte do Cavaleiro, a que chamamos Mental Abstracto, está encarnada no plexo solar.


O chakra sexual está ancorado na base da pélvis; no caso da mulher nos ovários, e no do homem nos testículos.


O chakra base está ancorado na parte interna da terceira e quarta vértebras do cóccix. Recebe a energia planetária através das plantas dos pés. O chakra base constitui o pólo negativo no corpo humano. Os chakras base e sexual são no fundo um mesmo chakra, que no homem se divide em dois. Através do plexo solar a pessoa deixa-se influenciar pelas experiências do seu próprio ego, e assim os chakras da base e o sexual convertem-se em seus servidores com um fim subjectivo.


O HOMEM, UM VIAJANTE NA CORRENTE  DO TEMPO


É preciso ver o homem como um viajante no fluir do tempo. A pessoa que toma consciência do seu sonho vital vive no tempo fluido, mas enquanto não for consciente, perceberá unicamente o tempo e este se torna mecânico. Estamos agora a falar do tempo cronológico. 


Há um tempo passado e um tempo futuro. O homem deixa-se prender ao passado, ao que já passou; por outras palavras, ao tempo que retém na memória. Com base no que já passou, acredita na possibilidade de acontecimentos futuros. O fluido flui diante de si e ele só percebe o que tem diante de si.


O fluido do tempo não se pode medir. Podia-se dizer que o fluido do tempo se encontra em toda a parte ao vosso redor. Uma pessoa encontra-se num fluxo de tempo e outra noutro. Levando em conta que cada uma tem uma frequência básica diferente, vivemos também diferentes velocidades fluidas.


Costumo aconselhar as pessoas para procurarem tornar-se mais videntes, mais ouvintes, mais sensíveis. Empregai os vossos sentidos, e vereis como cada vez mais descartareis menos o que viveis. Pouco a pouco tereis uma cadeia de acontecimentos sem fissuras, em vez de uma cadeia rompida. 

Quando tiverem aprendido a observar mais e quando se empenharem de verdade em ver, inicialmente isso irá parecer-lhes difícil. Mas verão que o tempo acelera e que o vosso dia fica repleto de experiências. Um dia proporcionar-lhes-á mais experiências do que antes conseguiriam porventura em três ou quatro semanas.


O homem que mantém o velho padrão tem um olhar vago e a ponto de se sentir stressado. Poder-se-ia dizer que mediante determinadas medidas, vai avançando através do tempo cronológico com a ajuda de uma âncora. Primeiro, pela manhã levai-la ao banheiro para a seguir a recolherem. De seguida colocai-la, na mesa do pequeno-almoço e recolhei-la. Levai-la ao trabalho e recolhei-la. De cada vez que chegarem à âncora, voltam a tirá-la. Porém, se estivessem a observar minuciosamente, preencheriam o dia com experiências com que concordarão. Porém, garanto-vos de que desse modo só ireis suportar uma parte do dia. A seguir ficarão cansados de todas as impressões. Tentai-o uma vez, por poderem acreditar em mim quando lhes digo que lhes proporcionará um estímulo ilimitado. Não é preciso descartar o mundo mas vivê-lo plenamente.


O HOMEM, TANTO MOVIMENTO QUANTO LOCAL, SUPERFÍCIE E DISTÂNCIA


Falemos um pouco da forma como observais o vosso ambiente. Digamos que estejais a observar um prado de verão. Vêem a árvore; ao lado da árvore há uma pedra no fundo do bosque e por cima do bosque percebem-se as nuvens e o céu. Junto às nuvens esvoaça um pássaro. Tal panorama proporciona-lhes harmonia. Agora vamos dividir o quadro em quatro partes, como se fosse uma janela. Perceberão o mundo por meio de um sistema de imagens. Não percebem a totalidade mas começais a estudar o que em primeiro lugar lhes chama a atenção. A árvore sobressai. Ao lado da árvore encontra-se a pedra. Percebeis igualmente uma colina com flores e o bosque de fundo; percebeis o pássaro e as nuvens. Dessa maneira tereis fragmentado o mundo em quatro partes.


Numa primeira instância sobressai a árvore, que é o que está mais perto. Então tudo o mais se encontra como fundo, como algo que compõem a imagem. Vamos voltar a vista e focar-nos na pedra, que é o que sobressai mais. Toda a vez que mudamos a vista, o fundo muda. Na realidade o quadro não tem fundo, e é o espectador quem cria esse fundo, o lugar, a superfície, a distância. O espectador ou o homem é tanto o movimento como a superfície e a distância, e sobretudo o local. Tudo quanto vêem rechaçam em partes, em que um detalhe sobressai num momento, para no momento seguinte sobressair, excepto quando observais outra coisa.


Muda a toda a hora. Se agora fixam a vista no céu, no fundo, não ireis observar qualquer detalhe, por agora se ter convertido no preenchimento do quadro. O que quero dizer é que criais a distância com os vossos sentidos. Terá o animal a mesma percepção, as mesmas experiências que o homem tem com a sua visão? Sim, têm a mesma experiência mas só não valoriza da maneira que o homem valoriza. Não valoriza a distância nem sequer a profundidade ou o local. Vós ides de um lugar a outro e dizeis que a distância é tal. Aumentais a profundidade da visão. Criais profundidade tanto com o ouvido como com a vista.


Um pássaro canta. De seguida sabemos a que distância se encontra, mais ou menos. Podeis dizer que repouse sobre o arbusto. Um outro pássaro canta num outro arbusto e em seguida podeis dizer que se encontra mais perto e em seguida vós próprios formais a profundidade com o ouvido e com a vista. Do mesmo modo, afectam os sentimentos com a visão que têm. Quando vêem a totalidade do quadro superior, dizeis que emite harmonia. Vamos colocar uma pequena lebre a comer no pasto.


E dizeis: “Que dia de Verão tão esplêndido.” Logo o vento começa a soprar e as nuvens obscurecem o quadro. Um dos pássaros aproxima-se e percebeis que tem garras terríveis, e logo o quadro muda de figura, e torna-se ameaçador, e revela perigo. Sentem que estejam a caçar a lebre. Isso expulsa o perigo da ave de rapina. A vista ter-lhes-á dado uma outra imagem do mesmo modo que o ouvido, por a vista e o ouvido colaborarem de uma forma estreita.


O ouvido apresenta um bloqueio parecido. Apagais aquilo que parece destituído de importância. Se numa habitação tiverem um relógio que toca a cada meia hora e esse relógio representar uma aquisição recente, durante os primeiros dias escutareis como toca, e desfrutareis dessa impressão. Depois de algum tempo deixais de escutar o som, por o terem descartado. Mas se puserem um outro relógio na habitação, com um outro som, de seguida dar-se-ão conta da mudança. Se o relógio parar, de seguida reagirão, por então notarem que vos falta algo.


O que quero dizer é que será necessário experimentar e observar, será necessário fixar-vos em cada som e em cada experiência. Deixai que cada pequeno pedaço sobressaia e se faça notar. Então escutareis tanto o menino como a fala, o automóvel, o autocarro... Percebereis a casa, as flores na janela, as pessoas com quem vos cruzais e estareis mais próximos do aqui e do agora. O fluir do tempo encolher-se-á e durante o período de uma hora ireis registar tanta informação, como antes necessitariam de vinte e quatro horas para registar.


O CÉU É AQUILO QUE DELE FIZEREM 


A morte é algo que em todas as épocas tanto fascinou como apavorou o homem. Vamos ver o que sucede no período de transição. O corpo físico retorna à sua origem e volta a fazer parte do sistema ecológico do planeta. O homem que foi criado no espaço vital, passa por um processo completamente distinto onde o corpo astral precisa ser trabalhado no mundo astral. Os mundos físico e astral comportam um conceito de tempo completamente diferente. No plano astral poderíamos dizer que a frequência é mais elevada, mas na realidade é mais baixa. O tempo prolonga-se da mesma maneira como se comparassem a experiência do tempo no planeta quando se dispara um foguete. Ao cair à terra diz-se que o foguete tenha passado a uma outra dimensão. Terá elevado a sua frequência quando na realidade a terá reduzido. No plano mental a frequência diminui ainda mais, o tempo decorre muito lentamente e quando por fim deixais o corpo mental entrais numa posição zero e o Cavaleiro, uma vez limpo, pode examinar a próxima encarnação baseando-se no que tanto a Testemunho como ele próprio terão sido incorporados.


Quando o corpo físico morre a pessoa continua a ser a mesma. De certo modo poder-se-ia dizer que passais por uma escola que implica um crescimento da parte astral assim como da parte mental. Poder-se-ia dizer que cresceis a partir de dentro. Os vossos corpos astral e mental desintegrar-se-ão pouco a pouco. Perceberão que tudo o que tiverem criado no fundo será uma ilusão. Na parte astral a matéria transforma-se e move-se com facilidade. Podeis moldá-la com o vosso pensamento, mas também ireis abandoná-la, porquanto pouco a pouco deixareis de anelar a matéria. Podeis encher os vossos celeiros com ouro e pedras preciosas se o quiserdes, mas assim que deixardes de pensar nelas e uma outra coisa passe a preencher-vos o interesse, desaparecerá o que tiverem acabado de criar. De certo modo representa uma escola para vos livrar dos desejos.


Algumas vezes terão resultado mal-entendidos, ao dizerem que o plano mental seja um plano de desenvolvimento muito avançado. “Tornámo-nos mais sábios,” dizeis vós. Pois sim, de certo modo tornamo-nos mais sábios por descobrirmos que o desejo seja algo que forma parte do homem, e que o desejo seja algo com que tenhais construído o mundo. O pensamento terá ratificado o desejo e tanto o corpo pensante como o corpo de desejos terão sido criados ao longo do percurso na Terra.


A esfera vital astral comporta contrastes muito grandes. Grupos de uma determinada crença poderão com o seu pensamento criar fenómenos confusos e além disso poder-se-ia dizer que ali também exista uma competição no sentido de atrair almas. Os que se encontravam aprisionados na matéria enquanto vivam na Terra também se verão aprisionados na matéria no plano astral. Também há aqueles que, na sua felicidade por se livrarem da pobreza, criam para si mesmos riquezas sem par, mas que tampouco terão valor. Pouco a pouco descobrirão que o que tiverem criado com o pensamento só existe enquanto o aprisionarem com o pensamento.


O lado astral pode representar um lugar de passagem onde o homem encontra um tempo muito extenso – se o compararmos com o tempo cronológico – mas por onde poderá igualmente passar muito rapidamente, caso o queira, e se tiver descoberto o engano na vida e compreendido “que não posso possuir coisas, mas que as coisas me podem possuir a mim. Busco liberdade interior. Sei que aquilo que represento é um elo de um cadeado numa força maior, pelo que continuarei em busca e libertar-me-ei.” E entretanto permanece imóvel em oração.


Laços que se tenham rompido durante a vida terrena, quando um marido ou uma esposa ou um filho passem são retomados no plano astral. Encontrar-se-ão com o vosso par, que terá passado porventura com a idade de 70, e que terá conservado a juventude, digamos, dos 20. A alegria que sentirão será maiúscula, quando se darão conta de que podeis adoptar a forma que quiserdes que tiverdes adoptado quando vos encontrastes à superfície da Terra.


Perceberão que na parte astral também existem escolas onde poderão estudar, porém poderão sentir falta de algo. Sentis falta da fricção da própria vida. Terão experiência mas tardareis mais em obter conhecimento do que quando estavam sobre a Terra. Poderão ler e estudar, mas de qualquer modo faltar-lhes-á algo. Não o podeis provar, por no mesmo instante em que quiserdes formular a tese, formulareis a contestação com o vosso pensamento, e ela sempre será acertada, tal como o quiserem ver. Mas talvez não seja correcto de um outro ponto de vista. Na vida física poderão formular a contestação, talvez apenas de duas maneiras, mas no plano astral formar-se-á tantas vezes quantas as que quiserem e sempre será acertada.


Quando o Cavaleiro se tiver libertado por completo e os corpos astral e mental forem completamente desintegrados, o Cavaleiro ver-se-á livre. Encontrar-se-á então num plano que chamamos de plano causal. Aí encontra-se completamente livre das formulações subjectivas e procederá a uma revisão do que tiver semeado e do que tiver colhido durante a última encarnação. Também vê onde deverá encarnar-se da próxima vez e em que família encontrará os laços que talvez não se tenham resolvido nas encarnações anteriores.


A fim de completar uma cadeia de encarnações o Cavaleiro obtém primeiro todas as experiências enquanto homem e depois como mulher, e ao contrário, e em seguida muda de sexo. Quando se produzem as alterações entre homem e mulher poderão contudo resultar certas encarnações que não obedeçam aos padrões. No início da fase feminina haverá uma figura feminina formada pelas experiências das encarnações anteriores como homem. Na memória celular haverá então um corpo que será forte e musculoso, e será natural que o corpo de mulher obtenha tais características masculinas. Na primeira encarnação masculina terá memórias celulares de encarnações anteriores como mulher e a nova figura obterá então características tipicamente femininas.


No estado de mudança poderá acontecer que as pessoas se deixem atrair pelo seu próprio sexo. Vós chamais a isso homossexualidade e reagis muitas vezes fortemente contra isso. Mas precisam encarar isso como algo passageiro. Não devem condená-lo, mas tampouco estimulá-lo, por se tratar de um processo de desprendimento que poderá durar várias encarnações. Esse processo poderá ser retardado caso seja demasiado enfatizado. Acontece que o homem possui a mulher em repouso dentro dele e é natural que também possua características femininas e o mesmo acontece com a mulher.


PRODUZ-SE UM DESPERTAR SUCESSIVO


Começarão a dar-se conta de que a existência no plano astral já não os atrai Verão que a própria resistência representa a própria evolução. Começam a perder o desejo pelas coisas, o sentimento do ser. O corpo de desejos começa a ser progressivamente descartado. Tornar-se-ão progressivamente menos evidentes. O corpo físico possui contornos duros, o astral é mais solto e o mental possui contornos ainda mais fluídos. Dar-se-ão conta de que o corpo mental se mantinha com vida devido ao corpo astral, e que o corpo astral também se mantinha vivo de certo modo por causa do corpo mental. De certo modo, esses dois corpos apoiavam-se mutuamente na existência do outro.


A partir do plano mental conseguireis olhar para baixo sobre o mundo astral e sobre a realidade física. Podereis baixar ao mundo astral e ali servir com auxiliares ou professores, mas jamais vos comprometereis sentimentalmente. Aí não sentireis lástima pelos seres por vós próprios terdes passado pelo mesmo processo e saberdes o que se faz necessário. Ireis sentir abandono e um desejo de vos deixardes abandonar. Sentem e sabem que vós próprios sois unicamente um meio que uma divindade terá empregado a fim de obter experiência. Então também deixam a protecção mental, e o Cavaleiro, uma vez limpo, conseguirá observar a sua obra destituído de desejos.


Aquilo que vós chamais de Céu será o que quiserem que ele seja. É uma ilusão. Dar-se-á um despertar sucessivo que para alguns durará pouco tempo e para outros, mais; e outros ainda irão directamente, aqueles já conscientes. Esperemos que não se encontrem fechados quanto ao que toca à passagem. Quando lhes conto isto não tenho qualquer intenção de condenar nenhum plano, mas somente ensinar-lhes o enorme equívoco que representaria imaginarem um céu e pensar que seja formado de algum modo especial. O melhor é deixarem-se conduzir lá sem predisposições. Porque no mundo astral existem ajudantes que têm consciência da desordem e da confusão que ali reina e que os tentam ajudar a encontrar o caminho.


DA PESSOA LIMITADA À PESSOA SEM LIMITES. QUE SUCEDE COM A IDENTIDADE?


Vamos terminar o nosso discurso subordinado ao sonho do homem ligando-o a um sonho maior.


O sonho inferior, o sonho do homem é um produto do sonho divino. No reflexo da pessoa ilimitada se encontra a pessoa limitada que busca a sua própria imagem sonhada e que constantemente cria conflitos para a sua parte limitada. Se tratarem de se livrar das vossas limitações então a parte sem limites dará a volta automaticamente e reflectirá o homem divino.


Nos corpos de desejo e de pensamento existentes em cada homem está o seu pequeno e amedrontado eu limitado. Aí se encontra igualmente o seu eu ilimitado. O eu poderá ser ao mesmo tempo limitado e ilimitado? Pode, já que ambos constituem um reflexo do Cavaleiro, da divindade interior.


Sois tanto o sonho quanto o sonhador quanto o Omnipotente. Sonhais esta limitação e tornais-vos na limitação. Se abandonardes a limitação em vós próprios, o sonho mudará e defrontar-vos-eis com um nível mais elevado em vós próprios. Aproximar-vos-eis da divindade, aproximar-vos-eis do ilimitado, por o sonho limitado ter brotado do sonho ilimitado. O sonho ilimitado brotou do sonho divino. O sonho divino brotou ainda de um sonho mais elevado.


Suponhamos que tenhais obtido êxito na superação da prova e que conseguis ligar as partes limitada e ilimitada e que tenhais conseguido controlar os vossos papéis e encontrar a personalidade básica. Então, ocorrerá algo na relação entre o homem no seu corpo físico e o Duplo Etérico. O homem eleva a sua frequência. Aproxima-se do Duplo Etérico. Poderia dizer-se que ambos dão um passo adiante na aproximação e progressivamente chegam ao mesmo nível.


Todas as experiências que tiverem assimilado através das vossas encarnações poderão então ser transmitidas através do corpo físico por serem conscientes e estraem realmente abertos. No terão bloqueios por na fase final não haver papéis a encarnar. Então ressurge a personalidade divina.


A personalidade divina poderá, por meio da linguagem viva, falar directamente ao homem. Podeis ser um canal, um porta-voz que a divindade interior emprega para fazer-se ouvir junto dos demais. Então surgirá igualmente o desejo de comunicar, um desejo de ajudar as outras pessoas, de as resgatar da cegueira em que se encontram. É um desejo divino, um amor divino, por em nada ser subjectivo. Nada pretende em troca do que dá. Então não precisará de um equilíbrio exacto, o que significa que o que quer que o homem receba também dará. Quando o homem busca o conhecimento esotérico, em troca, precisará dar na mesma medida que tiver recebido. Terá que dar do que o mantiver na sujeição, e isso normalmente é a matéria. Se não o fizer, parecerá que busca as estrelas com uma mão enquanto se agarra à erva com a outra.


Talvez se questionem se continuareis a ter o vosso sentimento e se ireis sentir amor. Pois bem, mantereis a vossa identidade mas quando tiverem alguma coisa que possa servir para transformar o vosso sentimento, então sereis sentimento. E ireis ter amor, só que esse ter-se-á alterado. Já não valoriza o homem enquanto homem mas percebereis num todo, e percebereis um plano mais amplo.


Assim, podereis constatar que não ireis perder nenhum sentimento mas que, em troca, sereis mais ricos. Atrever-vos-eis a ser o que sempre tiverdes desejado. Inclusive dar-vos-eis conta de que o ambiente às vezes vos perceberá como uma ameaça, por a liberdade não ser algo que se aceite no mundo limitado. Aí todos precisam estar atados uns aos outros. Se alguém demonstrar liberdade pessoal as pessoas o perceberão como um tipo qualquer de ameaça que fará cambalear este sistema frágil que o homem construiu.


Pode ser que as pessoas do vosso meio tentem convencê-los a voltarem a adaptar-se ao sistema limitado. Mas, mesmo que os encerrem numa pequena cela, continuareis a usufruir do vosso sentimento de liberdade, e isso não os afectará em absoluto. Cantareis aí para o sol nas horas matutinas e as pessoas limitadas dirão: “Que doido varrido!”. Mas vós direis: “Que vida fabulosa! Existo por completo neste corpo! Por isso, não importa onde me encontre!” Caso o paraíso se encontre aqui e agora, então existirá igualmente numa cela reduzida.


No vosso esforço por obter a liberdade ireis passar a estar, conforme dissemos, cada vez mais próximos do Duplo Etérico. Ireis igualmente formar parte dele. Como homem divino continuareis na posse da vossa identidade. Residindo Deus nos três aspectos, homem limitado, homem ilimitado e divino, o homem divino já não será humanamente subjectivo, mas experimentará uma maior liberdade e uma maior felicidade. Não revelará qualquer tipo de avaliação. Será amor total e nesse processo desempenhará a sua parte cármica, plantio e colheita, que anteriormente terá conduzido o Cavaleiro, a parte divina.


O SONHO ESOTÉRICO


Deus Omnipotente, o próprio Sonhador, guardava este mar à distância, mas não tinha consciência de que Ele fosse tanto o Sonho quanto o Sonhador. Não conseguia encontrar o seu corpo, por a sua realidade sonhada ser parte do Seu corpo. De modo que não apresentava reflexo nenhum de Si Mesmo. A partir do sonho do Sonhador cria-se um processo, que irá tomando forma até chegar ao próprio homem. Deus é o grande Sonhador, que deu início à criação e preencheu este espaço vital. Deus desceu, formando a partir de si próprio uma multiplicidade de homens. Ele busca o conhecimento de que Ele próprio é detentor. Ele cria uma hierarquia, que brota igualmente d’Ele próprio. Ele cria o primeiro número 7, os deuses que representam a Sua imagem e que têm por tarefa buscar o conhecimento a todos os níveis. Cada um desses sete tem o seu próprio sonho, e dividem-se por sua vez em sete... e assim sucessiva. (NT: O que de certo modo é retractado pelos fractais)


O universo que existe no vosso ambiente acha-se rodeado e encerrado num tempo/espaço completamente diferente do que vós próprios concebeis. No vosso meio pode existir um universo que vós não conseguis ver. Poderão estar rodeados por um número infinito de universos que não conseguireis ver nem sentir, por vos encontrardes numa frequência única. 


De outro universo ou outra divindade que atingiu a consumação encarnou-se o Mestre do Sol, o Mestre de um grande número de planetas e surgiu o movimento na hora. Através do Movimento criou-se o reflexo. O Omnipotente tornou-se num sonhador activo. Converteu-se num sonhador que até chegou a sonhar o Seu próprio movimento inicial. O Mestre dos Planetas e o Mestre do Sol existem, mas não se pode dizer que sejam semelhantes a Deus. Deste modo questionamo-nos: Serão partes que não terão cabimento nesta galáxia ou neste universo uma vez que se terão encarnado a partir de um outro lugar? E se eles se tiverem encarnado no momento em que Deus Omnipotente estava a descansar, poderia então existir mais de uma consciência? Ainda existirão? Não, encarnaram-se acima, tomando a foça a partir da qual criarão a sua “morada” e iniciarão o processo do despertar, e o próprio Sonhador o terá ocupado com o seu sonho. O cosmos inteiro encheu-se de movimento, força, energia, e primeiro surgiu a forma gasosa, depois a forma plástica na direcção da linha equatorial da espiral. Aí a gravitação era baixa e o tempo fluido movia-se lentamente e pouco faltou para que tudo de detivesse. Mas uma vez que o centro de gravidade se encontrava no seu caminho, acima da linha equatorial, o desenvolvimento foi atrasado. Formou-se o mineral, e a isso quisera eu chamar de nascimento do átomo físico. Surgiu o reino vegetal, e devido a que a gravitação ainda fosse débil, surgiu uma vegetação de uma exuberância que não conseguis imaginar. O mesmo aconteceu com os primeiros animais. Nem eles nem as plantas teriam podido aguentar um tempo fluido ou uma gravitação como a que temos agora, devido ao tamanho e ao peso que tinham.


Estudando o Génesis, podeis ler que Deus “terá separado as águas debaixo do firmamento, das de cima”. Aí se fala do primeiro dia, do segundo, do terceiro... até ao sétimo dia. Quantas eras parciais existirão, se contarmos a partir do centro espiral do desenvolvimento? Temos sete. Onde nos encontraremos agora? Encontrámo-nos no sexto dia, num outro sonho esotérico, ou o que se terá passado? Esses Mestres cósmicos criaram o movimento, criaram a consciência onde o Todo-poderoso constantemente busca o conhecimento que Ele, apesar de tudo, já possui. Ele acelera um processo que logo precisa converter-se numa actividade própria.


Quando o Cavaleiro baixa obtém as suas experiências a partir da forma gasosa. Transforma-as no Duplo Etérico e no eu Espiritual Superior. A isso poder-se-ia chamar um sonho comum, por o Cavaleiro não se encarnar mas ficar suspenso por cima e reunir diversidade de experiências de grupos, trajecto que inclui todos os reinos vegetal e animal. Quando chega ao homem é quando pela primeira vez se encarna na sua totalidade. Nesse instante terá concluído esse caminho sobre esta cadeia interminável, e assim questionámo-nos quando se terá convertido o Sonhador no sonho. Pois, foi no momento do primeiro movimento, quando Deus começou a procurar por Si Mesmo e quando Ele criou o reflexo da Sua própria imagem, ao buscar o conhecimento, sem saber que Ele próprio o carrega.


O que sucede é que nesse processo, o Sonhador recolhe conhecimento durante todo o trajecto, por Se identificar com o sonho. Por outras palavras, Deus é tanto O Sonhador como o sonho.


Nos vossos mitos, da filosofia esotérica, existem diferentes deuses guardiães de distintos planetas, de diferentes sistemas, onde o Todo-poderoso passa o Seu conhecimento ao que chamamos de deuses. Na primeira etapa existem sete aspectos abaixo d’Ele. Poderíamos dizer que esses sete aspectos vigiam os sete aspectos seguintes. Esses números sete vigiam todo o processo da criação, que são os que preenchem estes inumeráveis mundos, todos os planetas e sistemas solares, cada um dotado do seu próprio conhecimento, com o seu amor por eles próprios, com o seu amor a Deus, com o seu amor por todo o processo da criação que também representa uma parte disso.







VÓS SOIS O PROLONGAMENTO DO BRAÇO DE DEUS NA MATÉRIA


Deus Omnipotente reparte-se por um número infinito de centelhas. Cada centelha, que nós chamamos de Eu Superior Espiritual, divide-se em dois, formando o que designamos por Duplo Etérico. A um deles podemos chamar o polo positivo e ao outro o polo negativo. (Ver o desenho acima)


De cada um desses Duplos Etéricos cai um Cavaleiro e é esse quem se encarna. Pode ser considerado como o braço prolongado de Deus na matéria. Chamamos-lhe Cavaleiro, por cavalgar diferentes corpos ao longo das encarnações. Na sua Trindade, o Eu Superior, o Eu e o Mental Abstracto, desce à Terra para habitar num corpo humano. O Eu Superior acha-se ancorado no chakra frontal e tem como tarefa passar informação ao Duplo Etérico. O chakra frontal permanece em repouso, todavia pode abrir-se. Enquanto não se encontrar activo, a comunicação que o Eu Superior passa ao Duplo Etérico é limpa e destituída de interferências, e tampouco é colorida pela subjectividade da pessoa.


O Eu acha-se ancorado no coração e é portador da memória celular, que consiste em memórias corporais de encarnações anteriores. O Eu coloca essa memória celular na primeira partição celular. Ao mesmo tempo o Eu permanece ancorado nos pontos formados pelos chakras, através dos quais o homem se encontra ligado ao Duplo Etérico, chamado de Harpa de Sete Cordas.


O Mental Abstracto acha-se ancorado no plexo solar e produz em nós um sentimento que não conseguimos explicar nem tampouco descrever. É preciso aceitar e respeitar isso. O Mental Abstracto encontra-se muito próximo da personalidade básica e da ânsia, do anelo, que toda a gente carrega em si.


O Cavaleiro é, pois, quem recebe o fluxo da informação a partir das três conexões que tem e logo a passa ao Duplo Etérico, que por sua vez a transforma para o Eu Superior Espiritual.


Poderíamos dizer que Deus Omnipotente vai vertendo de Si Mesmo por etapas diferentes. A frequência é a mesma em todo esse percurso, desde Deus, o Eu Superior Espiritual, passando pelo Duplo Etérico até ao Cavaleiro, contudo a intensidade vai-se tornando mais débil à medida que vai baixando (reduzindo). Se, por exemplo, se observar uma vela à distância, primeiro será percebida de uma forma débil porém, quanto mais nos aproximarmos, mais intensa se perceberá.


Sois deuses no vosso ser, sois o braço prolongado de Deus na matéria. Não vos podeis separar de Deus. Em cada encarnação o homem terá passado por diferentes estados. Conforme já dissemos, o Cavaleiro recebeu as informações e transformou vivências subjectivas em abstractas e passou-as ao Duplo Etérico, que é completamente objectivo e não avalia os acontecimentos de modo nenhum, acolhendo-os tão só.


Ali acha-se informação armazenada desde a forma gasosa, o período plástico, o mineral, o mundo vegetal e o animal.


Não gozais de livre-arbítrio, conforme já mencionamos tanta vez antes. Há algo que conduz o vosso desenvolvimento, um sonho esotérico cujo tecido nem sequer conseguis imaginar mas que tece os seus fios a partir do Duplo Etérico e do Cavaleiro. Isso influi a personalidade básica que representa um elo no contacto directo com o Eu divino, representado pelo Cavaleiro. O sonho esotérico causa influência sobre a pessoa de modo que ela própria começa a buscar a clareza na sua própria identidade interior. A personalidade básica causa influência sobre o surgimento dos sonhos. 

Também causa influência sobre os acontecimentos que sucedem nas vossas tarefas, na vossa consciência de vigília. Por outras palavras, conduz-vos a um desses pontos.


Pode-se dizer que no princípio existia uma distância infinita entre o Duplo Etérico e o Cavaleiro, mas por meio de cada cadeia de desenvolvimento por que passou, o Cavaleiro se aproxima mais e o nível eleva-se em cada encarnação. Quando o homem desperta e recebe a sua divindade, funde-se com o Duplo Etérico. Ele vai preencher-vos e tornar-vos-eis então num canal mais limpo para a força do amor.


O que descrevemos antes é um sonho esotérico superior. Deus flui através da Totalidade, porém, continua consciente de Si Mesmo. O primeiro aspecto da matéria é a consciência.


O HOMEM SERÁ DEUS?


Vamos abordar as dimensões. Quero vê-las como Distância, a Superfície, o Espaço, o Movimento, o Espectador, o Cavaleiro, o Duplo Etérico, o Eu Superior Espiritual, Deus, o Espaço Desconforme e o Criador do Espaço Desconforme.


Ao examinarmos as primeiras quatro dimensões vemos que apenas existem se nós as experimentarmos. O Espectador é o homem! Fostes vós quem criou este lugar! Fostes vós quem criou a distância, o espaço, a superfície e o movimento no espaço vital! Continuemos agora a avançar para trás perguntando: “Quem foi que criou o Espectador?” É o Cavaleiro, que por sua vez deriva do Duplo Etérico, e do Eu Superior Espiritual e de Deus. A partir do que terá sido Deus criado? 

Onde se terá manifestado Aquilo no espaço vital desconforme? Voltamos à questão de quem terá criado o espaço. O Espectador criou o espaço. Assim, teremos regressado ao homem. O homem será Deus? Se assim for, então também tereis capacidade, então também tereis força, não é verdade?


TUDO SE ENCONTRA AQUI E AGORA


O Cavaleiro obteve conhecimento em cada encarnação, um conhecimento infinito. Abordando-o em tempo cronológico, as encarnações encontram-se muito afastadas umas das outras mas se as considerarmos em termos da fluidez do tempo as encarnações encontram-se situadas como camadas sobrepostas e cada encarnação é contemporânea em relação à daqui e de agora. Desse modo o Cavaleiro percorre todo o percurso desde a forma gasosa até ao presente, enquanto se expande ao longo de todo o trajecto.


Agora vamos traçar uma linha. A parte inferior mostra-nos encarnações desde o século XII até ao presente e a linha superior mostra-nos as horas de um dia a partir das oito da manhã.







No desenho vemos as encarnações que o Cavaleiro tem desde o século XII, que cobrem todo esse tempo e que estão presentes em cada uma dos “recipientes”. Cada encarnação encontra-se como um desenho fantasma e vós sois a síntese de todas elas. Durante o período diurno também tereis existido ao longo de todo esse percurso, pois, conforme é evidenciado, existíeis às oito da manhã e continuais a existir. Existem durante o dia como imagens fantasma e do mesmo modo que o Cavaleiro representa um viajante no tempo; assim também o homem o é. Por vos estardes a mover de um ponto a outro, mas sempre com algo novo, algo que terão acrescentado. Não são os mesmos às 16 horas que eram às 14. Não sois em absoluto os mesmos que eram às 8 da manhã. Tereis obtido mais experiência. Quando vemos este desenho precisamos questionar-nos: Em que tempo vivemos? 

Se o Cavaleiro existe desde a forma gasosa e ao logo de todo o trajecto, estareis então plenamente seguros de que em encarnação vos encontrais neste instante? Poderá a linha ter continuidade? 


Tudo se encontra aqui e agora. Envolvem-vos todas as vossas encarnações. O mesmo se pode dizer das vossas vidas. O Cavaleiro pode comparar-se a uma gota de água que cai na água e a perturba. Faz com que a vida forme pequenos sulcos que se afastam para lentamente vacilarem, coisa que podeis constatar com os pequenos “anéis” que se seguem uns aos outros (na água). A primeira gota representa o ponto zero e logo podemos constatar ano após ano, até que a força motriz se esgota. A força que a gota tinha a fim de manter a sua vida desvanece-se. Então reinará novamente a quietude, mas durante todo o tempo continuais a existir. Cada movimento ondular ainda está lá só que agora de uma forma rígida.


O homem volta as costas ao futuro. A partir da experiência do passado constrói a sua vida passo a passo, mas existindo aqui neste momento. Talvez pudésseis dizer que existis uns segundos, talvez umas horas, antes de vós? Existis em vários sítios e em diferentes edições ao mesmo tempo? Estais ainda a contornar as vossas antigas histórias de amor? Continuais a lutar com os vossos antigos traumas, os vossos conflitos? Só quero que tenhais a impressão de que tudo é bem fluído de modo que até poderia dar-se o caso de não existirdes neste instante, mas que uma imagem espectral, que pensa existir, crie estes problemas ao vosso redor. Tendes de meditar sobre isso.


Indo para trás no tempo existis como imagens espectrais. Observai duas das encarnações que se mostram no desenho. O Cavaleiro moveu-se de um quadro para o outro, mas o Cavaleiro continua a estar também no primeiro. Com o seu braço prolongado construiu una nova vasilha a partir das experiências da anterior. Toda essa vida, que aquele corpo terá tido, encontra-se ligada ao seu próprio pequeno quadro no tempo/espaço. Todo o percorrido existe, em cada pequeno troço, mas não possui vida própria até que vós lhe atribuais de novo um espírito. Não o podeis fazer sem que exista ali alguém que seja subjectivamente consciente e que possa voltar a dar-lhe vida. Faz falta um Espectador novo para poder voltar a repetir o percurso para poder dar-lhe vida. Aqui se encontram essas marionetas numa larga linha, em que cada figura se terá tornado rígida, até que um Espectador volte a fixar-se nela e lhe dê vida.







UN SERVIDOR ETERNO

DE UMA FORMA DE DESENVOLVIMENTO A OUTRO



Vamos examinar um pouco a espiral do desenvolvimento. Por baixo de tudo encontra-se a forma gasosa, a seguir vem a forma plástica, a mineral, o reino vegetal, o reino animal e o homem. O Cavaleiro encarna-se num corpo até chegar ao homem. Só verifica os grupos de vegetais e de animais. Como estes apresentam uma ordem de atrito tão baixa, necessitam, por assim dizer, de uma massa maior para poderem ter as suas experiências vitais. Se os compararmos, a forma gagosa terá uma periodicidade de tempo fluido muito mais ampla no quadro do fluxo do tempo do que poderá ter o reino vegetal. A forma plástica possui um quadro muito maior que o reino animal. (Ver desenho anterior, da espiral do desenvolvimento)


O Cavaleiro baixa a um grupo de vegetais, primeiro de uma hierarquia inferior e de seguida a vegetais mais desenvolvidos. O reino vegetal possui memória, e também tem emoções e certa forma de conhecimento, mas não possui subconsciente. O reino vegetal possui visão, audição, tacto, olfacto e paladar. Se causardes dano a um vegetal ele poderá reconhecer-vos e reagir com um sentimento que reconheceríeis como medo. Mas não tem lugar como um trauma no vegetal, porque nesse caso não poderia servir ao grau superior, o reino animal. O reino vegetal presta-se ao desenvolvimento do reino animal. O reino animal desenvolveu-se a partir do reino vegetal e o homem por sua vez a partir do reino animal.


O reino animal possui um subconsciente rudimentar. Nos animais, os sentidos acham-se separados; por outras palavras, a visão, a audição, o paladar, o olfacto e o tacto encontram-se plenamente desenvolvidos em espécies diferentes. Desse modo, os animais também aprendem por meio dos seus sentidos e possuem um mundo emocional diferente do mundo vegetal. Alguns dos animais possuidores de uma individuação mais avançada podem guardar no seu subconsciente certas situações conflituosas.


No reino animal existem igualmente estados de sonho e um inconsciente que recebe informação do consciente diurno e dos sentidos. Mas, uma vez que o subconsciente não funciona, a informação não seria armazenada. Por vezes pode passar ao estado de sonho. Os estados do sonho nos animais não funcionam da mesma maneira que no homem. Podíamos exemplificar um grupo de cachorros que possuam um Cavaleiro em comum. Um desses cachorros sonha, só que o sonho não procede do seu subconsciente. Pode receber sonhos directamente da consciência superior do planeta, mas o seu sonho pode igualmente representar a experiência que um outro cachorro tenha, no estado desperto que se transforma e os dois cachorros experimentem o mesmo. O que significa que um grupo de animais que possuam um Cavaleiro em comum, têm consciência uns dos outros nos seus sonhos. Os animais vivenciam em separado os períodos em que se encontram despertos, todavia no sonho têm uma consciência de grupo e aí não importa a que distância exista se encontrem entre si.


No homem, o Cavaleiro encontra-se encarnado num corpo físico. Possui um subconsciente desenvolvido. Os seus sentidos e consciência diurna encontram-se igualmente desenvolvidos e possuem a sua própria identidade. O homem possui um consciente inconsciente, que recolhe conflitos do subconsciente e os conduz ao estado do sonho.


Existe uma subserviência constante a partir da forma gasosa para com cada passo seguinte do desenvolvimento. A partir da forma gasosa foi-se construindo a forma plástica. A partir da forma plástica foi-se construindo a mineral. Sem o reino mineral não existiria nem uma só planta. Sem o reino vegetal não haveria reino animal e sem o reino animal não existiriam homens. Cada passo é um servidor do seguinte.


O PLANETA É VOSSA MÃE – CUIDAI DELA!


A supraconsciência acha-se em contacto directo com a consciência planetária. O planeta encontra-se mais adiantado do que o homem, na sua consciência. O homem segue-o logo atrás. Devido a que o seu corpo pertença ao planeta também se encontra ancorado neste e poderia perceber a consciência planetária. De seguida damo-nos conta de que o homem se encontra separado do planeta pelo seu subconsciente e pelas camadas que precisa afastar.


Infelizmente, o homem divorciou-se do planeta. Utiliza o corpo animal que carrega e de certo modo revela-se senhor da criação. Situa-se num vazio entre o planeta e Deus e cria a sua própria realidade, a qual se situa fora de ambos. O homem deveria compreender que o seu corpo pertence ao planeta e que este também possui uma tonalidade que terá procedido dele.







Na imagem seguinte existem três aspectos desenhados sobre o planeta. Trata-se da concepção, da encarnação e do nascimento. Esses três unidos acham-se entroncados num aspecto do planeta e nos da frequência básica. O homem possui a capacidade, através da frequência básica única, de colher impressões da consciência planetária. Trata-se de uma informação, uma informação planetária que é seguida pelo percurso cíclico; dito por outras palavras, influencia o homem no sentido de aprender a escutar as correntes planetárias. Se observarmos o reino animal, poderemos ver que durante um tempo considerável antes de catástrofes naturais as distintas espécies de animais reagem e mudam-se das regiões que se encontram ameaçadas pela catástrofe. O planeta dá-lhes um sinal de aviso: “Escutai, estou a limpar!” Tal mensagem poderia ser igualmente percebida pelo homem através do seu chakra base, mas, devido ao seu ego subjectivo, ele excluiu a capacidade de reagir por impulso.


Quero dar-lhes um exemplo da informação planetária. Digamos que existem diferentes impulsos implantados no fluido que as pessoas podem receber. Podem ser impulsos de inventos. Pode ser algo em que normalmente não se pensa. Simplesmente dão continuidade a um modelo. O planeta encontra-se num tempo existencial e o homem no seu tempo e lugar. Vemos três homens distintos dotados de uma frequência básica igual, mas que vivem a grande distância uns dos outros. Um desses três homens poderá ter uma ideia por o fluido encerrar um impulso para um invento que se situa num tom dotado de uma certa frequência básica. Ele acolhe a ideia. O outro recebe a mesma ideia e o terceiro também. Mas devido ao facto de existir uma pequena diferença nas suas frequências básicas, assim com nas suas vivências, cada um deles irá desenvolver essa ideia de um modo algo diferente. Terminarão os seus trabalhos mais ou menos ao mesmo tempo, e isso terá resultado em invenções. O primeiro dirá ao mundo: “Olhai o que eu consegui! Isto é revolucionário e irá mudar as vossas vidas!” Os outros dois enfurecer-se-ão e dirão, cada um por seu lado: “Roubaram-me a ideia, por ser evidente que a máquina dele constitui quase uma cópia da minha e eu saber que fui o primeiro!” Os três são reportados como plagiadores. Essas coisas ocorrem de vez em quando neste planeta e não se trata de plágio nenhum. O que sucede é que os três terão recebido a mesma ideia e a terão desenvolvido.


Viveis catástrofes naturais. Viveis contaminação e de algum modo o homem deste planeta pensa que isso seja parte natural do ciclo vital. Ficai a saber que sois vós que o criais! Podeis dizer que tenha sido a indústria que tenha criado a contaminação e que vós não colaborais nisso. Mas vós encontrais-vos aqui e agora e contemplais como o planeta de certo modo é violado e dizeis: “Isto é formidável, mas não é obra minha.” Não será? Não podeis observar de uma forma passiva (NT: Não existem espectadores. O observador faz parte e acha-se incluído na observação). Nesse caso não sereis cúmplices? Com esse mesmo raciocínio alguém terá dito: “Que Carma mais formidável terá o inventor da bomba atómica!” Mas, se vós sois cúmplices! Cada um que observa passivamente também o terá aceitado – pelo medo que sente. Se perdessem o vosso medo poderiam atacar o problema de uma forma objectiva. Se, ao contrário, atacarem a vida de uma forma subjectiva, ocupar-se-ão da vossa própria existência e não da existência que tendes em comunidade.


Deixai que surja uma consciência comum, que não inclua unicamente aqueles que vivem neste país e deixai que se expanda! Afirmei antes que o Unificador virá dos países nórdicos. Cristo disse: “Eu não sou o Príncipe da Paz. Durante a minha era, pais lutarão contra filhos, filhos contra pais, nação contra nação, mas logo virá o Príncipe da Paz caminhando pelos céus.” O Unificador está a passar pelas dores de parto. O Unificador virá num número com algarismos grandes e será formidável olhá-lo por ele não ter medo. Não tem medo da vida. Tampouco tem medo da morte por ele saber que não há nem vida nem morte no antigo sentido da palavra, e trata-se unicamente de um estado de frequências diferentes. Ele é carinhoso. Ele unifica, reúne...


Alguma vez tereis formulado a ideia de que este planeta seja “o vosso lar”? E se fosse o vosso lar, então ninguém poderia pretender ser dono de coisa nenhuma, não é? O planeta é vossa mãe, que vos dá de comer, que vos dá calor. Amai-o e cuidai dele! Defendei-o!


...


Queridos filhos! Quisera ensinar-lhes tanta coisa do que existe ao vosso redor, e que se encontra oculto para o homem, mas que se poderá obter por meio de uma vivência abstracta onde um clarão de compreensão, que não dura mais que um segundo, muda a vida de uma pessoa. Isso é tudo quanto faz falta. A busca de uma vida pode ser resolvida num clarão que não comporte palavras a descrevê-lo. Apenas o sentimento se derrama e vós, estranhados, dais-vos conta de não o poderdes contar aos outros, por vos faltar as palavras para o descrever.


Mostrai quem sois! Florescei tal com o faz a natureza. Sejam as árvores, as flores! Rejubilai pela vossa natureza interior, sem condição e sem que vos importeis se alguém vos vir. Deixai que a natureza vos sirva de imagem. Amai o mundo que vos rodeia, sem condições.


Se alguém vos cometer algum dano, do mesmo modo tentai dar amor, em troca. Então resplandecereis como as flores que cortais para por na jarra, para desfrute da vista, e privastes a planta de uma parte vital da sua expressão. Ainda assim irradia amor para vós. Murchará e morrerá antes de ter cumprido a tarefa para que se manifestou. Privai-las da sua força mas, ainda assim, enquanto contiver uma centelha de consciência, elas vos darão tudo quanto puderem manifestar, o seu aroma e o seu amor.


Era assim que deveríeis actuar para com o vosso meio. É a maneira de exercer contacto, de encontrar compreensão e de estar unidos com a natureza. Ela quere-vos mais do que podeis imaginar. Repetidamente manifesta a sua beleza interior, atinge o seu culminar e toda a natureza se alegra. Não importa se é um abeto ou um pinheiro, uma bétula ou uma flor, podeis-vos alegrar por agora todo o seu desenvolvimento ter atingido o culminar.


Ah, queridos filhos! Estes seres encontram-se repartidos por todas as partes no vosso planeta...


Ouvi, queridos filhos. Alguma vez tereis experimentado, ao passear pela natureza sozinhos e em silêncio, que estais a ser observados? Não conseguis precisar do que se trata, mas podeis dar-vos conta de que são valorizados. Prontamente tornar-vos-eis conscientes de que ao vosso redor há bétulas, carvalhos, e podeis sentir a sua consciência. Avergonhais-vos de não terdes dado conta da sua presença antes. Por o que antes viam ao vosso redor não passavam de troncos. Caminháveis por um carreiro que só tinha raízes que vos levavam a tropeçar. A erva que pisáveis não passava de algo verde. Acalmai-vos em meio à vossa caminhada. Abraçai as árvores e senti as pulsações de vida que emitem, e como vos dão todo o seu amor. Aquele que ext6rai a seiva da bétula pela primavera, vai-lhe tirando o sangue. Ainda assim, possui uma força vital tão esmagadora e transbordante que há quanto baste para todos. Doa tudo quanto possui ao homem e aos animais, a quem serve. Procura dar sombra aos quadrúpedes e aos pássaros que voam pelos ares dão-lhes comida e sítio para nidificar.


...


Há muitos tipos de devas diferentes e todos se comprometem de maneira diferente com a natureza, que é o seu menino mimado a quem cuidam e amparam. Se quiserdes ver o deva, deixai que se manifeste e estabeleça contacto convosco e se vos tocar não vos assusteis, pois a partir desse momento sempre ireis sentir harmonia interior. Se chegardes a escutar o Pan a tocar a sua flauta, então sentai-vos quietos e escutai. Se vos sobrevier um impulso para o observar, fazei-o, mas se começardes a procurá-lo, distanciar-se-á cada vez mais. Precisais esperá-lo na tranquilidade, por ser quando os seres da natureza vêm a contactar-vos, por poderem reflectir-se no vosso interior, ver os vossos pensamentos e os vossos sentimentos.


Nada mais tenho a dizer-vos neste momento. Só desejo acrescentar que vos quero mais do que podeis imaginar. Sois crianças. Sem levar em conta a idade, sois crianças a desenvolver-vos. Eu, pela minha parte, também tenho desenvolvimento adiante, só que cheguei mais acima na encosta do que vós, e por isso o horizonte de que gozo é mais amplo. Mas por cima de mim estão os que conseguem ver mais longe que eu. Não vos coloqueis acima de ninguém. Sejam sempre aquele que ergue e que ajuda o vosso irmão. Sejam sempre o rochedo, quem dá apoio, o que participa. Os impulsos que fluem na direcção do planeta irão correr através de vós!


Fim

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